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GRUPO EDUCACIONAL FAVENI

IRENE APARECIDA OLIVEIRA CRISPIM

A GESTÃO ESCOLAR NA EDUCAÇÃO INFANTIL E A IMPORTÂNCIA


DA IMPLEMENTAÇÃO DA LEI 106039/03

NOVA FRIBURGO
2019
GRUPO EDUCACIONAL FAVENI

IRENE APARECIDA OLIVEIRA CRISPIM

A GESTÃO ESCOLAR NA EDUCAÇÃO INFANTIL E A IMPORTÂNCIA


DA IMPLEMENTAÇÃO DA LEI 10639/03

Trabalho de conclusão de curso


apresentado como requisito parcial à
obtenção de título de especialista em:
Gestão Escolar (Administração, Supervisão,
Orientação e Inspeção).

NOVA FRIBURGO
2019
A GESTÃO ESCOLAR NA EDUCAÇÃO INFANTIL E A IMPORTÂNCIA
DA IMPLEMENTAÇÃO DA LEI 10639/03

RESUMO – O presente artigo foi elaborado através de pesquisas bibliográficas referente


a implementação da lei 10639/03 nas escolas que tem como objetivo o ensino de História e
Cultura Afro-Brasileira. Buscando apresentar a importância do contato desta cultura às crianças,
desde a primeira infância. Do mesmo modo, apontando para a questão do papel do gestor na
educação infantil bem como a importância do ato de planejar e motivar a sua equipe para se
obter um resultado positivo em sua gestão. Apresentando também a importância da postura e
discernimento do profissional da educação em lidar com conflitos referentes as questões raciais
que possa ocorrer no ambiente escolar.

PALAVRAS-CHAVE: Gestão Escolar. Educação Infantil. Lei:10639/03.

1 INTRODUÇÃO

O presente artigo visa promover uma reflexão diante da temática Étnico-


racial e o papel do gestor na educação infantil. Busca conscientizar à importância
do gestor escolar quanto às ações de inclusão da cultura afro-brasileira na
educação infantil. Levando em consideração que o início escolar é de suma
importância para a construção da aprendizagem. Visto que é neste momento que
a criança além do ambiente familiar, passa a ter contato com outras crianças,
iniciando o seu processo de socialização.
Atentando quanto o papel da gestão escolar na educação infantil, onde o
gestor terá que ter bastante atenção e cuidado. Uma vez que o público a ser
atendido será de 0 a 3 anos, no caso das creches e de 4 a 5 anos, no caso das
pré-escolas. Podendo ser o ambiente escolar o local onde essas crianças
passarão o maior tempo do dia, se forem matriculadas na modalidade integral.
Além disso, apresenta a definição do que é ser gestor e a importância do
seu papel de orientar e motivar a sua equipe profissional em uma unidade
escolar. Tudo isso aliado ao ato de planejar. Salientando que mesmo com
planejamento prévio, o gestor deve ter estratégias para uma eventual mudança
inesperada.
Ressaltando que o gestor pode enfrentar diversas dificuldades na unidade
escolar na qual trabalha. Estas dificuldades podem estar associadas ser a falta
de estrutura física do prédio em que funciona a escola, baixos salários dos
profissionais, e até mesmo a falta de qualificação desses profissionais.
O trabalho foi elaborado através de pesquisas bibliográficas referente a
importância da gestão com o ato de planejar, motivar e o papel do gestor na
educação infantil. Do mesmo modo, apontando para a sensibilização do gestor
e toda a sua equipe escolar para a implementação da lei 10639/03 que tem como
objetivo ensino de História e Cultura Afro-brasileira e Africana. Ressaltando a
importância do contato com a cultura africana desde a primeira infância e a busca
da sensibilização destes profissionais que deve ser promovido pelo gestor
através da conscientização da importância desta temática em sala de aula.

2 A Gestão Escolar e a importância do ato de planejar

A gestão escolar pode ser definida como a promotora da organização e


articulação dos processos essenciais do funcionamento de uma escola e de toda
sua equipe de profissionais que visa o aprendizado efetivo dos alunos. Tendo em
vista a orientação que pode ser feita de maneira democrática para o alcance dos
objetivos através da ênfase na qualidade e motivação da equipe escolar.
O gestor apresenta o papel de liderança e tem a responsabilidade de
dirigir as decisões para a garantia da qualidade na educação. De acordo com os
apontamentos de Luck:
Uma forma de conceituar gestão é vê-la como um processo de
mobilização da competência e da energia de pessoas coletivamente
organizadas para que, por sua participação ativa e competente,
promovam a realização, o mais plenamente possível, dos objetivos de
sua unidade de trabalho, no caso, os objetivos educacionais. (LUCK,
2011, p.21)

Para que tais ações tenham efeito, cabe salientar a importância do ato de
planejar. O planejamento prévio pode ser de suma relevância, podendo ser
utilizado como um ponto de partida para a criação e práticas dos projetos
propostos pela equipe pedagógica. Tornando possível a implementação de um
projeto previamente escolhido para atingir os objetivos. Segundo Luck:

A partir de uma visão abrangente e integradora, o planejamento


contribui para a coerência e consciência das ações, promovendo a
superação do caráter aleatório, ativista e assistemático. Como
instrumento de preparação para a promoção de objetivos, ele antecede
as ações, criando uma perspectiva de futuro, mediante a previsão e
preparação das condições necessárias para promovê-lo (...). (LUCK,
2009, p.33)

Sendo assim, torna-se viável afirmar que o sucesso da gestão escolar


pode ser elencado ao processo de organização e acesso democrático feito pelo
gestor aos demais integrantes da escola. Uma vez que o objetivo principal é o
ensino e a aprendizagem do aluno. Como determina Arguin:

É um processo de gestão que apresenta, de maneira integrada, o


aspecto futuro das decisões institucionais, sua missão, sua orientação,
seus objetivos, suas metas, seus programas e as estratégias a serem
utilizadas para assegurar sua implantação. (ARGUIN, 1988, p.23)

Cabe salientar que, embora haja um planejamento prévio, este não deve
ser algo fixo e sim flexível. Uma vez que, uma unidade escolar pode sofrer com
mudanças no que tange o orçamento, desgaste de materiais que nem sempre
podem ser previstos e obras inesperadas, por exemplo. Sendo necessário a
percepção do gestor para estar atento a qualquer mudança inesperada.
Com isso, torna-se extremamente necessário ao gestor utilizar-se de
estratégias para a adaptação do planejamento inicial, caso seja necessário.
Sabendo que agir com controle diante de situações inesperadas, tanto no trato
com as pessoas que tem que coordenar, quanto com a atenção com as crianças,
podem ser considerados como pontos relevantes para que haja o sucesso em
sua gestão. Por isso a importância de o diretor escolar estar atento a tudo e a
todos a sua volta.

2.1 A Gestão Escolar na Educação Infantil

A educação Infantil requer do gestor um cuidado especial. Visto que, estas


unidades recebem crianças de 0 a 3 anos, no caso das creches e de 4 a 5 anos,
nas pré-escolas. O que denota maior atenção do gestor e da sua equipe de
profissionais, por se tratar de crianças muito pequenas. Como é apresentado no
artigo 29 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional:

A educação infantil, primeira etapa da educação básica, tem como


finalidade o desenvolvimento integral da criança de até 5 (cinco) anos,
em seu aspecto físico, psicológico, intelectual e social,
complementando a ação da família e da comunidade.

Por essa razão, cabe ao gestor escolar ter a atenção e os cuidados


necessários, quanto à qualidade e adequação dos conteúdos pedagógicos
propostos para os alunos. Incentivando a equipe de professores à participação
de cursos de formação continuada na área da educação infantil. Prestando
atenção no espaço físico da escola que deve estar sempre adaptado às
necessidades das crianças. Visto que o profissional de educação infantil deve
ter um bom domínio de conhecimentos culturais e científicos, como define
Gomes:

Tal profissional deve apropriar-se de profundo conhecimento de si


próprio e da criança, dominar conhecimentos culturais e científicos,
produzir uma visão crítica e política de realidade, gostar da criança, e
compreender sua forma lúdica e criativa de conhecer, além de
desenvolver as capacidades de observação e reflexão, de articulação
criatividade e dinâmica em teoria e prática de trabalho em equipe.
(GOMES, 2009, p.51)
Tendo em vista que a educação infantil é a primeira etapa de ensino,
sendo a creche ou a pré-escola o local em que a criança passará a conviver com
outras crianças de sua faixa etária. É neste ambiente também que passará a ter
contato com outros adultos que não são membros de sua família. E, em função
disso, é importante que este aluno se sinta acolhido e atendido de acordo com
suas necessidades por todos os funcionários que compõem a unidade escolar,
ainda mais se este aluno estiver matriculado em horário integral. Onde a escola
passará ser o ambiente em que este aluno ficará o dia todo.

2.3 A implementação da lei 10639/03 na Educação Infantil

A educação infantil pode ser considerada como o primeiro lugar em que a


criança conviverá com as diversidades raciais, ainda mais se esta for matriculado
em uma unidade de ensino público. O que impulsiona o surgimento da
necessidade de atenção quanto as questões das diversidades. Por essa razão,
faz-se necessário a prática da Lei 10639/03 que visa promover o acesso ao
ensino da História e cultura afro-brasileira e Africana no ambiente escolar.
Ocorre que muitas das vezes as unidades escolares que se compreendem
em creches ou pré-escolas, na maioria das vezes encontram-se em péssimas
condições de funcionamento. Apresentando baixa qualidades na infraestrutura,
poucos recursos pedagógicos, baixos salários e a falta de qualificação dos
profissionais atuantes nesta área de ensino. O que pode ocasionar no
desinteresse da equipe em trabalhar em busca de uma qualidade de um ensino
melhor.
Diante desta realidade, cabe ao gestor buscar motivação para impulsionar
a sua equipe em sempre seguir adiante. O que de certa forma, já se torna um
desafio por si só. Sendo a motivação algo de suma importância, pois através
dela é que se pode ter um resultado positivo, que, de acordo com Luck (2002
p.46), a motivação é a chave que abre a porta para o desempenho de qualidade
em qualquer situação, tanto no trabalho, como em atividades de lazer e, também
em atividades sociais e pessoais.
Ao desempenhar o papel de motivador de sua equipe de profissionais,
torna-se importante a clareza do gestor em sensibilizar-se a si e a toda sua
equipe quanto a importância da implementação da Lei de Diretrizes Curriculares
Nacionais para a Educação das Relações Étnico - Racial e Cultural Afro-
brasileira e Africana. Além da busca de utilização de recursos pedagógicos
referente ao tema poderá ser trabalhado de forma positiva, uma vez que:

Independentemente do grupo social e/ou étnico-racial a que atendam,


é importante que as instituições de Educação Infantil reconheçam o
seu papel e função social de atender às necessidades das crianças
constituindo-se em espaço de socialização, de convivência entre iguais
e diferentes e suas formas de pertencimentos, como espaço de cuidar
e educar, que permita às crianças explorar o mundo, novas vivências
e experiências, e ter acesso a diversos materiais como livros,
brinquedos, jogos, assim como momentos para o lúdico permitindo
uma inserção e uma interação com o mundo e com as pessoas
presentes nessa socialização de forma ampla e formadora. (BRASIL,
2006 p. 37)

É necessário pontuar que a discriminação racial traz consequências que


podem ser ainda piores, quando cometido no ambiente escolar. Visto que a
criança que está inserida neste meio poderá sofrer sequelas que poderão levar
para o resto de sua vida:

A discriminação vivenciada cotidianamente compromete a socialização


e a interação tanto das crianças negras quanto das brancas, mas
produz desigualdades para as crianças negras, à medida que interfere
nos seus processos de constituição da identidade, de socialização e
de aprendizagem. (BRASIL, 2006, p. 38).

Tornando-se necessário a busca em aprendizados relacionados a


diversidade racial. Sendo de suma importância que toda a equipe escolar reflita
sobre a sua postura em relação aos conteúdos de teores racistas. Bem como o
seu comportamento diante dos conflitos que possam surgir em sala ou em
qualquer outro espaço da unidade escolar. Visto que alguns professores não
sabem como lidar diante de uma situação de racismo dentro de sala de aula. De
acordo com Munanga tais situações acontecem devido:
(...) alguns professores por falta de preparo ou por preconceitos
introjetados, não sabem lançar mão de situações flagrantes de
discriminação no espaço escolar e na sala como momento pedagógico
privilegiado para discutir a diversidade e conscientizar seus alunos
sobre a importância e a riqueza que ela traz à nossa cultura e à nossa
identidade nacional. Na maioria dos casos, praticam a política de
avestruz ou sentem pena dos “coitadinhos”, em vez de uma atitude
responsável que consistiria, por um lado, em mostrar que a diversidade
não constitui um fator de superioridade e inferioridade entre os grupos
humanos, mas sim, ao contrário, um fator de complementariedade e
de enriquecimento da humanidade em geral; e por outro lado, em
ajudar o aluno discriminado para que ele possa assumir com orgulho e
dignidade os atributos de sua diferença, sobretudo quando esta foi
negativamente introjetada em detrimento de sua própria natureza
humana (MUNANGA, 2005, P.15)

Diante do exposto, cabe sobre ressaltar a importância do professor em


agir com discernimento no ambiente escolar, sobretudo, perante as situações
preconceituosas que envolvam as diferenças de raças. Ainda mais, quando se
trata de crianças pequenas que estão começando a desenvolver o processo de
socialização. O que pode ser complementado por uma gestão democrática,
sensíveis à importância das questões étnicos-raciais.

CONCLUSÃO:

Ao fazer esta pesquisa foi possível observar que, ainda há muito a ser
feito para que haja implementação da lei 10639/03 nas escolas. Fazendo-se
necessário que os professores de educação infantil, juntamente a seus gestores
tenham a consciência da importância da busca de conhecimentos que podem
ser feitas por cursos de especialização na área de cultura afro-brasileira e
africana no Brasil.
Cabendo ao gestor desempenhar o papel de motivador de sua equipe de
profissionais. Orientando e dialogando sempre que possível com todos. Podendo
proporcionar com isso, aspectos positivos em sua gestão. Mesmo diante dos
desafios o que ocorre. Visto as péssimas qualidades na infraestrutura, poucos
recursos pedagógicos e a falta de qualificação dos profissionais atuantes nesta
área de ensino que é numerosa.
Embora, aconteça que na maioria das vezes, as instituições não oferecem
programas de formação continuada referente à implementação do ensino da
história e cultura afro-brasileira e africana. E quando há oferta, poucos são os
funcionários que se interessam pelo tema. Já que infelizmente, muito desses
profissionais ainda tem introjetado em suas mentes o preconceito racial.
O que é de fato lamentável, uma vez que, tais comportamentos só fazem
prejudicar a inserção das crianças desde cedo nesta modalidade de ensino.
Fazendo com que se torne ainda mais complexo e vagaroso o cumprimento da
lei 10639/03 que tem como objetivo a inserção pedagógica do ensino sobre a
importância da cultura negra na formação da sociedade brasileira.
Por isso, cabe salientar que, por mais árduo que seja este caminho, ele
se faz necessário. Uma vez que a creche ou pré-escola é o ambiente em que,
na maioria das vezes, a criança passa o maior tempo do dia, sendo este um
espaço de socialização. por isso, a necessidade da garantia de uma educação
inclusiva e de qualidade. Reiterando quanto a sensibilização do gestor em
atentar para a importância do ensino de história e cultura afro-brasileira e
africana quanto a mobilização feita pelo mesmo em relação a toda a sua equipe
escolar.

REFERÊNCIAS:

ARGUIN, G. O planejamento estratégico no meio universitário. Tradução de


Valdemar Cadó. Brasília: Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras,
1988.

BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Lei nº 9.394, de 20


de dezembro de 1996. Disponível em:
<http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/ldb.pdf . > Acesso em: 06/09/19
GOMES, Marineide de Oliveira. Formação de professores na educação
infantil. São Paulo: Cortez, 2009. (Coleção docência em formação. Série
educação infantil).

LUCK, Heloísa. Apresentação. In LUCK, H. (Org). Gestão escolar e formação


de gestores. Brasília, 2000.
LUCK, Heloísa. Ação Integrada: Administração, Supervisão e Orientação
Educacional. Petrópolis: Vozes, 2002.

MUNANGA, Kabengele (org). Superando o racismo na escola. Brasília:


MEC ,2005.

SANTANA, Patrícia. M. de S. Construindo referencias para abordagem temática


étnico-racial na Educação Infantil. In: SECAD. Orientações e Ações para a
Educação das relações Étnico-raciais