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Entender a origem do magnetismo na matéria. Conhecer as diversas propriedades magnéticas intrínsecas dos materiais. Dar as bases para entender os efeitos da microestrutura nas propriedades magnéticas.


Um ímã atrai objetos de ferro, ímã não atrai objetos de madeira, de plástico, de cobre ou alumínio. Ímãs tem polos: os polos iguais se repelem, polos opostos se atraem. A bússola aponta para o norte. Como explicar? Como quantificar?

Alguns são muito atraídos pelo campo de uma bobina:

os ferromagnéticos alguns são fracamente atraídos: paramagnéticos alguns são fracamento repelidos: diamagnéticos

Como medir o comportamento dos

* I / l

materiais?

Bobina dá



Conclusão: sensível, mas difícil de medir

Força que 1g de material sente quando sujeito a campo muito

+ 400.000

+120.000

+280

-2,6

+20

+17

-16

-22

0

0

fórmula (1,8T)

O 2 + N 2

CuCl 2

Fe 3 O 4 Fe

H 2 O Cu NaCl

Na

Al

forte

sódio alumínio cloreto de cobre

água cobre cloreto de sódio

magnetita

vácuo

ferro

ar

força (miligramas-força)
força
(miligramas-força)

química

substância

Técnica é boa mas só se aplica a ímãs

chamaremos a propriedade da agulha de momento magnético da agulha (em Am 2 ) a propriedade do material da agulha é a

O torque que a agulha da bússola sente é proporcional ao campo aplicado e a uma propriedade da agulha.

(produto vetorial)

magnetização M = m / V (em A/m)

µ o H

x

= m

τ


• A agulha da bússola acumula energia quando não está alinhada paralelamente ao campo H:

= - µ o . H . m . cos θ (em joule) = - µ o . H . M . cos θ (em joule/m 3 )

(produto escalar) =

= - m * µ o H

E ms

E ms

E ms

Como a variação do fluxo magnético cria uma diferença de potencial elétrico, invertendo o raciocínio, a integração da diferença de potencial mede o fluxo magnético induzido.

portanto, medindo B e H terei a propriedade do

+ M)

material, a magnetização.

* Udt

B = µ o . ( H

== NAA 1φ

B Mas

campo magnético aplicado H Material diamagnético

Material paramagnético

Material ferromagnético
Material ferromagnético

Magnet.

M

• Susceptibilidade magnética χ = M / H

0,999 97

0,999 96

1,000 08

µ R 99

1,000 02

1,000 83

10.001

0,999

A /m)

-2,02*10 -6 -2,74*10 -6

-6

6,18*10 -6

1,65*10 -6

66*10 -6

10.000 *

-0,77*10

(para

χ

H=80

Tungstênio

Manganês

Alumínio

Cobre

Prata

Ouro

ferro

paramagn

ferromag

diamagn

Nos ferromagnéticos, a susceptibilidade varia, acontece a saturação magnética

J (T) Fe 2,16 1,79 Co Ni 0,611 H
J (T)
Fe
2,16
1,79
Co
Ni
0,611
H

J s tende a zero na temperatura de Curie. Acima de Tc, susceptibilidade se comporta como se fosse paramagnético.

tende a zero na temperatura de Curie. • Acima de Tc, susceptibilidade se comporta como se

1/T

Em temperaturas baixas e campos altos a susceptibilidade deixa de ser constante, a polarização magnética tende a valor de saturação, como se fosse um material ferromagnético.

Variação da suscep. dos paramagnéticos com a temperatura

ferromagnético. Variação da suscep. dos paramagnéticos com a temperatura Suscept. χ Suscept χ Temperatur
Suscept. χ Suscept χ Temperatur
Suscept.
χ
Suscept
χ
Temperatur

Cada átomo é um “ímã”, tem um momento magnético m atôm eles não interagem entre si, só com o campo externo. Cada átomo sente a energia magnetostática = - µ o . H . m at . cos θ Energia térmica introduz agitação, que contrabalança alinhamento


Representação do Paramagnetismo de Langevin

T

H

Representação do Paramagnetismo de Langevin T H J = 0 J = J S

J = 0

J = J S

J = 0 J = J S
J = 0 J = J S
J = 0 J = J S
J = 0 J = J S
J = 0 J = J S
J = 0 J = J S
J = 0 J = J S
Representação do Paramagnetismo de Langevin T H J = 0 J = J S

paralelos!

Como acima de Tc o comportamento é de paramagnéticos Weiss concluiu que

m atôm

Paradoxo: está espontaneamente

de Tc,

estão todos

saturado?

abaixo

Suscept χ T Temperatura C
Suscept
χ
T
Temperatura
C

estão alinhados paralelamente, mas na região vizinha está orientada noutra

onde os m atôm

Proposição da existência de domínios magnéticos:

direção

regiões

noutra onde os m a t ô m Proposição da existência de domínios magnéticos: direção regiões

Vem dos elétrons que giram em torno do átomo e em torno de si mesmos. Nos elementos de transição (tipo Fe, Ni, Co) o magnetismo vem do spin dos eletrons. Nos elementos de terras-raras (tipo neodímio, samário) o magnetismo vem do movimento orbital.


mom magn = (corr. elétrica) * (área órbita do elétron)

Am 2

momento angular do eletron é múltiplo inteiro de h:

Então m = [e * ( v/2πr) ] * ( πr 2 ) = e v r / 2

Magneton de Bohr = 9,273 * 10 -24

Massa*v*r = nh/2π

m = e h / 4 π massa cada elétron terá

Se cada um dos 26 eletrons do Fe contribuíssem com 1 µB então Js= 26T entretanto os eletrons ficam aos pares, com spins contrários, um anula o outro. Só os eletrons com spin desemparelhado contribuem para a saturação magnética.


Um átomo de ferro metálico tem 26 elétrons mas só dois desemparelhados: Js=2,2 µB num óxido os átomos existem como íons Fe 2+ tem 4 µB Fe 3+ tem 5 µB no entanto a magnetita Fe 2+ O.Fe 3+ 2 O 3 tem J s = 0,64T




ferrimagnetismo

antiferromagnetismo

ferrimagnetismo antiferromagnetismo
ferrimagnetismo antiferromagnetismo
ferrimagnetismo antiferromagnetismo

Os eletrons da última camada do anion O-- tem spins contrários. cada eletron é compartilhado por um átomo de Fe vizinho. Os átomos de Fe vizinhos ficam com momento magnético oposto

Fe


O Fe
O
Fe

16 momentos “para cima” 8 momentos “para baixo” resultam em 8 momentos Fe 3+ tem 5 µB célula unitária tem 40 µB Js=0,69T a 0K experimental: 0,7T!

resultam em 8 momentos Fe 3 + tem 5 µ B célula unitária tem 40 µ

No estado desmagnetizado, cada partícula contem muitos domínios. Paredes de domínio são paralelas a direção de magnetização espontânea.

contem muitos domínios. Paredes de domínio são paralelas a direção de magnetização espontânea. • •

Observando plano paralelo à direção de fácil magnetização. Paredes são paralelas a direção c em cada cristal. Dá para perceber o grau de alinhamento das partículas.

são paralelas a direção c em cada cristal. Dá para perceber o grau de alinhamento das
são paralelas a direção c em cada cristal. Dá para perceber o grau de alinhamento das

• uma partícula tão pequena que nela só possa existir um único domínio:

ela estará sempre saturada não haverá paredes de domínio a mudança de sua direção de magnetização só poderá ocorrer por “ rotação homogenea” (todos os momentos magnéticos atômicos giram ao mesmo tempo)

H ci = H a = 2K 1 /J s


Diâmetro de partícula monodomínio mµ

0,26

1,6

kJ/m3 MA/m (kOe)

16,2

18,8

400

73

H a

32,0

1,30

1,50

5,8

19.200

4.600

310

350

K 1

0,475

T 0,475

1,6

1,2

J s

Ferrite de bário Ferrite de Sr SmCo 1:5 NdFeB

Um ímã ideal tem J R = J s O segundo quadrante é retangular, ficando J constante até atingir

ci .

H


J J s J R H Ci H
J
J
s
J
R
H
Ci
H

Ausência de poros e outras fases não magnéticas orientação perfeita das direções de magnetização espontânea dos cristais do ímã ideal.

magnéticas orientação perfeita das direções de magnetização espontânea dos cristais do ímã ideal. • •

<cos θ> grau de alinhamento médio dos grãos

Js polarização de saturação da fase magnética

Br = Js *(1-p)*(1-f nm )* f d * <cos θ>

p é a fração de poros f nm é a fração de fases não-magnéticas f d é um fator de desmagnetização prop. a p

B r = Js *(1-p)*(1-f nm )* f d * <cos θ> Br = 0,475*0,92*0,995*0,99*0,93 = 0,40T

Saturação da ferrita de bário = 0,475T porosidade de 7,5% (densidade de 4,9, para densidade teórica de 5,3g/cm 3 ) fração de fases não magnéticas de 0,5% fator desmagnetizante de apenas 0,99 grau de orientação médio <cosθ> = 0,93



Ímã isotrópico tem cristais orientados em todas as direções, então tem J S em todas as direções. Na remanência, tem um semicírculo de

Como <cos θ> =1/2

projeções dos J S

A somatória das

J r = J S / 2

S .

J

=1/2 projeções dos J S dá A somatória das J r = J S / 2
Projeção de Js na direção H
Projeção de
Js na direção
H

Dificultando a nucleação de domínios contrários Dificultando a movimentação das paredes por ancoramento.

a nucleação de domínios contrários Dificultando a movimentação das paredes por ancoramento. • •

teórico máximo de H ci

intrínseca do material.

anisotropia”.É o valor

impossível obter-se

Com alto K 1 , que dá alto H A

uma propriedade

Á é o “campo de

ci = H a

é
H

H

é


Com alto K 1 , que dá alto H A uma propriedade Á é o “campo

onde α é um fator ligado a microestrutura.

N ef é um coeficiente desmagnetizante efetivo M s é a magnetização de saturação.

H ci = α * H A - N ef * M s

causa α

– Por exemplo, TG


Ímãs de ferrite de Ba, e de Sr ímãs de samário-cobalto tipo 1:5 ímãs de Neodímio-ferro-boro


O normal é Hci diminuir com a T. O aumento do Hci, No caso das ferritas, é uma prova da importância de H A:

J s (T)

2 K 1 (T) /

H a =


Hci, No caso das ferritas, é uma prova da importância de H A : J s

A inversão da magnetização ocorre não por rotação irreversível, mas por nucleação de domínios contrários e movimento de paredes.

• Essa nucleação ocorre numa região com algum defeito, onde possivelmente K 1 seja menor

H
H

O efeito do tamanho de grão é explicado afirmando que quanto menor o tamanho de grão, menor a probabilidade de ter uma região de baixo K 1 no contorno de grão

tamanho de particula (micron)

100 00 00 10 00 00 10 00 0 10 00 1 1 0 1
100
00 00
10
00 00
10
00 0
10
00
1
1 0
1 00
100 0

)/m(AicH

por moagem.

Não aumentar muito T e t de sinterização, para não crescer grão. Segurar crescimento de grão na sinterização, adicionando SiO 2 e Al 2 O 3 nas

de partícula

Reduzir tamanho grão

ferritas.


usando como exemplo, ímãs de NdFeB, a fração de grãos maiores que 100µm, numa matriz de tamanho médio 10µm, afeta o segundo quadrante mesmo alterando pouco o Hci.

A distribuição dos tamanhos de grão também é importante:

o segundo quadrante mesmo alterando pouco o Hci. A distribuição dos tamanhos de grão também é

Microestrutura de ímã SmCo tipo 2:17

Introduzindo muitos defeitos na microestrutura do material, que dificultem a passagem das paredes de domínio.

Introduzindo muitos defeitos na microestrutura do material, que dificultem a passagem das paredes de domínio. •

• ímãs de samário-cobalto tipo 2:17

O meio mais eficiente é com alto K 1 Ancoramento tb pode ser eficiente. Anisotropia de forma (partículas alongadas) tensões residuais

laminação a frio transformação martensítica




porque o tratamento térmico de NdFeB e SmCo, após sinterização, melhora tanto H CI ? Porque H ci de ferrites de Sr são tão melhores que de ferrites de Ba?

• Continuam a existir mistérios na relação processo-campo coercivo: