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Fichamento 1

O que é literatura?
 Realidade literária

Como trabalhar o mundo concreto com subjetividade. No séc. XX a subjetividade


abre uma janela para o sonho, para a imaginação. Existe uma realidade que não
é literária, ou seja o mundo concreto.

 Recepção literária

Como você encara a realidade? As formas de encarar a realidade se alteram de


uma época a outra, mexendo com a questão da sensibilidade, percepção. Cada
um recebe as coisas de uma forma diferente.

 Língua/ Linguagem literária

Língua é um sistema de signos que se alteram de acordo com a língua e


linguagem é a capacidade de usar tais signos. A qualidade literária é o que faz
a diferença sobre essa língua/linguagem literária.

 História literária

Origens da literatura, para poder conceituar o que é literatura.

 Valor literário

Um texto literário são textos que são mais valorizados. Teoria e crítica literária
podem vir antes da arte em si? Valor literária é o que classifica um texto como
literário, se ele tiver valor literário é literatura, caso contrário está excluído dessa
lista. Valor literário também remete aos grandes escritores, então se um grande
escritor escrever algo, aquilo automaticamente é considerado literatura.

 “Os estudos literários falam na literatura das mais diferentes maneiras.


Concordam, entretanto, num ponto: diante, de todo estudo literário que
seja seu objetivo, a primeira a ser colocada, embora pouco teórica, é a
definição que ele fornece (ou não) de seu objeto: ou texto literário. O que
torna esse estudo literário? Ou como ele define as qualidades literárias do
texto literário? Numa palavra, o que é para ele explicita ou implicitamente,
a literatura?” (p. 29)
 “No sentido mais amplo literatura é tudo que é impresso (ou mesmo
manuscrito), são todos os livros que a biblioteca contém (incluindo-se ai
o que se clama literatura oral, doravante consignada). Essa acepção
corresponde á noção de “belas artes” as quais compreendiam tudo o que
a retorica e a poética podiam produzir, não somente a ficção, mas também
a história, a filosofia e a ciência, e, ainda, toda a eloquência.” (p.31)

Num primeiro momento o autor se questiona sobre o que é literatura e como


poderíamos definir a qualidade literária dentro de seu objeto que é o texto
literário, como definir o que classifica um texto como literário. Em seguida fala
sobre o que é literatura, a definindo como tudo o que foi impresso ou manuscrito,
sendo todos os livros, porém tudo que foi escrito dentro dessa noção de “belas
artes”, então literatura seria apenas os textos poéticos, etc.

 “O sentido moderno da literatura (romance, teatro e poesia) é inseparável


do romantismo, isto é, da afirmação da relatividade histórica e geográfica
do bom gosto, em oposição á doutrina clássica da eternidade e da
universalidade do cânone estético. Restrita á prosa romanesca e
dramática, e á poesia lírica, a literatura é concebida, além disso, em suas
relações com e com sua história.” (p.32)

Desde Aristóteles até os dias atuais a literatura vem se moldando e tendo novas
definições, e é inseparável do romantismo.

 “Mas restritamente ainda literatura são os grandes escritores. “ (p.33)

O autor fala que literatura são os grandes escritores e tudo que foi escrito por
eles, em seguida ele nos trás uma problematização sobre o esse fato, pois se a
literatura se restringe a isso, ou seja, a esse valor literário, do que serviria os
outros textos, romances, poemas, etc. Sendo assim dizer que um texto é
considerado literário faz com outros textos que também poderiam ser
canonizados, não sejam, os excluindo desse valor literário.
 As definições de literatura segundo sua função parecem relativamente
estáveis, quer essa função seja compreendida como individual ou social,
privada ou pública. [...] Aristóteles, além disso, colocava o prazer de
aprender na origem da arte poética (1448b 13): instruir ou agradar
(prodese alt delectare), ou ainda instruir agradando, serão as duas
finalidades, ou a dupla finalidade, que também Oracio reconhecerá na
poesia, qualificada de dulce et utile. (Ars Poetica [ Arte Poética] v.333 e
343).” (p. 35)

Através dessa definição de Aristóteles, Compagnom diz que literatura é o outro,


e que quando lemos algo não somos apenas nós, mas sim muitos outros, pois a
literatura cria esse envolvimento com o outro, e que é a arte de instruir de forma
agradável.

 “Da antiguidade á metade do século XVIII, a literatura-sei que a palavra é


anacrônica, mas suponhamos que ela designe o objeto da arte poética-
foi geralmente definida como imitação ou representação (mimesis) de
ações humanas pela linguagem.” (p.38)

Neste tópico o autor nos trás o conceito de mimesis, dizendo que a literatura
é a representação e imitação das ações do homem, então se um grande
clássico era imitado aquilo logo o classificava como literatura, dando a ele um
valor literário.

 “Os formalistas russos deram ao uso propriamente literário da língua, logo


a propriedade distintiva do texto literário, o nome Jakobson escrevia em
1919: “O objeto da ciência literária não é a literatura, mas a literariedade,
ou seja o que faz de uma determinada obra uma obra literária”; ou, muito
tempo, em 1960: “o que faz de uma mensagem verbal uma obra de arte”.
A teoria da literatura, no sentido de crítica, e a teoria literária, no sentido
de formalismo, parece se encontrarem nesse conceito que também é
tático e polêmico.” (p.40-41)
Acima Compagnom diz que objeto de estudo da literatura não é a literatura,
mas sim a literariedade, ou o que faz da literatura uma obra, um cânone, o
que faz algo ser considerado literário ou não.

 Infelizmente, mesmo esse critério flexível e moderado de literariedadee é


refutável. Mostrar contra-exemplos é fácil. Por um lado, certos textos
literários não se afastam da linguagem cotidiana (como a escritura branca,
ou a behaviorista, a de Hemingway, a Camus). Sem súvida, é possível
reintegrá-los, acrescentando que a ausência de marca é, ela mesma, uma
marca que o cumula da desfamiliarização é familiaridade (ou o cumulo da
obscuridade, a definição de literariedade no sentido restrito como traços
específicos os flexíveis como organização específica, não é menos
contraditória. Por outro lado, não somente os traços considerados mais
literários se encontram também na linguagem não literária, mais visíveis,
mais densas que na linguagem literária como é o caso da publicidade.”
(p.43)

Compagnom trás uma definição de literatura, porém ao classificarmos algo como


literário, acabamos por excluir outros textos, criando um preconceito, e se
criarmos formas de classificar um texto como literário ou não, automaticamente
estaremos criando trações específicos para isso, incluindo também textos que
não fazem parte da literatura em si, pois não existem elementos linguísticos
exclusivamente literários.

 “[...] O contexto pertinente para o estudo literário de um texto literário não


é contexto de origem desse texto, mas a sociedade que faz dele um uso
literário separando-o de seu contexto de origem. Assim, a crítica
biográfica ou sociológica, ou a que explica a obra pela tradição literária
(Saint-Beuve, Taine, Brunetière), todas elas variantes da crítica histórica,
podem ser consideradas exteriores á literatura.” (p. 45)
Esse trecho diz que o que faz de um texto literário não é sua origem, mas o que
a sociedade faz desse texto, negando sua origem e avaliando sua
contextualização é que se define o que é literatura. Sendo assim, o autor não
consegue definir o que é literatura, quem seria capaz de tal feito seriam os
grupos sociais.