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1) Os Direitos Humanos, no que se pode chamar de seu sentido lato, sempre existiram.

Sendo esse um conjunto de direitos intimamente ligado as mais instintivas faculdades


da raça humana, não é errado considerar que o homem, para que existisse em sua
plenitude, sempre teve o direito à vida, à liberdade, à propriedade, etc. O que se extrai
da história, entretanto, é que muitos desses direitos nem sempre foram respeitados e
reconhecidos como fundamentais. Isso decorre da evolução histórica em que a raça
humana sempre esteve inserida. O avanço e/ou substituição dos valores, costumes e
tendências é permanente. O uso do poder político e a aplicação do direito, por exemplo,
são itens que se incluem nesse rol.
É notória a prevalência de governos absolutistas nos períodos da Antiguidade e da Idade
Média, onde não havia um ordenamento normativo que reconhecesse o ser humano
como sujeito singular, concebendo-se normas muito mais relacionadas a ordem
cósmica. A escravidão, tida como essencial para a economia e para a sociedade, também
foi uma prática dessa época, se manifestando de variadas formas até o surgimento do
abolicionismo no século XVIII, mas persistindo de outras formas no mundo
contemporâneo. A existência de direitos fundamentais, tal como o vemos na atualidade,
se tornou objeto de debate durante os séculos XVI, XVII e XVIII, com o advento do Estado
de direito que, dentre muitas outras bases, defende uma variedade de garantias
fundamentais, baseadas no chamado "Princípio da Dignidade Humana".
Não se pode, ainda assim, reputar que os Direitos Humanos são uma criação
relativamente recente (do período iluminista) e ainda pouco desenvolvida. Na verdade,
são objetos de uma constante na História e há quem defenda que suas raízes estão no
mundo clássico. Deve-se também lembrar dos filósofos cristãos da Idade Média que
desenvolveram a teoria do Direito Natural, a qual serviria de inspiração para que esses
direitos básicos se cristalizassem no futuro.

2) É costumeiro incorrer na falsa percepção de que só depois de positivado é que um


direito deve a ser considerado com tal (como direito). Nessa acepção, ignora-se o debate
e a luta anteriormente empreendida para que se pudesse garantir o exercício desse
direito. No caso em tela, a inclusão do direito ao transporte na Constituição Federal
somente em 2015 não significa que antes disso esse direito não pudesse ser considerado
como fundamental. Muito pelo contrário! Somente seu prévio reconhecimento como
direito fundamental é que possibilitou sua incorporação ao ordenamento. Nos sistemas
jurídicos modernos, via de regra, não faria sentido a inclusão de um dispositivo na lei
sem que antes haja um relativo consenso na sociedade quanto a admissão de sua
necessidade, sem que sua concretização seja precedida de certo clamor popular.
Os direitos fundamentais podem ser identificados no ordenamento jurídico vigente,
tendo em vista que sua denominação serve justamente para se referir aos direitos
humanos positivados. Quanto aos direitos humanos, em sentido estrito, estes estarão
sempre fora da organização política estatal, pois a característica essencial dos direitos
humanos consiste no fato de valerem contra o Estado (COMPARATO, 2005].

3) O art. 5º, IV, da Constituição Federal garante que ''é livre a manifestação do
pensamento, sendo vedado o anonimato''. É o último trecho do enunciado que dá
acesso ao lado adverso do exercício deste direito. Ao explicitar que o reconhecimento
do autor da manifestação se faz necessário, o dispositivo já indica que o referido direito
possui ressalvas. Tal necessidade decorre da possível responsabilização na órbita
jurídica, que pode advir do exercício da liberdade de pensamento. Ademais, é preciso
lembrar da evidência de que os direitos fundamentais, ao menos em nossa ordem
constitucional, não são absolutos, uma vez que encontram seus limites nos demais
direitos igualmente consagrados na Magna Carta. Todavia, tais limitações também
possuem limites e a doutrina especializada tem sugerido um rol de pressupostos a
serem observados: princípio da legalidade, princípio da generalidade e abstração,
observância da máxima proporcionalidade, respeito ao núcleo essencial do direito
fundamental, etc.

4) A questão abordada possui diversas variáveis, que vão desde evidentes antinomias que
possui o nosso ordenamento até a velha questão de alguns direitos positivados - no caso
em apreço, as leis de execução penal - que acabam não se mostrando eficazes. O
primeiro ponto a ser levantado é o seguinte: pelo ordenamento, há determinados bens
jurídicos fundamentais que são penalmente tutelados. A violação de qualquer um deles
representará uma conduta profundamente lesiva à vida social. O autor do atendado à
essa classe de bens jurídicos incorrerá em uma sanção penal, visando tanto proteção do
corpo social, quanto à satisfação do sentimento de justiça por parte da vítima lesada.
Aqui, o réu terá seu direito à liberdade parcial ou totalmente suspenso, dentre outras
sanções, o que contraria alguns dispositivos constitucionais.
É sabido que, para a harmonia do sistema jurídico, nenhum direito fundamental é
irrestrito, havendo casos em que a segurança do Estado poderá sobrepor-se a um direito
fundamental, tendo em vista a proteção da sociedade como um todo.
Mas a questão central não é em si o poder coercitivo do Estado, que dá e tira um direito
ao mesmo tempo. É como ele intervém sobre alguns direitos fundamentais do indivíduo
quando este é posto em seu sistema penitenciário. A Lei 7.210/84 (Lei de Execução
Penal) tem como objetivo, ''proporcionar condições para a harmônica integração social
do condenado e do internado''. Há também o princípio da Humanização da Pena (Artigo
5º, inciso LVII, CF), que procura afastar a forma primitiva de punir. Admitido o fato de
que a privação da liberdade não configura outra coisa senão tratamento degradante,
faz-se preciso atenuar o máximo possível tal aviltamento, reunindo as condições
materiais necessárias isso.