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MICROECONOMIA

autor do original
ANTONIO ELDER DE OLIVEIRA TAVARES

1ª edição
SESES
rio de janeiro  2016
Conselho editorial  marta chaves, roberto paes, gladis linhares

Autor do original  antonio elder de oliveira tavares

Projeto editorial  roberto paes

Coordenação de produção  gladis linhares

Projeto gráfico  paulo vitor bastos

Diagramação  bfs media

Revisão linguística  bfs media

Revisão de conteúdo  cristiane valente

Imagem de capa  Jirsak | shutterstock.com

Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta obra pode ser reproduzida ou transmitida
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qualquer sistema ou banco de dados sem permissão escrita da Editora. Copyright seses, 2016.

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (cip)

T197m Tavares, Antônio Elder De Oliveira.


Microeconomia. Antônio Elder De Oliveira Tavares.
Rio de Janeiro: SESES, 2016.
144 p: il.

isbn: 978-85-5548-254-0

1. Mercado. 2. Demanda. 3. Oferta. 4. Preço. . I. SESES. II. Estácio.

cdd 338.5

Diretoria de Ensino — Fábrica de Conhecimento


Rua do Bispo, 83, bloco F, Campus João Uchôa
Rio Comprido — Rio de Janeiro — rj — cep 20261-063
Sumário

Prefácio 5

1. Contextualização da Microeconomia,
dos Mercados e seus Agentes 7

1.1  Noções introdutórias a respeito da Microeconomia 10


1.2  Sistema de mercado | Demanda, oferta e equilíbrio de mercado 12
1.2.1  A Lei da Demanda 12
1.2.2  A Lei da Oferta 16
1.2.3  Equilíbrio de mercado 18
1.3  Demandas e ofertas individuais e demanda e
oferta de mercado | Uma análise explicativa muito interessante 22

2. Teoria da Demanda Individual –


Comportamento do Consumidor e Elasticidade 29

2.1  A curva de demanda individual e o excedente do consumidor 31


2.2  Comportamento do consumidor 33
2.2.1  Curva de Indiferença 34
2.2.2  Restrição orçamentária 37
2.2.3  Equilíbrio do consumidor 40
2.3 Elasticidades 41
2.3.1  Elasticidade-preço da demanda | EPD 43
2.3.2  Elasticidade-renda da demanda | ERD 44
2.3.3  Elasticidade-(preço) cruzada da demanda | ECD 46

3. Teoria da Firma 65

3.1  Teoria da Produção 67


3.1.1  Análise da produção em longo prazo 70
3.1.2  Análise da produção em curto prazo 71
3.2  Teoria dos Custos de Produção 76
3.2.1  Custos de produção em curto prazo 76
3.2.1.1  Custos totais de produção 76
3.2.1.2  Custos médios e marginal de produção 77
3.2.2  Custos de produção em longo prazo 81
3.3  Análise da maximização do lucro total 84

4. Estruturas de Mercado e Noções de


Teoria dos Jogos 105

4.1  Concorrência perfeita 107


4.1.1  Hipóteses principais do mercado 107
4.1.2  Equilíbrio da firma em um mercado em concorrência perfeita 108
4.1.3  Maximização do lucro total de uma firma em
concorrência perfeita 109
4.2  Monopólio 113
4.2.1  Hipóteses principais do mercado 113
4.2.2  Análises da demanda, da receita marginal e
da maximização do lucro no monopólio 114
4.3  Concorrência monopolista e oligopólio 117
4.3.1  Concorrência monopolista 118
4.3.2 Oligopólio 119
4.3.3  Teoria dos Jogos e sua importância de gerar
estratégias para as empresas oligopolistas 123
Prefácio
Prezados(as) alunos(as),

Com o objetivo principal de apresentar a seus leitores um texto básico sobre


Microeconomia introdutória, este livro é indicado como apoio didático ao plano de
ensino e aos planos de aulas desta disciplina, ministrada tanto para alunos inician-
tes dos cursos de Administração e de Economia quanto para aqueles cujo curso vis-
lumbre os conhecimentos primários da Teoria Microeconômica. Ao escrevermos
esta obra, tivemos por finalidade fazer da explanação desta matéria – aqui sem tan-
to aprofundamento, porém suficientemente completa – uma leitura fundamental
para o acompanhamento da disciplina estudada.
Ao longo de suas páginas, este livro dedica-se à apresentação de princípios bási-
cos e elementos coadjuvantes, cujo conhecimento é essencial ao aluno que se inicia
no estudo da Teoria Microeconômica. Na obra são abordados conceitos básicos –
como necessidade, utilidade, produção, oferta, demanda, mercado, firma etc – e
elementos coadjuvantes, que devem ser bem compreendidos pelos leitores para
que, adequadamente, entendam as engrenagens de mercado, os mecanismos de
formação dos preços, o comportamento do consumidor e das firmas, bem como as
estruturas de mercados.
Neste livro são apresentadas as noções básicas de Microeconomia, iniciando
com a apresentação do que é o mercado e procurando avaliar o papel por ele desem-
penhado no contexto econômico. Além de se discutirem os mecanismos de escolha
do consumidor e as relações do mercado que interferem nessas escolhas, leva-se
em consideração a consequente maximização do bem-estar e o equilíbrio do con-
sumidor. Nesse contexto, além de estudarmos o conceito de demanda, a lei geral da
demanda que regula seu comportamento e a elasticidade da procura, analisaremos
também a oferta, seu conceito, sua lei geral e a elasticidade da oferta. Discutiremos,
ainda, o equilíbrio de mercado, o comportamento a produção, os custos de produ-
ção e a receita das firmas em curto e longo prazo.
São analisadas nas páginas desta obra as estruturas básicas de mercado – a
concorrência perfeita e a concorrência imperfeita (monopólio, oligopólio e con-
corrência monopolista), os seus modelos teóricos e o mecanismo de formação do
equilíbrio da firma em questão. Nesse contexto, serão desenvolvidas, simples e re-

5
sumidamente, noções da Teoria dos Jogos, por meio de uma linguagem bastante
acessível, perfeitamente adequada ao nível dos cursos e dos alunos a que este livro
se destina.
Espera-se que esta publicação se uma fonte bibliográfica eficaz, um material
fundamental para os alunos de graduação que necessitem de conhecimentos bá-
sicos sobre a Teoria Microeconômica. O interessante é que, além de os estudantes
não terem grandes dificuldades com o nível de Matemática empregado no livro,
tentamos antecipar qualquer problema analítico que os alunos possam encontrar
para compreender o desenvolvimento de determinado dado conceito. Sendo assim,
buscamos padronizar o nível da Matemática a ponto de possibilitar a contextualiza-
ção da teoria com uma linguagem simples, a fim de que o estudante compreenda o
assunto estudado neste material.
Pretende-se, portanto, que, com da leitura desta obra, os alunos sintam como é
agradável o estudo da Teoria Microeconômica. Que o conjunto de informações con-
tidas aqui contribua efetivamente para a atuação de cada um dos leitores – tanto
como profissionais quanto como cidadãos deste país!

Bons estudos!
1
Contextualização
da Microeconomia,
dos Mercados e
seus Agentes
Com o objetivo principal de apresentar a seus leitores um texto básico sobre
Microeconomia introdutória , este livro é indicado como apoio didático ao pla-
no de ensino e aos planos de aulas desta disciplina, ministrada tanto para alu-
nos iniciantes dos cursos de Administração e de Economia quanto para aqueles
cujo curso vislumbre os conhecimentos primários da Teoria Microeconômica.
Ao escrevermos esta obra, tivemos por finalidade fazer da explanação desta
matéria – aqui sem tanto aprofundamento, porém suficientemente completa
– uma leitura fundamental para o acompanhamento da disciplina estudada.
Ao longo de suas páginas, este livro dedica-se à apresentação de princípios
básicos e elementos coadjuvantes, cujo conhecimento é essencial ao aluno que
se inicia no estudo da Teoria Microeconômica. Na obra são abordados concei-
tos básicos – como necessidade, utilidade, produção, oferta, demanda, merca-
do, firma etc – e elementos coadjuvantes, que devem ser bem compreendidos
pelos leitores para que, adequadamente, entendam as engrenagens de merca-
do, os mecanismos de formação dos preços, o comportamento do consumidor
e das firmas, bem como as estruturas de mercados.
Neste livro são apresentadas as noções básicas de Microeconomia, inician-
do com a apresentação do que é o mercado e procurando avaliar o papel por ele
desempenhado no contexto econômico. Além de se discutirem os mecanismos
de escolha do consumidor e as relações do mercado que interferem nessas es-
colhas, leva-se em consideração a consequente maximização do bem-estar e o
equilíbrio do consumidor. Nesse contexto, além de estudarmos o conceito de
demanda, a lei geral da demanda que regula seu comportamento e a elastici-
dade da procura, analisaremos também a oferta, seu conceito, sua lei geral e
a elasticidade da oferta. Discutiremos, ainda, o equilíbrio de mercado, o com-
portamento a produção, os custos de produção e a receita das firmas em curto
e longo prazo.
São analisadas nas páginas desta obra as estruturas básicas de mercado –
a concorrência perfeita e a concorrência imperfeita (monopólio, oligopólio e
concorrência monopolista), os seus modelos teóricos e o mecanismo de for-
mação do equilíbrio da firma em questão. Nesse contexto, serão desenvolvidas,
simples e resumidamente, noções da Teoria dos Jogos, por meio de uma lin-
guagem bastante acessível, perfeitamente adequada ao nível dos cursos e dos
alunos a que este livro se destina.

8• capítulo 1
Espera-se que esta publicação seja uma fonte bibliográfica eficaz, um mate-
rial fundamental para os alunos de graduação que necessitem de conhecimen-
tos básicos sobre a Teoria Microeconômica. O interessante é que, além de os
estudantes não terem grandes dificuldades com o nível de Matemática empre-
gado no livro, tentamos antecipar qualquer problema analítico que os alunos
possam encontrar para compreender o desenvolvimento de determinado dado
conceito. Sendo assim, buscamos padronizar o nível da Matemática a ponto de
possibilitar a contextualização da teoria com uma linguagem simples, a fim de
que o estudante compreenda o assunto estudado neste material.
Pretende-se, portanto, que, com da leitura desta obra, os alunos sintam como é
agradável o estudo da Teoria Microeconômica. Que o conjunto de informações
contidas aqui contribua efetivamente para a atuação de cada um dos leitores –
tanto como profissionais quanto como cidadãos deste país!

OBJETIVOS
Repleto de informações valiosas que dizem respeito à explicação da Microeconomia, este
capítulo analisa o mercado e seus agentes, estabelecendo conceitos e princípios amplos
para possibilitar ao leitor compreender:
•  O que são modelos;
•  As formas de atuação dos agentes econômicos;
•  Quais variáveis influenciam nas forças de mercado;
•  O que é o equilíbrio de mercado;
•  A diferença entre demanda de mercado e demanda individual.

capítulo 1 •9
1.1  Noções introdutórias a respeito da
Microeconomia

Microeconomia é o ramo da ciência econômica que se preocupa com a análi-


se do comportamento das unidades econômicas – como os consumidores, as
famílias e as empresas – na formação dos preços em mercados específicos. Na
verdade, o aspecto microeconômico observa, não apenas no âmbito econômi-
co, mas também no campo da gestão, a atuação das diversas unidades econô-
micas como se fossem individuais nesses mercados.
No estudo da Microeconomia1, ao analisarmos os mercados específicos,
devemos levar em consideração determinadas informações que nos fazem en-
tender mais profundamente o real objeto dessa divisão da Teoria Econômica
– melhor dizendo, informações que nos dão uma maior compreensão sobre:
a) O mercado, o preço, as funções e o equilíbrio:
•  O mercado é o local ou contexto no qual compradores e vendedores ten-
dem a comprar e a vender produtos; no caso da Microeconomia, tem-se um
mercado para cada bem e/ou serviço no sistema econômico;
•  Nos mercados específicos, são formados os preços. O preço de determina-
do bem e/ou serviço é a sua relação de troca pelo dinheiro, isto é, a quantidade
de reais (R$) necessários para ser transacionada uma unidade da mercadoria
(bem e/ou serviço);
•  Nesse contexto de mercados específicos, apresentam-se funções que de-
monstram relações entre compradores e vendedores; logo, uma função mostra
a relação entre duas ou mais variáveis, indicando como o valor de uma variável
(chamada dependente) depende e pode ser calculado pela especificação do va-
lor de uma ou mais variáveis (definidas como variáveis independentes);
•  O equilíbrio é uma condição de mercado que, uma vez atingido, tende a
persistir. Conforme veremos, ele resulta do balanceamento das forças (ou dos
agentes) do mercado;

b) A expressão latina coeteris paribus (tudo o mais permanece constante)


é uma hipótese que se refere ao efeito líquido (ou puro) que cada variável tem
em relação a outra qualquer.
1  A análise da Teoria Microeconômica (ou Teoria dos Preços) pode ser fundamental para o auxílio das decisões de
planejamento (e administração) das empresas, ou de alguma organização produtiva (como na formação da política
de preços de uma empresa, nas previsões de custos de produção etc.).

10 • capítulo 1
Na Microeconomia, segundo Pindyck & Rubinfeld, são mais relevantes os
preços relativos, isto é, os preços de um bem em relação aos demais, do que
os preços absolutos (isolados) das mercadorias. Genericamente, os princípios
básicos que decorrem da visão dos consumidores e das empresas são os de
que aqueles desejam maximizar as suas satisfações, ao passo que estas visam
maximizar os lucros totais – a chamada racionalidade dos consumidores e das
empresas.
A Teoria Microeconômica trata das relações de causa e efeito, o que acaba
exigindo a formação de modelos segundo os quais os consumidores e as em-
presas são racionais, pois tomam decisões (efetivas) para ajudá-los a alcançar,
da melhor maneira possível, os seus objetivos, uma vez que os recursos econô-
micos são escassos. Tendo em vista que os agentes econômicos (consumidores
e empresas) atuam de maneira racional, suas ações econômicas podem ser pre-
visíveis por meio desses modelos.
No entanto, o que são modelos? São explicações simplificadas e abstratas
de algum fenômeno pertinente à realidade de um sistema econômico e que,
por meio de hipóteses, cálculos, argumentos e conclusões, esclarecem esse fe-
nômeno – por exemplo, o modelo da curva (ou fronteira) de possibilidades de
produção (CPP).
Prezado leitor, nosso objetivo principal é oferecer-lhe formação básica,
sem, contudo, renunciar a certa capacidade de análise crítica e sistemática.
Desse modo, o estudo da Microeconomia que estamos iniciando estará, na ver-
dade, também discriminado nas linhas posteriores, nas quais falaremos sobre
o comportamento do consumidor, a Teoria da Produção, a Teoria dos Custos
de Produção e o estudo das estruturas de mercado. Neste último, evidenciare-
mos a importância de entendermos as características básicas de tais estruturas
e discutiremos a maximização do lucro total das empresas, bem como as estra-
tégias por elas adotadas de acordo com noções à Teoria dos Jogos.
Entretanto, é primordial entendermos que um mercado específico se ca-
racteriza como um lugar qualquer onde grupos de pessoas (físicas e jurídicas)
se encontram para tentar comprar e vender “algo” (algum bem e/ou serviço).
Destaca-se, no entanto, que – com os modernos meios de comunicação, a in-
ternet e a diversificação do comércio – tais grupos não precisam estar necessa-
riamente em contato direto. Porém, desde que eles sejam “conhecedores” dos
preços e das possibilidades de entrega, procede-se o intercâmbio e, a partir daí,
caracteriza-se o mercado de trocas.

capítulo 1 • 11
Por meio da a Teoria de Mercado (na Microeconomia), compreendemos que
mercado é um local (uma unidade econômica ou, mesmo, uma convergência)
onde há compradores e vendedores exercendo forças de oferta e de demanda
(ou procura) por bens e/ou serviços e onde são formados os preços, conforme
veremos adequadamente em linhas posteriores.

1.2  Sistema de mercado | Demanda, oferta e


equilíbrio de mercado

1.2.1  A Lei da Demanda

As trocas são realizadas nos mercados (interno e externo). Nestes atuam con-
juntamente as forças da demanda e da oferta por mercadorias (ou produtos –
bens e/ou serviços). Como os recursos são escassos, os compradores e os ven-
dedores tendem a entrar em acordo sobre os preços dos produtos, de tal modo
que sejam feitas as transações das quantidades dessas mercadorias por deter-
minada quantidade de dinheiro (ou moeda).
Nesse contexto, os preços dos produtos (ou das mercadorias) podem ser de-
finidos como a quantidade de reais (R$) necessários para que se obtenha, em
troca, determinada quantidade de mercadorias. Fixando preços para todos os
produtos (bens e serviços, ou ainda fatores de produção), o mercado possibilita
a coordenação dos compradores e dos vendedores, assegurando a viabilidade
de um sistema capitalista por meio do chamado livre jogo da oferta e demanda,
uma peça-chave no funcionamento de toda a Economia (de mercado) e onde se
tende a obter o que definimos como o equilíbrio de mercado.
Pela visão microeconômica, o funcionamento de um mercado e a formação
de preços ocorre devido às relações entre demanda e oferta. A demanda (ou pro-
cura) de determinada pessoa ou grupo de pessoas por um produto X indica o
quanto essa pessoa ou esse grupo deseja consumir, a dado preço, esse produto,
em determinado período de tempo.
Suponhamos as seguintes informações de preços (Px) e quantidades de-
mandadas (QDx), obtidas e tabeladas com base em uma pesquisa (hipotética)
em um bairro da zona leste de São Paulo. Imaginemos que a função demanda,
adquirida para o produto X, seja formada por Qx = 120.000 – 20.000 Px, coeteris

12 • capítulo 1
paribus. Assim, para os diversos valores de Px na função demanda, são apre-
sentadas diferentes estimativas para as quantidades, como podemos observar
a seguir:

PX (R$) QDX

1,00 100.000

2,00 80.000

3,00 60.000

4,00 40.000

5,00 20.000

Fonte: Elaborado pelo autor.

Percebe-se, caro aluno, que esse bairro se constitui em um mercado pelo


produto X, de acordo com a sua função demanda. Com base na escala apre-
sentada, quando o preço está em um nível elevado, a quantidade demandada
pelo produto é menor; isso significa que boa parte dos consumidores não está
disposta a adquirir o produto a esse nível de preço. No gráfico a seguir, ao preço
Px = R$ 5,00, teremos Qx = 20.000 unidades a serem consumidas. Se o preço está
em um nível mais baixo, a demanda pelo produto será maior, pois mais consu-
midores estarão dispostos a adquiri-lo naquele nível de preço. Nota-se, no gráfi-
co, que ao preço Px = R$ 1,00 haverá Qx = 100.000 unidades a serem compradas.
Desse modo, os pontos ao longo da curva de demanda de X representam al-
ternativas que se apresentam aos indivíduos daquele bairro em determinados
momentos. Nesse sentido, conforme o leitor pode observar, a relação é inversa
entre a quantidade demandada e o preço, o que se reflete na inclinação negati-
va da curva de demanda.

capítulo 1 • 13
Curva de Demanda
6,00

preços de x 4,00

2,00

0,00
0 20.000 40.000 60.000 80.000 100.000 120.000

Quantidades de x

Fonte: Elaborada pelo autor.

ATENÇÃO
Existem duas exceções à Lei da Demanda. A primeira delas diz respeito aos bens de Veblen
(bens de consumo de altíssimo luxo que têm função de ostentação, como no caso de iates
de luxo, obras de arte etc.) Já os bens de Giffen que são aqueles de pequeno valor, porém
com participação relativamente alta no orçamento de consumidor (p.ex., batata, pão etc.) No
caso de os preços desses bens aumentarem, os consumidores irão paradoxalmente adquirir
maiores quantidades deles, pois sobrará menos renda para adquirir os demais bens. Assim,
tanto os bens de Giffen, quanto os de Veblen possuem curvas de demanda com inclinação
positiva, ao contrário da Lei da Demanda Geral exposta em questão.

Cabe destacar que efetivamente a quantidade Qx do produto no mercado


não é influenciada somente pelo preço Px; uma série de outras variáveis (ou fa-
tores) também afeta a demanda desse produto. Dessa maneira, segundo Vas-
concellos2, mais tradicionalmente em termos quantitativos, os fatores mais
significativos que acabam afetando também a demanda dos consumidores na
sua maioria dos mercados são:

Qx = f (Px, Py, Pz, R)/t

Em que:
Qx = quantidade procurada (demandada) do produto X
Px = preço do produto X
Py = preço do produto substituto
2  VASCONCELLOS, M. A. S. Economia: micro e macro. Rio de Janeiro: Atlas.

14 • capítulo 1
Pz = preço do produto complementar
R = renda do consumidor
/t = significa em dado período (dias, meses etc.)3.

De acordo com a função anterior (coeteris paribus), se houver crescimento


da renda e queda na demanda, o produto é conceituado como de consumo infe-
rior. Porém, se houver aumento da renda e isso acarretar aumento da demanda,
o produto (X) é de consumo normal4.

CONEXÃO
Como exemplo desse último caso, citamos o trecho de um artigo da revista Veja Online,
obtido em http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/crise-dos-alimentos/contexto1.html, que
destaca como o aumento da renda eleva a demanda por alimentos.

Países estão comendo mais (principalmente os emergentes)


(...). A economia mundial cresceu 20% nos últimos 4 anos, aumentando o consumo de
alimentos em países emergentes como China, Índia e Brasil, onde vive uma parcela de
mais de 30% da população mundial. Uma mudança de padrão de consumo é suficien-
te, portanto, para uma alteração significativa na economia global. No ano passado, a
China expandiu seu produto interno bruto em 11,4%. A Índia cresceu 9,6%. Não foi só
isso. Além de comer mais, a população desses países está se tornando mais urbana.
Ou seja, deixou de produzir o próprio alimento para comprá-lo no supermercado, o que
torna necessário que se produza mais comida em larga escala para atender às cidades.
O crescimento da renda dos trabalhadores nesses países fez com que mudassem
seus hábitos de consumo e, por consequência, sua dieta. Trocaram carboidratos por
mais proteínas no cardápio - basicamente carne, leite e queijos. Um bom exemplo é o
do consumo de carne na China. Segundo dados publicados pela revista britânica The
Economist, cada chinês consumia em média 20 quilos de carne por ano em 1985.

3  Cabe destacar que, subjetivamente, os hábitos e as preferências dos consumidores em um mercado também
influenciam a demanda por um produto nesse mercado, assim como a publicidade e a propaganda.
4  É importante ressaltar uma categoria chamada de bens de consumo superior. Isso quer dizer que, se o consumidor
ficar mais rico, demandará mais produtos de maior qualidade – por exemplo, o consumo por joias.

capítulo 1 • 15
Hoje, consome 50. Maior consumo de carne quer dizer maior consumo de grãos. Para
produzir um quilo de carne bovina, são necessários 8 quilos de grãos.
Ainda no que diz respeito à função (geral) da demanda destacada anteriormente
(coeteris paribus), havendo aumento do preço de um bem Y e que aumentará a
demanda do produto X, diz-se que X e Y são produtos substitutos. Por outro lado, se
ocorrer aumento do preço de um bem Z e ele diminuir a demanda pelo produto X,
então X e Z são produtos complementares .

1.2.2  A Lei da Oferta

No que diz respeito à oferta, essa é a quantidade de um produto (X) que deter-
minado produtor ou conjunto de produtores está disposto a vender, a certos
níveis de preços, em um período.
Observe a escala a seguir, sabendo que no mercado do produto X há certa
quantidade de produtores operando e que a função oferta de mercado é dada
(por hipótese), sendo Qx = 20.000Px. São apresentados os seguintes valores

QOX PX (R$)

20.000 1,00

40.000 2,00

60.000 3,00

80.000 4,00

100.000 5,00

Fonte: Elaborado pelo autor.

16 • capítulo 1
CONCEITO
Alteração de Px, haverá modificação de Qx. Essa modificação se define como sendo uma
mudança na quantidade demandada (pois toda a mudança será feita ao longo da própria
curva de demanda);
Alteração de R, Py, Pz, ocorrerá uma modificação de Qx. Essa modificação se chama
uma mudança na demanda (porque toda essa mudança gerará um deslocamento da curva
de demanda, seja para a direita, seja para a esquerda).

No gráfico a seguir, podemos observar o comportamento das quantidades


ofertadas do produto X (Qx). Com o nível de preço elevado (Px), os produtores
tendem a ofertar uma quantidade maior do produto. Melhor explicando, se, por
exemplo, o nível de preços estiver em Px = R$5,00, a quantidade a ser colocada
no mercado será de Qx = 100.000 unidades. No entanto, se o nível de preços cair
para Px = R$2,00, muitos produtores deixarão de ofertar a mercadoria, e a esse
preço teremos uma quantidade dada pelo mercado de Qx = 40.000 unidades,
ocasionando queda na quantidade ofertada.

Curva de Oferta
6,00
preços de x

4,00

2,00

0,00
0 20.000 40.000 60.000 80.000 100.000 120.000

Quantidades de x

Fonte: Elaborado pelo autor.

A figura anterior evidencia uma relação direta entre a quantidade ofertada


do produto X e o seu respectivo preço. No entanto, por que isso tende a acon-
tecer? A resposta a essa questão (coeteris paribus, reflete um procedimento no
qual o aumento de Px no mercado instigará o aumento das produções das em-
presas. Por essa razão, novas empresas poderão ser atraídas para a produção
deste produto, aumentando, portanto, a quantidade ofertada do produto X.

capítulo 1 • 17
Obviamente, além do preço do produto X, outros fatores influenciarão em
seu nível de oferta no mercado – entre eles, custos com os fatores de produ-
ção5, alterações no nível de tecnologia, aumento da quantidade de empresas no
mercado etc. Vale ressaltar, porém, que qualquer modificação do Px gera o que
chamamos de mudanças na quantidade ofertada, isto é, mudanças do nível da
oferta ao longo da própria curva; e toda e qualquer variação nos custos dos fato-
res e no nível tecnológico (p.ex., coeteris paribus) acarretam um deslocamento
da curva de oferta (ou modificações na oferta de mercado) .

EXEMPLO
É importante destacar como exemplo de mudança tecnológica que gerou aumento da oferta
do comércio, dos serviços e até mesmo da indústria a difusão dos cartões de crédito, que
incorporaram os microprocessadores (chips) e acabaram abrindo inúmeras possibilidades de
negócios (e de maiores ofertas de produtos). Além disso, são bem mais seuros do que os
antigos cartões com tarja magnética. Nesse sentido, como o chamado cartão inteligente, a
informação que interessa está armazenada no chip, e não no plástico em si.

1.2.3  Equilíbrio de mercado

Com base nas curvas de demanda e de oferta já estudadas, bem como na


escala apresentada a seguir, se fizermos o cruzamento dessas curvas podere-
mos determinar o equilíbrio de mercado, formando o preço (Pe = R$ 3,00) e a
quantidade (Qe = 60.000) de equilíbrio, como estão demonstrados no diagrama
a seguir.

INFORMAÇÕES A RESPEITO DO MERCADO DO PRODUTO X

Preço do Produto Quantidade Ofertada Quantidade Demandada

R$ 1,00 20.000 100.000

5  Tais como os custos com os pagamentos de salários, preços das matérias-primas etc.

18 • capítulo 1
INFORMAÇÕES A RESPEITO DO MERCADO DO PRODUTO X

R$ 2,00 40.000 80.000

R$ 3,00 60.000 60.000

R$ 4,00 80.000 40.000

R$ 5,00 100.000 20.000

Fonte: Elaborado pelo autor.

Preços

Oferta x
Execesso de
oferta

Pe = 3,00

Excesso
de Demanda

Demanda x

Qe = 60.000 Quantidades

Fonte: Elaborado pelo autor.

É possível notar a "harmonia" existente entre oferta e demanda.


Teoricamente, no ponto (3,00; 60.000), o nível de preço não está nem muito
alto nem muito baixo, satisfazendo tanto a consumidores quanto a produtores.
No entanto:
•  Se algum preço estiver abaixo do preço de equilíbrio, haverá aí excesso de
demanda (ou escassez de oferta);
•  Por outro lado, se algum preço estiver acima do de equilíbrio, haverá ex-
cesso de oferta (ou escassez de demanda).

capítulo 1 • 19
Reconsiderando a escala anterior, e com base nas informações obtidas so-
bre excesso de demanda e de oferta, temos:

INFORMAÇÕES A RESPEITO DO MERCADO DO PRODUTO X

Quantidade Quantidade Condições do


Preço do produto
ofertada demandada mercado

Excesso de
R$ 1,00 20.000 100.000
demanda

Excesso de
R$ 2,00 40.000 80.000
demanda

Equilíbrio de
R$ 3,00 60.000 60.000
mercado

R$ 4,00 80.000 40.000 Excesso de oferta

R$ 5,00 100.000 20.000 Excesso de oferta

Fonte: Elaborado pelo próprio autor.

ATENÇÃO
É importante ressaltar, que é melhor desenvolvermos a condição do equilíbrio de mercado
por meio da lógica matemática. Isto é, no equilíbrio, a demanda é igual à oferta; nesse caso,
podemos igualar as duas funções da seguinte maneira: 120.000 – 20.000Px = 20.000Px. A
partir daí, ao desenvolvermos todo o processo matemático, encontraremos o preço de equilí-
brio sendo R$ 3,00, e a quantidade de equilíbrio, 60.000.

20 • capítulo 1
Destaca-se que, por exemplo, com a modificação da renda dos consumidores
e dos custos dos fatores de produção, haverá alteração no ponto de equilíbrio de
mercado. Como veremos a seguir, o aumento da renda (média) do consumidor
fez a curva de demanda do mercado se mover de D1 para D2, e o aumento dos
custos dos fatores de produção ocasionou o deslocamento da curva de oferta de
mercado de O1 para O2. Apesar de a quantidade de equilíbrio permanecer no
mesmo valor (Q1 = Q2), o preço de equilíbrio teve aumento, passando de P1 para
P2, o que alterou o ponto de equilíbrio do mercado (de E1 para E2) .
02

01

Preços x
E2
P2

P1 E1

D2

D1

Q1 = Q2 Quantidades de x

Fonte: Elaborado pelo próprio autor.

COMENTÁRIO
De uma maneira geral, percebe-se que o livre mecanismo de preços pode ocorrer em todo e
qualquer mercado específico, pois tais preços tendem a se ajustar livremente a fim de equi-
librar a oferta e a demanda, alcançando o preço e a quantidade de equilíbrio. Entretanto, em
determinados momentos, o governo pode intervir fixando, em alguns casos, preços máximos
(preços legais mais altos pelos quais podem ser vendidos os produtos) e, em outros, preços
mínimos (preços legais mais baixos pelos quais podem ser vendidos os produtos). Em ambos
os contextos, o importante é perceber que o governo tenta manter nestes casos os preços
de determinados produtos em níveis que não são o de equilíbrio, como ocorre com as regu-
lações dos preços dos aluguéis no Brasil.

capítulo 1 • 21
Quando observamos o comportamento por trás das curvas de demanda, de-
vemos perceber que ele está relacionado com o resultado das decisões que os
consumidores tendem a tomar sobre as suas necessidades, o valor que eles dão
aos produtos que pretendem comprar e a alocação do seu dinheiro e tempo,
que, como veremos, são escassos.

1.3  Demandas e ofertas individuais e


demanda e oferta de mercado – Uma análise
explicativa muito interessante
A partir de agora, analisaremos mais amplamente a demanda e examinaremos
os princípios básicos das condutas que o consumidor faz para comprar (uma
cesta de) bens (ou mercadorias, ou produtos). Destaca-se que a teoria da de-
manda é decorrida de hipóteses sobre a escolha do consumidor entre os diver-
sos bens que o seu orçamento possibilita adquirir. Obviamente, determinado
consumidor tende a escolher os produtos que ele mais valoriza, que lhe deem
maior nível de satisfação, que lhe tragam maior nível de utilidade1. Em outras
palavras, supomos neste artigo que todo e qualquer consumidor maximize sua
utilidade – escolha, da melhor maneira possível, suas cestas de mercadorias2.
No entanto, antes de continuarmos a estudar o comportamento do consumi-
dor, é importante explicar a diferença entre demanda individual e demanda de
mercado. A demanda de mercado é a soma de todas as demandas individuais
por determinada mercadoria (ou produto). Na verdade, a demanda de mercado
é a quantidade demandada a cada preço por parte de cada um dos comprado-
res. Por isso, graficamente, podemos mostrar que a curva de demanda de um
mercado é traçada somando-se horizontalmente (no eixo das abscissas) as cur-
vas individuais de demanda, de acordo com a figura a seguir.

1  Subjetivamente, define-se como utilidade o sentimento de satisfação que o consumidor individualmente


experimenta como consequência ao consumir determinado bem (produto ou mercadoria).
2  Segundo Vasconcellos, toda e qualquer cesta de mercadorias diz respeito a um conjunto de produtos (bens e/
ou serviços) associado às quantidades a serem consumidas de cada uma das mercadorias que compõem as cestas.

22 • capítulo 1
Quantidade Quantidade Quantidade Quantidade
Demandada Demandada Demandada do Demandada do
de João da Mácia Antônio Mercado
4,50 4,50 4,50 4,50

4,00 4,00 4,00 4,00

3,50 3,50 3,50 3,50

3,00 3,00 3,00 3,00

2,50 2,50 2,50 2,50

2,00 2,00 2,00 2,00

1,50 1,50 1,50 1,50

1,00 1,00 1,00 1,00

0,50 0,50 0,50 0,50

0,00 0,00 0,00 0,00


0 20 40 60 0 20 40 60 0 20 40 60 0 50 100 150

Fonte: Gráficos efetuados pelo próprio autor.

Supondo que o mercado de feijão da marca XYZ seja formado unicamente por
três consumidores (João, Márcia e Antonio), a tabela a seguir, derivada dos gráficos
anteriores, reúne as demandas desses consumidores por esse tipo de alimento.
Tais demandas indicam as quantidades (kg) desse tipo de feijão que eles estariam
dispostos a comprar durante determinado tempo (/t) a cada nível de preço.

DEMANDA DE
QD FEIJÃO QD FEIJÃO QD FEIJÃO
PREÇO MERCADO
(KG/T) (KG/T) (KG/T)
(R$) DE FEIJÃO
(JOÃO) (MÁRCIA) (ANTONIO) (KG/T)

4,00 14 10 22 46

3.50 24 15 32 71

2,50 34 20 42 96

2,00 44 25 52 121

Fonte: Tabela criada pelo próprio autor.

capítulo 1 • 23
Portanto, a demanda de mercado é o somatório das três demandas indivi-
duais – de João, Márcia e Antonio. Do ponto de vista empírico, em muitos mer-
cados, independente de quais sejam os tipos de produtos existentes, há várias
demandas individuais a quaisquer preços que conjuntamente formam deman-
das de mercado. Destaca-se, conjuntamente pelos gráficos e pelo quadro ante-
riores, a relação inversa entre as quantidades demandadas dos consumidores
em termos individuais e de mercado, em relação às alterações dos preços. No
entanto, em função das necessidades e preferências desses consumidores pelo
feijão da marca XYZ, a cada mudança de preço, as mudanças nas quantidades
demandadas apresentam valores diferentes de João, Márcia e Antonio.
Assim como foram contextualizadas as curvas de demanda individual e de
mercado, devemos fazer o mesmo ao apresentarmos as curvas de oferta indi-
vidual (de uma firma ou empresa) e de mercado, de acordo com os gráficos a
seguir.
Px Px Px

5,00

3,50

Qx Qx Qx
Curva de Oferta da Curva de Oferta da Curva de Oferta de Mercado
Firma A Firma b A+B

Fonte: Gráficos elaborados pelo próprio autor.

A oferta de mercado ou oferta agregada de um produto X nos informa as


quantidades alternativas desse produto ofertado em dado período, aos vários
preços alternativos, como no caso dos valores de R$ 3,50 e R$ 5,00, neste exem-
plo, por todas as firmas (A e B) que ofertam esse produto mercado.

ATIVIDADES
01. Um artigo do The New York Times descreveu uma bem-sucedida campanha de mar-
keting da indústria de champanhe francês. O artigo observou que “muitos executivos estão
surpresos com os preços estratosféricos do champanhe. Mas, ao mesmo tempo, têm medo
de que os fortes aumentos do preço reduzam a demanda, o que provocaria uma diminuição
repentina nos preços”. Nesse caso, que erro os executivos estão cometendo?”

24 • capítulo 1
02. Suponha uma situação inicial de equilíbrio no mercado de tratores e a ocorrência de
duas alterações simultâneas: um aumento no preço do aço (principal matéria-prima da indús-
tria de tratores) e a oferta de crédito facilitado (juros baixos e prazos longos) para a compra
de implementos agrícolas. O efeito combinado disso sobre o mercado de tratores deverá ser:
a) O preço de equilíbrio diminui, enquanto a quantidade transacionada pode tanto aumen-
tar como diminuir ou permanecer constante.
b) O preço de equilíbrio pode tanto aumentar como diminuir ou permanecer constante, mas
a quantidade transacionada aumenta.
c) O preço de equilíbrio pode tanto aumentar como diminuir ou permanecer constante, mas
a quantidade transacionada diminui.
d) O preço de equilíbrio aumenta, enquanto a quantidade transacionada pode tanto aumen-
tar como diminuir ou permanecer constante.

03. Por que, em geral, as curvas de demanda – sejam individuais, sejam de mercado – incli-
nam-se para baixo?

04. Por que, em geral, as curvas de oferta – sejam individuais, sejam de mercado – incli-
nam–se para cima?

05. A partir de uma posição de equilíbrio (estável), se a oferta do mercado de um bem de-
cresce, enquanto que a demanda do mercado permanece constante, o que ocorre?
a) O preço de equilíbrio do mercado decresce.
b) As quantidades de equilíbrio sobem nesse mercado.
c) Ambos os preços e as quantidades de equilíbrio decrescem.
d) O preço de equilíbrio sobe, mas a quantidade de equilíbrio desce.

06. Suponha que, na zona oeste do município do Rio de Janeiro, haja determinado merca-
do do produto “FICO”, no qual existam 20 mil consumidores semelhantes quanto ao modo
de consumir esse produto, tendo cada um desses 20 mil uma função demanda dada pela
expressão QDx = 24 – 4Px. Ao mesmo tempo, o mercado do produto “FICO” possui 2.000
vendedores semelhantes quanto à sua maneira de conduzir a oferta desse produto, tendo
cada um desses 2.000 vendedores uma função oferta formada pela equação QOx = 40Px.
a) Com base nessas informações, determine o preço e a quantidade de equilíbrio desse
mercado.
b) Supondo que o governo municipal mexeu com a alíquota do ISS e isso passou o preço
do produto para R$ 2,00, haverá excesso de oferta ou de demanda?

capítulo 1 • 25
c) Imagine que, a partir da condição de equilíbrio, ocorra uma inovação tecnológica na pro-
dução do produto “FICO” (coeteris paribus) de tal modo que uma nova curva de oferta
de mercado seja dada por QOx = 240.000 + 40.000Px. Neste sentido, estabeleça os
valores do novo preço e da nova quantidade de equilíbrio.

RESUMO
•  A Microeconomia é o ramo da ciência econômica que se preocupa com a análise do com-
portamento das unidades econômicas – por exemplo, os consumidores, as famílias e as
empresas – na formação dos preços em mercados específicos;
•  Modelos são explicações simplificadas e abstratas sobre algum fenômeno que diz respeito
à realidade de um sistema econômico, as quais, por meio de hipóteses, cálculos, argumentos
e conclusões, esclarecem esse fenômeno;
•  Pela visão microeconômica, o funcionamento de um mercado e a formação de preços
ocorre devido às relações entre demanda e oferta;
•  A lei da demanda (seja individual, seja de mercado), assim como a curva de demanda, refle-
te a relação inversa entre a quantidade demandada por um produto específico e seu preço;
•  A lei da oferta (seja individual, seja de mercado) e a curva de oferta refletem a relação
direta entre a quantidade ofertada por um produto específico e seu preço;
•  As variações no preço do produto demandado provocarão movimentos ao longo da curva
de demanda;
•  As variações no preço do produto ofertado provocarão movimentos ao longo da própria
curva de oferta;
•  A curva de oferta irá deslocar-se, seja para direita, seja para a esquerda, na medida em que
algum outro fator, que não seja o próprio preço do produto, sofra alguma alteração;
•  A curva de demanda irá deslocar-se, seja para direita, seja para a esquerda, na medida
em que algum outro fator, que não seja o próprio preço do produto, sofra alguma alteração;
•  Na situação de equilíbrio, as quantidades ofertadas e demandadas se igualam. Um preço
superior ao do equilíbrio produzirá excesso de oferta. Por outro lado, se o preço for menor que
o do equilíbrio, haverá excesso de demanda;
•  O estabelecimento de preços máximos ou mínimos pelo governo origina escassez ou ex-
cesso nos mercados;
•  A curva (ou fronteira) de possibilidades de produção é o conjunto de pontos representa-
tivos das quantidades máximas de produtos que determinada organização econômica pode
gerar em dado tempo.

26 • capítulo 1
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
VASCONCELLOS, M.A.S. Economia: micro e macro. São Paulo: Atlas, 2010; caps. 2 e 3.
VASCONCELLOS, M. A. S.; GARCIA, H. Fundamentos de economia. São Paulo: Saraiva, 2010; caps. 4 e 5.
MOCHON, F. Princípios de economia. São Paulo: Pearson – Prentice Hall, 2007; caps. 2 e 3.
PINDYCK, R.; RUBINFELD, D. Microeconomia. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2010; p. 19 a 30.
Site: Revista Veja Online Disponível em: http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/crise-dos-
alimentos/contexto1.html. Acessado em 20 de setembro de 2015.

Apêndice 1 – Curva de possibilidades de produção

Curva (ou fronteira) de possibilidades de produção (CPP) é o conjunto de


pontos representativos das quantidades máximas de produtos que determina-
da organização econômica (país, empresa, região etc.) pode gerar em certo tem-
po, admitindo-se determinada tecnologia e uma disponibilidade de fatores de
produção igualmente constantes.
A construção dessa curva demonstra que uma organização econômica espe-
cífica – nesse caso uma empresa –, ao possuir recursos de produção limitados e
certo nível de tecnologia para a produção de um produto adicional, necessaria-
mente reduzirá a produção de outro produto3.
Por exemplo, imaginemos que uma pequena fábrica de sapatos – chamada
KLM e situada no município de Farroupilha, na Serra Gaúcha – contava, no ano de
201X, contava com os seguintes fatores de produção: 5 máquinas e 40 trabalhado-
res especializados na produção (de apenas) dois tipos de produtos: sapatos mascu-
linos e sapatos femininos. No entanto, os gestores da KLM detectam as seguintes
alternativas de produção em pares de calçados por mês nesse mesmo ano:

POSSIBILIDADES DE PRODUÇÃO
SAPATOS FEMININOS SAPATOS MASCULINOS
(OU TÉCNICAS DE PRODUÇÃO)
A 0 25
B 1 22
C 2 18
D 3 13
E 4 7
F 5 0

Fonte: Elaborado pelo próprio autor


3  A quantidade reduzida na produção de um dos produtos que a empresa KLM precisa incorrer para aumentar a
produção do outro é chamada custo de oportunidade.

capítulo 1 • 27
A partir dos dados acima, é possível construir a CPP para a empresa KLM. A
explicação destse modelo mostra graficamente as combinações dos dois pro-
dutos (sapatos femininos e sapatos masculinos), com as quais a empresa está
produzindo de maneira eficiente e, assim, maximizando a produção de um pro-
duto a determinado nível de produção do outro.
No gráfico a seguir, podemos observar que todo e qualquer ponto situado
abaixo (e à esquerda) da fronteira de possibilidades de produção representa
uma produção ineficiente – simula recursos ociosos ou subutilizados, como no
caso em G. Na fronteira (ou em cima da curva), os pontos A, B, C, D, E e F de-
monstram geometricamente a eficiência da produção, enquanto o H, acima (e
à direita) dessa curva, representa um nível de produção impraticável, uma vez
que a empresa não dispõe de recursos suficientes para a produção combinada
de sapatos masculinos e femininos .

CPP da Empresa KLM


6
F
Sapatos Femininos

5
E H
4
D
3
2 C
G B
1
A
0
0 5 10 15 20 25 30
Sapatos Masculinos

Fonte: Elaborado pelo próprio autor.

EXEMPLO
Imaginemos que a empresa KLM, inicialmente com 40 trabalhadores e 5 máquinas, resolve
elevar seus fatores de produção, contratando mais 10 trabalhadores e comprando mais 2
máquinas. Essa ampliação de fatores aumentará as possibilidades de produção da empresa
KLM, o que significa que, graficamente, sua CPP se deslocará para a direita devido à maior
incorporação desses fatores de produção.

28 • capítulo 1
2
Teoria da Demanda
Individual –
Comportamento
do Consumidor e
Elasticidade
Coeteris paribus – descrita no capítulo anterior como a curva de demanda de
um consumidor – pode ser considerada uma pintura, um autorretrato, uma sel-
fie da procura por um produto qualquer em função do valor, da satisfação ou da
utilidade que ele tem na medida em que o consumidor tende a comprá-lo em
determinado tempo. O consumidor tem necessidades; em razão disso, a parti-
cularidade dessa curva de demanda é expressar a quantidade do produto que
um indivíduo pretende comprar, dependendo do preço dele e, obviamente, da
renda, dos preços de outros produtos e dos gostos desse consumidor.

OBJETIVOS
Este capítulo tem como objetivo principal discutir tanto o que está por trás da curva de de-
manda individual de um consumidor – aqui chamada Teoria1 da Demanda Individual – quanto
o comportamento do consumidor, mensurando suas sensibilidades em função de modifica-
ções de determinados elementos que influenciam sua tomada de decisão.
O eixo central deste capítulo baseia-se em uma visão do consumidor apoiada na racio-
nalidade econômica, isto é, o comportamento do consumidor obedece a um padrão maximi-
zador, cujas escolhas de consumo são pautadas por uma busca do maior benefício (da maior
satisfação possível, ou da maximização da utilidade) ao menor custo possível (desconforto
ou sofrimento), tipicamente obtidos com o uso de dado produto a ser consumido. Para isso,
analisaremos Conceitos de Excedente do Consumidor, Curva de Indiferença, Restrição Or-
çamentária e Equilíbrio do Consumidor, bem como examinar os efeitos decorrentes de cada
um deles. Estudaremos, ainda, a questão das elasticidades, que são medidas de sensibilida-
des a mudanças de fatores influenciadores no comportamento do consumidor.
O primeiro item de nossos estudos será o excedente do consumidor.

1  Segundo Pindeyck & Rubinfeld, teoria é o conjunto de princípios fundamentais de uma ciência (econômica) que
expressa um conjunto de ideias, base de determinado tema, que procura transmitir uma noção geral de determinados
aspectos da realidade.

30 • capítulo 2
2.1  A curva de demanda individual e o
excedente do consumidor

Observe bem o gráfico a seguir, que comtempla uma curva de demanda indivi-
dual (Dx) formada pela relação inversa entre os preços (Px) e as quantidades a
serem consumidas (Qx) por um consumidor, aqui chamado Antônio. Chamare-
mos de excedente do consumidor a área vermelha hachurada.

Px

Pme

Dx

Qx

Fonte: Elaborado pelo autor.

O que significa este conceito? O excedente do consumidor mede, objeti-


vamente, o benefício (ou ganho) que Antônio tende a receber ao comprar um
produto de acordo com o seu ponto de vista, ou seja, com o seu bem-estar eco-
nômico. Toda a área hachurada demonstra que esse consumidor está propenso
(disposto) a comprar o produto acima do preço de mercado (Pme), desde que
receba certa magnitude de benefício líquido (ou da satisfação líquida) com a
diferença entre o que ele tem de pagar pelo produto, refletido na curva de de-
manda individual.
Assim, especificamente, o excedente do consumidor ocorre quando Antônio
está disposto a pagar mais do que realmente está pagando. Em outras palavras,
o excedente do consumidor representa o valor “economizado”. Vejamos, a se-
guir, como se calcula o excedente do consumidor.

capítulo 2 • 31
Excedente do consumidor = disposição para pagar – valor efetivamente (ou o preço)
de mercado

Para fazermos esse cálculo, usemos o exemplo de Antônio e suponhamos


que ele deseja comprar um apartamento usado. Em função da localidade, da
comodidade, do transporte e de outros benefícios líquidos que ele possa ob-
ter para maximizar sua satisfação na compra do imóvel – localizado em um
bairro na zona norte do Rio de Janeiro – ele estabeleceu um orçamento de
R$400.000,00. Se comprar um imóvel como planejado, mas no valor (de merca-
do) de R$300.000,00, podemos dizer que seu excedente é de R$100.000,00. Em
outras palavras, o apartamento valia para ele R$400.000,00, mas esse consumi-
dor acabou comprando um apartamento e com R$100.000,00 para poder gastar
em outras “coisas” (por exemplo, com as obras de reforma desse apartamento).
Se presumirmos que esse imóvel é o primeiro que o Antônio tende a com-
prar, em função de um plano de gastos na sua vida, esse apartamento tem gran-
de utilidade, ou seja, proporciona grande satisfação para ele. É como a com-
pra e um primeiro carro, uma primeira TV etc. Quanto maior a utilidade de um
produto, maiores a satisfação do consumidor e a disposição de pagar acima do
preço de mercado, de acordo com suas necessidades, seu gosto, sua vontade.
A partir dessa ideia, podemos dizer que, pelo conceito de excedente do con-
sumidor, para cada unidade de um produto a ser consumido, as unidades pri-
meiras proporcionam maiores níveis de satisfação em relação às demais que o
consumidor pode comprar. Para cada unidade a mais de uma mercadoria que
tende a ser consumida pelo consumidor (seja Antônio, Maria, Carla ou qual-
quer outro), essas unidades, individualmente, gerarão para o comprador dife-
rentes níveis de satisfação.
Por esse fato, da maneira como a curva de demanda anterior de Antônio se
apresenta, percebemos que esse consumidor valoriza muito mais as primeiras
unidades de um produto a ser comprado e estaria disposto a pagar mais pelo
valor delas. Logo, quanto maior a utilidade, maior o preço que o consumidor
deseja pagar; quanto menor a utilidade, menor o preço que ele deseja desem-
bolsar. Isso demonstra como o consumidor se comporta, como ele é racional,
na medida em que tende a consumir determinado produto. Estudaremos, no
próximo item deste capítulo, o comportamento do consumidor.

32 • capítulo 2
2.2  Comportamento do consumidor
Discutiremos agora como um consumidor (racional) distribui seus recursos en-
tre os diferentes bens, de maneira que consiga maximizar seu nível de utilidade
(ou de satisfação).
A princípio, é importante apresentar duas considerações a respeito do con-
ceito utilidade. A primeira delas se refere ao conceito de utilidade aplicado ao
de utilidade cardinal, ou seja, o de utilidade como uma magnitude que se pode
medir. Nesse caso, o a questão é a de que há aumento da satisfação total (ou da
utilidade total [UT]) do consumidor na medida em que se eleva a quantidade a
ser consumida de determinado produto.
Tomemos para análise um exemplo, suponhamos que você tenha um ir-
mãozinho e que, em determinado dia, você lhe dê uma barra de chocolate;
provavelmente, ela proporcionará a essa criança uma grande satisfação, um
grande prazer – o que significa que essa barra tem grande utilidade. Logo após
seu irmãozinho ter terminado de comê-la, você lhe dá uma segunda barra de
chocolate e, com isso, a UT será maior. Nesse sentido, a UT representa a soma
da utilidade proporcionada pela primeira barra e da utilidade adicionada pela
segunda barra de chocolate. Contudo, essa segunda barra será recebida com
menos animação em relação à primeira. No entanto, imaginemos que seu ir-
mãozinho seja guloso e você dando a ele uma terceira unidade de chocolate; a
UT continua crescendo, mas em proporções menores, pois a utilidade acres-
centada por essa terceira barra gerou menos entusiasmo em comparação com
a segunda e, principalmente, a primeira.
Por essa lógica, se você for aumentando o número de barras oferecidas ao
seu irmãozinho, chega-se ao ponto em que uma unidade adicional de chocolate
representará para essa criança um beneficio tão pequeno, mas tão pequeno,
que para ela será quase indiferente receber ou não uma barra de chocolate. Por
que isso acontece? Porque, quando o irmãozinho consumir chocolate até ficar
saciado, esse bem deixa de ser para ele um produto desejado (ou escasso) .

ATENÇÃO
A utilidade total, derivada do consumo do produto, cresce à medida que o consumidor au-
menta a quantidade a ser consumida ao longo do tempo. Entretanto, cabe destacar que o
valor acrescentado à UT referente a cada unidade a mais do bem a ser consumido é cha-

capítulo 2 • 33
mado de utilidade marginal. Por uma fórmula, a utilidade marginal pode ser calculada da
seguinte maneira: UMgx = (DUT/DQx), sendo UMgx = utilidade marginal do produto X; DUT
= variação da UT; DQx = variação da quantidade a ser consumida do bem X.

A segunda consideração sobre o conceito de utilidade está relacionada ao


princípio da utilidade ordinal. Sob esse enfoque, analisa-se a ordem de prefe-
rências pelas diferentes cestas de mercadorias (ou cestas de consumo) que o
consumidor deseja consumir. Por esse princípio, examina-se, por exemplo, se
a cesta de bens A é preferida em relação à cesta de bens B, se a B é preferida em
relação à cesta C, e assim sucessivamente. Caro aluno, no apêndice 2 – ao final
deste capítulo – há uma leitura complementar a respeito da explicação sobre
cestas de consumo.

CONCEITO
Define-se como cesta de mercadorias (ou cesta de consumo) o conjunto de um ou mais bens
(ou serviços) associado às quantidades consumidas de cada um desses produtos.

A partir dessa ordem, é possível estabelecer formalmente as prioridades ge-


rais na formação da chamada curva de indiferença, discutida a seguir.

2.2.1  Curva de Indiferença

Neste tópico, descreveremos como o consumidor deve classificar as diferentes


opções de consumo segundo as suas preferências, representadas por diferen-
tes cestas de mercadorias. Nesse sentido, curva de indiferença é o lugar geomé-
trico de todos os pontos, representados por cestas de mercadorias, que geram o
mesmo nível de utilidade ao consumidor.
Melhor explicando, a curva de indiferença representa graficamente um con-
junto de cestas de consumo (ou cardápio) igualmente desejáveis pelo consumi-
dor; por isso, ela é chamada curva de indiferença, pois, para esse consumidor,
é indiferente escolher a cesta A, B, ou C, por exemplo, uma vez que todas lhe
proprocionam o mesmo nível de satisfação, de acordo com a curva U1 em azul
a seguir.

34 • capítulo 2
Curvas de Indiferança

Quantidades de Y (roupas)
16
A
14
12
10
8 B F
6
C U2
4
2 D
E U1
0
0 1 2 3 4 5 6
Quantidades de X (alimentos)

Fonte: Elaborado pelo autor.

Nos eixos do diagrama (X e Y), têm-se duas curvas de indiferença – U1, em


azul, e U2, em vermelho – negativamente inclinadas, convexas em relação à ori-
gem dos dois eixos e que não se interceptam. As curvas são negativamente in-
clinadas pois demonstram que o nível de satisfação do consumidor permanece
o mesmo. Por exemplo, no caso da curva U1, tendo duas cestas B (2, 8) e D (4, 2)
com diferentes quantidades de X e Y, se o consumidor substituir a cesta B pela
cesta D, estará aumentando o consumo de X e diminuindo certa quantidade (de
consumo) de Y, mas, mantendo o mesmo nível de satisfação (ou de utilidade).
Se prestarmos atenção aos eixos espaço–mercadoria, caro aluno, a curva U2
está mais à direita e para cima (e mais longe da origem dos eixos) . O que isso
significa? Que, quanto mais distante uma curva de indiferença (ou seja, mais
para a direita) da origem dos eixos X e Y, maior a satisfação expressa do consu-
midor que contém cestas mais desejadas. E quanto mais perto dessa origem
(mais para a esquerda), apresenta-se, portanto, uma curva de indiferença com
cestas menos desejadas. Nesse sentido, a cesta F sobre a curva U2 é mais dese-
jada do que as cestas A, B, C, D e E da curva U1.

ATENÇÃO
É importante informar que, antes, entre e depois da U1 e U2, existe um grande número de
outras curvas de indiferença, cada uma representando determinado nível de utilidade, sendo
que a esse conjunto dessas curvas chamamos de mapa de indiferença. Mapa de indiferença
é um plano de consumo do consumidor, pois, ao longo do tempo, esse consumidor deseja e
quer consumir maior quantidade de mercadorias.

capítulo 2 • 35
A inclinação da curva de indiferença é convexa e recebe o nome de taxa mar-
ginal de substituição (TMgS). A TMgS refere-se à taxa de troca da quantidade
de um bem pela quantidade de outro, mantendo o mesmo nível de bem-estar
ou de satisfação, calculada pela expressão TMgS = |(∆Y/∆X)| . Nesse contexto,
observaemos o quadro a seguir, referente aos dados das cestas da curva de in-
diferença U1.

QUANTIDADES QUANTIDADES
CESTAS DE DE X DE Y TMgS
MERCADORIAS (QX) (QY)

A 1 14 ---------------

B 2 8 6

C 3 4 4

D 4 2 2

E 5 1 1

Fonte: Elaborado pelo autor.

ATENÇÃO
O resultado dessa TMgS está em módulo, pois há uma relação inversa entre a variação de
Y com a variação de X. Na medida em que há aumento do consumo de X, há uma queda do
consumo de Y, e vice-versa, fazendo com que o resultado dessa taxa seja negativo.

Quando nos movimentamos do ponto A para o ponto B, observamos que


o consumidor desiste de 6 unidades de Y na troca por uma unidade adicional
de X. Assim, a TMgS = 6. Similarmente, à medida que o consumidor se desloca

36 • capítulo 2
para baixo, ao longo da curva de indiferença U1, ele se dispõe a desistir mais e
mais de Y para ganhar cada unidade adicional de X; porém, os valores da TMgS
vão diminuindo. Você reparou isso, caro aluno? Qual o significado da queda da
TMgS? Pela Microeconomia, isso acontece porque quanto menos Y e mais X o
consumidor possui, mais valiosa acaba se tornando cada unidade restante do
produto Y e menos valiosa se torna cada unidade adicional de X para o consu-
midor. Assim, o consumidor se dispõe a desistir menos de Y para obter unida-
des adicionais de X; por isso, a TMgS diminui.
Assim, percebe-se que a ordenação dos desejos do consumidor por meio da
análise das curvas de indiferença é um passo importante na discussão da Teoria
do Consumidor. Não obstante, é fundamental avaliar se o consumidor terá con-
dições monetárias (ou financeiras) para atingir certo grau de satisfação. Essa é
agora a análise da chamada restrição orçamentária, que faremos a seguir.

2.2.2  Restrição orçamentária

Com orçamento (ou rendimento) limitado, o consumidor procura normalmen-


te distribuí-lo entre as diversas mercadorias que deseja comprar (tais como
alimentos, produtos de limpeza, produtos de higiene, vestuário etc.). Desse
modo, ele almeja alcançar a melhor combinação que tende a lhe proporcionar
o maior nível de satisfação racional possível.
Nesse sentido, define-se como restrição orçamentária o conjunto de com-
binações possíveis de produtos a serem consumidos por dado consumidor, le-
vando-se em conta a sua renda disponível e os preços dos bens (ou serviços) que
ele pretender comprar.
Assumindo que dado consumidor – por exemplo, nosso amigo Antônio –
gasta toda a sua renda para comprar diferentes quantidades de dois produtos
denominados de bem X (alimentos) e bem Y (roupas) em determinado merca-
do, a restrição orçamentária pode ser apresentada pela equação:

R = Px.Qx + Py.Qy

Em que:
R = renda monetária (disponível) do consumidor
Px = preço de uma unidade de alimentos

capítulo 2 • 37
Qx = quantidade de alimentos
Py = preço de uma unidade de roupas
Qy = quantidade de roupas.

O quadro a seguir demonstra as diversas possibilidades de consumo pelas


quantidades dos bens X e Y. Nele, estamos supondo que Antônio possui renda
mensal disponível de R$ 1.000,00 para gastar, dados os valores dos preços de X e
de Y. Desse modo, existem várias combinações (ou cestas) possiíveis discrimina-
das, sob as quais o consumidor poderá escolher, como estão expostas a seguir.

QUANTIDADES DOS PRODUTOS


CESTAS DE BENS DESPESA TOTAL (R$)
(QX) (QY)
A 1 14 1.000,00
B 2 8 1.000,00
C 3 4 1.000,00
D 4 2 1.000,00
E 5 1 1.000,00

Fonte: Elaborado pelo próprio autor.

A partir dessas informações, traçamos uma linha de restrição orçamentária


do consumidor – uma representação gráfica simplificada em que no eixo verti-
cal são colocadas as quantidades do produto Y, e no eixo horizontal, as quanti-
dades do produto X, de acordo com a figura seguinte:
Y
Linha de Restrição
Orçamentária (LRO)
R/Py

R = Px . Qx + Py . Qx = R$ 1.000,00

R/Px x

Fonte: Elaborado pelo próprio autor.

A restrição orçamentária surge como um espaço delimitado pelos eixos e


por uma reta que une os dois pontos de cada eixo, os quais correspondem ao
máximo possível de consumo de cada um dos produtos, direcionando a eles

38 • capítulo 2
toda a renda disponível (R) do consumidor . Ao mesmo tempo, a linha de restri-
ção orçamentária (LRO) demonstra também o nível máximo (R$1.000,00) que o
consumidor poderá gastar para obter dos dois bens X e Y.

ATENÇÃO
Tendo-se a hipótese de que Antônio não compra a prazo, ele aloca sua renda na compra das
quantidades de X e Y, isto é, R = Px.Qx + Py.Qy. A partir daí, podemos ter:
•  Qy = (R/Py) – [(Px.Qx)/Py] e Qx = (R/Px) – [(Py.Qy)/Px]
•  Se Qy = 0 → Qx = (R/Px), isso significa que, se não comprar nada de Y, essa será a quan-
tidade máxima de X a ser comprada pelo consumidor, observada sobre o eixo X do gráfico
em questão.
•  Se Qx = 0 → Qy = (R/Py), isso significa que, se não comprar nada de X, essa será a
quantidade máxma de Y a ser comprada pelo consumidor, observada sobre o eixo Y do
gráfico em questão

Cabe explicar que elevar a renda ampliará a capacidade de consumo. Isso


é representado graficamente por um deslocamento paralelo para a direita da
LRO. Por outro lado, reduzir a renda promoverá o deslocamento para a esquer-
da da LRO. Paralelo a isso, a inclinação da LRO é dada pela relação dos preços
dos bens. Assim, alguma modificação em um desses preços alterará a inclina-
ção dessa linha .

ATENÇÃO
A inclinação dessa reta (ou linha) corresponde à relação de preços entre os dois produtos
(Px e Py) sendo dada por –Px/Py, o que significa que para comprar mais uma unidade do
bem X, teria que abdicar de Px/Py unidades do bem Y.

Portanto, juntamente com as preferências do consumidor, a restrição orça-


mentária possibilita determinar, para cada preço de cada um dos dois bens X
e Y, a quantidade que Antônio deseja adquirir ou consumir desses dois bens.

capítulo 2 • 39
Dessa maneira, percebe-se que, para o consumidor, não basta ele querer
consumir os produtos; ele deve poder comprá-los (monetariamente). Busca-se,
a partir daí, um ponto de tangência que atenda simultaneamente aos critérios
de satisfação e de renda do consumidor, e é isso que estudaremos no próximo
item, o qual diz respeito ao equilíbrio do consumidor. Vamos estudá-lo!

2.2.3  Equilíbrio do consumidor

Neste tópico, estão compiladas as informações que aprendemos a respeito da


curva de indiferença e da restrição orçamentária, o que nos possibilita discer-
nir o equilíbrio do consumidor.
Do ponto de vista de Antônio, ele sempre prefere estar no nível maior de
satisfação com a sua curva de indiferença mais para a direita, ou seja, mais afas-
tada das origens dos eixos. No entanto, níveis mais afastados das origens talvez
não possam ser alcançados em função do orçamento, pois este acaba delimi-
tando o poder de compra do consumidor.
De acordo com o gráfico a seguir, essa delimitação é dada pela linha da
restrição orçamentária que tangencia uma curva de indiferença, acarretando
máxima satisfação. Tal situação descreve o chamado (ponto de) equilíbrio do
consumidor (E) entre determinada renda disponível e os preços dos produtos.
Nesse ponto, o consumidor distribui sua renda adequadamente entre as
quantidades a serem compradas dos bens X e Y, de modo a alcançar a com-
binação que lhe dá a maior satisfação (ou utilidade) possível. Perceba isso na
figura a seguir:
Y

R/Py

Equilíbrio do
E (Qx, Qy)
Consumidor
Qy

Qx R/Px x

Fonte: Elaborado pelo próprio autor.

40 • capítulo 2
Se aplicarmos essa teoria à prática, levando tal discussão para o consumidor
Antônio – e sabendo que a quantidade de alimentos é representada pelo eixo X,
e a quantidade de roupas, pelo eixo Y –, sabemos que a tendência de Antônio é
consumir mais roupas e alimentos.
Contudo, que quantidade real de roupas e alimentos ele comprará?
Indiscutivelmente, dados Px e Py, isso dependerá da renda dele e, para isso, o consu-
midor – independentemente de que seja – deverá fazer um orçamento. Obviamente,
cada consumidor, cada família, tem o seu perfil orçamentário, dependendo justa-
mente da disponbilidade dos seus rendimentos, gerando, por conseguinte, diferen-
tes pontos de equilíbrio do consumidor, ou, como podemos chamar, de diferentes
pacotes de consumo ótimo. Portanto, o ponto E é o ótimo do consumidor, onde a
linha da restrição orçamentária tangencia a curva de indiferença.
Assim, em função das considerações anteriores que dizem respeito à curva
de indiferença, à restrição orçamentária e ao equilíbrio do consumidor, é im-
portante ressaltar que há alterações da posição de equilíbrio do consumidor,
conhecidas como análise dos efeitos (ou das causas) que surgem em razão do
preço, da renda e da substituição dos produtos. Para um melhor entendimento
dessas questões, no final deste capítulo, leia o Apêndice 3, pois, a partir do pró-
ximo item, iremos centrar nosso estudo nas elasticidades.

2.3  Elasticidades

O Choque do Petróleo | Mais Um


Na minha ignorância econômica e meu autointeresse de consumidor, é suficiente dirigir
meu Honda Civic por algumas quadras até o posto de gasolina aqui na minha pacata Glen
Rock, New Jersey, e achar ótimo o choque do petróleo. É possível encher o tanque com
US$30,00 (galão a US$2,45, da gasolina mais vagabunda, pagando em cash). Meses
atrás, eu investia R$40,00 (não fiquem chocados no Brasil), mas o preço da gasolina não
enche tanto a nossa paciência nos EUA.
No entanto, uma leitura do material do afiado Chris Giles no Financial Times me ensinou
como é complexo esse choque do petróleo, como é complicado alinhar os perdedores e
ganhadores nesse jogo econômico e geopolítico. Giles alerta que uma queda de 40% no
preço do barril de petróleo desde junho normalmente seria um aditivo na economia global.

capítulo 2 • 41
Desta vez, no entanto, pode ser diferente. Em tempos normais, o efeito mais amplo de
uma queda do preço do petróleo deveria significar uma redistribuição de renda de países
produtores para países consumidores. (...).
Chris Giles se concentra na Europa e diz (...) que preços mais baixos do petróleo irão
estimular gastos dos consumidores e aumento de renda. O problema é que, com a queda
dos preços, consumidores podem ficar em compasso de espera, aguardando que haja um
declínio ainda maior dos preços.
(...)
Chris Giles é cauteloso, argumentando que, pela lógica convencional, petróleo mais
barato é um estímulo para a economia global, mas nada garante que desta vez será a
poção mágica.
O texto de Giles é uma trolha de duas páginas; no entanto, didático, com gráficos e quadros
sobre o impacto em específicos países. Eu recomendo a leitura e quero destacar uma
observação que ele faz no começo. Essa queda dos preços do barril foi o maior choque na
economia global neste ano e pegou analistas de surpresa. Eles estavam obcecados com
crescentes tensões geopolíticas (na Ucrânia e no Oriente Médio) e lances de bancos cen-
trais, deixando de atentar como deveriam para as poderosas forças no mercado de petróleo.
Imagine, no final do outubro, uma “preocupação-chave” do FMI era que tensões geopo-
líticas causassem uma alta do preço do petróleo. Por ora, estamos vendo o contrário. É
a economia do petróleo que afeta o jogo político, de Moscou a Caracas (...).” (BLINDER,
Caio: 18/12/2014)
Artigo disponível no site da revista Revista Veja online em http://veja.abril.com.br/blog/nova
-york/petroleo/o-choque-do-petroleo-mais-um/ , acessado em 08/10/2015.

O artigo de Blinder diz respeito à sensibilidade que os consumidores têm


em relação à variação (ou ao choque) nos preços de petróleo e, consequente-
mente, da gasolina nos EUA, na Europa e no mundo. Essa sensibilidade descri-
ta no artigo tem a ver com a relação elasticidade–preço da demanda (EPD) ou
da procura do(s) consumidor(es). A EPD é um tipo de elasticidade; além dela,
temos a elasticidade–renda da demanda (ERD) e a elasticidade-preço cruzada
da demanda (ECD) – o conteúdo que estudaremos aqui.
No entanto, uma questão ainda precisa ser respondida: Qual a definição de
elasticidade? Elasticidade é como se calcula a medida de resposta de uma variá-
vel em função da mudança de outra variável qualquer. Aprendemos no capítulo
1 deste livro que, se o preço de um produto aumenta, a quantidade demandada

42 • capítulo 2
tende a cair; no entanto, se o preço desse produto diminui, a quantidade de-
mandada aumenta. Nesse sentido, precisamos perceber não só a mundança
que o preço conduz à quantidade demandada, mas também po quanto a quan-
tidade demandada pode variar de acordo com a mudança do preço do produto.
Compreenderemos melhor esse assunto com base nas informações a seguir.

2.3.1  Elasticidade-preço da demanda | EPD

A EPD calcula a maneira pela qual são medidas, quantitativamente, as reações


que o consumidor possa ter frente às mudanças nos preços de determinadas
mercadorias; esse cálculo é obtido pela razão entre dois percentuais, isto é, a
variação percentual na quantidade demandada (∆%Qx) dividida pela mudança
(ou variação) percentual no preço do produto (∆%Px):

EPD = (D%Qx)/(D%Px)

ATENÇÃO
Discriminando adequadamente as condições dessa fórmula da elasticidade–preço da de-
manda, temos:
•  D%Qx = [(Qf – Qi)/Qi]*100
•  Qf = quantidade demandada final
•  Qi = quantidade demandada inicial
•  D%Px = [(Pf – Pi)/Pi]*100
•  Pf = preço final do produto
•  Pi = preço inicial do produto

Cabe destacar que, conforme Pindyck & Rubinfeld, o resultado da EPD é


sempre negativo em função da lei da demanda. Ao mesmo tempo, é importante
fazer a classificação da demanda dos produtos de acordo com o resultado da
EPD. Nesse sentido, ao que se refere à reação do consumidor, o quadro a seguir
discorre que a demanda por determinado produto pode ser classificada como
elástica, inelástica ou de elasticidade unitária .

capítulo 2 • 43
CLASSIFICAÇÕES EXPLICAÇÕES ANÁLISE
O consumidor é bastante sensí-
A demanda por determinado produto é
vel a variações no preço.
elástica quando a elasticidade–preço da
Exemplos: refeições em restau-
demanda (EPD) tem um resultado cujo
Elástica rantes, veículos automotores,
valor é maior que 1,0. Isso significa que a
viagens aéreas, carne bovina,
variação percentual na quantidade excede
refrigerante, turismo, manteiga
a variação percentual do preço.
etc.

A demanda por determinado produto é O consumidor é menos sensível


inelástica quando a elasticidade–preço da (ou relativamente insensível) a
demanda (EPD) tem um resultado cujo variações no preço.
Inelástica
valor é menor que 1,0. Isso significa que Exemplos: insulina, sal, gasolina,
a variação percentual do preço excede a petróleo, remédios, água, ovos,
variação percentual na quantidade. leite etc.

Se a elasticidade–preço da demanda por


um produto for igual a 1,0, diz-se que a O consumidor tem sensibilidade
sua demanda é de elasticidade unitária (ou relativa em função das variações
Elasticidade Unitária
neutra). Melhor dizendo, a variação per- do preço.
centual na quantidade é igual à variação Exemplo: habitação
percentual no preço.

Fonte: Elaborado pelo autor.

2.3.2  Elasticidade-renda da demanda | ERD

A ERD mede o impacto (ou a sensibilidade) de variações na renda do consu-


midor sobre a demanda por determinado produto. Mais formalmente, a ERD
mensura a variação percentual da demanda em função da variação percentual
da renda, conforme a expressão matemática a seguir:

ERD = (D%Dx)/(D%R)

ATENÇÃO
Discriminando adequadamente as condições desta fórmula da elasticidade-renda da deman-
da, temos:
•  D%Dx = [(Df – Di)/Di]*100

44 • capítulo 2
•  Df = nível de demanda final
•  Rf = renda final do consumidor
•  D%R = [(Rf – Ri)/Ri]*100
•  Di = nível de demanda inicial
•  Ri = renda inicial do consumidor

Vejamos como calcular a ERD para três bens com base nos dados des-
ta tabela:

NÍVEIS DE RENDA MÉDIA (R$)


PRODUTOS
1.000,00 1.500,00

Demanda de X 80 72

Demanda de Y 80 112

Demanda de Z 80 160

Fonte: Elaborado pelo autor.

Neste exemplo, o aumento da renda (média) do consumidor em 50% (ou


seja, R$ 1.000,00 para R$ 1.500,00) provocou distintos efeitos sobre as deman-
das dos bens X, Y e Z. No caso do bem X, um aumento de 50% na renda provou
redução de 10% na demanda do bem X. Por isso, quando a elevação da renda
reduz o nível de demanda de um produto, dizemos que esse produto é de con-
sumo inferior; de outro modo, podemos dizer que, se a ERD for negativa (ERD <
0), o bem será de consumo inferior.
Por outro lado, aumento da renda (média) do consumidor elevou em 40% a
demanda do produto Y. Nesse caso, quando a elevação da renda provoca menos
que um proporcional ou proporcional na demanda de um produto, dizemos que
esse produto é de consumo normal. De outra maneira, sempre que 0 ≤ ERD ≤ 1,
temos um bem de consumo normal.

capítulo 2 • 45
Por fim, no que diz respeito ao caso do bem Z, a elevação de 50% da renda
(média) do consumidor elevou em 100% a demanda de Z. Em outras palavras,
quando a elevação da renda provoca uma elevação mais que proporcional na
demanda por dado produto, temos um produto definido como um bem de con-
sumo superior. De outra maneira, sempre que a ERD > 1, tem-se um bem de
consumo superior.
Portanto, complementando o quadro anterior, temos:

NÍVEIS DE RENDA
(R$) COMPORTAMENTO TIPO DO
PRODUTOS
DA ERD PRODUTO
1.000,00 1.500,00

Demanda
80 72 ERD < 0 Inferior
de X

Demanda
80 112 0 ≤ ERD ≤ 1 Normal
de Y

Demanda
80 160 ERD > 1 Superior
de Z

Fonte: Elaborado pelo autor.

2.3.3  Elasticidade-(preço) cruzada da demanda | ECD

A ECD mede o impacto (ou a sensibilidade) da variação do preço de dado pro-


duto (Px) sobre a demanda de outro produto qualquer (Y). Mais formalmente, a
ECD mede a variação percentual na demanda de Y em função da variação per-
centual no preço de X, de acordo com a fórmula a seuiri:

ECD = (D%Dy)/(D%Px)

46 • capítulo 2
ATENÇÃO
Discriminando adequadamente as condições desta fórmula da elasticidade–renda da de-
manda, temos:
•  D%Dy = [(Df – Di)/Di]*100
•  Df = nível de demanda final de Y
•  Pf = preço final de X
•  D%Px = [(Pf – Pi)/Pi]*100
•  Di = nível de demanda inicial de Y
•  Pi = preço inicial de X

O resultado da ECD pode ser positivo (ECD>0) ou negativo (ECD<0). Quando


positivo, Y e X são considerados produtos substitutos (ou concorrentes) um do
outro. No entanto, se ECD tiver resultado negativo, dizemos que os produtos
são complementares (ou consumidos conjuntamente).
Assim, avaliando o comportamento do resultado da ECD, podemos com-
preender o que são bens substitutos e bens complementares, conforme discri-
minados neste quadro:

BENS ANÁLISE EXEMPLOS

O aumento do preço de um
produto não interfere na
Manteiga e margarina;
satisfação do consumidor,
SUBSTITUTOS que imediatamente tem a
carne de frango e carne
de vaca; refrigerantes etc.
possibilidade de substituí-lo
por outro produto.

Se ocorre aumento no
Camisa social e gravata;
preço de determinado pro-
COMPLEMENTARES duto, isso tende a reduzir a
feijão e arroz; sapato e
meia; pão e margarina etc.
demanda do outro produto.

Fonte: Elaborado pelo autor.

capítulo 2 • 47
ATENÇÃO
Destaca-se que toda essa abordagem sobre elasticidade–preço da demanda, elasticidade–
renda da demanda e elasticidade–cruzada da demanda também poder ser utilizada no lado
da oferta, ou melhor dizendo, sobre a elasticidade–preço da oferta (EPO). Esse tipo de
elasticidade mede o quanto a quantidade ofertada responde percentualmente em função de
mudança percentual no preço do produto. A oferta de um bem é chamada de elástica se a
quantidade ofertada responde bem a mudanças no preço. Quando essa resposta na quanti-
dade ofertada é pequena para as mudanças de preço, dizemos que a oferta é inelástica; se a
variação percentual da quantidade ofertada é igual à variação percentual do preço, a oferta
do produto é unitária. Diante disso, pode-se dizer que a EPO depende da flexibilidade que os
vendedores/produtores têm para mudar a quantidade do bem que comercializam. Chama-se
a atenção para o fato de que, ao contrário da elasticidade–preço da demanda, a EPO tem re-
sultado positivo – isso porque as variações de preço e quantidade se dão no mesmo sentido.

Portanto, prezado leitor, é muito importante que todo aquele que deseja
obter informações sobre o comportamento dos consumidores, relacionando à
sua área específica de estudo e de seus interesses entender como se compor-
tam as elasticidades.

ATIVIDADES
01. Observe o gráfico a seguir, considerando que o preço de mercado de uma unidade de
Coca-Cola® seja de R$3,00.

Pcoca-cola

Pmercado

Qcoca-cola
(unidades)

48 • capítulo 2
Nesse sentido, suponhamos que o governo altere o valor do imposto sobre circulação e
mercadoria de serviços (ICMS) de tal maneira que a área em amarelo seja alterada. Dessa
forma, leia atentamente as afirmativas a seguir e assinale a correta.
a) O aumento do ICMS fará com que o excedente do consumidor sofra uma queda, pois
provocará queda no preço de mercado, fazendo diminuir a oferta do produto;
b) A queda do ICMS exercerá uma pressão para que os produtores elevem a sua oferta e
o consumidor diminua a sua demanda;
c) O aumento do ICMS fará com que o excedente do consumidor tenha uma elevação, pois
provocará aumento o preço de mercado, fazendo aumentar oferta do produto;
d) A queda do ICMS exercerá uma pressão para que os produtores diminuam sua oferta e
o consumidor eleve sua demanda;
e) O aumento do ICMS fará com que o excedente do consumidor sofra queda, prejudican-
do o benefício líquido que ele tenderia a receber.

02. Observe o quadro a seguir, em que:


•  Qx = quantidade consumida de X
•  UTx = UT de X
•  UMgx = utilidade marginal de X = utilidade extra recebida de cada unidade a mais a ser
consumida de X = (DUT/DDQx)
•  X = lata de Coca-Cola®

Qx UTx Umgx
0 0 --------
1 7 7
2 13 6
3 18 5
4 22 4
5 25 3
6 27 2
7 28 1
8 28 0

Explique este quadro, que se refere ao número de latinhas de Coca-Cola® consumidas


em uma festa por um adolescente, supondo que esse adolescente não coma nada ao longo
do evento.

capítulo 2 • 49
03. Observe, no próximo gráfico, duas curvas de indiferença – U1 e U2 –, que se intercep-
tam (ou se cruzam) no ponto A.

Bem Y

A
C U2

B
U1

Bem X

Em função deste gráfico, leia atentamente as considerações a seguir e marque a afir-


mativa correta.
I. Ao longo (ou em cima) da curva U1, o consumidor obtém o mesmo nível de utilidade total
nos pontos A e B;
II. O consumidor é indiferente entre as cestas A e C, pois ambas estão localizadas sobre a
curva U2;
III. A cesta C está situada acima de B, de modo que C deve ser preferida em relação à B;
desse modo, as curvas U1 e U2 não se devem cruzar.

a) I, II e III são falsas;


b) I e II são verdadeiras, e III é falsa;
c) I e III são verdadeiras, e II é falsa;
d) II e III são verdadeiras, e I é falsa;
e) I, II e III são verdadeiras.

04. Suponha um consumidor de baixa renda do subúrbio carioca. Ele pretende com-
prar dois tipos de frutas – X e Y – em uma feira livre. Sendo Py = R$1,00/unidades e
Px = R$2,00/unidades, o consumidor possui para essa compra uma renda nominal no valor
de R = R$16,00. Sendo assim: (a) traduza a equação da restrição orçamentária; e (b) expli-
que o modo como esse consumidor tenderá a consumir essas frutas, dados os preços delas
e o valor que ele leva para comprá-las.

50 • capítulo 2
05. Suponha o gráfico a seguir a respeito da posição de um consumidor chamado Mário,
sendo sua restrição orçamentária apresentada por 12,00 = 1,00.Qx + 1,50.Qy.
Qy

C
B
A
4 U3
U2
D
U1
6 Qx

Neste sentido, leia atentamente as considerações a seguir e assinale a afirmativa correta.


I. O ponto de equilíbrio do consumidor está representado pela cesta A, em que a restrição
orçamentária é tangente à curva de indiferença U2.
II. O consumidor compra 4 unidades de Y ao preço unitário de R$ 1,50 e 6 unidades de X
ao preço unitário de R$ 1,00, com renda monetária de R$ 12,00.
III. As cestas C e D representam combinações factíveis dos produtos X e Y, mas acarretam
mais UT, como pode ser evidenciado a partir do fato de que eles estão sobre a curva U1.
IV. A cesta B proporcionaria maior utilidade em relação à cesta A, mas requer renda maior
do que a de R$ 12,00 representada pela linha da restrição orçamentária U3.

a) I, II, III e IV são verdadeiras.


b) I, II e III são verdadeiras, e IV é falsa.
c) I, II e IV são verdadeiras, e III é falsa.
d) I e II são falsas, e III e IV são verdadeiras
e) I e III são falsas, e II e IV são verdadeiras.

06. Ao longo dos anos, a família do Sr. Amaral (constituída por 4 pessoas) apresentou uma
evolução em sua renda familiar e, com isso, alterou o seu consumo por carne bovina, em
função dos diversos níveis dessa renda, segundo o quadro a seguir.

ANOS RENDA (R$/ANO) QCARNE (KG/ANO) ERD


2004 4.000,00 100 -------
2005 6.000,00 200 2,0
2006 8.000,00 300 1,5
2007 10.000,00 350 0,67
2008 12.000,00 380 0,43
2009 14.000,00 390 0,16
2010 16.000,00 350 -0,72
2011 18.000,00 250 -2,29

capítulo 2 • 51
Sabendo-se que ERD = (D%Q/D%R), leia atentamente as considerações a seguir e
assinale a afirmativa correta.
I. A níveis baixos de renda (no caso, de R$ 8.000,00 por ano ou menos), essa família,
presumivelmente, considerava a carne um produto de consumo superior;
II. A níveis intermediários de renda (no caso, entre R$ 8.000,00 e R$ 14.000,00 por ano),
a carne consumida se torna um produto de consumo normal;
III. A “altos” níveis de renda (no caso, acima de R$ 14.000), a família do Sr. Amaral inicia
a redução do consumo desse tipo de carne, pois a considera de consumo inferior, (talvez)
tendendo para carnes mais nobres.

a) I, II e III são falsas;


b) I e II são falsas, e III é verdadeira;
c) I e III são falsas, e II é verdadeira;
d) I e II são verdadeiras, e III é falsa;
e) I, II e III são verdadeiras.

07. Suponha que a elevação no preço do produto X em 20% promoveu uma redução de
10% na quantidade demandada desse bem (X) e ainda aumentou em 10% a demanda pelo
bem Y. Nesse sentido, pode-se afirmar que:
a) A demanda por X é elástica, e X e Y são bens substitutos;
b) A demanda por X é inelástica, e X e Y são bens complementares;
c) X e Y são independentes, e a demanda por X é unitária;
d) A demanda por X é inelástica, e X e Y são substitutos;
e) X e Y são independentes, e a demanda por X é elástica.

08. Suponhamos que os gestores da Cia. HTM desejam aumentar o preço do seu produto
(X) em dado tempo. A demanda por esse produto é inelástica, e sabendo-se que a receita
total (RT) da HTM é calculada multiplicando-se o preço unitário desse produto (Px) pela
quantidade a ser vendida e demandada (Qx), podemos considerar que, quando a Cia. elevar
o preço, sua receita total tenderá a:
a) Diminuir, pois D%Qx > D%Px, sendo que a RT segue a trajetória de Qx;
b) Aumentar, porque D%Qx < D%Px, em que a RT segue a trajetória de Px;
c) Aumentar, pois D%Qx > D%Px, sendo que a RT segue a trajetória de Qx;
d) Diminuir, porque D%Qx < D%Px, em que a RT segue a trajetória de Px;
e) Diminuir, pois D%Qx = D%Px, em que a RT segue a trajetória de Qx.

52 • capítulo 2
09. Observe os gráficos a seguir sobre uma família brasileira de classe média, os quais dizem
respeito ao consumo de uma cesta com os produtos X (filé mignon), Y (arroz) e W (frango),
sabendo-se que os preços deles são mantidos constantes e nenhum deles é de consumo
superior (coeteris paribus).

Y Y
ER2

ER1
U3
U2
U3
U2
U1 U1
R3 R3
R1 R2 R1 R2
6 9 12 x 7 9 11 W

Observe que, ao longo de determinado tempo, a renda nominal dessa família aumenta
de R1 para R2 e de R2 para R3; isso faz com que as linhas das restrições orçamentárias
tangenciem curvas de indiferenças mais afastadas da origem.
Esses gráficos podem suscitar duas discussões feitas ao longo deste capítulo, quais
sejam: o efeito renda e a elasticidade–renda da demanda. Nesse sentido, leia atentamente
as exposições a seguir e assinale a afirmativa correta.
I. No primeiro gráfico, quando a renda aumenta, o mesmo acontece para as quantidades
de demanda dos produtos X e Y, considerados de consumo normal, sendo o efeito renda
positivo; por isso, a trajetória da curva renda–consumo (ER1) tem inclinação positiva.
II. No segundo gráfico, quando a renda aumenta, a quantidade de demanda de W diminui,
ao contrário da quantidade do produto Y; nesse caso, o produto W é considerado produto de
consumo inferior, sendo o efeito renda negativo. Por isso, a trajetória da curva renda–consu-
mo (ER2) tem inclinação negativa em relação ao consumo de W.
III. Dados ambos os gráficos, percebe-se que, quanto maior a renda, maior a satisfação do
consumidor a ser preenchida em função dessa renda; em função disso, o consumo de X, Y e
W demonstram que esses produtos têm demanda inelástica, pois a renda aumenta mais que
proporcionalmente a quantidade demandada.

a) I, II e III são falsas;


b) I e II são falsas, e III é verdadeira;
c) I e III são falsas, e II é verdadeira;
d) I e II são verdadeiras, e III é falsa;
e) I, II e III são verdadeiras.

capítulo 2 • 53
10. Observe o quadro a seguir, obtido pela Pesquisa de Orçamentos Familiares do Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (POF/IBGE).

PREVALÊNCIA DE CONSUMO ALIMENTAR E CONSUMO ALIMENTAR MÉDIO PER CAPITA, POR CLASSES DE RENDI-
MENTO TOTAL E VARIAÇÃO PATRIMONIAL FAMILIAR PER CAPITA, SEGUNDO OS ALIMENTOS –
BRASIL – PERÍODO 2008–2009
Consumo alimentar médio per capita
Prevalência de consumo alimentar (%)
(g/dia)
Mais de Mais de
ALIMENTOS Até 296
Mais de
571 a
Mais de
Até 296
Mais de
571 a
Mais de
296 a 1.089 296 a 1.089
R$ 1. 089 R$ 1. 089
571 R$ R$ 571 R$ R$
R$ R$
ARROZ 83,2 86,5 85,9 79,9 168,1 171,7 165,7 129,7
ARROZ INTEGRAL 3,3 3,3 3,8 4,7 8,1 8,0 8,8 7,5
PREPARAÇÕES À 1,1 1,0 1,5 2,2 2,0 1,9 3,0 3,1
BASE DE ARROZ
MILHO E 20,4 14,0 7,4 7,6 36,0 21,2 10,4 8,8
PREPARAÇÕES
FEIJÃO 72,3 78,0 76,1 63,3 195,5 207,2 190,3 127,5
FEIJÃO-VERDE/ 5,7 2,5 1,1 1,3 14,3 4,7 2,1 2,0
FEIJÃO-DE-CORDA
PREPARAÇÕES À 4,3 2,7 1,9 2,5 12,0 7,0 6,5 7,5
BASE DE FEIJÃO
OUTRAS 0,9 0,5 0,7 2,2 1,6 0,9 0,8 1,8
LEGUMINOSAS
ALFACE 4,3 7,5 11,9 16,3 1,6 2,5 3,9 7,2
COUVE 3,3 6,3 8,2 9,9 1,8 4,0 4,4 5,8
REPOLHO 1,1 1,7 1,9 2,3 0,6 1,1 1,0 1,4
SALADA CRUA 8,9 15,5 18,3 23,7 7,9 14,3 17,5 21,8
OUTRAS VERDURAS 1,0 1,5 2,7 5,6 0,8 0,8 1,5 3,1
ABÓBORA 1,9 2,4 2,1 1,9 2,3 2,6 2,5 1,7
CENOURA 0,6 0,8 1,9 4,5 0,4 0,4 1,0 2,1
CHUCHU 0,3 1,4 1,4 1,8 0,2 0,9 1,1 1,0
PEPINO 0,4 1,3 1,2 2,1 0,1 0,7 0,6 1,3
TOMATE 5,7 8,5 10,8 15,5 3,7 5,9 7,5 10,0
OUTROS LEGUMES 1,8 5,1 7,4 9,7 1,8 4,4 5,8 7,2
BATATA-DOCE 1,0 1,5 1,2 1,1 2,9 3,0 1,8 2,0
BATATA-INGLESA 6,9 9,8 13,5 15,4 8,5 14,5 17,9 19,8
BATATA-INGLESA 0,3 0,7 0,8 1,7 0,2 0,5 0,6 1,0
FRITA
MANDIOCA 3,4 2,5 3,2 2,9 6,9 5,2 6,5 5,8
OUTROS 0,8 1,1 1,1 1,6 0,9 1,3 1,1 1,5
TUBÉRCULOS
ABACAXI 0,5 0,7 0,8 2,0 0,7 1,2 1,4 2,4

54 • capítulo 2
PREVALÊNCIA DE CONSUMO ALIMENTAR E CONSUMO ALIMENTAR MÉDIO PER CAPITA, POR CLASSES DE RENDI-
MENTO TOTAL E VARIAÇÃO PATRIMONIAL FAMILIAR PER CAPITA, SEGUNDO OS ALIMENTOS –
BRASIL – PERÍODO 2008–2009
AÇAÍ 1,5 0,9 0,6 0,6 5,1 2,4 2,1 1,7
BANANA 11,7 14,5 16,8 22,7 15,4 16,7 19,0 24,8
LARANJA 5,2 6,3 9,1 8,6 16,5 18,8 23,9 24,7
MAÇÃ 3,4 5,5 9,1 11,1 5,9 9,3 15,0 18,3
MAMÃO 1,4 1,4 2,5 8,5 2,7 3,0 5,4 16,7
MANGA 2,8 2,0 1,5 2,2 7,0 4,9 2,7 3,4
MELANCIA 1,2 1,5 2,0 2,0 3,4 3,6 5,0 5,2
TANGERINA 0,8 1,3 2,6 2,9 2,1 3,2 6,4 7,4
UVA 0,3 0,5 0,9 1,6 0,5 0,9 1,5 2,1
SALADA DE FRUTAS 0,3 0,6 0,9 3,5 0,6 1,3 1,8 6,0
OUTRAS FRUTAS 3,2 3,7 5,1 9,5 5,6 6,5 7,4 12,3
OLEAGINOSAS 0,6 0,5 0,5 2,2 0,3 0,2 0,3 0,7
FARINHA DE 16,9 9,7 5,2 3,4 14,7 6,5 3,3 1,8
MANDIOCA
FAROFA 3,9 4,0 3,2 4,7 2,3 2,1 1,4 1,7
CEREAIS MATINAIS 0,4 0,6 2,0 6,9 0,2 0,3 0,7 2,4
MASSAS 1,1 1,5 1,7 3,9 2,7 3,2 4,4 10,6
MACARRÃO 1,5 1,6 1,6 2,2 4,7 4,7 5,3 7,0
INSTANTÂNEO
MACARRÃO E PREPA-
RAÇÕES À BASE DE 19,7 20,0 16,4 18,6 34,5 38,2 33,5 39,6
MACARRÃO
PÃO DE SAL 55,7 64,1 67,0 67,3 48,8 55,3 57,0 51,7
PÃO INTEGRAL 0,9 0,8 1,3 5,2 0,4 0,4 0,7 2,5
BOLOS 11,0 13,0 15,4 15,1 11,1 13,6 15,2 16,7
BISCOITO DOCE 8,7 8,6 10,3 8,5 3,9 3,8 4,8 3,4
BISCOITO SALGADO 16,7 15,8 14,8 16,1 6,9 7,5 6,0 6,8
BISCOITO RECHEADO 3,2 4,5 5,1 3,8 4,1 5,5 4,9 3,9
PÃES, BOLOS E BIS- 0,3 0,4 0,5 1,8 0,2 0,1 0,3 0,8
COITOS DIET/LIGHT
CARNE BOVINA 43,0 50,2 52,9 50,2 54,7 66,2 70,9 63,0
PREPARAÇÕES À
BASE DE CARNE 0,9 2,2 2,4 3,3 1,2 3,3 3,3 4,5
BOVINA
CARNE SUÍNA 3,2 4,2 4,0 5,2 7,5 9,4 8,3 9,3

Dessas informações, suponhamos, coeteris paribus, uma dada família que tenha à dispo-
sição R$500,00 por ano para gastos em alimentação com pão de sal e carne bovina. Devido
ao seu rendimento, essa família gasta mais com o pão de sal, já que a carne bovina é cara e,
em função disso, é apresentado o seguinte quadro.

capítulo 2 • 55
PREÇOS (R$) QUANTIDADES/ANO GASTOS (R$)
ITENS
PAINEL A PAINEL B PAINEL A PAINEL B PAINEL A PAINEL B
PÃO DE SAL 1,50 1,00 300 260 450,00 260,00
(UNIDADES)
CARNE (KG) 5,00 5,00 10 48 50,00 240,00
VALOR TOTAL 500,00 500,00

Considerando tais informações, analise as proposições a seguir e assinale a afirmativa


correta.
I. Quando o preço do pão de sal diminui, essa família compra menos pão. Assim sendo,
esse produto deve ser um bem de consumo inferior, para o qual o efeito renda se sobrepõe
ao efeito substituição (oposto).
II. Quando o preço do pão cai, essa família tem sua renda real acrescida. Como a família
vê o pão como um bem inferior, o efeito renda, por si só, tende a reduzir a quantidade de pão
comprada.
III. O efeito substituição e o efeito preço aumentariam a demanda pelo pão de sal; no en-
tanto, uma grande queda em seu preço resultou em um efeito renda acentuado em relação
aos efeitos substituição e preço.

a) I, II e III são falsas.


b) I e II são falsas, e III é verdadeira.
c) I e III são falsas, e II é verdadeira.
d) I e II são verdadeiras, e III é falsa.
e) I, II e III são verdadeiras.

RESUMO
•  O excedente do consumidor mede, objetivamente, o benefício (ou ganho) que o consumi-
dor tende a receber ao comprar um produto de acordo com o seu ponto de vista, ou seja, com
o seu bem-estar econômico;
•  Utilidade é a propriedade que um produto (bem ou serviço) possui de satisfazer um desejo
ou uma necessidade do consumidor;
•  Utilidade cardinal refere-se à utilidade como uma magnitude que se pode mensurar;
•  Utilidade total é a satisfação total ou a soma das utilidades individuais que o consumidor
recebe ao consumir determinadas quantidades de um bem, em dado período;
•  Pelo princípio da utilidade ordinal, analisa-se a ordem de preferências pelas diferentes
cestas de mercadorias (ou cestas de consumo);

56 • capítulo 2
•  Curva de indiferença é o lugar geométrico de todos os pontos representados por cestas de
mercadorias que geram o mesmo nível de utilidade (total) ao consumidor;
•  A taxa marginal de substituição (TMgS) refere-se à taxa de troca da quantidade de um bem
pela quantidade de outro, mantendo o mesmo nível de bem-estar ou de satisfação;
•  Restrição orçamentária é o conjunto de combinações possíveis de produtos a serem con-
sumidos por dado consumidor, levando-se em conta a sua renda disponível e os preços dos
bens (ou serviços) que ele pretender comprar;
•  Equilíbrio do consumidor é o ponto em que o consumidor maximiza a utilidade ou a satisfa-
ção total, ao gastar a sua renda, dados os preços dos produtos;
•  Elasticidade é como se calcula a medida de resposta de uma variável em função da mu-
dança de outra variável qualquer;
•  Elasticidade-preço da demanda (EPD) é a razão entre a variação percentual na quantidade
demandada de um produto e a variação percentual no preço desse produto, em um dado
período, em que, para EPD > 1, a demanda é elástica; EPD < 1, a demanda é inelástica; e
EPD =1, a demanda é unitária;
•  Elasticidade-(preço) cruzada da demanda (ECD) mede o impacto (ou a sensibilidade) da
variação do preço de dado produto (Px) sobre a demanda de outro qualquer (Y). O resultado
da ECD pode ser positivo (ECD>0) se Y e X são considerados produtos substitutos (ou
concorrentes) um do outro. No entanto, se ECD tiver um resultado negativo (ECD<0), esses
produtos são complementares (ou consumidos conjuntamente);
•  Elasticidade-renda da demanda (ERD) mede o impacto (ou a sensibilidade) de variações
na renda do consumidor sobre a demanda por determinado produto. Se ERD < 0, produto é
considerado de consumo inferior, se 0 ≤ ERD ≤ 1, temos um bem de consumo normal e se
ERD>1, o produto é de consumo superior;
•  Elasticidade-preço da oferta é a razão entre a variação percentual na quantidade ofertada
de um produto e a variação percentual no preço desse produto em umdado período;
•  Cesta de mercadorias (ou cesta de consumo) diz respeito ao conjunto de um ou mais bens
(ou serviços) associado(s) às quantidades consumidas de cada um desses produtos;
•  Efeito renda é o efeito obtido no equilíbrio do consumidor, seja pela elevação da renda
nominal, seja da renda real, que eleva a quantidade de demanda de determinado produto;
•  Efeito preço refere-se a uma modificação da posição do ponto de equilíbrio do consumidor,
em razão da alteração nos preços de um dos bens;
•  Efeito substituição demonstra como o consumidor realoca seu consumo em função de
quando se modificam os preços relativos dos bens X e Y, independentemente de haver uma
modificação direta na sua renda nominal;

capítulo 2 • 57
•  A curva preço–-consumo apresenta as quantidades que maximizam a utilidade do consu-
midor diante de uma variação nos preços;
•  A curva renda-consumo especifica as combinações dos produtos que maximizam a utilida-
de associada a cada um dos possíveis níveis de renda.

Apêndice 2 – Cestas de mercadorias

Conforme dito na nota de rodapé número 3 deste capítulo, cesta de merca-


dorias (ou de consumo) diz respeito ao conjunto de um ou mais bens (ou ser-
viços) associado(s) às quantidades consumidas de cada um desses produtos.
Nesse contexto, o quadro a seguir apresenta informações adaptadas da
Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2008-2009 do Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE), cujo objetivo é fornecer informações sobre a
composição dos orçamentos domésticos, a partir da investigação dos hábitos
de consumo, da alocação de gastos e da distribuição dos rendimentos, segundo
as características dos domicílios das famílias brasileiras.

PARTICIPAÇÃO DAS CLASSES SOCIAIS NAS CESTAS DE CONSUMO


Classes
MERCADORIAS Centro-Sul Nordeste
Brasil
Pobres C. Média C. Alta Pobres C. Média C. Alta
ALIMENTOS E 31% 22% 14% 41% 25% 12% 22%
BEBIDAS
HABITAÇÃO 17% 13% 10% 14% 11% 9% 13%
ARTIGOS DE 6% 7% 9% 6% 7% 9% 7%
RESIDÊNCIA
VESTUÁRIO 7% 6% 4% 7% 7% 6% 6%
TRANSPORTES 16% 23% 26% 14% 20% 31% 23%
SAÚDE 9% 10% 11% 9% 11% 11% 10%
MATERIAL DE 6% 8% 13% 4% 7% 10% 8%
HIGIENE
EDUCAÇÃO 3% 6% 7% 2% 5% 7% 5%
COMUNICAÇÃO 4% 5% 5% 2% 5% 5% 5%

O quadro apresenta a participação das classes sociais na formação de cestas


de consumo no Centro-sul, no Nordeste e no Brasil como um todo. Imaginemos
uma situação na qual uma família, da classe média do Centro-sul do país, tenha
à disposição para escolha e estabelecimento de suas preferências apenas duas

58 • capítulo 2
mercadorias, ou seja, vestuário e alimentos. A partir daí, podem ser formadas
cestas de consumo (A, B e C) constituídas por diferentes quantidades dessas
duas mercadorias relacionadas no painel a seguir .

CESTAS DE CONSUMO ALIMENTOS (UNIDADES/MÊS) VESTUÁRIO (UNIDADES/MÊS)


A 10 5
B 20 10
C 25 6

Fonte: elaborado pelo próprio autor.

ATENÇÃO
Destaca-se que podem ser formadas inúmeras cestas compostas por outras diferentes
quantidades de outras mercadorias, tais como vestuário e transportes, saúde e educação
etc. Melhor colocando, tal contexto reflete as várias opções (ou cardápios) de consumo em
função das preferências (e das necessidades) do consumidor.

Vejamos o que ocorre quando comparamos apenas as cestas A e B. Claramen-


te essa família deverá preferir a cesta B em relação à A. Isso porque a família pre-
fere maior quantidade dos bens. No entanto, o que ocorre quando comparamos
as cestas B e C? Nesse caso, não podemos afirmar que, a priori, a família preferi-
rá alguma dessas cestas. A família irá preferir a cesta B se ela, a família, atribuir
um maior valor ao consumo de vestuário. Por outro lado, se a família atribuir um
maior valor ao consumo de alimentos, ela irá preferir a cesta C.
No entanto, existe ainda a possibilidade de que a família seja indiferente
entre consumir a cesta B ou a cesta C. Nesse caso, essa família está informando
que, para ela, tanto faz consumir a cesta B ou a cesta C, pois ambas forneceriam
o mesmo nível de satisfação.
Logo, percebe-se que, pela Teoria do Consumidor, a apresentação das ces-
tas de mercadorias (ou de consumo) são modos ordenados de como a família
em questão estaria disposta a coordenar as suas preferências supondo, por hi-
pótese, que as cestas estão disponíveis sem custos para ela.

capítulo 2 • 59
Apêndice 3 – Efeito preço, efeito renda e efeito substituição

Percebemos, ao longo deste capítulo, que o consumidor toma decisões ra-


zoáveis diante de limitados recursos monetários e que tal contexto é evidencia-
do pelo equilíbrio do consumidor. A partir daí, caro leitor, nossa discussão diz
respeito às modificações que podem ocorrer com esse equilíbrio do consumi-
dor. Vejamos as próximas informações.
O gráfico a seguir apresenta o chamado efeito renda.

Curva de Renda-Consumo

E’’
Y3
E’
Y2
E
Y1
U3
U1 U2
x1 x2 x3 x

Fonte: Elaborado pelo autor.

Conforme podemos notar, esse efeito retrata uma modificação na posição


de equilíbrio do consumidor em função de uma variação na sua renda nominal
(disponível), em que os preços dos bens X e Y são mantidos constantes. Se hou-
ver aumento de sua renda (como no caso de um aumento do salário mínimo), o
consumidor comprará maiores quantidades dos bens X e Y, deslocando o pon-
to de equilíbrio do consumidor para a direita, gerando novos e diferentes níveis
de satisfação alcançáveis, por causa da variação da renda nominal.
Ao mesmo tempo, ao unirmos todos os pontos de equilíbrio do consumidor
(E, E’ e E’’), forma-se o que denominamos de linha ou curva renda-consumo,
mostrando a variação do consumo dos bens X e Y, mantidos constantes os pre-
ços destes bens .

60 • capítulo 2
ATENÇÃO
Quando a curva de renda–consumo apresenta inclinação positiva, como no gráfico em ques-
tão, a quantidade demandada aumenta com a renda. A elasticidade de renda da demanda é
positiva, e o bem é normal. Quando a curva de renda–consumo apresenta inclinação nega-
tiva, a quantidade demandada diminui com a renda, a elasticidade de renda da demanda é
negativa, e o bem é inferior.

Destaca-se que o efeito renda também ocorre quando há aumento da renda


real do consumidor. No entanto, qual é a diferença entre a renda nominal e a
renda real? A renda nominal é o rendimento do consumidor (como no caso do
salário-mínimo recebido por esse indivíduo), e a renda real refere-se a quanto
efetivamente com a renda nominal – dados os preços dos produtos – o consu-
midor pode comprar destes produtos. Assim, a renda real é a nominal dividida
pelos preços dos bens. Dessa maneira, o efeito renda pode acontecer quando,
ao manter-se o valor da renda nominal constante, os preços caem simultanea-
mente e, com isso, ocorre um aumento da renda real, deslocando para a direita
o ponto de equilíbrio do consumidor.
Um grande exemplo referente ao efeito renda são os descontos da Black
Friday – uma campanha de vendas adotada, a princípio, nos Estados Unidos e
depois também no Brasil, a qual barateia significativamente os preços de pro-
dutos como TVs, roupas, eletrodomésticos, computadores, dentre outros. A
vantagem para os consumidores é, portanto, aproveitar o efeito renda – isto é,
os descontos existentes – e até antecipar as compras de Natal, pois geralmente
essa campanha é feita no final do mês de novembro.
Por outro lado, para complementar o que foi dito a respeito do efeito renda,
tem-se o efeito preço. Esse conceito se refere a uma modificação da posição do
ponto de equilíbrio do consumidor, em razão da alteração nos preços de um
dos bens (supondo, do bem X), mantida a sua renda nominal constante. Nesse
caso, ocorre o deslocamento desse ponto em consequência de um giro das li-
nhas centradas no intercepto do eixo do bem Y, cujo preço Py (coeteris paribus)
não se modificou. Neste sentido, as sucessivas linhas de preços mantêm-se re-
tas, porém, com inclinações diferentes, demonstrando que à medida que Px
diminui, eleva-se o consumo de X, conforme o gráfico a seguir.

capítulo 2 • 61
Y

Curva Preço Consumo

E’’
E’
E
U3

U2

U1
X

Fonte: Elaborado pelo autor.

A satisfação do consumidor aumenta tão logo sejam atingidas as curvas que re-
velam utilidades cada vez maiores do ponto E para E’ e do E’ para o ponto E’’; ao li-
garmos esses pontos de equilíbrio, tem-se uma linha indicadora das modificações
da posição de equilíbrio do consumidor, sendo essa linha definida como curva de
preço–consumo .

ATENÇÃO
Cabe destacar que, se determinarmos a quantidade a ser consumida do bem X para cada
um de seus possíveis níveis de preços, podemos, portanto, derivar a curva de demanda do
consumidor que demonstra uma relação inversa entre as quantidades e os preços.

Por último, o efeito substituição acaba sendo uma complementação do


efeito preço. O efeito substituição demonstra como o consumidor realoca o seu
consumo em função de quando se modificam os preços relativos dos bens X e
Y, independentemente de haver uma modificação direta na sua renda nominal.
Portanto, o efeito substituição retrata como o consumidor tende a comprar
mais do bem cujo preço relativo teve quedas (X), com o objetivo de substituir o
outro bem que ficou relativamente mais caro (Y). Esse efeito se caracteriza, na
verdade, por mera modificação na posição do ponto de equilíbrio ao longo da
mesma curva de indiferença (E para E’), tendo essa curva sofrido uma alteração
da sua inclinação, de acordo com a figura a seguir:

62 • capítulo 2
E
E
Y1
E’
E’
Y2

U1

X1 X2

Fonte: Elaborado pelo autor.

Logo, caro aluno, os efeitos renda, preço e substituição são meios de apre-
sentarmos as mudanças que podem ocorrer com o (ponto) de equilíbrio do
consumidor. A discussão desses efeitos parte do princípio de que é impor-
tante analisar sistematicamente como se comporta um consumidor racio-
nal, em função das suas tomadas de decisões em contextos vivenciados por
seu comportamento.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
VASCONCELLOS, M.A.S. Economia: micro e macro. São Paulo: Atlas, 2010; caps. 2 e 3.
VASCONCELLOS, M. A. S. & Garcia, H. Fundamentos de Economia. São Paulo: Saraiva, 2010; caps.
4 e 5.
MOCHON, Francisco. Princípios de Economia. São Paulo: Pearson – Pretice Hall, 2007; caps. 2 e 3.
PINDYCK, Robert e Rubinfeld, D. Microeconomia. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2010; caps. 3, 4
e 5.
Sites:
• Veja online: http://veja.abril.com.br/blog/nova-york/petroleo/o-choque-do-petroleo
-mais-um/ obtido em 08/10/2015.
• Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística: www.ibge.gov.br: POF 2008-2009/IBGE

capítulo 2 • 63
64 • capítulo 2
3
Teoria da Firma
Caro leitor, no Capítulo 1 descrevemos o equilíbrio de mercado como o momen-
to pelo qual a quantidade demandada é igual à ofertada. Assim, o equilíbrio de
mercado torna-se a pedra fundamental na análise da Teoria Microeconômica.
Além disso, no Capítulo 2, complementamos o estudo do equilíbrio exami-
nando as bases da demanda e como as decisões de consumo individual deter-
minam a quantidade a ser consumida por determinado consumidor – dados,
por exemplo, os preços dos produtos, a renda e a sensibilidade que o próprio
consumidor tem em relação a essas e outras variáveis.

OBJETIVOS
No Capítulo 3, nosso foco será o lado da oferta, mais especificamente quem gera essa oferta
– as empresas –, examinando a produção e os rendimentos delas. Para isso, identificaremos
a diferença entre o curto e o longo prazo no processo de produção da empresa (ou da firma),
explicaremos a Lei dos Rendimentos Decrescentes, mostrando que esse é um importante
princípio na Teoria da Firma. Além disso, levaremos o leitor a compreender a relação entre a
produção e a utilização dos recursos de produção, por meio da função de produção.
Paralelo a todo esse conteúdo, este capítulo tem ainda como objetivos explicar a relação
entre produção e custos de produção, distinguindo os vários conceitos de custos – dentre
eles, os de custos médio e marginal –, bem como determinar o nível ótimo de quantidade a
ser produzida que faça a empresa (ou firma) maximizar seu lucro (total).
Começaremos a estudar, então, nosso primeiro item, que se refere à Teoria da Produção.

66 • capítulo 3
3.1  Teoria da Produção
Antes de nossas primeiras considerações, é importante que você, caro aluno,
entenda que, de maneira geral, toda e qualquer curva de oferta é composta pe-
las condições da produção e dos custos de produção das empresas. Essa dis-
cussão se refere às peças fundamentais para a análise dos preços e do emprego
dos recursos (ou insumos) de produção – os elementos de que as empresas se
valem para obterem seu produto final. Desse modo, define-se como:

a relação entre a quantidade produzida


TEORIA DA PRODUÇÃO e as quantidades de insumos utilizados;

a relação entre os preços dos fatores


TEORIA DOS CUSTOS DE de produção e a quantidade do produto
PRODUÇÃO das empresas.

Conforme veremos, este item 3.1 se refere justamente à Teoria da Produção.


No entanto, o que especificamente podemos entender sobre produção na aná-
lise da Teoria Microeconômica? A produção pode ser definida como a forma
(ou a função) pela qual são empregados os fatores (ou recursos) utilizados no
processo produtivo das empresas.
Nesse sentido, chamamos de função de produção aquela que estabelece a
relação física entre o volume (ou a quantidade) de recursos de produção utili-
zados no processo produtivo , com o volume (ou quantidade) de produto final
que pode ser obtido por determinada empresa. Essa função mostra a transfor-
mação dos recursos de produção em produtos finais.

CONCEITO
Processo produtivo (ou de produção) diz respeito à técnica ou ao método pelo qual um ou
mais produtos tende(m) a ser obtido(s) a partir da utilização de determinadas quantidades de
recursos de produção.

capítulo 3 • 67
Os fatores (ou recursos, ou meios) de produção constituem a base da produ-
ção de toda e qualquer firma, seja ela do setor agropecuário, industrial e de ser-
viços. Se utilizarmos uma empresa do setor automotivo no Brasil, por exemplo,
os recursos são os meios utilizados por essa empresa para a produção dos seus
veículos, sendo que esses recursos são limitados (escassos) em sua quantidade
e qualidade, além de versáteis e de poderem ser combinados em proporções
variáveis. São tipicamente classificados em: recursos naturais (que irão consti-
tuir-se na matéria-prima, como os minerais e a água, entre outros); recursos hu-
manos (incluindo toda a atividade humana, como empreendedorismo e capa-
cidades físicas e intelectuais); capital (máquinas, equipamentos, construções,
entre outros); e tecnologia.
Uma função de produção em sua forma mais simples, coeteris paribus,
pode ser demonstrada da seguinte maneira:

Qx = f (K, N)/t

Em que:
Qx = quantidade de produção de um produto X qualquer;
f = relação (ou função);
K = quantidade do fator de produção capital;
N = quantidade do fator de produção trabalho;
/t = determinado período (ou fluxo) de tempo (a curto ou longo prazo).
Em relação a essa função, chama-nos a atenção a sigla /t, que se refere ao
(período de) tempo. Nesse contexto, define-se como sendo:

o período que demonstra quando todos os fatores de


LONGO PRAZO produção são variáveis , em função do aumento do
tamanho da empresa.

o período em que pelo menos um dos recursos de


CURTO PRAZO produção está fixo , ou seja, não varia em função do
nível de produção .

68 • capítulo 3
CONCEITO
Define-se como fator fixo todo aquele cuja quantidade utilizada não se modifica, embora a
quantidade produzida se altere.
Em livros de Microeconomia, geralmente o capital (K) é considerado o fator fixo, e o
trabalho (N), o fator variável em curto prazo.

Para um melhor entendimento da diferença entre curto e longo prazos na


Teoria da Produção, analisemos a seguir.
Análise de curto e longo prazos

PERÍODOS
RECURSOS 201X 201Y 201Z
MAR ABR MAI MAR ABR MAI MAR ABR MAI
K 2 2 2 4 4 4 7 7 7
N 10 11 12 15 17 19 30 33 36

Fonte: Elaborado pelo autor.

Imaginemos que haja certa previsão de produção ao longo desses anos; com
isso, podemos observar que, para cada ano (201X, 201Y e 201Z) individualmen-
te, o K não varia, entretanto, N sofre modificações – logo, temos um retrato do
curto prazo. Porém, se olharmos conjuntamente todos os anos de 201X, pas-
sando pelo ano de 201Y e chegando ao ano de 201Z, perceberemos que, além
de N, K também sofre variações; nesse caso, temos um exemplo do período de
longo prazo , conforme estudaremos melhor no próximo item.

ATENÇÃO
É importante entender que, em longo prazo, as empresas têm a possibilidade de alterar a
quantidade de todos os fatores empregados na produção dos seus produtos finais.

capítulo 3 • 69
3.1.1  Análise da produção em longo prazo

Conforme é apresentado no quadro anterior, tem-se longo prazo de uma firma


quando todos os fatores de produção são variáveis, isto é, quando não existem
fatores fixos de produção. Dessa maneira, uma questão central deve ser respon-
dida: quando variam ao mesmo tempo as dotações de capital (K) e de trabalho
(N), que impacto pode ocorrer sobre o volume (ou a quantidade) de produção
da empresa?
Como o longo prazo é o período em que todos os insumos podem variar –in-
clusive o tamanho da empresa –, isso dá origem aos conceitos de economias (ou
rendimentos) de escala. Diz-se, portanto, que há:

quando a variação dos fatores de produ-


ECONOMIAS (OU RENDIMENTOS) ção causa uma variação mais que pro-
DE ESCALA CRESCENTES porcional na quantidade de produção;

se a variação dos fatores de produção


ECONOMIAS (OU RENDIMENTOS) gera uma variação na mesma propor-
DE ESCALA CONSTANTES ção da quantidade de produção (ou do
produto);

ECONOMIAS (OU RENDIMENTOS) quando a mudança dos fatores de pro-


DE ESCALA DECRESCENTES dução causa uma variação menos que
(TAMBÉM CHAMADAS DE proporcional no produto da empresa.
DESECONOMIAS DE ESCALA)

Agora vamos supor que, com a realização das Olimpíadas no Rio de Janeiro,
o mercado de identificação digital tenha oferecido ótimas oportunidades para
produzir aparelhos de controle de acesso via biometria. Nesse caso, a empresa
RE Identificação, especializada em criar tais aparelhos, apresenta um processo
produtivo ao longo de um período de tempo conforme o quadro a seguir, sa-
bendo que K representa o número de máquinas, e N, o número de funcionários.

70 • capítulo 3
FATORES/VARIAÇÕES PRODUÇÃO/VARIAÇÕES RENDIMENTOS
K ∆%K N ∆%N Q ∆%Q DE ESCALA
2 ------ 12 ------ 2.000 --------- ---------------
3 50,0 18 50,0 2.600 30,0 Decrescentes
5 66,7 30 66,7 4.333 66,7 Constantes
8 60,0 48 60,0 7.799 80,0 Crescentes

Tabela 3.1  –  Rendimentos de escala. Fonte: Elaborado pelo autor.

Dado o quadro, observa-se que o processo de produção da empresa RE


Identificação constitui-se de rendimentos decrescentes, constantes e crescen-
tes de escala, segundo os incrementos proporcionais utilizados dos fatores
de produção.
Em função do que foi explicado, percebe-se o que conceituamos como ren-
dimentos de escala. Tal conceito exprime a maneira pela qual a quantidade de
produção (ou a quantidade do produto) de uma empresa aumenta de acordo
com a agregação dos fatores de produção quando a empresa aumenta a sua
quantidade (e o seu tamanho) de produção em longo prazo.
No entanto, é importante destacar que, qualquer que seja o bem ou o servi-
ço realizado, o gestor de determinada empresa sabe que diária e mensalmen-
te precisa tomar múltiplas decisões sobre atividades produtivas. De todas es-
sas escolhas, as duas mais relevantes em curto prazo referem-se justamente à
quantidade a ser produzida e ao modo como produzir; sobre isso estudaremos
no item 3.1.2.

3.1.2  Análise da produção em curto prazo

Conforme definido, curto prazo é o período no qual pelo menos um dos fatores
de produção é considerado fixo. A partir daí, precisamos analisar o que aconte-
ce com a produção de uma firma caso haja variação da quantidade de um dos
fatores de produção enquanto o outro fator permanece fixo.
A ilustração do quadro seguinte se refere a essa discussão, e o ponto cen-
tral é a definição conceitual da Lei dos Rendimentos (Marginais) Decrescentes.
Para a compreensão desse princípio, imaginemos uma empresa produtora de
cereais no Rio Grande do Sul, por exemplo, cujos cereais serão posteriormente
enlatados para a comercialização no Brasil.

capítulo 3 • 71
FATORES DE PRODUÇÃO
QT (MIL/HA)
K (HECTARES) N (FUNCIONÁRIOS)
1.000 0 0
1.000 1 3
1.000 2 8
1.000 3 12
1.000 4 15
1.000 5 17
1.000 6 17
1.000 7 16
1.000 8 13

Tabela 3.2  –  Análise da produção de cereais. Fonte: Elaborado pelo autor.

Como se pode deduzir neste quadro, na primeira coluna temos o fator fixo,
isto é, a área da colheita (K). Na segunda coluna, são incluídas as quantidades
do fator variável N (funcionários) que se empregam na produção de cereais; na
terceira coluna, por sua vez, há quantidades (em mil/ha ) de cereais obtidas se-
gundo os diferentes níveis de funcionários. A partir daí, precisamos analisar a
produtividade dessa empresa.

CONCEITO
O hectare (ha) é uma unidade de medida de superfície (área) muito usada no Brasil e no mun-
do, correspondendo a 10.000 metros quadrados, semelhante à área de um campo de futebol.

Produtividade é a relação entre a quantidade de produto produzido ou co-


lhido (expressos em kg/ha ou tonelada/ha) e o fator de produção variável (N) em
curto prazo, sabendo-se que, portanto, a área de colheita (ou de produção – K)
mantém-se fixa, em determinado período.
A área de produção (K) é uma área de terra ampla para ser cultivada, não exis-
tindo, inicialmente em nosso exemplo, trabalhadores (N) para ela. Entretanto,
em um primeiro estágio de produção (estágio I), contrata-se um trabalhador
para cultivá-la, rendendo certa quantidade de produto para essa empresa. Uma
vez que a área é extensa, a contratação de outro trabalhador aumentará ainda
mais a produção. Nesse sentido, a produção total (Qt) nesse primeiro estágio
cresce em proporções cada vez maiores.

72 • capítulo 3
Considerando que esse processo de contratação de funcionários tenha con-
tinuidade, para um segundo estágio de produção (estágio II), chega-se até certo
ponto (momento) em que, dado o limite do fator de produção fixo (a terra), os
acréscimos da contratação de novos trabalhadores aumentarão o nível de pro-
dução, mas tal aumento se fará em proporções cada vez menores. No entanto,
em um terceiro estágio de produção (estágio III), chega-se a um ponto (máxi-
mo) de trabalhadores pela área da terra, fazendo com que, após esse ponto, a
contratação de mais um trabalhador acabe reduzindo (ou diminuindo) a pro-
dução da firma (ou da empresa).
Com esse simples raciocínio, reutilizamos o anterior, adicionando a ele in-
formações sobre a produtividade média (PMeN) e marginal (PMgN) do traba-
lho, visto que o trabalho (ou o número de funcionários) está sendo caracteriza-
do como fator variável de produção.

FATORES DE PRODUÇÃO
Qt PMeN PMgN
K (HECTARES) N
1.000 0 0 ------- --------
1.000 1 30 30 30
1.000 2 80 40 50
1.000 3 120 40 40
1.000 4 150 38 30
1.000 5 170 34 20
1.000 6 170 28 0
1.000 7 160 23 -10
1.000 8 130 16 -30

Tabela 3.3  –  Análise da produção de cereais (quadro ampliado) – Produtividades média e


marginal. Fonte: Elaboração do autor.

A Produtividade média do trabalho (PMeN) é a relação entre a produção total


(Qt) e o número de trabalhadores (N) na produção da empresa. Matematicamente,
esse conceito – expresso por: PMeN = (Qt/N) – calcula quanto, em média, cada
trabalhador participa do nível de produção total. Enquanto a produtividade margi-
nal do trabalho (PMgN) é a variação da produção (ΔQt) obtida pela variação no em-
prego do fator trabalho (ΔN); matematicamente, temos: PMgN = (ΔQt / ΔN). Essa
fórmula significa quantas unidades a mais do produto tenderão a ser produzidas
na medida em que se contrate um trabalhador a mais no processo de produção.
A discussão desse exemplo hipotético, a respeito da empresa agrícola que
produz cereais no Rio Grande do Sul, apresenta o ponto central do início des-
te item 3.1.2, ou seja, sobre a Lei dos Rendimentos (Marginais) Decrescentes.

capítulo 3 • 73
Essa lei se refere ao que acontece com a produção de uma firma caso só ocorra a
mudança ou variação da quantidade de um dos fatores de produção, enquanto
o outro permanece fixo. Essa lei informa que inicialmente os acréscimos do
fator de produção variável ao produto (ou à produção) serão crescentes (estágio
I) e irão tornar-se a partir de certo ponto decrescentes (estágio II), até chegarem
a um ponto de máxima produção (estágio III), podendo inclusive tornar-se ne-
gativos, segundo os gráficos a seguir, derivados do quadro anterior.

200
Estágio I Estágio II Estágio III
180
Quantidade de Produção (Qt)

160
140
função
120
produção
100 total
80
60
40
20
0
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9
Número de Funcionários (N)

60
50
40
30
PMgN e PMeN

20 PMeN
10
0
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9
-10
-20
-30 PMgN
-40
Funcionários (N)

Figura 3.1  –  Estágios de produção. Fonte: Elaborados pelo autor.

Conforme os gráficos anteriores, podemos fazer algumas considerações


importantes. A primeira delas é que a PMgN é inicialmente crescente, atinge
um máximo no emprego dos trabalhadores, quando N=2 (antes do ponto de
máximo da produtividade média) e depois passa a ser decrescente.

74 • capítulo 3
A segunda consideração é que a curva da produtividade média começa a in-
clinar-se para baixo depois de ter sido cortada no seu ponto máximo pela curva
de produtividade marginal. Dessa maneira, se a curva da PMgN começa a cair,
no momento em que passa a ser menor que a PMeN, a curva da PMgN estará
puxando, portanto, a curva da PMeN para baixo. Na verdade, a produtividade
marginal é o acréscimo no total produzido pelo último trabalhador absorvido.
Se – e somente se – a produtividade desse trabalhador for menor que a média de
todos os trabalhadores absorvidos anteriormente, estará puxando essa média
(total) para baixo. Portanto:

• Se PMg > PMe, PMe é crescente;


• Se PMg = PMe, PMe é máxima;
• Se PMg < PMe, PMe é decrescente.

A terceira e última consideração diz respeito ao momento em que, nos grá-


ficos anteriores, visualizamos que, quando a produtividade marginal começa
a cair (de N = 2 para N = 3), a curva da produção total (Qt) passa a ser convexa
(era côncava até então). Essa inflexão existente se refere à passagem da fase da
PMgN crescente para a decrescente. Paralelo a isso, observa-se que, quando Qt
é máxima (sendo Qt = 170 e N = 6), a PMgN é igual a zero, e quando essa produ-
tividade se torna negativa (para N=7 e N =8), Qt começa a cair.
Percebe-se que a curva da produção (ou do produto) total inicialmente é tra-
çada a taxas crescentes, depois a taxas decrescentes, até atingir seu máximo,
que, em seguida, decresce. As curvas de PMeN e PMgN são construídas a par-
tir da curva da produção total. De acordo com essa realidade atual, o gestor da
empresa agrícola de cereais não permitirá, obviamente, que a situação chegue
ao ponto de a PMgN ser negativa. Na verdade, antes que isso possa acontecer,
o gestor, por ser racional, coeteris paribus, procurará investir em novos tipos
de atividade da empresa, como a realocação de recursos e a reestruturação da
produção agrícola de cereais; no entanto, tal condição é mais de longo prazo
do que de curto prazo. De todo modo, dadas essas considerações, leia – no
Apêndice 4, ao final deste capítulo – o artigo da BBC Brasil sobre o aumento de
produtividade agrícola no país.

capítulo 3 • 75
A questão que se destaca agora é que, para produzir, toda e qualquer em-
presa ou firma tem de usar insumos ou fatores de produção – o que gera cus-
tos. Esses custos são determinados pelos valores dos fatores de produção que
a firma utiliza para produzir o seu produto final. Sobre os custos, caro leitor,
discutiremos no próximo item deste capítulo.

3.2  Teoria dos Custos de Produção


Nesta seção, veremos o comportamento dos custos (de produção) da empresa (ou
da firma) associado à produção de determinada quantidade de um produto (bem ou
serviço). Nesse caso, novamente, é utilizada a distinção entre curto e longo prazos.

3.2.1  Custos de produção em curto prazo

Toda a discussão que faremos aqui implica dizer que os custos são uma variável
importante para toda e qualquer empresa, pois, a partir deles – assim como do
preço do produto final e da receita total obtida –, a empresa decidirá a quanti-
dade total a ser produzida. Para isso, dada a importância que se tem a respeito
da variável custos, prezado aluno, dividiremos este item em dois subitens: o pri-
meiro diz respeito aos custos totais; o segundo, aos custos médios e marginal.

3.2.1.1  Custos totais de produção


No caso do (período de) tempo de curto prazo, pelo menos um dos fatores de
produção está fixo; nesse sentido, o custo total (CT) da firma é formado pela
soma do custo associado à utilização do fator de produção fixo (CFT) mais o
custo pela utilização do fator de produção variável (CVT). Melhor dizendo, es-
quematicamente, tem-se:

CT = CVT + CFT

O comportamento do custo de produção ficará claro a partir do seguinte.


Supondo uma empresa de geração de energia, e dadas as quantidades totais
(Qt) do produto, este quadro apresenta valores hipotéticos do CFT (R$), CVT
(R$) e CT (R$).

76 • capítulo 3
CUSTOS TOTAIS
QT
CVT (R$) CFT (R$) CT (R$)
0,0 0,00 880,00 880,00
144,0 900,00 880,00 1.780,00
360,0 1.800,00 880,00 2.680,00
470,0 2.700,00 880,00 3.580,00
540,0 3.600,00 880,00 4.480,00
580,0 4.500,00 880,00 5.380,00

Tabela 3.4  –  Custos totais em curto prazo. Fonte: Elaborado pelo autor.

Tais valores podem ser transportados para o gráfico a seguir, que apresenta
as condições dos custos totais em curto prazo.

6000,00

5000,00

CVT (R$)
Custos (R$)

4000,00
CFT (R$)
3000,00
CT (R$)

2000,00

1000,00

0,00
0 100 200 300 400 500 600 700

Quantidade Total (Qt)

Figura 3.2  –  Curvas de custos variável, fixo e total. Fonte: Elaborado pelo autor.

Como se pode observar anteriormente, com exceção do custo (CFT =


R$880,00), o custo total, assim como o custo variável, tende a aumentar em fun-
ção do aumento da quantidade produzida. Uma vez que o tamanho da firma
é constante em curto prazo, a curva de custo total terá a mesma forma do cus-
to variável, mas está sempre R$880,00 acima dela, que é justamente o valor do
CFT, pois o CT = CFT + CVT.

3.2.1.2  Custos médios e marginal de produção


Caro leitor, a despeito de as curvas de custos totais serem muito importantes
para uma firma, mais importante, ainda, são as curvas de custos médios e mar-
ginal de curto prazo, sendo as curvas de custos médios aqui consideradas as de

capítulo 3 • 77
custo fixo médio (CFMe), de custo variável médio (CVMe) e de custo total médio
(CTMe), principalmente para a empresa hipotética de que estamos tratando (a
do setor de geração de energia).
O CFMe é igual ao custo fixo total dividido pela produção, o CVMe é igual ao
custo variável total dividido pela produção, e o CTMe é o resultado da divisão
entre o custo total com a quantidade de produção, sendo também decorrente do
somatório entre o custo fixo médio e o custo variável médio. Assim, temos que:
•  CFMe = CFT/Qt;
•  CVMe = CVT/Qt;
•  CTMe = CT/Qt = CFMe + CVMe.

Ao mesmo tempo, se trabalharmos com a relação entre a variação do custo


total (ΔCT) com a variação da quantidade de produção (ΔQt), obteremos o custo
marginal, sendo este o custo, o custo de se produzir uma unidade a mais (extra)
do produto da firma, ou seja: CMg = (ΔCT / ΔQt) .

ATENÇÃO
Cabe destacar que os custos marginais não são influenciados pelos custos fixos (invariáveis
em curto prazo). Ao mesmo tempo, chama-se a atenção de que, como não há variação de
custo fixo, logo, se somente se CMg = (∆CT / ∆Qt) = (∆CVT / ∆Qt).

O próximo quadro apresenta relações entre os custos médios e o custo mar-


ginal derivados dos custos totais.

QUANTIDADES CUSTOS
CUSTO
CUSTOS TOTAIS CUSTOS MÉDIOS MARGINAL
Qt CMG (R$)
CVT (R$) CFT (R$) CT CVME (R$) CFME (R$) CTME (R$)
0,0 (R$) 880,00 880,00 0,00 -------- -------- ------------
144,0 900,00 880,00 1.780,00 12,50 12,22 24,72 12,50
360,0 1.800,00 880,00 2.680,00 10,00 4,90 14,90 8,34
470,0 2.700,00 880,00 3.580,00 11,50 3,74 15,24 16,36
540,0 3.600,00 880,00 4.480,00 13,34 3,26 16,60 25,72
580,0 4.500,00 880,00 5.380,00 15,52 3,04 18,56 45,00

Tabela 3.5  –  Custos totais, médios e marginal. Fonte: Elaborado pelo autor.

78 • capítulo 3
Graficamente, verificamos os seguintes diagramas, relacionando as curvas
de custos médios e de custo marginal.

50,00
45,00
40,00
35,00 CVMe (R$)
Custos (R$)

30,00 CFMe (R$)


25,00
20,00 CTMe (R$)
15,00 CMg (R$)
10,00
5,00
0,00
0,00 100,00 200,00 300,00 400,00 500,00 600,00 700,00
Quantidade Total - Qt

Figura 3.3  –  Curvas de custos médios e marginal. Fonte: Elaborado pelo autor.

Caro leitor, repare bem estas curvas! O que elas têm a informar? Os forma-
tos delas estão relacionados ao que estudamos no item 3.1 deste capítulo, ou
seja, o que aprendemos com a Teoria da Produção em Curto Prazo, a respeito
da Lei dos Rendimentos Decrescentes (ou Lei dos Custos Crescentes, que agora
estamos abordando). Contudo, segundo o que foi apresentado no quadro an-
terior (sobre custos totais, médios e marginal), cabe destacar que o custo fixo
médio (CFMe) é decrescente ao longo do processo produtivo. Por quê? A expli-
cação é simples! Porque o custo fixo (CFT) permanece inalterado (invariável), e,
na medida em que se aumenta o volume de produção, o CFMe diminui (tenden-
do a ter um valor igual a zero). Como o custo total médio é a soma entre o custo
fixo médio e o custo variável médio, sendo o CFMe maior do que zero, o CTMe
será maior do que o CVMe, mas as duas curvas de CTMe e de CVMe tendem a se
aproximar em função do aumento da quantidade de produção.
Graficamente, as curvas de custo total médio, de custo variável médio e de
custo marginal tendem a ter formatos em U. Isso quer dizer que, inicialmente,
tais custos são decrescentes, pois há pouca quantidade de fator variável para
uma grande quantidade de fator fixo; nesse sentido, o custo total cresce em pro-
porções cada vez menores, gerando dessa maneira quedas dos custos médios
(total e variável) e do custo marginal.
Se observarmos atentamente, atinge-se um ponto mínimo; isto significa
que há saturação da utilização do fator fixo. Após este ponto, os custos são cres-
centes, pois a contratação de maior quantidade do fator variável tende a não

capítulo 3 • 79
trazer aumentos proporcionais de produção; portanto, o custo total cresce em
proporções cada vez maiores, e os custos médios e marginal passam a ser cres-
centes. A todo esse processo tem-se o que os economistas definem como a Lei
dos Custos Crescentes (em curto prazo).
Como complementação, é importante destacar que, quando o custo margi-
nal for igual ao custo médio (total ou variável), a curva de custo marginal estará
cortando o ponto de mínimo dessa curva de custo médio. Por essa discussão,
portanto, segundo Vasconcellos e Garcia e conforme o gráfico anterior, desta-
ca-se que:
•  Se o custo marginal superar o custo médio (total e variável), o custo médio
estará crescendo;
•  Se o custo marginal for inferior ao médio, o custo médio estará
decrescendo.

Assim, prezado aluno, analisamos até aqui apenas os custos de produção


em curto prazo, que mostram o custo de se produzirem diferentes quantidades
de um produto qualquer em determinada planta (ou área) da empresa que não
sofre mudanças. A partir do próximo item, discutiremos simplificadamente a
curva de custo de longo prazo, que mostra o custo de produzir diferentes quan-
tidades de um produto em plantas ou tamanhos diferentes.

ATENÇÃO
É importante enfatizar que, em curto prazo, pela análise da Teoria da Firma:
a) Quando as curvas de PMe e PMg são crescentes, as curvas de CTMe e CMg são decres-
centes;
b) Quando as curvas de PMe e PMg são decrescentes, as curvas de CTMe e CMg são cres-
centes;
c) Os pontos de máximo de PMe e PMg correspondem aos pontos de mínimo de CTMe
e CMg.

Assim, prezado aluno, analisamos até aqui apenas os custos de produção


em curto prazo, que mostram o custo de se produzirem diferentes quantidades
de um produto qualquer em determinada planta (ou área) da empresa que não

80 • capítulo 3
sofre mudanças. A partir do próximo item, discutiremos simplificadamente a
curva de custo de longo prazo, que mostra o custo de produzir diferentes quan-
tidades de um produto em plantas ou tamanhos diferentes.

3.2.2  Custos de produção em longo prazo

Em longo prazo, conforme já estudamos, todos os fatores de produção são va-


riáveis, incluindo o tamanho ou a dimensão da empresa. Nesse sentido, sobre
o custo total em longo prazo, este é igual ao custo variável, pois o custo fixo é
nulo. Da mesma maneira, caro leitor, podemos perceber que o custo total mé-
dio é igual ao custo variável médio, sendo o total médio chamado de custo mé-
dio de longo prazo (CMeLP), cuja curva é apresentada na figura a seguir:

Custos ($)
Lei dos rendimentos decrescentes
(Curto Prazo) CMeLP

CMeC5
CMeC1
CMeC4
CMeC2 CMeC3
A
Economias Economias de Escala
de Escala Crescentes Decrescentes
Mínimo Custo

Q ótima de produção Qt
Q ótima = Tamanho da escala ótima

Figura 3.4  –  Curva de custo médio em longo prazo.. Fonte: Elaborado pelo autor.

Sabendo-se que o comportamento dos custos de longo prazo está relaciona-


do ao tamanho ou à dimensão (da planta de produção) para poder operar nesse
espaço de tempo, a curva de custo médio total em longo prazo tende também
a ter um formato em U. Essa forma se refere ao que já estudamos na Teoria da
Produção em Longo Prazo e que se chama de economias (tamanhos) de escala,
em que todos os fatores de produção estão variando.
Ao visualizarmos melhor a figura anterior – o formato em U da curva de
CMeLP –, percebemos que essa curva envolve uma série de curvas de custo mé-
dio de curto prazo. Geometricamente, cada uma dessas curvas de custo médio
de curto prazo informa plantas ou tamanhos de produção da firma em diferen-
tes momentos de tempo. Se voltarmos para o primeiro quadro deste capítulo,
perceberemos que cada ano apresenta determinado tamanho de produção em

capítulo 3 • 81
curto prazo e, com isso, há diferentes níveis de custos médios de produção de
uma empresa. Cabe a essa empresa, então, em seu planejamento de longo pra-
zo – seja ela do setor industrial, comercial ou agrícola – analisar a melhor planta
(ótima) de produção – que está justamente no ponto A, destacado na figura an-
terior. Em economias de escala, a empresa procura a especialização a ser obtida
e que irá garantir-lhe mais competitividade, maior concorrência, maior quali-
dade. São condições que possibilitarão à firma (seja ela micro, média, grande
empresa, ou mesmo um grande grupo econômico) maior coordenação, por
meio da especialização da qualidade do fator trabalho, da aquisição de maiores
volumes de matérias-primas a preços mais baratos, da diversificação da utiliza-
ção de energia e de melhores condições de tecnologia, por exemplo; portanto,
todo um contexto que permita a essa empresa reduzir seu custo médio de pro-
dução em longo prazo .

ATENÇÃO
A ideia principal aqui implícita é a de que a firma procura a minimização (ou o ponto de mí-
nimo) do custo médio em longo prazo. Para isso, por exemplo, a empresa tenderá a planejar
as melhores maneiras pelas quais pode produzir o seu produto final. Um exemplo disso são
as alternativas possíveis de se produzirem veículos pela indústria automobilística no Brasil.
Uma dessas alternativas é a escolha mais automatizada da sua produção, que requer menor
quantidade de trabalhadores, gerando, em longo prazo, um custo médio (ou um custo [médio]
por veículo) mais barato para essa indústria.

Ainda com base na figura anteriormente analisada, suponha, caro leitor, o qua-
dro a seguir em eu a empresa tem justamente cinco alternativas (ou possibilidades)
de plantas que podem ser construídas no seu planejamento de longo prazo.

CMeC1 CMeC2 CMeC3 CMeC4 CMeC3


Qt CMeC (R$) Qt CMeC (R$) Qt CMeC (R$) Qt CMeC (R$) Qt CMeC (R$)
1 15,50 2 15,50 5 10,00 8 10,00 9 12,00
2 13,00 3 12,00 6 8,50 9 9,50 10 11,00
3 12,00 4 10,00 7 8,00 10 10,00 11 11,50
4 11,75 5 9,50 8 8,50 11 12,00 12 13,00
5 13,00 6 11,00 9 10,00 12 15,00 13 16,00

Tabela 3.6  –  Alternativas de plantas. Fonte: Elaborado pelo autor.

82 • capítulo 3
Observando atentamente o quadro anterior e relacionando-o com o ponto A
da figura que estamos analisando – ao nível do ponto Qt = 7, na CMeC3 – temos
o ponto de mínimo dessa curva de custo médio de longo prazo (CMeLP). Esse
ponto apresenta o menor nível de custo médio, ou seja, R$8,00, onde encon-
tramos, portanto, o tamanho ótimo (ou a dimensão, ou a escala ótima) de pro-
dução da empresa, com ganhos de produtividades. Porém, destaca-se que, pós
este ponto de mínimo, o CMeLP começa a crescer; isso significa que se apre-
senta depois desse ponto a existência de economias de escala decrescentes (ou
deseconomias de escala) .

ATENÇÃO
A respeito de custos de produção, cabe destacar que, embora as curvas de custo médio de
longo e de curto prazo tenham o mesmo perfil – em U –, elas diferem no sentido de que o
formato em curto prazo se deve à chamada Lei dos Rendimentos Decrescentes (ou Custos
Crescentes), a uma dada planta (ou escala) de produção. Por sua vez, o formato da curva
de longo prazo do CMeLP se deve aos rendimentos de escala, quando varia o tamanho
da empresa.

Portanto, percebe-se que o ponto em que Qt = 7 representa a combinação de


custo (médio) mínimo com a escala ótima (ou o tamanho ótimo) de produção
da empresa. Dessa maneira, a escala ótima da empresa, do ponto de vista do
seu custo médio de longo prazo, é aquela em que o CMeLP é mínimo.

Nesse ponto, segundo Vasconcellos, o custo médio é cortado pelo custo marginal de
longo prazo, como ocorre também com o curto prazo. Melhor colocando, nesse ponto:
CMgCP = CMeCP = CMeLP = CMgLP.

capítulo 3 • 83
Logo, em cada ponto da curva de custo médio de longo prazo, demonstra-se
que, supondo uma empresa de geração de energia, esta tem um elenco de pos-
sibilidades de produção de curto prazo, com diferentes escalas de produção (ou
de tamanho), que ela pode escolher no seu planejamento de longo prazo . Para
aprofundar seu conhecimento sobre o que foi exposto até o momento a respei-
to dos custos de produção, leia o Apêndice 5, ao final deste capítulo.

ATENÇÃO
Caro leitor, é importante dizer que a maioria das firmas tende a produzir mais de um produto.
Toda e qualquer empresa enfrenta o problema central de decidir quais produtos devem ser
produzidos, em que quantidades e de que maneiras. A solução seria relativamente evidente,
não fossem algumas inter-relações importantes entre produtos. Nesse sentido, produzir cer-
tos produtos juntos e diversificá-los em logo prazo é mais vantajoso, pois o custo médio em
longo prazo é mais barato do que produzir esses mesmos produtos separadamente. Esse tipo
de produção denominamos economias de escopo.

3.3  Análise da maximização do lucro total

LUCRO
EMPRESA SETOR
US$/MILHÕES R$/MILHÕES(*)
BR DISTRIBUIDORA Atacado 280,60 1.051,41
IPIRANGA Atacado 310,30 1.162,69
BRASKEM Química e petroquímica 375,30 1.406,25
JBS Bens de consumo 645,00 2.416,82
E.C.T Serviços 65,00 243,56
CSN Siderurgia e metalurgia 27,30 102,29
GLOBO Comunicações 692,30 2.594,05
CEMIG DISTRIBUIÇÃO Energia 139,00 520,83
MAGAZINE LUIZA Varejo 47,30 177,23
LOJAS AMERICANAS Varejo 153,60 575,54
SUZANO Papel e celulose 34,20 128,15

84 • capítulo 3
LUCRO
EMPRESA SETOR
US$/MILHÕES R$/MILHÕES(*)
CONSTRUTORA Indústria da construção 517,40 1.938,7
ODEBRECHT
CIELO Serviços 1.039,30 3.894,26
NATURA Bens de consumo 241,20 903,78
VOTORANTIM CIMENTOS Indústria da construção 369,80 1.385,64

(*) Valor US$1,00 = R$3,7447 em 26/11/2015

Fonte: Exame.com: As Melhores Empresas do Brasil em 2014.

O quadro anterior apresenta algumas das melhores empresas do Brasil em


2014, segundo o site exame.abril.com.br/negócios/melhores-e-maiores/2014/
nationality=1. Esse quadro informa os lucros máximos que determinadas em-
presas obtiveram no exercício de suas atividades produtivas, pois uma das pre-
missas da Microeconomia é a de que as empresas sempre estão à procura do
maior lucro possível.
Percebe-se que o objetivo de todas as corporações é fazer o máximo de lucro
possível; de maneira geral, as empresas têm a maximização do lucro no topo da
sua agenda de produção. As empresas querem maximizar seus lucros, depois
de terem tomado as medidas para atingirem quaisquer outros objetivos – como
maximizar a produção e minimizar os custos de produção – conforme vimos
respectivamente nos itens 3.1 e 3.2 deste capítulo.
Nesse contexto, o item 3.3 tem como objetivo principal examinar a decisão
relativa sobre o nível de produção capaz de maximizar o lucro total para toda e
qualquer empresa. De modo geral, sabemos que o lucro total (LT) corresponde
à diferença entre a receita total (RT) e o custo total (CT), sabendo-se que a re-
ceita é dada pela multiplicação do preço unitário (P) do produto multiplicado
pela quantidade (Qt) dele. Destaca-se aqui que tanto o LT, quanto a RT e o CT
dependem do nível de produção da empresa.
Para poder maximizar o lucro total (LT), a empresa opta pelo nível de quan-
tidade de produção para o qual a diferença positiva seja a máxima possível en-
tre RT e CT. Segundo a próxima figura, essa diferença pode ser vista pelo espaço
entre os pontos A e B no gráfico I e pela maior distância (d) obtida no gráfico II.

capítulo 3 • 85
Receita Total e Custo Total Gráfico I
7000,00 K’
6000,00
A
5000,00
4000,00
RT, CT

3000,00 K B
RT
2000,00 CT
1000,00
0,00
0 100 200 300 400 500 600 700 800 900

Quantidades - Qt

Lucro Total
2000,00 Gráfico II
Máx. Lucro Total
1500,00

1000,00 d
Lucro Total

500,00

0,00 LT
650
0 100 200 300 400 500 600 700 800 900
-500,00

-1000,00

-1500,00
Quantidades - Qt

Figura 3.5  –  Curvas da receita total, do custo total e do lucro total. Fonte: Elaborada
pelo autor.

Para melhor visualizarmos essa concepção da maximização do lucro, preza-


do aluno, o quadro seguinte espelha essa condição por meio de valores quanti-
tativos. Vamos a eles! Supondo que o preço unitário do produto seja constan-
te ao longo do tempo, no quadro, a quantidade total (coluna 1) vezes o preço
(coluna 2) gera o resultado da receita total (coluna 3). Essa receita menos o
custo total (coluna 4) dá-nos o lucro total (coluna 5), sendo esse lucro máximo
(R$1.690,00) quando a empresa produz (e tende a vender) 650 unidades do seu
produto nesse período.

86 • capítulo 3
QT (UNID.) P (R$) RT (R$) CT (R$) LT (R$) RMG (R$) CMG (R$)
(1) (2) (3) (4) (5) (6) (7)
0 8 0 800 -800 ------- --------
100 8 800 2.000 -1.200 8 12
200 8 1.600 2.300 -700 8 3
300 8 2.400 2.400 0 8 1
400 8 3.200 2.524 676 8 1,25
500 8 4.000 2.775 1.225 8 2,5
600 8 4.800 3.200 1.600 8 4,25
650 8 5.200 3.510 1.690 8 8
700 8 5.600 3.950 1.600 8 8,8
800 8 6.400 6.400 0 8 24

Tabela 3.7  –  Análise da maximização do lucro total. Fonte: Elaborado pelo autor.

Contudo, neste quadro são apresentadas as colunas (6) e (7), que dizem res-
peito à receita marginal (RMg) e ao custo marginal (CMg). Nesse sentido, po-
de-se observar que uma empresa poderá maximizar seu lucro total em nível de
quantidade de produção tal que a receita marginal é igual ao custo marginal .

ATENÇÃO
Tem empresas e setores que fixam a maximização dos seus lucros não por meio da igual-
dade entre a receita marginal com o custo marginal, mas sim pelo Mark up. Este conceito é
adicionado ao custo total incorrido pela empresa com o propósito de gerar certo lucro total

O que, no entanto, esses conceitos querem nos dizer? A RMg é a relação


entre a variação da receita total com a variação da quantidade total da produ-
ção da empresa1; quanto ao custo marginal, já o estudamos no item 3.2.1.2
deste capítulo. Pelo quadro, a maximização do lucro total ocorre quando a
RMg = Cmg = R$8,00. Isso nos faz apreciar de uma maneira mais significativa
esse quadro em questão. Melhor colocando, percebe-se que, antes de Qt = 650
unidades, a receita marginal está superior ao valor do custo marginal (RMg >
CMg). Desse modo, para os gestores será interessante aumentar o nível de pro-
dução, pois cada unidade a mais a ser produzida tenderá a aumentar o lucro
total (ou a reduzir o prejuízo) dessa empresa, conforme podemos observar nas
colunas (1), (5), (6) e (7).

1  RMg = ∆RT/∆Qt

capítulo 3 • 87
Por outro lado, ainda utilizando as colunas (1), (5), (6) e (7), para todo e qual-
quer nível de produção acima de Qt = 650 unidades, a receita marginal passa a
ser menor do que o custo marginal (RMg < CMg). Nesse caso, os gestores po-
derão diminuir a produção, pois cada unidade a menos que a empresa possa
deixar de produzir tenderá a aumentar seu lucro total.
Portanto, por todas essas análises, percebemos que a empresa produzirá
o nível de quantidade do seu produto no ponto em que a receita marginal for
igual ao custo marginal, pois, nesse caso, ocorre o momento pelo qual a empre-
sa consegue obter o seu lucro total máximo.
Para finalizarmos este item, bem como o conteúdo teórico do capítulo, so-
licito a você, caro leitor, que retorne à figura anterior, sobre as curvas da receita
total, do custo total e do lucro total. Veja que a maximização do lucro total ocor-
re no espaço da área entre os pontos K e K’. Toda essa área demonstra que a
empresa obtém lucros extraordinários, pois RT > CT e o LT > 0. Se dividirmos a
receita total e o custo total pela quantidade de produção, obtemos a receita mé-
dia, que nada mais é do que o preço unitário do produto [RMe = RT/Qt = (P.Qt)/
Qt = P] e o custo médio (CT/Qt). Sendo assim, toda essa área entre K e K’ de-
monstra que P > CTMe, e esse resultado é visto também no quadro anterior, es-
pecificamente nos valores das quantidades de produção de 400 a 700 unidades.
Entretanto, na área antes do ponto K da figura e do quadro anteriores, com
os níveis de produção de 0 a 200 unidades, observamos que RT < CT e o LT <
0. Ao dividirmos novamente a receita total e o custo total pela quantidade de
produção da empresa, temos que P < CTMe; nesse caso, a empresa incorre em
perdas2. E nos pontos K e K’ (chamados de pontos de nivelamento ou break-e-
ven points) no gráfico cujas quantidades de produção são Qt = 300 e Qt 8003,
respectivamente no quadro anterior, a empresa obtém o que podemos chamar
de lucros normais (ou contábeis), em que RT = CT, sendo o LT = 0 e o P = CTMe.

ATIVIDADES
01. Suponhamos uma empresa em Bela Vista (no Bexiga, em São Paulo) que fabrica biscoi-
tos. Essa empresa está produzindo no curto prazo, cuja fábrica contém máquinas e equipa-
mentos preexistentes. Conforme o número de trabalhadores, a empresa observou os seguin-
tes níveis de produção (em mil unidades/mês):

2  Contudo, a empresa pode aumentar o nível de produção, visto que a RMg > CMg.
3  No entanto, em Qt = 300, RMg > CMg e QT = 800, RMg < CMg.

88 • capítulo 3
EMBALAGENS DE BISCOITOS (MIL
MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS (K) NÚMERO DE TRABALHADORES (N)
UNIDADES/MÊS - Q)
5 1 10
5 2 18
5 3 24
5 4 28
5 5 30
5 6 28
5 7 25

Com base nas informações apresentadas:


a) Calcule as produtividades marginal e média do trabalho para essa função de produção;
b) Responda se essa função de produção apresenta rendimentos decrescentes de escala
para o recurso trabalho. Justifique sua resposta;
c) Explique, de acordo com a sua visão empresarial, qual poderia ser a razão de a produti-
vidade marginal do trabalho se tornar negativa.

02. Imaginemos que você seja um empresário e abra uma franquia de produção de cosmé-
ticos. Em função disso, leia as proposições a seguir.
CT = CVT + CFT
CTMe = CVMe + CFMe
CMg = (∆CT/∆Q)
RT = receita total = preço unitário (P) x a quantidade de produção (Q)
RMg = receita marginal = (∆RT/∆Q)
LT = lucro total = RT – CT

Dadas essas informações, a seguir é apresentado um quadro contendo as quantidades


de produção, os custos variáveis e o custo fixo.

Q CFT CVT CT CFMe CVMe CMe CMg P RT LT RMg


3 30 15 ------- 5 -------
6 30 24 5
9 30 30 5
12 30 33 5
15 30 39 5
18 30 48 5
21 30 60 5
24 30 75 5
27 30 93 5
30 30 114 5
33 30 138 5

capítulo 3 • 89
a) Calcule CT, CFMe, CVMe, CMe, CMg, RT, RMg e LT;
b) Em função dos cálculos, indique:
b.1) O nível de produção (Q) em que há a maximização do lucro total dessa empresa.
Justifique Sua resposta;
b.2) Os níveis em que vale a pena a produção crescer, justificando a sua análise;
b.3) Se empresa opera no curto prazo, apesar de levar prejuízo;
b.4) Se a empresa deve fechar imediatamente, justificando a sua análise.

03. O gráfico a seguir mostra a curva de custo total médio de longo prazo (CMeLP) de uma
empresa, em função da quantidade de produção e seu único produto.

CMeL

CMeL

Q* (tamanho ótimo) Qt

Analisando o gráfico, pode-se concluir que, para determinado nível de produção:


a) Abaixo de Q*, o custo fixo é nulo;
b) Acima de Q*, há retornos constantes de escala;
c) Em Q*, o custo variável médio é mínimo;
d) Até Q*, o custo marginal é igual ao custo variável;
e) Até Q*, há economias de escala.

04. Uma consultoria estudava em que medida uma determinada empresa do ramo de cal-
çados estava com ineficiência em sua linha de produção, sabendo-se que essa empresa
contém máquinas e equipamentos preexistentes. Nesse estudo, foi constatado que, em curto
prazo, a (função da) produção efetiva sobre a produção máxima era de 57%, de acordo com
a utilização do fator trabalho. Na concepção dessa consultoria, tal empresa estava sendo
ineficiente na condução da sua produção, pois 43% da produção estava com rendimentos
decrescentes, percentual extremamente elevado para esse ramo de atividade.
Dadas essas informações, observe o gráfico a seguir e assinale a afirmativa correta.

90 • capítulo 3
Qt

Função da Produção
Total

I II III

a) Os 43% da produção da empresa de calçados que estão ineficientes dizem respeito ao


estágio III, em que a produção aumenta em proporções cada vez menores, e a produtivi-
dade marginal é negativa, evidenciando um custo marginal crescendo significativamente.
b) Os 57% de produção efetiva referem-se ao estágio I, em que a produção aumenta em
proporções cada vez maiores e a produtividade marginal é positiva e crescente, eviden-
ciando um custo médio e marginal crescendo em proporções cada vez menores.
c) Os 57% da produção efetiva dizem respeito aos estágios I e II, onde há um aumento da pro-
dução. Nesse contexto, as produtividades média e marginal são positivas, e os custos médio e
marginal, no estágio I, são decrescentes; no estágio II, têm rendimentos de custos crescentes.
d) Os 43% da produção ineficiente da empresa apresentam-se nos estágios II e III, pois, em
I, as produtividades média e marginal são positivas, com custos médio e marginal cres-
centes; e, no estágio II, as produtividades média e marginal são negativas, com custos
médio e marginal crescendo significativamente.
e) Os 43% da produção ineficiente da empresa referem-se somente ao estágio III, cuja
produção tem uma queda significativa, com produtividades média e marginal negativas e
custos marginal e médio crescentes, apesar de o custo total estar crescendo em propor-
ções cada vez menores, dada a condição da própria curva de produção.

05. O alumínio é um metal leve e muito versátil, com ampla variedade de aplicações, incluin-
do na produção de aviões, automóveis e de materiais para a construção civil. A produção do
alumínio se inicia nas minas de bauxita em países como o Brasil. Determinado grupo de pro-
dução de alumínio, em função das suas características de produção em curto prazo, possui
uma função custo total expressa por CT = 10 + Qt + 0,1Qt2, em que Qt é a quantidade pro-
duzida de alumínio nesse período, e os parâmetros numéricos estão expressos nas unidades
adequadas. Se Qt = 10, o valor do custo:
a) Variável total (CVT) é igual a 5;
b) Total (CT) é igual a 20;

capítulo 3 • 91
c) Total médio (CTMe) é igual a 3;
d) Marginal (CMg) é igual a 7;
e) Fixo (CFT) é igual a 20.

06. 6) Determinada empresa brasileira do setor eletroeletrônico – em função de novas opor-


tunidades que tendem a surgir em seu país de origem – está planejando para longo prazo
aumentar a sua capacidade/estrutura de produção, visando obter economias de escala. Nes-
se sentido, considera-se que ocorre economia de escala à medida que a produção cresce e
o custo de produção médio tende a cair, pelo menos até certo ponto (de mínimo) da curva
desse tipo de custo. Isso pode acontecer pelos seguintes motivos:
I) Se a empresa operar em uma maior escala, os funcionários podem especializar-se nas
atividades em que são mais produtivos.
II) A escala pode proporcionar flexibilidade. Ao dosar a combinação dos insumos utilizados
na produção, os gestores podem organizar o processo produtivo de maneira mais eficaz.
III) Por comprar insumos em grandes quantidades e, assim, ter maior poder de negociação,
a empresa pode conseguir tais insumos a preços mais baixos. Se os gestores aproveitarem
os insumos de menor custo, o mix de insumos pode mudar conforme a própria escala.

a) I, II e III são falsas;


b) I e II são verdadeiras, e III é falsa;
c) I e III são verdadeiras, e II é falsa;
d) I e II são falsas, e III é verdadeira;
e) I, II e III são verdadeiras.

07. 7) Suponha que um aumento de 1% na produção de determinado produto acarrete au-


mento de 0,5% no custo total de produção da empresa LKJ em curto prazo, coeteris paribus.
Logo, no caso dessa empresa, percebe-se que:
a) O custo marginal é positivo e crescente;
b) O custo variável médio é negativo;
c) O custo total médio diminui;
d) Há economias de escala crescentes;
e) Há surgimento de economias de escopo.

08. Observe o gráfico a seguir, da obra de Pindyck & Rubinfeld, sobre uma (hipotética) es-
timativa da curva de custo variável médio do setor automobilístico nos Estados Unidos, em
longo prazo, coeteris paribus. Essa curva pode ser auferida por meio de dados de empresas

92 • capítulo 3
desse setor. Dessa maneira, a curva de custo variável médio do setor pode ser obtida pela
determinação estatística da curva que melhor se encaixa nos pontos que relacionam a pro-
dução de cada empresa com o custo variável médio da produção.

Custo
Variável
($)
General Motors*

Nissan * Toyota
*
Honda *

Volvo *
* Ford

* Chrysler

Qt de carros

A partir desses dados, podemos considerar que:


a) A General Motors tem rendimentos de escala maiores do que a Ford;
b) A Cia. Volvo consegue ter custos crescentes em escala maior do que a Nissan, Honda
e Toyota;
c) A produtividade da Chrysler é maior do que a da Volv;
d) As produtividades da General Motors são maiores do que a da Toyota e da Honda;
e) A Chrysler possui o menor nível de custo variável médio em longo prazo em relação às
demais companhias do setor.

09. Leia as considerações a seguir, a respeito das discussões sobre o curto e longo prazo,
e assinale a afirmativa correta.
I) Em curto prazo, quando a produção cresce em proporções cada vez maiores, a produti-
vidade marginal é positiva e crescente, e a produtividade média cresce em função da produ-
tividade marginal.
II) Em longo prazo, há deseconomias de escala (ou economias de escala decrescentes)
quando o custo total está aumentando em proporções cada vez maiores; com isso, custos
médio e marginal são crescentes.
III) Em curto prazo, quando a produtividade marginal corta a curva de produtividade média
no seu ponto de máximo, o custo marginal corta o ponto de mínimo do custo médio.

a) I, II e III são falsas;


b) I e II são verdadeiras, e III é falsa;

capítulo 3 • 93
c) I e III são verdadeiras, e II é falsa;
d) I e II são falsas, e III é verdadeira;
e) I, II e III são verdadeiras.

RESUMO
•  Teoria da Produção: análise das relações físicas entre a quantidade produzida e as quanti-
dades de insumos (ou recursos) de produção utilizados pela empresa.
•  Teoria dos Custos de Produção: estudo das relações entre os preços dos fatores de produ-
ção e a quantidade do produto das empresas.
•  Função de produção mostra a relação física entre o volume (ou a quantidade) de recursos
de produção utilizados no processo produtivo.
•  Longo prazo: (período de) tempo que demonstra quando todos os fatores de produção são
variáveis, em função do aumento do tamanho da empresa.
•  Curto prazo: (período de) tempo em que pelo menos um dos recursos de produção está
fixo, ou seja, não varia em função do nível de produção.
•  Economias (ou rendimentos) de escala crescentes ocorre quando a variação dos fatores
de produção causa uma variação mais que proporcional na quantidade de produção.
•  Economias (ou rendimentos) de escala constantes ocorre se a variação dos fatores de pro-
dução gera uma variação na mesma proporção da quantidade de produção (ou do produto).
•  Economias (ou rendimentos) de escala decrescentes (também chamadas de desecono-
mias de escala) ocorrem quando a mudança dos fatores de produção causa variação menos
que proporcional no produto da empresa.
•  Produtividade média do fator variável é a relação entre a produção total e a quantidade do
fator variável.
•  Produtividade marginal do fator variável é a relação entre a variação da produção com a
variação do fator variável.
•  Lei dos Rendimentos (Marginais) Decrescentes refere-se ao que acontece com a produ-
ção de uma firma caso só ocorra a mudança ou variação da quantidade de um dos fatores de
produção, enquanto o outro fator permanece fixo.
•  Em curto prazo, quando a produção total é máxima, a produtividade marginal é igual a zero,
sabendo-se que a curva de produtividade marginal corta a curva de produtividade média no
seu ponto de máximo.

94 • capítulo 3
•  Em curto prazo, o custo total é o somatório do custo fixo total mais o custo variável total.
Dividindo-se esses custos pela quantidade de produção da empresa, tem-se que o custo total
médio é dado pelo somatório entre o custo fixo médio mais o custo variável médio, sendo que
o custo marginal é dado pela relação entre a variação do custo total com a variação da quan-
tidade de produção da empresa; esse custo marginal também pode ser apresentado por meio
da relação entre a variação do custo variável total com a variação da quantidade de produção.
•  Em longo prazo, como não há fatores fixos, o custo total é igual ao custo variável. O custo
total médio é o mesmo valor do custo variável médio.
•  A curva de custo marginal, tanto em curto quanto em longo prazo, corta a curva de custo
total médio no seu ponto de mínimo.
•  Em curto prazo, o custo fixo (CFT) permanece inalterado (invariável) e, na medida em que
se aumenta o volume de produção, o custo fixo médio (CFMe) diminui.
•  Graficamente, as curvas de custo total médio, de custo variável médio e de custo marginal
tendem a se apresentar em formatos de U.
•  A maximização do lucro total de uma empresa é obtida pela maior diferença positiva entre
a receita total menos o custo total. Tal diferença pode ser mais bem exposta quando a receita
marginal é igual ao custo marginal.
•  Quando a empresa obtém lucros normais, o preço é igual ao custo total médio; nesse caso, a receita
total é igual ao custo total. Quando obtém lucros extraordinários, o preço é maior do que o custo total
médio; nesse caso, a receita total é maior do que o custo total. Quando a empresa tem perdas, o preço
é menor do que o custo total médio, isto é, a receita total é menor do que o custo total.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
VASCONCELLOS, M.A.S. Economia: micro e macro. São Paulo: Atlas, 2010; caps. 6 e 7.
VASCONCELLOS, M. A. S.; GARCIA, H. Fundamentos de economia. São Paulo: Saraiva, 2010; cap. 6.
MOCHON, F. Princípios de economia. São Paulo: Pearson – Prentice Hall, 2007; cap. 4.
PINDYCK, R; RUBINFELD, D. Microeconomia. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2010; caps. 6, 7 e 8.
Sites:
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energia-ameaca-frear-economia-alertam-analistas.htm, acessado em 02/11/2015.
Revista Exame.com: As Melhores Empresas do Brasil em 2014. Disponível em: exame.abril.com.br/
negócios/melhores-e-maiores/2014/nationality=1.

capítulo 3 • 95
Apêndice 4 – Artigo

O artigo a seguir diz respeito a toda uma discussão sobre as premissas da


Teoria Microeconômica: o aumento da produtividade na produção das organi-
zações. No caso em questão, tal aumento ocorreu com a produção da agricul-
tura no Brasil devido, principalmente, à realocação de recursos de produção, à
reestruturação da agricultura e à relação entre essa atividade com setores asso-
ciados a seu modo de produção – o que fez com que os seus rendimentos tives-
sem “as maiores taxas de crescimento do mundo nos últimos anos”, segundo
este artigo. Leia-o atentamente.

Entre ricos e Brics, Brasil “teve maior aumento em produtivida-


de agrícola”
Daniela Fernandes
De Paris para a BBC Brasil
(01/07/2015)

“A produtividade da agricultura brasileira teve uma das maiores taxas


de crescimento do mundo nos últimos anos, segundo estudo realizado pela
Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em con-
junto com a agência das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO),
publicado nesta quarta-feira.
O relatório Perspectivas Agrícolas OCDE FAO 2015-2024 diz que, se forem
considerados os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e os mem-
bros da OCDE, que reúne principalmente economias desenvolvidas, o Brasil “é
o país que mais melhorou sua produtividade total de fatores (PTF) agrícolas”.
A PTF se refere à relação entre o total produzido e o total de insumos, que
caracteriza a produtividade. No Brasil, a produtividade agrícola aumentou em
mais de 4% desde o início dos anos 2000, segundo o documento.
O relatório também menciona uma análise do Ministério da Agricultura dos
Estados Unidos, que comparou as taxas de crescimento da produtividade agrí-
cola entre 2001 e 2010 e colocou o Brasil na 12ª posição entre 172 países.
“Os investimentos em longo prazo nas pesquisas agrícolas, que permitiram
ao Brasil desenvolver tecnologias de ponta para a agricultura tropical, estão en-
tre os fatores que estimularam o crescimento da produtividade”, diz o relatório,
que dá grande destaque ao Brasil, com um capítulo especial de dezenas de pá-
ginas sobre o país.

96 • capítulo 3
“A melhoria da produtividade nos últimos 15 anos no Brasil se beneficiou
de reformas econômicas que permitiram a realocação de recursos e a reestru-
turação da agricultura e dos setores associados”, diz o relatório, ressaltando
que isso criou um “ambiente mais competitivo”, que incitou os produtores a
aumentar sua produtividade e adotar inovações.
As perspectivas da agricultura brasileira para a próxima década são “favo-
ráveis”, segundo o estudo, apesar da “possível desaceleração do crescimento
da demanda interna e externa e da queda dos preços reais (descontada a infla-
ção) da maioria dos produtos agrícolas em relação aos níveis recordes registra-
dos recentemente”.
Segundo as duas organizações, os mercados interno e externo deverão cres-
cer na próxima década, e esta demanda deve favorecer os produtos em que
o Brasil é mais competitivo, como carne, milho e oleaginosas, açúcar e fru-
tas tropicais.
"A agricultura brasileira continuará contribuindo fortemente para a criação
de empregos, a formação de renda e as receitas de exportação." (...)
A soja deverá continuar sendo o principal produto agrícola do Brasil. O país,
que é o segundo maior produtor de soja no mundo, poderá aumentar sua pro-
dução nos próximos dez anos, reduzindo a diferença que o separa dos Estados
Unidos, o primeiro.
"Entre os grandes países produtores e exportadores de oleaginosas, o Brasil
é o país onde o potencial de expansão da produção é o mais elevado", segundo
as Perspectivas Agrícolas da OCDE e FAO.
No documento, a OCDE e a FAO preveem que os preços mundiais dos pro-
dutos agrícolas deverão cair nos próximos dez anos “graças ao crescimento da
produção, puxada pelo aumento tendencial da produtividade e a diminuição
dos preços dos insumos, que ultrapassarão a progressão da demanda, menos
acentuada do que antes. (...)”

Disponível em: http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/07/150630_


agricultura_ocde_df_rb, acessado em 01/11/2015.

capítulo 3 • 97
Apêndice 5 – Artigo

O artigo a seguir está relacionado com os fundamentos da Microeconomia


em relação ao custo dos empreendimentos do setor elétrico brasileiro, onde se
observa a atenção que os gestores devem ter ao organizar seus recursos (ou fato-
res) de produção. Nesse contexto, percebe-se que as bases da análise de custos
contextualizadas no artigo podem ser tratadas segundo o comportamento dos
investidores. O comportamento de maximização de uma empresa nesse setor
necessita ser avaliada com base na função de custos, face ao conjunto de difi-
culdades existentes no sistema de produção do setor elétrico brasileiro.
Conforme você, caro aluno, poderá perceber, o funcionamento do atual (e
complicado) setor elétrico brasileiro – principalmente do setor hidroelétrico
– passa por reformulações e processos com o intuito de desenvolver-se o su-
ficiente para prover uma economia de escala adequada e capaz de atender às
necessidades exigidas pelo mercado (sem riscos de racionamentos e apagões).
O artigo expõe que há um mercado de comercialização tentando desenvolver
o setor, mas, ao mesmo tempo, sofrendo forte regulação do governo. Mesmo as-
sim, esse mercado busca fazer com que as empresas tenham maior dinâmica na
geração (distribuição) e comercialização de energia elétrica, minimizando os cus-
tos e procurando planejar o sistema para garantir o suprimento pelo (mais longo)
período, apesar do problema de chuvas para o qual esse artigo chama a atenção.
Leia-o atentamente e compare-o com o que estudamos no Capítulo 3.

Custo da energia ameaça frear economia, alertam analistas

Ruth Costas Da BBC Brasil em São Paulo: 31 julho 2014

98 • capítulo 3
O alto custo da eletricidade no Brasil e incertezas sobre o abastecimen-
to desse insumo ameaçam tornar-se mais um freio para a economia, alertam
analistas consultados pela BBC Brasil.
De acordo com Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE),
é difícil quantificar com precisão o impacto dessa combinação sobre o PIB,
“mas ele certamente será significativo, principalmente na indústria”. “Já temos
até empresas inadimplentes, que ameaçam fechar as portas por não estarem
preparadas para esse aumento em seus custos de energia.”
A seca e o baixo nível dos reservatórios do Sudeste/Centro-Oeste fizeram o
preço da energia elétrica no mercado de curto prazo – o Preço de Liquidação
das Diferenças (PLD) – bater seu valor máximo (permitido por lei) de R$822
o megawatt hora (MWh) no primeiro semestre (caindo para algo em torno de
R$700 nas últimas semanas). Em parte isso ocorre porque, sem chuvas, é preci-
so acionar usinas termelétricas, cujo custo de operação é maior.
Para se ter uma ideia, em períodos de chuvas regulares, dentro da média
histórica, o preço da energia nesse mercado costuma ficar abaixo dos R$100 o
MWh. Há três anos, rondava os R$30.
Em meio a uma alta tão acentuada, começaram a vir à tona notícias de em-
presas eletrointensivas que, para amenizar as perdas causadas pela desacelera-
ção econômica e demanda fraca, estão vendendo seu excedente de energia no
mercado de curto prazo – e lucrando mais do que se estivessem produzindo.

•  Venda de energia
“Em geral, são empresas que usam muita energia, como produtoras de
alumínio, ferroligas e cloro-soda”, explica Ildo Sauer, diretor do Instituto de
Energia e Ambiente da USP.
“Algumas são sócias em usinas ou têm contratos antigos de compra de ener-
gia, que lhes garantem um suprimento do insumo a preços mais baixos.”
Além disso, o alto custo no mercado de curto prazo também estaria afetando
a negociação de contratos de médio e longo prazo, como explica Leontina Pinto,
diretora da consultoria Engenho e ex-pesquisadora do Centro de Pesquisa de
Energia Elétrica (Cepel).
Segundo Pinto, um cenário de “incertezas” sobre o suprimento energético
estaria levando muitas empresas a revisar seus planos de investimentos.

capítulo 3 • 99
“Para começar, com a alta do preço em curto prazo, ninguém vende em lon-
go prazo – então não há energia para quem quer manter a produção”, diz ela.
“Além disso, com a ameaça de racionamento, muitas indústrias optaram
por não esperar o possível ‘apagão’ e já decidiram reduzir a sua produção no
país, substituindo-a por importações ou remanejando a produção para o exte-
rior – o que é um duro golpe na indústria, e pode ter consequências muito seve-
ras para a economia.”

•  Opiniões divergentes
O tema, porém, é controverso. Para Walter de Vitto, da consultoria
Tendências, por exemplo, não surpreende que o alto preço da energia estimule
as empresas a cortar o consumo.
“De certa forma, esse é um mecanismo de autorregulação do setor: com me-
nos consumo, os preços tendem a cair.”
Segundo De Vitto, apesar do atraso na construção de algumas usinas, estão
sendo tomadas ações adequadas para a expansão do sistema elétrico, e os cus-
tos altos de energia são um problema essencialmente conjuntural.
O nível dos reservatórios das usinas do Sudeste/Centro-Oeste, que concen-
tram 70% da capacidade de armazenamento do país, hoje está em 35%, contra
62% de julho do ano passado.
“O problema é que esse mecanismo de ajuste do consumo ao preço só existe
no mercado livre, que atende grandes consumidores”, opina de Vitto. “No (mer-
cado) regulado, a distribuidora está bancando esse aumento de custo e só vai
repassar as perdas para os consumidores na revisão das tarifas.”

100 • capítulo 3
•  Mercado
No Brasil, os grandes consumidores compram energia elétrica das gerado-
ras no chamado mercado livre, não regulado pelo governo e nos quais as condi-
ções dos contratos são definidas livremente.
Já as distribuidoras que abastecem residências, comércios, pequenas in-
dústrias e serviços adquirem o insumo no mercado cativo (ou regulado), em lei-
lões nos quais as condições de preço são determinadas pela Agência Nacional
de Energia Elétrica (Aneel).
Os contratos desses dois mercados são registrados na Câmara de
Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), que mede a energia efetivamente
produzida e consumida por cada agente do sistema elétrico.
Quem consumiu mais do que contratou paga a diferença pelo PLD no cha-
mado mercado de curto prazo. E quem consumiu menos recebe pelo mesmo
preço, cujo cálculo considera a disponibilidade de água para a produção de
energia (ver esquema abaixo).

Sistema elétrico brasileiro Legenda


Distribidoras Consumidores Mercado cativo
ou regulado
Mercado livre

Geradoras Comercializadoras

Grandes Mercado de
Consumidores curto prazo

Importadoras
e exportadoras

“Como algumas distribuidoras não tinham contratado toda a energia utili-


zada, acabaram com uma conta bilionária com a alta do PLD”, explica de Vitto.
Em abril, o governo intermediou um empréstimo de R$11,2 bilhões para
ajudar as distribuidoras e agora articula outro de R$6,5 bilhões.
“Tais custos terão de ser repassados para os consumidores; por isso em
2015, prevemos um aumento da tarifa de energia elétrica de 20% a 25%, que
representaria um impacto de 0,54 a 0,68 ponto percentual na inflação”, diz o
especialista da Tendências.

capítulo 3 • 101
•  “Peça de ficção”
O Ministério de Minas e Energia nega que seja necessário um reajuste de tal
magnitude para acomodar as perdas das distribuidoras – só admite um aumen-
to de 2,6% em 2015.
Segundo Márcio Zimmermann, secretário-executivo do ministério, “é peça
de ficção falar em crise energética no Brasil”, e a prova da “saúde” do sistema
seria a atração de um grande volume de investimentos para sua expansão.
O ministério também não vê risco de racionamento – ou problema na venda
de energia por empresas eletrointensivas.
“Se elas não usam a energia contratada, podem vendê-la – essas são as re-
gras do jogo”, diz.
A Associação Brasileira de Grandes Consumidores Industriais de Energia
(Abrace) concorda com esse ponto de vista e nega que haja empresas parando
de produzir para vender energia.
“Isso não faria sentido do ponto de vista estratégico – mas, se por um motivo
ou outro sobra energia, é direito das empresas vender esse insumo”, diz Camila
Schoti, coordenadora de energia da Abrace.
A associação, porém, reclama dos efeitos do alto preço da eletricidade sobre
a competitividade da indústria nacional.
“Países como França e Canadá têm políticas bem-sucedidas de redução do
custo desse insumo para a indústria”, exemplifica Schoti. “A falta de chuvas
de fato é uma questão conjuntural, mas seria importante adotar estratégias de
longo prazo que reduzissem os encargos para as empresas nessa área.”

•  Solução
Não está claro até que ponto um aumento do volume de chuvas representa-
ria uma solução definitiva para a questão.
Para Sauer, por exemplo, a hidrologia atípica apenas expôs problemas es-
truturais do atual sistema elétrico brasileiro.
Ele opina que o governo teria errado, por exemplo, ao tentar impor uma re-
dução de tarifas, sem garantir uma queda nos custos das distribuidoras.
“O sistema deveria ser planejado de modo a não depender de mais ou me-
nos chuva”, diz ele. “O país tem recursos eólicos e hidráulicos suficientes para
dobrar seu consumo de energia, mas para isso são necessários investimentos e
uma gestão mais racional do sistema.”

102 • capítulo 3
Já para de Vitto, o sistema parece ser relativamente adequado às necessida-
des energéticas brasileiras.
“O que essa crise conjuntural está mostrando é que talvez seja interessante
um colchão financeiro para amenizar a variação de preços.”

Disponível em http://economia.uol.com.br/noticias/bbc/2014/07/31/cus-
to-da-energia-ameaca-frear-economia-alertam-analistas.htm, acessado em
02/11/2015.

capítulo 3 • 103
104 • capítulo 3
4
Estruturas de
Mercado e Noções
de Teoria dos Jogos
No Capítulo 1, estudamos a definição de mercado e como ele é composto. No
Capítulo 4, apreciaremos o que é conceituado como estruturas de mercado. É
importante ressaltar que, embora não exista um tipo somente de mercado, há
algumas maneiras pelas quais podemos distingui-los. Tal distinção nos ajuda-
rá a observar como podemos tratar das informações que obteremos aqui, re-
lacionando-as com as estratégias das empresas por meio da chamada Teoria
dos Jogos.

OBJETIVOS
Estruturas de mercado são modelos que captam aspectos de como os mercados estão orga-
nizados. Cada uma dessas estruturas destaca enfoques essenciais da interação da oferta e
da demanda, baseando-se em características observadas em mercados existentes. Confor-
me veremos ao longo da nossa discussão, em todas as estruturas (definidas, de modo geral,
como estruturas clássicas), as empresas são maximizadoras de lucro, e, de acordo com o
que estudamos no Capítulo 3, a maximização do lucro total ocorre quando a receita marginal
(RMg) é igual ao custo marginal (CMg).
No entanto, as estruturas de mercado são tipicamente qualificadas em função de três
características fundamentais, discriminadas quanto:
•  Ao tipo do produto, isto é, se é idêntico (ou homogêneo) ou diferenciado;
•  Ao número de empresas que compõem determinado mercado;
•  À existência (ou não) de barreiras à entrada de novas empresas no mercado.

A partir dessas características, as estruturas são organizadas de acordo com as seguin-


tes classificações: ângulo da oferta do mercado; concorrência perfeita (ou concorrência
pura); monopólio; concorrência monopolista e oligopólio. Vamos, então, estudá-las adequa-
damente, analisando em primeiro lugar a concorrência perfeita.

106 • capítulo 4
4.1  Concorrência perfeita
4.1.1  Hipóteses principais do mercado

Essa estrutura descreve o funcionamento equilibrado, ou ideal, de um merca-


do, servindo como base para o estudo de outras estruturas. O estudo da concor-
rência perfeita é importante pelas inúmeras consequências derivadas de suas
hipóteses, que condicionam o comportamento dos agentes econômicos em
diferentes mercados. As hipóteses do modelo são, segundo Krugman & Wells :

contém “infinitos” vendedores e compradores, de modo que um


agente (uma empresa) isoladamente não consegue afetar o
MERCADO preço do produto no mercado. Isso quer dizer que o preço de
ATOMIZADO mercado é um dado – ou seja, é fixado pelas inúmeras empre-
sas e consumidores, sendo a empresa a tomadora de preços;

quando todas as empresas (isto é, as firmas) oferecem


produtos teoricamente sem diferenças entre eles, tais
como, de embalagem e qualidade nesse mercado. Os
PRODUTOS produtos são substitutos perfeitos entre si, não podendo
HOMOGÊNEOS haver, portanto, preços diferentes no mercado. Com isso,
os compradores são indiferentes em relação às firmas no
momento de adquirirem algum produto;

os fatores de produção têm plena mobilidade no sentido de que,


por exemplo, trabalhadores empregados na produção de sapa-
tos podem igualmente ser empregados na produção de roupas;
GRANDE pedreiros podem ser empregados como eletricistas, e assim por
MOBILIDADE diante; logo, é possível haver grande rotatividade na utilização
DE FATORES DE dos fatores de produção. As firmas podem a qualquer momento
PRODUÇÃO E DE sair de seu setor de produção e entrar em outro. Nesse caso,
FIRMAS uma empresa que produza calçados pode dirigir-se à produção
de tecidos, ou de revenda de automóveis etc. Em termos técni-
cos, para as empresas não existem barreiras à entrada (nem à
saída) de firmas nesse tipo de mercado;

capítulo 4 • 107
todas as empresas (assim como os consumidores) têm
TRANSPARÊNCIA acesso a toda e qualquer informação relevante sobre pre-
DE MERCADO ços, qualidade, custos, receitas e lucros dos concorrentes;

em curto prazo, o lucro é extraordinário; em longo, o lucro


LUCROS é normal devido à entrada de novas firmas no mercado;

EXEMPLO hortifrutigranjeiros.
APROXIMADO

4.1.2  Equilíbrio da firma em um mercado em concorrência perfeita

Em um mercado em concorrência perfeita, o preço do produto é determinado


pelas forças (impessoais) do mercado, isto é, por suas condições de oferta e de-
manda. Vejamos como isso acontece!
Dadas as características do mercado em concorrência perfeita, imaginemos, no
mercado de confecção para micros e pequenas empresas em Fortaleza (CE), que de-
terminada empresa (A) decida elevar o preço de seu produto final. Em seguida, todos
os consumidores perceberão essa atitude e desejarão comprar o produto de outra
firma qualquer (B, C, D etc.), cujo preço praticado por esta última empresa seja o
preço de mercado. Sendo assim, percebe-se que a empresa sozinha não consegue
constituir o preço do seu produto. Na verdade, nessa estrutura, a empresa sozinha é
considerada em si uma tomadora de preço, o qual é determinado pelas condições do
próprio mercado, conforme podemos perceber nos gráficos I e II da figura a seguir.
Gráfico I Gráfico II
Px Oferta x Px

E Demanda para a firma


Pmerc

Demanda
de x
Qmerc Qx Q1 Q2 Q3 Q4 Q5 Qx
Mercado Firma

Figura 4.1  –  Oferta e demanda no mercado e demanda para a firma. Fonte: Elaborado pelo autor.

108 • capítulo 4
Os gráficos I e II nos demonstram, caro leitor, que as condições de oferta e
demanda no mercado acabam determinando o preço de mercado (Pmerc), o
qual é tomado pela firma como o preço a ser praticado por ela. Caso uma firma
qualquer resolva elevar seu preço, os consumidores simplesmente (têm a ten-
dência de parar ou) param mesmo de comprar dessa empresa e deslocam seu
consumo para outra que esteja praticando o Pmerc. Sendo a empresa (perfeita-
mente) competitiva, ela, assim, é tomadora de preços e pode produzir e vender
qualquer quantidade (Q1, Q2,..., Q5) do produto, cujo preço preestabelecido é
justamente o preço de mercado (Pmerc) .

CONCEITO
A curva de demanda para uma firma em concorrência perfeita é, por assim dizer, perfeita-
mente elástica, pois independentemente da quantidade a ser produzida e vendida “infinita-
mente” no mercado, o preço se mantém constante.

A questão que devemos analisar é esta: como cada empresa no mercado de


concorrência perfeita poderá maximizar o seu lucro total, dado que o preço do
produto é obtido diretamente no mercado? Isso é o que veremos no item a se-
guir. Vamos a ele!

4.1.3  Maximização do lucro total de uma firma em concorrência


perfeita

Prezado aluno, já estudamos que a maximização do lucro total de uma empresa


(ou melhor, o equilíbrio de uma empresa) ocorre obtendo-se a maior diferença
positiva entre a receita total com o custo total; e, para melhor visualização desse
lucro máximo, considera-se o momento pelo qual a receita marginal é igual ao
custo marginal.

capítulo 4 • 109
A partir daí, é importante fazer algumas considerações a respeito da análise
da curva de demanda e receita marginal para uma firma em concorrência per-
feita, bem como discutir a questão da maximização do lucro total em curto e
longo prazos, no que diz respeito às condições de custo médio e receita média
da firma.

Sendo assim, o principal método de determinação da maximização do lucro


total para uma firma em concorrência perfeita é justamente a ótica da igualda-
de entre a receita marginal (RMg) com o custo marginal (CMg). Para isso, utili-
zemos o quadro seguinte.

ANÁLISE DA MAXIMIZAÇÃO DO LUCRO TOTAL

QT P = RME RT CT LT RMG CMG CTME


(unid.) (R$) (R$) (R$) (R$) (R$) (R$) (R$)
(1) (2) (3) (4) (5) (6) (7) (8)
0 4,00 0,00 400,00 -400,00 ------- ------- -------
100 4,00 400,00 1.000,00 -600,00 4,00 6,00 10,00
200 4,00 800,00 1.300,00 -500,00 4,00 3,00 6,50
300 4,00 1.200,00 1.500,00 -300,00 4,00 2,00 5,00
400 4,00 1.600,00 1.600,00 0,00 4,00 1,00 4,00
500 4,00 2.000,00 1.700,00 300,00 4,00 1,00 3,40
600 4,00 2.400,00 1.850,00 550,00 4,00 1,50 3,08
700 4,00 2.800,00 2.100,00 700,00 4,00 2,50 3,00
750 4,00 3.000,00 2.265,00 735,00 4,00 4,00 3,02
800 4,00 3.200,00 2.700,00 700,00 4,00 8,70 3,38
900 4,00 4.300,00 3.600,00 0,00 4,00 11,00 4,00

Fonte: Elaborado pelo autor.

Como visto, em concorrência perfeita, os preços são determinados pelas


forças de mercado sendo a firma apenas uma tomadora de preços . Nesse senti-
do, imagine uma situação em que as condições de mercado determinam o pre-
ço de R$4,00 por determinado produto do mercado varejista em confecção na
cidade de Fortaleza (CE), conforme indicado no quadro anterior. É interessante
notar que, a esse preço, a receita marginal (RMg) para uma firma em concorrên-
cia perfeita permanece constante ao longo das variações na quantidade do pro-
duto a ser vendido. No entanto, mais importante ainda, caro aluno, é notar que
o preço é igual à receita marginal ao longo das variações na quantidade a ser
vendida desse produto; isso pode ser mais bem evidenciado na figura a seguir.

110 • capítulo 4
Px

D = RMg = P = RMe
R$ 4,00

Qx

Figura 4.2  –  Demanda, receita marginal, preço de mercado e receita média. Fonte: Elabo-
rado pelo autor.

ATENÇÃO
É importante dizer que as firmas no mercado em concorrência perfeita são muito pequenas
em relação ao tamanho do próprio mercado; por isso, elas funcionam como átomos nesse
mercado, cuja concorrência é extremamente grande.

Graficamente, essa condição de funcionamento de uma firma no mercado


de concorrência perfeita faz com que se sobreponham as curvas de demanda
(D) e de receita marginal (RMg) ao preço de mercado R$4,00, que nada mais é
do que o valor da receita média (RMe) da empresa.
Essa figura demonstra que, ao preço de R$4,00 determinado pelo mercado
de confecção, a firma em concorrência perfeita pode ofertar quantidades cres-
centes do seu produto, já que, a esse preço, o mercado absorverá a produção
desse produto. Por outro lado, caso a firma decida elevar seu preço acima do
de mercado, ela incorrerá em erros, pois perderá (toda) a demanda pelo seu
produto, simplesmente porque os consumidores comprarão o produto (que é
homogêneo) de outra empresa.

Torna-se claro aqui que cada firma, tomada isoladamente nesse tipo de mercado, é
incapaz de influenciar na determinação dos preços.

capítulo 4 • 111
A firma apenas pode determinar o quanto produzir, sendo evidente que ela
escolherá a quantidade a ser produzida que maximize seu lucro total. Nesse
contexto, tal maximização ocorrerá justamente quando a receita marginal for
igual ao custo marginal; segundo o quadro inicialmente analisado, essa quan-
tidade é igual a 750 unidades do produto.
Ainda a respeito desse quadro, observa-se que qualquer unidade a ser pro-
duzida e vendida acima ou abaixo de 750 unidades não estará maximizando o
lucro total dessa empresa. Caso esteja abaixo de 750 unidades, percebe-se que
aumentos da produção serão vantajosos, pois a receita marginal (RMg) supera
o custo marginal (CMg). Por outro lado, caso esteja acima de 750 unidades, re-
duções na produção serão necessárias, dado que CMg > RMg.
A análise torna-se ainda mais interessante se agregarmos os valores da co-
luna 8 sobre o custo médio. Isso equivale a dizer que a maximização do lucro
total da empresa acontece quando há lucros extraordinários, isto é, quando o
preço unitário (P) do produto é maior do que o custo total médio (CTMe), ou,
então, quando a receita total (RT) é maior do que o custo total (CT) aos níveis
de 500 a 800 unidades de produção. A conclusão fundamental a que chegamos
é a de que uma firma em concorrência perfeita, em curto prazo, pode obter lu-
cros extraordinários.
Contudo, em longo prazo, em função da livre mobilidade das empresas
nesse tipo de estrutura de mercado, e havendo lucros extraordinários em curto
prazo, isso atrairá novas empresas para o mercado ou para o setor. Uma vez que
o mercado é transparente, essas novas empresas aumentarão a oferta de pro-
dutos do setor, o que, diante da demanda constante, acarretará a redução dos
preços de mercado, reduzindo assim os lucros extraordinários.
Esse processo – a entrada de novas firmas – aumentará a oferta do produ-
to no mercado. Consequentemente, o preço de mercado reduzirá, e, portanto,
ocorrerá queda do lucro extraordinário. Isso somente cessará no momento em
que for completamente eliminado esse lucro extraordinário – quando a recei-
ta marginal de longo prazo (RMgLP) igualar o custo marginal de longo prazo
(CMgLP), o que significa dizer que a firma estará atuando no ponto de mínimo
da curva de custo médio de longo prazo (CMeLP). Assim, teremos:

P = RMgLP = CMgLP = CMeLP

112 • capítulo 4
Nessa situação, não há mais lucro extraordinário. Note, no entanto, que a
firma ainda obtém lucro, ou melhor, o chamado lucro normal em longo prazo,
quando se tem que o P = CTMe, ou mesmo, RT = CT. Por essa razão, em longo
prazo, uma firma no mercado de concorrência perfeita obtém lucro normal.

4.2  Monopólio

ATENÇÃO
É importante informar sobre a estrutura de mercado chamada monopsônio (o mercado em
que existe um único comprador). Imagine, por exemplo, uma região onde haja centenas de
produtores de leite e todos eles vendam exclusivamente para uma única grande empresa
beneficiadora do produto.

4.2.1  Hipóteses principais do mercado

Essa é uma estrutura que pode ser definida como um caso extremo de concor-
rência imperfeita e que se distingue como sendo uma única empresa vendedo-
ra que controla determinado setor (ou mercado). Suas características básicas
são, portanto, conforme Krugman & Wells :
•  Estado de um mercado em que não existe concorrência na oferta, entre-
tanto há concorrência entre os consumidores;
•  O setor é constituído de uma única empresa vendedora, pois realiza toda
a produção, ou seja, trata-se de uma situação em que determinada firma do-
mina sozinha a produção (ou comércio) de uma matéria-prima, de um bem
(material ou imaterial) e, por isso, acaba estabelecendo, à vontade, o preço do
seu produto;
•  Seu produto não tem substitutos próximos devido à alta escala de produ-
ção (ou elevada economia de escala); com isso, essa empresa consegue gerar
barreiras à entrada de novas firmas, mantendo afastados seus concorrentes
em potencial;
•  Diferentemente do que ocorre com a concorrência pura, há lucros ex-
traordinários tanto em curto quanto em longo prazos.

capítulo 4 • 113
ATENÇÃO
As empresas que integram um mercado de concorrência imperfeita são capazes de afetar o
preço de mercado, agindo individualmente.

Destaca-se que barreiras à entrada de novas firmas podem ser administra-


das pelo monopolista, por meio: do controle sobre o fornecimento da maté-
ria-prima (como no caso das minas de bauxita pelas empresas produtoras de
alumínio); de barreiras legais como registros de patentes; e também de licenças
e concessões governamentais, dentre outros.
Ao mesmo tempo, chama-se a atenção para o fato de que, em muitas cir-
cunstâncias, o monopólio é a estrutura mais apropriada para a produção de
certos bens, como acontece com os monopólios do governo. A legislação da
maioria dos países proíbe o monopólio, com exceção dos exercidos pelo Estado,
geralmente em setores estratégicos, como fornecimento e distribuição de água
e energia.

4.2.2  Análises da demanda, da receita marginal e da maximização


do lucro no monopólio

Como visto no item 4.2.1, o monopólio (muitas vezes chamado monopólio


puro) é um mercado no qual existe apenas uma empresa ou firma vendedora.
Um monopolista não se diferencia de qualquer outro produtor quando se trata
da maximização do lucro total, sendo válida, portanto, a regra de maximização
anteriormente desenvolvida: que a receita marginal (RMg) deve ser igual ao cus-
to marginal (CMg).
Em função disso, cabe a seguinte pergunta: o que torna diferente a empresa
monopolista da firma em concorrência perfeita, visto que a maximização do
lucro total, para ambas, ocorre quando RMg = CMg? A diferença é bem simples:
na empresa monopolista, a curva de demanda é negativamente inclinada.
No entanto, por que isso acontece? Como no monopólio há apenas um ven-
dedor, a curva de oferta da empresa é também a curva de demanda do mercado,
que, seguindo a lei da demanda expressa no Capítulo 1, relaciona de maneira
inversa preços e quantidades a serem vendidas e demandadas de determinado
produto dessa empresa.

114 • capítulo 4
Em termos objetivos, isso significa que, caso a empresa monopolista queira
elevar suas vendas, tem de reduzir seu preço. Vejamos, com o exemplo numéri-
co do quadro seguinte, esse comportamento em curto prazo. Melhor colocan-
do, as colunas (1) e (2) dão o contexto de demanda enfrentado pelo monopólio.
Os valores da receita total (RT) da coluna (3) são obtidos multiplicando-se cada
valor (1) pelo valor da coluna correspondente (2). Os valores da receita marginal
(RMg) da coluna (4) são obtidos por meio das relações entre ∆RT/∆Q.

ANÁLISE DA CURVA DE DEMANDA E DO EQUILÍBRIO DA FIRMA


P (R$)(1) QT(UNID.)(2) RT (R$)(3) RMG (R$)(4) CT (R$)(5) CMG (R$)(6) LT (R$)(7)
8,00 0,0 0,00 ----------- 40,00 ---------- -40,00
7,00 10,0 70,00 7,00 80,00 4,00 -10,00
6,00 20,0 120,00 5,00 100,00 2,00 20,00
5,00 30,0 150,00 3,00 130,00 3,00 20,00
4,00 40,0 160,00 1,00 170,00 4,00 -10,00
3,00 50,0 150,00 -1,00 220,00 5,00 -70,00
2,00 60,0 120,00 -3,00 280,00 6,00 -160,00

Fonte: Elaborado pelo autor.

Podemos notar, pelo quadro anterior, que, ao contrário da firma em con-


corrência perfeita, em uma situação de monopólio a RMg difere do preço (P)
unitário do produto, o que pode ser mais bem evidenciado na próxima figura:

A
5,00
Preço e Custo (Reais)

Demanda

30 Quantidade
RMg

Fonte: Elaborada pelo autor.

Ainda no que tange ao quadro anterior, sobre a análise da curva de demanda


e do equilíbrio da firma, devem ser feitas algumas observações adicionais. A
primeira delas diz respeito aos níveis da receita total (RT) e da receita marginal

capítulo 4 • 115
(RMg). Percebe-se que, até 40 unidades, RT teve elevações e a RMg se manti-
nha com resultados positivos. No entanto, nos níveis de quantidades 50 e 60
unidades, essa RT passa a ter quedas e a RMg passa a ter resultados negativos.
Entretanto, o que significam tais resultados?
Sabemos que RT = P.Qt e que, por meio da leitura do Capítulo 2, a elasticida-
de–preço da demanda (EPD) pode apresentar três resultados: EPD > 1; EPD < 1;
e EPD = 1. Quando a EPD > 1, a demanda é elástica e ∆%Q > ∆%P; quando a EPD
< 1, a demanda é inelástica e ∆%Q < ∆%P; e quando a EPD = 1, a demanda é de
elasticidade unitária e ∆%Q = ∆%P em módulo.
Ao voltarmos nosso olhar para o quadro sobre a análise da curva de deman-
da e do equilíbrio da firma, podemos dizer que, enquanto o preço cai e a de-
manda aumenta, elevando a RT da empresa, proporcionalmente a RT depende
mais da quantidade. E, se depende mais da quantidade do que do preço, até
40 unidades a serem produzidas e vendidas, temos que a demanda da empre-
sa monopolista pelo seu produto é demanda elástica; por isso, a RMg se man-
tém positiva.
Por outro lado, em relação aos níveis de 50 e 60 unidades, o preço cai e a
demanda aumenta, mas a RT da empresa diminui. Nesse caso, a RT depende
mais do preço do produto. E, se a RT depende mais da variável preço do que
da variável quantidade, temos que a demanda da empresa monopolista nesses
níveis é uma demanda inelástica; por isso, a RMg passa a ser negativa .

ATENÇÃO
É importante informar que a empresa monopolista pode aumentar sua receita total e seus
lucros para determinado nível de produção, praticando a discriminação de preço. Um tipo
de discriminação de preço ocorre quando o monopólio estabelece diferentes preços para o
mesmo produto em diferentes mercados (p.ex., preços diferentes nos bairros da zona sul do
Rio de Janeiro, em relação aos preços estabelecidos nos bairros da zona norte também do
Rio de Janeiro), de tal modo que a última unidade do produto vendido em cada mercado dê
a mesma receita marginal.

A outra observação adicional a ser feita, no que diz respeito àquele mesmo
quadro é que a maximização do lucro total (RMg = CMg) ocorre em contexto de
lucro extraordinário. Nesse sentido, uma firma monopolista, em curto prazo,

116 • capítulo 4
pode obter lucro extraordinário, em que a RT > CT. Note, caro aluno, que, em
curto prazo, tanto a firma monopolista quanto a que atua no mercado de con-
corrência perfeita são capazes de obter um lucro extraordinário.
Contudo, em longo prazo, será válido o mesmo raciocínio desenvolvido
para o mercado em concorrência perfeita? Em outras palavras, existirão meca-
nismos no monopólio que eliminem o lucro extraordinário?
A resposta às indagações anteriores é negativa. Devemos lembrar, inicial-
mente, que o mecanismo em concorrência perfeita que elimina o lucro extraor-
dinário em longo prazo é a entrada de novas firmas no mercado, o aumento da
oferta do produto e sua consequente redução de preços e lucros.
Ora, essa possibilidade não existe em uma estrutura de mercado monopolis-
ta. Por definição, a empresa monopolista é a única produtora do bem ou serviço,
não havendo, portanto, a possibilidade de entrada de novas firmas no mercado.
Logo, tem-se como resultado fundamental que uma firma monopolista é
capaz de obter lucro extraordinário tanto em curto quanto em longo prazo,
diferentemente da firma em um mercado em concorrência perfeita, em que o
lucro extraordinário apenas ocorre em curto prazo, cessando em longo prazo .

ATENÇÃO
Destaca-se que pela imposição de um tributo como, por exemplo, uma taxa de licença ou uma
taxa sobre o lucro, o governo pode reduzir os lucros dos monopólios, sem afetar o preço ou a
produção do produto da empresa monopolista. Ao mesmo tempo informa-se que o governo
pode também reduzir os lucros da empresa monopolista impondo um imposto unitário. Entre-
tanto, neste caso, a empresa estará em condições de deslocar parte da carga deste imposto
para o consumidor, na forma de um preço mais elevado e uma menor produção do seu produto.

4.3  Concorrência monopolista e oligopólio


Concorrência perfeita e monopólio podem ser considerados casos extremos,
pois, no primeiro, há plena liberdade de entrada (e saída) das empresas, sendo
um mercado com um número “infinito” de firmas ofertantes; já no segundo
ocorre o contrário, pois há total barreira à entrada de novas firmas e no merca-
do só há uma empresa produtora (e vendedora).

capítulo 4 • 117
No mundo atual, as duas estruturas que mais prevalecem são justamente
a concorrência (ou competição) monopolista e o oligopólio. Assim, vamos es-
tudá-las conjuntamente. Para isso, nosso objetivo aqui será compreender suas
características gerais.

4.3.1  Concorrência monopolista

As empresas de concorrência monopolista produzem bens (ou serviços) pa-


recidos, mas diferenciados. Por exemplo, temos os casos das lojas de varejos
de eletrodomésticos, móveis, roupas etc., que podem ser distinguidas pelas
marcas, como observamos no próximo quadro, que contém as quinze maiores
varejistas de eletro e móveis do Brasil.
Destaca-se, porém, que, além dessas empresas citadas no quadro, há várias
outras nestes ramos de atividades, demonstrando que a concorrência mono-
polista é a organização de mercado com muitas firmas produzindo e vendendo
bens intimamente relacionados, mas não idênticos.

AS 15 MAIORES VAREJISTAS DE ELETRO E MÓVEIS DO BRASIL


FATURAMENTO EM NÚMERO DE FUNCIONÁ-
RVG (*) VAREJISTA NÚMERO DE LOJAS
2011 (R$-MILHÕES) RIOS (EM MIL)
4o Lojas Americanas 10.200 621 15,6
Máquina de
5o 7.200 1.078 24,0
Vendas
9o Magazine Luiza 5.200 728 20,2
22 o Fast Shop 2.300 70 4,0
26 o Lojas Cem 2.000 198 8,8
30o Hermes 1.800 4.500 (franquias) 1,5
33o Móveis Gazin 1.700 170 5,4
41o Havan 1.500 120 Não informado
47o Lojas Colombo 1.300 325 5,5
54o Casa & Vídeo 1.000 54 2,4
Fujioka Eletro
64o 859 54 2,4
Imagem
Lojas
70o 800 214 3,0
Quero-Quero
71o Eletro Zema 780 279 4,2
72o Tok&Stok 750 34 2,0
95o Lojas Koerich 441 80 Não informado

(*) RVG: Ranking no varejo em geral.

Fonte: Ranking do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo (Ibevar), divulgado em 2012,


com base no ano de 2011.

118 • capítulo 4
Graças a tal diferenciação dos bens, as empresas de concorrência mono-
polista possuem certo grau de manobra sobre o preço do produto, o que lhes
confere um (ligeiro) poder monopolista, provocando, em curto prazo, lucros
extraordinários, como no caso do monopólio.
Por outro lado, uma vez que nesse mercado há grande mobilidade de entra-
da de empresas, cria-se certa concorrência em razão das marcas e da publicida-
de, assim como por variações no preço. Em longo prazo, isso promove um lucro
normal à empresa, como acontece com as de concorrência perfeita.

4.3.2  Oligopólio

Prezado aluno, antes de começarmos a discutir as características do oligopólio,


leia com atenção a reportagem a seguir, divulgada no Jornal Valor Econômico
em 02/08/2012.

Cinco bancos têm 80% do crédito


Valor – 02/08/2012
De cada R$100,00 emprestados no Brasil, R$80,34 foram desembolsados por
apenas cinco bancos: Banco do Brasil, Itaú Unibanco, Bradesco, Caixa Econômica
Federal e Santander.
Os números, que levam em conta o estoque de crédito atual, mostram o maior nível de
concentração bancária dos últimos dez anos e, provavelmente, desde sempre. Há uma
década, as cinco maiores instituições não tinham nem 60% do estoque de crédito do
país. De cada R$100,00 desembolsados, eram responsáveis por R$58,66, segundo
dados do Banco Central elaborados pelo Valor.
Não é apenas nos empréstimos e financiamentos que a predominância do “grupo
dos cinco” é crescente. Em ativos totais e depósitos, o fenômeno se repete (...).
Mas é no crédito que a concentração costuma provocar mais chiadeira por parte
dos tomadores.
Em recente entrevista ao Valor, o presidente de uma grande distribuidora de energia
comentou que a quantidade de grandes bancos ficou tão diminuta que as empresas
não podem mais se indispor com nenhum deles, principalmente em momentos de
turbulência.

capítulo 4 • 119
Sempre que um banco compra ou se funde com outro, a reclamação das empresas é
a mesma.
Quando se fala em limite de crédito, a regra matemática não funciona: um mais um
nunca é igual a dois. A disponibilidade de crédito dada por dois bancos separados
não corresponde ao mesmo volume que eles passam a oferecer quando se unem. As
empresas também avaliam que o poder de barganha delas em relação ao custo do
dinheiro cai.
Desde 2008, não foram poucos – nem pequenos – os casos de fusão e aquisição
no setor bancário que colaboraram para a maior concentração de ativos, crédito e
depósitos nas mãos dos cinco maiores bancos do país. A largada foi dada quando o
Santander assumiu o Real, em 2008. Pouco depois, Itaú e Unibanco fundiram suas
operações, criando o maior banco brasileiro. Em seguida, o Banco do Brasil ficou com
a Nossa Caixa e, em 2009, ainda comprou metade do Banco Votorantim.
Mais recentemente, em julho, Itaú e BMG se uniram em um novo banco para ofertar
crédito consignado. O empréstimo com desconto direto na folha de pagamento era
uma das poucas modalidades de crédito de varejo que ainda tinha bancos médios
especializados como concorrentes, mas que está cada vez mais ficando nas mãos dos
grandes bancos. O Cruzeiro do Sul, por exemplo, está sob intervenção do Banco Cen-
tral e pode acabar sob o controle de uma instituição do “grupo dos cinco” ou liquidado.
Não são, porém, apenas as fusões e aquisições que explicam a concentração cada
vez mais intensa do crédito. Dentro desse “grupo dos cinco”, os protagonistas da
aglutinação são os bancos públicos, que cresceram principalmente de forma orgâni-
ca. Se, em 2002, Banco do Brasil e Caixa eram responsáveis por R$25,83 de cada
R$100,00 emprestados, hoje eles respondem por R$39,08, ou R$13,25 a mais, sem
se considerar o BNDES. No mesmo período, as três maiores instituições privadas
avançaram bem menos juntas, R$8,43.
Até o fim do ano, a expectativa é que o quinhão dos bancos públicos cresça ainda
mais. Em um ano de baixo crescimento econômico, em que o governo deflagrou uma
batalha pela redução dos spreads no Brasil, Caixa e BB seguem crescendo mais
do que a média de sistema financeiro, abocanhando – mesmo que temporariamen-
te – fatias de mercado. (...) Ao mesmo tempo, Bradesco e Itaú Unibanco reduziram a
previsão de expansão do crédito no ano.

120 • capítulo 4
Apesar do rápido fortalecimento do “grupo dos cinco”, o Banco Central considera
que a concorrência continua em “nível adequado”. Pelas métricas da autoridade, que
seguem um cálculo internacional (Índice de Herfindahl-Hirschman ), o patamar de
concentração ainda está na categoria moderada. “O setor segue competitivo, gerando
as eficiências que asseguram o seu regular funcionamento e a adequada prestação
de serviços aos usuários”, afirma a autoridade por meio de uma nota.
Mas é inegável que a autoridade tem lançado mão recentemente de algumas medidas para
evitar uma concentração excessiva. O Banco Central cita, entre as decisões tomadas para es-
timular a concorrência bancária, a padronização das tarifas cobradas, a portabilidade do crédito
e a proibição de assinaturas de contratos de exclusividade na prestação de serviços. Em abril,
a autoridade publicou uma circular explicitando que em fusões e aquisições pode exigir que os
bancos aceitem determinações no sentido de eliminar efeitos anticoncorrenciais. Na aquisição
da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil, o BC já chegou a atuar nesse sentido.
O “nível adequado” apontado pelo Banco Central brasileiro, entretanto, provavelmente
deixaria muitos americanos de cabelo em pé. Nos Estados Unidos, onde muito se fala
dos bancos grandes demais para quebrar – os chamados “too big to fail” –, as cinco
maiores instituições financeiras possuíam ativos totais equivalentes a 51% do PIB
daquele país em 2007, antes do estouro da crise financeira. Naquele mesmo ano, os
ativos dos cinco maiores banco do Brasil representavam 57% do PIB doméstico.
Mas, embora os EUA tenham sido o epicentro da crise e visto uma série de fusões
entre instituições de grande porte antes e depois da quebra do Lehman Brothers, a
desalavancagem que se sucedeu fez com que os cinco maiores bancos daquele país
tivessem, em março, ativos que correspondiam a 56% do PIB de 12 meses até a
mesma data, indicando uma pequena elevação ante 2007.
No Brasil, o aumento da concentração foi muito maior, com a fatia dos ativos do “grupo
dos cinco” atingindo 86% do PIB brasileiro, uma alta de quase 30 pontos percentuais.

ATENÇÃO
O Índice de Herfindahl-Hirschman (IHH) é calculado como a soma do quadrado da partici-
pação (porcentagem) de cada uma das 50 (ou de todas, se forem menos de 50) maiores
empresas no mercado (ou no setor). Esse índice proporciona informações sobre a dispersão
do tamanho das empresas no mercado ou no setor.

capítulo 4 • 121
Com base no artigo do Jornal Valor Econômico, como podemos avaliar a
condição (da estrutura, conduta e eficiência de mercado) do setor bancário
no Brasil?
No que se refere à conduta, podemos perceber que a política dos grandes
bancos em relação aos demais concorrentes no mercado e seu comportamento
está dividida em relação ao preço (juros), ao produto (crédito) e à coação (em
relação aos seus clientes). Em outras palavras, a estrutura de mercado determi-
na e influencia fortemente o modo como os bancos se comportam no mercado
bancário, fixando juros e crédito, entre outras práticas.
No que diz respeito à eficiência (de mercado), esses cinco maiores bancos
têm como resultado final o seu padrão de conduta adotado por eles, que tende
a causar um afastamento do modelo de concorrência (perfeita) e retratar a es-
trutura que, a seguir, discutiremos melhor: o oligopólio.
O oligopólio é a estrutura de mercado em que a maior parte da oferta é rea-
lizada por poucas empresas, cada uma delas sendo capaz de influenciar o preço
de mercado com suas próprias atividades. Desse modo, suas principais carac-
terísticas são:
•  Pequeno número de empresas;
•  Interdependência entre as empresas;
•  Consideráveis obstáculos à entrada de novas empresas;
•  Produto, em geral, diferenciado, mas não necessariamente;
•  Concorrência extrapreço em função da diferenciação do produto, propa-
ganda e serviços especiais.

ATENÇÃO
É importante informar que há uma estrutura de mercado conceituada como oligopsônio – o
mercado com um número reduzido de compradores de determinado produto. Por exemplo, a
relação entre as montadoras de automóveis no Brasil e as firmas de autopeças. Apenas um
grupo pequeno de montadoras compra o produto das empresas de autopeças.

Destaca-se que, quando um mercado é constituído por um oligopólio, as


empresas tomam consciência de sua interdependência. Essa interdependência
é uma característica específica do oligopólio – ou seja, não é da concorrência
perfeita, do monopólio nem da concorrência monopolista –, sendo composta

122 • capítulo 4
por estratégias; logo, surgem quando os planos de cada empresa dependem da
conduta de seus concorrentes.
Foi essa interdependência ou interação que inspirou o desenvolvimento
da Teoria dos Jogos (que estudaremos na próxima seção deste capítulo). Nesse
sentido, pode-se dizer que a característica básica do oligopólio é a interdepen-
dência das ações de seus participantes. Qualquer decisão de uma das empresas
– por exemplo, uma redução dos preços – afeta a situação das demais, sendo
muito provável que estas reajam à decisão inicial, alterando a situação de parti-
da da empresa que decidiu reduzir o preço, de modo que esta poderia, por sua
vez, reagir, e assim por diante.
Por essa razão, é lógico que, além dos bancos, as empresas automobilísticas,
companhias aéreas e de telecomunicações, por exemplo, na hora de tomarem
qualquer decisão, levem em conta a reação da concorrência, o que ocasiona os
comportamentos estratégicos. Por isso, qualquer empresa oligopolista pode
utilizar como variável estratégica a quantidade do produto que deseja lançar no
mercado, ou o preço ao qual deseja vendê-lo.

4.3.3  Teoria dos Jogos e sua importância de gerar estratégias para


as empresas oligopolistas

No mundo real, seja no Brasil, seja em outro país, as decisões tomadas por uma
empresa oligopolista afetam o comportamento de seus concorrentes. Nesse
sentido, as decisões de uma empresa são fundamentais para a estratégia das
demais. Na economia empresarial, o principal instrumento para analisar as in-
terações entre as decisões das empresas é a chamada Teoria dos Jogos.
O que é um jogo? Vejamos um exemplo adaptado de Pindyck & Rubinfeld .
Melhor colocando, vamos supor que duas empresas, A e B (ou seja, um merca-
do com duopólio ), vendam produtos concorrentes e estejam decidindo se irão
ou não empreender campanhas de propaganda. Os resultados encontrados são
ilustrados a seguir, na matriz de lucros para o jogo da propaganda.

CONCEITO
Duopólio é um tipo específico de oligopólio em que apenas dois produtores (ou vendedo-
res) existem em um dado mercado. Tal conceito é geralmente usado quando duas grandes
empresas têm o controle dominante do mercado. Por exemplo, segundo dados da Agência

capítulo 4 • 123
Nacional de Energia Elétrica (Aneel), disponível em http://www.aneel.gov.br/aplicacoes/links/
Default_Detail.cfm?idLinkCategoria=14, no estado do Rio de Janeiro, há duas concessionárias
de distribuição de energia elétrica que controlam o mercado desse tipo de serviço. Uma delas
abastece a capital fluminense e mais 30 municípios da região metropolitana, sul e centro-sul do
estado; a outra atende aos demais municípios do estado do Rio de Janeiro, dentre eles, Niterói.

EMPRESA B
FAZ PROPAGANDA NÃO FAZ PROPAGANDA
FAZ PROPAGANDA 10,5 15,0
EMPRESA A
NÃO FAZ PROPAGANDA 6,8 10,2

O que a matriz nos informa? Que, se a empresa A fizer propaganda e a em-


presa B também fizer propaganda, então a empresa A terá R$10,00 de lucro, e a
empresa B terá R$5,00 de lucro. Se a empresa A fizer propaganda e a empresa B
não fizer, ela ganhará R$15,00, enquanto a B não nada obterá de lucro, ou seja,
o seu “lucro” será igual a R$0,00 (zero). No entanto, qual será a melhor estraté-
gia para as empresas A e B? Essa é a questão central da Teoria dos Jogos.
Vejamos, em primeiro lugar, a situação da empresa A. Se essa empresa fi-
zer propaganda e B também fizer, ela, conforme falamos, ganhará R$10,00.
Entretanto, se ela não fizer propaganda e a empresa B fizer, ela ganhará apenas
R$6,00. Dessa maneira, verificamos que, para a empresa A, fazer propaganda
é a melhor estratégia. Por outro lado, se a empresa A fizer propaganda e B não
fizer, ela ganhará R$15,00. No entanto, nenhuma das duas fizer propaganda,
a empresa A ganhará R$10,00, e a empresa B só obterá R$2,00. Mais uma vez,
verifica-se que para a empresa A é melhor investir em propaganda.
É importante destacar que, para a empresa A, é melhor investir em propa-
ganda do que não o fazer, independentemente da ação da estratégia da empre-
sa B. Nesse caso, diz-se que fazer propaganda é uma estratégia dominante para
a empresa A. Contudo, devemos notar, por essa matriz, que fazer propaganda
é também uma estratégia dominante para a empresa B. A solução do jogo será,
então, fazer propaganda. A empresa A terá R$10,00 de lucro, e a B, R$5,00.
Uma estratégia é dominante quando é a ideal para uma empresa (ou um
jogador), independente do que possa fazer a sua concorrente (ou o seu con-
corrente). No entanto, nem sempre um jogo tem estratégia dominante para as
duas empresas. Uma pequena alteração possibilita compreender melhor essa
condição. Vejamos a próxima matriz (modificada):

124 • capítulo 4
EMPRESA B
FAZ PROPAGANDA NÃO FAZ PROPAGANDA
FAZ PROPAGANDA 10,5 15,0
EMPRESA A
NÃO FAZ PROPAGANDA 6,8 20,2

A única diferença agora comparativamente à matriz anterior é a condição pela


qual a empresa A não faz propaganda se B também não o fizer; neste caso, a em-
presa A lucrará R$20,00. Nesse lance, a empresa A não terá estratégia dominante.
Por quê? Porque sua estratégia dependerá da ação da empresa B. Dessa maneira,
se a empresa B fizer propaganda, a melhor ação para a A será fazer propaganda
também; porém, se a empresa B não fizer propaganda, a melhor ação para a em-
presa A será não investir em propaganda, já que ela teria um lucro de R$20,00.
Qual a solução desse jogo? A ação da empresa A depende da estratégia da
empresa B. A empresa A terá de se colocar na posição da empresa B. A empresa
B tem estratégia dominante, qual seja, fazer propaganda. Portanto, a empresa
A sabe que a melhor estratégia para B será fazer propaganda. A empresa A sabe
que a empresa B fará propaganda. Nesse caso, a melhor opção que a empresa
A pode fazer é investir em propaganda, pois é melhor ganhar R$10,00 do que
R$6,00. O equilíbrio é mantido, e ambas as empresas fazem propaganda.
A empresa B tem em nosso exemplo uma estratégia dominante. A empre-
sa A não; sua ação depende do que a B fizer. Esse exemplo possibilita incor-
porar um importante conceito da Teoria dos J: o chamado equilíbrio de Nash.
Pindyck e Rubinfeld definem esse equilíbrio como sendo “(...) um conjunto de
estratégias ou ações no qual cada jogador estará fazendo o melhor que pode em
função das ações de seus componentes (...)” (p. 429), apesar de muitas vezes as
informações serem assimétricas entre as empresas ou entre os componentes
(leia o Apêndice 6). Por essa condição, o exemplo da segunda matriz apresenta
um equilíbrio de Nash, pois ambas fazem propaganda.
A seguir, portanto, temos a comparação dos conceitos de estratégia domi-
nante e equilíbrio de Nash:

NA ESTRATÉGIA a empresa está fazendo o melhor que pode, inde-


DOMINANTE pendente do que a outra empresa esteja fazendo;

a empresa está fazendo o melhor que pode em


NO EQUILÍBRIO DE NASH função daquilo que a outra empresa está fazendo

capítulo 4 • 125
ATENÇÃO
É importante colocar que não necessariamente um jogo de estratégias tenha apenas um
equilíbrio de Nash; é possível, por sinal, que um jogo apresente mais do que um equilíbrio de
Nash. Por exemplo, vamos supor que duas empresas XYZ e KLM estejam dispostas a lançar
um tipo de chocolate. Essas duas empresas têm duas possibilidades: ao leite ou crocante.
Não obstante, se ambas lançarem o mesmo produto (seja ao leite, seja crocante ao mesmo
tempo), elas terão prejuízo, pois a concorrência pode levar a uma competição danosa para
essas empresas. Entretanto cada uma delas optar por produtos diferentes (XYZ ao leite e
KLM crocante, ou XYZ crocante e KLM ao leite), elas terão lucros. Isso causa uma divisão e
um equilíbrio de mercado. Esse equilíbrio é o de Nash, ou seja, em função da estratégia da
oponente, cada empresa está fazendo o melhor que pode em relação ao que a outra esteja
fazendo. No Brasil, por exemplo, isso é visto por meio do que chamamos de cartel tácito, em
que fica claro que cada uma das firmas usará estratégias com o fim de maximizar o seu lucro,
dada a estratégia da outra companhia.

ATIVIDADES
01. No Brasil, a típica empresa do setor de serviços emprega pouco e é pouco intensiva em
capital. Não por acaso, o setor tem larga predominância de pequenos negócios. Segundo
dados do Cadastro Sebrae de Empresas, 98% das empresas de serviços são micro e pe-
quenas empresas (MPEs). Nesse sentido, percebemos que boa parte desse setor pode ser
considerado um mercado de concorrência perfeita. Sendo assim, a curva de demanda para
uma firma nesse tipo de mercado acaba sendo:
a) Positivamente inclinada;
b) Totalmente vertical;
c) Perfeitamente inelástica;
d) Perfeitamente elástica;
e) Negativamente inclinada.

02. Segundo artigo publicado em 23/07/2015 na Revista Exame.com, uma grande compa-
nhia mineradora brasileira (a primeira maior do Brasil e uma das maiores do mundo em seu
ramo) produziu 85,2 milhões de toneladas de minério de ferro entre abril e junho de 2015 – a
melhor performance de extração para um segundo trimestre e a segunda maior produção

126 • capítulo 4
trimestral da sua história. Essa companhia, ainda no primeiro semestre de 2015, aumentou
sua produção (em recorde) de 159,8 milhões de toneladas – 9,3 milhões acima do mesmo
período de 2014 –, o que corresponde a uma alta de 6,2%.
Conforme podemos verificar, essa mineradora apresenta um monopólio em seu ramo de
atividade no Brasil. Nesse sentido, para uma empresa monopolista, a curva de demanda é:
a) Positivamente inclinada;
b) Totalmente horizontal;
c) Perfeitamente inelástica;
d) Perfeitamente elástica;
e) Negativamente inclinada;

03. Segundo artigo publicado em 27/11/2015 na revista Exame.com, no mercado de voos


internacionais das companhias aéreas brasileiras, houve um avanço de 15,51% da demanda
e alta de 18,17% no mês de outubro de 2015 em relação ao mesmo período do ano anterior.
A taxa de ocupação foi a 83,10%, recuo de 1,91% em relação a outubro de 2014.
O setor de serviços da aviação civil no Brasil diz respeito à estrutura de oligopólio. Nesse
sentido, a respeito do oligopólio:
a) A maximização do lucro ocorre quando a receita marginal é maior do que o custo margi-
nal e a receita total é igual ao custo total.
b) É a estrutura de mercado em que a maior parte da oferta é realizada por poucas empre-
sas, cada uma delas sendo capaz de influenciar o preço de mercado com suas próprias
atividades, pois a demanda das firmas é totalmente elástica;
c) Seu comportamento reflete as condições pelas quais os produtos são homogêneos e
não há barreiras de entrada e saída de empresas;
d) Sua concorrência é extrapreço em função da diferenciação do produto, da propaganda e
de serviços especiais, conseguindo lucros extraordinários em curto prazo;
e) Sua elasticidade–preço da demanda é unitária, em função de que não existe interdepen-
dência entre as empresas que participam do setor, gerando, por conseguinte um produto
com essa característica de demanda.

04. (DPU, 2010) Diferentes estruturas de mercado são verificadas no dia a dia. Monopólios
naturais ou mesmo legais, mercados concorrenciais, oligopólios, concorrência monopolísti-
ca, são alguns exemplos. Acerca dessas diferentes estruturas de mercado, assinale a op-
ção correta:
a) Em mercados concorrenciais, as empresas tendem a obter lucro zero no curto prazo e,
portanto, preferem não ficar nesse tipo de mercado;

capítulo 4 • 127
b) Um monopólio será sempre ineficiente, pois seus preços são sempre mais altos que os
preços de concorrência perfeita;
c) Um monopolista natural que é obrigado, pelo regulador, a praticar preços concorrenciais
estará produzindo em um nível eficiente de produção;
d) Empresas no setor oligopolista enfrentam rigidez de preços para baixo, pois sempre ten-
dem a não seguir aqueles que abaixam os preços e a seguir aqueles que os aumentam;
e) Práticas de cartéis tendem a ser estáveis, pois os lucros sempre caem quando empresas
individuais tendem a se comportar unilateralmente.

05. Vamos supor que, após uma fusão, todas as empresas de um setor de vestuário mo-
nopolisticamente competitivo se tornem parte de uma mesma empresa. Será que a nova
empresa continuaria a produzir as mesmas marcas diferentes já existentes? Ou ela produziria
apenas uma marca? Justifique sua resposta.

06. No Brasil, em muitos setores oligopolistas, as mesmas empresas concorrem entre si du-
rante muito tempo, determinando preços e observando mutuamente seus comportamentos
repetidas vezes. Dado o grande número de repetições, por que não se formam coalizões?
Justifique.

07. Duas empresas operam no mercado de chocolate, podendo optar entre produzir um
chocolate de alta qualidade ou um chocolate de baixa qualidade. Os lucros resultantes de
cada estratégia encontram-se apresentados na matriz a seguir:

EMPRESA B
ALTO BAIXO
ALTO -20,-30 900,600
EMPRESA A
BAIXO 100,800 50,50

Com base nas informações da matriz:


a) Quais resultados são equilíbrios de Nash? (Caso haja algum na matriz anterior.)
b) Qual é o resultado cooperativo?
c) Qual das duas empresas se beneficia mais com um resultado cooperativo? Quanto essa
empresa precisa oferecer à outra para persuadi-la a fazer uma coalizão?

08. (Cadernos de Economia, UNB) Leia com atenção os trechos da reportagem a seguir,
divulgada no caderno Economia do jornal O Estado de S. Paulo:
SDE [Secretaria de Direito Econômico] apura denúncias feitas contra a Coca-Cola®

128 • capítulo 4
Fabricante do refrigerante Dolly® acusa a empresa de práticas anticoncorrenciais
(...) a empresa [Coca-Cola®] teria tentado fechar o mercado aos seus concorrentes “por
meio de fixação de cláusulas de exclusividade no fornecimento de insumos para a fabricação
de refrigerantes (...)”
(...) Outras acusações contra a Coca-Cola®, como prática de preços predatórios, divulga-
ção de mensagem pela internet com informações inverídicas sobre a Dolly® e patrocínio de
fiscalizações públicas, que resultariam em benefícios fiscais para a multinacional (...)

Qual seria a intenção da Coca-Cola® ao adotar as práticas descritas pela reportagem?

09. (BNDES – 2009) Uma nova lei proíbe as empresas de seguro de saúde de fazer exames
médicos prévios em seus potenciais segurados. Essa medida (com base no conteúdo do
Apêndice 6):
a) Diminui o Risco Moral para as empresas;
b) Piora o problema de Seleção Adversa enfrentado pelas seguradoras;
c) Protege todos os potenciais segurados dos abusos praticados pelas empresas;
d) Reduz o preço do seguro de saúde, ao eliminar o custo do exame prévio;

10. Leia atentamente as proposições a seguir para o mercado de concorrência monopolista.


I) As empresas em curto prazo obtêm lucros extraordinários, e, em longo prazo, lu-
cros normais;
II) Graças à diferenciação dos bens, suas empresas possuem certo grau de manobra sobre
o peço do produto, o que lhes confere um ligeiro poder monopolista;
III) Há livre entrada de novos produtos no mercado.

Dadas as informações anteriores, assinale a afirmativa correta:


a) I, II e III são falsas;
b) I e II são verdadeiras, e III é falsa;
c) II e III são verdadeiras, e I é falsa;
d) I, II e III são verdadeiras;
e) I e III são falsas, e II é verdadeira.

capítulo 4 • 129
RESUMO
•  Estruturas de mercado são modelos que captam aspectos de como os mercados es-
tão organizados.
•  Hipóteses da concorrência perfeita: mercado atomizado, produtos homogêneos, grande
mobilidade de fatores de produção e de firmas, transparência de mercado, lucro extraordiná-
rio em curto prazo e normal em longo prazo, devido à entrada de novas firmas no mercado.
•  Em concorrência perfeita, a empresa sozinha é considerada em si uma tomadora de preço,
o qual é determinado pelas condições do próprio mercado.
•  O principal método de determinação da maximização do lucro total para uma firma em
concorrência perfeita é justamente a ótica da igualdade entre a receita marginal (RMg) com
o custo marginal (CMg).
•  Para uma empresa em concorrência perfeita, preço é igual à receita marginal, que, por sua
vez, é igual à demanda e à receita média.
•  Monopólio (puro) é o estado de um mercado em que não existe concorrência na oferta, o
setor (ou mercado) é constituído de uma única empresa vendedora e, por isso, acaba esta-
belecendo, à vontade, o preço do seu produto. Uma vez que seu produto não tem substitutos
próximos, há lucros extraordinários em curto e em longo prazos.
•  No monopólio, a empresa é o setor ou o mercado e tem curva de demanda com inclinação
negativa para o produto. Como resultado, se a empresa monopolista deseja vender maior
quantidade do produto (bem ou serviço), deve baixar o preço.
•  No monopólio, receita marginal (RMg) é menor do que o preço, e a curva da RMg se es-
tende abaixo de curva de demanda. Se a receita total (RT) aumenta e a RMg é positiva, a de-
manda é elástica pelo produto da empresa monopolista; se a RT diminui e a RMg é negativa,
a demanda é inelástica.
•  As empresas de concorrência monopolista produzem bens (ou serviços) parecidos, mas
diferenciados, com certo grau de manobra sobre o preço do produto.
•  Em curto prazo, as empresas de concorrência monopolista têm lucros extraordinários. No
entanto, em longo prazo, seus lucros são normais.
•  Hipóteses do oligopólio: pequeno número de empresas, com grande interdependência en-
tre elas, consideráveis obstáculos à entrada de novas firmas, produto, em geral, diferenciado,
mas não necessariamente, e concorrência extrapreço em função da diferenciação do produ-
to, da propaganda e de serviços especiais.
•  Há estratégia dominante quando a estratégia é a ideal para uma empresa (ou um jogador),
independentemente do que possa fazer a sua concorrente (ou o seu concorrente).

130 • capítulo 4
•  Equilíbrio de Nash: refere-se a um conjunto de estratégias ou ações no qual cada jogador
estará fazendo o melhor que pode em função das ações de seus componentes.
•  Sempre que em uma transação econômica uma das partes sabe mais do que a outra, há
assimetria de informação.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
VASCONCELLOS, M.A.S.; GARCIA, M.E. Fundamentos de economia; cap. 7 São Paulo: Saraiva, 2010.
KRUGMAN, P.;WELLS, R. Introdução à economia; caps. 13, 14 e 15. Rio de Janeiro: Editora Campus/
Elsevier, 2007.
PINDYCK, R.S.; RUBINFELD, D.L. Microeconomia; caps. 8, 9, 10, 12, 13, 16, 17 e 18. São Paulo:
Editora PEARSON, 2010.
http://concursos.grancursosonline.com.br/apostila-gratis-cespe-1000-questoes, acessado em
21/11/2015.
http://exame.abril.com.br/, acessado em 21/11/2015.
http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/ufs/mt/noticias/Micro-e-pequenas-empresas.
http://economistasmt.blogspot.com.br/2012/09/risco-moral-e-selecao-adversa.html, acessado em
21/11/2015.
http://www.aneel.gov.br/aplicacoes/links/Default_Detail.cfm?idLinkCategoria=14, acessado em
21/11/2015.
http://www.sebraemercados.com.br/wp-content/uploads/2015/10/2013_09_04_BO_Agosto_
Moveis_Concorr%C3%AAncia_pdf.pdf, acessado em 22/11/2015.
http://www.valor.com.br/cinco-bancos-têm-80%-do-crédito, acessado em 22/11/2015.

Apêndice 6 – Assimetria de informação e seus problemas 1

Durante muito tempo, a Teoria Microeconômica tradicional baseou seus


estudos na hipótese de que as informações no mercado eram plenamente co-
nhecidas e que a distribuição dessas informações era simétrica. Nesse caso, o
mercado de concorrência perfeita é um clássico exemplo da utilização da hipó-
tese de pleno conhecimento.

1  Todos os exemplos aqui incluídos foram adaptados do site http://economistasmt.blogspot.com.br/2012/09/


risco-moral-e-selecao-adversa.html, acessado em 21/11/2015.

capítulo 4 • 131
Não obstante, e em pleno século XXI, a Microeconomia incorpora o fato de
que na maioria das transações econômicas relevantes não há pleno conheci-
mento das informações. Em muitas situações, uma das partes da transação
sabe mais a respeito da transação do que a outra parte. Quando isso ocorre,
dizemos que a transação é caracterizada pela assimetria de informação.
Vamos ao exemplo (adaptado) da venda de carros usados em concessioná-
rias de veículos na zona norte do Rio de Janeiro. Esse exemplo pode ser conside-
rado clássico de uma transação econômica sujeita à assimetria de informação.
A respeito das reais condições dos veículos, as concessionárias certamente têm
conhecimento maior do que os possíveis compradores. Em síntese, sempre
que em uma transação econômica uma das partes sabe mais do que a outra,
diz-se que há assimetria de informação.
A assimetria de informação pode ocasionar uma série de problemas econô-
micos, com destaque para:
•  A Seleção Adversa;
•  O Moral Hazard ou o Risco Moral;
•  O Comportamento de Manada (ou Herd Behaviour).

Como podemos perceber tais situações? Conforme dito anteriormente, no


mercado de carros usados, por exemplo, as concessionárias têm uma maior
quantidade de informações, as quais são superiores às dos compradores. Além
disso, os compradores têm consciência de que sabem menos a respeito das
reais condições dos automóveis.
A ação lógica dos compradores será atribuir preços para os automóveis usa-
dos compatíveis com os dos carros de baixa qualidade. O resultado no mercado
será de que os automóveis de boa qualidade podem ser retirados do mercado,
pois as concessionárias não estarão dispostas a vender os carros aos preços de
mercado que, de um modo geral, são inferiores aos valores reais dos bons au-
tomóveis. Contudo, essas mesmas concessionárias, devido aos preços pratica-
dos pelo mercado, tenderão a vender em maior proporção os carros em piores
condições. Nesse caso, os preços de mercado são maiores do que os preços que
realmente valem esses carros de baixa qualidade. Verifica-se, nesse contexto,
que o mercado acaba selecionando os piores veículos; sendo assim, este é um
exemplo de seleção adversa.

132 • capítulo 4
Observe bem, caro aluno, que a seleção adversa é uma falha de mercado ca-
racterística de ambientes nos quais a informação se distribui assimetricamen-
te. Essa assimetria na distribuição de informações acaba promovendo uma
seleção adversa dos participantes no mercado. É importante considerar que a
seleção adversa é um problema pré-contratual, pois tanto as concessionárias
quanto os compradores não assinaram o contrato de compra e venda, efetivan-
do as transações com os automóveis.
Imaginemos agora uma situação na qual um CEO é contratado para gerir
os negócios de um grande banco, cuja maior parte das ações pertence a uma
família. Poderá haver, nesse caso, uma situação de assimetria de informação.
Se, a respeito desse assunto, essa família sabe menos do que o diretor-executi-
vo, ela ficará em dúvida se as decisões a serem tomadas pelo diretor têm como
objetivo melhorar os resultados da empresa ou alcançar o benefício próprio.

CONCEITO
CEO é a sigla inglesa de Chief Executive Officer, que, em português, significa diretor-execu-
tivo. CEO é a pessoa com maior autoridade na hierarquia operacional de uma organização; é
o responsável pelas estratégias e pela visão da empresa.

Esse foi um grande problema na economia brasileira na década de 1990 e ao


longo dos anos 2000, porque se constatou, à época, que boa parte dos processos
de aquisição e fusão de empresas eram guiados pelos objetivos dos CEOs e que,
de um modo geral, não melhoravam adequadamente os resultados das empre-
sas. Esse, então, é um exemplo de Risco Moral, ou Moral Hazard.
Conforme podemos perceber, o Risco Moral (ou Moral Hazard) ocorre em
alguma situação na qual, após o estabelecimento do contrato, uma das partes
não consegue monitorar de com absoluta precisão as ações da outra parte.
Agora imaginemos uma situação sobre a contratação de um jovem econo-
mista para trabalhar em um banco de investimentos no Brasil. Esse jovem é
contratado para gerir recursos de um grande fundo de pensão. Em determina-
do momento, esse economista resolve aplicar parte significativa de seus recur-
sos na economia brasileira, em função das expectativas de crescimento e dos
eventos sobre a Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro.

capítulo 4 • 133
Tudo está correndo bem, quando esse jovem economista recebe a informa-
ção de que um grande banco norte-americano resolveu vender todas as suas po-
sições do Brasil. Nesse sentido, qual poderá ser a possível ação de nosso econo-
mista? Uma ação possível poderá ser que, mesmo sem ter pleno conhecimento
sobre os elementos que levaram esse banco internacional a tomar tal decisão,
o jovem economista resolva também vender todas as suas posições do Brasil.
Esse é, portanto, um exemplo de Herd Behaviour.
Diante de assimetria de informação, um agente (ou uma empresa) pode se-
guir as ações tomadas por outro agente (ou outra empresa). No caso do nosso
exemplo, o jovem economista acreditou que o banco norte-americano tivesse
informações privilegiadas sobre o comportamento da economia brasileira.
Dessa maneira, a posição de um agente considerado bem-informado pode le-
var a uma série de decisões de outros agentes, em um verdadeiro comporta-
mento de manada.
Logo, se observarmos bem, verificaremos que as condições sobre Seleção
Adversa, Risco Moral e Comportamento de Manada são tipos de assimetria de
informação muito comuns atualmente em função da concorrência com as em-
presas no mercado. Em Microeconomia, é um fenômeno que ocorre quando
dois ou mais agentes econômicos estabelecem entre si uma transação econô-
mica com uma das partes envolvidas detendo informações quantitativas (e até
qualitativas) superiores às da outra. Essa assimetria ocasiona, portanto, o que
podemos definir como falhas de mercado .

ATENÇÃO
Existem vários outros tipos de falhas de mercado que podem ser discutidos, mas que não são
objetos de estudo desta obra. Dentre essas falhas, destacamos a questão das externalidades
negativas, como é o caso da poluição e do desmatamento ambiental, que podem ocorrer em
função do processo de produção de alguma empresa ou setor. Nesse sentido, devido ao fato
de esses tipos de externalidades não estarem refletidos nos preços de mercado, elas pode-
rão tornar-se a causa da ineficiência desse mercado.

134 • capítulo 4
GABARITO
Capítulo 1

01. Os executivos estão confundindo dois fenômenos distintos: um deslocamento ao longo


da curva de demanda (variação na quantidade demandada) e um deslocamento da curva
de demanda (variação na demanda). A campanha de marketing fez aumentar o desejo dos
consumidores por champanhe, o que causou aumento na demanda pela bebida (um deslo-
camento para a direita da curva de demanda) e fez os preços subirem. Nesse caso, não faz
sentido o temor de que o aumento de preços provoque uma queda no consumo, pois isso
ocorreria somente se os “preços estratosféricos” tivessem sido causados por uma alteração
no lado da oferta de champanhe (uma quebra de produção, por exemplo, que deslocaria a
curva de oferta para a esquerda), o que provocaria uma redução na quantidade demandada
(um movimento ao longo da curva de demanda).
02. d)
Justificativa: O aumento no preço no aço, aumentando o custo da produção de tratores,
deslocará para a esquerda a respectiva curva de oferta, e as facilidades de crédito deslocarão
para a direita a curva de demanda. Dado o formato usual das curvas, o preço certamente au-
mentará; a quantidade transacionada, porém, pode aumentar, diminuir ou permanecer cons-
tante (dependendo da extensão relativa do deslocamento das duas curvas).
03. As curvas de demanda – tanto individuais como de mercado – mostram as quantidades
totais de bens demandados pelos consumidores a cada nível de preços. Quando estes so-
bem, a demanda cai, e isso ocorre tanto pelo fato de cada pessoa demandar menos quanto
por algumas pessoas saírem do mercado.
04. As curvas de oferta das empresas mostram a quantidade do bem que estas estão dis-
postas a fornecer a cada nível de preço. Tipicamente, inclinam-se para cima, indicando que
as empresas se dispõem a fornecer maiores quantidades quando o preço é alto e menores
quantidades quando os preços são mais baixos.
05. d)
Justificativa: Um decréscimo na oferta do mercado para um bem refere-se a um deslo-
camento para cima da curva de oferta desse mercado. Com a curva de demanda do mercado
constante para o bem, o novo ponto de equilíbrio será mais alto e para a esquerda do ponto
de equilíbrio anterior. Isso aponta para um preço de equilíbrio mais alto, mas uma quantidade
de equilíbrio mais baixa do que anteriormente.

capítulo 4 • 135
•  6. Há 20.000 consumidores, tendo cada um deles uma função demanda dada por
QDx = 24 – 4Px; logo, a função demanda para os 20 mil consumidores é dada por QDx
(20.000) = 20.000.(24 – 4Px) = 480.000 – 80.000Px;
•  Há 2.000 vendedores, tendo cada um deles uma função oferta dada por QOx = 40Px;
assim, a função oferta para os 2.000 vendedores é formada por QOx (2.000) = 2.000.(40Px)
= 80.000Px;
•  A partir daí, temos: 480.000 – 80.000Px = 80.000Px >>> 160.000Px = 480.000 >>>
Px = (480.000/160.000) = R$ 3,00. (Preço de equilíbrio);
•  Fazendo as devidas substituições nas duas funções de mercado, temos a quantidade
de equilíbrio:
o QDx = 480.000 – 80.000 (3,00) = 240.000 unidades;
o QOx = 80.000 (3,00) = 240.000 unidades.

O gráfico a seguir espelha essa condição de equilíbrio.

Preços

Oferta

3,00

Demanda

240.000 Quantidades

a) O preço de equilíbrio é igual a R$ 3,00. O governo entra no mercado e o dsequilibra.


Se Px cair, ao fazermos as devidas substituições nas duas equações do mercado,
obteremos:
• QDx = 480.000 – 80.000 (2,00) = 320.000 unidades;
• QOx = 80.000 (2,00) = 160.000 unidades.
Assim, haverá excesso de demanda no valor de 320.000 – 160.000 = 160.000, confor-
me mostra o gráfico a seguir:

136 • capítulo 4
Preços

Oferta

3,00
Excesso de
Demanda
2,00

Demanda

160.000 240.000 320.000 Quantidades

b) • A função demanda de mercado é a mesma, ou seja, QDx = 480.000 – 80.000Px,


mas a função oferta é outra em função da inovação tecnológica na produção, isto é: QOx =
240.000 + 40.000Px. Ao desenvolvermos a igualdade, obteremos:
480.000 – 80.000Px = 240.000 + 40.000Px >>> 120.000Px = 240.000 >>>
Px = R$2,00
•  Substituindo o preço em ambas as equações, obtemos a quantidade de:
o QDx = 480.000 – 80.000 (2,00) = 320.000 unidades;
o QOx = 240.000 + 40.000 (2,00) = 320.000 unidades.

Apresentamos tal condição no gráfico a seguir.

Preços
01
Deslocamento de
Curva de Oferta
02
3,00

2,00

240.000 320.000 Quantidades

capítulo 4 • 137
Capítulo 2

01. e)
02. Como o número de latinhas consumidas cresce, a utilidade total (UTx) que o adolescen-
te recebe cresce (até determinado ponto). Entretanto, cada unidade adicional consumida
lhe dá cada vez menor utilidade extra recebida (UMgx). Quando o adolescente aumenta
seu consumo de 7 para 8 latinhas em dado tempo, sua utilidade total é máxima e a utilidade
extra recebida é zero. Esse é o ponto de saturação para o adolescente. Ele não consumirá
unidades adicionais, pois já chegou ao nível de satisfação máxima; esse bem deixa então de
ser para ele um bem desejado naquele momento.
03. e)
04. a) Sabendo-se que a renda do consumidor será toda gasta para comprar X e Y, tem-
se a seguinte equação: 16,00 = 2,00Qx + 1,00Qy.
b) Se o consumidor gastar toda a sua renda com a fruta Y, comprará 16 unidades
dela. Se o fizer com relação a X, comprará 8 unidades. Assim, é possível o consumidor fazer
combinações de X e Y que ele possa comprar, isto é, 16Y e 0X, 14Y e 1X, 12Y e 2X, ..., 0Y
e 8X.
05. c), pois, as cestas C e D representam combinações factíveis de X e Y, mas acarretam
menos utilidade total, como constatamos, uma vez que essas cestas estão sobre a curva U1,
isto é, essa curva está mais perto da origem, sendo menor o nível de utilidade e de satisfação
para o consumidor em relação à U2.
06. e)
07. d)
08. b)
09. d)
10. e)

Capítulo 3

01. a) A produtividade média do trabalho (PMeN) é dada por PMeN = (Q/N). Já a pro-
dutividade marginal do trabalho (PMgN) é formada por PMgN = (∆Q/∆N). Assim, podemos
obter os seguintes valores, de acordo com o quadro a seguir:

EMBALAGENS DE
MÁQUINAS E EQUI- NÚMERO DE
BISCOITOS (MIL PMeN PMgN
PAMENTOS (K) TRABALHADORES (N)
UNIDADES/MÊS - Q)
5 1 10 10 ---------
5 2 18 9 8

138 • capítulo 4
EMBALAGENS DE
MÁQUINAS E EQUI- NÚMERO DE
BISCOITOS (MIL PMeN PMgN
PAMENTOS (K) TRABALHADORES (N)
UNIDADES/MÊS - Q)
5 3 24 8 6
5 4 28 7 4
5 5 30 6 2
5 6 28 4,7 -2
5 7 25 3,6 -3

b) Conforme o quadro anterior, podemos verificar que o processo produtivo apresenta


rendimentos decrescentes para o fator trabalho, o que é característico das funções
de produção dotadas na medida em que há pelo menos um fator de produção fixo.
Cada unidade a mais de trabalho a ser utilizado acaba tendo um aumento menor de
produção do que a unidade anterior.
c) A produtividade marginal negativa do trabalho pode surgir em decorrência de uma
superlotação ocorrida na empresa de fabricação de biscoitos. À medida que mais
trabalhadores utilizam os mesmos recursos fixos de capital, eles passam a “tropeçar
uns nos outros”, diminuindo assim a quantidade produzida.
02. a)

Q CFT CVT CT CFMe CVMe CMe CMg P RT LT RMg


3 30 15 45 10 5 15 ------- 5 15 -30 -------
6 30 24 54 5 4 9 3 5 30 -24 5
9 30 30 60 3,33 3,33 6,67 2 5 45 -15 5
12 30 33 63 2,5 2,75 5,25 1 5 60 -3 5
15 30 39 69 2 2,6 4,6 2 5 75 6 5
18 30 48 78 1,67 2,67 4,33 3 5 90 12 5
21 30 60 90 1,43 2,86 4,29 4 5 105 15 5
24 30 75 105 1,25 3,13 4,38 5 5 120 15 5
27 30 93 123 1,11 3,44 4,56 6 5 135 12 5
30 30 114 144 1 3,8 4,8 7 5 150 6 5
33 30 138 168 0,91 4,18 5,09 8 5 165 -3 5

b.1) O nível de produção em que ocorre a maximização do lucro total da empresa é Q =


24, pois, neste nível, a RMg = CMg = 5, e o LT = 15,00.
b.2) Os níveis de produção de Q = 3 até Q = 24, pois cada unidade a mais de trabalhador
a ser absorvido pela empresa gera uma receita marginal maior do que o custo marginal, pois
faz o resultado dos rendimentos evoluir significativamente.
b.3) Apesar de levar um prejuízo de Q = 3 até Q = 12, a receita marginal é maior do que
o custo marginal; logo, nesse espaço cada uma unidade a mais a ser produzida gera uma
receita maior do que o seu custo.

capítulo 4 • 139
b.4) Não há por que a empresa fechar, já que é uma franquia nova, e, mesmo tendo pre-
juízo total no início em função dos seu custo fixo, cada unidade a mais gerará um rendimento
maior do que o seu custo
03. c)
04. c)
05. c)
06. e)
07. c)
08. e)
09. e)

Capítulo 4

01. d)
02. e)
03. d)
04. c)
05. Cada empresa obtém lucro econômico ao diferenciar sua marca das demais. Caso essas
concorrentes fossem fundidas em uma só empresa, o monopolista resultante não produziria
tantas marcas diferentes como faria no mercado anterior. No entanto, a produção com diver-
sas marcas e preços e características diferentes é um meio de dividir o mercado em grupos
de consumidores caracterizados por diferentes sensibilidades de preços.
06. Se os jogos (ou estratégias) forem repetidos indefinidamente e as empresas participan-
tes conhecerem todos os possíveis payoffs (resultados), seu comportamento racional levará
a resultados aparentemente cooperativos. Entretanto, em alguns casos, os resultados das
outras empresas só podem ser conhecidos mediante um amplo intercâmbio de informações.
Contudo, o maior problema da manutenção de um resultado cooperativo são as varia-
ções exógenas (não controladas) da demanda e nos preços dos insumos. Quando novas
informações não estão disponíveis simultaneamente para todos os jogadores (empresas), a
reação racional de uma empresa pode ser interpretada como uma ameaça por outra.
07. a) Há dois equilíbrios de Nash: (900,600) e (100,800);
b) O resultado cooperativo (900,600) maximiza o lucro conjunto das duas empresas;
c) A empresa A é a mais beneficiada pela cooperação. Em comparação com a próxima
melhor oportunidade, a empresa A se beneficia de 900 – 100 = 800, enquanto a
empresa B perde 800 – 600 = 200 com a cooperação. Portanto, a empresa A neces-
sitaria oferecer à empresa B pelo menos 200 para compensar as perdas da última.

140 • capítulo 4
08. Caso essas práticas sejam verdadeiras, o objetivo da Coca-Cola® seria manter seu
poder de mercado, afastando a concorrência, ou seja, o mesmo objetivo perseguido pela
propaganda (embora por métodos claramente antiéticos, no caso): manter o mercado com
características de oligopólio, com o que os consumidores deixam de auferir o benefício de
preços mais baixos advindos de um mercado concorrencial.
09. b)
10. d)

capítulo 4 • 141
ANOTAÇÕES

142 • capítulo 4
ANOTAÇÕES

capítulo 4 • 143
ANOTAÇÕES

144 • capítulo 4