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AGRUPAMENTO DE ESCOLAS VIEIRA DE ARAÚJO

ESCOLA B/S VIEIRA DE ARAÚJO - VIEIRA DO MINHO


Técnico de Apoio à família e de Apoio à Comunidade
Cuidados de Saúde Básicos

Disciplina Técnica
CSB

UFCD 7210- Prevenção e controlo na infeção na prestação de


cuidados pessoais e à comunidade

Docente: Cristina Gonçalves


OBJETIVO GERAL
• Identificar os conceitos e princípios fundamentais associados à
prevenção e controlo de infeção na prestação de cuidados de higiene,
conforto e eliminação.
• Identificar situações de risco potenciadoras da infeção associadas
aos diferentes contextos de prestação de cuidados em contexto
domiciliário e institucional.
• Identificar os principais dispositivos individuais e as medidas de
precaução individual.
CONTEÚDOS PROGRAMÁTICOS
Princípios da prevenção e controlo da infeção, medidas e
recomendações
• Conceitos de doença, infeção e doença infeciosa
• Enquadramento legal do controlo da infeção
Conceitos básicos associados à infeção:
• Epidemiologia da infeção - cadeia epidemiológica
- Microrganismos e patogenicidade
- Reservatórios ou fontes dos microrganismos
- Portas de entrada e de saída dos microrganismos
- Vias de transmissão
- Hospedeiro e sua suscetibilidade
- Resistências antimicrobianas
Situações de risco em contexto domiciliário e institucional
• Exposição a riscos biológicos
- Tuberculose
- Hepatite A, B e C
- HIV
• Manipulação de produtos biológicos
• Outras
Dispositivos individuais e medidas de precaução individual
• Equipamento de proteção individual (qual, quando e como usar)
• Higiene das mãos (conceito, técnicas, procedimentos)
• Uso adequado e seguro das barreiras protetoras
• Cuidados de higiene pessoal
• Vacinação
Fardamento
Carga horária

o 50 horas
o 60 aulas
1.Princípios da prevenção e controlo da infeção, medidas e
recomendações

1.1 Os conceitos de doença, infeção e doença infeciosa

Doença
Ocorre quando se verifique uma alteração do estado normal do organismo.

Infeção
Implica a colonização, multiplicação, invasão ou a persistência dos
microrganismos patogénicos no hospedeiro.
Doença Infeciosa
Alteração do estado de saúde em que parte ou a totalidade do organismo
hospedeiro é incapaz de funcionar normalmente devido à presença dum
organismo ou dos seus produtos.

Patologia ou patogénese
Modo como se originam e desenvolvem as doenças.
Patogenicidade
É a habilidade com que um microrganismo causa infeção, através dos
seus mecanismos estruturais ou bioquímicos.

Virulência
É o grau de patogenicidade de um microrganismo.
1.2. Enquadramento legal do controlo da infeção

O Programa Nacional de Controlo da Infeção (PNCI) foi criado em 14 de


Maio de 1999 por Despacho do Diretor-geral da Saúde no âmbito das suas
competências técnico-normativas.
O Programa Nacional de Prevenção e Controlo da Infeção Associada aos
Cuidados de Saúde (PNCI), foi aprovado por Despacho do Sr. Ministro da
Saúde n.º 14178/2007, publicado em Diário Da República, 2.ª Série, N.º
127, de 4 de Julho de 2007, está sedeado na Direcção-Geral da Saúde, no
Departamento da Qualidade na Saúde e na Divisão de Segurança do
Doente.
Objetivo:
●Reduzir as infeções associadas aos cuidados de saúde, evitáveis, através
da implementação de práticas basadas na evidência.
O Grupo Coordenador do PNCI, trabalha em estreita articulação com os
Grupos Coordenadores regionais de Controlo de Infeção, sedeados nas
Administrações regionais de Saúde.

Missão:
●O PNCI tem por missão melhorar a qualidade dos cuidados prestados
nas unidades de saúde, através de uma abordagem integrada e
multidisciplinar para a vigilância, a prevenção e o controlo das infeções
associadas aos cuidados de saúde.
Os projetos em desenvolvimento estão dirigidos às seguintes áreas:

●Vigilância epidemiológica
●Desenvolvimento de normas de boas práticas
●Consultadoria e apoio

O Grupo coordenador do PNCI tem dado apoio às CCI, mediante solicitação das CCI
e Conselhos de Administração/Direção. Este apoio/consultadoria tem sido feito a
diversos níveis:
• Visitas aos Hospitais em casos de surtos de infeção, discussão de temáticas
relevantes para as instituições;
• Atividades de formação na área do controlo de infeção – em colaboração com
Hospitais, Administrações regionais de Saúde, Escolas de Enfermagem e Escola
Superior de Tecnologias da Saúde, Escola Nacional de Saúde Pública entre outros;
• Apoio a profissionais na fase académica em cursos de complemento, de
especialização, pós-graduação e mestrado – orientações, tutoria, bibliografia relevante
nos contextos dos diversos cursos;
• Apoio a profissionais que estão em fase de integração nas Comissões de
Controlo de Infeção- colaboração no planeamento dos programas de vigilância
epidemiológica na elaboração de Manuais de normas e formação;
• Apoio às CCI em áreas críticas: cláusulas especiais em cadernos de encargos,
qualidade do are sistemas de renovação de ar, entre outros.
Os membros do PNCI estão disponíveis para colaborar com as Unidades de Saúde
sempre que solicitados, em pareceres técnicos, esclarecimento de dúvidas,
aconselhamento e fornecimento de bibliografia relevante. As solicitações e/ou pedidos
de colaboração deverão ser dirigidos formalmente ao Diretor-geral da Saúde. Uma
Comissão de Controlo de Infeção proporciona um fórum para a cooperação e
participação multidisciplinar e para a partilha de informação. Esta comissão deve incluir
uma ampla representação de outras áreas relevantes: p. ex., Administração, Médicos,
outros Profissionais de Saúde, Microbiologista Clínico, Farmácia, Aprovisionamento,
Serviço de Instalação e Equipamentos, Serviços Hoteleiros, Departamento de Formação.
A comissão deve reportar diretamente à Administração ou à Direção Médica, a fim de
assegurar a visibilidade e a eficácia do programa. Numa emergência (caso de um surto),
esta comissão deve poder reunir-se prontamente. A comissão tem as seguintes funções:
• Rever e aprovar um programa anual de atividades para a VE e prevenção;
• Rever dados de VE e identificar áreas de intervenção;
• Avaliar e promover a melhoria de práticas, a todos os níveis, de prestação de
cuidados de saúde;
• Assegurar a formação adequada dos profissionais em controlo de infeção e
segurança;
• Rever os riscos associados a novas tecnologias e monitorizar o risco de infeção
de novos dispositivos e produtos, antes da aprovação do seu uso;
• Rever e fornecer dados para a investigação de surtos;
• Comunicar e colaborar com outras comissões do hospital com objetivos
comuns, tais como a Comissão de Farmácia e Terapêutica, Comissão de Antibióticos,
Comissão de Higiene e Segurança.
Estão publicadas as seguintes circulares normativas no controlo da infeção:

Circular Normativa nº 27/DSQC/DSC de 03/01/2008


Programa Nacional de Prevenção e Controlo das Infeções Associadas aos Cuidados de
Saúde (PNCI) -Regulamento Interno do Grupo Coordenador

Circular Normativa nº 24/DSQC/DSC de 17/12/2007


Grupos Coordenadores Regionais de Prevenção e Controlo de Infeção (GCR)

Circular Normativa nº 20/DSQC/DSC de 24/10/2007


Plano Operacional de Controlo de Infeção para os Cuidados de Saúde Primários

Circular Normativa nº 18/DSQC/DSC de 15/10/2007


Comissões de Controlo de Infeção
Circular Normativa nº 17/DSQC/DSC de 20/09/2007
Plano Operacional de Controlo de Infeção para as Unidades de Cuidados Continuados
Integrados

Despacho n.º 18052/2007 do Diretor-geral da Saúde


Comissões de Controlo de Infeção

Despacho n.º 14178/2007 do Secretário de Estado da Saúde


Criação da rede nacional de registo de IACS

Despacho n.º 256/2006 do Ministro da Saúde


Transferência do PNCI para a Direcção-Geral da Saúde
2. Conceitos básicos associados à infeção:

Epidemiologia da infeção - cadeia epidemiológica


2.1. Microrganismos e patogenicidade

Para que seja possível o aparecimento de infeção é requerido que estejam presentes as
seguintes condições:
1. Número adequado de agentes patogénicos (inoculo microbiano), variável
consoante a espécie e o estado imunitário do hospedeiro
2. Existência de um reservatório ou fonte onde o microrganismo sobreviva e
possa multiplicar-se
3. Via de transmissão do agente para o hospedeiro
4. Porta de entrada do hospedeiro específica para o agente patogénico (há
especificidade entre microrganismos e capacidade de desencadear doença em órgãos ou
sistemas específicos do hospedeiro)
5. Que o hospedeiro seja suscetível ao agente microbiano, isto é, que não tenha
imunidade ao agente.
À ocorrência destes sucessivos acontecimentos denominamos “Cadeia da Infeção”. As
estratégias de controlo de infeção eficiente e eficaz têm que ter em conta esta sequência,
prevenindo a transferência dos agentes pela interrupção de uma ou mais das ligações
desta “Cadeia de Infeção”.

Para determinar a abordagem epidemiológica é conveniente ter presente o tipo de


história natural das doenças, pois equaciona medidas diferentes de prevenção e
controlo:
• Doença de evolução aguda, rapidamente fatal
• Doença de evolução aguda, mas de rápida recuperação
• Doença de evolução subclínica (sem sintomas nem sinais clínicos – só com
repercussão imunológica)
• Doença de evolução crónica (que pode evoluir até à morte se não for tratada ou
quando não existe tratamento eficaz)
• Doença de evolução crónica com períodos assintomáticos alternados com
exacerbações clínicas
O espectro de ocorrência de infeção é também um dado epidemiológico na estratégia
a implementar para a prevenção e controlo.

Temos de considerar neste contexto que a infeção pode ocorrer de forma esporádica,
sem um padrão definido, de forma endémica, isto é com uma frequência mais ou
menos regular em períodos de tempo definidos e ainda de forma epidémica, também
denominada por surtos, em que surge com aumento significativo de casos em relação
ao habitual num período de tempo determinado.
2.2. Reservatórios ou fontes dos microrganismos

Os microrganismos estão contidos habitualmente num reservatório que se define


como o local onde residem, têm a sua atividade metabólica habitual e se multiplicam
(habitat natural). Em múltiplas situações, estes agentes infeciosos são transferidos
deste reservatório para um outro local denominado fonte, do qual são transferidos
depois para o hospedeiro.

Deste modo o reservatório e a fonte de um agente responsável por uma infeção


podem ser os mesmos ou não. Do ponto de vista epidemiológico o conhecimento
deste facto é importante.
A fonte dos microrganismos pode ser exógena, portanto exterior ao hospedeiro,
endógena, proveniente da flora indígena do próprio hospedeiro ou ainda
secundariamente endógena, conceito que não é aceite por muitos autores e que se
refere aos agentes que provêm do exterior e que colonizam pele, mucosas ou outro
local anatómico do hospedeiro, posteriormente tornar-se agente de infeção quando
atinge um órgão específico para o qual tenha capacidade de desencadear infeção.

Alguns exemplos de infeções exógenas são aqueles em que o agente é transportado a


partir de líquidos contaminados, através da formação de aerossóis (p.ex. aspiração de
secreções) ou a partir de pessoa colonizada ou infetada que pode emitir gotículas ou
contaminar ambientes que entrem em contacto com outros possíveis hospedeiros
suscetíveis (p. ex. transmissão do vírus da gripe).
No caso das infeções endógenas, o reservatório e a fonte são geralmente
coincidentes.
Por exemplo, a pneumonia associada à ventilação é causada por agentes da orofaringe
do doente ou a infeção associada ao cateter vascular é mais frequentemente causada
pela flora cutânea ou, ainda, os agentes da infeção urinária residem geralmente no
intestino ou no períneo do próprio doente.
2.3. Portas de entrada e de saída dos microrganismos

A via de eliminação é a porta de saída do microrganismo. Refere-se à topografia


ou material pelo qual o agente é capaz de deixar seu hospedeiro, com potencial de
transmissão para um suscetível.
De grande importância nas infeções hospitalares temos os exsudatos e as descargas
purulentas.

As secreções da boca e vias aéreas são húmidas e são expelidas sob forma de gotículas
que incluem células descamadas e microrganismos colonizantes ou infetantes. Mais da
metade da biomassa das fezes é composta de microrganismos, além disso as fezes
podem servir como mecanismo de transmissão dos parasitas intestinais através da
eliminação de ovos.
Na urina podemos encontrar os agentes das infeções génito-urinárias ou
microrganismos que apresentem uma fase septicémica, como é o caso da leptospirose
e febre tifoide.

O sangue é o meio natural de eliminação de doenças transmitidas por vetores


hematófagos, como a malária e febre amarela, onde também encontramos
microrganismos de infeções sistémicas e dos patógenos transmitidos pelo sangue,
como hepatite e HIV.

O leite materno, embora possa ser responsabilizado pela transmissão de patologias


como o HIV em bancos de leite, é juntamente com o suor, via de menor importância
no ambiente hospitalar.
2.4. Vias de transmissão

O mecanismo pelo qual um agente infecioso se propaga e difunde pelo meio ambiente e
atinge hospedeiros suscetíveis constitui a via de transmissão. Esta propagação ou
transmissão do reservatório ou fonte, pode ser direta ou indireta.

Na transmissão direta há o contacto imediato entre uma porta de entrada


recetiva do hospedeiro e o reservatório.
Na transmissão indireta o agente atinge a porta de entrada no hospedeiro
através de um veículo intermediário, por contacto físico com um veículo
inanimado, por exemplo equipamento contaminado, ou com um veículo animado,
como as mãos, ou por gotículas, partículas líquidas com diâmetro superior a 5 mm que
devido ao seu peso se depositam rapidamente e geralmente a uma distância não
superior a um metro. A transmissão indireta também se pode realizar por via aerogénea,
através de aerossóis, de esporos microbianos, de poeiras contaminadas, entre outros.
É aceite por toda a comunidade científica que as mãos são o principal veículo de
transmissão. As gotículas constituem uma forma particular de transmissão por
contacto, pois, quando há proximidade excessiva (inferior a um metro), estas partículas
podem atingir diretamente uma porta de entrada dum hospedeiro recetor e também ao
depositarem-se no ambiente a curta distância do emissor, são indiretamente
transferidas para o recetor através de um veículo animado, o principal sendo as mãos
dos profissionais prestadores de cuidados de saúde ou dos próprios doentes.
2.5. Hospedeiro e sua suscetibilidade

Outro dos elementos da cadeia epidemiológica da infeção é o


hospedeiro.
Para que ocorra infeção é necessário que o agente entre em
contacto com uma porta de entrada específica no hospedeiro, para
a qual o agente tenha afinidade e capacidade de nesse local poder
manifestar os seus mecanismos de infecciosidade, desencadeando
o processo infecioso.
Mas para que o microrganismo tenha a possibilidade de manifestar
esta capacidade é necessário que os mecanismos de defesa
específicos (p. ex. a imunidade) e não específicos (p. ex. resposta
inflamatória, barreiras mecânicas, presença de flora indígena) sejam
ultrapassados pelo agente infecioso.
Com efeito, a resistência individual à infeção é muito variável, dependendo da
idade, do estado imunitário, da presença de doenças subjacentes ou ainda da
prestação de cuidados de saúde que podem interferir com os mecanismos de defesa
do hospedeiro, como são os procedimentos cirúrgicos, procedimentos invasivos de
diagnóstico ou terapêuticos, utilização de agentes terapêuticos como os antimicrobianos
ou quimioterapia para doenças neoplásicas, entre outros.

Em síntese, para que seja possível surgir um quadro infecioso, o microrganismo tem
que ter acesso a uma porta de entrada que lhe seja favorável, que tenha afinidade
para o tecido em causa e que o inoculo seja suficiente para desencadear a infeção. Para
que ocorra a infeção é necessário que exista um desequilíbrio entre o inoculo e
virulência do microrganismo e as defesas do hospedeiro.
2.6. Resistências antimicrobianas

Muitos doentes recebem fármacos antimicrobianos. Através da


seleção e da troca de elementos genéticos de resistência, os
antibióticos promovem a emergência de estirpes bacterianas
multirresistentes; os microrganismos da flora humana normal
sensíveis a um dado antimicrobiano são eliminados, enquanto as
estirpes resistentes persistem e podem tornar-se endémicas no
hospital.
A utilização generalizada de antimicrobianos para terapêutica e profilaxia (incluindo na
forma tópica) é a maior determinante da resistência. Alguns agentes antimicrobianos
estão a tornar-se menos eficazes devido a resistências. Quando um antimicrobiano
começa a ser mais amplamente utilizado emerge, eventualmente, a resistência
bacteriana a esse fármaco, a qual pode disseminar-se na instituição.
Várias estirpes de pneumococos, estafilococos, enterococos e BK são atualmente
resistentes à maior parte, ou a todos, os antimicrobianos que eram anteriormente
eficazes. Klebsiella e Pseudomonas aeruginosa multirresistentes são prevalentes em
muitos hospitais.

Este problema é especialmente crítico em países em vias de desenvolvimento, onde


antibióticos de segunda linha, mais caros, podem não estar disponíveis ou não
existirem recursos para a sua compra.

https://www.youtube.com/watch?time_continue=75&v=yAnQoGIDYZw

https://www.youtube.com/watch?v=AnAQbVzPLQQ
3. Situações de risco em contexto domiciliário e institucional

Entende-se por agentes biológicos, os que resultam da ação de agentes animados como
vírus, bacilos, fungos e bactérias, ou microrganismos (bactérias, vírus, fungos),
incluindo os geneticamente modificados, as culturas de células e os endoparasitas
humanos e outros suscetíveis de provocar infeções, alergias ou intoxicações.

O risco ocupacional associado aos agentes biológicos é conhecido desde a década de


1940 e pode atingir não só os profissionais de saúde, como outros profissionais e ainda
todos os visitantes das unidades de saúde e familiares que coabitam no domicílio dos
doentes.

Numa unidade hospitalar, a exposição a agentes biológicos, em particular a


microrganismos, coloca-se com particular incidência nos profissionais de saúde.
As potenciais e principais fontes deste risco são o contacto pessoal com os
doentes e o manuseamento de produtos biológicos: sangue e seus componentes,
fezes, exsudados, secreções e vómitos, bem como os materiais contaminados por
estes.

Em ambiente hospitalar, os principais agentes infeciosos com os quais os


profissionais de podem contactar são o vírus da hepatite (A, B e C), o vírus
Epstein-Barr, o vírus da imunodeficiência humana (VIH), o citomegalovírus,
espiroquetas e parasitas.
As formas de transmissão a nível hospitalar são idênticas às formas de transmissão
de outras infeções. Assim a exposição a agentes biológicos pode acontecer por
várias formas, nomeadamente, transmissão aérea, contacto cutâneo, contacto
fecal-oral, contacto com sangue ou outros fluidos orgânicos e por via
percutânea.
No intuito da prevenção, considerar se as medidas existentes proporcionam uma
proteção adequada e o que poderá ser feito para reduzir os riscos.

É possível reduzir a totalidade dos riscos através do recurso a um agente ou


processo diferente?

Se não for possível evitar a exposição, esta deverá ser reduzida ao mínimo através da
limitação do número de trabalhadores expostos e da duração da exposição. As medidas
de controlo deverão ser adaptadas ao processo de trabalho e os trabalhadores deverão
estar bem informados no sentido de cumprirem as práticas seguras de trabalho.
As medidas necessárias à eliminação ou redução dos riscos para os trabalhadores
dependerão de cada risco biológico, existindo, no entanto, um número de ações comuns
possíveis de executar:
• Muitos agentes biológicos são transmitidos através do ar, como é o caso das
bactérias exaladas ou das toxinas de grãos bolorentos. Evitar a formação de aerossóis e de
poeiras, mesmo durante as atividades de limpeza ou manutenção.
• Uma boa higiene doméstica, procedimentos de trabalho higiénicos e a utilização de
sinais de aviso pertinentes são elementos-chave da criação de condições de trabalho seguras
e saudáveis.
• Muitos microrganismos desenvolveram mecanismos de sobrevivência ou
resistência ao calor, à desidratação ou à radiação através, por exemplo, da produção de
esporos.
• Adotar medidas de descontaminação de resíduos, equipamento e vestuário, bem
como medidas de higiene adequadas dirigidas aos trabalhadores. Dar instruções sobre a
eliminação com segurança de resíduos, procedimentos de emergência e primeiros socorros.
Em alguns casos, entre as medidas de prevenção conta-se a vacinação, colocada à
disposição dos trabalhadores.
Outras medidas a considerar incluem:
• Fornecimento de equipamento médico mais seguro, como seringas com agulhas
retrácteis;
• Controlo reforçado dos resíduos médicos;
• Melhoria das condições de trabalho, nomeadamente da iluminação;
• Melhoria da organização do trabalho – por exemplo, mediante a redução da
fadiga (associada, nomeadamente, a turnos longos), que pode prejudicar os
trabalhadores–, e da supervisão destinada a garantir o respeito dos métodos de trabalho;
• Equipamento de proteção individual;
• Imunização contra o vírus da hepatite B;
• Métodos de trabalho seguros (não recolocar as tampas bainha nas agulhas);
• Eliminação segura de objetos cortantes e de outros resíduos clínicos;
• Formação e informação.
Seringas com agulhas retrácteis
Tuberculose
https://www.youtube.com/watch?v=F0UVtuoTAGI

Desde o início do século XXI que se tem evidenciado a transmissão hospitalar da


tuberculose, o risco de infeção pela mesma e a existência da doença cativa nos
profissionais da área da saúde. Sendo a tuberculose uma doença infectocontagiosa de
fácil transmissão (a inoculação do bacilo faz-se por via aérea), a adoção de programas
de avaliação e seguimento dos trabalhadores não se tem efetivado, sobretudo nos
países de alta prevalência, nos quais o risco comunitário é elevado.
Ainda segundo este autor, o risco de infeção pela bactéria Mycobacterium tuberculosis
(tuberculose) entre os profissionais de saúde está relacionado com os seguintes
fatores: prevalência da doença, perfil dos casos atendidos, área de trabalho, grupo
ocupacional, tempo de trabalho na área da saúde e medidas de controlo adotadas pela
instituição.

É nos grandes centros urbanos como Lisboa, Porto e Setúbal que se verifica a maior
concentração de casos, espelho de uma realidade recente: a associação da tuberculose
à infeção pelo VIH/SIDA, para além dos imigrantes, os sem-abrigo e os
consumidores de drogas injetáveis, cuja estatística demonstra também terem risco
acrescido.
Assiste-se, por outro lado, a uma prevalência crescente da tuberculose multirresistente,
em consequência da resistência das bactérias aos antibióticos, essencialmente devido
ao abandono do tratamento quando os sintomas da doença diminuem ou
desaparecem.
Hepatite A, B e C

https://www.youtube.com/watch?v=gCq6xYzRd4A
https://www.youtube.com/watch?v=aYuxoxQL-xo

Apesar de o VIH ter assumido primordial notoriedade relativamente aos riscos de


infeções virais, é de ter em conta que o risco de adquirir a infeção pelo vírus da hepatite
B, após exposição a sangue contaminado, é cerca de 10 a 35% ao passo que o risco de
adquirir o VIH é de apenas 0,4%.

Dados aceites internacionalmente apontam que em consequência de “picada de agulha”


os profissionais de saúde apresentam uma probabilidade de adquirir SIDA de 0,3%, a
hepatite C de 2 a7% e hepatite B de 2 a 40%, neste último caso em profissionais não
vacinados e com a presença de AgHbe positivo no doente.
O risco de infeção por transmissão percutânea com agulha oca contaminada por VIH
é de 0,3%, diminuindo esse risco para 0,09% no caso das membranas mucosas.

A hepatite B é, atualmente, a doença ocupacional de carácter infecioso mais


importante no pessoal de saúde, sendo o risco de a adquirir mais elevado nos
primeiros anos de exercício profissional e nos serviços em que se verifica contacto
frequente com sangue.

Hoje dispõe-se de eficazes medidas para a prevenir, mediante o recurso a barreiras


físicas (luvas, agulhas e seringas descartáveis), químicas e biológicas (gamaglobulina
hiperimune e vacinas).
Desde a descoberta do vírus da hepatite B, por Baruch, Blumberg e Coll, nos anos
1960, muito se aprendeu a seu respeito, porém, até aos dias atuais, muitos estudos
demonstraram a existência de uma elevada prevalência da doença em vários segmentos
da população em geral, e especialmente entre os profissionais de saúde expostos a
acidentes com objetos perfurantes e cortantes, envolvendo material biológico.

Em Portugal, todas as formas clínicas de hepatites víricas fazem parte da lista das
doenças profissionais e são consideradas como tal para os profissionais de saúde, sem
necessidade de fazer prova.
HIV

Relativamente à transmissão do VIH entre os profissionais de saúde, a maior


preocupação reside no facto de a forma mais frequente de transmissão do vírus
ocorrer devido a exposições cutâneas, resultantes de acidentes com materiais
perfurantes e cortantes, e as recomendações atuais para esse fim, ainda não serem
capazes de prevenir tais acidentes.
O risco de infeção por transmissão percutânea com agulha oca contaminada por
VIH é de 0,3%, diminuindo esse risco para 0,09% no caso das membranas mucosas.
4. Dispositivos individuais e medidas de prevenção individual
4.1. Equipamento de proteção individual (qual, quando e como usar)

Entende-se por equipamento de proteção individual (EPI) todo o equipamento, bem


como qualquer complemento ou acessório, destinado a ser utilizado pelo
trabalhador para se proteger dos riscos, para a sua segurança e para a sua saúde.
O equipamento de proteção individual tem vindo a ganhar importância devido à
necessidade de garantir a segurança de doentes e profissionais, essencialmente
desde os anos oitenta, em que surgiu o conceito das precauções universais, no qual era
dado ênfase ao facto de não ser possível identificar com segurança quais os doentes que
constituíam risco, pelo que se tornava necessário avaliar o risco em função dos
procedimentos e o seu potencial para exposição a sangue e fluidos orgânicos contendo
sangue.
O uso de equipamento de proteção faz parte integrante desse conceito assim como do
mais recente conceito de precauções básicas (padrão) que estabelece que determinados
tipos de cuidados devem ser adotados em qualquer doente, independentemente da sua
patologia ou do seu status infecioso.

O uso de EPI constitui-se uma das precauções padrão indicada para reduzir o
risco de transmissão de microrganismos de fontes de infeção, conhecidas ou
não, devendo ser adotado na assistência a todo e qualquer doente e/ou na
manipulação de objetos contaminados ou sob suspeita de contaminação.

A decisão de usar ou não EPI e quais os equipamentos a usar, deve ser baseada numa
avaliação de risco de transmissão de microrganismos ao doente, o risco de
contaminação da roupa, pele ou mucosas dos profissionais com o sangue,
líquidos orgânicos, secreções e excreções do doente.
Dois aspetos importantes relativos aos EPI são a seleção e os requisitos na
utilização.
A seleção dos EPI deverá ter em conta os riscos a que está exposto o trabalhador,
as condições em que trabalha, aparte do corpo a proteger e as características do
próprio trabalhador. Devem ainda obedecer aos requisitos: comodidade, robustez,
leveza e adaptabilidade.
Estão incluídos na categoria de EPI as luvas, máscaras, batas, aventais, óculos,
viseiras, cobertura de cabelo, calçado, entre outros.
Para que qualquer política relacionada com o uso de EPI tenha eficácia é necessário que
os respetivos equipamentos estejam disponíveis, sejam apropriados às condições de
trabalho e risco da instituição, sejam compatíveis entre si (quando usados
simultaneamente), possam ser limpos, desinfetados, mantidos e substituídos quando
necessário (quando não sejam de uso único) e cumpram as diretivas comunitárias
referentes ao seu desenho, certificação e teste.

Em síntese, os utilizadores dos EPI têm que conhecer e perceber as consequências de


uma exposição sem proteção, a necessidade de se protegerem, as razões pelas quais um
equipamento é utilizado e as vantagens que daí advêm.
4.2. Higiene das mãos (conceito, técnicas, procedimentos)

Quando se fala de precauções básicas para a proteção individual contra a transmissão


nosocomial (hospitalar) das infeções, fala-se de adoção de boas práticas na prestação
de cuidados, e a lavagem das mãos surge habitualmente, com grande ênfase, como
prática simples e de indiscutível valor preventivo.

Em particular, nos profissionais de saúde, as mãos constituem o principal veículo de


transmissão exógena de microrganismos, sendo que raramente estão livres dos
mesmos, sejam eles residentes ou transitórios.
A lavagem das mãos tem uma dupla função na medida em que por um lado,
protege o utente e por outro protege o profissional de saúde de adquirir
microrganismos prejudiciais à sua saúde.

Os “cinco momentos” para a higiene das mãos na prática clínica são os seguintes:
1. Antes do contacto com o doente;
2. Antes de procedimentos limpos/assépticos;
3. Após risco de exposição a fluidos orgânicos;
4. Após contacto com o doente
5. Após contacto com o ambiente envolvente do doente.
De modo a simplificar a interpretação do vasto leque de conceitos sobre higiene das
mãos, são definidos três métodos a utilizar.

De acordo com os procedimentos a efetuar, assim a técnica de higienização a utilizar:

a) Lavagem: higiene das mãos com água e sabão (comum ou com antimicrobiano).
b) Fricção antisséptica: aplicação de um antisséptico de base alcoólica para fricção das
mãos (a sua utilização não necessita de água nem de toalhetes).
c) Preparação pré-cirúrgica das mãos.
Princípios gerais:

• Quer seja usada água e sabão com ou sem antisséptico, quer seja usada SABA, é
muito importante cumprir os seguintes princípios:
• Retirar jóias e adornos das mãos e antebraços antes de iniciar o dia ou turno de
trabalho, guardando-as em local seguro (por exemplo, acondicionado em alfinete
pregado por dentro do bolso da farda);
• Manter as unhas limpas, curtas, sem verniz. Não usar unhas artificiais na
prestação de cuidados;
• Aplicar corretamente o produto a usar;
• Friccionar as mãos respeitando a técnica, os tempos de contactos e as áreas a
abranger de acordo com os procedimentos a efetuar;
• Ter atenção especial aos espaços interdigitais, polpas dos dedos, dedo polegar e
punho;
• Secar/deixar secar bem as mãos;
• Evitar recontaminar as mãos após a lavagem. Se a torneira for manual não
tocar com as mãos na torneira após a higienização, encerrando a mesma com um
toalhete;
• Usar regularmente protetores da pele (creme dermoprotetor)
• Se surgirem sinais de dermatite, consultar o Médico de Saúde Ocupacional.
Técnica de fricção das mãos com solução antisséptica de base alcoólica:

• Aplicar o produto na palma de uma das mãos e friccionar, cobrindo toda a


superfície das mãos e dedos, até as mãos ficarem secas.
• Siga as recomendações do fabricante quanto ao volume de produto que
deve utilizar.
Técnica da lavagem das mãos (com água e sabão):

• Molhar primeiro as mãos com água, uma vez que reduz o risco de dermatites;
• Aplicar nas mãos a quantidade de produto recomendada pelo fabricante nas
mãos;
• Friccionar as mãos vigorosamente durante pelo menos 15 segundos, cobrindo
toda a superfície das mãos e dedos;
• Enxaguar as mãos com água corrente;
• Secar as mãos rigorosamente;
• Se não dispuser de torneira de comando não manual, utilizar o toalhete usado
para fechar a torneira.
• Evitar o uso de água quente, porque a exposição frequente à água quente
aumenta o risco de dermatites.
• Secar rigorosamente as mãos com toalhete de uso único. Toalhas de tecido de
uso múltiplo ou utilizadas por múltiplos profissionais de saúde não são recomendadas
nas unidades de prestação de cuidados de saúde
• As várias formas de apresentação de sabão são aceitáveis (líquido, gel, espuma
ou em barra). Se o sabão em barra é utilizado, colocar o sabão em saboneteiras que
permitam drenar o excesso de água e manter o sabão seco.
Técnica de preparação cirúrgica das mãos:

• Remover relógios de pulso, anéis e pulseiras antes de iniciar a preparação


cirúrgica das mãos;
• Remover relógios de pulso, anéis e pulseiras antes de iniciar a preparação
cirúrgica das mãos;
• Não usar unhas artificiais;
• As cubas de lavagem devem ter um design que reduza o risco de salpicos;
• Lavar as mãos com água e sabão antes da preparação pré-cirúrgica das mãos se
estiverem visivelmente sujas. Remover a sujidade dos leitos unguiais com um estilete de
unhas sob água corrente. Manter as unhas curtas;
• Não é recomendado a utilização de escovas na preparação pré-cirúrgica das
mãos;
• Utilizar antisséptico com ação residual, quer seja sabão antimicrobiano, quer
solução antisséptica de base alcoólica, antes de colocar as luvas cirúrgicas;
• Na preparação pré-cirúrgica das mãos com sabão antisséptico, friccionar as
mãos e antebraços pelo período de tempo recomendado pelo fabricante do produto,
usualmente entre 2 – 5 minutos. Longos períodos de fricção (i.é: 10 minutos) não são
necessários;
• Na preparação pré-cirúrgica das mãos com solução antisséptica de base
alcoólica com ação residual, seguir as instruções do fabricante do produto em relação ao
tempo de aplicação. Aplicar o produto sobre as mãos totalmente secas. Não combinar
os produtos (sabão antisséptico e solução antisséptica de base alcoólica) em sequência;
• Durante a preparação pré-cirúrgica das mãos com solução antisséptica de base
alcoólica, usar uma quantidade de produto suficiente de forma a manter as mãos e
antebraços molhados durante o procedimento de preparação cirúrgica das mãos;
• Após aplicar a solução antisséptica de base alcoólica como recomendado,
friccionar bem as mãos e antebraços até secarem completamente, e só então colocar
luvas estéreis.
4.3. Uso adequado e seguro das barreiras protetoras

As luvas são, sem dúvida, na área da saúde, o equipamento de proteção individual


mais utilizado e amplamente divulgado, sendo o seu uso correto, capaz de evitar a
contaminação das mãos, evitar a transmissão de microrganismos das mãos
aos doentes e evitar a contaminação do ambiente circundante.
O uso de luvas está apenas indicado, salvo quando existe indicação para medidas de
isolamento de contacto, para as situações onde é previsível que exista a possibilidade
de contacto das mãos do PS com: sangue ou fluidos orgânicos, membranas
mucosas, pele não intacta, e superfícies visivelmente contaminadas.
O uso de luvas não modifica as indicações para higiene das mãos e, sobretudo, não
substitui a necessidade de higiene das mãos, e se apropriado, a indicação para higiene
das mãos pode implicara remoção das luvas para efetuar a ação.
É de salientar que, se o uso de luvas impedir o cumprimento da higiene das mãos no
momento correto, então representa um fator de risco major para a transmissão cruzada
e para a disseminação de microrganismos pelo ambiente.

No contexto da aplicação das Precauções de Contacto, se não for possível cumprir


totalmente a este requisito (i.e. higiene das mãos) então é preferível preterir o uso de
luvas e favorecer uma ótima higiene das mãos no interesse da proteção do doente e do
ambiente da prestação de cuidados, desde que salvaguardada a proteção dos
profissionais.
Recentemente, o uso de máscara passou a ser aceite também com o objetivo de
proteger os profissionais de saúde através da contenção da projeção de secreções
das vias aéreas superiores ou de saliva contendo agentes infeciosos transmissíveis,
através de gotículas ou núcleos de gotículas.
Não é necessário, por rotina, a utilização de máscara na prestação de cuidados na
enfermaria mas o seu uso é recomendado em todos os procedimentos em que haja
risco de produção de salpicos contendo sangue, líquidos orgânicos, secreções ou
excreções, na medida em que as membranas mucosas da boca, nariz e olhos são
particularmente vulneráveis à infeção, o mesmo acontecendo com a pele da face
caso haja compromisso da sua integridade.
Do mesmo modo, para proteção do doente, o seu uso é recomendado em algumas
técnicas (por exemplo, colocação de catéter central, cirurgias). Vários tipos de
máscaras com ou sem viseira, e proteção ocular poderão proporcionar uma proteção
específica ou mais alargada e a sua seleção deve ser feita em função do tipo de
interação com o doente e o tipo de exposição esperada.

Nas unidades de saúde, de um modo geral, encontram-se dois tipos de máscaras:


as máscaras de procedimentos ou isolamento, mais simples, e as máscaras
cirúrgicas. São de uso único e consistem geralmente numa sobreposição de
diferentes camadas.
Em síntese, pode dizer-se que “o objetivo da máscara é, por um lado, proteger os
doentes da libertação potencial de partículas contendo microrganismos e, por outro,
proteger os profissionais contra a exposição mucocutânea a gotículas e salpicos”.
Relativamente às proteções oculares, que grande parte das vezes se encontram
acopladas às máscaras (máscaras com viseira), devem ser também utilizadas sempre que
se preveja que o procedimento a realizar possa produzir salpicos, gotículas ou aerossóis
de sangue ou outros líquidos orgânicos potencialmente infetantes e, que possam afetar
as mucosas dos olhos.
No que diz respeito à utilização de batas (limpas, não esterilizadas), deve verificar-se
sempre que os profissionais de saúde permaneçam nas instalações. Devem ser
usadas proteções descartáveis adicionais sempre que seja previsível a possibilidade de
ocorrer derrame de sangue ou outros líquidos orgânicos, e também porque a parte da
frente, que contacta mais diretamente com os doentes e o ambiente imediato, tem mais
tendência a ser contaminada.
O avental de plástico ou bata impermeável deve ser utilizado para proteção da
bata/uniforme durante procedimentos que produzam salpicos ou aerossóis de
fluidos corporais, secreções ou excreções devendo ser removidos logo que termine
o contacto contaminante para que não se originem novas contaminações.
4.4. Cuidados de higiene pessoal

A higiene consiste na prática do uso constante de elementos ou atos que causem


benefícios para os seres humanos. No seu sentido mais comum, podemos dizer
que significa limpeza acompanhada do asseio.

Mais amplo, compreende todos os hábitos e condutas que nos auxiliem a prevenir
doenças e a manter a saúde e o nosso bem-estar, inclusive o coletivo.
Para uma prestação adequada e segura é necessário ter em conta alguns aspetos
relativos à higiene pessoal:

• Qualquer tipo de odor será repelente para os colegas e clientes. Os banhos


frequentes são aconselhados, contudo a utilização de produtos demasiado perfumados
deve ser evitado.
• Os dentes devem ser escovados com regularidade e cuidados através de
observações médicas regulares. O mau hálito deve ser combatido com pastilhas ou
sprays refrescantes.
• Não usar adornos (anéis, brincos, relógio, pulseiras, colares, piercing, etc. –
aliança)
• Comunicar situação de doença
• Promover Saúde Oral
• Manter pés secos
• Evitar falar, cantar, tossir ou espirrar sobre os outros ou alimentos
• Não utilizar utensílios que foram colocados na boca
• Não mascar pastilhas elásticas ou fumar durante o trabalho
• Evitar passar as mãos no nariz, orelhas, cabeça, boca ou outra parte do corpo
durante aprestação de cuidados
• Assoar o nariz em lenços de papel e posteriormente rejeitar e lavar as mãos
• Não manusear dinheiro
• Utilizar equipamento de proteção individual
• Não enxugar suor com as mãos, panos ou uniforme (mas sim em toalha
descartável)
• Evitar maquilhagem e perfumes com cor e/ou odor intenso (utilizar
desodorizante sem cheiro ou com odor suave)
• Colocar haveres pessoais e roupa civil em local adequado (cacifo, vestiário,
etc.).
4.5. Vacinação

Os profissionais de saúde estão expostos a diversos agentes biológicos nas suas


atividades diárias, pelo que a proteção adquirida pela vacinação e a monitorização
do estado vacinal é essencial.

Cabe ao empregador, o coordenador sub-regional/diretor da Unidade de Saúde,


assegurar, através dos Serviços de Segurança e Saúde no Trabalho / Serviço de
Saúde Ocupacional, dos Serviços de Saúde:
• A vacinação gratuita dos trabalhadores, quando existam vacinas eficazes
contra agentes biológicos a que os trabalhadores estão ou podem estar expostos no
local de trabalho;

• A informação dos trabalhadores sobre as vantagens da prevenção do risco


profissional através da vacinação incluindo as potencialidades e os eventuais
inconvenientes da mesma.
Mesmo quando se cumprem todas as medidas de proteção e de precaução universais,
que fornecem uma proteção significativa contra a transmissão de agentes infeciosos,
existem acidentes que não podem ser totalmente evitados, pelo que a vacinação dos
profissionais de saúde representa claramente um requisito essencial e indispensável para
a segurança e saúde do trabalhador.

Atualmente as vacinas contra a hepatite B, tétano/difteria e gripe são as que revestem


maior importância para os profissionais de saúde, pelo nível elevado de proteção,
individual e de grupo, que asseguram.

O registo dos atos vacinais de cada profissional deverá ser efetuado em suporte
informático que será disponibilizado a todas as Equipas de Saúde Ocupacional.
5. Fardamento

O uniforme é o espelho da instituição. Ele não apenas identifica a função do funcionário, mas também reflete a
postura e a imagem da entidade. De maneira subjetiva, o uniforme transmite ao utente o conceito da instituição
em relação à qualidade de seus serviços.

No dia-a-dia de trabalho nas Instituições, surge também a necessidade de utilização de farda/uniforme,


nomeadamente para identificar e proteger os Profissionais e também para proteger os utentes.
Regras e cuidados a ter com o uniforme:

• Bom estado de limpeza (diária/ SOS)


• Bom estado de conservação
• Confortável
• Adequado à tarefa a desempenhar
• Cores claras
• Resistente a lavagens frequentes
• Exclusivos para local de trabalho
• Vestir/despir em local adequado
• Calçado confortável, antiderrapante, resistente e fechado (com meias de
preferência de algodão)
• Apanhar primeiro o cabelo e só depois vestir o uniforme
• Não utilizar panos ou sacos de plástico para proteção do uniforme
• Não carregar os bolsos do uniforme de canetas, batons, cigarros, isqueiros,
relógios, etc. (apenas o essencial)
• Adaptar/trocar uniforme de acordo com a tarefa (limpeza, prestação de
cuidados de higiene, etc.)
• Evitar vestir roupa que não pertença ao uniforme, nomeadamente por baixo
do mesmo. Se for necessário usar peças de algodão e de cor branca.
6. Bibliografia
•AA VV. Cadernos de saúde, Número especial: Infeção associada à prática de cuidados de saúde , Ed.
Instituto de Ciências da Saúde, Universidade Católica, 2010
• AA VV., Orientação de Boa Prática para a Higiene das Mãos nas Unidades de Saúde: Circular
Normativa, Ed. Direcção-Geral de Saúde
• AA VV., Prevenção de infeções adquiridas no hospital: um guia prático , ED. Instituto Nacional de
Saúde Dr. Ricardo Jorge, 2002
•Aleixo, Fernando, Manual de Enfermagem, Ed. Centro Hospitalar do Barlavento Algarvio., EPE, 2007
•Aleixo, Fernando, Manual do Assistente Operacional , Ed. Centro Hospitalar do Barlavento Algarvio.,
EPE, 2008
•Lima, Jorge, A utilização de equipamentos de proteção individual pelos profissionais de Enfermagem –
práticas relacionadas com o uso de luvas
, Dissertação de mestrado, Universidade do Minho, 2008

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