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Introdução

a. Apresentação.
Este trabalho se trata de uma atividade de estágio básico com propósito de
compreender o comportamento de dois adolescentes em relação à fé.
A inquietação sobre o tema se deu quando, na revisão bibliográfica, percebemos
o vasto campo possível de estudo acerca deste tema para esta etapa da vida.
Como a fé (ou a ausência dela) influencia o adolescente na atualidade?

b. Tema/Levantamento bibliográfico.
Desde a concepção, as pessoas passam por processos de desenvolvimento. O
Campo do desenvolvimento humano é o estudo científico de tais processos.
O início da adolescência (aproximadamente dos 11 ou 12 aos 14 anos de idade),
a transição de saída da infância, oferece oportunidades de crescimento - não
apenas em dimensões físicas, mas também em competência cognitiva e social,
em autonomia, em auto-estima e em intimidade. Esse período também possui
grandes riscos. Alguns jovens têm dificuldade para lidar com tantas mudanças de
uma só vez e podem precisar de auxílio para superar os perigos ao longo do
caminho. A adolescência é uma época de aumento da diferença entre a maioria
dos jovens: alguns estão direcionados a uma idade adulta satisfatória e produtiva,
enquanto uma minoria considerável (de aproximadamente 20%) terá que
enfrentar muitos problemas (Offer, 1987; Offer e Schonert-Reichl, 1992), cita
Papalia.
Na adolescência, a aparência dos jovens muda; como resultado dos eventos
hormonais da puberdade, adquirem corpos de adultos. Seu pensamento também
muda; são mais capazes de pensar em termos abstratos e hipotéticos. Seus
sentimentos mudam sobre quase tudo. Todas as áreas de desenvolvimento
convergem à medida que os adolescentes confrontam sua principal tarefa: firmar
uma identidade - inclusive uma identidade sexual - que será levada à idade
adulta.

O Desenvolvimento da Fé durante a Vida


O Desenvolvimento da Fé durante a Vida pode a fé ser estudada sob uma
perspectiva de desenvolvimento?
Sim, segundo James Fowler (1981, 1989). Fowler definia fé como um modo de
ver ou de conhecer o mundo. Para descobrir como as pessoas chegam a esse
conhecimento, Fowler e seus alunos da Harvard Divinity School entrevistaram
mais de 400 pessoas de todas as idades e com diversas experiências étnicas,

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educacionais e socioeconômicas e com diversas identificações e afiliações
religiosas ou seculares.
A teoria de Fowler focaliza a forma da fé, e não seu conteúdo ou objeto; ela não
se limita a algum sistema de crença particular.
A fé pode ser religiosa ou não-religiosa: as pessoas podem ter fé em um deus, na
ciência, na humanidade ou em uma causa à qual dão valor máximo e que dá
sentido à sua vida.
Segundo Fowler, a fé desenvolve-se - como outros aspectos da cognição -
através da interação entre a pessoa que amadurece e o ambiente. Como em
outras teorias de estágios, os estágios de fé de Fowler progridem em uma
seqüência invariável, cada um deles baseado no anterior.
Novas experiências - crises, problemas ou revelações - que desafiam ou
perturbam o equilíbrio de uma pessoa podem ocasionar um salto de um estágio
para o outro. As idades nas quais essas transições ocorrem são variáveis, e
algumas pessoas nunca deixam um determinado estágio.
Os estágios de Fowler correspondem aproximadamente aos descritos por Piaget,
Kohlberg e Erikson e às "eras" de desenvolvimento psicossocial adulto descritas
por Daniel Levinson (ver Capítulo 14). Os primórdios da fé, diz Fowler, ocorrem
em torno dos 18 anos aos 24 meses, depois que as crianças tornam- se
autoconscientes, começam a utilizar a linguagem e o pensamento simbólico e
desenvolvem o que Erikson chamou de confiança básica: a sensação de que
suas necessidades serão atendidas por adultos que representem força.
• Você já teve alguma experiência com uma pessoa de outra cultura que
envolveu diferenças nos princípios morais?

• Primeiro Estágio: Fé intuitivo-projetiva (dos 18 ou 24 meses aos 7 anos).


Enquanto lutam para entender as forças que controlam seu mundo, as crianças
pequenas formam imagens poderosas, imaginativas, muitas vezes, apavorantes
e, às vezes, duradouras de Deus, céu e inferno, extraídas das histórias que os
adultos lêem para cl.is. Fssas imagens são, muitas vezes, irracionais, pois
crianças pré-operacionais tendem a se confundir sobre causa e efeito e podem ter
problemas para distinguir realidade e fantasia.

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Ainda egocêntricas, têm dificuldade para distinguir o ponto de vista de Deus do
seu ou do de seus pais. Elas pensam em Deus principalmente em termos de
obediência e de punição.

• Segundo Estágio: Fé mítico-literal (dos 7 aos 12 anos).


As crianças agora são mais lógicas e começam a desenvolver uma visão mais
coerente do universo.
Ainda incapazes de pensamento abstrato, tendem a interpretar as histórias e os
símbolos religiosos de maneira literal, quando adotam as crenças e as
observâncias de suas famílias e da comunidade.
Agora podem admitir que Deus tenha uma perspectiva além da sua, a qual leva
em conta o esforço e a intenção das pessoas.
Acreditam que Deus é justo e que as pessoas recebem o que merecem.

• Terceiro Estágio: Fé sintético-convencional (adolescência ou período


posterior).
Os adolescentes, agora capazes de pensamento abstrato, começam a formar
ideologias (sistemas de crença) e comprometimentos com ideais.
Ao buscarem uma identidade, procuram um relacionamento mais pessoal com
Deus. Entretanto, sua identidade não tem bases firmes; buscam nos outros
(geralmente nos pares) autoridade moral.
Sua fé é incondicional e conforma-se aos padrões da comunidade. Esse estágio é
típico de seguidores da religião organizada; cerca de 50% dos adultos pode
nunca ultrapassá-lo.

• Quarto Estágio: Fé individuativo-reflexiva (início a meados dos 20 anos ou


depois).
Os adultos que alcançam esse estágio pós-convencional examinam sua fé
criticamente e criam suas próprias crenças, independentemente de autoridades
externas e de normas de grupo.
Uma vez que os jovens adultos estão profundamente preocupados com a
intimidade, o movimento para esse estágio, muitas vezes, é desencadeado pelo
divórcio, pela morte de um amigo ou por algum outro evento estressante.

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• Quinto Estágio: Fé conjuntiva (meia-idade ou período posterior).
Pessoas de meia-idade tornam-se mais conscientes dos limites da razão.
Reconhecem os paradoxos e as contradições da vida e, muitas vezes, lutam com
conflitos entre satisfazer suas próprias necessidades e sacrificar-se pelos outros.
Ao começarem a antever a morte, podem alcançar uma compreensão e uma
aceitação mais profunda, integrando a sua fé a aspectos de suas crenças
anteriores.

• Sexto Estágio: Fé universalizante (idade avançada).


Nesta rara e máxima categoria, Fowler colocou líderes morais e espirituais como
Mahatma Gandhi, Martin Luther King e Madre Teresa, cuja amplitude de visão e
comprometimento com o bem-estar de toda a humanidade inspiram
profundamente outras pessoas.
Imbuídos de um sentido de "participação em um poder que unifica e transforma o
mundo", parecem "mais lúcidas, mais simples e, não obstante, mais plenamente
humanas do que o resto de nós" (Fowler, 1981, p. 201).
Por ameaçarem a ordem estabelecida, costumam transformar-se em mártires, e,
embora amem a vida, não se apegam a ela. Esse estágio corresponde ao sétimo
estágio de desenvolvimento moral de Kohlberg.
Por ser um dos primeiros pesquisadores a estudar sistematicamente como se
desenvolve a fé, Fowler tem tido grande impacto; a leitura de sua obra tem sido
exigida em muitas escolas protestantes. Ela também foi criticada em vários
aspectos (Koenig, 1994).
Os críticos dizem que o conceito de fé de Fowler está em desacordo com
definições convencionais, que envolvem aceitação, e não introspecção.
Questionam a ênfase no conhecimento cognitivo e alegam que ele subestima a
maturidade de uma fé simples, sólida e incondicional (Koening, 1994).
Os críticos também questionam se a fé desenvolve-se em estágios universais -
pelo menos nos que Fowler identificou.
O próprio Fowler advertiu que os estágios avançados não devem ser vistos como
melhores ou mais verdadeiros do que outros, embora ele de fato represente as
pessoas em seu estágio mais elevado como exemplos morais e espirituais.

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A amostra de Fowler não foi randomicamente selecionada; ela consistia de
voluntários pagos que viviam em cidades norte-americanas onde havia grandes
faculdades (ou em cidades próximo).
Por isso, os achados podem ser mais representativos de pessoas com
inteligência e educação acima da média (Koenig, 1994). Os achados tampouco
são representativos de culturas não-ocidentais. Além disso, a amostra inicial
incluía poucas pessoas com mais de 60 anos.
Para remediar esse problema, Richard N. Shulik (1988) entrevistou 40 adultos
mais velhos e constatou uma forte relação entre seus estágios de fé e seus
níveis "kohlbergianos" de desenvolvimento moral.
Contudo, também constatou que pessoas mais velhas em níveis intermediários de
desenvolvimento da fé tinham menos propensão à depressão do que pessoas
idosas em estágios superiores ou inferiores; talvez aqueles com cognição mais
desenvolvida estivessem mais conscientes das mudanças associadas ao
envelhecimento.
Portanto, a teoria de Fowler pode ignorar o valor adaptativo da crença religiosa
convencional para muitos adultos mais velhos (Koenig, 1994; ver Quadro 18-1, no
Capítulo 18).
Algumas dessas críticas se assemelham às feitas contra outros modelos de
desenvolvimento humano. As amostras de Piaget, de Kohlberg e de Erikson
também não foram selecionadas randomicamente. Mais pesquisas são
necessárias para confirmar, para modificar ou para estender a teoria de Fowler,
principalmente em culturas não-ocidentais.
de ir identificado pelo teólogo James lovvler (1981) (ver Quadro 13-2), em que
"experimentamos uma integração com as condições últimas de nossa vida e de
nosso ser" (Kohlberg e Ryncarz, 1990, p. 202).

A importância da religião na adolescência


Uma característica marcante dessa fase é a necessidade do indivíduo de fazer
parte de um grupo.
Adolescência é o nome dado à etapa do desenvolvimento humano que se situa
entre a infância e a fase adulta. Segundo a Organização Mundial da Saúde, essa
fase ocorre entre 10 e 19 anos de idade, e é um período marcado por diversas
transformações corporais, hormonais e comportamentais.
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A puberdade marca o início da adolescência, e é caracterizada por mudanças
hormonais no corpo dos meninos e meninas e consequentes transformações
físicas e biológicas. Durante a puberdade, surgem nos meninos os pelos, inicia-se
o engrossamento da voz, o crescimento e o desenvolvimento muscular e dos
órgãos genitais; nas meninas, as mudanças mais importantes são o começo da
menstruação e o desenvolvimento das mamas e dos órgãos genitais.
Além das mudanças corporais, os hormônios e as transformações da autoimagem
influenciam no comportamento e no humor dos adolescentes. Uma característica
marcante dessa fase é a necessidade do indivíduo de fazer parte de um grupo: as
amizades e a socialização são importantíssimas e muitos dos problemas e
angústias que eles sofrem, decorre dessa necessidade de se sentir parte de um
grupo.
Para fazer parte de um grupo, no entanto, o adolescente passa a escolher um
modelo específico de roupa, a ouvir um estilo musical (por ex.: rock ou pop), e,
para desespero de alguns pais, decide fazer tatuagens. Além disso, não é
incomum que os adolescentes experimentem álcool e drogas ilícitas a fim de
parecerem mais “legais” aos amigos.
Consequentemente, nessa necessidade de socialização, o contato com pais e
familiares, aos poucos, vai sendo substituído por pessoas externas, porém,
apesar desse distanciamento, a família ainda tem papel importante no processo
de formação da personalidade. Por isso, é necessário que um canal de diálogo
esteja sempre aberto entre o adolescente e os pais. Vale ressaltar que valores
familiares ensinados desde a infância influenciarão diretamente na construção da
identidade do rapaz ou da moça e isso irá refletir na sua personalidade futura, nas
suas escolhas e tomadas de decisões.
Dentre os valores familiares, devem-se incluir fundamentos religiosos. Estudos
demonstram que os adolescentes com maior religiosidade apresentam
comportamentos mais saudáveis, além de melhores índices de saúde física e
mental, em comparação com aqueles que não são religiosos.
Em 2006, o Journal of Adolescent Health publicou um artigo avaliando o resultado
de diversas pesquisas que estudaram o tema e os dados encontrados foram
surpreendentes.
No âmbito comportamental, os de maiores vínculos religiosos se expuseram a
menores situações de risco, como, por exemplo, menores índices de consumo de
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álcool e de uso de maconha. No campo da saúde mental, os resultados se
mostraram ainda mais interessantes: a religião, ao fornecer uma compreensão e
significado na vida dos adolescentes, estava diretamente associada a níveis mais
baixos de sintomas depressivos, além de estar conexa com menor risco de
suicídio.
Esse mesmo resultado também se observou quando o adolescente considerava a
si mesmo como religiosos e fazia parte ou obtinha apoio de sua comunidade
religiosa. No âmbito da saúde física, os estudos demonstraram vários aspectos
positivos da religiosidade, nos casos de doenças crônicas que exigem adesão ao
tratamento, como, por exemplo, a asma os adolescentes de fé, atendiam às
recomendações médicas com maior precisão e, com isso, obtinham melhores
controle das doenças.
Nos casos de moléstias graves, como o câncer, a religiosidade se mostrou um
instrumento auxiliar no enfrentamento da doença, sendo que a religião serviu para
“dar sentido” a uma situação difícil ou para fornecer “enfrentamento construtivo” à
doença.
Dessa forma podemos concluir que os pais, devem ter a certeza de que estão
corretos em oferecer aos filhos a educação religiosa. Nunca devem acreditar que
é melhor esperar eles crescerem para aí “decidirem por si” a religião a seguir. Ao
privar a criança da espiritualidade, perde-se a oportunidade única de se plantar
fundamentos e valores que farão muita diferença na qualidade de vida dos filhos.

(Vanderlei de Lima é eremita na Diocese de Amparo; Igor Precinoti é médico, pós-


graduado em Medicina Intensiva (UTI), especialista em Infectologia e doutorando
em Clínica Médica pela USP.

c. Objetivos: geral, específicos.

O objetivo geral:
- Compreender até que ponto a fé interfere na formação da subjetividade do
adolescente.

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Objetivos Específicos:

1- Verificar se a fé na adolescência pode inibir comportamentos autodestrutivos.


2- Verificar a possível relação entre a fé ou a ausência dela com o “sentimento” de
vazio existencial.
3 - Perceber o quanto a fé neste período da vida pode auxiliar o adolescente no
processo de autoconhecimento.
4- Avaliar o impacto na subjetividade do adolescente quando a base religiosa é
imposta pelo âmbito familiar em que ele vive.
5- Analisar o quanto a base religiosa do adolescente interfere nas tomadas de
decisões/escolhas no que se refere à sua entrada na vida adulta.

Métodos
a. sujeito
Dois Adolescentes entre 15 e 18.

b. Instrumentos.
Entrevista

c. procedimentos para coleta de dados.


Questionário a definir.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
PAPALIA, Diane E.; FELDMAN, Ruth Duskin. Desenvolvimento humano. 8. ed.
Porto Alegre: ArtMed, 2006
A importância da religião na adolescência (https://pt.aleteia.org/2017/05/15/a-
importancia-da-religiao-na-adolescencia/)

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