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Ensaio de Estanqueidade

O ensaio de estanqueidade é um ensaio não destrutivo que possibilita a verificação de saída ou


entrada de fluidos (líquidos ou gases) em componentes pressurizados ou em sistemas de vácuo. Vale
destacar que o ensaio mais comumente aplicado é o de verificação de vazamentos em componentes
imersos em líquidos.

Devido a natureza do ensaio, em que a detecção se dá pela localização de “vazamentos”, este ensaio
só detecta descontinuidades passantes, isto é, detecta apenas descontinuidades que atravessam a
abertura de toda a espessura da peça.

Os vazamentos ocorrem basicamente, devido uma diferença de pressão entre a região interna e
externa do componente analisado, o fluido tende a escapar por meio de uma descontinuidade
passante ou uma região de permeabilidade deficiente, para igualar as pressões. Assim, uma
diferença de pressão permite a passagem de fluido tanto de fora para dentro (quando a pressão
externa é maior do que a interna) ou de dentro para fora (pressão interna é maior do que a externa).

Objetivos do ensaio de estanqueidade


• Detecção de trincas passantes (regiões os quais ocorrem a passagem de fluidos, isto é,
vazamentos);
• Determinação da taxa de vazamento em uma região de fuga ou no sistema como um todo;
• Monitoramento do vazamento.

O ensaio de estanqueidade apresenta como a principal vantagem a sua simplicidade, porém a


principal desvantagem é que é um ensaio que só detecta defeitos que percorrem toda a parede da
peça, isto é, descontinuidades passantes.

Um dos parâmetros mais importantes no ensaio é a sensibilidade do ensaio. A sensibilidade do


ensaio consiste na vazão mínima que o equipamento (ou ensaio) consegue detectar. Assim, quanto
mais sensível for o ensaio, menor será a vazão detectada, logo, isso possibilita a detecção de
menores descontinuidades passantes.

Fatores que afetam a sensibilidade do ensaio


• Condições de pressão;
• Temperatura;
• Tipo de escoamento do fluído;
• Fluidos utilizados;
• Propriedades dos fluidos utilizados (viscosidade, tensão superficial, etc.)

Teste hidrostático X ensaio de estanqueidade


O teste hidrostático não é considerado um ensaio não destrutivo (END), logo não pode ser
confundido com o ensaio de estanqueidade, pois o seu principal objetivo é analisar a resistência do
componente sob uma determinada pressão e não a detecção e localização de descontinuidade.
Tipos de escoamento
O conhecimento dos tipos de escoamento ajudam a determinar a gravidade das descontinuidades,
pois o tipo de escoamento é função da diferença de pressão, do tipo de fluido, to tamanho e da
forma da descontinuidade passante. Os principais tipos de escoamento são:

• Permeação: consiste na passagem de fluido através de uma barreira sólida. Esse processo
envolve a difusão de um fluído através de um sólido, podendo envolver também outros
fenômenos como a absorção, dissociação, migração e dessorção;
• Molecular: ocorre quando o percurso médio1 do gás (o caminho livre médio) é maior do
que a maior dimensão da descontinuidade. O fluido que vaza é proporcional a diferença de
pressão, dessa maneira, quanto maior for a pressão, maior será o escoamento molecular. Este
tipo de escoamento é comum em teste de vácuo;
• Transitório: o caminho livre médio do gás é aproximadamente igual à dimensão da secção
transversal da descontinuidade. As condições para o escoamento transitório encontram-se
entre o escoamento laminar e molecular;
• Viscoso: ocorre quando o percurso médio do gás é muito menor do que a dimensão da
secção transversal da descontinuidade. Em um escoamento viscoso, o fluido vazado é
proporcional a diferença dos quadrados das pressões. Esse tipo de escoamento ocorre em
sistema submeto a elevadas pressões (dependendo das pressões exercidas, o escoamento
pode ser laminar ou turbulento – são as duas classes possíveis do escoamento viscoso);
• Sônico: ocorrem em condições específicas de configuração e pressão.

Técnicas para o ensaio


Para a realização do ensaio de estanqueidade é possível utilizar uma série de técnicas. Neste
material será contemplado as seguintes técnicas:

• Técnica dos indicadores;


• Técnica do estetoscópio (método acústico);
• Teste das bolhas;
◦ Imersão;
◦ Solução formadora de bolhas;
• Método do hélio;
◦ Jato de hélio;
◦ Aspiração;
◦ Sistema sob pressão;
◦ Envoltório sob pressão;
• Técnica da acumulação;
• Técnica da acumulação radiológica.

Técnica dos indicadores


Consiste no uso de um indicador externo ácido ou básico que, em um vazamento, reage com um
fluído inserido dentro do componente analisado (vagão, tubo ou vaso pressurizado), indicando um
possível vazamento. O princípio básico deste método é que quando o fluido atravessa a
descontinuidade passante, ele vai reagir com o indicador, que vai então mudar de cor, destacando a
localização da descontinuidade passante.

1 O percurso médio é a distância média que a molécula viaja antes de colidir com outra molécula.
Técnica do estetoscópio (método acústico)
A técnica, basicamente, consiste em detectar uma descontinuidade com base no som emitido pela
vazão do fluído através de uma descontinuidade. Quando um gás pressurizado escoa de forma
turbulenta através de uma descontinuidade passante, o vazamento produzirá sons na frequência
sônica e ultrassônica.

O som do escoamento é amplificado com o auxílio de alguns equipamentos, como o estetoscópio e


microfones.

Vantagens Desvantagem
O ensaio é rápido na detecção de Não é possível determinar com exatidão, tanto a
descontinuidades grosseiras dimensão do vazamento como a sua localização.

O som produzido pelo escoamento do fluído é inversamente proporcional ao peso molecular do


fluido, logo, quanto mais leve for o fluído, maior o som produzido. Por esse motivo, o gás hélio é
mais utilizado.

Representação do escoamento
turbulento na região próxima a
descontinuidade. Se a abertura do
vazamento for larga o suficiente, é
provável que o som produzido possa
ser detectado pelo ouvido humano.

Teste das bolhas


O método consiste na imersão de um componente pressurizado (com qualquer gás) em um líquido.
A diferença de pressão entre o interior do componente (maior pressão) e a pressão externa,
possibilita a vazão do gás, que ao escoar pela descontinuidade forma bolhas que indicarão a
localização da descontinuidade.

O ensaio é simples, já que consiste na imersão de vasos pressurizados em um líquido, porém,


devido a natureza do ensaio, o ensaio é mais viável para pequenos vasos pressurizados, pois grandes
vasos necessitam de tanques com dimensões muito grandes.

Os conjuntos gás/líquido normalmente empregados neste ensaio são:

• Ar/Água (10-2 μlitros/s);


• H/Eter (5x10-6 μlitros/s);
• H/Álcool (5x10-6 μlitros/s);
• Hélio/Metanol (o hélio é uma alternativa ao hidrogênio, devido ao risco de explosão)

Observação
Se o recipiente do ensaio é selado na pressão atmosférica, a diferença de pressão pode ser obtida
de duas formas:

• Bombeamento de um vácuo parcial sobre o líquido;


• Aquecimento do líquido.
Observa-se que o gás e o líquido empregado tem uma influência significativa na sensibilidade do
ensaio, de maneira que alguns pontos a respeito da sensibilidade devem ser destacados:

• Redução da pressão sobre o líquido: aumenta a diferença de pressão entre o interior do


vaso e o líquido, porém essa redução deve ser executada com cuidado, pois uma redução
muito elevada pode favorecer a formação de bolhas no interior do líquido e mascarar o
resultado;
• Tamanho dos átomos do gás: quanto menor for o tamanho dos átomos, maior vai ser a
sensibilidade;
• Densidade;
• Tensão superficial do líquido: quanto menor, maior a sensibilidade;
• Viscosidade do líquido;
• Profundidade de imersão.

No teste da bolha por imersão, algumas observações devem ser destacadas:

• Óleos são comumente mais sensíveis do que a água;


• Se a pressão sobre o líquido for reduzida, deve-se tomar cuidados para não efetuar uma
redução acentuada, pois o líquido pode atingir seu ponto de ebulição e prejudicar o ensaio;
• O componente a ser ensaiado deve ter sua superfície cuidadosamente limpa, aumentando a
molhabilidade da superfície e prevenindo a adsorção de bolhas;
• Se a água for utilizada como líquido de imersão, ela deve ser destilada, deionizada e também
deve ser manuseada com cuidado para minimizar a formação de bolhas que podem mascarar
o resultado;
• Normalmente adiciona-se pequenas quantidades de agentes molhantes na água para reduzir
sua tensão superficial, dessa forma a água pode atingir uma sensibilidade superior à dos
óleos.

Vantagens Desvantagens
• O teste de imersão pode ser realizado em • O ensaio não pode ser empregado em
qualquer componente pressurizado, peças de grandes dimensões, devido à
contanto que o líquido não cause danos; necessidade da sua imersão;
• Método barato; • A peça deve ser submetida a uma
• O operador não necessita de um limpeza adequada para evitar que
treinamento intensivo; sujeiras adsorvam bolhas na superfície,
• O vazamento pode ser localizado com maquiando o resultado do ensaio.
uma certa precisão.

Um ponto importante do teste das bolhas por imersão é que o recomendado é pressurizar primeiro o
recipiente e em seguida colocá-lo no tanque de líquido, isso evita que o líquido por ação da
capilaridade feche a passagem dos gases.

A técnica da bolha também pode utilizar caixas de vácuo, o que permite a realização do ensaio em
regiões inacessíveis, como soldas em ângulos e juntas em T.

Uma variante do teste das bolhas é o teste das bolhas por uso de soluções formadoras de bolhas.
Esse ensaio consiste basicamente na aplicação de soluções formadoras de bolhas, por exemplo, o
sabão, sobre a superfície do componente a ser inspecionado. Em seguida, verifica-se se há formação
de bolhas. Esses ensaios são comumente aplicados sobre vasos pressurizados de grandes dimensões,
nos quais o ensaio por imersão é impossível.
Teste das bolhas por aplicação de soluções formadoras de bolhas
• A sensibilidade menor do que a técnica por imersão;
• A experiência do operador influência o sucesso do ensaio;
• O uso de água ou sabão diminui a sensibilidade do ensaio;
• A aplicação deve ser executada com cuidado para evitar formação de bolhas (nunca
borrifar);
• Método barato;
• Requer baixo treinamento do operador;
• Com esse método é difícil determinar o tamanho da trinca com precisão.

Difusão – Lei de Graham

1
E= mv 2 ⋯E=kT
2

Para gases iguais e temperaturas diferentes

1
mV 21
E1 T 1 2
= →
E2 T 2 1
2
mV 22
T V
T2 V2
T
= 1→ 1= 1
T2 √
Para gases diferentes e com temperaturas iguais

1
2
2 1
2
2 V 21 m 2 V 1
m1 V 1= m 2 V 2 → 2 = → =
V 2 m1 V 2
m2
m1 √
Método do hélio
Este é um método de alto custo, devido a utilização do gás hélio e do espectrômetro de massa que é
usado para a detecção da passagem do hélio. Seu uso se justifica em situações que demandam uma
grande precisão na detecção de descontinuidades passantes, como na indústria nuclear.

O hélio é aplicado nesta técnica devido o seu baixo peso molecular, pois dessa forma, é possível a
passagem do gás através de descontinuidades muito pequenas, aumentando a sensibilidade do
ensaio. O hidrogênio, apesar de possui um tamanho atômico menor, não é utilizado devido à
facilidade com que esse gás possa ocasionar uma explosão.

O método pode ser realizado de 4 formas distintas:

• Técnica do jato de hélio;


• Técnica da aspiração;
• Técnica do sistema sob pressão;
• Técnica do involutório sob pressão.
(a) Técnica do jato de hélio (varredura)
Nesta técnica um jato de hélio é aspergido sobre o componente a ser inspecionado. O componente
está ligado a um espectrômetro de massa e uma bomba de vácuo, de maneira que se houver alguma
descontinuidade passante, o hélio aspergido penetra no componente e é detectado pelo
espectrômetro.

(b) Técnica da aspiração (monitoramento)


Nesta técnica, uma sonda ligada a um espectrômetro de massa e a uma bomba de vácuo, inspeciona
a superfície de um componente pressurizado com hélio. Se houver algum vazamento no
componente, a sonda capturará esse gás e detectar por meio do espectrômetro de massa. O
inconveniente dessa técnica é que o espectrômetro deve ser calibrado para evitar que o hélio contido
na atmosfera seja detectado.
(c) Técnica do sistema sob pressão
O componente (sistema) a ser inspecionado é envelopado, o envelope é conectado a um
espectrômetro e uma bomba de vácuo. O sistema (ou componente) é então pressurizado com gás
hélio, dessa forma se houver alguma descontinuidade passante sobre o sistema haverá um
vazamento de hélio para dentro do envelope e o espectrômetro detectará esse vazamento.

(d) Técnica do envoltório sob pressão.


Nesta técnica, envelopa-se o componente, porém o envelope é pressurizado e o componente que é
ligado ao espectrômetro e a uma bomba de vácuo. Se gás hélio entrar no componente, o
espectrômetro vai detectar esse vazamento.

Técnica da acumulação
A técnica consiste na colocação do componente a ser inspecionado dentro de cabines pressurizadas
com hélio sob alta pressão. Após um certo tempo, o componente é retirado da cabine e colocado
dentro de uma outra cabine e submetido ao vácuo, essa segunda cabine é também interligada a um
espectrômetro, de maneira que se algum gás hélio for detectado, constata-se de que o componente
apresenta uma descontinuidade passante. Essa técnica é comumente empregada na indústria nuclear.

Técnica da contaminação radiológica


É uma técnica comumente utilizada para a inspeção de extensas tubulações. A técnica consiste no
bombeamento do fluido em conjunto com isótopos radioativos dentro das tubulações. Se houver
vazamentos, esses isótopos podem ser detectados em terra.