Você está na página 1de 3

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS CURSO DE GESTÃO PÚBLICA DISCIPLINA DE METODOLOGIA PROF. ERNESTO FRIEDRICH DE LIMA AMARAL 15 OUT. 2010

MEHREZ PALUMBO KHALIFA

ANÁLISE DE ÍNDICES SOCIAIS NO BRASIL

Nesse texto iremos analisar criticamente alguns índices sociais no Brasil. Mais especificamente iremos discorrer sobre dados estimados que nos foram apresentados em duas figuras. A primeira figura mostra a evolução, no período de 1997 a 2007, da desigualdade per capta no Brasil. Para tanto, essa figura se vale do Coeficiente de Gini. Já a segunda figura traz dados referentes à evolução, no período de 2001 a 2007, da extrema pobreza no Brasil. Ambos os dados foram produzidos levando em conta estimativas produzidas com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) nos respectivos períodos de tempo. Um indicador social “é a medida em geral quantitativa dotada de significado social substantivo, usado para substituir, quantificar ou operacionalizar um conceito social abstrato, de interesse teórico (para pesquisa acadêmica) ou programático (para formulação de políticas públicas)” (Jannuzzi, 2006: 15) . O indicador utilizado na primeira figura é o Coeficiente de Gini. Esse indicador é uma medida de desigualdade que consiste em um número entre 0 e 1. Nesse coeficiente 0 corresponde à completa igualdade de renda (onde todos têm a mesma renda) e 1 corresponde à completa desigualdade (onde uma pessoa tem toda a renda, e as demais não tem renda). A segunda figura faz referência ao percentual da população brasileira que é extremamente pobre. O Banco Mundial define a pobreza extrema como viver com menos de 1 dólar por dia. A PNAD é uma pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) que visa investigar diversas características socioeconômicas da sociedade. A partir de 1970 essa pesquisa é realizada anualmente sobre uma amostra de aproximadamente 140 mil domicílios.

Ao analisarmos a primeira figura observamos claramente uma tendência acentuada de decrescimento do coeficiente de Gini no período de 1977 a 1981. Isso indica uma diminuição da desigualdade na distribuição da renda nesse período. Em 1989 o que cresce aos olhos é um pico extremamente alto na curva do indicador, ultrapassando inclusive o patamar inicial de 1977. Esse fato negativo pode guardar alguma relação com o momento político tumultuado em decorrência da

transição do regime ditatorial para o regime democrático o que, inevitavelmente, afetou negativamente os indicadores sociais. A partir de 2001 observamos uma queda franca do índice talvez explicado pelo o bom momento econômico e a estabilidade política observada no Brasil durante esses anos e também pelas explícitas políticas assistencialistas e de distribuição de renda adotadas pelo governo federal.

A segunda figura mostra dados da última década (2001 a 2007) e é fácil observar no quadro geral que, nesse período, observou-se a redução da pobreza extrema. Em 2003 observamos um retorno ao patamar inicial de 2001 talvez explicado pela situação econômica no começo do ano. Nesse ano o presidente eleito assumiu o cargo numa situação evidentemente crítica: os credores externos não se dispunham a renovar os empréstimos que venciam, as reservas de dólares do Banco Central caíam para níveis alarmantes, a cotação do dólar se mantinha pressionada e a inflação em alta (GREMAUD et al., 2009). Essa situação foi contornada e o índice de pobreza retomou a tendencia de decrescimento. Essa tendência pode estar relacionada com o momento econômico favorável e as politicas assistencialistas, como foi dito no parágrafo anterior.

Ambas as figuras indicam uma melhoria sensível nos indicadores sociais do Brasil. É animador observar que, na segunda figura, que o país conseguiu alcançar já em 2006 um patamar , estabelecido pelas Nações Unidas, para 2015. Sendo assim o Brasil mostra que está conseguindo reduzir a pobreza e a disparidade na distribuição da renda. Além disso, os indicadores sociais cumprem seu papel teórico e pragmático pois nos mostram essas tendências e ajudam a definir e apoiar o modelo de políticas públicas adotados no país.

REFERÊNCIAS:

GREMAUD. A. P; VASCONCELLOS, M.A.S; TONETO, R. J. Economia Brasileira Contemporânea. 7º edição. São Paulo: Atlas, 2009. JANNUZZI, Paulo de Martino. 2006. “Indicadores sociais no Brasil: conceitos, fontes de dados e aplicações.” 3a ed. Campinas: Editora Alínea PNAD pelo IBGE: http://www.ibge.gov.br/ibgeteen/duvidas/pnad.html .