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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO OESTE DO PARANÁ - UNIOESTE

CENTRO DE ENGENHARIAS E CIÊNCIAS EXATAS - CECE


DEPARTAMENTO DE BACHARELADO/LICENCIATURA EM QUÍMICA

DISCIPLINA DE FÍSICA I
Prof. Pós-Drª Graciele Berndt

TURMA: 1° ano de Química Bacharelado


DATA: 03/09/2019

PESQUISA: Movimento retilíneo e movimento em duas ou três dimensões.

ALUNO : Ana Cristina Telles MAT. : 136746


ALUNO : Tainara da Silva. MAT. : 118377
ALUNO : Victor Gabriel Balmant de Souza. MAT. : 94684
1.0 Objetivos:
Descrever o movimento retilíneo em termos de velocidade média, velocidade
instantânea, aceleração média e aceleração instantânea.
Como interpretar gráficos de posição versus tempo, velocidade versus tempo e
aceleração versus tempo para movimento retilíneo.
Como analisar o movimento retilíneo em casa de aceleração não constante.
Como apresentar a posição de um corpo em duas ou três dimensões, usando vetores.
Como interpretar os componentes da aceleração de um corpo paralelo e ortogonal à
sua trajetória.
Como relacionar o vetor velocidade de um corpo em movimento do ponto de vista de
dois referenciais distintos.

2.0 Introdução:
O movimento retilíneo é o estudo da cinética, parte da mecânica que trata o
movimento. Estuda a relação entre movimento, massa e força. Para descrever esse
movimento, introduz duas grandezas físicas: a velocidade e a aceleração. Essas grandezas
possuem módulo, direção e sentido.
Não se pode responder certas questões do movimento bi ou tri-dimensional com as
mesma técnicas do movimento retilíneo, onde considera-se partículas se movendo somente
em linha reta. Continua-se a usar as grandezas vetoriais de deslocamento, velocidade e
aceleração, porém não considera-se movimentos ao longo de uma linha reta. Muitos
movimentos importantes ocorrem somente em duas dimensões, ou seja, estão contidos em um
plano​. Para esses movimentos necessitamos de duas coordenadas e dois componentes para a
velocidade e para a aceleração.

3.0 Teoria e demonstração matemática:

3.1 Movimento retilíneo:

3.1.1 Deslocamento, tempo e velocidade média:


Suponha-se que em um corrida de carros uma competidora dirija seu carro em um
trecho retilíneo (Figura 3.1). Precisa-se de um sistema de coordenadas. Escolhe-se o eixo Ox
como origem a situada no início da linha reta. O carro todo é considerado e representado
como uma partícula.
A posição da partícula, é dada pela coordenada x, que varia com o tempo à medida
que o carro se move. A descrição do movimento consiste em dizer que x varia em um
intervalo de tempo. Define-se a velocidade média do carro nesse intervalo de tempo como
uma grandeza vetorial cujo componente x é a variação de x dividida pelo intervalo de tempo.
Em geral, a velocidade média depende do intervalo de tempo. Por exemplo, para um
intervalo de tempo de 3,0 segundos antes do início da corrida, a velocidade média seria zero,
porque o carro estaria em repouso na linha de partida e seu deslocamento seria nulo.
O deslocamento do carro no intervalo de tempo t1 e t2 é o vetor que liga o ponto P1 ao
ponto P2. O componente x do deslocamento do carro, designado de ⍙x, é simplesmente a
variação da coordenada x:

⍙x = x2 - x1 (3.1)

O carro se move somente pelo eixo Ox, logo os componentes y e z do deslocamento


são iguais a zero.
Velocidade média é o componente x do deslocamento, ⍙x, dividido pelo intervalo de
tempo ⍙t durante o qual o deslocamento ocorre. Representa-se essa grandeza pelo símbolo
Vmx (em que o ‘m’ subscrito significa valor médio e o ‘x’ subscrito indica que esse é
componente x):

Vmx = ​x2 - x1​ = ​⍙x​ (3.2)


t2 - t1 ⍙t

Figura 3.1​ Posição de um carro de corrida em dois instantes de sua trajetória.

Para o exemplo anterior, para o carro x1= 19 m, x2= 277 m, t1= 1,0 s e t2= 4,0 s. a
Equação (3.1) fornece

Vmx = ​277 m - 19 m​ = ​258 m​ = 86 m/s


4,0 s - 1,0 s 3,0 s

A velocidade média do carro de corrida é positiva. Isso significa que durante o


intervalo de tempo a coordenada x cresce e o carro se move no sentido positivo do eixo Ox
(da esquerda para a direita na Figura 3.1).
Quando o x é positivo e crescente ou negativo e se tornar menos negativo, a partícula
se move no sentido do eixo +Ox e Vmx é positiva (Figura 3.1). Quando o x é positivo e
decrescente ou negativo e se tornar mais negativo, a partícula se move no sentido do eixo -Ox
e Vmx é negativa (Figura 3.2)
Figura 3.2 Posições de uma caminhonete em dois instantes durante seu movimento. Os
pontos P1 e P2 refere-se agora ao deslocamento da caminhonete, de modo que eles são
diferentes dos pontos da Figura 3.1.

A Figura 3.3 mostra um gráfico da posição do carro de corrida em função do tempo,


ou seja, é um ​gráfico xt​. O gráfico mostra as variações da posição do carro com o tempo. A
linha reta P1P2 é a hipotenusa de um triângulo retângulo. A velocidade média do carro
Vmx = ⍙x/⍙t é a inclinação da reta P1P2, ou seja, a razão entre o lado vertical ⍙x do triângulo
retângulo e o lado horizontal ⍙t.
Quando as distâncias são medidas em metros e os tempos em segundos, a velocidade
média é dada em metros por segundo (m/s). Outras unidades de velocidade são quilômetros
por hora (Km/h), pés por segundo (pés/s), milhas por hora (mi/h) e nós (1 nó = 1 milha
náutica/h = 6080 pés/h).

Figura 3.3​ Posição de um carro de corrida em função do tempo.


3.1.2 Velocidade instantânea:
Às vezes, a velocidade média é tudo que precisamos para conhecer o movimento de
uma partícula.
Mas a velocidade média de uma partícula durante um intervalo de tempo não pode nos
informar nem o módulo, nem o sentido do movimento em cada instante do intervalo de
tempo. Para isso, é necessário denir a velocidade em um instante ou em um ponto especíco
ao longo da trajetória. Tal velocidade denomina-se velocidade instantânea e precisa ser
denida cuidadosamente.

Atenção: em física, um instante não possui nenhuma duração; ele se refere a um único valor
denido para o tempo.

A velocidade instantânea é o limite da velocidade média quando o intervalo de tempo


tende a zero; ela é igual à taxa de variação da posição com o tempo. Usaremos o símbolo vx,
sem nenhum ‘m’ subscrito, para designar a velocidade instantânea ao longo do eixo Ox:

Vx= lim ​ Δx​ = ​dx


Δt-> 0 Δt dt (3.3)
(velocidade instantânea, movimento retilíneo).

A velocidade instantânea, assim como a velocidade média, é uma grandeza vetorial. A


Equação (3.3) dene seu componente x. No movimento retilíneo, todos os demais
componentes da velocidade instantânea são nulos e, neste caso, costumamos dizer que v é
simplesmente a velocidade instantânea.

3.1.3 Aceleração instantânea e aceleração média:


Assim como a velocidade indica uma taxa de variação da posição com o tempo, a
aceleração descreve uma taxa de variação da velocidade com o tempo. Como a velocidade, a
aceleração também é uma grandeza vetorial. No movimento retilíneo, seu único componente
diferente de zero está sobre o eixo ao longo do qual o movimento ocorre. Como veremos, a
aceleração em um movimento retilíneo pode referir-se tanto ao aumento quanto à redução da
velocidade.

Aceleração média:
Definimos a aceleração média amx da partícula que se move de P1 a P2 como uma
grandeza vetorial cujo componente x é dado pela razão entre Δvx, a variação do componente
x da velocidade e o intervalo de tempo Δt.

amx = ​V2x - V1x​ = ​Δvx​ (3.4)


t2 - t1 Δt
(aceleração média, movimento retilíneo).
Quando a velocidade é expressa em metros por segundo e o tempo em segundos, a
aceleração média é expressa em metros por segundo por segundo, ou (m/s)/s. Normalmente
escrevemos isso como m/s2 e lemos ‘metro por segundo ao quadrado’.

Aceleração instantânea:
Podemos agora denir a aceleração instantânea seguindo o mesmo procedimento
adotado quando denimos velocidade instantânea. A aceleração instantânea é o limite da
aceleração média quando o intervalo de tempo tende a zero. Na linguagem do cálculo
diferencial, a aceleração instantânea é igual à taxa de variação da velocidade com o tempo.
Logo:

ax = lim ​Δvx​ = ​dvx


Δt->0 Δt dt (3.5)
(aceleração instantânea, movimento retilíneo).

Note que ax na Equação (3.5) é de fato o componente x do vetor aceleração


instantânea; no movimento retilíneo, todos os demais componentes deste vetor são iguais a
zero. A partir de agora, quando usarmos o termo ‘aceleração’ estaremos designando a
aceleração instantânea, não a aceleração média.

3.1.4 Movimento com aceleração constante:


O movimento acelerado mais simples é o movimento retilíneo com aceleração
constante. Neste caso, a velocidade varia com a mesma taxa durante o movimento. É um caso
especial, embora ocorra freqüentemente na natureza. Um corpo em queda livre possui uma
aceleração constante quando os efeitos da resistência do ar são desprezados. O mesmo ocorre
quando um corpo escorrega ao longo de um plano inclinado ou ao longo de uma superfície
horizontal com atrito. Um movimento retilíneo com aceleração quase constante também
ocorre em situações articiais ou tecnológicas, como no caso do movimento de um caça a jato
sendo lançado pela catapulta de um porta-aviões.
Figura 2.15 ​Diagrama do movimento para uma partícula que se move em linha reta na
direção positiva de x com aceleração constante positiva a.

A Figura 2.15 é um diagrama do movimento que mostra a posição, a velocidade e a


aceleração para uma partícula que se move com aceleração constante. Nas guras 2.16 e 2.17
mostramos esse mesmo diagrama por meio de grácos. Como a aceleração a é constante, o
gráco at (gráco da aceleração versus o tempo) indicado na Figura 2.16 é uma linha
horizontal. O gráco da velocidade versus o tempo possui uma inclinação constante, e,
portanto, o gráco vt é uma linha reta (Figura 2.16). O gráco da velocidade versus tempo, ou
vxt, tem inclinação constante porque a aceleração é constante, então seu gráco é uma linha
reta (Figura 2.17).

Figura 2.16 Gráfico da aceleração versus tempo (at) para uma partícula que se move em linha
reta com aceleração constante positiva Ox.
Figura 2.17 Gráfico da velocidade versus o tempo (Vxt) para uma partícula que se move em
linha reta com aceleração constante positiva Ox. A velocidade inicial V0 também é positiva
neste caso.

Para de deduzir uma expressão para a posição x da partícula que se move com
aceleração constante, usaremos duas diferentes expressões para a velocidade média ​vmx da
partícula desde t = 0 até um instante posterior t. A primeira expressão resulta da denição de
vmx, Equação (2.2), que permanece válida tanto no caso de aceleração constante quanto no
caso de aceleração variável. Denominamos a posição no instante t = 0 de posição inicial e a
representamos por x0. Designamos simplesmente por x a posição em um instante posterior t.
Para o intervalo de tempo Δt = t - 0 e para o deslocamento correspondente Δx = x - x0, a
Equação (2.2) fornece

vmx = x - x0/ t (2.9)

Um gráco da Equação (2.12), que é um gráco xt para movimento com aceleração


constante (Figura 2.18a), é sempre uma parábola. A Figura 2.18b mostra esse gráco. A curva
intercepta o eixo vertical (eixo Ox) em x0, na posição t = 0. A inclinação da tangente em t = 0
é igual a v0x, a velocidade inicial, e a inclinação da tangente para qualquer tempo t é igual à
velocidade vx em qualquer tempo. A inclinação e a velocidade são continuamente crescentes,
de modo que a aceleração ax é positiva; também se pode vericar isso porque o gráco na
Figura 2.18b é côncavo para cima (encurvado para cima). Se ax é negativo, o gráco xt é uma
parábola que é côncava para baixo (encurvada para baixo).

(a) Um carro de corrida se desloca na direção de x com uma aceleração constante.


(b) O gráfico xt
Figura 2.18 a) Movimento em linha reta com aceleração constante. b) Gráfico de posição
versus tempo (xt) para esse movimento (o mesmo que o mostrado nas figuras 2.15, 2.16 e
2.17). Para esse movimento, a posição inicial x0, a velocidade inicial v0x e a aceleração ax
são todas positivas.

Quando a aceleração é zero, o gráco xt é uma linha reta; quando a aceleração é


constante, o termo adicional 1/2 axt² na Equação (2.12) para x em função de t encurva o
gráco para formar uma parábola (Figura 2.19a). Podemos analisar o gráco vxt da mesma
forma. Quando a aceleração é zero, esse gráco é uma linha horizontal (a velocidade é
constante); acrescentando-se uma aceleração constante, temos uma inclinação para o gráco
vxt (Figura 2.19b).

Figura 2.19 como uma aceleração constante afeta a) o gráfico xt e b) o gráfico vxt de um
corpo.

3.1.5 Queda livre dos corpos:


O exemplo mais familiar de um movimento com aceleração (aproximadamente)
constante é a queda livre de um corpo atraído pela força gravitacional da Terra. Despertou a
atenção de filósofos e cientistas desde tempos remotos. No século IV a.C , Aristóteles pensou
(erroneamente) que objetos mais pesados caíam mais rapidamente do que objetos leves, com
velocidades proporcionais aos respectivos pesos. Dezenove séculos mais tarde, Galileu
afirmou que um corpo deveria cair com aceleração constante independente do seu peso.
Quando os efeitos do ar podem ser desprezados, Galileu está correto. Quando a
distância da queda livre é pequena em comparação com o raio da Terra, e ignoramos os
pequenos efeitos exercidos pela rotação da Terra, a aceleração é constante. O movimento
ideal resultante de todos esses pressupostos denomina-se queda livre, embora ele inclua
também a ascensão de um corpo.
A aceleração constante de um corpo em queda livre denomina-se aceleração da gravidade, e
seu módulo é designado por g. O valor de g na superfície terrestre ou aproximado a ela:

g = 9,8 m/s​2

O valor exato varia de um local para outro, de modo que normalmente fornecemos o
valor de g na superfície terrestre com somente dois algarismos com somente dois algarismos
significativos. Como g é o módulo de suma grandeza vetorial, ele é sempre um número
positivo.

3.2 Movimento em duas ou três dimensões:

3.2.1 Vetor posição e vetor velocidade:


O vetor posição r é um vetor que vai da origem do sistema de coordenadas a um ponto
P do espaço, cujas coordenadas cartesianas são x, y e z.
As coordenadas do ponto P são os componentes x, y e z do vetor r, e usando os vetores
unitários, podemos escrever:

r = xî + yĵ + zk (vetor posição)

Durante um intervalo de tempo Δt, a partícula se move de um ponto P1, onde o vetor
posição é r1 até um ponto P2, onde o vetor posição é r2. A variação da posição durante esse
intervalo de tempo é:

Δr = r2 – r1 = (x2 – x1)î + (y2 – y1)ĵ + (z2 – z1)k.

O vetor velocidade média vm durante um intervalo de tempo é o deslocamento Δr


dividido por Δt.

vm = r​ 2 – r1​ = ​Δr (vetor velocidade média)


t2 – t1 Δt

O vetor velocidade instantânea v é a derivada do tempo de r.

v = lim ​Δr (vetor velocidade instantânea)


Δt→ 0 Δt
A velocidade escalar instantânea é o módulo de v. A velocidade v de uma partícula é
sempre tangente à trajetória da partícula.
Podemos calcular o vetor velocidade instantânea usando os componentes, os quais
deduzimos ser as derivadas das coordenadas x, y e z em relação ao tempo:

vx = ​dx vy = ​dy vz = ​dz​ (componentes da velocidade instantânea)


dt dt dt

Para confirmar a suposição acima, derivamos a equação do vetor posição e


encontramos a seguinte Equação:

v = ​dr​ = ​dx​ î + ​dy​ ĵ + ​dz​ k


dt dt dt dt

O módulo do vetor velocidade instantânea é dado em termos dos componentes vx, vy


e vz pelo teorema de Pitágoras:

|v| = v = √vx2 + vy2 + vz2

3.2.2 Vetor aceleração:


O vetor aceleração média am durante um intervalo de tempo é a variação da
velocidade Δv dividido por Δt.

am = ​v2 – v1​ = Δ
​ v (vetor aceleração média) (3.8)
t2 – t1 Δt

O vetor aceleração instantânea a é a derivada de tempo de v.

a = lim ​Δv​ = ​dv (vetor aceleração instantânea)


Δt→ 0 Δt dt

Seus componentes são as derivadas de tempo de vx, vy e vz.

ax = ​dvx ay = ​dvy az = ​dvz​ (componentes da aceleração instantânea)


dt dt dt

Em termos dos vetores unitários:

a = ​dv​ = ​dvx​ î + ​dvy​ ĵ + ​dvz​ k


dt dt dt dt

Os componentes perpendiculares e paralelos da aceleração:


O vetor aceleração a para uma partícula pode descrever variações na velocidade
escalar dessa partícula, a direção do seu movimento ou ambos. O componente de aceleração
paralelo à direção da velocidade instantânea afeta a velocidade, enquanto o componente de a
perpendicular a v afeta a direção do movimento.

3.2.3 Movimento de um projétil:


Um projétil é qualquer corpo lançado com uma velocidade inicial e que segue uma
trajetória determinada exclusivamente pela aceleração da gravidade e pela resistência do ar.
Representa-se o projétil como uma partícula com aceleração (devida a gravidade) constante
em módulo, direção e sentido. Despreza-se os efeitos da resistência do ar e a curvatura e
rotação da Terra.
O movimento de um projétil está sempre confinado em um plano vertical determinado
pela vertical determinado pela direção da velocidade inicial (Figura 3.15). Isso ocorre porque
a aceleração da gravidade é sempre vertical. Logo, o movimento de um projétil ocorre em
duas dimensões. Será considerado o plano de coordenadas xy.
A chave para analisar o movimento de um projétil é tratada com as coordenadas x e y
separadamente. O componente x da aceleração é igual a zero, e o componente Y é constante
igual a - g. Dessa forma, podemos considerar o movimento de um projeto como a combinação
de um movimento horizontal com velocidade constante e um movimento vertical com
aceleração constante. A Figura 3.16 mostra dois projéteis com diferentes movimentos no eixo
Ox, mas idênticos movimentos no eixo Oy.

Figura 3.16 A bola da esquerda é largada verticalmente sem velocidade inicial.


Simultaneamente, a bola da direita é lançada horizontalmente do mesmo ponto; imagens
sucessivas desta fotografia estroboscópica são registradas em intervalos de tempo iguais. Para
cada intervalo de tempo, as duas bolas possuem os mesmos componentes y da posição, da
velocidade e da aceleração, embora os componentes x da posição e da velocidade sejam
diferentes.

Assim podemos expressar todas as relações vetoriais para a posição, velocidade e


aceleração usando as equações separados para os componentes horizontais e perpendiculares.
Movimento efeito do projeto é a superposição desses movimentos separados. Os componentes
do vetor a são:

ax = 0 ay = -g (3.14)

uma vez que os componentes x e y da aceleração são constantes podemos usar as equações
2,8; 2,12; 2,13 e 2,14 diretamente.
A figura 3.17 mostra a trajetória de um projétil que começa na origem em dado instante t = 0.
Pode-se também representar a velocidade inicial do vetor v0 por seu módulo v0 (a velocidade
escalar inicial) e seu ângulo α0 com o sentido positivo do eixo Ox. Em termos dessas
grandezas, os componentes Vax e Vay da velocidade inicial são:

V0x = V0 .cos α0 V0y = V0 . sen α0 (3.19)

Usando estes resultados nas relações indicadas pela Equação 3.15 até a equação 3.18 e
fazendo x0 = y0 = 0 obtemos:

x = (v0 cos α0) t (3.20) (movimento de um projétil)

y = (v0 sen α0)t - (1/2)gt² (3.21) ​(movimento de um projétil)

vx = v0 cos α0 (3.22) (movimento de um projétil)

vy = v0 sen α0 - gt (3.23) (movimento de um projétil)

Essas equações descrevem a posição e a velocidade de um projeto na figura 3.17 em qualquer


instante t. Dessas equações pode-se extrair muitas informações. A distância r entre o projeto e
a origem (o módulo do vetor posição r) é dada por:

r = √x²+y² (3.24)

A velocidade escalar do projétil (o módulo de sua velocidade) em qualquer instante é dado


por:

v = ​√​vx²+vy² (3.25)
A direção e o sentido da velocidade de em termos do ângulo a que ela faz com o sentido
positivo do eixo Ox (figura 3.17) são dados por:

tgα = vy/vx (3.26)

O vetor velocidade v em cada ponto é tangente a trajetória no referido ponto.

3.2.4 Movimento circular:


Movimento circular uniforme
É quando uma partícula se move ao longo de um círculo de raio R com velocidade escalar v
constante. Ela possui aceleração dirigida a para o centro do círculo e perpendicular ao vetor v.
O módulo arad da aceleração pode ser expressa em termos de v e R:

arad = ​v2 (movimento circular uniforme)


R

Podemos dizer que, no movimento circular uniforme, o módulo da aceleração


instantânea é igual ao quadrado da velocidade escalar v dividido pelo raio R do círculo. Sua
direção é perpendicular a v e aponta para dentro do círculo ao longo do raio. Como a
aceleração é sempre orientada para dentro do círculo, ela também é chamada de aceleração
centrípeta.
Também podemos expressar o módulo da aceleração em um movimento circular
uniforme em termos de R e o período T do movimento, o tempo que a partícula leva para
fazer uma revolução, de modo que sua velocidade escalar é:

v = ​2πR
T

Movimento circular não uniforme:


Quando a velocidade escalar não é constante, ainda existirá um componente radial de
a dado pela equação do movimento circular uniforme, mas existirá também um componente
paralelo (tangencial) à trajetória. Esse componente é igual à taxa de variação da velocidade
escalar:
arad = ​v2​ e atg = ​d|v| (movimento circular não uniforme)
R dt

3.2.5 Velocidade relativa:

Velocidade relativa em uma dimensão:


Quando um corpo P se move em relação a outro corpo (ou sistema de referência) B, e
B se move em relação à A, designamos a velocidade de P relativa a B por vP/B, a velocidade
de P relativa à A por vP/A e a velocidade de B relativa a A por vB/A. Quando essas
velocidades estão ao longo da mesma linha, seus componentes ao longo dessa linha estão
relacionados pela seguinte equação:

vP​ = ​vP​ + ​vB (velocidade relativa ao longo de uma linha reta)


Ax Bx Ax

Velocidade relativa em duas ou três dimensões:


Podemos estender o conceito de velocidade relativa para incluir movimento em um
plano ou no espaço mediante o uso da regra da soma vetorial para as velocidades.
A seguinte equação relaciona a velocidade de um corpo P em relação ao sistema de
referência A e sua velocidade em relação ao sistema de referência B (vP/A e vP/B
respectivamente) com a velocidade do sistema de referência B em relação ao sistema de
referência A (vB/A).

​ P​ + v​ B
vP​ = v (velocidade relativa no espaço)
A B A

4.0 Análise da pesquisa:

1 – Um veículo trafega com aceleração constante de 10m/s². Qual a velocidade do veículo


após 8 segundos, sabendo que a velocidade inicial do veículo era de 4m/s?

R:
v = v0 + at
v = 4 + 10.8
v = 84 m/s

2 – Calcule a velocidade que um veículo passa pelo radar, sabendo que quando avistou o radar
e pisou no freio a velocidade do veículo era de 35m/s e que o veículo sofreu desaceleração de
2m/s². Após acionar os freios, o veículo gastou 6 segundos para passar pelo radar.

R:
v = v0 + at
v = 35 - 2.6
v = 35 - 12
v = 23 m/s

3 - Uma partícula parte do repouso e em 5 segundos percorre 100 metros. Considerando o


movimento retilíneo e uniformemente variado, podemos afirmar que a aceleração da partícula
é de:

R:
Δs = v0.t + 0,5. a . t2
100 = 0. 5 + 0,5 . a . 52
100 = 12,5 a
a = ​100
12,5
a = 8m/s²

4 - Um ponto material parte do repouso em movimento uniformemente variado e, após


percorrer 12 m, está animado de uma velocidade escalar de 6,0 m/s. A aceleração escalar do
ponto material, em m/s, vale:

R:
v2 = v02 + 2.a.Δs
62 = 02 + 2.a.12
36 = 24a
a = 36
24
a = 1,5 m/s2

5 - Um elefante está na origem do sistema de coordenadas em t1 = 0. Para o intervalo de


tempo entre t1 = 0 e t2 = 12,0 s, sua velocidade média possui componente x = –2,7 m/s e
componente y = 3,8 m/s. Para t2 = 12,0 s, quais são as coordenadas x e y do elefante e qual é
a distância entre a origem e o elefante?

R: achar as coordenadas
vx = x/t vy = y/t
-2,7 m/s = x/12 s 3,8 m/s = y/12 s
(-2,7)x12 = x 3,8x12 = y
x = -32,4 m y = 45,6 m
achar a distância
r = √x2 + y2
r = √(-32,4)2 + (45,6)2
r = 55,9 m

6 - Partindo do repouso um corpo descreve uma circunferência de 12 m de raio com


aceleração escalar de 4 m/s2. Sabendo que esta aceleração ficou constante durante o intervalo
de tempo estudado determine:

R: |at| = a |ac| = v2/R

a) o valor da velocidade do corpo após 1,5 s de movimento;


R:
v = v0 + at
v = 0 + 4x1,5
v = 6 m/s

b) o módulo do vetor aceleração da partícula para t = 1,5 s.

R:
para t = 1,5 s a v= 6m/s, então
ac = v2/R a2 = at2 + ac2
ac = 62/12 a2 = 42 + 32
ac = 36/12 a2 = 16 + 9
ac = 3 m/s2 a = √25 = 5 m/s2

7 - Em um brinquedo de um parque de diversões, os passageiros viajam com velocidade


constante em um círculo de raio 5,0 m. Eles fazem uma volta completa no círculo em 4,0 s.
Qual é a aceleração deles?

R:
R: v = 2πR/T ac = v2/R
v = 2π(5,0 m)/4,0 s ac = (7,9 m/s)2/5,0 m
v = 7,9 m/s ac = 12 m/s2

8 - Em um trecho retilíneo de uma estrada, um automóvel se desloca a 80 km/h e um


caminhão a 60 km/h, ambos no mesmo sentido. Em certo instante o automóvel encontra-se 60
km atrás do caminhão. Qual o intervalo de tempo, em horas, necessário para que o automóvel
alcance o caminhão?

R:
vR = ΔS/Δt
(80 – 60)km/h = 60 km/Δt
20 km/h = 60 km/Δt
Δt = 60 km/20 km/h
Δt = 3h

9 - Um garoto caminha a uma taxa constante de 100 passos por minuto. Sabendo que o seu
passo médio tem aproximadamente 50 cm, determine o tempo gasto e o número de passos
dados para que ele percorra uma distância de 3 km.

R:
Da equação de velocidade média, temos que:
VM = Δs/Δt → 4 = 1000/Δt → Δt = 1000/4 → Δt = 250 h
Como as respostas estão em dias, basta dividir 250 h por 24 h, logo:

Δt = 250/24 = 10,4. Aproximadamente 10 dias.

10 - Um carro percorreu a metade de uma estrada viajando a 30km/h e a outra metade da


estrada a 60km/h. Sua velocidade média no percurso total foi, em km/h, de:

R:
Supondo que a distância total do percurso seja de 2d e sabendo que, a partir da
equação de velocidade média, podemos escrever o tempo como fruto da razão entre o espaço
e a velocidade, temos:
Tempo gasto na primeira metade: T1 = d/30
Tempo gasto na segunda metade: T2 = d/60
Tempo total gasto : TOTAL = T1 + T2

A soma T1 + T2 = d + d = 3d = d
30 60 60 20

A velocidade média será: VM = 2d = 2d = 2d . 20 = 40 Km/h


TOTAL d d
20

11 - Um corpo em queda livre sujeita-se à aceleração gravitacional g = 10 m/s2. Ele passa por
um ponto A com velocidade 10 m/s e por um ponto B com velocidade de 50 m/s. A distância
entre os pontos A e B é:

R:
Dados:
g = 10 m/s2
v0 = 10 m/s
v = 50 m/s

Pela equação de Torricelli, temos:

v2 = v02 + 2.g.Δs
502 = 102 + 2.10.Δs
2500 = 100 + 20Δs
Δs = ​2500 – 100
20
Δs = ​2400
20
Δs = 120 m

12 - Em um jogo de futebol, o goleiro, para aproveitar um contra-ataque, arremessa a bola no


sentido do campo adversário. Ela percorre, então, uma trajetória parabólica, conforme
representado na figura, em 4 segundos.

Desprezando a resistência do ar e com base nas informações apresentadas, podemos


concluir que os módulos da velocidade V, de lançamento, e da velocidade VH, na altura
máxima, são, em metros por segundos, iguais a, respectivamente,

R:
Dados: senβ = 0,8; cosβ = 0,6.
No eixo x, o movimento executado é retilíneo e uniforme, portanto, de posse do
alcance horizontal (60 m) e do tempo de execução do movimento (4 s), poderemos determinar
a velocidade VH.

Sabendo que a velocidade VH é a componente no eixo x da velocidade V, podemos escrever:

5.0 Conclusão e considerações finais:


Levando-se em conta o que foi observado entende-se que dentro dos conceitos da
Física, o movimento retilíneo é aquele em que um corpo efetua o seu deslocamento só em
trajetórias que compõem uma linha reta, levando em consideração, nesse contexto, que a
trajetória corresponde ao percurso realizado por um corpo específico no espaço, sendo
baseado em um sistema já pré-definido de coordenadas.
O movimento retilíneo, também chamado de MR, é caracterizado também pelo fato de
que, nele, a direção do vetor velocidade apresenta uma determinada constância, lembrando
que, nos estudos da física, velocidade corresponde a uma grandeza vetorial, ou seja, aquela
que é dotada de módulo, sentido e direção.
Além disso, quando se trata de movimento retilíneo, é importante levar em conta que
ele compreende tipos distintos:
- Deslocamento, tempo e velocidade média
- Velocidade instantânea
- Aceleração instantânea e aceleração média
- Movimento com aceleração constante
- Queda livre dos corpos vetor posição e vetor velocidade
Quando entramos em movimento bi e tri-dimensional compreende-se:
- Vetor aceleração
- Movimento de um projétil
- Movimento circular
- Velocidade relativa

6.0 Bibliografias:
Young, Hugh D. Física I / Young e Freedman ; tradução Sonia Midori Yamamoto;
revisão técnica Adir Moysés Luiz. — 12. ed. — São Paulo:Addison Wesley, 2008.

COMO CALCULAR Velocidade Instantânea. [S. l.: s. n.], 8 maio 2014. Disponível
em:
https://comocalcular.com.br/fisica/velocidade-instantanea/#targetText=A%20velocidade%20i
nstant%C3%A2nea%20%C3%A9%20a,velocidade%20em%20um%20instante%20espec%C3
%ADfico. Acesso em: 16 ago. 2019.

AULA 06 - O movimento com aceleração constante ou movimento retilíneo


uniformemente variado (MRUV). [S. l.: s. n.], 2015. Disponível em:
http://professorbiriba.com.br/boilerplate/html/colegio/primeiroano/aula6-primeiroano.html.
Acesso em: 16 ago. 2019.

MOVIMENTO Uniformemente Variado. [S. l.: s. n.], [2008?]. Disponível em:


https://www.sofisica.com.br/conteudos/Mecanica/Cinematica/muv.php#targetText=Moviment
o%20Uniformemente%20Variado&targetText=Mas%20se%20essa%20variação%20de,const
ante%20e%20diferente%20de%20zero. Acesso em: 16 ago. 2019.

DEFINIÇÃO de aceleração escalar instantânea. [S. l.: s. n.], [2007?]. Disponível em:
https://www.colegioweb.com.br/fundamentos-da-cinematica-escalar/definicao-de-aceleracao-
escalar-instantanea.html#targetText=Quando%20a%20acelera%C3%A7%C3%A3o%20escal
ar%20m%C3%A9dia,de%20acordo%20com%20o%20tempo. Acesso em: 16 ago. 2019.