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COLÉGIO ADVENTISTA CENTENÁRIO

NOME
DISCIPLINA Língua Portuguesa PROFESSOR(A) Tiago Moreira
BIMESTRE 1° DATA Março / 18 TURMA 3° ano EM
CONTEÚDO Orações coordenadas

A(s) questão(ões) a seguir está(ão) relacionadas ao texto abaixo.


Não faz muito que 1temos esta nova TV com controle remoto, 2mas devo dizer que se trata agora de
um instrumento sem 3o qual eu não saberia viver. Passo os dias sentado na velha poltrona, mudando de um
canal para o outro – uma tarefa que antes exigia certa movimentação, 4mas que agora ficou muito fácil.
Estou num canal, não gosto – 5zap, mudo para outro. 6Eu 7gostaria de ganhar em dólar num mês o número
de vezes que você troca de canal em uma hora, diz minha mãe. 8Trata-se de uma pretensão fantasiosa, 9mas
pelo menos 10indica 11disposição para o humor, admirável nessa mulher.
12Sofre minha mãe. Sempre 13sofreu14: infância carente, pai cruel, etc. Mas o seu sofrimento

aumentou muito quando meu pai a deixou. Já faz tempo; foi logo depois que eu nasci, e estou agora com
treze anos. Uma idade em que se vê muita televisão, e em que se muda de canal constantemente, ainda que
minha mãe ache 15isso um absurdo. Da tela, uma moça sorridente pergunta se o caro telespectador já
conhece certo novo sabão em pó. 16Não conheço nem quero conhecer, de modo que – 17zap – mudo de
canal. “Não me abandone, Mariana, não me abandone18!”. Abandono, sim. Não tenho o menor 19remorso,
e agora é um desenho, que eu já vi duzentas vezes, e – 20zap – um homem 21falando. Um homem, abraçado
_____1_____ guitarra elétrica, fala _____2_____ uma entrevistadora. É um roqueiro. É meio velho, tem
cabelos grisalhos, rugas, falta-lhe um dente. É o meu pai.
É sobre mim que 22ele fala. Você tem um filho, não tem?, pergunta a apresentadora, e ele, meio
23constrangido – situação pouco admissível para um roqueiro de verdade –, diz que sim, que tem um filho

só que não vê há muito tempo. Hesita um pouco e acrescenta: você sabe, eu tinha que fazer uma opção, era
a família ou o rock. A entrevistadora, porém, insiste (24é chata, ela): mas o seu filho gosta de rock25? Que
você saiba, seu filho gosta de rock26?
Ele se mexe na cadeira; o microfone, preso _____3_____ desbotada camisa, roça-27lhe o peito,
produzindo um desagradável e bem audível rascar. Sua angústia é compreensível; aí está, num programa
local e de baixíssima audiência – e ainda tem de passar pelo vexame de uma pergunta que o embaraça e à
qual não sabe responder. E então ele me olha. 28Vocês dirão que não, que é para a câmera que ele olha;
aparentemente é isso; mas na realidade é a mim que ele olha, sabe que, em algum lugar, diante de uma
tevê, estou a fitar seu rosto atormentado, as lágrimas me correndo pelo rosto; e no meu olhar ele procura a
resposta _____4_____ pergunta da apresentadora: você gosta de rock? Você gosta de mim? Você me
perdoa? – mas aí comete um engano mortal29: insensivelmente, automaticamente, seus dedos começam a
dedilhar as cordas da guitarra, é o vício do velho roqueiro. Seu rosto se ilumina e 30ele vai dizer que sim, que
seu filho ama o rock tanto quanto ele, mas nesse momento – 31zap – aciono o controle remoto e ele some.
32Em seu lugar, uma bela e sorridente jovem que está – à exceção do pequeno relógio que usa no pulso –

nua, completamente nua.


Adaptado de: SCLIAR, M. Zap. In: MORICONI, Í. (Org.) Os cem melhores contos brasileiros.
Rio de Janeiro: Objetiva, 2009. p. 547-548.

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1. (Ufrgs 2017) Considere as seguintes afirmações sobre o sentido de passagens no texto.
I. Os usos de mas (ref. 2, 4 e 9) assinalam as dúvidas do narrador-personagem, respectivamente, sobre o uso
da televisão, sobre as mudanças de canais e sobre as opiniões de sua mãe.
II. A forma zap (ref. 5, 17, 20 e 31) remete ao movimento de troca de canal com controle remoto.
III. A passagem é chata, ela entre parênteses, na referência 24, revela o fato de o pai do narrador-
personagem considerar a entrevistadora insistente.
Quais estão corretas?
a) Apenas I. c) Apenas III. e) I, II e III.
b) Apenas II. d) Apenas II e III.

A(s) questão(ões) a seguir está(ão) relacionada(s) ao texto abaixo.


Muita gente que ouve a expressão “políticas linguísticas” pela primeira vez pensa em algo 1solene,
formal, oficial, em leis e portarias, em autoridades oficiais, e pode ficar se perguntando o que seriam leis
sobre línguas. De fato, há leis sobre línguas, mas as 2políticas linguísticas também podem ser menos 3formais
– e nem passar por leis propriamente ditas. Em quase todos os casos, figuram no cotidiano, 4pois envolvem
não só a gestão da linguagem, mas também as práticas de linguagem, e as crenças e valores que circulam a
respeito 5delas. Tome, por exemplo, a situação do 6cidadão das classes confortáveis brasileiras, que quer
que a escola ensine a norma culta da língua portuguesa. 7Ele folga em saber que se vai exigir isso dos
candidatos às vagas para o ensino superior, mas nem sempre observa ou exige o mesmo padrão culto, por
exemplo, na ata de condomínio, que ele aprova como está, 8desapegada da ortografia e das regras de
concordância verbais e nominais 9preconizadas pela gramática normativa. Ele acha ótimo que a escola dos
filhos faça 10baterias de exercícios para fixar as normas ortográficas, mas pouco se incomoda com os
problemas de redação nos enunciados das tarefas dirigidas às crianças ou nos textos de comunicação da
escola dirigidos à comunidade escolar. Essas são políticas linguísticas. 11Afinal, onde há gente, há grupos de
pessoas que falam línguas. Em cada um desses grupos, há decisões, 12tácitas ou explícitas, sobre como
proceder, sobre o que é aceitável ou não, e por aí afora. Vamos chamar essas escolhas – 13assim como 14as
discussões que levam até 15elas e as ações que delas resultam – de políticas. Esses grupos, pequenos ou
grandes, de pessoas tratam com outros grupos, que por sua vez usam línguas e têm as suas políticas internas.
Vivendo imersos em linguagem e tendo constantemente que lidar com outros indivíduos e outros grupos
mediante o uso da linguagem, não surpreende que os recursos de linguagem lá pelas tantas se tornem, eles
próprios, tema de política e objetos de políticas explícitas. Como 16esses recursos podem ou devem se
apresentar? Que funções eles podem ou devem ter? Quem pode ou deve ter acesso a 17eles? Muito do que
fazemos, 18portanto, diz respeito às políticas linguísticas.
Adaptado de: GARCEZ, P. M.; SCHULZ, L. Do que tratam as políticas linguísticas.
ReVEL, v. 14, n. 26, 2016.

2. (Ufrgs 2017) Considere as seguintes sugestões de substituição de expressões articuladoras no texto.


I. Substituição de pois (ref. 4) por entretanto.
II. Substituição de assim como (ref. 13) por bem como.
III. Substituição de portanto (ref. 18) por por conseguinte.
Quais preservariam o sentido e a correção do segmento em que ocorrem?
a) Apenas I. c) Apenas III. e) I, II e III.
b) Apenas II. d) Apenas II e III.

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3. (Fac. Pequeno Príncipe - Medici 2016) Famosos em suas áreas de atuação, René Descartes e Fernando
Pessoa expressaram questões humanas profundas com essas frases. Comparando-as, é CORRETO chegar
à conclusão de que:
“Penso, logo existo”. “Duvido, portanto penso”.
(René Descartes) (Fernando Pessoa)
a) Pessoa faz uma paráfrase do texto original de Descartes.
b) Descartes argumenta que existir é a causa lógica de pensar.
c) os dois autores usam conectivos diferentes com a mesma carga semântica.
d) há uma relação de metonímia nos sentidos de ambas as frases.
e) as duas frases diferenciam-se apenas pelo sentido do conectivo.

4. (Pucpr 2016) Leia o texto a seguir e complete as lacunas com o elemento coesivo correspondente à
informação contida entre parênteses. Depois, identifique a alternativa que contenha a sequência de
elementos coesivos adequados a cada lacuna.
Uma das crenças mais resistentes do pensamento que imagina a si próprio __________
(comparação) o mais moderno, democrático e popular do Brasil é a lenda da inocência dos criminosos
pobres. Por essa maneira de ver as coisas, um crime não é um crime __________ (condição) o autor nasceu
no lado errado da vida, cresceu dentro da miséria e não conheceu os suportes básicos de uma família regular,
de uma escola capaz de tirá-lo da ignorância e do convívio com gente de bem. __________ (conformidade)
as fábulas sociais atualmente em vigência, pessoas assim não tiveram a oportunidade de ser cidadãos
decentes – e __________ (conclusão) ficam dispensadas de ser cidadãos decentes. Ninguém as ajudou;
ninguém lhes deu o que faltou em sua vida. Como compensação por esse azar, devem ser autorizadas a
cometer delitos – ou, no mínimo, considera-se que não é justo responsabilizá-las pelos atos que praticaram,
por piores que sejam. Na verdade, __________ (conformidade) a teoria socialmente virtuosa, não existem
criminosos neste país __________ (tempo) se trata de roubo, latrocínio, sequestro __________ (adição)
outras ações de violência extrema – __________ (condição) tenham sido cometidos por cidadãos com
patrimônio e renda superiores a determinado nível. E de quem seria, nos demais casos, a responsabilidade?
Essa é fácil: “a culpa é da sociedade”.
(GUZZO, J. R. Questão de classe. Veja, São Paulo, n. 22, p.98, 3 jun. 2015)

a) tão, desde que, conforme, porque, conforme, mas, nem, a não ser que.
b) como, se, de acordo com, por isso, segundo, quando, e, a menos que.
c) tanto quanto, a menos que, conforme, porque, segundo, antes que, também, a menos que.
d) tanto quanto, a menos que, segundo, portanto, segundo, depois, e, a menos que.
e) como, a não ser que, de acordo com, porque, de acordo com, antes, também, a mais que.

5. (Fac. Pequeno Príncipe - Medici 2016)


[...] Onde eu morei nós nos reuníamos, rapazes e moças, fizemos um campo de vôlei num terreno
que tinha baldio, só da vila, não é? Toda quarta, sábado e domingo nós jogávamos, fazíamos torneio e
ninguém se preocupava em sair de lá, engraçado, de sair, de, de passear, tinha lá os namorados, né, e o que
acontecia é que às vezes namoravam-se por ali, né, os, os conhecidos e fazia aquele ambiente alegre, assim
bom. Meu pai também entrava no jogo, havia jogo de casado e solteiro, né, havia jogo das moças, fazia, nós
chegamos a fazer uns, acho que uns nove times de vôlei na época e é claro que as mais velhas que não
podiam entrar falavam: essas moças, perna de fora, né, que tinha que jogar de short (risos) como sempre,

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né, mas, e os pais, né, os pais, tinha o juiz, tinha tudo certinho e todo domingo entregava a taça, era proibida
a entrada de outra pessoa, sabe, a não ser que fosse, eh, que se chegasse ao grupo mais, que introduzia tudo
aquilo, fazia, organizava, pra entrar pra poder fazer parte, quer dizer, não podia ser ninguém mau elemento
ou brigão, brigão não entrava, né, porque senão saía briga mas nunca saía, eh, briga de vizinho, mas não
deu, não dava em nada, né? [...]
Disponível em: <http://www.letras.ufrj.br/nurc-rj/>. Acesso em: 04/05/2016.

A transcrição de fala é um mecanismo empregado para análises linguísticas que verificam o registro da
língua falada da população de uma determinada região, faixa etária, escolarização, sexo etc. Os textos
transcritos – em que nem sempre percebemos as regras gramaticais seguidas de acordo com a norma-
padrão – são úteis para estabelecer quais são as mudanças por que a língua vem passando e a forma como
se comunicam as pessoas. No trecho anterior, percebemos que há uma preferência
a) pela subordinação na junção de uma oração qualquer à sua principal, com nexos que deixam claras as
relações de causa e consequência.
b) pelos períodos complexos formados pela junção de coordenação e de subordinação, com conectores
concessivos e adversativos, sobretudo.
c) pela coordenação na ligação de uma oração à outra, com conectivos que dão prosseguimento ao relato
indicando adição e oposição, sobretudo.
d) pelas listas de enumeração sem qualquer tipo de ligação sintática com suas orações principais,
formando sequências fragmentadas.
e) por períodos simples, com núcleos verbais únicos, ao redor dos quais são alocados vários itens sintáticos
em arranjo desordenado.

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

APRENDA A CHAMAR A POLÍCIA!


Tenho sono muito leve, e numa noite dessas notei que havia alguém andando sorrateiramente no
quintal de casa.
Levantei em silêncio e fiquei acompanhando os leves ruídos que vinham lá de fora, até ver uma
silhueta passando pela janela do banheiro.
Como minha casa era muito segura, com grades nas janelas e trancas internas nas portas, não fiquei
muito preocupado, mas era claro que eu não ia deixar um ladrão ali, espiando tranquilamente.
Liguei baixinho para a polícia, informei a situação e o meu endereço. Perguntaram-me se o ladrão
estava armado ou se já estava no interior da casa. Esclareci que não e disseram-me que não havia nenhuma
viatura por perto para ajudar, mas que iriam mandar alguém assim que fosse possível.
Um minuto depois liguei de novo e disse com a voz calma:
– Oi, eu liguei há pouco porque tinha alguém no meu quintal. Não precisa mais ter pressa. Eu já matei
o ladrão com um tiro da escopeta calibre 12, que tenho guardada em casa para estas situações. O tiro fez
um estrago danado no cara!
Passados menos de três minutos, estavam na minha rua cinco carros da polícia, um helicóptero, uma
unidade do resgate, uma equipe de TV e a turma dos direitos humanos, que não perderiam isso por nada
neste mundo.
Eles prenderam o ladrão em flagrante, que ficava olhando tudo com cara de assombrado. Talvez ele
estivesse pensando que aquela era a casa do Comandante da Polícia.

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No meio do tumulto, um tenente se aproximou de mim e disse:
– Pensei que tivesse dito que tinha matado o ladrão.
Eu respondi:
– Pensei que tivesse dito que não havia nenhuma viatura disponível.
Disponível em: http://pensador.uol.com.br/frase/OTQzODk4/. Acesso em: 27/08/2015. Adaptado. (Autor
desconhecido, mas há quem atribua a autoria a Luís Fernando Veríssimo.)

6. (Acafe 2016) Considerando o que está dito no texto, assinale a alternativa correta.
a) Em “Perguntaram-me se o ladrão estava armado ou se já estava no interior da casa. Esclareci que não e
disseram-me que não havia nenhuma viatura por perto para ajudar, mas que iriam mandar alguém assim
que fosse possível”, os verbos destacados em negrito estão na terceira pessoa do plural, e isso permite
deduzir que o narrador falou com mais de uma pessoa da polícia quando deu o primeiro telefonema.
b) Na frase “Passados menos de três minutos, estavam na minha rua cinco carros da polícia, um helicóptero,
uma unidade do resgate, uma equipe de TV e a turma dos direitos humanos [...]”, o sujeito do verbo
“estavam” é composto e posposto ao verbo.
c) Em “Tenho sono muito leve, e numa noite dessas notei que havia alguém andando sorrateiramente no
quintal de casa”, o termo destacado em negrito é um pronome substantivo que substitui “uma noite de
insônia”.
d) A frase “Como minha casa era muito segura, com grades nas janelas e trancas internas nas portas, não
fiquei muito preocupado, mas era claro que eu não ia deixar um ladrão ali, espiando tranquilamente”
mantém o mesmo sentido do texto se os termos destacados em negrito forem substituídos, respectivamente
por: à medida que, por conseguinte, deixaria, que espiava.

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

Janelas Quebradas: uma teoria do crime que merece reflexão


A teoria das janelas quebradas ou “broken windows theory” é um modelo norte-americano de política
de segurança pública no enfrentamento e combate ao crime, tendo como visão fundamental a desordem
como fator de elevação dos índices da criminalidade. Nesse sentido, apregoa tal teoria que, 1se não forem
reprimidos, os pequenos delitos ou contravenções conduzem, inevitavelmente, a condutas criminosas mais
graves, em vista do descaso estatal em punir os responsáveis pelos crimes menos graves. Torna-se
necessária, 2então, a efetiva atuação estatal no combate à criminalidade, seja ela a microcriminalidade ou a
macrocriminalidade.
Essa teoria na verdade começou a ser desenvolvida em 1982, 3quando o cientista político James Q.
Wilson e o psicólogo criminologista George Kelling, americanos, publicaram um estudo na revista Atlantic
Monthly, estabelecendo, pela primeira vez, uma relação de causalidade entre desordem e criminalidade.
Nesse estudo, utilizaram os autores da imagem das janelas quebradas para explicar como a desordem e a
criminalidade poderiam, aos poucos, infiltrar-se na comunidade, causando a sua decadência e a
consequente queda da qualidade de vida. O estudo realizado por esses criminologistas teve por base a
experiência dos carros abandonados no Bronx e em Palo Alto.
Em suas conclusões, esses especialistas acreditam que, ampliando a análise situacional, se por
exemplo uma janela de uma fábrica ou escritório fosse quebrada e não fosse,4incontinenti, consertada,
quem por ali passasse e se deparasse com a cena logo iria concluir que ninguém se importava com a situação
e que naquela localidade não havia autoridade responsável pela manutenção da ordem.

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Logo em seguida, as pessoas de bem deixariam aquela comunidade, relegando o bairro à mercê de
gatunos e desordeiros, pois apenas pessoas desocupadas ou imprudentes se sentiriam à vontade para residir
em uma rua cuja decadência se torna evidente. Pequenas desordens, portanto, levariam a grandes
desordens e, posteriormente, ao crime.
Da mesma forma, concluem os defensores da teoria, quando são cometidas “pequenas faltas”
(estacionar em lugar proibido, exceder o limite de velocidade, passar com o sinal vermelho) e as mesmas
não são sancionadas, logo começam as faltas maiores e os delitos cada vez mais graves. Se admitirmos
atitudes violentas como algo normal no desenvolvimento das crianças, o padrão de desenvolvimento será
de maior violência quando essas crianças se tomarem adultas.
A Teoria das Janelas Quebradas definiu um novo marco no estudo da criminalidade ao apontar que
a relação de causalidade entre a criminalidade e outros fatores sociais, tais como a pobreza ou a “segregação
racial” é menos importante do que a relação entre a desordem e a criminalidade. Não seriam somente
fatores ambientais (mesológicos) ou pessoais (biológicos) que teriam influência na formação da
personalidade criminosa, contrariando os estudos da criminologia clássica. (...)
A expressão “tolerância zero” soa, 5a priori, como uma espécie de solução autoritária e repressiva.
Se for aplicada de modo unilateral, pode facilmente ser usada como instrumento opressor pela autoridade
fascista de plantão, tal como um ditador ou uma força policial dura. Mas seus defensores afirmam que o seu
conceito principal é muito mais a prevenção e a promoção de condições sociais de segurança. Não se trata
de linchar o delinquente, mas sim de impedir a eclosão de processos criminais incontroláveis. O método
preconiza claramente que aos abusos de autoridade da polícia e dos governantes também se deve aplicar a
tolerância zero. Ela não pode, em absoluto, restringir-se à massa popular. Não se trata, é preciso frisar, de
tolerância zero em relação à pessoa que comete o delito, mas tolerância zero em relação ao próprio delito.
6Trata-se de criar comunidades limpas, ordenadas, respeitosas da lei e dos códigos básicos da convivência

social humana.
A tolerância zero e sua base filosófica, a Teoria das Janelas Quebradas, colocou Nova York na lista
das metrópoles mundiais mais seguras. Talvez elas possam, também, não apenas explicar o que acontece
aqui no Brasil em matéria de corrupção, impunidade, amoralidade, criminalidade, vandalismo, etc., mas
tornarem-se instrumento para a criação de uma sociedade melhor e mais segura para todos.
http://www.brasil247.com/pt/247/revista_oasis/116409/Janelas-Quebradas-Uma-teoria-do-crime-que-
merece-reflex%C3%A3o.htm

7. (Unisc 2016) Os vocábulos se (ref. 1), então (ref. 2), quando (ref. 3)
( ) são articuladores lógicos e estabelecem relações de sentido nos enunciados em que são empregados.
( ) podem ser substituídos, sem prejuízo ao sentido, na sequência em que aparecem por: caso, portanto,
na época em que.
( ) estabelecem, respectivamente, relações de condição, explicação e tempo.
( ) o único que pode ser omitido de seu contexto de uso sem produzir qualquer alteração do sentido é o
articulador então, referência 2.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
a) V – V – V – V.
b) V – F – V – F.
c) V – F – F – V.
d) V – V – F – V.
e) V – V – F – F.

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TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO

O filósofo e romancista Umberto Eco concedeu uma entrevista ao Jornal El País em março de 2015,
pouco menos de um ano antes de sua morte. Na ocasião, o escritor falou sobre o conteúdo de seu último
romance, Número Zero, uma ficção sobre o jornalismo inspirada na realidade e sobre as relações da temática
da obra com a atualidade: o papel da imprensa, a Internet e a sociedade.

Pergunta: Agora a realidade e a fantasia têm um terceiro aliado, a Internet, que mudou por completo o
jornalismo.
Resposta: A Internet pode ter tomado o lugar do mau jornalismo... Se 1você sabe que está lendo um jornal
como EL PAÍS, La Repubblica, Il Corriere della Sera…, pode pensar que existe um certo controle da notícia e
confia. 2Por outro lado, se 3você lê um jornal como aqueles vespertinos ingleses, sensacionalistas, não confia.
Com a Internet acontece o contrário4: confia em tudo porque não sabe diferenciar a fonte credenciada da
disparatada. Basta pensar no sucesso que faz na Internet qualquer página web que fale de complôs 5ou que
6invente histórias absurdas: tem um acompanhamento incrível, de internautas e de pessoas importantes

que as levam a sério.

Pergunta: Atualmente é difícil pensar no mundo do jornalismo que era protagonizado, aqui na Itália, por
pessoas como Piero Ottone e Indro Montanelli…
Resposta: Mas a crise do jornalismo no mundo começou nos anos 1950 e 1960, bem quando chegou a
televisão, antes que eles 7desaparecessem! Até então o jornal 8te contava o que acontecia na tarde anterior,
por isso muitos eram chamados jornais da tarde: Corriere della Sera, Le Soir, La Tarde, Evening Standard…
Desde a invenção da televisão9, o jornal te diz pela manhã o que você já sabe. E agora é a mesma coisa. O
que um jornal deve fazer?

Pergunta: Diga o senhor.


Resposta: Tem que se transformar em um semanário. Porque um semanário tem tempo, são sete 10dias para
construir 11suas reportagens. Se você lê a Time ou a Newsweek vê que várias pessoas 12contribuíram para
uma história concreta, que trabalharam nela semanas ou meses, enquanto que em um jornal tudo é feito da
noite para o dia. Um jornal que em 1944 tinha quatro páginas hoje tem 64, então tem que preencher
obsessivamente com notícias repetidas, cai na fofoca, não consegue evitar... A crise do jornalismo, 13então,
começou há quase cinquenta anos e é um problema muito grave e importante.

Pergunta: Por que é tão grave?


Resposta: Porque é verdade que, como dizia Hegel, a leitura dos 14jornais é a oração matinal do homem
moderno. E 15eu não consigo tomar meu café da manhã se não folheio o jornal; mas é um ritual quase afetivo
e religioso, porque folheio olhando os títulos, e por 16eles me dou conta de que quase tudo já sabia na noite
anterior. 17No máximo, leio um editorial ou um artigo de opinião. Essa é a crise do jornalismo
contemporâneo. E disso não sai!

Pergunta: Acredita de verdade que não?


Resposta: O jornalismo poderia ter outra função. Estou pensando em alguém que faça uma crítica cotidiana
da Internet, e é algo que acontece pouquíssimo. Um jornalismo que me diga: 18“Olha o que tem na Internet,
olha que coisas falsas estão dizendo, reaja a isso, eu te mostro”. E isso pode ser feito tranquilamente. 19No

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entanto, ainda 20pensam que o jornal é feito para que seja lido por alguns velhos senhores 21– já que os
jovens não 22leem – que ainda não usam a Internet. Teria que se fazer um jornal que não se torne apenas a
crítica da realidade cotidiana, mas também a crítica da realidade virtual. Esse é um futuro possível para um
bom jornalismo.
(EL PAÍS. Caderno cultura. 30 de março de 2015. Disponível em
http://brasil.elpais.com/brasil/2015/03/26/cultura/1427393303_512601.html. Acesso em 10 abr. 2016)

8. (Upf 2016) Uma das formas de estabelecer a coesão no texto é recorrer ao uso de encadeadores
argumentativos. Assinale a alternativa que indica corretamente a relação entre o encadeador e o efeito
de sentido produzido.
a) “No máximo” (ref. 17) – acrescenta um argumento mais forte do que o anterior.
b) “Por outro lado” (ref. 2) – introduz uma explicação ao que foi dito no enunciado anterior.
c) “Então” (ref. 13) – especifica o que foi dito anteriormente.
d) “Ou” (ref. 5) – indica uma relação de disjunção argumentativa.
e) “No entanto” (ref. 19) – marca uma relação de conclusão.

A(s) questão(ões) a seguir estão relacionada(s) ao texto abaixo.

4À porta do Grande Hotel, pelas duas da tarde, 14Chagas e Silva 6postava-se de palito à boca, como
19se tivesse descido do restaurante lá de cima. Poderia parecer, pela estampa, que somente ali se comesse

bem em Porto Alegre. 8Longe 21disso! A Rua da Praia que 23o diga, ou 22melhor, que o dissesse. 24O faz de
conta do 7inefável personagem 5ligava-se mais à 25importância, à moldura que aquele portal lhe conferia.
15Ele, que tanto marcou a rua, tinha 27franco acesso às poltronas do saguão em que se refestelavam os

importantes. Andava 28dentro de um velho fraque, usava gravata, chapéu, bengala sob o braço, barba curta,
polainas e 10uns olhinhos apertados na 1_________ bronzeada. O charuto apagado na boca, para durar
bastante, 29era o 9toque final dessa composição de pardavasco vindo das Alagoas.
Chagas e Silva chegou a Porto Alegre em 1928. 16Fixou-20se na Rua da Praia, que percorria com passos
lentos, carregando um ar de 12indecifrável importância, tão ao jeito dos grandes de então. 17Os estudantes
tomaram conta dele. Improvisaram comícios na praça, carregando-o nos braços e 11fazendo-o discursar.
Dava discretas mordidas 33e consentia em que lhe pagassem o cafezinho. Mandava imprimir sonetos, que
"trocava" por dinheiro.
Não era de meu propósito 31ocupar-me do "doutor" Chagas 34e, sim, de como se comia bem na Rua
da Praia de antigamente. Mas ele como que me puxou pela manga e levou-me a visitar casas por onde sua
imaginação de longe esvoaçava.
Porto Alegre, sortida por tradicionais armazéns de especialidades, 30dispunha da melhor matéria-
prima para as casas de pasto. 18Essas casas punham ao alcance dos gourmets virtuosíssimos "secos e
molhados" vindos de Portugal, da Itália, da França e da Alemanha. Daí um longo e 2________ período de boa
comida, para regalo dos homens de espírito e dos que eram mais estômago que outra coisa.
Na arte de comer bem, talvez a 26dificuldade fosse a da escolha. Para qualquer lado que o passante
se virasse, encontraria salões ornamentados 3_________ maiores ou menores, tabernas 35ou simples tascas.
A Cidade 32divertia-se também 13pela barriga.
Adaptado de: RUSCHEl, Nilo. Rua da Praia. Porto Alegre: Editora da Cidade, 2009. p. 110-111.

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9. (Ufrgs 2015) Considere as seguintes sugestões de alteração nos articuladores do texto.
I. Supressão do e (ref. 33).
II. Substituição do e (ref. 34) por mas.
III. Substituição do ou (ref. 35) por nem.
Quais delas poderiam ser realizadas sem alteração significativa de sentido no texto?
a) Apenas I. c) Apenas III. e) I, II e III.
b) Apenas II. d) Apenas I e III.

Instrução: A(s) quest(ões) a seguir refere(m)-se ao texto abaixo.

Dia da Proclamação da República


1____ exatos 125 anos, em 15 de novembro de 1889, foi proclamada a república do Brasil.

Na época, o país era governado por D. Pedro II e passava por grandes problemas, em razão da
abolição da escravidão, em 1888.
2Como os negros não trabalhavam mais nas lavouras, os 3imigrantes começaram a ocupar seus

lugares, plantando e colhendo, mas cobravam pelos trabalhos realizados, o que gerou insatisfação nos
proprietários de terras.
As perdas também foram grandes para os coronéis, 4pois 5________ gasto uma enorme 6quantidade
de dinheiro investindo nos escravos, e o governo, após a abolição, não pagou nenhuma indenização a eles.
A guerra do Paraguai (1864 a 1870) também ajudou na luta 7contra o regime monárquico no Brasil.
Soldados brasileiros se aliaram aos exércitos do Uruguai e da Argentina, recebendo orientações para
implantarem a república no Brasil.
Os movimentos republicanos também já aconteciam no 8país, a 9imprensa trazia politização 10____
população civil, 11para lutarem pela libertação do país dos domínios de Portugal. Com isso, vários partidos
teriam sido criados, desde 1870.
A Igreja também teve sua participação para que a república do Brasil fosse proclamada. Dois bispos
foram nomeados para 12acatarem as ordens de D. Pedro II, tornando-se seus subordinados, 13mas não
aceitaram tais imposições. Com isso, foram punidos com pena de prisão, levando 14_____ igreja 15_____ ir
contra o governo.
Com as tensões aquecendo o mandato de D. Pedro II, o imperador dirigiu-se com sua família para a
cidade de Petrópolis, também no estado do Rio de Janeiro.
16Porém seu afastamento não foi nada favorável, fazendo com que fosse posto em prática um golpe

militar, onde o Marechal Deodoro da Fonseca conspirava a derrubada de D. Pedro II.


Boatos de que os responsáveis pelo plano seriam presos fizeram com que a armada acontecesse,
recebendo o apoio de mais de seiscentos soldados.
No dia 15 de novembro de 1889, ao passar pela Praça da Aclamação, o Marechal, com espada em
punho, declarou que, a partir daquela data, o país seria uma república.
Dom Pedro II recebeu a notícia de que seu governo 17havia sido derrubado e um decreto o expulsava
do país, juntamente com sua família. Dias depois, voltaram a 18Portugal.
Para governar o Brasil República, os responsáveis pela conspiração montaram um governo provisório,
mas o Marechal Deodoro da Fonseca permaneceu como presidente do país. Rui Barbosa, Benjamin Constant,
Campos Sales e outros foram escolhidos para formar os ministérios.
(FONTE: Jussara de Barros, http://www.brasilescola.com-Texto Adaptado)

9
10. (Imed 2015) No que tange ao uso de nexos coesivos no texto, analise as afirmações que seguem,
assinalando V, se verdadeiras, ou F, se falsas.
( ) Na referência 4, pois poderia ser substituído por porque sem causar alteração de sentido.
( ) Na referência 11, o vocábulo para expressa finalidade.
( ) Na referência 13, a palavra mas expressa oposição, assim como Porém na referência 16.
A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é:
a) V – V – V. c) F – V – F. e) F – F – F.
b) V – F – V. d) V – F – F.

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO:

O PERIGO DE UMA ÚNICA HISTÓRIA


Marcos Rolim
Você conhece Chimamanda Ngozi Adichie? Se não conhece, permita que eu 1a apresente.
2
Chimamanda (38 anos) é uma escritora nigeriana de excepcional qualidade. Seus trabalhos já receberam
traduções em mais de 30 idiomas e três dos 3seus romances (Americanah, Hibisco Roxo e Meio Sol Amarelo)
foram lançados no Brasil pela Companhia das Letras. 4Ela foi uma das convidadas do projeto TED ideas worth
spreading, uma iniciativa global de promoção de palestras curtas, não mais que 18 minutos, com pessoas
que realmente têm algo importante a dizer. Em 2009, Chimamanda falou no TED sobre Os perigos de uma
única história.
O que ela conta é que, ainda criança, lia muitas histórias
britânicas e americanas. 5Por isso, seus textos infantis eram
povoados por personagens loiras, que comiam maçãs, brincavam na
neve e que se alegravam quando o sol aparecia. 6Assim, apesar de
viver na Nigéria, um lugar onde as pessoas são quase todas negras
como ela, onde se come manga e não há surpresas com o sol, os livros
haviam produzido uma realidade imaginária na criança, mais forte
que seu próprio mundo. Chimamanda conclui que isto demonstra o
quanto somos vulneráveis a uma história.
7Quando ela encontrou os primeiros romances africanos, percebeu que pessoas com a pele cor de

chocolate e com cabelos que não permitiam formar rabos-de-cavalo também poderiam ser personagens
literários. Os autores africanos, diz ela, a salvaram de ter uma única história sobre a literatura. Chimamanda
conta que nasceu em uma família de classe média e que havia uma empregada doméstica na casa de seus
pais. E também um menino de nome Fide, o filho da empregada. Só o que lhe disseram sobre Fide é que ele
era muito pobre e que era preciso mandar roupas e alimentos para sua família.
Aos oito anos, Chimamanda acompanhou sua mãe em uma visita à aldeia próxima onde Fide morava.
Então, a mãe do menino mostrou uma linda peça de artesanato, feita pelo irmão de Fide. 8O fato
impressionou Chimamanda, porque ela nunca poderia imaginar que alguém em uma família tão pobre
pudesse criar algo. A única história que havia ouvido a respeito deles a impedia de vê-los para além da
pobreza. Aos 19 anos, ela voltou a pensar sobre isso quando foi estudar nos EUA. A colega de quarto dela,
uma americana, ficou 9chocada quando percebeu que Chimamanda tinha um inglês perfeito e quis saber
onde ela tinha aprendido. A moça ficou 10surpresa ao ser informada que o inglês é o idioma oficial da Nigéria.
Então, perguntou se Chimamanda poderia lhe mostrar uma “música tribal”, ficando 11desapontada quando
ela disse que curtia Mariah Carey. A americana também presumiu que Chimamanda não saberia como usar

10
o fogão. Antes de conhecê-la, ela sentia pena da “pobre nigeriana”, porque tinha uma única história sobre a
África. Nesta única história, não havia a possibilidade de uma africana ser, em muitas coisas, bem parecida
com uma americana.
A palestra é genial e espero ter despertado sua curiosidade para assisti-la. O tema se presta a uma
reflexão sobre a realidade brasileira. Até que ponto não estamos todos 12superlotados de histórias únicas?
Até que ponto a dignidade das pessoas não tem sido subtraída pela repetição insistente de estereótipos?
Pensem, por exemplo, nos contenciosos políticos em curso e nos seus principais protagonistas. Quantas
histórias temos de cada um deles? Quantas, além da única que nos contaram? Agora lancem um olhar sobre
grupos humanos específicos como, por exemplo, os nordestinos, ou os presos, ou os homossexuais, ou os
índios. Quantas são as histórias que nos foram contadas sobre eles? Não seriam as pessoas destes grupos
tão diferentes entre si quanto são todas as demais não inseridas em grupo algum? Os significados que
portamos a respeito destes e de outros grupos não são exatamente aqueles que nos têm sido oferecidos
pela mídia? Não seria esta a forma mais efetiva e radical do exercício do poder nas sociedades
contemporâneas? Regrar o mundo de acordo com o que penso dele, de tal forma que os demais imaginem
que as noções que compartilham são de fato suas e não exatamente aquelas que eu produzi. Não seria este,
afinal, o crime perfeito?
EXTRACLASSE.org.br

11. (Unisc 2015) Considere as proposições a seguir e, logo após, escolha a alternativa que preenche
adequadamente os parênteses, de cima para baixo, com (V) para verdadeiro e (F) para falso.
( ) Por isso (ref. 5) pode ser substituído por - Em virtude disso, sem prejuízo ao sentido.
( ) Assim (ref. 6) tem como papel retomar e resumir conteúdos já enunciados, podendo ser substituído de
forma competente por Por essa razão.
( ) Quando ela encontrou (ref. 7) pode ser substituído por Ao encontrar, sem alteração do sentido original.
( ) O fato (ref. 8) poderia ser substituído, sem prejuízo ao sentido, por Tal talento.
a) V - V - V - V b) V - F - F - V c) F - V - V - V d) V - V - V - F e) F - F - F - F

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO


O menino sentado à minha frente é meu irmão, assim me disseram; e bem pode ser verdade, ele
regula pelos dezessete anos, justamente o tempo em que estive solto no mundo, sem contato 5nem notícia.
A princípio quero tratá-lo como intruso, mostrar-lhe 1__________ minha hostilidade, não
abertamente para não chocá-lo, 11mas de maneira a não lhe deixar dúvida, como se lhe 6perguntasse com
todas as letras 18: que direito tem você de estar aqui na intimidade de minha família, entrando nos nossos
segredos mais íntimos, dormindo na cama onde eu dormi, lendo meus velhos livros, talvez sorrindo das
minhas anotações à margem, tratando meu pai com intimidade, talvez discutindo a minha conduta, talvez
até criticando-a? 12Mas depois vou notando que ele não é totalmente estranho. De repente fere-me
2__________ ideia de que o intruso talvez 7seja eu, que ele 8tenha mais direito de hostilizar-me do que eu a

ele 19, que vive nesta casa há dezessete anos. O intruso sou eu, não ele.
Ao pensar nisso vem-me o desejo urgente de entendê-lo e de ficar amigo. Faço-lhe 21perguntas e
noto a sua avidez em respondê-las, 13mas logo vejo a inutilidade de prosseguir nesse caminho, 22as perguntas
parecem-me formais e 23as respostas forçadas e complacentes.
Tenho tanta coisa a dizer, mas não sei como começar, até a minha voz parece ter perdido a
naturalidade. Ele me olha 20, e vejo que está me examinando, procurando decidir se devo ser tratado como
irmão ou como estranho, e imagino que as suas dificuldades não devem ser menores do que as minhas. 24Ele

11
me pergunta se eu moro em uma casa grande, com muitos quartos, e antes de responder procuro descobrir
o motivo da pergunta. 25Por que falar em casa? 14E qual a importância de 9muitos quartos? Causarei inveja
nele se responder que sim? 26Não, não tenho casa, há 10muitos anos que tenho morado em hotel. Ele me
olha, parece que fascinado, diz que deve ser bom viver em hotel, 15e conta que, toda vez que faz reparos
3__________ comida, mamãe diz que ele deve ir para um hotel, onde pode reclamar e exigir. De repente o

fascínio se transforma em alarme, 16e ele observa que se eu vivo em hotel não posso ter um cão em minha
companhia, o jornal disse uma vez que um homem foi processado por ter um cão em um quarto de hotel.
Confirmo 4__________ proibição. Ele suspira 17e diz que então não viveria em um hotel nem de graça.
Adaptado de: VEIGA, José J. Entre irmãos. In: MORICONI, Ítalo M. Os Cem Melhores Contos Brasileiros do
Século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001. p. 186-189.

12. (Ufrgs 2014) Considere as afirmações abaixo, sobre os usos de e e mas no texto.
I. Nas referências 11, 12 e 13, a conjunção mas tem o papel de mostrar, por meio de oposições de sentido,
os conflitos do narrador-personagem.
II. Na referência 14, a conjunção E funciona como um articulador das dúvidas do irmão do narrador-
personagem sobre o motivo da pergunta.
III. Nas referências 15, 16 e 17, a conjunção e, além de estabelecer relação aditiva entre orações de
idêntica função, também sinaliza a mudança de ações na narrativa.
Quais estão corretas?
a) Apenas I. c) Apenas I e III. e) I, II e III.
b) Apenas II. d) Apenas II e III.

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO


Por volta de 1928, Henry Ford debatia-se com uma ideia fixa: queria encontrar uma fórmula salvadora
para o problema do suprimento da borracha para sua indústria. Estava cansado de aturar os 4preços que os
ingleses de Ceilão 10lhe impunham. Como? 15Plantando borracha na Amazônia. Não havia o súdito 5inglês
Henry 6Wickham transportado às escondidas para a Inglaterra as mudas da seringueira da Amazônia? Tudo
estava em organizar seringais homogêneos em terras 18apropriadas. 16Por conseguinte, rumo ao Brasil, rumo
à Amazônia.
O Brasil exultou. E 25logo o 26governo brasileiro recebe os 19emissários de 7Ford como costuma
receber os americanos em geral: de braços abertos. Começa o trabalho. A mata resiste, mas 1......... 23Ao
passo que os tratores 28vão fazendo a 8derrubada para a clareira, 27já as casas começam a surgir, o hospital,
os postos de higiene, as quadras de tênis, as mansões dos diretores. Dentro da floresta amazônica, 12o ianque
fizera surgir uma nova cidade. E tudo 2........ como 11convinha. Três mil caboclos trabalhavam; um milhão de
pés de seringueira eram plantados. A floresta 36arquejava, mas cedia. E 30quando, decorridos 29apenas dois
anos, as seringueiras começam a despontar em pelotões, em 37batalhões, em regimentos, ninguém 31mais
tem 32dúvida sobre o 20desfecho da luta.
Entretanto, Ford ia recebendo e lendo relatórios. E estes contavam histórias diferentes das que
figuravam nos frontispícios dos jornais: definhavam as seringueiras pelo excesso de sol e pela falta de
umidade e de humo. Estavam murchando ao sol da região. À falta de proteção das sombras da floresta
tropical, o 35exército de seringueiras de Mr. Ford 3........ ao sol. 38Triunfava o desordenado da selva contra a
39disciplina do seringal.

Devemos concluir daí que 9na Amazônia seja 24de todo impossível 21estabelecer florestas
homogêneas ou que o 33grande vale seja de todo impróprio para o florescimento de uma grande

12
34civilização? 17Aindanão. Por enquanto, a conclusão a tirar é outra. Na verdade, o que se fez nas margens
do Tapajós foi transplantar para o trópico a técnica, os métodos e os processos 13de resultados
14comprovados apenas em climas temperados ou frios – a ciência e a técnica do cultivo da terra próprias

para os trópicos estão ainda em fase empírica e 22elementar.


Adaptado de: MOOG, Vianna. Bandeirantes e pioneiros; paralelo entre duas culturas. 9. ed. Rio de Janeiro:
Civilização Brasileira, 1969. p. 27.

13. (Ufrgs 2012) Assinale a alternativa que apresenta expressões contextualmente equivalentes aos nexos
Por conseguinte (ref. 16), Ao passo que (ref. 23) e à locução adverbial de todo (ref. 24), nesta ordem.
a) Portanto – Assim que – de modo geral d) Assim – À medida que – inteiramente
b) Em contrapartida – Enquanto – absolutamente e) Logo em seguida – À proporção que –
c) Desse modo – Ao mesmo tempo que – no todo totalmente

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO


Ainda o risco da opção nuclear
Quando comecei a dirigir nas estradas brasileiras, alguém me explicou uma “vantajosa teoria” para
ultrapassagens perigosas em lombadas durante a noite. O 5expediente consistia em apagar as luzes do carro,
o que 10“facilitaria” a percepção das luzes de outro carro que viesse em direção contrária – as chances de
um carro vir em direção contrária com as luzes apagadas eram quase nulas. O que escapava 1_____ visão
dessa 7“brilhante teoria” 8(ou apagada?) era o fato 2_____, 12se viesse realmente um carro com as luzes
apagadas em sentido contrário, as chances de não ocorrer uma grande 11catástrofe eram nulas. 6A metáfora
pode ser pobre. Mas encaixa na tragédia das usinas nucleares. 9A do Japão não se limita ao acidente. Como
toda tragédia, começa muito antes, em gerações anteriores. E compromete o futuro das próximas.
Se as usinas em construção 13ou planejadas forem 14de fato concluídas, sua produção cobrirá mais
de 30% da energia elétrica consumida no mundo. Só na França, cerca de 80% vem dessa fonte. 15Apenas
Alemanha, Itália e Reino Unido congelaram a construção de novas unidades – embora o atual governo
alemão tenha alongado a vida das unidades existentes por até 14 anos.
No papel e no discurso, as usinas deveriam resistir 3_____ tudo: de terremotos a ataques aéreos; de
falhas humanas a deficiências técnicas. 19Na prática, a música é outra, e a Marcha Triunfal já se transformou
em Marcha Fúnebre algumas vezes. Chernobyl, na Ucrânia (então parte da União Soviética), ainda na década
de 1980, resultou em mais de 25 mil mortes, além de inutilizar uma enorme área terrestre para a vida
humana por gerações. Provocada por uma série de deficiências técnicas aliadas a falhas humanas, a
catástrofe contou com gestos extraordinários de heroísmo por parte de técnicos, bombeiros e outros
4_____, com o sacrifício da própria vida, impediram desastre ainda maior.

Mas 16a lição não se enraizou. A proliferação de usinas nucleares no mundo inteiro prosseguiu, como
se nada houvesse acontecido. Agora, o desastre de Fukushima, no Japão, pode ter o mesmo destino, o desse
“relativo esquecimento” que o colocará 17num limbo aureolado pelo descaso. Explicar essa 18desrazão
apenas pelo lobby de empresas e agências de governo encarregadas da construção e administração das
usinas – que existe, e é poderosíssimo com a mídia e fora dela – é insuficiente.
As usinas nucleares fazem parte do 20sonho e do 21pesadelo do estilo contemporâneo de consumo.
E, 22como nos sonhos e pesadelos, nossa tendência é lembrar os primeiros e esquecer os segundos. 23Assim
como no caso do aquecimento global, a questão nuclear demonstra que não basta mudar os padrões de
produção da economia. 24É necessário intervir nos padrões de consumo, em escala mundial, com educação
e debate democrático. Não adianta querer impedir que o Brasil construa novas usinas nucleares se o cidadão

13
da França continuar a consumir perto de 80% de sua energia elétrica a partir dessa fonte. Nem reprovar que
os chineses comprem automóveis enquanto os norte-americanos continuam a ter mais de 70 veículos para
cada 100 habitantes.
Já li manchete de artigo dizendo que “a energia nuclear vale o risco”, é “limpa”, tem taxa de acidentes
baixa etc. Mas não se discutem a dimensão dos desastres nem a obliteração da memória. Este talvez seja o
maior risco e a maior tragédia, hoje, dessa forma de energia: a introdução de sua presença no mundo dos
esquecimentos programáticos. No caso de Chernobyl, houve uma tendência a ligar o desastre às sombras
da “ineficiência” e do “autoritarismo” do “regime comunista”. A que atribuir agora a catástrofe japonesa? À
“eficiência” do regime capitalista? Talvez.
É necessário ampliar, aprofundar, insistir nessa discussão de fazer ultrapassagens perigosas em
lombadas noturnas. Com as luzes apagadas.
(AGUIAR, Flávio. Revista do Brasil, n. 58, p. 11, abr. 2011. – Texto adaptado.)

14. (Ucs 2012) Com base no texto, analise a veracidade (V) ou a falsidade (F) das proposições abaixo.
( ) A conjunção ou (ref. 13), apesar de ser considerada pelos compêndios de gramática, genericamente,
como a palavra que “exprime” escolha, alternância, exclusão, estabelece, no contexto em questão, a
relação de sentido de inclusão, acréscimo.
( ) A expressão de fato (ref. 14) poderia ser substituída, sem prejuízo de sentido ao texto, por
imediatamente.
( ) O uso da palavra Apenas (ref. 15) leva-nos a crer que a expectativa acerca das decisões dos adeptos
do uso da energia nuclear era superior ao que foi anunciado.
Assinale a alternativa que preenche corretamente os parênteses, de cima para baixo.
a) V – V – V b) F – F – F c) V – F – F d) V – F – V e) F – V – V

TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO


Para ser grande, sê inteiro: nada No mínimo que fazes.
Teu exagera ou exclui. Assim em cada lago a lua toda
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és Brilha porque alta vive.
(Fernando Pessoa. Odes de Ricardo Reis)

15. (Uepg 2010) Em relação aos elementos de coesão textual, assinale o que for correto.
01) A substituição do ponto final pelo conectivo e não altera o sentido do 3º verso.
02) A substituição do vocábulo ou por mas não altera o sentido do 2º verso.
04) O vocábulo pois substitui em igual sentido o vocábulo porque.
08) É correta a substituição do vocábulo assim pela expressão do mesmo modo que.
16) O vocábulo que equivale a porque.

16. (Uel 1996) Ele pensava numa nova edição do seu romance pela mesma editora; NÃO, PODERIA, POIS,
TER RESCINDIDO O CONTRATO COM ELA." A oração destacada classifica-se como:
a) subordinada adverbial final. d) coordenada assindética explicativa.
b) subordinada adverbial consecutiva. e) coordenada sindética conclusiva.
c) subordinada adverbial condicional.

14

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