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11028 – PRINCÍCIOS DE DIDÁCTICA 2010/2011

Princípios de Didáctica

E-fólio sobre o texto:

No seu trabalho, o educador, depara-se com uma população cada vez mais diversificada. Assim, por um
lado, o facto de os jovens terem origens socioculturais muito distintas e, por outro, a integração de um
número crescente daqueles que têm necessidades educativas especiais, coloca o professor perante novos
problemas e obriga-o a encontrar soluções adequadas de modo a que as tarefas de aprendizagem sejam
eficazes para todos os que estão presentes na sala de aula.

Turma 4
11028 – PRINCÍCIOS DE DIDÁCTICA 2010/2011

Introdução
Com o mudar dos tempos vão-se alterando os valores, a sociedade, a filosofia
social e consequentemente o ensino. Hoje, e com a integração de crianças e jovens que
trazem consigo uma enorme variedade de origens culturais, talentos, e necessidades,
espera-se que o papel do professor seja muito mais do que a mera transmissão de
saberes.
Salas de aula diversificadas
Especialmente durante o séc. XX e com todas as transformações oriundas das
duas Grandes Guerras Mundiais foram surgindo transformações na sociedade, quer a
nível económico, quer social, que conduziram a uma necessidade de se alterar as
expectativas face ao professor e à escola. Tal como diz Perrenoud (1999), se se quer que
todos alcancem os objetivos, não basta mais ensinar, é preciso fazer com que cada um
aprenda encontrando o processo apropriado. Esse ensino “sob medida” está além de
todas as prescrições.
Nos dias de hoje e na sociedade multicultural onde vivemos, os objectivos dos
professores são alterados constantemente, pois o acesso à escola foi garantido a todos,
integrando alunos sobredotados e ou necessidades educativas especiais, onde as
diferenças demográficas são realçadas. Sem dúvida que esta integração proporciona
uma sociedade mais evoluída, deixando de lado a educação elitista e incluindo seres
humanos conotados de diferentes. Mas, estarão os nossos professores instruídos para a
presente diversificação da população escolar? É pois um problema ao qual o professor
deve saber corresponder eficazmente. Para que tal aconteça, o professor necessita de um
maior conhecimento académico, mantendo-se em constante formação, bem como a
adopção de novas perspectivas sobre o significado do aprender e ensinar, de modo a
promover um melhor ensino. Pretende-se, portanto, que o professor seja perspicaz ao
ponto de conseguir que a pedagogia seja mais interactiva e construtivista e a relação
com os alunos seja mais calorosa e igualitária na sala de aula.
Neste sentido, cabe à escola/professores criarem condições de equidade
independentemente da sua raça, classe social ou capacidades, não diferenciando os
alunos. Os professores devem oferecer uma educação de igual qualidade para todos
aprendendo e deixar de lado os seus preconceitos.
Tradicionalmente, os alunos com necessidades especiais têm recebido uma
educação de nível inferior. Desta feita, é necessário que haja um esforço para que estes
alunos sejam incluídos em turmas regulares, num ambiente o menos restritivo possível.
Cabe ao professor prestar auxilio durante o processo do plano de educação individual e
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adaptar a sua instrução e outros aspectos do ensino, de forma a que todos possam
aprender, podendo combinar abordagens muito estruturadas com uma instrução que
deve derivar do interesse do aluno, como sendo, provavelmente, uma solução eficaz. O
mesmo se sucede com alunos sobredotados. Apesar de alguns acreditarem que a atenção
dada a estes alunos tira recursos a quem mais precisa deles é importante encontrar
estratégias eficazes para que estes alunos também sintam evolução. Arends (2008. p:85)
refere como estratégias “a inclusão de uma instrução diferenciada, a criação de
ambientes de aprendizagem ricos, a utilização de agrupamentos flexíveis, a condensação
do currículo e da instrução, a utilização de estudo interdependente e o apoio aos alunos
sobredotados para que estabeleçam padrões exigentes para si próprios.”
Não menos importante é reconhecer e respeitar a diversidade cultural e racial presente
nas escolas de hoje, desenvolvendo uma receptividade e sensibilidade às culturas dos
alunos, incluindo a instrução directa, a aprendizagem cooperativa, o ensino recíproco e
a resolução de problemas comunitários com vista a um ensino eficaz. O professor deve
ainda ter presente a inclusão de alunos cuja língua materna não é o português e
encorajar os alunos a desenvolver as suas competências. Cabe ainda ao professor
respeitar o aluno independentemente do sexo ou orientações sexuais, da religião, ou até
mesmo do seu estatuto socioeconómico, deixando de lado, mais uma vez, os seus
preconceitos e interagindo de forma igual para com todos os alunos. Só assim se
constrói uma educação igualitária. Porém, é necessário que haja não só um esforço por
parte dos professores mas que hajam acções e reformas a nível escolar e comunitário.
Conclusão
A sala de aula reflecte uma sociedade cada vez mais complexa socialmente e
culturalmente. Aos problemas pedagógicos acrescentam-se cada vez mais os problemas
de um ensino que quer e deve incluir todos, numa sociedade onde há cada vez mais
alunos oriundos de culturas diversas e de extratos socioeconómicos variados. Situações
de diferenças complexas a nível religioso, cultural, económico, e mesmo linguístico são
frequentes. É preciso ter em conta também que os alunos têm diferentes capacidades e
aptidões diferentes para diferentes campos, e reagem de formas diferentes a estratégias
de ensino diferentes. Os estudos e a experiência indicam que todos esses factores têm
uma influência muito forte na forma como os alunos aprendem, e o professor é obrigado
não só a ter consciência disso mas a procurar e encontrar estratégias para que não
obstante as diferenças, todos os alunos tenham a oportunidade de obter sucesso escolar.
Para isso deve basear-se não em estereótipos e preconceitos, mas nos estudos feitos e
que decorrem frequentemente sobre as melhores estratégias, reflectir sobre a sua própria
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situação e ambiente com que é defrontado, e ir definindo o seu repertório de acções


eficazes partindo da base científica existente sobre o ensino e a sua própria experiência.

Bibliografia:

 Arends, R. (2008). Aprender a Ensinar. Lisboa. McGraw-Hill.


 Perrenoud, P. (1999). Formar Professores em contexto sociais em mudança.
Revista Brasileira de Educação.

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