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Orientação para o Relatório de Leitura

Objetivos:
1. Auxiliar a compreensão do texto lido pela sistematização das idéias principais.
2. Estimular a capacidade de escrita dos alunos.
3. Permitir o aluno o desenvolvimento de um senso crítico e aplicação do conhecimento.

Modelo ou Itens do Relatório de Leitura:


1. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA (AUTOR(ES), TÍTULO DO ARTIGO, REVISTA, ANO)
2. ESQUEMA DO TEXTO
3. CONTRIBUIÇÃO DO TEXTO PARA SEU CRESCIMENTO INTELECTUAL
4. PERGUNTA PARA DEBATE
Obs. Identificar cada item.

Orientações para produção do relatório:


1-Como fazer um esquema: Os Esquemas são representações gráficas sintéticas de idéias, fatos,
conceitos, princípios, modelos, processos, entre outros conhecimentos. Eles visam evidenciar
e, assim, facilitar a compreensão e a comunicação das relações estruturais, hierárquicas ou de
causalidade entre os diversos elementos que compõe as informações apresentadas no texto. Na
Figura 1 abaixo, você pode observar alguns modelos da aparência de um esquema. Observe com
atenção a Figura 1 e veja existe uma hierarquia na elaboração do esquema, independente do
modelo que você optar. O mais fácil de ser feito no computador é o de subordinação.
Independente do tipo de esquema que você optar, é necessário ter uma compreensão da
estrutura do texto lido e utilizar essa estrutura na elaboração do mesmo. Vamos dar algumas
orientações aqui como você pode proceder para elaborar o seu esquema.

Figura 1. Modelo de esquemas (obs. Escrito em português de Portugal)

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Como elaborar um esquema:
A maior parte dos textos científicos ou outros textos de boa qualidade apresentam subtítulos ou
subtópicos para facilitar a vida do leitor. Além disso, normalmente o parágrafo representa uma
unidade de pensamento. Assim, você pode começar a construção do seu esquema explorando essas
duas características. Use o subtítulo como um item do seu esquema. Depois ao ler os parágrafos.
Transforme a ideia de cada parágrafo em um subtópico. Essa não é uma regra, mas uma forma
sugestiva de você começar a organizar o seu esquema. A ideia fundamental em um esquema é que
ele deve colocar em forma organizada os tópicos tratados no texto. Devemos escolher frases ou
palavras para produzir o esquema. É importante, que esse esquema possa ser lido e o leitor, que não
conheceu o texto, possa compreender qual foi a ordem de argumentação usada pelo autor do texto.
Justamente, por organizar as ideias principais e secundarias de um texto, o esquema é fundamental
para demonstrar a compreensão de um texto e ajudar no estudo de materiais complexos. Veja no
Anexo II o modelo do esquema de subordinação construído a partir de um texto (Anexo I)
Um aspecto fundamental é lembrar que o esquema é proporcional ao tamanho do texto.

Vantagens dos esquemas:


Para fazer um bom esquema, você deve ter compreendido bem toda a matéria.
Permitem apresentar muita matéria e relacioná-la, facilitando as revisões.
Mostram a relação lógica e hierárquica entre as várias idéias.
Dão uma imagem visual da matéria e da sua organização.

2. Como elaborara a “Contribuição do texto para seu crescimento intelectual”


Esse item deseja explorar a relação que você fez do texto com o seu conhecimento anterior, o
que ele lhe acrescentou ou fez mudar de compreensão sobre o tema estudado, tanto no sentido
específico, quanto no sentido geral da disciplina a qual esse relatório se subordina.

Como escrever esse item:


Primeiramente, você deve estar atento que essa atividade não é dizer se gostou ou não do texto.
Nesse item, você precisa relacionar o texto lido com outros conteúdos que está estudando na
disciplina. A proposta desse item é que você possa demonstrar o enriquecimento que esse texto
trouxe. Não copie nenhuma parte do texto. Escreva em uma linguagem pessoal, pois é justamente
aqui, que você deve se manifestar. Assim, o texto deveria começar com: “Eu aprendi que .....” ou
“ O texto me permitiu entender melhor...” ou ainda, “ Após, a leitura do texto, comecei a
repensar os conceitos que tinha a respeito de...”. Veja essas são apenas algumas sugestões que não
precisam ser copiadas, mas a ideia no qual você vai escrever em primeira pessoa é obrigatória.
Mostre claramente através de um ou mais parágrafos o quanto esse texto enriqueceu a sua
compreensão do assunto tratado.

3.Como elaborar uma “Pergunta para debate”


Esse item tem como objetivo estimular a capacidade de elaborar questões. O desenvolvimento
científico se baseia fundamentalmente no hábito do cientista de elaborar novas questões. Assim, o
exercício de formular questões é bastante importante para desenvolver a capacidade de pensar
criticamente. Uma pergunta para debate, ela se caracteriza por estimular a aplicação ou a
avaliação do tema. Assim, a pergunta para debate deve se caracterizar por oferecer uma das duas
condições citadas anteriormente. Ela deve estimular a capacidade de avaliação do conceito ou
aplicar em outras circunstâncias. As perguntas que já tem o seu conteúdo respondido diretamente
no texto não estão na categoria de “Pergunta para debate”.

Nas próximas páginas você tem um exemplo de como elaborar corretamente o relatório. Há no
Anexo I um texto para sua leitura e o Anexo II apresenta o relatório do mesmo. Observe que
utilizamos o esquema de subordinação, por que consideramos que ele poderia ilustrar melhor a
produção do esquema. Se for utilizado as outras formas, a estrutura e o conteúdo precisam ser os
mesmos. No item a respeito da pergunta colocamos dois exemplos para facilita a compreensão
do que está sendo solicitado.

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Anexo 1
Regina Zilberman*
Leitura: História e Sociedade
Usualmente define-se a leitura a partir de uma perspectiva individual, sendo
considerado o resultado de um período determinado de escolarização. Logo, ler não é
inato ao ser humano, e essa circunstância – a de consistir em habilidade adquirida-
denuncia, de imediato, a natureza social daquela atividade. A dimensão social se
apresenta de modo mais evidente, quando lembramos que o exercício da leitura
depende do funcionamento e integração de, pelo menos, os seguintes fatores:
um sistema – o da escrita;
um processo – o de alfabetização;
o um conjunto de valores – o que postula a importância de a pessoa dominar o código
escrito, distinguindo as que o fazem das que ainda não foram capacitadas a tanto.

Para interagirem, esses fatores dependem da existência de algumas instituições, sendo


a escola a mais representativa, responsável pelo processo de alfabetização do
indivíduo e pela socialização do sistema da escrita. A difusão dessa, por seu turno,
não ocorre apenas por efeito da ação da escola; igualmente decisiva é a contribuição
da tecnologia, que alcançou esse resultado por intermédio de diferentes e
progressivos instrumentos, corno foram, numa época, os primeiros modelos de
impressão e são hoje os recursos bastante dinâmicos e aperfeiçoados de reprodução
mecânica. A técnica aparece também no âmbito da educação, ao qual a leitura está
indelevelmente vinculada, confundindo-se então com os meios que permitem produzir,
ampliar e consolidar os métodos de alfabetização, tornando-os a condição
necessária para a efetiva aprendizagem da habilidade de ler.

Uma certa ideologia garante o arranjo dessas peças, expandindo a noção de que a
leitura distingue os indivíduos. Essa diferença advém das oportunidades desiguais de
alfabetização de que pessoas e grupos dispõem, portanto se origina na organização da
sociedade, dividida em classes menos e mais privilegiadas. Porém, ao considerar o
domínio individual da habilidade de leitura, o sintoma dessa repartição, obscurecem-
se as causas sociais e transfere-se o problema para outro nível, o pessoal.
Essas marcas sugerem que não cabe definir a leitura apenas desde a perspectiva
individual e concebê-la enquanto desempenho de uma habilidade adquirida. Por sua
vez, o perfil social acima descrito não caracterizou a leitura desde seu surgimento
enquanto atividade humana, nem, depois de se confirmar sua existência, foi sempre
idêntico. Com efeito, não somente ele se apresentou com mais nitidez numa
dada época, como se modificou ao longo do tempo, fato sugestivo de que a natureza
social da leitura se complementa numa dimensão histórica.

Foi no século XVIII que a leitura começou a incorporar as marcas antes descritas,
evidenciando definitivamente por que se trata de uma atividade definida por sua faceta
social. As mudanças se deveram a transformações de dois tipos, a primeira de
orientação tecnológica, a segunda, institucional.

Talvez a principal contribuição da tecnologia à delimitação e disseminação do perfil da


leitura tenha sido a invenção da imprensa mecânica, no século XV. Essa conferiu ao
livro outra configuração material, de que adveio sua maior maleabilidade e
acessibilidade. Ele deixou de ser um objeto raro e de difícil utilização, para, aos
poucos, pôr-se ao alcance de um maior número de pessoas, pelo menos das que
sabiam ler e se dedicavam aos estudos. Determinou também uma mudança
fundamental no uso da língua literária, pois incentivou a expansão do vernáculo na
literatura. E provocou novas formas de percepção, pois a circulação da linguagem
passou a ser mediada cada vez mais pela intervenção da escrita.

Porém, os maiores efeitos desse invento ocorreram tão-somente no século XVIII,


quando ele se beneficiou do surto de descobertas associado à Revolução Industrial.

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Essa tinha em vista o aumento da produtividade das manufaturas, que precisavam
responder com presteza e eficiência ao crescimento do mercado consumidor. Novas
técnicas foram postas à disposição das indústrias emergentes, e entre essas
encontrava-se a que se responsabilizava pela produção de material transmitido por
escrito.

Dispondo de novas técnicas de reprodução, as tipografias puderam aumentar a


tiragem das obras; as livrarias, ver crescer o volume das vendas; os consumidores,
presenciar o aparecimento e a consolidação de uma variedade notável de meios de
comunicação por escrito. Esses se apresentavam sob diferentes formas, desde as já
tradicionais, como o livro, até as, na época, mais avançadas, como o jornal, o cartaz e
o folhetim. Assim como os materiais destinados à leitura se multiplicaram,
proliferaram-se diferentes gêneros a serem absorvidos por um público também
variado. Ao lado dos modelos conhecidos de criação literária, como a poesia lírica e a
novela, surgiram outros, na ocasião bastante originais, como o folhetim e a literatura
infantil, e reformaramse terceiros, como o conto e a narrativa de aventuras.
Com isso, o livro- e, por conseqüência, a literatura, de que aquele era portador- se
vulgarizou; mas, ao mesmo tempo, a leitura se popularizou, tornando-se uma prática
progressivamente usual entre as pessoas das diferentes classes sociais. Contudo, a
distribuição da leitura entre esses grupos não se deu de modo semelhante, nem
igualitário, as diferenças se devendo, de um lado, à pluralização das preferências, e,
de outro, às oscilantes disponibilidades econômicas e intelectuais dos eventuais
compradores das obras editadas.

Com efeito, a proliferação dos gêneros literários e dos materiais de leitura não
literários, como o jornal, por exemplo, resultou da fragmentação do gosto. Este, até
então uno e solidário com a preferência da camada dominante – a aristocracia,
repartiu-se entre os grupos diversos de consumidores, a produção procurando atender
a essa variedade. Mesmo dentro de um mesmo segmento social o gosto se duplicou,
como se pode ver pela emergência de gêneros destinados particularmente ao público
feminino, ao masculino e ao infantil, razão do aparecimento e expansão
do romance, dirigido sobretudo às mulheres; do jornal, visando majoritariamente aos
homens de negócio; e da literatura para crianças – grupos todos afinados com a
burguesia urbana.

Essa veio a consistir no principal consumidor de leitura, posição que selava no plano
cultural a hegemonia exercida em outros setores. Isso, porém, não decorria de fatores
naturais, e sim do fato de as classes dependentes da burguesia não disporem de
suficiente poder aquisitivo para se configurarem em público autônomo, com
necessidades próprias. Por conseqüência, a leitura teve sua difusão limitada, de certo
modo reproduzindo as divisões existentes no meio. Também resulta dessa situação, o
fato de a leitura assumir certa conotação ideológica, apontando para uma
distinção intelectual que é mera réplica de papéis previamente verificáveis na
sociedade.

Os produtos destinados à leitura visavam à burguesia também por essa constituir


uma classe letrada; e por ela ter assumido a escolarização como necessidade geral a
ser encampada pelo Estado e difundida entre todas as parcelas da população. Esta
mudança de ordem institucional colaborou na definição do caráter social da leitura
mas se deu pelo reforço dos vínculos com o ensino.

Se o século XVIII se distingue economicamente pela imposição do sistema capitalista,


dominado por uma burguesia industrial e financeira, ele consiste igualmente no
período em que a educação se converte em projeto coletivo, perdendo sua
característica de prática individual. A educação já tivera esse sentido na Grécia
clássica, mas atingira apenas a aristocracia, que julgava a paideia imprescindível para
se chegar a areté, sinalizadora da nobreza de alma e comportamento. Está visão de
mundo, contudo, não foi adotada pelos sucessores dos gregos, e mesmo no período em
que competiu à Igreja a formação dos indivíduos, a educação não era considerada

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artigo de primeira necessidade. A Igreja a empregava apenas na preparação de seus
próprios quadros, de modo que tomou um sentido exclusivamente individual. O
pensamento renascentista não chegou a contrariar inteiramente essa postura, quando
a secularizou e traduziu no ideal do cortesão, figura que alcançou forma definitiva na
obra de Baldassare Castiglioni.

A compreensão de que educar poderia se referir a um processo coletivo, destinado a


incontáveis beneficiários, precisou aguardar o final do século XVI e principalmente o
XVII. Seus agentes foram, ainda, os religiosos, levando a supor que a Igreja estava
mudando de atitude, o que de fato acontecia, como fruto da Contra-Reforma. Por isso,
a Companhia de Jesus ofereceu o primeiro e maior contingente de professores, que se
orientavam preferentemente aos indivíduos que, segundo eles, podiam ser
conquistados para as fileiras do Cristianismo: os índios da América, qualificados de
pagãos, e os orientais da Ásia, julgados infiéis. Logo, porém, evidenciou-se que esse
sistema poderia ser igualmente utilizado na Europa, agindo, neste caso, no sentido de
preparar as futuras gerações para exercerem suas funções sociais. Seus principais
usuários não provieram dos quadros da aristocracia, pois essa ainda confiava no
modelo dentro do qual seus ancestrais foram formados: o da educação individual e
particular, voltada sobretudo às artes marciais e à prática da cortesia. Os burgueses
não podiam encampar esse ideal, que os forçaria a aceitar os valores do grupo com o
qual disputavam o poder. Por isso, recorreram à pedagogia dos jesuítas, mas
adaptaram-na às suas necessidades. Foram destacando cada vez mais o uso do
vernáculo, a aquisição do conhecimento, a organização desse último em graus aos
quais se ascende progressivamente. A competitividade foi transferida para o âmbito da
educação, e a maior capacidade dos contendores passou a ser medida em termos de
acúmulo de saber.

Na base desse processo estava, como sempre, a alfabetização; por isso, conhecer
passou a depender cada vez mais do ler. Essa habilidade, da sua parte, só era obtida
na escola, de modo que foi preciso expandir o sistema de ensino, torná-lo obrigatório e
valorizar seus resultados. Com isso, a escola deixou de ser um lugar para converter-se
numa instituição, com a qual a leitura vinculou-se para sempre. O fato lhe conferiu,
desde então, inevitável fisionomia pedagógica, pois não mais pôde impedir que fosse
identificada à instituição que a promovia e a difundia, nem deixar de se
apresentar como sintoma do funcionamento e eficiência daquela.

A ocorrência simultânea desses dois fenômenos, permitindo à leitura se expandir


como prática social em conseqüência da Revolução Industrial e da implantação de um
sistema escolar unificado, sugere de antemão as afinidades entre eles. Ambos tiveram
como resultado a multiplicação do número de leitores: por torná-los aptos ao consumo
de textos e por proporcionar maior quantidade de textos a esse público virtual. E cada
um usufruiu do produto gerado pelo outro: a escola forneceu leitores para o mercado,
esse gerou material para circular durante a fase de escolarização e depois
dela, assegurando seus efeitos ao longo do tempo. Por último, os dois se abrigaram
sob o mesmo pretexto: facultavam a difusão do saber, credenciavam o indivíduo que
os freqüentava, qualificavam como elevado o efeito desse processo.

Outra conseqüência não se fez esperar: a leitura, processo localizado na base desses
fenômenos, assumiu sentidos variados, embora nem todos visíveis. Enquanto fator de
elevação social, foi julgada positiva e necessária; mas, enquanto virtual instrumento
de acesso a um material indesejado – como as chamadas "más leituras" –, foi
criticada, censurada, proibida. Não foram poucos os textos que, ainda no século XVIII,
se viram na condição de perseguidos e discriminados. A Enciclopédia consiste
no exemplo mais renomado; essa condição, porém, se transferiu a produtos menos
prestigiados, impedidos de circular ou reduzidos à clandestinidade em nome da moral
e dos bons costumes.

A dualidade que recobre o conceito de leitura, quando examinado seu modo de


circulação social e ideológica, se desloca ao objeto ao qual ela dá acesso: o livro.

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Também ele é encarado de modo dúbio – valorizado, quando transmite saberes e
posições socialmente aceitos; degradado, quando reconhecida sua condição de
mercadoria; censurado,quando investe contra idéias e sistemas dominantes. É claro
que essas qualidades podem se distribuir entre tipos de livro e de leituras,
situação em que se distingue o material que eleva do que rebaixa. O primeiro dispõe
de instituições e canais que o consagram- como a universidade e a crítica literária-,
enquanto que o segundo é associado a expressões cuja existência ninguém
desconhece, com as quais todos se conformam, à qual poucos respeitam – como a
cultura de massa, em particular a literatura trivial. Contudo, essas
classificações não são motivadas por material diferenciado; variam, isto sim, as
avaliações de que ele é objeto, fato que as coloca sob suspeita.

Originada ao mesmo tempo que os fenômenos de que aqui se tratam, essa dualidade
não desaparece ao longo da história da circulação do livro e do conceito de leitura na
sociedade burguesa. Apenas se tornou mais problemática com o passar dos anos,
devido ao desenvolvimento desigual dos termos em conflito. Pois, com a expansão da
economia capitalista, cresceram também os produtos associados diretamente ao
mercado, consolidando a literatura de massa e acentuando o ângulo materialista das
relações entre o consumidor e o livro. Essas puderam adquirir grande consistência,
também, em virtude do caráter assumido por esse tipo de literatura, freqüentemente
escapista, portanto, pouco comprometido com a expectativa pedagógica entes descrita,
que atribui ao livro a tarefa de veicular um saber simultaneamente válido para a
coletividade e inquestionável.

A alternativa foi confiar à escola a missão de recuperar o equilíbrio. Contudo, essa


decisão traz consigo dificuldades, ao transformar o ensino em lugar de defesa de um
modelo de cultura não mais tão afinado com os rumos atuais da sociedade burguesa.
Essa situação confere à escola outro tipo de dualismo, pois ela pode optar por regredir
ao seu sentido original ou por se adiantar ao sistema dominante. No primeiro caso, ela
se confirma enquanto o lugar de transmissão de uma ideologia que considera a
aquisição do saber o passaporte para a ascensão social, conforme fizera nos seus
inícios, quando a burguesia lhe atribuía a capacidade de fraturar a hegemonia da
nobreza feudal. No segundo, ela escolhe alterar seu modo de ação, deixando de
reproduzir as exigências da classe dominante e preferindo responder às
necessidades dos grupos emergentes. A primeira decisão tem, índole conservadora; a
segunda, progressista; mas ambas coincidem num aspecto fundamental: indicam que
a escola hão mais se identifica plenamente com os interesses da burguesia, embora,
nas duas circunstâncias, ela conserve resíduos do projeto que lhe deu origem e
assegurou sua expansão.

A nova dualidade se transfere a um dos sentidos da leitura: também essa prática não
mais se reduz unicamente aos motivos que, no início, facultaram sua expansão.
Retomados esses últimos, a leitura oscila entre os mesmos aspectos conservadores ou
progressistas que dividem a escola. A discussão sobre leitura atualmente se ressente
disso: não evita a tendência a encampar os dois lados da questão, nem sempre
refletindo sobre eles. Por outro lado, essa discussão nunca perde seu potencial
desestabilizador, mesmo quando as soluções propostas se orientam para a
restauração da ideologia burguesa que a leitura carregan em seu bojo. E isto por um
aspecto que não se pode deixar de lado: o fato de a difusão da leitura contar pouco
entre os projetos atuais da sociedade capitalista, de modo que tentar resgatar aquele
processo significa, ainda quando tenuamente, uma reação a um modelo dominante de
organização da sociedade, que se funda na divisão de classes e na opressão de uma
pela outra.

Este reconhecimento, contudo, não deve encerrar o tratamento da questão, e, sim,


apresentar-se como seu ponto de partida: percorrer de novo a história social da leitura
só tem sentido, quando, simultaneamente, se descobre se essa prática conserva
consigo algum potencial revolucionário. Neste caso, cabe reabilitá-lo, considerando-o
um dos elementos vitais para viabilizar a transformação social. Só assim não se perde

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o componente social aqui seguidamente reiterado, embora seu sentido possa mudar.
Só assim, também, a leitura se apresenta como um tema sobre o qual vale a pena
falar nos dias de hoje.

Anexo II – Relatório de Leitura:

1- Referência Bibliográfica: Zilberman, Regina. Leitura História e Sociedade.

2- Esquema:
1.Conceitos básicos da Leitura:
1.1 – Leitura envolve uma dimensão social.
1.2 - A difusão de leitura depende de alguns fatores:
1.2.1 – A escola como instituição.
1.2.2 – Desenvolvimento das técnicas para produção do material
escrito.
1.3 –Distribuição do hábito de leitura é desigual na sociedade como consequência
da divisão da sociedade em classe.
1.4 – Há uma importante dimensão histórica na elaboração do processo de leitura.
2. Processo histórico da formação da leitura:
2.1- Séc. XVIII mudança nos padrões de leitura:
2.1.1- Fator tecnológico- invenção da impressão mecânica, no séc. XV, já
bastante aperfeiçoada nesse período.
2.1.2- Revolução industrial necessitava de transmissão de ordens escrita.
2.2 - Surgimento de novas formas literárias.
2.3 – Consequência desse processo fragmentação do gosto literário.
2.3.1 – Surgimento de segmentos por gênero ou idade;
2.3.2 - Aparecimento de estilos em função da classe.
2.4 – Padrão de gosto da burguesia prevalece como referencial – vantagens
econômicas desse grupo.
2.5 – A burguesia apoia a escolarização pela ação do Estado.
3.Mudança educacional a partir dessa etapa (séc. XVIII/XIX).
3.1 – Educação na Grécia era aristocrática.
3.2 – Popularização da educação relacionada ao processos de catequização dos
pagãos.
3.3 – Burgueses passam a usar o vernáculo e difundir a pedagogia dos jesuítas.
3.4 – Base da escolarização: alfabetização.
3.5 – Difusão dos sistemas escolares leva a formação de cada vez maior número de
leitores.
3.6 – Surgimento de classificação dos tipos de leituras: positiva/negativa.
3.7 – Conceito de valor aplicado ao livro.
3.8 – Expansão do mercado favorece a difusão desse conceito para com os livros.
4. Papel da escola na leitura:
4.1- A escola tem a “missão de ensinar” – marca de uma dualidade:
4.1.1 – Lugar de transmissão da ideologia.
4.12- Ou transmissão de necessidades das classes emergentes.
4.2 – A leitura reproduz essa dualidade.
4.3 – A leitura conserva um potencial revolucionário.

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3- Contribuição do Texto:

Ao ler esse texto pude recordar vários aspectos sobre o processo de escolarização e
leitura. Percebi que a associação que tenho entre escola e alfabetização tem uma origem
histórica devido a popularização dos processos escolares. Aprender que a expansão da
leitura foi consequência do desenvolvimento tecnológico para a produção de livros e
outros tipos de material escrito ajuda a perceber de uma forma mais ampla o processo de
ensino. Atualmente quando há um debate sobre o uso de tecnologias no ensino, esse tipo
de texto nos deixa bem claro, que foi um tipo de desenvolvimento tecnológico- a
impressão- que viabilizou a expansão escolar como conhecemos hoje. Assim, esse texto
ajudou a repensar não apenas a dimensão histórica da leitura-escrita, mas dar subsídios
para outras discussões acadêmicas.

4- Pergunta para debate:


“Considerando que o processo de alfabetização está inserido dentro de um contexto de
luta de classes, como identificar o que é fundamental e o que é periférico na cobrança da
escola do domínio da leitura e escrita por parte dos alunos?”

Ou

“Quais são as implicações que a compreensão do processo histórico da escolarização e da


difusão da leitura para o desenvolvimento de uma prática pedagógica crítica por parte dos
professores?”