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Anthony Giddens - Capitalismo e Moderna Teoria Social. Tradução Maria do Carmo Cary.

Lisboa: Editorial Presença. 6ª Edição, 2005 [1972].

Prefácio

Propostas do livro são de realizar uma análise “precisa e completa” das ideias sociológicas
de Karl Marx, Max Weber e Émilie Durkheim. Destaca que estes três autores não são os
representantes das únicas correntes relevantes no período do pensamento social que vai de 1820 a
1920. No entanto, as principais correntes da teoria social contemporânea são fortemente
influenciadas por esses autores. Marx, no neomarxismo contemporâneo; Durkheim, no
funcionalismo estrutural, e Weber, em algumas das correntes da fenomenologia moderna (P. 12).
O autor deseja, nesta obra, realizar comparações e estudos comparativos entre estes três
autores, sublinhando a coerência interna de suas obras (p. 13). “O meu objetivo era tão-só o de
esclarecer alguns aspectos das relações intelectuais complexas que entre elas se podem estabelecer
(p. 13). Tem como referência Marx, e faz o exercício de comparação entre Weber, Durkheim e o
primeiro. Em relação ao autor de O Capital, não faz separação entre o “Jovem Marx” e o Marx
“Maduro” (p. 13). No que tange à Durkheim, Anthony irá apresentá-lo como um “pensador
histórico”, mais do que como “funcionalista”. As obras de Weber analisadas é diversa e difícil de
ser estudadas em aspecto geral. De todo modo, o autor destaca o “neokantismo radical de Weber
é o princípio que confere unidade aos vários ensaios que escrever acerca dos mais diversos
assuntos” (p. 14).
● Reflexão sobre a origem e a circulação das ideias: há de se ter sempre em conta o contexto
social no qual as teorias são formuladas. Isso não significa dizer que são válidas apenas
nos contextos de sua emergência, pois deve-se ter em conta o destino, a circulação de tais
ideias. No entanto, qual lugar da experiência nas teorias científicas e sociais? “Não creio
que as divergências possam ser resolvidas dessa maneira, ou que as teorias científicas
possam ser “confirmadas” ou “eliminadas” pelo teste da experiência” (p. 14).

Introdução
Os contextos econômicos, políticos e sociais das elaborações teóricas de Marx
contemplavam tanto o contexto econômico inglês, as reflexões socialistas nascidas das
transformações sociais francesas, e a situação de “atraso” político e econômico alemão. Assim, em
suas obras estão condensadas “a consciência intelectual da evolução divergente da Inglaterra,
Alemanha e da França” (p. 20). A base teórica que ele elabora pode auxiliar na “interpretação das
diferenças da estrutura social, econômica e política em geral” (idem).
(...) mas a minha opinião, e proponho-me como um dos principais objetivos deste livro
defendê-lo, que o maior interesse da obra desses autores reside no fato de terem definido a estrutura
característica do “capitalismo” moderno, comparando-o com as formas sociais anteriores” (p. 23).

Parte 1: Marx

O autor apresenta as influências de Hegel e Feuerbach nas ideias do “jovem” Marx. De


ambos, Marx se interessava “[n]as possibilidades que essas filosofias ofereciam para operar uma
síntese entre a análise e a crítica, e por conseguinte para “realizar” a filosofia” (p. 31). Hegel tem
sua filosofia centrada na perspectiva histórica, a qual Feuerbach renuncia, a favor de uma
perspectiva “materialista”, afirma “o pensamento deriva da existência, e não a existência do
pensamento” (p. 30).
Em Manuscritos Econômicos e Filosóficos, de 1843, é possível discernir os primeiros
vestígios da concepção de materialismo histórico de Marx. A proposta de uma “verdadeira
democracia” consiste na transposição dos interesses egoístas de indivíduos e a comunidade
política, com a realização prática da transformação entre Sociedade e Estado, na participação
política universal, através do sufrágio universal. A crítica da religião é necessária para alcançar
uma crítica real, pois “A exigência do abandono das ilusões no que se refere à sua verdadeira
condição equivale à exigência do abandono de uma condição que necessita de ilusões” [trecho da
Introdução à Crítica da Filosofia do Direito de Hegel, de 1843] (p. 35).
Proletariado: o grupo social que pode aliar a crítica teórica da política à sua experiência da posição
que ocupa na sociedade, de “enfermo de todos os piores males da sociedade”. Sua condição de
pobreza é um efeito “artificial” da organização contemporânea da produção industrial”. Ou seja,
sua pobreza é resultante da estrutura social. Tal conexão teria potencial revolucionário, pois o
“proletariado anuncia a dissolução da ordem de coisas até aí vigente” (p. 36). Sua existência se
efetiva na dissolução dessa “ordem de coisas aí vigente” (p. 36).
Nos Manuscritos Econômicos e Filosóficos (1844 - publicado em 1932), em seu prefácio
expõe o desenho da ampla obra que projetara, mas não chegou a concluir. Nela, O Capital seria
apenas um dos aspectos da vasta crítica ao kpitalismo que planejou fazer. Em manuscritos está
presente a última atenção de Marx à religião. Aparece também o conceito de alienação, que
reaparece nos (ou como) tema de diversas das obras posteriores.
As hipóteses da economia política refutadas por Marx em Manuscritos são:
● Capitalismo como forma histórica e não derivada de características naturais do homem: “O
capitalismo não passa de um tipo de sistema de produção semelhante a muitos outros que
o precederam na história, e não pode ser considerado como uma forma final, tal como os
outros sistemas que o precederam foram igualmente transitórios” (p. 38);
● Relações econômicas são relações sociais e não podem ser tratadas de forma abstrata:
“Todo fenômeno econômico é simultaneamente um fenômeno social, e a existência de um
determinado tipo de economia pressupõe a de um certo tipo de sociedade” (p. 38).
Assim, o sistema econômico e seu modo de produção existem em função das pessoas, nesse sentido
seu conflito central é causado pela distribuição dos frutos da produção industrial, é o conflito entre
trabalhadores e classe capitalista (burguesia). Os trabalhadores são expropriados dos frutos de seu
labor, nisso se funda a desigualdade entre salários de uns e lucro para a classe de proprietários.
Somada à essa expropriação, e aprofundada, a alienação decorre da equivalência do “valor”
atribuído aos/as trabalhadores/as e aos produtos a nível teórico, de modo que “o trabalhador torna-
se num bem ainda mais barato do que aqueles que produz. A desvalorização do mundo humano
aumenta em proporção direta da valorização do mundo das coisas” (p. 39). A alienação provém
também da crescente disparidade entre “(...) poder produtivo do trabalho, que se torna cada vez
maior com a expansão do capitalismo, e a ausência de controle por parte do trabalhador sobre os
objetos que produz” (idem). Tão alheio, externo passa ser o produto do trabalho em relação ao seu
produtor, que “aquilo que é encarnado no produto do seu trabalho deixa de ser seu” (p. 40). Esta
alienação no modo de produção capitalista ocorre de forma que quanto mais o sistema ‘progride’,
avança, mais pobres se tornam os/as trabalhadores/as (p. 39).
● Alienação é caracterizado pela: a alienação da produção está na base das demais formas de
alienação. A externalidade do objeto produzido (ele deixa de ser do trabalhador), de modo
que a forma de produção em si é alienante, é o oposto da realização pessoal de capacidades
físicas e mentais. A exploração do trabalhador - trabalha sempre mais (produz uma qtd
crescente de valor) mas ele mesmo deixa de ter possibilidade de consumir. A alienação na
esfera do trabalho tem desdobramentos em todas as demais esferas sociais: o dinheiro
promove a racionalização das relações sociais dá-nos a impressão de que podemos medir
e comparar as qualidades e atributos humanos mais diferentes entre si. Este processo de
alienação é, no entanto, assimétrica: seus efeitos variam de acordo com a posição ocupada
pelo indivíduo na escala social.
● sociedade: o ser humano tem natureza social (nos estágios iniciais, em horda,
comunidades), de modo que até nossa percepção do mundo (e nossas ideias) são
condicionadas à sociedade em que vivemos. As capacidades, gostos, necessidades e
faculdades humanas se formam em sociedade. A existência de uma tecnologia e uma
cultura, ligadas a uma sociedade tornam a existência humana distinta dos animais,
conferindo-lhe “humanidade”, e através de sua atividade, depuram seus sentidos e criam
uma “natureza humanizada”. O trabalho, no qual os indivíduos estabelecem relação com o
ambiente natural em que vivem, é a base de cada sociedade. No entanto, a alienação do
trabalho incide sobre os laços que ligam as pessoas à sociedade, “aliena a vida individual
da vida em espécie” (p. 42), e subordina o “social” ao “individual” ao incorporar, por ex,
a propriedade privada à natureza do ser humano. No capitalismo, o potencial gerado pela
forma de sociedade específica (histórica, econ e socialmente) é frustrado pela alienação
gerada em seu seio. Ou seja, as condições históricas são barradas pelas relações de
produção características desta mesma sociedade.
A eliminação da alienação só seria possível através da erradicação da relação entre propriedade
privada e trabalho, de forma positiva, o que está imbricado com a transformação da sociedade.
Assim, seria possível ao ser humano retomar o caráter social de sua existência, uma parte
integrante de sua essência. O comunismo estaria baseado na “consciência da dependência
recíproca que existe entre o indivíduo e a comunidade social” (p. 46) e contém a possibilidade do
desenvolvimento integral das potencialidades e capacidades das pessoas.
- As pessoas se individualizam através dos recursos produzidos em coletivo.

2. O materialismo histórico
- 1844: A Sagrada Família
- 1845-1846: Ideologia Alemã - obra na qual Marx apresenta a primeira formulação geral
das bases do materialismo histórico;
Dentre as ideias presentes nas primeiras obras de Marx que são mais tarde desenvolvidas, se
destacam (I) a concepção de “autocriação” progressiva do homem; (II) o conceito de alienação
como fenômeno histórico; (III) sua Teoria de Estado e a superação do mesmo na ordem social que
sucede o capitalismo; (IV) principais elementos do materialismo histórico para análise da evolução
social; (VI) concepção da práxis revolucionária - união entre teoria e prática, atividade de
compreensão teórica e atividade política prática.
- Manuscritos (1844): “o capitalismo enraíza-se numa determinada forma de sociedade, cuja
principal característica estrutural consiste numa relação de classe dicotômica entre k e o
trabalho assalariado” (p. 50);
- Dialética: entre sujeito (pessoas em sociedade) e objeto (mundo material), na qual as
pessoas modificam o mundo material de acordo com seus propósitos, e ao transformá-los,
cria novas necessidades. “(...) o homem dá forma ao mundo em que vive, sendo por outro
lado por ele formado também” (ambas, pp. 52).
- História: “ (...) é um processo de criação, satisfação e recriação contínua das necessidades
humanas” (p. 53)
- Destaque na página 54 - materialismo histórico.

Marx sugere a necessidade de uma ciência concreta da realidade: deve-se observar a atividade
prática dos seres humanos na história, ordená-la, descrevê-la, para só então realizar uma síntese
dos resultados (p. 53). O objeto em estudo é a interação dinâmica e criadora entre seres humanos
e natureza, processo no qual as pessoas fazem a si mesmas (p. 54).
A expansão da divisão do trabalho incorre em alienação e aprofundamento da propriedade
privada. Assim, o estágio da divisão do trabalho determina as relações dos indivíduos entre si, pois
(a) a divisão do trabalho gera uma maior identificação das pessoas com sua ocupação e mina suas
capacidades como “produtor universal” → (b) aprofunda a alienação no que diz respeito à © a
relação dos individuos entre si, com as matérias primas e com os instrumentos de seu trabalho (pp.
55) e (d) o processo de individualização cada vez mais agudo;
- Classes: estão ancoradas na propriedade privada das terras, gera excedente de produção, o
qual é apropriado por um grupo restrito de pessoas que se destaca da massa de produtores
(p. 59). Nos estágios iniciais, “a história da alienação do pequeno produtor, que perde o
controle sobre seu produtor, dos seus meios de produção, o que o torna dependente da
venda do seu trabalho no mercado” (p. 63). Os proletários são camponeses sem posse,
separados de seus meios de produção de forma violenta, e lançados ao mercado como
trabalhadores assalariados livres (p. 65) - a condição desse grupo social é que são
despossuídos (florestan), ou seja, não possuem terras ou meios de produção.
● Destaques: pp. 63, 65, 66 ( o capitalismo moderno surgiu…), 68 (dois estágios da org
produtiva, 1º manufatura, revolução industrial, e 2º industrialização)

Capítulo 3
Os homens se diferenciam dos animais a partir do momento que produzem seus meios de
subsistência. A capacidade produtiva é a base de toda sociedade, no sentido histórico e analítico.
- A produção é o primeiro ato histórico - p. 69
- Todo sistema de produção se caracterizam por um det conjunto de relações sociais, e se
estabelecem entre os individuos implicados no processo produtivo.
- Discussão sobre indivíduo isolado - é uma invenção do individualismo (condição
burguesa) e esconde o caráter social da produção (p. 69).
- Pp. 69-70: o ser humano não produz individualmente mas como membros de uma
determinada forma de sociedade, não há nenhum tipo de sociedade que não se baseie em
um determinado conjunto de relações de produção.
- Pp. 71, 1º § - importância de classe na obra de Marx: classe surge a partir de determinadas
relações de produção: a partir da divisão do trabalho, da expropriação ( e acúmulo) do
excedente da produção por uma minoria, que se coloca na posição de exploração em
relação aos demais grupos. De forma mais ampla “Para Marx as classes são pois um aspecto
das relações de produção. (...) As classes derivam da posição em que os vários grupos de
indivíduos se encontram frente à propriedade privada dos meios de produção” (p. 72). Essa
divisão implica na divisão dicotômica entre a classe dos possuidores, classe dominante e
os despossuídos, a classe dominada, a relação entre essas classes é de conflito.
- “ a classe não pode ser identificada com a origem dos rendimentos ou com a posição
funcional no interior da divisão do trabalho”
- Pp. 72, último § - passagem campesinato - proletariado. As classes se formam em relação
ao contexto histórico.
- O que permite a formação de uma classe? Eixo dicotômico da estrutura de classes, como
desdobramento das formas de produção e acumulação;
- O advento das classes converge com o do capitalismo? Este último “(...) se assenta na
expropriação de uma massa de trabalhadores que passam a ter de vender sua força de
trabalho a troco dos indispensáveis meios de subsistência, é que as relações de mercado se
tornam determinantes da atividade produtiva humana” (p. 74).
- Superestrutura se enlaça à exploração do trabalho, pois “A forma assumida pelo poder
político relaciona-se intimamente com o modo de produção, e com o grau de importância
que as relações de mercado assumem na economia” (p. 75)
Bom pra pensar o Brasil: a forma particular que o Estado assume na sociedade burguesa varia de
acordo com as circunstâncias em que a burguesia ascendeu ao poder” (idem)
Nas sociedades de classes, a classe dominante controla não apenas os meios de produção
material como também os meios de produção intelectual, de forma que inventa (produz) formas
ideológicas que legitimam seu próprio controle (p. 76). A formação ideológica está inserida em
um contexto de relações sociais. (Importante para PS) “temos de estudar tanto o processo
concreto que dá origem aos vários tipos de ideias como os fatores que determinam quais as ideias
que adquirirão proeminência no interior de uma dada sociedade”, pois “ As ideias não evoluem
por si; evoluem sim como elemento da consciência de homens que vivem em sociedade, e de
acordo com uma praxis bem definida” (p. 77). Dois teoremas estão presentes na concepção de
ideologia do autor: 1º, “(...) as circunstâncias sociais em que se exerce a atividade dos individuos
condicionam sua percepção do mundo em que vivem”, 2º “a distribuição das ideias depende
predominantemente da distribuição do poder econômico na sociedade” (pp. 78).
A relação entre superestrutura e ideologia é mediada pelo sistema de classes, pois a ele
correspondem as formas legais e políticas de dominação, e dele emergem as formas de consciência
sociais possíveis em um dado momento histórico. Essa superestrutura é constituída por um sistema
de relações sociais, e por sua via, regulamentam e sancionam o funcionamento do domínio de
classe (p. 79).
Capítulo IV
Valor de uso - só se realiza no processo de consumo, valor de troca pressupõe relação
econômica definida, e se realiza na troca com outros objetos. Ambos relacionados à quantidade de
trabalho necessário para produção de um bem. A unidade de medida das mercadorias é tempo
socialmente necessário.
O trabalho é abstrato - cria valor de troca, trabalho útil - valor de uso.
- Destque Pp. 77
Mais valia é td que o trabalhador produz para além de cobrir os custos de sua subsistência.
Lucro manifestação visível da mais valia, e ao mesmo tempo a dissimula.
- Pp. 88, §3º
- Os preços sempre dependem do valor;
- Pp 90, 91.
- O Klismo é anárquico e necessariamente expansionista: expansão da taxa de lucro
- PP. 94: teoria da pauperização;
- As crises propiciam o desenvolvimento da consciência revolucionária, pois evidencia as
contradições do klismo, com um excesso de produção e aumento da pauperização.
- O capitalismo nunca terá o pleno emprego - a ameaça constante do exército industrial de
reserva exerce uma pressão sobre os salários baixos;
- Disparidade constante entre salários (remuneração) trabalhadores e capitalistas. Sendo que
o excedente da população mantém as baixas remunerações e a taxa da mais valia.
- Klismo é um sistema inerentemente instável pois está assentado em antagonismos que só
se resolvem com a alteração do sistema em si. Assentado na contração K x trabalho.
- Klismo contém o gérmem de seu fim e os elementos que possibilitarão a ascensão do
próximo sistema;
- Pp. 100 - consciência de classe do proletariado
- Apenas no comunismo as pessoas realizam sua humanidade - como ser social, que trabalha
de forma não alienada. A sociedade comunista é um desenvolvimento histórico do
comunismo.
Parte II - Capítulo V - Durkheim
Durkheim dedicou-se à academia;
PP. 110 - Marx e Durkheim estava ligados à ideia de sociedade orgânica, a despeito de Darwin
não ter feito essa proposição às sociedades humanas.
Durkheim usa analogias orgânicas, apropriando a ideia de Schaffle - a sociedade funciona como
um organismo vivo, deve a sua coesão aos laços das ideias e não a uma coesão material. Conceito
de sociedade como ideal;
PP. 111: a vida do organismo é diferente da vida da sociedade.
Se retirarmos as riquezas culturais, tecnológicas, o viver em sociedade é coercivo, e
diferente do Marx - a consciência coletiva é o composto cujos elementos são as mentes individuais.
Pp. 112: O durkheim utiliza “morale” pode ser moral ou ética - nota 14;
Pp. 113: Leis da economia - economia tem um sentido utilitarista e invidualista. As principais leis
da economia seriam as mesmo com ou sem existência de Nações ou Estado, pois implica são trocas
de produtos entre indivíduos, não implica necessariamente uma relação monetária.
- Não há nenhuma sociedade na qual as regras econômicas não estejam subordinadas às
regras consuetudinárias - regras são necessárias para evitar o estado de anomia.
- As regras morais e éticas existem pra regular a economia;
Pp. 114 - Contribuição dos pensadores alemaes para o progresso da sociologia: demonstrar que
regras e ações morais podem ser cientificamente estudadas, na qualidade de organização social.
- Regras morais são moldadas pela sociedade - postulados morais são regras sociais (acções
morais). Funcionam a partir da atração positiva e através do constrangimento.
- Nota 30: a base moral é o substrato social - lastro moral é persistente e duradouro. A
moralidade está ligada a ordem social e as regras.
Pp. 117 - 2º § (meio) - a complexa sociedade não tende para a desintegração, apesar do declínio
das crenças morais e tradicionais (consciência coletiva). A divisão do trabalho caracteriza pela
estabilidade orgânica. A sociedade se reforma.
- A moral é um fato social?
Pp. 118 - Durkheim se propõe a criar uma ciência da moral, sendo criada no seio da sociedade,
interligando-se com os fatores históricos específicos.
Ambiguidade moral: individualismo (desenvolvimento de talentos e capacidades mt
específicos, qualidade de cada pessoa), por outro lado, têm-se correntes morais contraditórias,
ligadas ao indivíduo inserido na sociedade (pessoa).
Pp. 119: Para compreender a passagem de uma a outra é preciso analisar histórica e socialmente
a divisão do trabalho. Diferente do materialismo histórico, visto que Marx dá ênfase ao contexto
histórico.
- Sanções são repressivas ou restauradoras: ambas consideradas transgressivas. Ambas
ligadas à burocratização. A predominância do sistema penal no interior de um sistema
jurídico de uma dada sociedade corresponde a um grau de coesão social - acordo a respeito
do castigo.
Pp. 122: A única personalidade que existe é coletiva, nesse sentido, a única propriedade que existe
é coletiva, a propriedade privada é uma projeção individual.
Pp. 123: Solidariedade orgânica e mecânica. Na SM está na base da coesão social - o
individualismo leva a oposição e competição;
- Individualismo (culto dos individuos) é anômico, a divisão do trabalho está no declínio da
universalidade e da consciência coletiva (modalidades de pensamento e sentimentos muito
gerais, muito comuns) - pp. 126.
- Modernização e racionalização (sociedade orgânica) → industrialização → conflito k e
trabalho assalariado → relações contratuais formadas a partir da força coercitiva → divisão
forçada do trabalho.
Pp. 128
Parte IV - Capitalismo, Socialismo e Teoria Social

No capítulo 13 (I desta parte) o autor contextualiza as ideias propostas por Marx em relação
aos contextos políticos nos quais viveu. Importante ter em mente que as proposições teóricas
nascem a partir de reflexões sobre os momentos históricos, mas não se resumem aos mesmos, e
deles se desprendem à medida que são “ultrapassados” pelos contextos históricos, ou que enredam
diálogos entre os outros autores. Ele destaca elementos importantes de algumas obras:
- O Capital: “a formação progressiva de uma sociedade de duas classes, a “pauperização”
da grande maioria da população e a queda imanente (ou iminente) do capitalismo numa
crise final catastrófica” (p. 260).
- Elemento essencial em Marx: “A relação dialética entre sujeito e o objeto no processo
histórico” (p. 260)
- Weber e a relação com os princípios analíticos de Marx: os fenômenos sociais e culturais
têm condições e ramificações com os fenômenos econômicos, mas não são por estes
determinados. Pois os fatores econômicos não determinam o curso da história. Para este os
fenômenos sociais podem ser “economicamente relevantes” ou “economicamente
condicionados”. Exemplo: as práticas religiosas não eram de caráter econômico, embora
fossem economicamente relevantes à medida que influenciavam a aquisição de bens.
- Elemento interessante: Segundo Weber, Marx não distingue explicitamente o “econômico”
e o “tecnológico”.
Weber corrobora com a concepção de conflito social de Marx, enredado pela concentração da
propriedade, possuída por uns em detrimento dos demais. Porém, para Weber o conflito entre
classes não é mais importante que o conflito entre associações políticas ou Estados-nação.

Capítulo 14 - Religião, ideologia e sociedade

Duas dimensões de comparação entre temas tratados por Weber e Durkheim e que já
estavam presentes nas obras de Marx, a respeito do caráter ideológico da religião: (1) conteúdo do
simbolismo religioso e derivações; (2) consequências da “secularização” da vida moderna. Nesse
capítulo o autor se dedicará a analisar a relação entre Weber e Marx, tendo em vista que o primeiro
refuta a concepção marxista da relação entre as ideias e os interesses materiais.
No que diz respeito à (2), a ênfase é nas implicações do declínio da religião (pensamento e
práticas religiosas) na vida moderna, e lhe atribuem, cada autor segundo sua análise, à ascensão
do racionalismo.
Apenas a partir de 1845 Marx se dedica à análise sociológica entre economia, política e
ideologia, no que analisa a religião, ainda que de forma esparsa. O autor olha para a ascensão do
cristianismo em Roma entrelaçada à moral vigente, e a vê hora de forma positiva, ora com
hostilidade.
Mais frutífera a comparação desses dois autores se nos determos na concepção de
materialismo de Marx: (i) relação teoria social - práxis: a teoria social se interessa a mudar a
realidade (as pessoas), sendo simultâneamente por ela mudada; (b) incompletude da sua obra
segundo o projeto que ele próprio traçara para a mesma.
Pp. 284: As ideias são produtos sociais e não podem ser compreendidas fora da história.
A consciência humana corresponde (não diretamente) do estágio de condições materiais:
as ideias nunca libertam-se das condições sociais que as geram, porém, com o advento da divisão
do trabalho, surge um grupo (estrato) que se dedica ao “trabalho mental”, ligado à ascensão
histórica da classe sacerdotal - seria essa a “classe intelectual?” (p. 283). As relações entre as
estruturas de classe e a ideologia são o pilar do materialismo de Marx. A relação entre ideologia e
subestrutura material é intermediada pela estrutura de classe, cujo caráter é historicamente variável
pois esta “(...) exerce um determinado efeito sobre as ideias que predominam nessa sociedade; e o
aparecimento de novas ideias que irão pôr em perigo a ordem dominante dependerá igualmente da
constituição da relação de classes que fornecem uma base estrutural a essa nova ideologia” (284).
Ou seja, a emergência de ideias de possam dar fim ao sistema estão nele contidas, pois se ligam às
relações sociais existentes.
- Ideologia ou consciência: “ (...) um conjunto de significados em função dos quais o
indivíduo age sobre o mundo, ao mesmo tempo que o mundo age sobre ele” (285)
Em comum, Weber reitera a ideia de Marx que a ideologia pode ser racionalmente transposta, e
assim levada ao seu conteúdo real (revolucionário, para marx). Em weber, isso aparece no conceito
de “afinidade eletiva” da relação entre sistema de ideias e organização social, exemplo é a adoção
de certo tipo de ética religiosa por uma classe social. Esta relação entre conteúdo ideológico e
posição social são contingentes, decorrem de interesses materiais e dos processos históricos. A
religião, para ambos, expressa valores humanos, não “dados” no ser biológico, mas antes resultado
do processo histórico (287).
Weber atribui grande importância ao “carisma” e Marx, à “classe”: ideologia expressa
ideias universalmente validas em decorrencia dos interesses de classe. Já o Carisma se funda na
irracionalidade, na fé nas qualidades de um chefe, fundadas em uma organização carismática: as
mudanças sociais e econômicas não resultam em novas normas sociais. Weber não aceita a
assimetria normativa entre interesses de classe e ideologia, o que em Marx se expressa na
afirmação de que a história só é inteligível racionalmente quando se aceita a dicotomia entre
interesses de classe e interesses sociais.
Divergência: em Marx, o poder político reside nas relações de classe, e advém do poder
econômico. Para Weber, poder político e militar são historicamente tão significativos quanto o
econômico (289).
Ambos convergem ao notarem a existência de uma “ética moral” que preza pela procura
da riqueza como fim em si mesma (290). Essa moral é produto histórico, não natural, humano.
Nesse capitalismo moderno a religião é substituída pela racionalidade tecnológica, processo
denominado secularização. Para Weber, no entanto, esse processo implica na eliminação de Commented [1]: "coisas do mundo que não estão sob
o domínio de deus"
valores que conduziram à evolução da sociedade e na acentuação da burocracia des-valorizada,
des-humanizada, causando uma “petrificação mecanizada”. Em Marx, apenas na revolução da
sociedade serão eliminadas as características alienantes da sistema capitalista moderno.
Em Durkheim, a diferenciação do trabalho e o individualismo são simultaneamente de
ordem moral e social, ou seja, o processo de valorização do indivíduo na divisão do trabalho é
simultânea à ascensão de crença que legitima (corrobora) esse mesmo processo. O autor, no
entanto, não adere à teoria que associa relação unilateral (ou direta) entre ideias e “base” social.
Há uma continuidade moral entre solidariedade mecânica (soc simples, funções sociais
semelhantes, mecanismo de coerção e punição mais direta) e orgânica (coerção formal, mediada
pelo Estado, direito restitutivo e não meramente punitivo).
Aproximação Marx e Durkheim: para ambos, nas “sociedades simples” há uma
aproximação relativamente direta entre realidade social e as ideias. Diferem, no entanto, na
interpretação da relação que é estabelecida entre pessoas e natureza, para M a confrontação entre
ambos é determinada pela forma de sociedade. Para D, dessa relação surge uma consciência animal
da natureza, transformada em religião natural. De todo modo, Durkheim não atribui grande
relevância à esfera econômica, tanto para sociedades “mais simples” e principalmente, para as
“mais complexas”, sua noção de infra-estrutura é muito diferente da que concebe Marx (fala mais
no capítulo 15).
Para Durkheim, no que diz respeito à moral, não há ideias morais válidos para todas as
sociedades, contanto que essa moral “corresponda as necessidades do organismo social” e lhe seja
funcionalmente compatível. Desse modo, na era moderna a igreja perdeu seu poder diante da
ascensão de uma lógica individualista a qual não abarcava. O Estado, portanto, deve assumir a
manutenção da ordem social e a coesão social. Em Marx, a moral exprime a assimetria na Commented [2]: sistema de ideias e práticas

distribuição do poder econômico. A moral se aproxima/exprime de certa forma na concepção de


alienação e na relação desta com a estrutura. A religião, na sociedade moderna, é ilusória a medida
que serve para legitimar a ordem social vigente, e transferir para a esfera do mítico capacidades
não realizáveis no klismo (297).
Durkheim: fatos sociais são exteriores aos indivíduos e lhe constrangem. Na sociedade
mecânica indivíduo e sociedade estão ligados diretamente, sem intermediário.
Marx: objetivação e alienação são diferentes - fatos sociais são exteriores aos inds porque
as relações sociais são reais (e não criação do intelecto), e as pessoas são tanto as produzem quanto
são por elas produzidas. Na soc burguesa os fatos sociais são exteriores por conta da estrutura
social alienada.

Capítulo 15

Nesse cap ele fala sobre a diferenciação social e a divisão do trabalho. O autor compara
Marx - Durkheim, Marx - Weber.
- Pp. 301: D. está buscando construir bases científicas para análise da sociedade
contemporânea. Marx metodologicamente busca compreender tal sociedade da teoria e
ação (praxis - pensamento e ação);
- Anomia e Alienação são os pontos centrais das interpretações críticas da sociedade
moderna. Para Marx a crítica do capitalismo e a substituição da ordem burguesa por uma
nova org social é baseado no conceito de alienação. Já para D. é com o conceito de anomia
que ele propõe uma crítica a sociedade moderna e resoluções para a mesma.
- Alienação, anomia e o Estado de Natureza: falsa ideia de que Marx está mais próximo a
concepção de Rousseau segundo a qual as pessoas seriam “naturalmente” bom; já D. se
aproxima da concepção de Hobbes, na qual seres humanos são guiados pela paixão e devem
ser regulados. Na verdade o que ambos fazem é uma crítica aos princípios da economia
política, segundo os quais o egoísmo humano seria base para teoria da ordem social. Esta
seria, no entanto, contraditória: é uma concepção de sociedade fundada sobre interesses
particulares.
- Estado p/ Durkheim: nas sociedades orgânicas, princip., assume funções de coesão social
abertas pela divisão do trabalho, e a mudança nos laços sociais. Afrouxados pela expansão
do individualismo e da moral individualista.
- Pp. 304: Autocontrole autônomo (durkheim) e liberdade (Marx) são parecidos, esta última
não “é o exercício do egoísmo, opondo-se na realidade a ele” (p. 304).
- “Ser livre é ser autônomo, e não coagido por forças exteriores” que escapam à razão. A
liberdade seria alcançada racionalmente e só vivida na praxis em uma sociedade comunista.
- Em Marx “não há qualquer base a-social que dê origem a um antagonismo implícito entre
indivíduo e sociedade” (p. 305);
- Para Durkheim: em todo ser humano há uma oposição entre impulsos egoístas ( que têm
origem na infância) e a moral, com acentuação do individualismo. Ele refuta o relativismo
histórico absoluto, segundo o qual “SH é ser social” (pp. 305);
- Pp. 306 - Para Durkheim as necessidades humanas não se radicam (firmam) nos
compromissos sociais;
- Dois tipos de alienação “alienação tecnológica”, presente no processo de trabalho; e
“alienação de mercado”, ligado ao fetiche da mercadoria. Ambas relacionadas pela divisão
do trabalho, a forma alienada da atividade humana.
- Pp. 307: Durkheim interpreta divisão do trabalho é consequência da especialização - o
conflito de classes é sintoma de deficiência de coesão moral entre os grupos sociais na DT
- significa uma situação de anomia, que pode ser reguladas do mercado pelo Estado. O que
deve ser reparada é a posição anômica do trabalhador, causada pelo fato de que não se sabe
como o esforço do trabalho individual se conecta com o esforço produtivo coletivo. A
integração do indivíduo no todo orgânico - e que suas atividades tenham uma finalidade
reconhecida. Somente aceitando moralmente as funções que lhe cabem na divisão do
trabalho e na solidariedade corporativa, indivíduos podem ser autônomos e
autoconscientes.
- Durkheim - a principal causa da crise moderna é o domínio das relações econômicas, que
ocorre por conta da destruição das instituições tradicionais, as quais constituíam o suporte
moral das formas sociais anteriores. Por este motivo, “apenas” a abolição da divisão do
trabalho não provocaria uma alteração no processo de anomia da DT e da sociedade
moderna.
- Pp. 309: A Solidariedade Orgânica é o tipo normal da sociedades modernas.
- Em Marx, a concepção é outra: apenas na dissolução da divisão do trabalho como princípio
das relações sociais humanas
- Marx: “Estado é coeso por intermédio da Sociedade Civil” - a ampliação do klismo destrói
os laços das comunidades, colocando-nos em uma estrutura de dependência mais
estreita, apesar de aumentar o alcance da alienação.
- “ Ser livre é ser autônomo, e não coagido por forças exteriores ou interiores que escapam
ao controle da razão; é por isso que a liberdade é uma prerrogativa humana, porque só
o homem, na sua qualidade de membro da sociedade, está apto a controlar não só a
forma mas também o conteúdo de sua vontade” (p. 305).
- Parei na pp. 307 - marx e d. Se interessam pelo “domínio amoral das relações econômicas
sobre a sociedade moderna e concebe a socialização da produção como meio que
permitirá eliminar condições de trabalho (alienação tecnológica) que, subordinando o
homem [e a mulher] à produção econômica, o “desumanizam” (p. 307).