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Curso: Gestão Doméstica e Familiar

Manual de Formação

3244 - Acompanhamento de crianças


– Técnicas de animação

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Índice

I. ENQUADRAMENTO DO CURSO______________________________________________________________3

II. OBJECTIVOS PEDAGÓGICOS_______________________________________________________________4

II.1. Objectivos Gerais......................................................................................................................4

III. ESTRUTURA PROGRAMÁTICA______________________________________________________________4

I. CONCLUSÃO_____________________________________________________________________________8

II. BIBLIOGRAFIA___________________________________________________________________________9

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Introdução

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I. ENQUADRAMENTO DO CURSO

Este módulo, 3244 -Acompanhamento de Crianças - Regras Técnicas de Animação, tem a


duração de 50 horas e ao longo do seu desenvolvimento serão abordadas várias técnicas de
animação.
A animação poderá ser considerada como uma fuga do nosso dia-a-dia. É uma forma de
espairecer, de lazer e de divertimento. Para além disso, a animação também é uma
actividade muito complexa, pois ela vai interferir com diferentes tipos de pessoas e
crianças, diferentes hábitos e diferentes comunidades. Cada um destes pontos deve de ser
analisado com atenção antes de aplicar qualquer tipo de atividade. Por esse motivo, não é
qualquer pessoa que pode desempenhar o papel de animador como acompanhante de
crianças.
O animador centra-se, acima de tudo, em quem tem de animar: a pessoa concreta, de
uma determinada idade, numa situação específica, com as suas experiências e interesses.
Só depois se deve concentrar no que fazer e como fazer. As varias técnicas de animação
valorizam a pessoa pelo que ela é realmente.
O manual, apresentado foi elaborado de acordo com base no CNQ (Catálogo Nacional de
Qualificações) e tem como principais dimensões os conteúdos a abordar para esta UFCD.

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II. OBJECTIVOS PEDAGÓGICOS

II.1. Objetivos Gerais

Em termos de competências específicas a adquirir, pretende-se, que no final do curso os formandos


sejam capazes de:

− Identificar o papel do animador no desempenho profissional de acompanhante de crianças.


− Reconhecer as principais técnicas e metodologias de animação.

III. ESTRUTURA PROGRAMÁTICA


 Papel do animador e os diferentes tipos de animação
o Perfil do animador
o Tipos de animação
 Animação individual
 Animação em grupo (definição; estratégias e atividades)
o Formas de animação
 Animação artística
 Animação lúdica
o Programação
o Equipamentos, espaços e materiais
o Animador e a cultura
o Animação através do brinquedo
o Objetivos e meios para promover o desenvolvimento da criança
 Metodologias e técnicas de animação
o Objetivos das técnicas de animação
o Expressão do movimento
o Expressão dramática
o Expressão plástica
o Expressão musical
 Tipos de animação
o Animação individual
 Definição, estratégias e atividades
o Animação de grupos
 Definição, estratégias e atividades
 Planificação de atividades
o Elaboração e planificação de atividades
 Definição de objetivos
 Desenvolvimento de conteúdos
 Definição de estratégias
 Potencial de recursos humanos e materiais
o Flexibilidade da planificação

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Desenvolvimento

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1.Papel do animador e os diferentes tipos de animação


1.1 Perfil do animador

Ser animador eé ser Educador e haé que estar consciente desta açaã o educativa. Haé que
querer ajudar no crescimento de uma pessoa de uma maneira criativa. Aleé m de ser
considerado um educador eé um pedagogo, um explorador das realidades sociais, um
mobilizador, dinamizador, mediador de conflitos, organizador e gestor.
De uma forma abrangente pode-se definir o animador como um irradiador de
cultura e desenvolvimento críético.
Tendo em conta que a animaçaã o socioeducativa/ sociocultural abrange vaé rias aé reas
de intervençaã o, o animador tem tambeé m vaé rias aé reas de intervençaã o, logo a sua
definiçaã o eé tambeé m muito vaga.
Ligado aà açaã o cultural, temos:
- o animador que se dedica aos acontecimentos e atividades culturais;
- o animador que abrange as suas atividades extraescolares e estaé ligado aà atividade
de formaçaã o;
- o animador que tem como objetivos as causas sociais e estaé presente na
animaçaã o/açaã o social…
Enfim, um animador poderaé ser chamado de “pau para toda a colher”.
O animador eé o indivíéduo que deve promover da melhor forma o bem-estar, o
conhecimento, a responsabilidade, a autonomia, o sentido críético da vida e de tudo o que
a envolve. EÉ muitas vezes o confidente, o conselheiro, o amigo, e com o decorrer do
tempo, torna-se algueé m muito proé ximo.
EÉ necessaé rio que o animador tenha muita estabilidade afetiva e emocional, para
poder desempenhar este papel de disponibilidade e presença, atençaã o e afeto, que lhe eé
exigida.
Vicheé classifica os animadores segundo as funçoã es e o local onde exercem.
Segundo as caracteríésticas do trabalho o animador pode ser voluntaé rio (colabora
gratuitamente em associaçoã es de diferentes tipos) ou profissional (trabalha

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renumeradamente em instituiçoã es privadas, pué blicas, em associaçoã es ou empresas de


animaçaã o).

Segundo a forma de trabalho classificam-se como:


Animador individual – realiza um trabalho individualizado e focalizado numa ué nica
pessoa.
Animador de grupo – cria relaçoã es e utiliza teé cnicas de animaçaã o de grupo para
planificar e realizar atividades de diferentes tipos.

Segundo o aâ mbito de intervençaã o temos, ainda, o animador:


Educativo – exerce a sua atividade em contextos educativos, como por exemplo,
atividades extracurriculares, escolas, acompanhamentos de veraã o, parques infantis, etc.
Cultural – exerce a sua atividade em centros culturais, bibliotecas, museus, parques
naturais, …
Soé cio assistencial – a sua atividade centra-se em grupos que necessitam de atençaã o
especial, como por exemplo, emigrantes, centros de acolhimento, toxicodependentes, …
Socioeconoé mico – trabalha, principalmente, com grupos de pessoas em situaçoã es de
problemas laborais;
Turíéstico – trabalha em locais turíésticos.

O animador sociocultural deve saber comunicar, criar empatia, fazer projetos de


animaçaã o, liderar e organizar. Este deve ser algueé m disponíével, alegre, compreensivo,
imparcial, solidaé rio, honesto, humilde, sensíével, criativo, dinaâ mico, organizado, confiante
e comunicativo.
O papel do animador consiste em desenvolver a auto estima, a confiança e a
personalidade dos participantes, fazendo com que estes tomem a iniciativa de levar a
cabo atividades sociais, culturais, educativas, criar um dinamismo comunitaé rio que
reforce o conjunto social e as redes sociais.
Tem a missaã o de promover o desenvolvimento sociocultural de grupos e
comunidades, organizando, coordenando e/ou desenvolvendo atividades facilitadoras da
animaçaã o de caraé cter cultural, educativo, social, lué dico, recreativo.
O animador desempenha um papel central no meé todo da animação.

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EÉ ele quem assume a responsabilidade de promover a vida do grupo atraveé s do uso


dos instrumentos que dinamizam as pessoas envolvidas por este meé todo.
Para que desempenhe eficazmente as suas funçoã es, existem três áreas de
competências fundamentais, que o animador deve ter em conta:
 O saber ser:
EÉ constituíédo pela sua identidade pessoal, pelas nossas caracteríésticas proé prias. EÉ
reagir de forma assertiva e com uma postura exemplar aà s situaçoã es difíéceis.
 O saber-fazer:
Reporta-se aà metodologia que usa para dar vida ao grupo que anima, a qual eé sempre
o reflexo do seu ser e do seu saber.
 O saber-saber:
Refere-se aos conhecimentos que deve possuir para desempenhar convenientemente
a sua tarefa. Aleé m disso, um animador, conforme a aé rea especíéfica do seu desempenho,
teraé uma formaçaã o consoante o seu setor, o contexto e o conteué do.

Para que o animador possa exercer corretamente a sua profissaã o necessita de saber:
dirigir uma reuniaã o; formar um grupo; criar relaçoã es entre grupos diversos de modo a
que superem diferenças e colaborem entre eles e, ainda, deve saber elaborar um projeto
em todas as suas fases, implementaé -lo e avaliaé -lo.
O animador deve proceder segundo cinco princíépios baé sicos: dar o exemplo; motivar
os talentos individuais; favorecer a autonomia; facilitar a tomada de decisoã es e ajudar
cada participante a tomar uma responsabilidade no grupo.

O animador Socioeducativo deve:

Trabalhar diretamente com crianças, tendo conta o seu desenvolvimento global;


Colaborar no projeto educativo do estabelecimento ou agrupamento de escolas e
favorecer a ligaçaã o com a comunidade tendo em conta as iniciativas e recursos locais;
Organizar e propor atividades de animaçaã o a desenvolver nos tempos curriculares
tendo em atençaã o as caracteríésticas dessa faixa etaé ria, valorizando os seus interesses;
Assegurar o horaé rio de funcionamento das atividades de apoio aà famíélia conforme o
regulamento interno do estabelecimento;
Desempenhar outras tarefas que se relacionem com as atividades de apoio aà famíélia.

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1.2 Tipos de animação


A definiçaã o do termo Animação tem uma dupla origem, que deriva do latim:
ANIMA – vida; sentido;
ANIMUS – movimento; dinamismo; açaã o.
A animaçaã o evidencia-se na Europa em meados dos anos 60 do seé culo XX e, em
particular em Portugal, a partir da segunda metade dos anos 70.
A Animaçaã o Sociocultural surgiu na tentativa de resposta aà injustiça social e aà s
desigualdades de oportunidades sociais, consequeâ ncia das transformaçoã es sociais da
eé poca.
A Animaçaã o contempla duas vertentes: a Sociocultural e a Socioeducativa.
Contudo, naã o existem grandes diferenças de conceitos e metodologias, porque
“cultura” tambeé m eé “educaçaã o”.
A Animaçaã o Sociocultural eé uma forma de intervençaã o no aâ mbito da educaçaã o social
e pessoal, e assenta principalmente numa pedagogia participativa, procurando
estimular os sujeitos a desenvolver as suas capacidades e competeâ ncias, atingindo
níéveis satisfatoé rios de protagonismo visando o seu bem-estar e a mudança social.
Todas as açoã es de Animaçaã o Sociocultural teâ m uma intençaã o educativa, direcionada
para a necessidade do desenvolvimento pessoal e social do indivíéduo.
As açoã es de Animaçaã o Sociocultural saã o dirigidas a todas as pessoas, mas estas
tambeé m podem ser dirigidas a alguns grupos especíéficos, como: idosos, crianças,
pessoas com necessidades especiais, …
Segundo Ambles (1974), “a Animaçaã o eé a vida, eé açaã o que permite dar aà vida mais
vida, para facilitar o desenrolar da vida, para facilitar os desafios crescentes da vida”.
Isto eé , “animar eé dar vida ou fazer reviver alguma parte perdida” (Moulinieé re 1974).
Existem dois tipos de animaçaã o: a individual e a de grupo.

1.2.1Animação individual

A animaçaã o individual eé apenas dirigida a uma criança ou pessoa. Este tipo de


animaçaã o eé menos dinaâ mica, mas implica mais concentraçaã o, promove a autonomia e a
independeâ ncia. O animador deveraé satisfazer as necessidades de cada individuo,
conhecendo bem o destinataé rio, para que a sua intervençaã o promova a autonomia da
pessoa com quem estaé a trabalhar, respeitando o seu projeto de vida e privacidade.

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Deveraé ser feito um estudo preé vio do individuo para que as atividades sejam
adequadas aà s necessidades, haé bitos, interesses e expectativas de cada indivíéduo, na
medida em que este eé um ser ué nico e individual.
Exemplos praé ticos de atividades de animaçaã o individual: leituras; elaboraçaã o de
desenhos; colagem/recortes; dobragens (Origami); visualizaçaã o de um filme; palavras
cruzadas; sopa de letras; jogos de memoé ria; quebra-cabeças; puzzles; jogos de
construçaã o (Legos); jogos de consola/computador, …

1.2.2 Animação em grupo

A animaçaã o em grupo eé a animaçaã o que se destina a um grupo de pessoas ou


crianças. Um grupo eé uma unidade social de duas ou mais pessoas que teâ m que manter a
interaçaã o durante um períéodo de tempo para que consigam realizar objetivos
partilhados.
Este tipo de animaçaã o para ter sucesso deve haver uma boa eficieâ ncia entre os
membros que consistem o grupo, isto eé , teâ m de conseguir trabalhar em conjunto. A
eficieâ ncia do grupo iraé depender da estrutura, do ambiente, da tarefa e dos processos
Intra e Interpessoais.
Segundo estudos, o comportamento do indivíéduo eé diferente quando estaé sozinho e
quando estaé acompanhado.
Nas crianças isso eé ainda mais notoé rio. A dinaâ mica de grupos estuda o
funcionamento do grupo, que naã o eé soé um conjunto de pessoas, mas sim estas e os seus
objetivos, as finalidades, os interesses, etc.
A dinaâ mica de grupo eé uma ferramenta de estudo de grupos e tambeé m um termo
geral para processos de grupo.
Em psicologia e sociologia, um grupo saã o duas ou mais pessoas que estaã o
mutuamente conectadas por relacionamentos sociais. Por interagirem mutuamente, os
grupos desenvolvem vaé rios processos dinaâ micos. Estes processos incluem normas,
papeé is sociais, relaçoã es, necessidade de pertencer, influeâ ncia social e efeitos sobre o
comportamento.
Todas as pessoas pertencem a grupos: “sou estudante do curso de ….”
Ser membro de um grupo eé uma relaçaã o de influeâ ncia recíéproca entre um indivíéduo
e o grupo. As pessoas passam a maior parte do tempo em grupo, pois nascemos e
vivemos em pequenos grupos, mas a educaçaã o e a socializaçaã o ocorre em grupos
maiores, como as escolas, instituiçoã es sociais e ateé no trabalho as atividades saã o

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realizadas em grupo, exigindo uma grande interdependeâ ncia. Por vezes, a integraçaã o naã o
acontece de forma perfeita, devido a problemas de relacionamento.
Existem vaé rias teé cnicas que permitem animar os grupos, de acordo com os objetivos
que se pretendem alcançar. Estas teé cnicas saã o instrumentos de ajuda para conseguir o
que nos propomos, mas naã o existem teé cnicas infalíéveis que resolvam todos os
problemas.
Exemplos de algumas teé cnicas:
 Técnicas de sensibilização e integração grupal - saã o destinadas a todas as
pessoas que se integram como novos membros na vida de um grupo.
 Técnicas grupais de dinamização e comunicação - dinamizar uma comunidade
exige um grande esforço criativo por parte do animador. Sem comunicaçaã o naã o eé
possíével fazer qualquer avanço, por isso, estas atividades para aleé m da dinamizaçaã o teâ m
que apostar na comunicaçaã o, utilizando meios audiovisuais, posters, teatro, mué sica, …
 Técnicas grupais de participação/cooperação - participar com os outros pode
ser uma renué ncia aà opiniaã o pessoal em favor do bem do grupo, sendo necessaé rio,
desprender-nos do individualismo de forma a promover as relaçoã es humanas.
 Técnicas grupais para o desenvolvimento da criatividade - a criatividade exige
abertura aà novidade. O animador deve ser uma pessoa criativa, imaginativa e capaz de
improvisar.
 Técnicas grupais de avaliação de aprendizagens e da vida intergrupal –
avaliaçaã o do grupo, da sua integraçaã o, participaçaã o dos membros, das atitudes e do
interesse demonstrado em todas as atividades executadas, ou seja, avaliar o clima social
do grupo.
Assim sendo, existem quatro tipos de teé cnicas a desenvolver:
 Apresentação/Quebra-gelo - Facilita a interaçaã o dos diferentes elementos do
grupo.
 Comunicação e participação – ativar no grupo o debate e partilha de opinioã es.
 Assertividade - Teé cnicas destinadas a manter a comunicaçaã o num níével positivo,
evitando conflitos.
 Movimento – Teé cnicas de intervençaã o no grupo quando este começa a dar sinais
de cansaço ou desatençaã o.
As atividades de animaçaã o de grupo saã o muito enriquecedoras para as crianças e
podem ser diversas, tais como: teatro; dança; conto (histoé rias); fantoches; marionetas;
jogos tradicionais (“cabra cega”, “lencinho”, “apanhada”, “escondidas”, “macaquinho do
chineâ s”, “telefone estragado”, “macaca”, “saltar aà corda”, “elaé stico”, “malha”, “jogo das

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cadeiras”, “mata”, estafetas, corrida de sacos, Caça ao Tesouro…); jogos de mesa (com
dados); …

1.3 Formas de animação

Ao trabalhar com crianças temos que ter em consideraçaã o o seu grau de autonomia e
a idade, adaptando os exercíécios, sempre que necessaé rio. A animaçaã o pode atuar em
todos os campos, quer seja mental, fíésica ou afetiva, incitando a uma melhor participaçaã o
e inserçaã o na comunidade ou no grupo.
A animaçaã o deve centrar-se sempre, sobre as necessidades, os desejos e os
problemas vividos por cada membro do grupo, ningueé m pode ficar de fora ou estamos a
contrariar aquilo que serve de base aà animaçaã o. Ao propor qualquer atividade, o
animador tem primeiro que avaliar as condiçoã es fíésicas e psicoloé gicas dos animados e
perceber as suas capacidades e motivaçoã es.
Existem duas formas de animaçaã o: a artíéstica e a lué dica.
Estas saã o provenientes da necessidade da animaçaã o sociocultural dos indivíéduos,
capacitando-os para o entendimento das suas realidades pessoais e culturais, sendo que
diferem em algumas formas de açaã o e objetivos.

1.3.1Animação artística
A animaçaã o artíéstica eé uma metodologia que recorre aà s expressoã es artíésticas como: a
dança, a mué sica, o teatro, a literatura, a pintura, …
Assume um papel catalisador de sinergias, valores, atitudes, e vontades entre o
animador sociocultural e a comunidade onde este exerce a sua coordenaçaã o e empenho.
Capacita, cada indivíéduo, para a tomada de conscieâ ncia para a sua realidade
sociocultural. Promovendo-se as expressoã es artíésticas por meio da educaçaã o pela arte,
estas devem acontecer fora do aâ mbito da educaçaã o formal, num espaço de educaçaã o naã o
formal, entendido como um espaço de participaçaã o ativa de cada pessoa, um espaço de
criatividade, onde o homem naã o eé um simples ser passivo, mas, onde ele eé o protagonista
da açaã o.
Os espaços de educaçaã o naã o formal saã o lugares privilegiados para o decorrer da
animaçaã o, enquanto manifestaçaã o de liberdade e de criatividade espontaâ nea, atraveé s da
expressaã o artíéstica, proporcionando o conhecimento atraveé s da arte.

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1.3.2Animação lúdica
A animaçaã o lué dica tem por objetivo a diversaã o das pessoas ou grupos, a ocupaçaã o de
tempos livres e a promoçaã o do convíévio.
EÉ importante proporcionar um ambiente rico para a brincadeira e estimular a
atividade lué dica no ambiente familiar e escolar, lembrando que rico naã o quer dizer ter
brinquedos caros, mas fazer com que as crianças explorem as diferentes linguagens que
a brincadeira possibilita (musical, corporal, gestual, escrita), fazendo com que
desenvolvam a sua criatividade e imaginaçaã o.
O ato de brincar pode incorporar valores morais e culturais, em que as atividades
podem promover a autoimagem, a autoestima, a cooperaçaã o, jaé que o lué dico conduz aà
imaginaçaã o, fantasia, criatividade e aà aquisiçaã o dum sentido críético, entre outros aspetos
que ajudam a moldar as suas vidas, como crianças e, futuramente, como adultos.
O seu principal objetivo eé o despertar da criatividade e do imaginativo individual
onde o papel do animador eé essencial no estíémulo e coordenaçaã o das atividades
desenvolvidas.
A atividade lué dica eé vocacionada essencialmente para o lazer, o entretenimento e a
brincadeira.
A animaçaã o usa de meios como a Internet, os jogos, o desporto, entre outras, e
espaços comuns de lazer e de tempo livre para a integraçaã o dos indivíéduos em grupos.

1.4 Programação
A programaçaã o das atividades passa por uma planificaçaã o exaustiva a desenvolver
ao longo de um ano letivo.
O sucesso depende de uma boa programaçaã o, tendo em conta todos os fatores
subjetivos que podem surgir ao longo da sua aplicabilidade.
Se, porventura, o programa naã o for cumprido na totalidade, poderaé naã o significar
uma falha na execuçaã o do mesmo, mas ser consequeâ ncia de outros fatores envolventes,
naã o controlaé veis nem planeaé veis.

1.5 Equipamentos, espaços e materiais


Para a definiçaã o dos equipamentos, espaços e materiais eé necessaé rio que se preveja
previamente a atividade a desenvolver.

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Haé que ter em conta todos os recursos existentes na instituiçaã o, de modo a utilizaé -los
de forma racional, evitando o seu desperdíécio. Sendo que os equipamentos, os espaços e
os materiais, deveraã o, necessariamente, respeitar as normas de segurança.

1.6 Animador e a cultura

A cultura abrange vaé rias formas artíésticas. Ela estaé presente desde os povos
primitivos nos seus costumes, crenças, leis, valores, artes e em tudo aquilo que
compromete o sentir, o pensar e o agir das pessoas.
Segundo Edward B. Tylor a cultura eé “aquele todo complexo que inclui o
conhecimento, as crenças, a arte, a moral, a lei, os costumes e todos os outros haé bitos e
capacidades adquiridos pelo homem como membro da sociedade”.
A cultura eé um conceito que estaé sempre em desenvolvimento, pois com o passar do
tempo ela eé influenciada por novas maneiras de pensar inerentes ao desenvolvimento do
ser humano. Trata-se de algo criado por um determinado povo, sendo que, esse povo
tem parte ativa nessa criaçaã o. Alguns exemplos saã o: a literatura, a mué sica, a arte, a
gastronomia, o artesanato, …
A cultura eé influenciada pelas crenças do povo e eé formada graças ao contacto entre
indivíéduos de certas regioã es. Cada paíés tem a sua proé pria cultura, que eé influenciada por
vaé rios fatores. No caso da cultura portuguesa, o fado eé o patrimoâ nio musical mais
famoso, que reflete uma caracteríéstica do povo portugueâ s.
A tradiçaã o faz parte da cultura de um povo. A partir das suas tradiçoã es (nos contos,
na mué sica, na dança) e atraveé s do seu estudo e divulgaçaã o, seraã o recriadas no presente
para serem projetadas no futuro. Os proveé rbios populares saã o um exemplo das tradiçoã es
e da cultura de um povo. Saã o ditos populares (frases e expressoã es) que transmitem os
conhecimentos e a sabedoria de um povo.
As tradiçoã es soé sobreviveraã o como refereâ ncias de um povo, se forem
permanentemente recriadas em bases de respeito pelo passado, mas atendendo aà s
condiçoã es do presente.
Apesar de uma comunidade ser um sistema cultural o animador nunca deve partir
do pressuposto que uma comunidade eé uma unidade harmoniosa. Cada comunidade eé
composta de variadas fraçoã es, baseadas nas diferenças em geé nero, religiaã o, acesso aà
saué de, etnicidade, classe, níével de educaçaã o, rendimentos, líéngua e muitos outros fatores.

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O animador deveraé aprender mais acerca da cultura presente em cada criança com
que trabalha.
O animador eé o responsaé vel pelas atividades que envolvem grupos com diferentes
caracteríésticas, e cada grupo tem necessidades distintas, por isso, o animador deve ter a
preocupaçaã o de programar um conjunto de atividades de caraé ter educativo, cultural,
desportivo e social que esteja de acordo com as crianças (ex. visitas a diversos locais
como museus, exposiçoã es,…).
A forma de brincar mudou, com o passar dos anos, devido aos objetos, ao tempo e
aos espaços. Apesar das mudanças as brincadeiras atravessaram fronteiras e eé pocas
procurando manterem-se vivas atraveé s da transmissaã o de geraçaã o e geraçaã o. O brincar
possibilita a recuperaçaã o dos valores sociais essenciais, eé uma forma de comunicaçaã o
entre as geraçoã es, um instrumento de aprendizagem e de valorizaçaã o do patrimoâ nio
lué dico-cultural em diferentes contextos. Por meio das brincadeiras podemos
compreender a cultura de um povo, e eé a brincar que a criança começa a ter contato com
o mundo aà sua volta (KISHIMOTO, 2006).
Valorizar a histoé ria e a cultura das brincadeiras das geraçoã es anteriores pode vir a
ser uma forma de apresentar aà s crianças um conhecimento que lhe proporcionaraé o
desenvolvimento emocional, fíésico, social e corporal.
Nas brincadeiras as crianças começam a vivenciar conteué dos culturais os quais ela
iraé reproduzir e transformar, apropriando-se deles e lhe dando uma significaçaã o.
Assim a brincadeira eé a entrada da criança na cultura, tal como ela existe em
determinado momento, mas tambeé m com todo um peso histoé rico pertencente aà quela
sociedade (BROUGEÉ RE 1995).
A cultura lué dica estaé absorvida de tradiçoã es e brincadeiras que se manteâ m na nossa
sociedade e variam de uma regiaã o para outra e garantem o desenvolvimento fíésico, o
controle da agressividade, proporcionando habilidades diversificadas, a realizaçaã o de
desejos, a interaçaã o e adaptaçaã o a um grupo sempre atraveé s de açoã es simboé licas (Nallin,
2005).
Existem brincadeiras e brinquedos que conhecemos atualmente, porque passaram
de geraçaã o em geraçaã o e atualmente fazem parte da nossa cultura.
A recuperaçaã o das brincadeiras tradicionais eé uma forma de valorizar a cultura
lué dica infantil, promovendo o desenvolvimento fíésico, psicoloé gico e social tanto das
crianças, como de adultos e idosos, aproximando assim diferentes geraçoã es.

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1.7 Animação através do brinquedo


Para que haja uma correta animaçaã o, deve -se conceber os materiais necessaé rios
para o desenvolvimento dessas atividades facilitadoras da animaçaã o.
Os jogos e as brincadeiras saã o excelentes recursos didaé ticos propiciadores do
desenvolvimento integral da criança. Existe uma relaçaã o entre o jogo e o material que se
vai usar. No jogo utilizam-se alguns elementos que o completam, enriquecem e
estimulam o desenvolvimento da criança. Por exemplo, podem ser criados e produzidos
fantoches, esculturas, trabalhos em ceraâ mica, maé scaras, adereços e pinturas. Pode-se
ainda utilizar:
- Materiais da natureza, tais como: a aé gua, a terra, o barro, as folhas, as pedras, os
ossos, …
- Objetos e materiais variados destinados a serem usados como objetos lué dicos,
como por exemplo: cortiças, caixas, cordeé is, trapos, ...
- Objetos quotidianos que se transformam automaticamente em brinquedos com a
ajuda da imaginaçaã o e criatividade da criança (ex.: uma vassoura pode-se converter num
cavalo,...)
- Criaçoã es artesanais ou industriais desenhadas e confecionadas para um fim. Estes
elementos saã o os brinquedos.
Um brinquedo eé um objeto lué dico, direcionado para o lazer e, geralmente, associado
aà criança. Na pedagogia, um brinquedo eé qualquer objeto que a criança possa usar no ato
de brincar.
Os brinquedos permitem que aà s crianças se divirtam, enquanto as ensinam sobre
um dado assunto. Tambeé m ajudam no desenvolvimento da vida social da criança,
especialmente aqueles que saã o usados em jogos cooperativos.
O objetivo dos brinquedos eé conseguir que a criança jogue; ou seja, eé fazer com que o
brinquedo seja visto pela criança como um objeto de jogo. O brinquedo faz com que a
criança se entretenha, se divirta, de maneira a que esta naã o perca a imaginaçaã o e naã o a
impeça de se expressar. Contudo, nem todos os brinquedos cumprem os seus objetivos,
nem apresentam as mesmas possibilidades lué dicas e educativas.
Os brinquedos aleé m de estarem diretamente ligados ao universo infantil estaã o
presentes desde os tempos remotos atraveé s da sua esteé tica e dos valores da sociedade.
Eles acompanham naã o soé as crianças e adolescentes, como tambeé m os adultos, e
oferecem a cada idade o elemento que mais se ajusta aos seus interesses e capacidades.

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O brinquedo foi evoluindo ao longo dos anos, passando a sua evoluçaã o por vaé rios
períéodos. Surgiu o primeiro períéodo na Antiguidade ateé aà Idade Meé dia onde o brinquedo
era fabricado em casa e manualmente, a partir de materiais quotidianos:
- na cultura Persa, encontram-se pequenas figuras de pedra ou de barro;
- no Egipto, bonecas de trapo e esferas de papiro;
- na Greé cia, jogos de pratos de barro e maé rmores;
- em Roma, bonecas de marfim e jogos de mesa.
Os jogos como as damas e o xadrez foram introduzidos em Espanha pela civilizaçaã o
aé rabe e da Idade Meé dia chegaram-nos os cavalos e cavaleiros feitos de argila.
No segundo períéodo de fabricaçaã o artesanal jaé saã o elaborados os brinquedos para
vender. Surgem soldados do seé c. XIII, aparecem bonecas de madeira e, posteriormente,
de porcelana, cavalos e bonecas de cartaã o, etc.
Mais aà frente, aparecem brinquedos de lata e em muitos casos com mecanismos
incorporados que deram lugar aos autoé matos, chamados atualmente, os brinquedos
tecnoloé gicos.
Com a fabricaçaã o industrial dos brinquedos, surge um terceiro períéodo. Essa
fabricaçaã o industrial surge na metade do seé c. XX quando se generaliza o acesso aos
brinquedos por parte das crianças nas sociedades industrializadas.
Espanha eé um dos paíéses pioneiros na indué stria de brinquedos com uma larga
tradiçaã o de indué strias concentradas em Alicante e Valeâ ncia. O acesso generalizado aos
brinquedos traduz-se no desenvolvimento da fabricaçaã o industrial.
Existem vaé rias formas de classificar os brinquedos. Umas centram-se no brinquedo,
no tipo de jogo que proporcionam, outras apoiam-se na etapa evolutiva, segundo o seu
valor educativo, os aspetos da personalidade que desenvolvem, …
Classificação segundo a idade:
A maioria dos cataé logos de brinquedos baseia a sua classificaçaã o na idade de quem o
usa. Todos os fabricantes saã o obrigados a indicar de forma visíével em etiquetas, a idade
míénima de refereâ ncia a que o seu produto se destina, com a seguinte frase: “Brinquedo
recomendado a partir de… anos”.
Classificação segundo o âmbito de desenvolvimento que fomentam:
A variaé vel em que se baseia esta classificaçaã o eé : sensorial, motricidade, cognitiva,
social ou emocional.
- Sensorial ou de desenvolvimento da criatividade: Este tipo de brinquedos facilita o
conhecimento e domíénio do proé prio corpo e ajuda a criança desde cedo a entrar em
contacto com o que a rodeia a partir da estimulaçaã o dos sentidos, favorecendo o
descobrimento e o prazer de novas sensaçoã es. Jogos tais como: moldar plasticina, os

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jogos de pinturas, criaçoã es de moda, bijutaria, maquilhagem ou ateé mesmo os jogos de


disfarce.
- Motricidade ou de desenvolvimento da mesma: A praé tica melhora qualquer
habilidade, logo a criança consegue dominar o proé prio corpo, ganhando destreza,
coordenaçaã o, equilíébrio, exercitada atraveé s dos jogos. Neste aâ mbito pode dividir-se em:
 Motricidade global (coordenaçaã o de movimentos do corpo): bicicleta, triciclo,
patins, cordas, bolas, ...
 Motricidade fina e habilidade manual (exercitaçaã o precisa das maã os e dedos): yo-
yos, construçoã es, miniaturas, fantoches, brinquedos de coser, recortar, tricotar ou vestir
os vestidos aà s bonecas.
- Cognitivos ou de desenvolvimento da inteligeâ ncia: Estes brinquedos ajudam no
desenvolvimento intelectual, no raciocíénio, na loé gica, na atençaã o, no domíénio da
linguagem, etc. Exemplos de jogos saã o os brinquedos de construçaã o como: puzzles, jogos
de cartas, dominoé s; os jogos de perguntas e respostas; jogos de linguagem, etc.
- Relaçaã o social ou de desenvolvimento da sociabilidade: Saã o brinquedos que
favorecem as relaçoã es entre as pessoas. A participaçaã o de mais do que um jogador, ajuda
a criança a relacionar-se com os outros e a comunicar, favorecendo o intercaâ mbio de
ideias, materiais ou experieâ ncias. Os brinquedos que requerem acordos entre diferentes
jogadores ajudam na assimilaçaã o de normas sociais, no respeito pelos outros e na
aceitaçaã o de regras, conceitos que integram todos os aspetos baé sicos das relaçoã es
interpessoais. Formam parte desta tipologia todos os brinquedos associados ao jogo
simboé lico: bonecas, veíéculos, cozinhas, hospitais, escolas, disfarces, jogos desportivos de
mesa, …
- Desenvolvimento afetivo e emocional: O jogo eé uma atividade que proporciona
prazer, alegria e satisfaçaã o, permitindo que a criança se expresse livremente e
descarregue tensoã es, de forma a garantir um equilíébrio emocional e afetivo. Alguns
exemplos saã o: os disfarces e as representaçoã es em miniaturas de elementos do mundo
real (carros, lojas, cozinhas…), permitem representar e imaginar diversas situaçoã es do
mundo adulto, experimentando diferentes papeé is que ajudam a configurar a proé pria
personalidade. Os jogos com peluches, bonecas ou figuras de açaã o, promovem a
manifestaçaã o de sentimentos, desejos, medos e emoçoã es e os jogos como quebra-
cabeças, jogos de habilidade ou de mesa, favorecem a experimentaçaã o do eâ xito pessoal e
social, que eé a base da autoestima.

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Os brinquedos saã o representaçoã es em miniatura do mundo real, que permitem aà s


crianças a possibilidade de imitar, reproduzir e representar as atividades dos adultos
que as rodeiam. No entanto, deve-se ter em conta que as crianças jogam e reproduzem
aquilo que veâ e, naã o aquilo que lhes eé dito, e, assim, vaã o construindo a sua identidade de
acordo com a cultura que lhes eé transmitida.
Normalmente levam a cabo esta construçaã o a partir da imitaçaã o dos modelos que
teâ m por perto (a maã e, o pai, as amizades, educadores e tambeé m atraveé s da televisaã o).
EÉ dever dos adultos facilitar aà s crianças brinquedos que transmitam, atraveé s da sua
forma e do jogo que compoã em, atitudes de respeito para com os outros, evitando todos
aqueles que transmitam valores naã o recomendaé veis para a sua formaçaã o.
Existem argumentos cientíéficos que defendem a ideia de que o jogo e o brinquedo
canalizam a violeâ ncia e a agressividade, servindo para se libertar da agressividade
natural. Naã o haé dué vida que as brincadeiras violentas servem de meio para uma conduta
violenta. Muitas das imagens violentas a que as crianças assistem estaã o presentes nos
jogos, que pais compram e, por vezes, naã o sabem o que conteâ m.
EÉ recomendado oferecer aà s crianças, jogos que tenham modelos pacíéficos de
brincadeira saudaé vel, para que as mesmas o depreendam dessa forma.
Nem sempre os melhores brinquedos saã o adquiridos em lojas. A grande quantidade
de brinquedos produzidos pela nossa sociedade pressupoã e um impacto meio-ambiental
importante, pois grande parte saã o feitos de plaé stico. EÉ necessaé rio ter haé bitos de consumo
sustentaé vel, segundo a regra dos treâ s R’s:
- Reciclar os brinquedos, para que possam ser feitos outros novos atraveé s de
material jaé usado;
- Reutilizar os brinquedos dando a familiares e amigos;
- Reduzir o consumo de brinquedos desnecessaé rios.
O excesso publicitaé rio que liga o mundo infantil e familiar atraveé s dos meios de
comunicaçaã o provoca nas crianças uma manipulaçaã o e o desejo de se ter que se veâ , por
vezes naã o corresponde aà s necessidades da criança.
Atualmente verifica-se muita publicidade enganosa referente a alguns brinquedos.
Os brinquedos que soé servem para observar, que teâ m um funcionamento complicado,
que naã o saã o adequados aà sua idade, que alimentam e exercitam valores indesejados, naã o
devem ser comprados aà criança. O excesso de brinquedos provoca a indiferença da
criança.
EÉ excessiva a obtençaã o de brinquedos, por exemplo, nas festas de aniversaé rio e no
Natal. Por isso, conveé m espaçar a oferta de brinquedos durante o ano todo.

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1.8 Objetivos e meios para promover o desenvolvimento da


criança

Na infaâ ncia e na adolesceâ ncia as atividades/dinaâ micas realizadas atraveé s de jogos


lué dico-pedagoé gicos saã o fundamentais, para um melhor desenvolvimento global da
criança.
Deste modo, estes jogos caracterizam-se por ativar alguns processos que teâ m como
finalidade a tomada de conscieâ ncia de dimensoã es psicoloé gicas internas e tambeé m a
aquisiçaã o de novas formas de pensar, sentir e relacionar-se com os outros.
Deste modo, o trabalho com crianças e jovens exige bastante criatividade.
O jogo eé um dos meios do desenvolvimento e interaçaã o da criança, aleé m do
brinquedo. Por vezes, no jogo utilizam-se alguns elementos que o completam,
enriquecem e estimulam.
Os profissionais como professores e animadores, tem que ter meé todos e teé cnicas que
estimulem o seu desenvolvimento tanto cognitivo como psicoloé gico.
Os meios para o desenvolvimento da criança poderaã o ser vaé rios tendo em conta os
diversos contextos socioculturais, educativos e econoé micos que a mesma se encontre.
Existem vaé rios tipos de animaçaã o e cada um eé compreendido por formas de
trabalhar especíéficas de forma a promover o desenvolvimento corporal e mental da
criança.
Iremos analisar esses meios com a explicaçaã o pormenorizada acerca das teé cnicas de
animaçaã o, explorando o que cada uma desenvolve em particular.

2 Metodologias e técnicas de animação


2.1 Objetivos das técnicas de animação

As teé cnicas de animaçaã o saã o formas de expressaã o importantes no desenvolvimento


da criança/jovem. Existem diferentes teé cnicas que permitem animar os grupos, de
acordo com os objetivos que se pretendem alcançar.
Alguns exemplos de teé cnicas de animaçaã o: a Expressaã o do movimento, a Expressaã o
dramaé tica, a Expressaã o musical e a Expressaã o plaé stica.
De acordo com Garcia (2004), os objetivos fulcrais da animaçaã o saã o:
- Possibilitar a elaboraçaã o, a articulaçaã o e o desenvolvimento de aspetos essenciais aà
pessoa como a identidade;

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- Promover relaçoã es de confiança e de igualdade, que permita que todas as pessoas


se exprimam livremente;
- Fomentar relaçoã es de confiança e igualdade que saã o promovidas pela experieâ ncia
da viveâ ncia e aceitaçaã o da diferença;
- Desenvolver dois aspetos fundamentais: ouvir e fazer-se ouvir.
- Trabalhar a pessoa na sua globalidade, atendendo a todas as suas caracteríésticas
como competeâ ncias, medos e dificuldades.
Segundo os objetivos existem teé cnicas para promover a participaçaã o; estimular as
atitudes positivas; desenvolver a criatividade; …

2.1.1Expressão do movimento

O objetivo da expressaã o do movimento eé experimentar os sentidos, distribuir e


canalizar a energia para atividades que exercitam e mexam com o corpo, tais como: a
ginaé stica; a dança; os jogos ríétmicos; a míémica; …
O movimento tem influeâ ncia na organizaçaã o psicoloé gica geral, pois assegura a
passagem da vertente corporal aà vertente cognitiva-afetiva.
O corpo eé o meio de reaçaã o aos estíémulos do meio envolvente.
A Linguagem corporal eé uma forma de comunicaçaã o naã o-verbal, onde o corpo "fala"
atraveé s de gestos, expressoã es faciais e posturas. A linguagem corporal surgiu antes da
linguagem verbal, e atualmente representa uma das mais importantes formas de
comunicaçaã o do ser humano.
A Expressaã o corporal eé a capacidade de expressar emoçoã es com o corpo. Ao longo da
histoé ria a dança vem-se manifestando numa linguagem especíéfica que usa formas
corporais proé prias, relacionando e transmitindo significados, seja no teatro ou nas
escolas.
Na expressaã o do movimento, deveraé haver:
- Reconhecimento do esquema corporal;
-Desenvolvimento da capacidade, disponibilidade e utilizaçaã o do proé prio corpo
como elemento expressivo;
- Orientaçaã o no espaço;
- Aquisiçaã o das noçoã es de equilíébrio, respiraçaã o adequada, ritmo, níével de tensaã o e
velocidade.
A postura dos braços, pernas, cabeça e a expressaã o facial podem transmitir vaé rios
sentimentos.
Apresentam-se as seguintes unidades de trabalho:
- Esquema corporal;
- Organizaçaã o espacial;
- Organizaçaã o temporal.

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O esquema corporal refere-se aà importaâ ncia do desenvolvimento de uma imagem


ajustada e positiva de si proé prio, progredindo no conhecimento do proé prio esquema
corporal, descobrindo e utilizando as proé prias possibilidades motoras e expressivas.
A organizaçaã o espacial contribui para que se possa progredir na segurança e
precisaã o das deslocaçoã es atraveé s do espaço, estruturar o espaço exterior e localizar nele
o proé prio corpo e os objetos.
A organizaçaã o temporal passa por adequar o proé prio comportamento aà s exigeâ ncias
das sequeâ ncias temporais dos outros; sequenciar adequadamente acontecimentos
vividos nas açoã es quotidianas e nos jogos, calcular o tempo de velocidade e duraçaã o.
A necessidade de atividade fíésica e do jogo espontaâ neo na infaâ ncia eé crucial e
decisiva na promoçaã o de haé bitos saudaé veis para uma vida ativa.
O trabalho criativo realizado pela criança revela o seu desenvolvimento fíésico,
atraveé s da sua capacidade de coordenaçaã o visual e motora, pela forma como controla o
seu corpo, guia o seu grafismo e executa certos trabalhos.
Podem ser realizados alguns jogos para promover o desenvolvimento psicomotor:
- Jogos cooperativos: Estafetas, apanhada, etc.
- Jogos de grupo: Jogo do leaã o, apanhada em pares, jogo da corrente, etc.
- Conscieâ ncia espacial: relacionar-se com os outros e objetos, deslocar-se com
introduçaã o a: para a frente / para traé s / para o lado / por cima / por baixo, em frente e
entre.

2.1.2Expressão plástica

A expressaã o plaé stica faz parte das expressoã es artíésticas em conjunto com a
expressaã o dramaé tica e a expressaã o musical.
Assim, eé importante estabelecer uma relaçaã o de continuidade de trabalho entre
todas as teé cnicas de expressaã o, estabelecendo contactos com obras de arte de diferentes
estilos, por exemplo, proporcionar visitas a museus. Este tipo de atividades nem sempre
eé possíével pelo que o animador deveraé tirar sempre proveito de meios mais limitados e
deveraé estar aberto a soluçoã es mué ltiplas.
A expressaã o plaé stica contribui para:
- O desenvolvimento da imaginaçaã o e criatividade;
- O desenvolvimento da capacidade de nos exprimirmos em termos visuais;
- O desenvolvimento das aptidoã es teé cnico manuais;
- O desenvolvimento do sentido críético;
- A compreensaã o do poder comunicativo das imagens visuais;
- O desenvolvimento da capacidade de anaé lise e recriaçaã o de imagens e objetos.

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A criatividade na criança implica o amadurecimento, a capacidade de comunicaçaã o,


o níével percetivo e motor, o grau de motivaçaã o e o conhecimento de aplicaçaã o de vaé rias
teé cnicas no seu trabalho criativo.
Para o desenvolvimento desses níéveis, poderaã o ser feitos trabalhos de diferentes
tipos como: desenho; pintura e estampagem, colagem, mosaico e vitrais; modelagem;
construçoã es; ...
O desenho eé uma forma de expressar livremente, atraveé s da imagem espontaâ nea ou
das proé prias viveâ ncias. Permite adquirir haé bitos de observaçaã o visual; criar imagens
partindo das diferentes estimulaçoã es ambientais; alcançar uma progressiva habilidade e
agilidade manual e conhecer e aplicar vaé rias teé cnicas.
A aplicaçaã o da pintura e estampagem pode ser feita atraveé s de laé pis de grafite;
carvaã o; laé pis de cor, de cera; pastel de oé leo; marcadores, guache, aguarela, entre outros
materiais.
Com a pintura e a estampagem eé possíével fazer combinaçoã es de cores para obter
cores diferentes; pintura sobre diferentes texturas, pintura salpicada, pintura facial, e a
estampagem com marcas de dedos, maã os, peé s, com carimbos, com rolo.
Na estampagem para aleé m das tintas utilizam-se os carimbos de cortiça, esponja,
vegetais, corda; …
Na colagem, mosaico e vitrais eé necessaé rio que haja destreza para cortar e rasgar e
saã o utilizados diversos tipos de materiais (papel de jornal, revista, papel transparente,
seda, crepe…); assim como representaçoã es figurativas.
Na modelagem trabalha-se o tato; o domíénio de espaço; os conceitos de
tridimensionalidade e a noçaã o da forma e do volume dos corpos. Neste tipo de trabalho
saã o utilizados materiais como a pasta de papel, plasticina e o barro.
Por fim, temos as construçoã es com as quais se pode trabalhar o plaé stico no espaço
tridimensional; a transformaçaã o da mateé ria; a criatividade de utilizaçaã o dos materiais e
as composiçoã es. Os materiais a utilizar, dependem do tipo de construçaã o que se deseja,
podendo-se utilizar o papel grosso/cartolina; caixas de cartaã o; cortiça; madeira;
esferovite; materiais de reciclagem e pastas de modelar.
As crianças devem contactar com diferentes materiais e texturas (gesso, papel,
cartaã o, cartolina, algodaã o, tecido, …), cujas aplicaçoã es seraã o convertidas em objetos
divertidos e ué teis, tais como: molduras, íémanes, maé scaras, fantoches, aé lbuns, quadros, ...
Exemplos de atividades que podem ser dinamizadas:
- Realizar pequenas obras plaé sticas: Colocar no chaã o ou na parede, aà altura das
crianças, papel de cor branca (papel de cenaé rio) e dar aà s crianças materiais de pintura:

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ceras, marcadores, giz, «tinta de dedos». Pedir que imitem o educador e façam garatujas
ou linhas verticais. Elogiar as criaçoã es e deixaé -las a adornar a sala.
- Estampagem (com batatas, rolhas de cortiça, esponjas...): dar aà s crianças vaé rios
tipos de estampagem e ajudaé -las a fazerem criaçoã es em vaé rias folhas ou numa de
tamanho grande.
Origami eé a arte tradicional japonesa de dobrar o papel, criando representaçoã es de
determinados seres ou objetos com as dobras geomeé tricas, sem cortar ou colar o papel.
Basta ter criatividade, pacieâ ncia e uma simples folha de papel. Essas saã o as ferramentas
baé sicas para fazer um Origami.

2.1.3Expressão musical

A expressaã o musical eé uma arte que deve fazer parte integrante da educaçaã o escolar,
da mesma forma que a leitura e a matemaé tica, ajudando na formaçaã o e alargando a
cultura geral da criança.
A mué sica tem um importante papel na formaçaã o da criança, uma vez que, aleé m de
adquirir a sensibilidade aos sons, ela desenvolve diversas qualidades, tais como:
concentraçaã o, coordenaçaã o motora, socializaçaã o, cognitivas, disciplina.

As crianças ao participarem numa atividade musical (ex. tocar os instrumentos)


estaã o a trabalhar os sentidos da audiçaã o, visaã o e o tato.

3 Planificação de atividades
3.1 Elaboração e planificação de atividades
3.1.1Definição de objetivos
3.1.2Desenvolvimento de conteúdos
3.1.3Definição de estratégias
3.1.4Potencial de recursos humanos e materiais

3.2 Flexibilidade da planificação

Existem certos procedimentos que se deve ter em conta para preservar a saúde
do bebé.

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Conclusão

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I. CONCLUSÃO

Brincar é fundamental, pois permite à criança enfrentar desafios, resolver


problemas, aperfeiçoar o pensamento e desenvolver potencialidades, é um
comportamento muito habitual em períodos de desenvolvimento do conhecimento
de si próprio, do mundo físico e social e dos sistemas de comunicação. As crianças
brincam e isso constitui para elas uma actividade normal, fundamental. É através
das actividades de animação que a criança explora o mundo e se conhece a si
mesma. Longe de serem meros passatempo, as actividades de animação são,
simultaneamente, reflexo e estímulo do seu desenvolvimento motor, cognitivo e
afectivo, constituindo a base das suas actividades futuras. A criança ao realizar
actividades específicas para a sua idade, para além de explorar o mundo ao seu
redor, também comunica sentimentos, ideias, fantasias, revelando-se nas suas
futuras actividades culturais. O facto de os pais trabalharem fora de casa deixando
os filhos entregues a amas ou instituições, o uso excessivo da televisão, a falta de
espaços na rua e as casas demasiado pequenas, são factores que diminuem as
oportunidades de brincar, indispensáveis ao desenvolvimento integral da criança.
É cada vez maior a importância que se atribui ao “brincar” e é relevante o
papel pedagógico desta acção que se reflecte na aprendizagem da criança em todos
os seus níveis de desenvolvimento, desde a afectividade, a criatividade, a partilha, a
socialização, a inexistência de egoísmo, a construção da sua personalidade.
Defender a importância da educação ao longo da vida é pensar no futuro e
pensar no futuro, qualquer que seja a dimensão considerada, obriga a pensar na
criança, obriga sobretudo a reflectir se o que hoje investimos na criança é suficiente
para garantir o melhor do seu desenvolvimento.
Desta forma é importante transmitir às minhas crianças conhecimento, mas
mais que isso, comportamentos, destrezas, atitudes, valores e um grande sorriso.
Porque o poder do sorriso é grande, e saber sorrir é algo muito importante. Antoine
Exupéry diz: “No momento em que sorrimos para alguém, descobrimo-lo como

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pessoa, e a resposta do seu sorriso quer dizer que nós também somos pessoa para
ele”.

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II. BIBLIOGRAFIA

Ctenas MLB, Vítolo MR. Crescendo com Saúde - o guia de crescimento da criança. São Paulo, C2 Editora
e Consultoria em Nutrição, 1999. p 269.
GARCÍA, M. (2004). Animação Sociocultural, conflito social e marginalização,
in, TRILLA, J. (2004). Animação Sociocultural, Teorias, Programas e Âmbitos,
Lisboa: Horizontes Pedagógicos, pp. 265-277.
CALHAU, J. (1998). Técnicas de Expressão dramática, musical e plástica, Cruz
Vermelha Portuguesa – Centro de formação Técnico-profissional: Riográfica –
Tip. Santos & Marques, Lda.
RODRÍGUEZ, J. (2010), Acompanhamento na ação: a figura do animador ou
animadora de voluntariado, Évora: Função Eugénio de Almeida.

http://www.maemequer.pt/a-vida-com-o-seu-bebe/saude-e-seguranca/crescer-em-seguranca

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