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MANUAL DE FORMAÇÃO

UFCD 9820 - Planeamento e gestão


do orçamento familiar

FORMADORA: Guida Querido


Planeamento e gestão do orçamento familiar – Manual de Formação

ÍNDICE
Enquadramento ...................................................................................................................... 2
Objetivos ................................................................................................................................ 3
Conteúdos programáticos ........................................................................................................ 4
1. Orçamento familiar ........................................................................................................... 5
1.1 Fontes de rendimento ....................................................................................................... 5

1.2 Tipos de Despesas .............................................................................................................. 7


1.3 Noção de Saldo (relação entre Rendimentos e Despesas) .................................................... 9
2.Planeamento familiar ......................................................................................................... 10
2.1 Distinguir entre objetivos de curto e de longo prazo ................................................... 12
2.2 Cálculo das necessidades de poupança para a satisfação de objetivos no longo prazo e
poupança .................................................................................................................. 13

3. Fatores de incerteza ........................................................................................................... 14

4. Precaução ......................................................................................................................... 14
4.1 Constituição de um “fundo de emergência” para fazer face aos imprevistos ...................... 14
4.2 Importância de um seguro ............................................................................................. 15

5. Conta de depósito à ordem ................................................................................................ 16


5.1 Abertura de Conta à Ordem ............................................................................................. 16
5.2 Conta Individual, Solidária e Conjunta .............................................................................. 19
5.3 Movimentação e Saldo de Conta ...................................................................................... 22
5.4 Formas de controlar os movimentos e saldos de conta à ordem ........................................ 22
5.5 Custos de Manutenção da conta depósito à ordem ........................................................... 27
5.6 Descobertos autorizados em conta à ordem ..................................................................... 27
6. Meios de pagamento ......................................................................................................... 30
6.1 Notas e Moedas ............................................................................................................... 30
6.2 Cheques ........................................................................................................................... 30
6.3 Débito Direto – Domiciliação de Pagamentos .................................................................... 32
6.4 Transferências Interbancárias ........................................................................................... 34
6.5 Cartão de Débito .............................................................................................................. 35
6.6 Cartão de Crédito ............................................................................................................. 36

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Enquadramento
O presente manual foi concebido como instrumento de apoio à unidade de
formação de curta duração nº 9820 – Planeamento e Gestão do Orçamento Familiar, de
acordo com o Catálogo Nacional de Qualificações.

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Objetivos

 Elaborar um orçamento familiar, identificando rendimentos e despesas e apurando o respetivo


saldo.

 Avaliar os riscos e a incerteza no plano financeiro ou identificar fatores de incerteza no


rendimento e na despesa.

 Distinguir entre objetivos de curto prazo e objetivos de longo prazo.

 Utilizar a conta de depósito à ordem e os meios de pagamento.

 Distinguir entre despesas fixas e variáveis e entre despesas necessárias e supérfluas.

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Conteúdos Programáticos

1. Orçamento familiar
1.1. Fontes de rendimento: salário, pensão, subsídios, juros e dividendos, rendas
1.2. Tipos de despesas (fixas e variáveis)
1.3. A noção de saldo como relação entre os rendimentos e as despesas
2. Planeamento do orçamento
2.1. Distinção entre objetivos de curto e de longo prazo
2.2. Cálculo das necessidades de poupança para a satisfação de objetivos no longo
prazo
2.3. A poupança
3. Fatores de incerteza
3.1. No rendimento (e.g. desemprego, divórcio, redução salarial, promoção)
3.2. Nas despesas (e.g. doença, acidente)
4. Precaução
4.1. Constituição de um 'fundo de emergência' para fazer face a imprevistos
4.2. Importância dos seguros (e.g. acidentes, saúde)
5. Conta de depósitos à ordem
5.1. Abertura da conta à ordem: elementos de identificação
5.2. Tipo de conta: individual, solidária e conjunta
5.3. Movimentação e saldo da conta: saldo disponível, saldo contabilístico e saldo
autorizado
5.4. Formas de controlar os movimentos e o saldo da conta à ordem
5.5. Custos de manutenção da conta de depósitos à ordem
5.6. Descobertos autorizados em conta à ordem: vantagens e custos
6. Meios de pagamento
6.1. Notas e moedas
6.2. Cheques: tipos de cheques (e.g. cruzados, não à ordem), endosso
6.3. Débitos diretos: domiciliação de pagamentos, cancelamento
6.4. Transferências interbancárias
6.5. Cartões de débito
6.6. Cartões de crédito

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1. Orçamento familiar
O orçamento é uma importante ferramenta para conhecer, gerir e equilibrar os
rendimentos e despesas de forma a planear e alcançar objetivos.
O orçamento familiar é um instrumento fundamental para a gestão do dinheiro.

 Permite identificar os rendimentos e as despesas e decidir antecipadamente o que


fazer ao dinheiro.

 Permite controlar se o que recebemos e o que vamos gastando corresponde ao


planeado.

A elaboração do orçamento permite:


– Conhecer e organizar a vida financeira
– Identificar hábitos de consumo
– Definir prioridades e objetivos
– Prevenir imprevistos

1.1 Fontes de Rendimento


O rendimento corresponde ao “dinheiro que se ganha”. Os rendimentos da família
dependem da situação dos membros do agregado familiar e do seu património:

- Trabalhador por conta de outrem (professor, enfermeiro, polícia, engenheiro, bancário, …);
- Trabalhador por conta própria (empresário, estilista, arquiteto, …);
- Reformado;
- Subsídios e pensões (Desempregado; Invalidez, …);
- Arrendatário (proprietário de imóveis, …);
- Aforrador/ Investidor (detentor de depósitos e de outras aplicações financeiras)

O rendimento é uma entrada de dinheiro que pode estar sujeita a variabilidade. Há


rendimentos que são ‘fixos’ (ex.: salários) outros que variam no seu valor (ex.: comissões) e na
periodicidade (ex.: prémios).
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A. Deduções ao Rendimento
Taxa para a segurança social

 Trabalhador por conta de outrem: O seu valor é sempre de 11% do salário bruto para todos
os trabalhadores, independentemente do valor auferido mensalmente.

 Trabalhadores independentes: O seu valor é de 29,6%, mas varia conforme o rendimento e o


escalão em que o trabalhador se encontra.

IRS (Imposto Sobre os Rendimentos ou Retenção na Fonte)

 A taxa de IRS é variável e depende de diversos fatores como a morada fiscal (Continente,
Madeira ou Açores), estado civil, número de dependente a cargo, algum grau de deficiência e
valor do salário bruto.

 É importante salientar que a percentagem de desconto para o IRS pode variar entre os 0% e
os 48% (de acordo com o escalão de IRS em que se encontra).

Sobretaxa de IRS

Desde o início de 2016 que houve algumas alterações relativamente a este tema, no entanto,
com o início de 2017 mais alterações foram aprovadas. Assim sendo, em 2017, todos os contribuintes
que aufiram um rendimento igual ou inferior a 1.705€ estão isentos do pagamento desta taxa
extraordinária. Para quem aufere valores superiores, a sobretaxa mantém com diferentes
percentagens.

IVA (Imposto sobre valor acrescentado)

Só os trabalhadores independentes têm de cobrar IVA (23%) nos trabalhos que executam. Este é o
chamado regime normal de tributação. No entanto, há trabalhadores que pela natureza da atividade
que exercem podem estar sujeitos a um regime especial.

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B. Rendimento bruto (salário ilíquido) e o rendimento líquido

• O Rendimento bruto refere que o montante não sofreu ainda nenhum tipo de
desconto ou retenção. Ou seja, 700 € brutos serão simplesmente 700€.

• Pelo contrário, quando se ouve falar de rendimento líquido, refere-se a um


montante de dinheiro que já sofreu descontos, impostos e retenções que lhe
correspondem, gerando um valor menor que o bruto. Por exemplo, se aos 700€
brutos supracitados descontar 23% de IVA, o montante líquido será de 525€.

• Então, a diferença entre bruto e líquido é que o primeiro é um valor que ainda
não tem em conta as deduções.

• O chamado salário bruto é diferente do dinheiro que o funcionário recebe no final


do período de trabalho determinado para pagamento.

• O salário líquido é aquele obtido após todos os descontos e adicionais, ou seja, o


total de dinheiro que o trabalhador recebe no fim do período de trabalho a
pagamento.

• Todos os descontos devem ser representados pontualmente no recibo de


vencimento a fim de serem compreendidos com facilidade.

• Quando falamos especificamente de nosso salário, para efeitos das operações do


dia a dia e de cálculos ou planeamento das nossas poupanças, é importante fazê-
lo sempre com base no montante líquido.

1.2 Tipos de despesas


• As despesas necessárias ou prioritárias correspondem aos gastos realizados na aquisição
de bens e serviços considerados essenciais, como alimentação, vestuário, habitação…

• As despesas supérfluas correspondem aos gastos em bens e serviços que podem ser

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dispensados ou substituídos por outros. Trata-se, regra geral, da satisfação dos nossos
desejos.

A diferença entre o necessário e o supérfluo varia de pessoa para pessoa e é


condicionada pelas suas circunstâncias. As necessidades não são estáticas, podem evoluir. O que hoje é
supérfluo, amanhã pode ser necessário (caso do computador, por exemplo).

O gasto com o consumo de água é certamente uma despesa necessária. Mas ainda assim é
possível escolher entre a água da torneira e a água engarrafada, e da água engarrafada é possível
escolher entre diferentes marcas…

As despesas podem distinguir-se pelo seu grau de flexibilidade:

- As despesas fixas são as que não podem ser facilmente alteradas por nossa iniciativa. (exemplo:
prestação do crédito à habitação; renda da casa; seguros; impostos; condomínio, escola de
filho…)
- As despesas variáveis podem ser alteradas, reduzidas ou mesmo eliminadas, embora parte delas
tenha sempre de ser feita, pelo menos até um determinado montante, como é o caso das
despesas com alimentação, água, gás e eletricidade, vestuário, transporte, telecomunicações,
saúde.Sãodespesas variáveis porque o seu consumo pode ser ajustado.

Não há uma relação unívoca entre a “criticidade” da despesa e a sua flexibilidade. As


despesas supérfluas podem corresponder a uma despesa fixa (p.e. compra de um LCD com recurso ao
crédito).

Uma estrutura muito rígida da despesa (muitas despesas fixas) dificulta o


ajustamento caso surja uma situação que altere os rendimentos (p.e. desemprego, divórcio, doença) ou
as despesas (ex.: 0 nascimento de um filho).

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1.3 Noção de saldo (relação entre rendimentos e despesas)

 Depois de identificar todas as despesas e rendimentos é possível um diagnóstico da


situação financeira através do cálculo do saldo do orçamento.

• Se os rendimentos forem inferiores às despesas, este saldo é negativo. Isto


significa que se gasta mais do que se recebe e é necessário corrigir esta
situação. É fundamental avaliar se é possível reduzir despesas e/ou
aumentar os rendimentos.

• Se aquele saldo for positivo, significa que os rendimentos são superiores às


despesas, pelo que foi realizada poupança. No entanto será sempre
importante avaliar se corresponde aos objetivos fixados para a poupança do
agregado familiar. Caso tal não aconteça, deverá proceder-se também a
uma reavaliação do orçamento para o seu eventual ajustamento.

Mesmo quando aquele saldo é positivo, pode ser prudente introduzir


ajustamentos no orçamento. É importante analisar, por exemplo, a estrutura dos
rendimentos e das despesas. Se esta estrutura for rígida, poderá pensar-se na forma e
a tornar mais flexível.

Analisar o peso de cada tipo de despesa no total das despesas é


fundamental para evitar que seja difícil de corrigir uma situação de desequilíbrio no
orçamento familiar que possa surgir.

É importante ter uma estrutura de despesas tão flexível quanto possível,


pois assim será mais fácil reduzir as despesas, em caso de necessidade. Se o peso das
despesas fixas no total for elevado, tal significa que o montante das despesas que se
podem ajustar, pelo menos no prazo curto, é relativamente pequeno.

As primeiras despesas a reduzir ou até a eliminar são as despesas supérfluas


variáveis. Se ainda for preciso, pode também ser ponderada a redução das despesas
necessárias variáveis.

Assim, quando é necessário cortar despesas, o ponto de partida é


estabelecer prioridades. Como as despesas fixas são mais difíceis de alterar, as

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despesas variáveis devem ser as primeiras a serem reavaliadas. Uma vez que o
montante destas despesas depende daquilo que se consome, um consumo mais
moderado permite reduzi-las. Por exemplo, é possível reduzir despesas com
deslocações, recorrendo mais aos transportes públicos, ou com a alimentação,
diminuindo o número de vezes em que se come fora.

É importante ter em atenção que existem despesas variáveis, que embora


sejam possíveis de reduzir, não podem ir abaixo de um determinado valor, como o
caso das despesas com alimentação, eletricidade, gás e água.

Depois de reavaliar as despesas variáveis pode ser necessário examinar


também as despesas fixas. Esta avaliação deve em ter em conta, nomeadamente, o
peso dos encargos com prestações de créditos no rendimento mensal. Isto é, a taxa de
esforço.

Uma forma de reduzir os encargos com os empréstimos contraídos é optar


por ir pagando antecipadamente parte dos créditos, se e quando a situação financeira
do agregado familiar o permitir.

2.Planeamento familiar
A elaboração do orçamento familiar deve definir sempre objetivos de
poupança.
Horizonte temporal dos objetivos:
- muito curto prazo (precaver situações imprevistas, despesas inesperadas)
- curto prazo (fazer uma viagem, comprar carro, financiar estudos)
- longo prazo (comprar casa).

É muito importante planear e controlar as finanças pessoais com vista a


atingir as metas que tenham sido definidas antecipadamente

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Para elaborar o orçamento familiar devem ser consideradas quatro etapas:

1ª etapa: identificação do rendimento líquido do agregado familiar

Rendimento líquido = Rendimento bruto – Impostos – Contribuições Segurança Social

2ªetapa: identificação das despesas do agregado familiar

Despesas = despesas necessárias fixas + despesas necessárias variáveis + despesas supérfluas fixas +
despesas supérfluas variáveis

Cálculo da Taxa de Esforço:

• A análise à estrutura das despesas deve ter em atenção o peso das prestações associadas a
empréstimos contraídos, calculando a taxa de esforço

– A taxa de esforço corresponde à percentagem do rendimento destinada ao


pagamento das prestações de créditos que tenham sido contraídos.

• Uma taxa de esforço elevada significa que uma parte importante do rendimento se destina a
pagar os encargos resultantes de empréstimos bancários, os quais constituem despesas
fixas.

• Quanto maior a taxa de esforço, maior o risco de surgirem dificuldades financeiras, caso
ocorra um imprevisto ou uma alteração das despesas/ou rendimentos.

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3ªetapa: cálculo do saldo do orçamento familiar

Saldo do orçamento familiar = Rendimento líquido – Despesas

4ª etapa: gestão do orçamento familiar

2.3 Distinguir entre objetivos de curto e de longo prazo

Objetivos a curto prazo


Tradicionalmente, o planeamento a curto prazo compreende um período de
3 a 6 meses. Como o próprio nome indica, ele é feito para se ter uma visão de curto
prazo do que gostávamos de alcançar, por isso, os planos de ação e cronogramas são
elaborados para que as metas sejam cumpridas e os resultados sejam alcançados de
maneira mais rápida. Podemos dizer que é uma fração do planeamento de longo
prazo.

Objetivos a longo prazo

• O planeamento de longo prazo deve constar o que quer para a sua vida, para a sua
família daqui a 5 ou mais anos.

• É aqui que se vai definindo a sua missão, os seus valores, a visão que tem para si e
para os outros que o rodeia.

• Em determinados momentos da vida é possível antecipar o aumento das despesas,


como é o caso da compra ou troca de uma casa, o nascimento de um filho ou a
educação dos filhos.

• A poupança para a reforma deve ser uma preocupação presente desde que se inicia a
idade ativa.

• É, por isso, importante estabelecer objetivos de poupança e prossegui-los ao longo


das várias etapas da vida.

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2.4 Cálculo das necessidades de poupança para a satisfação


de objetivos no longo prazo e poupança

Poupança: é a parte do rendimento que não é empregue em consumo,


constituindo uma renúncia à satisfação imediata de necessidades, de modo a ser possível
satisfazer necessidades no futuro. Poupar significa abdicar de uma certa quantia no
momento presente, para a utilizar num momento posterior.

Exemplo de um cálculo para poupança


O ideal seria poupar o máximo possível, no entanto, devemos começar por uma
quantia simples, como o equivalente, por exemplo, a 10 por cento do rendimento.

Claro que, se apenas conseguirmos poupar, numa fase inicial, cinco por cento do
que ganhamos, também é bom – é um começo. Se conseguir fazer este exercício de
poupança numa época de crise, quando depois da tempestade vier a bonança de um
contexto económico mais favorável, facilmente subirá a fasquia. O importante é que poupe
todos os meses e de forma automática. O melhor é optar por transferir o dinheiro a pôr de
lado para uma conta poupança ou para outra conta em que não mexa habitualmente. Dê
uma ordem de transferência automática mensal da quantia definiu para a tal conta em que
não mexe habitualmente. Assim, quando for pagar as contas, ou seja, aos outros, já se pagou
a si próprio. Se pensa que 10% do rendimento é muito, então faça o seguinte exercício:

Quantas horas tenho de trabalhar para conseguir essa poupança?

Resposta: 48 minutos diários, ou seja, cerca de 18 horas por mês, se contabilizarmos 8 horas
de trabalho diário durante 22 dias úteis mensais. Trabalha pouco mais de dois dias por mês
para conseguir a sua poupança e os restantes 20 dias são para pagar as contas. Dá que
pensar, não dá?

Se fizer o exercício desta maneira verá que a sua perspetiva em relação ao dinheiro
muda. Não pense quanto é que custa, mas sim quantas horas vou ter de trabalhar para

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conseguir pagar aquela televisão com ecrã de plasma ou aquele telemóvel. Esta nova
perspetiva irá certamente dissuadi-lo de algumas compras impulsivas.

Desta forma, para uma pessoa que ganhe 1.000 euros líquidos, a poupança de 100
euros mensais irá traduzir-se no final de um ano numa poupança de 1.200 euros. Se
mantiver esse nível de poupança nos próximos cinco anos terá 6.000 euros. No caso de ser
um casal com um rendimento mensal de 2.000 euros líquidos, deve aplicar-se a mesma
regra. E, assim, a poupança ao final de cinco anos já seria o dobro, isto é, 12.000 euros.

3. Fatores de incerteza
Na elaboração do orçamento há imprevistos que podem afetar tanto rendimento
(desemprego; divórcio; redução salarial; promoção) como a despesa (doença; acidentes).
No orçamento é importante prever algumas poupanças para precaver situações
imprevistas.

4. Precaução

4.1 Constituição de um “fundo de emergência” para fazer


face aos imprevistos

Dado que o futuro é incerto, é importante considerar a constituição de uma


poupança para despesas ou situações imprevistas, isto é, por precaução.
Alterações inesperadas no seio familiar, como uma situação de desemprego,
divórcio ou uma doença grave, podem vir a gerar dificuldades financeiras significativas. A
existência de poupança acumulada com esta finalidade ajuda a atenuar o impacto financeiro
destas situações.

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4.2 Importância de um seguro

Para além da poupança, os seguros podem ajudar a salvaguardar riscos que poderão
ocorrer, originando grandes prejuízos ou danos que é necessário reparar.
Os seguros têm uma importância social e económica. Os seguros são uma fonte de
equilíbrio e tranquilidade contribuindo para eliminar a ansiedade decorrente da insegurança face às
incertezas do futuro. Diminuindo desta forma o risco de perdas patrimoniais a que se está sujeito.
Ao longo da história da civilização os seguros surgiram e foram ganhando a sua importância,
pois as pessoas sentiam cada vez mais necessidade de salvaguardar os seus bens.
Nas civilizações antigas, como a China ancestral, os comerciantes decidiam transportar
apenas metade das suas mercadorias, pois este processo em caso de acidentes ou assaltos
minimizava as suas perdas, reduzindo assim o risco que corriam. Esta terá sido porventura uma
forma inicial de seguro.
Há uma crescente necessidade das pessoas manterem em segurança os seus bens,
nomeadamente as suas casas, carros, saúde,…, para no caso da ocorrência de infortúnios, poderem
reaver ou minimizar os riscos a que esses bens estão sujeitos.
Assim, quando optamos por um seguro, há que considerar uma despesa corrente imediata
(anual, mensal, ou com outra periodicidade que seja acordada), que deverá ser inscrita no
orçamento familiar, para ter a garantia de que os prejuízos, que poderão ser avultados, se ocorrerem
determinados eventos, por exemplo, acidentes, doença, perda de bens, são pagos pela seguradora,
nos termos que tiverem sido contratados
Poderá, por exemplo, ser contratado um seguro de saúde, pelo qual será pago um valor fixo,
ficando as despesas de saúde cobertas a cargo da seguradora.
Situação semelhante poderá acontecer com um seguro de assistência, que poderá garantir
auxílio em várias situações. As coberturas de assistência são, usualmente, associadas a outro tipo de
seguros. Por exemplo, assistência em viagem, associado ao seguro automóvel e/ou ao seguro de
viagem, assistência no lar, associado a seguros de multirriscos e/ou de responsabilidade civil.
É também usual aliar à contratação do seguro obrigatório de responsabilidade civil
automóvel a contratação de coberturas de danos próprios, isto é, a garantia do pagamento dos
prejuízos sofridos pelo veículo seguro (por exemplo, furto ou roubo, choque ou capotamento e
mesmo que o condutor seja responsável pelo acidente), bem como a cobertura de acidentes
pessoais do condutor que está excluído da cobertura do seguro obrigatório.

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5. Conta de depósito à ordem


Uma conta de depósito à ordem permite ao seu titular fazer depósitos em
numerário, efetuar levantamentos e realizar pagamentos. Os pagamentos podem ser
efetuados através de cartão, de cheque, de transferências ou de débitos diretos.

Os clientes que pretenderem ter acesso a estes meios de pagamento têm de os


solicitar e de celebrar contrato com a instituição de crédito para a sua utilização.

As instituições de crédito não estão obrigadas a disponibilizar aos titulares de contas


à ordem cartões ou cheques.

A conta de depósito à ordem é em geral necessária para a contratação de outros


serviços bancários, como a celebração de um contrato de crédito ou de um depósito a prazo.

Há que não esquecer que apenas as instituições de crédito registadas no Banco de


Portugal, com o estatuto de bancos, caixas económicas e caixas de crédito agrícola mútuo,
podem contratualizar a abertura de contas de depósito à ordem.

As instituições de crédito atribuem um número a cada conta de depósito à ordem. As


contas bancárias em Portugal são identificadas pelo número de conta ou por uma versão
mais alargada deste número: o número de identificação bancária ou NIB que mais
recentemente foi substituído por IBAN (O IBAN - International Bank Account Number - é uma
estrutura normalizada de número de conta de pagamento. Consagrou-se como um standard
internacionalmente aceite com a publicação da norma ISO 13616).

5.1 Abertura de conta à ordem


A abertura de uma conta de depósito à ordem estabelece uma relação contratual
entre o cliente e a instituição de crédito. A sua abertura pressupõe que o cliente e a
instituição de crédito estão de acordo quanto às características e às condições dessa conta.

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As instituições de crédito não estão obrigadas a aceitar a abertura de uma conta de


depósito à ordem e podem comercializar diversos tipos de contas, desde que cumpram as
normas definidas pela lei.

Na abertura de uma conta de depósito à ordem, as instituições de crédito necessitam


de ter um conhecimento completo e atualizado dos elementos de identificação do cliente,
dos seus eventuais representantes e de quem pode movimentar a conta.

A lei estabelece as condições necessárias para a abertura de uma conta bancária,


determinando que:

 antes da abertura da conta, a instituição de crédito deve fornecer ao cliente


informação sobre a conta (informação pré-contratual);

 no momento da abertura, o cliente deve disponibilizar os dados e documentos


pessoais;

 a abertura da conta concretiza-se com a assinatura do contrato.

INFORMAÇÃO PRÉ-CONTRATUAL

Antes da abertura de uma conta de depósito à ordem, a instituição de crédito deve


disponibilizar ao cliente uma ficha de informação normalizada (FIN), um Formulário de
Informação ao Depositante (FID) e um exemplar das condições gerais da conta.

A FIN resume as principais características da conta, tais como o nome da conta, os


meios para a sua movimentação e as comissões.

A FID fornece informação acerca do sistema de garantia que protege os depósitos


constituídos na instituição de crédito em causa. O FID especifica, entre outros elementos, o
limite dessa proteção e o prazo de reembolso dos depósitos no caso de insolvência da
instituição.

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As condições gerais da conta fazem parte do contrato e contêm informação mais


desenvolvida acerca da conta e de todos os serviços associados. As condições gerais regulam
aspetos como a titularidade da conta e a forma como se pode processar a sua
movimentação, os meios de pagamento associados à conta e as responsabilidades e
encargos do cliente.

Antes de assinar o contrato de depósito o cliente deve ler atentamente a FIN e as


condições gerais da conta e solicitar todos os esclarecimentos que se considerem relevantes.

DADOS PESSOAIS E DOCUMENTAÇÃO

A abertura de uma conta de depósito à ordem é efetuada mediante preenchimento e


assinatura do contrato.

O contrato relativo à conta contém os dados de identificação dos titulares, as


características da conta e as condições de movimentação.

Se a conta for aberta por uma pessoa singular, são necessários os seguintes dados:

 nome completo;

 assinatura;

 data de nascimento;

 nacionalidade constante do documento de identificação;

 tipo, número, data de validade e entidade emitente do documento de identificação;

 número de identificação fiscal nacional (sempre que exigido por lei);

 profissão e entidade patronal (quando existam);

 morada completa de residência permanente e, quando diversa, morada completa de


residência fiscal;

 naturalidade;

 outras nacionalidades não constantes do documento de identificação.

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Planeamento e gestão do orçamento familiar – Manual de Formação

Os elementos de identificação dos titulares da conta devem ser comprovados através


de documentos originais ou de cópia certificada dos mesmos. As instituições de crédito
devem guardar cópia de todos os documentos que lhe forem apresentados. Estes elementos
poderão ser utilizados para a abertura de uma nova conta na mesma instituição de crédito,
desde que se encontrem atualizados.

A abertura de conta é normalmente presencial. As instituições de crédito podem


permitir a abertura de uma conta de depósito à ordem sem a presença do cliente, desde que
sejam satisfeitos os requisitos de identificação e entregues os comprovativos
correspondentes.

CONTRATO

Após a celebração do contrato, as instituições de crédito devem entregar ao cliente


uma cópia do contrato devidamente assinado por ambas as partes.

Quaisquer alterações ao contrato devem ser propostas pela instituição de crédito ao


cliente com uma antecedência mínima de dois meses em relação à data de entrada em vigor
da alteração.

O cliente não é obrigado a aceitar a proposta de alteração, podendo denunciar o


contrato de depósito. Para tal, deve dirigir-se a um balcão e formalizar o pedido de
encerramento de conta. Neste caso, a instituição deverá proceder ao encerramento da
conta de imediato e sem encargos para o cliente.

5.2 Conta Individual, Solidária e Conjunta

Segundo a definição normalmente aceite, uma conta bancária é um produto


disponibilizado por instituições financeiras devidamente credenciadas pelo Banco de
Portugal, ou seja, os comuns bancos a retalho. Como vamos ver neste artigo, existem
diversos tipos de contas bancárias.

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As contas bancárias podem ser segmentadas em diversas classes. No que diz respeito
às contas à ordem, estas podem ser singulares ou coletivas. São estes os tipos de contas
bancárias nos quais nos vamos focar em seguida.

 Conta Singular ou Individual

Uma conta individual ou singular apenas pode ser movimentada por uma pessoa.
Este tipo de conta bancária apresenta a vantagem de ser mais segura, reduzindo as
possibilidades de ocorrência de movimentações indesejadas.

Contudo, as contas singulares também apresentam desvantagens, nomeadamente


quando o titular está doente, ou de alguma forma incapacitado de se deslocar.

 Conta Coletiva

Existem diversos tipos de contas bancárias coletivas. Uma conta bancária coletiva ou
mista pressupõe a existência de pelo menos dois titulares, que dessa forma são cotitulares
dos fundos depositados.

Existem diferentes tipos de contas bancárias coletivas. Em alguns casos, qualquer um


dos titulares pode realizar movimentações, enquanto noutros, são necessários pelo menos
dois titulares para que seja possível realizar movimentos.

 Conta Coletiva Solidária

Neste tipo de conta, qualquer um dos titulares pode realizar movimentos, sem que exista a
necessidade de informar os outros titulares.

É o tipo de conta mais comum nas famílias, uma vez que facilitam a gestão das contas e não
obrigam a grandes burocracias.

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 Conta Coletiva Conjunta

Estes tipos de contas bancárias são bastante mais restritivas no que diz respeito à
movimentação, já que apenas é possível realizar movimentos com a autorização de todos os
titulares da conta.

 Conta Mista

Neste tipo de conta, todos os titulares da conta têm de intervir. Apenas é possível
retirar dinheiro do banco com a autorização de todos os titulares.

Este tipo de conta é bastante utilizado nos condomínios.

 Escolher a Conta Mais Adequada

Conhecer os diferentes tipos de contas bancários é importante para que seja possível
escolher a opção mais adequada para cada situação.

Por exemplo, uma família na qual existe uma grande confiança entre os elementos
pode optar por uma conta coletiva solidária, já que este tipo de conta permite que qualquer
titular possa realizar movimentos, sem a necessidade de informar os outros titulares.
Optando por esta solução, a burocracia envolvida nas movimentações é consideravelmente
diminuída.

Por outro lado, a conta coletiva conjunta é uma boa opção para as situações em que
não existe uma grande confiança entre os diferentes titulares. Apenas sendo possível
realizar movimentações com a autorização de todos os titulares, o sentimento de segurança
é inevitavelmente maior.

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Pondere naquilo que pretende e no grau de confiança que existe entre os possíveis
titulares da conta bancária que planeia abrir e opte pelo tipo de conta bancária mais
adequado à sua situação.

5.3 Movimentação e Saldo de Conta / 5.4 Formas de


Controlar os Movimentos e Saldos de Conta à Ordem

MOVIMENTAÇÃO

A conta pode ser movimentada pelos próprios titulares ou pelos seus representantes,
caso lhes tenham sido dados poderes para isso.

O representante atua em nome do titular e movimenta a conta nos termos


estabelecidos pelo titular. O representante tem de estar munido de procuração que lhe
atribua poderes especiais de representação para poder movimentar a conta.

Por vezes, devido à idade ou a uma incapacidade declarada judicialmente (resultante,


por exemplo, de anomalia psíquica), as contas são obrigatoriamente movimentadas por um
representante legal.

A conta pode ainda ser movimentada pelas pessoas autorizadas para tal. A instituição
de crédito tem de aprovar a inclusão de um autorizado na conta de depósito à ordem.

O autorizado movimenta a conta nas condições acordadas entre o titular da conta e a


instituição de crédito.

A instituição de crédito apenas pode imputar responsabilidades ao titular da conta.

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EXEMPLO

Representação voluntária:

A Maria, maior de 18 anos, é titular de uma conta de depósito à ordem em Portugal, mas encontra-se a estudar
em Barcelona. Decidiu conceder poderes de representação à sua mãe (através de uma procuração) para esta
movimentar a sua conta de depósito à ordem, enquanto ela se encontrar no estrangeiro.

Representação legal:

O João, menor de 18 anos, pode ser titular de uma conta bancária, mas não a pode movimentar. Neste caso,
por força da lei, são os seus pais que procedem à abertura da conta e a movimentam, em nome do João.
Quando o João fizer 18 anos, passa a poder movimentar a conta sozinho.

No caso das contas coletivas é necessário estabelecer a forma de movimentação.


Existem vários regimes:

 o regime de conta solidária, em que a conta pode ser movimentada por qualquer um
dos titulares, sem necessidade de autorização do outro ou outros titulares;

 o regime da conta conjunta, quando a conta só pode ser movimentada mediante o


consentimento de todos os seus titulares; e ainda

 o regime de conta mista, em que, por exemplo, a conta titulada por três pessoas, só
pode ser movimentada mediante a assinatura de dois titulares ou em que a
assinatura de um dos titulares é obrigatória para que os restantes a possam
movimentar.

Os titulares de uma conta à ordem podem solicitar a alteração do regime


inicialmente escolhido em qualquer altura, cabendo à instituição de crédito aprovar essa
alteração.

As regras sobre a movimentação da conta de depósito à ordem constam do contrato.

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SALDOS

Um dos elementos que consta obrigatoriamente do extrato da conta de depósito à


ordem ou da caderneta é o saldo.

O saldo da conta de depósito à ordem é a diferença entre o numerário que foi


depositado na conta (créditos) e o numerário que foi levantado da conta ou utilizado para
fazer pagamentos (débitos).

O saldo da conta de depósito à ordem correspondente ao valor que o seu titular


pode utilizar de imediato sem ter de recorrer a crédito junto da instituição, ou seja, sem ter
de ficar sujeito ao pagamento de juros, comissões ou outros encargos por essa utilização, é
designado de saldo disponível.

Mas podem existir diferentes saldos de conta, quando utilizados outros critérios para
o seu cálculo.

É, por exemplo, o SALDO CONTABILÍSTICO que corresponde à diferença entre os


créditos e os débitos na conta, podendo alguns montantes ter uma data-valor futura, não
estando ainda disponíveis para utilização do titular.

O SALDO DISPONÍVEL da conta pode ser temporariamente inferior ao saldo


contabilístico. Isto acontece, por exemplo, quando o cliente faz um depósito num caixa
automático da rede Multibanco. O montante depositado faz aumentar imediatamente o
saldo contabilístico da conta. Porém, só depois de conferir os valores depositados no
Multibanco é que a instituição de crédito reflete esse montante no saldo disponível.

A conta de depósito à ordem pode ter associada a possibilidade do cliente fazer


pagamentos ou levantamentos da conta além do saldo disponível. Isto acontece quando o
cliente contrata uma facilidade de descoberto que lhe permite recorrer a crédito junto da
instituição. No caso dos clientes particulares essa facilidade associada à conta à ordem é
designada, em geral, de conta-ordenado.

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A contratação de uma facilidade de descoberto requer que o cliente celebre um


contrato com a instituição de crédito, com regras específicas para a sua utilização.

Quando o cliente contrata uma facilidade de descoberto, no extrato da sua conta de


depósito à ordem passa também a existir um saldo autorizado. O SALDO AUTORIZADO é
igual ao saldo disponível mais o valor a crédito que o cliente está autorizado a usar para
pagamentos ou levantamentos. Embora estes valores a crédito estejam disponíveis na conta,
a sua utilização poderá implicar o pagamento de juros e outros encargos.

A título muito excecional, a instituição de crédito pode permitir que os pagamentos


ou levantamentos excedam o saldo disponível da conta apesar de o cliente não ter
contratado uma facilidade de descoberto para esse efeito. É o que acontece, por vezes, no
pagamento de cheques que não tenham nesse preciso momento o valor disponível na conta.
Neste caso, diz-se que a instituição permitiu uma ultrapassagem de crédito a esse cliente.

No caso da ultrapassagem de crédito não existe contrato previamente celebrado com


a instituição de crédito, dado o seu carácter excecional.

Sempre que o cliente utilize numerário para além do saldo disponível na sua conta,
deve ter presente que está a recorrer a um crédito. Ao reembolsar os valores utilizados a
crédito, o cliente poderá estar sujeito ao pagamento de juros e de comissões.

5.5 Custos de manutenção da conta depósito à ordem


As instituições podem cobrar comissões associadas à conta de depósito à ordem. São
as designadas comissões de manutenção ou de gestão de conta. As instituições cobram
também comissões pela utilização de alguns meios de pagamento associados à conta. Estas
comissões são livremente fixadas por cada instituição de crédito, mas para algumas existem
limites e condições fixados por lei.

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As comissões de manutenção ou de gestão de conta estão associadas à titularidade


da conta. São, em geral, cobradas mesmo quando a conta não é usada (e não tem
movimentos) e independentemente do valor do respetivo saldo. Quando o saldo for zero ou
de valor inferior ao das comissões, a sua cobrança poderá ficar pendente até que a conta
apresente saldo que cubra esses valores, ou seja, até que a conta esteja provisionada.

As comissões de encerramento de contas de depósito à ordem de consumidores (clientes


particulares) e de microempresas são proibidas. Para os restantes tipos de clientes, apenas
podem ser cobradas comissões de encerramento de conta se tiverem decorrido menos de
12 meses desde a sua abertura, sendo que estes se devem restringir aos respetivos custos
suportados.

As instituições de crédito só podem cobrar comissões se essa possibilidade estiver


prevista no contrato relativo à conta. Em regra, os contratos que regulam as contas não
especificam o valor exato da comissão, remetendo para o preçário da instituição onde pode
ser consultado o montante e as condições de aplicação ou de isenção dessa comissão.

As instituições de crédito são obrigadas a ter um preçário completo, que inclua todos
os custos associados à conta de depósito à ordem. O preçário deve estar disponível para
consulta em todas as agências, em local de acesso fácil e devidamente identificado, e no sítio
da internet da instituição de crédito.

Em caso de alteração das comissões constantes do preçário relativas à conta de


depósito à ordem, as instituições de crédito devem informar os clientes com uma
antecedência mínima de dois meses relativamente à data de entrada em vigor dessa
alteração.

Ao valor da comissão de manutenção ou de gestão acresce Imposto do Selo, sendo o


montante correspondente ao imposto cobrado juntamente com as comissões.

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5.6 Descobertos autorizados em conta à ordem

As contas ordenado são o mais conhecido exemplo de descoberto bancário


autorizado. Saiba o que é e como funciona. Salários, pensões, a conta da água, da
eletricidade ou a prestação de crédito. Todos os meses há dinheiro a entrar e a sair da
generalidade das contas à ordem. Para a maior parte das pessoas, o ideal seria chegar ao fim
do mês com mais dinheiro na conta bancária ou, pelo menos, não andar de “salário em
salário”, mas é uma situação que nem sempre é possível, acabando por recorrer ao crédito
bancário ou deixando a conta a descoberto.

Nos meses em que os valores que saem são superiores aos que entram, diz-se que a
conta está a descoberto. O descoberto bancário permite que o cliente levante dinheiro ou
faça pagamentos a partir da sua conta à ordem quando já não tem fundos disponíveis, de
acordo com a definição que consta no Portal do Cliente Bancário, do Banco de Portugal.
Estes podem ser autorizados ou não autorizados.

No primeiro caso (facilidade de descoberto autorizado) existe um contrato, no qual o


banco permite que o cliente tenha acesso a um montante, previamente definido, quando o
saldo disponível na conta bancária acaba.

A forma mais conhecida deste descoberto é a conta ordenado, uma conta de


depósito à ordem que pressupõe a domiciliação do ordenado ou pensão do cliente e que
atribui, por regra, um ‘plafond’ equivalente ao salário / pensão auferido. Assim, todos os
meses, o titular da conta tem acesso a um crédito, que pode ser utilizado para fazer face a
despesas inesperadas.

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Como funciona o descoberto bancário autorizado?

Sempre que recorre ao crédito do descoberto bancário autorizado, incorre no


pagamento de juros. Entre a data de utilização do crédito e o seu reembolso são contados
juros diários, que serão cobrados quando o dinheiro voltar a “cair na conta”, e será cobrado
imposto de selo. As contas ficam saldadas assim que o ordenado ou pensão for creditado na
conta, uma vez que não há lugar ao pagamento da dívida em prestações.

A contratação de facilidade de descoberto terá de constar de um contrato –


separado do contrato de abertura de conta -, que o cliente deverá assinar. Neste documento
devem vir listadas as condições aplicáveis à facilidade de descoberto, nomeadamente, a taxa
de juro, as condições de reembolso, comissões ou despesas aplicáveis.

E o descoberto bancário não autorizado?

Agora vamos supor que emitiu um cheque e que não tem a conta bancária
provisionada. O banco pode aceitar pagar o valor, mas fica com um descoberto bancário não
autorizado (ultrapassagem de crédito). Trata-se de um pagamento a descoberto aceite pela
instituição bancária, sem que tenha sido previamente contratado, que permite que o cliente
aceda a fundos que excedem o saldo da conta bancária ou o limite máximo do descoberto
autorizado (acordado entre as partes).

O descoberto bancário não autorizado tem custos que podem ser superiores ao
autorizado, nomeadamente, no que diz respeito à taxa de juro aplicável. No entanto, estes
encargos devem constar no contrato de abertura de conta a que estão associados. Importa

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mais uma vez sublinhar que, nestes casos, o banco pode aceitar pagar o valor, mas também
pode recusar o pagamento por falta de provisão.

Três dicas para utilizar bem esta ferramenta

1. Seja prudente no uso

Os descobertos bancários, nomeadamente, os autorizados, podem ser uteis em momentos


de “aperto”, mas devem ser utilizados com moderação, para que não entre numa espiral de
sobre-endividamento.

2. Tenha atenção aos custos

Sempre que estiver prestes a entrar em descoberto é importante que esteja ciente dos
custos que terá, sobretudo se se tratar de um descoberto não autorizado. Neste último caso,
a cobrança de dívidas pode passar para a via judicial e o “processo tem mais custos para o
cliente”, alerta a Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor, acrescentando que
“este corre ainda o risco de ficar com o registo no Banco de Portugal”.

Uma outra recomendação: Se não tem uma conta ordenado, mas costuma entrar com
alguma frequência em descoberto bancário, informe-se sobre as comissões e juros. “Os
encargos por descoberto bancário autorizado são superiores nas contas correntes face às
contas ordenado”, diz a Deco.

3. Pondere o cartão de crédito

Caso apareça uma despesa inesperada, equacione recorrer ao cartão de crédito, desde que
consiga pagar a totalidade da dívida de uma só vez. Isto porque os cartões de crédito têm
um período, que pode ir dos 20 aos 50 dias, de crédito sem juros, ou seja, se pagar o valor
em dívida antes de terminar esse prazo, não paga juros.

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6. Meios de pagamento

6.1 Notas e moedas


O numerário é um meio de pagamento constituído por notas e moedas metálicas.

O numerário é um meio de pagamento universal e de aceitação obrigatória. Um


comerciante pode recusar o pagamento através de cheques ou de cartões bancários, mas
não pode recusar a aceitação de numerário como forma de pagamento. É também um meio
de pagamento com liquidez imediata, já que o pagamento do bem ou do serviço fornecido é
recebido de imediato.

O numerário é um meio de pagamento também sujeito a fraudes. O cliente deve


estar informado sobre as características das notas e das moedas em circulação para detetar
a sua autenticidade.

Não é aconselhável transportar grandes quantidades de notas ou moedas. O


numerário não dispõe, ao contrário de outros meios de pagamento, de sistemas de
comprovação da titularidade.

As moedas e as notas devem estar em bom estado. Se estiverem danificadas, podem


não ser aceites. Mas é possível trocar uma nota deteriorada no Banco de Portugal. Esta troca
não tem qualquer custo.

6.2 Cheques
O cheque é um meio de pagamento que permite movimentar fundos que se
encontram à disposição de titulares ou seus representantes em contas de depósito abertas
nas Instituições de Crédito.

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Modalidades de Emissão

 Cheque ao portador
É um cheque em que não é mencionada qualquer pessoa ou entidade beneficiária, pelo que
é pagável ao apresentante.

 Cheque nominativo
É um cheque em que é mencionado um determinado beneficiário.

 Cheque Cruzado
É um cheque que contém na sua face duas linhas paralelas e oblíquas indicando que o
mesmo deverá ser depositado, podendo no entanto ser pago se o beneficiário/portador for
também Cliente do Banco Sacado.

Caso entre estas duas linhas, nada esteja inscrito, denomina-se "Cruzamento Geral"
ou seja, o cheque deve ser depositado num banco qualquer, mas pode ser pago ao balcão,
se o beneficiário for também cliente do banco sacado.

Caso entre as linhas esteja escrito o nome de um banco denomina-se " Cruzamento
Especial" ou seja, o cheque só pode ser depositado no banco indicado entre as linhas,
embora possa ser pago ao balcão, se o banco indicado for o sacado e o beneficiário cliente
do mesmo.

Cheque Bancário
É um cheque emitido pelo próprio banco sobre uma conta desse mesmo banco a
favor de um terceiro, a pedido do seu cliente. O cheque bancário é obrigatoriamente
nominativo, não podendo nunca ser emitido ao portador. Sendo um cheque emitido por um
banco existe sempre a garantia do seu pagamento.

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Endosso
Uma das características do cheque é poder ser transmitido a uma pessoa diferente
da que consta no título como beneficiário, ou seja, este procedimento designa-se por
endosso. Através do endosso, transmitem-se todos os direitos que o beneficiário inicial tem
sobre o cheque.
Os cheques normais referem a expressão "à ordem", por isso, são endossáveis.
Para endossar um cheque basta, no verso do mesmo, colocar a assinatura da pessoa à
ordem de quem o cheque foi emitido e da indicação da entidade a favor de quem o mesmo
é transmitido. No entanto, pode-se endossar um cheque constando apenas a assinatura do
endossante (endosso em branco). Os cheques nestas condições, podem ser sucessivamente
endossados.

Pode impedir-se o endosso de um cheque, caso o mesmo contenha a expressão "não


à ordem". Para tal, no espaço reservado ao nome da pessoa e a favor de quem o cheque é
passado (ou no verso do mesmo, se a cláusula proibitiva de endosso for aposta pelo
beneficiário e não pelo emitente), deve escrever-se, "não à ordem", antes ou depois da
indicação do nome do beneficiário.

A proibição de endosso não impede a transmissão do cheque mas os novos


portadores do mesmo deixam de ter as garantias que a lei confere ao beneficiário.
Cancelamento de Cheques
A instrução de cancelamento dos cheques, por roubo ou extravio, poderá ser feita através
do Centro de Contactos, mas deverá ser confirmada por escrito numa Sucursal do seu
banco, nas horas subsequentes à comunicação feita ao Banco.

6.3 Débito direto – Domiciliação de pagamentos


O débito direto é um serviço que permite realizar pagamentos periódicos ou
pontuais por débito automático da conta de depósito à ordem, mediante uma única

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autorização dada pelo cliente. Este serviço é frequentemente utilizado no pagamento de


despesas regulares, como é o caso da água, da luz ou do gás.

Para poder fazer pagamentos por débito direto, é necessário que o cliente bancário
conceda uma autorização ao seu credor, para que este possa ordenar débitos na conta
indicada, através do seu prestador de serviços de pagamento. O pagamento através de
débito direto pressupõe a celebração de um contrato de prestação de serviços de
pagamento, que inclua a execução de débitos diretos, entre o cliente e o prestador de
serviços de pagamento onde a conta foi aberta. O prestador de serviços de pagamento pode
ser uma instituição de crédito, uma instituição de pagamento ou uma instituição de moeda
eletrónica.

As instituições estão obrigadas a prestar informação sobre as condições de utilização


dos débitos diretos. Esta informação deve incluir os prazos de execução dos débitos diretos
e a forma e o prazo de que o cliente dispõe para informar a instituição sobre uma operação
não autorizada ou incorretamente executada.

Quando os titulares das contas a debitar por débito direto sejam particulares que não
utilizem as contas para fins profissionais, ou microempresas, essas informações devem ser
prestadas gratuitamente.

Os débitos diretos são executados através do modelo de pagamentos SEPA (Single Euro
Payments Area - Área Única de Pagamentos em Euros). Este modelo permite a qualquer
cliente localizado no espaço SEPA efetuarem pagamentos por débito direto, em euros,
através de uma única conta e tendo por referência a aplicação das mesmas regras.

Os países da SEPA são todos os países da União Europeia e Islândia, Noruega,


Liechtenstein, Mónaco, San Marino e Suíça.

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6.4 Transferências Interbancárias


Uma transferência entre bancos diferentes (transferências interbancárias) é mais
demorada do que uma transferência entre contas do mesmo banco (transferências
interbancárias).

No entanto, para ficar a saber quanto tempo demora uma transferência entre
bancos, precisa de saber como são contabilizados os prazos para a execução
de transferências bancárias.

Assim, os prazos das transferências são contabilizados em dias úteis, ou seja, os dias
em que os prestadores de serviços de pagamento se encontram abertos para execução de
operações de pagamento (dias úteis bancários).

Os prazos são calculados a partir do momento em que a ordem é recebida pelo


prestador de serviços de pagamento, isto é, pela instituição do ordenante da ordem de
transferência.

Não são considerados dias úteis os sábados e domingos, os feriados nacionais e os


feriados bancários. As ordens de transferências nestes dias, ou após o tempo limite
determinado pela instituição para considerar as ordens como recebidas em dia útil
(geralmente até às 15 horas), consideram-se recebidas no dia útil

QUANTO TEMPO DEMORA UMA TRANSFERÊNCIA ENTRE BANCOS DIFERENTES?

Os prazos de execução de ordem de uma transferência entre bancos diferentes são


explicados a seguir:

- Até ao final do dia útil seguinte à receção da ordem de transferência, os fundos


devem ser creditados (pelo banco do ordenante) na conta do prestador de serviços
(banco do beneficiário) de pagamento do beneficiário. Aqui, há duas exceções: a
segunda-feira de Páscoa e o dia 26 de dezembro.

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- A conta de pagamento do beneficiário deve ser creditada imediatamente e os fundos


disponibilizados nesse mesmo dia, ou seja, o montante deve ficar de imediato
disponível (aplicável quer a transferências interbancárias nacionais, quer a
transferências transfronteiriças intracomunitárias).

Quer isto dizer que: uma transferência entre bancos diferentes até à hora limite
definida pela instituição (15 horas) pode demorar até 24 horas, uma transferência entre
bancos diferentes depois da hora limite definida pela instituição (15 horas) pode demorar
até 48 horas.

Nas transferências entre bancos diferentes ordenadas em suporte papel, admite-se o


prolongamento do prazo por mais um dia útil.

6.5 Cartão de Débito


O cartão de débito está sempre associado a uma conta de depósito à ordem. É um
dos meios de pagamento mais usado para movimentar a conta à ordem.

Este cartão permite efetuar levantamentos de numerário, pagamentos de bens e


serviços e transferências bancárias. Sempre que o cliente efetua um pagamento com o
cartão, o saldo da conta de depósito à ordem a que está associado diminui no valor
correspondente ao pagamento.

6.6 Cartão de Crédito


O cartão de crédito permite efetuar pagamentos e, frequentemente, levantamentos
de numerário. Porém, estas operações não se refletem de imediato na conta de depósito à
ordem, mas numa conta autónoma, designada conta-cartão.

Quando utiliza este cartão, o cliente está na prática a contratar um crédito. Este
crédito é reembolsado mais tarde numa data previamente acordada entre o cliente e a

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instituição de crédito. Se nessa data o cliente não pagar a totalidade do montante em dívida,
fica sujeito ao pagamento de juros.

O cartão de crédito tem associado um limite máximo de crédito (plafond),


previamente acordado entre o cliente e a entidade emitente do cartão. O titular do cartão
pode fazer pagamentos ou levantamentos até ao plafond acordado.

O crédito concedido através de cartão é um crédito renovável ourevolving. Cada vez


que o titular do cartão reembolsa parte ou a totalidade do crédito utilizado, volta a estar
disponível novo crédito até ao limite do plafond do cartão.

O adiantamento de numerário através do cartão de crédito (cash advance)


corresponde à possibilidade de o titular levantar numerário em caixas automáticos ou aos
balcões das instituições que disponham dessa funcionalidade. Este levantamento
corresponde a uma utilização do crédito associado ao cartão, sendo o seu valor lançado na
respetiva conta-cartão. Esta possibilidade deve estar prevista no contrato de utilização do
cartão de crédito e está sujeita ao pagamento de juros e de comissões

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