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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ITAJUBÁ – CAMPUS DE ITABIRA

RADIAÇÃO DO CORPO NEGRO

AMANDA SOUZA OLIVEIRA


ANNA PAULA ARAUJO COSTA
LOUISE EDUARDA RAMOS MAIA
PALOMA THAIS DA SILVA PAES

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE ITAJUBÁ – CAMPUS DE ITABIRA

Unifei – Campus de Itabira – Relatório científico

AMANDA SOUZA OLIVEIRA


ANNA PAULA ARAUJO COSTA
LOUISE EDUARDA RAMOS MAIA
PALOMA THAIS DA SILVA PAES

Itabira
2018
SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO ………………………………………………………………….………….. 4
2. MATERIAIS UTILIZADOS…………………………………………………… ……..…..…
4
3. OBJETIVOS……………………………………………………………………………….… 4
4. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA…………………………………………………………… 4
5. RESULTADOS E DISCUSSÕES………………………………………….......................
6
6. ANÁLISE DOS DADOS ………………………………………………………………..… 10
7. CONCLUSÃO……………………………………………………………………………....
11
8. REFERÊNCIAS…………………………………………………………………………….
12
1 INTRODUÇÃO
Todo corpo emite radiação térmica devido a sua temperatura. Um corpo que está mais
quente que o meio tem uma taxa de emissão maior que a taxa de absorção, e por isso o corpo
esfria até ficar em equilíbrio térmico com o meio, ou seja, com a temperatura igual. Isso
implica que um corpo em equilíbrio térmico como meio tem a mesmo taxa de absorção e
emissão.
Todo corpo emite um espectro de radiação que independe de suas propriedades,
porém depende da temperatura. Sendo assim a maioria da radiação emitida é na faixa do
infravermelho. Existem certos tipos de materiais que emitem radiação em toda a faixa do
espectro de radiação, sendo conhecidos como corpos negros. Este tipo de material tem a
propriedade de absorver toda a quantidade de radiação incidida sobre ele.
Neste experimento iremos analisar as relações entre as taxas de emissão de radiação
de diferentes superfícies, reconhecendo sua dependência com a capacidade de emitir e
absorver energia radiada e com a sensação térmica percebida pelos indivíduos.

2 MATERIAIS UTILIZADOS

• 01 conjunto para radiação térmica com plataforma rotacional,


• 01 termômetro
• 01 água em ebulição (100ml)
• 01 termômetro para infravermelho

A prática iniciou-se aquecendo 100 ml de água, que em seguida foi introduzida no


interior do cubo de radiação que já estava previamente preparado junto a plataforma
rotacional. A partir disso, era necessário esperar que a temperatura fosse equilibrada,
esperou-se em torno de 5 minutos e logo foi realizado medidas de temperatura utilizando o
termômetro para infravermelho em cada faces do cubo, em um intervalo de 2 minutos foram
realizadas mais duas medidas. Lembrando que a cada medida, era feito também uma medida
de temperatura da água com um termômetro.

3 OBJETIVOS

Reconhecer a dependência do revestimento de superfícies com a sua capacidade de


emitir e absorver energia radiada e com a sensação térmica percebida pelos indivíduos, Medir
a radiação IR emitida por um corpo aquecido. Comparar a taxa de emissão de radiação de
diferentes superfícies.

4 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Os corpos aquecidos emitem uma radiação denominada de radiação térmica que, em


geral, tem uma distribuição espectral contínua. A radiação térmica são ondas
eletromagnéticas geradas pelas oscilações de partículas carregadas que compõem os corpos
aquecidos. Numa temperatura normal, um corpo pode ser visto, não por emissão, mas por
reflexão da luz. Entretanto, em altas temperaturas os corpos podem emitir luz visível, embora
mais de 90% esteja na região do infravermelho do espectro eletromagnético.
Em geral,o espectro da radiação térmica emitido por um objeto aquecido depende da
sua composição. Entretanto, a experiência mostra que é possível idealizar um objeto aquecido
que emite um espectro de caráter universal. Trata-se do corpo negro, que são corpos cujas
superfícies absorve toda a radiação térmica que neles incidem. Todos os corpos negros, numa
temperatura T, emitem radiação térmica de mesmo espectro.
Em 1879, Josef Stefan, usando argumentos empíricos, demonstrados teoricamente
mais tarde por Ludwig Edward Boltzmann, propôs que a radiância total de um corpo negro
fosse proporcional à quarta potência da temperatura T, isto é,

(1)

onde σ = 5, 67 × 10−8 W/(m2 × K4) é denominado de constante de Stefan-


Boltzmann e a equação (1) é conhecida como lei de Stefan-Boltzmann.
Além da lei de Stefan-Boltzmann existem outras leis para explicar a radiação no
corpo negro, sendo elas:
A lei de Rayleigh -Jeans é uma previsão clássica para a radiação, que utiliza a
equação,

(2)
onde KB é a constante de Stefan-Boltzmann e c a velocidade da luz. Se é verdade que
esta lei prevê,, a radiância em cdo grandes, proporcional a λ-4 , é também evidente que para
cdo pequenos a R(λ) torna-se infinitamente grande. Esta discrepância entre a previsão teórica
da física clássica e a realidade designa-se por catástrofe do ultravioleta, em que o maior cdo
considerado nesta altura era a radiação ultravioleta.
Em 1900, o físico alemão Max Planck postulou que radiação eletromagnética é
emitida de forma descontínua, em pequenos “pacotes” de energia, chamados quanta cada um
com energia (E) proporcional à sua frequência (𝒗), isto é:

(3)
-34
sendo h a constante de Planck, valendo 6,626 x 10 ;
A quantização da energia permitiu a Planck deduzir teoricamente a intensidade de um
campo de radiação, como a seguir. A intensidade específica monocromática (energia por
unidade de comprimento de onda, por segundo, por unidade de área, e por unidade de ângulo
sólido) de um corpo que tem uma temperatura uniforme T e está em equilíbrio
termodinâmico com seu próprio campo de radiação (o que significa que é opaco), é dada pela
Lei de Planck:

(4)

onde, Bλ (T) é a intensidade específica monocromática do corpo negro de temperatura T c é a


velocidade da luz , h é a constante de Planck, k= 1,38x10-16 ergs/K é a constante de
Boltzmann.
Qualquer corpo em equilíbrio termodinâmico emitirá fótons com uma distribuição de
comprimentos de onda dada pela Lei de Planck acima. Esta radiação é chamada de radiação
de corpo negro, ou radiação térmica, pois depende unicamente da temperatura do corpo.
5 RESULTADOS E DISCUSSÕES

A tabela 1 apresenta os dados obtidos a partir dos experimentos realizados no


laboratório, sendo eles a relação da temperatura de acordo com as faces do cubo e o tempo. A
segunda tabela representa o valor da temperatura medida com o tempo por um termômetro,
logo pode-se dizer que é a temperatura normal da água.

Tabela 1: Medidas de Temperaturas versus tempo para cubo de Leslie sobre a plataforma
Tempo Face Negra (°C) Face Branca (°C) Face Fosca (°C) Face Polida (°C)
(min)

5 42 44 41 29

7 39 37 37 27

9 38 36 35 23
Fonte: Autores

Tabela 2: Medidas de Temperaturas normal da água


Tempo Face Negra (°C)
(min)

5 49

7 47

9 45
Fonte: Autores

Para as quatro faces foi realizado um gráfico temperatura em relação ao tempo. Em


que podemos ver como a temperatura se comporta com o tempo de cada uma das superfícies.
Gráfico 1: Temperatura em relação ao tempo da face negra

Fonte: Autores

Gráfico 2: Temperatura em relação ao tempo da face branca

Fonte: Autores
Gráfico 3: Temperatura em relação ao tempo da face fosca

Fonte: Autores

Gráfico 4: Temperatura em relação ao tempo da face polida

Fonte: Autores

As faces que mais emitiram foram a Preta e a Branca. Por terem uma emissividade
superior, serão também as que mais absorvem. Como a preta absorve bastante bem no
espectro do visível e a branca reflete quase toda a radiação nesta gama, conclui-se que a
superfície branca deverá absorver muito, como pode ser observado no gráfico 2.
A preta é a que tem uma maior emissividade, embora a diferença seja pequena em
relação à branca.
Como esperado, verifica-se que a face polida corresponde ao menor valor relativo, devido a
uma menor capacidade de absorção ( a maior parte da radiação incidente é refletida).
A partir dos gráficos anteriores foi elaborado o Gráfico 5, com todas as temperaturas
de todas as faces.

Gráfico 4: Temperatura em relação ao tempo da face polida


Fonte: Autores

Ao linearizar obtemos os dados da tabela 3.

Tabela 3: Dados da linearização

Fonte: Autores

Nesta parte do experimento, realizou-se o ajuste linear entre os logaritmos ln (F) e ln


(T), de modo a verificar a Lei de Stefan.
Realizando o ajuste linear através do software OriginPro, foi possível obter o valor da
inclinação para cada uma das faces e também para água. Tais resultados estão expressos na
tabela 4 abaixo:
Tabela 4: Inclinação para cada face e água
Superfície Inclinação

Face Negra -1

Face Branca -2

Face Fosca -1,5

Face Polida -1,5

Água -1
Fonte: Autores

6 ANÁLISE DOS DADOS

1. Quando a temperatura do emissor e do detetor é igual não se detecta radiação?


Qual a face mais absorsora, justifique?
No momento em que a fonte emissora de radiação e seu detector possuírem a mesma
temperatura, torna-se inviável detectar qualquer radiação. A face mais absorsora é a face
negra, fato que pode ser comprovado pela maior média de temperatura que foi atingida em
sua superfície, além da já conhecida capacidade das cores escuras de absorver mais calor.

2. Tendo em vista a construção de uma garrafa térmica, qual o motivo de serem


construídas com uma superfície interna refletora?
A superfície interna refletora presente em uma garrafa térmica tem como objetivo de
minimizar a troca de calor por irradiação térmica, pois a ondas de calor são refletidas para
que a temperatura do líquido seja mantida por mais tempo.

3. Compare a temperatura do sensor devida a radiação emitida pela face preta do


cubo com a face branca.
Comparados as faces negra e branca não é possível estabelecer uma relação, já que as
duas apresentam temperatura bastante parecidas em decorrer do tempo.

4. Compare a temperatura do sensor devida a radiação emitida pela face fosca do


cubo com a face polida.
Ao comparar a face polida com a face fosca, é perceptível a diferença de temperatura
medidas entre as duas, sendo que a face fosca apresenta temperaturas maiores, logo isso
indica ser uma face mais absorsora que a face polida.

5. Considerando a taxa de emissão da face negra como 100% determine a taxa de


emissão das outras faces.
De acordo com a equação a seguir, onde 𝜀é a taxa de emissão, s é emissividade de
cada face, T a temperatura da face e 𝑇𝑎 é temperatura ambiente.

𝜀 = 𝑠 (𝑇 4 − 𝑇𝑎4 )

Sabendo que o 𝜀𝐹𝑝𝑟𝑒𝑡𝑎 = 1, podemos calcular a emissividade da fase preta para cada
temperatura coletada e assim feita a média, temos o 𝑠𝐹𝑝𝑟𝑒𝑡𝑎 = 4,78𝑥10−7 .
A partir da lei de Stefan-Boltzmann e as inclinações encontradas anteriormente, foi
possível calcular a taxa de emissão das outras faces através da relação abaixo, onde 𝒗F’ é a
taxa de emissão de cada face, 𝒗F é a inclinação da face desejada em relação à inclinação da
face negra (𝒗CN ):
′ 𝜎𝐹
𝜎𝐹 = 𝜎𝐶𝑁
Mostrada na tabela 5, temos as taxas de emissões para todas as faces.

Tabela 5: Taxas de emissão para todas as faces


Superfície Taxa de Emissão (%)

Face Negra 100

Face Branca 20

Face Fosca 15

Face Polida 15
Fonte: Autores

Com esses valores é possível calcular a emissividade de cada face da mesma forma
como foi feita para a face negra. Gerando assim a tabela 6, com seus respectivos valores de s.

Tabela 6: Emissividade (s) de cada uma das faces


Superfície Emissividade

Face Negra 4,78𝑥10−7

Face Branca 3,70𝑥10−7

Face Fosca 5,62𝑥10−7

Face Polida -2,93𝑥10−7


Fonte: Autores

7 CONCLUSÃO
Este experimento comprovou o que a teoria afirma: as faces que tem uma
emissividade superior, serão também as que mais absorvem. Como a preta absorve bastante
bem no espectro do visível e a branca reflete quase toda a radiação nesta gama, conclui-se
que a superfície branca deverá absorver muito. E diante dos gráficos e tabelas, conclui-se que
a face polida corresponde ao menor valor relativo, devido a uma menor capacidade de
absorção ( a maior parte da radiação incidente é refletida). Os erros acometidos foram devido
aos erros instrumentais e de paralaxe.

7 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ANTUNES, Laura Catarina Seco. Relatório de Estágio: Radiação de Corpo Negro; Lei de Stefan-Boltzmann;
Lei do Deslocamento de Wien. Covilhã, 2012. 125 p. Disponível em:
<https://ubibliorum.ubi.pt/bitstream/10400.6/2872/1/Dissertação_Lei Stefan-Boltzmann_final.pdf>. Acesso em:
29 jun. 2018.

ELENO, Luiz T. F.. Radiação de corpo negro. 2016. Disponível em:


<https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/1763087/mod_resource/content/1/corpo-negro.pdf>. Acesso em: 29
jun. 2018.

LIMA, Carlos R. A.. Tópicos de laboratório de física moderna. Juiz de Fora: Leitura, 2013. Color. Disponível
em: <http://www.ufjf.br/fisica/files/2010/03/Labfismodroteiro.pdf>. Acesso em: 29 jun. 2018.

SARAIVA, Maria de Fátima Oliveira; SARAIVA, Kepler de Souza Oliveira; MÜLLER, Alexei Machado.
Teoria da Radiação. Disponível em: <http://www.if.ufrgs.br/~fatima/fis2010/Aula16-132.pdf>. Acesso em: 29
jun. 2018.

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