Você está na página 1de 9

Erva-baleeira: direto da natureza para a farmácia

Erva-baleeira (Cordia verbenacea)

Uma planta nativa da Mata Atlântica, conhecida pelo nome de erva-baleeira ou maria-
milagrosa, é a base de um antiinflamatório que já recebeu o aval da Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (Anvisa) e está previsto para chegar às farmácias ainda neste ano de
2005. No entanto, há séculos, nossos indígenas já sabiam disso: registros na obra "De
Medicina Brasiliensi", de Gulielmus Piso, indicam que os indígenas brasileiros utilizavam esta
planta como um poderoso antiinflamatório. Ainda hoje, a medicina popular se rende aos
poderes da erva-baleeira, especialmente nas comunidades litorâneas, onde ela é usada na
forma de pomada, extrato ou folhas maceradas para curar ferimentos provocados por
acidentes com peixes nas pescarias. Especula-se, inclusive, que o nome "baleeira" seja
inspirado justamente nesta associação com o uso da planta por pescadores e por ser
abundante nas regiões litorâneas.

Seu uso popular é largo e variado: é usada contra artrite, reumatismo, artrose, contusões e
em todo tipo de inflamação, inclusive na forma de bochechos para aliviar dores de dente e
tratar inflamações bucais. Além disso, é indicada contra úlceras. Seus poderes como
cicatrizante e antiinflamatória é que fizeram a fama desta planta. Em algumas regiões, as
folhas da erva-baleeira são cozidas e aplicadas sobre feridas para acelerar a cicatrização.

Substâncias poderosas

Segundo José Roberto Lazzarini, diretor médico e de pesquisa e desenvolvimento da Aché,


empresa que vai lançar o antiinfamatório à base de erva-baleeira, em forma de creme com o
nome comercial de Acheflan, "trata-se do primeiro antiinflamatório tópico feito a partir do
extrato de uma planta brasileira - existem antiinflamatórios de plantas medicinais, mas de
outras origens, como África e outros países".

Patenteado no Brasil e no exterior, o novo produto pertence à classe dos fitomedicamentos,


fármacos que têm em sua composição apenas substâncias ativas extraídas de plantas. Pela
regulamentação da Anvisa, eles nunca podem ser misturados a princípios ativos sintéticos,
vitaminas ou minerais. Além disso, as mesmas normas aplicadas para a produção de
medicamentos devem ser seguidas para a produção de fitomedicamentos, como a
comprovação de eficácia e de segurança.

O processo de pesquisa e desenvolvimento do novo medicamento levou sete anos,


investimentos na ordem de R$ 15 milhões e envolveu pesquisadores de três universidades
nacionais como Unicamp, Unifesp e PUC-Campinas.

Há mais de 12 anos, o farmacologista Jayme Sertié, da Universidade de São Paulo, coordenou


uma equipe que isolou a Artemetina - substância (flavonóide) presente nas folhas da erva-
baleeira, que apresenta poderosa ação antiinflamatória e cicatrizante. Além da Artemetina,
análises dos componentes orgânicos desta planta revelou a presença de outros flavonóides,
triterpenos, óleo essencial, alontóina, açúcares.

A planta

A erva-baleeira (Cordia verbenacea) é uma planta da Família das Borragináceas, originária


de áreas litorâneas da América do Sul. Ela ocorre em todo o território brasileiro. Popularmente
ela recebe outros nomes: maria-milagrosa, baleeira, maria-preta, salicina, pimenteira e
catinga-de-barão. Em algumas regiões, ela recebe o nome de catinga-de-mulata, porém,
este nome popular refere-se à outra planta também medicinal, o tanaceto (Tanacetum
vulgare L.)*. (Ver explicação no final da matéria)

Detalhe da floração da erva-baleeira

Arbusto que atinge cerca de 2 metros, a erva-baleeira apresenta folhas compridas (com até 12
cm de comprimento), ásperas, com odor forte e persistente. As inflorescências surgem nas
extremidades dos ramos, em forma de espigas curvadas para baixo, com flores brancas e
miúdas. Os frutos, quando maduros, são vermelhos e medem aproximadamente 0,4 cm.
Embora o aroma desta planta seja considerado um tanto desagradável (o que pode ter
inspirado o nome "catinga-de-barão"), era costume nas cidades do interior usar as espigas
floridas para varrer os fornos de barros antes de se fazer um assado.

A erva-baleeira se reproduz por meio de sementes ou de mini-estacas das pontas dos ramos
de mudas com mais de três anos de idade. As estacas devem ser plantadas diretamente num
substrato composto de 2 partes de areia e 1 parte de terra vegetal.

 A Catinga-de-mulata (Tanaceum vulgare L.) é conhecida popularmente como


atanásia, atanásia-das-boticas, erva-dos-vermes, tanaceto, erva-lombrigueira,
erva-de-são-marcos. Na medicina popular, esta erva é utilizada como anti-
helmíntica. A catinga-de-mulata tem a propriedade de paralisar os vermes intestinais
(lombrigas e oxiúros) e ajudar a eliminá-los. Outros usos populares desta erva são na
eliminação de furúnculos e no clareamento de manchas na pele. No Brasil, esta planta
é muito utilizada para repelir insetos: as pessoas plantam-na em volta da casa para
afastar os insetos em geral.

Tecnologia: Da natureza para a farmácia

Antiinflamatório feito com extrato de planta da Mata Atlântica está pronto para
entrar no Mercado

Dinorah Ereno

Uma planta nativa da Mata Atlântica, conhecida pelo nome de erva-baleeira


ou maria-milagrosa, é a base de um antiinflamatório que já recebeu o aval da
Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e está previsto para chegar às
farmácias ainda neste semestre. "É o primeiro antiinflamatório tópico feito a
partir do extrato de uma planta brasileira, a Cordia verbenacea", diz José
Roberto Lazzarini, diretor médico e de pesquisa e desenvolvimento da Aché,
empresa que vai lançar o produto em forma de creme com o nome comercial
de Acheflan. "Existem antiinflamatórios de plantas medicinais, mas de outras
origens, como África e outros países".

Patenteado no Brasil e no exterior, o novo produto pertence à classe dos


fitomedicamentos, fármacos que têm em sua composição apenas substâncias
ativas extraídas de plantas. Pela regulamentação da Anvisa, eles nunca podem
estar misturados a princípios ativos sintéticos, vitaminas ou minerais. E as
mesmas normas aplicadas para a produção de medicamentos devem ser
seguidas para a de fitomedicamentos, como a comprovação de eficácia e de
segurança. "Em testes clínicos, o Acheflan demonstrou ser tão eficaz e seguro
para os casos de tendinite crônica e dor miofascial quanto o principal
antiinflamatório do mercado, que tem como princípio ativo o diclofenaco
dietilamônio", diz Reynaldo Jesus-Garcia Filho, chefe da disciplina de Ortopedia
da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e coordenador das pesquisas
na universidade. A dor miofascial tem como sintoma mais evidente dores
musculares persistentes.

Estudos comparativos feitos com o creme de erva-baleeira e o de diclofenaco


apontaram que o uso do fitomedicamento resultou em menos efeitos colaterais
para os pacientes, como vermelhidão no local aplicado.

"Mesmo sendo usado na pele, tivemos no grupo-controle (com diclofenaco) um


paciente com dor de cabeça relacionada ao uso do medicamento e outro com
dor de estômago, mostrando que há absorção significativa. No caso do grupo
em estudo com a Cordia verbenacea, não houve nenhum comprometimento
desse tipo", diz Jesus-Garcia. O creme de erva-baleeira apresentou efeito
terapêutico com uso três vezes ao dia. "Em todos os parâmetros que
analisamos na comparação entre os dois medicamentos, entre eles eficácia e
efeitos colaterais, o de Cordia verbenacea apresentou uma tendência a
melhores resultados, mas não foram estatisticamente significantes", diz Jesus-
Garcia Filho. Para obter a comprovação estatística necessária, é preciso
aumentar o número de pacientes.

A idéia de transformar o conhecimento dos caiçaras do litoral paulista, que há


bastante tempo usam a planta para tratar contusões e estancar processos
inflamatórios, surgiu do hábito de um dos donos e fundadores do Aché, Victor
Siaulys, de utilizar a erva-baleeira depois das partidas de futebol. Ele notou que
sempre que usava a "garrafada" - a infusão medicinal da planta - sobre as
lesões recuperava-se muito mais rapidamente. Essa constatação o incentivou a
levar adiante a idéia de criar área de pesquisa e desenvolvimento para
fitomedicamentos na empresa, em 1989. "Como era algo totalmente novo na
época, foram muitas as dificuldades encontradas", diz Lazzarini.

Ação comprovada - O projeto seguiu em um ritmo inconstante até 1998,


quando realmente tomou fôlego com a consultoria do farmacologista João
Batista Calixto, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Em 2001 juntou-se ao grupo o consultor Luís Francisco Pianowski, especialista
na área de tecnologia farmacêutica. Juntos, Calixto e Pianowski descobriram
que o princípio ativo da planta responsável pela ação antiinflamatória não era
aquele descrito até então na literatura, a artemetina, do grupo dos flavonóides,
e sim o alfa-humuleno, um componente do óleo essencial. Mas até aquele
momento não se conhecia seu efeito antiinflamatório. "Essa foi a grande
descoberta", diz Lazzarini. A ação do alfa-humuleno como antiinflamatório foi
comprovada tanto nos testes pré-clínicos, em camundongos, como nos clínicos,
em humanos. Para produzir um fitomedicamento não é necessário isolar o
princípio ativo, como no caso dos medicamentos alopáticos.

Como se trata de um fitocomplexo, em muitos casos com mais de 50


substâncias, nem sempre se sabe o que está efetivamente agindo
isoladamente ou em conjunto. "No nosso caso, nos testes em animais pudemos
comprovar que o alfa-humuleno era responsável pelo efeito antiinflamatório",
diz o médico Dagoberto Brandão, dono da Pharma Consulting, empresa de
consultoria de desenvolvimento e pesquisa de medicamento e coordenador dos
estudos pré-clínicos e clínicos do novo produto.

Tanto os óleos essenciais como os flavonóides relevantes para o medicamento


concentram-se nas folhas da erva-baleeira, um arbusto encontrado
principalmente no litoral da Região Sudeste. Os estudos relacionados ao cultivo
e à extração do princípio ativo da planta, que englobam o desenvolvimento
agronômico, químico e fitoquímico, foram realizados no Centro de Pesquisas
Químicas, Biológicas e Agrícolas (CPQBA) da Universidade Estadual de
Campinas (Unicamp) e coordenados pelo pesquisador Pedro Melillo de
Magalhães. "A pesquisa agronômica teve como objetivo estabelecer o sistema
produtivo na escala de cultivo necessária para atender à demanda de
produção", diz Magalhães. Uma área do centro de pesquisa na região de
Paulínia, ao lado de Campinas, com 12 hectares cultivados de erva-baleeira, é
a garantia do fornecimento de matéria-prima em quantidade suficiente para a
primeira fase do lançamento do produto. Nesse campo de cultivo, a cada
quatro meses os arbustos são cortados a poucos centímetros da base para
serem utilizados. Do mesmo tronco cortado ocorrem novos brotos, e assim
sucessivamente. As mudas de erva-baleeira plantadas no início do projeto
ainda estão produzindo no campo.

A extração do óleo essencial, a matéria-prima necessária para o laboratório


elaborar a formulação final, é também feita no centro de pesquisas da
Unicamp, que tem um convênio de fornecimento com o Aché. Marcadores
bioquímicos garantem a qualidade e a consistência do extrato, que não pode
ter variação para garantir a padronização da matéria-prima. "Não pode haver
nenhuma alteração na concentração dos princípios ativos, tudo tem que ser
igual", diz Brandão. A padronização é uma das exigências de uma resolução da
Anvisa, de março de 2004, para a produção de fitomedicamentos. E tem como
objetivo controlar tanto a matéria-prima vegetal como os próprios
medicamentos. Nos testes clínicos foi utilizado o extrato padronizado igual ao
que vai chegar ao mercado.

Agrônomos, bioquímicos, farmacêuticos e médicos somaram mais de uma


centena de profissionais envolvidos com o projeto de 1998 até 2004. Os
estudos pré-clínicos envolveram testes farmacológicos e toxicológicos em
laboratório e depois em camundongos. "As pesquisas clínicas foram realizadas
em centros universitários e seguiram rigorosamente diretrizes do Conselho
Nacional de Saúde e da Anvisa", diz Brandão. Os clínicos foram feitos em três
etapas, com a participação de quase 700 pacientes. Na fase 1, o produto foi
testado em cerca de 290 voluntários sadios, na fase 2 em torno de 90
pacientes portadores de tendinites crônicas e de dor miofascial e na fase 3 em
aproximadamente 280 pacientes com as mesmas doenças. Estudos
semelhantes foram feitos nos Departamentos de Ortopedia da Unifesp e da
Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade de Campinas (Puccamp).

Depois de cumpridas todas as etapas dos testes pré-clínicos e clínicos, o Aché


entrou com o pedido de registro na Anvisa, aprovado em novembro do ano
passado, para uso do Acheflan nos casos de tendinites e dor miofascial. Agora
o laboratório está pesquisando o uso do extrato em forma de comprimido para
as mesmas indicações. E também começa a estudar a utilização da erva-
baleeira para osteoartrite e traumas físicos. Nos sete anos em que o projeto foi
levado adiante sem interrupções, o Aché investiu mais de R$ 15 milhões em
pesquisa e desenvolvimento do fitomedicamento. A empresa, que no ano
passado faturou R$ 900 milhões, aplica anualmente R$ 10 milhões em
pesquisa e desenvolvimento de novos produtos.

Mercado bilionário - Por enquanto, o lançamento do Acheflan está restrito ao


mercado nacional, que movimenta R$ 400 milhões por ano somente com
medicamentos fitoterápicos. Alguns fitoterápicos que estão à venda, como
chás e cápsulas de produtos naturais, não se enquadram na categoria de
medicamentos e por isso não entram nesse cálculo. No exterior, esse
segmento movimenta US$ 21 bilhões por ano. Por isso, conquistar uma fatia
desse mercado bilionário é uma das metas da empresa. "Conversamos com
possíveis parceiros na Europa e nos Estados Unidos e já temos vários
interessados", diz Lazzarini. "Estamos agora na fase de avaliação".

A empresa tem ainda outros oito projetos de fitomedicamentos, mas que estão
sob sigilo porque as patentes ainda não foram registradas. Para desenvolver os
produtos nessa área criou uma divisão chamada Phytomédica, que apresentou
como primeiro resultado de pesquisa e desenvolvimento um produto indicado
para o tratamento dos sintomas da pós-menopausa à base de isoflavonas de
soja, produto muito usado na China, de onde é originário, e no Japão. Já o novo
fitomedicamento foi feito com uma planta brasileira. A pesquisa foi totalmente
feita no Brasil, desde os estudos agronômicos, químicos e fitoquímicos até a
formulação do produto. "O interessante é que surgiu de uma idéia que deu
certo", diz Jesus-Garcia Filho.

Erva baleeira

ERVA BALEEIRA
Nome Científico: Cordia verbenacea
Nome Popular: Salicina, erva – preta, Maria – milagrosa, catinga – de Barão.
Família: Boraginaceae.
Aspectos Agronômicos:
Propaga-se por sementes, mas pode também ser plantada por estacas de brotos sem flores.
É uma planta cultivada em todo o país, ocasionalmente escapa ao cultivo e passa a infestar
terrenos baldios, pastagens e beira de estradas. É tolerante a terrenos arenosos e úmidos,
florescendo nos meses de verão.
Prefere climas quentes, principalmente os da zona litorânea. A colheita das flores pode ser
efetuada o ano todo.

Parte Utilizada: Folhas

Constituintes Químicos:
-Óleo essencial.
-Pigmentos flavonóides (artemetina)
-Alantóina.
-Açúcares.

Origem: Brasil cresce bem desde o Amazonas até o Rio Grande do Sul.

Aspectos Históricos:
É um poderoso remédio, e já era utilizada pelos índios no Brasil, há séculos. Ela pertence à
família do confrei, e é considerada como a que engraxa as dobradiças.
É particularmente freqüente e indesejável nas regiões litorâneas do sudeste e sul do país,
onde chega a formar grandes infestações.

Uso:
* Fitoterápico:
Tem ações antiinflamatórias, analgésicas, tônicas.
É indicada em:
-reumatismo
-artrite reumatóide
-dores musculares e da coluna
-nevralgias
-prostatites
-contusões.

* Farmacologia: Não foi encontrada na literatura consultada.

Riscos: Não há referência na literatura consultada.

Dose Utilizada:
Uso Interno:
Em 1 xícara de chá coloque 1 colher de folhas picadas, adicione água fervente. Abafe por 10
minutos e coe. Tome 1 xícara (chá), 1 a 3 vezes ao dia.
Uso Externo:
3 colheres de folhas picadas em 1 xícara de álcool comum. Deixe em maceração por 5 dias e
coe. Aplique nas partes afetadas com algodão, cobrindo em seguida com um pano. Repetir a
compressa a cada 4 horas.

Bibliografia:
-Panizza,S. Cheiro de Mato. Plantas Que Curam. São Paulo: Ibrasa, 1998, p.93-94.
-Lorenzi,H. Plantas Daninhas do Brasil. São Paulo: Instituto Plantatum de Estudos da Flora
LTDA. 3ªedição, 2000, p.80.

Revisão Bibliográfica:
Francyane Tavares Braga – Aluna do 2º ano de Biologia – FELA / UEMG.
Lorenza Coimbra de Carvalho – Aluna do 3º período de Ciências Biológicas – FELA / UEMG.

fonte: http://www.unilavras.edu.br/cepe/fotos/erva%20baleeira.htm

Erva nativa aplaca dores musculares.


Erva baleeira, salicina, maria milagrosa, catinga preta, baleeira-cambará,
camaradinha, caraminha, caramoneira do brejo ou, em inglês, black sage. Como saber o
porquê desses nomes ou quem primeiro teve a idéia de colocar esta erva numa garrafa com
medidas iguais de água e álcool, deixar descansar por sete dias e depois esfregar a infusão em
partes doloridas do corpo? "Ainda há muita sabedoria popular mascarada. Talvez os povos
antigos tivessem um sentido mais apurado para as plantas aromáticas", especulava o
pesquisador Pedro Melillo de Magalhães, enquanto uma colheitadeira cortava os ramos de
Cordia verbenaceae em parte dos 12 hectares cultivados no Centro Pluridisciplinar de
Pesquisas Químicas, Biológicas e Agrícolas (CPQBA) da Unicamp, próximo a Paulínia.

A erva baleeira colhida no CPQBA é matéria-prima para o primeiro antiinflamatório feito a


partir do extrato de uma planta nativa brasileira, em forma de creme, que estará no mercado
ainda neste semestre. Quis o destino que o diretor-presidente de um grande laboratório,
vitimado por dores musculares em partidas de futebol na praia, sentisse na pele o alívio
imediato proporcionado pela infusão caseira oferecida pelos caiçaras. "Um dos fundadores do
Aché, ele [Victor Siaulys] insistiu em produzir um medicamento a partir da erva baleeira,
contratando para isso vários grupos de pesquisa. A Unicamp foi envolvida porque nós já
vínhamos estudando a planta pelo aspecto agronômico e era preciso garantir o cultivo da
matéria-prima em escala e padrão necessários para atender à demanda de produção", explica
Pedro Magalhães, que coordena a Divisão de Agrotecnologia do CPQBA.

Em 2001, pesquisadores descobriram que um dos princípios ativos da erva baleeira


responsável pela ação antiinflamatória não era a artemetina, como descrevia a literatura, mas
um componente do óleo essencial, o alfa-humuleno. Testes clínicos junto a centenas de
pacientes mostraram que o creme (de nome comercial Acheflan) é tão eficaz para casos de
dores musculares quanto o principal antiinflamatório do mercado. Estudos comparativos
demonstraram, ainda, que o creme de erva baleeira apresenta menos efeitos colaterais, como
vermelhidão na pele. O laboratório já estuda com boas perspectivas o uso do óleo essencial
também em forma de comprimido.

Plantio

No CPQBA, o chamado processo de "domesticação" da planta selvagem a novas condições de


plantio já dura oito anos. "A erva baleeira é natural da Mata Atlântica e mais freqüente no
litoral que vai de São Paulo a Santa Catarina. Como há uma variação muito grande mesmo
entre as plantas nativas, avaliamos a melhor não apenas por seu aspecto externo, mas
principalmente por sua composição, escolhendo as mais ricas no princípio ativo", explica
Magalhães. São necessários 800 quilos da erva para se obter um litro de óleo essencial. Os 12
hectares plantados em Paulínia, onde as colheitas ocorrem a cada quatro meses, garantem a
extração de 120 litros anuais de óleo, suficientes para atender à produção durante esta fase de
lançamento do produto.

O processamento das folhas frescas para extração do óleo é realizado pelo próprio CPQBA,
onde está instalada uma planta industrial composta basicamente por duas dornas de destilação
(de 1.500 litros cada), um condensador e um vaso separador. O equipamento custou R$ 240
mil, partilhados igualmente pela Unicamp e o Laboratório Aché, e será incorporado ao
patrimônio da Universidade ao final do convênio assinado por cinco anos. "Como as pesquisas
farmacológicas prosseguem e indicam, por exemplo, o uso do medicamento também por via
oral, a área de cultivo e a planta industrial deverão ser redimensionadas", observa Pedro
Magalhães.

Controle

O CPQBA responde também pelo controle de qualidade do óleo essencial. Para conseguir a
patente, o creme antiinflamatório precisou do aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa), que classificou o produto na classe dos fitomedicamentos - fármacos que têm em sua
composição apenas substâncias ativas extraídas de plantas, sem a mistura de princípios ativos
sintéticos, vitaminas ou minerais. A regulamentação da Anvisa determina ainda a padronização
da matéria-prima, sem variações de teor do princípio ativo. Vera Lúcia Garcia Rehder,
pesquisadora da Divisão de Química Orgânica e Farmacêutica, é quem recorda o início do
trabalho há três anos.

"O óleo essencial da erva baleeira contém mais de 40 substâncias e era preciso identificar onde
se encontrava o princípio ativo. Fracionamos o óleo por métodos químicos e enviamos essas
frações para ensaios de atividade farmacológica, verificando qual era a mais ativa. Chegamos a
uma fração com cinco substâncias, identificando a presença do alfa-humuleno, composto ativo
escolhido como marcador químico do óleo", explica a pesquisadora. A avaliação do teor deste
composto foi feita mês a mês, durante um ano, pois uma variação grande na concentração
implicaria em problemas relacionados com a época de colheita e a atividade do óleo. "Criamos
um protocolo para controlar a qualidade não só da matéria-prima enviada ao laboratório, mas
também do produto final, já que todo lote de medicamentos precisa de nossa aprovação",
acrescenta Vera Rehder.

Transferência

Embora nativa de regiões litorâneas, a erva baleeira vem sendo introduzida sem problemas em
locais de maior altitude, com climas mais amenos e secos. O CPQBA já começou a transferir
para os agricultores a agrotecnologia de cultivo e os materiais selecionados no programa de
melhoramento da espécie, por meio de plantações experimentais em quatro regiões do Estado
de São Paulo, com apoio da Embrapa-Transferência de Tecnologia. Ainda faltam parâmetros
para definir melhor o custo de produção da droga vegetal (folhas secas) ou mesmo do óleo
essencial da erva baleeira. No mercado internacional, encontra-se a referência de US$ 20 por
100 sementes. Cálculos do próprio CPQBA indicam valores de US$ 1 por quilo de biomassa
fresca (folhas e ramos finos) e de US$ 1.500 por quilo do óleo essencial.

Fonte: Jornal da Unicamp


Publicado em: 22/05/2005

Unicamp cria antiinflamatório com base em planta


brasileira

A erva-baleeira (Cordia verbenacea) --usada por pescadores no litoral das regiões Sul e
Sudeste-- é a matéria-prima do medicamento. Também é chamada de erva-da-praia e
maria-milagrosa.

O creme surgiu de uma pesquisa realizada pelo CPQBA (Centro Pluridisciplinar de


Pesquisas Químicas, Biológicas e Agrícolas) da universidade. O princípio ativo da planta
foi descoberto em 2001 e se chama alfa-humuleno.
O creme terá o nome comercial de Acheflan e é eficaz para casos de dores musculares. A
erva é natural da mata atlântica e mais freqüente no litoral que vai de São Paulo a Santa
Catarina.

O creme teve liberação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que


classificou o produto na classe dos fitomedicamentos, que são fármacos que têm em sua
composição apenas substâncias ativas extraídas de plantas, sem a mistura de princípios
ativos sintéticos.
Segundo o coordenador da Divisão de Agrotecnologia do CPQBA, Pedro de Magalhães, são
necessários 800 kg da erva para a obtenção de 1 litro de óleo essencial, que é o princípio
do creme.
Foram plantados 12 hectares da erva no centro de pesquisas da Unicamp em Paulínia
(SP), para garantir a extração de 120 litros anuais de óleo, suficientes para atender à
produção durante esta fase de lançamento do produto.
Os pesquisadores precisaram de oito anos de esforços para adaptar o vegetal às novas
condições de plantio, adequadas à produção do medicamento.

O equipamento utilizado na produção do óleo custou R$ 240 mil. O valor foi partilhado
igualmente pela Unicamp e pelo Laboratório Aché --que comercializará o medicamento.
(Agência Folha)

Fontes: Site Jardim de Flores.