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A Ciência na Televisão – mito, ritual e espetáculo. SIQUEIRA, Denise da Costa Oliveira.

(1999) Ed. Annablume


E
Mitologias. BARTHES, ROLAND (1980)
E
GUIMARÃES, Eduardo. Linguagem e Mito: uma concepção de Sentido e Texto. In:
Línguas e Instrumentos Lingüísticos. (1999). Pontes.
“Essa quantidade de mediações faz com que para o espectador as estratégias de enunciação não sejam claras” (Siqueira,
1999: 52)

PROBLEMÁTICAS E CONFIGURAÇÕES DO SUJEITO


Distinção feita por muitos teóricos entre o espectador contemplativo do espectador ativo – criticar e expor, então, a
noção de sujeito do discurso

SOCIEDADE INDUSTRIAL
“Eduardo Neiva, por sua vez, escreveu que a sociedade industrial, caracterizada pela ação racional, ‘é uma sociedade da
técnica decidida pelo saber científico.’ (Neiva apud Siqueira, 1999: 60)
“Técnica e ciência assumem o papel de forças produtivas e os conflitos de classe são atenuados”.(Neiva apud Siqueira,
1999: 60)
MITO E SOCIEDADE MODERNA
“A reprodução de mitos pelos meios de comunicação de massa faz-se possível na medida em que as sociedades urbanas
complexas são plenas de mitos, signos, tabus” (Siqueira, 1999: 77)
“O que ocorre, então, é que as narrativas míticas convivem com outras esferas do conhecimento, mesmo com as
instâncias racionais. O desenvolvimento científico ou tecnológico não apenas continua existindo, como também não deixa
de se desenvolver, mas ganha outra significação, inscrevendo-se em um contexto no qual não faltam os elementos lúdico
e de sonho”. (Siqueira, 1999: 82)
“o reencantamento pós-moderno, pelo viés da imagem, do mito, da alegoria, suscita uma estética que tem, essencialmente
uma função agregadora”. (Maffesoli apud Siqueira, 1999: 83)
“A emoção não pode ser reduzida unicamente à esfera do privado, mas é cada vez mais vivenciada coletivamente”.
(Maffesoli apud Siqueira, 1999: 84)

FORMAÇÕES IMAGINÁRIAS
“A reprodução de imagens em movimento tem o ‘poder’ de ‘encantar’” (Siqueira, 1999: 61). Contudo, caber tomar
cuidado com o termo encantar. O que atrai o olhar é o alcance imaginário

NARRATIVAS, APAGAMENTO E SILENCIAMENTO DO POLÍTICO


“As falas televisivas tendem a não remeter ao processo de pesquisa, ao contexto, a posições políticas”.(Siqueira, 1999:
64)
A presentificação silencia as narrativas “ancestrais”. Contudo, elas estão lá, emanando sentidos.

MATERIALIDADE ESPECÍFICA DA TELEVISÃO


O trabalho da televisão é “selecionar, filtrar, organizar e distribuir informações geradas nos centros de produção”.
(Siqueira, 1999: 65) A televisão tem uma organização discursiva específica, isto é, trabalha com uma ordem dos
discursos

MITO
“O mito se aloja onde a explicação racional não alcança mais”. (Siqueira, 1999: 72) Contraditoriamente, na imprensa é
justamente o efeito de lógica e de “racionalidade” que sua narrativa se legitima.
“O mito é da esfera do simbólico. A ciência da esfera da racionalidade. No entanto, tomando a pós-modernidade como o
período do esmaecimento das fronteiras e do ‘reencantamento do mundo’, não se pode dizer que as esferas do simbólico e
da racionalidade sejam estanques e não se comuniquem”. (Siqueira, 1999: 74)
“Os mitos, na realidade, organizam objetos cotidianos (...) dentro de narrativas dramáticas, de forma que, como símbolos,
representem conflitos de valores com significados contemporâneos.” (Siqueira, 1999: 75)
“O que o mundo fornece ao mito é um real histórico” (Siqueira, 1999: 79)
“a imagem que lhe serve de suporte é um elemento essencial em toda estruturação social, seja ela qual for”. (Siqueira,
1999: 86)
MITO E VALOR
“O mito tem como tarefa conservar na memória o significado de certos valores”. (Siqueira, 1999: 79)
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“O mito é uma forma de preservar e representar valores, funcionando dialeticamente (...)”. (Siqueira, 1999: 80)

MITO: CO-TEXTUALIDADE / INCOMPLETUDE / OSCILAÇÃO / POLISSEMIA / TEXTUALIDADE


“a constituição do mito, algo que se constrói com linguagem, não é uma criação do homem, mas é uma criação da
linguagem. (...) O que constitui o mito é exterior ao homem, é exterior ao sujeito”. (Guimarães, 1999: 87)
“Quanto à textualidade, o mito não é um texto. O mito pode se apresentar por diversos textos, que as pessoas produzem
para contá-lo. (...) O mito é uma memória que se apresenta em todos estes diversos textos. E, como memória, lembra e
esquece, e abre o caminho para a mudança”. (Guimarães, 1999: 88)
“se desenha uma certa concepção de textualidade, segundo a qual um texto possui, em si mesmo, uma não-
homogeneidade fundamental, uma polissemia que a história lhe atribui”. (Guimarães, 1999: 91)
“Compreender a formação dos sentidos de um texto é reencontrar a história de suas polissemias”. (Guimarães, 1999: 91)

“mito é a narrativa composta de várias versões, um conjunto incompleto, porque sempre aberto.” (Siqueira, 1999: 75)
“A televisão renova essas versões contextualizando-as”. (Siqueira, 1999: 75)
o mito “ não possui sólidos alicerces de definiçoes. Não possui verdade eterna e é como uma construção que não repouso
no solo. O mito flutua. (...) Sua possibilidade intelectual é o prazer da interpretação. E interpretação é jogo e não certeza”
(Rocha apud Siqueira, 1999: 76) é nesse cenário de busca da razão que o mito, contraditoriamente, se aloja
atualmente na imprensa. Daí, paradoxal.
“mito como uma fala aparentemente despolitizada mas que no fundo carrega um conteúdo ideológico.” (Siqueira, 1999:
76)
“a função do mito é transformar uma intenção histórica em natureza, uma contingência em eternidade. Ora, este processo
é o próprio processo da ideologia burguesa. Se a nossa sociedade é objetivamente o campo privilegiado das significações
míticas, é porque o mito é formalmente o instrumento mais apropriado para a inversão ideológica” (Barthes, 1989: 162)
“O mito é conhecido, não é novo, é constituído de matérias represnetativas ou gráficas já trabalhadas (...) Mesmo náo
sendo novo, o mito é sempre renovado”. (Siqueira, 1999: 78)