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MANUAL

UFCD 3536 Velhice – Ciclo Vital e Aspetos Sociais

Formadora: Sofia Gonçalves

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“Uma bela velhice é, comummente,
recompensa de uma bela vida”
(Pitágoras)

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Índice
Princípios Fundamentais

1) Velhice – Ciclo Vital


• Velhice e tarefas do desenvolvimento psicológico
• Teorias sobre o envelhecimento psicossocial
o Teorias psicossociais de Eric Erickson, R. Peck e Buhler
• Do jovem adulto à meia-idade
• A meia-idade e as tarefas evolutivas
• Aspetos estruturais e funcionais da Velhice

2) Velhice – Aspetos Sociais


• A velhice e a sociedade
o Velhice e envelhecimento: conceitos e análise
• Mitos da velhice / Atitudes, Mitos e Estereótipos
• Representações da morte
• Problemas sociais da velhice
• A pessoa idosa no final do Séc XX

3) Velhice – Socialização e Papéis Sociais


• Aspetos sociais da velhice
o Socialização e papéis sociais
o Preparação para a velhice: os papéis para a transição
• O modo de vida das pessoas de idade
o A satisfação de viver
• Processo de envelhecimento / sensibilização à problemática da pessoa idosa / Pessoa
Idosa noutras Civilizações

Referências Bibliográficas

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Princípios Fundamentais

A velhice é um conceito abstrato, uma categoria socialmente construída que, como


escreveu Simone de Beauvoir (1990) é o que serve para referir o período de vida em que as
pessoas ‗ficam velhas‘.
Essa forma de dizer denuncia um olhar holístico que visa propiciar condições para uma
mudança de perspetiva em torno do fenómeno, sobretudo, porque as diferenças individuais
coexistem com a velhice o que contradita a tendência da sociedade moderna em homogeneizá-
la num único grupo etário normativamente iniciado aos 65 anos de idade.
No mundo contemporâneo, a velhice humana transformou-se numa questão social e
política, rompendo com o estatuto que manteve até ao final da primeira metade do século XIX,
em que era um assunto quase exclusivamente restrito à esfera privada e familiar. O século XX,
sobretudo a partir da década de 60, institucionalizou o curso de vida (Featherstone e
Hepworth, 1996), sustentando-se na abordagem científica de gerontologias e geriatras que
apresentam as debilidades físicas, psíquicas e sociais das ‗pessoas de idade‘ como problemas
objetiváveis que justificam a conceção de respostas sociais enquadradas em serviços
especializados.
Desde o final do século XIX que o exponencial aumento demográfico, a maior
longevidade humana, as melhores condições de vida, a diversidade de estilos de vida e a maior
exigência no desempenho de cidadania, propõem e sedimentam uma nova dinâmica social face
à velhice, diferente da presenciada e vivida nos períodos anteriores. A recomposição
demográfica que tem por base o aumento do índice de envelhecimento, associada à maior
qualidade de vida das ‗pessoas de idade‘ (nomeadamente com mais saúde), alterou as atitudes
e os comportamentos face à velhice e ao envelhecer. Foi neste segmento que se desenvolveu o
Estado-Providência e foi também, no final do século XX, que ele começou a fraquejar. À velhice,
como categoria populacional, é atribuída grande parte da responsabilidade pela crise desse
Estado de Bem-Estar. É nesse sentido que a velhice é um problema social das sociedades
modernas do início do século XX.
O envelhecimento demográfico em Portugal entre 1960 e 2001 caracterizou-se por um
decréscimo de 36% na população jovem (0-14 anos) e um aumento de 140% da população com

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65 ou mais anos de idade. Dentro deste mesmo grupo acentua-se o envelhecimento das
pessoas com idade igual ou superior a 75 anos que em 1960 era de 2,7% e passou em 2001
para 6,7% do total da população. A população com idade igual ou superior a 85 anos aumentou
de 0,4% para 1,5% entre 1960 e 2001. Os indivíduos com 100 anos eram cerca de um milhar
com maior longevidade nas mulheres. ―Assiste-se assim, ao fenómeno do envelhecimento da
própria população idosa‖ (INE, 2002: 11). A esperança média de vida aumentou, no mesmo
período, cerca de 11 anos para os homens e cerca de 13 para as mulheres. O declínio do índice
de dependência de jovens, que desceu de 59 em 1960 para 48 em 2001, implicará o declínio da
própria população em idade ativa nos próximos anos. As preocupações crescentes que o
fenómeno de envelhecimento revela levaram a que a Assembleia Geral das Nações Unidas
convoca-se a II Assembleia Mundial sobre o Envelhecimento, para 2002, no sentido de se
equacionar um plano internacional para o envelhecimento numa perspetiva estratégica de
longo prazo.
A tarefa sociológica de análise de um problema social é a de recensear os espaços, os
tempos e os contextos em que foram elaboradas as políticas que o suportam, a que estão
associadas as características profissionais dos especialistas e as representações sociais
construídas em torno da sua especialização.
Os primeiros discursos de carácter científico sobre a velhice vêm da medicina e deram
lugar à emergência das disciplinas de gerontologia e geriatria em que predomina o modelo
patológico. Também no domínio da política social as pesquisas sobre a velhice têm incidido,
essencialmente, na perspetiva do grupo como problema social, encarado em função das suas
possibilidades e direitos providenciados. Assim, conjuntamente, a ciência médica e a política
vieram a categorizar as ‗pessoas de idade, como grupo dependente, separado e diferente do
resto da sociedade, ou seja, na perspetiva funcional do desvio. Neste contexto social, os valores
considerados na temática do envelhecimento, passam a derivar de uma análise sobre a
existência real que leva a pessoa a confrontar-se com a ambiguidade entre a ideia de
continuidade associada à vida e a ideia de rutura associada à morte que surge como o culminar
do processo de envelhecimento. Essa dualidade tem influência na preponderância assumida
pela dicotomia da relação entre dependência e autonomia. A análise da velhice é, assim,
orientada pela premissa enviesada do princípio de que as ‗pessoas de idade, têm debilidades

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que as tornam dependentes de terceiros. Anne-Marie Guillemard (1988) sublinha que o Estado,
quando dispõe de fraca margem de autonomia e manobra perante a ordem das relações
sociais, inflete o curso da sua ação a favor das forças sociais que têm a dominância na
sociedade.
O sistema de proteção social foi definido como universal e a redistribuição de benefícios
concretizada na prestação de serviços burocráticos despersonalizados. Esses benefícios são
‖benevolentemente repressivos‖ e concebidos para dar resposta à crescente atomização da
vida social (Santos, 1999b). A relação estabelecida passa a ser entre os detentores de direitos e
os agentes socialmente mandatados para classificar as pessoas nas categorias jurídicas que lhes
correspondem. Como diz Sara Arber e Jay Ginn (1991), as ‗pessoas de idade‘ são vistas como
um grupo de pessoas ‗parasitas‘ do Estado. Como forma extrema desta imagem sucedeu a
relação de desequilíbrio entre trabalhadores e pensionistas em que os primeiros são vistos
como os únicos que produzem rendimento e pagam impostos para sustentar as reformas dos
pensionistas. Querer atribuir ‗uma identidade às pessoas que a sociedade moderna categoriza
como ‗velhas é violentar a sua inserção social, construída, reconstruída e protagonizada em
trajetórias individuais. As ‗pessoas de idade devem ser olhadas pela sua diversidade. Estamos
perante o que Ruano-Borbalan (1998) designa por ―o paradoxo da identidade‖,
simultaneamente, idêntico e distinto.
Analisar a velhice das pessoas enquanto objeto de estudo implica perceber a sua
conceção e como ela se constituiu em problema social. A definição de problema social envolve
quatro dimensões associadas a um trabalho de reconhecimento, legitimação, pressão e
expressão (Lenoir, 1998). Ao problema social estão inerentes, também, formas de pressão
protagonizadas e legitimadas por grupos de interesses que se assumem como representantes
das pessoas que comungam um mesmo problema.

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Envelhecimento / Distintas Áreas
Geriatria é a especialidade médica que trata de doença de idoso ou de doentes idosos, mas
também se preocupa em prolongar a vida com saúde. Ao longo da vida a capacidade funcional
vai reduzindo e na terceira idade é importante manter a independência e prevenir
incapacidades, assim garantindo uma boa qualidade de vida. O processo natural do
envelhecimento associado as doenças crônicas e a hábitos de vida inadequados são os
responsáveis pela limitação do idoso. Nesta fase é importante focar sempre na prevenção, pois
até o idoso aparentemente saudável requer cuidados.

Objetivos da Geriatria:
 Manter a saúde em idades avançadas.
 Manter a funcionalidade.
 Prevenir doenças.
 Detetar e tratar precocemente as doenças.
 Manter o máximo grau de independência do idoso.

Prevenção de doenças nos idosos:


 Corrigir os hábitos que agridem a saúde (alimentação não saudável, inactividade física,
obesidades, etc...)
 Adequar o ambiente doméstico, diminuindo assim o risco de acidentes como quedas e suas
consequências.
 Estimular a prática de atividades físicas aeróbias para aumento de resistência, força e
flexibilidade.
 Equilibrar o estado emocional, ampliando a rede de apoio e suporte ao idoso.

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Gerontologia
Antes de mais nada, é preciso esclarecer que esta especialidade não está ligada somente
à área da saúde, pelo contrário, está aberta a todas as áreas.
O profissional desta área está apto a contribuir para que o envelhecimento seja um
processo saudável, bem-sucedido, assistido e cuidado. Inclusive orientando a família e a
sociedade sobre como lidar com o seu idoso, fazendo intervenções e combatendo
preconceitos.

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1) Velhice – Ciclo Vital
Velhice e tarefas do desenvolvimento psicológico

Havighurst (1953), um dos mais notáveis psicólogos do desenvolvimento humano,


insatisfeito com os modelos e teorias do desenvolvimento prevalentes nos anos quarentas e
cinquentas do século XX, realizou só ou em colaboração com autores de países diversos uma
série de pesquisas sobre o que denominou o ciclo de vida. O ciclo de vida começa com a
conceção e termina com a morte. Ele considerava que as propostas de desenvolvimento então
vigentes ou eram predominantemente alicerçadas nas mudanças biológicas ou se centravam
em aspetos psicológicos específicos (cognitivos, emocionais, sexuais e morais), não enfocando,
com base em pesquisas sólidas, o desenvolvimento humano como um todo. Além disso, para os
modelos dominantes a tendência era considerar que o desenvolvimento praticamente se
completava na adolescência (às vezes antes dos quinze anos) ou começo da juventude.
Entende-se por tarefas de desenvolvimento aquelas que a pessoa deve cumprir para
garantir seu desenvolvimento e seu ajustamento psicológico e social. São tarefas com as quais a
pessoa satisfaz ―suas necessidades pessoais de evolução e para garantir o próprio
desenvolvimento e manutenção de padrões sociais e culturais específicos‖ (Melo, 1981, p.21).
Mais, além de garantir a formação e a atuação do cidadão, devem dar base de sustentação para
o progresso (pessoal e social) e bem-estar humano.
Pfromm Netto (1976) considera que as tarefas de desenvolvimento são como ―lições‖
que a pessoa deve aprender ao longo de sua existência para se desenvolver satisfatoriamente e
ter êxito na vida. As tarefas não são estanques em cada etapa embora algumas sejam
preferencialmente típicas dessa ou daquela fase. Em cada fase todas se relacionam entre si e o
prejuízo ou déficit em uma tarefa pode comprometer outras no mesmo período ou em período
futuro.

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Teorias do Envelhecimento Psicossocial
Algumas teorias psicossociais tentam explicar o processo do envelhecimento. e o
impacto social desse novo perfil populacional e a relação recíproca do impacto desta sociedade
no idoso pertencente a ela. São elas:

• Eric Erickson – Teoria do Desenvolvimento


Erikson propõe uma conceção de desenvolvimento em oito estágios psicossociais,
perspetivados por sua vez em oito idades que decorrem desde o nascimento até à morte,
pertencendo as quatro primeiras ao período de bebê e de infância, e as três últimas aos anos
adultos e à velhice, cada estágio é atravessado por uma crise psicossocial entre uma vertente
positiva e uma negativa.
Erikson dá especial importância ao período da adolescência, devido ao fato ser a
transição entre a infância e a idade adulta, em que se verificam acontecimentos relevantes para
a personalidade adulta.
Na Teoria Psicossocial do Desenvolvimento, este desenvolvimento evolui em oito
estágios. Os primeiros quatro estágios decorrem no período de bebê e da infância, e os últimos
três durante a idade adulta e a velhice.
Cada estágio contribui para a formação da personalidade total (princípio epigenético),
sendo por isso todos importantes mesmo depois de se os atravessar. O núcleo de cada estágio
é uma crise básica, que existe não só durante aquele estágio específico, nesse será mais
proeminente, mas também nos posteriores a nível de consequências, tendo raízes prévias nos
anteriores.
A formação da identidade inicia-se nos primeiros quatro estágios, e o senso desta
negociado na adolescência evolui e influencia os últimos três estágios. Erikson perspetivava o
desenvolvimento tendo em conta aspetos de cunho biológico, individual e social.
A teoria psicossocial em análise enfatizava o conceito de identidade, a qual se forma no
5º estágio, e o de crise que sem possuir um sentido dramático está presente em todas as
idades, sendo a forma como é resolvida determinante para resolver na vida futura os conflitos.

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Esquema de Desenvolvimento de Eric Erickson
Durante o primeiro ano de vida a criança é substancialmente
dependente das pessoas que cuidam dela, requerendo cuidado
Confiança X quanto à alimentação, higiene, locomoção, aprendizado de palavras
Desconfiança e seus significados, bem como estimulação para perceber que existe
(até um ano de idade) um mundo em movimento ao seu redor. O amadurecimento
ocorrerá de forma equilibrada se a criança sentir que tem segurança
e afeto, adquirindo confiança nas pessoas e no mundo.
Neste período a criança passa a ter controle de suas necessidades
fisiológicas e responder por sua higiene pessoal, o que dá a ela
Autonomia X grande autonomia, confiança e liberdade para tentar novas coisas
Vergonha e Dúvida sem medo de errar. Se, no entanto, for criticada ou ridicularizada
(segundo e terceiro ano) desenvolverá vergonha e dúvida quanto a sua capacidade de ser
autônoma, provocando uma volta ao estágio anterior, ou seja, a
dependência.
Durante este período a criança passa a perceber as diferenças
sexuais, os papéis desempenhados por mulheres e homens na sua
cultura (conflito edipiano para Freud) entendendo de forma
Iniciativa X Culpa
diferente o mundo que a cerca. Se a sua curiosidade ―sexual‖ e
(quarto e quinto ano)
intelectual, natural, for reprimida e castigada poderá desenvolver
sentimento de culpa e diminuir sua iniciativa de explorar novas
situações ou de buscar novos conhecimentos.
Neste período a criança está sendo alfabetizada e frequentando a
escola, o que propicia o convívio com pessoas que não são seus
familiares, o que exigirá maior sociabilização, trabalho em conjunto,
Construtividade X
cooperatividade, e outras habilidades necessárias. Caso tenha
Inferioridade
dificuldades o próprio grupo irá criticá-la, passando a viver a
(dos 6 aos 11 anos)
inferioridade em vez da construtividade.

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O quinto estágio ganha contornos diferentes devido à crise
Identidade X Confusão psicossocial que nele acontece, ou seja, Identidade Versus Confusão.
de Papéis Neste contexto o termo crise não possui uma aceção dramática, por
(dos 12 aos 18 anos) tratar-se de a algo pontual e localizado com pólos positivos e
negativos.
Nesse momento o interesse, além de profissional, gravita em torno
Intimidade X da construção de relações profundas e duradouras, podendo
Isolamento vivenciar momentos de grande intimidade e entrega afetiva. Caso
(jovem adulto) ocorra uma deceção a tendência será o isolamento temporário ou
duradouro.
Produtividade X Pode aparecer uma dedicação à sociedade à sua volta e realização de
Estagnação valiosas contribuições, ou grande preocupação com o conforto físico
(meia idade) e material.
Se o envelhecimento ocorre com sentimento de produtividade e
valorização do que foi vivido, sem arrependimentos e lamentações
Integridade X
sobre oportunidades perdidas ou erros cometidos haverá
Desesperança
integridade e ganhos, do contrário, um sentimento de tempo
(velhice)
perdido e a impossibilidade de começar de novo trará tristeza e
desesperança.

• Peck – Teoria do Desenvolvimento


Este autor acrescentou dimensões interessantes ao trabalho de Erickson. No período da meia-
idade, as tarefas que ele indicou foram:
➢ Aprender a valorizar a sabedoria ao invés dos poderes físicos;
➢ Aprender uma sociabilidade menos sexualizada;
➢ Desenvolver a capacidade de transferir investimentos emocionais de uma pessoa
para a outra, ou de uma actividade para a outra;
➢ Manter a flexibilidade psicológica ao invés de desenvolver uma rigidez mental.

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• Buhler – Teoria do Desenvolvimento
Buhler propôs que as pessoas desenvolvem através de sua vida útil, e que o
desenvolvimento idade (amadurecimento) é muito mais significativo do que
psicologicamente "idade mental" ou "quociente de inteligência", Segundo ela,
essencialmente saudável que as pessoas enfrentam desafios de forma contínua ao longo da
vida. Eles tentam integrar quatro tendências básicas, que incluem:
o Precisa de uma satisfação (por amor, sexo, ego e reconhecimento),
o Fazer-se auto-limitante adaptações (por encaixar, pertencer, e permanecendo
seguro),
o Mover-se em direção a expansão criativa (através da autoexpressão e
realizações criativas),
o Defender e restaurar a ordem interna (por ser fiel à própria consciência e
valores).

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• Do jovem adulto à meia-idade

O início da idade adulta varia de um indivíduo para o outro e uma passagem adequada
para essa fase depende da resolução satisfatória das crises da infância e da adolescência. É um
período de grandes mudanças, no qual a pessoa adquire total maturidade e apresenta o
máximo em seu potencial para a satisfação pessoal. A pessoa deve ser capaz de mudar sempre
para atender às exigências das situações.

Jovem Adulto (de 20 a 40 anos) - PRINCIPAIS DESENVOLVIMENTOS


• Saúde física atinge o máximo, depois cai ligeiramente.
• Habilidades cognitivas assumem maior complexidade.
• Decisões sobre relacionamentos íntimos são tomadas.
• A maioria das pessoas se casa; a maioria tem filhos.
• Escolhas profissionais são feitas.

Meia-idade (de 40 a 65 anos) - PRINCIPAIS DESENVOLVIMENTOS


• Ocorre certa deterioração da saúde física, e declínio da resistência e perícia.
• Mulheres entram na menopausa.
• Sabedoria e capacidade de resolução de problemas práticos são acentuadas;
capacidade de resolver novos problemas declina.
• Senso de identidade continua a se desenvolver.
• Dupla responsabilidade de cuidar dos filhos e pais idosos pode causar stress.
• Partida dos filhos tipicamente deixa o ninho vazio.
• Para alguns, sucesso na carreira e ganhos atingem o máximo; para outros ocorre
um esgotamento profissional.
• Busca do sentido da vida assume importância fundamental.
• Para alguns, pode ocorrer a crise da meia-idade.

Terceira idade (de 65 anos em diante) - PRINCIPAIS DESENVOLVIMENTOS


• A maioria das pessoas é saudável e ativa, embora a saúde e a capacidade física
declinem um pouco.
• Retardamento do tempo de reação afeta muitos aspetos do funcionamento.
• A maioria das pessoas é mentalmente ativa. Embora a inteligência e a memória
possam se deteriorar em algumas áreas, a maioria das pessoas encontra modos
de compensação.
• Aposentadoria pode criar mais tempo para o lazer, mas pode diminuir as rendas.
• As pessoas precisam enfrentar perdas em muitas áreas (perdas de suas próprias
faculdades, perda de afetos) e a iminência de sua própria morte.

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o Casamento e seus ajustamentos: O relacionamento conjugal está associado à saúde e à
qualidade de vida, principalmente nos anos de maturidade e velhice, embora o facto de um
casamento durar não significa necessariamente que o mesmo é satisfatório para os conjugues.

o Carreira profissional e seus ajustamentos: há um declínio após os 65 anos de idade, pois


envolve as tarefas de desaceleração, planeamento para a reforma e a criação de um novo
modo de vida na condição de reformado.

o Família e seus ajustamentos: na sociedade contemporânea, desconsiderando, os casos


verdadeiros de negligência, considera-se que a família tem poucas condições de dar conta da
situação complexa da velhice, pelos seguintes motivos;
 O seu tamanho diminui consideravelmente e, assim, as suas
funções/capacidade também;
 O grande número de filhos e netos servia de garantia e amparo aos mais
velhos no futuro;
 Parte da responsabilidade pelo idoso foi transferida ao Estado;
 Os avanços tecnológicos a nível da medicina (saúde), levou a que somente
pudesse ser operada em locais próprios e por especialistas e não em ambiente
familiar.

• A meia-idade e as tarefas evolutivas


A meia-idade é uma fase do ciclo vital que se estende, aproximadamente, dos 40 aos 60
anos. A princípio, a meia-idade é um período caracterizado por um movimento interno da
pessoa para resumir e reavaliar a própria vida. Mesmo que esses ―movimentos‖ não
conduzam a qualquer mudança efetiva. Essa autoavaliação não se refere apenas à busca por
metas, mas também às satisfações interiores. Considerações em torno do que a pessoa
conseguiu, e se essas conquistas estão de acordo com os sonhos e as ideias anteriormente
alimentadas tornam-se, então, ponto principal nessa etapa da vida.

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As décadas que constituem a meia-idade podem vir a confirmar, ou não, os progressos
profissionais, a estabilização das relações afetivas de modo geral e especialmente a conjugal.
Similarmente, o indivíduo é levado a fazer considerações a respeito das conquistas impetradas
na esfera cívica e socioeconômica da vida.

Por tudo isso é que pode-se dizer que é a:


➢ Aceitação do corpo que envelhece;
➢ Aceitação da limitação do tempo e da morte pessoal;
➢ Manutenção da intimidade;
➢ Reavaliação dos relacionamentos;
➢ Relacionamentos com os filhos: deixar ir, atingir igualdade, integrar novos
membros;
➢ Relação com seus pais: inversão de papéis, morte e individuação;
➢ Exercício do poder e posição: trabalho e papel de instrutor;
➢ Preparação para a velhice.

• Aspetos estruturais e funcionais da Velhice

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As teorias que abrangem o desenvolvimento adulto pressupõem que há regularidades
no ciclo da vida, onde se processam mudanças e que se trata de adaptações cumulativas a
eventos biológicos, psicológicos e sociais (ERBOLATO, 2001). Porém, sabemos que as pessoas
não envelhecem todas da mesma maneira. A par dos fatores genéticos que determinam muito
do processo, há que realçar que não é igual envelhecer no feminino ou no masculino, sozinho
ou no seio da família, casado, solteiro, viúvo ou divorciado, com filhos ou sem filhos, no meio
urbano ou no meio rural, na faixa do mar ou na intelectualidade das profissões culturais, no seu
país de origem ou no estrangeiro, ativo ou inativo (Ministério da Saúde, 1998).
O envelhecimento diferencial envolve preferencialmente os órgãos efectores e resulta
de processos intrínsecos que se manifestam a nível dos órgãos, tecidos e células:

 Assim, a pele envelhece mais rapidamente que o fígado.


 As complicações vasculares afetarão o sistema cardíaco principalmente.
 A arteriosclerose acumulada por má alimentação, pelo stress e contaminação
bacteriana, poderá ocorrer mais cedo ou mais tarde, de acordo com hábitos prevalecentes e
resistência orgânica.

Seja qual for o mecanismo e o tempo de envelhecimento celular, este não atinge
simultaneamente todas as células e, consequentemente, todos os tecidos, órgãos e sistemas.
Cada sistema tem o seu tempo de envelhecimento, mas sem a interferência dos fatores
ambientais há alterações que se dão mais cedo e se tornam mais evidentes quando o
organismo é agredido pela doença.
Diz Ermida (1999), que a "diminuição de função renal em cerca de 50% aos 80 anos -
condiciona a farmacoterapia dos idosos", "as alterações orgânicas a nível das mucosas
digestivas, são determinante frequente de problemas nutricionais"; "as alterações a nível de
arquitetura dos ossos, a dismetabolia cálcica, propiciam fraturas frequentes"; a "diminuição da
água intracelular (perda de 10 a 15% aos 80 anos) torna o idoso extremamente sensível aos
desequilíbrios hidroelectrolíticos"; e o "aumento da massa gorda favorece a obesidade com
todo o seu cortejo de consequências".

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A nível do sistema nervoso, existe fundamentalmente perda de neurónios substituídos
por tecido glial, a diminuição do débito sanguíneo, com consequente diminuição da extração da
glicose e do transporte do oxigénio e a diminuição de neuro modeladores que condicionam
processos mentais, alterações da memória, da atenção, da concentração, da inteligência e
pensamento.
Para além de tudo isto, temos ainda a considerar as diminuições orgânicas e funcionais,
que originam significativas alterações na forma e na composição corporal com o decorrer dos
anos. Talvez as condições mais relevantes a ter em consideração para a sobrevivência do idoso
e para a sua qualidade de vida sejam, no entanto, a diminuição da sua reserva fisiológica e a
consequente dificuldade na reposição do seu equilíbrio homeostático quando alterado.
As modificações fisiológicas que se produzem no decurso do envelhecimento resultam
de interações complexas entre os vários fatores intrínsecos e extrínsecos e manifestam-se
através de mudanças estruturais e funcionais que se encontram sintetizadas no quadro 1.

Quadro 1 - Modificações fisiológicas do envelhecimento

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2) Velhice – Aspectos Sociais
• A velhice e a sociedade
Em muitas culturas e civilizações, a velhice é vista com respeito e veneração: representa
a experiência, o valioso saber acumulado ao longo dos anos, a prudência e a reflexão. A
sociedade urbana moderna transformou essa condição, pois a atividade e o ritmo acelerado da
vida marginalizam aqueles que não os acompanham.
Velhice é o último período da evolução natural da vida. Implica um conjunto de
situações -- biológicas e fisiológicas, mas também psicológicas, sociais, económicas e políticas --
que compõem o quotidiano das pessoas que vivem nessa fase.

Não há uma idade universalmente aceite como o limiar da velhice.

As opiniões divergem de acordo com a classe socioeconómica e o nível cultural, e


mesmo entre os estudiosos não há consenso. Para efeitos estatísticos e administrativos, a idade
em que se chega à velhice costuma ser fixada em 65 anos em diversos países, após o que se
encerra a fase economicamente ativa da pessoa, com a reforma. Atualmente, nas nações mais
desenvolvidas, esse limite não parece absolutamente adequado do ponto de vista biológico,
pelo que a Organização Mundial da Saúde (OMS) elevou-o para 75 anos.
Para compreender tal transformação, é preciso ter em conta o aumento progressivo da
longevidade -- e, portanto, da expectativa de vida -- que se produziu nas últimas décadas do
século XX, facto sem precedentes na história. O fenómeno se deve aos avanços na área de
saúde pública e da medicina em geral, e à melhoria das condições de vida em seus mais
variados aspetos. Por isso, é cada vez maior o número de pessoas que ultrapassam a idade de
67 anos de idade e, mais que isso, que atingem essa idades em boas condições físicas e
mentais.

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o Velhice e envelhecimento: conceitos e análise
Desde o nascimento a vida desenvolve-se de tal forma que a idade cronológica passa a
definir-se pelo tempo que avança. E o tempo fica definido como uma sinonímia para uma
eternidade quantificada, ou seja, uma cota. Desta forma, o homem e o tempo influenciam-se
mutuamente, produzindo profundas mudanças nas subjetividades e diferentes representações
que lhe permitem lidar com a questão temporal (Goldfarb, 1998).
As limitações corporais e a consciência da temporalidade passam a ser problemáticas
fundamentais no processo do envelhecimento humano, e aparecem de forma reiterada no
discurso dos idosos, embora possam adquirir diferentes mudanças e intensidades dependendo
da sua situação social e da própria estrutura psíquica (Goldfarb, 1998). Corpo e tempo
entrecruzam-se no devir do envelhecimento, e como consequência disso, nascerão as diversas
velhices e suas consequentes múltiplas representações. Entretanto, se cada pessoa tem a sua
velhice singular, as velhices passam a ser incontáveis e a definição do próprio termo torna-se
um impasse.

Afinal, uma pessoa é tão velha, tendo como referencial algum tipo de declínio orgânico,
ou são as maneiras pelas quais as outras pessoas passam a encará-las que as confinam num
reduto denominado Terceira Idade?
E quando uma pessoa se torna velha?
Há uma idade ou um intervalo específico para a Terceira Idade?

Não é preciso ir muito longe para constatar que o que se percebe, então, é a
impossibilidade de se estabelecer uma definição ampla e aceitável em relação ao
envelhecimento (Veras, 1994). Percebe-se atualmente que os nossos referenciais sobre a
terceira idade e tudo o que se supunha saber é insuficiente para definir o que se atualmente
concebe como terceira idade/envelhecimento/velhice. A característica principal da velhice é o
declínio, geralmente físico, que leva as alterações sociais e psicológicas. Os teóricos classificam
tal declínio de duas maneiras: a senescência e a senilidade.

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 A senescência é um fenómeno fisiológico e universal, arbitrariamente identificada
pela idade cronológica, pode ser considerada um envelhecimento sadio, onde o declínio físico e
mental é lento, e compensado, de certa forma, pelo organismo (Pikunas, 1979).
 A senilidade caracteriza-se pelo declínio físico associado à desorganização mental
(Pikunas, 1979). Curiosamente, a senilidade não é exclusiva da idade avançada, mas pode
ocorrer prematuramente, pois, identifica-se com uma perda considerável do funcionamento
físico e cognitivo, observável pelas alterações na coordenação motora, a alta irritabilidade,
além de uma considerável perda de memória.

• Atitudes, Mitos e Estereótipos ligados à Velhice

Tópicos, ditos, frases feitas, etiquetas verbais ou adjetivações


a respeito de pessoas e grupos, são alusões que frequentemente
encontramos, quer nas conversas diárias da rua, quer nos meios de
comunicação social. O mundo social e humano, dificilmente se nos
apresenta, em sua crua realidade objetiva e objetal, sem possuir
adjetivações (frequentemente estereotipadas), porque o estereótipo
é precisamente uma perceção extremamente simplificada e
geralmente com ausência de matrizes. Na medida em que o conhecimento humano não é
capaz de ser sempre complexo, flexível e crítico podemos dizer que tendemos a cair no
estereótipo (Castro, et al, 1999).
Os estereótipos mais estudados atualmente são os que se referem a grupos étnicos, no
entanto existem estereótipos em todos os domínios da vida social: relativos a ambos os sexos,
às ocupações, ao ciclo vital, à família, à classe social, ao estado civil, aos desvios sociais e a
qualquer campo da vida que desejamos diferenciar.
Estudos recentes sobre o sócio cognitivismo, reafirmam o papel crucial dos estereótipos
na perceção de outros seres humanos, havendo mesmo quem defenda (Bondehausen y Wyer,
1973) que as pessoas utilizam prioritariamente os estereótipos para interpretar a informação
complexa sobre indivíduos e grupos, buscando outras interpretações apenas, quando os
estereótipos não oferecem explicações suficientes.

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O estereótipo é ―uma representação social sobre os traços típicos de um grupo,
categoria ou classe social (Ayesteran e Pãez, 1987) e caracteriza-se por ser um modelo lógico
para resolver uma contradição da vida quotidiana, e serve sobretudo para dominar o real. No
entanto, também contribui para o não reconhecimento da unicidade do indivíduo, a não
reciprocidade, a não duplicidade, o despotismo em determinadas situações.
A literatura científica sobre os estereótipos é prolixa, pelo facto de se tratar de um
conceito multi-unívoco – construtor categorial, generalizador, estável e definidor de um grupo
social. Contudo, existem múltiplos defensores dos quais destacamos Walter Lippmann (cit. por
Castro et al, 1999) que entende os estereótipos como pré-concepções rígidas, mais ou menos
falsas e irracionais.
Socialmente, e no caso dos idosos, a valorização dos estereótipos projecta sobre a
velhice uma representação social gerontofóbica e contribui para a imagem que estes têm se si
próprios, bem como das condições e circunstâncias que envolvem a velhice, pela perturbação
que causam uma vez que negam o processo de desenvolvimento.
O ―Ancianismo‖ como conceito gerontológico, define-se como o ―processo de
estereotipia e de discriminação sistemática, contra as pessoas porque são velhas‖ (Staab e
Hodges, 1998).
Este problema surge, quando o fenómeno de envelhecer é considerado prejudicial, de
menor utilidade ou associado à incapacidade funcional. A rejeição e rotulagem de um grupo,
em particular de indivíduos, desenvolvesse porque as características individuais com traços
negativos, são atribuídos a todos os indivíduos desse grupo. Assim a palavra ‖velhote‖ descreve
os sentimentos ou preconceitos resultantes de micro-concepções e dos ―mitos‖ acerca dos
idosos. Os preconceitos envolvem geralmente crenças, de que o envelhecimento torna as
pessoas senis, inactivas, fracas e inúteis (Nogueira, 1996).
No ―mundo civilizado‖ de hoje, a velhice é tida como uma doença incurável, como um
declínio inevitável, que está votado ao fracasso. Esta postura social atingiu tal dimensão, que
Louise Berger (1995) chega mesmo a afirmar, que abundam hoje ―ideias feitas e preconceitos
relativamente à velhice. Os ―velhos‖ de hoje os ―gastos‖ os ―enrugados‖ cometeram a
asneira de envelhecer numa cultura que deifica a juventude‖.

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De facto, as atitudes negativas face aos idosos existem em todos os níveis sociais:
intervenientes, beneficiários, governantes etc. Assim, perante esta diversidade de conceitos
somos levados a questionar o que se entende por mitos, estereótipos, crenças e atitudes?
No sentido de clarificar e uniformizar estas questões e baseados nos pressupostos
teóricos defendidos por Berger, 1995; Santos, 1995; Nogueira, 1996 e Dinis, 1997; Castro et al,
1999, passaremos a apresentar as seguintes conceptualizações.
Atitude, é um conjunto de juízos que se desenvolvem a partir das nossas experiências e
da informação que possuímos das pessoas ou grupos. Pode ser favorável ou desfavorável, e
embora não seja uma intenção pode influenciar comportamentos.
Crença, é um conjunto de informações sobre um assunto ou pessoas, determinante das
nossas intenções e comportamentos, formando-se a partir das informações que recebemos.
Por exemplo: a ―ideia‖ de que todos os idosos são sensatos e dóceis e nunca se zangam.
Estereótipo, é uma imagem mental muito simplificada de alguma categoria de pessoas,
instituições ou acontecimentos que é partilhada, nas suas características essenciais por um
grande número de pessoas (Castro, 1999); dito de outra forma é um ―chavão‖, uma opinião
feita, uma fórmula banal desprovida de qualquer originalidade, ou seja é uma ―generalização‖
e simplificação de crenças acerca de um grupo de pessoas ou de objectos, podendo ser de
natureza positiva ou negativa.
O estereótipo positivo, é aquele em que se atribuem características positivas a todos os
objectos ou pessoas de uma categoria particular, por exemplo, ―todos os idosos são
prudentes‖.
Contrariamente, um estereótipo negativo, atribui características negativas a todos os
objectos ou pessoas de uma determinada categoria, de que é exemplo ―todos os idosos são
senis‖.
Um estudo realizado na Université de Montreal por Champagne e Frennet (cit. por
DINIS, 1997), permitiu identificar catorze estereótipos como os mais frequentes relativos aos
idosos e que passamos a descrever:
* Os idosos não são sociáveis e não gostam de se reunir;
* Divertem-se e gostam de rir;
* Temem o futuro;

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* Gostam de jogar às cartas e outros jogos;
* Gostam de conversar e contar as suas recordações;
* Gostam do apoio dos filhos;
* São pessoas doentes que tomam muita medicação;
* Fazem raciocínios senis;
* Não se preocupam com a sua aparência;
* São muito religiosos e praticantes;
* São muito sensíveis e inseguros;
* Não se interessam pela sexualidade;
* São frágeis para fazer exercício físico;
* São na grande maioria pobres.

A análise destes resultados permite-nos observar que a maioria destes estereótipos está
ligada não a características específicas do envelhecimento, mas sim a traços da personalidade e
a fatores socioeconómicos. E, se por um lado, a formação de estereótipos simplifica a
realidade, por outro, Hipe simplificam-na, levando muitas vezes a uma ignorância acerca das
características, minimizando as diferenças individuais entre os membros de um determinado
grupo. É disso, exemplo, o estereótipo de que ―todos os idosos são solitários‖. Este, não tem
em consideração os idosos que têm uma vida social ativa. Ainda com base neste estereótipo, os
idosos ativos socialmente, são considerados, muitas vezes, como tendo um comportamento
social atípico, pelo que se enquadram numa exceção.
De facto, o mito é ―uma construção do espírito que não se baseia na realidade‖ e por
isso constitui uma representação simbólica. Pode ser também um conjunto de expressões
feitas ou eufemismos, que mantemos relativamente aos idosos, por exemplo: ―ela tem um ar
jovem para a idade‖, ―idade de ouro‖, etc…
Numa análise mais profunda percebemos que os mitos escondem muitas vezes uma
certa hostilidade e quando utilizados em excesso, impedem o estabelecimento de contactos
verdadeiros com os idosos.

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O que importa realçar neste estudo acerca dos ―mitos‖ e dos ―estereótipos‖ é o facto
de estes estarem muitas vezes ligados ao desconhecimento do processo de envelhecimento, e
poderem influenciar a forma como os indivíduos interagem com a pessoa idosa.
Por outro lado são causa de enorme perturbação nos idosos, uma vez que negam o seu
processo de crescimento e os impedem de reconhecer as suas potencialidades, de procurar
soluções precisas para os seus problemas e de encontrar medidas adequadas.
O termo ―terceira idade‖ por exemplo, é um rótulo socioeconómico que permite
muitas vezes que o Homem entre nela pela porta da psicopatologia, que é a ciência que se
ocupa da relação perturbada (Gyll, 1998). Estas imagens mentais simplificadas e estereotipadas
sobre os idosos são usadas e compartilhadas atualmente em todos os níveis e grupos sociais.
Esta visão global e generalizada, que caracteriza os estereótipos gerontológicos pouco
críticos e frequentemente carentes de objetividade, distorce a realidade. Investigações diversas
sobre esta temática têm demonstrado que a distorção causada pelos estereótipos ―cegam‖ os
indivíduos, impedindo-os de se precaverem das diferenças que existem entre os vários
membros, não lhe reconhecendo deste modo qualquer virtude, objeto ou qualidade.

Nesta perspetiva os estereótipos tornam-se inevitavelmente elementos impeditivos na


procura de soluções precisas e de medidas adequadas, tornando-os urgente o combate a estas
representações sociais gerontológicas e de carácter discriminatório, levando os cidadãos a
adotar medidas e comportamentos adequado face aos idosos.

• Representações da Morte

A velhice é uma etapa da evolução humana. Nascer, crescer, desenvolver e morrer são
processos naturais que fazem parte do ser humano. Entretanto, há outros factores que
contribuem para a compreensão do homem e de sua existência.
A complexidade da existência humana pode ser vista por diversas vertentes, por
diversos olhares e saberes. É comum que algumas ciências, mantenham uma visão de homem
dicotomizada, uma visão que se afunila apenas naquela característica específica sem perceber

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o indivíduo como um todo, como um ser integral, um ser que é sim biológico, mas também é
um ser psicológico, é um ser social.
A velhice, na história, sempre ocupou dois papéis antagónicos, ou representações
sociais: ou referia-se à imagem do fim, da morte, do mal e da perda, ou da sabedoria, do
conhecimento e do respeito. No entanto, trata-se de um facto natural da vida, tão certo quanto
o fim, ao qual todos estamos ―destinados‖. Se, como dizem os matemáticos, a soma dos
fatores não altera o resultado do produto, assim também a meia-idade e a velhice, vividas por
cada indivíduo, com sua singularidade, são a premissa do fim que se aproxima e que é
inevitável a todos – a morte.

“Esse estado primordial de desamparo desempenha um papel decisivo na estruturação do


psiquismo, que se constitui fundamentalmente na relação com o Outro, ou seja, o ser humano só
sobrevive porque o Outro o deseja. Essa é a origem da necessidade de ser amado e cuidado, perpetuada
no ser humano até sua morte”

Envelhecer por si só já é um processo que implica em perdas que tornam o ser idoso
estigmatizado em total dependência e velada incompetência de decidir suas próprias coisas. O
amparo e olhar para esses idosos se tornam essenciais. A velhice traz consigo, então, a
perspetiva de morte.

• Problemas Socais da Velhice

O envelhecimento demográfico das populações é um fenómeno irreversível das nossas


sociedades modernas. Os impactes que se têm vindo a fazer sentir, entre os quais sobressai a
sustentabilidade financeira dos sistemas de reformas, interferem nos equilíbrios individuais e
coletivos, relativos às idades da vida e ao ciclo de vida ternário. Velhos e reformados são agora
duas categorias sociais, dois conceitos que tendem a demarcar-se. A velhice surge então
associada às dificuldades decorrentes da aquisição gradual de incapacidades. A família, as

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solidariedades interrelacionais e as políticas sociais debatem-se com este desafio, procurando
encontrar as melhores soluções e as respostas mais adequadas à diversidade dos problemas.
Nos dias que correm é impreterível refletir, de modo mais insistente, sobre os impactes
do envelhecimento demográfico das populações e sobre as profundas mudanças que,
simultaneamente, têm vindo a ocorrer nas sociedades industriais modernas, como é a nossa.
Estas têm sido de tal forma rápidas e, em muitos casos, inesperadas, que necessitamos de
permanente pesquisa e discussão. O debate — profícua fonte de inspiração — é, neste caso,
essencial, na medida em que estudiosos e políticos se confrontam, muitas vezes, com
diferentes modos de explicação do mundo. Os primeiros procuram interpretar os factos a partir
de causas gerais sem nunca se misturarem com os assuntos em questão. Os segundos, que
vivem por entre o descosido dos factos jornalísticos e a parcialidade dos acontecimentos em
que estão envolvidos, tendem, geralmente, a reduzir a explicação global à singularidade da
parcela do conhecimento que detêm. A definição de políticas de velhice, a partir de uma
formulação mais rigorosa e objetiva dos problemas do envelhecimento e da análise exaustiva
da diversidade de realidades sociais, poderá proporcionar as correções necessárias para que as
futuras gerações de idosos possam vir a viver melhor do que as que as antecederam. O
problema social que representa a velhice nas sociedades modernas é um exemplo
paradigmático da forma como certas perspetivas, científicas e não científicas, podem contribuir
para o deformar através da difusão de ideias e representações já construídas do que é a
velhice. As "pessoas idosas" — enquanto estereótipo socialmente produzido e facilmente
reconhecível — enquadram uma categoria de indivíduos, cujas propriedades, relativamente
homogéneas, são normalmente identificadas com isolamento, solidão, doença, pobreza e
mesmo exclusão social. Nesta perspetiva comum, as pessoas idosas são consideradas como
indivíduos isolados, permanecendo oculta a dimensão familiar da identidade, da existência. A
lógica repousa na perceção da pessoa idosa enquanto agente de ação social apartado dos laços
sociais inerentes à instituição familiar a que pertence e no quadro das relações tradicionais de
amizade e de vizinhança. Esta avaliação, que decorre da posição que os agentes sociais ocupam
relativamente às situações problemáticas — porque existem situações problemáticas de
isolamento, solidão, doença e carências afetivas e materiais —, impõe-se com maior

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visibilidade social e, desse modo, adquire as condições para se apresentar como propriedade
comum e dominante da categoria dos indivíduos denominados idosos.

Um tal processo representou uma verdadeira revolução demográfica com efeitos no


equilíbrio proporcional dos grupos etários. A tendência, que se tem manifestado de forma
crescente, é para um desequilíbrio considerável entre as gerações, ou seja, o aumento dos mais
velhos é relativamente empolado pela redução dos mais novos, contribuindo, desse modo,
para o agravamento do desequilíbrio interjecional.
Ao longo deste século fomos passando de um sistema demográfico tradicional para um
sistema demográfico moderno, período ao longo do qual a mortalidade desceu a níveis nunca
antes registados e o declínio da fecundidade ultrapassa já os cenários mais pessimistas das
projeções demográficas. O excessivo declínio da fecundidade, que ocorre em alguns países
europeus — os países de sul da Europa, Alemanha e Áustria —, é preocupante em relação ao
equilíbrio futuro das gerações. Há casos, como o da população italiana e espanhola, onde a
fecundidade desceu para, aproximadamente, uma criança por mulher, ou seja, metade do
necessário à renovação das gerações. A redução crescente dos nascimentos equivale à redução
das proporções de jovens, enquanto o aumento relativo dos restantes grupos etários irá, a
médio prazo, afetar de novo o equilíbrio interjecional pela correspondente redução dos jovens
adultos e dos adultos ativos. Este segundo impacte do declínio da fecundidade, ao contrário do
primeiro, que proporcionou a redução dos encargos públicos com a educação, interfere
diretamente nos fluxos das quotizações da população que contribui para o sistema.
São mais inativos a receber e menos ativos a quotizar-se, estes tendo que contribuir
com uma parcela maior dos seus rendimentos para garantir o funcionamento do sistema.

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Estamos perante transformações estruturais que, quando associadas às mudanças de
comportamento face à nupcialidade e à família, conduzem a configurações familiares bem
distintas das que encontramos no passado. As trajetórias de vida mais longas e as perturbações
das idades da vida afetam não só as consciências individuais como o modo como os indivíduos
se relacionam na teia das relações estritas do seio familiar. As idades e os ciclos de vida sofrem
perturbações que põem em causa o nosso conhecimento construído e a forma como ele
interfere nas estratégias individuais e coletivas face à velhice e ao envelhecimento.
No cenário de envelhecimento futuro, é importante que as instâncias produtoras de
políticas sociais se preparem para as transformações que começaram a ter lugar. Os apoios de
tipo social que têm marcado as políticas na maior parte dos países em que foram
implementadas, como os centros de dia e os apoios domiciliários, poderão deixar de ser a
orientação essencial das políticas nas futuras gerações de idosos. A velhice dependente vai ser
o grande desafio já no início do milénio. Em contrapartida, as próximas gerações virão mais
bem munidas para responder às dificuldades materiais e culturais, com maior sentido de
autonomia e uma mais poderosa consciência de cidadania, promotora de maior capacidade de
resolução dos problemas individuais e mesmo coletivos.
As políticas sociais vão ainda deparar-se com as dificuldades de gestão social do não
trabalho, transferindo para outras áreas alguns dos problemas que eram atribuídos apenas aos
idosos.

• A pessoa idosa no final do Século XX

Foi sobretudo a partir da segunda metade do século XX que emergiu um novo


fenómeno nas sociedades desenvolvidas − o envelhecimento demográfico, ou seja, o aumento
significativo do número de pessoas idosas. Com isto, surgiu a necessidade, a nível internacional,
de caracterizar o fenómeno, de repensar o papel e o valor da pessoa idosa, os seus direitos e as
responsabilidades do Estado e da sociedade para com este grupo específico da população.
Como disse Kofi Anam (2002): ―A expansão do envelhecer não é um problema. É sim
uma das maiores conquistas da humanidade. O que é necessário é traçarem-se políticas

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ajustadas para envelhecer são, autónomo, ativo e plenamente integrado. A não se fazerem
reformas radicais, teremos em mãos uma bomba relógio a explodir em qualquer altura‖.
No final do século XX e início do século XXI a sociedade mundial deparasse com uma
configuração sócio etária: o envelhecimento populacional. A ONU estipulou de 1975 – 2025
como a Era do Envelhecimento (50 anos). A velhice tem sempre acompanhado a humanidade
como uma etapa inevitável de decadência e declinação. A palavra velhice é carregada de
significados como inquietude, fragilidade, angústia. O envelhecimento é um processo que está
rodeado de muitas conceções falsas, temores, crenças e mitos. A imagem que se tem da velhice
mediante diversas fontes históricas, varia de cultura em cultura, de tempo em tempo e de lugar
em lugar. Esta imagem reafirma que não existe uma conceção única ou definitiva da velhice,
mas sim conceções incertas, opostas e variadas através da história.
O pensamento científico que caracterizou os séculos XVI e XVII introduziu novas formas
de pensar que enfatizavam a observação, experimentação e verificação, podendo-se então,
descobrir as causas da velhice mediante um estudo sintomático. Ainda assim prevalecia a
ambivalência em relação à velhice. Durante os séculos XVII e XVIII foram feitos muitos avanços
no campo da fisiologia, anatomia, patologia. As transformações que ocorreram na Europa nos
séculos XVIII e XIX refletiram em uma mudança na população anciã. O número de pessoas em
idade avançada aumentou e os avanços da ciência permitiram descartar vários mitos acerca da
velhice. Contudo, a situação dos velhos não melhorou. O surgimento da Revolução Industrial e
do urbanismo foram derradeiros para os anciões que, sem poder trabalhar, foram reduzidos à
miséria.
No final do século XIX os avanços da medicina propiciaram a divisão de velhice e
enfermidade e nos finais do Século XX surgem a Gerontologia e a Geriatria como disciplinas
formais. O que se percebe são ciclos que ocorrem ao longo da história. Períodos em que os
idosos são valorizados são seguidos por crises entre jovens e velhos e posterior desvalorização
do ancião. Hoje, para uma parcela economicamente ativa da população idosa, existe um
movimento de valorização, pois esta população está impulsionando mercados como o de
turismo e serviços para a terceira idade. Os meios de comunicação, da forma como estão hoje
inseridos em nossa vida, também têm um papel importante na construção desta terceira idade.
A televisão e o cinema, particularmente, possuem um grande potencial para influenciar nos

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conceitos acerca da velhice. As parcelas da população mais influenciáveis são as crianças e
jovens. Estes meios funcionam como um espelho da sociedade e contribuem para estabelecer
ou validar modelos de comportamento. Porém o número de pessoas idosas que aparecem nos
programas ou filmes não corresponde a realidade encontrada na sociedade. Neste caso a
mensagem que pode estar sendo passada é de que o velho não é importante. Os estereótipos
negativos também são muito explorados.
No início da década de 90 ocorreu uma leve mudança na visão negativa da velhice em
programas e filmes como ―Assassinato por escrito‖, ―Cocoon‖ e ―Conduzindo miss Daisy‖ e o
surgimento de idosos como mercado consumidor pode ainda alterar mais este quadro. A
imagem passada pelos meios de comunicação afeta também a autoestima dos idosos. A
validação social é crucial para o desenvolvimento de todas as pessoas e os anciões não são
diferentes. É, então, necessária uma consciencialização da importância desses meios na
constituição da velhice. Assim podemos começar a mudar a visão que nossa sociedade possui
do que é ser velho atualmente.

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3) Velhice – Socialização e Papéis Sociais
• Aspetos sociais da velhice

O novo perfil do idoso, acrescido a um número cada vez maior de cidadãos da


terceira idade, forçosamente implica numa atenção mais dedicada a esta categoria; seja
por parte do governo, ou da sociedade, como um todo. Esse novo perfil, do idoso com
vida activa, social, financeira, política e até amorosa, necessariamente altera as relações
familiares e profissionais. Essa nova atitude diante da vida e da sociedade implica
também em alterações das políticas económicas, sociais e de saúde, para oferecer uma
vida digna, a esta categoria emergente, que já deu sua contribuição ao longo de toda a
vida.
Apesar do evidente crescimento da população idosa, e das transformações
sociais dele decorrentes, a discussão sobre o envelhecimento se dá num contexto em
que a diversidade de conceitos para explicar quem é o idoso e como se caracteriza o
processo de envelhecer, ainda está longe de diminuir.
É possível afirmar que o envelhecimento não é igual para todos, e, para além da
idade, depende das condições objetivas de vida em fases anteriores do ciclo vital, do
acesso aos bens e serviços, bem como da cobertura da rede de proteção e atendimento
social. Os estudos sobre a velhice e o processo de envelhecimento abarcam as diversas
possibilidades de pensar o lugar social ocupado pelo idoso na realidade mundial. A
velhice tem sido tratada como um mal necessário, da qual a humanidade não tem como
escapar. Por esse princípio, o idoso também é tratado como um mal necessário, como
alguém que já cumpriu sua. função social: já trabalhou, já cuidou da família, já
contribuiu para educação dos filhos, restando a eles, somente, esperar pela finitude da
vida. O que se observa é que, com o avanço das pesquisas na área da saúde, e o acesso
da população idosa aos diversos serviços, a população, de um modo geral, chega aos 60
anos com possibilidade de viver mais (e com qualidade de vida) do que vivia há 20 anos
atrás. Veras (2003, p.8) adverte que ―muito antes do que se imagina, teremos

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indivíduos se aposentando perto dos 60 anos de idade e iniciando um novo ciclo de vida
que perdurará por mais de 30 ou 40 anos‖.
A velhice apresenta múltiplas faces, e não pode ser analisada desvinculada dos
aspectos socioeconómicos e culturais, pois as suas características extrapolam as
evidentes alterações físicas e fisiológicas individuais.

―A população idosa constitui-se como um grupo bastante diferenciado, entre si e em


relação aos demais grupos etários, tanto do ponto de vista das condições sociais, quanto dos
aspetos demográficos e epidemiológicos. Qualquer que seja o enfoque escolhido para estudar
este grupo populacional, são bastante expressivos os diferenciais por género, idade, renda,
situação conjugal, educação, atividade económica, etc.‖ (VERAS, 2003, p. 8-9).

O envelhecimento populacional pressiona a sociedade a repensar a fase final da


vida, a entender o lugar social ocupado pelo idoso, como um sujeito que tem direitos e
deveres enquanto cidadão. A inclusão social é temática, bastante ampla e complexa.
Relaciona-se à questão da protecção social e do lugar social ocupado pela população em
nosso país. Destaca-se que vivemos numa sociedade onde os direitos sociais são
identificados como favor, como tutela, como um benefício e não prerrogativa para o
estabelecimento de uma vida social digna e de qualidade.
Mesmo estabelecidos em lei, a direcção dada pelos responsáveis pela garantia
dos direitos nem sempre é direccionada para sua efectivação. O caminho da inclusão
social corre em paralelo à discussão do direito e da protecção social.
Por protecção social entende-se por um conjunto de acções que visam prevenir
riscos, reduzir impactos que podem causar malefícios à vida das pessoas e,
consequentemente, à vida em sociedade. A exclusão social ocorre quando num
determinado grupo da sociedade é de alguma forma excluído dos seus direitos, ou
ainda, tem seu acesso negado por ausência de informação, por estar fora do mercado
de trabalho, entre outras coisas. A inclusão, portanto, significa fazer parte, se sentir
pertencente, ser compreendido em sua condição da vida e humanidade. É sentir-se
pertencente como pessoa humana, singular e ao mesmo tempo coletiva.

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Inclusão e proteção social estão intrinsecamente relacionadas aos direitos
sociais. Os direitos estabelecidos no Estatuto do Idoso que indicam e fortalecem a
inclusão social do idoso são:
• 1º Direito à vida: viver com dignidade, com acesso aos bens e serviços
socialmente produzidos;
• 2º Direito à informação: ter conhecimento, trocar ideias, perguntar,
questionar, compreender. A informação caminha por dois níveis que se complementam:
o primeiro refere-se à vida quotidiana e o segundo refere-se à garantia dos direitos –
como funcionam os serviços prestados por meio da política social, como funciona a rede
de atendimento social, a gestão pública, como o poder público emprega o dinheiro na
área do envelhecimento.
• 3º Direito à vida familiar, à convivência social e comunitária: receber apoio e
apoiar a família, preservar laços e vínculos familiares, trocar experiência de vida; receber
suporte social, psicológico e emocional.
• 4º Direito ao respeito: às diferenças, às limitações, ao modo de entender o
mundo, ao modo de viver neste mundo.
• 5º Direito à preservação da autonomia: ter preservada a capacidade de
realizar algumas tarefas sozinho ou com auxílio; ter preservada a privacidade; ter
preservada a capacidade de realizar as atividades de vida diária e de vida prática.
• 6º Direito de cessar serviços que garantam condições de vida: acesso aos
serviços de saúde, educação, moradia, lazer, entre outros.
• 7º Direito de participar, opinar e decidir sobre sua própria vida: conhecer e
participar de atividades recreativas e de convivência.

A gestão da velhice – que segundo Debert (1999, p. 13-14) por muito tempo foi
considerada como específica da esfera privada e familiar, da previdência individual, ou
de associações filantrópicas –, vem transformando-se numa questão pública, expressa
na legislação específica para os idosos, que expressa (e ao mesmo tempo influencia) o
surgimento de uma nova categoria cultural: ―os idosos, como um conjunto autónomo e

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coerente que impõe outro recorte à geografia social, autorizando a colocação em
prática de modos específicos de gestão.‖

• O modo de vida das pessoas de idade

Envelhecer com saúde, autonomia e


independência, o mais tempo possível,
constitui assim, hoje, um desafio à
responsabilidade individual e coletiva, com
tradução significativa no desenvolvimento
económico dos países.
Coloca-se, pois, a questão de pensar o
envelhecimento ao longo da vida, numa atitude mais preventiva e promotora da saúde
e da autonomia, de que a prática de atividade física moderada e regular, uma
alimentação saudável, o não fumar, o consumo moderado de álcool, a promoção dos
fatores de segurança e a manutenção da participação social são aspetos indissociáveis.
Do mesmo modo, importa reduzir as incapacidades, numa atitude de
recuperação global precoce e adequada às necessidades individuais e familiares,
envolvendo a comunidade, numa responsabilidade partilhada, potenciadora dos
recursos existentes e dinamizadora de ações cada vez mais próximas dos cidadãos.
Existe um mito de que a velhice seja uma etapa de restrições, privações e
sofrimentos, o que é uma inverdade, pois os idosos podem gozar de bem-estar e saúde
até o final da vida, tudo vai depender da forma como viveram e como cuidaram de si
mesmos ao longo dela. As doenças podem surgir em qualquer fase da vida, o que ocorre
nesta fase são algumas limitações que, se bem administradas, não impedem que o idoso
tenha uma vida plena, saudável e feliz.

A chegada na terceira idade traz consigo muitas perdas e mudanças!

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Com a Reforma ocorre a perda do trabalho, algo ao qual o idoso se dedicou boa
parte da sua vida; além disso, em muitos casos, também existe a diminuição do poder
aquisitivo o que gera mudanças no padrão de vida, nem sempre muito bem aceites; é
comum nesta fase a perda de amigos e parentes, o que leva o idoso a refletir sobre a
chegada da sua própria morte; surgem também as limitações físicas próprias da idade
tais como dificuldades preceptivas, sensoriais e de memória, além da lentidão dos
movimentos, da diminuição da força muscular e da coordenação motora; nesta fase da
vida a própria sociedade, assim como a família, tendem a segregar o idoso, vendo-o
como uma pessoa improdutiva e sem valor. Estes fatores podem levar o idoso a um
quadro de apatia, de inatividade, de desinteresse e desânimo em geral.
É comum, nesta fase da vida, o aparecimento da depressão, o problema mais
comum na terceira idade. Surge em função do idoso não saber lidar ou encarar de forma
positiva estas mudanças que fazem parte da sua vida. A depressão significa, em última
instância, sentir-se sem saída diante de um determinado conflito, problema ou situação,
o que pode gerar muito sofrimento e dor. Pessoas com baixa autoestima, que sempre
veem a si mesmas e o mundo com pessimismo, que são facilmente sobrecarregadas
pelo stress, que não aceitam envelhecer e que não encaram a diminuição da vitalidade
como algo inerente à idade são propensas a apresentar depressão.
Perdas e mudanças fazem parte da vida, a morte vem para todos e chegar à
terceira idade é um fator que pode ser encarado tanto de forma positiva como negativa!
Ao invés de encarar a realidade como ruim, assustadora ou com sofrimento, pode-se
pensar no que fazer para mudá-la ou, na impossibilidade da mudança, de que forma
encarar e aceitar esta realidade sem sofrimento, aceitando-as como um desafio, um
fator de aprendizagem de convivência, de respeito e de aceitação das próprias
limitações.
Aceitar o envelhecimento com naturalidade é o caminho certo, procurando
conviver bem com as limitações e valorizando aquilo que faz parte exclusiva dos idosos:
a larga experiência de toda uma vida que jamais poderia ser deixada de lado e que
deveria ser muito bem aproveitada pelos jovens e pela sociedade de um modo geral.
Chegar à terceira idade não significa apenas o final da jornada de anos de trabalho e de

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missão cumprida em relação à criação dos filhos, mas a entrada em um novo estilo de
vida, algo que pode ser muito bom porque permite a realização de desejos não
satisfeitos ao longo da vida seja por causa do tempo despendido no trabalho, seja
porque haviam outros interesses à frente.
É a fase da vida em que os idosos podem realmente se dar ao "luxo" de
exercerem atividades que lhes tragam apenas prazer, alegria e satisfação, sem a
cobrança de um desempenho (como no trabalho) ou sem a responsabilidade de educar
ou de exercer um bom papel (é hora de serem simplesmente eles mesmos, serem avós
e não mais pais zelosos com a educação, sem precisar mais ―dar o exemplo‖).
Em geral, o idoso mora ou isolado ou com os seus
cuidados informais. Estes, por si só, por causa das suas
próprias obrigações/atividades, não costumam dar a
atenção necessária, muitas vezes não dispondo do seu
tempo para ouvir o idoso, o que o leva a sentir-se num
plano secundário: essa falta de atenção da família pode
levar o idoso à diminuição de sua auto estima e até à
depressão, quando ele não tem atividades sociais que
compensem esta falta de atenção familiar: por isso é
importante que o idoso tenha outras atividades extrafamiliares que lhe tragam prazer,
mantendo ou criando novas amizades e contactos.
É importante que a atividade cerebral do idoso continue a ser estimulada com
leituras ou com quaisquer atividades que possam prender a sua atenção e,
principalmente, manter o contacto com pessoas queridas a maior parte do tempo. O ser
humano é um ser social e o idoso precisa conversar e, principalmente, ser ouvido! Pedir-
lhe, simplesmente, que relate as suas experiências passadas, que conte histórias da
família, que fale sobre aquilo que gosta de falar são maneiras de estimulá-lo e, mais do
que isso, são atividades que lhe trazem muito prazer.
Os idosos adoram se sentir úteis e ficam felizes em poder ajudar ou satisfazer um
desejo/necessidade de um parente ou conhecido! Eles jamais devem ser tratados como
pessoas inválidas, são pessoas que possuem mais limitações inerentes à idade!

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Portanto, deve-se delegar a eles apenas tarefas que possam ser executadas sem
sacrifícios (como cozinhar, se eles gostarem, bordar, fazer um determinado conserto,
etc...). A família e os amigos jamais devem dar a perceber que se sentem incomodados
com a presença do idoso ou que não tem vontade de ajudá-lo, de ouvi-lo, pelo
contrário, devem agir no sentido de permitir, na medida do possível, a manutenção da
autonomia, da independência e da dignidade do idoso.
Como já foi dito, o ser humano é um ser social: o lazer, a distração, a conversa, o
bem-estar e as atividades em grupo são fundamentais para todos, independentemente
da idade.

• Processo de envelhecimento / sensibilização à problemática da


pessoa idosa / Pessoa Idosa noutras Civilizações

A longevidade é, sem dúvida, um triunfo. Há, no entanto, importantes diferenças


entre os países desenvolvidos e os países em desenvolvimento. Enquanto, nos
primeiros, o envelhecimento ocorreu associado às melhorias nas condições gerais de
vida, nos outros, esse processo acontece de forma rápida, sem tempo para uma
reorganização social e da área de saúde adequada para atender às novas demandas
emergentes. Para o ano de 2050, a expectativa em Portugal, bem como em todo o
mundo, é de que existirão mais idosos que crianças abaixo de 15 anos, fenómeno esse
nunca observado.
Muitas pessoas idosas são acometidas por doenças crónicas não transmissíveis
(DANT) - estados permanentes ou de longa permanência - que requerem
acompanhamento constante, pois, em razão da sua natureza, não têm cura. Essas
condições crónicas tendem a manifestar-se de forma expressiva na idade mais
avançada. Podem gerar um processo incapacitante, afetando a funcionalidade das
pessoas idosas, ou seja, dificultando ou impedindo o desempenho das suas atividades
quotidianas de forma independente. Ainda que não sejam fatais, essas condições
geralmente tendem a comprometer de forma significativa a qualidade de vida dos
idosos.

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O idoso tem sido encarado de formas diferentes ao longo dos tempos e nas
diversas culturas. Por exemplo nas sociedades Orientais é-lhe atribuído um papel de
dirigente pela experiência e sabedoria. Nas sociedades Ocidentais, apesar de ter sido
considerado, até há algum tempo atrás, como um elemento fundamental na sociedade,
pelos seus conhecimentos e valores para as populações mais jovens, actualmente tem
uma imagem e um papel social quase insignificante, sendo a diminuição das suas
capacidades, num contexto de produtividade, um dos factores mais referenciados. Por
outro lado, o idoso, por usufruir de reformas e pensões muito baixas, viver muitas vezes
em habitações degradadas e ter grandes despesas com a saúde, fica numa posição
social muito vulnerável à precariedade económica. O idoso é ainda vulnerável à exclusão
social, pela condição de reformado, sem relação com o trabalho e com os colegas, pela
dificuldade de comunicação com as gerações mais jovens, pelo isolamento em relação à
família, pela perda de autonomia física e funcional e ainda pelas dificuldades da
adaptação às novas tecnologias (Sílvia, 2001).
De facto, para além da privação de meios a que naturalmente os idosos estão
votados, existem tecnologias recentes que ampliam as dificuldades de acesso aos
direitos sociais básicos.
Este quadro agrava-se para alguns idosos ainda mais, pelo facto de terem que
partilhar o seu já reduzido rendimento com familiares a seu cargo (netos, filhos
toxicodependentes, etc…).
Devido à insuficiência de medidas de política social, capazes de garantir
condições económicas mínimas a quem fez a sua vida profissional numa época em que
não se realizavam contratos, nem descontos para a segurança social, configura-se-lhes
um quadro de vida em que a pobreza é o culminar ―inevitável‖ de uma trajetória social
cuja precariedade impediu a acumulação de todo e qualquer tipo de recurso.
Face à panóplia de questões caracterizadoras do idoso na sociedade actual, surge
o debate em torno do envelhecimento e das respostas sociais de apoio às pessoas
idosas.
Assim, em 1999 consagrou-se o Ano Internacional do Idoso, iniciativa
concretizada pelas Nações Unidas, na sequência da Assembleia Mundial sobre o

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envelhecimento de 1982. Esta iniciativa passou então a constituir um marco
fundamental para avaliação das políticas implementadas no âmbito do envelhecimento
da população, bem como das relações de desenvolvimento/envelhecimento.
Segundo Pimentel (2001), a pressão que o envelhecimento populacional causa
nos sistemas de Segurança Social pode ter custos sociais elevados, decorrentes da forma
como o sistema é financiado. A técnica que é utilizada para este fim, segundo Rosa
(1993), baseia-se numa conversão automática das contribuições dos indivíduos activos
em pensões, implicando que haja um equilíbrio entre as quotizações e as prestações. No
entanto, este sistema segundo a mesma autora, tende a originar um mal-estar social e
conduz a um conflito entre gerações com consequências graves para a sociedade, uma
vez que são as gerações mais novas que contribuem para o financiamento das pensões
de velhice, aumentando deste modo as despesas sociais.
Comunga da mesma opinião Roussel (1990), ao referir que, apesar de os idosos
constituírem um grupo social com algum poder e capaz de exercer pressão política e
económica, as outras gerações, sobretudo em épocas de crise, podem não entender os
benefícios dos idosos e considerá-los excessivos.
Posição diferente apresenta Cabrillo & Cachafeiro (1992), ao referirem que a
questão fundamental não se centra na distribuição das despesas públicas, mas sim na
integração social dos idosos, que podem e devem desempenhar uma função activa na
vida social, não constituindo, assim, uma carga para as gerações mais jovens.

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