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Exmo(a).

Senhor(a) Juiz(a) de Direito


do Tribunal Judicial da Comarca
Juízo Local Cível

[AUTOR(A)], [nacionalidade/profissão/estado civil], cartão de cidadão n.º [-], data de


validade [-], NIF [-], Segurança Social nº [-], com morada na [-], vem nos termos do artigo
138.º e seguintes do Código Civil (Decreto-Lei n.º 47.344/66 e suas alterações) e artigo 891.º
e seguintes do Código de Processo Civil (Lei n.º 41/2013 e suas alterações), apresentar
AÇÃO ESPECIAL DE ACOMPANHAMENTO DE MAIOR, em face de [RÉU:
BENEFICIÁRIO(A) DA MEDIDA], [nacionalidade/profissão/estado civil], Documento de
Identificação n.º [-], com morada na [-], nos termos e seguintes fundamentos:

Apoio Judiciário

A A. não possui condições financeiras de arcar com as custas que envolvem um processo,
nomeadamente as taxas de justiça, os encargos e as custas de parte em eventual condenação
(artigo 529.º do CPC).

Por isso, a A. apresentou pedido de apoio judiciário perante a Segurança Social no dia [-],
momento em que demonstrou a sua condição de desempregada e a impossibilidade de arcar
com as custas processuais.

Ainda que o Regulamento de Custas Processuais (Decreto-Lei n.º 34/2008) admita a isenção
das custas para os requerimentos de acompanhamento de maior (art. 4.º, n.º 2, al. h), este
benefício não abrange as custas devidas à parte vencedora, salvo comprovação de
insuficiência económica.

Até o momento a A. não obteve resposta do pedido feito à Segurança Social.

A lei processual garante à A. a possibilidade de ingressar com a medida de acompanhamento


de maiores sem o pagamento das taxas de justiça, mediante a apresentação do pedido de
apoio judiciário ainda não concedido. É o enunciado no artigo 552.º, n.º 5 do CPC.
Além disso, o requerimento do apoio judiciário não retornou com uma decisão da Segurança
Social. Isto significa que, em atenção ao disposto no artigo 25.º, n.º 2, o pedido considera-se
tacitamente deferido, motivo pelo qual a taxa de justiça não necessita do pagamento.

Portanto, a A. junta aos presentes autos o documento comprovativo do pedido de apoio


judiciário e requer o devido processamento da ação independentemente do pagamento das
taxas de justiça, por se ter comprovado a insuficiência económica.

DOS FACTOS

1. A A. é. filha da R.

2. A R. nasceu no dia [-], conta hoje com [-] anos de idade e é portadora da doença de
Alzheimer (doc. ).

3. Em razão da avançada idade e um antecedente de doença de Alzheimer, a R. necessita de


um cuidado frequente e intenso.

4. Os cuidados básicos com a vida da R. tem sido desenvolvido pela A.

5. A R. não tem conseguido cuidar de sua vida, saúde e devido à doença, não faz a gestão de
seus ganhos e bens.

6. Assim, em face do cenário vivido pela R. e sua necessidade de acompanhamento diário


para os actos da vida civil, a A. apresenta este requerimento com o objetivo de alcançar uma
vida digna e justa à R., e regularizar a situação da gestão de seus actos da vida civil

DO DIREITO

7. De acordo com o acima relatado, a R. é pessoa idosa e precisa de auxílio para a prática dos
actos da vida cotidiana.
8. Com a Lei n.º 49/2018, ao maior impossibilitado, por razões de saúde ou pelo seu
comportamento, de exercer, plena, pessoal e conscientemente, os seus direitos, caberá
a medida de acompanhamento, como previsto no Código Civil (artigo 138.º).

9. O acompanhamento do maior visa assegurar o seu bem-estar, a sua recuperação, o pleno


exercício de todos os seus direitos e o cumprimento dos seus deveres (artigo 140.º do Código
Civil).

10. A A., como filha da R, é legitima para requerer o pedido de acompanhamento e encontra-
se apta a desenvolver o papel de acompanhante, podendo despender todo cuidado, amor e
carinho necessário à R.

11. O Código Civil português elucida que o acompanhamento do maior pode ser requerido
pelo próprio ou por algum parente com sua autorização, podendo esta ser suprida por decisão
judicial (artigo 141.º).

12. A A., por sua vez, é capaz de cuidar de sua mãe com toda a atenção e amor necessários a
uma velhice digna, a proporcionar a R. tudo o que lhe é bom por direito, sobretudo com
alegria e paz no viver.

MEDIDA DE ACOMPANHAMENTO URGENTE

13. Conforme o relatado, a R. é portadora da doença de Alzheimer e necessita do auxílio de


uma terceira pessoa para gerir seus bens.

14. Por ser uma pessoa idosa, já com [-] anos, necessita de cuidados com sua saúde física,
psíquica e emocional.

15. A R. recebe uma pensão da Segurança Social que pode ser utilizada em parte para custear
um acompanhamento de cuidadora/enfermeira diário.

16. Isso então justifica um provimento judicial urgente no sentido de se garantir a utilização
da pensão da R. em [-] euros para custear os seus cuidados com a saúde.
17. O provimento judicial, neste caso, exige uma atuação ativa e urgente, por forma a tutelar
a R. em toda sua dignidade humana, princípio de status constitucional conforme prevê o
artigo 1.º da Constituição da República Portuguesa.

18. Aguardar a regular tramitação do processo para a decisão do caso em análise certamente
condenará a R. a viver dias sofridos. O acompanhamento assegurará o seu bem-estar e o
pleno exercício de seus direitos, sendo medida justa e necessária (artigo 140.º).

19. A lei determina que, em casos como este, podem ser aplicadas as medidas de
acompanhamento provisórias e urgentes (artigo 139.º).

20. O Acórdão do Tribunal da Relação do Porto é no mesmo sentido:

I - Nas situações previstas no artº 142º do CC podem ser decretadas providências cautelares,
inclusive a interdição provisória, para impedir que ao interditando advenha um prejuízo.
II - As providências a que se reporta o artº 953º do CPC são provisórias, destinando-se a
vigorar apenas na pendência do processo e podendo ser alteradas em qualquer altura. E são
urgentes, pois que se destinam a evitar prejuízos para o interditando. (Processo n.º 0536259,
rel. Deolinda Varão, 16/02/2006).

21. A A. pretende ver seu direito e cumprir com seu dever de assistência à R.

22. Diante do exposto, a A. requer a aplicação de medida de acompanhamento urgente, para


que se autorize, pela A., o uso e gestão da pensão da R. para custeio de cuidadora/enfermeira
e demais cuidados com a saúde, nomeadamente consultas médicas e medicamentos.

SUPRIMENTO DA AUTORIZAÇÃO DA BENEFICIÁRIA

23. A R., em razão da sua saúde, não reúne condições físicas e mentais para, por sua própria
conta, procurar ajuda no tratamento de sua doença.

24. Nos termos do artigo 141.º, n.º 2, do Código Civil, o Tribunal pode suprir a autorização
do beneficiário quando, em face das circunstâncias, este não a possa livre e conscientemente
dar, ou quando para tal considere existir um fundamento atendível.
25. Está suficientemente evidenciado pelos documentos anexos que a R. não tem condições
de dar o seu consentimento de forma livre e consciente.

26. De facto, a doença de Alzheimer afeta os sistemas neuronais responsáveis pelos reflexos
naturais que nos mantêm vivos (engolir, tossir, respirar, etc.), dificuldades que levam a
problemas respiratórios e cardíacos, que assim conduzem ao óbito. Portanto, não tem a R.
condições de dar o seu consentimento.

27. Diante do aqui exposto, a A. requer o suprimento de autorização judicial para o


acompanhamento.

DOS PEDIDOS

Nestes termos e nos mais de direito, requer a V. Exa. que ordene a citação da R., observado o
disposto no art. 895.º, n.º 2, do CPC, seguindo-se os trâmites legais, fixando ao final a medida
de acompanhamento urgente (utilização da pensão da R. para custeio de
cuidadora/enfermeira), e ao final, a decretação do acompanhamento da R. pela A. na vida
social, financeira e familiar, sobretudo nas decisões que digam respeito aos seus actos da vida
civil cotidianos, nomeadamente sua saúde, moradia e alimentação, procedendo-se ao final a
publicidade da decisão nos termos da lei.

Prova documental: junta procuração e ... documentos e duplicados legais.


Prova testemunhal:
1. ...;
2. ...;
3. ...;
4. ...;
...
[ausência do rol de testemunhas pode gerar preclusão do direito de produção da prova]

Valor da causa: 30.001€.

O Advogado(a)

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