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' 'O homem vive e morre no que vê, mas vê apenas

aquilo que sonha.'' Paul Valéry


ierre-Auguste Renoir nasceu em Limoges, França, em
P 25 de fevereiro de 1841. O pai, Léonard Renoir, era
alfaiate e a mãe, Marguerite, costureira. Embora arte-
sãos de classe média, que não chegavam a ser pobres, cada
cêntimo era ganho com diligente esforço. Na esperança de
prosperar, Léonard mudou-se para Paris com a família quan-
do Pierre-Auguste tinha três anos. Aos sete, o garoto ingres-
sou numa escola dirigida pelos Irmãos Cristãos, onde apren-
deu leitura, escrita, aritmética e rudimentos de música, pela
qual revelava certo pendor. Como também mostrasse inte-
resse por desenho, o pai tirou-o da escola para colocá-lo co-
mo aprendiz numa firma de decoração de porcelana chama-
da Irmãos Lévy. Ali ele passou quatro anos pintando rosas
em pratos e buquês de flores em bules de chá, motivos Luís
XVI na tradição de Limoges, sua região natal.
Em 1858, ano do início da Segunda República e época
de grande mudança social, a Irmãos Lévy cessou as ativida-
des: com os métodos industriais introduzidos no ramo da
porcelana, a máquina começava a substituir artesãos.
Renoir foi trabalhar então para certo M. Gilbert, pintor
de temas religiosos para missionários. Pintava madonas e re-
tratos de santos em tiras de tela que os missionários iriam
desenrolar e pendurar em toscas igrejas. Vivia bem com o
que lhe rendia esse trabalho. Em pouco tempo já tinha eco-
nomias que o animaram a tentar o que vinha sonhando:
candidatou-se a uma vaga na École dês Beaux-Arts e foi apro-
vado — 68° entre oitenta — no exame de admissão ao pe/ío-
do letivo do verão de 1862. Matriculou-se nos estúdios de Émi-
le Signol e Marc-Charles-Gabriel Gleyre. Os professores da
École dês Beaux-Arts mal o notaram, mas Renoir conheceu Banhista, Musée du Louvre, Paris.
ali outros jovens artistas, como Claude Monet, Frédéric Ba-
zille e o inglês Alfred Sisley, com os quais faria íntima amizade.
Nessa época o mundo da arte vivia um tumulto. Em 1863
Manet tinha pintado Déjeuner sur 1'herbe ("almoço na rel-
va") e, em 1865, Olympia. Renoir e os amigos agruparam-
se em torno de Manet no movimento já conhecido então
como impressionismo. O nome, quase irônico, fora inventa-
do quando Monet apresentou Impressão: Sol Nascente, na
Exposição de Artistas Independentes, aberta em abril de
1874 no estúdio do fotógrafo Nadar.
Ciente de que suas concepções de arte eram muito di-
ferentes das dos professores, em 1863 Renoir deixou a Éco-
le de Beaux-Arts, seguido por amigos, e foi pintar ao ar li- dês Arts e o Instituto. Com tanta confiança nos impressio-
vre na floresta de Fontainebleau. Ali conheceu Gustave nistas, Durand-Ruel associaria sua carreira às deles, pois os
Courbet, que influiria em seu trabalho, e também Diaz de apoiou até alcançarem reconhecimento e fama. Nessa época
La Pena, que um dia lhe disse: "Pintor de respeito jamais Renoir estava terminando Mulheres Parisienses Vestidas
pega o pincel sem ter o modelo à sua frente". Segundo como Argelinas, composição de grandes proporções, que
Edouard, irmão de Renoir, "essas palavras ficariam para exibiu com sucesso no Salão de 1872 e que inclui, pela últi-
sempre em sua memória". ma vez, as feições encantadoras de Lise Tréhot. Em setem-
Mochila às costas, Renoir visitou com freqüência a flo- bro de 1873 o pintor alugou um sótão no n° 35 da Rue Saint-
resta de Fontainebleau, até a eclosão da guerra franco- Georges, em Montmartre, onde começou dois quadros hoje
prussiana. Hospedava-se com Pai Paillard, no Albergue do famosos: O Camarote, que mostra um casal em camarote
Cavalo Branco, em Chailly-en-Bière, ou com Mãe Anthony, de teatro, e A Bailarina. Exibiu-os de 15 de abril a 15 de
em Marlotte, ou desfrutava a hospitalidade generosa de seu maio de 1874 na primeira exposição coletiva dos impressio-
amigo e colega pintor, Jules Lê Coeur. nistas (que na época constituíam a Sociedade Anônima Coo-
Na casa de Lê Coeur, Renoir conheceu Lise Tréhot, ir- perativa de Artistas Pintores, Escultores e Gravadores) e fez
mã mais jovem de Clémence, a encantadora amante de Ju- uma exposição alternativa ao Salão oficial, na galeria pari-
les. Em pouco tempo Lise passou a ser seu modelo preferi- siense do fotógrafo Nadar. As mostras não alcançaram su-
do: nos anos seguintes, Renoir pintaria mais de vinte retra- cesso. "O público afluiu", conta Durand-Ruel em suas me-
tos dela. Entre estes, Diana e Mulher com Sombrinha, em mórias, "mas com evidente preconceito, e viu nesses gran-
1867; A Jovem Cigana, em 1868; e Odalisca, ou Mulher des artistas homens ignorantes e presunçosos tentando cha-
de Argel, em 1870, esta uma tela grande, digna de Dela- mar atenção para suas excentricidades. A opinião pública
croíx, com Lise em extravagante roupa oriental. No último voltou-se contra eles: hilaridade, desprezo e até indignação
retrato, de 1872, ela olha com ternura um periquito pousa- generalizaram-se em todos os círculos; os estúdios, salões
do em sua mão, à frente de uma gaiola aberta. e mesmo os teatros passaram a ser ridicularizados.'' Ainda
Em 24 de abril de 1872 Lise desposou o jovem arquiteto assim, Renoir conseguiu vender O Camarote a um mar-
Georges Brière de 1'Isle e, a partir de então, nunca mais chand, Pai Martin, por 425 francos.
reviu o pintor. Nos primeiros retratos dela, Renoir usava téc- Pintores independentes costumavam reunir-se no Café
nica tradicional, com esquema cromático um tanto escuro, La Nouvelle Athènes, na Place Pigalle. Ali Renoir encontra-
tintas mescladas com suavidade e esbatimentos que deixa- va seus amigos e também jovens pintores como Franc-Lamy,
vam transparecer o fundo aplicado à tela. Mas em Mulher Norbert Goetneutte e Frédéric Corday,- além de um funcio-
com Sombrinha e A Jovem Cigana ele recorreu a meios nário do Ministério das Finanças, Georges Rivière, seu fu-
mais modernos, que prenunciavam a técnica de Lê Moulin turo biógrafo. Na esperança de resolver dificuldades finan-
de Ia Galette: esboçou o motivo diretamente na tela nua, ceiras, Renoir, Monet, Sisley e Berthe Morisot decidiram or-
usou ocre e vermelhão. e substituiu com azuis os tons de ganizar a venda de pinturas impressionistas em 24 de mar-
terra dos retratos anteriores. Tornara-se adepto das cores ço de 1875, no Hotel Drouot. Completo fiasco. Albert Wolff
brilhantes, que achava mais apropriadas para exprimir os chamou-os, no Lê Figaro, de "macacos com pincéis nas
efeitos da luz ao ar livre. mãos". Vinte telas de Renoir renderam-lhe miseráveis 2.251
Durante esse período Sisley compartilhava com ele seu francos. Ainda assim, o evento trouxe certo benefício, pois
estúdio em Porte Maillot. Quando Sisley se casou, Renoir nele conheceu um funcionário da alfândega, Victor Choc-
mudou-se para a casa de Frédéric Bazille, primeiro na Rue quet, que viria a ser seu mais forte apoio na época. Renoir
Visconti e depois no n° 9 da Rue de Condamine, distrito pintou vários retratos da família de Chocquet e vendeu-lhe
de Batignolles. Foi ali que pintou um atraente retrato de seu vários outros quadros.
anfitrião. Bazille aparece sentado à frente de seu cavalete, Em abril de 1875 Renoir vendeu La Promenade (“o pas-
chinelos vermelhos, cotovelos nos joelhos, olhos fixos na seio”) por 1.200 francos. Animado, alugou na Rue Cortot,
natureza-morta que está pintando. n? 12, em Montmartre, dois cômodos de sótão e, no mesmo
Também na casa de Bazille, Renoir conheceu Edmond prédio, um velho estábulo que usava como estúdio. Atrás
Maitre, diletante de Bordéus que o apresentaria a artistas do estábulo havia um plácido jardim onde Renoir pintou re-
e escritores. Ele e Maitre foram muitas vezes juntos ao Café tratos da atriz Henriette Henriot, da jovem modelo Nini Lo-
Guerbois, na Grand-Rue dês Batignolles, para encontrar pez e de Claude Monet. Na primavera de 1876, esboçou vá-
Edouard Manet, velhos amigos da Beaux-Arts, ou o roman- rias telas grandes em dependências do Moulin de Ia Galet-
cista Émile Zola e seu amigo, Paul Cézanne. te: A Árvore, Nu ao Sol, O Balanço e o famoso Lê Moulin
Em 1870 Napoleão III declarou guerra à Prússia. A in- de Ia Galette ("o moinho da massa folhada").
vasão prussiana surpreendeu Renoir numa época de pro- No topo da Colina Montmartre, junto à Rue Lepic, entre
fundo envolvimento com o trabalho, mas ele se alistou com jardins e campos de como era então o bairro, havia um
presteza no 10° Regimento de Cavalaria. Depois de algum galpão quadrado entre dois velhos moinhos de vento, com
tempo aquartelado em Tarbes, foi transferido para Libour- plataforma para orquestra e, ao lado, amplo jardim sombrea-
ne, onde adoeceu. Deu baixa em 1871 e voltou a Paris. O do. Era o salão de dança do Moulin de Ia Galette, gerencia-
desastre dos franceses em Sedan, no dia 2 de setembro, le- do por certo M. Debray e seu filho. Ali vinham dançar mo-
vou à queda do Segundo Império e à proclamacão da Ter- radores de Montmartre, nas tardes de domingo e feriados.
ceira República. O sítio de Paris o privava de notícias dos Renoir planejou captar um desses eventos populares numa
amigos. Monet e Pissarro tinham ido para a Inglaterra. E grande composição. O resultado foi uma tela radiante, que
Bazille, que se alistara no 3° Regimento de Zuavos, morreu exprime a atmosfera de todo um período. Gustave Caille-
em novembro de 1871, mas Renoir só veio a saber disso botte, amigo de Renoir e também pintor, não hesitou em
tempos depois. Em janeiro de 1872, ainda isolado em Paris, comprá-la.
Renoir conheceu Paul Durand-Ruel, marchand de uma ga- Apresentada na terceira coletiva dos impressionistas,
leria da Rue Laffitte, que lhe comprou por 200 francos Pont Lê Moulin de Ia Galette recebeu elogio de Georges Rivière
na primeira edição de L'Impressionista (Paris, 1877): "É uma antes, tão cheios de cultura e sabedoria. Diferente de mim,
página da História, um momento precioso e estritamente ele não buscava o impossível, mas é muito lindo." Em de-
preciso da vida parisiense. Sua ousadia a destina ao suces- zembro, Pompéia intensificou sua excitação artística e o in-
so que merece". centivou a prosseguir na pesquisa: ''Sinto-me um escolar com
Nesse período Renoir dedicou-se à expressão poética de uma folha de papel em branco diante de si, na qual ele deve
efeitos de luz, tanto em seus nus quanto em figuras ao ar escrever com capricho. De repente, bum! Um borrão. Ainda
livre. Misturava cores na paleta e trabalhava com esbatimen- estou lutando com esses borrões e já tenho quarenta anos!''
tos, a técnica de O Camarote e A Bailarina. Mas, a partir Visitou Nápoles e depois, numa breve estada em Capri,
de 1876, passou a justapor na tela pequenos toques de pin- pintou A Banhista Loura, nu de mulher banhado pelo sol.
cel em diferentes cores. Por efeito de óptica, os pontos pa- Seguiu então para a Sicília. Seu amigo Lascoux, amante da
reciam fundir-se em áreas homogêneas, mas sem perderem música, encomendara um retrato de Richard Wagner, que
suas vibrantes qualidades. então estava dando últimos retoques à ópera Parsifal, em
Em setembro de 1876, depois de terminar Lê Moulin Palermo. Renoir retratou o grande compositor em 35 minu-
de Ia Galette, Renoir hospedou-se por três semanas na casa tos. Diante da tela ainda úmida, Wagner exclamou: "Ah!
de Alphonse Daudet, na orla da floresta de Champrosay, Ah! Pareço um pastor protestante!"
e ali pintou um retrato da jovem esposa do romancista. De Após uma estada em L Estaque, onde reencontrou Cé-
volta a Paris, apresentaram-no ao rico editor Georges Char- zanne, Renoir voltou a Paris; lá o esperava Aline, com quem
pentier, que comprara O Pescador na venda de 27 de março ele passou a morar a partir da primavera de 1882.
de 1875 e queria conhecer pessoalmente o autor. A viagem à Itália deixou marcas. Murais de Pompéia e
Tornou-se convidado habitual às recepções de Madame tesouros arqueológicos revelaram-lhe a arte dos antigos. Per-
Charpentier, nas quais encontrava políticos como Gambet- turbado por tais descobertas, Renoir passou a estudar dese-
ta e Jules Ferry, o escritor Émile Zola, Edmond de Goncourt nho ansiosamente e pesquisar a forma com obsessão.
e Théodore de Banville. O casal Charpentier encomendou Ninfas Banhando-se, um baixo-relevo em chumbo, de
a Renoir um retrato de seus filhos, Paul e Georgette, depois Girardon, que adorna a Allée dês Marmousets nos jardins
um de Madame Charpentier com seu filho, sua filha, e o de Versalhes, chamou sua atenção e deu-lhe motivo para
cão, Porto, no salão japonês da casa de cidade da família. uma grande composição, sobre a qual ele vinha pensando
Graças à influência do editor, o quadro foi exposto com grande desde seu retorno da Itália. O quadro representaria um jo-
sucesso no Salão. coso grupo de banhistas, algumas sentadas à margem do
Em fevereiro de 1880, na leiteria de Madame Camille, rio, outras de pé na água.
onde costumava fazer refeições, Renoir conheceu Aline Cha- Porém, com as economias em vias de esgotar-se, por en-
rigot, jovem chapeleira de vinte anos. Como o ateliê do pintor quanto ele teria de voltar à bem remunerada pintura de re-
ficasse perto do apartamento onde ela vivia com a mãe, tratos. Pintou os cinco filhos de Durand-Ruel e, para o mes-
Aline muitas vezes ia posar para ele. Na amizade amadu- mo marchand, outra versão de A Banhista Loura, que
receu o amor. Aos domingos, era comum irem os dois a Durand-Ruel logo vendeu a Paul Gallimard. Esboçou ainda
La Grenouillère ou a Chatou, perto da Ponte de Croissy, duas grandes composições de figuras sobre o tema da dan-
estalagem do Pai Fournaise, cuja filha, Alphonsine, posara ça, as quais marcaram o início do que ele chamou de sua
para um retrato pintado por Renoir no ano anterior. No mes- "maneira rude", o período Ingres. Seu modo de pintar de
mo cenário, onde já pintara Aline vestida de vermelho, Re- fato passava por mudança. Ele próprio escreveu a Âmbroise
noir planejava agora uma tela grande, que teria por motivo Vollard: ' 'Por volta de 1883, um tipo de descontinuidade ocor-
uma festa a bordo. Fez então o esboço de O Almoço dos reu em minha carreira. Eu chegara ao fim com o impressio-
Remadores, o fim de uma animada festa. No primeiro pla- nismo e vim a perceber que não sabia pintar nem desenhar.
no, à esquerda, está Aline, com chapéu florido, espichando Numa palavra, eu tinha chegado a um beco sem saída".
o pescoço na direção de seu pequinês; pouco atrás vemos Enquanto isso, aos poucos ia tomando forma a versão
Alphonsine, que se apoia na amurada e, ao fundo, Paul grande de As Banhistas. Renoir fez exaustivos estudos pre-
Lhote. Renoir terminou o quadro em seu estúdio, no inverno paratórios da obra em craiom e sangüínea, assim como vá-
de 1880-81. rios croquis a óleo. Em 1° de janeiro de 1886, Berthe Mori-
Em fevereiro de 1881, num momento de crise artística sot visitou o ateliê do pintor e anotou: "Seria interessante
e desejoso de "renovar a visão", Renoir decidiu abrupta- mostrar todos esses estudos ao público, que em geral supõe
mente viajar com Corday à Argélia; Lestringuez e Lhote que os impressionistas trabalham a toda velocidade. Não
seguiriam depois. Em 4 de março Renoir escreveu a Théo- creio que se possa trabalhar mais a forma de um desenho.
dore Duret: "Quero ver como é a terra do sol. Estou sem Essas mulheres nuas entrando no mar me deliciam tanto
sorte, pois quase não há sol agora. Mas assim mesmo o lu- quanto as de Ingres. Renoir me diz que o nu é, para ele,
gar é exótico, riqueza natural extraordinária". Passou um uma das mais indispensáveis formas de arte''. Renoir só com-
mês em Argel, que voltou a visitar no ano seguinte. Nessas pletaria essa tela em 1887.
estadas pintou Bananal e A Ravina da Mulher Selvagem, O ar livre já não o atraía, pois achava que o excesso
além de estudos dos tipos árabes na Casbá e alguns de luz comprometia a forma e o conjunto; o que ele buscava
esboços de paisagens. agora eram linhas, composição, volume e espaço, a estrutura
Entre uma viagem e outra à Argélia, decidiu conhecer das coisas. Ele e Monet queimaram algumas telas que
a Itália. Não gostou de Milão, mas entusiasmou-se com as ambos tinham produzido no período anterior e Renoir pas-
cores de Veneza, onde pintou uma vista da Praça de São sou a pintar apenas no ateliê. "Ao ar livre", escreveu ele
Marcos e gondoleiros do Grande Canal. Depois de ver Ma- a Âmbroise Vollard, "há mais variedade de luz do que na
donna della Sedia, de Rafael, no Palazzo Pitti, em Floren- iluminação do estúdio, que é sempre a mesma. Mas, justa-
ça, seguiu para Roma "para ver os rafaéis" do Vaticano, mente por essa razão, lá fora ficamos tão empolgados pela
razão principal da viagem. "São verdadeiramente excelen- luz que não damos atenção suficiente à composição. Ou se-
tes", escreveu ele a Durand-Ruel, "eu deveria tê-los visto ja, não chegamos a ver o que fazemos."
Em 1884, quando Aline esperava seu primeiro filho, o No apogeu da carreira, por volta de 1890, Renoir pas-
artista decidiu mudar-se para novo ateliê, na Rue Lavai n° sou a sofrer de reumatismo, doença cruel que não lhe daria
17 (hoje Rue Victor Massé), e para outro apartamento, este trégua. Na esperança de achar alívio para a dor, decidiu mu-
na Rue Houdon n° 18; nesse endereço nasceu-lhes o pri- dar-se para o sul da França. Em 1903, depois de algum tempo
meiro filho, Pierre. A partir daí, Renoir dedicou-se por in- passado em Magagnosc e Lê Cannet, alugou um espaçoso
teiro à vida familiar; seus modelos favoritos passariam a ser apartamento na Maison de Ia Poste, em Cagnes.
a mulher e os filhos. De suas janelas avistava a cidade e arredores banhados
Jean Renoir descreveu esse período, num livro que es- pelo sol de Provença, as cores quentes sobressaídas pela
creveu sobre seu pai: ' 'Mais importante do que teorias, pen- proximidade do mar. Apesar das maravilhas naturais que o
so, foi a transição de Renoir da vida de solteiro para a de um cercavam, os temas favoritos de Renoir continuavam a ser a
homem casado. Inquieto, incapaz de permanecer em um mes- esposa e os filhos: Pierre, Jean — o futuro cineasta, nascido
mo lugar, ele inesperadamente podia tomar um trem com em 15 de setembro de 1894 — e Claude, apelidado "Coco",
vaga esperança de aproveitar a luz branda de Guernesey ou que nasceu em 1° de agosto de 1901, quando o pai já
perder-se nos róseos reflexos de Blida. Uma vez fora da Rue tinha sessenta anos.
dês Gravilliers," esquecia a palavra 'lar'. Então, de repente, De 1907 a 1910 Renoir pintou vários retratos de Ga-
ele se viu num apartamento com esposa: refeições a horas brielle, jovem camponesa de Essoyes contratada para assistir
certas, cama feita, meias remendadas. E a essas bênçãos logo Aline após o nascimento de Jean. A partir de então, Ga-
se acrescentaria outra, a de um filho. A chegada de meu brielle passara a ser parte da família e também, por muitos
irmão Pierre operaria grande revolução na vida de Renoir. anos, modelo favorito do pintor. Gabrielle com os Seios Nus,
Todas as teorias ouvidas na Nouvelle Athènes foram suplan- de 1907, e Gabrielle com Jóias diante do Espelho, de 1910,
tadas por uma covinha na coxa de um recém-nascido". ilustram experimentos com figuras.
Entre 1885 e 1886 Renoir pintou diferentes versões da Renoir gostava de ir a um lugar chamado Lês Collettes,
maternidade, todas intensas e cheias de encanto, confirma- perto de Cagnes, numa caleche conduzida por Baptistin. Ha-
doras da nova orientação de sua arte. Mãe e filho são o mo- via ali grandes oliveiras e esplêndida vista do mar, até o
tivo de numerosos quadros, pastéis, desenhos a sangüínea, Cap d’Antibes, ou mais longe, até a serra de Estérel. Em
craiom e bico-de-pena. Renoir gostava tanto do tema que, 28 de junho de 1907, seis anos depois de ter mudado para
mesmo trinta anos mais tarde, em 1916, ele pediria ao es- o sul da França, Renoir comprou Lês Collettes, com seus
cultor Richard Guino uma peça na qual Aline aparece ama- dois hectares e meio de oliveiras, nespereiras, laranjeiras, e
mentando Pierre no jardim de Essoyes. pequeno vinhedo. Como a propriedade tivesse apenas uma
Em abril de 1888 Renoir pintou as três filhas do poeta casa, Renoir mandou construir uma grande morada de pe-
Catulle Mendes agrupadas em volta de um piano. Encomen- dra, com ateliê no pavimento superior. O olival logo se tor-
da mal paga, mas Renoir então já podia contar com as com- nou fonte infalível de renovada inspiração.
pras de outros marchands. Além de Durand-Ruel, na época Nesse tempo Renoir começou a estudar a Antigüidade.
empenhado em montar seu negócio nos Estados Unidos, "Que admiráveis criaturas eram aqueles gregos!", disse ele
havia Georges Petit, Boussod, Valladon e a influente firma ao poeta Gasquet. "Viviam tão felizes que imaginavam os
de Knoedler. deuses vindo à terra para achar seu paraíso e o verdadeiro
Durante o verão de 1888, o artista passou algum tempo à amor. Sim, a terra era o paraíso dos deuses, e isto é o que
margem do Sena em Argenteuil, em Bougival, ou em Petit- eu quero pintar." Em 1908 ele pintou sua primeira versão
Genevilliers, com seu amigo Caillebotte. Ali pintou nus, ba- de O Julgamento de Paris, seguido por dois grandes cro-
nhistas, Menina com as Espigas e três variações do tema quis a óleo de Lê Rhône et lê Saône.
de Menina Carregando uma Cesta de Flores. La Coiffure Em junho de 1914 o assassinato do arquiduque austríaco
("o penteado"), uma de suas composições "rudes", que Franz Ferdinand levou à eclosão da guerra mundial. A
mostra uma jovem arranjando o cabelo após o banho, tam- França convocou seus homens em agosto: Pierre alistou-se
bém pode datar desse mesmo período. no 4° Regimento de Infantaria e Jean foi ser sargento-
Em 1889, como parte das celebrações do centenário da artilheiro no 1° Regimento dos Dragões.
Revolução Francesa, abriu-se em Paris a Feira Mundial e Com os dois filhos na frente, Renoir só pensava neles.
Eiffel construiu no Champ-de-Mars a torre que leva seu no- Depois de semanas de ansiedade, esperando em vão por
me. Para Renoir, esse ano marca o início do período "iri- notícias, o pintor soube que ambos tinham sofrido ferimentos
descente". O pintor rompia com seu prévio período "ingres- graves. Pierre, que lutara em Lorena, fora mandado para o
co", preciso e linear. Embora retivesse incomparável senso Hospital de Carcassonne; Jean recuperava-se em Gé-
de volume e de formas plenas, recuperava agora a liberdade rardner. Mesmo aliviados com a notícia de que os rapazes
da juventude. estavam vivos, Renoir e Aline preocupavam-se com eles. Ali
Durante breve estada em Essoyes, terra natal da esposa, ne foi visitá-los, mas voltou exausta e perturbada pelos hor-
Renoir pintou diferentes versões de A Vendedora de Maçãs. rores da guerra. Ao chegar a Cagnes, adoeceu e nunca mais
Berthe Morisot e o marido, Eugène Manet, irmão de se recuperou. Internada num hospital de Nice, ela morreu
Édouard, hospedaram-no numa casa que tinham alugado em 28 de junho de 1915.
em Mézy, perto de Meulan. Usando modelos cedidos por Renoir viveria poucos anos mais. Em agosto de 1919,
Berthe, ele pintou Duas Meninas Colhendo Flores e No Pra- depois de uma estada em Essoyes, passou várias semanas
do, ou Colhendo Flores. Mas não foi além com esses temas; em Paris, onde viu seu Retrato de Madame Charpentier ex-
a partir de 1890 dedicou-se quase exclusivamente a nus e posto no Louvre: o quadro tinha sido comprado pelo Estado
retratos. Com brancos, rosas e meias-tintas, que dão certo e estava à mostra no Salão La Caze.
lustro perolado aos quadros, pintou em 1890 Meninas com Foi uma de suas últimas satisfações. Morreria poucos
Chapéu Charlotte e Duas Irmãs Lendo; a essas obras meses depois, em Cagnes, em 3 de dezembro de 1919, às
seguiram-se Banhista Sentada numa Pedra, de 1892, e, em 2 horas da manhã. Uma pequena natureza-morta com duas
1894, Moças â Beira-Mar e variações do tema Ao Piano. maçãs ficou inacabada no cavalete.
1. O Palhaço — 1868. Rijksmuseum Krõller-Müller,
Otterlo — O inundo do circo fascinou os artistas
plásticos franceses da segunda metade do século
XIX, que se opunham à representação dos temas
tradicionais da pintura acadêmica. Nesta tela de
1868 Renoir retrata a poderosa atração desse te-
mário sobre os jovens pintores impressionistas.

2. Mulher com Periquito — 1871. Solomon R. Gu-


genheim Foundation (Coleção Tannhauser), Nova
York — Este foi o último retrato de Lise Tréhot
pintado por Renoir, pouco antes do casamento
dela. Foi também um dos primeiros quadros que
ele produziu em seu retorno a Paris, depois da
guerra franco-prussiana.

3. La Grenouillère — 1869. Nationalmuseum, Es-


tocolmo — Luz radiante, silhuetas, objetos refle-
tidos na água, um momento de felicidade e cal-
ma; as pequenas pinceladas de tinta transmi-
tem excelente impressão dos efeitos da luz na
água límpida.

4. Madame Renoir com seu Cão — 1880. Coleção


particular, Paris — Mesmo quando Renoir adota o
estilo impressionista por completo, as cores e a de-
finição de seus retratos são nítidas, nunca difu-
sas como as das paisagens. A jovem retratada é
Aline Charigot, que pouco tempo depois se torna-
ria sua esposa.

5. Veleiros em Argenteuil — 1873-74. Portland Mu-


seum of Art, Oregon — Como La Grenouillère, tam-
bém este quadro foi pintado por Renoir na com-
panhia de Monet. Naqueles anos de entusiástica
inovação, os impressionistas muitas vezes se en-
contravam em Argenteuil, que os fascinava com
os barcos e a alegre atmosfera de gente em lazer.
6. O Camarote — 1874. Courtauld Institute Galle-
ries, Londres — Esta é uma das mais famosas te-
las de Renoir, que a apresentou na Primeira Ex-
posição Impressionista, aberta no estúdio do fo-
tógrafo Nadar em 1874. O tema, a busca da for-
ma e os luminosos contornos fazem do quadro um
excelente exemplo de pintura impressionista.

7. Mademoiselle Georgette Charpentier Sentada -


1876. Coleção particular, Nova York — Este qua-
dro data de 1876, ano em que Renoir se tornou
amigo íntimo do editor Georges Charpentier, de
quem era convidado habitual. O encanto e o fres-
cor de que o artista consegue dotar os retratos dos
filhos do editor atestam sua sensibilidade à ino-
cência infantil.

8. Lê Moulin de Ia Galette -- 1876. Musée d'0r-


say, Paris — Renoir amava a sinceridade e a ala-
cridade desse salão parisiense de dança ao ar
livre. Nesta tela radiante os pares rodopiam no
tablado iluminados pela luz iridescente de uma
tarde de verão. Atmosfera festiva, cheia de cor
e divertimento.

9. Retrato de Madame Alphonse Daudet — 1876.


Musée du Louvre, Paris — Nas recepções de Mada-
me Charpentier, talvez na época as mais impor-
tantes de Paris, Renoir conheceu muitas das prin-
cipais figuras da vida cultural da cidade. Muitas
vezes era contratado como retratista oficial delas
e sempre aceitava com disposição, pois esses con-
tatos lhe davam oportunidade de participar de in-
teressantes discussões.

10. O Balanço — 1876. Musée du Louvre, Paris -


Nesse ano Renoir tinha alugado na Rue Cortot, em
Montmartre, um ateliê com grande jardim ao fun-
do. Muitos amigos o visitavam ali. Este quadro,
pintado no mesmo período e com a mesma técni-
ca usada para Lê Moulin de Ia Galette, capta a at-
mosfera simples e amistosa dessas visitas.
11. AutoRetrato — 1876. Fogg Art Museum, Cam-
bridge (Mass.). Por cortesia da Harvard University,
Coleção Maurice Wertheim — A plasticidade sutil e
delicada com que Renoir retratava seus modelos
pode também ser vista neste auto-retrato, no qual
o rosto é representado com cuidado, enquanto o
fundo e a silhueta se mostram um tanto difusos.

12. Mulher Argelina — 1881. Solomon Guggenheim


Foundation (Coleção Tknnhauser), Nova York — Em
1881 Renoir viajou à Argélia com seu amigo e co-
lega Corday, para ver o país que tinha sido uma
fonte de inspiração para Delacroix. Na Argélia
pintou várias paisagens e retratos de mulheres ar-
gelinas, como a que é mostrada aqui.

13. Madame Georges Charpentier e suas Filhas -


1878. Metropolitan Museum of Art (Fundo Wolfe),
Nova York — Esta grande e famosa composição veio
marcar um ponto crucial da carreira de Renoir:
exposta no Salão em 1879, recebeu aclamação
unânime da crítica, tanto pelo frescor e encanto
das personagens quanto pela ambientação na
época.

14. Retrato de Madame Henriot — c. 1877. Natio-


nal Gallery of Art (Doação de Adèle R. Levy Fund
Inc.), Washington, D. C. — Nesta tela, a dama é
banhada por tíbia claridade, que rarefaz as cores
e confere ao quadro um efeito colorístico difuso.
Exemplo característico do que Renoir conseguia
das tintas.

15. O Almoço dos Remadores — 1880-81. Coleção


Phillips, Washington, D. C. — Esta grande com-
posição é um tributo de Renoir a seu próprio mun-
do. Num restaurante à margem do Sena, sol de
verão, o pintor representa os amigos em atitudes
cotidianas, com riqueza e detalhes próprios da Re-
nascença.
16. Festa de Barcos em Chatou — 1879. National
Gallery of Art, Washington, D. C. — Já com domí-
nio pleno da técnica impressionista, neste quadro
Renoir pintou um de seus passatempos favoritos
à margem do Sena. Pinceladas pequenas e rápi-
das exprimem o efeito dos reflexos aquáticos da
luz natural como na atmosfera criada pela pai-
sagem e pelas figuras.

17. Pequeno Nu Azul - 1879. The Albright-Knox


Art Gallery, Buffalo (N. Y. ) — Renoir julgava o nu
a mais indispensável forma de arte, pois "é im-
possível imaginar algo mais lindo". Este quadro
enfatiza a graça da silhueta, enquanto ao mesmo
tempo atenua os contornos e o fundo por meio de
cores mais quentes.

18. A Banhista Loura — 1881-82. Coleção particu-


lar, Turim — Durante sua estada na Itália, aonde
tinha ido "ver os rafaéis" e conhecer os murais
que subsistiam em Pompéia, Renoir viveu novas
experiências que contribuíram para a vigorosa es-
trutura plástica deste nu de banhista, pintado em
Nápoles.

19. Dançando no Campo — 1883. Musée d'0rsay,


Paris — No fim de 1882, o marchand Paul Durand-
Ruel encomendou a Renoir três quadros de igual
tamanho sobre o tema da dança. Renoir usou co-
mo modelos sua futura esposa, Aline Charigot, e
seu amigo e colega Paul Lothe.

20. Dançando na Cidade — 1883. Musée d'0rsay,


Paris — Neste segundo quadro, como no primeiro,
predomina afigura da mulher: a personalidade
dela é retratada com definição, enquanto o homem
fica anônimo. Renoir realça o delicado perfil da
jovem e a luminosidade de seu vestido.
21. Moça com Cesto de Peixes — c. 1889. National
Gallery of Art, Washington, D. C. — Os delicados
contornos da figura feminina banhada pelo sol
mesclam-se espontaneamente com o fundo. Da fu-
são das cores resulta o esplendor dourado e cáli-
do que a envolve.

22. Croquis para Banhistas — 1884-85. Coleção M.


Paul Pétridès, Paris — Este é um dos diferentes es-
tudos, dois dos quais em óleo, que Renoir produ-
ziu entre 1883 e 1886 como preparativos para
uma composição, de grandes proporções, que re-
presentaria um grupo de banhistas. O pintor vi-
nha concebendo a obra desde seu regresso da Itá-
lia, em 1882.

23. Banhistas — 1887. Coleção Mrs. C. S. Tyson,


Filadélfia — Esta é a obra acabada ao fim de três
anos de trabalho. Da busca exigente da forma re-
sultaram contornos lineares e precisos. O estilo traz
deliberado apelo decorativo à obra, sem compro-
meter o clima de alacridade do tema.

24. Maternidade, ou Mulher Amamentando seu Bebê


— 1886. Coleção particular, Nova York — Nesta
tela, que mostra a esposa de Renoir amamentan-
do seu primeiro filho, a reação do artista ao risco
de as formas se dissolverem, como no estilo im-
pressionista, gerou vivido contraste entre os con-
tornos definidos do retrato e o fundo tipicamente
impressionista.

25. Maternidade — 1885. Coleção particular, Lon-


dres — Neste desenho a sangüínea, retocado de
branco, transparece a reação de Renoir à crise ar-
tística que vivia: achando que as técnicas impres-
sionistas já não exprimiam adequadamente suas
idéias, aqui ele quase força as formas e a técnica
do desenho.
26. Menina com as Espigas — 1888. Museu de Ar-
te, São Paulo — Mesmo enquanto ele buscava su-
perar os limites do impressionismo, o amor por
temas do cotidiano permitiam a Renoir expressar-
se com sucesso nas cenas campestres. Nesta tela
as formas são realçadas por pequenos toques de
cores brilhantes.

27. As Filhas de Catulle Mendes -- 1888. Cole-


ção Mr. e Mrs. Walter H. Annenberg, Londres -
Esta grande composição é apontada como uma
das obras-primas de Renoir. Quando a pintou,
a crise dos anos precedentes já se resolvera e ele
tinha desenvolvido uma técnica que lhe permitia
ver com olhos de impressionista, mas sem ne-
gligenciar aspectos formais que são a essência
da composição.

28. Vaso de Crisântemos — Musée dês Beaux-Arts,


Rouen — Este quadro, da última década do sé-
culo XIX, antecipa o que seria o período vivido
por Renoir em Cagues; algumas flores num vaso
bastam para levar os olhos e o coração do artista
a uma expressão de harmonia, encanto e ori-
ginalidade.

29. A Vendedora de Maçãs - 1890. Cleveland


Museum of Art (Coleção Leonard C. Hanna Jr.),
Cleveland — Renoir produziu diferentes versões
desta obra. Em sutil atmosfera impressionista,
ele pintou aqui a jovem esposa com o filho mais
velho, Pierre, e o sobrinho, Edmond, todos sen-
tados na relva.

30. Mulher Tocando Guitarra — Musée dês Beaux-


Arts, Lyons — Este quadro, também do final do
século, mostra um resultado das pesquisas plás-
ticas e estruturais de Renoir: sua técnica, agora
'mais flexível e fluida, adquire mais densidade do
que durante o período impressionista.
31. Banhista Sentada numa Pedra — 1892. Cole-
ção particular, Paris — ftenoir produziu várias ver-
sões desta obra. O tema, um de seus favoritos, é
explorado aqui de modo a integrar a atmosfera
luminosa com a figura e os contornos um tanto
difusos do fundo.

32. Moças à Beira-Mar -- 1894. Coleção Barão


Louis de Chollet, Friburgo (Suíça) — Livre da se-
veridade dos retratos pintados em período de cri-
se, este quadro mescla harmoniosamente suas co-
res brilhantes com todos os elementos da compo-
sição, será comprometer a definição das formas.
Pinceladas sincopadas acentuam a plasticidade
do conjunto.

33. No Prado, ou Colhendo Flores - 1890. Metro-


politan Museum of Art, Nova York — Nesta telaRe-
noir apresenta um estilo original, mediante o qual
ele pode combinar conceitos impressionistas com
seu próprio estilo pessoal. A própria luz destaca
as figuras da paisagem circundante.

34. Ao Piano — 1892. Musée d'0rsay, Paris — Esta


é talvez a última das variações desse tema, todas
elas pintadas no curso do mesmo ano. A descri-
ção minuciosa do interior, assim como a dos ves-
tidos e rostos das moças, não chegam a distrair
o observador, pois a luz integra a composição.

35. Ao Piano — 1892. Coleção Madame Jean Wal-


ter. Paris — Na última década do século, Renoir
muitas vezes pintou séries inteiras de quadros que
representavam uma ou duas figuras. Essas varia-
ções de um tema correspondiam ã pesquisa do ar-
tista durante o período de produção de retratos e
nus. Apesar da deficiência de detalhe, esta tela
ilustra a técnica impressionista de Renoir.

36. Natureza-Morta com Xícara e Açucareiro -


1904. Coleção particular, Paris - Poucos artistas
amaram o cotidiano como Renoir. Seus muitos
quadros de objetos de uso diário testemunham esse
interesse e exprimem o calor íntimo do artista.

37. Flores num Vaso — 1901. Coleção particular,


Irlanda — Nos últimos anos de sua vida Renoir
pintou muitas composições florais. Eram
experimentos com cores e tonalidades.
Interessavam-no as rosas, particularmente, por
sua afinidade com os matizes que ele usava
para pintar o corpo humano.

38. Cros-de-Cagnes -- 1905. Coleção particular,


Lausanne — Durante o último período de sua pro-
dução artística, Renoir pintou paisagens em co-
res mais profundas, como o vermelho, os
azuis e verdes sobrepostos, em harmonia com
o resto da obra.

39. Casas em Cagnes — 1905. Coleção particular,


Paris — Ao longo de sua estada em Cagnes, onde
passou os últimos anos da vida, Renoir muitas
vezes pintou as casas e o verdor da paisagem
circundante. Neste estudo ele reproduz, em cores
brilhantes e quentes, os tons profundos típicos
do sul da França.

40. Claude Renoir com seus Brinquedos — 1906.


Coleção Madame Jean Walter, Paris — A vida em
família sempre foi inspiração para Renoir. Um
modelo favorito era o caçula, Claude, apelidado
Coco, que o artista pintou em todos os tipos de po-
se espontânea, criança empenhada em descobrir
os prazeres da vida.
41. Auto-Retrato com Chapéu Branco — 1910. Co-
leção Durand-Ruel, Paris — A serenidade expres-
sa neste auto-retrato demonstra a atitude
aberta e feliz de Renoir perante a vida. Foi sua
própria visão especial do mundo que lhe
permitiu transmitir a jubilosa harmonia da
natureza em todos os seus quadros.

42. Banhista Sentada — 1914. Art Institute, Chi-


cago — Este é um dos mais importantes quadros
do último período de Renoir. Caracterizada pela
grande escala, a composição é quase toda domi-
nada pela banhista. A pintura abrange infinita
variedade de matizes, provenientes dos mesmos
tons de carne.

43. Lavadeiras em Cagnes -- 1912. Coleção par-


ticular, Paris — O último período artístico da vi-
da de Renoir f oi o mais rico, e também o mais
imediato e maduro. Além de nus (os
protagonistas reais de sua arte), ele pintou telas
como esta, onde uma cena trivial é
representada com segurança de toque e uma
intensidade de cor nunca mais superada.

44. Madeleine Bruno, ou As Duas Banhistas -


1916. Coleção particular, Paris — No auge de sua
maturidade artística, Renoir recria com desen-
voltura as formas plenas e o gesto gracioso da
escultura clássica. A fusão perfeita da figura
com o fundo cria a síntese panteísta a que o
pintor, sempre aspirou.

45. Passeio à Beira-Mar — Civica Galleria d'Arte


Moderna (Coleção Grassi), Milão — A apaixona-
da relação de Renoir com as paisagens que o
inspiravam é resumida na poética interpretação
dada ao cenário por este quadro: a fusão das
figuras com a paisagem confere certa serenidade
clássica a toda a obra.
O Palhaço – 1868. Rijksmuseum Kröller-Müller, Otterlo Mulher com Periquito – 1871. Solomom R. Gugenheim
Foundation (Coleção Tannhauser), Nova York

La Grenouillère – 1869. Nationalmuseum, Estocolmo Madame Renoir com seu Cão – 1880. Coleção Particular,
Paris
Veleiros em Argenteuil – 1873-74. Portland Museum of
Art, Oregon

O Camarote – 1874. Courtald Institute Galleries, Londres

Le Moulin de la Galette – 1876. Coleção particular,


Nova York

Mademoiselle Georgette Charpentier Sentada – 1876.


Coleção particular, Nova York
Retrato de Madame Alphonse Daudet – 1876. Musée du
Louvre, Paris

O Balannço – 1876. Musée du Louvre, Paris

Auto Retrato – 1876. Fogg Art Museum, Cambridge Mulher Argelina – 1881. Solomon Guggeinheim
(Mass.). Cortesia da Harvard University, Coleção Foundation (Coleção Tannhauser), Nova York
Maurice Wertheim
Madame Georges Charpentier e suas Filhas – 1878. Metropolitan
Musem of Art (Fundo Wolfe), Nova York

Retrato de Madame Henriot – c. 1877. National Gallery or


Art (Doação de Adèle R. Levy Fund Inc.), Washington, D. C.
O Almoço dos Remadores – 1880-81. Coleção Philips, Washington, D. C.

Festa de Barcos em Chatou – 1879. National Gallery of Art, Washington, D. C.


Pequeno Nu Azul – 1879. The Albright-Knox Art
Gallery, Buffalo (N.Y.)

A Banhista Loura – 1881-82. Coleção particular, Turim

Dançando no Campo – 1883. Dançando na Cidade – 1883. Moça com Cesto de


Musée d’Orsay, Paris Musée d’Orsay, Paris Peixes – c. 1889.
National Fallery of Art,
Washington, D.C.
Croquis para Banhistas – 1884-85. Coleção M. Paul Pétridés, Paris

Banhistas – 1887. Coleção Mrs. C. S. Tyson, Filadélfia


Maternidade, ou Mulher Amamentando seu Bebê – Maternidade – 1885. Coleção particular, Londres
1886. Coleção particular, Nova York

Menina com as Espigas – 1888. Museu de Arte, São Paulo As Filhas de Catulle Mendes – 1888. Coleção Mr.
Mrs. Walter H. Annemberg, Londres
Vaso de Crisântemos – Musée des Beaux-Arts, Rouen A Vendedora de Maçãs – 1890. Cleveland Museum of Art
(Coleção Leonard C. Hanna Jr.), Cleveland

Mulher Tocando Guitarra – Musée des Beux-Arts, Lyons Banhista Sentada numa Pedra – 1892. Coleção
particular, Paris
Moças a Beira-Mar – 1894. Coleção Barão Louis de No Prado, ou Colhendo Flores – 1890. Metropolitan
Chollet, Frisburgo (Suíça) Museum of Art, Nova York

Ao Piano – 1892. Musée d’Orsay, Paris Ao Piano – 1892. Coleção Madame Jean Walter,
Paris
Natureza-Morta com Xícara e Açucareiro – 1904. Coleção particular, Paris

Cros-de-Cagnes – 1905. Coleção particular, Lausanne

Flores num Vaso – 1901. Coleção particular, Irlanda


Calude Renoir com seus Brinquedos – 1906. Coleção Madame
Jean Walter, Paris

Casas em Cagnes – 1905. Coleção particular, Paris

Lavadeiras em Cagnes – 1912. Coleção particular, Paris

Banhista Sentada – 1914. Art Institute, Chicago


Madeleine Bruno, ou As Duas Banhistas – 1916. Coleção particular, Paris
Auto-Retrato com Chapéu Branco – 1910. Coleção Durand-Ruel, Paris
Passeio á Beira-Mar – Cívica Galleria d’Arte Moderna (Coleção Grassi), Milão

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