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Instituto Universal Brasileiro

Administração
Luiz Fernando Diniz Naso (in memoriam)
José Carlos Diniz Naso

Gerente Geral
Modesto Pantaléa

Diretora Geral
Claudia de A. Maranhão Prescott Naso

Coordenação
Waldomiro Recchi

Editoração
Daniela Vigato Pierre

Revisão de Texto
Roseli Anastácio Silva

Autor
Maurício Malavazi

Impressão
IUBRA - Indústria Gráfica e Editora Ltda.
Rodovia Estadual Boituva - Iperó, km 1,1
Campos de Boituva - Boituva - SP
CEP 18550-000

Todos os direitos são reservados. Não é permitida a reprodução total ou parcial deste curso.
ECONOMIA E MERCADO

O objetivo das aulas de Economia e Mercado é dar os fundamentos desta matéria, com refle-
xões sobre suas bases teóricas e aplicações, partindo das experiências do cotidiano para
entender melhor as relações comercias e empresariais. Com a globalização do comércio e das finan-
ças, fazer a análise das relações de mercado e compreender sua complexidade são pontos de partida
para a tomada de decisões do profissional que pretende atuar em empresas públicas e privadas.

Aula 1
Será introdutória, apresentando as definições de Economia e seus objetivos, destacando tam-
bém os problemas econômicos fundamentais e desenvolvendo os conceitos de microeconomia e ma-
croeconomia.

Aula 2
Os pontos centrais de estudo serão a Empresa e Produção: custos, lucros, produtos e benefícios,
bem como a informatização das empresas, demanda e oferta de produtos etc.

Aula 3
Apresenta o tema do Trabalho e Salário, tratando sobre trabalho formal e informal, empregabi-
lidade, bem como salário e sindicato, assuntos que fazem parte do dia a dia do trabalhador.

Aula 4
Traz os conceitos relativos a Mercado e sua Estrutura, a aplicação prática da teoria econômica
no dia a dia. Apresenta ainda conteúdos como as variações de preços e o equilíbrio de mercado, além
do aprofundamento das inter-relações entre consumidores e produtores na negociação de produtos.
São abordados temas como: concorrência, monopólio, globalização etc.

SAIBA MAIS

No site Economista de Plantão (www.portaldaeconomia.com.br), podemos encontrar en-


trevistas, artigos, reportagens com foco na Economia, além de alguns temas especiais.

Economia e Mercado 3 Instituto Universal Brasileiro


GLOSSÁRIO

Competitividade. Característica de qualquer empresa em cumprir a sua missão com mais êxito
que outras empresas competidoras.
Concorrência. Disputa mercantil entre produtores ou comerciantes, competição simultânea entre empresas.
Consumo. Compra e venda de produtos; o que se gasta.
Demandar. Tentar obter através de pedido ou exigência; reivindicar, reclamar.
Escassez. Falta, carência, privação.
Escambo. Troca direta de mercadorias ou de serviços sem fazer uso de moeda.
Estabilidade. Estado de equilíbrio, garantia de permanência no emprego mediante concurso público.
Macroeconomia. Ramo da economia que estuda os fenômenos econômicos em escala global,
analisando fatores que determinam a formação da renda e os caminhos das políticas econômicas.
Microeconomia. Estudo do comportamento de agentes econômicos na esfera individual, inves-
tigando a dinâmica da concorrência e dos direitos do consumidor no mercado financeiro.
Precursor. No contexto da Economia, pode ser entendido como aquele que precede, antecipa
ou anuncia uma inovação ou mudança.
Refugo. O que foi posto de lado, resto.
Receitas. Valores obtidos com a venda dos produtos que foram fabricados.
Sistematização. Organização em sistemas, definindo a ordenação ou o agrupamento de ativida-
des e recursos, que visa ao alcance de objetivos e resultados estabelecidos.
Variável. O que pode variar, apresentar um novo aspecto, alternar, mudar.

Conceitos Importantes

Equilíbrio de Mercado. É um princípio básico da Economia, cuja função é regular os preços. Se a procu-
ra por um produto é maior que sua oferta, a tendência natural é que seu valor suba. Caso contrário, se a oferta
de um produto é maior que sua procura, a tendência natural é que seu valor abaixe. Na prática, os chamados
“agentes econômicos” - governo, indústrias, cooperativas, comércio - interferem na lei da oferta e da procura,
com a intenção de elevar ou diminuir o valor de determinados produtos. Entretanto, em um mercado compe-
titivo, a oferta e a procura de um produto tendem a se equilibrar, resultando no chamado “preço de equilíbrio”.
Liberalismo econômico. Doutrina política e econômica a favor da livre iniciativa e contra a inter-
venção do Estado na economia. Segundo esta doutrina, a vida econômica seria regida por uma ordem
natural, formada a partir das livres decisões individuais, controlada pelo mecanismo de preços.
Microempreendedor Individual (MEI). É a pessoa que trabalha por conta própria e que se le-
galiza como pequeno empresário. O MEI pode ter um empregado contratado que receba o salário
mínimo ou o piso da categoria.
Neoliberalismo. Doutrina político-econômica que representa uma tentativa de adaptar os prin-
cípios do liberalismo econômico às condições do capitalismo moderno. Defende a disciplina na econo-
mia de mercado para garantir sua sobrevivência, pois, ao contrário dos antigos liberais, não acreditam
na autodisciplina do sistema. Atualmente, o termo vem sendo aplicado à defesa da livre atuação do
mercado com o término da intervenção do Estado, e à privatização das empresas, abertura da econo-
mia e sua integração no mercado mundial.
Organização Internacional do Trabalho (OIT). Agência especializada da ONU (Organização
das Nações Unidas) nas questões do trabalho, principalmente no cuidado com a publicação de normas
internacionais do trabalho e do trabalho correto.
Sebrae. O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) é um serviço social
autônomo que auxilia o desenvolvimento de micro e pequenas empresas, estimulando o empreende-
dorismo no país.
Economia e Mercado 4 Instituto Universal Brasileiro
Aula 1 nômico de mercado. São eles que determinam
ECONOMIA o quanto as empresas deverão produzir e quais
serão os níveis de procura pelos consumidores.
Oferta: “A oferta de determinado produ-
Introdução to é definida pelas várias quantidades que os
produtores estão dispostos e aptos a oferecer
ao Mercado, em função de vários níveis possí-
veis de preços, em dado período de tempo.”
A “Curva” de oferta é representada desta
forma:

Curva de Ofertas
600

500

400

Preço
300

200
Curva d
Nesta primeira aula, vamos estudar e anali- e O fert
a
sar as abordagens de vários autores sobre econo- 100

mia, com a tentativa de demonstrar alguns objeti- 0


0 100 200 300 400 500 600
vos e problemas econômicos fundamentais, além
Quantidade Ofertada
de conhecer o desenvolvimento desta ciência
por meio de um breve histórico. Será abordado
ainda o estudo de conceitos importantes como Demanda ou Procura: “A procura de de-
os de macroeconomia e microeconomia e suas terminado produto é determinada pelas várias
implicações no sistema econômico e financeiro, quantidades que os consumidores estão dispos-
e o impacto disso em nosso cotidiano. tos e aptos a adquirir, em função de vários níveis
possíveis de preços, em dado período de tempo.”
Economia (ROSSETTI, 2002, p. 410)
A “Curva” de Procura é representada desta
Economia é a ciência que estuda a produ- forma:
ção, distribuição e consumo de bens materiais e
de serviços necessários ao bem-estar, o aprovei-
Curva de Demanda
tamento racional e consciente de recursos e o
controle ou moderação nas despesas.
A Economia como ciência surgiu quando o R$20,00
economista britânico Adam Smith publicou A ri-
Valores

R$18,00
queza das nações, o qual explica sobre o esforço
natural de todo ser humano para melhorar sua R$16,00
própria condição, com liberdade e segurança, R$14,00
que leva a sociedade à riqueza e à prosperidade.
R$12,00
A partir dessa teoria, vários estudiosos formula-
ram novas teorias para explicar a Economia. R$10,00
1 2 3 4 5 6
Quantidades Ofertadas
Conceitos Básicos de Economia

A oferta, a procura e os preços dos produ- Equilíbrio de mercado: Esta condição


tos são elementos primordiais no conceito eco- ocorre quando as quantidades de bens ou ser-
Economia e Mercado - Aula 1 5 Instituto Universal Brasileiro
viços que os consumidores pretendem com-
prar é igual à quantidade que as empresas
desejam ofertar. No equilíbrio de mercado,
há coincidência de desejos, sendo assim, não
há excesso de ofertas e nem excessos de pro-
curas. Este equilíbrio regular em um mercado
chama-se “concorrência perfeita”. Este fenô-
meno acontece quando o preço corrente de
mercado tende a ser mantido, pois as condi-
ções de demanda e oferta permanecem inal-
teradas.

Escassez de recursos

Para entender o estudo da Economia,


torna-se necessário fazer o resgate de um dos
principais problemas sociais que a ciência
procura minimizar: a escassez dos recursos,
que é um dos principais problemas que a so-
ciedade moderna enfrenta.
O homem sempre contou com os cha- Assim, os seres humanos dependem des-
mados “recursos naturais” que a Terra oferece, ses recursos para a sobrevivência e, se utiliza-
como o alimento, a água e o abrigo, essenciais dos de maneira consciente, esse processo de
para a sobrevivência. Esses recursos podem renovação será prolongado com segurança,
ser renováveis e não-renováveis. Entende-se mas, para isso, é fundamental lembrar a essên-
por “recursos renováveis”, todos aqueles re- cia do conceito de sustentabilidade.
cursos que possuem a capacidade de se reno-
var ou se regenerar após serem utilizados pelo
homem como por exemplo as florestas, o solo,
a energia solar, a água etc. Estes recursos tem SAIBA MAIS
a capacidade de se regenerar, desde que usa-
dos com equilíbrio. O que é sustentabilidade? É a capa-
Já os recursos não-renováveis são to- cidade de o homem interagir com o mun-
dos os outros que não podem se renovar ou do para a preservação do meio ambiente,
se regenerar na mesma velocidade em que não comprometendo os recursos naturais
são consumidos, como por exemplo, o pe- das gerações futuras. É pensar no outro, na
tróleo, o carvão, e o gás natural, os minerais futura geração e no bom uso dos recursos.
como os diamantes, ouro e prata e os metais Atualmente, a sustentabilidade tem como
como o ferro, cobre e alumínio. Isso signifi- fundamento, além da questão ambiental,
ca que quando usamos ou extraímos esses aspectos econômicos e sociais.
recursos, as suas reservas vão diminuindo e
de acordo com o consumo desses recursos
podem ocorrer sua falta e até sua extinção, Recursos renováveis e não renováveis:
prejudicando as futuras gerações e o pró- Protegê-los é dever de todos!
prio planeta Terra.
Os fatores da escassez de recursos estão Não tão somente os governantes e diri-
ligados, principalmente, à questão dos recur- gentes dos países devem criar estratégias para
sos naturais: água, alimentos, solo fértil e ár- o bom uso dos recursos renováveis e não re-
vores, cujos recursos são renováveis, porém nováveis. Este é um papel que deve ser assu-
limitados. mido também individualmente e com respon-
Economia e Mercado - Aula 1 6 Instituto Universal Brasileiro
sabilidade, porém não é uma tarefa simples. equilibrar essas duas variáveis. Como distri-
Convém, dizer que os estudos da “Economia” buir os recursos, que são limitados por um nú-
buscam compreender e auxiliar os fenômenos mero determinado, para uma vontade que é
relativos à produção, distribuição e consumo. ilimitada, que não tem fim e não para de que-
rer sempre mais?

PARA REFLETIR
OBSERVE ESTE CASO
Assista ao filme de animação Wall-E, ou
assista o documentário “A História das Coi-
sas”, disponível no Youtube através do link:
https://www.youtube.com/watch?v=Q3Y-
qeDSfdfk
Se preferir, você também pode ler o li-
vro baseado nesse mesmo documentário.

Nos países pobres, a população pre-


cisa suprir suas necessidades básicas, tais
como: alimentação, vestuário, educação,
saúde etc. Já nos países ricos, onde em
geral, a situação financeira da população
é melhor, essas necessidades básicas, na
maioria dos casos, já foram supridas. Dificil-
mente as pessoas destes países sofrem por
não terem condições para eliminarem suas
necessidades básicas. Mesmo assim, as
pessoas dos países mais ricos não deixam
Devemos refletir sobre a relação que de sentir a necessidade de sempre melho-
existe entre os recursos naturais e sua explo- rarem seu padrão de vida. Essas necessida-
ração, e que a escassez de recursos é um dos des são supridas através de uma alimen-
maiores problemas da sociedade moderna. tação mais variada, aparelhos eletrônicos
Para isso, e faça uma reflexão sobre o consu- sofisticados, automóveis, viagens etc.
mo de bens que realizamos atualmente e os
impactos enfrentados pela sociedade a mé-
dio e longo prazo, se não forem utilizados
Portanto, independentemente da socieda-
com devido planejamento e consciência.
de, meio social, idade ou situação financeira em
Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre. que se encontre qualquer indivíduo, sua vontade
de consumo será insaciável, restando à Economia
colocar em harmonia o seguinte dilema:
Vontade humana ilimitada
Vontade
Recursos
A Economia é justamente a mediadora Humana X Limitados
entre os recursos escassos e a vontade hu- Ilimitada
mana ilimitada, cuja ciência econômica tenta
Economia e Mercado - Aula 1 7 Instituto Universal Brasileiro
Necessidades humanas e
bens de consumo • Não duradouros. Acabam em um in-
tervalo de tempo menor. Exemplos: biscoito,
As necessidades humanas podem ser chocolate etc.
classificadas em vitais ou primárias e secundá- • Intermediários. São os bens de consu-
rias. Já os bens de consumo podem ser livres e mo que certamente irão sofrer modificações,
de consumo (duradouros, não duradouros, in- até se transformarem em recursos para serem
termediários e finais). consumidos. Exemplos: farinha de trigo (que
irá se transformar em um bolo).
• Finais. São recursos prontos para se-
rem consumidos e satisfazerem as necessida-
des dos indivíduos. Exemplo: bolo.

PARA REFLETIR

Portanto, Economia, neste sentido,


pode ser compreendida como a ciência que
trata dos fenômenos relativos à produção,
distribuição e consumo dos bens.
Classificação das necessidades humanas

Vitais ou primárias. São aquelas que Também podemos afirmar que faz parte do
se referem justamente à conservação da objeto de estudos da Economia questões referentes
própria vida. Exemplos: água, comida, ves- à inflação, desemprego, salário, produtividade, como
timentas básicas etc. fazer com que o agricultor ganhe mais vendendo
seus produtos ao consumidor, que deve comprá-los
Secundárias. São as que se referem a um bom preço entre outras questões.
ao aumento do bem-estar do indivíduo, Desta forma, não devemos tomar essas defi-
dando-lhe mais conforto e segurança em nições, até aqui expostas, como sendo as únicas, ou
sua vida. Exemplos: viagens, roupas de mesmo, as que contemplem com maior exatidão
marca, almoço ou jantar em bons restau- o que vem a ser a Economia. Só podemos ter uma
rantes etc. visão mais ampla e uma definição um pouco mais
concreta do que vem a ser a Economia após termos
Classificação dos bens de consumo compreendido todas as análises feitas.

Livres. Por serem encontrados em História da Economia


abundância na natureza e pelo fato de não
poderem ser apropriados pelos homens,
estes recursos não são controlados pela
Economia. Exemplos: ar, água etc.

De Consumo. Atendem à satisfação


direta de necessidades. Podem ser subdivi-
didos em:
• Duradouros. Destinam-se a um
uso por um espaço de tempo prolongado.
Exemplos: televisão, carro etc.

Economia e Mercado - Aula 1 8 Instituto Universal Brasileiro


A Economia foi uma prática exercida pe- O dinheiro foi criado para facilitar e subs-
las pessoas desde o princípio das civilizações, tituir as trocas diretas dos produtos, justamen-
mesmo que de forma não sistematizada. Ini- te pela preocupação da escassez dos recursos,
cialmente, as mercadorias é que tinham valor, e ainda, para padronizar o comércio por uma
pois o dinheiro não existia. As pessoas troca- unidade de troca.
vam as mercadorias que tinham por outras
que lhes interessavam.
Desde as primeiras civilizações, as pes-
soas sofriam com a escassez dos recursos.
Tribos nômades se instalavam em uma deter-
minada região até o momento em que ali con-
seguiam alimento. Quando as terras se tor-
navam estéreis, partiam em busca de lugares
mais férteis.
O primeiro conceito de comércio surgiu
na Antiguidade, quando o ser humano parou
de ser nômade e se fixou em lugares determi-
nados. Observando os ciclos da natureza, pas-
sou a plantar e a colher e produzir alimentos
para a sua sobrevivência, assim que surgiu a
agricultura e o crescimento das aldeias e de- Muitos séculos se passaram para que a
pois cidades. O que sobrava da produção era Economia deixasse de ser apenas uma prática
trocado por outros produtos, também neces- inconsciente e tornar-se uma ciência sistema-
sários às pessoas. Essa troca direta de merca- tizada do modo como temos nos dias de hoje.
dorias era chamada de escambo.
Teóricos da Economia

OBSERVE ESTE CASO Adam Smith

As trocas realizadas pelas pessoas ti- Adam Smith (1723-1790),


nham como fundamento questões econô- economista britânico, é
micas básicas. Como exemplo, podemos considerado o precursor
utilizar o caso de um artesão que fabricava da teoria econômica mo-
sapatos e trocava-os por objetos de seu in- derna. Sua obra A rique-
teresse. Em uma dessas trocas com um pes- za da nações (1776) é a
cador, aceitou um grande peixe por uma base do pensamento econômico, muito
sandália. Segundo a avaliação de ambos importante desde a época em que foi pu-
dos que estavam envolvidos na negocia- blicado, pois é o primeiro trabalho a tratar
ção, a troca era justa e vantajosa, tanto para das questões econômicas, como aspectos
o artesão, que dispunha da técnica de fazer monetários, distribuição do rendimento
calçados, quanto para o pescador, que era da terra e preços de produtos. Nessa obra,
especialista na arte de retirar do rio grandes o autor elabora um modelo abstrato com-
peixes. Esses tipos de transações poderiam pleto e relativamente coerente sobre a na-
ser tomados como o início da preocupa- tureza, o funcionamento e a estrutura do
ção econômica, em que cada um dispunha sistema capitalista. Também são desenvol-
aquilo que melhor sabia fazer, para utilizar vidos modelos e conceitos que influencia-
como objeto de troca e adquirir outras coi- riam o pensamento econômico nos próxi-
sas de que necessitasse. mos séculos.

Economia e Mercado - Aula 1 9 Instituto Universal Brasileiro


Um dos conceitos mais importantes de-
senvolvidos por Adam Smith é o da mão invi- Thomas Malthus
sível, em que todas as pessoas ou agentes de
uma sociedade, em busca de lucro máximo, O economista britânico
acabam promovendo o bem-estar de toda a Thomas Robert Malthus
sociedade, ou seja, seria como se uma mão in- (1766-1834), em sua obra
visível orientasse as decisões econômicas. Princípios de economia
Segundo Adam Smith: “Ao buscar a satis- política (1820), afirma
fação do seu interesse particular, o indivíduo que é o consumidor, com
atende frequentemente ao interesse da socie- sua vontade efetiva de comprar, quem faz
dade de modo muito mais eficaz que se pre- com que a produção aumente. Malthus ti-
tendesse realmente defendê-lo. Uma das for- nha uma visão bastante pessimista do de-
mas de perceber o conceito da mão invisível na senvolvimento da humanidade no planeta,
prática poderia ser quando se avalia a concor- afirmando que este era um problema eco-
rência entre determinados segmentos, e a sua nômico difícil de ser resolvido. O ponto es-
relação de preço. sencial de sua teoria é de que há uma falta
Adam Smith afirmava, ainda, que a ori- de concordância entre a reprodução da es-
gem da riqueza se dá justamente no trabalho pécie humana e as condições de criar meios
das pessoas, e não como afirmavam estudio- para que essas pessoas possam sobreviver
sos anteriores ao seu pensamento, que diziam com prosperidade.
que a origem da riqueza está no ouro ou na
terra. Crescimento populacional x
Meios de subsistência

OBSERVE ESTE CASO Segundo Malthus, a população mundial


cresce da seguinte forma:
Quando o proprietário de um posto
de combustível resolve baixar seus preços
a fim de aumentar suas vendas e eliminar
a concorrência, ele atende ao interesse da
sociedade que, a partir de um interesse
particular, poderá pagar menos pelo com-
bustível, forçando a concorrência a abaixar
o preço, se houver interesse em se manter Mas as formas de subsistência dos seres
no mercado. Esse pensamento é a base do humanos em nosso planeta crescem na se-
liberalismo econômico, uma vez que o in- guinte proporção:
teresse individual contribui para a satisfa-
ção do interesse geral.

Para Malthus, a produção de alimentos


crescia de forma aritmética, enquanto o cres-
cimento populacional crescia de forma alar-
mante, não aritmética, mas exponencial. Por-
tanto, o grande problema a ser resolvido seria
o de se colocar em harmonia a taxa de cresci-
mento populacional com seus meios de sub-
sistência. Segundo o autor, se essas variáveis
Economia e Mercado - Aula 1 10 Instituto Universal Brasileiro
não forem colocadas em harmonia, nosso pla- O britânico afirma que os requisitos da pro-
neta caminhará para uma grande catástrofe. dução eram dois: trabalho e objetos naturais
apropriados (o capital, a terra e meios de pro-
dução). Mill ainda afirma que “o trabalho no
David Ricardo
mundo físico é, portanto, sempre e somente
empregado para colocar os objetos em movi-
O economista britânico Da-
mento; as propriedades da matéria, as leis da
vid Ricardo (1772-1823) foi
natureza, fazem o restante”.
um dos fundadores da escola
Essa visão do trabalho como deslocador
clássica inglesa da economia
de objetos físicos é importante, pois estes não
política, juntamente com
são variáveis por si só. O que estabelece a va-
Adam Smith e Thomas Mal-
riabilidade é o trabalho humano. Então, o fator
thus. Os principais temas em suas obras incluem
trabalho receberia o equivalente à sua contri-
a teoria do valor-trabalho, a teoria da distribuição
buição, o salário; e o fator capital, ao seu lucro.
(relações entre o lucro e os salários), o comércio
Mill afirma ainda que a distribuição de
internacional, além de temas monetários.
renda é uma questão das instituições huma-
nas somente. Ele afirma que:
A principal questão levantada por Ricar-
do é sobre a distribuição do produto gerado A distribuição da riqueza, portanto,
pelo trabalho na sociedade. Segundo o eco- depende das leis e costumes da sociedade.
nomista, no processo produtivo, a aplicação As regras pelas quais ela é determinada são
conjunta de trabalho, maquinaria e capital feitas pelas opiniões e sentimentos que as
gera um produto que se divide entre as três partes dirigentes estabelecem e são muito
classes da sociedade: os proprietários de terra, diferentes em épocas e países diversos; e
os trabalhadores assalariados e os arrendatá- poderia ser ainda mais diferente se a Hu-
rios capitalistas. manidade assim escolhesse.

John Stuart Mill


A obra ainda trata da troca, e a lógica
pela qual o autor percebe o mundo econômi-
O economista britânico John
co é a seguinte: a riqueza é produzida segun-
Stuart Mill (1806-1873) é consi-
do leis convencionais e consistentes com as
derado um historiador do pen-
leis da distribuição.
samento econômico, pois sua
A troca acontece no mercado. Os bens
obra condensa o pensamento
são trocados por valores equivalentes, daí a
de seus antecessores que fize-
questão de o valor ser básica para compreen-
ram parte da escola clássica. Mas sua contribuição
são do processo de troca.
não se resume apenas em sintetizar a história do
Mill ainda fala em sua obra sobre a in-
pensamento econômico. O avanço dado por Mill
fluência do progresso da sociedade sobre a
ao pensamento econômico se deu justamente ao
produção e a distribuição, afirmando que a
incorporar novos elementos ao pensamento da
impossibilidade de se evitar, em última ins-
escola clássica da economia. Mill escreveu várias
tância, o que ele denominou de estado es-
obras, as quais se destaca Princípios de economia
tacionário, não deveria ser vista com pes-
política (1843), da qual falaremos a seguir.
simismo. O estado estacionário seria, por
definição, o da Economia que se reproduz
Princípios da economia política sem ampliação. Para o britânico, isso pode-
ria ser bom, pois seria consistente como “o
Em Princípios da economia política, Mill melhor estado para a natureza, (...) no qual
explora a natureza da produção, começando embora ninguém seja pobre, ninguém deseja
com o trabalho e sua relação com a natureza. ficar mais rico, nem tem razões em temer ser
Economia e Mercado - Aula 1 11 Instituto Universal Brasileiro
passado para trás, em virtude do esforço de que o valor de uma mercadoria deveria ser
outros para ir em frente”. determinado pelo tempo de trabalho para sua
A parte final da obra trata da influência produção.
do governo. Nela, podemos dizer que a in- • Social. O valor de uma mercadoria
terferência do governo tem aspectos bons e deve pertencer a quem fornece o trabalho, ou
ruins, e que ela deve ocorrer de maneira a ma- seja, ao operário.
ximizar os aspectos bons e a minimizar os as-
pectos ruins. Um critério fundamental de bom
Como o valor de uma mercadoria
e ruim é o efeito sobre a “liberdade do indiví-
deve ser maior ou menor, deve-se levar em
duo”: se ela é restringida, é ruim; se ampliada,
conta o número de horas necessárias para
é bom.
sua produção.

Muitos outros autores tiveram gran-


Segundo Marx, o trabalho é a única fon-
de importância no desenvolvimento da
te de valor, porém, os trabalhadores recebem
economia até chegarmos aos moldes que
apenas uma parcela dos frutos de seus esfor-
temos hoje em dia, dentre eles, podemos
ços. Ele distinguia o trabalho simples do tra-
destacar o pensamento do filósofo alemão
balho qualificado: uma hora de trabalho qua-
Karl Marx, o qual estudaremos a seguir.
lificado poderia valer por duas, três, quatro ou
mesmo cinco horas de trabalho simples.
Os estudos de Karl Marx são bem com-
Karl Marx plexos e com muitos desdobramentos, dos
quais se exige uma leitura atenta e crítica.
O alemão Karl Heinrich
Marx (1818-1883) foi um
Pesquise mais sobre os principais au-
grande pensador que fez
tores que defenderam as teorias econômi-
uma verdadeira revolu-
cas: Adam Smith, Thomas Robert Malthus,
ção através de seus es-
David Ricardo, John Stuart Mill e Karl Marx.
critos. Em sua obra mais
conhecida, O capital (1867), ele desen-
volveu grande parte de seus conceitos
que seriam discutidos em Economia. Seu Macroeconomia e Microeconomia
pensamento pode ser dividido em: filo-
sófico, que se refere às questões sobre
o materialismo histórico e a luta de clas-
ses; e econômico, referente à exploração
e à evolução, porém alguns aspectos não
permitem que se faça essa distinção.

Questões econômicas de Marx

• Exploração: cuja causa é estática e


aplicativa.
• Evolução: cuja consequência é dinâmi-
ca e descritiva.
A exploração de Marx é apresentada sob Macroeconomia
dois aspectos, que são complementares:
• Econômico. Adotando a teoria do va- Estuda o funcionamento da economia
lor, desenvolvida pelos clássicos, Marx afirma de um país de uma maneira mais abrangente.
Economia e Mercado - Aula 1 12 Instituto Universal Brasileiro
Esse estudo abrange o nível geral de preços,
emprego e desemprego, renda, produto na- Quais as diferenças entre Micro
cional, investimento, taxa de câmbio, balanço e Macroeconomia?
de pagamento, inflação, poupança e consu- Microeconomia Macroeconomia
mo, estoque de moeda, políticas fiscais, mo- O ramo da O ramo da
netárias, cambiais entre outros. economia que economia que
estuda o com- estuda o com-
Significado portamento de portamento de
um consumidor toda a econo-
individual, em- mia, nacional e
presa ou família. internacional.

Variáveis eco- Variáveis econô-


Lida com nômicas indivi- micas agrega-
duais. das.

Aplicada em Aplicada em
questões ope- questões
Aplicação
racionais ou ambientais e
internas. externas.
Microeconomia
Abrange Abrange
Trata do comportamento das empre- questões como questões como
sas, famílias, indivíduos, além de lidar com a produto indivi- renda nacional,
oferta de um determinado bem ou serviço em dual, demanda, nível geral de
Escopo
relação às preferências dos consumidores (de- oferta, preços preços, distri-
manda). Estuda os monopólios, oligopólios e de produtos, buição, produ-
concorrência perfeita. Também é denominada preços de fato- ção nacional,
res, salários, etc. etc.
como Teoria dos Preços.
Assim, de maneira preliminar, a partir da A microecono-
análise das teorias econômicas e do entendi- mia que deter-
mento dos principais objetivos da Economia, mina o preço de
criam-se políticas que atendam ao individual uma determina- A macroecono-
e ao coletivo para que as perdas se minimizem da mercadoria, mia é útil para
Preços
nas ações de curto, médio e longo prazo e os juntamente manter o nível
ganhos aumente. com os preços geral de preços.
dos bens com-
plementares e
substitutos.

Analise de Feita de baixo De cima para


economia para cima. baixo.

"Como o preço
"Como o PIB
Exemplo de uma deter-
poderia ser
de minada mer-
afetado pela
questões cadoria afetará
taxa de desem-
abordadas sua quantidade
prego?"
demandada?

Disponível em: https://www.diferenca.com/microecono-


mia-e-macroeconomia/. Adaptado.

Economia e Mercado - Aula 1 13 Instituto Universal Brasileiro


VEJA SE APRENDEU

1. Economia é a ciência que estuda a produção, distribuição e consumo de bens materiais e de


serviços, além do aproveitamento racional e consciente de recursos e controle nas despesas. Como
ciência, surgiu há muito tempo, com a publicação de:

a) ( ) O capital (1867), de Karl Marx.


b) ( ) Princípios de economia política (1843), de John Stuart Mill.
c) ( ) A riqueza das nações (1776), de Adam Smith.
d) ( ) Princípios de economia política (1820), de Thomas Malthus.

2. Segundo o teórico Thomas Maltus, existem vários problemas econômicos a serem resolvidos,
o mais importante deles é:

a) ( ) colocar em harmonia a taxa de crescimento populacional com os meios de subsistência.


b) ( ) estruturar a produção para que atenda toda a demanda dos consumidores.
c) ( ) eliminar os fatores que incidem na diminuição dos meios de sobrevivência.
d) ( ) organizar as cadeias produtivas para que produzam cada vez mais e melhor.

3. Segundo a obra Princípios de economia política de John Stuart Mill, a distribuição de renda
depende:

a) ( ) da família.
b) ( ) das leis e costumes da sociedade.
c) ( ) dos burgueses.
d) ( ) da Igreja.

4. Karl Marx apresenta a exploração sob dois aspectos que são complementares: econômico e
social. As descrições abaixo se aplicam a que aspecto?

I - Adotando a teoria do valor, desenvolvida pelos clássicos, Marx afirma que o valor de uma mer-
cadoria deveria ser determinado pelo tempo de trabalho para sua produção.
II - O valor de uma mercadoria deve pertencer a quem fornece o trabalho, ou seja, ao operário.

a) ( ) I – Aspecto econômico e II – Aspecto social.


b) ( ) I e II – Aspecto econômico.
c) ( ) I e II – Aspecto social.
d) ( ) I – Aspecto social e II – Aspecto econômico.

5. Quanto às definições sobre macroeconomia e microeconomia, assinale a única alternativa in-


correta.

a) ( ) Macroeconomia estuda o funcionamento da economia de um país de uma maneira mais


abrangente.
b) ( ) Microeconomia trata do comportamento das empresas, famílias, indivíduos.
c) ( ) O estudo da microeconomia considera a taxa de câmbio e o volume de poupança do país.
d) ( ) O estudo da macroeconomia abrange o nível geral dos preços, emprego e desemprego,
renda, produto nacional etc.
Economia e Mercado - Aula 1 14 Instituto Universal Brasileiro
Aula 2 fluxo de rendimentos ao longo do tempo por
EMPRESA E PRODUÇÃO meio de sua aplicação na produção.
Esta definição não inclui apenas o dinheiro
propriamente dito, mas também os investimen-
Introdução tos financeiros, os estoques e os bens que podem
ser aplicados para gerar riquezas. Na teoria eco-
nômica clássica, o capital é, ao lado da terra e do
trabalho, um dos três fatores de produção, que
são o conjunto de elementos indispensáveis a
um processo produtivo.
O conjunto de bens duráveis necessários para
a produção, como máquinas e equipamentos e
as instalações de uma empresa, são chamados de
bens de capital ou bens de produção. Neste com-
plexo sistema de trocas, há dois tipos de fluxos.

Fluxo de produto & Fluxo monetário

O fluxo de produto ou fluxo real, no qual


Empresa é considerada uma organi- as famílias consomem os bens e serviços ofertados
zação econômica, civil ou comercial, com o pelas empresas e que, por sua vez, contratam os
objetivo de explorar determinado ramo de fatores de produção ofertados pelas famílias;
negócio e oferecer ao mercado bens e/ou O fluxo monetário, no qual as empresas
serviços. pagam pelos fatores e produção e as famílias
Produção é a criação de bens e servi- pagam pelos bens e serviços adquiridos. Este
ços que suprem as necessidades dos seres fluxo necessita de um meio de troca, que nes-
humanos. Desse modo, a produção pode te caso é a moeda nacional.
ser classificada como produção de bens O gráfico abaixo explica de maneira simpli-
econômicos (alimentos, remédios, máqui- ficada o funcionamento do Sistema Econômico:
nas etc.) e produção de serviços (serviços
de transporte, diversões públicas, serviço Fluxo monetário
médico, serviços bancários etc.). Fluxo real
Bens e serviços

Famílias Empresas
Unidades produtoras X
• Consomem • Fornecem Bens e
Unidades consumidoras Bens e Serviços Serviços.
fornecidos pelas • Utilizam fatores
O Mercado é grande regulador do siste- empresas. produtivos for-
• Fornecem fatores necidos pelas
ma econômico de um país. Pela definição clás- produtivos. famílias.
sica, é como a instituição social na qual bens e
serviços, assim como fatores de produção, são Fluxo real Fatores
trocados pelos dois agentes econômicos bási- de Produção
cos que são: Fluxo monetário
As unidades produtoras (empresas)
que produzem os bens e serviços e deman-
dam (consomem) fatores de produção; Fatores de Produção
E as unidades consumidoras de bens
e serviços que ofertam fatores de produção Para se produzir algo, são necessários os
(terra, trabalho de capital, etc.) Na economia, fatores de produção, que são bens e serviços
capital é qualquer ativo capaz de gerar um transformáveis em produtos.
Economia e Mercado - Aula 2 15 Instituto Universal Brasileiro
Bens intermediários. Produtos que en-
O processo de produção envolve basi- trarão na montagem dos produtos fabricados
camente quatro fatores: pela empresa. Por exemplo, uma empresa au-
• Terra (área); tomobilística compra de outra empresa pneus
• Trabalho (mão de obra); para montagem de seus automóveis.
• Capital (físico); Matéria-prima. Substância principal que
• Produtos (matéria-prima). será utilizada na fabricação de um produto a
ser comercializado. Por exemplo, os minérios
Uma empresa utiliza os fatores de produ- comprados por uma empresa que fabrica pisos
ção de modo que estes resultem no produto e revestimentos cerâmicos.
final. Para efetuar a produção, muitas vezes
necessita-se de bens de serviços produzidos
por outra empresa. A empresa, antes de iniciar sua produ-
ção, deve observar as seguintes questões:

O quê?
OBSERVE ESTE CASO Produzir Para quem?
Como?
Pensando no pão da padaria...
As respostas para essas perguntas
constituem o objeto de estudo da Econo-
mia aplicada a empresas.

Eficiência na Produção

Para fabricar o pão, a padaria precisa


adquirir a farinha de trigo de uma outra em-
presa. Esta compra o grão in natura do agri-
cultor. Assim, o pão seria o produto final, a
farinha de trigo seria um bem intermediá-
rio, e o grão in natura, a matéria-prima.

Percebe-se que muitas vezes uma em- Para que uma empresa possa escolher o
presa, para produzir algo, depende de fatores processo de produção, deve-se avaliar a sua
de produção de outra empresa, ocorrendo eficiência, tanto do ponto de vista tecnológi-
uma interdependência entre as empresas. co como econômico.
Os bens adquiridos por uma empresa,
para serem transformados em produtos, po- Eficiência tecnológica
dem ser divididos em bens finais, bens inter-
mediários e matéria-prima. A eficiência tecnológica permite pro-
Bens finais. Produzidos pela empresa até duzir uma mesma quantidade de produto, uti-
seu término e vendidos diretamente ao consu- lizando menos fatores de produção. Em suma,
midor, como produtos finais. Exemplo: pão. ela é a ausência de desperdício e se baseia em
Economia e Mercado - Aula 2 16 Instituto Universal Brasileiro
aspectos tecnológicos. Custos de Produção
Os proprietários das empresas, que são os
donos dos fatores de produção, vão, na medida
do possível, comprar máquinas mais eficientes,
mais avançadas tecnologicamente, para pro-
duzirem mais em menos tempo, se possível,
consumindo menos matéria-prima e também
reduzindo o tempo de produção.
O mesmo acontece com um comercian-
te, que pode informatizar sua loja para ter ga-
nhos de eficiência, e até com um agricultor,
quando compra um trator melhor e tem ga-
nho de produtividade.

PARA REFLETIR
Os custos da produção são os valores
O que são fatores de produção? Em
gastos pela empresa para produzir uma deter-
Economia, fatores de produção são os ele-
minada quantidade de produtos, resultando no
mentos básicos utilizados na produção de somatório de todos os gastos com a produção.
bens e serviços. Como fatores de produção, São diversos fatores que formam os custos
são considerados a terra (cultiváveis, flores- de uma empresa, que variam de empresa para
ta, minas), o homem (trabalho) e o capital empresa. Mas o cálculo dos custos, na visão eco-
(máquinas, equipamentos, instalações). nômica, é diferente dos cálculos realizados na
contabilidade da empresa.
Enquanto no cálculo dos custos da con-
Eficiência econômica tabilidade é levado em consideração somente
custos explícitos, ou seja, os gastos expres-
Já a eficiência econômica permite pro- sos formalmente e com clareza com matéria
duzir uma mesma quantidade de produto, prima, salário, impostos etc., no cálculo dos
com menos custos envolvidos na produção, custos, na visão econômica, levam-se em con-
aumentando, dessa forma, o lucro da em- sideração os custos explícitos somados aos
presa. É a minimização de custos, ou seja, a custos implícitos.
diminuição dos preços dos recursos utiliza- Por custos implícitos, podemos compreen-
dos para obter o resultado pretendido. Essas der aqueles que estão incluídos, mas não de
reduções de custos vem em grande parte da modo claro, ou seja, ficam subentendidos, dos
eficiência tecnológica, mas isso não quer di- quais são estipulados a partir do que poderia ser
zer que é a única forma de se obter eficiência ganho quando os recursos da empresa são bem
econômica. utilizados. Por exemplo, a capacidade máxima
O gestor da empresa deve e pode pes- de produção de uma máquina ou ferramenta.
quisar boas fontes de matéria-prima, bons Dessa forma, para que uma empresa de-
fornecedores para seu comércio e, ao mesmo monstre estabilidade financeira e econômica, o
tempo, procurar aqueles que têm os menores resultado de seus custos econômicos deve ser
preços/custos para aquisição. Poderá também maior que o de seus custos contábeis.
tentar, na medida do possível, reduzir seus
custos de produção melhorando a forma de Os custos de uma empresa podem ser
produzir, utilizando seus recursos da melhor divididos basicamente em custos econômi-
maneira possível e, assim, diminui-se o des- cos e custos contábeis.
perdício.
Economia e Mercado - Aula 2 17 Instituto Universal Brasileiro
Classificação dos custos de produção
Então teríamos:
Os custos da produção podem ser classifica-
dos como fixos, variáveis e total. • Custos fixos (CF) = aluguel + im-
Custos fixos (CF) são aqueles associados aos posto + seguro = 800,00 + 500,00 + 400,00
fatores de produção que não variam em curto es- = $ 1.700,00
paço de tempo, ou seja, são fatores fixos que não • Custos variáveis (CV) = água + ener-
sofrem alterações com o aumento da produção. gia elétrica + mão-de-obra + maquinário
Todo custo fixo causa desembolso obrigatório, + matéria-prima = 200,00 + 300,00 + 400,00
não dependendo do nível de produção ou venda. + 800,00 + 600,00 = $ 2.300,00
Em outras palavras, se uma empresa não produziu • Custo total (CT) = CF + CV = 1.700,00
e não vendeu em um mês, mesmo assim, terá que + 2.300,00 = $ 4.000,00
pagar os custos de aluguel do galpão, IPTU, gastos
com manutenção, custos da administração, salá- Custos médios
rio, materiais de consumo, luz, água, telefone etc.
Custos variáveis (CV), como o próprio nome Além dos custos fixos, variáveis e total,
diz, variam de acordo com as mudanças ocorridas podemos ainda calcular os custos médios
na produção, pois a ela estão diretamente ligados. (CMe), que são equivalentes a cada unidade
Todo custo variável causa um desembolso que va- produzida, ou seja, por meio dos custos mé-
ria para maior ou menor, dependendo do volume dios, a empresa pode saber quando foi o custo
de produção ou de vendas. Isso envolverá custos de cada unidade produzida.
de curto ou de longo prazo, dependendo da velo-
cidade de produção/venda ou tempo de operação Os custos de uma empresa podem ser
da empresa. Exemplos: matéria-prima, maquiná- divididos basicamente em custos econômi-
rio, energia elétrica, mão de obra etc. cos e custos contábeis.
Custo total (CT) é a somatória dos custos
fixos e das variáveis, resultando nos custos totais
CMe = CT
de sua produção. Q

Vejamos um exemplo utilizando ain-


OBSERVE ESTE CASO da o caso citado:

Um exemplo prático do cálculo CMe = CT = 4.000,00 CMe = R$ 10,00


Q 400
dos custos de uma empresa

Uma empresa de borracha apresentou Portanto, teríamos R$10,00 de custo


o seguinte balancete mensal para realização em cada unidade produzida.
dos cálculos de custo:
Descrição dos Fixos Variáveis Valores (R$) Lucros
gastos
Água x 200,00
Aluguel x 800,00
Energia Elétrica x 300,00
Impostos x 500,00
Mão de Obra x 400,00
Maquinários x 800,00
Matérias Primas x 600,00
Seguros x 400,00
Total de peças produzidas (Q) = 400 unidades

Economia e Mercado - Aula 2 18 Instituto Universal Brasileiro


Como sabemos, a busca principal de conhecimento científicos que se aplicam a um
grande parte das empresas é justamente o determinado ramo de atividade.
lucro: quanto maior e mais lucrativa for uma Podemos afirmar que existem inúmeras
empresa, mais conceituada será no panorama formas de se produzir o mesmo produto em
econômico mundial. uma empresa. Essas formas variam quanto ao
emprego de técnicas ou equipamentos que
viabilizam o processo produtivo.
O lucro pode ser compreendido como
A partir do desenvolvimento tecnológi-
ganhos, vantagens ou benefícios que se
co dos meios de produção, a empresa poderá
obtêm com a venda de bens ou com uma
obter uma maior quantidade de produtos apli-
atividade. Seria justamente o valor total co-
cando de forma inteligente os fatores empre-
brado pelo produto, subtraindo desse valor
gados na produção (recursos naturais e mão
os custos envolvidos em sua produção
de obra), resolvendo problemas fundamentais
de economia.
A solução para o dilema maximização de A tecnologia é uma das melhores armas
lucros (empresas) e maximização da satisfação contra a concorrência. É a partir dela que a
(consumidor) só acontece com a dinamiza- empresa poderá abater no preço final do pro-
ção dos meios de produção. A empresa deve duto a economia feita em sua produção, pelo
produzir mais itens que tenham como carac- fato de produzir mais com menos custos, re-
terísticas principais bom preço, qualidade, passando este valor aos consumidores.
assistência etc., e, assim, se diminuem, forma
considerável, os refugos. Dentro de um sistema produtivo, a
A partir desta iniciativa da empresa, cer- tecnologia atua basicamente nos seguintes
tamente os dois agentes envolvidos neste aspectos:
processo serão beneficiados: o consumidor
que irá adquirir um produto que o deixará Pesquisas
plenamente satisfeito; e a empresa que obterá Projetos
maiores vendas e, assim, maiores lucros. Equipamentos
Tecnologia Análise de materiais
O lucro é calculado a partir da seguinte
fórmula: Instrumentos de medição
Análises Laboratoriais
Técnicas
Lucro = Receita - Custos

Tecnologia Demanda

Demanda é o mesmo que procura.


Refere-se à quantidade de um determina-
do bem ou serviço que os consumidores
desejam apropriar-se em um certo período
de tempo. Considerando que o comporta-
mento do consumidor é variável, a deman-
da de um produto depende do desejo de
consumo de cada indivíduo.

Desse modo, a demanda está relaciona-


A tecnologia voltada para a produção da com a escolha dos consumidores, levando
pode ser compreendida como o conjunto de em consideração alguns fatores: o preço do
Economia e Mercado - Aula 2 19 Instituto Universal Brasileiro
bem ou do serviço; o salário do consumidor; e pode comprar queijos importados para pre-
a preferência e gosto do consumidor. parar um almoço familiar, pois sua renda não
permite.
Sabemos que o Brasil possui uma das
piores distribuições de renda no mundo. En-
quanto uns comem apenas feijão, outros es-
tão degustando comidas exóticas e pratos
muito caros em restaurantes.
Quando a renda de um indivíduo é bai-
xa, a tendência dele adquirir bens inferiores
é maior. Podemos considerar bens inferiores
todos os produtos chamados de segunda li-
nha: móveis usados, roupas usadas, carne de
segunda e alimentos básicos.
Já o chamado efeito renda se manifesta
quando um aumento de preços de um deter-
minado produto ocasiona a redução do poder
O consumidor adquire em maior quanti- aquisitivo (capacidade de compra) do consu-
dade produtos que estiverem com preços bai- midor. Quando isto acontece, a tendência é re-
xos. Ou seja, quando uma pessoa vai ao super- duzir o consumo deste item pelo consumidor.
mercado, certamente ela comprará em maior Por exemplo, um aumento considerável no
quantidade aquele determinado produto que preço da carne faz com que o consumidor dei-
esteja mais barato, e em menor quantidade xe de comprar 5 kg por mês e reduza a com-
aquele que estiver mais caro. Esses aspectos pra para 4 kg, mantendo desta forma os me-
também são analisados em relação à qualida- sos gastos com este item no seu orçamento.
de do produto. Obviamente, o efeito renda atua de maneira
Com relação à preferência e ao gosto inversa se houver uma queda nos preços.
dos consumidores, a demanda de bens e ser- Um outro resultado percebido na eco-
viços determina a quantidade de aquisição. nomia é o chamado efeito substituição.
A preferência e o gosto do consumidor estão Ocorre quando o preço de um determina-
associados à idade, ao sexo, à religião, à cul- do bem ou serviço aumenta, ocasionando
tura etc. a substituição, ainda que temporária, deste
O principal fator que influencia a quan- item por outro.
tidade demandada é o preço do bem ou do Por exemplo, um aumento do preço da
serviço. A relação entre preço e quantidade carne bovina pode levar o consumidor a subs-
demandada é inversamente proporcional. tituir o consumo por carne de frango, buscan-
Assim, quanto maior o preço, menor será do assim aplicar da melhor maneira possível
a demanda e vice-versa. os seus recursos.

Teoria do equilíbrio
Renda
A situação de demanda no mercado é
X
observada através da teoria do equilíbrio do
consumidor. Quando ocorre uma variação
Demanda de preços
no aumento de preços ou redução de renda,
podemos dizer que também ocorre um de-
A renda dos consumidores também exer- sequilíbrio, uma diminuição de seu poder de
ce uma influência muito forte em relação a de- consumo.
manda de produtos. Por exemplo, uma pessoa A relação entre preço e quantidade re-
que recebe um salário mínimo por mês não sultará na escala de demanda individual, ou
Economia e Mercado - Aula 2 20 Instituto Universal Brasileiro
seja, esta escala mostrará a quantidade máxi- A curva de demanda individual possui
ma de produtos que poderão ser adquiridos uma inclinação negativa devido a dois efeitos:
pelos consumidores, de acordo com o seu efeito de renda e efeito de substituição.
preço. • Efeito de renda. Quando há aumento
no preço dos produtos e a renda do consu-
Por exemplo, se o quilo do tomate midor não sofre nenhuma alteração, a de-
estiver custando R$ 5,00, a chance de um manda pelos produtos diminui. Em direção
consumidor adquirir mais que um quilo é contrária, quando o preço diminui, aumenta
pouco provável, porém se custar R$ 0,90 o poder de compra. A renda supera o preço
o quilo, a quantidade adquirida provavel- do produto, proporcionando a aquisição de
mente será maior. outros, ou maior quantidade de um mesmo
Veja a seguir um exemplo de escala produto.
valor x quantidade: • Efeito de substituição. Quando um
produto possui um substituto ou similar no
Escala de consumo de pães mercado, e há aumento de preço deste, é evi-
dente que ele será substituído por outro. Isso
Valor por Quantidade
faz com que se diminua a demanda do produ-
unidade (R$) comprada (por dia)
to. Por exemplo, se aumenta o preço da pera
0,80 2 e diminui o da maçã, certamente a pera será
0,60 3 substituída pela maçã.

0,50 5

0,40 10 PARA REFLETIR


Curva de demanda individual
O que é aumento de demanda e
A relação entre o preço e a quantidade quantidade demandada? Aumento de
adquirida determina a escala de demanda in- demanda é quando ocorre um aumento
dividual. De outra forma, essa escala pode ser na renda do consumidor ou melhoria de
representada também através de um gráfico suas preferências, que passa a adquirir
que se denomina curva de demanda indivi- maior número de produtos do que ante-
dual. riormente. Já quantidade demandada é
Traçado um gráfico de dois eixos, coloca- quando ocorre alterações nos preços dos
mos no eixo Y (vertical) os vários preços e no produtos, em que houve uma alteração
eixo X (horizontal), as quantidades demanda- em determinado ponto da curva de de-
das. Veja: manda; este ponto indica a relação entre
preço e quantidade, quando há alterações
de oferta.
Curva de Demanda

R$20,00 Oferta
Preços

R$18,00
O conceito de oferta se refere à quanti-
R$16,00
dade de um bem que o produtor deseja ven-
R$14,00 der no mercado. Quanto mais alto for o preço,
R$12,00 maior será a quantidade ofertada.
As quantidades que serão ofertadas de-
R$10,00
1 2 3 4 5 6 pendem de alguns fatores: o preço do bem; os
Quantidades Demandadas preços de outros bens; o preço dos fatores de
produção; e a tecnologia.
Economia e Mercado - Aula 2 21 Instituto Universal Brasileiro
quando o custo de produção é reduzido
aumenta a sua produção e sua oferta no
mercado.
• A tecnologia utilizada na produção
afeta o nível de oferta. Quando a tecno-
logia proporciona redução de custos dos
fatores de produção, permitindo que se
obtenha uma maior quantidade, ela esti-
mula a produtividade e aumenta a oferta
do produto.

Escala de oferta individual

A oferta possui uma escala e uma curva


O preço do bem está relacionado com que expressam as quantidades que os pro-
a quantidade, pois quanto maior for o preço, dutores estão dispostos a produzir e vender
maior será sua produção, assim a quantidade para os consumidores a diferentes preços,
ofertada será maior. Ao contrário, quanto me- mantendo constantes os fatores que influen-
nor for o preço do bem, menor será sua produ- ciam a oferta.
ção e sua quantidade ofertada. A escala de oferta individual repre-
senta a quantidade a ser vendida em seus
preços variados. Por exemplo, para um pro-
Influência na oferta de produtos dutor oferecer 100 sapatos por dia, seu pre-
ço será de R$ 80,00; para oferecer 60, seu
• Por exemplo, a oferta do tomate foi preço será R$ 50,00; para oferecer 40, seu
reduzida devido ao aumento no preço do preço será R$ 30,00; e para oferecer 15, seu
pimentão; a oferta deste produto foi afeta- preço será R$ 10,00. Portanto, a quantidade
da pela variação de preço do outro produto de produtos a ser ofertada aumenta quando
substituto. seu preço se eleva, devido ao aumento nos
• A oferta de alguns produtos agríco- custos de produção.
las depende, muitas vezes, das condições Veja a tabela a seguir da oferta de sapatos:
climáticas e estações do ano. É comum ir-
mos à feira e observarmos que, quando é
época de morango, geralmente, o encon- Escala de oferta de sapatos
tramos em oferta, mas quando não é épo-
ca, seu preço se eleva, sua quantidade di- Valor por Quantidade
minui e a qualidade cai. unidade (R$) comprada (por dia)
• Os preços elevados também levam 80,00 100
em consideração os preços dos fatores de
50,00 60
produção. Estes influenciam na oferta e na
quantidade a ser disposta no mercado. 30,00 40
• Quando há aumento nos custos pro- 10,00 15
dutivos, no caso, os fatores de produção,
também aumentam os custos para o pro-
dutor que, certamente, terá seus lucros re- A curva de oferta, como a curva de deman-
duzidos; assim diminui a oferta do produto da apresentada antes, serve para mostrar grafi-
que teve seu custo elevado. Ao contrário, camente a relação entre a quantidade de pro-
duto para oferta e o preço equivalente. O eixo Y
Economia e Mercado - Aula 2 22 Instituto Universal Brasileiro
(vertical) representa o preço, e o eixo X (horizon- relação à mudança na tecnologia da produção:
tal) representa a quantidade. Veja: os bens que mais se beneficiam da mudança
tecnológica terão uma lucratividade aumenta-
Curva de Oferta da; e assim, surgirão deslocamentos nas curvas
de oferta de diversos bens e serviços.
R$80,00

R$70,00
Quando a procura é igual à oferta, di-
R$60,00 zemos que há um equilíbrio de mercado,
R$50,00
porque, tanto a procura quanto a oferta es-
tão em uma mesma proporção.

Cu r
Preço

R$40,00

va
de
R$30,00

O fe
Preço

r ta
R$20,00

R$10,00

R$0,00
0 15 40 60 100
Quantidade Ofertada

Lei da oferta e da procura

Quando ocorre uma variação de oferta,


podemos dizer que houve um deslocamento
da curva de oferta. Muitos de nós já ouvimos
falar sobre a lei da oferta e da procura.
A lei da oferta e da procura tem como
base a quantidade e o preço de um bem. As-
sim, o preço sobe quando a procura supera a
oferta; e, ao contrário, quando o preço dimi- Chamamos de preço corrente aquele
nui é porque a oferta superou a procura. que se baseia na oferta e na procura: tanto
A oferta de um bem depende de seu pró- pode se elevar como diminuir de acordo com
prio preço, pois quanto maior for o preço de a lei. Quando há no mercado um produto que
um bem, mais interessante se torna produzi- não possui um concorrente, o preço deste
-lo, portanto, a oferta é maior. Como o preço produto pode ser classificado como preço de
dos bens tem em sua composição os gastos monopólio.
empresariais, a oferta de um determinado Os produtores são exclusivos no merca-
bem depende dos preços dos fatores de pro- do; assim o preço a ser determinado é impos-
dução. De fato, os preços dos fatores, junta- to aos compradores que, por não possuírem
mente com a tecnologia empregada, determi- uma outra opção de compra, sujeitam-se a ex-
nam o custo de produção. clusividade tanto do produto como de preço.
Por exemplo, aumentando o preço da O governo também interfere na formação de
terra, teremos um grande aumento no custo preços dos bens e serviços. Pode taxar ou ta-
de produção de soja; enquanto que, em ou- belar um produto com o intuito de manter o
tros setores que utilizam em menor intensida- equilíbrio econômico.
de o fator terra, teremos menores aumentos A formação e variação de preços possui
de custos. Assim, a mudança no preço de um três fatores que são fundamentais: o custo
fator acarretará alterações na lucratividade re- produtivo; a quantidade ofertada; e a quanti-
lativa das produções. dade demandada.
O mesmo raciocínio podemos fazer em O custo da produção depende da pro-
Economia e Mercado - Aula 2 23 Instituto Universal Brasileiro
cura por parte dos consumidores. Se aumen-
ta a produção pela procura, aumenta-se o Consumidor
custo para produzir em maior quantidade.
Assim, chamamos de preço de produção É justamente aque-
aquele que considera o pagamento do tra- le que adquire os produ-
balho exercido e o custo dos fatores de pro- tos ou serviços fabrica-
dução utilizados. dos pelos trabalhadores
Por fim, os preços são fixados de acordo que foram contratados
com alguns fatores como: produção, livre con- pelos empregadores,
corrência, demanda, oferta etc. ou seja, seria aquele
que consome: um in-
Trabalhador, Empregador e Consumidor divíduo ou instituição
que compra bens para
Todo e qualquer sistema econômico se seu consumo.
sustenta sobre estes três pilares que são a
base da economia mundial: trabalhador, em-
pregador e consumidor. Como podemos verificar, existe uma in-
Vamos definir e estabelecer as possíveis terdependência entre essas três funções den-
distinções entre estes três modos de atuação tro de um sistema econômico. Todas elas são
social, existentes em todas as sociedades ca- de igual importância e dependem umas das
pitalistas outras para o bom desenvolvimento dos ne-
gócios.
O elo entre essas três funções se dá jus-
Trabalhador
tamente por meio do produto, pois é a partir
dele que serão garantidos o pagamento do
Seria justamente trabalhador, o lucro para o empregador e a sa-
aquele que executa tisfação do consumidor.
o trabalho. Geralmente,
o trabalhador, por não
possuir meios de pro- Sistema econômico capitalista
dução, vende sua força pode gerar conflito
de trabalho para aque-
les que possuem tais O conflito principal nesse sistema,
meios de produção. segundo Karl Marx, está na questão da
exploração. Especificamente no sistema
capitalista em que o lucro maior fica para
Empregador aqueles que dispõem dos meios de produ-
ção, ou seja, os empregadores. O conflito
É aquele que, pelo é gerado pelo fato de o trabalhador exigir
fato de possuir os meios para si um salário bom, melhores condi-
de produção, contrata, ções de trabalho, assistência médica, ali-
através do pagamento mentação etc. O consumidor, por sua vez,
de salários, trabalhado- busca sempre produtos com preços baixos
res para executar tarefas e mais benefícios, tais como qualidade,
e, assim, desenvolver durabilidade, assistência técnica etc. Em
produtos ou serviços a contrapartida, o empregador busca sem-
serem vendidos para pre maximizar seus lucros, diminuindo os
outras pessoas. custos na produção.

Economia e Mercado - Aula 2 24 Instituto Universal Brasileiro


VEJA SE APRENDEU

1. Como aprendemos nessa aula, produção é a criação de bens e serviços com a finalidade suprir
as necessidades das pessoas. Sabendo disso, escreva PBE para Produção de Bens Econômicos e PS
para Produção de Serviços. Depois. Marque a alternativa correta.

( ) Remédios
( ) Atendimento médico
( ) Transporte público
( ) Alimentos

a) ( ) PS – PBE – PS – PBE
b) ( ) PBE – PS – PS – PBE
c) ( ) PS – PS – PBE – PBE
d) ( ) PBE – PBE – PS - PS

2. De acordo com o que foi aprendido sobre os fatores de produção, os minérios, o trigo e o
algodão são exemplos de:
a) ( ) Bens finais
b) ( ) Bens intermediários
c) ( ) Matérias-primas
d) ( ) Todas as alternativas estão corretas

3. A eficiência tecnológica se diferencia da eficiência econômica por permitir a produção de:


a) ( ) Uma mesma quantidade de produtos com menos qualidade.
b) ( ) Diferentes tipos de produtos com mais custos envolvidos.
c) ( ) Uma mesma quantidade de produtos com menos fatores de produção.
d) ( ) Uma mesma quantidade de produtos com mais fatores de produção.

4. Escreva CF para Custos fixos e CV para Custos variáveis. Depois, assinale a alternativa
correta.

( ) IPTU
( ) Maquinário
( ) Mão de obra
( ) Aluguel

a) ( ) CV – CV – CF - CF
b) ( ) CF – CF – CV - CV
c) ( ) CV – CF – CF - CV
d) ( ) CF – CV – CV - CF

5. A quantidade demandada de produtos pelos consumidores é influenciada por muitos fatores.


Assinale a alternativa que não indica um desses fatores.
a) ( ) Preço do bem ou do serviço.
b) ( ) Salário do consumidor.
c) ( ) Custo do aluguel da empresa.
d) ( ) Preferência e gosto do consumidor.
Economia e Mercado - Aula 2 25 Instituto Universal Brasileiro
APRENDA FAZENDO

ECONOMIA E MERCADO

Para exercitar na prática os conhecimentos adquiridos com os estudos das aulas de


Economia e Mercado, resolva a questão abaixo.

A empresa RP - Recuperadora de Pneus tem os seguintes custos:

• Água - R$ 400,00
• Energia elétrica - R$ 1.500,00
• Aluguel - R$ 2.500,00
• Mão de obra - R$ 4.500,00
• INSS - R$ 990,00
• Seguro - R$ 220,00
• Impostos - R$ 750,00
• Matéria-prima - R$ 1.800,00
• Equipamentos - R$ 2.150,00

Monte a tabela de acordo com os itens de custo.

Descrição dos gastos Fixos Variáveis Valores $

Totais
Número de pneus recuperados (Q): 600 unidades
Determine os custos fixos, variáveis e total. Calcule também os custos médios desta empresa.

• Custos Fixos (CF): _____________________________________________________________

• Custos Variáveis (CV): __________________________________________________________

• Custo Total (CT): ______________________________________________________________

• Custos Médios (CMe): __________________________________________________________

Economia e Mercado - Aula 2 26 Instituto Universal Brasileiro


Aula 3
TRABALHO E SALÁRIO ou órgãos públicos do governo), recolhem
determinadas taxas, desenvolvem atividades
que são chamadas de formais, ou seja, estão
Introdução de acordo com uma série de leis que se refe-
rem ao trabalho e às atividades econômicas.

Os donos têm poder para determinar o


futuro da empresa. Esse poder, chamado de
poder econômico, será maior quanto maior
for a empresa.
De acordo com a Organização Interna-
cional do Trabalho (OIT) o Brasil apresenta su-
cessivos recordes na geração de empregos e
redução, de maneira significativa, da informa-
lidade no mercado de trabalho.

SAIBA MAIS
Trabalho. É considerado um conjun-
to de atividades produtivas ou criativas Visite https://www.ilo.org/brasilia/lan-
que a pessoa exerce com a finalidade de g--pt/index.htm e tenha acesso a um mun-
atingir a um determinado fim. Geralmente, do de informações relacionadas ao assunto
os economistas medem o trabalho em ter- Trabalho.
mos de horas dedicadas (tempo), salário ou
eficiência. É este assunto que será tratado
nesta aula, além de outros relacionados a
ele, como salário, sindicato etc. PARA REFLETIR

Trabalho Formal O que é trabalho informal? É aque-


le sem vínculos registrados em carteira
de trabalho ou documentação equivalen-
Trabalho formal. No Brasil, define te, geralmente desprovido de benefícios
qualquer ocupação trabalhista, manual ou como remuneração fixa e férias pagas. O
intelectual com benefícios e carteira pro- trabalhador informal é considerado parte
fissional assinada. Consiste em trabalho integrante da população economicamente
fornecido por uma empresa, com todos os ativa.
direitos trabalhistas garantidos.
• Refere-se aos trabalhadores que tem
registro em carteira e seus direitos traba- MEI – Microempreendedor Individual
lhistas garantidos, com recolhimento de
taxa para aposentadoria (INSS – Instituto Nesse contexto, é importante, para o
Nacional de Seguridade Social). aprimoramento das políticas públicas dirigi-
• Também diz respeito aos trabalhado- das às micro e pequenas empresas, analisar
res autônomos que, mesmo trabalhando por a experiência brasileira da lei do Microem-
conta própria (não empregadas em empresas preendedor Individual (MEI).
“A Lei Complementar nº 128/2008 que
Economia e Mercado - Aula 3 27 Instituto Universal Brasileiro
alterou a Lei Geral da Micro e Pequena Empre- respectivamente, enquanto as ocupações for-
sa (Lei Complementar nº 123/2006) cria a figu- mais tiveram, em ambos os setores, redução
ra do Microempreendedor Individual e está de 257 mil vagas. Na indústria, a taxa de for-
em vigor desde 01/07/2009. malização, que era de 66,7%, no final de 2016,
caiu para 63,6%, com aumento de 473 mil pes-
soas ocupadas informalmente ou por conta
O MEI é o pequeno empresário indi- própria e o fechamento de 20 mil empregos
vidual que atende as condições abaixo re- formais. O movimento se repetiu na constru-
lacionadas: ção, no comércio e em praticamente todos os
• Tenha faturamento limitado a R$ segmentos dos serviços. Até no setor de infor-
81.000,00 por ano; mação, comunicação e atividades financeiras,
• Que não participe como sócio, ad- no qual a taxa de formalização é relativamen-
ministrador ou titular de outra empresa; te alta (64,2%, no último trimestre de 2017), o
• Contrate no máximo um empregado; número de trabalhadores informais e por con-
• Exerça uma das atividades econô- ta própria cresceu mais (quase 328 mil) do que
micas previstas no Anexo XI, da Resolução o de formais (60 mil pessoas).
CGSN (Comitê Gestor do Simples Nacional)
nº 140, de 2018, o qual relaciona todas as
atividades permitidas ao MEI. O aumento no número de empregado-
• O faturamento máximo permitido res, especialmente na indústria e no segmen-
para se categorizar como MEI é de até R$ to de informação, comunicação e atividades
81.000,00 por ano, de janeiro a dezembro. financeiras, sugere crescimento da terceiriza-
(Valores relativos ao ano de 2018). ção e/ou “pejotização” na economia.
A “pejotização” é conhecida como
• O Microempreendedor Individual
uma prática do empregador em contratar
que se formalizar durante o ano em curso,
um funcionário como pessoa jurídica (PJ) ou
tem seu limite de faturamento proporcio-
de dispensar um empregado com registro
nal a R$ 6.750,00, por mês, até 31 de de-
em carteira e recontratá-lo na forma de pes-
zembro do mesmo ano. Exemplo: O MEI
soa jurídica. O PJ ou Pessoa Jurídica, é o de-
que se formalizar em junho, terá o limite de
tentor do CNPJ (Cadastro Nacional de Pes-
faturamento de R$ 47.250,00 (7 meses x R$
soa Jurídica) que pode, desta forma, prestar
6.750,00), neste ano.” (http://www.portal-
serviços a terceiros e emitir notas fiscais.
doempreendedor.gov.br/)

Na análise por tipo de ocupação, é claro o


Informalidade X Formalização aumento da informalidade em ocupações nas
quais a taxa de formalização é relativamente
O combate à informalidade é um objetivo alta, como trabalhadores de apoio administra-
estratégico do trabalho da OIT. Junto com o SE- tivo e profissionais das ciências e intelectuais.
BRAE (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pe- Entre os operadores de instalação e máquinas, a
quenas Empresas), foi assinado um acordo de taxa de formalização caiu de 61,0% para 58,5%,
cooperação técnica para a troca de experiência entre o final de 2016 e 2017.
sobre a realidade do trabalho nos pequenos Também em ocupações em que a infor-
empreendimentos. malidade já era alta, houve elevação intensa,
Dados do DIEESE (Departamento Inter- como entre os trabalhadores dos serviços,
sindical de Estatística e Estudos Socioeconô- vendedores do comércio e mercados (au-
micos), “na educação, saúde, serviços sociais mento de 1,7 milhão de informais e redução
e também na administração pública, dois de 333 mil empregados formais) e também
segmentos dos serviços onde a formalização entre os mais qualificados, operários etc.
é maior, o número de trabalhadores informais (ampliação de 542 mil informais e queda de
aumentou em 322 mil pessoas e em 191 mil, 374 mil formais).” (https://www.dieese.org.
Economia e Mercado - Aula 3 28 Instituto Universal Brasileiro
br/boletimempregoempauta/2018/boleti-
mEmpregoEmPauta7.html). • Cumprir os requisitos previstos na le-
gislação;
Simples Nacional • Formalizar a opção pelo Simples Nacional.

O Simples Nacional é um regime tributá-


rio que traz consigo regras simplificadas. Este
regime é destinado para empresas que faturam
SAIBA MAIS
até 4,8 milhões ao ano. Empresas optantes deste
regime pagam os seus tributos (IRPJ, CSLL, PIS/
Pasep, Cofins, IPI, ICMS, ISS, INSS) em uma única “De acordo com o levantamento feito pelo
guia que vence todos os meses no dia 20. Essa SEBRAE (Panorama SEBRAE/Maio de 2018), com
guia é chamada de DAS - Documento de Arreca- base nos dados do Cadastro Geral de Emprega-
dação do Simples Nacional. dos e Desempregados (CAGED) do Ministério
Segundo o SEBRAE, o papel das micro e do Trabalho, apesar dos resultados positivos dos
pequenas empresas precisa ser destacado e últimos meses na geração de emprego formal,
compartilhado: “O número de empresas optan- o país continua com dificuldade para resgatar a
tes pelo Simples Nacional chegou a 11,8 milhões dinâmica do mercado de trabalho. A taxa de de-
(Dados de maio/2018), sendo 6,9 milhões de semprego chegou a 12,9% no trimestre encerra-
MEI (Microempreendedor Individual) e 4,9 mi- do em abril/2018, segundo a Pesquisa Nacional
lhões de ME e EPP (Microempresa e Empresa de por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, do
Pequeno Porte) IBGE. Apesar da queda lenta do desemprego, a
O total de empresas cadastradas no Sim- taxa segue caindo na comparação anual, mês
ples Nacional registrou alta de 1,2% em maio na após mês. Na comparação com o primeiro tri-
comparação com abril. O crescimento do total de mestre do ano passado, o desemprego caiu 0,7
empresas continua puxado pelo MEI, que avan- ponto percentual. Com isso, o contingente de
çou 1,8% na mesma comparação.” (http://data- desempregados cedeu para 13,4 milhões de
SEBRAE.com.br/wp-content/uploads/2018/06/ pessoas no trimestre encerrado em abril/2018.
Panorama-SEBRAE_052018.pdf ) Com relação ao mesmo trimestre de 2017, isso
representa 635 mil desempregados a menos na
economia. No que se refere aos dados regionais
O Simples Nacional é um regime compar- do 1º trimestre de 2018, a região Nordeste regis-
tilhado de arrecadação, cobrança e fiscalização trou a maior taxa média de desemprego (15,9%)
de tributos aplicável às Microempresas e Empre- e a região Sul, a menor (8,4%). Mas a queda das
sas de Pequeno Porte, previsto na Lei Comple- taxas médias de desemprego foi maior nas re-
mentar nº 123, de 14 de dezembro de 2006. giões Norte (12,7%) e Centro-oeste (10,5%). O
Abrange a participação de todos os en- desemprego no Sudeste 13,8% No recorte esta-
tes federados (União, Estados, Distrito Federal dual, o Amapá registrou a maior taxa de desem-
e Municípios). prego (21,5%) no período, enquanto Santa Cata-
É administrado por um Comitê Gestor rina apresentou a menor taxa (6,5%).”
composto por oito integrantes: quatro da Se-
cretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), dois (http://dataSEBRAE.com.br/wp-content/
dos Estados e do Distrito Federal e dois dos uploads/2018/06/Panorama-SEBRAE_052018.pdf
Municípios.
Para o ingresso no Simples Nacional é
necessário o cumprimento das seguintes con- Dados: Simples Nacional & MEI
dições:
• Enquadrar-se na definição de microem- O gráfico na página seguinte revela uma evo-
presa ou de empresa de pequeno porte; lução no número de empresas que optaram pelo
Simples Nacional nos últimos seis anos:
Economia e Mercado - Aula 3 29 Instituto Universal Brasileiro
Empresas optantes pelo Simples Nacional - maio/12 a maio/18 (em milhões)
11,8

6,4 6,9

4,9
4,3

2,1
Total MEI ME e EPP
mai/12
jul/12
set/12
nov/12
jan/13
mar/13
mai/13
jul/13
set/13
nov/13
jan/14
mar/14
mai/14
jul/14
set/14
nov/14
jan/15
mar/15
mai/15
jul/15
set/15
nov/15
jan/16
mar/16
mai/16
jul/16
set/16
nov/16
jan/17
mar/17
mai/17
jul/17
set/17
nov/17
jan/18
mar/18
mai/18
Fonte: Sebrae a partir dos dados da Estatísticas SINAC/ Receita Federal do Brasil.

Este outro gráfico demonstra um crescimento significativo na quantidade de empresas


criadas sob o regime de MEI:
Crescimento mensal do número de MEI (%) - mai/18 em relação a abr/18

1,8 2,0

2,1 1,6 1,5 1,4


1,6
1,6
1,4 1,7
2,0 1,5 1,4
1,5 1,9
1,6
1,7
1,8
1,6
1,7
1,7 1,6
Brasil: 1,8% 1,9
1,8
1,9
1,8
% Crescimento em 12 meses
1,7
1,4 2,1

Fonte: Sebrae a partir dos dados da Estatísticas SINAC/ Receita Federal do Brasil.

Empregabilidade

Empregabilidade significa o conjunto


de competências e habilidades necessárias
para uma pessoa se manter colocada em
uma empresa. Significa a capacidade de con-
quistar e de manter um emprego de maneira
sempre firme e valiosa.

Economia e Mercado - Aula 3 30 Instituto Universal Brasileiro


Como a natureza do emprego está mu- competentes, éticos, determinados e com vi-
dando rapidamente, essa capacidade deve são de futuro. Nenhuma competência será
necessariamente incluir flexibilidade e inova- desprezada.
ção pessoal, pois o emprego está se tornando • Automotivação significa acreditar em
temporário, parcial e passageiro. Mais do que seus motivos para agir e, com base nesta cer-
isso: multifuncional, flexível e mutável. teza, cativar a confiança e as oportunidades
que dependem daqueles que têm poder de
O conceito de empregabilidade é extre- decisão.
mamente simples e se resume nas respostas A empregabilidade de um profissional
às seguintes perguntas: depende da capacidade de gestão da própria
• Quanto a sua bagagem pessoal e pro- vida e carreira. Seus diferenciais devem, por
fissional é interessante para o trabalho? definição, ter diferentes dimensões.
• Que “diferenciais nobres” possui quan-
do comparado a outros profissionais com Salário
uma formação e trajetória parecidas com a
sua?
• Quais as razões que justificam o
desejo de uma empresa em ter como par-
te do capital estratégico/competitivo da
empresa?
• Quanto a sua história de vida e de car-
reira falam mais alto que seu currículo? Ou
seja, quando pensa nas pessoas que detêm o
poder de contratá-lo, tem que pensar: afinal,
por que elas se importariam?

O profissional não vale apenas o quan-


to sabe, mas vale o quanto é. Uma pessoa de
grande competência técnica, cujas qualidades O papel ocupado ou a função que a
morais e éticas não sejam comprováveis, já pessoa desempenha em alguma atividade
não interessa a uma empresa lúcida. Ser digno econômica lhe confere uma remuneração.
de confiança é um pré-requisito fundamental No caso dos empregados de uma empresa,
que sobrepõe o desejo por desafios e a capa- por exemplo, essa remuneração pode ser
cidade de trabalhar sob pressão. chamada de salário ou vencimentos. No
caso dos empresários, essa remuneração é o
Características lucro.
profissionais positivas
Salário é a forma de pagamento devi-
• Diferenciais nobres são aqueles que es- da pelo empregador ao empregado. Ele pode
tão tão associados ao seu ser e que se tornam ser compreendido como um objeto de troca
difíceis de serem copiados por seus pares: sua entre o empregador, que possui os meios de
personalidade, seu caráter e o seu comporta- produção, e os trabalhadores, pessoas contra-
mento estão entre elas. Diferenciais pobres tadas para desenvolverem algum tipo de ativi-
são facilmente copiados. dade, conhecidos também como assalariados,
• Quanto maiores forem as condições visando lucros para a empresa. Já Remunera-
de manter a mente aberta para transitar com ção, é a soma do salário com outras vantagens
qualidade por ambientes multiculturais, maior adicionais como hora extra, participação nos
a sua empregabilidade. lucros etc.
• O mundo demanda por profissionais
Economia e Mercado - Aula 3 31 Instituto Universal Brasileiro
trabalhador um salário fixo, somado a comis-
são sobre as vendas executadas. Essa é consi-
PARA REFLETIR derada uma atitude motivadora que faz com
que os trabalhadores desenvolvam formas de
Quem são os assalariados? Chama- aumentar suas vendas a fim de aumentarem
mos de assalariados todas as pessoas que seu salário final.
dependem do salário recebido em troca de
esforço na produção de bens. Sindicatos

Toda e qualquer empresa só contrata um


trabalhador ou o mantém em seu quadro de
funcionários até o momento em que o valor
produzido por ele seja maior que o custo de
sua contratação.
Os bens e os lucros obtidos em suas
vendas são de propriedade daqueles que
possuem os meios de produção; os empre-
gadores, responsáveis pelo pagamento dos
salários.

A crítica de Karl Marx consiste em que Os sindicatos têm uma função primor-
o valor de uma mercadoria deveria perten- dial na conquista de melhores salários. A rela-
cer a quem fornece o trabalho, ou seja, ao ção entre trabalhadores e empregadores, em
operário. uma sociedade capitalista, parte de interesses
opostos
O salário geralmente é o resultado de um A guerra é declarada a partir do momen-
acordo entre os empregadores e empregados. to em que se fala em diminuir os lucros daque-
Pode ser pago diariamente, semanalmente, a les que possuem os meios de produção. Os
cada quinze dias, mensalmente, podendo estar sindicatos teriam o papel de “advogados dos
atrelado à produção ou não. trabalhadores”, lutando por melhores salários
e condições dignas de trabalho.
Formas de salário A partir da intervenção dos sindicatos foi
criado um teto mínimo para o pagamento dos
Os salários geralmente são pagos em trabalhadores: o salário mínimo.
dinheiro, que é justamente uma quantidade
combinada entre o empregador e o empre-
gado. Se for ligado à produção, o trabalhador PARA REFLETIR
buscará sempre aumentar a quantidade de
unidades produzidas para aumentar seu sa-
lário, que está ligado diretamente à sua pro- O que é salário mínimo?
dutividade.
Outra forma de salário, muito comum • O valor do salário mínimo correspon-
para profissionais da área de vendas, é a comis- de ao menor valor que o empregador pode
são, que está diretamente relacionado à ven- pagar aos seus funcionários. É estabeleci-
da de produtos: A pessoa que realizou a venda do por lei e válido no País inteiro, seja para
recebe uma porcentagem do valor do produto trabalhadores urbanos ou rurais. O salário
vendido. Geralmente, as empresas que usam mínimo atual é descrito na Constituição
esta forma de pagamento combinam com o
Economia e Mercado - Aula 3 32 Instituto Universal Brasileiro
Federal de 1988 como a remuneração capaz de
Salário
atender às necessidades vitais básicas do em- Ano Data da vigência
mínimo
pregado e às de sua família. Isso inclui moradia,
alimentação, saúde, educação, vestuário, higie- 2000 03/04/2000 R$151,00
ne, lazer, transporte e previdência social. 1999 01/05/1999 R$136,00
• O reajuste periódico dele com a finali- 1998 01/05/1998 R$130,00
dade de preservar o poder aquisitivo do cida-
1997 01/05/1997 R$120,00
dão também é previsto na Constituição.
• Toda vez que o valor do novo salário 1996 01/05/1996 R$112,00
mínimo vai ser definido, o governo toma como 1995 01/05/1995 R$100,00
base o percentual de crescimento do Produ- 1994 01/09/1994 R$70,00
to Interno Bruto (PIB) dois anos antes e busca
cobrir a variação da inflação do ano anterior. Fonte: https://www.salariominimo.net.br/
Acesso em setembro/2018
De acordo com esse cálculo, o salário mínimo
2018, em vigor desde o dia 1 de janeiro, foi fi-
xado em R$ 954,00; em janeiro de 2019 passa
para R$ 998,00.
• Alguns estados têm piso próprio, com
SAIBA MAIS
valor superior ao nacional, portanto, fazem rea-
justes proporcionais aos valores pré-estabeleci- Salário mínimo regional. Alguns es-
dos em cada estado. tados oferecem o salário mínimo regional,
Histórico do Salário Mínimo Nacional, que é uma remuneração maior que o piso
desde a implantação do Plano Real nacional. O salário mínimo regional serve de
referência, sobretudo, para os trabalhadores
Salário do setor privado que pertencem a catego-
Ano Data da vigência
mínimo rias não contempladas em acordos coletivos
2018 01/01/2018 R$ 954,00 ou convenções, como domésticas. Os valo-
2017 01/01/2017 R$ 937,00 res, e respectivos reajustes, variam de esta-
2016 01/01/2016 R$ 880,00 do para estado. Todas as empresas que esti-
2015 01/01/2015 R$ 788,00 verem localizadas nos estados que oferecem
esse reajuste de salário devem oferecer aos
2014 01/01/2014 R$724,00
seus funcionários essa remuneração mínima
2013 01/01/2013 R$678,00 com o reajuste devido. Confira os estados
2012 01/01/2012 R$622,00 que oferecem o mínimo regional: São Paulo;
2011 01/03/2011 R$545,00 Santa Catarina; Rio Grande do Sul; Paraná; e
2011 01/01/2011 R$540,00 Rio de Janeiro.
2010 01/01/2010 R$510,00
2009 01/02/2009 R$465,00
Retrospectiva histórica das
2008 01/03/2008 R$415,00 lutas por salário digno
2007 01/04/2007 R$380,00
2006 01/04/2006 R$350,00 Com a Revolução Industrial, no século 19,
2005 01/05/2005 R$300,00 teve início a remuneração do trabalhador. Antes
disso, cada pessoa produzia seus próprios utensí-
2004 01/05/2004 R$260,00
lios, para uso próprio ou para trocas.
2003 01/04/2003 R$240,00 A única mão de obra existente era a escra-
2002 01/04/2002 R$200,00 va. Trabalhava-se para um senhor, que era tido
2001 01/04/2001 R$180,00 como seu dono e, em troca de seu trabalho, re-
cebia-se o mínimo para satisfazer suas primeiras
Economia e Mercado - Aula 3 33 Instituto Universal Brasileiro
necessidades: alimentação, moradia, vestimen-
tas etc. Os escravos não podiam exigir nada; seu faz a mesma carga horária que um brasileiro
trabalho era realizado em péssimas condições e, recebe cerca de R$ 5 mil.
muitas vezes, trabalhavam até 18 horas por dia e Argentina. Os nossos vizinhos argentinos
recebiam restos de comida e velhas vestimentas. recebem cerca de R$ 2 mil por mês. Na Argentina,
A partir do século 19, esta forma de explo- o salário é pago por mês assim como no Brasil.
ração foi sendo substituída pelo trabalho assala- China. Do outro lado do mundo, a China
riado, que é a forma de recompensa econômica não tem um salário mínimo definido válido para
mais comum nas sociedades capitalistas. Porém, todo o território nacional, como acontece no Brasil.
muitos autores questionam se realmente os tra- Os pagamentos variam de província
balhadores dos dias atuais conseguiram se ver para província. Segundo dados da OIT (Orga-
livres da exploração imposta aos escravos. nização Internacional do Trabalho), em 2013
Existem muitos países em que a mão de era pago cerca de R$ 781,00 para um trabalha-
obra é quase escrava. Com vista à diminuição dos dor da capital da segunda maior economia do
custos nas vendas de seus produtos, muitos em- mundo, Pequim.
pregadores diminuem o salário de seus funcioná- Japão. No Japão, também não há um sa-
rios a um extremo que se assemelham ao tempo lário mínimo previamente definido para todo
da escravatura. o país. Os cálculos são feitos de acordo com o
Mesmo as necessidades primárias, em mui- custo de vida na região. Em províncias onde o
tos casos, elas não são atendidas. É quase impos- custo de vida é mais alto, o salário acompanha.
sível imaginar como uma família (pai, mãe e dois Ainda assim, segundo a OIT, os japo-
filhos) consegue “sobreviver” tendo que pagar: neses recebem em média R$ 27 por hora. Se
aluguel, alimentação, água, luz, material escolar, comparada com a carga horária mensal bra-
remédios etc. com apenas um salário mínimo. sileira, eles ganham cerca de R$ 5.400,00 por
A luta por um salário digno continua sendo mês. Isso, sem contar as horas-extras que são
a meta de todos os trabalhadores para a constru- muito comum no país.
ção de uma sociedade mais justa. A compreensão Além disso, os empregadores que não
das relações estabelecidas entre as empresas e os pagam o mínimo estabelecido são multados
trabalhadores nos meios de produção visando pelo governo.
aos consumidores, analisando os conflitos e pro- Afeganistão. A situação é ainda mais
blemas existentes, foi o objetivo desta aula. drástica no Afeganistão, onde sequer existe
um salário mínimo implementado. Só é pos-
sível saber o valor recebido pelos funcionários
Compare o salário mínimo brasileiro com o de públicos do país. Esses trabalhadores recebem
outros países, em reportagem feita em 2018 cerca de R$ 311,00 por mês.
Espanha. Um dos países mais afetados
África do Sul. A África do Sul enfrentou pela crise financeira na Europa foi a Espanha.
dias de protestos e greve geral em 2018 por Isso fez com que o salário mínimo do país fos-
conta de um projeto de lei que visa estabele- se caindo a cada ano.
cer um salário mínimo. Em 2016, segundo a OIT, o salário era de
O valor proposto pelo presidente é de aproximadamente R$ 2.925,00. Lá o salário tam-
aproximadamente R$ 5,60 por hora. Para um bém é definido por lei, assim como no Brasil.
trabalhador brasileiro que trabalha 25 dias por Austrália. A Austrália é o país campeão
mês e recebe um saláio mínimo a média por em pagamento de salário. Lá, as empresas
hora é de apenas R$ 4,77. precisam pagar um valor mínimo exigido por
Estados Unidos. Nos Estados Unidos, lei que é de quase R$ 48,00 por hora — o que
o salário também é calculado por hora. Lá, dá cerca de R$ 9.600 por mês.
os trabalhadores recebem cerca de R$ 25 por Disponível em: https://noticias.r7.com/internacional/
compare-o-salario-minimo-brasileiro-com-o-de-
hora. Comparando, um norte-americano que outros-dez-paises-02052018?amp. Adaptado.

Economia e Mercado - Aula 3 34 Instituto Universal Brasileiro


VEJA SE APRENDEU

1. O que significa empregabilidade?


a) ( ) Conjunto de competências e habilidades necessárias para uma pessoa se manter na
empresa.
b) ( ) Conjunto de atividades produtivas e criativas que o homem exerce para atingir determi-
nado fim.
c) ( ) Princípio em que se usa os recursos naturais para satisfação de necessidades no presente,
sem comprometer as gerações futuras.
d) ( ) Privilégio legal, ou de fato, que uma pessoa ou empresa possui para fabricar ou vender
certas coisas.

2. Escolha as palavras que completam corretamente a frase:


O trabalho assalariado é a relação de trabalho caracterizada pela troca da ________________
por _______________.
a) ( ) força de trabalho – salário.
b) ( ) mercadoria – remuneração.
c) ( ) assiduidade – esforço físico.
d) ( ) atividade – troca de bens.

3. Uma das formas de pagamento de salário é em dinheiro. Mas também existe outra forma, di-
retamente ligada à venda de produtos ou ao cumprimento de metas estabelecidas, visando incentivar
os resultados comerciais. Qual é?
a) ( ) Valo fixo.
b) ( ) Receita.
c) ( ) Comissão.
d) ( ) Variável.

4. A função primordial dos sindicatos é a conquista de melhores salários. Uma dessas conquistas
foi um teto mínimo para o pagamento dos trabalhadores, conhecido como:
a) ( ) salário base.
b) ( ) salário mínimo.
c) ( ) teto salarial.
d) ( ) salário família.

5. Assinale Verdadeiro ou Falso:

( ) Para se categorizar como MEI é necessário se enquadrar num teto de faturamento máximo
permitido por ano.
( ) SEBRAE significa: Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas.
( ) “Pejotização” é conhecida como uma prática do empregador em contratar um funcionário
como pessoa jurídica (PJ).
( ) O reajuste do salário mínimo está previsto na Constituição Brasileira.

a) ( ) F – V – F – V
b) ( ) F – V – F – V
c) ( ) F – F – V – V
d) ( ) V – V – V – V
Economia e Mercado - Aula 3 35 Instituto Universal Brasileiro
Aula 4 ministrativos, para sistematizar e melhor de-
MERCADO E SUA ESTRUTURA senvolver os meios produtivos. Conceitos que
até os dias de hoje mostram-se necessários e
eficazes.
Introdução
Trabalho: peça principal
na economia urbana

Em meio a tantas mudanças, o tra-


balho passou a ser peça principal para a
economia das grandes metrópoles e no
desenvolvimento social urbano; com o
aumento na produção e uma melhora no
ambiente de trabalho e nas relações entre
coordenador e subordinado.Todos estes
fatores visam a um aumento na produção
para satisfazer o mercado, que por sua
vez, não para de crescer. Daí a importância
O mercado pode ser considerado o lu- de analisar as relações de mercado e suas
gar da livre concorrência entre vendedores e implicações no contexto socioeconômi-
consumidores, em que se realizam a procura co, para poder atuar com competência no
e a oferta de produtos. Pode ser considerado meio empresarial.
ainda o agente formador de preços, por ser a
partir do mercado que os preços de inúmeros
produtos são fixados. Mercado Imperfeito
Quem decide o preço de um bem são os
demandantes e os ofertantes, e essa deci- O mercado imperfeito é aquele em
são conjunta cede espaço para que se realize que alguém consegue, de alguma maneira,
uma economia de mercado baseada na troca manipular os preços a seu favor; assim, maxi-
de bens por dinheiro, conforme o preço esta- miza seus lucros em detrimento da livre con-
belecido. corrência.
Diante do cenário europeu do século Há vários fatores que interferem no livre
18, as grandes invenções foram introduzidas curso deste mercado, caracterizando-o como
na sociedade com intuito de satisfazer às ne- imperfeito. Seria perfeito se fosse baseado
cessidades humanas e expandir as maravi- totalmente na livre concorrência, ou seja, a li-
lhas das descobertas. Desde as grandes na- berdade de produção e venda por parte dos
vegações, é notável essa característica do ser proprietários.
humano de transpor todo tipo de barreiras
geográficas.
A informação, que antes era ineficiente PARA REFLETIR
e demorada, hoje percorre centenas de quilô-
metros em instantes. O comércio alcança os
contornos de um mercado global comum; é Existe mercado livre? O mercado li-
possível comprar e vender produtos de outros vre nos faz entender que este possui certa
países pela internet, em tempo real. liberdade para coordenar a economia de
A criação de novos empregos, acompa- mercado sem intervenção alguma. Entre-
nhando o aumento populacional, a relação tanto, não podemos conceber a ideia de
empregado e empregador, a produtividade um mercado totalmente livre porque sua
ligada diretamente à qualidade foram os es- transformação depende de alguns critérios.
topins para o surgimento dos conceitos ad-
Economia e Mercado - Aula 4 36 Instituto Universal Brasileiro
Se o mercado fosse realmente livre, seria per- na demanda causará um aumento de preço e
mitida a comercialização de armas e drogas, um aumento na quantidade de equilíbrio.
por exemplo. No entanto, todos sabem que é Aumento na oferta. Um aumento na
ilegal a prática comercial destes. É por isso que oferta causará uma diminuição no preço de
o governo participa diretamente na economia equilíbrio e um aumento na quantidade de
de mercado, através da cobrança de impostos
equilíbrio.
e fiscalização de produtos comercializados.
Diminuição na demanda. Uma dimi-
nuição na demanda causará uma diminuição
Equilíbrio de Mercado no preço e na quantidade de equilíbrio.
Diminuição na oferta. Uma dimi-
nuição na oferta causará um aumento no
preço e uma diminuição na quantidade de
equilíbrio.

PARA REFLETIR

O que é quantidade de equilíbrio? É


a quantidade ofertada e demandada pelos
produtores e pelos consumidores.

O equilíbrio de mercado só é possível Ajuste da oferta e procura


quando a proporção da quantidade de deman- tem reflexos nos preços
da é a mesma de oferta, devido ao preço. Em ou-
tras palavras, o equilíbrio só ocorrerá quando os
interesses dos consumidores coincidirem com Essas duas forças (oferta e procura) se
os dos produtores, através de uma avaliação na ajustam, equilibrando-se, e o preço, neste
escala de preços dos produtos. mercado de livre competição, é a expressão
Quando as quantidades ofertadas exce- do ajustamento.
dem às quantidades procuradas, ocorre uma
competição entre os concorrentes, podendo Se todos conhecessem os preços que vi-
acontecer uma baixa nos preços dos produtos. goram em certo momento no mercado, o pre-
Os preços, por sua vez, devem ser ajustados para ço de uma mesma mercadoria seria o mesmo,
que haja o equilíbrio. Somente através do ajus- porque quem oferece uma mercadoria a preço
tamento é que será possível suprir adequada- mais baixo atrai mais fregueses e, por causa
mente o mercado. do estoque de que dispõe, será levado a subir
Quando a oferta e a procura se deslo- o preço. A influência dos compradores deter-
cam, os preços de equilíbrio tomam novas minará a elevação.
posições; isso leva o mercado a uma busca de Esses fatos são intuitivos. Basta exami-
ajustamento. nar como funcionam a oferta e a procura em
qualquer mercado livre para que se perceba
Fatores que influenciam a mudança tal mecanismo. Se há muitos vendedores, de
de equilíbrio do mercado quem depende o preço? Evidentemente de
nenhum dos vendedores em particular, mas
Aumento na demanda. Um aumento da ação de todos. Mais um vendedor, ou me-
nos um, não afetaria o preço.
Economia e Mercado - Aula 4 37 Instituto Universal Brasileiro
Podemos também definir mercado como
o meio pelo qual se estabelecem as relações
OBSERVE ESTE CASO entre os produtores e os consumidores: as em-
presas atuam na venda de seus produtos e os
Se João abriu falência ou Pedro surgiu consumidores adquirem bens e serviço. Mas é
como novo vendedor, no plano geral nada preciso ampliar os contornos da definição de
se alterou. Podemos, portanto, considerar mercado para melhor compreender suas es-
o preço como a bússola do mercado, inde- truturas
pendente da oferta e da procura. Quando o
preço sobe, atrai mais vendedores ou incen- MERCADO
tiva os vendedores antigos a aumentarem os
estoques, a fim de terem maiores lucros. Se COMPRA BENS E SERVIÇOS VENDA
o preço baixa, tende, ao contrário, a afugen-
tar os vendedores ou incutir-lhes medidas de
moderação. Se o preço de venda é igual ao As estruturas do mercado podem ser en-
preço de custo, desapareceu o lucro. tendidas como o campo onde acontecem as in-
ter-relações entre consumidores e produtores
na negociação dos produtos. O conhecimento
Nesse caso, não interessa produzir para das estruturas do mercado torna-se fundamen-
vender, nem interessa vender. Se os estoques tais, pois é a partir deste conhecimento que a
podem ser retidos, se é possível armazená-los empresa poderá determinar muitos fatores re-
para aguardar melhores dias e melhores pre- lacionados à produção como: que tipo de bens
ços, o vendedor poderá esperar a alta do pre- devem ser produzidos, qual o preço, a quanti-
ço. Mas nem toda mercadoria pode ser estoca- dade etc.
da, porque está sujeita a se deteriorar.
O estudo das estruturas dos merca-
Lei da oferta e da procura dos inicia-se, principalmente, pela análise
• A elevação do preço tende a depri- apurada das seguintes questões:
mir a procura e estimular a oferta, e vice- • Tipos de consumidores;
versa; a queda do preço tende a exaltar a • Número de empresas do mesmo
procura e a reduzir a oferta. ramo que atuam no mercado;
• O preço tende a subir quando a pro- • Facilidade de acesso às tecnologias
cura excede a oferta, e vice-versa; tende a voltadas para a produção.
baixar, quando a oferta excede a procura.
• O preço tende a um nível de equilí-
Concorrência
brio quando a procura se iguala à oferta.

Estrutura do Mercado

Economia e Mercado - Aula 4 38 Instituto Universal Brasileiro


Uma das características essenciais do mer- Exemplo de Concorrência
cado, que influencia diretamente as indústrias,
Empresa 1 Empresa 2 Empresa 3 Empresa 4
é estabelecer os valores dos produtos, pois é a
partir da concorrência que a empresa pode-
rá perceber se seu produto está com um preço
coerente ou não.
A concorrência é um fator primordial no PRODUTOS
mercado que faz com que as empresas alterem
políticas econômicas e realizem mudanças em CONSUMIDORES
seus setores produtivos. CONSUMIDORES
CONSUMIDORES
CONSUMIDORES
Concorrência pode ser compreen-
dida como uma competição; em especial, Os produtos comercializados neste tipo
aquela que ocorre entre produtores ou de concorrência são homogêneos, ou seja, da
vendedores de um mesmo tipo de produto mesma natureza ou estão solidamente ligados
ou serviço. entre si, o que faz com que os consumidores se
sintam, de certa forma, indiferentes à empresa
Exemplo de Concorrência de que irão adquirir seus produtos.
Empresa 1 Empresa 2 Empresa 3 Empresa 4 Neste tipo de concorrência, não é o com-
prador ou vendedor que estipulam o preço
dos produtos. Este é determinado a partir da
PRODUTOS
própria variação do mercado, ou da concor-
rência entre as empresas.
CONSUMIDORES
Outra característica da concorrência per-
feita é a transparência do mercado, que é ca-
A vitória nessa competição simboliza a ob- racterizada pelo conhecimento, por parte das
tenção de maiores lucros, através de um maior empresas que participam, sobre as condições
número nas vendas e na obtenção da credibili- de funcionamento do mercado. Na concorrên-
dade por parte dos consumidores e, consecuti- cia perfeita também é aceita a entrada e saída
vamente, uma maior estabilidade econômica da de empresas sem que as suas estruturas sejam
empresa no mercado. A partir da concorrência é abaladas.
que serão determinados os preços dos produtos A maximização dos lucros, associada dire-
levados à venda. tamente a fatores de custo mínimo, por parte
das empresas, são características fundamentais
Concorrência perfeita e imperfeita da concorrência perfeita.
Produtos como açúcar, óleo de soja e leite
são exemplos que se encaixam nestes tipos de
Concorrência perfeita características, pois é baixa ou praticamente nula
a diferenciação entre os produtos ofertados no
É determinada por um grande núme- mercado, além de haver uma grande quantidade
ro de compradores, associada, diretamen- de produtores e de compradores, permitindo des-
te, a um grande número de vendedores. sa forma que os preços fiquem estáveis, causan-
Trata-se de um modelo mais teórico do que do um equilíbrio entre aqueles que participam
prático. Em Microeconomia, a concorrência desse mercado. Mesmo existindo muitas marcas
perfeita, seria uma situação ideal de mer- de açúcar, óleo de soja e leite, praticamente não
cado. Este cenário favoreceria um equilí- há diferenciação entre elas, uma vez que os pro-
brio natural nos preços pela relação entre a dutos são extremamente iguais.
oferta e a demanda. Se um desses produtores, por exemplo,
tentar elevar individualmente o seu preço, ele
Economia e Mercado - Aula 4 39 Instituto Universal Brasileiro
com certeza perderá grande parte da procura,
pois o consumidor preferirá comprar do con- de seus produtos ultrapassem a média utilizada
corrente, que oferece um produto muito seme- no mercado em que atuam, certamente haverá
lhante por um preço menor. Do contrário, se o poucos clientes interessados em abastecer nes-
produtor tentar baixar muito o preço do produ- ses postos; e assim, prejuízos são provocados.
to em uma situação de Concorrência Perfeita,
ele também verá seu lucro despencar, uma vez
que nessa estrutura de mercado, a margem de
lucro não é muito elevada, e o ganho se dá pelo
giro (vendas em grandes quantidades).

Concorrência imperfeita

A concorrência imperfeita correspon-


de a uma estrutura de mercado em que
não se verifica a concorrência perfeita, ou
seja, em que há pelo menos uma empresa Em muitos casos, a concorrência pode
ou consumidor com poder suficiente para produzir benefícios para os consumidores,
influenciar o preço de mercado, causando pois os preços dos produtos são estipula-
um desequilíbrio entre a oferta e a procura. dos a partir das relações entre vendedores
Isso permite que uma das partes exerça do- e compradores.
mínio sobre o mercado e influencie o preço
daquilo que está sendo comercializado.
Monopólio

Monopólio é a situação de mercado em


Exemplo de Concorrência Imperfeita que a oferta de uma mercadoria ou serviço é
controlada por uma só empresa ou vendedor.
Empresa 1 Empresa 2 Empresa 3 Empresa 4
Este e a concorrência perfeita aparecem como
dois extremos.

Exemplo de Monopólio
PRODUTOS Empresa

CONSUMIDORES
CONSUMIDORES
CONSUMIDORES
CONSUMIDORES PRODUTO

CONSUMIDORES
OBSERVE ESTE CASO CONSUMIDORES
CONSUMIDORES
CONSUMIDORES
Um exemplo prático de concorrência
O monopólio é caracterizado pela existên-
No caso do preço do combustível para os cia de um único ofertante, que possui a autono-
automóveis, podemos perceber que os postos mia de determinar seu preço. Ao contrário da
de abastecimento estipulam seus preços estan- concorrência que tem que tomar um preço dado
do sempre alertas à concorrência. Caso o preço e adequar-se ao mercado.
No sistema monopolista, há uma ausência
Economia e Mercado - Aula 4 40 Instituto Universal Brasileiro
de competição. Uma única empresa monopoliza o
mercado, ou seja, há um único vendedor de um de- Ela confere ao inventor o direito exclusivo
terminado produto. de fabricação de um determinado produto
O produto vendido por uma empresa de mo- em um período de tempo. Isso também é
nopólio é exclusivo, ou diferente dos demais. Por uma situação de monopólio.
isso, quando ocorrem mudanças, por exemplo, no O que é patente? É um título que as-
preço de outras empresas, nada afeta à empresa de segura ao autor de uma invenção sua pro-
monopólio. priedade e uso exclusivos. “Thomas Alva
A obtenção de maiores lucros é o principal Edison (1847-1931) foi um dos maiores
objetivo destas empresas; por isso buscam um nível inventores da humanidade. Sua maior in-
de produção que lhes proporcionem este objetivo. venção foi da lâmpada elétrica. Chegou a
Quando uma empresa se monopoliza, os preços de registrar um total de 1.033 patentes, entre
seus produtos podem se tornar maiores do que no elas o fonógrafo, depois aperfeiçoado por
mercado de concorrência perfeita; assim, os consu- Graham Bell e Charles Tainter, um regula-
midores ficam sujeitos a pagar um preço alto e redu- dor de corrente para máquinas elétricas,
zir a demanda. um distribuidor subterrâneo de energia,
uma válvula, que foi a precursora das vál-
vulas de rádio, um acumulador de energia
Características que determinam (bateria), um sistema de transmissão tele-
a estrutura da empresa de monopólio gráfica de trens ou navios em movimento,
o cinescópio, um dos aparelhos que per-
Única. A indústria monopolista tem uma mitiria o nascimento do cinema, etc. É de
grande influência no mercado, por ser única no sua autoria a frase “Um gênio se faz com
ramo de atividade e, também, por determinar um por cento de inspiração e noventa e
o preço a ser estipulado em seus produtos. Ela nove de esforço”.
domina inteiramente a oferta, mantendo, desta
forma, o mercado em suas mãos.
Insubstituível. Os produtos fabricados por
empresas monopolistas não possuem substitu- Monopólio natural. Existe, ainda, um
tos no mercado; assim, não há outra alternativa conceito de monopólio chamado natural,
para o consumidor se não consumir apenas os que surge quando uma empresa diminui
produtos dessas empresas. Os consumidores não o preço agregado ao produto na medida
têm suas necessidades atendidas por outras em- em que sua produção aumenta. Na verda-
presas, somente por uma, a de monopólio. de, essa situação é muito satisfatória para
Poderosa. Exerce poder em duas variáveis o consumidor, por pagar um preço menor
importantes no mercado: o preço e a quantida- por um produto exclusivo, de qualidade e
de a ser ofertada. Esse poder tem como objetivo que satisfaça suas necessidades de consu-
manter a situação de monopólio, estabelecendo mo. Normalmente esses mercados são re-
preços que desestimulem a intervenção de ou- gulados pelos governos, como no caso da
tras concorrentes e a maximização dos lucros. energia elétrica.

Oligopólio
PARA REFLETIR
Oligopólio é a situação de mercado em
Concessão de patente que a oferta é controlada por um pequeno
número de grandes empresas. Ele se asse-
Um fator que também caracteriza o melha ao monopólio por apresentar um con-
monopólio é a concessão de uma patente. trole sobre a oferta tanto de matérias-primas
como de patentes.
Economia e Mercado - Aula 4 41 Instituto Universal Brasileiro
Exemplo de Oligopólio

Empresa 1 Empresa 2 Empresa 3


PARA REFLETIR
O que é cartel? É um acordo comer-
cial entre empresas que visa à distribuição
entre elas das cotas de produção e do mer-
PRODUTOS cado, com a finalidade de determinar os
preços e limitar a concorrência.
CONSUMIDORES
CONSUMIDORES
CONSUMIDORES
CONSUMIDORES
Monopsônio e Oligopsônio

O oligopólio pode ser considerado puro Monopsônio é a estrutura de merca-


ou diferenciado. É puro quando os concorrentes do em que há um único comprador; neste
de uma empresa oligopolista oferecem o mesmo caso, o valor do produto é, em muitos ca-
produto, mas substitutos perfeitos entre si. Já é sos, estabelecido pelo próprio consumidor,
diferenciado quando os produtos não são substi- que ainda pode exigir regalias da empresa
tutos perfeitos entre si. fornecedora para adquirir seus produtos.
As empresas oligopolistas são interdepen-
dentes entre si, pelo fato de serem em número Exemplo de Monopsônio
pequeno. Essa interdependência faz com que,
quando uma empresa reduz seu preço e utiliza Fornecedor 1 Fornecedor 2 Fornecedor 3
uma boa publicidade, a curva de demanda de
outras empresas é reduzida e, muitas vezes, estas
reagem contra.

Único Comprador
Os concorrentes atuantes na estrutu-
ra oligopolista são rivais entre si; em mui-
tos casos, essa rivalidade transparece nas Oligopsônio é a estrutura de mercado em
campanhas publicitárias. que há um número reduzido de comprado-
res. Assim como acontece com o monopsônio,
A entrada de outras empresas nessa estru- o valor do produto também é, em muitos casos
tura é muito difícil. As dificuldades de entrada se estabelecido pelo próprio consumidor, com a
dão pelos seguintes fatores: escala de produção, exigência de regalias da empresa por ele. Isso
exigências de capital e domínio de tecnologia. acontece porque as empresas fornecedoras não
O fator mais importante ligado às relações têm interesse em perder os poucos, mas impor-
oligopolistas são os preços. O preço estabelecido tantes, clientes que possuem.
por uma empresa deverá ser adotado por outras,
aceitando, assim, a liderança de preço de uma ou- Exemplo de Oligopsônio
tra indústria. A estrutura de custo destas empre-
sas geralmente são baixas, diferenciando-se das Comprador 1 Comprador 2
demais; por isto é que elas conseguem se impor
como líderes.
A formação de cartel é uma maneira de as Fornecedor 1 Fornecedor 2 Fornecedor 3
indústrias se reunirem para determinar preços e
elaborar acordos comerciais como forma de am-
pliar os lucros.
Economia e Mercado - Aula 4 42 Instituto Universal Brasileiro
Globalização O capitalismo comercial se expande dando
lugar ao capitalismo industrial. A globalização é a
fase mais recente do sistema capitalista, um pe-
ríodo técnico-científico e informacional. Nesses
períodos, prevalecem a facilidade na comunica-
ção e o grande desenvolvimento tecnológico,
voltado para a produção e gerenciamento.
Na globalização, todos os países envolvidos
procuram expandir sua economia social e atrair
investimentos produtivos, tendo, como conse-
quência imediata, um crescimento nas exporta-
ções mundiais. Nesse caso, é bem visível o grande
Atualmente, estamos não só observando fluxo de mercadorias entre os países.
como vivenciando a velocidade constante com Para um sistema empresarial do século 21, o
que a tecnologia se transforma e acaba trans- fator mais importante é a competitividade, já que
formando a vida das pessoas. Com esse avanço atuam juntamente com vários outros sistemas em-
tecnológico, tornaram-se mais rápidas as comu- presariais dentro da economia globalizada. Por-
nicações: com o desenvolvimento dos satélites, tanto, as empresas competem entre si para maior
telefonia celular, internet etc. As informações abertura em seus mercados atuantes e em outros
chegam até nós em tempo real. mercados para os quais exportam.
A internet nos proporciona adentrar em vá-
rios assuntos do mundo inteiro, e também man- Blocos econômicos
ter relações entre pessoas que se encontram nas
partes mais distantes do globo terrestre. Foi através da globalização que surgiram os
Devido a essas grandes mudanças, socie- blocos econômicos, que têm como função princi-
dades do mundo inteiro tentam participar desse pal diminuir as barreiras que impedem a livre circu-
mercado global, que despreza as distâncias geo- lação de mercadorias, alfândega, fronteiras, moedas
gráficas. A sensação que nos causa é de que o etc., de determinadas regiões próximas. Esses fatores
mundo é cada vez menor. dificultam a livre transação comercial entre países
Na globalização, é possível conhecer a su- que não fazem parte dos mesmos blocos, porém, fa-
premacia cultural e produtos específicos de vários cilitam o comércio para os países do mesmo bloco.
países. O planeta é composto por vários mundos, Os países que participam da zona livre de comércio,
com formas de organização de sociedades bem além de buscarem a retenção de impostos, por mui-
diferenciadas. tas vezes se fortalecem diante da globalização.

Principais blocos econômicos


OBSERVE ESTE CASO
Nafta - Acordo Norte-Americano de Li-
Produtos naturais X artificiais vre Comércio
Mercosul - Mercado Comum do Sul
Após o surgimento e desenvolvimen- Alca – Área de Livre Comércio das Américas
to das indústrias, o mundo que vivenciava um UE - União Europeia
naturalismo habitual passou a vivenciar um ar- Asean - Associação das Nações do Su-
tificialismo provocado pelas indústrias e pelo deste Asiático
avanço tecnológico. A distribuição de produtos Apec - Cooperação Econômica Ásia-
industrializados passou a ser mais prática e efi- Pacífico
ciente que os produtos cuja origem era o campo, As empresas multinacionais são as res-
ou seja, o suco de laranja natural perdeu muitos ponsáveis pela propagação da economia glo-
consumidores para o “suco de caixinha”. balizada no mundo.

Economia e Mercado - Aula 4 43 Instituto Universal Brasileiro


VEJA SE APRENDEU

1. Mercado é entendido como lugar da livre concorrência entre vendedores e consumido-


res. Quais os fatores que determinam o preço de mercado?
a) ( ) Demanda e Produção
b) ( ) Oferta e Venda
c) ( ) Produção e Venda
d) ( ) Demanda e Oferta

2. É determinada por um grande número de compradores, associada, diretamente, a um


grande número de vendedores. Este conceito pertence a qual tipo de concorrência?
a) ( ) Concorrência perfeita
b) ( ) Concorrência imperfeita
c) ( ) Concorrência livre
d) ( ) Concorrência aberta

3. Os fatores que influenciam a mudança de equilíbrio do mercado são o aumento e a dimi-


nuição na demanda e na oferta. Sabendo disso, o que provoca então o equilíbrio no mercado?
a) ( ) Quando há aumento de preço e um aumento na quantidade de equilíbrio.
b) ( ) Quando a proporção da quantidade de demanda é a mesma da oferta por causa do
preço.
c) ( ) Quando há diminuição no preço e na quantidade de equilíbrio.
d) ( ) Quando há aumento no preço e uma diminuição na quantidade de equilíbrio.

4. A situação de mercado em que a oferta é controlada por um pequeno número de grandes


empresas é denominada:
a) ( ) Monopólio.
b) ( ) Oligopólio.
c) ( ) Monopsônio.
d) ( ) Oligopsônio.

5. Assinale V (Verdadeiro) ou F (Falso):

( ) A globalização é a fase mais recente do sistema socialista, um período técnico-científico


e informacional.
( ) Na globalização as empresas competem entre si para maior abertura em seus mercados
atuantes e em outros mercados para os quais exportam.
( ) Foi através da globalização que surgiram os blocos econômicos.
( ) Os países que participam da zona livre de comércio, além de buscarem a retenção de
impostos, por muitas vezes se enfraquecem diante da globalização.

a) ( ) V – F – V – F
b) ( ) F – V – F – V
c) ( ) F – V – V – F
d) ( ) V – F – F – V

Economia e Mercado - Aula 4 44 Instituto Universal Brasileiro


VEJA SE APRENDEU - RESPOSTAS

AULA 1
ECONOMIA

1. Economia é a ciência que estuda a produção, distribuição e consumo de bens materiais e de


serviços, além do aproveitamento racional e consciente de recursos e controle nas despesas. Como
ciência, surgiu há muito tempo, com a publicação de:

a) ( ) O capital (1867), de Karl Marx.


b) ( ) Princípios de economia política (1843), de John Stuart Mill.
c) ( x ) A riqueza das nações (1776), de Adam Smith.
d) ( ) Princípios de economia política (1820), de Thomas Malthus.

2. Segundo o teórico Thomas Maltus, existem vários problemas econômicos a serem resolvidos,
o mais importante deles é:

a) ( x ) colocar em harmonia a taxa de crescimento populacional com os meios de subsistência.


b) ( ) estruturar a produção para que atenda toda a demanda dos consumidores.
c) ( ) eliminar os fatores que incidem na diminuição dos meios de sobrevivência.
d) ( ) organizar as cadeias produtivas para que produzam cada vez mais e melhor.

3. Segundo a obra Princípios de economia política de John Stuart Mill, a distribuição de renda depende:

a) ( ) da família.
b) ( x ) das leis e costumes da sociedade.
c) ( ) dos burgueses.
d) ( ) da Igreja.

4. Karl Marx apresenta a exploração sob dois aspectos que são complementares: econômico e
social. As descrições abaixo se aplicam a que aspecto?
I - Adotando a teoria do valor, desenvolvida pelos clássicos, Marx afirma que o valor de uma mer-
cadoria deveria ser determinado pelo tempo de trabalho para sua produção.
II - O valor de uma mercadoria deve pertencer a quem fornece o trabalho, ou seja, ao operário.
a) ( x ) I – Aspecto econômico e II – Aspecto social.
b) ( ) I e II – Aspecto econômico.
c) ( ) I e II – Aspecto social.
d) ( ) I – Aspecto social e II – Aspecto econômico.

5. Quanto às definições sobre macroeconomia e microeconomia, assinale a única alternativa incorreta.

a) ( ) Macroeconomia estuda o funcionamento da economia de um país de uma maneira mais


abrangente.
b) ( ) Microeconomia trata do comportamento das empresas, famílias, indivíduos.
c) ( x ) O estudo da microeconomia considera a taxa de câmbio e o volume de poupança do país.
d) ( ) O estudo da macroeconomia abrange o nível geral dos preços, emprego e desemprego,
renda, produto nacional etc.
Economia e Mercado 45 Instituto Universal Brasileiro
AULA 2
EMPRESA E PRODUÇÃO

1. Como aprendemos nessa aula, produção é a criação de bens e serviços com a finalidade suprir
as necessidades das pessoas. Sabendo disso, escreva PBE para Produção de Bens Econômicos e PS
para Produção de Serviços. Depois. Marque a alternativa correta.

( PBE ) Remédios
( PS ) Atendimento médico
( PS ) Transporte público
( PBE ) Alimentos

a) ( ) PS – PBE – PS – PBE
b) ( x ) PBE – PS – PS – PBE
c) ( ) PS – PS – PBE – PBE
d) ( ) PBE – PBE – PS - PS

2. De acordo com o que foi aprendido sobre os fatores de produção, os minérios, o trigo e o
algodão são exemplos de:
a) ( ) Bens finais
b) ( ) Bens intermediários
c) ( x ) Matérias-primas
d) ( ) Todas as alternativas estão corretas

3. A eficiência tecnológica se diferencia da eficiência econômica por permitir a produção de:


a) ( ) Uma mesma quantidade de produtos com menos qualidade.
b) ( ) Diferentes tipos de produtos com mais custos envolvidos.
c) ( x ) Uma mesma quantidade de produtos com menos fatores de produção.
d) ( ) Uma mesma quantidade de produtos com mais fatores de produção.

4. Escreva CF para Custos fixos e CV para Custos variáveis. Depois, assinale a alternativa correta.

(CF) IPTU
(CV) Maquinário
(CV) Mão de obra
(CF) Aluguel

a) ( ) CV – CV – CF - CF
b) ( ) CF – CF – CV - CV
c) ( ) CV – CF – CF - CV
d) ( x ) CF – CV – CV - CF

5. A quantidade demandada de produtos pelos consumidores é influenciada por muitos fatores.


Assinale a alternativa que não indica um desses fatores.
a) ( ) Preço do bem ou do serviço.
b) ( ) Salário do consumidor.
c) ( x ) Custo do aluguel da empresa.
d) ( ) Preferência e gosto do consumidor.

Economia e Mercado 46 Instituto Universal Brasileiro


AULA 3
TRABALHO E SALÁRIO

1. O que significa empregabilidade?


a) ( x ) Conjunto de competências e habilidades necessárias para uma pessoa se manter na em-
presa.
b) ( ) Conjunto de atividades produtivas e criativas que o homem exerce para atingir determi-
nado fim.
c) ( ) Princípio em que se usa os recursos naturais para satisfação de necessidades no presente,
sem comprometer as gerações futuras.
d) ( ) Privilégio legal, ou de fato, que uma pessoa ou empresa possui para fabricar ou vender
certas coisas.

2. Escolha as palavras que completam corretamente a frase:


O trabalho assalariado é a relação de trabalho caracterizada pela troca da ________________
por _______________.
a) ( x ) força de trabalho – salário.
b) ( ) mercadoria – remuneração.
c) ( ) assiduidade – esforço físico.
d) ( ) atividade – troca de bens.

3. Uma das formas de pagamento de salário é em dinheiro. Mas também existe outra forma, di-
retamente ligada à venda de produtos ou ao cumprimento de metas estabelecidas, visando incentivar
os resultados comerciais. Qual é?
a) ( ) Valo fixo.
b) ( ) Receita.
c) ( x ) Comissão.
d) ( ) Variável.

4. A função primordial dos sindicatos é a conquista de melhores salários. Uma dessas conquistas
foi um teto mínimo para o pagamento dos trabalhadores, conhecido como:
a) ( ) salário base.
b) ( x ) salário mínimo.
c) ( ) teto salarial.
d) ( ) salário família.

5. Assinale Verdadeiro ou Falso:

( ) Para se categorizar como MEI é necessário se enquadrar num teto de faturamento máximo
permitido por ano.
( ) SEBRAE significa: Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas.
( ) “Pejotização” é conhecida como uma prática do empregador em contratar um funcionário
como pessoa jurídica (PJ).
( ) O reajuste do salário mínimo está previsto na Constituição Brasileira.

a) ( ) F – V – F – V
b) ( ) F – V – F – V
c) ( ) F – F – V – V
d) ( x ) V – V – V – V

Economia e Mercado 47 Instituto Universal Brasileiro


AULA 4
MERCADO E SUA ESTRUTURA

1. Mercado é entendido como lugar da livre concorrência entre vendedores e consumido-


res. Quais os fatores que determinam o preço de mercado?
a) ( ) Demanda e Produção
b) ( ) Oferta e Venda
c) ( ) Produção e Venda
d) ( x ) Demanda e Oferta

2. É determinada por um grande número de compradores, associada, diretamente, a um


grande número de vendedores. Este conceito pertence a qual tipo de concorrência?
a) ( x ) Concorrência perfeita
b) ( ) Concorrência imperfeita
c) ( ) Concorrência livre
d) ( ) Concorrência aberta

3. Os fatores que influenciam a mudança de equilíbrio do mercado são o aumento e a dimi-


nuição na demanda e na oferta. Sabendo disso, o que provoca então o equilíbrio no mercado?
a) ( ) Quando há aumento de preço e um aumento na quantidade de equilíbrio.
b) ( x ) Quando a proporção da quantidade de demanda é a mesma da oferta por causa do
preço.
c) ( ) Quando há diminuição no preço e na quantidade de equilíbrio.
d) ( ) Quando há aumento no preço e uma diminuição na quantidade de equilíbrio.

4. A situação de mercado em que a oferta é controlada por um pequeno número de grandes


empresas é denominada:
a) ( ) Monopólio.
b) ( x ) Oligopólio.
c) ( ) Monopsônio.
d) ( ) Oligopsônio.

5. Assinale V (Verdadeiro) ou F (Falso):

( ) A globalização é a fase mais recente do sistema socialista, um período técnico-científico


e informacional.
( ) Na globalização as empresas competem entre si para maior abertura em seus mercados
atuantes e em outros mercados para os quais exportam.
( ) Foi através da globalização que surgiram os blocos econômicos.
( ) Os países que participam da zona livre de comércio, além de buscarem a retenção de
impostos, por muitas vezes se enfraquecem diante da globalização.

a) ( ) V – F – V – F
b) ( ) F – V – F – V
c) ( x ) F – V – V – F
d) ( ) V – F – F – V

Economia e Mercado 48 Instituto Universal Brasileiro


APRENDA FAZENDO - RESPOSTA

ECONOMIA E MERCADO

Para exercitar na prática os conhecimentos adquiridos com os estudos das aulas de


Economia e Mercado, resolva a questão abaixo.
A empresa RP - Recuperadora de Pneus tem os seguintes custos:
• Água - R$ 400,00
• Energia elétrica - R$ 1.500,00
• Aluguel - R$ 2.500,00
• Mão de obra - R$ 4.500,00
• INSS - R$ 990,00
• Seguro - R$ 220,00
• Impostos - R$ 750,00
• Matéria-prima - R$ 1.800,00
• Equipamentos - R$ 2.150,00
Monte a tabela de acordo com os itens de custo.

Cálculo dos custos da Empresa RP - Recuperadora de Pneus


Tabela de custos

Descrição dos gastos Fixos Variáveis Valor $


Água x 400,00
Energia Elétrica x 1.500,00
Aluguel x 2.500,00
Mão de Obra x 4.500,00
INSS x 990,00
Seguros x 220,00
Impostos x 750,00
Matérias Primas x 1.800,00
Equipamentos x 2.150,00
TOTAIS: 14.810,00
Total de pneus recuperados (Q) = 600 unidades

Determine os custos fixos, variáveis e total. Calcule também os custos médios desta empresa.

• Custos Fixos (CF): aluguel + seguros + impostos = 2.500,00 + 220,00 + 750,00 = R$ 3.470,00
• Custos Variáveis (CV): água + energia elétrica + mão de obra + INSS + matérias primas +
equipamentos = 400,00 + 1.500,00 + 4.500,00 + 990,00 + 1.800,00 + 2.150,00 = R$ 11.340,00
• Custo Total (CT): CF + CV = 3.470,00 + 11.340,00 = R$ 14.810,00
• Custos Médios (CMe):
Portanto, teríamos R$ 24,68 de custo
CMe = CT = R$14.810,00 CMe = R$ 24,68
Q 600 médio em cada unidade produzida.

Economia e Mercado 49 Instituto Universal Brasileiro


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

MÓDULO 1 – VOLUME 2

ASSEF, Roberto. Guia prático de administração financeira: pequenas e médias empre-


sas. Rio de Janeiro: Editora Campus, 2003.

BERNARDI, Luiz Antonio. Manual de plano de negócios. São Paulo: Atlas, 2014.

LUIZ, Sinclayr. Organização e técnica comercial. São Paulo: Saraiva, 1999.

MARX, Karl. O capital. São Paulo: Édipo, 2008.

ROSSETTI, José Paschoal. Introdução à economia. São Paulo: Atlas, 2003.

SANDRONI, Paulo. Traduzindo o economês. Rio de Janeiro: Best Seller, 2000.

SCHOPENHAUER, Arthur. O mundo como vontade e representação. Rio de Janeiro: Con-


traponto Editora, 2001.

SMITH, Adam. A riqueza das nações. São Paulo: Martins Fontes, 2013. v. 1 e 2.

UHLMANN, Günter Wilhelm. Administração: das teorias administrativas à administra-


ção aplicada e contemporânea. São Paulo: FTD, 1997.

VASCONCELLOS, Marco Antonio Sandoval de; TROSTER, Roberto Luis. Economia básica.
São Paulo: Atlas, 1998.

Economia e Mercado 50 Instituto Universal Brasileiro

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