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Argentina Maria Paulino Mathlombe

O Papel da Adopção de Menores por Estrangeiros na Protecção da Criança em


Moçambique

Licenciatura em Direito

Universidade Pedagógica
Maxixe
2019
Argentina Maria Paulino Mathlombe

O Papel da Adopção de Menores por Estrangeiros na Protecção da Criança em


Moçambique

Monografia científica a ser apresentada


no Departamento de Ciências Sociais e
Filosóficas para obtenção do grau
académico de Licenciatura em Direito.

Supervisor: Dr. Paulo Inguane

Universidade Pedagógica
Maxixe
2019
Índice
Lista de Figuras ......................................................................................................................... iv

Lista de Acrónimos e Siglas ....................................................................................................... v

Declaração ................................................................................................................................ vii

Dedicatória ..............................................................................................................................viii

Agradecimentos......................................................................................................................... ix

Resumo ....................................................................................................................................... x

Abstract ..................................................................................................................................... xi

Introdução ................................................................................................................................ 12

1.1. Objectivos ........................................................................................................................ 12

1.1.1. Objectivo Geral .............................................................................................................. 12

1.1.2.Objectivos Específicos .................................................................................................... 12

1.1. Estrutura do trabalho ......................................................................................................... 13

1.2. Problematização ................................................................................................................ 13

1.3. Hipóteses ........................................................................................................................... 14

1.4. Objectivos ......................................................................................................................... 14

1.4.1. Geral ............................................................................................................................... 14

1.4.2. Específicos ..................................................................................................................... 14

1.5. Justificativa ....................................................................................................................... 14

1.6. Metodologia ...................................................................................................................... 15

1.6.1. Tipo de Pesquisa ............................................................................................................ 15

1.6.1.1. Quanto aos objectivos ................................................................................................. 15

1.6.1.2. Quanto à Abordagem .................................................................................................. 15

1.6.1.3. Quanto aos procedimentos .......................................................................................... 15

1.6.1.4. Método de pesquisa ..................................................................................................... 15

1.6.1.5. Método Indutivo .......................................................................................................... 16

1.6.1.6. Técnicas e instrumentos de recolha de dados ............................................................. 16


1.6.1.7. Entrevista..................................................................................................................... 16

1.7. Observação ........................................................................................................................ 16

1.8. Amostra ............................................................................................................................. 17

1.10. Testes Psicológicos/ Sessões Lúdicas ............................................................................. 17

1.10.1.Diagnóstico............................................................................................................ 18

1.10.2.Entrevista Devolutiva/Encaminhamento ....................................................................... 18

1.10.3.Intervenção .................................................................................................................... 19

1.11. Tratamento de Dados ...................................................................................................... 19

1.12. Limitações do Estudo ...................................................................................................... 19

Capítulo I.................................................................................................................................. 20

Revisão Bibliográfica ............................................................................................................... 20

2. Conceitos fundamentais ....................................................................................................... 20

2.1. Intervenção ........................................................................................................................ 20

Áreas de Avaliação do Diagnóstico Psicológico................................................................... 24


Capítulo II ................................................................................................................................ 26

3. Apresentação, Discussão e Análise de Resultados ........................................................... 26

5. Conclusão ............................................................................................................................. 45

Sugestões psicopedagógicas..................................................................................................... 46

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ..................................................................................... 50

Legislação Consultada: ......................................................... Error! Bookmark not defined.


Apêndice .................................................................................................................................. 52
iv

Lista de Figuras

Figura 1: Reflectindo as Vozes das Crianças ........................... Error! Bookmark not defined.
Figura 2: Pessoas registadas em 2014 ...................................... Error! Bookmark not defined.
Figura 3: Distribuição da População por Província .................. Error! Bookmark not defined.
v

Lista de Acrónimos e Siglas

ARISNS – Actividade de registo integradas na Semana Nacional de Saúde

BM – Banco Mundial

CDC – Convenção das Nações Unidas pata os Direitos da Criança

CIP – Centro de Integridade Pública

CNAC – Conselho Nacional de Acção Social

CRM – Constituição da República de Moçambique

DCSF – Departamento de Ciências Sociais e Filosofia

FMI – Fundo Monetário Internacional

ICA– Intercountry Adoption Special Commission

IDS – Inquérito Demográfico e de Saúde

INAS – Instituto Nacional de Acção Social

INE – Instituto Nacional de Estatística

IOF – Inquérito aos Orçamentos Familiares

LOJM – Lei da Organização Jurisdicional de Menores

LFC – Linha Fala Criança

MEF – Ministérios da Economia e Finanças

MISAU – Ministério da Saúde

MMAS – Ministério da Mulher e Acção Social

OMS – Organização Mundial de Saúde

ONG – Organização Não Governamental

PARP – Plano de Acção para a Redução da Pobreza

PIAPI – Projecto de Identificação Acelerada e Pessoas Indocumentadas

PES – Plano Económico e Social

RGPH – Recenseamento Geral da População e Habitação


vi

ROSC – Fórum da Sociedade Civil para os Direitos da Criança

SNS – Sistema Nacional de Educação

UNICEF – Fundo das Nações Unidas para a Infância

UP – Universidade Pedagógica
vii

Declaração

Declaro que esta Monografia Cientifica é resultado da minha investigação pessoal e das
orientações do supervisor, o seu conteúdo é original e todas as fontes consultadas estão
devidamente mencionadas no texto, nas notas e na bibliografia final.

Declaro ainda que este trabalho não foi apresentado em nenhuma outra instituição para
obtenção de qualquer grau académico.

Maxixe, ___ de Março de 2019

___________________________

(Argentina Maria Paulino Mathlombe)


viii

Dedicatória

Dedico esta monografia, em primeiro lugar a minha mãe, esta que


sempre teve o sonho de ver a sua filha formada, ao meu esposo
(Jorge), pela paciência e moral que me deu durante o percurso e a
minha filha, para esta última, que esta obra sirva de fonte de
inspiração na sua vida académica.
ix

Agradecimentos

Em primeiro lugar endereço os meus agradecimentos aos Docentes Adilson Valdano


Muthambe e a Dr. Cecília Xavier pela oportunidade de nos terem escolhido para o Programa
Específico de Estágios no âmbito do Memorando de Entendimento entre a Fundação AVSI e
a Faculdade de Ciências de Educação e Psicologia da Universidade Pedagógica de
Moçambique.

Um sincero agradecimento a minha tia Coleta Sondo e seu esposo Paulo Cumbane por todo o
apoio prestado na elaboração deste Relatório de Estágio em Psicologia Educacional e por toda
a disponibilidade e empenho demonstrados. A todos que directa ou indirectamente,
contribuíram para a execução deste Relatório.

Uma saudação especial a minha família, principalmente a minha mãe Celina Leão Nhanala
pelo apoio moral. Agradeço aos colegas do Curso de Psicologia Educacional e em particular
aos colegas do grupo de estágios pela paciência e pelo colectivismo, e que mesmo com
dificuldades nos fizemos presentes em todas manhãs a Escola Primária Completa Unidade 13,
a procura de mais bagagem no que concerne a Cadeira de Estagio.

A Fundação AVSI juntamente com a Kandlelo pela oportunidade maravilhosa de poder


trabalhar no Projecto: MAÊCI na “Promoção da escolarização Primária e do desenvolvimento
comunitário no Distrito de Nhlamankulu - EDUCAR PELA BELEZA, bem como pelo apoio
incondicional e material oferecido para a realização deste trabalho. Em especial aos
colaboradores da fundação AVSI pelo suporte dado no trabalho, hospitalidade, aprendizado,
em especial a: Alessio, a Iva, a Ângela, Halima Alfredo, Ester de Fátima, ao Jorge e aos
Psicólogos Neusa Chope e Cremildo Chichonge, e todos colaboradores da AVSI que directas
ou indirectamente estiveram apoiando o nosso trabalho.

A todos directores, professores e os demais funcionários da Escola Primária Completa Unidade


13 por sempre se terem mostrado disponíveis para ajudar em tudo o que lhes fosse possível.

A todas as crianças da Escola pelo carinho demonstrado em todos os momentos de estágio bem
como aos seus encarregados de educação. Ao meu parceiro, pela ajuda, compreensão,
dedicação e muita paciência em todos momentos mais stressantes da minha vida académica e
pessoal.

Com muita satisfação endereço o meu muito obrigado a todos.


x

Resumo

A adopção hoje, não consiste em dar filhos para aqueles que por motivos de infertilidades não
os podem conceber, ou por ter pena de uma criança, ou ainda, alivio para a solidão. O objectivo
da adopção é cumprir plenamente às reais necessidades da criança, proporcionando-lhe uma
família, onde ela se sinta acolhida, protegida, segura e amada. Este trabalho tem como objectivo
principal analisar o papel da adopção de menores por estrangeiros em Moçambique na
protecção da criança. Para a realização deste estudo foi aplicado um questionário, devido ao
método e técnicas empregues no trabalho, foi possível analisar o fenómeno em causa e aceitar
dessa forma a hipótese levantada. Desta pesquisa foi possível ver que a adopção dos menores
por estrangeiros contribui na protecção da criança em Moçambique, visto que a adopção
contribui na redução da vulnerabilidade das crianças devidos as condições financeiras ou
sociais. Além disso, os números de adopção tendem a diminuir na cidade de Maputo e o resto
do país, devido a elevados casos de tráfico de menores que tem vindo a ser registados nos
últimos anos. De acordo com as respondentes, os anos anteriores tiveram diversos casos de
adopções, mas actualmente os números revelam uma diminuição, e sem contar que muitos
preferem crianças recém-nascidas e do sexo feminino.

Palavras-chave: Adopção, menores e Acção Social.


xi

Abstract

Adoption today does not consist in giving children to those who, because of infertility, cannot
conceive them, or because they feel sorry for a child, or as a relief to loneliness. The goal of
adoption is to fully meet the child's real needs by providing a family where she feels welcomed,
protected, safe and loved. This paper aims to analyze the role of the adoption of minors by
foreigners in Mozambique in the protection of the child. For the accomplishment of this study
a questionnaire was applied, due to the method and techniques employed in it, it was possible
to analyze the phenomenon in question and to accept the hypothesis raised. From this research
it was possible to see that the adoption of minors by foreigners contributes to the protection of
children in Mozambique, since adoption contributes to reducing the vulnerability of children
due to financial or social conditions. In addition, adoption numbers tend to decline in the city
of Maputo and the rest of the country, due to high cases of child trafficking that have been
registered in recent years. According to the respondents, the previous years have had a number
of adoption cases, but today the figures show a decrease, not to mention that many prefer
newborn and female children.
Keywords: Adoption, minors and Social Action.
Introdução

O presente relatório pretende debruçar se sobre as actividades realizadas no estágio em


Psicologia Educacional, cujos objectivos visam integrar os estagiários nas actividades do
campo. O estágio também pretende integrar os estagiários nas actividades de forma a aprender
e aplicar os seus conhecimentos teóricos em prática, e permite o contacto directo com a
realidade de acordo com as condições reais do local, nesse âmbito o psicólogo vai actuar de
forma a intervir para a melhoria do processo de aprendizagem.

É sabido que a aprendizagem é um processo complexo, pois sua fonte encontra-se no meio
natural e social, abrangendo os hábitos que formamos e a assimilação de valores culturais ao
longo do processo de socialização. Nela ainda intervêm muitos factores internos de natureza
psicológica e biológica que interagem entre si e ambos com meio externo. Assim, a situação
em que ocorre a aprendizagem pode ser compreendida como o momento em que a criança
enfrenta uma exigência externa, e portanto social, e consequentemente mobiliza e desenvolve
respostas para atender de maneira satisfatória essa exigência. A aprendizagem é um processo
dinâmico e em constante mudança. Assim sendo os alunos são colocados no centro de
aprendizagem e como sujeitos activos no processo, onde juntamente com o professor e dentro
de um ambiente saudável elaboram o conhecimento com a finalidade de desenvolver
competências básicas que o mesmo deve saber até ao final de cada ciclo ou etapa de
aprendizagem. Por outro lado promove uma cultura de saber ser, saber estar e saber fazer, o que
será útil para si, para família e para sociedade.

1.1. Objectivos

1.1.1. Objectivo Geral

 Intervir a nível dos problemas de aprendizagem e dar um acompanhamento psico-


educacional

1.1.2.Objectivos Específicos

 Pretende se melhorar a qualidade da escolarização primária no distrito de Nhlamankulu,


e aumentar a eficácia do ensino;

 Fortalecer as instituições competentes e a participação dos pais e encarregados de


educação;
 Pretende - se assegurar a educação inclusiva, equitativa e de qualidade e promover
oportunidades de aprendizagem ao longo da vida para as crianças das escolas
abrangidas.

1.1. Estrutura do trabalho

Esta pesquisa apresenta a seguinte estrutura: no capítulo I, destaca-se a introdução e a


delimitação do tema, o problema de pesquisa, os objectivos, as hipóteses e a justificativa; no
capítulo II faz-se a revisão bibliográfica com abordagem dos principais conceitos que
fundamentam o estudo; no capítulo III trata-se da descrição da metodologia aplicada na
pesquisa; no capítulo IV faz-se a apresentação do estudo de caso e discussão dos resultados
encontrados e a validação das hipóteses e por fim no capítulo V: apresenta-se a conclusão e
sugestões.

1.2. Problematização

A todo instante surgem questionamentos do ponto de vista sócio-cultural, a respeito as


probabilidades de êxito de uma criança numa sociedade diversa, social, cultural, linguística,
hábitos, tradições e racialmente distinta de sua origem: A adopção de menor por Estrangeiros
apresenta uma dimensão extra familiar a diferenciá-la da adopção nacional, pois os menores
adoptivos irão viver em países de cultura, hábitos e sistema jurídico bastante diferente e sem
nenhum acompanhamento.

A realidade na qual se vive é muito triste, nosso país é pobre e com um grande número de
menores órfãs, com pais desaparecidos, desconhecidos, suspensos ou até mesmo destituídos do
poder familiar. Para um menor ser colocado em família substituta (internacional), é
essencialmente investir na manutenção dos vínculos com a família natural, e o destino do menor
após adopção somente quando esgotado essa possibilidade, pode ser concedida a adopção aos
adoptantes.

Na adopção moderna o melhor critério levado em consideração para colocação em família


substituta é o interesse do menor. Essa directriz se expressa no princípio do melhor interesse do
menor, trazido pelo Estatuto da Criança. O grande problema é que na prática esse princípio não
tem sido observado, pois do contrário, não seria tão grande o número de escolhas no acto de
adoptar, fazendo com que sejam elevados os próprios interesses e não os do menor. Tendo em
contas os aspectos supracitados, surge a seguinte questão: Qual o papel da adopção dos
menores por Estrangeiros na protecção das crianças em Moçambique?
1.3. Hipóteses

1. A adopção dos menores por estrangeiros contribui na protecção da criança em


Moçambique, visto que a adopção, visto que a mesma reduz a vulnerabilidade das
crianças devidos as condições financeiras ou sociais;
2. Será que essa adopção não estará a por em causa o proprio procedimento da adopção no
que diz respeito ao acompanhemento nos menores.

1.4. Objectivos

1.4.1. Geral

1. Analisar o papel da adopção de menores por estrangeiros em Moçambique na


protecção da criança.

1.4.2. Específicos

1. Explicar os procedimentos de adopção de menores em Moçambique;


2. Identificar a omissidade jurídico da protecção e adopção dos menores por estrangeiro
em Moçambique;
3. Examinar os elementos que podem se constituir em referência no processo de adopção
em Moçambique;
4. Relacionar a adopção dos menores por estrangeiros e a protecção da criança.

1.5. Justificativa

Através desse conceito é possível constatar que a adopção consiste em criação, por sentença
judicial, de um vínculo jurídico semelhante ao que resulta da filiação natural,
independentemente dos laços de sangue.

Neste sentido, o presente estudo justifica-se pela sua contribuição, a nível académico, para o
debate sobre o papel da adopção dos menores por estrangeiros e os seus contributos na
protecção das crianças e servirá como subsídio para futuros estudos sobre o tema, visto que este
fenómeno tem vindo a crescer a cada dia no país. Mesmo com o crescente número de pessoas
que pretendem adoptar devido a vários factores, há falta de informações nas bibliotecas e a
mídia pouco faz chegar ao público informações que versam sobre o tema em causa.

A realização desta pesquisa também contribui no âmbito social, pois servirá como estímulo
para os lutam incansavelmente na melhoria e promoção dos direitos das crianças vulneráveis,
pois, prestarão mais atenção no papel da adopção para a protecção das crianças e redução dos
abusos que as crianças têm vindo a sofrer.

1.6. Metodologia

1.6.1. Tipo de Pesquisa

1.6.1.1. Quanto aos objectivos

Do ponto de vista dos objectivos aplicamos uma pesquisa exploratória, a qual, segundo Gil
(2008, p. 79), tem como preocupação central explorar fenómenos menos conhecidos pelo
pesquisador. Este é o tipo de pesquisa que aproxima o investigador à realidade nova, que pouco
ou nunca foram explorados. Este é o tipo de pesquisa que ajudou a aprofundar o conhecimento
da realidade, porque colocou a pesquisadora a analisar melhor o efeito da adopção de menores
por estrangeiros.

1.6.1.2. Quanto à Abordagem

Do ponto de vista da forma de abordagem do problema, optamos por uma pesquisa qualitativa.
Neste âmbito, Turanto (2003, pp. 25-26) considera que trabalhar qualitativamente implica por
definição, entender e interpretar os sentidos que uma pessoa dá aos fenómenos em foco, por
meio de técnicas de observação e entrevista em profundidade e são valorizados os contactos
pessoais.

Desta forma, a pesquisa foi do tipo qualitativo porque no processo da pesquisa, a interpretação
dos fenómenos e a produção da informação foram processos qualitativos, ou seja, buscou-se
entender e interpretar os sentidos que os inquiridos deram a respeito do efeito.

1.6.1.3. Quanto aos procedimentos

Quanto aos procedimentos, a pesquisa foi do campo (estudo de caso). Por definição, segundo
Gil (2008, p. 99), as pesquisas do campo ou estudos de caso são aqueles em que o pesquisador
“procura muito mais o aprofundamento das questões propostas do que a distribuição das
características da população segundo determinadas variáveis”.

A nossa pesquisa foi de campo porque o pesquisador se deslocou ao terreno onde o problema
se verifica de modo a obter dados que testaram as suas hipóteses em relação ao problema.

1.6.1.4. Método de pesquisa

O método de pesquisa constitui um procedimento concreto de investigação, com finalidade


mais restrita, em termos de explicação geral dos fenómenos menos abstractos. Pressupõe uma
atitude concreta em relação ao fenómeno e está limitado num domínio particular (MARKONI
& LAKATOS, 2009, p. 166).

1.6.1.5. Método Indutivo

O método de pesquisa no trabalho foi indutivo, o qual, Markoni & Lakatos (2009, p. 167)
afirmam que consiste no processo mental através do qual a partir de dados particulares
constatados, infere-se numa verdade geral, com o objectivo de levar as conclusões cujo
conteúdo é mais amplo do que o da premissa na qual se baseiam. Deste modo, o método
indutivo foi útil pois, com base nas conclusões particulares obtidas a partir da amostra
seleccionada, inferiu-se uma conclusão geral à toda instituição.

1.6.1.6. Técnicas e instrumentos de recolha de dados

Pardais & Correia (1995, p. 48) consideram a técnica como “um instrumento de trabalho que
viabiliza a realização de uma pesquisa” que através de execução do conjunto de operações de
um método, permite confrontar o corpo de hipóteses com a informação colhida na amostra.

1.6.1.7. Entrevista

De acordo com Markoni & Lakatos (2010, p. 80), entrevista é um encontro entre duas pessoas,
a fim de que uma delas obtenha informações a respeito de determinado assunto, mediante uma
conversação de natureza profissional. Para o caso da pesquisa, usou-se uma entrevista do tipo
semi-estruturado, que se desenvolveu a partir de uma relação flexível de perguntas, cuja ordem
e redacção variam de acordo com o contexto do decurso, (GIL, 2008, p. 113).

A escolha da entrevista semi-estruturada foi movida pela ideia de que, durante a entrevista, o
pesquisador faz outras perguntas complementares às pré-elaboradas bem como possibilitou
refazer as mesmas perguntas, de diversas maneiras de modo a responder às demandas
situacionais do processo. Esta técnica permitiu obter informações, por meio de uma conversa
com os funcionários do Serviço da Acção Social para colher sensibilidades acerca da temática
em análise.

1.7. Observação

A Observação, segundo Gil (2008, p. 104), é frequentemente utilizada em pesquisas que têm
como objectivo a descrição precisa dos fenómenos ou o teste de hipóteses onde o pesquisador
se faz presente no campo de pesquisa, observando fisicamente os fenómenos. Esta técnica
permitiu que o pesquisador entrasse em contacto directo com os menores de uma forma
participativa.
1.8. Amostra

Marconi & Lakatos (2003, p. 222) referem que a amostra constitui uma determinada parcela
seleccionada a partir do tamanho do universo e se propõe a sua determinação com base em
números representativos. Para recolha de dados referentes ao nosso estudo usamos uma amostra
do tipo aleatória estratificada, a qual, segundo Gil (2008, p. 27), se caracteriza pela selecção de
indivíduos de cada subgrupo da população considerada. O fundamento para delimitar os
subgrupos ou estratos pode ser encontrado em propriedades como sexo, idade ou classe social.

1.9. Visita Domiciliar

A visita domiciliar é uma técnica que vem sendo utilizada por diferentes profissionais,
consistindo no atendimento ou acompanhamento dos usuários no seu local de residência. As
visitas domiciliares podem servir como uma forma de criar fortes vínculos afectivos com
pacientes, especialmente os que podem estar com dificuldade de locomoção (ROCHA et al.,
2017). As visitas servem também para poder perceber qual é a realidade (situação
socioeconómica, cultural, etc.) do aluno/paciente e como essa situação ajuda ou agrava no
problema que a criança apresenta na escola.

No âmbito desta actividade utilizamos como instrumento a ficha de Anamnese que visa colher
dados do historial da criança na família fazendo uma ponte do passado, do presente e uma
projecção para o futuro. Sendo assim permitiu-nos compreender melhor a criança no seio
familiar, a relação com os demais membros da família, e estruturação familiar, a percepção dos
pais e encarregados de educação em relação as particularidades da criança.

1.10. Testes Psicológicos/ Sessões Lúdicas

Testes Psicológicos são instrumentos de avaliação ou mensuração de características


psicológicas, constituindo-se de um método ou uma técnica de uso privativo do psicólogo. Ou
seja são procedimentos sistemáticos de observação e registo de amostras de comportamentos
ou respostas de indivíduos com o objectivo de descrever e/ou mensurar características e
processos psicológicos, compreendidos tradicionalmente nas áreas emoção/afecto,
cognição/inteligência, motivação, personalidade, psicomotricidade, atenção, memória, entre
outros (MANFREDINI e ARGIMON, 2010).

As actividades lúdicas são fundamentais para a compreensão dos processos cognitivos,


afectivos e sociais, e sua relação com o modelo de aprendizagem do sujeito. A actividade lúdica
fornece informações sobre os esquemas do sujeito. WINNICOTT (1975, p. 80) expressa assim
sua opinião entre o brincar e a autodescoberta: “é no brincar, e somente no brincar, que o
indivíduo, criança ou adulto, pode ser criativo e utilizar sua personalidade integral: e é somente
sendo criativo que o indivíduo descobre o eu”. No âmbito dessa actividade desenvolvemos
alguns tipos de jogos lúdicos, com objectivo de observar e trabalhar com questões subjectivas,
ou seja, questões de angústia, que a criança não tem discernimento de falar espontaneamente
durante o atendimento: Sopa de letras; Jogos de dados, de memória; Spinner; Neca; Tangram;
Palavras cruzadas; Ntchuva; berlindes; entre outros.

1.10.1.Diagnóstico
Diagnostico é um conjunto de dados, formado a partir de sinais e sintomas, do histórico clínico
e dos exames complementares, é analisado pelo profissional de saúde e sintetizado em uma ou
mais doenças. A partir dessa síntese, é feito o planejamento para a eventual intervenção e/ou
previsão da evolução, baseados no quadro apresentando. É imperioso que o psicólogo saiba o
que o seu paciente tenha, de modo a traçar um plano de intervenção eficaz bem como o
fornecimento verídico de informações em relação o problema do paciente a família.

1.10.2.Entrevista Devolutiva/Encaminhamento

MORAES (2010) alega que a entrevista devolutiva é o momento que marca o encerramento do
processo diagnóstico. É um encontro entre sujeito, psicólogo e família, visando relatar os
resultados do diagnóstico, analisando todos os aspectos da situação apresentados, seguindo de
uma síntese integradora e um encaminhamento. É uma etapa do diagnóstico muito esperado
pela família e pelo sujeito e que deve ser bem conduzida de forma que haja participação de
todos, procurando eliminar as dúvidas, afastando rótulos e fantasmas que geralmente estão
presentes em um processo diagnóstico.

Nessa actividade convocamos aos pais e encarregados de educação, a criança e o professor para
explicar o problema que a criança possui, bem como o engajamento das partes na resolução do
problema e suas possíveis consequências e riscos da falta do engajamento ou desistência ao
“tratamento”.

Quanto ao encaminhamento ainda no processo de diagnóstico deparamo-nos com casos


específicos que tivemos de fazer o encaminhamento para outros especialistas competentes no
que concerne as essas particularidades dos alunos longe da nossa área de actuação, mas que de
certa forma afectam no processo de ensino-aprendizagem do mesmo.
1.10.3.Intervenção

A intervenção é o ato ou efeito de intervir e indica uma intercessão ou mediação em alguma


situação adversa. No âmbito da medicina, uma intervenção é um procedimento feito com o
objectivo de tratar o paciente. Então o psicólogo após o diagnóstico traça juntamente com a
família possíveis formas de intervenção.

De acordo com o Dicionário de psicologia pratica (LIMA, s.d.) a psicoterapia é definida como
o tratamento dos problemas e transtornos psíquicos do individuo por meios psicológicos. O tipo
de psicoterapia deve variar segundo a natureza dos problemas do enfermo, o diagnóstico, a
idade, a maturidade, situação familiar e social. Existem três formas gerais de psicoterapia:
individual, colectiva (ou de grupos) e institucional. No que concerne as possíveis formas de
intervenção, o psicólogo recorre a certas linhas psicoterapêuticas.

1.11. Tratamento de Dados

Com os dados adquiridos na curadoria de monores, seguiu-se numa primeira fase a


categorização dos mesmos como forma de facilitar na divisão das respostas obtidas pelos
funcionarios. Esta categorização facilitou na elaboração dos subtítulos que à posterior virão a
constar no capítulo de apresentação, análise e interpretação dos dados.Ainda com os dados
colectados fizemos uma análise descretiva (como nos sugeriu a pesquisa qualitativa) por meio
demonstraçõ.

1.12. Limitações do Estudo

Durante a pesquisa encarramos várias dificuldades, dentre elas destacam-se: a difícil acesso de
algumas obras bibliográficas relevantes que abordam assuntos relacionados com o tema, por
insuficiência das mesmas nas bibliotecas locais.Também ancarrou-se dificuldade no campo de
estudo, onde alguns funcionarios não se faziam disponíveis para ajudar a responder às questões
pré-estabelecidas na entrevista, alegando a falta de tempo e outros estarem ocupados com
actividades laborais.
Capítulo I

Revisão Bibliográfica

2. Conceitos fundamentais

2.1. Intervenção

A intervenção é o ato ou efeito de intervir e indica uma intercessão ou mediação em alguma


situação adversa. No âmbito da medicina, uma intervenção é um procedimento feito com o
objectivo de tratar o paciente. Então o psicólogo após o diagnóstico traça juntamente com a
família possíveis formas de intervenção.

De acordo com o Dicionário de psicologia pratica (LIMA, s.d.) a psicoterapia é definida como
o tratamento dos problemas e transtornos psíquicos do individuo por meios psicológicos. O tipo
de psicoterapia deve variar segundo a natureza dos problemas do enfermo, o diagnóstico, a
idade, a maturidade, situação familiar e social. Existem três formas gerais de psicoterapia:
individual, colectiva (ou de grupos) e institucional. No que concerne as possíveis formas de
intervenção, o psicólogo recorre a certas linhas psicoterapêuticas.

2.2. Importância do Relatório de Estágio

A importância da elaboração do relatório de estágio reside no facto de ele ser essencial para que
o estudante possa demonstrar como foram suas actividades no campo. Com este trabalho
pretende-se reflectir e consolidar tudo aquilo que aprendemos durante o estágio profissional, o
que, futuramente, contribuirá para a nossa profissão.

O estágio possibilita-nos a construção da identidade profissional do Psicólogo Educacional, na


medida em que permite uma maior aproximação com a realidade escolar, tanto a nível de
conceitos como de procedimentos que deveremos tomar quando iniciarmos a nossa prática
profissional (GARCIA, 2011). O estágio proporcionou uma maior reflexão do papel do
psicólogo educacional, que tem como função principal a promoção da saúde biopsicossocial
dos que fazem a escola, e para isto nós profissionais desta área podemos trabalhar com os
inúmeros grupos existentes na escola – grupos de alunos, de professores, equipe técnica, dentre
outros.

Este Estágio Profissional é essencial, uma vez que é o último ano que temos antes de entrarmos
no “mercado” de trabalho. Como futuros psicólogos educacionais, é verdadeiramente
importante que tenhamos um contacto mais intensivo com as crianças, participando
activamente nas suas actividades diárias, e conhecendo um pouco daquilo que será o nosso
quotidiano e nosso trabalho futuramente. E salientar que nosso objectivo primordial no estágio
é colocar em prática aquilo que aprendemos durante estes anos.

Aspectos Sobre o Memorando de Entendimento da Fundação AVSI e FACEP

A fundação AVSI e uma organização não-governamental sem fins lucrativos fundada em 1972
e comprometida com centenas de projectos de cooperação ao desenvolvimento em cerca de 40
pais do mundo (África, América latina, Leste Europeu, Oriente Médio e Asia). A AVSI, como
órgão de promoção do desenvolvimento, desenvolve projectos em diferentes sectores através
de parceria na esfera pública, privada e com organismos de referência na cooperação
internacional, com uma especial atenção a educação e a promoção e defesa de grupos
extremamente vulneráveis, como a população carenciada.

No âmbito das actividades do projecto: “promoção da escolarização primária e do


desenvolvimento comunitário no distrito de Nhlamankulu-EDUCAR PELA BELEZA NO
NHLAMANKULU” financiada pela agência italiana de cooperação para o desenvolvimento
(AID 010555), a fundação AVSI assinalou um memorando de entendimento com a Faculdade
de Ciências de Educação e Psicologia da Universidade Pedagógica.

A FACEP e um órgão da UP, estabelecimento público do ensino superior que tem como missão
o desenvolvimento de programas de formação capazes de habilitar profissionais da educação e
de outras áreas técnicas a actuarem com competências para melhor os níveis de excelências
pedagógicas e didáctica dentro do sistema de ensino e formação em Moçambique.

Sendo que a AVSI e a FACEP são duas instituições com espíritos de cooperação no que tange
a educação dos alunos, decidiram fazer um estágio dos estudantes com o objectivo de dar
acompanhamento psicoeducacional para melhor a qualidade da escolarização primaria no
distrito de Nhlamankulu, aumentar a eficácia do ensino, fortalecer as instituições competentes
e a participação dos pais e encarregados de educação de modo a assegurar a educação inclusiva,
equitativa e de qualidade e promover oportunidade de aprendizagem ao longo da vida para as
crianças das escolas abrangidas.
2.3. Identificação do Local de Estágio

A Escola Primaria Completa Unidade 13 é uma instituição pública sob tutela do Ministério de
Educação e Desenvolvimento Humano e sob subordinação da Direcção Distrital de Educação
e Desenvolvimento Humano do Distrito Municipal de Nlhamankulu, situada na Cidade de
Maputo, Distrito Municipal de Chamanculo, a arredores da escola tem como ponto de referência
a terminal da junta onde há parque onde há transportes de viagens a nível nacional e
internacional, e também o mercado de Xipamanine.

A escola recebe o nome de Unidade pois foi construída pelos portugueses com o objectivo de
travar o fluxo dos negros nas escolas que se localizam na zona de Polana Cimento.

No ano de 1970 a escola tinha 3 salas de aulas, em 1981 foram aumentadas 9 salas de aulas, um
gabinete para a Directora da escola, um gabinete para o DAP, outro gabinete para a Directora
Administrativa, uma cantina, duas casas de banho para os professores e duas casas de banho
para os alunos. E em 2016 foram aumentadas 8 salas de aulas numa infra-estrutura de 2 pisos,
um campo multiuso, uma biblioteca e quatro casas de banho. A escola encontra – se vedada por
muros, possui dois guardas e cinco auxiliares, um jardim.

Nos dias actuais a escola possui 20 salas, um Bloco administrativo que é constituído pela
secretaria, gabinete da Directora, gabinete do DAP e gabinete da Chefe de Secretaria. Um Bloco
pedagógico: é constituído por 12 salas, 8 casas de banho, sala dos professores e uma biblioteca.
E Bloco desportivo constituído por um ginásio para andebol, voleibol, basquetebol e futesal.

A Escola lecciona em dois períodos (manhã e tarde), no período da manhã (06:30 às 11:45)
conta com as seguintes classes: 1a, 2a, 3a e 4a, no período de tarde (12:30 às 17:45) conta com
as classes de 6a e 7a. A escola tem um total de 40 professores (8 com DN1, 24 DN3 e 8 DN4),
2 Directores sendo que um é o director adjunto, ambos com o grau de Licenciatura.

2.1.Condições de Aprendizagem

Segundo QUIST (2007, p.14), dentre várias condições que contribuem para o sucesso ensino e
aprendizagem, o professor deve considerar os seguintes princípios:

 Considerar o aluno como centro do ensino e aprendizagem;


 Dominar cientificamente os conteúdos que vai leccionar;

 Conhecer os níveis de desenvolvimento intelectual e sócio afectivo das várias fases etárias
que lecciona;

 Respeitar as particularidades individuais dos meninos e o ritmo de aprendizagem.

De acordo com CARVALHO e MARTINS (1991), existem factores internos e externos ao


próprio indivíduo, que podem facilitar ou inibir o processo da aprendizagem. Alguns destes
factores estão relacionados com características das pessoas a quem se destina a formação. Outro
tipo de factores que podem condicionar a aprendizagem são os internos ao próprio indivíduo,
que fazem parte quer das suas características de personalidade quer das suas características
físicas. Alguns dos factores que condicionam a aprendizagem são:

 Idade – é uma variável de grande importância na aprendizagem. O aluno encontra-se num


período de desenvolvimento das suas capacidades cognitivas e de mudanças
neurofisiológicas.

 Inteligência - tem uma importância primordial na aprendizagem. São faculdades


intelectuais que permite ao aluno manipular símbolos, realizar pequenas operações lógicas.
Quanto mais inteligente for o indivíduo, mas faculdades terá de aprender.

 Motivação – facilita a aprendizagem. Quando o aluno empenha-se de forma activa em


aprender uma determinada matéria ou em realizar um determinado efeito, aprende mais
facilmente. Assim a motivação é fundamental para a realização de qualquer actividade com
sucesso.

 Experiências Anteriores – desenvolvem se capacidades e criam-se sentimentos que


influenciam as aprendizagens futuras. Quando o aluno aprende desenvolve as capacidades
específicas relacionadas com o conteúdo da aprendizagem, assim as experiências passadas
interferem nas capacidades futuras.
Áreas de Avaliação do Diagnóstico Psicológico

Segundo LIBANÊO (2013) os objectivos de ensino e aprendizagem são caracterizados por três
domínios, cuja classificação esta foi proposta por Bloom em 1954 que a denominou taxinomia
de Bloom. Essa classificação foi dividida em três grandes domínios nomeadamente:

 Cognitivo

Nesses objectivos enfatizam-se os aspectos de relembrar ou reproduzir algo que foi aprendido,
ou que envolvem a resolução de alguma actividade intelectual para qual o indivíduo tem que
determinar o problema essencial, então reorganizar o material ou combinar as ideias, métodos
ou procedimentos previamente aprendidos.

 Psicomotor

Nesses objectivos enfatizam-se aspectos relacionados com alguma habilidade muscular ou


motora.

 Afectivo

Aqui os objectivos enfatizam-se os aspectos relacionados ao sentimento, emoção ou grau de


aceitação ou rejeição. Tais objectivos são expressos como interesses, atitudes ou valores.

2.2. Áreas de Avaliação do Diagnóstico Psicológico

Segundo LIBANÊO (2013) os objectivos de ensino e aprendizagem são caracterizados por três
domínios, cuja classificação esta foi proposta por Bloom em 1954 que a denominou taxinomia
de Bloom. Essa classificação foi dividida em três grandes domínios nomeadamente:

 Cognitivo

Nesses objectivos enfatizam-se os aspectos de relembrar ou reproduzir algo que foi aprendido,
ou que envolvem a resolução de alguma actividade intelectual para qual o indivíduo tem que
determinar o problema essencial, então reorganizar o material ou combinar as ideias, métodos
ou procedimentos previamente aprendidos.

 Psicomotor
Nesses objectivos enfatizam-se aspectos relacionados com alguma habilidade muscular ou
motora.

 Afectivo

Aqui os objectivos enfatizam-se os aspectos relacionados ao sentimento, emoção ou grau de


aceitação ou rejeição. Tais objectivos são expressos como interesses, atitudes ou valores.
Capítulo II

3. Apresentação, Discussão e Análise de Resultados

Nesse capítulo faz-se uma apresentação e discussão dos dados encontrados no campo, através
da entrevita e observação. Não obstante da apresentação e discussão, faz-se também a analise
dos resultados de forma sumaria.

3. Descrição da Observação na Escola

No dia 08 de Março de 2018, fomos conhecer a E.P.C Unidade 13, apresentaram-nos a escola
(todos compartimentos) os directores, o pessoal escolar e as professores que trabalharíamos
com eles, entramos nas salas cumprimentamos os meninos e avisamos que estaríamos com eles
esse ano, pois isto, iniciamos com as actividades.

No diz respeito as observações nas salas de aulas usei com base os seguintes princípios: a idade,
inteligência, motivação, experiências anteriores.

No primeiro dia na sala de aulas (salas 1 e 3) cumprimentei os meninos me apresentei e disse


qual era minha função lá como estagiária psicóloga e os meninos se apresentaram para facilitar
a comunicação e o trabalho. Tentei aproximar -me deles sendo amorosa com os mesmo para
poder criar um vínculo, assim seria mais fácil aproximar dos mesmo que conversar com
franqueza.

No mesmo dia na sala de aulas (sala 1), comecei a minha observação e algo me chamou atenção,
foi de um menino chame ele de Lucas* que vinha todos os dias sujo e atrasado e sem material
didáctico. Chamei o menino e ele não me respondeu simplesmente fechou a cara e abaixou a
cabeça, então o professor disse, esse é outro não sabe nada, eu disse não existe ninguém que
não saiba nada, todos temos algum conhecimento. Na hora do intervalo o menino veio ter
comigo e me disse o nome, assim começamos uma certa amizade. Ao observa-lo noutros dias
percebi que o mesmo tem varias dificuldades que de acordo com sua idade já devia terem
sanado essas dificuldades. Em conversas com o menino pude perceber que há um conflito
familiar, pois ele nunca menciona o nome dos seus pais.

E o outro menino será Artur* (sala 3), é um menino muito briguento, ela brinca com os meninos
da turma dele e no intervalo é agitado, mas quando a professora lhe manda ao quadro ele fecha
a cara, fica zangado começa a respirar fundo e diz que não consegue. Ele se nega a escrever
alega não saber, e não quer ao menos tentar a escrever. Ele falta muito a escola sendo que ele
reside em frente a escola, caso não falte na hora o recreio sem que a professora perceba ele
gazeta a aula, referindo ir ter com meninos com uma idade superior a dele (adolescentes que
nem estudam), onde zanzam pelas ruas arrancando celulares e outros pertences as pessoas.

3.1.Caso I

Lucas* é um aluno da Escola Primária Completa Unidade 13, aluno da 2a classe, tem 9 anos de
idade e já repetiu a mesma classe 3 vezes, está no turno da manhã. Ele vive com seu pai e seu
irmão de 5 anos de idade, no bairro de chamanculo arredores da escola. É filho primogénito
porém seu pai e sua mãe estão separados, e seu pai esta numa outra relação. A família onde o
menino vive é caracterizada por intenso sofrimento para conseguirem a renda diária o seu pai
vai vender no mercado do fajardo bem cedo e é nesse período em que o pai acorda o menino
para ir a escola. O facto de a família ter dificuldades na renda diária, implica que o Lucas* tenha
dificuldades de ter material básico escolar, isso pude notar devido a insuficiência de material
básico escolar do menino, ele só possui um único caderno, onde faz a junção de matérias de
todas disciplinas que ele tem.

O menino teve uma infância complicada pois viveu num ambiente conturbado, cheio de
violência, seus pais viviam em brigas. Sua mãe é quem dava assistência a ele e seu irmão com
os cuidados básicos. Porem seus pais separaram e ele continuou vivendo com seu irmão e seu
pai. O pai vai trabalhar muito cedo e só volta a casa de noite, sendo que as crianças ficam
sozinhas sem nenhum adulto para os cuidar. Elas vivem nas ruas, devido a falta de
acompanhamento a criança não tem uma rotina estabelecida nem regras a seguir.

O Lucas* é um menino muito esperto porem exibicionista, gota de chamar atenção de todo
mundo, esta sempre provocando os colegas, ele não presta atenção na aula, constantemente
ausenta-se da sala de aulas e quando esta presente faz barulho e não escreve. Está sempre
descalço, e muito sujo. Não respeita ao professor nem responde a nenhuma orientação dado por
ele, não escreve só faz grafismos.

Quando se ausenta o professor não chama-lhe atenção simplesmente o deixa e praticamente ele
torna-se invisível a vista do professor porque segundo o mesmo não faz nenhuma diferença na
sala de aulas. Muda constantemente de carteira e não traz material escolar. Por vezes rouba
lanche dos colegas, para além disso ele é um menino muito esquivo e super agitado desatento,
sempre mexendo as coisas, não para quieto, é muito distraída, desconcentra-se por qualquer
coisa, esta sempre em movimento na sala de aula.

Um facto deu-se no dia 16/03/18, na aula de português estavam a ler um texto, primeiramente
o professor leu sozinho o texto o pediu que os meninos prestassem atenção e que depois
escolheria alguns meninos para ir ler sozinhos ao quadro, após o término da leitura o professor
indicou o menino em causa para ir ler, ao sair da carteira o menino fez palhaçadas para os
colegas porem-se a rir, quando chegou ao quadro não consegui ler ficou agitado, pois em
nenhum momento prestou atenção e nem ficou quieto trocava de carteira e ausentava-se da sala
a todo momento.

3.1.1.Comportamento na sala de Aulas

a) Na Componente Cognitiva

Ao observar o menino pude perceber tem dificuldades com o abecedário, ele conhece algumas
vogais mas não conhece a ordem dos mesmo, bem com representa-los, diferente de alguns dos
seus colegas. O menino não sabe escrever seu próprio nome, mas o conhece, ainda se encontra
na fase do grafismo.

O abecedário é um dos elementos chaves para aprender-se a ler e a escrever, conhecendo o


mesmo o aluno pode formar palavras até frases, isso com ajuda da vocalização. Quanta a
questões matemáticas o menino sabe contar, mas não sabe representar o que esta contado, não
consegue escrever. Nem copiar o que esta no quadro.

O menino não possui aparentemente nenhuma deficiência física que o possa impossibilitar de
ver ou falar e ele se expressa perfeitamente.

b) Na Componente Psicomotora

Um dos aspectos positivos que notei na criança é que ele sabe como manusear o lápis. Mas
infelizmente não assimila nada na aula devido ao seu comportamento em aula. Ele ainda só faz
grafismo, não sabe posicionar o caderno perfeitamente, não tem noção de lateralidade.

c) No aspecto Afectivo
Quanto a relação dele com o professor e os colegas são muito conflituosos, o professor o anulou
totalmente não importa-se com o menino esse facto pude perceber nas conversas que o
professor teve comigo, em uma delas foi pelo facto de eu ter perguntado acerca da falta dos
livros do menino, o professor disse que não ofereceu ao menino porque ele perderia mas ele
ofereceu aos outros colegas do menino. Então um outro dia quando os meninos estavam a
receber suas avaliações passei de carteira em carteira para ver as notas das crianças e tentar
perceber as dificuldades dos mesmos, quando chego na carteira do menino e o questiono acerca
da prova ele alega não ter feito e disse que nunca faz as avaliações, quando questionei ao
professor ele disse ser perca de tempo o avaliar, pois o menino não sabe nada. E em relação aos
meninos e seus colegas a situação não se difere devido ao seu comportamento, os meninos o
culpam por tudo quanto acontece, ele é ridicularizado devido a sua forma de ser.

3.1.2.Visita Domiciliária

Depois das observações nas salas de aulas e de identificarmos as crianças com dificuldades de
aprendizagem, fizemos visitas domiciliares para compreender as crianças no seu meio social
fora da escola, bem como perceber dos pais/encarregados de educação se têm dado
acompanhamento aos seus filhos no processo de ensino e aprendizagem, e se tem algum
conhecimento dos problemas que as crianças têm, e se já procuraram algum tipo de ajuda para
poder ultrapassar problema.

Antes de as visitas darem início pedimos as crianças que informassem aos seus encarregados
da visita e um acordo para o encontro no dia em que eles estivessem disponíveis.

Fomos a casa do menino mas não estava lá ninguém, ele vive numa casa que praticamente esta
em péssimas condições.

Encontramos uma vizinha que lamentou a situação do menino. De acordo com a vizinha o
menino vive com seu pai e seu irmão de 5 anos.

Seus pais estão separados, pois viviam brigando. O pai do menino sai as 4 horas da madrugada
e só volta as 20 horas. De acordo com a vizinha ela não deixa comida para os meninos se
alimentarem e nem cozinha até a volta do pai é que eles comem pão. Ficam mais de duas
semanas só se alimentando de pão que o pai traz nas noites.
A mãe dos meninos, é quem ia a casa deles para preparar alimentos mesmo assim o pai brigava
com ela. Então ela ficou com o nosso contacto a fim de entregar ao pai da criança para entrar
em comunicação connosco.

3.1.3.Aplicação dos testes Projectivos no Lucas

a) Desenho de família

Um teste psicológico é considerado pelos pesquisadores como um instrumento de medida, um


procedimento por meio do qual se busca medir um fenómeno psicológico que se deseja observar
e investigar (MANFREDINI e ARGIMON, 2010). Por tanto, o teste psicológico é visto como
uma medida padronizada e objectiva de uma amostra comportamental.

O teste do desenho de família é um dos mais conhecidos testes de afectividade infantil. Ele
avalia a maneira como a criança ou adolescente percebe as relações de seu entorno imediato. É
uma forma simples de avaliar a qualidade dos vínculos, da comunicação e do modo como as
crianças constroem sua realidade a partir de seus relacionamentos familiares.

Este teste de avaliação já possui mais de seis décadas. Criado pelo psiquiatra Miles Porot em
1951, é um dos instrumentos mais comuns para avaliar a sua personalidade em crianças dos 5
até os 16 anos. Assim, embora haja actualmente alguns profissionais que ainda desconfiam da
confiabilidade das técnicas de projecção, como o teste da árvore ou o teste do desenho da
família, pode-se dizer que sua validade está amplamente comprovada (ORTEGA, 1981).

Os objectivos do teste são:

 Conhecer as dificuldades de adaptação da criança ou adolescente em seu ambiente


familiar;

 Fortalecer a qualidade dos laços afectivos;

 Saber como eles vêem e como sente as relações familiares;

 Identificar possíveis conflitos com alguns membros da família;


 Avaliar o amadurecimento emocional da criança ou adolescente;

 Avaliar o estilo de comunicação familiar.

No desenho feito pelo menino, ele desenhou a si, o seu irmão e a sua mãe e as galinhas da casa
dele, todos estavam dentro de um cómodo da casa segundo o menino e com escadas. Um facto
que me chamou atenção foi o facto de ele ter omitido o seu pai sendo que o mesmo vive com
seu pai e seu irmão, e quando perguntei acerca do seu pai ele fechou a cara e fez uma expressão
facial de quem esta zangado e não me respondeu. Segundo o teste de desenho de família a
omissão de certas figuras pode se dar ao caso de ser o reflexo da rejeição dos mesmos. E um
outro dia após a aplicação testes conversei com o menino e ele relatou que não gostava do pai
pois batia muito na sua mãe e nele, e que ele não gostava de ver, porque ele não podia fazer
nada.

Outro aspecto que me chamou atenção foi o facto de colocar a mãe no desenho sendo que o
mesmo não vive com a mãe biológica, então a um desejo dele viver com a mãe e seu irmão, a
mãe para ele deve ser o porto seguro, quem ele possui um lanço forte. Também isso notei
quando conheci o nome dele, pois o nome do menino está registado com o nome da mãe e o
apelido dela, o pai recusou-se a regista-lo.

Um outro facto é o tamanho dos desenhos e a posição dos mesmos, são pequenos e estão num
canto da folham, de acordo com esse teste esses aspectos demonstram medos e inseguranças. E
o mesmo tinha forma de linha rectas o que demonstra imaturidade e inibição.

Outro facto foi a questão do tempo que o menino levou para o fazer, dificilmente ficou
concentrada, pouco tempo mantinha-se concentrado na actividade, ficava atenta por 2 minutos
apenas depois levantava-se, então foi muito complicado aplicar o teste nele porque
normalmente ele é muito agitado e para conseguir que ele concentra-se foi difícil, a actividade
foi feita numa das salas da escola, que estava vazia, fechamos a portas e ele escolheu a carteira
que quisesse para a actividade, levamos em media 1h e 30minutos na actividade.

b) Reconhecendo Letras

Esta actividade tem como objectivo a identificação da grafia de letras, registro com base em
palavras e identificação do som as letras (dos abecedários). A criança tem que observar as letras
de cada palavra, encontra-las no alfabeto, pinta-las e reescrever cada palavra.
A criança fez a actividade em 30minutos, não teve dificuldades na identificação dos alfabetos
mas teve dificuldades em copiar algumas letras das palavras.

c) Matrizes Coloridas de Raven

Matrizes Progressivas de Raven são testes de múltipla escola utilizados para aferição do Q.I.
(quociente de inteligência). Foi desenvolvido por John Carlyle Raven na Universidade de
Dumfries, Escócia, sendo padronizado e publicado em 1938.

Nesse teste a criança efectuou o mesmo em 15 minutos, obtendo 26 acertos e 10 erros, tendo
um percentil de 45%.

d) Escala SNAP-IV de TDAH

O SNAP-IV de TDAH é um questionário feito a partir dos sintomas dos Manual de Diagnostico
e Estatística –IV edição, da Associação Americana de Psiquiatria. Neste questionário a criança
apresentou todos itens com uma classificação de demais (3).

3.1.4.Constatações das Observações

O menino Lucas* tem problemas graves em termos comportamentais, ele apresenta um nível
de desatenção e agitação muito elevado, bem com o problema de escrita e leitura e cálculo, pois
está numa idade avançada e ainda não domina as destrezas básicas de leitura, escrita, soletração
e cálculo. De acordo com Piaget (1973) citado por MWAMWENDA (2004) na sua Teoria do
Desenvolvimento Cognitivo, deduziu a partir das observações com crianças que o
desenvolvimento mental é influenciado por quatro factores interrelacionados: maturação,
experiência, interacção social e equilibração, logo menino possui uma idade e que já deveria
ter alguma noção de cálculos, abecedários entre outros.

O menino apresenta também dificuldades de lateralidade ou seja capacidade de distinguir lado


esquerdo e direito. Não responde consoante as questões colocadas. No livro de VEIGA (2013)
ele fala dos estágios de desenvolvimento cognitivo de Piaget, de acordo com a idade do menino
ele encontra-se no penúltimo estágio do desenvolvimento cognitivo cujo nome do estágio é
estágio das operatório-concreto, este estádio é caracterizado essencialmente:
 Pela criança partir do concreto, da observação directa, experiência directa, percepções
directas para chegar a compreensão de características semelhantes gerais, conceitos,
regularidades.

 É nesta fase que a criança aprende as noções de número, as operações básicas, as noções
espaciais e temporais, de velocidade entre outra.

 Este desenvolvimento cognitivo vai incentivar o processo de socialização, as acções inter e


intra individuais o que se manifesta no surgimento de jogos de regras implícitas, no
predomínio de diálogo na comunicação, nas colaborações em acções comuns. Então a
criança já deveria ter algumas noções de abecedários, números, lateralidade e outras.

O professor do menino acomoda-se quando ele não responde, não da espaço ao menino se
expressar uma vez que o menino é agitado e desatento, o professor opta em chamar os meninos
“inteligentes” e anula o menino na totalidade. De acordo com Vygostky citado por CIVITA
(2004), a evolução intelectual é caracterizada por saltos qualitativos de um nível de
conhecimento para outro. A fim de explicar esse processo, ele desenvolveu o conceito de Zona
de Desenvolvimento Proximal, que definiu como a “distância entre o nível de desenvolvimento
real, que se costuma determinar através da solução independente de problemas, e o nível de
desenvolvimento potencial, determinado através da solução de problemas sob a orientação de
um adulto ou em colaboração com companheiros mais capazes. Sendo assim o professor não
deve se limitar a ignorar o menino ele deve arranjar formas de ser capaz de através do
conhecimento prévio que o menino tem leva-lo até ao conhecimento potencial.

3.1.5.Possível Diagnóstico

De acordo com as observações feitas na escola em relação ao Lucas* quanto ao possível


diagnóstico, a criança apresenta tendências a Transtorno de Deficit de Atenção com
Hiperactividade.

Eixo I. – 314.00 Transtorno de Deficit de Atenção com Hiperactividade, tipo predominante


desatento.

V.62.3 Problemas académicos.

Eixo II. – V71.09 Sem diagnóstico.


Eixo III. – Nada.

Eixo IV. – Problemas a nível académicos, apoio primário e económico.

Eixo V. – AGF= 50 na admissão (grave incapacidade no funcionamento escolar).

Digo isso porque consoante as minhas observações na escola constatei que a criança tinha um
nível exacerbado de desatenção diferentemente das outras crianças, o mesmo não conseguia
concentrar-se em actividades mais simples e muito menos consegue terminar as actividade, em
uma de 45 minutos a criança troca varias vezes de lugar, se ausenta mais de 5 vezes e nem
presta atenção na aula, nunca presta, por mais que lhe chamem atenção, outro aspecto a ressaltar
é o mesmo já trocou de turma para poderem perceber se o problema estava com o professor do
menino mais ele continua assim noutras turmas.

3.1.6.Hiperactividade e Deficit de Atenção

De acordo com o manual DSM-V (2014), o transtorno de deficit de atenção com hiperactividade
é um transtorno do neurodesenvolvimento definido por níveis prejudiciais de desatenção,
desorganização e/ou hiperactividade-impulsividade. Desatenção e desorganização envolvem
incapacidade de permanecer em uma tarefa, aparência de não ouvir e perda de materiais em
níveis inconsistentes com a idade ou o nível de desenvolvimento. Hiperactividade-
impulsividade implicam actividade excessiva, inquietação, incapacidade de permanecer
sentado, intromissão em actividades de outros e incapacidade de aguardar - sintomas que são
excessivos para a idade ou o nível de desenvolvimento.

3.1.7.Características da Hiperactividade

Muito agitado; inquieto; apresenta dificuldade para conciliar o sono; período de sono curto;
voracidade ao mamar; cólicas abdominais frequentes e exageradas; denota persistente,
desconforto e insatisfação; falta de atenção; dificuldades de aprendizagem perceptiva -
cognitivas; problemas de comportamento; falta de maturidade; impulsividade; ansiedade;
dificuldade de relacionamento com os colegas; problemas de aprendizado e comportamento.

GAMEIRO (1989), relata que a hiperactividade se manifesta a partir de seis características de


comportamento:
 Desatenção;

 Distracção;

 Super excitação;

 Actividade excessiva;

 Impulsividade;

 Dificuldades com frustrações.

GARRIDO (1997), considera e explica as características-chave do transtorno:

Déficit de Atenção: para a maioria dos autores a dificuldade de atenção é um dos sintomas que
define a hiperactividade, a qual foi denominada como “distúrbio por déficit de atenção com
hiperactividade”.

Actividade Motora Excessiva: é manifestada através de actividade corporal excessiva e


desorganizada, sem um objectivo concreto, sendo esta falta de finalidade a característica que
permite diferenciá-la em certas actividades observadas no desenvolvimento normal da criança.

Impulsividade ou Falta de Controlo: o comportamento de toda criança é controlado pelos


adultos através da imposição de regras que acabam sendo internalizadas no decorrer de seu
desenvolvimento.

O Transtorno de deficit de atenção e hiperactividade começa na infância. A exigência de que


vários sintomas estejam presentes antes dos 12 anos de idade exprime a importância de uma
apresentação clínica substancial durante a infância (DSM-V, 2014).

Manifestações do transtorno devem estar presentes em mais de um ambiente (p. ex., em casa e
na escola, no trabalho). A confirmação de sintomas substanciais em vários ambientes não
costuma ser feita com precisão sem uma consulta a informantes que tenham visto o indivíduo
em tais ambientes. São comuns os sintomas variarem conforme o contexto em um determinado
ambiente.

3.1.8.Causas do Transtorno de Deficit de Atenção/Hiperactividade


 Temperamentais - está associado a níveis menores de inibição comportamental, de
controle à base de esforço ou de contenção, a afectividade negativa e/ou maior busca por
novidades. Esses traços predispõem algumas crianças ao transtorno, embora não sejam
específicos do transtorno.

 Ambientais - Muito baixo peso ao nascer (menos de 1.500 gramas) confere um risco 2 a 3
vezes maior para o transtorno, embora a maioria das crianças com baixo peso ao nascer não
desenvolva transtornamos. Embora o Transtorno esteja correlacionado com tabagismo na
gestação, parte dessa associação reflecte um risco genético comum. Uma minoria de casos
pode estar relacionada a reacções a aspectos da dieta. Pode haver história de abuso infantil,
negligência, múltiplos lares adoptivos, exposição a neurotoxina (p. ex., chumbo), infecções
(p. ex., encefalite) ou exposição ao álcool no útero. Exposição a toxinas ambientais foi
correlacionada com transtorno subsequente, embora não se saiba se tais associações são
causais.

 Genéticos e fisiológicos - são frequentes em parentes biológicos de primeiro grau com o


transtorno. A herdabilidade do transtorno é substancial. Enquanto genes específicos foram
correlacionados com o transtorno, eles não constituem factores causais necessários ou
suficientes (DSMV, 2014).

3.1.9.Tratamento

De acordo com o FRANCES & ROSS (2002, p.40), o TDAH é um estado amplamente
disseminado, com elevado significado em termos de saúde pública. Em relação ao tratamento
usa-se a Terapia Cognitivo-Comportamental associado a medicação, incluindo a
psicoeducação, as intervenções de base escolar, treino dos pais.

Em relação a criança optei pela Terapia Cognitivo-Comportamental, tendo como objectivos:

Objectivo Geral:

 Auxiliar a criança a desenvolver novos padrões de Comportamentos e de Pensamentos.

Objectivos Específicos:
 Contribuir para a redução de sintomas psicológicos e alteração de crenças sobre o
comportamento;

 Levar a criança a um bom relacionamento interpessoal no meio em que esta inserido;

 Fornecer e traçar estratégias com o professor e a família para o melhor desempenho escolar
e social da criança.

Caso II

Artur* é um aluno da Escola Primaria Completa Unidade 13, aluno da 2a classe, tem 8 anos de
idade e já repetiu a mesma classe duas vezes, esta no turno da manhã. Ele vive com seu pai, sua
mãe, e seus 5 irmãos sendo ele o quarto filho, no bairro de Nhlamanculo, em frente a escola
onde o menino estuda.

Artur* é tido como um menino muito briguento tanto na escola quanto em casa, ela brinca com
os meninos da turma dele e no intervalo é agitado, porém na sala de aula o senário é diferente,
quando a professora lhe manda ao quadro ele fecha a cara, fica zangado começam a respirar
fundo e diz que não consegue. Ele se nega a escrever e alega não saber e não quer ao menos
tentar a escrever.

Ele vive em frente a escola mais tem faltado muito, quando esta na escola rouba material
didáctico, lanche ou dinheiro dos colegas da turma. Esta sempre insultando os outros colegas e
até mesmo aos professores da escola que chamam sua atenção. Não respeita aos seus pais nem
ao seu professor, esta sempre cometendo irregularidades na sua casa e na escola.

É um menino que tem brincadeiras agressivas, nunca assiste as aulas por completo. Esta sempre
fugindo na escola. Não sabe escrever e diz que não vai conseguir quando a professora o pede
para tentar. Ao pegar o lápis ele fica ofegante e começa a respirar fundo e nega-se a escrever
prefere sair da sala e ir para casa.

Não sabe escrever seu nome, não retira o material quando lhe é solicitado. Sempre fecha a cara
quando é hora de aprender.

3.2.1.Comportamento do Artur* na Sala de Aula


Ao observar o menino pude perceber que ele tem dificuldades em entender a língua portuguesa.
Na sala ele não fala só arranca as coisas dos colegas, anda em gangs com meninos mais velhos
em relação a ele, os mesmos meninos cm os quais ele tem fugido as aulas para ir ter com eles.

Na sala ele senta na última carteira e praticamente a professora por vezes não se da conta da
ausência do mesmo. Quando presente bate em seus colegas, rouba, insulta e agita briga entre
outros colegas.

a) No Aspecto Cognitivo

No que diz respeito a esfera cognitiva em relação as observações, o menino tem dificuldades
com o abecedário, ele até conhece algumas vogais mas não sabe representá-los, diferente de
alguns colegas seus. Em relação as habilidades matemáticas o menino conhece os número sabe
representá-los mas ainda tem dificuldades nas operações lógicas.

O abecedário é um dos elementos chaves aprender a ler e a escrever, conhecendo o mesmo o


aluno pode formar palavras até frases, isso com a ajuda da vocalização. A criança não possui
nenhuma deficiência intelectual, nem algum problema a nível clínico nem físico-motor.

b) No Aspecto Psicomotor

Em relação a esfera Psicomotora notei que a criança sabe manusear o lápis, sabe posicionar
correctamente o caderno e tem noção de lateralidade.

c) No Aspecto Afectivo

Na esfera afectiva, quanto a sua relação com a professora não é uma das melhores bem como
com as dos colegas. Devido ao comportamento do menino a professora não preocupa-se se o
menino esteja presente ou ausenta na sala, não da ao menino nenhuma actividade, muito menos
corrigi o seu caderno. Quanto aos colegas da turma em parte sentem-se aliviados porque eles
tem ao Artur* como um bandido por ele portar-se agressivamente e por roubar os pertences dos
mesmos.

Conversas Informais Com a Criança


Nas conversas com a criança o primeiro aspecto a perceber que ele tem dificuldades em falar e
entender a língua portuguesa, foi um dos aspectos que em parte foi uma dificuldade até mesmo
para chegar na própria criança, devido a esse problema na sala ele parece não se interessar
muito nas actividades. Quando conversei com a criança usando o dialecto local tive mais
abertura por parte da mesma. Ele mostrou viver em um ambiente familiar de violência, tanto
ele, como seus irmãos e sua mãe sofrem de alguma uma forma uma certa violência por parte de
seu pai bem como de sua tia que vive no mesmo terreno da casa mas em um cómodo diferente.
Ele também diz que a mãe não trabalha apenas tem uma banquinha em frente a casa e que a
renda dela não é suficiente para custear as despesas da casa e seu pai furta bens na junta de
noite para ajudar, o mesmo já foi para cadeia bastantes vezes por esses delitos.

Escuta a Professora

A professora nas suas queixas diz que o menino não aprende, não sabe ler, foge a sala de aulas,
não respeita a si nem aos colegas da turma. Nega-se a escrever até mesmo para retirar o material
escolar. Esta sempre cometendo actos violentos, agressivos. Gosta de furtar material dos outros.

A professora diz se agastada devido ao comportamento do menino, alega ter falado com mãe
do menino mas nem com isso o menino se interessa com a escola, pois só aparece quando quer,
e por vezes vem a escola mas não entra na sala de aulas. Ela diz que os pais não colocam limites
nem colaboram quando a professora sugere uma conversa com eles (encarregados da criança).

3.2.2.Visita Domiciliar

Depois da fase da identificação da criança na sala de aula, fizemos visitas domiciliares com
vista a compreender a criança no seu meio familiar. Mas também queríamos perceber dos
pais/encarregados de educação se tem dado acompanhamento aos seus filhos no processo de
ensino aprendizagem, e se tem algum conhecimento referente ao problema da criança e se já
procuraram algum tipo de ajuda para poder ultrapassar o problema. Nessa fase procuramos
dados que tem haver com o historial da criança em relação ao problema e alguns dados para
preencher a anamnese.

Referente ao caso do menino Artur* na visita feita, na conversa com a mãe do menino, ela
reclamou a cerca do comportamento do mesmo, disse que a criança não respeita os irmãos mais
velho a ela nem o pai, pois o pai também já cansou de bater e castigar o menino devido. A mãe
diz que o menino não dorme e nem para em casa, anda em gangs com meninos de ma conduta
e adultos, os quais vai com eles a junta. Diz que o menino tem trazido vários problemas em
casa, a vizinhança tem reclamado em relação ao comportamento do menino, ele furta as coisas
alheias. Ela diz que já desistiu do menino e não sabe o que fazer.

Um dos aspectos que percebi é a família passa por necessidades, são uma família de 8 e vivem
num só cómodo, o que da para perceber que as crianças vem quase tudo que acontece e não há
segredos, as crianças estão expostas. O pai quando furta ou rouba a família consegue ver, devido
aos objectos que traz a sua volta do “trabalho”, não só bem quando o pai é pego (flagrado) no
acto.

3.2.3.Aplicação de Testes Projectivo no Artur*

a) Desenho da família

Segundo ORTEGA (1981) teste desenho da família é tido como um dos mais testes de
afectividade infantil. Ele avalia a maneira como a criança ou adolescente percebe as relações
de seu entorno imediato. É uma forma simples de avaliar a qualidade dos vínculos, da
comunicação e do modo como as crianças constroem sua realidade a partir de seus
relacionamentos familiares.

No desenho feito pela criança, ela desenhou a ele e seus irmãos excluindo uma das suas irmãs
(nesse caso a mais velha das meninas) e seus pais, sendo que ele mesmo mora com todos. Em
seu desenho ele aparece como o mais velho e forte dos irmãos sendo que ele é o quarto, antes
dele vem 3 mais velhos. Quando perguntei a cerca da exclusão de outros membros da família
ele disse que nãos os queria e disse estar cansado de desenhar, dá a entender que há um
distanciamento emocional na família, e há falta de regras e comunhão.

b) Recorte e colagem

Essa actividade avalia a concentração da criança, bem como a questão da psicomotricidade. Na


actividade para a criança saiu-se muito bem. Nessa actividade a criança tinha que recortar as
letras e colar cada letra mediante a palavra escrita, a criança associa a palavra a imagem e as
letras. Ela tinha que observar as palavras e colar as letras correspondentes na mesma sequência
formando as palavras a cima.

c) Ntchuva
Esse jogo tem objectivo de ajudar nas operações lógicas, a criança usa sua cognição para esta
actividade, também é boa porque a criança explora aquilo que são as operações matemática,
como adicionar, subtrair, multiplicar e dividir. Esta actividade também desenvolve a
abstracção. Deu a entender que a criança no que diz respeito as questões matemáticas ou de
cálculos e analise ele percebe muito bem. Um dos impasses foi o facto da dificuldade da mesma
em perceber os outros meninos quando falavam em português, mas quando os mesmos falaram
changana ele soltou-se mais e conversou com os mesmos sem receios.

3.2.4.Possível Diagnostico

O Artur* apresenta tendências a Transtorno de Conduta.

Eixo I. – 312.81 Transtorno de Conduta, Ligeira

F91.1Tipo com início na infância

Eixo II. – Sem Diagnostico

Eixo III. – Nada

Eixo IV. – Desestruturação familiar, problemas no ambiente social e académico

Eixo V. – AGF=50 na admissão (Grave Incapacidade no funcionamento social e académico)

3.2.5.Transtorno de Conduta

Os critérios de diagnostico de acordo com o DSM-V (2014) são:

A. Um padrão de comportamento repetitivo e persistente no qual são violados direitos básicos


de outras pessoas ou normas ou regras sociais relevantes e apropriadas para a idade, tal como
manifestado pela presença de ao menos três dos 15 critérios seguintes, nos últimos 12 meses,
de qualquer uma das categorias adiante, com ao menos um critério presente nos últimos seis
meses:

B. Agressão a Pessoas e Animais

1. Frequentemente provoca, ameaça ou intimida outros.


2. Frequentemente inicia brigas físicas.

3. Usou alguma ar ma que pode causar danos físicos graves a outros (p. ex., bastão, tijolo,
garrafa quebrada, faca, arma de fogo). 4. Foi fisicamente cruel com pessoas. 5. Foi fisicamente
cruel com animais.

6. Roubou durante o confronto com uma vítima (p. ex., assalto, roubo de bolsa, extorsão, roubo
à mão armada).

7. Forçou alguém a actividade sexual.

C. Destruição de Propriedade

8. Envolveu -se deliberadamente na provocação de incêndios com a intenção de causar danos


graves.

9. Destruiu deliberadamente propriedade de outras pessoas (excluindo provocação de


incêndios).

D. Falsidade ou Furto

10. Invadiu a casa, o edifício ou o carro de outra pessoa. 11. Frequentemente mente para obter
bens materiais ou favores ou para evitar obrigações.

12. Furtou itens de valores consideráveis sem confrontar a vítima (p. ex., furto em lojas, mas
sem invadir ou forçar a entrada; falsificação).

E. Violações Graves de Regras

13. Frequentemente fica fora de casa à noite, apesar da proibição dos pais, com início antes dos
13 anos de idade. 14. Fugiu de casa, passando a noite fora, pelo menos duas vezes enquanto
morando com os pais ou em lar substituto, ou um a vez sem retomar por um longo período. 15.
Com frequência falta às aulas, com início antes dos 13 anos de idade. B. A perturbação
comportamental causa prejuízos clinicamente significativos no funcionamento social,
académico ou profissional. C. Se o indivíduo tem 18 anos ou mais, os critérios para transtorno
da personalidade anti-social não são preenchidos. Determinar o subtipo: 312.81 (F91.1) Tipo
com início na infância: Os indivíduos apresentam pelo menos um sintoma característico de
transtorno da conduta antes dos 10 anos de idade.

3.2.6. Tratamento

Para e concretizar este objectivo focarem-nos na Terapia Cognitivo Comportamental e na


Terapia Sistémica Familiar. Por tanto, neste contexto para a criança focalizáramo-nos nas
técnicas de habilidades sociais e de enfrentamento e por outro lado, para a família forneceremos
material de didáctico que permitira aprendizagem de comportamentos socialmente adequados
que irão garantir a segurança da paciente. Neste âmbito focaremos nas técnicas de
aprendizagem tais como as seguintes:

Formação em auto-instrução com esta técnica iremos modificar cognições com o objetivo de
mudar comportamentos, ensinando o paciente a desenvolver pensamentos adequados e
realísticos à situação temida.

Resolução de problemas: está técnica permitirá ensinar a paciente, maneiras adequadas de


enfrentar situações da vida real. Deverá aprender a manejar e adaptar procedimentos e
estratégias aprendidos na terapia, por meio de modelagem de habilidades, em sua vida.
Situações são simuladas durante as sessões.

Psicoeducação com esta técnica forneceremos materiais didácticos a família que permitam com
quem eles acompanham o processo da terapia junto a paciente e seguindo recomendações que
vem palmadas na mesma.

Optei nessas duas abordagens devido a demanda e com o intuito de alcançar os seguintes
objectivos:

Objectivo Geral:

Trabalhar os aspectos disfuncionais da criança e consequente preparação da família nos


cuidados positivos

Objectivos Específicos:

Identificar os aspectos negativos no seio familiar que concorrem para a criança faltar a escola;
Eliminar os aspectos negativos para o absentismo escolar da criança;

Estabelecer padrões de conduta socialmente aceites;

Levar a criança a um bom relacionamento interpessoal no meio inserido;

Fornecer a família ferramenta adequadas relacionados com os cuidados positivos;

Ajudar no estabelecimento de uma harmonia familiar;

Estabelecer vínculo entre professor e pais/ encarregados de educação.


5. Conclusão

Os problemas de aprendizagem podem ser detectados em crianças a partir dos 5 anos de idade
e constituem uma grande preocupação para muitos pais, já que afectam o rendimento escolar e
as relações interpessoais dos seus filhos.

Uma criança com problemas de aprendizagem, pode ter um nível normal de inteligência, de
acuidade visual e auditiva. Há uma necessidade das escolas ter um psicólogo para ajudarem a
identificar as crianças com essas perturbações, para melhor se arranjar estratégias para a solução
desses problemas.

Salientar que para um tratamento eficaz, exige-se que todos os intervenientes do Processo de
Ensino Aprendizagem (professores, alunos, pais e encarregados de educação, etc.) não optem
em comportamentos e atitudes discriminatórios, pois podem inibir a participação activa de
alunos com problemas de aprendizagem.

Ainda, os professores devem ser munidos de informações específicas sobre as variedades de


necessidades, de forma a adoptar estratégias específicas para cada tipo de deficiência que o
aluno possa apresentar.

É importante que a interacção Professor/Encarregados de educação seja permanente, de modo


a permitir uma adoptação de estratégias comuns.

Durante as actividades que desenvolvidas percebemos que há uma relação entre os sistemas
onde a criança esta inserida (família, escola e a comunidade) sendo necessário o uso da
avaliação global da criança para o psicodiagnóstico das Dificuldades de Aprendizagem das
Crianças

Salientar que a dificuldade ao comportamento deve-se ao facto de haver uma desestruturação


significativa das famílias (negligencia parental, violência, crianças como cuidadores da família,
crianças morando com outras crianças.
Sugestões psicopedagógicas

a) Caso I
 A prior o aluno em questão precisa de um auxílio mútuo, isto é, por parte do professor e da
família, há uma necessidade de cooperação entre ambas partes para que possam traçar
estratégias para superarem as dificuldades das crianças com mais eficácia;

Segundo OGASAWARA (2009), para Vigotsky a aprendizagem é um processo em que o


sujeito adquire informações, habilidades, atitudes, valores, a partir do seu contacto com a
realidade, o meio ambiente e as outras pessoas envolvidas, então há uma cooperação entre as
pessoas que compõem o meio em que a criança esta inserida.

Olhando mais para lado psicopedagógico, referir que o professor deve:

A criança necessita adquirir determinadas noções de comportamento social tais como;

Permanecer sentado, prestar atenção, levantar a mão antes de falar, que são tão importantes para
o sucesso pessoal como as próprias aprendizagens académicas. Para tal, deve-se proceder o
seguinte:

 Os professores e pais das crianças hiperactivas devem saber lidar com a falta de atenção,
impulsividade e estabilidade emocional e hiperactiva incontrolável da criança.
 O professor deve mandar o aluno apagar o quadro, sacudir o apagador, afiar o lápis, mandar
realizar trabalhos no quadro, concordar com as suas respostas e procurar maneira de o levar
a compreender os seus erros, realização de varias tarefas na sala de aulas e na escola em
geral na forma estimulante, proceder de maneira mais correcta na abordagem das questões
deficientes das suas actuações, dar afecto, simpatia, confiança e segurança ao aluno sobre o
que realiza.
 Os pais e os professores devem criar uma estrutura de relacionamento organizada, previsível
de recompensas;
 Os familiares precisam ser orientados no sentido de compreender que a permissividade, a
compaixão e a falta de limites não são úteis para a criança, a qual não se beneficia em nada
por ser dispensada das exigências, expectativas e planeamento da vida diária como os de
qualquer outro indivíduo (CORREIA, 2008).
 O professor de ser super criativo nas aulas, levar algumas vezes objectos que despertem
atenção da criança
De Acordo com LAEBER (2015), para Vygostky a criança é um sujeito social criador e
recreador da cultura, ao mesmo tempo em que a criança é transformada pelos valores culturais
do seu ambiente, ela transforma esse ambiente. A criança interage com a cultura que está
impregnada de imagens, logo a criança age reciprocamente com as mesmas. Se imagens estão
por todo lado, desde cedo as crianças aprendem a interagir com elas - que seja pela visualização,
quer seja pela produção.

 Manifestar sua apreciação pelo esforço, como por exemplo, elogiando por tentar senatr mais
tempo ou não mudar de lugar;
 Criar um clima de confiança que faça com que o aluno sinta-se aceite, acolhido,
compreendido e respeitado;
 Ajudar a reconhecer que há muitas coisas que pode fazer bem;
 O professor deve estimular o aluno, elogiando-o sempre depois de falar explorando mais os
aspectos positivos do mesmo;
 O professor deve demonstrar a confiança nas habilidades do aluno, fazendo entende-lo que
o seu sucesso escolar depende de si mesmo e que ele é capaz;

Em relação as sugestões, acima de acordo SOUZA (2012) Wallon enfatizam que as relações
afectivas em sala de aulas são importantes na relação professor-aluno, para o sucesso escolar.
O relacionamento entre professor e aluno deve ser de amizade de troca de solidariedade, de
respeito mútuo.

O bom relacionamento do professor com o aluno se desenvolve na busca pelo desejo que o
indivíduo tem de conhecer a si próprio, a escola deve voltar-se para a qualidade das relações
valorizando o desenvolvimento afectivo, social e não apenas cognitivo como elementos
fundamentais no desenvolvimento da criança como um todo.

 O professor deve organizar actividades que obrigue o aluno a falar, como: seminários,
apresentações de trabalhos de casa;
 O professor deve organizar trabalho de debate e discussão com os colegas para fazer com
que este fale e trabalhe com os colegas.
 O professor também pode usar jogos para estimular a criança.

De acordo com Piaget (1973), podemos identificar a capacidade duma criança através dos
jogos, só que os jogos marcam diferença nas diferentes visões. Brincar ajuda no seu
desenvolvimento social, físico, intelectual e afectivo. É através das actividades lúdicas que a
criança desenvolve a expressão oral e corporal e constrói o seu próprio conhecimento. As
aquisições motoras levam a um desenvolvimento dos movimentos, atenção, a concentração, e
equilíbrio, a paciência e a autonomia.

 O professor deve incentivar e estimular a criança para que não se sinta inibida a se expressar
e a motivar-se para aprender;

De acordo com MASLOW (1968, p.20), os incentivos são uma forma de distribuir a entidade
responsável por gerar sucesso dela. Se a criança for estimulada ela ganhará uma motivação,
para seu desempenho nas suas actividades.

b) Caso II
 A escola e a sala de aula devem ter regras de comportamento claras e objectivas, devendo
ser tão poucas quanto possível e de preferência devem ser feitas usando-se do que os alunos
podem fazer, ao invés do que não devem e estas regras são melhores compreendidas e
respeitadas quando há a participação dos alunos em sua construção.
 Sempre se deve elogiar atitudes respeitosas e que agreguem algum valor benéfico ao aluno,
desencorajando as que se apresentam inaceitáveis ao grupo.
 Como o professor é uma pessoa de referência, é importante que o mesmo demonstre um
comportamento adequado ao que se espera que o aluno siga, pois ele (aluno) tende a imitar
os modelos que considera significativos.
 Contratos estabelecidos entre o professor e o aluno podem se tornar eficazes para se
formalizar um acordo que vise a mudança de comportamento. Este deverá especificar o
comportamento que se espera que o aluno tenha e as recompensas que receberá por ele, bem
como as sanções que ocorrerão caso o contrato não seja cumprido. Deve-se negociar perante
uma discussão os termos deste contrato antes de formalizá-lo juntamente com o aluno, e
sempre que ocorrer mudanças, estas devem ser negociadas e combinadas pelo professor e
pelo aluno.
 Uma outra forma de modificação de comportamento pode ser alcançada mediante a trocas
de fichas, em que o aluno troca por diferentes recompensas, em que deve ficar claro que só
serão válidas se tiverem o reconhecimento do professor, as recompensas motivarão o aluno
a seguir um determinado comportamento. Uma forma lúdica de trabalhar com as fichas faz-
se através de jogos com linha de partida e chegada em um tempo determinado, onde o aluno
ao realizar algum comportamento estabelecido avança algumas casas, e caso não
corresponda ao combinado, regride a casas anteriores.
 O professor deve estimular no aluno as habilidades relacionadas a escuta, ao contacto visual,
as maneiras apropriadas de expressar verbalmente suas emoções, criticar de uma forma que
a pessoa criticada não se sinta humilhada, receber críticas e não se sentir ofendido sabendo
responder apropriadamente, saber negociar.
 Outra forma de trabalhar com crianças com distúrbio de comportamento na escola é através
da arte, onde o professor dá a possibilidade ao aluno de explorar vários materiais e formas
de arte, descarregando seus impulsos nesta actividade.
 A dramatização, por exemplo, como um processo de encorajamento e desenvolvimento da
criatividade serve para que o aluno experimente papéis que o coloque em situações por
invertidas das quais ele geralmente participa na “vida real”, ajudando a lidar com suas
emoções, expressando sentimentos intensos e aprendendo com a externalização da
experiência. Outra forma de arte para descarregar os impulsos é a dança e a música.
 A esporte é outra alternativa para que esses jovens e crianças possam mudar seu
comportamento, tendo a oportunidade de estabelecer vínculos afectivos com o professor de
educação física e também se “espelhar” em alguma personalidade esportiva, vendo-o como
modelo.
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GARRIDO, António et all. Necessidades Educativas Especiais.1 ͣ edição. Dinalivros. Lisboa.


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LAEBER, Renilda Rocha. As Imagens Como Recurso Didáctico de Interacção das Crianças
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LIBÂNEO, José Carlos. Didática. Cortez Editora; 2a edição, São Paulo, 2013.

LIMA, Leonardo Pereira. Dicionário de Psicologia Pratica. Vol1, São Paulo, s/a.

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MASLOW, Abraham H. Introdução à psicologia do ser. 2.ed. Rio de Janeiro: Eldorado,
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MWAMWENDA, Tuntufye S., Psicologia Educacional: Uma Perspectiva Africana. Textos
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OGASAWARA, Jenifer Satie Vaz. Conceito da Aprendizagem de Skiner e Vygotsky: Um


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ORTEGA, Antonio Carlos. Técnicas Projectivas e Expressivas: O desenho da Familia Como


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ROCHA, Kátia Bones et al., A Visita Domiciliar No Contexto da Saúde: Uma Revisão da
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SOUZA, Anna Flávia Lima. Henri Wallon: Sua Teoria e a Realização da Mesma Com
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VEIGA, Feliciano H., Psicologia da Educação., s/ed, editora Climepsi, Brasil, 2013.

WINNICOTT. D. W.O Brincar e a Realidade. Trad.J.O.A. Abreu & V. Nobre, Rio de Janeiro,
1975.
Apêndice
QUESTIONÁRIO SOBRE O PAPEL DA ADOPÇÃO DE MENORES POR
ESTRANGEIROS NA PROTECÇÃO DA CRIANÇA EM MOÇAMBIQUE,
DIRIGIDO AOS SERVIÇOS DE ACÇÃO SOCIAL.

Este questionário tem como objectivo compreender o Papel da Adopção de menores por
Estrangeiros na Protecção da criança em Moçambique 2015 – 2017. A realização deste estudo
destina-se à realização de um trabalho de fim de curso da universidade Pedagógica. As suas
respostas são anónimas e confidenciais, pelo que agradecemos que nos partilhe a sua opinião

Nome:_____________________________________________________

Função: _______________________.

1. Existe muita demanda no processo de adopção?


1. Sim
2. Não
1. Justifique, o porquê da resposta anterior.

___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________

1. Existem famílias/pessoas que adoptam crianças nos orfanatos?


1. Sim
2. Não

2.1. Se sim. Com que frequência?

___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________

3. Quais são os requisitos necessários para adoptar uma criança?

___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
____________________________________________________________
4. Quem aprova o processo de adopção?

___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________

5. Quais são as vantagens da adopção para o adoptante?

___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________

6. Quais são as vantagens para os adoptados?

___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________

7. Qual é o impacto da adopção para a vida dos adoptados?

1. Bom
2. Mau
3. Péssimo

7.1. Justifique:

___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
____________________________________________________________

8. Será que a adopção contribui na redução da vulnerabilidade das crianças adoptadas?

1. Sim
2. Não

8.1. Justifique:

___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
______________________________