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SEXUALIDADE E MEDIUNIDADE À LUZ DA UMBANDA

Abordar sobre a sexualidade é fundamental para um bom desenvolvimento espiritual


do médium e de qualquer ser humano.

“O sexo é tão importante porque é a fonte de toda a vida. É algo tão significante que,
se você o reprimir, terá que reprimir também muitas outras coisas...”. Osho

O tema “sexualidade”, por incrível que pareça, na nossa atualidade, é difícil de


abordar. Todo mundo sabe o que é sexualidade, todo mundo sente a sexualidade, é
físico, é emocional, é psíquico e é também espiritual, energético. Mas é muito difícil. É
difícil abordar com os nossos filhos, é difícil abordar com os nossos pais, e ainda se
coloca um “véu” nesse assunto, colocam-se muitos pudores no assunto, coloca-se o
tabu e a moralidade. Que moralidade é essa que nós estamos falando? Nós falamos
que, no Ocidente, ainda somos norteados por alguns assuntos como este dentro da
moral Cristã, ou melhor, da moral Católica e que o sexo é tabu. E “tabu” nada mais é
do que aquele assunto em que não se pode tocar, o tabu não se pode falar, não se
pode investigar, então é algo intocável e o tabu muitas vezes surge por consequência
do dogma.

E o “dogma” são todas aquelas regras imutáveis, não se pode também mexer com
aquilo. É, normalmente, o dogma, dentro de algumas religiões dogmáticas, surge como
uma revelação divina ou como uma instrução de Deus, como uma instrução de um
Anjo e, se é assim, se vem lá do invisível, do alto, ele é, não cabe a nós, simples
mortais, humanos nesse Planeta, querer mudar, é complicado. Isso milênios depois,
séculos de reforço, faz de nós, ocidentais, ainda com uma série de dificuldades. – É tão
sério isso (abrindo um parêntese) porque temas que são tabus para esse campo
religioso, por exemplo, que são dogmas, no campo religioso em geral impede, por
exemplo, o avanço da medicina, o avanço de estudos científicos e discussões dentro da
bioética se confrontam sempre com ideias religiosas - E por que estamos falando isso?
Porque temos um problema que é filosófico, portanto, na nossa diplomacia conceitual,
alguns assuntos são inaceitáveis, indiscutíveis dentro de segmentos religiosos - e nós
fazemos parte disso também, mesmo nós, Umbandistas, por várias outras influências -
impede o avanço da humanidade. Porque cheio de “não me toques, não me reles”,
tudo se paralisa, cristaliza, não avança.

Ao falar de “sexualidade” e “mediunidade”, estamos falando, na realidade, antes de


qualquer coisa, do ser sexual que o ser humano é antes de ser matéria, antes de ele se
entender aqui como esse complexo biológico. Assim sendo, a sexualidade está atrelada
à espiritualidade do indivíduo, ao ser espiritual que nós somos, habitando um corpo
material, um corpo físico, isso é muito compreensível, isso é muito percebido no
Oriente; na cultura Védica, isso é natural, o ser, a sua sexualidade e a sexualidade
como é, porta de conexão com o sagrado é algo supernormal. Mas isso não é tão assim
nas regiões asiáticas, então não vamos confundir. Quando fala em Oriente parece que
é tudo que não é mais América, não é bem assim. Nós precisamos compreender
algumas questões como pensar, falar e vivenciar a nossa sexualidade como algo que
transcende qualquer teoria, que transcende o corpo, que transcende dogmas e tabus
instituídos ao longo do processo histórico que nós participamos.

Um ponto de partida para que nós não tenhamos um desentendimento linguístico,


diplomático, uma má interpretação dos objetivos reais desse curso, dessa reflexão,
acima de tudo é uma reflexão a ser colocada, a ser discutida por nós no nosso meio,
entre nossos grupos, onde participamos e colhemos disso algo substancial para o ser
que nós somos.
Então, devemos pensar a sexualidade como algo normal de ser pensado, ser discutido
e ser entendido. Se não houver esse primeiro ponto aqui, esse primeiro acordo entre
nós, teremos problema. Porque vamos nos despir de pudores para falar de um assunto
que é muito natural e que, de repente, não é para outrem. Mas entendemos que o
indivíduo que busca conhecimento, que quer refletir, que quer mudar a sua vida,
mudar a sua realidade e saber que a partir do entendimento, a partir de reflexões, a
partir de estudos, nós temos o caminho ideal para nos melhorarmos no mundo.

Essa é a ideia de existência, que o conhecimento é o caminho ideal para tudo, para
tudo que queremos, é pela via do saber, naturalmente, por isso que eu trabalho como
educador, então, essa é a minha verdade. Falar, portanto, de assuntos polêmicos
também é mais do que necessário nos dias de hoje, falar de assuntos incômodos é
fundamental para a reflexão, porque é muito fácil ficar repetindo coisas que já
sabemos desde sempre, ficar falando aquilo que só estamos a fim de ouvir, queremos
aquelas mensagens de autoajuda e coisa parecida. Não é a minha proposta.

Aqui nós tratamos de vários temas, de vários estudos, sempre com o objetivo de
incomodar, porque no incômodo é que vem a reflexão, vem a investigação, vem os
questionamentos. E é questionando sempre que encontramos resposta. O grande
segredo não é a resposta, são as perguntas. Pense nisso. E vamos investigar o ser
espiritual e sexual que somos.

“A energia sexual é uma das mais poderosas do Universo”.


Sabedoria Indiana

Antes de falarmos qualquer coisa mais pontual sobre “Ah a mediunidade, a sua relação
com a sexualidade do indivíduo”, precisamos entender alguns pontos e um deles é a
estrutura do ser humano - estrutura do indivíduo espiritual - como que funciona, para
chegar lá nos finalmente e entender como isso se processa. Logo quem está com muita
“sede ao pote”, vamos com calma e vamos entendendo passo-a-passo o que
queremos aqui desdobrar.

Sabemos que somos um ser espiritual, habitando um corpo físico e é preciso que nós
consigamos entender o ser sexual, a energia sexual que faz parte de nós. Dentro de
uma analogia, até bem pobre, imagine o seguinte: nós surgimos – o nosso ser original -
o nosso ser espiritual surge da concepção do cruzamento magnético de duas
divindades, ou seja, isso nós estudamos mais profundamente na “Gênese do Ser –
dentro da Teologia de Umbanda”. Mas para entendermos – sintetizaremos – em algum
momento duas divindades, uma positiva e uma negativa ou masculina e feminina se
cruzam energeticamente (não tem nada a ver com a nossa ideia humana de ação
sexual), pois há um cruzamento energético.

Nesse momento, algo novo surge no universo – vamos pensar que agora nesse
momento “algo novo” é um novo ser humano – a decisão acima disso é do Criador.
Nesse cruzamento, algo novo surge no universo, um cordão é disparado até o ventre
divino (tem que criar uma metáfora agora para entendermos) que vai atrair uma
centelha e essa centelha, algo inerte, uma estrutura inerte (metaforicamente
“centelha” é como um “sucrilho” divino), um “grão de sucrilhos” que vem e é recebido
no colo dessas duas divindades que estão ali dando origem a um novo ser e, num
processo de decisão, quem vai ser o dominante e o recessivo é o que determina a
natureza daquele ser, estamos falando, portanto, da gênese do ser humano.

Para quem acreditava até agora em alma gêmea, passe a rever as informações, pois
não falamos em nenhum momento que vem dois “sucrilhos”. Então, alma gêmea é
uma teoria, é simbólica, não é uma verdade, não existe alma gêmea. Ninguém é criado
gêmeo, que se separa e é jogado no universo, ficando em busca dessa outra metade.
Enfim, não é esse o tema da aula.

Então, nesse momento, surge um novo ser que já vem determinada a sua natureza.
Enfim, isso já entra no assunto de ancestralidade, dentro da Umbanda chamamos isso
de “Orixá Ancestral” e estamos colocando isso para que percebam que na origem o ser
espiritual é um ato sexual divino. Essa fusão, esse encontro vibratório de duas
divindades não deixa de ser – dentro de uma perspectiva humana – um ato sexual,
essa troca de energia para dar algo novo.
Em síntese, a energia sexual é uma energia conceptiva, pois dá origem as coisas, ela é
criativa, é geracionista. Então, pense sobre a energia sexual. É uma energia potencial
que é responsável pela criatividade.

A pessoa que é artista, que trabalha com criação de qualquer área que seja, por
exemplo, se a energia sexual está desregulada, mina a capacidade criativa. Isso é só
um exemplo básico para perceber que a energia sexual transcende a ideia de sexo,
nossa ideia genitália, esse tipo de coisa mais selvagem, mais animal, e que isso vem da
deidade, vem lá da Criação divina e que está em tudo e em todas as coisas. A natureza
toda, a qual nós pertencemos, procria-se o tempo todo.

Assim sendo, as abelhas têm um processo, uma relação sexual com as flores que dá
origem aos frutos, por exemplo, e assim por diante que poliniza as flores, enfim todo
aquele desdobramento da natureza como conhecemos no campo da botânica. Quando
a semente vai ser fecundada pela terra, vai surgir ali, vai germinar uma nova planta,
uma nova árvore, enfim, tudo isso é a energia sexual do universo se manifestando.

Logo, o que é a energia sexual? Energia sexual é algo que está em tudo e em todas as
coisas, é um magnetismo, é uma potência divina que no geral participa ou é o que dá
atividade criativa de todas as coisas ou geracionista para todas as coisas. É algo
incrível.

A vida propriamente necessita, acontece, portanto, com a energia sexual. Não há vida
sem energia sexual, não há vida sem essa potência que dá origem a todas as coisas e
que todas as coisas também ficam muito em função dessa energia. É uma amálgama, é
uma mistura harmonizada, mas está em tudo e em todas as coisas. Nós, seres
humanos, não podemos ser diferentes e percebemos que, por exemplo, na nossa
realidade, na nossa natureza, a vida é algo muito complexo, nosso corpo é algo muito
complexo, como a vida se processa é complexo.

Pensamos que, quando dois seres humanos têm uma relação sexual, vai surgir um
novo ser dentro da concepção. A gestação é algo incrível quando começamos a
entender aquilo, quando começamos a estudar mais profundamente como isso
acontece. É inacreditável como que isso pode existir. É esse tipo de informação que
nos faz pensar “Nossa, somente a mente mesmo muito suprema para pensar, criar
tudo isso, “startar” isso, funcionar perfeitamente na sua criação”.

O que queremos que entendam é justamente esse ponto, perceber a “energia sexual”,
conceber que há uma energia sexual em tudo, em todas as coisas que provém desde a
origem de tudo, não é uma energia que está em Deus e dele se manifesta em tudo e
tudo precisa dessa energia para que tudo aconteça e funcione. Isso é um
entendimento fundamental para entendermos quando essa energia é potência – é
positiva – e quando ela poderá vir a ser um problema, poderá trazer dor, poderá trazer
negatividade. Como tudo no universo, há a sua dupla polaridade e há quem administra
essas polaridades dentro das ações, da relação com aquilo em questão. O ser humano
é um ser naturalmente sexual, porém isso não é apenas com o ser humano é em tudo
no universo.
Portanto é necessário compreender que existe uma energia sexual em todas as coisas,
em todo o universo e entender a sacralidade dessa energia. Que em Deus está essa
energia e ela é projetada em todas as coisas. Nesse momento, começamos a pensar o
que de fato está em jogo quando se criou os tabus em torno dessa natureza e os
homens, usando de sua inteligência, de sua racionalidade, decidem criar para a
posteridade uma ideia de pecado, de coisa errada, de controle da massa em torno do
medo do que pode ser aquilo que é natural em nós: a própria sexualidade. Reflitam
sobre isso.

Refletindo sobre o exposto: “Em que momento, por que – na verdade – quais são os
interesses, o que estava em jogo quando se criou uma ditadura em torno da
sexualidade – algo normal e natural em todo universo – para controle da massa?” O
questionamento já responde. A intenção realmente, o que estava em jogo, era o
controle da massa. Se não se usa do medo - um tempo atrás – não controla a massa.

O mundo estava se desenvolvendo, muito diferente de hoje, mas havia os “donos” do


mundo, os poderosos, os reis, a religião que queria dominar, enfim. O domínio só
acontece quando manipula através do medo, da ameaça que seja eminente, então,
temos que tomar cuidado com isso, com aquilo, que vai ser levado para tal ou tal lugar,
para poder controlar. É isso que questionamos, pois não foi nenhum espírito de fato
que um dia disse, ou não foi um Anjo que um dia de fato falou “Deus que mandou
dizer coisas, qualquer coisa que se queira aqui assim boicotar a própria natureza”.

A opressão sexual, ao longo da trajetória humana, vai gerar uma depressão


comportamental. E o que é essa depressão comportamental? É justamente o
desregramento daquilo que deveria ser natural. Se nós fossemos, há milênios,
educados para entender a sexualidade em nós, a energia sexual e a própria sacralidade
disso, tudo seria diferente.

Por exemplo, na cultura Védica, a ideia é de que o sexo é o momento de contato com
o sagrado, com Deus, com tudo que há de mais iluminado, de modo que a relação
sexual é um rito, é um ritual religioso – ao pé da letra – é um ritual de religar, é aquele
momento em que o indivíduo se conecta com aquilo que é mais sagrado nele e que o
transcende, liga-o a uma força superior. Se fossemos sempre educados assim não
teríamos tantos desvios em torno do sexo, tantos traumas, tanta dificuldade do
indivíduo se relacionar socialmente mesmo.

Uma coisa simples: é ser um ser social, mas percebemos que muitas dificuldades de
relacionamento social nos indivíduos têm a ver com a opressão sexual nele. Que é uma
opressão cultural, que é algo que ele nasce e já começa ouvir algumas coisas esquisitas
e ele vai crescendo com aquelas ideias esquisitas. E aquela esquisitice toda é negada
pelo próprio corpo, pela própria natureza dele. E aí chega um momento em que a
razão tem que tomar uma posição em tudo isso e poderá gerar mesmo a depressão
comportamental. Entendemos como “depressão comportamental” esses desvios dos
excessos em todos os aspectos, ou seja, a anulação da sexualidade parece um excesso
e um sério problema, o excesso do exercício sexual também, há um excesso de evasão
energética e isso vai trazer prejuízo energético.

Nesse momento, o fundamental agora é perceber a nossa estrutura, ou seja, nós


somos um ser espiritual, somos um espírito que habita esse corpo. O espírito é sexual
por excelência e o corpo também tem sua programação de funcionamento biológica
em que a sexualidade está conectada com o ser sexual e espiritual também. Não é
uma necessidade do corpo o sexo, não é uma necessidade do corpo a transmissão
energética – já saímos do corpo - a energia sexual é uma necessidade do espírito, que
o corpo – no caso dos seres encarnados – é o que vai dar funcionalidade, é o que vai
dar as possibilidades de acontecimento.

Veja bem, esse ser espiritual tem uma estrutura. Recordando: nós somos formados por
sete chakras, esses chakras dão origem aos “sete corpos” – não vamos entrar no
mérito dos sete corpos – é importante entendermos objetivamente o que são os
“chakras” e o que eles representam. Os “chakras” são sete vórtices, sete aberturas que
nós temos, que têm duas abertura sempre na frente e atrás. Os chakras existem para
dar funcionalidade do corpo espiritual, isso é o que alimenta também e faz funcionar o
nosso corpo físico. Veja: não é o nosso corpo físico que tem chakras, é o corpo
espiritual. E o corpo físico sem espírito não é nada, ele é algo que decompõe. A morte
é isso: sai o espírito do corpo, ele desabilita o corpo, desconecta-se do corpo, o corpo
perece. 48 horas ninguém suporta ficar perto daquele corpo se não tiver passado por
um processo químico de preservação.

Desta forma entendemos que o Chakra básico, o Chakra que está na nossa região
genital é o Chakra também da vida, o potencial que faz essa transmissão da nossa
energia sexual, que se concentra nele. Então, por exemplo, quando nós temos uma
relação sexual, esses chakras se fundem naquele momento e há transmissão, essa
conexão é perfeita. Mas nós fazemos essas transmissões numa estrutura emocional
pelo que sentimos, pelo beijo, que é outro potencial conector energético que
transmite energia e recebe do outro. É importante fixar que o sexo é uma forma de
transmissão energética dentro de uma necessidade.

 A TRANSMISSÃO ENERGÉTICA

“Os corpos espirituais se fundem na conjunção sexual, por onde flui a essência de um
pelo outro numa imersão intensa de intimidade e expansão da consciência”.
- Rodrigo Queiroz –

Agora, vamos falar da relação sexual propriamente, reforçando que nós, ser espiritual,
animamos esse corpo e esse corpo responde aos estímulos e necessidades do espírito.
Desta forma, quando se diz as seguintes afirmativas: “Ah, é uma coisa do corpo”; “As
pessoas têm seus desvios sexuais que são seus desequilíbrios”; “Isso é devido a uma
educação repressora”; “A carne é fraca”; “São coisas da carne”, devemos compreender
que tudo isso está relacionado com o espírito. A carne é o reflexo do espírito, da alma
do indivíduo e esse espírito está desequilibrado, esse psiquismo está desequilibrado, o
ser emocional está desequilibrado.

É importante compreender isto – a mente é o espírito –. Não é o cérebro, o cérebro


está no corpo, que é animado pela mente. Ela traz informações que tem a ver com
aquilo que está alimentando na sua essência, na sua base existencial, que é a sua
própria alma. É, não é tão simples mesmo. A questão é que temos sempre que estar se
auto avaliando, observando-se para realmente ajustar aquilo que está saindo do
controle.

A transmissão energética acontece via atividade sexual, mas a atividade sexual não é
de fato o coito exatamente – A atividade sexual é tudo entre duas pessoas que
começam a se relacionar, começam se acarinhar, falar palavras agradáveis uma para
outra, agradar o outro, transmitir um bem querer. É isso, a relação sexual já acontece
aí, ela já está acontecendo. Nós fazemos isso, em todo momento, com pessoas que
não necessariamente temos um contato íntimo, físico. Nós relacionamos assim com
pessoas que queremos bem, pessoas que gostamos nossos familiares, nossos grandes
amigos. Essa transmissão dessa energia potencial, que é a energia sexual, acontece,
por exemplo, via Chakra cardíaco. Quando conversamos com pessoas que gostamos,
pessoas que admiramos, com pessoas que falam coisas boas, quando escutamos coisas
boas, estamos fazendo transmissão energética.

Portanto veja como vai além da ideia do exercício, da atividade sexual como a
entendemos exatamente. A transmissão energética acontece, por um lado, pela nossa
estrutura emocional: Chakra cardíaco - que é aquilo que está atrelado ao que sentimos
e o que pensamos sobre o outro – é outro estágio, é potente, que é de inclusão da
energia no outro, que é a relação sexual como a conhecemos. E aí também cabe
entender que a relação sexual é uma via de positivação ou negativação. E a positivação
acontece quando há equilíbrio e a negativação acontece quando há desequilíbrio.

E quando há equilíbrio e quando há desequilíbrio? Sabemos que isso tem a ver com
um conjunto de fatores, ou seja, o ser que está extremamente desequilibrado
emocionalmente, o ser que está extremamente preocupado com outras coisas, não
está envolvido naquele momento com aquela pessoa, ele não está desconectado com
assuntos ou com situações ruins para ele e leva aquilo para uma relação, provocando
desequilíbrio. É esse tipo de obstrução energética, por influências externas, que um
dos indivíduos está trazendo para aquele momento e poderá ser um fator
desequilibrador.

Então, uma pessoa que realmente está de mal com a vida, está magoada, está
amargurada, está raivosa, enfim, alimentando coisas, distúrbios diversos e leva aquilo
para uma relação, ela joga todo aquele seu desequilíbrio no outro ou vice e versa. Aí,
quando se fala assim: “Ah, mas eu tenho uma necessidade física”, essa necessidade
física poderá ser uma via para potencializar o seu desequilíbrio.

O sexo, por exemplo, praticado numa situação de profissionais do sexo, - embora


respeitemos as decisões de qualquer indivíduo – a questão aqui colocada é “prática”,
ou seja, quem vende o sexo não pode vender harmonicamente a energia sexual.
Então, a pessoa vende a atividade, vende o serviço, mas não podemos esquecer que
isso gera uma energia e essa energia vai ser transmitida para alguém, não tem
conversa e não tem como usar uma camisinha espiritual, não tem como se precaver
disso daí. Normalmente, o que a espiritualidade ensina é justamente que os
indivíduos, que estão numa relação com sexo de forma negativada, desequilibrada,
como é o caso de uma relação profissional com o sexo, muitas vezes, cria uma
estrutura de sucção, em que ele só absorve, ele está tão vazio da energia – falando do
sexo profissional –, ele chega ao ponto de se esvaziar tanto dessa energia que ele
passa ser um “vampiro” em relação ao cliente. Este que chega lá, todo cheio de tara,
de desejo e de uma energia sexual acumulada – não estamos falando que isso também
está equilibrado – ele tem essa necessidade de usar desse caminho, mas aquela
energia dele que por um lado ainda é uma potência acumulada nele, a hora que ele
tem esse contato sexual, é muito doentio, o outro suga aquela energia, tira toda
aquela energia dele. E não há uma sensação final de satisfação, é um cansaço. Não há
euforia como percebemos quando é uma relação de bem querer, de duas pessoas que
se conquistaram, envolvem-se, envolve-se emocionalmente, envolve-se
energicamente, envolve-se sexualmente.

Não se trata de um discurso puritanista ou caindo na vala do dogmatismo, não é nada


disso. Isso daí se colhe relatos de pessoas que em algum momento da vida exerceram
essas relações sexuais com prostituição e que eles mesmos podem dizer isso também
e confiamos na espiritualidade que está nos ensinando esse tipo de coisa, esse tipo de
assunto que nos faz entender isso daí. Há relatos, também, de projetores – de pessoas
que fazem projeção astral – que foram levados em casas de prostituição, conseguiram
presenciar cenas e ver como que há um desvio dessa energia que por um lado é
potente e, numa situação como essa, degringola todo o indivíduo. Sem contar que,
sempre que há, é evasão da energia sexual desequilibrada, de uma forma doentia, há
atração de seres espirituais que estão aí no plano etérico, sexualmente doentes. Eles
vão ver no indivíduo que está também sexualmente doente, com a sua energia sexual
viciada, doente, desequilibrada, ele vai ver ali uma forma de ele também “acostar”,
“acochar” e receber aquela energia também.

E aí vira um jogo, uma relação sexual com outra pessoa pode quase virar uma bacanal
espiritual que tem um monte de seres ali envolvidos sugando aquelas energias.
Indicamos uma leitura muito interessante para esse tema que é o “Diálogo com o
Executor”, do Rubens Saraceni, que mostra uma situação dessa, incrível, incrível, muito
boa leitura, a narração é perfeita, fica a dica aí: “Diálogo com o Executor”, de Rubens
Saraceni – todos os livros de Rubens Saraceni pela editora Madras.

Então, na transmissão energética, quando há desequilíbrio, o indivíduo está


desequilibrado, psicologicamente perturbado, a energia sexual dele vai estar assim, ela
vai estar contaminada pelo seu estado naquele momento. E o que o indivíduo vai
oferecer para o outro é assim: se está bem, mas o outro não está nessa situação, o que
você vai absorver é ruim.
A relação sexual, a prática sexual é, portanto, uma grande oportunidade de uma
intimidade tão tamanha de entrar na energia do outro, o outro entrar na sua, fazer
uma fusão energética. É incrível isso, imagine isso acontecendo no plano etérico, a
pessoa traz para o seu campo vibratório, magnético, energético, energia do outro. E
fica, segundo a espiritualidade, a energia do outro fica em nós no mínimo 24 horas.

Para os médiuns entenderem, por exemplo, porque os Guias espirituais orientam para
não ter relação sexual 24 horas antes da atividade mediúnica, é esse o motivo. Por
quê? Porque a entidade espiritual é uma segunda energia, o médium tem a dele e o
outro tem a dele, quando se tem uma relação sexual algumas horas antes do trabalho
mediúnico, do exercício mediúnico, significa que está com uma energia de um terceiro.
E aí o médium vai incorporar, vai ter que trabalhar, vai ter que entender que tem que
estar com a própria energia, a energia mais pura possível.

Não se trata, portanto, como se colocou ao longo dos tempos dentro da Umbanda
como algo pecaminoso, algo que prejudica, não se trata disso. Trata-se apenas de estar
com a energia mais pura possível, legítima para não atrapalhar a conexão mediúnica
com a entidade. Porque, quando está imerso numa energia de outra pessoa, porque
teve uma relação de amor, de muito amor, de muita paixão, não interessa - quanto
mais amor, mais paixão, mais energia – isso, na dinâmica da incorporação, é um
bloqueador, um dificultador, então, essa é a orientação.

Agora, médiuns mais maduros, vão saber com naturalidade quando sente – ele já sabe,
já tem maturidade mediúnica – quando ele pode ou não ter uma relação sexual 24
horas antes ou não de uma atividade mediúnica. Por isso que a regra é geral, a
orientação é geral, porque como muitos indivíduos, a maioria dos indivíduos não sabe
discernir isso daí, então, para facilitar, para não ter prejuízo no trabalho mediúnico se
tem esse tipo de orientação.

“Sexo sem amor é como matar a sede com água do mar...”.


Eduardo Volpato

Falando sobre a transmissão energética, o processo de positivação e negativação,


indivíduo desequilibrado – energia sexual desequilibrada, abismo e paralisia
energética, não tem por onde. Dá até para entendermos sobre obsessores sexuais que
vêm em pessoas que estão com uma vida sexual desregrada, desorganizada,
bagunçada e aí vai servir de consolo, de abrigo para esses seres espirituais também
que se encontram na mesma frequência. Dá para entendermos a importância da
relação sexual no processo de carinho. E aí fazemos sempre um trocadilho com “sexo,
droga e rock’n roll”, é, “sexo, amor e iluminação”. O sexo - agora lá vem a polêmica –
só deve acontecer com casais, ou seja, a pessoa que casa, consagra a relação é para
ter o sexo, fazer sexo, fazer amor. É, a espiritualidade explica que a relação sexual deve
acontecer, o ideal é que ela aconteça numa situação de harmonia, de bem querer. Veja
bem, duas pessoas comprometidas, por exemplo, que não têm nenhum
relacionamento, mas que são amigas, se querem muito bem, que se gostam e não
necessariamente são namorados – é isso que estamos querendo dizer – mas podem
ter relação sexual e serem felizes, é polêmico isso.

O que queremos dizer, o que queremos que entenda de verdade, é que a energia
sexual não está programada para fluir positivamente só para pessoas que namoram,
que têm, socialmente, um compromisso instituído etc. O sexo é a energia sexual, ela
flui bem, positiva, faz bem para os envolvidos quando ela é projetada numa relação de
bem querer e podemos bem querer pessoas que não necessariamente temos um
compromisso desse tipo institucional, compromisso de um namoro, por exemplo. Mas
pode ter vontade e a outra pessoa também ter vontade, querer bem, pois se gostam,
tem amizade, têm carinho. É isso. Porque tem muitas pessoas casadas, tem muita
gente namorando que estão numa situação de fracasso, de ódio entre um e outro,
uma relação doentia de ciúmes e estão tendo relações sexuais extremamente
desequilibradas. O que é importante? O ideal social ou o fato? Então, aqui está a
provocação.

Relação sexual, que é a chave, o gatilho para transmissão sexual energética entre
indivíduos que se querem bem. Então, se estamos num casamento fracassado, num
casamento que não quer a pessoa do lado, fazer sexo é uma dor, é uma coisa chata,
desagradável, cria dores de cabeça o tempo todo. A pessoa que está passando por
uma situação de não perdão, de mágoa, numa relação de extremo ciúme, de uma
relação doentia, de possessão, está recebendo uma energia desequilibrada, essa
relação sexual que tem esse clima é profundamente doentia, é desarmonizadora. Por
isso que se tem relação sexual e não se resolve o problema no casal, o problema de
relacionamento. Enquanto que a energia sexual, quando está tudo harmonizado, é a
mantenedora da harmonia, ela potencializa a harmonia. É diferente de ter um
desentendimento na relação, alguma coisa, isso é natural. E se percebe em relações
harmoniosas em que mesmo o casal quando tem um desentendimento qualquer e se
amam, ao se amarem, ao ter uma relação sexual de amor, as situações se resolvem,
realmente voltam ao ponto de harmonia, porque não estão doentios, não estão
viciados. É num clima de confronte e desajuste que há perda energética.

Portanto a relação sexual deve existir num clima em que há o bem querer, em que há
o carinho. Por isso que numa situação de estupro, por exemplo, é altamente doentia, é
altamente desajustador – há pessoas que passam por isso e a vítima fica muito
desajustada, porque até trabalhar a harmonia psicológica, emocional daquilo que
vivenciou, a energia sexual do indivíduo também está degringolada, por quê? Aquele
violentador tinha em potencial essa energia completamente invertida, negativada e
que despeja no outro, isso é muito cruel. Realmente uma situação de estupro é muito
cruel. A relação sexual, voltamos a dizer, em climas de descompromisso – veja bem o
que é descompromisso: de apenas de possessão sexual do outro, de farra, de orgia - é,
realmente uma energia sexual doente, pois tem uma energia sexual comprometida e
que vai trazer prejuízo. Isso em repetições, isso continuadamente, isso em longo prazo
gera doenças físicas de fato, gera um prejuízo psicológico individual, um esgotamento
emocional no indivíduo, psíquico do indivíduo. Isso as pessoas normalmente
percebem, quando eles estão na farra, realmente na brincadeira está tudo uma delícia,
porque o estímulo sexual por si só é delicioso.
A ideia de prazer confundida, às vezes, com tesão, com excitação, com euforia sexual
(isso tudo é delicioso), mas se está num clima apenas carnal, é doentio, está tudo
desarranjado, pois esse momento vai passar. E aquele momento repetindo-se,
repetindo-se, repetindo-se gera um acúmulo de uma substância, uma energia
completamente comprometida e negativada. Portanto vai refletir isso fisicamente,
psicologicamente, emocionalmente no indivíduo de uma maneira devastadora
também. Aqui nós entendemos, procuramos entender que a relação sexual é algo
super natural, super normal que ela deve ser exercida com atenção de que se está
realmente envolvido com o outro, com aquele momento, com a vontade de transmitir
o que se tem de melhor para o outro e receber do outro o que há de melhor. E que há
que se observar com atenção os excessos - e quando dizemos “excesso”, estamos
falando da relação desequilibrada, desentendida, descomprometida da energia sexual
colocada assim numa situação qualquer.

A mesma coisa poderíamos aqui fazer um paralelo com a questão com entorpecentes
que sabemos que é um tipo de substância que desencadeia um desequilíbrio vibratório
no indivíduo e só traz prejuízo.

A importância de estar com a mente aberta para receber o novo, fazer reflexões, não
se faz nenhum tipo de investigação em torno de conhecimento qualquer com travas,
com amarras, com tampa em cima do copo ou coisa parecida. E nós viemos
entendendo o ser espiritual e a relação sexual como uma transmissão energética, a
oportunidade do indivíduo se conectar com a sua essência, com a sua intimidade, sua
interioridade e que isso faz parte, integra-o com ele mesmo, com o sagrado nele, com
o universo propriamente.

 MASTURBAÇÃO

Nosso assunto é masturbação e entender a masturbação como um processo também


de equilíbrio ou desequilíbrio. Bom, se falar de sexualidade sempre foi um tabu, entre
casais, entre sacerdotes e casais ou coisa parecida já era um problema entre pais e
filhos, imagina falar de masturbação no âmbito religioso principalmente. A
masturbação é vista, realmente, como algo inaceitável. Há pessoas que têm tanto
problema com relação à masturbação que se, às vezes, o conjunge descobre que o
outro se masturba, acha que foi traído por isso, sente traído - “Como? Estava pensado
em quem?”, “Estava pensando no quê?” ou coisa parecida. Porque isso já mostra que
é um casal e que a sexualidade fala muito as coisas ali.

“Não despreze a masturbação – é fazer sexo com a pessoa que mais ama”.
Woody Allen
Um casal que não conversa sobre as suas próprias necessidades, sua própria
sexualidade e não interage nesse sentido já deixa alguns problemas instituídos. Mas,
enfim, a masturbação, ao longo do tempo, ficou uma coisa também bem bizarra, tem
aqueles que acham que cresce pelo na mão, por exemplo, na palma da mão, há todo
tipo de brincadeira em torno da ideia de masturbação. Há aqueles que dizem que
ficam realmente doentes, que o sangue desce, a pessoa pode morrer na hora que está
ali se masturbando. A masturbação, não se sabe quando se iniciou, é antropológico, é
algo que podemos dizer que existe desde sempre, desde que o homem se entende no
mundo vai ter isso na vida dele. E, quando surge um novo período na humanidade, que
é um período em que os dogmas religiosos interferem nas decisões do homem, na sua
forma de agir, de pensar – o problema é quando as proibições e as ideias religiosas
alteram o processo como o indivíduo pensa sobre si, como ele se entende no mundo –
o processo histórico vai mudar tudo isso.

O que era algo normal do indivíduo se conhecer entender-se, sentir-se, descobrir-se,


vira uma afronta a Deus, vira um pecado imperdoável, vira um medo, um terror, então,
diante disso gera dor, gera um problema.

Por exemplo, a mulher, principalmente, tem mais dificuldade em relação a isso,


porque ela ainda vive numa sociedade machista e que o machismo vai fazê-la depois
entender que esse tipo de atividade na mulher é promiscuidade. Se não bastasse ser
um pecado, ser algo que Deus fica insatisfeito, fica infeliz da sua criatura praticar, para
mulher ainda é promiscuidade, é algo que a torna uma mulher sem respeito ou coisa
parecida, é algo bastante difícil. E o que se vê, normalmente, são mulheres que nunca
se tocaram direito e uma mulher que não se conhece, por exemplo, nunca vai
conseguir cobrar do seu parceiro o que ela gosta, porque não se conhece, ela não sabe
o que ela gosta, então, do jeito que vem, às vezes, é o que veio, é o que se tem para
hoje, é o que está bom.

Isso complica o processo de relacionamento humano. Todas essas ideias vêm


boicotando o nosso desenvolvimento natural, no nosso ser natural. Embora com tudo
isso colocado, o seguimento da sociedade, da psicologia, estudo do comportamento,
que é a sexologia, vai falar com veemência que as pessoas precisam se masturbar, as
pessoas precisam se sentir, as pessoas precisam se conhecer e aí se tem vários
métodos, se tem várias dicas e se tem vários brinquedos, o mercado potencial, que é o
sex shop, que só 90% dos produtos é para o sexo solitário, que possibilita o sexo
solitário, ou seja, a masturbação. Colocamos tudo isso aqui, para começar a quebrar as
nossas defesas aqui já, dentro do nosso comportamento natural. Mas o que temos de
entendimento até esse momento, hoje a ciência, os estudos do comportamento, das
necessidades químicas, biológicas do corpo é que a masturbação é incentivada, ela é
necessária. Como disse: para duas pessoas se relacionarem bem sexualmente, elas
precisam se conhecer e você só se conhece se tocando, se mexendo, se fazendo e
sabendo o que você gosta, o que você não gosta, como você alcança algumas coisas e
não alcança, então é importante.

Agora, a dúvida cruel de fato é o que a masturbação tem a ver com a mediunidade?
Com o ser espiritual? Tem alguma coisa a ver? Tem tudo a ver. Tudo é uno. Nessa
situação, a masturbação é uma ferramenta, é uma possibilidade de equilíbrio ou
desequilíbrio e aí é o indivíduo que tem que saber qual o limite das coisas na vida dele.
Por exemplo, se um indivíduo que não tem uma parceira, um parceiro, não tem uma
vida sexual de parceria ativa, enfim, pelo motivo que for, o que cabe a ele é
justamente no caso a masturbação. Por que estamos falando isso? Porque a opressão
dessa energia, a repressão dessa energia, o adormecimento dessa energia, se não tiver
com muito exercício muito bem feito, isso pode gerar desarranjos. Essa energia sexual
é o tipo de energia que precisa estar em movimento. Ela se manifesta em nós de
várias maneiras e uma das maneiras, em alguns momentos dela, é exatamente nas
necessidades propriamente dita, na excitação, no tesão, no estímulo, que podemos
chamar pontualmente a energia sexual em “ebulição”. Mas ela, como já foi dito,
manifesta-se em comportamento, manifesta-se em sentimentos, manifesta-se em
criatividade, em várias outras coisas que nós somos. Se não formos treinados, muito
bem treinados para canalizar essa energia sexual, que se concentra em alguns
momentos em nossos órgãos sexuais, nossas genitálias e que precisa ser estimulada e
trabalhada, vamos ter um desarranjo. E aí o que ocorre, se não temos atividade sexual,
em alguns momentos, oprimimos por concepções qualquer, podemos gerar um
desarranjo vibratório, um desarranjo energético. Portanto o boicote dessa energia cria
um desajuste, essa é a questão a ser compreendida. Quando se vê isso com
naturalidade, com normalidade, tudo fica em equilíbrio, por isso é importante saber
como canalizar isso positivamente. Se por um lado é biológico, a masturbação ou a
oportunidade de autoconhecimento sexual também, por outro lado é a oportunidade
de agitação, de movimentação, de potencialização dessa energia sexual, mas
precisamos saber o que estamos fazendo, por exemplo, sempre perguntam: “Mas, é
possível atingir uma outra pessoa com essa energia se masturbando?”, quando se
masturba, projetando também a intenção em alguém, se esse alguém é recíproco, ele
recebe essa conexão energética e alguma coisa se estabelece ali. Se não é recíproco, se
a pessoa não está nem aí, o homem, por exemplo, que precisa de estímulos visuais,
está se valendo ali de uma revista, alguma coisa, aquela personagem que está ali nas
fotos não é atingida por aquela energia. Mas quando já tem uma relação emocional
com alguém e está se masturbando projetando essa energia para alguém poderá
acontecer a conexão energética e aí pode se estabelecer uma troca sadia, se não for
sadia a relação e houver a conexão vai ser uma troca doentia naturalmente.

Agora, em relação a potencialização, se se cria uma rotina da masturbação como uma


forma de se harmonizar, é muito positivo. Assim, ela deve ser sempre uma
oportunidade de autoajuste, se começarmos a encarar e entender e colocar a
oportunidade da masturbação ser um momento de auto ajuste energético, biológico,
ajustar a energia, ajustar essa situação, ajustar isso tudo, se colocar naquele momento
de uma, se gostar, se amar e sentir, então não é aquela, não é de uma forma
desesperada, de uma forma descomprometida, mas comprometida com você mesmo,
aquele momento da masturbação é um momento em que se agita a energia sexual no
campo todo complexo, campo magnético, campo energético, ela é desencadeada no
corpo, no espírito e equilibra o indivíduo, deixando-o harmonizado, então é muito
positivo está tudo certo, tudo correto até aí. Agora, quando a masturbação é uma algo
descontrolada, a pessoa é viciada, faz isso toda hora, chamamos dos “ninfomaníacos”,
por exemplo, isso é uma doença, é desequilíbrio, o indivíduo está esgotado, mas está
lá se estimulando e se tocando, porque não quer sair daquela sensação, daquela
euforia, isso é vício. Vício é doença, vício é desequilíbrio, é desajuste. Então não pode
ser nesse caminho, por esse caminho o indivíduo, que poderia ter a possibilidade de
sozinho, de intimamente fazer o ajuste da energia sexual no organismo físico e
espiritual, passa a fazer completamente o contrário, vai fazer um esgotamento. E
sempre que a nossa energia sexual se esgota ou se desequilibra ou se acumula,
acumula-se desequilibradamente, o que responde em nós é um prejuízo psíquico, um
prejuízo emocional, um prejuízo físico podendo gerar doenças realmente. Portanto a
masturbação é um assunto muito interessante, polêmico também, mas polêmico só
para aqueles que querem ficar presos em tabus, daqui para frente não é mais o nosso
caso.

 “NATUREZA DO SER” E “HOMOSSEXUALIDADE”

Considerando que a base de nossos estudos nesse tema já foram alicerçadas,


falaremos sobre “Homossexualidade” , porém tem que ser entendido anteriormente a
“natureza do ser”. E a natureza do ser, por exemplo, é um tema de estudo que nós
encontramos na “Teologia de Umbanda Sagrada” - “Gênese do Ser” é que se aborda
isso daí.

“A sede real do sexo não se acha, dessa maneira, no veículo físico, mas sim na entidade
espiritual, em sua estrutura complexa”.
André Luíz

A natureza do ser sofreu alguns equívocos no último século quando se fala que o ser
espiritual é “assexuado”, que, na verdade, o sexo está no corpo, assim sendo, se
estamos habitando um corpo masculino, somos “homenzinho” e aí podemos vir na
vida que vem, na próxima vida ou na anterior como um corpo feminino e aí somos
“mulherzinha”. E isso é um conflito na verdade, é um erro. Quem colocou isso no
último século com muita naturalidade foi o “Espiritismo” que se pegarmos a gama da
literatura Espírita, veremos muitas narrações, muitos romances, por exemplo, falando
de reencarnes e cada vida num sexo diferente, numa sexualidade diferente.

Mas como isso se processa? Como que isso é possível? E aí vamos nos apoiar, por
exemplo, na obra de André Luiz - como no texto de apoio – tem em três livros ele cita
que não é assim que funciona, resumindo, ele diz com clareza que a natureza do
indivíduo está na alma dele, que vai além do corpo e isso determina como ele
reencarna. Então, quando um espírito tem uma natureza específica, ele só encarna
numa natureza diferente ou num corpo de uma natureza diferente por motivos
pontuais e é o que nós vamos falar já. Como o branco aceita o preto, ou seja, no papel
escreve, ele não tem preconceito, ele aceita o que quiser escrever nele, é que surgem
teorias equivocadas. Podemos parecer radical falando assim, mas precisamos ter um
norte e aí, na Ciência Divina trazida pelo Rubens Saraceni através do Pai Benedito de
Aruanda, no estudo da “Gênese do Ser” isso se reforça e aí percebemos a verdade,
percebemos a ideia da verdade em se tratando da natureza do ser.

Portanto, quando Deus nos idealizou, aquele “sucrilhos” inerte, sem natureza
nenhuma ainda, sai Dele e é atraído pelas Divindades Fatorais ou Plano Fatoral, que é
onda, as coisas vão começar a acontecer no processo de criação na escala industrial
divina, o que se sabe é que nós já saímos com a natureza humana e aí vai ter a
divindade masculina e feminina, positivo e negativo que vão atrair esse novo ser a ser
criado da ideia divina. E lá não é dito, não foi revelado como é o processo da gestão de
natalidade das naturezas, mas o que se sabe é que um vai ser recessivo e outro vai ser
dominante, numa linguagem religiosa - para ficar claro, para nós, outras questões
particulares da religião – é aí que é determinado o Orixá Ancestral da pessoa, aquela
Divindade Ancestre que está ligado a nós desde que fomos criado é o Orixá Ancestral,
é o que determina a natureza. Se o dominante foi o Orixá masculino, a natureza é
masculina, se o dominante foi o Orixá feminino a natureza é feminina. Logo não
existem três, quatro ou cinco naturezas, existem duas naturezas, que a natureza vai
além da sexualidade, mas para ficar mais palpável, a natureza sexual é masculino ou
feminino.

No Plano Divino, não tem outra natureza, tudo no universo é bipolar, positivo e
negativo, masculino e feminino, radiante e absorvente, é aí que determina a natureza
do indivíduo. Portanto, se o indivíduo é masculino, vai se desenvolver por toda a sua
eternidade com a sua natureza – tem muitas peculiaridades aí no processo – mas vai
ser um ser masculino e se for feminino vai ser um ser feminino. Então, na sua primeira
encarnação e em todas as suas encarnações, a maioria das suas encarnações, serão da
sua natureza. E, ao dizer isso, sabemos que parece ser um escândalo, principalmente
para quem já vem de uma ideia de que o espírito não tem sexo e de que, se o espírito
não tem sexo, pode reencarnar qualquer hora de um jeito diferente.

Colocamos dois pontos, duas autorias espirituais, que são de respeito para nós, que
fala que “Não, há uma natureza específica isso é respeitado”. E André Luís, por
exemplo, fala com clareza que se numa encarnação causou muito transtorno como
sexo oposto, uma mulher devassa que levou homens a processos perigosos e se
comprometeu negativamente com o sexo oposto é isso que, por exemplo, que poderá
determinar uma encarnação em corpo contrário, então a mulher nasce num corpo
masculino, ela está numa roupa estranha, àquela roupa não pertence a ela. E aí que
isso vai gerar, por exemplo, o fenômeno da “homossexualidade” –

Desta forma que fique claro que desde a nossa geração, quando Deus nos gerou
individualmente e as Divindades responsáveis nos abrigou e criou a nossa natureza,
instituiu a nossa hereditariedade, nos deu DNA divino, nos preparou com a genética
divina, lá teve: um dominante e um recessivo. E o dominante é o que determina a
natureza, minha natureza sexual, ou seja, masculino ou feminino e a minha natureza é,
em várias questões: as minhas inclinações, as minhas habilidades, as minhas
dificuldades, então, tudo isso está no nosso código genético divino. E o processo
evolutivo é ajustar tudo isso, é desdobrar tudo isso em potencial e aquilo que são
limitações, são dificuldades serem superadas, serem ajustadas, então resume nisso
daí.

Portanto entendemos que nós temos uma natureza, essa natureza é intrínseca, ela não
muda. Existe agora por orientação da espiritualidade duas questões básicas que
determina o indivíduo reencarnar em corpo contrário a sua natureza.

 HOMOSSEXUALIDADE

Quem é homossexual, por exemplo, sabe melhor do que ninguém o que é um


preconceito, o que é a dificuldade de existir nessa nossa sociedade ainda muito
machista, embora seja século XXI, ainda é muito difícil, é muito difícil existir com essa
peculiaridade nesse mundo. Se fosse no mundo Grego antigo seria normal, só para se
ter uma ideia, na Grécia antiga, não era o nome, o nome não era homossexualidade,
claro. Mas a ideia de sexualidade era muito livre, as pessoas eram livres para amar, o
que era importante era amar e respeitar. E havia assim naturalidade em sexos iguais se
relacionando, era em praça pública, era normal. E havia também uma cultura de que
os donos do poder lá da Grécia escolhiam os garotos para iniciar sexual, os garotos
mais pobres.

“O Ser tem uma natureza original, masculina ou feminina, fundamentado em seu “DNA
Divino” e jamais se altera”.
Rodrigo Queiroz

Era um orgulho para os pais quando o seu filho era escolhido - filho: menino – era
escolhido pelo poderoso a ser iniciado sexualmente e depilava o garoto inteiro para ir
fazer iniciação sexual, era cultura. Então, não estamos falando se isso é certo ou
errado, estamos falando que era uma “cultura” e que os tempos mudaram. E que por
uma manipulação Católica no processo de castração da humanidade, castração da
sexualidade humana é que a Igreja criou um monte de tabu, um monte de
engessamento. Assim sendo, estamos falando assim: que Grécia antiga é 2.500 anos
atrás, para trás ainda, isso significa que o homossexual, o indivíduo encarnado como
homossexual existe desde sempre, parece que é desde sempre. No mínimo, temos
registro que há mais de 2.500 anos já existiam homossexuais, um relacionamento
normal em relação a isso. Não é algo da sociedade moderna como alguns Sociólogos,
Sexólogos querem dizer, não é verdade, existe há milênios. E por que então? Porque
tem que ter um fio da meada, tem que ter um ponto da trajetória humana que
determina isso, que justifica isso daí. Porque, se o indivíduo só existe na sua natureza
masculina ou feminina, o que é o homossexual?

Nós temos que separar uma coisa: homossexual não é modo, como acontece hoje em
dia, em muitos ambientes, parece que é um modismo. Ninguém consegue ser
homossexual por modismo, por influência, ninguém influencia ninguém a ser de uma
natureza diferente do que é. Ninguém consegue influenciar ninguém para ser um
cachorro, influenciar para ser uma zebra. Logo ninguém influencia ninguém que tem a
sua sexualidade específica a ser diferente. Podemos influenciar alguém a ter uma
experiência sexual diferente, ou seja, um hétero (heterossexual) ter uma relação
sexual no momento, isso aí é outro departamento e não é isso que nós estamos
discutindo agora. Nós estamos discutindo é: o indivíduo que nasce homossexual.

Portanto, “o homossexual ele nasce homossexual”. Mas ele vem assim lá do plano
espiritual? Ele é assim, ele vai desencarnar e continuar homossexual? Então, é tão
verdadeira essa orientação de que a natureza é ou “positiva ou negativa”, ou
“masculina ou feminina” que o homossexual não é um terceiro. Homossexual
feminino gosta de mulheres, então tem uma “natureza masculina”. E o homossexual
masculino gosta de homens, sente atração, desejo, apaixona-se, ama homens, então
isso é uma “natureza feminina”.

Mais especificamente em relação ao “gay” propriamente, vemos isso com uma


percepção visual mais fácil, vamos ver vários resultados – estamos aqui pincelando
algumas coisas, depois vamos amarrar tudo – o homossexual masculino, o “gay”, que é
tranquilo, continua com a sua postura masculina, ele se veste como homem,
comporta-se como homem, relaciona-se como homem em tudo, mas tem seu
relacionamento homossexual, gosta de homens. Mas não tem trejeitos exagerados,
quem não convive e descobre pela pessoa ser - vamos colocar aqui como
“homossexualismo brando” – logo entenderemos o porquê, vamos compreender o
que aconteceu antes de reencarnar. E aí veremos aquele que não se conforma muito
bem com isso, mas não vai se modificar, mas vai instituir um trejeito. É interessante,
porque o “gay” com trejeitos mais afeminados, escandalosos, às vezes, é engraçado,
porque isso é coisa de “gay”, coisa do “gay”, porque mulher não é assim, portanto ele
não quer ser mulher, ele é “gay”.

E aí tem aqueles trejeitos todos, às vezes, alguns mais eufóricos do que o outro, mas,
quando vemos na rua sabemos: é “gay”. Embora esteja vestido, hoje tem uma moda
específica, tem uma roupa específica, antes eles tinham que se vestir com roupa de
homem, hoje tem a roupa específica que não é nem masculina, não é nem feminina, é
para o “gay”. E aí esse já é aquele indivíduo que faz questão, ele quer mostrar que é
“gay”, ele não quer viver na sombra, também não quer ser mulher, não quer se
modificar. Ele não é o homossexual brando, é o homossexual muito assumido, está
muito harmonizado com isso também e vai fazer parte, parece que isso se divide meio
em “clãs”, de um grupo muito específico. E depois vamos ver aqueles espíritos que são
muito incomodados, não aceitam, não olham para o corpo, incomodam-se, sofrem,
deve ser muito, há de ser muito doloroso.

Por exemplo, na nossa cultura, homem não veste saia, é como acordasse de repente
um dia e o seu armário só tivesse saia. E tem que sair na rua com aquela saia e todo
mundo vai olhar, e se sente muito incomodado, porque nasce, cresce, chega na
adolescência e começa a descobrir que gosta de pessoas do mesmo sexo – olha que
dificuldade – e a sociedade não aceita isso, ainda hoje não aceita. Todo mundo finge,
finge “Ah eu não tenho preconceito desde que meu filho não seja homossexual está
tudo certo. Eu amo os homossexuais”, “Mas se meu filho for/ minha filha for eu não
sei como lidar”, essa é a verdade que se vê na maioria das famílias, então deve ser
muito difícil, pois há uma atmosfera de cobrança desde pequeno “Ah o namoradinho/
a namoradinha”, não se fala diferente disso, não sei se deve se modificar isso, mas eles
ainda não sabem direito o que virá.

Imagina começar a descobrir que gosta do mesmo sexo, gosta dos iguais e aí tem todo
o boicote, todo o “bullying”, tem todo um sofrimento. Então, aí cresce e começa a se
entender, aí começa a despertar a sexualidade – começa se descobrir, começa a sentir
coisas, e aí começa a se socializar e começa também se olhar “Puxa, eu não gosto
desse corpo. Corpo masculino é um incômodo, rasga minha alma”. É a sensação mais
clara do espírito no corpo contrário, não é dele, mas não tem como fugir. E aí o que vai
acontecer? Ele vai se travestir, ele começa no processo de vestir roupas de mulher,
como se maquiar, por exemplo, é o processo do “travesti”. Por quê? Já é uma não
aceitação, se incomoda, sofre de se olhar no espelho e vê aquele corpo masculino,
esse é um exemplo que estamos usando. E aí vai buscar formas, se há possibilidades,
coloca peitos, modifica e vai, vai, vai que aí é o “transexual”. O “trans” – agora parece
que mudou o termo não é “transexual”, é “transmulher” e “transhomem” – aquele
que transferiu a sua sexualidade, o seu corpo. Quem tem mais possibilidades
econômicas e faz essa modificação no corpo, por quê? Para se harmonizar, para
conviver em harmonia, para se olhar e se gostar. Deve ser muito difícil para um
homossexual muito afeminado estar naquele corpo e ver barba, é sofrível, é muito
difícil para esse indivíduo que está com uma memória muito viva da sua natureza de
fato, sua feminilidade se ver assim numa situação aberrante que é o corpo contrário à
sua natureza, é uma aberração para esse indivíduo. Assim, ele vai se retalhar, ele vai se
modificar pra harmonizar-se emocionalmente, psicologicamente.

Para compreender que é o homossexual brando, ou seja, aquele que vive em harmonia
com o fato de ser homem em tudo, mas gostar de homens. Ele de fato é mulher, aí
que está: o espírito é feminino, a alma que habita aquele corpo é feminino. No caso do
homossexual feminino é a mesma coisa: é um homem que habita aquele corpo
feminino, é um ser masculino. Com essas reflexões postas, falaremos do conflito
energético que existe na relação sexual que poderá acontecer no âmbito homossexual
“Casais homoafetivos energeticamente equilibrados são na prática formados por
espíritos héteros que ultrapassaram as barreiras do corpo e se identificaram na alma”.
- Rodrigo Queiroz –

Após fundamentar sobre a questão do indivíduo que reencarna no corpo contrário à


sua natureza e que isso, dependendo da latência que está ainda da memória da sua
sexualidade que esteja nele, ele vai ter uma relação com esse corpo contrário e com a
cultura que vai estar inserido.

Agora, o “Tantrismo”, o Tantrismo prega que nunca sexos opostos podem se acasalar,
que isso cria uma desarmonia energética profunda, doentia que pode levar a loucura –
o “Tantrismo” tem no material de apoio informações sobre o “Tantrismo”, o que é o
“Tantrismo” – que é uma cultura Védica, uma cultura Indiana da sexualidade, é uma
área da cultura Indiana que prioriza a reflexão da sexualidade como algo sagrado,
enfim.

Osho era devoto e mestre do Tantrismo e no Ocidente popularizou a prática do


Tantrismo. Essa ideia cria um grande conflito, por que o que seria a relação
homossexual? Condenável. Mas o que cabe aqui é relembrar outra informação básica:
a energia está onde? Energia está no corpo ou está no espírito? O corpo que tem
energia? O corpo que é masculino? O corpo que é feminino? Ou é o Espírito? Esse
corpo – como já posto - é apenas uma estrutura biológica que se não animada por um
espírito logo se decompõe. Ele tem energia, ele emite energia? Ou é o espírito que ali
habita? É para se pensar e entender. Fizemos a pergunta, daremos a resposta: é o
espírito. De modo que, se um espírito feminino habita um corpo feminino, a energia
daquele indivíduo é feminina e vice-versa. Então, na relação homossexual também se
quer dizer assim: todos homossexuais se relacionam entre si são homossexuais. E eu
quero colocar um desafio reflexivo aqui - que não é verdade - uma coisa é experiência
sexual, outra coisa, é quando você harmoniza a sua vida, vai estabelecer uma relação
com alguém, vai constituir uma vida ao lado de uma pessoa, vai casar, enfim, viver em
harmonia. Percebemos que numa relação assim, um casamento homossexual o que há
ali não são dois seres da mesma natureza, corpos que parecem o mesmo sexo, mas o
espírito não. E aí é incrível, tudo tem o lance da perfeição. Um homem que na sua
heterossexualidade se apaixona por um homossexual também, e aí ele vai ser
considerado homossexual também? Mas politicamente é assim mesmo, vai ser assim
mesmo por muito tempo, mas o que queremos que se entenda aqui é o lance, a
questão da alma, dos espíritos envolvidos. Se pararmos para pensar, esse hétero -
porque às vezes tem um passado de heterossexualidade, (teve) tiveram namoradas e
tudo mais - e por ventura conheceu um homossexual, se envolveu, se permitiu se
envolver e se tornou feliz com isso, continua tendo atração por mulheres, continua
vendo mulheres achando interessantes, atraentes, mas tem lá um relacionamento de
amor com um alguém do mesmo sexo.

Então, não é mudar, mudar a natureza, é o espírito masculino que conseguiu ver e se
envolver com o espírito feminino que habita aquele corpo masculino. É de uma
sutileza, de uma coragem, de uma sensibilidade isso que é admirável. Então, o que
observamos é que na relação harmônica homossexual o que acontece de fato
espiritualmente é que está sempre havendo uma relação entre um indivíduo hétero,
ou seja, um indivíduo é legítimo com a sua natureza e seu corpo e o outro que é o
homossexual de fato o espírito no corpo contrário se relacionam e aí o sexo dos dois é
harmônico. A espiritualidade explica que quando há fusão que é através da atividade
sexual, há fusão da mesma natureza: masculino com masculino, feminino com
feminino, natureza de fato, que é difícil saber se é mesmo, então poderá ser
desarmônico. Não é uma vez ou outra, “Nossa vai acabar com todo energia da pessoa,
a pessoa vai degringolar?” Não. Mas isso numa rotina, se envolver por muito tempo,
poderá trazer desarranjo energético, um desajuste vibratório, uma descompensação
energética, por quê? Porque o ato sexual – como já foi dito – é a transmissão de
energia, é o positivo e negativo que se potencializam ali e um transmite para o outro,
se contagia com aquele magnetismo que é despertado, a energia sexual é despertada
através da atividade sexual, por exemplo.

Se o indivíduo está só no positivo e positivo ou negativo e negativo, ou seja, masculino


e masculino/ feminino e feminino, isso vai só desarranjar. Isso sempre numa rotina. E
quando vemos casais homossexuais harmônicos, sabemos que, por trás, o que existe é
a união de espíritos diferentes, embora o corpo fale que são do mesmo sexo. É muito
complexo, é muito difícil, qualquer julgamento já é desnecessário e é algo a se discutir
muito. Embora a espiritualidade traga essas informações, no campo do sentimento há
muito o quê se discutir, na esfera das emoções há muito ainda o que se discutir, muito,
muito, muito.

Agora, o que cabe é entender, nós entendemos o espírito em corpo contrário, mas o
que é que motiva? O que leva o espírito a encarnar no corpo contrário? Essa é a
orientação que os espíritos trazem, e ainda tem muito o quê se discutir também, que é
o seguinte, quando um espírito se desarmoniza demais, se compromete demais em
relação ao sexo contrário – falamos da mulher devassa que leva os homens a loucura
– podemos falar do homem que abusa de mulheres, que também leva mulheres a
loucura e cria caos – estamos falando de algo caótico, não estamos falando de “Ah
você se relaciona com uma pessoa e fez ela sofrer”. Isso nós fazemos, querendo ou
não querendo acontece.

As pessoas sofrem, porque querem sofrer e de repente não é culpa sua, mas não é
isso – estamos falando de um comportamento, de um desvio mesmo que faz a pessoa
se desarmonizar com o sexo oposto. Poderá, como uma determinação da lei divina, o
indivíduo vir naquele corpo contrário para poder viver algumas questões daquela
realidade e também se lapidar.

E nesse sentido vem aquela reflexão: “Então, não seria correto que o espírito que
nasce no corpo contrário, aceitasse aquilo?”, “O transexual é um erro, por que ele está
fugindo daquela punição?”. Será que é um erro? O que há? Como é se harmonizar
então, com essa punição? Não há nenhuma orientação ainda da espiritualidade “Ah o
transexual é um erro porque ele está “fugindo da raia””, ou “Aquele heterossexual que
mantém todo o seu arquétipo natural do corpo intacto, mas tem a sua vida
homossexual de fato, porque não tem como mudar isso que está mais correto”, acho
que não cabe aqui falarmos o que está correto e o que não está correto, cabe aqui
entendermos o que leva essa realidade, a existir tudo isso. Porque o que vale mesmo
não é ser hétero/ homo/ trans ou qualquer outra coisa, o que cabe no processo da
evolução é se harmonizar, é viver em harmonia com o seu meio, é se aperfeiçoar em
coisas que vão além da sexualidade, é se lapidar, é estar de bem, fazer o melhor
possível onde vive, o meio onde você vive, as pessoas com quem convive, é ser
honesto, é ser íntegro, é ser digno, é isso que conta.

Se no passado criou problemas, desarmonizou e veio num corpo contrário isso não
vem ao caso agora. Aqui é o momento presente/ futuro que tem que pensar; ficar
preso no passado com a ideia de passado não leva a lugar nenhum. Só vai se
desenvolver, se for o melhor que pode ser aqui com dignidade, com verdade, a sua
verdade. Se é homossexual seja verdadeiro em relação a isso, não sofra com isso, se
harmonize, busque um meio de se harmonizar com isso e viva o bem e faça o bem por
onde você passar. É isso, é isso que faz a pessoa se livrar, se libertar das amarras que a
encarnação traz.

Então, entendemos, aqui, das energias que na atividade sexual realmente o


homossexual harmonizado é aquele que mantém contato, uma vida emotiva, uma vida
sexual com alguém que de, alguma forma, é de natureza legítima está no corpo e
natureza específica é: masculino com feminino. Então, é incrível isso, é muito
interessante isso. Então, embora esteja no corpo masculino, é um ser feminino e isso é
heterossexualidade, a sexualidade está ali no corpo. Portanto, entender sexualidade,
espiritualidade, mediunidade é entender o campo das energias, o universo espiritual -
que corpo é só matéria biológica, se não tem espírito é podridão, em três dias está
decomposto - então, é a alma.

Não existe de fato homossexualidade, isso é um estereótipo social político do plano


físico, no plano espiritual não há. Mas é um desafio para quem passa por essa
experiência e para quem convive também que tem que entender, tem que buscar
entender. É o que estamos procurando fazer aqui, é o que estamos propondo a fazer
aqui, é um entendimento para uma harmonia.

“Quando duas pessoas fazem amor, não estão apenas fazendo amor, estão dando
corda no relógio do mundo”.
- Mário Quintana –

Agora vamos falar sobre “Amor, Sexo e Iluminação” que é um trocadilho com “Sexo,
Droga e Rock’n Roll”.

O sexo é um transe compartilhado, às vezes, falamos que a incorporação mediúnica é


um ato sexual. Primeiro porque o espírito projeta um cordão que entra nos chakras do
médium e ele leva a um transe. O sexo, a atividade sexual naquele momento em que
está com aquela pessoa, ele é um transe porque esse tipo de excitação, ou seja, da
ativação da energia sexual que começa a tomar conta dos nossos chakras e dos nossos
sensores, nos desloca no tempo/espaço, ficamos ali fechado, não vemos o tempo
passar, não percebemos muitas coisas em volta e o médium só quer saber daquilo, ele
mantém o foco naquilo que está fazendo. É divinamente um transe compartilhado
quando existe nos envolvidos o interesse mútuo de transmitir o melhor de si para o
outro e receber o outro o melhor dele.

Portanto a atividade sexual é a transmissão energética – já falamos disso – e a


recepção do que o outro nos tem a oferecer. De modo que o sexo salutar, balsâmico,
estimulador, reformador, reconfortador é aquele que de fato é praticado com
sentimento. Aqui não devemos ter puritanismo do tipo “Não. O sexo só deve ser feito
com namorado, noivo ou marido e enfim”, o sexo deve ser feito com sentimento não
importa o rótulo que se tem naquele relacionamento. Tem que haver o interesse, o
carinho, o interesse pelo outro, o carinho, a vontade de naquele momento transmitir
carinho, transmitir uma energia boa, compartilhar de um momento prazeroso, mas
que é um prazer físico e um prazer espiritual, um prazer emocional, um prazer
energético. Não importa o rótulo desse relacionamento, não vamos nos prender dessa
forma, isso é coisa de um passado castrador. Então, agora nós temos que nos
preocupar com a realidade.

O amor e o sexo juntos, o sentimento, a boa intenção, o carinho no sexo é uma


consequência à iluminação do indivíduo. O Tantrismo fala que o sexo é sagrado e ele é
uma forma do indivíduo conectar o sagrado, conectar o divino. Nós, no Ocidente, não
fomos educados para isso, para ter no sexo uma relação espiritual, uma relação
religiosa, muito pelo contrário, completamente abominável o sexo. Agora, é um
processo de reconstrução cultural estamos passando de repente.

De perceber que realmente a energia sexual nossa, a nossa sexualidade, a sexualidade


compartilhada é um ritual mesmo que transcende nosso corpo, que transcende as
questões físicas e que traz muita satisfação, por quê? Porque aquela ativação da
energia de uma forma positiva nos conecta a esferas sutis, a níveis sutis energéticos e
nós puxamos isso aqui para o nosso plano físico. Na atividade sexual, se, por um lado,
os chakras básicos são unidos, fundidos naquele momento, estão transmitindo energia
de um pelo outro, por outro lado, nosso coronário se abre, se expande e absorve uma
energia potencial sutil do Alto, da luz e recebemos isso que percorre pelo nosso eixo
magnético e é transferido um pelo outro, um para o outro. E é por isso que faz bem,
por isso que não faz só bem para o corpo, para “cútis”, para oxigenação do cérebro, do
sangue, não é só isso. Isso, quando feito tudo em harmonia, faz bem, porque há uma
imersão energética muito positiva. E é por isso que ajuda muito na criatividade da
pessoa, na harmonização da pessoa, ela vive melhor.

A sexualidade deve ser exercida até a morte, não tem idade para parar, ela deve ser
sempre. Há relatos de pessoas que no auge dos seus oitenta anos tem a sua vida
sexual ativa com qualidade. Imaginamos que quanto mais nós amadurecemos, isso
amadurece também. O adolescente começa a se envolver sexualmente, está muito
preso à questão física, não entende dessas coisas, nem quer entender, ele só quer
saber da excitação, da euforia, daquela delícia que é fazer sexo, está tudo certo
também.

É um processo de crescimento, de descoberta, de se conhecer, conhecer o próprio


corpo, conhecer o mundo, é assim mesmo. Embora haja exceções daqueles que se
cristalizam e ficam por toda a vida cristalizado e paralisado. Mas, de uma forma
normal, vamos amadurecendo e vai amadurecendo tudo, vai amadurecendo a forma
como faz sexo, vai amadurecendo a forma como pensa as coisas, vai amadurecendo a
forma como se relaciona com as pessoas, tudo é assim. Assim é a nossa sexualidade,
fundamental que haja esse amadurecimento também. Portanto nós, o amor e o sexo,
o sentimento e o sexo é um processo de iluminação. Nesse sentido o resguardo
energético da energia sexual que vemos muito nas orientações “Olha, não pode fazer
sexo 24 horas antes da atividade mediúnica”, isso se dá por quê?

A energia sexual não pode ser um chafariz, estar sendo jorrada o tempo todo por aí,
porque essa energia, quando ela é resguardada, potencializa-se também, então, nós
precisamos saber canalizar. De todas as coisas, a energia sexual precisa ser trabalhada,
precisa ser harmonizada, nós precisamos sentir em nós a forma como nós estamos
lidando com ela para potencializar em nós. E ela ser sempre usada como uma
“benesse”, como uma força que há em nós, que está dentro de nós, que vem de Deus,
vem da luz divina e que serve como uma potencialização essa energia.

A energia sexual no ser humano é uma energia vital, não é dos órgãos genitais. É a
energia espiritual que se assenta no Chakra básico e quando ele é burilado, ele é
ativado, ele é excitado, ele se espalha pelo nosso organismo, pelo nosso corpo. A
“Kundaline” – também da teoria Indiana – é a serpente ígnea que é alimentada pela
energia sexual e ela é a explosão. Quando se está muito bem relacionado com essa
energia e consegue conscientemente alinhar todas as energias com ela e trazê-la à
tona, para tomar conta do seu organismo espiritual, é a iluminação. Não é fácil, não é
simples e não vem ao caso. É só para adiantar algumas perguntas: O que é a
Kundaline? Kundaline é a energia sexual, trabalhada de uma forma consciente, sendo
ativada e conduzida de uma forma consciente, programada, ela é a nossa energia
sexual.

UMBANDA X NATUREZA ANCESTRAL X ORIENTAÇÃO SEXUAL


por Rodrigo Queiroz

Vamos tratar de assuntos de grande importância para o nosso estudo a cerca da


espiritualidade e formação religiosa de Umbanda, que é a natureza ancestral do ser,
masculina ou feminina, e a orientação sexual de cada um.

Sim, falar sobre natureza e orientação sexual já não é mais um tabu, algo que não
possa ser discutido entre nós, precisamos sim esclarecer algumas questões, que são
debatidas e convividas todos os dias.

Não cabe mais nos dias de hoje um preconceito quanto à orientação sexual de cada
um. Os mentores de Umbanda conhecem a fundo as questões da natureza sexual e
instintos naturais do ser humano, desconhecidos no meio dos cultos "dogmáticos -
intolerantes” ignorantes da genealogia espiritual e da psicologia humana, que estuda
mais a fundo o comportamento do homem e suas causas no mundo material.
Ouviremos ainda os inquisidores de ontem, hoje reencarnados, dizerem que isso, a
liberdade de orientação sexual, é coisa do "tinhoso", "do demo", "do capeta",
esquecendo que luz e trevas estão em nossa mente e na maneira como lidamos com
nosso semelhante, com Amor ou Desamor.

Ao que sabemos Jesus não condenava as pessoas, indo inclusive contra a lei segundo o
velho testamento, "quem nunca pecou que atire a primeira pedra", mas, antes os
compreendia e auxiliava.

O que não pode haver é uma marginalização religiosa que pode até vir a alimentar um
futuro desequilíbrio.

Orientação sexual não é crime, o que tem de ser evitado é o vício no sétimo sentido da
vida, um dos mais sublimes pelo qual o criador nos deu o dom de gerar, vida e
energias. E ter este sentido viciado nada tem a ver com a orientação, portanto,
independente dela, deve haver respeito da comunidade para com o indivíduo e do
indivíduo para com a comunidade, sempre levando em conta o bom senso e a moral
de cada um.

Falamos assim porque nosso intuito é esclarecer a comunidade sem abrir brechas para
comportamentos desrespeitosos. Existem hoje muitas denúncias de comportamentos
que chegam ao absurdo do atentado ao pudor, e este sim deve ser tratado com o rigor
da lei e sempre denunciado, pois nada tem a ver com religião. O que já não implica em
orientação sexual ou natureza espiritual acontece todos os dias, e os oportunistas de
plantão se servem de nossa religião e de nossas falhas em apresentá-la à sociedade
para cometerem crimes em nossos nomes, aqui voltamos àquele nosso chavão: ISTO
NÃO É UMBANDA!

Quanto à natureza do ser, não há nada pior que usar o Orixá ou o guia como bode
expiatório para justificar seu comportamento. Por exemplo, Logunedé, filho de Oxóssi
com Oxum, é visto por nós na Umbanda como um intermediário entre estes dois
orixás, portanto, fruto desse "entrecruzamento", o que podemos chamar de um Oxóssi
do Amor, natureza vegetal masculina, voltada ao campo do Amor. Oxumaré fazendo
par com Oxum, na Segunda linha de Umbanda, é o renovador no campo amoroso,
amparando aqueles que têm frustrações nesse sentido, trazendo mais cores e alegria a
suas vidas. Ambos são Orixás masculinos todos os meses do ano. E mesmo que não
fossem, nada tem a ver com o comportamento do médium, assim como uma mulher
não se torna masculinizada por incorporar um guia ou Orixá masculino, o homem
também não se torna afeminado por incorporar guia ou Orixá feminino. O que existe é
um preconceito social e desconforto individual do médium incorporante, que também
não deve ser exposto em uma situação que o deixe constrangido, guias vêm para
trabalhar e não para chamar atenção, pois assistência não é plateia. Homens podem
ter como Orixá de frente uma Mãe Orixá e mulheres podem Ter um Pai Orixá de frente
que em nada desequilibra seu comportamento, nem influencia em suas opções.

O estudo correto está no campo da natureza masculina e feminina que carregamos e,


claro, de alguns desvios em outros casos.
Quando somos gerados por Deus e enviados para o plano fatoral, recebemos uma
natureza ancestral masculina ou feminina, doada por nosso Orixá Ancestral Dominante
que junto ao ancestral Recessivo formam o casal ancestral.

Confira esta mesma afirmação, sobre nossa natureza masculina ou feminina, nas obras
de Chico Xavier por André Luiz:
No livro "Evolução em dois Mundos" - Pg.141 - Origem do Instinto Sexual:
- Todas as nossas referências a semelhantes peças do trabalho biológico, nos reinos da
Natureza, objetivam simplesmente demonstrar que, além da trama de recursos
somáticos, a alma guarda sua individualidade sexual intrínseca (intocável), a definir-se
na feminilidade ou na masculinidade, conforme os característicos acentuadamente
passivos ou claramente ativos que lhe sejam próprios.
A sede real do sexo não se acha, dessa maneira, no veiculo físico (corpo físico), mas
sim na entidade espiritual (espírito), em sua estrutura complexa.

No livro "No mundo maior", Pg.156 e 157:


A sede do sexo não se acha no corpo grosseiro, mas na alma, em sua sublime
organização.

Na esfera da crosta terrestre, distinguem-se homens e mulheres segundo sinais


orgânicos, específicos. Entre nós prepondera ainda o jogo das recordações da
existência terrena, em trânsito, como nos achamos, para as regiões mais altas; nestas
sabemos, porém, que feminilidade e masculinidade constituem característicos das
almas acentuadamente passivas ou francamente ativas.

Recorro a estas afirmações pela incontestável veracidade das comunicações do


saudoso irmão Chico Xavier que dispensam qualquer comentário, as palavras são
muito claras em afirmar da natureza do espírito, podendo reencarnar em corpo
"trocado" ou não afim com esta natureza ancestral.

Desta forma, entendemos que um ser é naturalmente masculino ou feminino.

Vale ressaltar que um ser masculino na maioria das vezes terá encarnações masculinas
o mesmo vale para o ser feminino.
Confira no livro "Ação e Reação" – Chico Xavier – André Luiz, Pg.209:

Contudo, em muitas ocasiões, quando o homem tiraniza a mulher, furtando-lhe os


direitos e cometendo abusos, em nome de sua pretensa superioridade, desorganiza-se
ele próprio a tal ponto que, inconsciente e desequilibrado, é conduzido pelos agentes
da Lei Divina a renascimento doloroso, em corpo feminino, para que, no extremo
desconforto intimo, aprenda a venerar na mulher sua irmã e companheira, filha e mãe,
diante de Deus, ocorrendo idêntica situação a mulher criminosa que, depois de
arrastar o homem a devassidão e a delinquência, cria para si mesma terrível alienação
mental para além do sepulcro, requisitando quase sempre, a internação em corpo
masculino, a fim de que, nas teias do infortúnio de sua emotividade, saiba edificar no
seu ser o respeito que deve ao homem, perante o senhor. Nessa definição, porém, não
incluímos os grandes corações e os belos caracteres que, em muitas circunstâncias,
reencarnam em corpos que lhes não correspondem aos mais recônditos sentimentos,
posição solicitada por eles próprios, no intuito de operarem com mais segurança e
valor, não só o acrisolamento moral de si mesmos, como também a execução de
tarefas especializadas, através de estágios perigosos de solidão, em favor do campo
social terrestre que se lhes vale a renúncia construtiva para acelerar o passo no
entendimento da vida e no progresso espiritual.

Mais uma elucidação sobre as encarnações. Muito bem, fica claro então que em
ocasiões de extrema importância é que o espírito encarna em corpo diferente de sua
natureza e, neste caso, o espírito se prepara por muito tempo para esta missão, onde
ele viverá em corpo diferente de sua natureza. Por expiação, portanto dolorosa, ou por
missão, em alto grau evolutivo e abnegado. O que explica alguns casos que a psicologia
e a sociologia vêm estudando como comportamento humano e que para a maioria de
nós se resume em "opções", que nem sempre são escolhas, mas apenas o
cumprimento de uma natureza "lotada" na matéria.

Não cabe a nós ditar normas, apenas respeitar e esperar o mesmo respeito em âmbito
social e mais especificamente no religioso.

No campo das energias, a mulher tem um tipo de energia e o homem outro tipo, é
naturalmente necessário à troca energética, para equilíbrio. Por isso as relações vão
além do procriar, cumprem um papel no equilibrar, e isto está ligado à natureza e ao
corpo que carregamos. O importante é o sentimento de carinho e amor, para que a
energia flua. Por isso não se deve se relacionar só por necessidades fisiológicas.

Espero que eu tenha contribuído um pouco para o entendimento espiritual desta


questão que tanto nos importa a todos.

Peço aos pais e mães que observem desde a infância a natureza e os valores
espirituais, sempre os aplicando com ética, bom senso e principalmente Amor.

Estudemos irmãos, para não cairmos nas trevas da ignorância.


Um forte abraço!

UMBANDA E SEXUALIDADE I
Por Alexandre Cumino

Recebi, no curso virtual de Teologia de Umbanda Sagrada, uma pergunta sobre


sexualidade. A pergunta foi respondida de forma direta no curso. Mas, como continuei
refletindo sobre a questão, acabei por escrever um texto sobre o assunto. Abaixo
mantenho a pergunta do aluno e, em seguida, a resposta e o texto.
PERGUNTA DO ALUNO:

“Um amigo meu disse que só não frequentava a Umbanda porque ele via que "todo
pai-de-santo era gay". Longe de concordar ou discordar, pergunto: Se a alma tem uma
qualidade masculina ou feminina? Que explicação a Umbanda dá à homossexualidade
/ homoafetividade / transexualidade? A umbanda acredita na possibilidade de um ser
dual, como uma gradação entre estes dois pólos?”

RESPOSTA de Alexandre Cumino:

Não existem pré-requisitos de opção sexual para se exercer o sacerdócio umbandista


(“pai de santo”, “mãe de santo”, dirigente, comandante, cacique, padrinho, madrinha
e etc.), assim como não há relação entre a opção sexual e a mediunidade. Estabelecer
qualquer conceito entre sacerdócio e sexualidade, na Umbanda, é preconceito.

Alguns espíritos têm uma natureza masculina e estão em corpos femininos, outros tem
natureza feminina em corpos masculinos. Não existe um ser “dual” em sua natureza
ancestral. Há, sim, pessoas que independente de sua natureza se atraem, se
relacionam, trocam carinho e amor com pessoas de ambas as naturezas e sexos.

Ou seja, podemos definir o sexo (biológico), o corpo (soma), como masculino ou


feminino. O que independe da natureza do espírito, da alma (ancestral), que também é
masculina ou feminina. O mais comum é que espíritos de natureza feminina encarnem
em corpos de natureza feminina e que corpos de natureza masculina encarnem em
corpos de natureza masculina. Mas também é possível encarnar em corpos com o sexo
diferente de sua natureza, ou seja: espírito de natureza feminina encarnado em corpo
masculino e espírito de natureza masculina encarnado em corpo feminino.

Assim, podemos verificar que há: mulheres com natureza masculina e homens com
natureza feminina.

Partindo deste princípio, é bem natural e fácil de entender que há mulheres de


natureza masculina que se atraem por outras mulheres de natureza feminina. Há
homens de natureza feminina que se atraem por outros homens de natureza
masculina. No entanto, há mulheres de natureza feminina que se atraem por outras
mulheres de natureza feminina e, também, há homens de natureza masculina que se
atraem por outros homens de natureza masculina. As pessoas não se atraem apenas
por uma questão sexual de polaridade.

As pessoas também são atraídas por sentimentos de afetividade, admiração e


sensualidade.

Muitos amam e querem trocar amor, carinho e convivência com outras pessoas,
independente do sexo ou de sua natureza. Quanto aos rótulos de homossexual,
homoafetivo, heterossexual, transexual e outros são apenas títulos utilizados na
tentativa de classificar o comportamento humano. Para a Umbanda, o que importa é o
amor, o sentimento, o carinho, a afetividade, a convivência e, claro, o respeito.
O vício sexual, a obsessão e o desequilíbrio em nada têm a ver com a natureza ou o
sexo, mas sim com a promiscuidade, a vulgaridade, a banalização do sexo e a falta de
amor nas relações.

O que a Umbanda considera desequilíbrio é: o vício sexual, a obsessão sexual, a


promiscuidade sexual, a vulgaridade sexual e a banalização do sexo. Ou seja, na
Umbanda são tratados a falta de amor, as carências afetivas e os traumas que
bloqueiam a fluidez desta energia.
Para a Umbanda, desequilíbrio sexual é, apenas, a agressão sexual, para si ou para o
outro.

Antinatural é a falta de amor e de respeito que deve haver entre duas pessoas se
relacionando.

Quantas mulheres foram agredidas por homens em que confiavam e que deviam lhes
dar amor, como seu pai, seu marido, seu irmão e etc.? Quantos homens foram
agredidos, em seus sentimentos, pelas mulheres que confiavam para dar e receber
amor? Quantos casais, homem X mulher, vivem debaixo de um mesmo teto sob a
agressão e a mentira? Quantos homens ou mulheres são assexuados e isentos de afeto
com suas companheiras(os) e buscam fora do casamento outros tipos de relação
desequilibrada, justamente por estar oculta na mentira e reprimida em sua imagem
social? Algumas situações como estas criam traumas e bloqueios emocionais em seres
humanos que continuam precisando de amor e carinho. Sem verdade e dando vasão a
uma sexualidade reprimida de forma escondida, seja homo ou hetero, cria-se uma
separação dentro do ser e isto, sim, é um desequilíbrio, isto, sim, é a porta para o vício
e a agressão.

Precisamos de mais educação e menos repressão, mas não apenas educação sexual e,
sim, educação afetiva. Deveríamos aprender em casa como tratar com carinho quem a
gente ama, aprender que sexo é amor, aprender a trocar energia de forma saudável. A
repressão sexual é a grande responsável pela pornografia agressiva e desequilibrada,
que predominou nas salas escondidas dentro das locadoras de vídeo, tão cobiçadas
por adolescentes que nada sabiam sobre o assunto e que acreditavam estar
aprendendo algo com aquilo.
O que é a melhor coisa do mundo?

A melhor coisa do mundo é a verdade! Melhor viver sua verdade, seja ela qual for, que
viver uma mentira social. O peso do preconceito na sociedade cria uma sombra pesada
para todos que não se encaixam dentro do modelo predominante. Todo aquele que
reprime algo no seu semelhante tem estas mesmas qualidades reprimidas dentro de
seu ser, e deste conflito interno vem o medo, quase inconsciente, de ser descoberto
em sua intimidade oculta e a vontade de agredir o outro como fruto deste medo.

O que é bom e faz bem ao ser humano é amar e ser amado de uma forma saudável.
Onde, como e com quem é da conta, apenas, de quem está amando, e ninguém, além
de você mesmo, pode saber onde encontrar este amor. Todos são livres para trocar
carinho e afetividade, que faz bem para a saúde emocional, psicológica, hormonal e
afetiva. O amor não tem sexo, a alma tem uma natureza, mas somos todos livres para
trocarmos amor com quem queiramos.

Quem ama não agride!

UMBANDA E SEXUALIDADE II
Por Marina B. Nagel Cumino

Falar de sexo e sexualidade é sempre polêmico. Sexo é algo sagrado se feito por amor
e com amor. Talvez aí esteja o problema, pois a troca de energias por meio do sétimo
sentido foi, por muitos, banalizada e, por outros, dessensibilizada. Como assim?

Nos últimos anos, ir pra cama com alguém passou a representar, principalmente entre
os jovens, o mesmo que um simples beijo representava anos antes; se tornou algo
corriqueiro, sem profundidade, sem sentimento, sem importância. Tocar e ser tocado,
sentir prazer, abrir seu campo energético num êxtase, deixou de ser algo único e
especial, para ser apenas “mais uma trepada”.
Desculpem-me as palavras, mas só tento reproduzir o termo usado coloquialmente em
nossa sociedade.

Esse é o lado da banalização sexual. Mas por outro, vemos dentro da própria
instituição “casamento”, uma dessensibilização da troca energética e do ato de amor.
A traição sempre existiu, mas parece estar cada vez mais comum. Parceiros
completamente indiferentes às necessidades e interesses da mulher brotam como
erva daninha num terreno abandonado. Para que saber se a mulher está realmente
tendo prazer? Para que preliminares, carinhos, beijos, olhares? Pra quê? “O que
importa não são os finalmentes?”, dizem muitos. NÃO! Sexo sem carinho não passa de
atividade e física, ou de pura satisfação dos sentidos.

Energeticamente, o ato sexual é uma das trocas mais intensas, gratificantes e


nutritivas para o ser humano. Crescemos e vivenciamos a plenitude do amor por meio
do sexo. Ou pelo menos deveria ser assim.

O Amor é um dos sete sentidos da vida. Quando vivenciamos um ato de amor pleno,
dois se transformam em um, os campos se unem, se misturam, expandindo nossa
capacidade de sentir e de ser. Gastamos energia, mas nos tornamos seres mais felizes,
mais inteiros.
Na Umbanda, é conhecido o preceito de não fazer sexo no dia do trabalho mediúnico.
Assim como, em casos especiais, abster-se da troca amorosa por mais tempo, até uma
semana ou mais. O principal motivo é a perda energética e a recepção de energias do
parceiro, nem sempre saudáveis, ou com um grande acúmulo negativo. Outra razão é
o estado mental e emocional do médium, que ao invés de estar focado no trabalho
que irá ocorrer, vibrando caridade, desapego, entrega, passa a vibrar desejo, lascívia,
posse, agitação, com o pensamento fixo “naquilo”, quando deveria ter a mente limpa e
calma.

Eu acredito que, como regra geral, diante da má qualidade da maioria dos


relacionamentos vivenciados hoje, o preceito da não prática sexual é necessário para
uma boa prática mediúnica.

Uma pessoa que não tem respeito por si mesma, não consegue alcançar o equilíbrio
energético necessário para uma boa incorporação.

Vemos jovens e adultos aceitando situações absurdas, transando com vários parceiros
por semana, se não por noite, sem qualquer envolvimento ou carinho e achando isso
saudável. Vemos seres que são verdadeiros vampiros energéticos grudados em
pessoas viciadas em sexo. Vemos grossos cordões negros ligando-as aos planos
energéticos negativos. Vemos perispíritos carregados de miasmas, larvas e
deformações. Para essas pessoas, quem está ali, trocando, não importa mais.

Importa o corpo, o desejo, a sensação do gozo. E quando termina, um imenso vazio e a


necessidade de mais. Um vício, como qualquer outro.
É possível fazer um bom trabalho mediúnico assim?

No caso dos relacionamentos fixos, em que a mulher se submete (seja pelo motivo que
for) a uma vida íntima sem qualidade e sem amor, a dor trazida pelo ato sexual é um
verdadeiro tormento.

Quantas mulheres vivem um casamento no qual o prazer, a liberdade e o afeto sincero


são apenas um sonho distante? Os relatos mostram um número surpreendente. E
quantas delas nem podem dizer ao parceiro que naquele dia estão de preceito? Ainda
mais se o parceiro for contra a Umbanda. O que fazer? Sinto pelo que vou dizer, mas,
nestes casos, o sexo no dia do trabalho é o menor problema, pois o tormento e a dor
são diários.
A Umbanda é uma Religião que nos faz pensar sobre a vida, que nos faz querer ser
seres humanos melhores, seres que buscam evolução e aprimoramento. Pensar a
qualidade de nossa vida sexual faz parte desse crescimento. Não basta só fazer
preceito no dia da gira. É importante pensar a qualidade dos nossos relacionamentos.
Pensar que estamos aqui para dar e receber AMOR... o mais puro e verdadeiro AMOR.