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Sumário

e 20 1OVanda Preite
/Jsu livro stgue 11s nvnttM tÍIJ At-ord(I Ortogrdfia, tÍ4 Lb,gud l'ortug,ma ti, 1990.
11.dotttJo no Brr11il ,m 200!.J. PARH 1 MÚSICA, PESQUISA E SUBJllTIVIOAOli - ASPECTOS GERAIS
Varida 8elk,rd f'r,irr
Prwlur.Jo ulitorial
J.sador.a Tra,•a.$$06 9 Introdução
Va,ics.ka <lt F\\,'\Ult<
14 Abordagem Qualitativa x Abordagem Quanritativa Falso Dilema?
Edii.oms m,istn,us
Salomé
Úil'iS!ila
Subjetividade e objetividade 11a pesquisa
Tui Vill>ça 21 Pesquisa em música e subjetividade - Bases Filosóficas e P.-essupostos
RevirM 25 Métodos de pesquisa cm música e subjetividade
.Michde Agu~r dt' Pai"ª
43 Referencial 'Teórico - Cocri:ncia e densidade da pe.1quisa
Prod•rlío gnlji'4 47 Pc>squisa, Subjetivismo e Interdisciplinaridade
1,..l,ell, O,,,,.lho

PARTE ll MÚSICA, PESQUISA B SUBJETIVIOAOE - TÓPICOS ESl'ECIAlS

63 Algumas questões da pesquisa em ernomnsicologia


AcdcW 1ãdeu 1k Gmwrgo Piedade
Cil"•BRASlL..CATAI OGAÇÃO·NA·i'ON l't:
StNDICATO ~ACIOl"A.I, DO~ F.IHTORtS OE U\'ltOS, RJ 82 Por uma pedagogia da composição music-.J
H785 Celso lo:m:iro CJ}l111es
Hodmntc da pesquisa cm uui11ic.i / V:and:1 8dliud f:rci,-c, ocg.·in,:r~dorlll . -
RiQ dcjanciro: 71...en:u, 20 10. 172p. : il. 96 Pesquisas quali tativas e quamitativas em práticas incerpretativas
lncloj bibliografia Crisrintt (',apparelli Gerling e Regi1111 AJ/lune, Teixeim dos Sttmos
!S».N 978~85-75n~689·G
...'·.:' (. Musioologia. l Frejre. Vanda Ocllard .
139 Ressonância eletroacústica cm um samba: qualidade analítica
10-3066. coo, 7R0.72 cou, 78.01 Rodolfo Cnest1r
155 Considerações sobre a pes9uisa cm educação musical
• r
Sérgio Luiz Fe,·,·eim de Figrteired,,

ANEXO

t 76 Algumas pcrgunta.s usuais de pesquisadores iniciantes sobre


Metodologia da Pesquisa
WIO
Vi~ros de Casrro f.di1ora l..c:d:t.
R. Go<the, 54 80111/ogo
Rio de )a'1ci,o RI e•• 22281-020
Td . CZI) i54().0076
«litora@'7let1a.s.com.br I www.?lemu.com,br
Introdução
'
O propósito destt livro é dialogar com os leitores em torno de algumas
questões e tópicos referentes à pes,1uisa em música. Es,s,,s questões e tópicos
foram escolhidos por parecerem relevantes aos autores que procuram, assim,
compartilhar, por meio de seus textos, a experiência que têm acumulado na
prática de pesquisa e na oriemação de pesquisas em música,
Como a prática musical é uma atividade estética, uma forma de expres-
são poética, portanto intrinsecamente criativa, surge, por vezes, a dúvida so..
bre a utilidade da pesquisa para a área de Música. A pesquisa pude, realmen-
te, contribuir, de al1,'l.lma forma, para uma prática de natureza estética como
a prática musical? Em que medida o próprio fuzer estético (interpretar, com-
por, reger) não é, ele mesmo, uma atividade de pesquisa, já que esse fazer en-
volve buscas e decisões e se apoia cm um aparato récnico' Ensinar músic1 é
também um ato de pesquisar, já que envolve sistematização de informações?
A atividade de pesquisa é antagônica ou incompatível à criatividade incrcn-
re a qualquer atividade artística?
Essas são algumas questões que músicos muita.s ve-zes levantam e que
parecem pertinentes à primeira visra. No meio acadêmico, obsenramos que
essas questões, muitas vezes, estão ligadas não sc)mente à desconfiança com
a utilidade da pes<Juisa para a área, mas também ,e.fletem preocupações com
a avaliação docente e a valoração atribuída pelas instituições a essas diferen-
tes formas de expressão e de geração de conbccimento, o que repercute na
carreira dos profissionais envolvidos, gera ndo conAitos. Ou seja, ao quesrio-
nar a validade da resquisa na ,h'ea, muitos músicos expressam uma reaçao
à possível desvalorização da pr:lrica musical, o que de fato não se sustei,ca,
pois cada uma dessas esferas tem significados e movimentos próprios, nlo
devendo incidir sobre a valorização da outra. O que se cria, então, são fui
sas polêmicas e polari,.açoes equivocadas, que em nada acrescemam ao co-
nhecirn.cnto da área.
Considerando os argumentos acima, este livro não pretende abordar
a pesquisa em confronto ou como polarização oposta ao fa1.cr musical. Ao
comd rio, parte da concepção de que a pesquisa é uma atividade de investi
gação científica desrinada a gerar oonhccimcnto novo, inclusive na área de

mú.,ica, a partir da interação entre a prática musical e a reflexão teórica. Isto O primeiro requisito, citado pelo autor. refere-se, ponanro, à ques,ão
é, ela pesqu isa deve resultar, como concltL~O, uma nova intcrprcta~iioi uma que origina a pesquisa, ou seja, pesqui,'à-se para responder a uma indagação.
nova informação, uma nova possibilidade metodológica crc. As conclu.sõcs Cabe aqui aponcar uma diferenç;t import:intc em relação à atividade artís-
de pesquisa devem propiciar, nessa ótica, algum tipo cjc incidência e trans- tica, pois esra não surge necessariamente de uma pcrguma ou questão, mas
formação na prncica m11sical. de uma imenção expressiva cuja resposta é de narure,.a estética. o que a dis-
A pesquisa sobre música não é, port2mo, uma atividade estética. É uma tingue da atividade científica.
atividade científica (ainda que debmçada sobre um objeto de naturc-,a es- O segundo requisito refere-se aos mérodos (mewdologia) a serem em-
tética: a música), seja ela de nature-,a predominantemente re6rica ou meto- pregados na construção da resposta à pergunta inicial. Outra diferença a
dológica, seja mais voltada para a dimensão prática ou empfrica. Conside- apontar cm relação às atividades estéticas: não cabe, na atividade artística, a
ramos, assiru, que para reíleLir melhor sobre pes..,u;::,,a ua área de nuí~ica, é presença de metodologia, na forma como é definida na área científica, em-
interessante, como ponto de partida, considerar as peculiacidades do conhe- bora a atividade artística cnvoh-a a aplicação e o desenvolvimento de técni-
cimento cie.ntífico e do conhccimenro estético. cas que pernümn alcançar o rcsulcado expressivo pretendido.
Jnicialmente, ·é importante ohservar que nenhuma expressão ardstica finalmente, o terceiro item refere-se ao grau de confiabilidade, o que
pode ser ava.liada ou validada pela pcsqui,a. A arcc se legitima por outros ca- não deve ser confundido com a obtenção, pela pesquisa, de respostas verda-
mi nhos, por outras lógica<. A pesquisa pode, contudo, refletir sobre a arte e deiras ou definitivas. A pesquisa é sempre uma aproximação da realidade,
sohre as pr:iric:1.s relacionadas à ane, inclusive as de ensino. O retorno des- que deve ser confiável por ser cocrenre e fundamemada, mas sempre passi-
sas reflexões constru ídas pelas pesquisas sobre m1ísica ao fazer attísrico cer- vei de revisão ou de que,tionamcnto (a "verdade" no que toca~ arre advém
tamente pode contribuir para uma transformação qualirariva do artista e de de uma lógica própria, à qual não cabe refuração nem comprovação, em-
suas pdticas. bora possamo~ não :;ipreciar determinada corrente cstérka ou determina.da
De qualquer forma, toda i'<"'<Juisa surge de uma inquietação, um qucs• obra de arte).
tionamemo ou confüto inicial, que leva à busca de respostas. Uma lacnn.a
percebida em uma área de conhecimenro ou na compreensão de um fenôme- Ern ourras palavras, é necessário haver um problema de pesquisa (o que n!o ~ignifi-
uma hipólese fonnaJ), um proceclimcnro que gere iofounação re1cv:ime p:,ra a n;:s•
<.".l.
no ou urna discor~ncia em relação ao que já está estabelecido são fontes ge- posrn e. fin:ilmen1c>é pn:cisn rlcroons1rar que es~ iiúônn.açâo decorre do proccdimtmo

....
radoras de pergw,tas, portanto são posslveis questões iniciais de pesquisa. empregado e que a rcspo.na produt.ida 1>0r ele ,,ão~ n.pena5 uma resposta poss(vd come>
' •' ' AJ; questões gcradora.s de pesquisa já esmo presentes na prática coridia- uunbém é a m.elhor, nas drcu,-istâncias (o que indoj, cxnamemc, o reforeuciaJ Leórico) .
na de músicos, seja qual for sua atuação (como docentes, intérpretes, com- Luoa, 2002, 1>. 27.
positore.~, regentes). Ou seja, não hil necessidade de "inventar" uma questão
Luna considera que luí um falso confli to entre a., tendências mecodoló-
de p(,squisa. Certamente, nossas indagações cotidianas, seja na prática mu-
gica.s, como as abordagens "qualitativas" e "quantitativas'', e considera que
sical propriamente dira, seja no ensino de música, já contêm, potencialmen-
seria mais relevante co11g,egar d iferentes contribuições metodológicas. O
te, uma propost:i de pesquisa.
púsicionamcnto de Luna tem muitos adeptos, mas não encontra. unanimi-
Luna (2002, p. 27) considera que toda pes<Juisa, seja qual for a aborda-
dade na ácett de pesquisa, o que não rira a lcgitim idade de suas posições.
gem metodo.lógica., necessita preencher três requisitos:
Santos Filho e Gamboa (2002) concordam com o posicionamento de
1) a existência de uma pergunta; Luna e denunciam como falso o conílito quantidade-qualidade, no que con-
2) a elaboraç.ão (e descrição) de um conjunto de passos que permitam cerne à metodologia científica, na medida cm que tal posição, segundo eles,
obter a informação necessária para rcsp(rndê-la; hiperrrofia o nível técnico-inmumental da pesquisa. Ou seja, eles conside-
ram que a abordagem desses le1nas> ccntr:.1da na polarização cn(re quancida-
3) a indicação do grau de connab.ilidade oa resposta obtida.

10 li
de-qualidade, termina por supervalorizar a operacionalização da pesquisa, Não se rrata de admitir que o objeto derennine a li1\ha de pesquisa ou
que fica caracterizada, através dessa polarização, apenas em termos dos mé- as questões furmuladas, mas de reconhecer que a relação que se estabelece
todos que emprega, como quantitativos e qualitativos. Assim, ficam de fora entre músicos e música abre porcas, em muitos casos, à abordagem subjcti•
outras dimensões q<Le ~Jwolvem a pesquisa, como a epistemológica, isto é, a va. Além disso, a fkxibilidade e a abertura iniciais que a pesquisa qualitativa
esfera conceitua! e filosófica que exisce "por trás" dos métodos de pesquisa. pressupõe também nos paréccm muito propícias às indagações sobre música
Assim, esses autores propõem omras formas de analisar a questão, pro• e ao desenvolvimento de pesquisas sobre da e sobre as pr:ltieas que a envol-
curando priorizar categorias epistemológicas, relativas á natureza do conheci- vem, em virtude da nacu rei.a estética e da dimensão humana envolvidas.
menco envolvido, tais como objetividade, subjecividade., cientilicidadc, ver- É nessa direção que o livro caminha, aprcsencando, em sua pri1r1eira
dade ecc. Procuram também rC1Salta.r outras possibilidades de abordagem parte, aspectos gerais imporrantes 110 âmbito da pesquisa subjetivista (ou
cicnnfira, minimizando. assim. a pol~uii..1ç.1o redurinni(:ra que reside, segundo qualitativa) em música e, na segunda parte, contribuições de pesquisado-
eles, na focalização de apenas dois posicionamemos: qualidade e quantidade. res atuames na pesquisa sobre música, enfocando alguns tópicos <-sp<.·cíficos
Freire e Cavazzoti (2007) também se alinham com essa posição de Gam- de suas subáreas. Ao final do livro, um pequeno Anexo relaciona algumas
boa e Santos, ao darem ênfusc aos conceiios de "objetividade" e "suhjetivi• perguntas mais frequentes sobre metodologia da pesquisa, procurando res-
da.de" na caracterização das principais vertenres de pesquisa, sem valorizar a pondê-las de forma dara e concisa, esperando, assim, contribuir, sobretudo,
dicotomia entre quantidade e c1ualidade. Os autores identificam como ten- com a prática de pesquisa 110s cursos de Graduação e <le P6s-Graduação na
dências predominantemente objetivistas aquelas derivadas do pe11samemo área de Música.
positivista {enrre as quais citam o sistemismoJ o funcionalismo, o cstrutu~ A dimensão criativa da pesquisa, que nem sempre é reconhecida, ganha
ralismo) e como prc<lomiuantememe subjetivistas aquelas relacionad'1s ao espaço nesre livro, cujos autores, sob diferentes perspectivas, abordam a in-
pensamento dialético e fenomenológico. vestigação ciencífica como um espaço instigante de rcAexão e de gemção de
Este livro pane do princípio de que existem diferenças conttituais im- possíveis respostas a questões que são caras aos músicos, inclusive às qucs..
portantes enrre as diferenres vertentes merodo16i;icas (sem atribuir uma co• tões de natureza estética, às quais a abonlagem subjetivista parece particu•
notação valoraciva a essas diferenças) e pretende se debruçar, mais especi- larmente interessante.
6camence, sobre a pesquis'1 comumente designada como qualitativa, cuja
aplicação à área de música (ou a qualquer modalidade de arre) parece, ao,;
aumre,, particularmente interessante. A proposta é a de enf.ttizar o trata- Questões e sugestões ao pesquisador i.tüciaute:
memo da questão no que se refere à ênfase que a pesquisa qualitativa dá à
subjetividade. aqui entendida como perspectiva subjetiva, simultaneamente Você já ctm i1gmna quescão de pesquisa em menrc?
individual e social, já que a perspectiva individual é condicionada cultural- Eh) se origina ou se rdaciona com sua pr:i:tica?
mente, sendo construida na interação elas diversas subjetividades individuais
Comó <;scolher ou íonnular uma questão de pt"sguisa?
na cultura.
Não se pretende, assim, desconhecer ou desqualificar qualquer outra ReAira sobre sua prática, !lCja da prioritaria.mente artística ou docente. e
abordagem metodológica de pesquisa, mas enfatizar uma linba de aborda- identifique algwn aspecto ou tópico que o intriga ou que desperta Sl:u cspcci:il
lmcrcsse, Procul't infonnações sobre esse assumo, pois pode exisrir farto material
gem com a qual os autores deste livro partic11larmente se identificam, pela
a respeiw que já comenha a,.,; resposcas que você dcscj.t. Ou, ao conLráôo, as
seguinte ra1.ão principal: a naturez.1 estética do objeto de pesquisa (a músi-
informações disponíveis concinuam insatistàt6rias p~ra você. É aí que reside
ca~ no presence caso, e as prática.~ a ela corrclacas, e.orno o e.nsino de música),
sua qucsráo de pe.squ isa.
podem suscitar, com grande frequência, quc.çtões que muito se beneficiam
com uma abordagem qualitativa.

12 11
Abordagem Qualicariva x Abordagem Quanticariva - llustrnmos esse deslocamento citando uma passagem do livro de labor-
de (2005, p. 91), na qual o autor, ao descrever uma pesquisa realizada sobre
Falso dilema? Subjetividade e objetividade na pesquisa improvisações camadas na cultura Basca, recorre a Schurz. (1987) para tnfati-
zar a importância de deslocar a atenção da á\iÍ.O como aco efetuado (como ato
''em si"), pal'a a ação como o aco de agir ou cm curso, concluindo que "cada
um de nós fuz a experiência". Laborde situa, na pes<1uisa, os diversos acores e
Partimos do pressuposto de <1ue toda pesquisa reflete a visão de mundo do suas subjetividades como foco central. Esse exemplo evidencia o deslocamen-
pesquisador, portru:,to expressa alguns valores e convicções ideológicas que to do foco das pesquisas qualitativas pam o sujeito que ÍJlterroga e investiga,
priorizam um olhar predominantemente objedvisra ou subjetivista sobre o ressaltando, assim, seu carácer predominantemente subjetivo.
fenômeno estudado. Colocado esse pressuposto, a!gtii-,i~ questões parecem Cabe rcssaltar q ue não há objetividade sem certa dose de subjetividade
aflorar: em que medida os métodos "quantirativos• dão conta de um objeto e vice-versa, portanto a pesquisa dita qualitativa não pressupõe um alhea•
estético, como a música? Serão os métodos e a abordagem "qualitativa• mais memo da realidade nem a ausência de e<:rta dose de objetividade. Por outro
adequados à pesquisa em müsi<-,,? Por que discutir sobre as possibilidades de lado, a pes<Juisa não pode ser rotalmeote objetiva, pois há, ineviravelmen,e,
abordagem "quantit:arivl' e "'qualitativa" em mllsic..1.? alguma dose de subjetividade envolvida.
Ao analisarmos essas questões, consideramos, inicialmente, que as abor- Não é o <>bjeto de pesquisa quem "define" o ripo de abordagem de pes-
dagens chamadas de qualitativas (subjetivistas) diferem essencialmente das quisa, e .sim a visão do pesquisador e seus propósitos investigativos. em urn
abordagens não qualitativas ou quantitativas (objetivistas). desde a formula- sentido mais amplo. Ou seja. os possíveis objetos de pesquisa não trazem,
ção das questões, portanto desde o início da pesquisa e, consequentcmcmc, em si, uma •pré-moldagem". quanto ao enfoque de pesquisa que lhe seria
dos objetivos a que se propõe. "mais favorável". Ao contr.i.rit>, é o olhar do pesquisador e a nau1rez.a das in~
Na verdade, conforme o pressuposto que assumimos no início desce ca- <lagações que ele fo,·mula que direcionam a pes<[uisa.
pítulo, o enfoque de pesquisa a ser empregado antecede, de cerra forma, o Púr exemplo, uma situação de ensino de música pode ser avaliada ou ex-
início da investigação, pois reActc a visão de mundo do pesquisador, que es- plicada mais objetivamente a partir de dererminados parâmetros quamificá-
... , tá implícita nas questões que ele formula, nos objcrivos e delimitações que veis (índice de rendimento, percemual de aceitação. índia: de L-vasão etc.).
estabelece. Ou seja, em seu "nascedouro", a pesquisa já se perfila com uma Por outro lado, pode ser avaliada a partir da análise de aspcccos não neces•
dess-Js abordagens, pois sua visão de mundo preexiste às quescões da pe.,;qui.la, saria1nentt quantificáveis, como a visfio elos alu nos, a visão dos professores
mesmo que o pesquisador não tenha plena consciência disso. e as considerações do próprio pesquisador. colhidas por meio de observa-
A pesquisa "qualitativa", contudo, conforme já apontado antcrionneme, ção qualitativa ou outros procedimentos metodológicos pertinentes (sobre
não é antagonisra da pesquisa "quantitativa". Elas se movem de focma dife- métodos de pesquisa e abordagem qualirativa, o capítulo segllinte se deterá
rente, rêm perspectivas e objetivos de nature,a diferente e, eventualmente, com mais deralhes). Os ol>jerivos da pesyuisa revelam o "perfil" da aborda•
uma abordagelll pode conuibuir para a outra. Por que então a denomi11ação gema ser empregada (não ,cndo, portanto, uma decisão posterior ao inicio
"qualitativa"? Porque e...sa abordagem de pesquisa privilegia o nível subjeti- da pesquisa, mas suhjacente às quescões formuladas).
vo cl cons<.-qucntcmcntc, interpretativo da pesquisa, ao contrário de outras Um outro cxemplo deabo1dagcm c)bjetivista (quantitativa), relativo à pes-
abordagens que privilegiam maior objetividade, valorizando a explicação qui.sa n::i área de composição mu.~ica1, consistida na busca de car~1c1erizar o es...
objeriva, a relação causa-efeito, a mensuração etc., em vez da imerpretação. tilo de um oonjumo tic obras de um mesmo autor a 1r.utir da idcmificaç:ío ele
A abordagem qualirativa desloca o f1ico central da pesquisa do "objeto" pa- aspectos objetivor., quan1i6civcis> como o percentual de incidência de deter~
ra O "SUJCltO
. . ,., • minados acordes ou de determinadas cstrururas, ou até m,-smo pelo afi:rimento

14 15
acústico de alguns aspeccos elas obras consideradas. Qualititivamem.:, ou sol>
<le con.<ider:á-las como polos opostos, convém reconhecer n/vcis de gradação
um enfoque subjetivist:i, o mesmo conjunto de obra., poderia ser visualizado
em cada uma dessas abordagens.
a partir da recepção das mesmas pelo pesquisador ou por um conjunco de re-
Flick (2009) cambém ahorJa as diferences linhas de al:,ordagem meto-
ceptores (que podem ser intérpretes, compositores, regentes ou até mesmo in-
dológica em pesquisa, identificando-as como quali~arivas ou quantitativas,
divíduos sem formação music:il siscemática), buscando, a parcir da percepção
embora também reconheça limiraçóes nessa caregom.açiio. O amor observ-a
dos diferences sujeitos, desenhar um perfil estilístico das obras em questão. Em
que h:i um crescimento recente das pesquisas qualita_tivas ~ relaciona_es~ i~-
ambos os casos, a análise deverá escar fundamentada reoricameote, e suas di- teres.se crescente à pluralização aluai das esferas de vida e as cendê,,cias ep,s-
ferenças esmrão cunhadas desde o início pela visão de mundo do pesquisador, temológicas do pensamento pós-moderno.
pelas questões que elo formula e pelas resposcas que pretende obter.
As questões que demm início a essas pe.«]ui.sas citadas como exemplos A mudança sod~1 acelerada e a consequente divcr:sifk~ç;io dáS csfms de \•ida fuzcm
hiporétiC(>s podem até se assemelhar, 111as diferem essencialmente quanto ao oon\ que, cada vci tnais, os pesqui$:1cl()rcs sociais enfreocem OO\'Os o>ntcxt~ e pers,-
pccdvas sociais, Traca-~ <lc si1uaçóes tão novas pata eles que suas metodologias ded~ ..
nível de objetividade ou de subjetividade levados em conta. E é justamente áv.:tS 1ra<liciunaj~ -questões e hipóteses de pesquisa oh1id:.1s a parrir de moddos teó11~
a irHcnsidade maior ou menor desses aspectos que leva a pesquisa a ser clas- cos êft.stadn$ SQbrc evidências empíricas- agora fu01~.un devido~ diferenciaç5o <ln~
sificada> muitas v<.-zcs, como ~qualitadva" ou (•quantitativa", em que pese o ohjctos. Ocsra forma, a pesquisa i:stá cad.a vez mais obriga~a a util~~·Sé ..das es~ra•
redudon ismo a que esses ... rótulos,. induz.cm. tégias fodUliv-.;is:. Em va de partir de tconas para test:i-1:t.s, s;m ncçe$s;mos conooros
lbarretxc in Diaz (2006, p. 24} descreve, co111 base em diferentes au- se,,sibilizantes" para .1 :ibordagc:rn dos cont.excos sociais a serem esmd<1dos. Comudu,
ao co111r.í1ic, cfo que vem selldo cquivocadamence difundido, ~SI."$ conctilos ~o oseo-
rores, crês paradigmas de pesquisa enconmlveis no âmbito da pesquisa em d.ilmente influenciados por um oonbocimcnm teórico .1mcrior, No t1\tanto, aqui, m;
educação e em ciêocias sociais, mas que podem ser estendidos às demais su- teorias são desenvolvidas a 1>arLir de estudos empíricos, O conhccimemo e:•• pr:iric1 s.in
báreas de pesquisa sobre música. ü autor tarnbém não envereda pela dicoto• c.nu<la<los enquaJHo conhec.-imc:mo e pf;)tic:u: loca.is (Geertz. 1983). (l':Jk:k, p. 2 1}
mia quantidade 11ern1s qualidade, buscando visualizar o tema por outro ân -
gulo, a partir da defi nição de paradigmas de pensamento: Flick (p. 21) também analisa a pesquisa quantitativa e observa que os
princípios norte-adores da pesquisa e do planejamento dessa linha de abúr-
• Paradignu positivisra, que eMolve uma metodologia quantitativa e dagem em pesquisa são utilizados com as ,cguimes finalidades:
que busca explicar, conrrolar, predizer os fenômenos, verificar reoria.s, des-
cobrir leis para regular os fenômenos. • Isolar claramente causas e efeitos, buscando, ao máximo, oomrolar a.1 ton-
diçôt-s e as relações em que os fenômenos escudados ocorrem, a fim de melhor
• Paradigma interpretativo, cuja metodologia é qualitativa e que pro- classificá-los e garantir a clareza e a validade das relações causais idenrificacl1s.
cura compreender e interpretar a realidade, os significados arribtúdos pdas
pessoas, suas intenções e ações. • Üpéracionalizar adequadamente relações teóricas

• Paradigma sociocrltico, con1 uma metodologia preferentemente qua- • Medir e quantificar fenômeno-, (por exemplo, classificando os fenô•
litativa, que se propõei dentifi,-ar o potencial de mudança, ema.ncipar sujei- menos de acordo com sua frc<]uência e distribuição)
ros, analisar a realidade. • Desenvolver planos de pesquisa que pe.rmicam a ge11erali":'çfo_das
ll>arre[J{e aponta os enfoques predominantes de investigação (quamita- descoberras e perrnlram formular leis gerais, o que impHca em_ mmurnzar,
tivo e qualitativo), como repre.,;c,,rantcs das duas tradições de pesqui.sa nas tanto quanto p(,ssívcl, as inAuências do pesquisador, do emrevJStador ~te.,
ciências sociais e humanas (a positivista e a interpretativa). Ressalta, contu- buscando garantir a objetividade do estudo (o que implica em desco~s,de-
· ·• su b.JCHvas,
rar, muitas vezes> gra.nde parte das opmt0es · ron rodo r-·
=quisador
do, o perigo de que se considerem as duas metodologias como dicotomias
conceituajs ou como enfoques totalmente opostos, observando qué., em vc-.G quanto dos indivíduos submetidos"º esrudo}.

16
17
&sas caractedscicas descritas por J-llick relacionam-se à realização de Je. incessante entre qualidade e quanridade, a partir da aplicação de princípios
vantamemos e métodos quantitativos e padronizados (já que se busca, fre- como os de síntese de contrários e de movimento, que têm sempre em vista
qucnrememe, nessa linl1a de abordagem, identificar padrões de ocorrência,
as possibilidades de cransformação. .
sua frequência e distribuição, por exemplo) e a um interesse especial em Essas considerações de Gamboa e Santos se aproximam das de lbar-
aperfeiçoar os instrumentos de coleta de dados e de análise escatística dos recxe. Ou seja, não há como desconhecer que há um debate, no ambie,ue
me.o;mos. Divergem, portanto, da~ pesquisas eminentemente subjerivisras. cientifico, sobre os enfoques qualitativo e quanricativo, mas também não M
Observa-se, pela anáJise de Flick, que o tipo de interesse (é, portamo, de como desco11hecer que a simples polari1.ação entre esse,; enfoques é um tan-
questão de pesquisa) que conduz a uma abordagem objetivista é essencial-
to simplista, deixando de lado as1>ectos importantes. ,
mente distinta dos intere,-,;es e questões que conduzem a uma abordagem Oc qualquer forma, os autores, em geral, reconhecem que o predomt-
predomüi.antcmence subjetivista, cujas respo~r:1s n:fo dependem, necessaria ..
nio de características como subj<.~ividade ou objetividade estão por trás dos
mente, de pad ronização ou de <JLiancificaçiío.
enfoques qualitativos ou quantitativos,_ e que ~•is im!'°rtante., q~e as possí-
Outros autores que abordam a temática da polarização entre pesquisa veis divergências entre abordagens técn1cas senrun as diferenças cpistcmológ1-
quamitariv:i e pesquisa qualitativa, como Samos Filho e Gamboa (2002), já.
cas entre esses enfoques, poi.~ correspondem a diferentes visões de mundo e de
citados, também enfutizam a implicação das visões de mundo implícitas ao
propósitos de pesquisa. As questões ligadas à crítica e à rransforlflll\C:ÍO ~o~i:tl
processo de pesquisa e acrescentam que
aponrariam um tcrt:eiro caminho, que é também marcado pda pr~domman-
{.. .J:,s opções de pesquisa não ~e limfram à escoJha de técnicas ou métodos qualic:iriYos cia do subjetivismo, e que 1em a transfonnaçfto social entre sua_~ pnondades.
nu quanriraLivos, d<..'SOOohec:cndo suas iinplicaçõe:. tc:órica.s e epi.s1cmológicas. As op~ O presente livro se idenrifica com o entendimento de que abordagc~s
Ç.Õ<."S são mais complexa.,; e Ji:ocm rt:~pcito às form;1.s de: abordar o objeLo. aQs objetivos
de pesquisa e procedimentos metodológicos predominantemente sub1en•
oorn rthç.io :i. ('Ste, i'i m;1l1~i.ras de conceber o sujeito, aos imcresscs c1uc; oom.an&11n
o prOC:($$0 cogiutivo. t,11o \·isões <fe mundo implícitas Hdses inrctl!:S\iíe'i'., i\;:; cstracégia.s de::
vos ou ohjctivos não são necessariamente antagônicos, podendo tra:t.~r con•
pesquisa• .to dpo de rcsulrados C'$pcrados erc. (p. 9). tribuiçóes mútuas, e que o debate sobre essas questões pode, para a areada
pesquisa em música> aportes lnscigantes e rcnov~d~~· Cabe ressaltar, con-
Quanto ao relacionamento ou antagonismo entre e.•;sas principais ten- tudo, que os aurores prioriz.am a abordagem subJc11v1St'.t.
dências de pesquisa, Sanros Filho e Gamboa identificam a existência de pelo
menos três posicionamenros 110 que tange ~ relação quancidade-qualidade:
1) os que argu,neocam a fuvor da incompatibilidade entre os paradigmas
científicos que estariam subjacentes aos enfoques quantitativo e qualitativo;
2) os que defendem a complementaridade entre esses enfoques (diver-
sidade complementar);
3) e os que defendem a tese da unidade possível entre esses paradigmas,
através de sínteses entre ambos.
Os autores procu ram substituir a análise dessa polarização entre quali-
dade e quantidade pela discussão epistemol6gica (relativa às teorias elo co-
11.hecimento envolvidas) e pela análise da possibilidade de idemificação de
um terceiro posicionamento. Esse terceiro foco corresponderia ao das teorias
críticas, que. a partit de um substrato dialérico, visualizam um movimenco

18 19
-
Questões e- scigcsrões aos pesquisadores inicia.mes: Pesquisa em música e subjetividade:
bases filosófica~ e pressupostos
Sua
,
quc:.srão de pesquisa parcct indicar um ciminbo SUb·JCCIVIS'ta
· · OU O1)Jt.lll'tStá.
· ·· >
or quê?
'
Procure jdenti6car as ê.nfus~ ~embutidas"> em seus objeti·vos, para que ,,oéê
possa, corn clareia, conduz.ir seus caminhos de pesquisa:
As bases filosóficas da pesquisa qualicativa (subjetivista) encontram-se na
• Se ~:i ênfase cm _idemilica.r car-o.1cterfscicas e estabelecer relação de causa dialética e na fenomenologia, ambas implicadas C<>m uma visão mais subje-
e efe1to, corno aenburos ..cm si" da rc~Jidade, sua tendência está sendo tiva da real.idade e com a relativização do cor1hecimento. Melhor seria falar-
obje1 ivi.sta.
mos no plural, mencionando pesquisas qualitativas ou subjetivistas, já que
• S~, ao co~rrári~, sua tendência mai~ fone t para imtrprcr.ar os fenômenos, há diferences linhas de abordagem dentro dt-sse enfoque (mais adiante, CS;sas
e nao ~ra 1dent1ficar o que j:i ",·scJ Já'\ a tendência: que se anuncia é diferenças serão aprofundadas).
predorrunancemcmc suhjeth•ista. Os pressuposcos das pesquisas consideradas qualitativas diferem dos
Ou $<::ja, se :t <:nfosc está cm idc111 ificar algo já conriclo na. realidade e qut: <leve pressupmtos das pesquisas rotuladas como quantitativas, de cuoho predomi-
ser reveJa~o ~la pc~quisa, a inclinação prevaloceme é objetivista. Ao comrârio~ namcmente objetivo, uma vez que a pesquisa qualitativa é, por natureza, pre-
se .1 tendcncia é par:.1 cnconcmr respostas sobre os fenômenos, consjderadas dominancemente subjetiva, tal como já mencionado no capítulo anterior.
001~0 .fr~Hos da intcrprcraç:io do sujeito qut~ pcsq11isa. o que prcdomin:1 é
0
Come>também já foi observado, não se pode afirmar que uma pesqui-
sub1etJv1smo. sa possa ser escritamente objetiva, ou estritamente subjetiva. O que ocorre
é que predomina uma dessas concepçf1CS, que termina por conferir um for-
te cará.cer à pesquisa. Os pressuposros assumidos pela pesquisa considerada
qualicaciva são de nature>.a predominantemente subjetiva, diferindo. assim,
já nos pressupostos adotados, das pesquisas de cu11ho predominantemente
objeLivista.
Alguns dos pressupostos que regem a pesquisa qualitativa dizem respei-
to ao conceito de realidade (e, consequentemente, da realidade que é inves-
tigada) , uma ve:,, que a abordagem qualitativa considera a realidade como
uma instância ern interação dialética con1 o sujeito ou mesmo corno resu.J-
tame da percepção do sujeito e não como um fenômeno "cm si".
Entre os demais pressupostos da pesqu isa qualitativa, pode t:ur1bém ser
citada a negação de possibilidade de ncurralidade na pesquisa. A pesquisa é
entendida como necessariamente ideológica, matizada pela subjcrividade do
pesquisador. Ou seja, no lug-Jt de o pesquisador buscar ,un disranciamenro
do objeto que lhe permita analisá-lo com maior isenção, a abordagem qua-
litativa considcrn que não há possibilidade de isenção absoluta, e, por esse
motivo, o importante é cxplicicac qual o ponto de vista que está sendo uti-
lizado. A abordagem qualicativa ou subjetivista não preconiza o afustamen-
co do sujeito em relaçãó a 11111 objeto que seria externo a ele, como forma de
20
2)
conferir "ciencificidade" à p<?Squisa, pois acredita na profunda e inevitável scndú atualizada pór novas escucas. novos entendimemos, novas conccp-
interação sujeito - objeto.
çõc.,, novos momentos da história etc. Os próprios limites ela performance
Entra, então, cm questionamento, o próprio conceito de verclad~ que, são considerados relativos, pois alb'1.mS aspectos do ritual da interpretação,
na pesquisa de carárer subjetivo, é considetada como relativa, motivo pelo assim CúmO a interação co,n os expectadorc.~, entre outros aspectos, podC!'m
qual as pesquisas desse ripo não são afeitas a obter resultados generalizáveis, ser ou não incluídos ness(s limites.
aplicáveis a toda e qualquer situação similar. Ou seja, não se busca obter res- O pressuposto de uma realidade dinâmica aponta para outro pressupos-
postas "vcrdadeiramenre" definitivas e generalizáveis. Isso implica, rn.mbém, to, o de transformação permaneme dessa realidade, de mudança qualitativa
enl uma compreensão da conctpção de conhecimento como instância dinâ-
de suas condições. Ou seja, movimento é também um pressuposto dos en-
mica e em permanente transformação, matizada pela subjetividade de que,\, foques subjetivistas, para os quais a dinâmica dos processos é especialmente
o constrói. Essa posição relativista diante da re'1l;dade e da verdade não sig- impottance, mesmo quando focalizam um estudo de caso.
nifica falra de compromisso ou de científicidade na pesquisa, nem significa A singularidade das co11clusões da pesquisa, em contraposição às pre-
que, como a abordagem ésubjetiva, "qualquer coisá' pode ser afirmada, já que tensões de generalização dessas conclLLsões, é também wna característica dos
a subjetividade não pode ,cr questionada.
enfoques subjetivistas. A pesquisa qualitativa não adere à generalização como
Bressler (2006, p. 61) observa, a esse respeito, que
princípio.
o pmp&:iro da in\•estigaçío qoalirnriva. não t descobrir a rc.1lidade. um::i v.:::t que: ino J't'• Resumindo, podemos apresentar os aspectos essenciais das pesquisas
sulca i1npossívd ama.v~s <l:t argumcnração fer10mc11ol6gica. O propósito é construir um:i quali~a,ivas segundo Flick (2009, p. 23, 24 e 25):
rncmória experiencial majs clán e ajudar 3!'.í pessoas a obter um <.onhocinm,co mais s-..,fis-
1·icado das ooisa.s.r...
1Narur.ilmcrue, a c;ornprecnsão alca.rtçad:1 por cada indivídm.l será,. • c.scolha adequada de méwdos e teorias convenientes, valori1.ando-se a
,ué ccno ponto, únk-a pam o obscn':ldor. mas i;r,1ndc pane se maOlecl em comum. J\.in.. adequação deles ao objeto de c.,iudo;
d:.t que a comprccnS:lo que ct"utamo.-. nbrcr é de nossa 1.mSprii criaçãõ, esta é u1h~ criação
colrtiv:1. úda um de n6s busca uma compn;cnsão afin:ida~ uma compree.11.são que resi$ 4
• reconhecimento e análise de diferentes perspectivas, buscando, então,
t:l soh nov.\S oonstruçõcs humanas{... ).
menos tc-srar aquilo que já é bem conhecido (por exemplo, teorias já forrnu-
ladas amecipadamcnte), do que dcscohrir o novo, através da legitimação e
A pesquisa quali Lativa também busca uma comprce11são mais LOtalii.an-
análise de diferentes pontos de vista subjetivos eiwolvidos;
cc daquilo que está sendo investigado. Os recortes são feitos apenas por ne-
cessidade prática, mas, conceitualmente, todo fonôme110 é visualizado corno • reAc'Xividade d<>s pesquisadores a rc.,peito de sua., pc.,;quisas como parte
imegrante de um todo maior, dinâmico e em permanente transformação. explícita do processo de produção de conhedmenco. ou seja, a subjetividade do
Obras de um compositor, por cx.cmplo, cm uma investigação subjetivis- pesquisador, bem como daqueles que estão sendo estudados, torna-se parte do
ta, podem ser particularizadas em uma pesquisa, desde que não se perca de processo de pcsquis-a e, conscqucmcmcmc, de produção de conhecimento;
visra o proct:$S() maior em que a criação dessas obras está inseri<la,pois, das • ,11riedade de abordagens e métodos, pois a pesquisa qualitativa não
servem como pomos de apoio para uma reAaão mais ampla, sem objetivo
procura se basear cm um cono::ito ce6rico e metodológico unificado, carac-
de alcançar generalizações.
terizando-se por dialogar com diversas abordagens teóricas e ,;eus métodos;
Si111ações de performance, igualmente, serão sempre entendida., como
manifestações incerpretacivas, condicionadas social e historicamenre, por- • avaliação do estudo e sua validade feita com referência ao objeto q~e
tanto tamb~m inseridas em procts-'iOS mais amplos de concepção estética ou está sendo estudado, considerando o embasamento adequado do matenal
mesmo da expectativa do inrérprere e dos receptores dessa interpretação. Ou empírico (o que depenei~ da seleção e aplicação adequada de métodos), sem
seja, não se entende a interpretação musical como pré-determinada pelo au- se l,'lliar cxcl usivamente por cricérios ciencíficos teóricos, como no ca.10 das
tor ou por uma época, pois, na visão subjetivista, a performance estará sempre pc~quisas quamicativas.

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Apesar das possíveis trocas entre abordagens guancicacivas e quali cativas,
é importante perceber que, do ponto de visra episcemol6gico, ou seja, da ,,a-
turcu do conhecimento envolvido, as diferenças são signi6cacêvas e mere-
cem ser expliciradas pelo ~>esquisador, para segumnça maior dele mesmo, e
para melhor compreensão do.~ resufcados da pesquisa, por aqueles que tive-
rem acesso a esse material

Questõ~ e sugestões ~to pesquisa.dor inicürm:e:

• Você identifica sua q11estáo e seus objetivos de pesquisa com a abordagem


qualitativa? Por quê?
• Proc1,.irc identificar, no capítulo qut· acabou de JerJ pdo menos crês a.~pecto.'I
que jt1srifique1u entender sua pesquisa como subjcrivista (se for es<e o seu c;aso).
• Se sua tendência. é predomfr1ancemc:nte objctivisla. b11St.1ue 110 capítulo que
acabou de ler lrl'S caracteríscicas q.ue fi.mclamentem essa re11clênc.:ia.
.É imporrame ccr uma çonsciência clara sobre a teodê-ncia 6.fosó.fica
p..-cdomfr1amt.: na pesquisa desde: seu início, pois essa clareza faciJicará codas as
ei:apa.s posteriores. como adoção de:- métodos e J e rcfercncjaJ. [eórico.

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