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INTRODUÇÃO

Neste trabalho são apresentadas algumas das questões conceituais e teóricas


sobre a disciplina religiões comparadas ministrada pelo Mestre em filosofia João Fer-
reira Santos. O texto de religiões comparadas – um desafio litúrgico, descreve que
não existem religiões falsas, todas as religiões são verdadeiras, na perspectiva de
seus seguidores. O referido autor também detalha de modo simples que as religiões
sapiências, na medida em que apresentam o ser divino como a fonte suprema de toda
sabedoria, nos desafiam a olhar com humildade o mundo natural, a vida animal como
um todo e a vida humana em particular.

Todavia, o Mestre João Ferreira deixa claro que a história da humanidade é


sem sombra de dúvida marcada pela existência de tradições religiosas. Ora estas tra-
dições ficaram restritas a um espaço geográfico ou grupo étnico. Outras tradições re-
ligiosas difundiram-se por regiões mais amplas, atingindo um número significativo de
pessoas e influenciando fortemente o desenvolvimento destas regiões. Diversas des-
tas tradições religiosas estão hoje espalhadas por todo o globo terrestre. Cada uma
destas tradições tem a sua proposta religiosa específica, seja em termos de conteúdo,
de proposta de vida, de valores, seja em termos de práticas religiosas ou de compre-
ensão do mundo. A disciplina Estudo Comparado das Religiões tem como objetivo
estabelecer paralelos entre as grandes tradições religiosas da humanidade, de modo
a perceber ao mesmo tempo elementos comuns, como também as diferenças espe-
cíficas.
1. CONCEITO DE RELIGIÃO E IMPORTÂNCIA PARA O CRISTIANISMO.

A religião é um fenômeno humano de busca da transcendência. Todavia é um


fenômeno absolutamente humano da necessidade humana, de natureza espiritual, de
natureza psicológica e de natureza social, econômica, política. Porque onde quer que
humanos se ajuntem, jamais conseguem fugir de algum tipo de definição política pela
própria identidade do ajuntamento. A contingência de natureza econômica, pela pró-
pria necessidade de sobrevivência do ajuntamento tem uma expressão social signifi-
cativa, porque religião presume a proposta de um caminho humano de obediência e
de compromissos e de ritos, que se supõem em sendo praticados levam o indivíduo a
Deus, então isso é religião.

A questão etimológica da palavra religião vem do latim, o substantivo religio


mais as opções de alguns verbos relegere, religare e reelegere.

Relegere reler os acontecimentos que foram narrados ou ocorridos naquele


tempo. Aquele que reler os acontecimentos é alguém que pode participar da cosmo-
gonia, alguém que pode acrescentar elementos importantes nessa cosmogonia.
Aquele que reler não é como uma plateia que assisti a narrativa mítica e este mito
produzo sentimento maravilhoso de completude e plenitude. No relegere o indivíduo
participa da cosmogonia e ele próprio é um artífice na construção desse aconteci-
mento primordial. É como se nós nos tornássemos cocriadores junto ao criador de
tudo.

Religare ligar uma coisa a outra coisa, ou religar uma coisa que esteve um dia
unida e por um motivo qualquer houve uma ruptura. Quando então o indivíduo faz
religião ele se religa a um acontecimento primordial a um acontecimento mítico e ao
fazer isso ele se suspende do tempo cronológico e invoca a presença daquele tempo
que permanece sempre como um tempo cosmogônico.

A Religião é psicossocialmente falando, um ponto importante de apoio ao ho-


mem no que diz respeito ao preenchimento de espaços vazios, que por vezes preju-
dica o desenvolvimento social, humano e psicológico, levando a raça humana a cami-
nhos que são diferentes do ponto de vista do crescimento espiritual. A religião é o
“religar” do homem a alguma crença , na qual ele( o ser humano) deposita e garante
a sua fé e confiança, se caracteriza como “o preenchimento da lacuna” que separa o
homem de Deus, e é esta religação que traz os aspectos de transformação e conver-
são total, que conceitua a religião num patamar muito acima de qualquer área ou ci-
ência humana.

O caráter da religião e sua participação exclusiva ao homem garantem que o


“agir religioso”, seu fenômeno e sua importância são em suma, algo que merece nossa
atenção e visão clara, sem preconceitos ou intolerâncias, apenas observando seu pa-
pel sempre vital ao homem e suas realizações positivas, o que a religião pode ser
colocada como o ponto diferencial desta dualidade. Portanto, religião é um sistema
comum de crenças e práticas relativas a seres sobre humanos dentro de universos
históricos e culturais específicos.

As religiões cumprem a função de dar sentido para vida, ou seja, as narrativas


cósmicas dão sentido as práticas cotidianas e as práticas cotidianas dão corpo as
narrativas cósmicas. Por exemplo: se um filho morre jovem. A narrativa cósmica da
ressurreição promoverá consolo diante da dor e do luto.
2. UNIVERSALIDADE DO FENÔMENO RELIGIOSO A PARTIR DOS ELEMENTOS
DOUTRINA, RITO, ETICA E COMUNIDADE PRESENTES EM TODAS AS RELIGI-
ÕES.

A religião é uma realidade estruturante das sociedades, e a compreensão da


história da humanidade só se pode fazer tendo em conta a dimensão religiosa.

A religião (do latim: religio significa “prestar culto a uma divindade”, “ligar nova-
mente”, ou simplesmente “religar”) pode ser definida como um conjunto de crenças
relacionadas com aquilo que parte da humanidade considera como sobrenatural, di-
vino, sagrado e transcendental, bem como o conjunto de rituais e códigos morais que
derivam dessas crenças.

Embora cada religião apresente elementos próprios, é também possível esta-


belecer uma série de elementos comuns às várias religiões e que podem permitir uma
melhor compreensão do fenômeno religioso.

Religiões, religiosidades, experiências religiosas se expressam em linguagem


e formas simbólicas. Saber o que foi experimentado, vivido e como isso pode ser com-
preendido exige a capacidade de identificar coisas, pessoas, acontecimentos, através
da nomeação, descrição e interpretação, envolvendo conceitos apropriados e lingua-
gem. Atualmente, os estudos sobre religião e religiosidade valorizam os fenômenos
religiosos de forma diversificada. Há o reconhecimento de que as questões religiosas
permeiam a vida cotidiana como religiosidade popular, sob formas de espiritualidade
que fornecem elementos para construção de identidades, de memórias coletivas, de
experiências místicas e correntes culturais e intelectuais que não se restringem ao
domínio das igrejas organizadas e institucionais
3. INFLUÊNCIAS DO TOTEMISMO E DO ANIMISMO EM ELEMENTOS DO CRISTI-
ANISMO, ESPECIALMENTE, EM SUA VERTENTE POPULAR, DESPROVIDA DE
CONHECIMENTOS TEOLOGICOS.

A expressão "animismo" tem sido utilizada para designar as religiões chamadas


primitivas e tem origem no latim "animi", que significa espírito. Isto porque as religiões
primitivas baseiam-se na crença em que tudo na natureza possui e é regida por espí-
ritos malignos ou benignos, que são capazes de sustentá-la ou de destruí-la, inclusive
seres humanos.

Podemos fazer comparações com o pentecostalismo carismatismo e encon-


trar, com tranquilidade, muitos destes elementos neste movimento "cristão".

O líder religioso carismático é, na realidade, um xamã. Ele não exerce autori-


dade bíblica, através de uma pregação ou ensinamento cuidadosos e profundos dos
textos bíblicos, porém através de imposição de costumes religiosos que se tomam
verdadeiros tabus. É olhado como ser poderoso, que tem ligação direta com Deus
maior do que crentes em Cristo "comuns"; é procurado para fazer orações poderosas,
para abençoar pessoas, para ministrar sacramentos, para desvendar mistérios. Há
até os que chegam a lançar maldições sobre seus liderados. Abençoa recém-nasci-
dos, locais de trabalho, casas, casamentos. Não tem qualquer base bíblica para seu
comportamento, mas é obedecido com rigor, sob pena de expulsão do grupo ou de
recebimento de algum tipo de maldição.

Além disso, há no meio chamado carismático elementos como fetiches que


são utilizados em cultos, tais como copos de água que passam a ser abençoadores
após o "pastor" orar com um copo também em sua mão; óleos "ungidos" pelos pasto-
res são utilizados largamente como elementos de poder para cura, além de ser utili-
zado, também, sal grosso, arruda, fitinhas, etc.

Há a imposição e o incentivo à prática de rituais de purificação. Tipos especí-


ficos de vestimentas são exigidos, além de abstinências sexuais, jejuns, correntes de
oração, retiros espirituais e, até mesmo, baptismos completamente fora do contexto
bíblico.
Os púlpitos se transformam em totens, verdadeiras trincheiras contra espíritos
malignos. Têm que permanecer purificados e ninguém (a não ser outros xamãs ou
discípulos autorizados por eles) podem subir ali.

A crença em espíritos malignos exagerada é amplamente difundida e apre-


goam espíritos para tudo e por tudo. Espírito da dor de coluna, da dor de barriga, da
dor de cabeça, da pobreza, das tempestades, etc. Apresentam-se como poderosos
para a dominação e expulsão destes espíritos.

As religiões evoluem da tentativa de compreender para a tentativa de compre-


ender a sociedade, passando pelo esforço para compreender o homem, como condi-
ção para compreender a busca de Deus, como ser supremo.

o cristianismo autêntico não há ensinamento algum que leve o crente a crer em


objetos de poder, porque o poder de Deus para o crente, que o vivifica, está na Palavra
de Deus que deve ser interiorizada em seu coração (Salmo 119:93). No cristianismo
não há a colocação da fé em objetos, mas somente em Jesus Cristo, porque por ele
temos paz com Deus (Rom 5.1), porque é pela fé somente nele que temos entrada à
graça divina (Rom 5.2), e porque o evangelho da salvação em Jesus Cristo é o poder
de Deus (Rom. 1.16), não podendo, portanto, ser substituído por nada deste mundo.
“Nunca me esquecerei dos teus preceitos; pois por eles me tens vivificado.” (Sl.
119:93) Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor
Jesus Cristo.

Podemos concluir que, se o animismo é característico de pessoas afastadas


de Deus e sem conhecimento da verdade espiritual a respeito dEle e de tudo o que O
cerca, e se no movimento carismático mundial há todos os elementos animistas cridos
e praticados por qualquer religião primitiva ou pagã; se no cristianismo não há lugar
para o animismo então a palavra do Senhor Jesus está se cumprindo, porque na rea-
lidade continuam sendo muitos os que entram pelo caminho largo e poucos os que
encontram a porta estreita; porque o mundo continua amando mais as trevas do que
a luz; porque a iniquidade está se multiplicando; porque muitos, mas muitos mesmo,
estão sendo enganados pelos falsos profetas. O que está crescendo é o animismo
travestido de cristianismo.
4. AS RELIGIÕES PRIMITIVAS, NA PERPECTIVAS DAS CIÊNCIAS DA RELIGIÃO,
EM QUE CONSISTE A METODOLOGIA UTILIZADA PELAS ESCOLAS: MITOLO-
GICAS; ANTRPOLÓGICAS E HISTÓRICO-CULTURAL, NO ESTUDO DAS RELI-
GÕES ANTIGAS.

A partir das ideias religiosas mais antigas chegam ao posicionamento que se


desenvolvem os povos antigos de um ateísmo: o manismo logo evoluindo para o ani-
mismo e passando para o magismo e totemismo.

A partir das formas religiosas dos povos antigos encontra-se diferentes ciclos
culturais, logo dando origem ao fenômeno religioso.

Estudar os fenômenos e sistemas religiosos como parte da cultura significa


apreender um fator identificável da experiência humana, que se apresenta como ima-
gens que passaram através de milhares de pessoas, ao longo de diferentes tradições,
algumas modeladas nos santuários, outras nas universidades. Entretanto, muito
desse universo permanece inclassificável. Essa constatação, contudo, não deve ser
impedimento para pensarmos o tema. Ao contrário, o reconhecimento de que, em ter-
mos de religiões, a variedade é, acima de tudo, humana, significa compreender o
nosso lugar no panorama religioso, reconhecendo os “outros” menos como competi-
dores, mas sim, verdadeiramente, como companheiros de aventura existencial.
5. CONSIDERANDO AS RELIGIÕES SAPIENCIAIS, DEFINA A CONCEPÇÃP DE
SABEDORIA NO CONTEXTO DO HINDUISMO, COMPARANDO COM A NOÇÃO
DE SABEDORIA NAS RELIGIOÕES REVELADAS, ESPECIALMENTE NO CRISTI-
ANISMO.

Os seguidores do Hinduísmo percebem-se dentro de uma norma perene da


existência. O termo hinduísmo é uma criação dos ingleses em 1830, e cujo domínio é
muito mais amplo do que aquele que, no Ocidente, conhecemos por religião. O ver-
dadeiro nome do Hinduísmo é Sanâtana-Dharma, significando uma norma perene de
existência, a que sempre foi reconhecida. É uma tradição que é o próprio fundamento
das coisas e não tem, portanto, um fundador. Existe uma espécie de policefalia nessa
tradição, e a mente hindu mobiliza-se mais por uma ortopraxia do que por uma orto-
doxia. O Hinduísmo é o que os hinduístas fazem. O Sanâtana-Dharma “possui uma
origem que se oculta nas noites dos tempos”. Essa tradição remonta ao período pré-
histórico e, ao longo dos milênios, se amolda e se adapta às novas situações.

À semelhança de Jesus Cristo, Krishna teria nascido milagrosamente de uma


virgem, em um estábulo, tendo sido perseguido por um rei malvado, que para fazê-lo
desaparecer massacra uma grande quantidade de crianças. Salvo miraculosamente,
Krishna se torna o primeiro pastor. Um dia Krishna foi levado ao templo e lá conseguiu
impressionar os mais sábios, com sua sabedoria. Tornando-se homem, Krishna leva
uma vida devassa, chegando a ter seis mil amantes. Depois de quarenta noites em
profunda meditação, passa por um profundo arrependimento e, a partir daí, começa a
pregar a essas amantes e ao resto da humanidade, uma mensagem de arrependi-
mento, fé, resignação, humildade e bondade.

Os Vedas são considerados textos revelados, originados diretamente do Abso-


luto (Brahma) no começo do mundo e captados por sábios que os teriam transmitido
oralmente de geração em geração e, depois, compilados em forma escrita. Trata-se
de uma imensa literatura que procura dar conta das concepções religiosas dos primei-
ros conquistadores arianos do subcontinente indiano e também das concepções reli-
giosas elaboradas no próprio solo da planície do rio Indo, um pouco depois das con-
quistas arianas.
6. FAÇA UMA SINTESE DAS QUATRO VERDADES BUDISTAS, RELACIONANDO-
AS COM AS OITO REGRAS PARA UMA VIDA FELIZ, DIANTE DA FELICIDADE
PROPOSTA PELO CRISTIANISMO.

Depois de alcançar a Suprema Iluminação, o Buddha começou a ensinar e as-


sim a Roda do Dharma começou a girar. A Roda do Dharma gira em sentido oposto à
roda do sofrimento da vida, e por isso pode-se dizer que o Dharma é composto por
ensinamentos não comuns, que vão à direção oposta à do pensamento mundano. Em
uma de suas primeiras exposições públicas, dada no parque dos cervos (perto de
Benares) aos cinco ascetas que o haviam abandonado quando o julgaram trair a
busca pela libertação espiritual, as quatro nobres verdades são enunciadas pelo Ilu-
minado. Essas verdades foram descobertas pelo próprio Buddha enquanto buscava o
fim para o sofrimento humano, e são constatações experienciais oriundas da prática,
e não da especulação metafísica. Partindo da experiência viva, elas se tornaram o
suporte de toda a doutrina budista.

A verdade sobre a existência do sofrimento; é o reconhecimento de que o so-


frimento está presente na vida humana. Um termo amplo em sânscrito, “dukkha”, é
utilizado para expressar o conjunto das insatisfações que podemos experimentar
nessa existência terrena.

A verdade sobre a causa do sofrimento; é o entendimento profundo de que tudo


existe baseado numa relação de causa e efeito. Assim, o sofrimento que existe em
nossas vidas nasce a partir de um caminho (ações, palavras e pensamentos) errôneo
que foi tomado. Normalmente esse caminho indigno está associado aos desejos au-
tocentrados.

O desejo sensorial (ligado às sensações físicas dos sentidos – sensação) não


satisfeito gera a insatisfatoriedade, e seu respectivo sofrimento. O desejo de possuir
(apego geralmente ligado a uma sensação dos sentidos), quando experimenta a im-
permanência, também gera sofrimento. E finalmente o desejo de vir-a-ser (de confir-
mar a existência isolada no mundo como um “eu” apartado do restante), quando ex-
perimenta a impessoalidade, produz sofrimento.
A verdade sobre a possibilidade da extinção do sofrimento; é possível alcançar
o bem-estar eliminando as causas do sofrimento; se o fizermos, assim como uma
árvore sem raiz secará e morrerá, assim também teremos colocado um fim ao ciclo
do sofrimento em questão. Então, esse é o ponto onde entendemos e aceitamos a
possibilidade da presença da paz em nossas vidas correntes.

A verdade sobre a existência do Caminho do Meio, composto por oito aspectos


interdependentes, que leva à realização da extinção do sofrimento; é o conjunto de
práticas efetivas que nos levam a abandonar o caminho que gera o sofrimento e cul-
tivar a realização de uma correta existência.

Entendimento Correto – do sofrimento, de sua origem, de sua cessação, do


caminho que leva à cessação do sofrimento (entendimento das Nobres Verdades).

Intenção correta – de renúncia, livre de desejos; de boa vontade, livre da aver-


são; de compaixão, livre da crueldade.

Fala correta – abstenção de mentir, abstenção da fala maliciosa, abstenção da


fala severa, abstenção da fala inútil.

Ação correta – abstenção de tomar a vida, abstenção de roubar, abstenção de


comportamento sexual impróprio.

Correto meio de vida – abandonar o meio de vida errado, ganhar a vida de uma
forma correta.

Esforço correto – estar prevenido para não deixar surgir estados maléficos da
mente, desde seu surgimento através de esforço, exercitando a mente com energia.
Abandonar os estados maléficos da mente que já tenham surgido, fazendo esforço,
exercitando a mente com energia.

Consciência correta – contemplação consciente do corpo, contemplação cons-


ciente dos sentimentos, contemplação consciente da mente, contemplação consci-
ente dos objetos mentais.

Concentração correta – é a realização dos esforços meditativos. Existem cinco


obstáculos que obstruem o caminho da libertação.
A sabedoria budista pode se resumir em três tópicos fundamentais: o pensa-
mento Deus; o pensamento sobre o mundo e o pensamento sobre o homem. O bu-
dismo distinguir-se do cristianismo, que defende que a salvação é obra de Deus no
homem.

Em primeira instância, podemos dizer que há um abismo entre as duas religi-


ões. São linhas religiosas completamente distintas, seja geograficamente, social-
mente e espiritualmente falando. São tradições tão distintas que alguns estudiosos
afirmam que o convívio entre elas pode ser não muito amigável. As tradições são
como dois ímãs positivos, fogo e água. É impossível ser budista e cristão ao mesmo
tempo, pois são caminhos de espiritualidade radicalmente diferentes.

O cristianismo, dito como religião revelada, é caracterizada – assim como a


judaica e a islã – na qual Deus fala com o homem, em sua liberdade. Já o budismo –
assim como o taoísmo, hinduísmo e confucionismo – é reconhecido como religião sal-
vífica é o porte de meios em que o homem precisa para salvar-se dos sofrimentos
presentes e conseguir felicidade. Tal linha justifica-se, em meio de aprofundamento
de pensamento (muitas vezes com a meditação), abrem caminho da religiosidade em
si, melhorando seu pessoal e seu universo.

Muito embora haja tantas diferenças, ambas acreditam no final como salvação,
a felicidade eterna. Tal fim pode então ser enriquecido por ambos, mutuamente. Tam-
bém concordam com o profundo laço entre homens e mulheres. Claro que, se nesse
caso a discussão seja entre membros religiosos completamente dogmáticos e funda-
mentalistas, convencidos que sua própria religião é a única verdadeira, a comunhão
é impossível. Mesmo que em alguns certos pontos, suas religiões se encontram.
7. ANALISE A EXPRESSÃO DE SABEDORIA DE CONFÚCIO, CONFORME A
AFIRMAÇÃO: NÃO FAÇAS AO OUTRO AQUILO QUE NÃO QUEIRAS QUE FA-
ÇAM A TI, COMPARANDO-A COM UMA PALAVRA SIMILAR DE JESUS CRISTO,
RESSALTANDO AS POSSIVEIS DIFERENÇAS.

Para conviver bem em grupo é preciso que aja empatia. Porque a falta de em-
patia não deixa as pessoas crescerem e progredirem na vida, não temos mérito ne-
nhum em tratar bem a quem nos trata bem também, mas sim em tratar bem a quem
nos trata mal. É preciso aceitar a opinião, o ponto de vista diferente do seu e adotar
uma postura de tolerância como princípio básico de mediação das relações interpes-
soais.

Ninguém precisa pensar e agir como eu, mas eu preciso respeitar e aceitar a
opinião do outro, “Fazei aos outros aquilo que queiras que os outros façam a ti”, e
relacionar-se com o outro implica em muitas dificuldades, possibilitando o apareci-
mento de conflitos e confrontos.

Isto se deve pelas diferenças que existem entre as pessoas: o modo de pensar,
a maneira de sentir, a maneira de ser, tudo isto é individual e se estabelece em de-
pendência à uma história de vida pessoal.

Pratique a empatia, se coloque no lugar do outro antes de fazer um comentário,


e não esqueça que cada ser é único. Se você se comparar com os outros, você se
tornará presunçoso e magoado, pois haverá sempre alguém inferior e alguém superior
a você.

Mateus 7,12 diz: Tudo aquilo, portanto, que quereis que os homens vos façam,
fazei-o vós a eles, pois esta é a Lei e os Profetas. Essa regra, que pode ser uma
resposta à sua pergunta, era bem conhecida entre os judeus. Isso ensina que não
basta não fazer o mal, mas é necessário fazer o bem. Nesse sentido o ensinamento
de Cristo é mais exigente do que aquele presente na tradição hebraica.
8. EXPLIQUE O SENTIDO DO TERMO JOHREI, CONFORME EMPREGADO PELA
IGREJA MESSIÂNICA MUNDIAL, RESSALTANDO SUA RELEVÂNCIA NA SOLI-
DARIEDADE HUMANA.

Johrei é um método de canalização de energia espiritual (luz divina), para puri-


ficação do espírito, capaz de transformar a desarmonia espiritual e material em har-
monia. Quando o homem tem pensamentos, palavras e ações que contrariam sua
verdadeira natureza altruísta e espiritualista, ele acumula impurezas em seu corpo e
em seu espírito, fazendo com que as doenças, os conflitos e as dificuldades financei-
ras aumentem.

O Johrei purifica e desperta a verdadeira natureza divina do homem, restabe-


lecendo seu equilíbrio original. Portanto, dizemos que o Johrei é um método de criar
felicidade. Johrei, compreende o método que consiste em erradicar do coração das
pessoas a infelicidade e plantar a paz e a felicidade.

Trata-se de um método usado para canalizar a luz divina através da mão, eli-
minado as máculas da natureza humana. Acreditam que o johrei foi revelado por Deus,
concretizado pelo mestre fundador e permitido aos fiéis da igreja messiânica mundial.

Benefícios do Johrei:

• Desperta o homem para a existência do Criador;

• Fortalece-o para que ele possa ultrapassar os desafios da vida;

• Torna-o saudável física e espiritualmente;

• Torna-o mais sereno e pacífico;

• Eleva sua inteligência e sua personalidade;

• Expande sua aura, protegendo-o dos infortúnios;

• Possibilita-lhe perceber melhor a abundância e as oportunidades, propiciando


sua prosperidade;

• Fortalece o sentimento de gratidão e altruísmo.


9. JUSTIFIQUE A CONCEPÇÃO BÍBLICA DE PROFECIA, EM TERMOS DE DE-
NUNCIA E ANUNCIO, COMPARANDO COM OS PROFETAS DA ANTIGA ALIANÇA
COM OS PROFETAS DA NOVA ALIANÇA, RESSALTANDO A SUPERIORIDADE
DE JESUS CRISTO, COMO MAIOR PROFETA DE TODOS OS TEMPOS.

Os sacerdotes tratavam de coisas rituais, ou melhor, das orações litúrgicas e dos


cânticos sagrados. Nos profetas havia vistas mais largas, e uma realização mais com-
pleta da vontade de Deus na vida diária, tanto particular como nacional. Se quisermos,
talvez, dizer em poucas palavras qual o efeito dos ensinamentos dos profetas sobre
os seus contemporâneos, quer se trate de pessoas, quer de nações, afirmaremos que
eras esperança o forte sentimento que consolava a alma israelita, apesar dum pas-
sado manchado pelo pecado, e dum presente sob a ameaça do castigo. Todavia, su-
perior a tudo, estava Deus realizando o Seu plano de misericórdia e bênçãos. Ne-
nhuma religião, fora do Judaísmo, podia mostrar nos seus ensinamentos tais princí-
pios de consoladora expectativa. E eis aqui um dos grandes segredos que explicam o
grande êxito que só a religião de Israel alcançou.

Houve uma pausa: por espaço de trezentos anos não tinha Deus falado aos homens.
Mas no fim desse tempo, João, filho de Zacarias, cognominado o Batista, que foi “pro-
feta”, e “mais de que profeta” (Mt 11.9), apareceu, revelando às multidões a vontade
de Deus a respeito delas, e dizendo-lhes que estava chegado o tempo em que as
profecias sobre a vinda do Libertador deviam ser cumpridas. E chegou esse tempo do
Profeta ideal, em quem tiveram realização, no maior grau. as palavras de Moisés (Dt
18.18; At 3.22), revelando Ele nos Seus atos e palavras o Espírito do Pai celestial. E
compreende-se que a atividade profética não tivesse a sua paragem em Jesus Cristo,
continuando duma maneira nova, depois que o Espírito Santo foi derramado no dia de
Pentecoste. Então, as palavras de Joel receberam parte do seu cumprimento: “vossos
filhos e as vossas filhas profetizarão” (Jl 2.28; At 2.17); e mais uma vez se acostuma-
ram os crentes a ouvir os profetas, que se lhes dirigiam em nome do Senhor. Entre
estes são mencionados: Ágabo e outros, vindos de Jerusalém (At 11.27,28; 21.10);
profetas em Antioquia (At 13.1); Judas e Silas (At 15.32); as quatro filhas de Filipe, o
evangelista (At 21.9). S. Paulo também se refere a profetas cristãos em 1 Co 12.28 e
seguintes: 14.29,32,37; Ef 3.5 e 4.11, compreendendo nós, por essas passagens, que
esses obreiros, tomando parte proeminente nas reuniões cristãs, nos cultos, eram al-
gumas vezes inclinados a pensar que não podiam restringir o ímpeto da fala. O autor
do Apocalipse também se refere freqüentes vezes aos profetas cristãos, que são con-
siderados como seus irmãos (Ap 22.9; vede também 10.7; 11.10-18; 16.6; 18.20-24;
22.6).

Cinco atitudes assumidas por Jesus Cristo, o indicam como o maior de todos os pro-
fetas: Jesus interpretava as Escrituras, mas lhe dava um sentido novo, porque as pro-
fecias antigas se cumpriam Nele; Jesus usava a linguagem própria de um profeta,
mostrando ao povo o caminho da bênção e o caminho da maldição. Jesus realizava
gestos proféticos, devidamente fundamentados em milagres espontâneos, que se tor-
navam ao mesmo tempo patentes e incontáveis. Jesus anuncia sua morte e ressur-
reição como acontecimentos proféticos, em que as Escrituras antigas se cumprem.

Moisés foi o primeiro grande profeta do A.T e escreveu os cinco primeiros livros da
Bíblia, o Pentateuco. Depois vieram outros que transmitiam a palavra de Deus. Mas
Moisés profetizou que um dia viria outro profeta como ele. (Dt 18.18): “Suscitar-lhe-ei
um profeta...”

Mas se olharmos a história de Jesus nos evangelhos, ele não é visto como um profeta
ou O Profeta semelhante a Moisés, apesar de que em algumas referências as pessoas
o chamavam de profeta, eles conheciam pouco sobre Ele. Por ex. quando Jesus disse
a mulher samaritana um pouco da sua vida passada, ela imediatamente disse que Ele
era profeta (Jo 4.19), o cego de nascença também falou que Jesus era profeta (Jo
9.17). Mas havia uma expectativa de que viria o profeta predito por Moisés, como por
exemplo, na multiplicação dos pães e peixes, alguns exclamaram “Este é, verdadei-
ramente, o profeta que devia vir ao mundo” (Jo 6.14).

10. INDIQUE OS ELEMENTOS FUNDAMENTAIS DA RELIGIÃO JUDAICA, QUE


PODEM SER CONSIDERADOS COMUNS AO CRISTIANISMO E AO ISLAMNISMO.
Os três elementos históricos e doutrinários importantes ao povo judeu são: existe um
único Deus; existe um povo de Deus e existe uma aliança de Deus com seu povo.
Das principais religiões mundiais, o Cristianismo e o Judaísmo são provavelmente as
mais semelhantes. Tanto o Cristianismo quanto o Judaísmo acreditam em um só Deus
onipotente, onisciente, onipresente, eterno e infinito. Ambas as religiões acreditam em
um Deus que é santo, justo e reto, ao mesmo tempo amoroso, pronto para perdoar e
misericordioso. O Cristianismo e o Judaísmo compartilham as Escrituras hebraicas (o
Antigo Testamento) como a Palavra autoritária de Deus, embora o Cristianismo tam-
bém inclua o Novo Testamento. Tanto o Cristianismo quanto o Judaísmo creem na
existência do céu, a eterna morada dos justos, e no inferno, a eterna morada dos
ímpios (embora nem todos os cristãos e nem todos os judeus creiam na eternidade
do inferno). O Cristianismo e o Judaísmo têm basicamente o mesmo código de ética,
comumente conhecido hoje como judeu-cristão. Tanto o Judaísmo quanto o Cristia-
nismo ensinam que Deus tem um plano especial para a nação de Israel e o povo
judeu.

O Islã é uma religião abraâmica monoteísta articulada pelo Alcorão, um texto consi-
derado pelos seus seguidores como a palavra literal de Deus. pelos ensinamentos e
exemplos normativos (a chamada suna, parte do hadith) deMaomé, considerado pelos
fiéis como o último profeta de Deus. Um adepto do islamismo é chamado de muçul-
mano.

Eles também acreditam que o islã é a versão completa e universal de uma fé primor-
dial que foi revelada em muitas épocas e lugares anteriores, incluindo por meio
de Abraão, Moisés e Jesus, que eles consideram profetas. Os seguidores do islão afir-
mam que as mensagens e revelações anteriores foram parcialmente alteradas ou cor-
rompidas ao longo do tempo, mas consideram o Alcorão como uma versão inalte-
rada da revelação final de Deus.

11. EXPLIQUE AS PRINCIPAIS DIFERENÇAS ENTRE O CRISTIANISMO, O JU-


DAISMO E O ISLAMISMO, NO QUE DIZ RESPEITO À AÇÃO DE DEUS NA HISTÓ-
RIA DA HUMANIDADE.
Apesar do Cristianismo defender uma origem judaica, o judaísmo considera o cristia-
nismo uma religião pagã. Apesar da existência de judeus convertidos ao Cristianismo
e outras religiões, não existe nenhuma forma de judaísmo rabínico que aceite as dou-
trinas do Cristianismo como a divindade de Jesus ou a crença em seu caráter messi-
ânico. Há movimentos, como Judaísmo messiânico que tentam conciliar a crença em
Jesus como messias e a identidade judia. Algumas ramificações tentaram ver Jesus
como um profeta ou um rabino famoso, mas hoje esta visão também é descartada
pela maioria dos judeus. O islamismo toma diversas de suas doutrinas do judaísmo,
sendo que as duas religiões mantêm seu intercâmbio religioso desde a época de Ma-
omé, com períodos de tolerância e intolerância de ambas as partes. O recente conflito
palestino-israelense, o que envolve entre parte da população muçulmana e dos judeus
devido à questão do controle de Jerusalém e outros pontos políticos, históricos e cul-
turais fomentou ainda mais a divergência entre judaísmo e islã. O islã reconhece os
judeus como um dos povos do Livro, apesar de acreditarem que os judeus sigam uma
Torá corrompida. Já o judaísmo rabínico não crê em Maomé como profeta e não acei-
tam diversos mandamentos do islão. Já os cristãos acreditam que os judeus estão
seguindo o caminho errado negando a Jesus como o único messias e salvador, e que
foram previamente avisados sobre isso pelos profetas e pelo próprio Jesus quando
esteve entre eles. Condenam o islamismo da mesma forma por descrer em Jesus
como messias , e não consideram Maomé como um profeta escolhido por Deus, já
que o último profeta revelado no segundo testamento seria João Batista.

Embora ambas religiões tenham nascido na mesma região e partindo da mesma


crença mitológica a cultura dos povos acabou por levá-las a caminhos diferentes e
situações de conflitos intensos que desviam ou até abordam o preceito de ambas re-
ligiões.

12. FAÇA UM RESUMO DA MENSAGEM CENTRAL DO CRISTIANISMO, DIRIGIDA


À HUMANIDADE, EM TODO TEMPO E EM TODO LUGAR, TENDO COMO REFE-
RÊNCIA AS TRÊS VIRTUDES TEOLOGAIS, DEFINIDAS COMO FÉ, ESPERANÇA
E AMOR.
Nesses tempos pós-modernos, quando o liberalismo moral e mesmo teológico impera,
a diluição de valores permeia todos os segmentos sociais e o cristianismo é pulveri-
zado numa quantidade inumerável de preferências pessoais, somente cristãos enga-
jados e de espiritualidade profunda farão diferença.

A fé é o essencial da espiritualidade. Não existe espiritualidade sadia, sem fé sadia.


Nossa sociedade é marcada pelo relativismo, resumido na contraditória afirmação
“nada é absoluto”, seu maior valor é a dúvida e seu resultado é a desconstrução de
absolutos, colocando os valores mais básicos da sociedade e do cristianismo na larga
faixa cinzenta do politicamente correto. Conceitos como moral, ética, família, igreja,
Bíblia e mesmo Deus, são questionados e relegados ao fórum pessoal. O relativismo
é um ataque orquestrado à fé e somente uma “fé operante” poderá fazer frente ao
mesmo. Somos chamados a viver uma fé que nos tira da faixa cinzenta e nos leva a
posicionamentos claros (Hb 11.6).

O amor é o essencial da sociabilidade. Não existe relacionamento saudável sem amor


saudável. Nossa sociedade é marcada pelo hedonismo, resumido na conhecida rein-
vindicação “eu mereço ser feliz”. Seu maior valor é o eu mesmo e seu resultado é o
egocentrismo, colocando o homem no centro do universo em busca de autorrealiza-
ção. Nessa posição, tudo o que nos cerca, como o meio ambiente, a sociedade e o
próximo, se torna nossa fonte de satisfação. Os relacionamentos se tornam instru-
mentais, utilitários. A igreja e até o próprio Deus passam a ser buscados pelo que têm
a nos oferecer. O hedonismo é um ataque planejado aos nossos relacionamentos e
somente um amor abnegado nos dará forças suficientes para resistirmos a essa ten-
dência corrosiva. Somos chamados a exercer um amor que nos leva ao outro, que
nos faz pensar no próximo, buscar o que Deus quer para nós ao invés do que nós
queremos de Deus, que nos faz servir na igreja e na sociedade ao invés de apenas
ser servidos por elas (Lc 12.27; Jo 13.34).

A esperança é o essencial da afetividade, das emoções. Não existe emoção sadia


sem esperança. Nossa sociedade é marcada pelo existencialismo, que orienta nossas
vidas para o “aqui e agora”, seu maior valor é o momento e seu resultado é a super-
valorização da experiência momentânea, pela qual se negociam valores e convicções.
O imediatismo vem em seu bojo e nos leva a pensar no hoje, no aproveitar a vida, no
viver de forma acelerada como se não existisse amanhã ou no limitar nossas expec-
tativas a essa efêmera existência como se não existisse vida no pós-morte. Também
nos tornamos pessimistas e exigentes com a vida, deixando nossas emoções vulne-
ráveis a adoecimentos como depressão e ansiedade excessiva. Quanto menos espe-
rançosos nós somos, mais vulneráveis emocionalmente nos tornamos. O existencia-
lismo é um ataque articulado às nossas emoções e somente uma esperança firme nos
fará olhar além das cortinas da vida e ver que o melhor está por vir. Somos chamados
a desenvolver corações esperançosos, com os olhos em Cristo, relembrando nossa
alma de que as lutas do presente não se comparam com a glória do futuro. O melhor
ainda não foi instaurado (1 Co 15.19).

Somos vulneráveis às crises pessoais e interpessoais, e geralmente nos fragilizamos


diante delas ao invés de enfrenta-las pela graça que nos foi dada. Precisamos colocar
nossos olhos mais no Cordeiro que há de vir e menos em nós mesmos, mais no Rei
que não tardará e menos nas pessoas que certamente falharão, mais na glória que
há de ser revelada e menos nas trivialidades da jornada. Precisamos de mais espe-
rança, para sermos mais bem resolvidos.

“Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; porém o maior
destes é o amor” (1 Co 13.13).

13. DIGA EM QUE CONSISTE O TERMO LITURGIA, NA PERSPECTIVA DO CA-


TOLICISMO, RESSALTANDO AS ÊNFASES LITÚRGICAS NA PRÁTICA DA
IGREJA CATÓLICA ROMANA, NA IGREJA ORTODOXA GREGA E NAS IGREJAS
PROTESTANTES.
A palavra Liturgia vem do grego λειτουργία, que significa ação do povo. Para a Igreja
Católica, a Liturgia apresenta-se como o fio condutor de toda e qualquer ação religi-
osa.

“Toda celebração litúrgica, enquanto obra de Cristo e do seu corpo, que é a Igreja, é
ação sacra por excelência” (Sacrosanctum concilium, n.7).

A liturgia é o cume no qual se funda a ação da Igreja e a fonte da qual brotam todas
as virtudes. Os filhos de Deus mediante a fé e o batismo, se reúnem em assembleia,
louvam a Deus na Igreja, participam do Sacrifício e comem da ceia do Senhor.

Todo ato litúrgico da Igreja Ortodoxa não é, absolutamente, vivido como uma osten-
tação triunfalística, pois os sinais servem para convidar o fiel a voltar o próprio olhar
sobre si e não para fora de si. A Liturgia não quer atingir a imaginação nem seu fim é
doutrinar e submeter os fiéis ao poder de outros homens que decidam por eles. A
Igreja e a Liturgia outra coisa não são do que um ambiente no qual saímos de nós
fisicamente e espiritualmente para conseguir sempre mais e sempre melhor voltar o
próprio olhar em si mesmo, lugar no qual Deus se revela. Para tal fim, é indispensável
abrir os olhos do coração, isto é, da própria interioridade.

De acordo com o Compêndio do Catecismo da Igreja Romana (nº 218), “a liturgia é a


celebração do Mistério de Cristo e em particular do seu Mistério Pascal. Na liturgia,
pelo exercício da função sacerdotal de Jesus Cristo, a santificação dos homens é sig-
nificada e realizada mediante sinais, e é exercido, pelo Corpo místico de Cristo, ou
seja, pela Cabeça e pelos membros, o culto público devido a Deus”.

No culto de adoração dos protestantes modernos o púlpito é o elemento central e não


a mesa do altar (onde se coloca a Eucaristia nas igrejas católicas). Para Lutero, “uma
congregação cristã nunca deve reunir-se sem a pregação da Palavra de Deus e a
oração, não importa quão exíguo seja o tempo da reunião. A pregação e o ensino da
Palavra de Deus são a parte mais importante do culto divino”.

Como Lutero, Calvino enfatizou a centralidade da pregação durante o culto de adora-


ção. Ele acreditava que cada crente tinha acesso a Deus através da Palavra pregada
e não através da Eucaristia. Devido a seu gênio teológico, a pregação na igreja de
Calvino em Gênova era intensamente teológica e acadêmica.
As novas convicções teológicas introduzidas pela Reforma Protestante resultaram em
uma profunda reformulação do culto e sua respectiva liturgia. O princípio da “sola
Scriptura” fez com que a Bíblia passasse a ocupar um lugar muito mais destacado do
que antes. O novo entendimento da salvação pela graça mediante a fé foi acompa-
nhado de uma reinterpretação do sacramento da Ceia, visto não mais como um sacri-
fício oferecido pela igreja, mas como uma dádiva de Cristo ao seu povo. Por fim, a
ênfase no “sacerdócio de todos os crentes” implicou maior participação dos fieis no
culto a Deus. Agora, os pontos focais da liturgia eram o púlpito e a mesa da comunhão.

14. EXPLIQUE AS PRINCIPAIS DIFERENÇAS ENTRE OS TERMOS LITURGIA E


TEURGIA, CONFORME EXPLICADOS POR SANTO AGOSTINHO, RESSAL-
TANDO A RELEVÂNCIA DESSA COMPREENSÃO NA PRÁTICA LITÚRGICA
HOJE.
O culto a Deus segundo Santo Agostinho é capaz de nos garantir a felicidade. O culto
ao verdadeiro Deus é a fonte do conhecimento verdadeiro, que emerge da Palavra
Divina, atualizada pelo Espírito Santo. Agostinho, descreve que a liturgia é o caminho
que vai do homem a Deus e a teurgia é o esforço humano para impressionar Deus,
na tentativa de levar Deus a realizar o que o homem quer.

A Teurgia consistiu evocação de Divindade por meio de telestiké (τελεστική), ou rituais


adaptado para inserir os deuses em um técnicas inanimados, ou de êxtase cuja fina-
lidade é a incorporar para um dado tempo a divindade em um ser humano (
δοχεὑς, dochéus ). Neste último caso, a prática teúrgico diferiu da dos oráculos como
os evocados deuses não se encaixam no corpo dochéus (δοχεὑς) para um ato espon-
tâneo, mas quando especificamente evocada por teurgista tendo esta tarefa
(κλήτωρ, klétor ).

O termo teurgia, portanto, significava "agir como um Deus", no sentido de ajudar os


homens a transformar seu status em um sentido divino com a ajuda da união mística.

A liturgia cristã em nossos dias deve representar mais que ordens de culto, mais que
uma obrigação religiosa dominical, deve ser fruto de uma nova consciência, de um
coração transformado pelo amor de Deus que adora em sincera gratidão.

O ponto máximo da liturgia é alcançado inicialmente pelo encantamento que perpassa


pela meditação e reflexão profunda e segue no convite a celebração, introspecção e
por fim a proclamação.

15. ANALISE A AFIRMAÇÃO DE JESUS: EU SOU O CAMINHO, A VERDADE E A


VIDA; E NINGUÉM VEM AO PAI, A NÃO SER POR MIM, À LUZ DA COMPREEN-
SÃO DOS CONCEITOS REVELAÇÃO E LITURGIA.

Deus vem ao nosso encontro - revelação tem lugar na história concreta dos homens.
Deus revela-se primeiro na história de Israel, que conserva um lugar inalienável na fé
cristã. No seio da história, o próprio Deus age e fala. Foi Ele que escolheu o seu povo,
para lhe confiar uma missão no meio das nações. Deus que é sempre o primeiro a
amar, ama sempre sem reservas. Ele não espera, para amar os homens, a resposta
que eles poderão dar a este amor.

Ao dizer “eu sou o caminho, a verdade, e a vida”, Jesus não apenas indica qual é o
caminho para a casa do Pai, mas se revela explicitamente como sendo Ele próprio
esse caminho. A expressão “eu sou o caminho” significa que Ele, Cristo, é o único
Mediador entre Deus e o seu povo.

Jesus é tanto o caminho do homem para Deus, como fica claro nesse próprio texto de
João 14, como também é o caminho de Deus para o homem. Isso significa que as
bênçãos que procedem do Pai alcançam os redimidos por meio do Filho.

Jesus não é apenas o caminho, mas é também a verdade. Ele é a verdade em pessoa,
no sentido de que Ele é o único que revela o Pai. Ele é a perfeita revelação da obra
redentora de Deus para o homem caído em seus pecados (Mateus 11:27). Jesus é a
verdade que liberta, santifica e conduz os santos a casa do Pai (João 8:32; 17:17).

Ao dizer “eu sou a vida”, Jesus se coloca como sendo a fonte da vida que se opõe à
morte. Ele tem a vida em si mesmo. Por isso, somente Ele pode ser o doador da vida
para os que são seus.

Após dizer “eu sou o caminho a verdade e a vida”, Jesus conclui dizendo: “ninguém
vem ao Pai senão por mim”. Essa declaração é o resultado natural da frase anterior.
Ela indica o quão os homens são absolutamente dependentes de Cristo com relação
à comunhão com Deus.

Explicando o significado da frase “eu sou o caminho, a verdade, e a vida”, o caminho


leva a Deus; a verdade torna o homem livre; e a vida produz comunhão.

Assim, quando Jesus revela a verdade redentora de Deus que liberta os homens da
escravidão do pecado, e quando concede a vida que produz comunhão com o Pai,
então, sendo o caminho, Ele próprio é quem leva os redimidos para junto do Pai.

Em gratidão pela salvação realizada por meio da graça a nosso favor devemos cami-
nhar em direção a Deus pela dedicação litúrgica.
Mas, qual foi o caminho usado por Jesus? Sendo Filho de Deus, que é Amor, Jesus
veio a esta terra por amor, viveu por amor, irradiando amor, doando amor, trazendo a
lei do amor, e morreu por amor. Depois, ressuscitou e subiu ao Céu, realizando o seu
plano de amor. Pode-se dizer que o caminho percorrido por Jesus tem um só nome:
amor. E que nós, para segui-lo, devemos caminhar por esse caminho: o caminho do
amor.

Devemos fazer frutificar esse amor. De que modo? Amando. Não somos plenamente
cristãos sem esta nossa contribuição segura. Amando, seguiremos Jesus Caminho e
seremos, como ele, caminho até o Pai, para muitos de nossos irmãos e irmãs. E se-
remos cristãos mais convincentes se vivermos juntos este mandamento do amor que
Jesus nos deu.

16. JUSTIFIQUE A NECESSIDADE DA EXPERIÊNCIA DO CULTO AO VERDA-


DEIRO DEUS, COMO UM DESAFIO LITÚRGICO PARA A IGREJA CRISTÃ, EM
TODO TEMPO E EM TODO LUGAR, INDEPENDENTE DA DENOMINAÇÃO RELI-
GIOSA.

A vida cristã é um culto constante a Deus, que é oferecido individualmente, em qual-


quer tempo e lugar e onde não é necessário que se exerçam os chamados elementos
de culto, como por exemplo, oração, cânticos e leitura da Bíblia.
O culto público é o ajuntamento solene do povo de Deus, convocado para reunir-se
em dia, hora e local estabelecidos, com o objetivo de prestar serviço espiritual a Deus
sob a liderança de pessoas especialmente designadas para tal.

É preciso que se entenda claramente que existe uma diferença fundamental entre
nossa vida diária como culto a Deus e o culto que a ele prestamos publicamente,
juntamente com os demais irmãos em Cristo. Determinadas atividades que seriam
pertinentes à nossa vida como culto não seriam próprias a este culto público.

O desafio, seja numa formula litúrgica tradicional, seja numa formula litúrgica mais
contemporânea, é compreendermos que precisamos levar o povo a adorar a Deus em
espírito e em verdade, e isto não se dá apenas no ambiente de culto, mas a adoração
comunitária no culto deve ser refletida nas atitudes diárias de cada cristão.
SEMINÁRIO TEOLÓGICO BATISTA DO NORTE DO BRASIL
CURSO LIVRE DE TEOLOGIA

JULIO CESAR GENUINO DA SILVA LIMA

RELIGIÕES COMPARADAS: UM DESAFIO LITÚRGICO

Recife
2018
JULIO CESAR GENUINO DA SILVA LIMA

RELIGIÕES COMPARADAS: UM DESAFIO LITÚRGICO

Trabalho apresentado ao professor João Ferreira


como requisito de avaliação da disciplina religiões
comparadas para conclusão de curso

Recife
2018

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