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SEMINÁRIO TEOLÓGICO BATISTA DO NORTE DO BRASIL


COORDENAÇÃO DE TEOLOGIA
PSICOLOGIA PASTORAL
Prof, Marcos A M Bittencourt

10. PRINCIPAIS TRANSTORNOS DO HUMOR, AFETIVOS, DE ANSIEDADE E MENTAIS.

A Psicanálise e a Psicoterapia de base psicanalítica se distinguem das demais


abordagens da Psicologia por não estratificarem tanto os transtornos da mente e da alma.
Preferem não rotular o sujeito, pois com o tempo a pessoa começa a aceitar o rótulo e passa a
falar em “minha depressão”, “minha bipolaridade”, “meu pânico”, “meu TOC”, etc. Assim,
trabalham esses transtornos em termos de “Estruturas Clínicas” (embora não rejeitem de todo
os nomes que a Psiquiatria tem dado a esses transtornos”. São três as estruturas clínicas:

1) Neurose  “Sintomas, distúrbios do comportamento, das ideias e dos sentimentos


advindos de um conflito psíquico” (BOCK, 2002, p. 351). “Muita culpa” na realidade.
Entram aí os transtornos afetivos, do humor (depressão) e de ansiedade.

2) Psicose  “Fora da realidade”. Comumente conhecido como doenças mentais.

3) Perversão  “Zero culpa” na realidade. É a recusa da Neurose. É o que se chama


comumente de “psicopatia” .

Entretanto, para sistematizar melhor nosso estudo, dividiremos os transtornos por


grupos: Transtornos do humor e afetivos, transtornos de ansiedade, Transtornos mentais e
Transtornos de Personalidade.

Não será possível estudarmos todos os transtornos da Psiquiatria por razões óbvias.
Primeiro porque seria necessária uma disciplina à parte levando-se em consideração que numa
cadeira de Psicologia Pastoral do curso de Teologia existem outros temas de igual importância
que devem ser contemplados. Segundo, porque caberia mais uma abordagem mais profunda
dentro do curso de Psicologia ou Medicina. Veremos, então, os que mais ocorrem no dia a dia.

STBNB – Psicologia Pastoral – Prof Marcos A M Bittencourt


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10.1 - TRANSTORNOS DO HUMOR E AFETIVOS

10.1.1 - DEPRESSÃO ( “O mal do século” )

CONCEITUANDO...
 Não confundir tristeza com depressão. Ficar “deprê” de vez em quando é normal.
 É normal sentir-se triste por curtos períodos, principalmente se algo de ruim ocorreu em
nossa vida.
 Não é falta de fé. A fé um suporte para sair da depressão.

DISTINGUINDO TRISTEZA DE DEPRESSÃO

TRISTEZA
• Perda de uma figura importante. Desânimo penoso. Menor prejuízo das relações
Interpessoais. Menor durabilidade dos sintomas
DEPRESSÃO
• Perda de uma figura “emocional”. Grandes prejuízos nas relações interpessoais.
Sintomas permanecem por longo tempo

CAUSAS
FATORES ENDÓGENOS
 Queda de neurotransmissores no sistema límbico - serotonina e noradrenalina. Fatores
genéticos
FATORES EXÓGENOS
 Causas diversas – perdas (luto mal elaborado), separação conjugal, perda de emprego,
traumas, abuso sexual, etc...

OUTRAS CAUSAS EXÓGENAS


• Medicamentos para emagrecer tais como: Anfepramona (Dualid, Hipofagin, Inibex)
Fenproporex (Lipomax, Desobesi). Derivados de anfetaminas(Pervitin, Ritaline, Dasten,
Fagolipo, Lipese, Diazinil, Nofagus, Inobesin)
 Consumo de álcool e drogas

MULHERES E IDOSOS

• Mulheres sofrem mais  As mulheres têm o dobro de chance de vir a desenvolver o


distúrbio, isso por conta da instabilidade hormonal a que estão sujeitas. Além disso, as
mulheres estão mais sujeitas à ocorrência de eventos estressantes, como o parto.

• Atenção aos idosos  É fato que a idade não é um fator determinante para o
aparecimento da depressão, porém, estudos comprovam que a incidência da doença é
maior entre a população idosa. De acordo com o psiquiatra Edson Hirata, "o fato de
idosos terem mais doenças físicas, usarem mais medicamentos e frequentemente
ficarem mais isolados socialmente aumenta o risco de depressão nesta faixa etária".

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SINTOMAS

• Sentimentos melancólicos
• Perda do interesse por atividades consideradas agradáveis anteriormente
• Perda do apetite ou ganho de peso
• Dificuldade para dormir ou excesso de sono
• Sentimento de cansaço ou indisposição, irritabilidade
• Sintomas físicos nem sempre aparecem (dor de cabeça e no corpo)
• Sentimento de inferioridade ou culpa
• Crises de choro
• Dificuldade de concentração, organização do pensamento, memória ou para tomar
decisões
• Pensamentos de morte ou suicídio.

TIPOS DE DEPRESSÕES

DEPRESSÃO REATIVA Corresponde a 60% das depressões e surge a partir de


situações como perdas (luto, desemprego, aposentadoria...), doença física e uso de drogas
ou remédios
TRANSTORNO DEPRESSIVO MAIOR  Caracterizado pela combinação de sintomas que
interferem com a capacidade da pessoa trabalhar, dormir, estudar e comer. É incapacitante
e impede a pessoa de funcionar normalmente. Pode ocorrer apenas uma vez na vida da
pessoa, porém o mais frequente é que ele seja recorrente.
DISTIMIA Caracterizada por sintomas de depressão de longo prazo (2 anos ou mais)
porém menos intensos, os quais apesar de não serem incapacitantes podem impedir a
pessoa de funcionar normalmente ou sentir-se bem. Pessoas com distimia podem também
experimentar um ou mais episódios de depressão maior durante a vida.
DEPRESSÃO BIPOLAR – A vítima oscila momentos de humor (entre períodos de euforia ou
irritabilidade) com períodos de grande tristeza.
DEPRESSÃO PSICÓTICA – Forma grave de depressão, com delírios, alucinações,
comportamento desorganizado ou com catatonia (atitude de indiferença ao mundo exterior).
Há risco de suicídio.
DEPRESSÃO PÓS-PARTO – Ocorre após o parto, em um período chamado de puerpério.
Mulheres que já tenham enfrentado algum quadro de depressão no passado correm mais
riscos de ter o problema. A mãe apresenta séria propensão de cometer suicídio ou matar o
próprio filho.
DEPRESSÃO SAZONAL – Na maioria das vezes, inicia-se no outono ou no inverno e
apresenta melhora na primavera ou no verão. Tipicamente encontrada em países mais frios,
onde há pouca luminosidade em determinados períodos do ano.

TRATAMENTO

• Terapêutica farmacológica (Antidepressivo – Prozac (Fluoxetina) – “Pílula da Felicidade”


(Medicamento de tarja vermelha que não causa dependência)
• Psicoterapia.
• Tempo de tratamento: acima de 12 meses.

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10.1.2 – TRANSTORNO AFETIVO BIPOLAR (TABP)

O QUE É ?

O Transtorno afetivo bipolar (TABP) é um distúrbio psiquiátrico complexo. Sua


característica mais marcante é a alternância, às vezes súbita, de episódios de depressão com
os de euforia (mania e hipomania) e de períodos assintomáticos entre eles. As crises podem
variar de intensidade (leve, moderada e grave), frequência e duração.

O TABP pode iniciar na infância, geralmente com sintomas como irritabilidade intensa,
impulsividade e aparentes “tempestades afetivas”. Um terço dos indivíduos manifestará a
doença na adolescência e quase dois terços, até os 19 anos de idade, com muitos casos de
mulheres podendo ter início entre os 45 e 50 anos. Raramente começa acima dos 50 anos, e
quando isso acontece, é importante investigar outras causas.

CAUSAS

A causa exata do transtorno bipolar ainda é desconhecida, mas a ciência acredita que diversos
fatores possam estar envolvidos nas oscilações de humor provocadas pela doença, como:

 Peculiaridades biológicas: pessoas com transtorno bipolar parecem apresentar


diferenças físicas em seus cérebros, o que pode levar os cientistas a descobrirem as
causas exatas da doença
 Neurotransmissores: um desequilíbrio entre os neurotransmissores parece ser um
importante fator nas causas do transtorno bipolar
 Hereditariedade: pessoas que tenham parentes com histórico de transtorno bipolar são
mais suscetíveis à doença, o que leva muitos cientistas a acreditarem que a genética
possa estar envolvida nas causas da doença
 Meio ambiente: fatores exógenos, como estresse, abuso sexual e outras experiências
traumáticas (como a morte de algum ente querido), também podem estar relacionadas
ao desenvolvimento do transtorno bipolar.
 Sobretudo, uma psicodinâmica que inclua na infância e adolescência uma relação
oscilante da pessoa com o pai e a mãe (na ordem do incesto imaginário e, algumas
vezes, experimentado no abuso sexual), como se estivesse ensaiando as alternâncias
de humor do transtorno.

TIPOS

 TIPO 1 – A pessoa apresenta episódios de mania, que pode se manifestar como psicose
 TIPO 2 - Menos grave. A pessoa apresenta hipomania — fica acelerada, dorme mal, tem
exaltação de humor

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SINTOMAS

Os sintomas de transtorno bipolar dependem do tipo exato da doença e costumam variar de


pessoa para pessoa. Para alguns, os picos de depressão são os que causam os maiores
problemas. Para outros, a preocupação é maior durante os picos de mania. Pode acontecer,
também, de sintomas de depressão e hipomania acontecerem ao mesmo tempo.

Fase maníaca

 Distrair-se facilmente.
 Redução da necessidade de sono.
 Capacidade de discernimento diminuída
 Pouco controle do temperamento
 Compulsão alimentar, beber demais e/ou uso excessivo de drogas
 Manter relações sexuais com muitos parceiros
 Gastos excessivos
 Hiperatividade
 Aumento de energia
 Pensamentos acelerados que se atropelam
 Falar em excesso (logorreia)
 Autoestima muito alta (ilusão sobre si mesmo ou habilidades)
 Grande envolvimento em atividades
 Grande agitação ou irritação.

Fase depressiva

 Desânimo diário ou tristeza


 Dificuldade de se concentrar, de lembrar ou de tomar decisões
 Perda de peso e perda de apetite
 Comer excessivamente e ganho de peso
 Fadiga ou falta de energia
 Sentir-se inútil, sem esperança ou culpado
 Perda de interesse nas atividades que antes eram prazerosas
 Baixa autoestima
 Pensamentos sobre morte e suicídio
 Problemas para dormir ou excesso de sono
 Afastamento dos amigos ou das atividades que antes eram prazerosas.

O risco de tentativas de suicídio em pessoas com transtorno bipolar é grande. Os pacientes


podem abusar do álcool ou de outras substâncias, piorando os sintomas. Em alguns casos, as
duas fases se sobrepõem. Os sintomas maníacos e depressivos podem ocorrer juntos ou
rapidamente um após o outro. Isso recebe o nome de estado misto.

TRATAMENTO
 Psicoterapia
 Medicamentos estabilizadores do processo de ciclotimia: Lítio (Carbolitium, Litiocar,
Carbolim), Carbamazepina (Tegretol), Topiramato (Topamax) e outros.

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10.2 - TRANSTORNOS DE ANSIEDADE

10.2.1 – TRANSTORNO DE ANSIEDADE GENERALIZADA (TAG)

O QUE É ?

Transtorno de ansiedade generalizada, é um transtorno de ansiedade comum que envolve


nervosismo crónico, preocupação e tensão excessiva. Ao contrário de uma fobia, que o medo
sentido está ligado a uma coisa ou situação específica, a ansiedade associada ao transtorno
de ansiedade generalizada é difusa. Emerge um sentimento geral de medo ou inquietação que
afeta a funcionalidade da vida. Essa ansiedade é menos intensa do que num ataque de pânico,
mas muito mais duradoura, tornando a vida da pessoa muito difícil, dado que a pessoa fica
num estado de hipervigilância.

Quando a pessoa sofre de transtorno de ansiedade generalizada, pode preocupar-se com as


mesmas coisas que as outras. Questões de saúde, dinheiro, problemas familiares ou
dificuldades no trabalho. Mas eleva essas preocupações para um nível estratosférico.

Exemplo: Um comentário descuidado de um colega de trabalho sobre a economia torna-se


numa visão catastrófica eminente; um telefonema para um amigo que não é imediatamente
atendido, pode gerar a ansiedade extrema, transmitindo-lhe a ideia de que a relação está em
apuros. Às vezes, apenas o pensamento de ter que esperar que o dia passe, produz
ansiedade. Eventualmente encara as suas atividades com preocupação exagerada e tensão,
mesmo quando há pouco ou nada que provoque essa preocupação.

SENTIMENTOS TÍPICOS DE UMA PESSOA COM TAG

 “Eu não consigo fazer parar a minha mente … ela está-me deixando louco!”
 “Está ficando tarde, ele já deveria estar aqui há 20 minutos! Oh meu Deus, ele deve ter
tido um acidente! “
 “Eu não consigo dormir, só sinto medo … e não sei porquê!”

DIFERENÇA ENTRE PREOCUPAÇÃO “NORMAL” E TAG

As preocupações, dúvidas e medos são uma parte normal da vida. É natural ficarmos ansiosos
sobre nosso próximo teste ou preocupar-nos com as finanças após termos recebido contas
inesperadas para pagar. A diferença entre preocupação “normal” e transtorno de ansiedade
generalizada, é que a preocupação envolvida no TAG é: Excessiva, Intrusiva, Persistente,
Debilitante.

Por exemplo, depois de assistir a uma reportagem sobre um atentado terrorista no Médio
Oriente, a pessoa comum pode sentir uma sensação temporária de desconforto e
preocupação. Mas, se você tem transtorno de ansiedade generalizada, provavelmente, você
pode acordar durante a noite, e em seguida, continuar preocupado durante vários dias sobre
um cenário idêntico que possa ocorrer no local onde vive.

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SINTOMAS DO TAG

Sintomas psíquicos e comportamentais:

 Incapacidade de relaxar, desfrutar de momentos de quietude, ou ser você mesmo


 Dificuldade de concentração ou com foco nas coisas
 Dificuldade em expressar-se, porque sente-se oprimido
 Evita situações que fazem sentir-se ansioso

Sintomas físicos:

 Sensações de tensão (geralmente no pescoço), rigidez muscular ou dores no corpo


 Tem problemas para adormecer ou manter o sono porque a sua mente fica muito ativa
 Sentimento de inquietação
 Problemas de estômago, náuseas, diarreia
 Problemas na pele (Psoríase)
CAUSAS:

Biológicas:
 Desequilíbrio de neurotransmissores que ocorrem naturalmente em nosso cérebro, a
exemplo da serotonina, dopamina e norepinefrina.
 Fatores genéticos e hereditários
 Doenças cardíacas
 Hipotireoidismo e hipertireoidismo
 Menopausa

Psicológicas:
 A base psicodinâmica das ansiedades está no sentimento de desamparo.
 Afetos ligados a sentimentos primitivos de ter sido preterido a outrem (demanda de
amor)
 Traumas de infância: as crianças que sofreram abuso ou algum tipo de trauma, ou que
até mesmo testemunharam eventos traumáticos (grave enfermidade ou morte dos pais)
estão em maior risco de desenvolver transtorno de ansiedade generalizada em algum
momento da vida.
 Exposição precoce e contínua de bebês e crianças a tablets, smartphones, etc .
 Sobrecarga a crianças e adolescentes de atividades (curso de línguas, balet, academia,
aula de reforço, treinos esportivos, etc). A mensagem subliminar é: “seja melhor que
todo mundo”.

Abuso de substâncias

 Uso excessivo de drogas ou álcool pode piorar e até levar ao transtorno de ansiedade
generalizada.
 A cafeína e a nicotina, presente no cigarro, também podem aumentar a ansiedade e
conduzir o indivíduo à doença.
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TRATAMENTO E CUIDADOS

 Antidepressivos (tarja vermelha) e ansiolíticos (tarja preta)


 Psicoterapia (reconhecer e “furar” as fantasias)
 Evitar cafeína, drogas ilícitas
 Um estilo de vida saudável que inclua exercícios, descanso suficiente e boa alimentação
pode ajudar a diminuir o impacto da ansiedade

10.2.2 - TRANSTORNO DE PÂNICO (TP)

DEFINIÇÃO

 O Transtorno do Pânico (TP) caracteriza-se pela ocorrência de ataques de pânico


inesperados e recorrentes. A pessoa experimenta uma ansiedade indizível.
 Não existe um fator desencadeador do TP, como no Estresse Pós-Traumático (EPT),
mas acredita-se que o afeto do desamparo esteja presente na base do transtorno
experimentado em algum momento antigo da história da pessoa.
 Convém distinguir “ataque de pânico” de “Transtorno de Pânico”. Qualquer pessoa pode
ter um “ataque de pânico” diante de situações tensas e estressantes. Poderá
desenvolver, inclusive, o Estresse Pós-Traumático. Mas o TP caracteriza-se pela
continuidade dos sintomas em períodos que variam de pessoa para pessoa e podem ser
desde uma ou duas vezes por semana até várias vezes ao dia, levando a pessoa a uma
emergência cardiológica com frequência.

SINTOMAS

 Taquicardia
 Sensação de falta de ar, dificuldade de respirar, sufocamento.
 Formigamentos
 Vertigem, tontura
 Dor ou desconforto no peito
 Despersonalização, sensação de irrealidade
 Medos...medo de perder o controle, medo de enlouquecer, sensação de morte iminente,
medo de desmaiar.
 Sudorese
 Tremores
 Náuseas ou desconforto abdominal
 Calafrios ou ondas de calor
 Boca seca

Obs: Nem todos esses sintomas podem estar presentes nas crises, mas alguns sempre
estarão. Há crises mais completas e outras menores, com poucas manifestações. Os sintomas
começam de súbito e se acentuam rapidamente, muitas vezes acompanhados por uma

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sensação de catástrofe ou de morte iminente e por uma ânsia de escapar da situação. A


frequência dos ataques varia de pessoa para pessoa.

Enquanto, nas Fobias, a pessoa teme uma situação ou um objeto específico, fora dela, no
Pânico, ela teme o que ocorre no próprio corpo. Podemos considerar os casos de Pânico como
fobias nas quais o que assusta são as reações do próprio corpo; é para essas reações que se
volta a atenção, como deflagradoras das crises de Pânico.

O Pânico é um Transtorno de Ansiedade; isso significa que os sintomas têm como carro-chefe
a ansiedade - um estado emocional de apreensão, uma expectativa de que algo ruim aconteça,
um medo sem objeto definido, daí se afirmar que é o “medo de ter medo”.

A crise de Pânico é uma experiência de pico máximo de ansiedade levada ao extremo. O


pânico é o último grau do continuum crescente atenção-ansiedade-pânico.

ANSIEDADE ANTECIPATÓRIA

 A expectativa constante de ter uma nova crise é uma das características da Síndrome
do Pânico. Com essa ansiedade antecipatória, as pessoas passam a evitar certas
situações e acabam restringindo suas vidas.
 Podem ocorrer reações fóbicas secundárias, que geralmente estão relacionadas às
situações nas quais a pessoa teve as primeiras crises (no elevador, dirigindo, passando
por um determinado lugar etc.). A partir daí, a pessoa passa a associar essas situações
às crises.

TRATAMENTO

 O tratamento do TP é composto por Psicoterapia e medicação com antidepressivos e


ansiolíticos. Recomenda-se um período não inferior a 12 meses para se evitar recidivas.

10.2.3 - TRANSTORNO DE ESTRESSE PÓS-TRAUMÁTICO (TEPT)

TEPT: O QUE É ?

 O transtorno do estresse pós-traumático (TEPT) pode ser definido como um distúrbio da


ansiedade caracterizado por um conjunto de sinais e sintomas físicos, psíquicos e
emocionais.
 Esse quadro ocorre devido à pessoa ter sido vítima ou testemunha de atos violentos ou
de situações traumáticas que representaram ameaça à sua vida ou à vida de terceiros.
 Quando ele se recorda do fato, revive o episódio como se estivesse ocorrendo naquele
momento e com a mesma sensação de dor e sofrimento vivido na primeira vez.
 Essa recordação, conhecida como revivescência, desencadeia alterações
neurofisiológicas e mentais.

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TEPT: CAUSAS

 As causas do transtorno do estresse pós-traumático podem ser situações como atos


violentos, situações traumáticas que representaram ameaça à vida da pessoa ou à de
terceiros.

 Quando se fala de ameaça à vida, há várias dimensões da vida que podem ser
ameaçadas: dimensão física, dimensão psíquica (ameaças como assédio, humilhações
e outras violências psíquicas), dimensão social (micro e macro social) e ainda a
dimensão espiritual.

 Em todas estas dimensões podem haver situações de extrema violência ou ameaça e de


certa forma produzirem um quadro de estresse pós-traumático

TEPT: SINTOMAS

Os sintomas do transtorno do estresse pós-traumático se dividem em categorias


principais:

 Reexperiência traumática: pesadelos e lembranças espontâneas, involuntárias e


recorrentes (flashbacks) do evento traumático revivescência
 Fuga e esquiva: afastar-se de qualquer estímulo que possa desencadear o ciclo das
lembranças traumáticas, como situações, contatos ou atividades que possam se ligar às
lembranças traumáticas
 Distanciamento emocional: diminuição do interesse afetivo por atividades, pessoas, que
anteriormente eram prazerosas, diminuição de afetividade
 Hiperexcitabilidade psíquica: reações de fuga exagerados, episódios de pânico (coração
acelerado, transpiração, calor, medo de morrer...), distúrbios do sono, dificuldade de
concentração, irritabilidade, hipervigilância (estado de alerta)
 Sentimentos negativos: sentimentos de impotência e incapacidade em se proteger do
perigo, perda de esperança em relação ao futuro, sensação de vazio.

TEPT: TRATAMENTO

Os objetivos do tratamento do transtorno do estresse pós-traumático estão voltados a:

 Diminuir os sintomas
 Prevenir complicações
 Melhorar desempenho na escola ou no trabalho
 Melhorar relacionamentos sociais e familiares
 Tratar transtornos associados (como depressão e alcoolismo).

Psicoterapia (Terapia cognitivo-comportamental-TCC como preferencialmente recomendada)


por seis meses a um ano, complementada, em algumas ocasiões, com o uso de fármacos
como os ansiolíticos ou os antidepressivos de última geração (Assert, Paroxetina, Rivotril,
Sertralina)

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10.2.4 – FOBIAS ESPECÍFICAS (FE)

FE: O QUE SÃO?

 A fobia é um medo persistente e irracional de um determinado objeto, animal, atividade


ou situação que represente pouco ou nenhum perigo real, mas que, mesmo assim,
provoca ansiedade extrema.

 Fobia nem sempre é uma doença em si. Pode ser um sintoma de outra causa
subjacente – geralmente um transtorno mental. De qualquer forma, o medo sentido por
pessoas que têm fobia é completamente diferente da ansiedade que é natural dos seres
humanos.

 O medo, por si só, é uma reação psicológica e fisiológica perfeitamente que surge em
resposta a uma possível ameaça ou situação de perigo. Já a fobia não segue uma lógica
propriamente dita, e a ansiedade nesses casos é incoerente com o perigo real que
aquilo representa.

FE: TIPOS

De acordo com o Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais, a fobia simples


pode ser dividida em, pelo menos, cinco categorias:

 Animais (aranhas, cobras, sapos, baratas, cavalos etc.)


 Aspectos do ambiente natural (trovoadas, terremotos, etc.)
 Sangue, injeções ou feridas
 Situações (alturas, andar de avião, elevador ou metrô, etc.)
 Situações sociais (medo de falar em público, medo de lugares abertos)
 Outros tipos (medo de vomitar, contrair uma doença, etc.).

FE: CAUSAS

 A causa de muitas fobias ainda é desconhecida pelos médicos. Apesar disso, há fortes
indícios de que a fobia de muitas pessoas possa estar relacionada ao histórico familiar,
levando a crer que fatores genéticos possam representar um papel importante na origem
do medo persistente e irracional.

 No entanto, sabe-se também que as fobias podem ter uma ligação bastante direta com
traumas e situações passadas. Isso acontece porque a maioria dos problemas
emocionais e comportamentais é desencadeada por dificuldades que uma pessoa
enfrentou ao longo da vida. Todas as pessoas passam por momentos difíceis, mas
algumas delas podem desenvolver, com o tempo, sentimentos de angústia que podem
evoluir para um quadro de fobia.

FE: FATORES DE RISCO

Apesar de as causas de uma fobia não estarem totalmente esclarecidas, os médicos e


psiquiatras acreditam que uma série de fatores possa estar envolvida. Veja:

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 Idade: Alguns tipos de fobia se desenvolvem cedo, geralmente na infância. Outras


podem ocorrer durante a adolescência e há aquelas que também podem surgir no início
da vida adulta, até por volta dos 35 anos de idade.

 Histórico familiar: Se alguém de sua família tiver algum tipo fobia, você tem mais
chances de desenvolvê-la também. Esta poderia ser uma tendência hereditária, mas
especialistas suspeitam que crianças sejam capazes de aprender e adquirir fobia
somente observando as reações de uma pessoa próxima, da mesma família, a alguma
situação de pouco ou nenhum perigo.

 Características da personalidade: O risco de se desenvolver uma fobia específica


pode aumentar se a pessoa tiver características de personalidade difícil, for sensível e
tiver um comportamento mais inibido e retraído do que o normal.

 Evento traumático: Passar por uma situação traumática ou por uma série de eventos
traumáticos ao longo da vida podem levar ao desenvolvimento de uma fobia.

FE: SINTOMAS

Os sinais e sintomas dependem muito do tipo de fobia que a pessoa tem. No entanto,
independentemente do tipo, algumas características são notadas em todos os indivíduos que
apresentam fobias:

 Sentimento de pânico incontrolável, terror ou temor em relação a uma situação de pouco


ou nenhum perigo real
 Sensação de que você deve fazer todo o possível para evitar uma situação, algo ou
alguém que você teme
 Incapacidade de levar sua vida normalmente por causa de um medo ilógico
 Presença e aparecimento de algumas reações físicas e psicológicas, como sudorese,
taquicardia, dificuldade para respirar, sensação de pânico e ansiedade intensos, etc
 Saber que o medo que sente é irracional e exagerado, mas mesmo assim não ter
capacidade para controlá-lo.

FE: TRATAMENTO

O tratamento para a fobia tem como objetivo reduzir a ansiedade e o medo


provocados por motivo ilógico, irracional e exagerado, ajudando no gerenciamento das
reações físicas e psicológicas decorrentes deste medo.

 Psicoterapia (alguns preferem a TCC – Terapia Cognitivo Comportamental)

 Medicamentos betabloqueadores, antidepressivos e sedativos costumam ser os mais


recomendados ( Anafranil, Cloxazolam, Clomipramina, Olcadil)ra o tratamento de fobias
são:

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10.2.5 – TRANSTORNO OBSESSIVO COMPULSIVO (TOC)

TOC: O QUE É?

 O transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) é um distúrbio psiquiátrico de ansiedade


descrito na quinta edição do Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos
Mentais, o DSM-V (no termo em inglês) e na décima edição da CID (Classificação
Internacional de Doenças). Sua principal característica é a presença de crises
recorrentes de pensamentos obsessivos, intrusivos e em alguns casos comportamentos
compulsivos e repetitivos.
 Analogicamente falando, uma pessoa com TOC é como um disco riscado, que repete
sempre o mesmo ponto daquilo que está gravado. Pacientes com este transtorno sofrem
com imagens e pensamentos que os invadem insistentemente e, muitas vezes, sem que
consiga controlá-los ou bloqueá-los.
 Para essas pessoas, a única forma de controlar esses pensamentos e aliviar
ansiedade que eles provocam é por meio de rituais repetitivos, que podem muitas vezes
ocupar o dia inteiro e trazer consequências negativas na vida social, profissional e
pessoal. Esse ritual é chamado de compulsão, um tipo de comportamento irracional e
repetitivo que segue um padrão de regras e etapas extremamente rígido, geralmente
pré-estabelecido pela própria pessoa.
 É muito comum que pacientes com TOC acreditem que, se deixarem de cumprir o ritual,
algo terrível poderá acontecer. Esse comportamento tende a agravar-se à medida em
que a doença não é tratada ou diante de algum evento estressante ou traumático. Por
isso, o diagnóstico e o tratamento precoces são muito importantes e essenciais para a
recuperação.
 Estudos epidemiológicos coordenados pela Organização Mundial da Saúde (OMS)
mostram que aproximadamente 1 a 2% da população mundial tenha TOC. No Brasil, são
cerca de quatro milhões de pessoas sofrendo com este distúrbio psiquiátrico.

TOC: TIPOS

 Existem dois tipos de TOC: aquele no qual predominam os pensamentos obsessivos,


mas a pessoa sem necessariamente ter comportamentos compulsivos...
 ... e aquele caracterizado pelas obsessões e rituais que se repetem com frequência, cuja
ansiedade só pode ser aliviada e controlada por meio dos rituais, que são repetidos
compulsivamente e que chegam a atrapalhar diretamente na vida de quem sofre com a
doença e de pessoas próximas.

TOC: CAUSAS

 Os médicos ainda não são capazes de entender completamente o que está por trás do
transtorno obsessivo-compulsivo, mas podem ser listadas algumas daquelas que se
repetem nos casos clínicos.
 Na biologia temos casos de disfunção cerebral no córtex orbital e alterações nos
neurotransmissores (deficiência de Serotonina).
 Herança genética.
 Causas psicológiocas: abordagem psicodinâmica: Esta é a teoria que afirma que
distúrbios no desenvolvimento sexual e desejos inconscientes estão no coração do
TOC. Quanto ao desenvolvimento, a teoria é de que o conflito entre o pensamento e o
raciocínio parte da mente e a parte que quer sua própria maneira é tratada de uma
forma instável pela criança e que causa problemas mentais na vida adulta. Um exemplo
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pode ser um verificador compulsivo de torneiras que, de acordo com esta teoria, queria
inundar a casa quando criança. Com os desejos inconscientes, a teoria pode dizer que,
por exemplo, a pessoa que teme atropelar pessoas com seu carro realmente quer fazer
isso. Para manter a isso fora de sua consciência, ela usa uma enorme quantidade de
energia que dá ao pensamento uma qualidade obsessiva e causa estresse, culpa,
vergonha.
 Traumas infantis, situações de abandono e abuso sexual.
 Convém mencionar que é preciso escutar a pessoa pois não se pode estabelecer de
antemão uma causa provável dentro de um “menu de causas”. Cada ser é ímpar no
mundo. É preciso escutar sua história.

TOC: SINTOMAS

Uma obsessão consiste em uma série de imagens, pensamentos e ideias que


vêm à cabeça da pessoa insistente e repetidamente, sem que ela possa controlar.
Geralmente, a obsessão vem seguida da compulsão, que nada mais é do que uma
forma de se livrar da própria ansiedade por meio de rituais e comportamentos repetidos
e irracionais. No entanto, a obsessão em uma pessoa com TOC também pode
manifestar-se isoladamente. Os casos obsessivos mais comuns na doença são:

 Pensamentos agressivos, de autoagressão ou outros pensamentos de carga negativa.


 Pensamentos indesejados, incluindo de temas sexuais ou religiosos.
 Obsessão por limpeza, que são, geralmente, resultado de um medo irracional de
contaminação ou sujeira. Exemplos: pessoas que passam horas no banheiro, tomando
banho ou que lavam as mãos durante um bom tempo ou muitas vezes por dia
demoradamente. Há casos de pessoas que usam uma roupa pela primeira vez e quando
a tiram não suportam reutilizá-la sem antes lavar ou até podem jogar no lixo.
 Fixação por uma organização rígida, que segue obrigatoriamente uma determinada
ordem e simetria. Aversão a números ímpares. Casos onde pessoas só conseguem
andar na rua ou em determinados locais se pisarem apenas em partes da cerâmica do
piso. Ou ainda pessoas que contam postes e arvores na rua.
 Hábitos nervosos, como depois de sair de casa voltar para ver se deixou luzes,
ventiladores ligados ou a porta aberta. Isso seis, sete, dez vezes ou mais.
 Sintomas podem envolver rituais (O comendador, personagem de Alexandre Nero da
novela Império, Globo, 2014/2015).
 O fundamental no TOC é que se a pessoa não praticar a obsessão entrará em grande
sofrimento.

TOC: TRATAMENTO

 De acordo com a ciência médica TOC não tem cura, mas o tratamento disponível para o
transtorno pode ajudar a controlar os sintomas e evitar que eles interfiram ainda mais na
qualidade de vida do paciente. Em geral pessoas precisam de tratamento por toda vida, seja
somente com medicação ou associado com outras abordagens como psicoterapia.
 As duas principais abordagens de tratamento para TOC são a psicoterapia e o uso de
medicamentos. No entanto, o tratamento é mais eficaz quando há uma combinação das duas.
 Psicoterapia de base Cognitivo comportamental tem sido a mais indicada. Mas a linha
psicanalítica também é eficiente, isso porque não resolve apenas combater o sintoma,
mas também deve-se chegar às raízes do sintoma.
 Medicamentos: costuma-se optar primeiramente por antidepressivos, porém outras medicações
como antipsicóticos e ansiolíticos também são usadas para tratar ou controlar os sintomas.
Anafranil, Assert, Citalopram, Clomipramina, Escitalopram, Fluoxetina, Paroxetina, Sertralina.
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10.3 - TRANSTORNOS DE PERSONALIDADE

Para identificar pessoas com transtorno de personalidade é importante observar


comportamento inflexível e invasivo (por exemplo, o esquizóide), com alcance em ampla gama
de situações pessoais e sociais. O sujeito revela-se desadaptado ao mundo circundante, ao
outro: ou ele sofre (anancástico/ Borderline/histriônico) ou faz sofrer (psicopata), de acordo com
Jaspers (citado por SOUZA, 2004).

O comportamento leva clinicamente a um significante desconforto e prejuízo nas áreas


de funcionamento social e ocupacional, ou outra área importante de funcionamento. O padrão
é estável, de longa duração e deve iniciar, pelo menos, na adolescência ou início da idade
adulta. Não se trata de “estar”, mas de “ser” (EY&BRISSET citado por SOUZA, 2004).

Estudaremos apenas o TPB – Transtorno de Personalidade Borderline

10.3.1 – TRANSTORNO DE PERSONALIDADE BORDERLINE – TPB - (LIMÍTROFE)

TPB: O QUE É ?

 O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) é uma condição mental grave e


complexa cujos sintomas instáveis e pungentes podem invadir o indivíduo de modo
súbito, caótico, avassalador e desenfreado.
 Os critérios diagnósticos de TPB segundo o DSM-5 compreendem um padrão de
instabilidade das relações interpessoais, da autoimagem e dos afetos e de impulsividade
acentuada que surge no começo da vida adulta e está presente em vários contextos .
 O termo TPB foi usado pela primeira vez em 1884 e desde então passou por diversos
conceitos ao longo dos anos. Originalmente designava um grupo de pacientes que vivia
no limite da sanidade (daí o termo limítrofe), ou seja, na fronteira (borda, borderline)
entre a neurose e a psicose.

TPB: CAUSAS

 Fatores genéticos O TPB é cinco vezes mais frequente em parentes biológicos de 1º


grau de pessoas com o transtorno do que na população em geral. É relevante a
presença de pais borderlines (um ou ambos) na história clínica desses pacientes

 Instabilidade familiar Impacto do ambiente familiar no desenvolvimento da criança


pode ser um fator causal importante. Cerca de 80% dos pacientes com TPB veem o
casamento de seus pais como muito conflituoso. Muitos desses pacientes passaram por
negligência e abusos físicos e sexuais dentro da família. Porém, há pacientes com TPB
com familiares absolutamente comuns, sem nada de anormal.

 Educação autoritária O TPB seria também a consequência de uma educação muito


autoritária, onde pais rígidos sempre imporiam seus desejos. Com o tempo as tentativas
de autoafirmação da criança sucumbiriam aos desejos dos pais e ela se habituaria a se
submeter sempre aos pais, desenvolvendo dúvidas sobre a própria capacidade e

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vergonha pelos seus fracassos. Aos poucos a criança iria parando de tentar expressar
as suas vontades podendo levar a falhas na clarificação psíquica de si e do outro.

 Pessoas com TPB também são mais propensas a reportarem que os cuidadores de
ambos os sexos negavam validação de seus pensamentos e sentimentos. Cuidadores
também foram reportados por terem falhado em prover a proteção necessária e por
terem negligenciado os cuidados físicos com suas crianças.

TPB: SINTOMAS / CARACTERÍSTICAS

 Indivíduos com TPB se caracterizam especialmente por sofrerem grande instabilidade


emocional, desregulação afetiva excessiva, sentimentos intensos e polarizados do tipo
“tudo ótimo e tudo péssimo” ou “eu te adoro e eu te odeio”, angústia de abandono,
percepção de invasão do self, entre outros, que não raro geram comportamentos
impulsivos perigosos sendo comum a presença recorrente de atos autolesivos,
tentativas de suicídio e sentimentos profundos de vazio e tédio. O início do transtorno
pode ocorrer na adolescência ou na idade adulta e o uso dos recursos de saúde e saúde
mental é expressivo nesses pacientes.
 Pessoas com Transtorno de Personalidade Borderline são verdadeiros vulcões prontos a
explodir a qualquer instante. Elas apresentam alterações súbitas e expressivas de
humor e suas relações interpessoais são intensas e instáveis sendo muito difícil o
convívio próximo com elas.
 Elas temem o abandono real ou temido (imaginário).
 Com frequência vivenciam sentimento crônico de vazio e reação pungente ao estresse,
protagonizando sucessivas ameaças (ou tentativas) de suicídio e automutilação.
 Impulsividade em áreas potencialmente autodestrutivas (gastos, sexo, abuso de
substância, direção irresponsável, compulsão alimentar)
 Sentimentos crônicos de vazio
 Raiva intensa e inapropriada ou dificuldade em controlá-la (mostras frequentes de
irritação, raiva constante, brigas físicas recorrentes)
 Sentimentos persistentes de vazio e tédio. Dúvidas a respeito de si, de sua identidade
como pessoa, de seu comportamento sexual, de sua carreira profissional.
 O modus operandis desses pacientes traz um sofrimento enorme tanto para si próprios
como para os que com eles convivem. Uma só palavra mal colocada, uma situação
inesperada sem relevância ou uma leve frustração pode levar o borderline a um acesso
de raiva e ódio que duram em média poucas horas.
 Outra característica importante é que o borderline nem sempre sabe lidar com o êxito. É
comum que eles abandonem ou destruam seus alvos e metas justo quando a
perspectiva de consegui-las é real e próxima.
 A pessoa com TPB é muito “pegajosa” em relação ao objeto de amor, fazendo muitas
vezes com que o outro se sinta “sufocado”. Suas relações são frequentemente intensas
mas sempre confusas e instáveis.
 Apesar do mundo borderline se caracterizar por uma instabilidade de humor, não se
deve confundi-lo com o Transtorno Afetivo Bipolar (TABP). Isso, porque as alterações de
alegria e tristeza no borderline são curtas e rápidas, enquanto que no Bipolar essas
alterações são mais demoradas, constituindo fases prolongadas de euforia e de
depressão.

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TPB: TRATAMENTO

 O tratamento inicial do Transtorno de Personalidade Borderline é a psicoterapia. Ela


ajudará o paciente a controlar melhor seus impulsos e entender seu comportamento.
 Mas é preciso fazer uma terapia específica: o terapeuta deve ser mais ativo, mais
próximo, mais participante. O borderline é uma pessoa que sofre muito. Ele pode oscilar
o humor e romper com as relações que poderiam dar certo. Os atendimentos demandam
muita energia do especialista, isso porque a pessoa acha que ele tem que deixar sempre
um canal aberto para o paciente, seja de dia ou de noite ou madrugada ou nos finais de
semana e inclusive durante viagens e férias. Ou ainda, acreditar que o psiquiatra tem
que estar à disposição 24 horas por dia.
 A duração do tratamento é longa. Não inferior a três anos.
 Quanto ao tratamento medicamentoso, uma revisão de 2010 da Colaboração Cochrane
(organização criada para responder à necessidade de organizar de forma sistemática os
resultados de investigação em medicina) evidenciou que nenhuma medicação
demonstrou ser promissora para "os sintomas principais de TPB como sentimento de
vazio crônico, perturbações de identidade e abandono." Entretanto, os autores
descobriram que alguns medicamentos podem afetar sintomas isolados associados ao
TPB ou as suas comorbidades.
 Em geral são utilizados antipsicóticos como o Haloperidol (para reduzir a raiva) e
o Flupentixol (para reduzir as chances de comportamento suicida), o Aripiprazol (para
reduzir problemas interpessoais, impulsividade, raiva, sintomas psicóticos paranóides,
depressão, ansiedade e patologias psiquiátricas gerais), a Olanzapina (para diminuir a
instabilidade afetiva, raiva, sintomas psicóticos paranóides e ansiedade).
 Também são utilizados estabilizadores do humor como Valproato semisódio (para aliviar
a depressão, problemas interpessoais e raiva), Lamotrigina (para reduzir impulsividade e
raiva), Topiramato (para aliviar problemas interpessoais, impulsividade, ansiedade,
raiva). Poucos antidepressivos são eficientes no tratamento do TPB.

10.4 - TRANSTORNOS MENTAIS

Os transtornos mentais, em geral, são aqueles nos quais a pessoa sai da realidade e
vive num mundo que é só dela, alternando momentos de realidade e fora da realidade. Com a
cronicidade da doença por falta de tratamento a pessoa poderá não voltar mais à realidade.
Estudaremos apenas a Esquizofrenia.

10.4.1 – ESQUIZOFRENIA

O QUE É?

 A esquizofrenia é uma doença mental crônica que se manifesta na adolescência ou


início da idade adulta. Sua freqüência na população em geral é da ordem de 1 para
cada 100 pessoas, havendo cerca de 40 casos novos para cada 100.000 habitantes por
ano.
 No Brasil estima-se que há cerca de 1,6 milhão de esquizofrênicos; a cada ano cerca de
50.000 pessoas manifestam a doença pela primeira vez. Ela atinge em igual proporção
homens e mulheres, em geral inicia-se mais cedo no homem, por volta dos 20-25 anos
de idade, e na mulher, por volta dos 25-30 anos.

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CAUSAS

 A hereditariedade tem uma importância relativa, sabe-se que parentes de primeiro


grau de um esquizofrênico tem chance maior de desenvolver a doença do que as
pessoas em geral. Por outro lado, não se sabe o modo de transmissão genética da
esquizofrenia.
 Fatores ambientais (p. ex., complicações da gravidez e do parto, infecções, entre
outros) que possam alterar o desenvolvimento do sistema nervoso no período de
gestação parecem ter importância na doença. Estudos feitos com métodos modernos
de imagem, como tomografia computadorizada e ressonância magnética mostram que
alguns pacientes tem pequenas alterações cerebrais, com diminuição discreta do
tamanho de algumas áreas do cérebro.
 Fatores psicodinâmicos: Entramos aqui no campo da Psicanálise, a qual trabalha a
Esquizofrenia enquanto estrutura clínica, a saber, a Psicose. Para a Psicanálise essa
estrutura se forma nas relações primárias (pai, mãe, avô, avó ou cuidadores diretos),
existindo ali as funções (simbólicas) materna e paterna. Lacan introduziu o conceito de
“O Nome-do-Pai”, uma instância simbólica (não é a figura física do pai) que, na tríade
“pai-filho-mãe” faria a interdição entre a relação “gozoja” entre mãe-filho(a), posto que
o primeiro amor da criança é a mãe. Na relação intersubjetiva entre a mãe e o filho,
um imaginário se constitui. O filho constata que a mãe deseja outra coisa (o falo), que
não o objeto parcial que ele, filho, representa. Um pai é sempre alguém que vem para
fazer corte na simbiose mãe-filho e a partir daí a criança inicia a organização de sua
subjetividade. A função paterna propicia a proibição do incesto, interdito que vem
barrar o gozo da mãe e do filho, exigência da Lei que insere o sujeito na cultura. Eis a
passagem da Lei da natureza para a Lei da cultura. O Nome-do-Pai é o guardião do
limite ao gozo que se chama castração. É fundamental que o significante paterno
esteja na Mãe, ou seja, que ela renuncie ao seu próprio gozo de querer possuir o filho
como um falo, presentificando o pai simbólico, fundamento de onde se origina para a
criança a autoridade paterna, a lei. É isso que concerne a função paterna, mesmo nos
casos da criança ter sido deixada só com a mãe. A carência paterna deve ser vista em
relação ao sujeito, à criança, membro do trio fundamental da família. O pai intervém
como proibidor do filho à mãe, é aí que o pai está ligado à Lei primordial, a Lei da
proibição do incesto. É fundamental que o significante paterno esteja na Mãe. Isso é
muito difícil de ocorrer em mães “hiperdominadoras”. Geralmente elas casam com
homens mais “fracos” e submissos, incapazes de fazer esse corte do “Nome-do-Pai.
Na psicose não há passagem suficiente do significante paterno. Na psicose vai haver
a foraclusão do “Nome-do-Pai”. O significante paterno não está na Mãe. A pessoa se
“perde”, se “funde” com a mãe.

SINTOMAS

1. Delírios: são ideias falsas, das quais o paciente tem convicção absoluta. Por
exemplo, ele se acha perseguido ou observado por câmeras escondidas, acredita
que os vizinhos ou as pessoas que passam na rua querem lhe fazer mal.

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2. Alucinações: são percepções falsas dos órgãos dos sentidos. As alucinações mais
comuns na esquizofrenia são as auditivas, em forma de vozes. O paciente ouve vozes
que falam sobre ele, ou que acompanham suas atividades com comentários. Muitas
vezes essas vozes dão ordens de como agir em determinada circunstância. Outras
formas de alucinação, como visuais, táteis ou olfativas podem ocorrer também na
esquizofrenia.

3. Alterações do pensamento: as ideias podem se tornar confusas, desorganizadas ou


desconexas, tornando o discurso do paciente difícil de compreender. Muitas vezes o
paciente tem a convicção de que seus pensamentos podem ser lidos por outras pessoas,
ou que pensamentos são roubados de sua mente ou inseridos nela.

4. Alterações da afetividade: muitos pacientes tem uma perda da capacidade de reagir


emocionalmente às circunstancias, ficando indiferente e sem expressão afetiva. Outras
vezes o paciente apresenta reações afetivas que são incongruentes, inadequadas em
relação ao contexto em que se encontra. Torna-se pueril e se comporta de modo
excêntrico ou indiferente ao ambiente que o cerca.

5. Diminuição da motivação: o paciente perde a vontade, fica desanimado e apático,


não sendo mais capaz de enfrentar as tarefas do dia a dia. Quase não conversa, fica
isolado e retraído socialmente.

TIPOS DE ESQUIZOFRENIA

Os sintomas apresentados até agora podem acontecer em todos os tipos e formas de


Esquizofrenia. O que distingue uma forma da outra é a freqüência e intensidade dos
sintomas. As formas conhecidas de Esquizofrenia são: Paranoide (fácil diagnóstico),
Hebefrência (fácil diagnóstico), Catatônica (fácil diagnóstico), Simples (Difícil diagnóstico) e
Residual (Difícil diagnóstico). Vejamos a seguir as principais características de cada tipo de
Esquizofrenia.

1.5.1 – Paranóide - É a forma mais comum e de melhor diagnóstico. Aparecem aqui com
frequência alterações do juízo de realidade e da sensopercepção, como por exemplo, delírios
e alucinações (geralmente auditivas) bem sistematizados. O quadro do paciente lembra muito
o da doença chamada Paranoia (A paranoia é uma doença constituída de um único sintoma:
delírios).

1.5.2 – Hebefrênica – A esquizofrenia hebefrênica é uma forma caracterizada pela presença


proeminente de uma perturbação dos afetos; as ideias delirantes e as alucinações são
fugazes e fragmentárias, o comportamento é irresponsável e imprevisível; existem
frequentemente maneirismos. O afeto é superficial e inapropriado. O pensamento é
desorganizado e o discurso incoerente. Há uma tendência ao isolamento social. Geralmente
o prognóstico é desfavorável devido ao rápido desenvolvimento de sintomas "negativos",
particularmente um embotamento do afeto e perda da volição. A hebefrenia deveria
normalmente ser somente diagnosticada em adolescentes e em adultos jovens Tende a
acontecer mais precocemente (na adolescência). O quadro que apresenta é de
desorganização geral do sujeito, muitas vezes confundido com o retardo mental, dada a
puerilidade apresentada que implica o doente em estereotipias infantis.
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1.5.3 – Catatônica – As principais e frequentes alterações ocorrem na volição,


sensopercepção, linguagem e psicomotricidade. Quadros de hipo ou acinesia (baixa ou
ausência de movimentos) são frequentes, levando o indivíduo a um estado de estupor. É
como se o indivíduo fosse um boneco de cera, podendo ficar assim por horas. Alguns
catatônicos ficam com uma rigidez tal em seus movimentos que, dependendo da intensidade,
eles podem entrar num estado de catalepsia, que só ocorre se não houver medicação prévia.
Existe também o mutismo originado por uma capacidade psíquica momentânea. Vê-se
também o negativismo, uma postura de oposição, de não ser responsivo ao outro. É comum
ver nas emergências psiquiátricas pacientes que, ao serem entrevistados pelo médico, não
respondem a uma só pergunta (negativismo total), culminando, no fim da entrevista, com o
que se chama de obediência automática, ou seja, o doente atende a uma orientação do
médico, sem nada falar, como por exemplo, tomar uma medicação. Um quadro raro de
acontecer é o furor catatônico. O indivíduo pode estar numa situação de estupor e, de
repente, “explode”. Acredita-se que esse estado deve-se às más intervenções de alguém que
esteja do lado do doente, pensando que está ajudando. Outra coisa importante é a descrição
facial do catatônico: expressão de perplexidade, olhar de desconfiança, um “ômega” na testa
e a boca em forma de bico.

1.5.4 – Simples – Apesar do nome, é a forma mais rara e a mais grave de Esquizofrenia. O
que caracteriza essa forma é a instalação lenta e progressiva dos sintomas e o
comprometimento gradual da personalidade, processo em que a pessoa vai ficando cada vez
mais isolada, reclusa, numa postura autista. O tratamento medicamentoso é de pouca valia,
pois a tendência é que a pessoa vá “afundando” cada vez mais em sua reclusão, até chegar
a um estado irreversível.

1.5.5 – Residual – Trata-se de uma forma crônica de Esquizofrenia. Por exemplo, se o


doente tiver como característica a presença de delírios (paranóide), mesmo com o
tratamento, essa sintomatologia poderá não sumir e o delírio se tornará crônico. A seguir, um
testemunho: Tenho um primo que, aos 20 anos, começou a ouvir vozes e a delirar com
episódio hipotéticos que só aconteciam na cabeça dele. Em 1999, ele se jogou pela janela
num acesso de alucinação e o pai conseguiu segurar-lhe pelos pés até chegar alguém que o
ajudou a colocar o meu primo dentro de casa. Foi levado para um sanatório e lá permaneceu
por 10 dias. Após, iniciou tratamento em consultório médico e vive à base de remédios.
Atualmente, em 2008, ele está com 34 anos e "parece uma pessoa normal" mas somente à
base de remédios fortíssimos. O diagnóstico é Esquizofrenia Residual-CID 10 F 20.5 para
somente buscar a medicação gratuita no Hospital Juliano Moreira em Salvador” (Fonte:
http://esquizofrenia-enf.blogspot.com/2006/02/esquizofrenia-residual.html).

TRATAMENTO

O tratamento da esquizofrenia visa ao controle dos sintomas e a reintegração do


paciente. O tratamento da esquizofrenia requer duas abordagens: medicamentosa e
psicossocial. O tratamento medicamentoso é feito com remédios chamados antipsicóticos
ou neurolépticos. Eles são utilizados na fase aguda da doença para aliviar os sintomas

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psicóticos, e também nos períodos entre as crises, para prevenir novas recaídas. A
maioria dos pacientes precisa utilizar a medicação ininterruptamente para não ter novas
crises. Assim o paciente deve submeter-se a avaliações médicas periódicas; o médico
procura manter a medicação na menor dose possível para evitar recaídas e evitar
eventuais efeitos colaterais. As abordagens psicossociais são necessárias para promover
a reintegração do paciente à família e à sociedade. Devido ao fato de que alguns
sintomas (principalmente apatia, desinteresse, isolamento social e outros) podem persistir
mesmo após as crises, é necessário um planejamento individualizado de reabilitação do
paciente. Os pacientes necessitam em geral de psicoterapia, terapia ocupacional, e
outros procedimentos que visem ajudá-lo a lidar com mais facilidade com as dificuldades
do dia a dia.

A FAMÍLIA DA PESSOA COM ESQUIZOFRENIA

Os familiares são aliados importantíssimos no tratamento e na reintegração do


paciente. É importante que estejam orientados quanto à doença esquizofrenia para que
possam compreender os sintomas e as atitudes do paciente, evitando interpretações
errôneas. As atitudes inadequadas dos familiares podem muitas vezes colaborar para a
piora clínica do mesmo. O impacto inicial da notícia de que alguém da família tem
esquizofrenia é bastante doloroso. Como a esquizofrenia é uma doença pouco conhecida
e sujeita a muita desinformação as pessoas se sentem perplexas e confusas.
Frequentemente, diante das atitudes excêntricas dos pacientes, os familiares reagem
também com atitudes inadequadas, perpetuando um círculo vicioso difícil de ser rompido.
Atitudes hostis, críticas e superproteção prejudicam o paciente, apoio e compreensão são
necessários para que ele possa ter uma vida independente e conviva satisfatoriamente
com a doença.

11. POSTURA DA IGREJA E DA TEOLOGIA DIANTE DOS TRANSTORNOS MENTAIS,


AFETIVOS, DO HUMOR, DE ANSIEDADE E DA PERSONALIDADE (Por Marcos A M Bittencourt)

É muito comum na Igreja aceitar o fato de que um cristão pode ficar enfermo do corpo
(embora existam alguns grupos fundamentalistas que defendem que se alguém adoece é
porque está em pecado) e inclusive ninguém questiona um crente que procura um cardiologista
ou um gastroenterologista para se consultar e fazer um tratamento medicamentoso. Porém
quando a enfermidade é da alma, ou seja, dos afetos, das emoções, do humor e da mente,
alguns acreditam que o problema é espiritual e tem a ver com algum pecado cometido pela
pessoa.

Muitos dos que criticam crentes que têm transtornos psicológicos se esquecem que
apesar de termos sido criados à imagem e semelhança de Deus, nos tornamos pecadores com
o pecado dos nossos primeiros pais. O pecado, por sua vez, criou uma barreira entre nós e
Deus e, a partir daí, fomos inseridos no campo do “in” (“im”) : insanos, insuficientes, insalubres,

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imperfeitos, intolerantes, ingratos. É essa precariedade que caracteriza o humano e pelo fato
de sermos humanos e pecadores adoecemos no corpo, na alma e no espírito.

Quando a Bíblia fala em Êxodo 20:5 que o Senhor visita “a maldade dos pais sobre os
filhos até a terceira e quarta gerações...” podemos fazer comparações com aquilo que a
Ciência tem descoberto sobre a herança genética e também herança comportamental dos
transtornos psíquicos. Lembro que essa herança não é “fatal”, é “facilitadora” para o
desenvolvimento de um transtorno psíquico.

Existe no inconsciente coletivo dos crentes a necessidade de ser verem diferentes de


quem não professa a fé cristã pelo fato de sermos “nova criação” (II Cor.5:17) em Cristo Jesus.
Entretanto, a nova criação diz respeito à mudança do caráter conforme temos no quarto
capítulo do livro de Efésios. A alma e o corpo seguem passíveis das vicissitudes da vida. O
próprio apóstolo Paulo teve que conviver com os conflitos da alma e do corpo (Rm.7:15-23, II
Cor.12:7). Além do mais, muitas vezes, com nossas interpretações teológicas, duplicamos a
culpa de quem já traz no corpo e na alma um peso de culpa, mormente com o transtorno
depressivo. Como poder infligir a alguém (“falta de fé”) que está enfrentando a depressão
reativa após ter perdido uma figura importante como pai, mãe, cônjuge, filho ou filha,
enfrentando um luto de difícil elaboração? Rosa (2003) chega a ironizar essa compreensão
simplista de muitos crentes afirmando que a igreja mais parece ser um clube social dos
“ótimos”.

Hoch e Noé (2003, p.73) falam da “divina vocação da igreja”, passando pela
compreensão de Lutero da igreja como “hospital para pecadores” e de Jesus, aquele que veio
para os enfermos e não para os sãos (Mc.2:17). Diante dessa compreensão todos nós
teríamos, tivemos ou temos algum tipo de transtorno por mais leve que seja. A igreja, seria na
compreensão de Hoch e Noé (2003, p.73) “o local onde os doentes podem encontrar a cura, o
alívio e o conforto que tanto precisam”. Mas o que vemos é que na maior parte das vezes a
igreja é o local onde se promove o adoecimento e uma vez adoecidas, as pessoas encontram a
rejeição, o julgamento e a exclusão. Como levar a termo as palavras de Jesus em João 6:37:
“Aquele que vem a mim de modo nenhum lançarei fora” ? Essas palavras se aplicam também
àqueles que enfrentam algum tipo de transtorno ou sofrimento psíquico, certamente. Com base
nessa premissa, Hoch e Noé (2003, p.74) postulam três fundamentos bíblicos para o
acolhimento do ser humano na igreja: “a visão bíblica da integralidade humana”, “a imagem
bíblica da igreja como um corpo” e “a ênfase bíblica no relacionamento fraterno”.

Sobre o(a) pastor(a) e seu relacionamento com a pessoa que sofre de algum transtorno
psicológico, esses autores levantam algumas observações importantes:

b) O(a) pastor(a) participa de momentos tão importantes da vida do crente tais como
nascimento, batismo, formatura, casamento, enfermidades, luto, etc. Ao lado da
família, o pastor é muitas vezes o único que pode estar ao lado de uma pessoa
que tem transtornos psíquicos.
c) Nesse sentido o(a) pastor(a) deve estar capacitado(a) para identificar transtornos
psíquicos de manifestações espirituais normais. Assim, deve evitar de “embarcar
na onda” de alguns que reclamam por cultos mais “avivados”, demandas de
manifestações miraculosas e do “Espírito Santo”, onde na verdade, só revelam
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pessoas histéricas que podem promover histeria coletiva (fenômenos grupais


estudados pela Psicologia de Grupo).
d) O(a) pastor(a) deve se colocar ao lado da pessoa com depressão para motivá-la
e aliviar seu fardo, buscando a força da Graça de Deus para que ela possa “olhar
para um horizonte além de si mesma” (HOCH & NOÉ, 2003, p.80). Deve também
prover encaminhamento para tratamento especializado.
e) Outro fator ao qual o(a) pastor(a) deve estar atento(a) é para alguns crentes que
mudam bruscamente de comportamento, apresentando-se como “capazes, que
cantam melhor, que pregam melhor, que poderiam substituir o pastor pelas suas
qualidades”. Isso poderia configurar um quadro de insegurança emocional próprio
da fase eufórica do Transtorno Afetivo Bipolar (TAPB).
f) Os autores falam também de pessoas dentro da igreja que se dizem perseguidas
no trabalho, pelos vizinhos, pelos parentes e até por membros da igreja,
queixando-se de que sempre estão armando contra elas. O(a) pastor(a) também
pode ser um alvo desse tipo de pessoa e poderá, provavelmente, estar diante de
uma pessoa com transtorno psicótico.
g) Outras situações de psicose na igreja são relatadas pelos autores em casos de
pessoas que dizem ter revelações especiais ou visões de Jesus, da virgem Maria,
etc. “Sem questionar a veracidade dos fatos, o pastor precisa estar atento ao que
na realidade correspondem tais manifestações. São de fato sobrenaturais?
Promovem o evangelho? Vão edificar a igreja? Estão de acordo com o que diz a
Escritura?” (HOCH & NOÉ, 2003, p.81). Muitas vezes tais “revelações” estão a
serviço de interesses particulares, inconscientes ou conscientes, manifestando,
inclusive, pessoas que estão vivendo em pecado. Convém lembrar que o
psicótico narra suas fantasias com profunda convicção, realismo e com um
discurso bem estruturado.
h) Os autores estendem o cuidado pastoral também aos líderes da igreja, muitos
dos quais se engajam compulsivamente nas atividades, esquecendo do tempo
para si mesmo e para a família. “A necessidade de ser amado leva o sujeito a
uma tentativa neurótica de agradar a todos” (HOCH & NOÉ, 2003, p.81),
principalmente à figura de autoridade principal que pode representar afetivamente
e transferencialmente para o neurótico o pai ou a mãe que, em princípio, tenham
negado amor na infância ou tenham preterido esse filho em relação a outros. “Sua
autoestima e identidade se baseiam no que os outros pensam e dizem a seu
respeito” (HOCH & NOÉ, 2003, p.81). Essas pessoas se cobram muito, o que
pode implicar que elas cobram também dos outros, inclusive do pastor, do seu
rendimento, de sua produtividade, da igreja, do líder do outro ministério, etc. Para
os autores, pessoas desse tipo “podem estar sofrendo de uma neurose
obsessiva-compulsiva manifestada com a carapuça da diaconia, do zelo ou do
fervor religioso (HOCH & NOÉ, 2003, p.82).
i) Por fim, o(a) pastor(a), no trato com crentes com transtornos especiais, como os
casos de psicose, deve tomar cuidado na abordagem tanto com a pessoa quanto
com a família. Com a pessoa, para não expô-la a situações constrangedoras e
prejudiciais ao seu estado mental diante da igreja. Com a família, para que a
mesma seja comunicada daquilo que foi identificado na observação do(a)
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pastor(a). Recomenda-se chamar aquele membro da família mais consciente e de


diálogo para explicar a situação, isso porque é muito comum na igreja da família
não aceitar o diagnóstico médico da esquizofrenia, acreditando mais em uma
possibilidade de problemas espirituais. Se a família tem resistência a um médico
psiquiatra, recomenda-se encaminhar a pessoa para um clínico para que esse,
por sua vez, possa convencer a família do diagnóstico correto. O importante é
que o(a) pastor(a) esteja sempre ao lado da pessoa e de sua família. O trabalho
de integração do crente com sintomas psicóticos ao culto divino e às atividades
da igreja será de grande importância para ajudá-lo a melhorar de seu transtorno.

12. DOENÇA MENTAL E/OU POSSESSÃO DEMONÍACA? (Por Marcos A M Bittencourt)

O mundo bíblico, tanto no Antigo quanto no Novo Testamento interpretava as


enfermidades como ações diretas de Satanás. Exemplos temos na narrativa sobre Jó, Jesus e
o endemoniado gadareno (Lc.8:26-34), a cura da sogra de Pedro (Lc.4:38-39, quando Jesus
“repreende” a febre) e o espinho na carne mencionado por Paulo (II Cor.12:7-9) como sendo
um “mensageiro de Satanás”, dentre outros.

A Bíblia diz que o salário do pecado é a morte (Rm.6:23), o que nos leva a crer que se
os nossos primeiros pais não tivessem pecado não haveria a morte e, por isso, também não
existiriam as enfermidades tanto de ordem física quanto de ordem psíquica. É nesse sentido
que podemos compreender o sofrimento que opera nas enfermidades físicas e psíquicas, posto
que o fim de toda ação satânica é a destruição, o aniquilamento da pessoa. O que quero dizer
aqui é que as enfermidades devem ser compreendidas dentro do campo do humano mas, ao
mesmo tempo, Satanás delas se serve para aniquilar, destruir a pessoa. E isso não quer dizer
que ele opera sempre “dentro” da pessoa (a possessão demoníaca), mas na “borda” ou “ao
redor” (I Pd.5:8). Certa vez estive pregando em uma igreja, quando em determinado momento
do louvor uma jovem senhora se manifestou com sintomas bem parecidos com caso de
possessão demoníaca. Os líderes da igreja foram pra cima dela para expulsar o demônio e não
conseguiam êxito. Pedi que me dessem um tempo com ela e a levei a um lugar afastado sem o
barulho dos gritos e do louvor. Eu estava tirando qualquer fator que pudesse sugerir àquela
jovem senhora motivação para agitação psicomotora pela via da histeria. Pude conversar com
ela ouvindo sobre sua vida triste, largada pelo ex-companheiro, sozinha no mundo com filhos
enfrentando enfermidades sem condições financeiras para deles cuidar. Ela tinha entrado
naquele templo como se quisesse pedir socorro e toda aquela pressão dentro de si, todo
aquele sofrimento explodiu numa crise histérica facilitada pelas orações fervorosas, gritos de
Aleluia e cânticos de louvor. Entendi que o diabo não estava “dentro” dela, mas na “borda” de
sua existência, querendo destruí-la junto com seus filhos. Além de falar de Jesus para ela,
pude escutá-la pois é pela mediação da palavra que o sintoma se vai. Não sei dizer se ela ficou
na igreja, nem o que foi feito dela

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Alguns dos milagres de Jesus foram operados em pessoas com sintomas típicos de
doenças atualmente conhecidas como é o caso da esquizofrenia (o endemoniado gadareno em
Lc.8:26-34 e sua versão correlata em Mc.5) e a epilepsia (o menino endemoniado em Mc.9:14-
29). O texto bíblico considera esses dois casos como possessão demoníaca. Como poder
discernir se estavam mesmo endemoniados ou se a Bíblia está interpretando espiritualmente
aquilo que está mais no campo científico, ou seja, da Medicina? Proponho aqui separar um dos
casos, o do endemoniado gadareno em Lucas 8:26-34 para estabelecermos as distinções.
Usarei a explanação de Friesen (2000, pp.244-248), organizando seu texto através da tabela
comparativa abaixo:
SINTOMAS DE DOENÇA MENTAL SINTOMAS DE POSSESSÃO DEMONIACA
“Um homem que há muito não se vestia” (v27) – Pessoas
com sensação de angústia intensa experimentam roupas
como sufocantes.
“Nem habitava em casa alguma, porém vivia nos
sepulcros” (v.27). Isolamento social. Mais um fenômeno de
elevada angústia, sensação de contenção e trancamento.
“Que tenho eu contigo, Jesus, filho do Deus Altíssimo? “Que tenho eu contigo, Jesus, filho do Deus Altíssimo?
Conjuro-te por Deus que não me atormentes” (v.28 ; Conjuro-te por Deus que não me atormentes” (v.28 ;
outra versão em Mc.5:6-7). Medo e angústia e, ao mesmo outra versão em Mc.5:6-7). O doente mental rompe seu
tempo, desejo de ser ajudado. contato com o mundo real quando está em surto. Aqui temos
um contato direto no qual Jesus é identificado, principalmente
em termos espirituais (teológicos, inclusive). O gadareno vivia
nos sepulcros, afastado do mundo, sem informações sobre
Jesus. Um doente mental deveria resistir apenas à pessoa de
Jesus, mas um endemoniado resiste à pessoa espiritual de
Jesus.
“Andava sempre, de noite e de dia, clamando por entre os
sepulcros e pelos montes, ferindo-se com pedras”
(Mc.5:4). Agitação psicomotora, movimentos repetitivos sem
coordenação, autoflagelo, aliviar a dor da alma através de
uma dor que seja maior no corpo.
“Embora procurassem conserva-lo preso com cadeias e “Embora procurassem conserva-lo preso com cadeias e
grilhões, tudo despedaçava” (v.29). Nem todo caso de grilhões, tudo despedaçava” (v.29). Embora um doente
psicose implica em violência mas existem casos de extrema mental adquira uma força maior no surto ela não é suficiente
agressividade e força. para quebrar grilhões.
“Perguntou-lhe Jesus: qual é o teu nome: Respondeu
ele: Legião” (v.30). Nos quadros da Esquizofrenia existe um
tipo paranoide, no qual a pessoa tem a mania de grandeza e
pode assumir identidade de grandes personagens históricos,
sentindo-se perseguido por outras pessoas, por entidades
extraterrestres, possuídos por entidades espirituais e até por
elementos físicos (ex: uma cobra viva no estômago).
“Rogaram-lhe que lhes permitisse entrar naqueles
porcos. E Jesus permitiu” (v.32). Não existe relato de que a
psicose de alguém seja transferida para outros seres, como
nesse caso.
“E saíram a ver o que tinha acontecido, e vieram ter com
Jesus. Acharam então o homem, de quem haviam saído
os demônios, vestido, e em seu juízo, assentado aos pés
de Jesus; e temeram” (v.35). Um doente mental não se cura
de forma imediata. Aliás, do ponto de vista científico, não
existe cura para a psicose. Existe controle através de
medicamentos.
Friesen lembra que : “no Brasil é culturalmente frequente que, quando uma pessoa apresenta alterações de comportamento
decorrentes da doença mental, seus familiares a levem para práticas de exorcismo, para mesas brancas de espiritismo e
outros rituais, mesmo de filosofia cristã e evangélica” (2000, p.248). Isso poderia indicar que casos de psicose também podem
ser, ao mesmo tempo, casos de possessão demoníaca, posto que o doente é exposto às influências espirituais de tais
práticas.

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DOENÇA MENTAL VERSUS POSSESSÃO DEMONIACA

Millard J. Sall (citado por FRIESEN, 2000, p.252) dá algumas dicas para identificação de
quadros de possessão demoníaca posto que é muito comum pastores e crentes em geral
confundirem a possessão demoníaca com sintomas da Esquizofrenia. Para Sall, deve-se
observar o seguinte:

1. Os demônios reagem nitidamente diante da invocação do nome de Jesus.


2. Os demônios procuram corpos para possuir. Eles querem estar onde estão as
pessoas.
3. Os demônios são racionais. Dizem coisas inteligentes e corretas, embora muitas
vezes mentirosas.
4. Os demônios têm relação de objeto, isto é, apresentam uma identidade própria e
claramente distinguível da pessoa que possuem. Descritos na Bíblia, eles mantêm
contato com a realidade e sabiam quem eram e quem Cristo era. Portanto existia
uma conversa real e um relacionamento.
5. A possessão demoníaca pode ter cura instantânea.

O ACONSELHAMENTO PASTORAL E A POSSESSÃO DEMONÍACA (SETE OBSERVAÇÕES


IMPORTANTES)

1. Para Friesen (2000, p.253) “o propósito básico do Aconselhamento Pastoral também


no trato com pessoas opressas pelo ocultismo é o mesmo de qualquer outra atividade
do conselheiro pastoral: ‘resgatar para dentro do Reino de Deus [...] e guardar o
resgatado nos âmbitos do Reino’, incluir o doente e o opresso na comunidade
terapêutica de Jesus, que é a igreja”.
2. Embora os princípios e técnicas para trabalhar com pessoas nesse nível sejam os
mesmos já estudados para o trabalho de aconselhamento pastoral, incluindo-se aí
conhecimentos na área da Psicopatologia, existe algo que o(a) conselheiro(a) pastoral
não pode deixar de observar: ele(a) deverá estar em sintonia absoluta com Deus e
com sua vontade pois estará entrando num terreno onde só o poder de Deus (e não a
habilidade técnica do conselheiro[a]) poderá resolver. Isso implica dizer que deverá
estar em estado de maturidade em sua vida espiritual e em santificação diante do
Senhor.
3. Não é suficiente apenas ter conhecimentos técnicos para distinguir entre doença
mental e possessão demoníaca É fundamental ter o dom do “discernimento de
espíritos” (I Cor.12:7-11).
4. Citando Kurt Koch, Friesen (2000, p.257) postula um “diagnóstico diferencial”, ou seja,
antes de seguir com os procedimentos de libertação, a pessoa deve ser submetida a
uma avaliação médica, psiquiátrica e psicológica, especialmente se o(a) conselheiro(a)
não estiver seguro das causas dos transtornos apresentados.

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5. Após um diagnóstico incontestável, o aconselhando deverá ser levado à confissão,


após uma avaliação de sua vida espiritual, reconhecendo os pecados que o prendem
e o escravizam espiritualmente. Para Friesen (2000, p.257) não é bastante orar para
libertar o aconselhando em nome de Jesus se ele não tiver reconhecido e confessado
seus pecados em nome de Jesus.
6. O aconselhando deverá, então, pronunciar uma recusa audível a Satanás e às suas
hostes. A base bíblica para esse procedimento é encontrada em Mateus 25:41, João
12:31, Efésios 6:11,12, I João 2:13, 5:19. Essa renúncia deve ser feita em nome de
Jesus, não importa se dirigida na primeira pessoa a Satanás ou numa oração a Jesus.
Enquanto a pessoa não quer ou não pode proferir a renúncia, o próprio(a)
conselheiro(a) deverá declarar em nome de Jesus a libertação do opresso.
7. A partir destes passos no processo de libertação é necessário que se continue a luta
espiritual. Assim como o opresso resiste às coisas de Deus enquanto está
escravizado, agora ele precisará resistir a Satanás, para crescer no conhecimento das
coisas de Deus. O aconselhamento pastoral incluirá a partir desta fase a oração e o
jejum, além da inclusão do aconselhando num grupo de cristãos fiéis a Jesus que
possam apoia-lo na nova vida espiritual.

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REFERENCIAS (PARA TODAS AS UNIDADES DA DISCIPLINA)

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OBS: PARA O ESTUDO DE ALGUNS TRANSTORNOS : Portal Minha Vida  http://www.minhavida.com.br/

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