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FACULDADE DOM ALBERTO

FABIANO DA SILVA BARBOSA

ENSINO RELIGIOSO ATRAVÉS DA MÚSICA SACRA

RIO BRILHANTE
2019
FACULDADE DOM ALBERTO

FABIANO DA SILVA BARBOSA

ENSINO RELIGIOSO ATRAVÉS DA MÚSICA SACRA

Trabalho de conclusão de curso


apresentado como requisito parcial à
obtenção do título especialista em ENSINO
RELIGIOSO.
.

RIO BRILHANTE
2019
ENSINO RELIGIOSO ATRAVÉS DA MÚSICA SACRA

Autor1, Fabiano da Silva Barbosa

Declaro que sou autor(a)¹ deste Trabalho de Conclusão de Curso. Declaro também que o mesmo
foi por mim elaborado e integralmente redigido, não tendo sido copiado ou extraído, seja parcial ou
integralmente, de forma ilícita de nenhuma fonte além daquelas públicas consultadas e corretamente
referenciadas ao longo do trabalho ou daqueles cujos dados resultaram de investigações empíricas por
mim realizadas para fins de produção deste trabalho.
Assim, declaro, demonstrando minha plena consciência dos seus efeitos civis, penais e
administrativos, e assumindo total responsabilidade caso se configure o crime de plágio ou violação aos
direitos autorais. (Consulte a 3ª Cláusula, § 4º, do Contrato de Prestação de Serviços).

RESUMO- O ensino religioso nas escolas ainda é um tema muito questionado. Apesar
do seu caráter legal, constituído em lei, há divergências na literatura sobre sua
importância ou forma de administração. Nesse sentido, o presente trabalho se propôs a
investigar sobre a contribuição da música sacra, na disciplina do ensino religioso para o
aluno. Para tanto, utilizou-se das literaturas sobre a temática, indexados nas principais
bases de dados, bem como livros e teses que abordavam o assunto e contribuíam para
a elucidação dos principais benefícios. Os resultados encontrados remetem desde a
apreciação das aulas por parte dos alunos, bem como no seu desenvolvimento
psíquico, social e espiritual. Além desses, os resultados apontam também para
contribuições para o aprendizado e a cognição. No entanto, o ensino religioso, bem
como a música sacra, apresentam contribuições expressivas na formação integral do
ser humano.

PALAVRAS-CHAVE: Ensino Religioso. Música sacra. Contribuições. Alunos.

ABSTRACT- Religious education in schools is still a highly questioned topic. Despite its
legal character, constituted by law, there are differences in the literature about its
importance or form of administration. In this sense, the present work intends to
investigate on the contribution of the sacred music, in the discipline of the religious
teaching for the student. To do so, we used the literature on the subject, indexed in the
main databases, as well as books and theses that addressed the subject and
contributed to the elucidation of the main benefits. The results are based on students'
appreciation of classes, as well as their psychic, social and spiritual development. In
addition to these, the results also point to contributions to learning and cognition.
However, religious teaching, as well as sacred music, present expressive contributions
in the integral formation of the human being.

KEYWORDS: Religious education. Holy music. Contributions. Students.


1-INTRODUÇÃO

Quando falamos em música e aprendizagem, estamos diante de um processo


multifatorial e complexo. Este é permeado por fatores que compõe o mesmo, os quais
estão interligados e garantem o desenvolvimento positivo, tanto da criança, bem como
o desenvolvimento mais lúdico das aulas práticas.

“A música está presente em diversas situações da vida


humana. Existe música para adormecer, dançar, chorar os mortos
e conclamar o povo a lutar, o que remonta a sua função
ritualística. Presente na vida diária de alguns povos, ainda hoje é
tocada e dançada por todos, seguindo costumes que respeitam as
festividades e os momentos próprios de cada manifestação
musical. Nesses contextos, as crianças entram em contato com a
cultura musical desde muito cedo e assim começam a aprender
suas tradições musicais” (RENATO, 1998, P.47).

A música, está presenta na vida do ser humano desde os primórdios.


Incrementada no Brasil por diversos modelos culturais, advindas com as imigrações e
influenciadas pelos ritmos nativos dos indígenas que já povoavam, permitiu a
constituição da diversidade musical na qual hoje concebemos.

“A música é a linguagem que se traduz em formas sonoras


capazes de expressar e comunicar sensações, sentimentos e
pensamentos, por meio da organização e relacionamento
expressivo entre o som e o silêncio. A música está presente em
todas as culturas, nas mais diversas situações: festas e
comemorações, rituais religiosos, manifestações cívicas, políticas
etc. Faz parte da educação desde há muito tempo, sendo que, já
na Grécia antiga era considerada como fundamental para a
formação dos futuros cidadãos ao lado da matemática e da
filosofia” (BRASIL, 1998, p. 45).
A música quando tomada como auxiliar na aprendizagem apresenta
inúmeros benefícios. A literatura explana, que a música se torna um aliado fundamental
no processo de desenvolvimento do ser humano, pois está subjetivamente
incrementada no inconsciente do indivíduo. Esse processo parte da premissa do bebê
que ouve a mãe cantarolando as músicas de ninar, e sua voz, o ritmo, o som e a
melodia grava no mais profundo da psique da criança, o qual, posteriormente se
associa à esses fenômenos durante a aprendizagem, revivendo as emoções mais
primitivas de tranquilidade, calma, aconchego e segurança.
Sentimentos esses fundamentais no processo da aprendizagem. As
emoções interferem no nosso modo de agir e compreender a realidade que nos cerca.
Da mesma maneira, a aprendizagem é diretamente influenciada pelas emoções. Nos
processos de memorização, letramento e desenvolvimento cognitivo, a música atua
como neutralizador de emoções negativas e favorece sentimentos como alegria,
entusiasmo, relaxamento e calma.
A literatura apresenta, no entanto, alguns cuidados ao utilizar a música no
contexto escolar. Esses tratam da utilização da música com os reais propósitos
pedagógicos. A automatização das canções, das maneiras e das letras cantadas, não
contribui para o seu real objetivo. Para além disso, pode restringir a criatividade do
aluno e gerar emoções negativas, como tédio, repulsa ou acomodação.

“A criança é um ser único, não estático, interage como o


meio de seu convívio, pois a criança traz consigo ideologias,
emoções e a sua história. Com isso é preciso que todo ensino
tenha a necessidade de mudar com relação à utilização da música
na educação infantil, sendo utilizada muitas vezes para fins de
higiene, hora do lanche, comemorações do calendário escolar. As
atividades musicais não apontam a formação da criança como
músicos e sim a compreensão da linguagem musical, propiciando
o desenvolvimento sensorial, promovendo a expressão das
emoções, ampliando a formação da criança” (TENNROLLER;
CUNHA, 2012, p. 34).
Neste trabalho, busca-se primeiramente compreender a concepção da
disciplina do Ensino religioso. Busca analisar de forma breve sobre a sua validade, a
sua importância e sua legalidade. Nesse sentido, busca analisar as contribuições da
música sacra, na pratica vinculada à disciplina, para o aluno.
Concomitantemente também analisa a importância da música sacra junto
à criança no que tange ao conhecimento próprio, concentração e cognicidade.
Concebida como uma facilitadora do processo de desenvolvimento, consolidação e
aprendizagem. Também sintetiza como uma ferramenta no manejo da motivação, do
controle de stress e consequente melhoria na qualidade de vida das crianças e na
implementação da ludicidade em sala de aula.
O presente trabalho, objetiva investigar, através da revisão bibliográfica,
as contribuições da música sacra para o aluno. Através da elucidação desses, pretende
contribuir na formalização de estratégias educacionais e pedagógicas focadas nessas
dimensões, a fim de assegurar o pleno desenvolvimento da aprendizagem da criança,
seja ela na área cognitiva, física, psíquica ou social, bem como na formação da
personalidade e desenvolvimento pessoal.

2- METODOLOGIA

O presente trabalho se caracteriza como uma pesquisa bibliográfica, com


abordagem qualitativa através da pesquisa de artigos científicos nas bases de dados
Scielo e BIREME com os seguintes descritores: Música sacra – Ensino Religioso –
espiritualidade na sala de aula – música religiosa. Também será utilizado livros do
campo de conhecimento psicológico e pedagógico sobre o tema.

3 ENSINO RELIGIOSO ATRAVÉS DA MÚSICA SACRA

3.1 ENSINO RELIGIOSO E A LEGISLAÇÃO


Em 22 de julho de 1997, foi aprovado a lei 9.475, a qual dá suporte ao artigo 33
da Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996, ficando, no entanto, definido o seguinte
texto:
Art. 33. O ensino religioso, de matrícula facultativa, é
parte integrante da formação básica do cidadão e constitui
disciplina dos horários normais das escolas públicas de
ensino fundamental, assegurado o respeito à diversidade
cultural religiosa do Brasil, vedadas quaisquer formas de
proselitismo.
§ 1º Os sistemas de ensino regulamentarão os
procedimentos para a definição dos conteúdos do ensino
religioso e estabelecerão as normas para a habilitação e
admissão dos professores.
§ 2º Os sistemas de ensino ouvirão entidade civil,
constituída pelas diferentes denominações religiosas, para a
definição dos conteúdos do ensino religioso.

Cury (2004) discorre sobre a laicidade contida na constituição, que remete ao


respeito de toda e qualquer crença. Ressalta que perante a constituição, é garantida a
dignidade humana e perante as relações internacionais a prevalência dos direitos
humanos. Portanto é assegurado, o livre exercício de crença individual bem como a
não-discriminação quanto uma crença perante a outra.
A oferta da disciplina de ‘ensino religioso’ está, portanto, assegurada na
constituição, onde no art. 210, § 1º: “O ensino religioso, de matrícula facultativa,
constituirá disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental”.
(CURY, 2004). Ainda para o autor, a oferta da disciplina é de carácter facultativo e
integra a carga normal de horários das escolas públicas. Sendo, no entanto vedado
qualquer tentativa de conversão à determinada crença ou religião.

3.2 ENSINO RELIGIOSO E SUA CONTRIBUIÇÃO


O ensino religioso, se insere na educação brasileira ainda na colonização. Pelo
contexto da imigração, e na tentativa de uma organização político-econômica, sob a
predominância da igreja católica, inicia-se o processo de catequização. Esse processo
inicia-se com a vinda dos jesuítas ao Brasil, no ano de 1550, e na criação das primeira
escolas, com o intuito de conversão dos povos nativos aos credos e costumes
portugueses (PRAZERES, 2016).
Pauly (2004) nos remete à uma análise mais profunda. Segundo o autor, o
principal objetivo ao qual a disciplina de ‘ensino religioso’ enquadre nos currículos
escolares, é o pressuposto de que a mesma contribui para a formação da cidadania no
estudante. Para o autor, esse pressuposto está totalmente equívoco, uma vez que, o
indivíduo não carece da religião para ser uma pessoa boa ou má. A justificativa de a
pessoa em detrimento de que, sua crença seja melhor que a outra, encobre um
carácter discriminativo.
Severino (1986) apresenta a ideia do objetivo da educação religiosa, mais
precisamente o ensino religioso, em prol da moral. Para o autor, a moral do próprio
individuo estaria ligeiramente interligada com a moral da sociedade. Nesse contexto,
uma vez que a educação possibilitava a instauração e manutenção da moral na
sociedade, essa se faria homogênea na sua totalidade.
Azevedo (1981) descaracteriza o ensino religioso como contribuinte na formação
moral. A utilização de um fenômeno transcendente para consolidar a prática da
solidariedade social, estaria culminando numa ‘religião cívica’. Termo utilizado pelo
autor, como crítica à disciplina do ensino moral e cívica, instituído no período do
Regime militar e que concebia a moral como um derivado de Deus.
Para assegurar o carácter educacional, o ensino religioso passou por uma
readaptação. Inicialmente o termo religião foi concebido não mais como religar, mas
sim reler, num propósito de releitura da mesma. Correspondendo dessa maneira de
igual para com as outras áreas do saber. Definindo seu objeto próprio de estudo: o
fenômeno religioso e conteúdo específico: o conhecimento religioso (AMARAL, 2003).

3.3 ENSINO RELIGIOSO E O USO DA MÚSICA SACRA


Cada vez mais ousa-se em falar, discutir e incrementar a educação e a
compreensão sobre a multiplicidade e diversidade frente ao ensino escolar.
Concepções culturais e sociais, bem como as diferenças são amplamente debatidas e
tomadas como desafios na contemporaneidade (MOREIRA; CANDAU, 2003). De
acordo com os autores, por mais que essa busca vem se concretizando e concebida
principalmente como um fator de qualidade na educação, ainda não se pode se
apropriar de uma orientação totalmente multicultural.
Kraemer (2000) defende a ideia que a música se articula com outras áreas do
conhecimento. Citados pelo autor, como sociologia, antropologia e etnomusicologia.
Para o autor ainda, é importante a postura multicultural através da música também. As
experiências de cada aluno, o contexto sociocultural e as identidades musicais,
possibilitaram aos professores de música atestarem as múltiplas formas de produzir,
administrar e consumir a música perante os alunos.
Ao abordar o ensino religioso nas escolas, podemos compartilhar da concepção
do antropólogo Clifford Geertz. O autor apresenta a dimensão da religiosidade na
escola como um das inúmeras perspectivas presentes no âmbito educacional: “uma
forma particular de olhar a vida, uma maneira particular de construir o mundo, como
quando falamos de uma perspectiva histórica, uma perspectiva científica, uma
perspectiva estética, uma perspectiva do senso comum” (Geertz, 1989, p. 81).
Simões (2009) contribui ao ressaltar a importância do ensino religioso nas
escolas. Para o autor, a disciplina apresenta um papel fundamental para a formação do
ser humano. Os valores éticos são apontados como uma das principais contribuições.
Além disso, outra contribuição apontada é a aprendizagem sobre a tolerância e a
convivência com o próximo.
Ainda para o autor, para que o professor possa trabalhar de maneira assertiva e
alcançar esses objetivos descritos acima, necessita conciliar adequadamente o
conteúdo com a metodologia. Essa conciliação é fundamental, uma vez que, através
dela, ocorre a interação e a compreensão da temática trabalhada no Ensino Religioso.
Tal condição se coloca como um desafio, de maneira à administrar a disciplina para que
o aluno a compreende de maneira como ela é. Ou seja, mostrar que o ensino religioso
não é uma aula que conduz à alienação pessoal, mas sim, que a mesma leva à uma
condição crítica que serve como um instrumento para à conscientização.
Simões (2009) ainda reflete sobre o compromisso do professor perante a sua
aula. O autor destaca que, com o objetivo de vencer os desafios impostos, caberá ca
qual, a compreensão que, além de estudantes em sua sala, são pessoas e cada um
com as suas próprias angústias existenciais.
Diante disso, Ferreira (2008) colabora ao abordar as dinâmicas das aulas
administradas. Para o mesmo, o professor necessita buscar novas formas de
elaboração e oferecimento do conteúdo, de maneira que possibilita com que as aulas
sejam mais lúdicas, mais interessantes e diversificadas. Uma dessas maneiras, e
analisando a disciplina do ensino religioso, pode-se pensar a partir da utilização da
música sacra.
A música abre espaço para os indivíduos em seus preceitos e indagações. Ela é
uma das maneiras para expressar os afetos de uma pessoa. Uma ferramenta que
condiz para trabalhar o coletivo e a qual auxilia no rompimento de barreiras, as quais
muitas vez até mantém as pessoas afastadas. (BONA, 1997).
A contribuição da música sacra enquanto instrumento para trabalhar o ensino
religioso é de grande importância. Essa se dá, na medida em que a música é uma
linguagem presente em quase todas as religiões. Isso facilita ao professor, ao utilizar
adequadamente a música sacra, atingir os resultados propostos pela disciplina, a partir
de uma característica presentes na religiosidade de cada aluno (JUNQUEIRA, 2002).
De acordo Santana (p. 1), a música sacra se caracteriza por:

“Alguns conhecedores religiosos da música sacra estabelecem


suas principais qualidades, aquelas que devem estar presentes
para que se defina uma canção como de natureza sacra. Entre
elas, consta que a música deve: disseminar um ponto de vista
autêntico sobre a Divindade; transmitir no conteúdo uma revelação
presente na Bíblia e na doutrina de cada religião; estimular a
vivência do testemunho de Jesus; ser completamente oposta à
música profana; conter uma oração em sua essência, justificando
como arremate final o amém; submeter a técnica musical aos
fatores religiosos; ajudar o crente a perceber suas imperfeições
com clareza; levar o devoto a perceber o significado do seu
próprio sacrifício no desenvolvimento de sua fé; incentivar a
emergência das emoções espirituais que levam o Homem a louvar
o Criador; atuar apenas como meio de glorificação divina, não
como entretenimento – máxima extraída das palavras do
compositor Sebastian Bach” (SANTANA, p. 1).

A administração da disciplina do ensino religioso nas escolas através da música


sacra apresenta inúmeros benefícios, conforme a literatura. Além de tornar as aulas
mais atraentes, mais lúdicas e mais participativas, conforme aponta Ferreira (2008), o
uso da música também contribui para a aprendizagem e o desenvolvimento enquanto
ser humano. De acordo Barreto e Chiarelli (2011):

“a musicalização pode contribuir com a aprendizagem, evoluindo o


desenvolvimento social, afetivo, cognitivo, linguístico e psicomotor
da criança. A música não só fornece uma experiência estética,
mas também facilita o processo de aprendizagem, como
instrumento para tornar a escola um lugar mais alegre e receptivo,
até mesmo porque a música é um bem cultural e faz com que o
aluno se torne mais critico” (BARRETO; CHIARELLI, 2011, p. 1).

Ao se pensar o uso da música na disciplina do ensino religioso, vale ressaltar


sobre a importância dessa para o sujeito. A música ela é constituinte da história da
humanidade, e por esse viés, torna-se de extrema importância e proporciona aspectos
educativos relevantes para a formação integral do aluno, uma vez que, este também é
um dos objetivos da educação e o ensino religioso se integra nesse desafio.

“A música é a linguagem que se traduz em formas sonoras


capazes de expressar e comunicar sensações, sentimentos e
pensamentos, por meio da organização e relacionamento
expressivo entre o som e o silêncio. A música está presente em
todas as culturas, nas mais diversas situações: festas e
comemorações, rituais religiosos, manifestações cívicas, políticas
etc. Faz parte da educação desde há muito tempo, sendo que, já
na Grécia antiga era considerada como fundamental para a
formação dos futuros cidadãos ao lado da matemática e da
filosofia” (BRASIL, 1998, p. 45).

De acordo com a citação acima, a música sacra adquire um perfil diferenciado.


Uma vez que a mesma, permita a criança a expressão de seus sentimentos, o caráter
religioso presente na música, contribui para o desenvolvimento do seu potencial
espiritual. Ao passo que música, através da simbologia do sagrado, permite um contato
profundo consigo mesma. Isso ocorre pelo fato da música estar interiorizado na criança
desde os seus primeiros dias de vida.
De acordo com Faria (2001) a música possui um papel fundamental na vida do
indivíduo. No que concerne à aprendizagem, o autor aponta que a mesma é de extrema
importância. Fato esse que, descreve como sendo parte do desenvolvimento da criança
desde a saída do útero materno, uma vez que a mãe lança mão da estratégia das
canções de ninar e embalando o bebê em seus braços. Dessa forma, a criança já
convive com a música desde o seu nascimento.
Outra característica apontada na literatura é a contribuição para a aprendizagem,
descrita por Ducorneau (1984) que enfatiza os benefícios da escuta e da audição: o
escutar e o ouvir. Para o autor, a experiência da criança frente à música, permite ela
experimentar a mesma. Ou seja, ela aprende através das ondas sonoras – como o
timbre, a intensidade e o volume. Diante dessas características da música, ela aprende
a aperfeiçoar o seu ouvido e ampliar a capacidade de escuta e entendimento. Nas
músicas sacras, em questão, está qualidade está muito mais acentuada. Uma vez que,
o repertório dessas músicas, envolvem diferentes tonalidades e sentimentos expressos
através do cantar.
A criança através da música desenvolve o seu aparelho auditivo. Passa então a
apreciar determinados sons e repudiar outros. Esse processo é importante uma vez que
a mesma para a reproduzir os sons agradáveis e a criar novos a partir desses, dessa
forma desenvolvendo a sua imaginação. A apreciação da música, age diretamente
sobre o corpo, através dos movimentos e também sobre as emoções. Essas, sendo
favoráveis ao aprendizado e desenvolvimento (GAINZA, 1988).
Para Stefani (1987) a música age no indivíduo de forma integral. Age, portanto
na motricidade e sensorialidade através do ritmo e do som e age na afetividade através
da melodia. Nesse, sentido a música sacra é um componente complementar da
educação, uma vez que a mesma possui como objetivo, o desenvolvimento da pessoa
na sua integridade. A relação afetiva para com a divindade, expressa através da
música, potencializa a dimensão psíquica da compreensão do espaço, do eu e da sua
relação com o Divino.
O autor ainda reforça a contribuição da música na formação do caráter. Ao ser
ouvida, essa produz no psiquismo do indivíduo as mais diversas emoções e
sentimentos: alegria, melancolia, violência, sensualidade, calma entre outros. Dessa
forma, a música se torna um valioso instrumento para trabalhar as emoções negativas
das crianças, bem como, os aspectos de sociabilidade e temas apresentados através
das letras das canções.
Para Nogueira (2003) a música deve ser entendia como uma experiência que:

“[...] acompanha os seres humanos em praticamente todos os


momentos de sua trajetória neste planeta. E, particularmente nos
tempos atuais, deve ser vista como umas das mais importantes
formas de comunicação [...]. A experiência musical não pode ser
ignorada, mas sim compreendida, analisada e transformadas
criticamente” (NOGUEIRA, 2003, p. 01).

4- CONCLUSÃO

O presente trabalho atingiu seus objetivos. A partir da literatura já existente sobre


o uso da música e mais precisamente da música sacra na disciplina do ensino religioso,
como uma ferramenta do professor para dinamizar as aulas e promover contribuições
para o aluno.
De acordo com a literatura, o ensino religioso, se insere num contexto amplo e
diversificado. Ao contrário do que muitos compreendem a parir da disciplina, a mesma
não possui o caráter confessional ou a dimensão de uma religião em específico. Mas
sim a compreensão do mundo espiritual de um viés multicultural. O seu principal
objetivo, é a formação do ser humano a partir de si mesmo e em conato com a sua
própria dimensão religiosa.
Nesse sentido, ao investigar o uso da música sacra, essa se apresentou como
uma alternativa de extrema colaboração para o atingimento desse objetivo. A música,
de maneira igual ao objetivo da disciplina, visa a formação do aluno na sua integridade.
Dessa forma, a música mantém forte correlação com outras áreas de conhecimento e
múltiplos benefícios para o aluno.
As principais contribuições elucidadas nesses estudo, atribuídas à música sacras
são a ludicidade na sala de aula, as contribuições para o desenvolvimento afetivo e
cognitivo, a contribuição no processo da aprendizagem, não apenas na disciplina do
ensino religioso, mas também nas demais, no processo e escuta, no desenvolvimento
da criatividade e na psicomotricidade.
Para além dessas, também e mais especificamente, a contribuição psíquica. A
música sacra, através de sua simbologia, permite o aluno na formação do seu caráter,
da sua personalidade e no aprofundamento com suas emoções e seu melhor
autoconhecimento da sua dimensão espiritual.
No entanto, o estudo encontrou algumas limitações. As principais foram a
escassez de estudos empíricos já realizados sobre a temática, envolvendo
especificamente a questão da religiosidade e da espiritualidade. Nesse sentido, sugere-
se futuros estudos que possibilitam a avaliação dessas contribuições a longo prazo.

.
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