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O SECTOR

DA HABITAÇÃO
NO ANO 2003

Lisboa, Janeiro 2004


O SECTOR
DA HABITAÇÃO
NO ANO 2003

MINISTÉRIO DAS OBRAS PÚBLICAS, TRANSPORTES E HABITAÇÃO


Secretaria de Estado da Habitação
Instituto Nacional de Habitação

Lisboa, Janeiro 2004


2 ÍNDICE

O Sector da Habitação no Ano 2003


ÍNDICE

MENSAGEM DO MINISTRO DAS OBRAS PÚBLICAS,TRANSPORTES E HABITAÇÃO

E DA SECRETÁRIA DE ESTADO DA HABITAÇÃO 5

1. APOIOS DO ESTADO À HABITAÇÃO 7

Apoio ao arrendamento 8

Apoio à recuperação 11

Apoio à aquisição de casa própria 12

Comparação dos diversos tipos de apoios 13

2. EVOLUÇÃO E CARACTERIZAÇÃO DO PARQUE HABITACIONAL 15

Forte crescimento do parque habitacional 15

Portugal comparado com outros países 19

Forma de ocupação dos alojamentos 21

Alojamentos clássicos não ocupados habitualmente 26


3
Carências habitacionais 27

Crescimento do parque habitacional 29

Estado de conservação da habitação em Portugal 31

3. EVOLUÇÃO DO CRÉDITO E DAS TAXAS DE JURO 35

4. ENCARGOS DECORRENTES DA COMPRA DE HABITAÇÃO PRÓPRIA 39

5. LICENCIAMENTO MUNICIPAL DE FOGOS 43

ANEXOS 45

FONTES DE INFORMAÇÃO 51

O Sector da Habitação no Ano 2003


4 MENSAGEM DO
MINISTRO DAS OBRAS
PÚBLICAS,TRANSPORTES
E HABITAÇÃO E DA
SECRETÁRIA DE ESTADO
DA HABITAÇÃO

O Sector da Habitação no Ano 2003


MENSAGEM DO MINISTRO DAS OBRAS PÚBLICAS,
TRANSPORTES E HABITAÇÃO E DA SECRETÁRIA DE
ESTADO DA HABITAÇÃO

“O Sector da Habitação 2003” é uma edição que tem como objectivo apresentar, de uma
forma sintética, um conjunto de informações sobre o sector da habitação em Portugal e
das actividades que lhe são conexas.

Pretende ser, antes de mais, um verdadeiro documento de trabalho que servirá de refe-
rência e orientação às diversas iniciativas que o Governo está a promover no âmbito da
política habitacional.

Este documento foi elaborado na convicção de que as opções políticas devem obedecer a
critérios de responsabilidade social e racionalidade económica, cujo cumprimento só é pos-
sível com um adequado e rigoroso conhecimento da realidade.

A política seguida nos últimos anos foi assumidamente de incentivo à construção e à


aquisição de casa própria, o que contribuiu, por um lado, para um aumento de construção
nova, acima das necessidades definidas, e, por outro lado para o crescimento do nível de
endividamento das famílias portuguesas, que passou de cerca de 18% em 1992 para mais
de 100% em 2002.
5
A realidade mostra-nos que a população dos grandes centros urbanos se deslocou
em massa para as áreas periféricas das cidades, tendo-se assistido em consequência e
em simultâneo à degradação e abandono de milhares de fogos inseridos no património
edificado dos centros urbanos.

Ao contrário do que acontece na generalidade dos países Europeus, a indústria da cons-


trução civil portuguesa dedica 5,6% da sua actividade à reabilitação urbana, situação diver-
sa da média europeia de 33%, o que consubstancia antes de mais um desaproveitamento
grave dos recursos existentes para além de todas as consequências nefastas de ordem
social e urbanística. Por essa razão, o XV Governo Constitucional definiu no seu programa
uma orientação expressa para a inversão desta tendência.

É na firma vontade de cumprir os compromissos assumidos e na convicção de que a reabili-


tação urbana é um imperativo nacional, que o actual Governo já procedeu a uma série de
iniciativas conducentes ao cumprimento dos objectivos que foram definidos, como seja a
extinção do IGAPHE e a sua incorporação no INH, bem como a aprovação do quadro legal
que regulará a actividade das Sociedades de Reabilitação Urbana.

Em curso está a reforma do arrendamento urbano, habitacional e comercial, que visa resta-
belecer as relações inquilino/senhorio fundadas nos direitos e obrigações de cada parte.

O Sector da Habitação no Ano 2003


MENSAGEM DO MINISTRO DAS OBRAS PÚBLICAS
TRANSPORTES E HABITAÇÃO E DA SECRETÁRIA DE
ESTADO DA HABITAÇÃO

Está também em curso um novo programa para apoiar e incentivar a reabilitação urbana,
que será gerido pelo INH, em coerência com as alterações do arrendamento urbano e da
legislação que prevê a intervenção nos centros históricos e nas áreas críticas de reconver-
são urbanística.

Entendemos que a aplicação e articulação deste conjunto de diplomas, acompanhada da


necessária adaptação dos agentes económicos do sector da construção civil, tornarão pos-
sível a concretização de uma verdadeira política de renovação urbana.

É nesse sentido, com esse propósito e com muita determinação, que estamos a trabalhar.

Lisboa, Dezembro de 2003

6 O Ministro das Obras Públicas, A Secretária de Estado da Habitação


Transportes e Habitação

(António Pedro Carmona Rodrigues) (Maria do Rosário Cardoso Águas)

O Sector da Habitação no Ano 2003


APOIOS
1 DO ESTADO À HABITAÇÃO

O Estado Português tem vindo a apoiar de forma crescente, o acesso dos portugueses, à
habitação.

Os apoios concedidos são de três tipos: apoio ao arrendamento; apoio à recuperação do


parque habitacional e apoio à aquisição de casa própria.

Na Figura 1, apresenta-se a evolução dos apoios concedidos, durante o período de 1992 a


2002, à aquisição de casa própria e ao arrendamento. O apoio à recuperação do parque
habitacional é relativamente recente e com um significado financeiro ainda reduzido.

Figura 1
Apoios do Estado à Habitação

1 200 000 000

1 000 000 000

7
Valores em Euros

800 000 000

600 000 000

400 000 000

200 000 000

1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002

Total Apoios ao Parque Total Apoios a Compra Total de Apoios


de Arrendamento Casa Própria do Estado

Fonte: INH, IGAPHE, DGT, INE e DGCI.

Como se pode observar, entre 1992 e 2002, o total de apoios concedido aumentou de
forma muito significativa, passando de EUR. 295 milhões em 1992 para EUR. 942 milhões
em 2002, ou seja, um aumento de 219% em 10 anos, o que corresponde a uma Taxa de
Crescimento Anual Acumulada (TCAA) de 12.5% ao ano. No entanto, o fim do crédito
bonificado à habitação, provocará necessariamente uma redução do esforço do Estado ao
nível do apoio à aquisição de casa própria.

O Sector da Habitação no Ano 2003


1. APOIOS DO ESTADO À HABITAÇÃO

Apoio ao arrendamento
O Estado tem vindo a apoiar o arrendamento habitacional público e privado.

O arrendamento público

Para execução da política de realojamento das famílias com necessidades habitacionais, o


Estado tem vindo a celebrar parcerias com as Câmaras Municipais e com Instituições de
Solidariedade Social.

O Instituto Nacional de Habitação (INH), entidade instrumental do Estado, a quem com-


pete a execução da política de habitação, tem vindo a celebrar com as Câmaras Municipais
protocolos, no âmbito dos quais, o Governo assegura a fundo perdido 40% a 50% do custo
das novas habitações, financiando o INH a parte restante a juro bonificado.

Por seu lado, cabe às Câmaras efectuar o recenseamento das famílias que no seu municí-
8 pio residem em barracas ou alojamentos similares, assumindo adicionalmente, o compro-
misso de após efectuado o realojamento destas famílias, demolir as suas antigas habitações,
e não permitir a construção de alojamentos “abarracados” nos seus concelhos.

Como se pode verificar na Figura 2, a nível quantitativo os programas de realojamento têm


tido uma execução significativa.

O número de fogos concluídos anualmente tem aumentado de forma sustentada, passan-


do de 1.283 fogos em 1992, para 6.343 em 2002. Durante este período (1992-2002) foram
realojadas, 40.104 famílias.

Do ponto de vista social, os programas de realojamento nem sempre conseguiram evitar a


segregação das famílias, não cumprindo o superior objectivo de integração social, originan-
do até por vezes, novos “guetos” habitacionais.

Também o acompanhamento e fiscalização das construções nem sempre foi o suficiente


para garantir, a qualidade e durabilidade desejável do edificado.

Por fim, os programas de realojamento limitaram a sua intervenção na construção do alo-


jamento, descurando a envolvente urbanística e as infra-estruturas complementares,
impedindo a requalificação urbanística dos espaços.

De facto, existe hoje, uma preocupação generalizada não só sobre a qualidade das

O Sector da Habitação no Ano 2003


1. APOIOS DO ESTADO À HABITAÇÃO

habitações, mas de toda a sua envolvente, procurando dotar os bairros de infraestruturas


e equipamentos diversos, nomeadamente na área da educação e lazer e das acessibili-
dades e arranjos exteriores, criando condições que permitam integração social efectiva
destas famílias.

Figura 2
Programas de Realojamento

8 000 140 000 000

7 000 120 000 000


6 000
Número de fogos concluídos

100 000 000

Montante em Euros
5 000
80 000 000
4 000
60 000 000
3 000

2 000 40 000 000

1 000 20 000 000 9


1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002

Número de fogos concluídos Comparticipação ao Investimento

Fonte: INH.

Pela leitura do gráfico supra, verifica-se que o montante da comparticipação do Estado a estes
programas aumentou de forma muito significativa, nos últimos 10 anos, passando de aproxi-
madamente EUR. 26 milhões em 1992 para cerca de EUR. 87 milhões em 2002.

O apoio ao arrendamento privado

O Incentivo ao Arrendamento Jovem (IAJ), tem sido, também, um instrumento da política


habitacional do Estado ao nível do parque de arrendamento privado.

Na Figura 3, apresenta-se, a evolução do IAJ desde o seu início até 2002 e verifica-se que

O Sector da Habitação no Ano 2003


1. APOIOS DO ESTADO À HABITAÇÃO

quer o número de beneficiários, quer o montante de subsídio ao arrendamento tem


aumentado de forma sustentada.

Em 2002, o número de beneficiários atingia aproximadamente os 24 mil, com um montante


total de subsídios de cerca de EUR. 57 milhões.

Figura 3
Incentivo ao Arrendamento Jovem (IAJ)

30 000 70 000 000

60 000 000
25 000

50 000 000
Número de beneficiários

20 000

Montante em Euros
40 000 000
15 000
30 000 000
10 10 000 20 000 000

5 000 10 000 000

1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002

Número de beneficiários Comparticipação

Fonte: INH.

Constitui ainda um apoio do Estado ao arrendamento privado, o Subsídio de Renda desti-


nado a apoiar os agregados sem capacidade financeira para suportar a correcção extraor-
dinária de rendas.

Este subsídio, chegou a abranger cerca de 12 mil famílias em 1988, mas tem vindo gradual-
mente a perder importância.

Em 2001 foram apoiadas através deste subsidio, cerca de 7 mil familias correspondendo a
um apoio do Estado, de cerca de 1,3 milhões de EUR.

O Sector da Habitação no Ano 2003


1. APOIOS DO ESTADO À HABITAÇÃO

Apoio à recuperação
A recuperação urbana do parque habitacional privado também tem sido apoiada, ainda que
com resultados aquém do desejável.

O “congelamento” das rendas e a consequente debilidade financeira de muitos proprie-


tários, provocou uma acentuada degradação do parque habitacional.

O Estado, por forma a responder ao problema urbanístico e até de segurança, entretanto


criado, promoveu um conjunto de apoios e incentivos à recuperação urbana, nomeada-
mente: o Recria, que apoia a recuperação de fogos arrendados; o Rehabita, que apoia as
Câmaras Municipais na recuperação dos seus centros históricos, ou áreas de recuperação
e reconversão urbanística; o Recriph, que visa a recuperação de prédios habitacionais anti-
gos, em regime de propriedade horizontal e o Solarh que apoia os agregados familiares de
fracos recursos, na realização de obras nas suas habitações e também os proprietários de
fogos devolutos, procurando criar condições para a sua colocação no mercado.

Este último programa é relativamente recente, e devido às suas próprias características, tem
vindo a implantar-se de forma lenta. Entre 1999-2002 apenas beneficiaram deste programa 11
cerca de 700 habitações, com empréstimos no montante de 5 milhões de EUR.

Na Figura 4 apresenta-se a evolução, quer em número de fogos, quer em montante de


comparticipação, dos programas referidos

Figura 4
Recria, Rehabita, Recriph e Solarh

8 000 35 000 000

7 000 30 000 000


6 000
25 000 000
Montante em Euros
Número de fogos

5 000
20 000 000
4 000
15 000 000
3 000

2 000 10 000 000

1 000 5 000 000

1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002

Número de fogos em curso Número de fogos concluídos


Comparticipação IGAPHE Comparticipação Municípios

Fonte: INH.

O Sector da Habitação no Ano 2003


1. APOIOS DO ESTADO À HABITAÇÃO

Como se pode verificar, quer o número de fogos concluídos, quer o número de fogos em
curso aumentou consideravelmente desde o lançamento destes programas. Entre 1992 e
2002, o número de fogos concluídos aumentou de 1.558 para 1.885, ao que corresponde
um aumento no montante de subsídio atribuído pelo Estado de EUR 6 milhões para EUR.
18 milhões e pelos municípios de EUR. 4 milhões para EUR. 12 milhões. Não obstante ter-se
verificado um crescimento nos fogos intervencionados, é evidente a pouca eficácia dos
programas, já que em dez anos se recuperaram apenas 23.710 fogos.

Apoio à aquisição de casa própria


A aquisição de casa própria tem sido fortemente incentivada pelo Estado. Dois instrumen-
tos têm sido usados como forma de estimular a aquisição de habitação própria por parte
das famílias portuguesas: i) a bonificação da taxa de juro dos empréstimos e a concessão
de benefícios e ii) deduções fiscais para aquisição de habitação.

Na Figura 5 apresenta-se a evolução do número de empréstimos contratados e custo total


para o Estado destes dois incentivos.
12
Figura 5
Incentivos do Estado à Aquisição de Casa Própria

450 000 000 250 000

400 000 000

350 000 000 200 000


Número de empréstimos

300 000 000


Montante em EUR

250 000 000 150 000

200 000 000

150 000 000 100 000


100 000 000

50 000 000 50 000

1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002

Valor das Valor das Número de


bonificações deduções fiscais Empréstimos

Fonte: DGT e DGCI.

O Sector da Habitação no Ano 2003


1. APOIOS DO ESTADO À HABITAÇÃO

Como se pode constatar, os incentivos à aquisição de casa própria têm sido muito signi-
ficativos, representando em 2002 cerca de EUR. 767 milhões, repartidos entre bonificação
de juros de empréstimos (EUR. 410 milhões) e benefícios e deduções fiscais (EUR. 356 mi-
lhões). O peso destes incentivos tem vindo a aumentar de forma acelerada, passando de
aproximadamente EUR. 258 milhões em 1992 para os já referidos EUR. 767 milhões em
2002; ou seja, um aumento de 197% em 10 anos, o que corresponde a uma TCAA de
11.5% ao ano.

Comparação dos diversos tipos de apoios


O apoio à aquisição de habitação própria tem um peso preponderante na política de apoio
do Estado à disponibilização de alojamentos aos cidadãos. A elevada percentagem de apoio
à aquisição de casa própria (por oposição ao apoio ao arrendamento), está bem patente
na Figura 6. Desde 1992 até 1997 o apoio a aquisição de habitação própria vinha a perder
peso para o apoio ao arrendamento (87% / 13% em 1992 para 74% / 26% em 1997) no
entanto, esta tendência inverte-se em 1997, atingindo-se em 2002 um peso de 81% no
apoio à aquisição de habitação própria e 19% no apoio ao arrendamento.
13
O fim do crédito bonificado no terceiro trimestre de 2002, decidido pelo actual executivo,
irá provocar uma redução no apoio à aquisição de habitação própria (relembre-se que o
esforço do Estado no apoio à bonificação de crédito se irá manter durante o prazo dos
contratos bonificados efectuados até Setembro de 2002), que se pretende ver substituído
por um incremento no apoio ao mercado de arrendamento.

Figura 6
Apoio ao Arrendamento e Apoio à Aquisição

100%
Repartição do apoio do Estado por política

90%
80%
70%
60%
50%
40%
30%
20%
10%
0
1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002

Peso do Apoio ao Arrendamento Peso do Apoio à Aquisição

Fonte: INH, IGAPHE, DGT, INE e DGCI.

O Sector da Habitação no Ano 2003


1. APOIOS DO ESTADO À HABITAÇÃO

Quadro 1
Apoios do Estado à Habitação (Valores em EUR milhões)

1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002

1.Apoio ao Arrendamento

Parque de Arrendamento Público

INH

Número de fogos concluídos 1 283 605 776 1 272 2 128 2 200 4 965 7 107 5 835 7 590 6 343

Comparticipação ao Investimento 26 521 20 794 25 817 28 271 48 687 97 046 111 206 110 119 130 812 124 533 87 630

Total Parque de
Arrendamento Público 26.521 20 794 25 817 28 271 48 687 97 046 111 206 110 119 130 812 124 533 87 630

Parque de
Arrendamento Privado

Incentivo ao
Arrendamento Jovem (IAJ)

Número de beneficiários 1 727 5 253 9 097 12 059 16 649 19 519 22 740 23 491 24 610 24 681 23 862

Comparticipação 754 9 758 18 172 25 436 36 311 43 561 51 687 53 875 57 378 58 390 57 423

14 Apoio à recuperação de edifícios


(RECRIA+RECRIPH+REHABITA)

Número de fogos concluídos 1 558 1 397 1 822 2 205 1 915 2 183 3 637 2 527 1 956 1 965 1 885

Número de fogos em curso 1 600 2 866 2 861 3 378 5 049 7 248 5 858 6 056 5 361 5 353 5 497

Comparticipação IGAPHE 5 915 10 240 12 185 15 258 20 640 27 563 29 688 28 032 16 944 17 013 18 224

Comparticipação Municipios 3 890 8 035 8 035 10 055 13 597 18 191 19 582 18 535 11 219 11 247 12 006

Total Parque de
Arrendamento Privado 10 560 28 033 38 392 50 749 70 548 89 315 100 957 100 442 85 541 86 650 87 653

Total Apoios ao Parque


de Arrendamento 37 081 48 827 64 209 79 020 119 235 186 361 212 163 210 561 216 353 211 183 175 283

2.Apoios a Compra
de Casa Própria

Número de Empréstimos 51 376 62 227 84 445 95 009 118 211 154 215 216 631 226 593 175 113 153 134 167 835

Montante 1 406 610 1 945 311 3 014 887 3 694 831 4 922 688 6 945 166 10 474 401 11 988 269 10 456 459 9 865 743 11 723 930

Valor de Bonificação 162 802 162 293 194 241 226 992 229 132 244 331 346 854 408 116 365 976 345 301 410 338

Valor das deduções fiscais 95 469 114 424 143 254 199 718 250 645 295 787 340 878 348 719 349 953 355 552 356 974

Total Apoios a
Compra Casa Própria 258 272 276 717 337 495 426 710 479 777 540 118 687 732 756 835 715 929 700 853 767 312

Total de Apoios do Estado 295 354 325 544 401 704 505 730 599 012 726 479 899 895 967 396 932 282 912 036 942 595

Fonte: INH, IGAPHE, DGT, INE e DGCI

O Sector da Habitação no Ano 2003


EVOLUÇÃO E CARACTERIZAÇÃO
2 DO PARQUE HABITACIONAL

Forte crescimento do parque habitacional


Com base nos resultados dos censos de 1970, 1981, 1991 e 2001 realizados pelo Instituto
Nacional de Estatística, é possível avaliar a evolução dos alojamentos familiares clássicos em
Portugal. O Quadro 2 e a Figura 7 apresentam esta evolução.

Quadro 2
Número de Alojamentos Familiares Clássicos no Continente

Variação Variação Variação


Residência Uso sazonal/ Percentual Percentual
Censos Total Percentual
Habitual vagos Residência Uso sazonal/ Total
Habitual vagos

(face ao censo anterior)

1970 2.135.360 423.380 2.558.740 - - -


15
1981 2.653.100 586.900 3.240.000 24 39 27

1991 2.928.500 1.061.770 3.990.270 10 81 23

2001 3.410.548 1.421.989 4.832.537 16 34 21

Fonte: INE – Censos 1970, 1981, 1991 e 2001.

Nas últimas três décadas o número de alojamentos familiares clássicos praticamente dupli-
cou, passando de 2.5 milhões em 1970, para 4.8 milhões em 2001. Note-se, no entanto, que
o aumento de fogos para residência habitual no mesmo período é aproximadamente de
1.2 milhões, sendo que o aumento de fogos de uso sazonal e vagos, é de aproximadamente
1 milhão, o que representa uma taxa de crescimento superior a 200% nas últimas três
décadas.

O Sector da Habitação no Ano 2003


2. EVOLUÇÃO E CARACTERIZAÇÃO
DO PARQUE HABITACIONAL

Figura 7
Repartição e Evolução de Alojamentos Clássicos por Tipo de Ocupação

6 000

5 000
%
2.14
-20 01)=
4 000 A(1970
TCA
milhões de fogos

3 000

2 000

1 000

1970 1981 1991 2001

16 Residência Habitual Uso sazonal/vago total

NOTA: TCAA – Taxa de crescimento anual acumulada.


Fonte: INE – Censos 1970, 1981, 1991 e 2001.

Assim, verifica-se que uma parte substancial do crescimento de alojamentos familiares clás-
sicos no Continente se ficou a dever em grande medida ao aumento do número de aloja-
mentos de uso sazonal e vagos.

Durante o período 1981-1991, Portugal Continental registou um forte crescimento de


fogos de uso sazonal e vagos. Como se pode verificar no Quadro 2, a taxa de crescimen-
to desta classe de fogos durante a década de oitenta foi de 81%. Nesta década, o cresci-
mento desta classe ultrapassou mesmo em montante absoluto o crescimento de fogos para
residência habitual: 475 mil fogos contra 275 mil, respectivamente. Esta tendência, comple-
tamente atípica, foi invertida na década de 90, com a residência habitual a aumentar 482 mil
fogos e a habitação de uso sazonal e vagos a aumentar 360 mil fogos.

Nos últimos anos, o parque residencial manteve uma evolução apreciável, tendo o número
de alojamentos aumentado em cerca de 21% (800 mil alojamentos) entre 1991 e 2001.

O Sector da Habitação no Ano 2003


2. EVOLUÇÃO E CARACTERIZAÇÃO
DO PARQUE HABITACIONAL

Figura 8
Evolução do Número Total de Alojamentos entre 1991 e 2001

4.866
21%
34
4.028
-9%
37 1.422
34%

1.062
16%

3.411
2.929

1991 2001
17
Residência Habitual Uso sazonal/vago Outros Alojamentos

Fontes: INE – Censos 1991 e 2001.

Como se pode verificar na Figura 8, os alojamentos de residência habitual cresceram 16%


durante a década de 90, mantendo uma taxa de crescimento que acompanhou a evolução
do número de famílias (que aumentou também 16%). Os alojamentos que não constituem
residência habitual registaram uma taxa de crescimento significativa (34%) representando,
em 2001, cerca de 30% do total do parque habitacional total. Ao mesmo tempo, regista-se
um decréscimo de alojamentos não clássicos, o que se deve em grande parte à redução do
número de barracas (de 15.607 para 11.185).

A evolução no número de alojamentos não foi, todavia, homogénea em Portugal. Pelo


Quadro 3 é possível verificar que as zonas metropolitanas (em especial o Grande Porto)
cresceram a uma taxa superior à do Resto do Continente, quer em termos de número de
residências habituais, quer em termos de residências não habituais. Quanto ao tipo de alo-
jamentos não clássicos, verifica-se um decréscimo de 28% na Grande Lisboa, que contrasta
com a evolução observada na Península de Setúbal (76%).

O Sector da Habitação no Ano 2003


2. EVOLUÇÃO E CARACTERIZAÇÃO
DO PARQUE HABITACIONAL

Quadro 3
Crescimento do número de alojamentos por zona geográfica

(%), no período 1991-2001

Alojamentos Clássicos
Alojamentos
Total
Como residência Uso não clássicos
habitual Sazonal/vagos

Continente 21 16 34 -9

Grande Lisboa 21 18 39 -28

Grande Porto 31 24 60 32

Península de Setúbal 26 23 35 76

Resto do Continente 18 13 30 -7
18
Fonte: Portugal, INE – Censos 1991 e 2001.

Em 2001, a repartição geográfica dos alojamentos no Continente era a que se apresenta


na Figura 9.

Figura 9
Distribuição do Número de Alojamentos por Zona Geográfica em 2001

19%
Grande Lisboa

63% 11%
Resto do Continente Grande Porto

7%
Península de Setúbal

Fonte: INE – Censos 2001.

O Sector da Habitação no Ano 2003


2. EVOLUÇÃO E CARACTERIZAÇÃO
DO PARQUE HABITACIONAL

No Quadro 4 são apresentadas as taxas de crescimento anuais acumuladas por década e


para os últimos trinta anos. Mais uma vez se constata que a taxa de crescimento anual acu-
mulada do parque habitacional total tem sido significativamente superior à taxa de cresci-
mento anual acumulada dos alojamentos de residência habitual.

Quadro 4
Taxas de Crescimento Anual Acumulada por Período

Taxa de Crescimento Anual Acumulada (TCAA, %)


Período
Residência Habitual Uso Sazonal/vagos Total

1970-1981 2,2 3,3 2,4

1981-1991 1,0 6,1 2,1

1991-2001 1,5 3,0 1,9 19


1970-2001 1,5 4,1 2,1

Fontes: INE – Censos 1970,1981,1991 e 2001, cálculos SEH.

Portugal comparado com outros países


Quando se compara a situação de Portugal com outros países (Espanha, França, Itália, Grã-
-Bretanha e EUA) verifica-se a existência de uma tendência semelhante, ou seja, uma
diminuição da taxa de crescimento do número de habitações por período; porém, esta
diminuição das taxas de crescimento é significativamente mais lenta em Portugal, fazendo
com que o nosso país apresente, na década de 90, uma taxa de crescimento do número
de alojamentos que é praticamente o dobro da de Espanha.

Estas elevadas taxas de crescimento do número de alojamentos que tem existido em


Portugal, traduzem-se no segundo rácio mais elevado de alojamento por família dos países
considerados. Na Figura 10 apresenta-se essa comparação.

O Sector da Habitação no Ano 2003


2. EVOLUÇÃO E CARACTERIZAÇÃO
DO PARQUE HABITACIONAL

Figura 10
Taxas de Crescimento de Alojamentos por Período

30%

25%

20%

15%

10%

5%

0%
Portugal Espanha França Itália Grã-Bretanha EUA

1970-1981 1981-1991 1991-2001

Fontes: Portugal, INE – Censos 1970,1981,1991 e 2001; Espanha, EHS – 1980,1990,2000; França, ISEE – Censos 1990 e 1999;
Itália, ISTAT – Censos 1971, 1981, 1991 e 2001; Grã-Bretanha, SEH – 1971, 1980, 1990 e 2000; EUA, USA – USCB,
Censos 1970, 1980, 1990 e 2000.

20
A Figura 11 ilustra o que se pode denominar por “padrão mediterrânico”, ou seja, países
que estão mais expostos ao turismo apresentam um maior rácio de alojamento por família.
É o caso de Portugal, Espanha, França e Itália.

Figura 11
Número de Alojamentos por Família

1,5 1.44
1.38
1.20 1.20
1.10
1.00
1,0

0,5

0
Portugal Espanha França Itália Grã-Bretanha EUA

Fontes: Portugal, INE – Censos 1970,1981,1991 e 2001; Espanha, EHS – 1980,1990,2000; França, ISEE – Censos 1990 e 1999;
Itália, ISTAT – Censos 1971, 1981, 1991 e 2001; Grã-Bretanha, SEH – 1971, 1980, 1990 e 2000; EUA, USA – USCB,
Censos 1970, 1980, 1990 e 2000.

O Sector da Habitação no Ano 2003


2. EVOLUÇÃO E CARACTERIZAÇÃO
DO PARQUE HABITACIONAL

Um elemento que também deverá ser considerado é, como já se referiu anteriormente, o


facto de Portugal ser um país com uma forte emigração.Tradicionalmente, os emigrantes por-
tugueses têm, após alguns anos a trabalhar no estrangeiro, investido na construção/aquisição
de habitação de uso sazonal no nosso país.

Forma de ocupação dos alojamentos


Analisando os alojamentos segundo a sua forma de ocupação, podemos concluir que existe
em Portugal um número significativo de fogos vagos – 544 mil. Note-se que em 2001 o
número de habitações que se encontrava para venda e arrendamento era de 105 mil e 80
mil, respectivamente.

Figura 12
Alojamentos Clássicos Segundo Forma de Ocupação (Portugal)

6 000 Percentagem do total 100% 21


89% 5.019
5 000
4.476
4 000
3.551

3 000

2 000
11%
924
1 000
544
105 80 331
28
0
Resid. Uso Total Para Para Para Outros Total Total
Habitual Sazonal Venda Arrendamento Demolição Geral

Ocupados Vagos

Fontes: INE – Censo 2001.

Tendo por base os dados do Censo 2001 para Portugal, apresenta-se na Figura 12 a repar-
tição dos alojamentos segundo a forma de ocupação.Verifica-se que 89% dos alojamentos
se encontravam ocupados; no entanto, destes, cerca de 924 mil, ou seja, 20%, têm apenas

O Sector da Habitação no Ano 2003


2. EVOLUÇÃO E CARACTERIZAÇÃO
DO PARQUE HABITACIONAL

uma ocupação sazonal. A percentagem de alojamentos vagos representava em 2001 aproxi-


madamente 11% do total dos alojamentos.

Quadro 5
Evolução do Número de Alojamentos Clássicos, Ocupados como Residência Habitual,
Segundo Entidade Proprietária em Portugal

Variação Variação
Censo 1981 Censo 1991 Censo 2001
2001/1981 %

Ocupante 1.567.070 1.978.087 2.688.469 1.121.399 71,6

Particulares.e.empresas.privadas 1.078.497 935.926 744.778 -333.719 -30,9

Estado,.Autarquias.e.outras.ent.
Públicas.e.de.fins.sociais 123.481 141.499 117.982 -5.499 -4,5

22 Total 2.769.048 3.055.512 3.551.229 782.181 28,2

Fonte: Portugal, INE – Censos 1981, 1991 e 2001.

O número de alojamentos ocupados pelos proprietários registou um crescimento assi-


nalável entre 1981-2001, tendo passado de 1.567.070 para 2.688.469, isto é, cerca 71.6%
(ver Quadro 5), valor que contrasta com a queda do número de alojamentos ocupados
cuja propriedade é de outros entes privados.

Tal situação justifica-se essencialmente devido ao congelamento de rendas no mercado de


arrendamento em 1975, que provocou uma diminuição da oferta de alojamentos para
arrendamento; já na década de 90, mesmo com uma alteração legislativa no sentido de
reformular o regime de arrendamento urbano, manteve-se a tendência de crescimento de
alojamentos ocupados pelo proprietário, que poderá ser explicada pelo aparecimento de
produtos de crédito atractivos para aquisição de habitação, aliados à forte descida que as
taxas de juro verificaram, em consequência do processo de adesão à moeda única europeia,
a partir de 1996.

Este efeito fez-se sentir de forma mais intensa entre 1998 e 2001, período em que se veri-
ficou um crescimento muito elevado no endividamento das famílias, resultante não só do

O Sector da Habitação no Ano 2003


2. EVOLUÇÃO E CARACTERIZAÇÃO
DO PARQUE HABITACIONAL

facto das taxas de juro já se encontrarem a níveis historicamente muito baixos, mas também
de uma agressividade comercial do sector financeiro na concessão de crédito para habitação.

Neste período, o número de alojamentos cuja propriedade é de outras entidades particu-


lares (que na sua esmagadora maioria é composta por alojamentos arrendados) caiu cerca
de 30%, como reflexo das dificuldades existentes no mercado de arrendamento.

Os alojamentos clássicos detidos pelo Estado, autarquias e outras entidades públicas e de


fins sociais não registaram uma variação significativa desde 1981, não ultrapassando, em
2001, cerca de 3.3% dos alojamentos ocupados como residência habitual.

Quadro 6
Comparação do Regime de Propriedade dos Alojamentos Clássicos de Residência Habitual de
Acordo com a Data de Construção no Continente

Ocupante Outros particulares Estado,Autarquias e


Total Proprietário e empresas privadas outras entidades
Ano de
Construção
Públicas e de fins sociais
23
Número % Número % Número % Número %

Antes de 1980 1.938.014 100,0 1.314.928 67,8 555.332 28,7 67.754 3,5

1981-1991 737.961 100,0 617.317 83,7 102.207 13,8 18.437 2,5

1991-2001 734.573 100,0 638.531 86,9 70.075 9,5 25.967 3,5

Total 3.410.548 100,0 2.570.776 75,4 727.614 21,3 112.158 3,3

Fonte: INE – Censo 2001.

De acordo com o Censo 2001 (ver Quadro 6), a maioria dos alojamentos ocupados como
residência habitual tem uma data de construção anterior a 1980 (cerca de 57%). O número
de alojamentos ocupados pelo proprietário é, em termos médios, bastante elevado (75.4%
do total de alojamentos ocupados), sendo de salientar que esta tendência se faz sentir mais
intensamente nos alojamentos ocupados, construídos após 1991.

Assim, a grande fatia do parque habitacional construído após 1990 foi destinado a habitação

O Sector da Habitação no Ano 2003


2. EVOLUÇÃO E CARACTERIZAÇÃO
DO PARQUE HABITACIONAL

própria (86.9%), em contraste com apenas 13% dos fogos ocupados por não proprietários
(9.5% + 3.5%). Note-se que relativamente aos alojamentos com data de construção ante-
rior a 1980, estes valores são de 67.8% e 32.2% respectivamente, o que traduz uma maior
mobilidade das famílias portuguesas durante a década de 90 relativamente ao passado e o
facto de apesar do regime de crédito à habitação ter sido criado em 1976, só com a legis-
lação publicada em 1980 começa a ter impacto.

Observando os dados sobre o regime de ocupação por zona geográfica (Figura 13), verifi-
ca-se que nas zonas metropolitanas o peso relativo dos alojamentos clássicos ocupados
pelo proprietário é menor do que no resto do país, sugerindo uma maior importância do
mercado de arrendamento nestas áreas. Com efeito, apenas 64.7% dos alojamentos se
encontra ocupado pelos proprietários na Grande Lisboa, quando comparado com 81%
para o resto do Continente.

Figura 13
Distribuição do Regime de Propriedade na Grande Lisboa, Grande Porto, Península de Setúbal
e resto do Continente

24 6.0% 6.2% 4.0% 2.0%

20.4% 17.0%
29.3% 28.1%

75.6% 81.0%
64.7% 65.8%

Grande Lisboa Grande Porto Península Setúbal Resto do Continente

20% 12% 8% 60%

% do total de alojamentos
Estado, Autarquias e outras Entidades Públicas e de fins sociais
Outros particulares e empresas privadas
Ocupante

Fonte: INE – Censo 2001.

No que diz respeito aos alojamentos de residência habitual não ocupados pelos proprie-
tários (ver Figura 14 e Quadro 7), verifica-se que cerca de 86% dos alojamentos estão
arrendados ou subarrendados, sendo que apenas 14% se encontram classificados como
cedência gratuita ou outras situações.

O Sector da Habitação no Ano 2003


2. EVOLUÇÃO E CARACTERIZAÇÃO
DO PARQUE HABITACIONAL

Figura 14
Alojamentos de Residência Habitual, não Ocupados pelo Proprietário no Continente

14.0% 100,0%

2.2% 117.804
8.6%
16.0% 72.402 18.695

59.1% 134.321

839.772
496.550

Contrato Contrato Renda Sub-arrendados Outra Total


renovável com duração social/apoiada situação
sem prazo limitada

Fonte: INE – Censo 2001.


25

Quadro 7
Distribuição de Alojamentos de Residência Habitual, não Ocupados pelo Proprietário
por Zona Geográfica em 2001

Alojamentos arrendados
segundo o tipo de contrato
Zona Sub- Outras
Total
Geográfica Contrato Contrato Contrato -arrendados operações
Total de duração renovável de renda
limitada sem prazo social/apoiada

Continente 100 84 16 59 9 2 14

Grande Lisboa 100 90 15 64 11 2 8

Grande Porto 100 88 14 61 12 2 10

Península de Setúbal 100 88 11 66 11 2 9

Resto do Continente 100 77 18 54 5 2 20

Fonte: INE – Censo 2001.

O Sector da Habitação no Ano 2003


2. EVOLUÇÃO E CARACTERIZAÇÃO
DO PARQUE HABITACIONAL

Considerando apenas os alojamentos arrendados, verifica-se que é nas regiões da Grande


Lisboa e da Península de Setúbal que os contratos renováveis sem prazo têm um maior
peso, representando respectivamente 64% e 66% do total de alojamentos não ocupados
pelo proprietário.

Quanto aos contratos de duração limitada, estes atingem uma maior proporção no resto
do Continente, quando comparados com a Grande Lisboa, Grande Porto e Península de
Setúbal. Registe-se ainda o elevado número de alojamentos não arrendados no Resto do
Continente, sendo muitos destes cedências gratuitas do alojamento.

De referir ainda a importância do parque de arrendamento público que, em termos globais


representa 9% (72 mil alojamentos) dos alojamentos arrendados, sendo que nas áreas me-
tropolitanas de Lisboa e Porto a sua incidência situa-se entre 11% e 12%.

Alojamentos clássicos não ocupados habitualmente


Conforme referido anteriormente, em Portugal o ritmo de crescimento do número de alo-
26 jamentos clássicos não ocupados habitualmente tem sido bastante elevado. De um total de
cerca de 1.42 milhões de alojamentos, 63% são destinados a uso sazonal ou secundário,
encontrando-se os restantes vagos (ver Quadro 8).

Quadro 8
Evolução do Número de Alojamentos Clássicos não Ocupados Habitualmente no Continente

Variação Variação
Censo 1981 Censo 1991 Censo 2001
2001/1981 %

Uso sazonal/ocupante ausente 190.331 427.102 524.709 334.378 175.7

Vagos 423.505 634.904 897.280 473.775 111.9

Total 613.836 1.062.006 1.421.989 808.153 131.7

Fonte: INE – Censos 1981,1991 e 2001.

O Sector da Habitação no Ano 2003


2. EVOLUÇÃO E CARACTERIZAÇÃO
DO PARQUE HABITACIONAL

Em termos de distribuição, constata-se que, em termos relativos, o número de alojamentos


de uso sazonal é menor na Grande Lisboa e no Grande Porto, assumindo maiores pro-
porções no resto do Continente (ver Figura 15). Porém, os alojamentos vagos, que nas
regiões de Lisboa e Porto assumem uma importância relativa superior à do Continente,
representam em conjunto, mais de 30% do total de fogos do Continente.

Figura 15
Peso dos Alojamentos Clássicos não Ocupados Habitualmente por Região em 2001 (%)

40

35

30
10.4%
25
10.9 %
10.9%
20

11.6%
15

10
22.9%
11.9%
27
18.6 % 17.5%
5 9.7% 9.9%

0
Continente Resto do Península de Grande Porto Grande Lisboa
Continente Setúbal

Uso sazonal / ocupante ausente Vagos

Fonte: INE – Censo 2001.

Carências habitacionais
Portugal tem ainda fortes carências habitacionais, que podem ser caracterizadas de duas
formas: carências habitacionais quantitativas, ou seja, ao nível do número de fogos neces-
sário ao alojamento de agregados familiares que residem em alojamentos não clássicos e à
eliminação de situações de coabitação, ainda que em alojamentos clássicos; e carências
habitacionais qualitativas, ou seja, ao nível das condições mínimas de habitabilidade.

Dezassete anos após ter aderido à então Comunidade Económica Europeia, Portugal apre-
senta ainda hoje muitas carências habitacionais. O Quadro 9 mostra as famílias que residem
em alojamentos familiares não clássicos, tendo por base os dados obtidos no Censo 2001.

O Sector da Habitação no Ano 2003


2. EVOLUÇÃO E CARACTERIZAÇÃO
DO PARQUE HABITACIONAL

Verifica-se que existiam em 2001 cerca de 27 mil alojamentos não clássicos, com um total
de aproximadamente 29 mil famílias residentes (ou seja, uma média superior a 1 família por
alojamento), o que corresponde a mais de 80 mil pessoas a residirem em alojamentos não
clássicos.

Para além desta situação, existiam ainda 121.119 famílias que, embora residindo em aloja-
mentos clássicos, partilham a habitação com uma ou mais famílias, situação que representa
cerca de 3% das famílias.

Quadro 9
Carências Habitacionais em Portugal, Alojamentos Familiares não Clássicos

Barracas Casas de Móveis Improvisados Outros Total


Madeira

28 Alojamentos 11.540 2.689 882 9.082 3.126 27.319

Famílias clássicas 12.181 2.801 1.068 9.622 3.511 29.183

Pessoas.residentes 38.838 7.687 2.475 24.850 8.133 81.983

Fonte: INE – Censo 2001.

Comparando os dados do Quadro 9 e da Figura 12, verifica-se que o número de aloja-


mentos vagos supera largamente as carências habitacionais, ou seja, existe já hoje em
Portugal, o número de fogos potencialmente suficiente para fazer face às necessidades
habitacionais das famílias que residem em alojamentos não clássicos e em coabitação nos
alojamentos clássicos, se reunissem as condições necessárias, nomeadamente quanto à sua
localização e acessibilidade às famílias.

Embora não seja totalmente correcto fazer uma correspondência directa entre o número
de fogos vagos e as carências habitacionais, sobretudo quando se trata de valores agrega-
dos, pode, todavia, afirmar-se, que a resolução das carências habitacionais poderá passar em

O Sector da Habitação no Ano 2003


2. EVOLUÇÃO E CARACTERIZAÇÃO
DO PARQUE HABITACIONAL

grande medida pela colocação dos fogos vagos no mercado, evitando desse modo a neces-
sidade de novas construções.

Contudo, as carências habitacionais, não se resumem à necessidade de habitação; de facto,


ao nível qualitativo, o cenário habitacional é também motivo de grande preocupação.
Na realidade, mesmo relativamente às famílias que não partilham o alojamento há situações
de sobreocupação, ou seja, em que a dimensão do alojamento é inferior às necessidades da
família, de acordo com a sua dimensão.

O conceito de sobreocupação encontra-se relacionado com o “padrão” que se considera


aceitável e adequado à dimensão da família, situação que está longe de ser pacifica, embora
existam alguns critérios internacionais estabelecidos. Importa referir, também, que é signifi-
cativo o número de alojamentos em situação de subocupação.

Ao nível da qualidade habitacional, a situação de sobrelotação referida é agravada com a


falta de outras condições básicas de habitabilidade. Aproximadamente 325 mil alojamentos
carecem de pelo menos uma das quatro infra-estruturas básicas (electricidade, instalações
sanitárias, água canalizada e instalações de banho ou duche), factor fortemente correla-
cionado com a idade do alojamento e mesmo com a sua localização. De facto, cerca de 29
70% destes alojamentos situam-se em edifícios com mais de 40 anos, isto é anteriores a
1960. Existem ainda cerca de 115 mil alojamentos integrados em edifícios muito degrada-
dos, dos quais 57 mil são alojamentos de residência habitual.

Factores económicos, educacionais e culturais contribuem para esta situação, no entanto o


reduzido investimento em recuperação urbana deverá ser o principal factor explicativo da
actual situação.

Crescimento do parque habitacional


O forte crescimento da construção de alojamentos familiares clássicos nos últimos 10 anos
encontra-se patente na Figura 16, com destaque para o período posterior a 1996, em que
a adesão à moeda única europeia se reflectiu numa forte e prolongada descida das taxas
de juro, que passaram para níveis historicamente muito baixos, tendo, ao mesmo tempo, o
aumento da concorrência no sector bancário, fomentado a facilidade de acesso ao crédito,
pelo que as famílias portuguesas puderam ter acesso a financiamento fácil, e barato (o
Capítulo 3 desenvolve em mais pormenor este assunto). Outros factores tiveram, no entan-
to, também um papel preponderante nesta tendência; é o caso das fortes distorções no
mercado de arrendamento, dos fluxos migratórios nacionais, do aumento sustentado do
poder de compra e do aumento no nível educacional da população.

O Sector da Habitação no Ano 2003


2. EVOLUÇÃO E CARACTERIZAÇÃO
DO PARQUE HABITACIONAL

Figura 16
Evolução do Número Total de Alojamentos Familiares Clássicos

3.3

3.2

3.1

3.0

2.9

2.8

2.7
1992 1993 1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001

Fonte: INE – Censo 2001.

A construção de fogos tem crescido de forma sustentada nos últimos anos. Analisando a
30 evolução de fogos construídos por tipo de promotor, concluímos que este aumento se
deve maioritariamente a promotores privados. No Quadro e Figura seguintes, apresenta-se
a evolução de construção de fogos novos por tipo de promotor.

Quadro 10
Fogos Construídos por Tipo de Promotor

Sector Privado Organismos Públicos Cooperativas


Ano População
Fogos Fogo/Pop Fogos Fogo/Pop Fogos Fogo/Pop

1994 10.013 58.150 0,58% 1.392 0,014% 801 0,01%


1995 10.041 69.715 0,69% 525 0,005% 1.997 0,02%
1996 10.070 68.450 0,68% 1.264 0,013% 2.497 0,02%
1997 10.108 73.390 0,73% 1.207 0,012% 1.979 0,02%
1998 10.150 87.017 0,86% 2.592 0,026% 3.042 0,03%
1999 10.198 105.347 1,03% 1.279 0,013% 1.987 0,02%
2000 10.263 106.486 1,04% 2.631 0,026% 1.851 0,02%
2001 10.336 105.644 1,02% 1.334 0,013% 1.624 0,02%

Fonte: Portugal, INE – Anuário Estatístico de Portugal, 2003.

O Sector da Habitação no Ano 2003


2. EVOLUÇÃO E CARACTERIZAÇÃO
DO PARQUE HABITACIONAL

Figura 17
Crescimento Anual do Número de Alojamentos Familiares Clássicos por Promotor Privado e Total

Total
120 000

100 000
Sector Privado
80 000
n.º de alojamentos

60 000

40 000

20 000

0
1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001

Fonte: Portugal, INE – Anuário Estatístico de Portugal 2003.

31
Quer do Quadro 10, quer da Figura 17 resulta claramente que o sector privado tem sido
o motor do crescimento habitacional em Portugal. Comparando os rácios de fogos cons-
truídos por população residente verificamos que, enquanto os organismos públicos e as
cooperativas apresentam rácios praticamente constantes durante o período em análise, este
indicador para o sector privado apresenta um crescimento surpreendente, situando-se,
desde 1999, de forma sustentada acima de 1% ou seja, em cada ano, Portugal está a cons-
truir habitação para alojar mais de 1% da sua população.

Como atrás foi referido, a descida sustentada das taxas de juro em Portugal nos últimos
anos, bem como a maior facilidade de acesso ao crédito, permitiu que muitos portugueses
comprassem casa.

Estado de conservação da habitação em Portugal


Apesar dos significativos montantes financeiros que anualmente são despendidos por par-
ticulares, instituições privadas, Estado, Autarquias, cooperativas e outras instituições públicas,
o estado de conservação dos alojamentos em Portugal não é o melhor. De acordo com os
dados do Censo 2001 para Portugal, nesse ano, cerca de 15% (800 mil) do total dos alo-
jamentos careciam de obras de recuperação, sendo que 6% (325 mil) se encontravam
degradados ou muito degradados (ver Figura 18).

O Sector da Habitação no Ano 2003


2. EVOLUÇÃO E CARACTERIZAÇÃO
DO PARQUE HABITACIONAL

Figura 18
Estado de Conservação dos Alojamentos em Portugal em 2001

6 000 5 019 120%


100%
5 000 100%

4 000 80%
3 091
Nº de Alojamentos

% de Alojamentos
62%
3 000 60%

2 000 1 133 40%


23% 470
9% 211
1 000 114 20%
4% 2%
0 0%
Bem Razoável A precisar Degradado Muito Total
Conservados de obras degradado

Fonte: INE – Censo 2001.

A análise por regime de ocupação revela que dos 800 mil alojamentos a necessitar de
obras, 510 mil (64%) são de residência habitual, 180 mil (22%) encontram-se vagos e os
32 restantes 110 mil (14%) são de uso sazonal.

Quadro 11
Alojamentos Clássicos de Acordo com o Regime de Ocupação por Estado de Conservação dos
Edifícios em Portugal

TOTAL Residência Uso Vagos


habitual sazonal

S/ necessidades reparação 3.091.013 2.214.208 624.481 252.324


Pequenas.reparações 1.132.792 827.704 190.317 114.771
Reparações.Médias 470.117 322.591 71.129 76.397
Grandes.Reparações 211.320 129.952 27.662 53.706
Muito.degradado 114.183 56.774 10.830 46.579

Fonte: INE – Censo 2001.

Quanto ao estado de conservação dos alojamentos de residência habitual, de referir (ver


Quadro e Figura seguintes) que 38% deste parque necessita de obras, sendo que cerca de
15% se encontra muito degradado que ronda os 200 mil fogos.

Quanto à distribuição geográfica dos alojamentos a necessitar de obras, importa referir que 36%
se localizam nas Áreas Metropolitanas de Lisboa Porto, mas quando a avaliação se restringe aos
alojamentos de residência habitual, o peso das áreas metropolitanas sobe para 41%.

O Sector da Habitação no Ano 2003


2. EVOLUÇÃO E CARACTERIZAÇÃO
DO PARQUE HABITACIONAL

O estado de degradação dos alojamentos em Portugal pode ser explicado pelo reduzido inves-
timento na sua conservação e manutenção (o que por sua vez se deve ao reduzido valor das
rendas dos contratos de arrendamento anteriores a 1990).

Quando comparado com os restantes países do espaço económico europeu verifica-se que
Portugal apresenta o valor de investimento em recuperação mais baixo dos países considera-
dos. Apenas 5,66% do total de investimentos em construção.

Quadro 12
Investimentos em Construção na Europa em 2000

País Habitação Reabilitação Não Residencial Engenharia Civil

Aústria 23,98% 32,14% 19,90% 23,98%


Bélgica 26,72% 31,47% 25,00% 16,81%
Dinamarca 12,94% 36,47% 20,59% 30,00%
Finlândia
França
19,70%
21,97%
31,82%
41,16%
28,79%
17,68%
19,70%
19,19%
33
Alemanha 27,99% 37,36% 18,86% 15,79%
Irlanda 34,01% 21,77% 24,49% 19,73%
Itália 17,23% 46,30% 15,06% 21,42%
Holanda 19,44% 37,96% 17,59% 25,00%
Noruega 17,93% 38,62% 22,07% 21,38%
Espanha 34,16% 22,45% 13,64% 29,75%
Suécia 11,04% 50,00% 14,29% 24,68%
Suiça 29,26% 23,33% 15,56% 31,85%
Grã-Bretanha 13,32% 41,39% 30,03% 15,27%
Portugal 49,06% 5,66% 17,92% 27,36%
Média Europeia 23,92% 33,19% 20,10% 22,79%

Fonte: Euroconstruct, AECOPS.

O Sector da Habitação no Ano 2003


2. EVOLUÇÃO E CARACTERIZAÇÃO
DO PARQUE HABITACIONAL

34

O Sector da Habitação no Ano 2003


EVOLUÇÃO DO CRÉDITO
3 E DAS TAXAS DE JURO

A acentuada descida das taxas de juro associadas ao crédito à habitação explica, em grande
medida, o forte impulso que o sector habitacional registou em Portugal durante os últimos
anos. A Figura 19 retrata esta situação.

Figura 19
Evolução do Montante do Crédito à Habitação (EUR milhões) e da Taxa de Juro de Referência
(Euribor a 6 meses, %)

14 000 12
Euribor a 6 meses
12 000 10

10 000
Montante (milhões de euros)

Percentagem
8 000
6
6 000

4 000
4
35
2 000 2

0 0
1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002

Montante total de empréstimos

Fonte: Direcção-Geral do tesouro e Bloomberg.

No entanto, outros factores foram igualmente relevantes para que a aquisição de habitação
própria com recurso ao crédito sofresse tão significativa expansão. De entre estes, desta-
cam-se:
● As restrições do lado da oferta no mercado de arrendamento privado, nomeada-

mente no que se refere aos prolongados controlos de rendas e à rigidez do regime


jurídico de arrendamento;
● A modernização e o aumento da competitividade do sector bancário, que se tradu-

ziu em políticas mais agressivas e persuasivas junto dos seus clientes, o que redirec-
cionou a procura de habitação para o mercado da aquisição em detrimento do mer-
cado de arrendamento;

O Sector da Habitação no Ano 2003


3. EVOLUÇÃO DO CRÉDITO E DAS TAXAS DE JURO

● A fraca expressão do sector de habitação social; e


● As novas oportunidades de aplicações de capitais em produtos financeiros de
rentabilidade assegurada e de curto prazo, em detrimento de aplicações em
poupanças na construção de habitações direccionadas para o arrendamento.

Tendo em atenção que as taxas de juro praticadas pelas diversas instituições de crédito nos
vários produtos associados ao crédito à habitação estão indexadas às taxas de juro nego-
ciadas no mercado monetário interbancário, importa analisar a evolução recente de uma
delas, nomeadamente a Euribor a 6 meses, a mais utilizada para empréstimos à habitação.

Figura 20
Evolução Recente das Taxas de Juro Relevantes para o Mercado da Habitação (%)

6
Euribor a 6 meses
36
5
Taxa de Referência do BCE
Percentagem

2
1994 1996 1998 2000 2002
Euribor a 6 meses Taxa de Referência do BCE

Fonte: Bloomberg.

Como a Figura 20 indica, a evolução que a Euribor a 6 meses tem vindo a experimentar
está intimamente relacionada com a política de taxas de juro seguida pela autoridade mo-
netária europeia, o Banco Central Europeu. Por exemplo, analisando o período posterior a
2000, pode-se facilmente constatar que, ou por movimentos de antecipação ou de reacção,
a Euribor a 6 meses tem vindo a acompanhar todos os movimentos da taxa Refi (taxa de
juro directora do Banco Central Europeu). Assim, depois de em Outubro de 2000 ter

O Sector da Habitação no Ano 2003


3. EVOLUÇÃO DO CRÉDITO E DAS TAXAS DE JURO

atingido um máximo de 5.2%, face à política expansionista seguida pelo BCE, a Euribor a 6
meses tem vindo a descer de um modo significativo, tendo atingido o valor historicamente
baixo de 2% em Maio de 2003.

Figura 21
Taxa de Endividamento das Famílias (em % do Rendimento Disponível)

120

100

80
Percentagem

60

40

20

0
1992 1994 1996 1998 2000 2002
37
Fonte: Banco de Portugal.

Durante os últimos anos, nomeadamente nos últimos quatro, o nível de endividamento das
famílias (medido pela relação do montante de encargos com empréstimos face ao rendi-
mento disponível, ver Figura 21) tem vindo a crescer de forma acentuada e sistemática, pas-
sando de próximo de 18% em 1992 para mais de 100% em 2002. Esta evolução encontra-
-se fundamentalmente relacionada com a já referida descida das taxas de juro afectas ao
crédito à habitação, mas também devido à descida da taxa de inflação, ao crescimento
económico sustentado (entretanto interrompido em 2001...) e à maior liberalização da con-
cessão de crédito por parte das instituições financeiras.

Como seria de esperar, esta tendência de crescimento do nível de endividamento das


famílias teve igualmente reflexo no número de contratos em vigor. Entre 1994 e 2002, o
número de empréstimos à habitação em vigor aumentou de cerca de 84 mil para aproxi-
madamente 170 mil, ou seja, um crescimento de cerca de 100%. Ao longo deste período,
é igualmente relevante verificar que, até 1998, o regime bonificado prevaleceu em relação
ao regime geral, situação que se inverteu a partir de 1999, não só devido à descida das taxas
de juro, mas também em consequência da legislação publicada em 1998, cujo objectivo era

O Sector da Habitação no Ano 2003


3. EVOLUÇÃO DO CRÉDITO E DAS TAXAS DE JURO

o de tentar moralizar o acesso ao crédito bonificado, dando prioridade aos agregados fami-
liares com maiores necessidades. A Figura 22 ilustra esta situação.

Figura 22
Repartição do Crédito à Habitação (número de contratos)

140 000

120 000
Número de contratos

100 000

80 000

60 000

40 000

20 000

0
1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002

38 Regime Bonificado Regime Geral

Fonte: Direcção-Geral do Tesouro.

Ao nível dos montantes envolvidos, constata-se igualmente que o ritmo de crescimento foi
significativo, passando de um valor contratado, em 1994, de EUR 3 mil milhões para EUR
11.7 mil milhões em 2002 (ver Figura 23).

Figura 23
Repartição do Crédito à Habitação (montante, EUR milhões)

8 000
7 000
montante (milhões euros)

6 000
5 000
4 000
3 000
2 000
1 000
0
1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002

Regime Bonificado Regime Geral

Fonte: Direcção-Geral do Tesouro.

O Sector da Habitação no Ano 2003


ENCARGOS DECORRENTES
4 DA HABITAÇÃO PRÓPRIA

De acordo com os dados do Censo 2001, aproximadamente 69% dos alojamentos ocupa-
dos pelos proprietários (cerca de 1.840 mil habitações) não tinham qualquer encargo asso-
ciado com a sua aquisição (ver Figura 24), estando os restantes 31% (isto é, 845 mil
habitações) a serem pagos a instituições financeiras ou outras entidades.

Figura 24
Recurso ao Crédito Junto das Instituições Financeiras (% do total de proprietários)

120%

100%

80%

60% 80% 69%

40%

20%
31%
39
20%
0%
1998 2001

Recorrem a crédito Não recorrem a crédito

Fonte: INE – Inquérito à Habitação 1998 e Censo 2001.

Este número tem vindo a crescer não só pelo aumento do número de alojamentos adquiri-
dos, mas também devido ao facto da grande maioria destes serem adquiridos com recur-
so a crédito. Tal como já foi referido, esta situação em muito se deve à descida acentuada
das taxas de juro e ao aumento do dinamismo da actividade bancária no nosso país.

Tendo por base o Inquérito à Habitação realizado pelo INE e referente a 1998, é possível
concluir que a dívida média neste ano rondava EUR. 27 mil, o prazo residual dos emprésti-
mos era de 15 anos e que o encargo mensal médio era de EUR. 215.

Como seria de esperar, a classe etária que mais recorre às instituições financeiras para
adquirir habitação é a mais jovem (até aos 30 anos). No entanto, é de realçar que só a par-
tir dos 65 anos é que a maioria dos novos proprietários recorre a capitais próprios para
aquisição de habitação própria (ver Figura 25).

O Sector da Habitação no Ano 2003


4. ENCARGOS DECORRENTES DA HABITAÇÃO PRÓPRIA

Figura 25
Faixa Etária dos Ocupantes dos Alojamentos Clássicos desde 1988

100%
18,1%
27,9%
80% 48,3%

60% 83,7%
81,9%
40% 72,1%
51,7%
20%
16,3%
0%
Até 30 anos (31-45) anos (46-64) anos 65 ou mais anos

Recorreu a crédito Não recorreu a crédito

Fonte: INE – Censo 2001.

40 Em termos de valor médio dos encargos relacionados com a aquisição de habitação, este
representa mais do dobro da renda média. Esta disparidade é ainda maior no que respeita
aos edifícios mais antigos (construídos até 1960) e nos mais recentes (construídos após
1996). Existe uma relação proporcional entre o valor médio de encargos e a idade recente
de construção dos imóveis (em especial após 1970). Por seu lado, ao nível das rendas médias
regista-se uma inversão no seu aumento nos edifícios construídos após 1990.

Figura 26
Encargos e Rendas Médias em Portugal em 2001, Segundo a Época de Construção

400
350
300
250
EUR

200
150
100
50
Antes 1919 1919-45 1946-60 1961-70 1971-80 1987-85 1986-90 1991-95 1996-2001

Rendas Encargos

Fonte: INE – Censo 2001.

O Sector da Habitação no Ano 2003


4. ENCARGOS DECORRENTES DA HABITAÇÃO PRÓPRIA

Comparando Portugal com alguns países europeus relativamente ao custo total associado
à habitação, constata-se que Portugal apresenta um custo de arrendamento muito reduzi-
do face à média comunitária, 1,8% em comparação com 4,4% (ver Quadro 13). A percen-
tagem de despesa total em manutenção e reparação situa-se em Portugal muito acima da
média comunitária (14,4% contra 2,2%).

Quadro 13
Custo Médio da Habitação (em % da despesa total), 2001

Manutenção Águas e Electricidade


País Renda Aquisição*
e reparação Esgotos e gás

Portugal 1,8 15,7 14,4 0,6 3,5

Espanha 1,4 19,0 2,8 2,1 2,9

França 4,7 12,5 1,3 1,8 3,9

Itália 2,5 11,1 1,2 1,4 3,4 41


Grã-Bretanha 4,3 8,4 2,7 0,9 -

Média Europeia 4,4 12,7 2,2 0,9 4,0

* Considera-se como “aquisição” o custo anual imputado à aquisição de uma habitação.


Fonte: OTB Reseach Institute for Housing, Urban and Mobility Studies, Housing Statistics in the European Union, 2001 e 2002.

Figura 27
Evolução do Índice de Preços no Consumidor e do Custo da Habitação (1980=100)

900
800
700
600
500
400
300
200
100
1980 1985 1990 1995 1999 2000 2001

Índice de Preços no Consumidor Custo de Habitação

Fonte: Housing Statistics in the European Union, 2002.

O Sector da Habitação no Ano 2003


4. ENCARGOS DECORRENTES DA HABITAÇÃO PRÓPRIA

A evolução dos custos de habitação (medidos tendo por base os custos de renda e
aquisição, manutenção e reparação, água e esgotos, e electricidade e gás) apesar de signi-
ficativa, tem acompanhado a evolução do índice de preços no consumidor, ou seja, os cus-
tos de habitação têm aumentado a um ritmo semelhante ao do índice de preços no con-
sumidor. Este facto é ilustrado na Figura 27.

Em termos internacionais, esta predominância de proprietários a habitar as próprias


habitações constitui, a nível europeu, uma característica dos países mediterrânicos (com
excepção da França), que se aproximam do verificado nos Estados Unidos. Contudo, é de
realçar, que foi em Portugal que o crescimento na década de 90 foi mais significativo (ver
Figura 28).

Figura 28
Proporção dos Alojamentos Ocupados pelo Proprietário em 1991 e 2001
Enquadramento Internacional

100
42 90

80

70

60
Percentagem

50

40

30

20

10

0
Portugal Espanha França Itália Grã-Bretanha EUA

1991 2001

Fontes: Portugal, INE – Censos 1970,1981,1991 e 2001; Espanha, EHS – 1980,1990,2000; França, ISEE – Censos 1990 e 1999;
Itália, ISTAT – Censos 1971, 1981, 1991 e 2001; Grã-Bretanha, SEH – 1971, 1980, 1990 e 2000; EUA, USA – USCB,
Censos 1970, 1980, 1990 e 2000.

O Sector da Habitação no Ano 2003


LICENCIAMENTO MUNICIPAL
5 DE FOGOS

Como referido anteriormente, foi a partir de 1998 que a construção de habitações regis-
tou um maior dinamismo, tendo atingido o valor de 10.8 fogos por mil habitantes em 2000.
Para este resultado, contribuiu de forma decisiva o desempenho do sector privado, que tem
compensado as quebras verificadas na construção de habitações a cargo de organismos
públicos e de cooperativas. Este fenómeno é ilustrado na Figura 29.

Figura 29
Fogos Construídos por Tipo de Promotor, 1994-2001

0.35 12

0.30 10
Milhares de habitantes por fogo construído

Milhares de habitantes por fogo construído


0.25
8
0.20
6
0.15

0.10
5 43
2
0.05

0.00 0
1994 1995 1996 1997 1998 1999 2001

Sector privado (escala da direita)


Organismos públicos (escala da esquerda)
Cooperativas (escala da esquerda)

Fonte: INE – Estatísticas da construção de edifícios, 1994-2001.

A este crescimento de fogos construídos corresponde um crescimento igualmente signi-


ficativo do número de fogos licenciados pelas câmaras municipais (ver Figura 30). De facto,
a partir de 1998, o número de fogos licenciados ultrapassou sempre a barreira dos 100.000,
tendo atingido o seu máximo de 122.000 em 1999.

Paralelamente, pode igualmente constatar-se a existência de uma diferença entre o número


de fogos licenciados e o número de licenças concedidas. Este facto pode ser explicado, em
grande medida, pelo permanente número elevado de obras em curso.

O Sector da Habitação no Ano 2003


5. LICENCIAMENTO MUNICIPAL DE FOGOS

Figura 30
Licenças Concedidas e Fogos Licenciados pelas Autarquias, 1994-2001

140 000
N.º de licenças concedidas e de fogos licenciados

120 000

100 000

80 000

60 000

40 000

20 000

0
1994 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001

Total de licenças concedidas Total de fogos licenciados

44 Fonte: INE – Estatísticas da construção de edifícios, 1994-2001.

Em termos europeus, constata-se que Portugal, entre 1990 e 1998, apresentou um ritmo
de licenciamento anual de fogos por mil habitantes claramente acima da média europeia –
5.6 fogos por mil habitantes (ver Figura 31). Esta diferença é ainda mais significativa quando é
comparada com o valor registado em 1999, de aproximadamente 12 fogos por mil habitantes.

Figura 31
Número Médio Anual de Fogos Licenciados por Mil Habitantes em Alguns Países da União
Europeia, 1990-1998
12

10

8
Percentagem

0
Portugal

Bélgica

Dinamarca

Alemanha

Grécia

Espanha

França

Irlanda

Itália

Luxemburgo

Holanda

Áustria

Finlãndia

Suécia

Portugal 1999

NOTA: Os dados de Portugal referem-se ao período 1994-1999.


Fontes: INE – Sector da Habitação no Ano 2000.

O Sector da Habitação no Ano 2003


ANEXOS
NECESSIDADES DE HABITAÇÃO
E FOGOS VAGOS POR CONCELHO

Concelhos Famílias vivendo em Alojamento Vagos

Barracas Outros Total Venda Aluguer Demolição Outros

Abrantes 28 61 2923 415 286 201 2021


Águeda 21 55 2083 267 303 254 1259
Aguiar da Beira 1 34 452 30 56 27 339
Alandroal 1 5 510 68 35 25 382
Albergaria-a-Velha 26 31 1029 128 101 80 720
Albufeira 113 85 2057 521 681 117 738
Alcácer do Sal 24 30 1274 58 97 112 1007
Alcanena 7 30 978 77 128 56 717
Alcobaça 38 76 3140 511 494 447 1688
Alcochete 3 27 643 158 94 64 327
Alcoutim 10 2 131 33 7 5 86
Alenquer 18 83 2319 573 94 41 1611
Alfândega da Fé 3 6 356 29 65 13 249
Alijó 1 8 1242 116 129 66 931
Aljezur 1 14 529 77 142 57 253
Aljustrel 2 18 808 75 13 67 653
Almada 649 594 8985 2658 702 185 5440
Almeida 30 21 371 35 64 17 255
Almeirim 20 37 1199 172 71 112 844
Almodôvar 1 8 850 45 42 89 674
Alpiarça
Alter do Chão
12
0
16
12
514
610
66
65
25
37
55
65
368
443 45
Alvaiázere 1 6 649 69 51 33 496
Alvito 0 5 237 23 11 3 200
Amadora 1345 252 8493 1959 1048 92 5394
Amarante 2 60 3235 275 611 179 2170
Amares 4 25 734 113 98 36 487
Anadia 17 25 1276 129 227 89 831
Ansião 4 6 1078 114 55 49 860
Arcos de Valdevez 16 20 1641 202 134 36 1269
Arganil 5 16 820 123 131 114 452
Armamar 6 9 406 71 74 31 230
Arouca 6 48 768 62 97 20 589
Arraiolos 2 3 695 50 20 24 601
Arronches 2 3 539 32 26 2 479
Arruda dos Vinhos 6 9 506 96 63 76 271
Aveiro 37 106 3389 605 477 244 2063
Avis 16 3 633 44 53 53 483
Azambuja 8 53 984 151 70 40 723
Baião 3 10 1447 151 246 122 928
Barcelos 50 143 2509 288 325 125 1771
Barrancos 0 1 174 9 16 30 119
Barreiro 51 190 5339 1735 442 154 3008
Batalha 7 21 542 70 50 17 405
Beja 54 31 2126 388 198 108 1432
Belmonte 4 4 609 60 109 15 425
Benavente 15 41 1550 554 76 87 833
Bombarral 8 57 955 78 55 80 742
Borba 18 4 295 35 43 10 207
Boticas 3 264 17 11 15 221
Braga 52 184 10121 2931 3031 270 3889
Bragança 9 20 2400 315 308 97 1680

O Sector da Habitação no Ano 2003


ANEXOS
NECESSIDADES DE HABITAÇÃO
E FOGOS VAGOS POR CONCELHO

Concelhos Famílias vivendo em Alojamento Vagos

Barracas Outros Total Venda Aluguer Demolição Outros

Cabeceiras de Basto 3 15 999 66 63 32 838


Cadaval 9 10 816 74 46 55 641
Caldas da Rainha 11 64 2858 548 453 244 1613
Caminha 10 32 732 190 230 12 300
Campo Maior 18 4 391 115 57 17 202
Cantanhede 12 32 1973 113 152 344 1364
Carrazeda de Ansiães 11 23 604 36 29 14 525
Carregal do Sal 3 20 644 78 50 43 473
Cartaxo 16 54 1290 219 61 55 955
Cascais 540 320 10691 4515 1194 165 4817
Castanheira de Pêra 0 1 396 34 21 5 336
Castelo Branco 57 45 3903 722 423 285 2473
Castelo de Paiva 2 11 570 23 125 34 388
Castelo de Vide 0 1 384 32 31 64 257
Castro Daire 3 16 738 41 34 26 637
Castro Marim 1 47 1143 138 787 67 151
Castro Verde 25 28 636 69 20 29 518
Celorico da Beira 12 10 845 85 80 63 617
Celorico de Basto 5 15 1504 52 176 66 1210
Chamusca 9 9 966 72 234 71 589
46 Chaves
Cinfães
47
5
54
22
2283
834
358
94
364
108
170
13
1391
619
Coimbra 46 206 7572 1079 1312 296 4885
Condeixa-a-Nova 4 2 650 219 71 22 338
Constância 7 4 316 39 20 21 236
Coruche 65 61 1477 79 136 142 1120
Covilhã 15 38 2653 431 571 115 1536
Crato 5 5 231 30 6 12 183
Cuba 5 9 342 63 13 35 231
Elvas 49 15 1465 184 272 46 963
Entroncamento 19 32 855 292 105 113 345
Espinho 27 144 1374 174 477 125 598
Esposende 3 20 1145 226 298 78 543
Estarreja 30 34 1288 137 147 85 919
Estremoz 29 5 1394 131 228 108 927
Évora 35 82 2520 275 354 82 1809
Fafe 15 44 2104 221 737 98 1048
Faro 80 368 3182 284 617 118 2163
Felgueiras 13 25 2078 280 851 102 845
Ferreira do Alentejo 2 6 700 71 42 89 498
Ferreira do Zêzere 2 8 621 67 32 33 489
Figueira da Foz 60 147 2745 516 239 299 1691
Figueira de Castelo Rodrigo 1 18 649 51 44 51 503
Figueiró dos Vinhos 0 3 343 74 26 7 236
Fornos de Algodres 2 4 271 33 27 18 193
Freixo de Espada à Cinta 5 4 422 65 97 10 250
Fronteira 0 6 282 43 70 34 135
Fundão 14 30 2049 312 275 138 1324
Gavião 0 13 406 58 14 10 324
Góis 1 209 31 27 7 144
Golegã 2 7 422 93 27 61 241
Gondomar 70 273 7554 2480 987 180 3907

O Sector da Habitação no Ano 2003


ANEXOS
NECESSIDADES DE HABITAÇÃO
E FOGOS VAGOS POR CONCELHO

Concelhos Famílias vivendo em Alojamento Vagos

Barracas Outros Total Venda Aluguer Demolição Outros

Gouveia 3 9 1710 145 123 74 1368


Grândola 2 27 911 86 161 38 626
Guarda 7 44 3637 447 544 184 2462
Guimarães 20 160 5182 868 1473 266 2575
Idanha-a-Nova 9 14 1035 138 23 88 786
Ílhavo 37 48 1531 272 316 101 842
Lagoa 65 102 1721 245 548 153 775
Lagos 16 68 1525 483 273 167 602
Lamego 38 27 1034 123 141 134 636
Leiria 33 109 5316 853 969 537 2957
Lisboa 2484 1259 40346 4599 7673 1175 26899
Loulé 61 212 4127 777 860 107 2383
Loures 768 458 8424 1120 1500 160 5644
Lourinhã 6 46 1769 326 258 175 1010
Lousã 1 15 1218 207 113 46 852
Lousada 8 26 1493 194 363 88 848
Mação 1 5 637 40 33 207 357
Macedo de Cavaleiros 7 22 655 132 126 69 328
Mafra 30 115 3251 930 322 166 1833
Maia 94 182 5677 2063 649 271 2694
Mangualde
Manteigas
4
0
28
9
1611
174
243
13
224
40
258
30
886
91 47
Marco de Canaveses 5 26 2028 315 521 91 1101
Marinha Grande 15 43 2797 568 804 216 1209
Marvão 0 6 323 23 34 - 266
Matosinhos 185 507 6313 1747 1054 336 3176
Mealhada 16 18 753 68 70 60 555
Meda 0 16 688 59 56 23 550
Melgaço 5 13 496 30 30 29 407
Mértola 6 3 1129 46 19 42 1022
Mesão Frio 5 2 124 10 6 7 101
Mira 16 954 163 268 88 435
Miranda do Corvo 12 935 131 34 40 730
Miranda do Douro 1 3 425 34 76 7 308
Mirandela 8 33 1395 173 209 133 880
Mogadouro 2 3 1230 87 86 67 990
Moimenta da Beira 18 10 1014 80 47 67 820
Moita 23 80 3152 840 149 106 2057
Monção 10 31 1332 59 100 63 1110
Monchique 2 10 845 41 74 18 712
Mondim de Basto 3 39 331 25 55 3 248
Monforte 18 3 279 48 42 65 124
Montalegre 8 4 621 64 40 9 508
Montemor-o-Novo 16 72 1367 111 135 47 1074
Montemor-o-Velho 19 35 919 76 56 99 688
Montijo 15 109 3221 804 171 188 2058
Mora 0 2 351 20 24 2 305
Mortágua 3 15 235 14 25 7 189
Moura 49 30 1025 97 31 95 802
Mourão 15 5 199 17 20 11 151
Murça 2 3 366 25 72 26 243
Murtosa 22 14 492 60 30 43 359

O Sector da Habitação no Ano 2003


ANEXOS
NECESSIDADES DE HABITAÇÃO
E FOGOS VAGOS POR CONCELHO

Concelhos Famílias vivendo em Alojamento Vagos

Barracas Outros Total Venda Aluguer Demolição Outros

Nazaré 5 58 718 115 177 117 309


Nelas 19 26 1034 156 92 97 689
Nisa 5 7 520 141 33 75 271
Óbidos 5 34 694 113 49 60 472
Odemira 27 41 3014 273 605 169 1967
Odivelas 333 373 5904 1901 721 30 3252
Oeiras 276 230 7180 2072 750 102 4256
Oleiros 0 1 347 15 20 45 267
Olhão 68 74 1802 225 256 170 1151
Oliveira de Azeméis 5 112 2410 391 501 160 1358
Oliveira de Frades 6 12 522 74 39 12 397
Oliveira do Bairro 29 27 888 69 109 97 613
Oliveira do Hospital 16 17 1328 157 259 65 847
Ourém 17 68 2959 318 310 463 1868
Ourique 0 3 730 51 30 9 640
Ovar 32 117 2148 414 270 166 1298
Paços de Ferreira 11 30 1593 255 435 60 843
Palmela 20 79 3406 1231 167 110 1898
Pampilhosa da Serra 1 2 373 52 24 31 266
Paredes 29 72 2587 345 540 92 1610
48 Paredes de Coura
Pedrógão Grande
8
1
10
6
290
314
53
40
66
27
-
27
171
220
Penacova 2 14 583 44 69 23 447
Penafiel 10 70 2583 434 692 116 1341
Penalva do Castelo 1 7 778 72 25 134 547
Penamacor 0 5 595 91 35 27 442
Penedono 1 4 449 17 11 27 394
Penela 1 12 604 63 11 6 524
Peniche 23 53 1345 323 261 65 696
Peso da Régua 16 23 433 79 90 18 246
Pinhel 0 5 723 92 104 24 503
Pombal 51 37 2755 258 216 489 1792
Ponte da Barca 3 10 489 50 79 4 356
Ponte de Lima 9 18 1236 102 244 24 866
Ponte de Sor 14 45 1293 142 174 94 883
Portalegre 3 14 1377 220 227 87 843
Portel 7 6 358 45 47 18 248
Portimão 120 64 3135 734 740 128 1533
Porto 187 607 18835 3019 4215 1065 10536
Porto de Mós 2 22 1498 208 236 96 958
Póvoa de Lanhoso 12 27 908 197 197 59 455
Póvoa de Varzim 27 80 2384 411 521 144 1308
Proença-a-Nova 0 11 276 53 44 23 156
Redondo 0 2 516 25 112 36 343
Regueng. Monsaraz 30 8 560 92 38 46 384
Resende 2 32 732 35 47 36 614
Ribeira de Pena 2 21 291 5 31 7 248
Rio Maior 23 35 1359 321 138 74 826
Sabrosa 2 32 451 36 71 65 279
Sabugal 3 12 1016 142 129 14 731
Salvaterra de Magos 15 33 967 90 61 57 759
Santa Comba Dão 6 11 602 67 56 52 427

O Sector da Habitação no Ano 2003


ANEXOS
NECESSIDADES DE HABITAÇÃO
E FOGOS VAGOS POR CONCELHO

Concelhos Famílias vivendo em Alojamento Vagos

Barracas Outros Total Venda Aluguer Demolição Outros

Santa Maria da Feira 51 199 5488 1563 831 250 2844


Santa Marta de Penaguião 11 3 512 44 22 46 400
Santarém 58 97 3049 544 380 103 2022
Santiago do Cacém 16 31 2561 180 237 47 2097
Santo Tirso 22 65 1838 215 417 72 1134
São Brás de Alportel 5 35 463 91 51 19 302
São João da Madeira 10 29 1827 589 433 43 762
São João da Pesqueira 5 8 543 61 53 59 370
São Pedro do Sul 9 29 989 85 77 27 800
Sardoal 2 1 316 39 47 31 199
Sátão 14 16 704 70 71 42 521
Seia 35 34 1854 218 243 89 1304
Seixal 156 261 5181 2245 420 93 2423
Sernancelhe 3 0 307 18 58 12 219
Serpa 14 11 1133 73 34 59 967
Sertã 3 16 495 155 106 24 210
Sesimbra 11 81 2390 1131 203 69 987
Setúbal 103 196 6886 2280 812 235 3559
Sever do Vouga 5 15 533 41 30 7 455
Silves 69 104 2553 445 505 135 1468
Sines
Sintra
51
259
57
594
672
19649
61
7934
261
1532
38
404
312
9779 49
Sobral Monte Agraço 4 12 428 67 39 7 315
Soure 5 8 1117 72 82 72 891
Sousel 1 5 556 39 31 41 445
Tábua 23 30 934 140 104 91 599
Tabuaço 11 471 32 50 81 308
Tarouca 7 13 525 48 32 149 296
Tavira 0 52 1691 344 196 192 959
Terras de Bouro 5 11 634 15 120 6 493
Tomar 50 101 2712 236 198 266 2012
Tondela 22 45 1899 150 131 144 1474
Torre de Moncorvo 5 7 915 147 67 76 625
Torres Novas 26 41 2254 417 228 135 1474
Torres Vedras 39 109 3245 637 404 232 1972
Trancoso 3 10 742 69 103 16 554
Trofa 9 66 1506 333 286 79 808
Vagos 20 14 665 65 84 53 463
Vale de Cambra 1 16 661 82 196 22 361
Valença 12 15 842 136 150 26 530
Valongo 51 125 3618 1471 392 78 1677
Valpaços 8 30 792 74 56 130 532
Vendas Novas 11 11 672 82 105 45 440
Viana do Alentejo 0 6 558 34 3 14 507
Viana do Castelo 63 95 4159 790 854 129 2386
Vidigueira 8 12 485 54 24 23 384
Vieira do Minho 1 10 542 79 91 47 325
Vila de Rei 0 7 139 33 4 17 85
Vila do Bispo 5 21 527 86 172 35 234
Vila do Conde 44 105 2363 456 340 126 1441
Vila Flor 6 11 567 63 76 77 351
Vila Franca de Xira 167 293 6186 1912 479 83 3712

O Sector da Habitação no Ano 2003


ANEXOS
NECESSIDADES DE HABITAÇÃO
E FOGOS VAGOS POR CONCELHO

Concelhos Famílias vivendo em Alojamento Vagos

Barracas Outros Total Venda Aluguer Demolição Outos

Vila Nova da Barquinha 6 22 505 212 58 21 214


Vila Nova de Cerveira 2 13 463 125 81 9 248
Vila Nova Famalicão 60 162 3528 565 806 196 1961
Vila Nova de Foz Côa 0 4 829 86 126 126 491
Vila Nova de Gaia 237 507 15619 5418 2376 373 7452
Vila Nova de Paiva 3 461 23 11 9 418
Vila Nova de Poiares 1 9 474 76 42 75 281
Vila Pouca de Aguiar 16 13 459 66 35 38 320
Vila Real 6 46 2787 352 579 140 1716
Vila Real Sto António 25 72 427 65 70 61 231
Vila Velha de Ródão 0 43 401 46 11 71 273
Vila Verde 20 70 1397 156 258 82 901
Vila Viçosa 1 3 394 91 94 22 187
Vimioso 2 4 410 36 15 58 301
Vinhais 2 2 513 22 32 10 449
Viseu 99 176 4206 740 790 261 2415
Vizela 7 17 464 59 140 29 236
Vouzela 13 5 873 39 21 15 798

R.A.MADEIRA 201 460 9904 1253 1108 615 6928


50 Calheta (R.A.M.)
Câmara de Lobos
2
11
4
40
899
812
129
64
77
40
35
88
658
620
Funchal 140 282 3349 617 605 241 1886
Machico 20 44 492 39 24 38 391
Ponta do Sol 0 1 747 60 36 68 583
Porto Moniz 1 2 200 7 5 2 186
Porto Santo 3 2 273 22 164 19 68
Ribeira Brava 6 12 990 72 15 23 880
Santa Cruz 7 45 1395 197 115 79 1004
Santana 10 18 187 10 2 6 169
São Vicente 1 10 560 36 25 16 483

R.A.AÇORES 161 275 9164 1035 1368 573 6188


Angra do Heroísmo 26 53 1151 79 158 67 847
Calheta (R.A.A.) 2 2 92 12 28 1 51
Corvo 0 0 8 0 0 0 8
Horta 4 47 333 13 48 24 248
Lagoa 16 27 465 50 40 12 363
Lajes das Flores 0 2 163 24 34 3 102
Lajes do Pico 0 3 344 11 11 7 315
Madalena 1 7 233 4 23 18 188
Nordeste 0 0 259 61 60 16 122
Ponta Delgada 25 44 1536 302 329 122 783
Povoação 1 0 451 59 70 27 295
Ribeira Grande 2 25 1061 186 89 81 705
S.ta Cruz da Graciosa (R.A.A.) 0 5 522 62 41 5 414
S.ta Cruz das Flores 0 2 163 12 34 5 112
São Roque do Pico 3 14 332 9 33 0 290
Velas (R.A.A.) 8 2 253 8 24 3 218
Vila da Praia da Vitória 70 22 839 60 205 60 514
Vila do Porto 2 9 723 24 117 109 473
V. Franca do Campo 1 11 236 59 24 13 140

O Sector da Habitação no Ano 2003


FONTES DE INFORMAÇÃO

• Instituto Nacional de Estatística (INE) – Censo 1970.

• INE - Censo 1981.

• INE - Censo 1991.

• INE - Censo 2001.

• INE – Inquérito à habitação 1998.

• INE – A evolução do parque habitacional português: Reflexões para o futuro.

• Banco de Portugal (BP) – Relatório anual de 2002.

• Direcção-Geral do Tesouro (DGT) – Relatórios Trimestrais de Crédito à Habitação. 51


• Instituto Nacional de Habitação (INH) – Informação estatística do capítulo 3. –
Intervenção do Estado.

• Estatísticas Internacionais – OTB Research Institute for Housing, Urban and Mobility
Studies, Housing Statistics in the European Union, 2001 e 2002.

O Sector da Habitação no Ano 2003


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Ficha Técnica

Editor
MINISTÉRIO DAS OBRAS PÚBLICAS,TRANSPORTES E HABITAÇÃO
Secretaria de Estado da Habitação
Instituto Nacional de Habitação

Concepção Gráfica
5W - Comunicação e Marketing Estratégico, Lda.

Impressão e Acabamento
Soartes-artes gráficas, lda.

Tiragem
2.500 exemplares

Depósito Legal
205750/04

O Sector da Habitação no Ano 2003


1. APOIOS DO ESTADO À HABITAÇÃO

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O Sector da Habitação no Ano 2003


O SECTOR
DA HABITAÇÃO
NO ANO 2003