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AMPLIFICADORES DIFERENCIAIS

Introdução

 O par diferencial ou amplificador diferencial é uma das configurações mais usadas


no projecto de circuitos integrados (IC) analógicos. Um dos exemplos mais
conhecidos é o andar de entrada dos amplificadores operacionais.

 Inicialmente inventados para serem usados em circuitos com válvulas foram depois
implementados em circuitos com transístores bipolares (BJTs). Foi no entanto com o
aparecimento dos circuitos integrados que estes circuitos se tornaram muito
populares nas tecnologias bipolares e MOS.

 Existem duas razões para que estes circuitos sejam tão indicados para o fabrico em
IC:
- Como o desempenho desta configuração depende fortemente do grau de
similaridade entre os dois lados do circuito, a implementação em IC é indicada, visto
que permite a fabricação de componentes praticamente iguais.
- Esta configuração utiliza mais componentes (aprox. o dobro dos circuitos
single-end) podendo muito mais facilmente ser compactada em IC.

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AMPLIFICADORES DIFERENCIAIS
Introdução

 Existem duas razões fundamentais para o uso de circuitos diferenciais


preferencialmente a circuitos single-end:

1 – Os circuitos diferenciais são mais imunes ao ruído e a interferências.


Considere-se que dois fios transportam uma pequena tensão diferencial e que
essa tensão sofre uma interferência (indutiva ou capacitiva). Como os dois fios
estão fisicamente próximos a tensão induzida nos fios (i.e., entre cada um dos
fios e a massa) é igual. Como o sistema é diferencial apenas a diferença entre os
dois fios é detectada, logo fica imúne ao ruído.

2 – A outra razão tem a ver com o facto das configurações permitirem


polarizações e acoplamentos entre andares sem a necessidade de condensadores
de by-pass e de acoplamento como aqueles usados em amplificadores discretos.
Esta é outra das razões pela qual os circuitos diferenciais são indicados para
fabrico em IC, onde o uso de grandes condensadores é economicamente
proibitivo.

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AMPLIFICADORES DIFERENCIAIS
O par diferencial MOS

 Na Fig. 1 temos representado um par diferencial MOS formado por dois transístores
iguais (matched pair) Q1 e Q2, com as suas sources ligadas e polarizados com uma
fonte de corrente I.
 Vamos admitir que a fonte de corrente é ideal e tem resistência de saída infinita.
Neste caso os drenos estão ligados a uma tensão de alimentação positiva através de
RD, sendo no entanto comum o uso de cargas activas (fontes de corrente).

Fig. 1

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O par diferencial MOS

Funcionamento com uma tensão de entrada em modo comum

 De forma a verificarmos o funcionamento do


par diferencial vamos considerar inicialmente
as gates ligadas entre si, e por sua vez ligadas
a uma tensão de modo comum (vCM).
 Devido à simetria, a corrente I divide-se
igualmente pelos dois transístores iD1=iD2=I/2,
sendo a tensão nas sources dada por

Fig. 2
(1)

 Desprezando a modulação do canal, VGS e (2)


ID/2 estão relacionados por

 Ou em termos da tensão de overdrive VOV (VOV=VGS-Vt) (3)

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O par diferencial MOS

 As tensões nos drenos são dadas por (4)

(Diferença entre tensões


nos drenos nula)

 Suponhamos que existe uma variação de vCM. Enquanto Q1 e Q2 estiverem na


saturação, a corrente I vai se dividir de forma idêntica entre Q1 e Q2, de forma a manter
as tensões no drenos iguais. Diz-se que o par diferencial não responde (rejeita) a
entradas de modo comum.

 Uma importante especificação de um amplificador diferencial são os seus limites à


tensão de entrada em modo comum (input common-mode range). Esta é a gama de vCM
para a qual o par diferencial funciona correctamente.

 O valor mais elevado de vCM é limitado de forma (5)


a que Q1 e Q2 se mantenham na saturação
(saturação: VGD<Vt)
 O valor mais baixo de vCM é dado pela tensão
mínima necessária (VCS) (cs - current source) para
que a fonte de corrente funcione correctamente (6)
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O par diferencial MOS

Funcionamento com uma tensão diferencial

 Vamos agora aplicar uma tensão diferencial vid


à gate de Q1 colocando a gate de Q2 à massa
como se mostra na Fig.3.

 Como vid=vGS1-vGS2, facilmente se verifica para


vid>0: vGS1>vGS2, iD1>iD2 e a tensão de saída (vD2-
vD1) é positiva.
 Por outro lado para vid<0: vGS1<vGS2, iD1<iD2 e a
tensão de saída (vD2-vD1) é negativa. Fig. 3

 Pelo exposto verifica-se que o par diferencial responde a uma entrada diferencial
colocando uma saída diferencial correspondente entre os dois drenos.

 Neste ponto é interessante verificar qual o valor de vid que faz com que toda a
corrente de polarização circule num dos transístores. Na parte positiva isto verifica-se
quando vGS1 atinge um valor tal que corresponde a id1=I e vGS2 é reduzida a um valor
igual a Vt (pois Id2=0), dando origem a Vs=-Vt. O valor de vGS1 é então dado por
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O par diferencial MOS

(7)

Sendo VOV a tensão de overdrive correspondente a uma corrente de dreno de I/2 (Eq. 3).

 O valor de vid para o qual a corrente I circula na totalidade em Q1 é então dado por

(8)

 Caso vid aumente acima de 2VOV iD1 mantém-se constante e igual a I (corrente
máxima), vGS1 mantém-se igual a Vt  2VOV  e vs aumenta pois (vid=vGS1+vs), logo Q2
fica off.

 O mesmo raciocínio pode ser efectuado do sentido contrário (até vid atingir  2VOV ),
estando nessa situação Q1 off e Q2 a conduzir toda a corrente I.

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O par diferencial MOS

 A corrente pode então ser comutada de um transístor para outro através da variação
de vid dentro da gama de funcionamento do modo diferencial

(9)

 De notar que assumimos que Q1 e Q2 se mantêm na saturação mesmo quando um


deles conduz a totalidade da corrente I.

 Para usar o par diferencial como amplificador diferencial a tensão vid é mantida baixa.
Como resultado a corrente num dos transístores aumenta I proporcionalmente a vid
para (I/2+I). Simultaneamente no outro transístor a corrente diminui o mesmo valor
(I/2-I). Um sinal de tensão -IRD aparece num dos drenos e um outro sinal IRD no
outro dreno. A tensão de saída entre os dois drenos é 2IRD, que é proporcional à
entrada diferencial vid.

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O par diferencial MOS
Funcionamento com grandes sinais

 Vamos agora obter expressões para as correntes nos drenos iD1 e iD2 em termos de
sinal diferencial de entrada vid=vG1-vG2, usando para isso a Fig. 4. Vamos admitir que Q1 e
Q2 estão sempre fora da zona de tríodo e como simplificação que os transístores são
perfeitamente iguais, desprezando ainda a modulação do canal e o efeito do corpo.

 Começando por exprimir as correntes de dreno de Q1 e Q2

(10)

(11)

 Aplicando raízes quadradas


(12)

(13) Fig. 4

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O par diferencial MOS

 Pela Fig. 4 verifica-se que (14)

 Subtraindo então (13) a (12) vamos obter (15)

 A fonte de corrente constante impõe que (16)

 As eq. (15) e (16) contêm as duas incógnitas iD1 e iD2. Elevando ao quadrado a eq. (15)
e usando a eq. (16) vamos obter

(17)

 Substituindo iD2=I-iD1 e elevando ao quadrado obtemos uma equação quadrática em


iD1, que pode ser resolvida originando como solução

(18)

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O par diferencial MOS

 Como um incremento em iD1 acima do ponto de polarização (I/2) deve ter a mesma
polaridade do que vid apenas a raiz com sinal + faz sentido físico

(19)

 Analogamente para iD2 vamos obter

(20)

 Para o ponto de funcionamento


em repouso (vid=0) temos

 As correntes de dreno (21)


podem então ser dadas por

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O par diferencial MOS

 A eq. (21) permite substituir nas eq. (19) e (20) por e obter iD1 e iD2 de
forma alternativa

(22)

(23)

 Estas equações descrevem o efeito da


aplicação de uma entrada diferencial vid
nas correntes iD1 e iD2. Podem ser usadas
para obter o traçado normalizado id1/I e
iD2/I em função de vid/VOV mostrado na
Fig. 5.

 Para vid=0 as duas correntes são iguais


a I/2. Para vid>0 existe um aumento de iD1
e uma igual diminuição de iD2, para
manter a soma constante. Quando vid
atinge 2VOV a corrente passa toda em Q1. Fig. 5
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O par diferencial MOS

 Para valores de vid negativos o que foi dito para iD1 é agora aplicado a iD2, sendo que a
corrente passa toda em Q2 para .

 As funções de transferência dadas pelas eq. (22) e (23) e representadas na Fig. 5 são
não lineares devido à existência do termo v2id. Para obtenção de amplificação linear
temos que manter vid o mais baixo possível. Para um dado valor de VOV a única coisa
que podemos fazer é manter (vid/2) muito menor que VOV, que é a condição para
aproximação para pequenos sinais, dando origem a

(24)

(25)

 Estas expressões indicam que, como esperado, iD1 aumenta com um incremento id e
iD2 diminui a mesma quantidade, sendo id proporcional à tensão diferencial vid

(26)

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O par diferencial MOS

 Regressando às eq. (22) e (23) verifica-se que a linearidade pode melhorar


aumentando a tensão VOV à qual Q1 e Q2 estão a funcionar. Isto pode ser feito usando
relações (W/L) mais pequenas. O preço pago pelo aumento da linearidade é a redução
de gm, e consequentemente do ganho.

 Na Fig. 6 estão representadas as


curvas de transferencia iD1,2/I em função
de vid para vários valores de VOV,
assumindo que I é constante. Estes
gráficos ilustram claramente o
compromisso entre a transcondutância
e a linearidade para alterações de VOV.
Este compromisso é baseado no
pressuposto que a corrente I é
constante. Esta corrente pode ser
aumentada para aumentar gm. Este
facto leva no entanto a um aumento da
Fig. 6
potência dissipada, que é uma das
maiores limitação no projecto de ICs.
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O par diferencial MOS
Exercício 1

Suponha que o par diferencial NMOS da Fig. 2 tem aplicada uma tensão de
modo comum vCM. Admita: VDD=VSS=2,5V, k´nW/L=3mA/V2, Vtn=0,7V, I=0,2mA,
RD=5k e despreze a modulação do canal.
a) Determine VOV e VGS para cada um dos transístores;
b) Para vCM=0, determine vS, iD1, iD2, vD1 e vD2;
c) Repita b) para vCM=+1V;
d) Repita b) para vCM=-1V;
e) Qual o maior valor de vCM que mantém Q1 e Q2 na saturação?
f) Se a fonte de corrente I necessitar de tensão de 0,3V para funcionar
correctamente, qual o valor mais baixo permitido para vCM e para vs?

Exercício 2

Considere o par diferencial da Fig. 7 com Vtp=-0,8V e


k´pW/L=3,5mA/V2. Admita que vG2=0 e vG1=vid. Determine a
gama de vid necessária para que a corrente de polarização
seja comutada entre os dois ramos do circuito. Para os
extremos desta gama determine o valor da tensão no Fig. 7
terminal de source comum e também nos drenos.
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Funcionamento do par diferencial MOS para pequenos sinais
Ganho diferencial

 Na Fig. 8(a) está representado um amplificador diferencial MOS cujas entradas são

(27)

(28)

 VCM é uma tensão de modo-comum DC dentro


do intervalo da tensão de modo-comum do
amplificador diferencial, sendo esta tensão
necessária para garantir a tensão DC nas gates
dos transístores.
 VCM tipicamente tem o valor médio das fontes
de alimentação. Para este caso, como são Fig. 8
usadas duas fontes complementares, VCM é 0V.

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Funcionamento do par diferencial MOS para pequenos sinais

 A tensão diferencial vid é aplicada de forma complementar; vG1 aumenta vid/2 e vG2
diminui vid/2. Esta é a situação, por exemplo, quando a entrada do amplificador
diferencial provém da saída de outro amplificador diferencial.

 O sinal de saída do amplificador pode ser recolhido entre um dos drenos e a massa
ou entre os dois drenos. No primeiro caso temos uma medida referenciada à massa
(single-ended output), tendo v01 e v02 uma componente continua (VDD-IRD/2). No
segundo caso temos uma saída diferencial v0 sem componente contínua.

 O objectivo é analisar o funcionamento para


pequenos sinais do amplificador diferencial e
determinar o ganho de tensão em resposta à
entrada diferencial vid. Para isso temos o
circuito da Fig. 8(b) com fontes de alimentação
removidas e VCM eliminado. Para já vamos
desprezar r0 e o efeito do corpo. De notar que
cada um dos transístores Q1 e Q2 estão
polarizados com uma corrente I/2 e a funcionar
a uma tensão de overdrive VOV. Fig. 8
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AMPLIFICADORES DIFERENCIAIS
Funcionamento do par diferencial MOS para pequenos sinais

 Devido à simetria do circuito e pela forma como vid é aplicada, o sinal na junção das
sources tem de ser nulo (massa virtual). Logo Q1 tem uma tensão gate-source
vgs1=vid/2 e Q2 tem vgs2=-vid/2.
 Assumindo vid/2<<VOV (condição de aproximação para pequenos sinais), as
alterações nas correntes dos drenos de Q1 e Q2 serão proporcionais a vgs1 e vgs2,
respectivamente. Assim Q1 terá um acréscimo na corrente de dreno de gm(vid/2) e Q2
um decréscimo na corrente de dreno de gm(vid/2), sendo gm a transcondutância dos
dois dispositivos

(29)

 Podemos constatar que é estabelecido um sinal de massa na source dos dois


transístores sem recurso a grandes condensadores, que é claramente uma grande
vantagem da configuração par diferencial.

 Um aspecto fundamental na operação do par diferencial é a possibilidade de termos


correntes complementares nos drenos. Neste caso essas correntes passam através de
um par de resistências iguais (RD), dando origem às tensões de dreno

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Funcionamento do par diferencial MOS para pequenos sinais

(30)

(31)

 Se pretendermos uma saída single-ended, o ganho é dado por

(32)

(33)

 Se a saída for diferencial (24)

 Podemos então verificar que outra das vantagens da saída diferencial é a duplicação
do ganho.

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Funcionamento do par diferencial MOS para pequenos sinais

 Uma forma alternativa de verificar o funcionamento do par diferencial em resposta a


uma entrada diferencial é ilustrada na Fig. 8(c). Usando o facto da resistência entre a
gate e a source do MOSFET, olhando pela source, ser 1/gm. Como resultado, entre G1 e
G2 existe uma resistência total de 2/gm. Segue-se que a corrente id pode ser obtida
simplesmente pela divisão de vid por 2/gm, como indicado na figura.

Fig. 8

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Funcionamento do par diferencial MOS para pequenos sinais

O efeito da resistência r0 do MOSFET

 Vamos agora refinar a análise considerando o efeito da resistência de saída finita r0


de Q1 e Q2. Vamos também considerar que a fonte de corrente I tem uma resistência de
saída finita RSS. O circuito equivalente é então mostrado na Fig. 9(a).

 O circuito mantém-se simétrico, e como


resultado o sinal na source comum mantém-se
nulo. Logo a corrente que passa em RSS é também
nula e RSS não interfere no ganho diferencial.

 A massa virtual (em termos de sinal) na source


comum permite-nos obter o circuito equivalente da
Fig. 9(b). Este circuito consiste em dois
amplificadores source-comum, um alimentado por
vid/2 e outro alimentado por –vid/2.
Fig. 9

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Funcionamento do par diferencial MOS para pequenos sinais

 Obviamente que apenas precisamos de um circuito para fazer a nossa análise. Cada
um dos dois circuitos é designado como meio circuito diferencial (differential half-
circuit).

 Pelo circuito equivalente da Fig. 9(b)


podemos escrever

(25)

(26)

(27)
Fig. 9

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Funcionamento do par diferencial MOS para pequenos sinais

Ganho de modo comum e taxa de rejeição de modo comum (common-mode rejection


ratio – CMRR)

 A análise do par diferencial MOS quando aplicada uma entrada de modo comum vicm
pode ser efectuada usando a Fig. 10(a).

 A tensão vicm representa uma interferência acoplada a


ambas as entradas. Apesar de não estar representada a
tensão DC definida anteriormente como VCM, esta deve
continuar aplicada às entradas.

 A simetria do circuito permite que possa ser dividido


em dois, como se pode ver na Fig. 10(b).

Fig. 10

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Funcionamento do par diferencial MOS para pequenos sinais

 Cada uma das duas metades do circuito, designadas


como meio circuito CM (CM half-circuit), é constituída
por um MOSFET polarizado com I/2 com uma resistência
de degeneração de source 2RSS. Desprezando o efeito de
r0 podemos obter o ganho de tensão de cada uma das
partes do circuito como

(28) (v01  v02   g m vgs RD )


(vicm  v gs  id 2 RSS )
Fig. 10

 Como normalmente RSS>>1/gm podemos aproximar (28) como


(29)

 Considerando agora duas situações:

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Funcionamento do par diferencial MOS para pequenos sinais

1 – A saída do par diferencial é obtida numa saída referenciada à massa (single-ended):

(30)

(31)

 O CMRR é então dado por (32)

2 – A saída do par diferencial é obtida de modo diferencial:

(33)

(34)

 O CMRR é então dado por (35)


(apenas verdade quando o circuito está perfeitamente “matched”)

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Funcionamento do par diferencial MOS para pequenos sinais
RELEMBRAR

 Apesar de idealmente o amplificador diferencial amplificar apenas a entrada


diferencial vid e rejeitar completamente o sinal de entrada em modo comum vicm, na
prática a tensão de saída v0 é dada por

(36)

 Onde Ad é o ganho diferencial e Acm o ganho em modo comum (idealmente nulo). A


eficácia do amplificador diferencial é medida pela sua capacidade de rejeição de sinais
de modo comum relativamente aos sinais diferenciais. Este facto é normalmente
quantificado pelo CMRR.

 A necessidade de utilização de amplificadores diferenciais surge frequentemente no


projecto de sistemas electrónicos, especialmente em instrumentação. Um exemplo
comum é na utilização de um transdutor que tem aos seus terminais de saída uma
pequena diferença de potencial (ex: 1 mV) e sofre a interferência de um sinal muito mais
elevado (ex: 1 V) nos terminais que ligam a sua saída ao equipamento de medida.
Obviamente que o andar de entrada do equipamento de medida necessita de um
amplificador diferencial.

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Funcionamento do par diferencial MOS para pequenos sinais

Influência de diferenças em RD no CMRR

 Se as resistências de dreno RD tiverem uma diferença de RD, o CMRR será finito,


mesmo para saídas diferenciais. Vamos quantificar esse facto pela análise da Fig. 10(b),
sendo RD a carga de Q1 e (RD+RD) a carga de Q2. Os sinais nos drenos devido a vicm são

(36)
(38)
(37)

 Ou seja uma diferença nas resistências RD dá origem a que um sinal de modo comum
nas entradas vicm seja convertido num sinal diferencial na saída; claramente esta
situação indesejável!

 A eq. (38) indica que o ganho em modo comum é dado por (39)

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Funcionamento do par diferencial MOS para pequenos sinais

 Acm pode também ser expresso como (40)

 Como a diferença entre os valores de RD tem um efeito (41)


desprezável no ganho diferencial podemos escrever

 O valor exacto de Ad seria Ad=–(gm/2)(RD1+RD2)=–(gm/2)(RD+RD+R)=–(gm/2)(2RD+RD)

 Combinando (40) e (41) podemos (42)


obter o CMRR que resulta da diferença
(RD/RD) da seguinte forma

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Influência de diferenças em gm no CMRR

 Neste caso como Q1 e Q2 são diferentes não podemos aplicar a técnica do CM half-
circuit. Em vez disso usamos o circuito da Fig. 11. onde temos

(43)

(44)

 Como vgs1=vgs2 podemos combinar (43) e (44)

(45)

 As correntes de dreno podem ser somadas em RSS

(46) Fig. 11

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Funcionamento do par diferencial MOS para pequenos sinais

 Como RSS>> 1/gm podemos considerar (47)

 A eq. (46) pode então ser escrita como (48)

(49)
 Combinando (45) com (48)
(50)

 Se gm1 e gm2 têm uma pequena discrepância gm (gm1-gm2= gm), podemos considerar
que gm1+gm22gm com gm valor nominal de gm1 e gm2, e temos

(51)

(52)

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Funcionamento do par diferencial MOS para pequenos sinais

 A tensão diferencial de saída pode ser dada por

Dando origem à expressão do ganho diferencial (53)

 Como a diferença de gm tem efeito desprezável em Ad (54)

 O CMRR é então dado por (55)

 Sendo esta expressão similar à obtida para a análise de discrepâncias em RD.

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Funcionamento do par diferencial MOS para pequenos sinais
Exercício 3
Um amplificador diferencial NMOS funciona com uma corrente de polarização I de 0,5 mA e
tem W/L=50, nCox=250A/V2, VA=10 V, RD=4k. Determine VOV, gm, r0 e Ad.

Exercício 4
Um amplificador diferencial NMOS é polarizado com uma fonte de corrente I=0,2mA que tem
RSS=100k. A resistências de dreno são de 10k, sendo usados transístores com:
k´nW/L=3mA/V2 e com r0 elevado.
a) Se a saída é referenciada à massa, determine |Ad|, |Acm| e CMRR.
b) Se a saída é diferencial e existe uma diferença entre as resistências de dreno de
1%, determine |Ad|, |Acm| e CMRR.

Exercício 5
Para o amplificador diferencial da Fig. 7 admita que Q1 e Q2 têm k´pW/L=3,5mA/V2 e que a
fonte de corrente de polarização tem uma resistência de saída de 30k. Determine VOV, gm,
|Ad|, |Ac| e CMRR em dBs obtidos com a saída medida diferencialmente. As resistências do
dreno tem uma diferença entre si de 2%.

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