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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ FEDERAL DO JUIZADO ESPECIAL FEDERAL DA

SUBSEÇÃO JUDICIÁRIA DE ________________________

NOME COMPLETO, nacionalidade, estado civil, aposentado(a), portador(a) da cédula de


identidade RG nº ___________ e do CPF nº _________________, endereço eletrônico
___________, residente e domiciliado(a) à [endereço completo], por sua(seu) procurador(a)
subscrito(a), vem respeitosamente à presença de Vossa Excelência propor

AÇÃO DE CONCESSÃO DE ACRÉSCIMO DE


BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO
em face do INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL – INSS, Autarquia Federal, localizada
à [endereço completo da agência local], pelas razões de fato e de direito que passa a expor:

1. DOS FATOS

ADEQUAR AO CASO CONCRETO

A Parte Autora goza do benefício de aposentadoria _______________ (benefício nº


__________) desde ___/___/_____ (DIB), conforme comprovam documentos anexos a esta
inicial (Docs. nº __ e __).

Tempos após aposentar-se, o(a) Autor(a) desenvolveu sérios problemas de saúde,


conforme demonstra laudo médico em anexo. A parte autora é portadora da patologia de
CID G30 (Doença de Alzheimer) desde 2005, mantendo quadro de esquecimento,
incapacidade de andar ou cuidar de si mesmo. Não realiza atividades de vida diária sozinho
e necessita de cadeira de rodas para locomoção. Sua doença tem caráter crônico e
progressivo, sem tratamento curativo e levando invariavelmente a total incapacidade
mental (Doc.nº ___).

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Em decorrência da doença, necessita da ajuda permanente de terceiro para realizar
até mesmo os mais básicos atos do cotidiano, como alimentar-se, vestir-se, higienizar-se,
etc. Tão grave é a situação de saúde mental do Requerente, que seus filhos se viram
obrigados a ajuizar uma Ação de Interdição com Curatela, para poderem administrar a sua
vida civil (processo nº ______________ com trâmite perante a ___ Vara de Família e
Sucessões da Comarca de __________), já tendo obtido a curatela provisória (Doc. nº __).

A lei previdenciária garante às pessoas em situações como a do autor têm direito a


um acréscimo de 25% (por cento) no valor do benefício de aposentadoria por invalidez.

Por isso, em ___/___/____ a parte autora requereu ao INSS o acréscimo de 25% no


valor de sua aposentadoria (Doc. nº ___).

Ocorre que o INSS garante o acréscimo apenas para aqueles que têm como benefício
a Aposentadoria por invalidez. Tal interpretação fere o princípio da isonomia e, por isso,
deve ser afastada.

Este acréscimo deve ser estendido a todos os aposentados que possuam a chamada
“grande invalidez”, ou seja, que necessitem da assistência permanente de terceiros para os
atos básicos da vida diária, independente do tipo de aposentadoria que tenham requerido
originalmente.

2. DO DIREITO

O acréscimo de 25% é devido sempre que o aposentado por invalidez necessitar de


assistência permanente de outra pessoa, nos termos do art. 45 da Lei 8.213/91:

Art. 45. O valor da aposentadoria por invalidez do segurado que necessitar da


assistência permanente de outra pessoa será acrescido de 25% (vinte e cinco por
cento).
Parágrafo único. O acréscimo de que trata este artigo:
a) será devido ainda que o valor da aposentadoria atinja o limite máximo legal;
b) será recalculado quando o benefício que lhe deu origem for reajustado;
c) cessará com a morte do aposentado, não sendo incorporável ao valor da pensão.

O Anexo I do Decreto nº 3.048/99 traz uma relação de situações em que o


aposentado por invalidez terá direito à majoração de vinte e cinco por cento prevista no
mencionado art. 45:

1 - Cegueira total.

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2 - Perda de nove dedos das mãos ou superior a esta.
3 - Paralisia dos dois membros superiores ou inferiores.
4 - Perda dos membros inferiores, acima dos pés, quando a prótese for impossível.
5 - Perda de uma das mãos e de dois pés, ainda que a prótese seja possível.
6 - Perda de um membro superior e outro inferior, quando a prótese for impossível.
7 - Alteração das faculdades mentais com grave perturbação da vida orgânica e
social.
8 - Doença que exija permanência contínua no leito.
9 - Incapacidade permanente para as atividades da vida diária.

Tal relação demonstra a intenção legal de proteção do doente. No entanto, não


pode ser considerada taxativa.

Erroneamente, a lei previdenciária deixou de prever expressamente a possibilidade


de concessão do acréscimo de 25% para as demais aposentadorias. Todavia, a falta de
previsão legal não pode impedir a concessão do benefício no caso concreto, pois trata-se de
uma restrição de direitos inconstitucional, que fere principalmente o princípio da isonomia,
como será demonstrado.

O objetivo da lei é claro: proteger o doente portador de “grande invalidez” e dar-lhe


cobertura econômica ao auxílio de terceiro contratado ou familiar para apoiar o segurado
nos atos diários que necessite de indispensável auxílio por motivo de doença, não
importando se a grande invalidez é anterior ou posterior à aposentadoria.

Não é justo nem razoável restringir a concessão do adicional apenas ao segurado


que foi acometido de invalidez antes de completar o tempo para uma das aposentadorias
programáveis e negá-lo justamente a quem, em regra, mais contribuiu para o sistema
previdenciário. Seria uma desigualdade sem justo discrímen, o que fere de morte o princípio
da isonomia.

É importante destacar que o Brasil é signatário da Convenção Internacional sobre os


Direitos das Pessoas com Deficiência, promulgado pelo Decreto Presidencial nº 6949 de
2009, após aprovação pelo Congresso Nacional, por meio do Decreto Legislativo nº
186/2008. Tal Convenção possui força de emenda constitucional, nos termos do art. 5º, § 3º
da CF.

Esta Convenção reconhece expressamente a necessidade de “promover e proteger


os direitos humanos de todas as pessoas com deficiência (...)” e busca minorar as diferenças
existentes nas relações humanas em relação às pessoas portadoras de deficiência. Portanto,
é inadmissível que a lei brasileira estabeleça situação de discriminação entre os próprios
portadores de deficiência.

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Ademais, tal distinção atenta contra a dignidade da pessoa humana, por colocar em
risco a garantia das condições existenciais mínimas para uma vida saudável dos segurados
que percebem benefício previdenciário diverso da aposentadoria por invalidez.

Dessa forma, pode o Poder Judiciário, interpretando sistematicamente a legislação e


a Constituição Federal, sem extrapolar os limites de sua competência, concluir pela
inadequação desta restrição de direitos.

Cabe destacar, ainda, a premissa inserida de forma expressa no art. 6º da Lei nº


9.099/1995, que estabelece: "o Juiz adotará em cada caso a decisão que reputar mais justa
e equânime, atendendo aos fins sociais da lei e às exigências do bem comum”. A previsão do
art. 5º da LINDB também reforça esse ideário de Justiça.

DA NATUREZA ASSISTENCIAL DO ACRÉSCIMO

A Lei Orgânica da Assistência Social (Lei nº 8.742/93) em seu artigo 4º dispõe sobre
os princípios que regem a assistência social. Tais princípio visam a universalização dos
direitos sociais, o respeito à dignidade do cidadão e a igualdade de direitos no acesso ao
atendimento.

Cumpre ressaltar que tais dispositivos derivam basicamente de dois princípios


constitucionais de suma importância: o da dignidade da pessoa humana e o a isonomia, e
sendo assim, uma vez que previsto na Constituição Federal e devidamente regulamentado,
é dever do Estado promover o acesso universal às políticas assistenciais, combatendo
qualquer tipo de discriminação.

O acréscimo de 25% previsto no artigo 45 da Lei 8.213/91 visa garantir a todo


aposentado por invalidez que necessitar de auxílio permanente de outra pessoa os recursos
necessários para provê-lo. Ou seja, o aposentado, que se enquadrar na hipótese capitulada
por este dispositivo, terá garantido pelo Estado um “plus” no seu benefício com a finalidade
de que consiga ver atendida suas necessidades básicas, nas quais se inclui o auxílio
permanente de outra pessoa.

Nesta medida, nos deparamos com a verdadeira natureza deste acréscimo, o qual
visa notoriamente proteger a velhice e a pessoa portadora de deficiência, de forma a
respeitar o princípio da dignidade da pessoa humana, e mais especificamente e de forma
menos evidente, os princípios norteadores da assistência social, quais sejam, a supremacia
do atendimento às necessidades sociais, a universalização dos direitos sociais, o respeito à
dignidade do cidadão, à sua autonomia e ao seu direito a benefícios e serviços de qualidade
e a igualdade de direitos no acesso ao atendimento, sem discriminação de qualquer
natureza.

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Tal acréscimo possui natureza assistencial na medida em que a Assistência deve
cobrir todos os eventos da doença. Além disso, este acréscimo não possui previsão
específica de fonte de custeio.

Nesse sentido, o pedido não conflita com o §5º, do artigo 195, da Constituição
Federal, uma vez que não se trata de benefício de natureza previdenciária, restando
dispensada a prévia fonte de custeio.

PRECEDENTE JURISPRUDENCIAL

A Turma Nacional de Uniformização dos Juizados Especiais Federais (TNU) firmou


tese, durante sessão realizada no dia 12/05/2016, de que é extensível às demais
aposentadorias concedidas sob o Regime Geral da Previdência Social, e não só a por
invalidez, o adicional de 25% previsto no art. 45 da Lei 8.213/91, desde que seja
comprovada a incapacidade do aposentado e a necessidade de ser assistido por terceiro
(processo nº 5000890-49.2014.4.04.7133). A nova tese foi julgada como representativo de
controvérsia para ser aplicada aos demais processos que tenham como fundamento a
mesma questão de direito. Vejamos o resumo e um trecho do julgado:

PEDIDO DE UNIFORMIZAÇÃO NACIONAL INTERPOSTO PELA PARTE AUTORA. TEMA


AFETADO COMO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. PREVIDENCIÁRIO.
ADICIONAL DE 25% PREVISTO NO ART. 45 DA LEI 8.213/91. EXTENSÃO À
APOSENTADORIA POR IDADE E POR TEMPO DE CONTRIBUIÇÃO. CABIMENTO.
APLICAÇÃO AO CASO CONCRETO. QUESTÃO DE ORDEM 20. PROVIMENTO PARCIAL
DO INCIDENTE. RETORNO À TR DE ORIGEM PARA ADOÇÃO DA TESE E CONSEQUENTE
ADEQUAÇÃO.
(TNU, representetivo de controvérsia nº 5000890-49.2014.4.04.7133/RS, Relator
Sérgio Murilo Wanderley Queiroga, Data de Publicação: 12/05/2016).

“Incidente reconhecido e provido, em parte, para firmar a tese de que é extensível às


demais aposentadorias concedidas sob o regime geral da Previdência Social, que não
só a por invalidez, o adicional de 25% previsto no art. 45 da Lei 8.213/91, uma vez
comprovada a incapacidade do aposentado e a necessidade de ser assistido por
terceiro.”

Estando firmada a tese de que o acréscimo de 25% é extensível às demais


aposentadorias, basta à parte autora comprovar que é portador de “grande invalidez” e de
que é beneficiário de uma das aposentadorias do RGPS para fazer jus ao benefício.

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3. DO PEDIDO

Diante do exposto, requer:

1. A citação do Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, na pessoa de seu Procurador,


para, querendo, responder à presente demanda, no prazo legal;
2. A concessão dos benefícios da Assistência Judiciária Gratuita, por ser a parte autora
pessoa pobre na acepção legal do termo, com isenção de custas, despesas
processuais e ônus sucumbenciais porventura existentes;
3. A procedência da pretensão deduzida, consoante narrado na inicial, condenando-se
o INSS a conceder o acréscimo de 25% ao benefício da Parte Autora, desde a data do
requerimento administrativo (DER) (___/___/_____);
4. A a condenação do INSS ao pagamento dos valores acumulados desde a data de
entrada do requerimento (DER) até o mês de competência em que for implantado,
inclusive quanto aos abonos natalinos, tudo atualizado monetariamente e acrescido
dos juros legais, adotando-se como critério do Manual de Cálculos da Justiça Federal
(versão aprovada em 02/12/13 - resolução CJF 267/2013);
5. O pagamento de honorários advocatícios apurados em liquidação de sentença,
conforme dispõe o art. 55 da Lei nº 9.099/95 e art. 85, § 3º do Código de Processo
Civil.

Requer a produção de provas por todos os meios admitidos em Direito em especial,


a nomeação de perito, escolhido por este R. Juízo, para realização da peri ́cia médica,
inclusive com poderes para requerer exames que considerar necessários e indispensáveis
para a constatação da doença, além dos documentos já apresentados no processo,
respondendo aos quesitos formulados [colocar quesitos anexos]; e, não possuindo a Parte
Autora condições financeiras para nomear assis‐tente técnico, protesta pela apresentação
de quesitos suplementares para o perito judicial.

Dá-se à causa o valor de R$_________ (_______________________)1.

Termos em que pede deferimento.

Local, Data.

___________________________
NOME
OAB

1
Obs - para aprender a calcular o valor da causa acesse: Como calcular o valor da causa em
ações previdenciárias?

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