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01/11/2019 Sampaoli, um peronista que exalta a “rebelião contra opressão” no Chile | Esportes | EL PAÍS Brasil

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Sampaoli, um peronista que exalta a “rebelião contra


opressão” no Chile
Com histórico de militância política antes de se incorporar ao futebol,
treinador do Santos demonstra apoio a protestos em sua antiga casa

Sampaoli comanda um treinamento da equipe santista. IVAN STORTI (SANTOS FC)

BREILLER PIRES
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São Paulo 31 OCT 2019 - 19:18 BRT

Duas semanas após Roger Machado chamar a atenção com um tocante discurso contra o
racismo, no Maracanã, outro treinador do Campeonato Brasileiro voltou a direcionar
holofotes para questões sociais que extrapolam o futebol. Dessa vez, no último sábado, o
técnico do Santos, Jorge Sampaoli, não hesitou em manifestar suas posições políticas ao
ser questionado sobre os protestos no Chile, onde comandou a seleção local na conquista
de seu primeiro título de expressão.

“Valorizo muito a reação dos chilenos depois de tanto tempo de


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opressão”, afirmou o argentino, campeão da Copa América com a seleção
chilena. “É um exemplo para todos na América do Sul. Lutar contra o
neoliberalismo, que deixa o povo cada vez mais pobre. Uma rebelião
contra os que estão no poder e só pensam nisso. Estou orgulhoso das
Estrangeiros pessoas com as quais convivi por tanto tempo. Espero que seja um passo
veneram a
adiante para acabar com a opressão a esse povo.”
essência do
futebol
brasileiro As declarações expressam o posicionamento crítico de Sampaoli ao
Governo de Sebastián Piñera, um empresário e ex-acionista de futebol,
que assumiu seu segundo mandato como presidente do Chile
determinado a promover reformas econômicas liberais e agora é alvejado
por manifestações populares que bradam contra a crescente
Tite x Sampaoli, desigualdade social no país. Embora tenha militado em resistência à
um alento ao
ditadura na Argentina durante a juventude, o treinador adota um perfil
futebol na
América do Sul discreto para tratar publicamente de temas políticos – regra quebrada
depois de seu time empatar com o Corinthians, quando se estendeu na
resposta sobre a crise chilena em entrevista coletiva.

Peronista declarado, nunca escondeu a admiração por Juan Domingo


A verdadeira Perón, ex-presidente argentino que fundou e difundiu a mais influente
guerra do Chile corrente política de seu país. Sampaoli é enérgico à beira do gramado, por
é contra a
desigualdade acreditar que um líder deve inspirar seus comandados pelo discurso, mas,
principalmente, pela prática. “O melhor advogado é aquele que sabe o que
pensa o juiz, e não o que conhece as leis”, explicou em sua biografia Não
escuto e sigo, escrita por Pablo Paván e publicada em 2013. “No meu caso, preciso saber

f l d f d il
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com quem vou falar e de que forma vou seduzi-lo. Por isso, às vezes é melhor escutar um
discurso de Perón do que assistir a uma partida de futebol.”

Natural de Casilda, na província de Santa Fé, ele tomava conta de uma loja de peças do tio,
que utilizava o negócio como ponto de encontro para opositores da ditadura militar
argentina. Enquanto o grupo se reunia nos fundos do estabelecimento, o adolescente Jorge
Sampaoli vigiava a movimentação na rua e, se aparecia alguma viatura do regime, apertava
um botão para avisar aos militantes que ensaiavam coros pró-Perón. Mais tarde, integraria a
Juventude Peronista, movimento que atuava na clandestinidade pela redemocratização do
país. Nessa época, se apaixonou pelo rock. Aprecia bandas de inclinação progressista e
letras combativas como Los Redondos e Callejeros, a ponto de tatuar versos de músicas em
seu corpo.

Identificado com o kirchnerismo, já declarou voto tanto em Néstor quanto em Cristina


Kirchner, mas jamais manteve relação de proximidade com os ex-presidentes argentinos de
esquerda. Por outro lado, se encontrou duas vezes com Maurício Macri, candidato à
reeleição derrotado no último domingo, quando dirigia a seleção argentina. Apesar da
aversão à política macrista, Sampaoli foi convidado para um almoço pelo próprio presidente,
ex-mandachuva do Boca Juniors e apaixonado por futebol. Fez questão de salientar à
imprensa que só aceitara o convite por mera “obrigação protocolar” do cargo.

Sua idolatria no futebol surgiu no Chile, onde conduziu a Universidad de Chile aos títulos do
campeonato nacional e da Copa Sul-Americana, em 2011. Um ano depois, virou técnico da
seleção chilena, que encantou pelo futebol ofensivo na Copa de 2014 e rompeu um histórico
jejum de conquistas com o troféu da Copa América de 2015. “Não abro mão de que meus
times sejam protagonistas. Ter a bola nos pés e ocupar o campo do adversário é o caminho
mais curto para alcançar as vitórias”, diz o treinador.

Em sua única passagem pelo futebol europeu, comandando o Sevilla, deixou claro aos
dirigentes do clube ao fazer um tour pela cidade e avistar um monumento ao “descobridor
da América”, Cristóvão Colombo, sua visão de mundo anticolonialista: “Vocês chamam
genocídio de descobrimento. Acham que o descobriram, mas o continente já estava lá.”
Andava de metrô pela cidade espanhola, seguindo o hábito de não querer ser tratado com
regalias, da mesma forma que costuma se locomover em Santos de bicicleta ou moto
elétrica. No início do ano, pediu à diretoria santista que só depositasse seu salário a partir do
momento em que o clube fosse capaz de pagar todo elenco, que acumulava vencimentos
em atraso.

E t t t d t f
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Entre suas tatuagens, se destacam uma frase atribuída ao guerrilheiro e compatriota
Ernesto Che Guevara, que o inspira a não trair convicções por maus resultados no campo,
muito menos se deslumbrar diante do sucesso: “Não se vive celebrando vitórias, mas sim
superando derrotas”. E também outro verso da Callejeros, sua banda favorita, que resume
um pouco de sua personalidade contestadora: “Educar é combater. E o silêncio não é meu
idioma.”

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