Você está na página 1de 28

UNIVERSIDADE GUARULHOS

Curso de Psicologia

Adolescência em Situação de Risco

CLEIDIANE LEMOS NUNES


DENISE SPOLADORE GAMBUGGI
HELTON MENEZES
HUGO HORTA TANIZAKA ALVARENGA
ROBSON DONIZETE RODRIGUES
“A adolescência é uma passagem para a maturidade, não a
maturidade para quem tem apenas idade.”
(Antonio Francisco)

2
SUMÁRIO

3
INTRODUÇÃO

A palavra ‘adolescência’ tem sua origem etimológica no Latim “ad” (‘para’) +


“olescere” (‘crescer’); portanto ‘adolescência’ significaria, ‘crescer para’.
Pensar na etimologia desta palavra nos remete à idéia de desenvolvimento,
como descrevem Pereira & Pinto no livro; Adolescência, descrita por adultos,
“adolescer é uma idéia de preparação para o que está por vir, algo já
estabelecido mais à frente; preparação esta para que a pessoa se enquadre
neste à frente que está colocado”. É como se a adolescência fosse uma “fase
que tem que ser transposta para alcançar aquilo que é ideal. Há algum tempo
que a adolescência tem sido vista como o problema, um momento de crise”
(Rena, 2001; Brandão, 2003). A sociedade ocidental vem reproduzindo esta
idéia, limitando a compreensão da adolescência, como se esta se resumisse à
puberdade, acreditando que somente as mudanças fisiológicas “comandam”
este momento da adolescência, normatizando e “naturalizando” os possíveis
conflitos através da idéia de que estes estão atrelados a uma passagem de
hormônios, menosprezando o sujeito de desejo que confronta seu lugar no
mundo, através de discursos taxativos e de caráter especulativo do tipo
“todos adolescente são assim”.

Observando a realidade atual podemos verificar o quanto o público adolescente e


jovem tem aumentado e tem carecido de maior atenção, no que diz respeito às
políticas públicas, não se pode ficar indiferente a esta necessidade, visto que mais
de 85% dos/as jovens do mundo vivem hoje nos países em desenvolvimento, e o
Brasil, sozinho, é responsável por cerca de 50% dos/as adolescentes e jovens da
América Latina. Em Goiânia, segundo dados de 1997, existem cerca de 221.000
adolescentes e jovens na faixa de 15 a 24 anos, o que representa 22,1% da
população da cidade. Em uma pesquisa realizada em Goiânia, para saber quais os
problemas que mais influenciam na sua vida, os três mais votados foram
desemprego (30,9%), violência (12,8%) e saúde (11,5%). Os dados confirmam que,
mesmo sendo assegurados como direitos, a segurança e saúde ainda são
colocadas como questões a serem atendidas na vida deste público. ( Queiroz,
Chaves & Mariano, 2001)

4
OBJETIVOS

Esse trabalho visa servir como um relatório sobre uma das várias alas da
adolescência: “O adolescente em situação de risco”.
Para conhecer, experimentar e acima de tudo entender o tema a nós proposto foi
necessário fazer uma visita à FUNDAÇÂO CASA, que uma vez já foi chamada por
FEBÉM.
A partir dessa visita foi possível entender paradigmas morais, antíteses sociais e
paradoxos culturais que estão internalizados na ótica de uma sociedade que
observa, mas não necessariamente enxerga o quão preocupante é a situação do
adolescente hoje no Brasil.

5
Referencial Teórico

1. Conceito de Adolescente

1.1 - Ótica da Psicanálise:

Como foi proposto anteriormente adolescer é um processo de desenvolvimento,


alguns fatores estão intrínsecos quando falamos de desenvolvimento tais fatores
são divididos em três grupos:
Psicológicos Sociais Físicos
Emoções Grupos de influência Saúde
Valores Família Aparência
Deveres Amigos Aceitação
Dúvidas Namorada/o Herança Genética

É importante entender que nesses três grupos existe um fator presente em cada um
deles, o fator de maturação sexual que é quando se torna visível o surgimento de
um novo comportamento. Sobre. O comportamento sexual de um indivíduo depende
não só da etapa de desenvolvimento em que se encontra como do contexto familiar
e social em que vive. Na atualidade, a sociedade tem fornecido mensagens
ambíguas aos jovens, deixando dúvidas em relação à época mais adequada para o
início das relações sexuais. Ao mesmo tempo em que a atividade sexual na
adolescência já é vista como um fato natural, largamente divulgado pela mídia, que
estimula a aceitação social da gravidez fora do casamento, ainda se vêem a
condenação moral e religiosa ao sexo antes do matrimônio e atitudes machistas
rejeitando as mulheres não “virgens”. Este contexto dificulta o relacionamento entre
as moças, de quem são cobradas atitudes castas, e os rapazes, que têm de provar
sua masculinidade precocemente, com o início muitas vezes prematuro da atividade
sexual, por pressão social. “Outro aspecto importante é a defasagem existente entre
a maturidade biológica, alcançada mais cedo, e a maturidade psicológica e social
que cada vez mais tarde se torna completa. Perante este quadro os jovens se
encontram perdidos, sem um parâmetro social claro de comportamento sexual e
com uma urgência biológica a ser satisfeita em idade precoce”. (Stella R. Taquette)

6
A sexualidade contribui com a auto-estima do jovem e faz parte da formação da
identidade do indivíduo. (Sigmund Freud)

1.2 - Ótica Sócio-histórica:

Observando a realidade atual podemos verificar o quanto o público adolescente e


jovem tem aumentado e tem carecido de maior atenção, no que diz respeito às
políticas públicas, não se pode ficar indiferente a esta necessidade, visto que mais
de 85% dos/as jovens do mundo vivem hoje nos países em desenvolvimento, e o
Brasil, sozinho, é responsável por cerca de 50% dos/as adolescentes e jovens da
América Latina. Em Goiânia, segundo dados de 2007, existem cerca de 221.000
adolescentes e jovens na faixa de 15 a 24 anos, o que representa 22,1% da
população da cidade. Em uma pesquisa realizada em Goiânia, para saber quais os
problemas que mais influenciam na sua vida, os três mais votados foram
desemprego (30,9%), violência (12,8%) e saúde (11,5%). Os dados confirmam que,
mesmo sendo assegurados como direitos, a segurança e saúde ainda são
colocadas como questões a serem atendidas na vida deste público. ( IBGE, 2008)

1.3 – Ótica Legal:

LEI Nº 8.069, DE 13 DE JULHO DE 1990.

Art. 6º Na interpretação desta Lei levar-se-ão em conta os fins sociais a que ela se
dirige, as exigências do bem comum, os direitos e deveres individuais e coletivos, e
a condição peculiar da criança e do adolescente como pessoas em
desenvolvimento.
Em decorrência do Estatuto da Criança e do Adolescente, e enfatizando o tema
especifico pesquisado neste trabalho sobre adolescência em situação de risco, é
importante deixar claro as medidas estipuladas pela lei no caso de Jovens
Infratores:

7
Título III

Da Prática de Ato Infracional

Capítulo I

Disposições Gerais

Art. 103. Considera-se ato infracional a conduta descrita como crime ou


contravenção penal.

Art. 104. São penalmente inimputáveis os menores de dezoito anos, sujeitos


às medidas previstas nesta Lei.

Parágrafo único. Para os efeitos desta Lei, deve ser considerada a idade do
adolescente à data do fato.

Art. 105. Ao ato infracional praticado por criança corresponderão as medidas


previstas no art. 101.

Capítulo II

Dos Direitos Individuais

Art. 106. Nenhum adolescente será privado de sua liberdade senão em


flagrante de ato infracional ou por ordem escrita e fundamentada da autoridade
judiciária competente.

Parágrafo único. O adolescente tem direito à identificação dos responsáveis


pela sua apreensão, devendo ser informado acerca de seus direitos.

Art. 107. A apreensão de qualquer adolescente e o local onde se encontra


recolhido serão incontinenti comunicados à autoridade judiciária competente e à
família do apreendido ou à pessoa por ele indicada.

Parágrafo único. Examinar-se-á, desde logo e sob pena de responsabilidade, a


possibilidade de liberação imediata.

Art. 108. A internação, antes da sentença, pode ser determinada pelo prazo
máximo de quarenta e cinco dias.

8
Parágrafo único. A decisão deverá ser fundamentada e basear-se em indícios
suficientes de autoria e materialidade, demonstrada a necessidade imperiosa da
medida.

Art. 109. O adolescente civilmente identificado não será submetido a


identificação compulsória pelos órgãos policiais, de proteção e judiciais, salvo para
efeito de confrontação, havendo dúvida fundada.

Capítulo III

Das Garantias Processuais

Art. 110. Nenhum adolescente será privado de sua liberdade sem o devido
processo legal.

Art. 111. São asseguradas ao adolescente, entre outras, as seguintes


garantias:

I - pleno e formal conhecimento da atribuição de ato infracional, mediante


citação ou meio equivalente;

II - igualdade na relação processual, podendo confrontar-se com vítimas e


testemunhas e produzir todas as provas necessárias à sua defesa;

III - defesa técnica por advogado;

IV - assistência judiciária gratuita e integral aos necessitados, na forma da lei;

V - direito de ser ouvido pessoalmente pela autoridade competente;

VI - direito de solicitar a presença de seus pais ou responsável em qualquer


fase do procedimento.

9
Capítulo IV

Das Medidas Sócio-Educativas

Seção I

Disposições Gerais

Art. 112. Verificada a prática de ato infracional, a autoridade competente


poderá aplicar ao adolescente as seguintes medidas:

I - advertência;

II - obrigação de reparar o dano;

III - prestação de serviços à comunidade;

IV - liberdade assistida;

V - inserção em regime de semi-liberdade;

VI - internação em estabelecimento educacional;

VII - qualquer uma das previstas no art. 101, I a VI.

§ 1º A medida aplicada ao adolescente levará em conta a sua capacidade de


cumpri-la, as circunstâncias e a gravidade da infração.

§ 2º Em hipótese alguma e sob pretexto algum, será admitida a prestação de


trabalho forçado.

§ 3º Os adolescentes portadores de doença ou deficiência mental receberão


tratamento individual e especializado, em local adequado às suas condições.

Art. 113. Aplica-se a este Capítulo o disposto nos arts. 99 e 100.

Art. 114. A imposição das medidas previstas nos incisos II a VI do art. 112
pressupõe a existência de provas suficientes da autoria e da materialidade da
infração, ressalvada a hipótese de remissão, nos termos do art. 127.

Parágrafo único. A advertência poderá ser aplicada sempre que houver prova
da materialidade e indícios suficientes da autoria.

10
Seção II

Da Advertência

Art. 115. A advertência consistirá em admoestação verbal, que será reduzida a


termo e assinada.

Seção III

Da Obrigação de Reparar o Dano

Art. 116. Em se tratando de ato infracional com reflexos patrimoniais, a


autoridade poderá determinar, se for o caso, que o adolescente restitua a coisa,
promova o ressarcimento do dano, ou, por outra forma, compense o prejuízo da
vítima.

Parágrafo único. Havendo manifesta impossibilidade, a medida poderá ser


substituída por outra adequada.

Seção IV

Da Prestação de Serviços à Comunidade

Art. 117. A prestação de serviços comunitários consiste na realização de


tarefas gratuitas de interesse geral, por período não excedente a seis meses, junto a
entidades assistenciais, hospitais, escolas e outros estabelecimentos congêneres,
bem como em programas comunitários ou governamentais.

Parágrafo único. As tarefas serão atribuídas conforme as aptidões do


adolescente, devendo ser cumpridas durante jornada máxima de oito horas
semanais, aos sábados, domingos e feriados ou em dias úteis, de modo a não
prejudicar a freqüência à escola ou à jornada normal de trabalho.

Seção V

Da Liberdade Assistida

Art. 118. A liberdade assistida será adotada sempre que se afigurar a medida
mais adequada para o fim de acompanhar, auxiliar e orientar o adolescente.

11
§ 1º A autoridade designará pessoa capacitada para acompanhar o caso, a
qual poderá ser recomendada por entidade ou programa de atendimento.

§ 2º A liberdade assistida será fixada pelo prazo mínimo de seis meses,


podendo a qualquer tempo ser prorrogada, revogada ou substituída por outra
medida, ouvido o orientador, o Ministério Público e o defensor.

Art. 119. Incumbe ao orientador, com o apoio e a supervisão da autoridade


competente, a realização dos seguintes encargos, entre outros:

I - promover socialmente o adolescente e sua família, fornecendo-lhes


orientação e inserindo-os, se necessário, em programa oficial ou comunitário de
auxílio e assistência social;

II - supervisionar a freqüência e o aproveitamento escolar do adolescente,


promovendo, inclusive, sua matrícula;

III - diligenciar no sentido da profissionalização do adolescente e de sua


inserção no mercado de trabalho;

IV - apresentar relatório do caso.

Seção VI

Do Regime de Semi-liberdade

Art. 120. O regime de semi-liberdade pode ser determinado desde o início, ou


como forma de transição para o meio aberto, possibilitada a realização de atividades
externas, independentemente de autorização judicial.

§ 1º São obrigatórias a escolarização e a profissionalização, devendo, sempre


que possível, ser utilizados os recursos existentes na comunidade.

§ 2º A medida não comporta prazo determinado aplicando-se, no que couber,


as disposições relativas à internação.

12
Seção VII

Da Internação

Art. 121. A internação constitui medida privativa da liberdade, sujeita aos


princípios de brevidade, excepcionalidade e respeito à condição peculiar de pessoa
em desenvolvimento.

§ 1º Será permitida a realização de atividades externas, a critério da equipe


técnica da entidade, salvo expressa determinação judicial em contrário.

§ 2º A medida não comporta prazo determinado, devendo sua manutenção ser


reavaliada, mediante decisão fundamentada, no máximo a cada seis meses.

§ 3º Em nenhuma hipótese o período máximo de internação excederá a três


anos.

§ 4º Atingido o limite estabelecido no parágrafo anterior, o adolescente deverá


ser liberado, colocado em regime de semi-liberdade ou de liberdade assistida.

§ 5º A liberação será compulsória aos vinte e um anos de idade.

§ 6º Em qualquer hipótese a desinternação será precedida de autorização


judicial, ouvido o Ministério Público.

Art. 122. A medida de internação só poderá ser aplicada quando:

I - tratar-se de ato infracional cometido mediante grave ameaça ou violência a


pessoa;

II - por reiteração no cometimento de outras infrações graves;

III - por descumprimento reiterado e injustificável da medida anteriormente


imposta.

§ 1º O prazo de internação na hipótese do inciso III deste artigo não poderá ser
superior a três meses.

§ 2º. Em nenhuma hipótese será aplicada a internação, havendo outra medida


adequada.

13
Art. 123. A internação deverá ser cumprida em entidade exclusiva para
adolescentes, em local distinto daquele destinado ao abrigo, obedecida rigorosa
separação por critérios de idade, compleição física e gravidade da infração.

Parágrafo único. Durante o período de internação, inclusive provisória, serão


obrigatórias atividades pedagógicas.

Art. 124. São direitos do adolescente privado de liberdade, entre outros, os


seguintes:

I - entrevistar-se pessoalmente com o representante do Ministério Público;

II - peticionar diretamente a qualquer autoridade;

III - avistar-se reservadamente com seu defensor;

IV - ser informado de sua situação processual, sempre que solicitada;

V - ser tratado com respeito e dignidade;

VI - permanecer internado na mesma localidade ou naquela mais próxima ao


domicílio de seus pais ou responsável;

VII - receber visitas, ao menos, semanalmente;

VIII - corresponder-se com seus familiares e amigos;

IX - ter acesso aos objetos necessários à higiene e asseio pessoal;

X - habitar alojamento em condições adequadas de higiene e salubridade;

XI - receber escolarização e profissionalização;

XII - realizar atividades culturais, esportivas e de lazer:

XIII - ter acesso aos meios de comunicação social;

XIV - receber assistência religiosa, segundo a sua crença, e desde que assim
o deseje;

14
XV - manter a posse de seus objetos pessoais e dispor de local seguro para
guardá-los, recebendo comprovante daqueles porventura depositados em poder da
entidade;

XVI - receber, quando de sua desinternação, os documentos pessoais


indispensáveis à vida em sociedade.

§ 1º Em nenhum caso haverá incomunicabilidade.

§ 2º A autoridade judiciária poderá suspender temporariamente a visita,


inclusive de pais ou responsável, se existirem motivos sérios e fundados de sua
prejudicialidade aos interesses do adolescente.

Art. 125. É dever do Estado zelar pela integridade física e mental dos internos,
cabendo-lhe adotar as medidas adequadas de contenção e segurança.

Capítulo V

Da Remissão

Art. 126. Antes de iniciado o procedimento judicial para apuração de ato


infracional, o representante do Ministério Público poderá conceder a remissão, como
forma de exclusão do processo, atendendo às circunstâncias e conseqüências do
fato, ao contexto social, bem como à personalidade do adolescente e sua maior ou
menor participação no ato infracional.

Parágrafo único. Iniciado o procedimento, a concessão da remissão pela


autoridade judiciária importará na suspensão ou extinção do processo.

Art. 127. A remissão não implica necessariamente o reconhecimento ou


comprovação da responsabilidade, nem prevalece para efeito de antecedentes,
podendo incluir eventualmente a aplicação de qualquer das medidas previstas em
lei, exceto a colocação em regime de semi-liberdade e a internação.

Art. 128. A medida aplicada por força da remissão poderá ser revista
judicialmente, a qualquer tempo, mediante pedido expresso do adolescente ou de
seu representante legal, ou do Ministério Público.

15
Título IV

Das Medidas Pertinentes aos Pais ou Responsável

Art. 129. São medidas aplicáveis aos pais ou responsável:

I - encaminhamento a programa oficial ou comunitário de proteção à família;

II - inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio, orientação e


tratamento a alcoólatras e toxicômanos;

III - encaminhamento a tratamento psicológico ou psiquiátrico;

IV - encaminhamento a cursos ou programas de orientação;

V - obrigação de matricular o filho ou pupilo e acompanhar sua freqüência e


aproveitamento escolar;

VI - obrigação de encaminhar a criança ou adolescente a tratamento


especializado;

VII - advertência;

VIII - perda da guarda;

IX - destituição da tutela;

X - suspensão ou destituição da vigência do poder familiar

Parágrafo único. Na aplicação das medidas previstas nos incisos IX e X deste


artigo, observar-se-á o disposto nos arts. 23 e 24.

Art. 130. Verificada a hipótese de maus-tratos, opressão ou abuso sexual


impostos pelos pais ou responsável, a autoridade judiciária poderá determinar, como
medida cautelar, o afastamento do agressor da moradia comum. (Estatuto da
Criança e do adolescente, 1990)

16
2 – Vulnerabilidade social

O nosso trabalho se desenvolve com enfoque de Vulnerabilidade Social, nas


áreas de educação, família e nível socioeconômico.
Segundo o pesquisador Ruben Kaztman, as populações vulneráveis
principalmente nos centros urbanos, diga-se população pobre e com relações
precárias de trabalho, têm dificuldades para acumular capital social, seja:
Individual, coletivo ou cívico, esta dificuldade é expressa em níveis de
qualidade de vida inferiores. Segundo, ainda Kaztman, este contingente
populacional é isolado das correntes predominantes da sociedade, pois, seus
laços com a sociedade estão “esgaçados”, quer seja pelo mercado de
trabalho, pela sua localização no espaço geográfico ou ainda por uma baixa
escolarização.
A vulnerabilidade social pode se manifestar em dois planos: estrutural e
subjetivo. No plano estrutural, pode ser dada por uma mobilidade descendente
e, no plano subjetivo, pelo desenvolvimento de sentimentos de incerteza,
insegurança, de não-pertencimento a determinado grupo, de fragilidade dos
atores. E, os jovens, como a mídia, a sociedade e todos apregoam, são fonte
de potencialidade. Isso é uma condição óbvia dada à idade, a vitalidade do
jovem, mas a vulnerabilidade social tira essa potencialidade inerente aos
jovens e os atira ao poço da incerteza. “O conceito de vulnerabilidade ao tratar
da insegurança, incerteza e exposição a riscos provocados por eventos
socioeconômicos ou ao não-acesso a insumos estratégicos apresenta uma
visão integral sobre as condições de vida dos pobres, ao mesmo tempo em
que considera a disponibilidade de recursos e estratégias para que estes
indivíduos enfrentem as dificuldades que lhes afetam” (VIGNOLI e FILGUEIRA,
2001)
Em meio a toda essa discrepância social, encontramos nas palavras de outro
filosofo, uma definição mais sucinta da questão de Vulnerabilidade Social:
Segundo DIETERLEN (2001), vulnerabilidade é a falta de atendimento as
necessidades básicas, que são negadas pelos detentores de poder.
Infelizmente hoje no nosso país Vulnerabilidade Social, é um problema muito
maior do que uma epidemia, ou um paradoxo no quadro social que foi
instituído constitucionalmente com intuito de prover sempre melhorias às

17
pessoas em todas as classes sociais e econômicas; Vulnerabilidade Social é
um problema de Saúde Pública. Esse quadro na vida do jovem brasileiro é
composto pelos seguintes itens: Gravidez na Adolescência, educação
precária, Violência, fácil acesso às drogas.

2.1 – Gravidez na Adolescência: Para a Organização Mundial de Saúde,


adolescência é a fase do ciclo da vida situado entre 10 e 20 anos, podendo
ainda ser subdividida em adolescência inicial, entre 10 e 14 anos e
adolescência final, dos 15 aos 20 anos. (GUIMARÃES, 1998)

Do ponto de vista estritamente biológico, é um período da vida onde os jovens


experimentam mudanças físicas e psíquicas que caracterizam a puberdade, e
que irão interferir de forma expressiva no seu processo de interação social. A
descoberta da sexualidade associada ao momento histórico em que
influências relacionadas ao convívio social, aos valores presentes, à mídia,
dentre outros, tem como resposta uma iniciação sexual cada vez mais
precoce, tendo como conseqüência dramática o aumento do número de
adolescentes grávidas.

A gravidez na adolescência pode significar um problema, além do fato de


representar uma gestação de risco, graças à imaturidade biológica da menina,
associada ainda ao fato de desencadear, muitas vezes, desagregação familiar
e social, principalmente quando indesejada. O desdobramento desta gravidez
se dá muitas vezes com o isolamento social, a interrupção dos estudos de
forma temporária ou definitiva, a instabilidade emocional, além da união
instável e imatura com o parceiro.

O desenvolvimento da gravidez neste ciclo de vida está associado com


variados riscos, sendo mais importante quando sua ocorrência se dá na fase
inicial. Isto ocorre devido à interação de fatores singulares ligados ao
crescimento e ao desenvolvimento, que terminam por intervir de forma mais
decisiva em comparação com a segunda metade da adolescência.
Particularizando-se os riscos, alguns autores salientam a preponderância do
risco social, tendo em vista sua repercussão sobre a expectativa de vida do
bebê que vai nascer. Os riscos de uma gravidez na adolescência estão muito

18
mais associados à interação com as condições de nutrição, de saúde e à falta
de atenção e cuidados dispensados à mãe (ou seja, as condições sociais e
culturais em que a gravidez ocorre), do que propriamente a fatores biológicos.
Certamente, subtraímos os casos em que a gravidez se dá em idades muito
precoces, quando podem apresentar conseqüências negativas em relação à
saúde (GUIMARÃES, 1998; DADOORIAN, 2000).

Para COSTA (1995), na adolescência, o indivíduo ainda não possui a


capacidade de racionalizar as conseqüências futuras decorrentes do
comportamento sexual, deparando-se freqüentemente com situações de risco,
como a gravidez não planejada ou desejada.

2.2 – Educação Precária –

Evolução das taxas de analfabetismo absoluto no Brasil


15 anos e mais
ANO %

1900 65,25
1920 64,94
1940 56,1
1950 50,58
1960 39,68
1970 33,77
1980 25,46
1980 25,46
1991 20,06
2000 13,06
Fontes: IBGE – PNDA, Anuário Estatísticos, Censos Demográficos – MEC/INEP

Não há desenvolvimento digno desse nome sem a democratização e melhoria da


educação e os números apresentados recentemente pelo IBGE mostram que a esse
respeito o Brasil ainda tem muito a caminhar para tornar-se um país civilizado e
socialmente justo. Há inegáveis avanços quantitativos na última década, com
progressos evidentes no número de pessoas que frequentam a escola em todos os
seus níveis. Há, porém, disparidades flagrantes, que reduzem a qualidade de vida e
as chances de prosperidade dos brasileiros. Não há país no mundo que tenha se
destacado nas últimas três décadas sem uma atenção contínua à formação de seus
cidadãos e seu aprimoramento contínuo.

19
O fato de o Brasil despejar mais dinheiro público nas universidades do que no
ensino fundamental e médio é uma distorção que tende a reforçar a desigualdade da
renda nacional. Ainda na repartição do bolo, as verbas destinadas ao ensino médio
superam as do ensino fundamental e os efeitos disso aparecem nos números do
IBGE. Enquanto que a população na escola com 10 anos ou mais é de 94,6%, ou
quase universal, a quantidade de pessoas fora da escola entre 4 e 7 anos é grande -
31%, ou 4,1 milhões de pessoas. A divisão espacial desse contingente que não
estuda mostra que ele é maior nas regiões mais pobres, mas não substancialmente
maior. Há 37,9% de crianças de Porto Alegre dessa faixa etária nessa condição e
28,6% paulistanas, contra apenas 16,2% em Fortaleza e 17,2% em João Pessoa.
A globalidade é um fator intrínseco na sociedade brasileira, e tem um papel
importante na vida do adolescente, pois representa conexão com o mundo e
as pessoas de um meio social no qual o adolescente almeje aceitação, um
senso realizado pela UNESCO, mostra que mesmo o adolescente conhecendo
algum conteúdo ou material estrangeiro, ele não encontra uma estrutura de
aprendizagem no Brasil que alimente os seus interesses; como pode ser visto
em uma das respostas encontradas nesses senso:

Fonte UNESCO – SECRETARIA DA EDUCAÇÂO - RJ

É muito comum encontrarmos escolas públicas com bibliotecas ociosas por não
terem funcionários, laboratórios de informática sem uso também por falta de
funcionários. Isso é o tipo de benefício que não chega ao aluno, mas que consta das
propagandas políticas de investimentos na educação.

Os graves problemas não param, um amplo levantamento feito pelo Banco Mundial
aponta que apenas um entre três jovens brasileiros de 14 a 18 anos está
matriculado no ensino médio. Outra má notícia é que um entre cada três alunos tem
seu desempenho afetado pela violência nas escolas.

Dessa forma mesmo com esforço de alguns, e de algumas instituições, fica


difícil assegurar quando ou se um dia a educação deixará de ser um fator
contribuinte para Vulnerabilidade Social.
20
2.3 – Problemática da Violência:
A violência é considerada um grave problema de saúde pública no Brasil,
constituindo hoje a principal causa de morte de crianças e adolescentes a partir dos
cinco anos de idade. Trata-se de uma população cujos direitos básicos são muitas
vezes violados, como o acesso à escola, a assistência à saúde e aos cuidados
necessários para o seu desenvolvimento. Uma das formas de expressão da
violência é caracterizada como maus tratos. Os maus tratos contra a criança e o
adolescente podem ser praticados pela omissão, supressão e transgressão dos
seus direitos, então definidos por convenções legais ou normas culturais (SBP,
FIOCRUZ e MJ 2001).

A sociedade está em constante evolução socioeconômica. As pessoas estão cada


vez mais voltadas para o trabalho, os estudos e o crescimento pessoal. Com esta
mudança comportamental, as famílias estão deixando de ser um modelo tradicional
paraassumirem outros padrões de convivência.

Em decorrência dessa mudança, entre os membros de algumas famílias diminuiu o


respeito entre pais e filhos, o diálogo do dia-a-dia foi trocado pela televisão e pelo
mundo virtual da internet. É cada um por si, dentro de um egoísmo perverso.

A sociedade está em constante evolução socioeconômica. As pessoas estão cada


vez mais voltadas para o trabalho, os estudos e o crescimento pessoal. Com esta
mudança comportamental, as famílias estão deixando de ser um modelo tradicional
paraassumirem outros padrões de convivência.

Em decorrência dessa mudança, entre os membros de algumas famílias diminuiu o


respeito entre pais e filhos, o diálogo do dia-a-dia foi trocado pela televisão e pelo
mundo virtual da internet. É cada um por si, dentro de um egoísmo perverso.

Em meio a um desequilíbrio entre classes, que é além de cultural como nos


grandes feriados comerciais que servem para ressaltar esse “quadro torto”
dos que têm e dos que não têm, também é interno em cada família em cada
grupo social e na sociedade em geral. Enquanto o foco não mudar a violência
continuará a não incomodar os que não sofrem qualquer tipo de violência.

21
2.4 – Drogadição:
No complexo mundo da droga assim como do sexo ambos estão
inseridos em tabus o que geram, muitas lendas o que permitem a elaboração
de considerações extremamente errôneas.
Antes de entendermos o jovem usuário de Drogas é necessário entender como
a sociedade influencia, ou propicia ou simplesmente não se importam.
Especialistas em drogadição destacando-se Eduardo Kalina criaram a" a
designação de Sindrome de Popeye
Quando um personagem de ficção chega a ter êxito passa a ser um ídolo
como foi o caso de Popeye o Marujo, o que significa que de uma ou outra
forma canaliza, através de mecanismos de identificação projetiva de massa,
uma fantasia que atinge de forma global uma multidão de fãs
No caso de Popeye o Marujo passamos a viver através de nossas
fantasias uma onipotência latente
No caso do Popeye o Marujo o fascinado pela fórmula mágico-
omnipotente de comer espinafre de modo que em frações de segundos
derrotava os mais terríveis facínoras pela força que adquiria na ingestão do
espinafre como forma de obter as forças necessárias para realizar as suas
inéditas proezas
Na época mães de crianças resistentes para se alimentarem usavam as
façanhas do Popeye para induzi-las a comerem de maneira até exagerada
espinafre.
A modalidade oral por onde entram os alimentos tem seus fundamentos
psicológicos e sociais numa fase da vida, na qual o alimento oriundo do seio
de sua mãe, isto é o ato da amamentação tornou-se instrumento mágico
onipotente que acalmava diante das angustias da sua vida extra-uterina. Daí o
fato de que crianças mal resolvidas podem fazer o uso do seio materno até a
idade de seis ou mais anos, o que evidencia a mãe neste fenômeno tido como
mágico-onipotente na concepção da observação externa, porém o que
demonstra a mãe no ato de amamentar é uma força real representado
fisicamente pelo elemento leite e emocionalmente pelo seu calor afetivo que
aliviam a angustia, que não pode ser verbalizada pelo recém nascido que
quando sente fome ou mesmo sem senti-la diante de qualquer sentimento de
angustia choraminga para solicitar o seio materno.
22
A magia do personagem Popeye apela esta impressão mnemônica com o
fortalecimento da memória mediante processos artificiais auxiliares, como, por
exemplo a associação daquilo que deve ser memorizado com dados já
conhecidos ou vividos; combinações e arranjos; imagens etc.,
Dessa forma ensina a criança no valor nutricional de grande alimento que
é o leite materno
A criança entende esta linguagem não como uma mensagem emitida num
código simbólico, porém em termos de uma linguajem concreta, isto é de uma
equação simbólica. O objeto não representa o simbolizado, e sim é o
simbolizado.
Comer espinafre na explicação da "Sindrome de Popeye", não representa
a mensagem de que se alimentar bem ajuda a sermos saudáveis, mas sim
comer espinafre é tornar-se imediatamente um poderoso, transformando-se de
forma mágica num personagem ideal mediante o recurso psicológico da
identificação projetiva de massa.
Segundo o enfoque psicanalítico kleiniano, seria uma identificação
projetiva de massa num objeto interno (internalizado) e idealizado, isto é uma
construção narcisista. O símbolo se confunde com o simbolizado.
Relacionando o usuário com a "Síndrome de Popeye", vive de forma
parcial e total a ilusão de pelo consumo da droga que para o Popeye era o
espinafre, representa de forma concreta a onipotência e lhe permite viver uma
ilusão transitória de ser o outro que de fraco e medroso torna-se poderoso e
corajoso.
Daí passa a ter a vivência de "de quando o desejar" junto com a crença
mágica de que esta falácia é dominadora, sendo reversível quando assim o
desejar. Em outras palavras o usuário tenta viver de forma narcisista una
ilusão, interpretando concretamente aquele refrão que diz "de fantasia também
se vive".
O usuário de droga não reconhece o usuário que ele representa isto é o
escravo da droga que com a ilusão infantil de chegar a um Popeye, que se
tornava poderoso ao consumir o espinafre e lamentavelmente não imagina que
vai se tornar de forma crescente um ser deteriorado, em última análise um
impotente físico, sexual psicológico e social.

23
A Drogadição como "Síndrome de Popeye" é o contrario da liberdade,
pois que significa submeter-se a uma trágica escravidão e que de certa forma
traça um futuro de grande desilusões.
Mas, pelo fato de a cocaína bloquear em níveis pré sinápticos, a
recaptura das catecolaminas (dopamina e noradrenalina) e recentemente, a
isso se acrescentou que o mesmo ocorre com a serotonina, ela possibilita a
oferta de um excesso de neurotransmissores no espaço inter-sináptico à
disposição dos receptores pós sinápticos, fato biológico cuja correlação
psicológica é de uma sensação de grandeza, euforia, prazer, aumento da libido
surgindo daí a "Síndrome de Popeye", numa analogia dessa droga com o
espinafre do marujo das histórias em quadrinhos.
O usuário é em tese o enunciado do sintoma de uma disfunção familiar
mascarada pelas funestas conseqüências do vicio.
Mães sem vocação para a maternidade que admitem os filhos como
fardos de sua vida que lhe tiraram o sossego e a liberdade, e pais ausentes de
casa que acham que a sua única missão e trazer dinheiro para casa são dois
ótimos vetores para criarem um usuário.
O usuário obriga a família a realizar um controle permanente sobre ele
provocando-lhe uma alteração na organização familiar no qual a família passa
a postergar outros problemas preexistentes.
O pai do usuário não consegue diante do impacto manter a serenidade e
a autoridade, emergindo a imagem do pai modelado numa figura frágil e
carente, enquanto que a sua mãe em contrapartida passa a ser a lutadora pois
que despertam nela traços latentes da mãe que tem o seu "filhote ferido" e
enfrenta qualquer perigo, o que ocorre nas selvas quando a fêmea para
preservar a sua cria dos predadores enfrentando com galhardia até a morte a
sua integridade não ocorrendo o mesmo com o macho que se omite .
Neste instante a família começa a se esfacelar com duas possibilidades
ou vive junto porem sem a união que apresenta uma relação de cumplicidade
com a ruptura total do casal com vínculo pobre e restrito vivendo como dois
estranhos habitando no mesmo espaço, ou o casal se integra baseado no
respeito a individualidade de cada um, limitam-se ao viver de forma familiar
vegetativa com a constante ameaça de separação.

24
Os pais que são bem sucedidos em suas profissões, porém os seus
filhos sabem que o seu êxito é de caráter duvidoso e suas ações suspeitas de
que são o sucesso vem através da prática de delitos. Quando tais os pais não
são bem estruturados e alardeiam para os seus filhos falsos conceitos de lei
interagindo o desafio e a transgressão cria-se uma estrutura cheia de lacunas
estimulando assim ao pré-aditivo que atue através de práticas marginais entre
as quais encontra-se o uso de drogas, porque se abre uma brecha de
identificação entre o pai idealizado como um modelo de virtudes e mantenedor
da lei e do pai permissivo que é um espelho de estímulo a contravenção.
Vamos analisar a figura materna que não consegue cumprir sua função
básica de maternidade desviando os seus padrões da função feminina que se
expõe a situações de confronto a tudo o que é considerado feminino, baseado
em modelo que a própria mãe lhe transmitiu.
A mãe ao distorcer a sua função, desperta nos filhos a sensação de que
falharam no seu papel de mães e os filhos se sentem abandonados, e se
vinculam ao pai, tentando através desta parceria alcançar uma ligação
emocional de sobrevivência.
Dessa forma as dificuldades de relação com a figura materna provocam
rupturas profundas no desenvolvimento de sua estrutura psíquica, pois que o
ataque aberto a figura da mãe internalizada aumentaria a culpa, gerando em
conseqüência angustias paranóides, caracterizadas pelo aparecimento de
ambições e de suspeitas que se acentuam, evoluindo para delírios
persecutórios e de grandeza estruturados sem bases lógicas.
Ora a atenuação de tal quadro complexo pode encaminhar os pré-
usuários para a droga. que triunfa através dos esquemas destrutivos, auto
agressivos contra a representação parental internalizadas, que em razão disso
usam a droga como elemento de autopunição que acaba culminando com a
vicio.
O uso indiscriminado de medicamentos, do fumo do álcool e de comidas
de forma compulsiva, o consumismo a fuga no trabalho (ergomania) ou outros
atos com a finalidade de abrandar a angustia vai construindo modelos onde o
controle dos impulsos não existe; em contrapartida usam a ação tóxica para
mascara-la, degenerando assim a personalidade e preparando o pré aditivo
que ao aliar-se com a droga passa a categoria de usuário.
25
O usuário normalmente requer muitas atenções do grupo familiar
buscando gratificações imediatas porque não aprendeu a controlar os seus
mpulsos na constelação familiar por não Ter tido a prática de uma educação
sadia do lar usando modelos coerentes de reflexão.
Crianças extremamente mimadas ou rejeitadas são fortes candidatas a
vicio por estas características, Freud mostrou que crianças mimadas são
fortes candidatas a fixações orais. Na dinâmica da vicio tal fixação aparece, e
dai fundamentou a clássica descrição da existência na personalidade do
usuário de ego fraco e incapaz de tolerar frustrações.
A droga pela sua ação química mascara o medo e dá um falso suporte
para sustentar o fracasso ou a frustração.
Os usuários, em regra geral, são personalidades dominadas por angustias e
temores, cuja qualidade e intensidade os convertem como portadores de
sentimentos insuportáveis para o seu ego, a insegurança em si mesmo, a
baixa estima e a desorganização de seus valores no ser, estar e agir criam uma
enorme insegurança, e o medo de ser destruído cria uma forma paranóica
violenta que domina este tipo de personalidade, daí a estrutura volúvel do
usuário que possui uma resistência psicológica muito fraca.
Não existe uma estrutura definida de personalidade que conduza a vicio
desde que o próprio conceito de personalidade é complexo:
Existem centenas de definições. De forma geral podemos dizer que é um
conjunto de padrões de comportamentos tais como pensamentos,
sentimentos e crenças características de um indivíduo
De forma ilustrativa pode ser comparada como se fosse a "impressão
digital da mente’ de uma pessoa, daí não encontrarmos duas pessoas com
personalidades idênticas mesmo entre os irmãos gêmeos univitelinos.
Vamos esperar a clonagem do ser humano para sabermos se existirão
duas personalidades idênticas a do clone e a do clonado
A psicodinâmica só se explica tendo em conta a constelação psíquica
que apresenta em cada caso, cada pessoa e cada situação particular.
Com generalizações se traça um perfil errôneo descritivo do usuário.
As teorias são como um mapa, que sem o mesmo não sabemos para
onde vamos e nem onde estamos porem o mapa é um referencial genérico.

26
O que é importante é antes de efetuar tratamentos ou fazer uma avaliação
da conduta, é necessário saber-se a estrutura da personalidade e situação
geral dos pontos instáveis, mal estruturados.
Qualquer pessoa pode deteriorar-se numa tentativa mal elaborada de
regulação e controle de seus conflitos interno mediante adicções.
O usuário é em suma portador de sintoma de disfunção familiar que fica
mascarada em razão das conseqüências da vicio. Sob o efeito a sensação de
fragilidade é disfarçada por um sentimento de poder.
É a ilusão de haver vencido o fracasso inexistente que por suas
características, constitui um "triunfo maníaco".
A angustia cede seu lugar a um "clima de paz" sentido a vezes como
paradisíaco. Tudo adquire una serena relevância: sons, cores, gestos,
paisagens. O tempo para no êxtase da gratificação plena e aparentemente não
existe pelo pseudopoder sobrenatural que adquire não evitando nem a própria
morte no horizonte excepcional destas vivências, daí o drogusuário enfrentar
os mais sérios riscos (praticar arrojados assaltos, sequestros, enfrentar
polícia, etc.), atitudes que em estado normal jamais seria capaz de praticar.
A droga funciona como objeto externo a serviço de um "equilíbrio" que
intenta restabelecer a homeóstase para que possa lidar com a ansiedade e a
angustia.

Referências Bibliográficas
BRASIL. Ministério da Saúde. Datasus, 2001. (http//dtr 2001.saude.gov.br/sps/
areastecnicas/adolescente/doc/partos 93 a 2000.doc.)
BRASIL. Ministério da Saúde. Sistema de Informação da Atenção Básica. Anos
2002-2003 (Secretaria Municipal de Saúde - Axixá do Tocantins)
CAMARANO, A.A. Fecundidade e anticoncepção da população jovem. In:
COMISSÃO NACIONAL DE POPULAÇÃO E DESENVOLVIMENTO. Jovens
acontecendo na trilha das políticas públicas. Brasília, 1998. Pág.109-133
COSTA, M.C.O; PINHO, J.F.C; MARTINS, S.J. Aspectos psicossociais e sexuais de
gestantes adolescentes em Belém (PA). 1995. Jornal de Pediatria. Rio de Janeiro,
v.71, n.3. Pág 151-157
DADOORIAN, D. Pronta para voar: Um novo olhar sobre a gravidez na
adolescência. Rio de Janeiro: Ed. Rocco, 2000

27
GUIMARÃES, E.M.B; COLLI, A.S. Gravidez na adolescência. Goiânia: CEGRAF,
1998
MINAYO, M.C.S. (org) Pesquisa Social: Teoria, método e criatividade. 3a ed.
Petrópolis (RJ): Vozes, 1994
IBGE – PNDA, Anuário Estatísticos, Censos Demográficos – MEC/INEP

DIETERLEN, Paulette. Desejos necessidades básicas e obrigações institucionais

KAZTMAN, Ruben. Seduzidos e Abandonados: O isolamento social dos pobres urbanos.


2001.

FREIRE, Madalena. Grupo – indivíduo, saber e parceiro : malhas do


conhecimento – série Seminário. São Paulo: Espaço Pedagógico, 1997.

KRECH, David. O Indivíduo na Sociedade um Manual de Psicologia Social.


São
Paulo: Pioneira, 1975.

KURT, Lewin. Problemas de dinâmica de grupos. São Paulo: Cultrix, 1970.

SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria), FIOCRUZ (Fundação Oswaldo Cruz), MJ


(Ministério da Justiça) Guia de Atuação Frente a Maus-tratos na Infância e na
Adolescência - orientações para pediatras e demais profissionais que trabalham
com crianças e adolescentes.

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido, 17ª ed. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 1987

D'Agnone, Oscar. Aderência a Cocaína. Enfoques atuais para sua abordagem


terapêutica.

Kalina, E: Viver sem drogas, Livraria Francisco Alves. 1987.Rio de Janeiro


KALINA, E., & Kovadloff, S. Drogadição. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1988

Labriola,R.Fernandez. Psiquiatria biológica latino-americana.

www. wikipédia.com.br

http://www.webartigos.com/articles/5247/1/pagina1.html.

28