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SOLDA MIG/MAG

CURSO BÁSICO
Índice:
Diferentes tipos de processos de solda com proteção gasosa 2
Princípios básicos da solda MIG/MAG 3
Configuração básica de uma máquina de solda MIG/MAG 4
Máquinas de solda 5
Alimentação de arame 7
Tochas de solda 9
Características estáticas de fontes de solda 10
Características do arco 11
Ponto de operação 12
Máquinas MIG/MAG com ajuste por chave seletora 13
Princípio básico da solda com arco pulsado 15
Fontes de solda para solda pulsada 17
Gases de proteção 18
Posições de solda 20
Tipos de arco 21
Manuseio da tocha de solda 23
Arames de solda 24
Taxas de deposição 25
Tipos de juntas de soldagem 26
Defeitos de solda 27
Segurança da área de trabalho 30

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CENTRO DE TECNOLOGIA
DIFERENTES TIPOS DE PROCESSOS DE SOLDA COM PROTEÇÃO GASOSA

Solda com proteção gasosa é o termo usado para definir todos os processos de solda, nos
quais a poça de solda e o material de adição transferido para esta poça, são protegidos da
ação da atmosfera através de um fluxo de gás de proteção. O arco voltaico queima de
forma visível entre o eletrodo (arame) e a peça a ser soldada.
Os diferentes tipos de processos de solda com proteção gasosa, são diferenciados pelo:
• Tipos de eletrodos,
• Tipos de gases ou
• Tipos de arco usados.

Diferenciação por tipo de eletrodo:

• Eletrodo não fundente:


O processo de solda com eletrodo não fundente ou permanente, denomina-se solda
à arco elétrico TIG ou “Gás-Tungsten-Arc” (GTA) e utiliza eletrodo de tungstênio.

• Eletrodo Fundente:
O processo com eletrodo fundente (arame de solda) é aquele no qual o arame é o
portador do arco e também o material de adição. O eletrodo neste caso é em
princípio feito do mesmo material de que é feita a peça a ser soldada. O processo é
conhecido como “Gas-Metal-Arc” (GMA) ou MIG/MAG.

Diferenciação pelo tipo de gás:

• Gás Inerte: gás inerte é aquele que não reage com a poça de fusão. Dentre os
gases nobres distingui-se principalmente o argônio, o hélio, ou a mistura destes.

o Aplicação:
Solda à arco de tungstênio (GTA ou TIG),
MIG (Metal Arc Inactiv Gás Welding) ; quando se usa gases a base de
argônio puro ou com mistura com componentes ativos como o CO2 e
O2

• Gás ativo: quando o gás influencia o processo de solda

o Aplicação:
• MAG (Metal Arc Activ Gás Welding); quando se usa gases baseados
em dióxido de carbono CO2.

CENTRO DE TECNOLOGIA
Solda com proteção gasosa

Solda à arco de Solda à arco com


Tungstênio eletrodo fundente
TIG GMA
(Gás Metal Arc)

Solda à arco com Solda à arco com


proteção gasosa proteção gasosa
Inerte Ativa
MIG MAG

CENTRO DE TECNOLOGIA
PRINCÍPIO BÁSIC0 DA SOLDA MIG/MAG

O arco queima entre um eletrodo fundente (que também atua como material de adição) e
a peça a ser soldada.

O gás de de proteção é ou inerte (MIG – por exemplo: argônio; Hélio e a misturas destes)
ou ativo (MAG – por exemplo: CO2). É comum o uso de misturas de 2, 3 ou 4 diferentes
gases, como por exemplo dióxido de carbono, argônio, hélio e oxigênio. Dióxido de
carbono puro também pode ser usado.

A figura abaixo mostra o princípio do processo. O arame „sem fim“ vêm de uma bobina e é
alimentado por roletes tracionadores através do bico de contato. O “stickout” (distância
entre o bico de contato e a peça) é relativamente curto, o que significa que mesmo que o
arame seja fino, altas amperagens podem ser usadas.
O gás de proteção flui através do bocal de gás de forma concentrada ao redor do arame,
protegendo o arco contra o ingresso da atmosfera.

CENTRO DE TECNOLOGIA
CONFIGURAÇÃO BÁSICA DE UMA MÁQUINA DE SOLDA MIG/MAG

1. Máquina de solda
2. Alimentador de arame
3. Cabo de Interconexão
4. Tocha de solda manual
5. Unidade de refrigeração
6. Cilindro de gás

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MÁQUINA DE SOLDA PARA PROCESSO MIG/MAG

Para o processo de solda MIG/MAG usam-se somente máquinas de solda DC, com o polo
positivo no eletrodo (arame) (porém, existem exceções, por exemplo, quando se usa
arame tubular).

A máquina de solda deve ser cuidadosamente ajustada para permitir uma solda otimizada
em toda a faixa de potência. Em máquinas ajustadas por chave seletora, a graduação
deve ser apropriada para a faixa de corrente da máquina (por exemplo: 18 - 36 posições
para uma máquina de 300A) Em máquinas tecnicamente mais sofisticadas (como
máquinas inversoras), a potência pode ser continuamente ajustada (sem patamares)
através de um potenciômetro.

Quando se escolhe uma máquina para solda com proteção gasosa, é importante se
assegurar de que a máquina tenha potência suficiente. Os dados sobre a potência da
máquina são encontrados em sua etiqueta de identificação.

O ciclo de trabalho de uma máquina de solda é indicado em porcentagem. A placa de


identificação normalmente mostra a corrente permitida e a correspondente voltagem para
ciclos de trabalho de 60% e 100%. A informação dada para o ciclo de trabalho, refere-se
ao tempo de 10 minutos de solda em um ambiente a 40ºC.

Na figura abaixo, a placa de identificação de uma máquina de 450A indica que ela pode
trabalhar com um ciclo de trabalho de 100% com uma corrente de 360A.

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O grau de proteção do gabinete de uma máquina de solda é dado pela combinação de
letras e números. Por exemplo: IP 23.
As letras IP significam „International Protection“ (Proteção Internacional) e indicam o grau
de proteção do equipamento.
A primeira letra refere-se à proteção contra contato acidental ou penetração de corpos
sólidos estranhos.
A segunda letra indica a proteção contra água.

Proteção contra risco de choque IP 2x'

Proteção contra respingo de água IP x3

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ALIMENTADOR DE ARAME

Um dos principais fatores que contribuem para uma solda de boa qualidade e livre de
falhas é a alimentação linear e constante do arame de solda.

Os motores usados no alimentador de arame podem ser motores de derivação DC, ou


motores de imã permanente ou motores de rotores de disco, que se caracterizam por uma
longa vida útil.
São disponíveis alimentadores com 2 e 4 roletes de tracionamento. A vantagem do
sistema de 4 roletes é que se assegura uma alimentação contínua e sem falhas, mesmo
quando se usa arames que apresentam maior dificuldade de tracionamento.
A velocidade do arame pode ser ajustada para valores entre 1 e aproximadamente 22
m/min. (Em máquinas de solda MAG de alto rendimento, a velocidade do arame pode
chegar a até 30 m/min).

Uma alimentação de arame suave, regular e uniforme, depende de diversos aspectos da


máquina de solda:

• A pressão de contato dos roletes do alimentador de arame deve ser tal que não
cause deformação do arame, mas garanta uma alimentação suave.
• Usar sempre roletes adequados ao tipo e diâmetro do arame.

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Arames diferentes requerem roletes tracionadores de diferentes ranhuras:

Rolete de ranhura trapezoidal lisa (modelo T):


• Fé.
• Aço inox (CrNi).
• Arames de alta, baixa ou sem liga.

Rolete semicircular liso (modelo H):


• Alumínio.
• Cobre-Silício CuSi 3.
• Arame de bronze.

Rolete semicircular ranhurado (modelo R):


• Arames sólidos e tubulares de diferentes
ligas.

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TOCHA DE SOLDA

A tocha de solda, como ferramenta principal do soldador, é a interface com a máquina de


solda.
Na maioria das vezes, defeitos e falhas de funcionamento que ocorrem durante a solda
são gerados na tocha de solda.
Um manuseio cuidadoso da tocha contribui para garantir que a máquina funcione de forma
segura e reduza custos.
Tochas de solda se diferenciam entre tochas manuais e tochas mecanizadas ou
robotizadas.
Em tochas com comprimento de até 4,5m, o arame é empurrado, enquanto que para
comprimentos maiores que este, usa-se tochas “push-pull”.
As tochas podem ainda ser diferenciadas quanto ao tipo de refrigeração, ou seja, com
refrigeração à água ou sem refrigeração (refrigeradas pelo gás de proteção). A decisão de
que tipo de refrigeração usar – gás ou água – depende da faixa de potência com que se
pretende soldar, e o ciclo de trabalho a ser empregado. Nos casos onde se pretenda
soldar com correntes acima de 300A, recomenda-se o uso de tochas refrigeradas à água
(vida útil mais longa).
Para solda com arco pulsado, devem ser usadas apenas tochas refrigeradas à água.

CENTRO DE TECNOLOGIA
CARACTERÍSTICA ESTÁTICA DAS MÁQUINAS DE SOLDA MIG/MAG

Na solda MIG/MAG as máquinas de solda tem característica de voltagem constante


(levemente inclinada).
Em máquinas ajustadas por chave seletora, a curva característica da máquina de solda é
geralmente ajustada por seletoras de ajuste grosso e ajuste fino. Em máquinas de ajuste
linear contínuo, o ajuste da curva característica é feito automaticamente por um
potenciômetro.
A curva característica estática é a característica de carga da máquina de solda em
condição de equilíbrio, levantados ponto a ponto no diagrama de Corrente / Tensão, obtida
com os ajustes da máquina mantidos constantes, com variação da carga ôhmica.
A curva característica se situa entre a característica estática mínima (Posição mais baixa
da seletora) e característica estática máxima (Posição mais alta da seletora).

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CURVA CARACTERÍSTICA DO ARCO

O termo “Característica do Arco” refere-se à curva do diagrama Voltagem / Corrente (U-I)


que é obtido cruzando-se um grande número de determinados valores de corrente junto
aos seus respectivos valores de voltagem. Cada ponto da curva característica de um arco
voltaico é registrado em um mesmo comprimento de arco, apesar de se obter diferentes
níveis de potência, ou seja, uma curva característica de arco é determinada
experimentalmente.

Faixa da característica do arco:


Curvas características de diferentes comprimentos de arco permanecem sempre dentro de
uma faixa de características de arco, limitada pela curva característica de arco mais curto
e de arco mais longo.
A faixa traçada é válida somente para um tipo de material de adição, um diâmetro de
arame e um gás de proteção.

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O PONTO DE TRABALHO

O ponto de trabalho é o ponto médio no qual a característica estática pré-ajustada (ajuste


da máquina) cruza com a característica da respectiva faixa de característica do arco.
A questão em qual curva do arco a curva pré-ajustada vai cruzar, é definida pela
velocidade do arame.
O ponto de trabalho define o comprimento do arco, a velocidade do arame, a taxa de
deposição (em kg/h) e em grande parte, a profundidade de penetração e o tamanho da
poça de fusão.
O diagrama abaixo mostra como o ponto de trabalho se modifica dentro da faixa do arco,
quando ou a voltagem é alterada (Chave seletora na máquina) ou a velocidade do arame
é alterada.

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MÁQUINAS MIG/MAG COM CHAVE SELETORA

Princípio básico de uma máquina de solda com chave seletora.

Transformador com chave seletora de voltagem


O transformador converte a alta tensão da entrada de força da máquina (380V) em uma
tensão mais baixa (max. 100V). Ao mesmo tempo, a baixa corrente da entrada é
convertida em alta corrente de solda.
O transformador consiste-se de um núcleo de ferro e duas bobinas – (Primário e
Secundário) A relação de conversão da tensão de entrada para a tensão de saída é
determinada pela relação entre número de voltas do fio de cada uma das bobinas.
O nível da tensão de saída pode ser ajustado através da chave seletora ligada aos
diferentes taps da bobina primária.

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Retificador
O retificador converte corrente alternada em corrente continua, necessária para a solda.
A corrente é convertida através de uma ponte de diodos.
Diodos são elementos semicondutores cuja resistência elétrica depende da direção de
fluxo da corrente. O diodo permite a passagem da corrente em apenas um sentido,
enquanto que no sentido contrário a corrente é bloqueada (sentido reverso).

Indutância

A função do indutor é atenuar os picos transientes da corrente. Isto reduz respingos e


melhora a estabilidade do arco.
O indutor consiste-se de espiras de fio isolado, enroladas sobre um núcleo de ferro. O
campo magnético gerado é uma força contrária às flutuações do fluxo corrente, e tem um
efeito de atenuação.

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PRINCÍPIO BÁSICO DAS MÁQUINAS INVERSORAS

Máquina de solda com chaveamento transistorizado no primário (inversora).


A característica das máquinas de solda inversoras é que o transformador está localizado
após o chaveamento transistorizado. A razão para isto está no fato de que o peso e o
volume do transformador – conforme as leis da eletro-técnica – é diretamente dependente
da freqüência na qual o transformador trabalha. Quanto maior a freqüência; menor é o
transformador.

Relação entre Volume e Freqüência de um transformador


sob uma determinada potência de saída.

Esta é a relação entre volume e freqüência que é explorada pelas máquinas inversoras.
É por esta razão que máquinas inversoras apresentam baixo peso e dimensões
compactas, sem perda de potência. Isto as faz fáceis de carregar e transportar – uma
característica especialmente valiosa para uso no campo. Ou seja, o pequeno volume das
inversoras significa que elas necessitam de pouco espaço nas cada vez mais difíceis
condições encontradas no chão de fábrica.
Outra vantagem é a alta eficiência elétrica (até 90%).
Para tornar possível o uso da alta freqüência de chaveamento, é necessário antes retificar
a corrente de entrada. Esta é a razão do termo “Máquinas de solda inversoras”. A corrente
continua obtida depois do retificador primário é convertida em corrente de alta freqüência
através de um sistema de chaveamento transistorizado. A tensão de saída do
transformador é então retificada mais uma vez.

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ARCO PULSADO

Uma aplicação adicional das máquinas inversoras é a solda com arco pulsado. A solda
com arco pulsado tem uma gama larga e crescente de aplicações em um grande número
de materiais (sem liga; com baixa liga, com alta liga e baseados em ligas de níquel)

Vantagens:
• Pouco ou nenhum respingo de solda em toda a faixa de potência
• Não existência da faixa de transferência globular
• Ampliação da faixa de trabalho (materiais até 0,8mm podem ser soldados)
• Controle de penetração em solda de sobreposição
• Arames de maior diâmetro podem ser usados na solda de chapas de pouca
espessura

Desvantagens:
• Maior custo de aquisição em comparação às máquinas com chave seletora
• Velocidade de solda mais baixa que em solda padrão

Solda com arco pulsado é caracterizada por uma transferência de metal controlada,
estável e com poucos respingos A curva da corrente em arco pulsado é marcada por duas
fases características:

• Fase de corrente base com uma corrente Ig: Nesta fase o processo de solda
recebe apenas a energia necessária para manter o arco estável e para pré-aquecer
tanto o final do arame e a superfície do material a soldar.

• Fase de Pulso de comprimento tP com uma corrente IP: Com a corrente IP, o limite
crítico do arco spray deve ser excedido de forma que o material de adição fundido
seja desprendido do arame e transferido – sem curto-circuito – para a peça a
soldar. Esta condição só é possível se o gás de proteção utilizado for um gás com
um componente inerte de aproximadamente 80% (exemplo: 82/18 Argon/CO2).

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MÁQUINAS PARA SOLDA COM ARCO PULSADO

Sistemas com controle de circuito fechado.


O crescente aumento do uso da eletrônica na tecnologia de máquinas de solda têm levado
ao desenvolvimento de sistemas de “Controle de Circuito Fechado”, os quais mantém a
corrente ou a voltagem de solda constantes, independente do comprimento dos cabos de
alimentação da máquina ou de flutuações na rede elétrica.
O elemento central nestes sistemas é o controle de circuito fechado com sensores de
corrente e voltagem de solda.

Diagrama de blocos de uma máquina inversora

Os valores reais de um processo de solda são constantemente comparados com os


valores de comando pré-ajustados (parâmetros de solda) através de um
microprocessador, e qualquer desvio é imediatamente corrigido. Isto garante a
manutenção dos parâmetros básicos pré-ajustados, a reprodutibilidade e os resultados de
solda.

Outra vantagem das máquinas de solda inversoras, é que as características da solda não
dependem do formato do transformador nem de bobinas de indutância de saída.
Isto abre inúmeras possibilidades para se interferir no processo e na qualidade da solda,
fazendo uso da eletrônica.

Princípio de funcionamento de uma máquina de solda inversora

A tensão trifásica de entrada é inicialmente retificada.


• Um transistor de alta velocidade comuta esta tensão de entrada a uma freqüência
de, por exemplo, 60 Hz (60 vezes por segundo).
• O transformador então fornece a voltagem solicitada.
• Esta voltagem é retificada e disponibilizada nas conexões de saída.
• Um controlador eletrônico adapta as características da máquina de solda ao
processo de solda selecionado.

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GASES DE PROTEÇÃO

O gás de proteção deve ser selecionado de acordo com o material e a tarefa de solda.

O gás de proteção tem uma influência sobre:

• O comportamento do arco,
• A transferência do metal fundido,
• A taxa de deposição,
• O perfil do cordão,
• A penetração;
• Sobre as propriedades mecânicas,
• Assim como sobre a composição química da poça de fusão.

O gás de proteção protege a poça de solda do ar. Ele influencia o processo


durante a ignição do arco, a separação de gotículas e a forma da solda. Gases
de proteção são inodoros, sem cor e insípido. Apesar não serem tóxicos, eles
podem deslocar ar da respiração do soldador.

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Os seguintes tipos de gases podem ser encontrados no mercado:

Gases inertes de proteção Gases ativos de proteção


(gases nobres)
Gás de proteção Argônio (Ar) Dióxido de carbono CO2
Mistura de gases Argônio + Hélio (He) Argônio + dióxido de carbono
Argônio + oxigênio (O2)
Argônio + dióxido de carbono + oxigênio
Materiais Solda de metais não ferrosos Solda de aços
Processo de solda Solda MIG (Metal inert gas) Solda MAG (Metal active gas)

Processo Comportamento Classificação Materiais


DIN 1910 § 4 químico DIN EM 439
MIG Inerte I1 Todos os metais exceto aços
(131) I2 Alumínio, cobre
I3 Alumínio, cobre
MAGM Menos M 11 Aço inox e aço de alta liga.
(135) Oxidante M 12 Aço inox e aço de alta liga.
M 13 Aços de baixa liga
M 21 Aços de baixa liga e sem liga, arame tubular.
M 22 Aços de baixa liga e sem liga
M 23 Aços de baixa liga, sem liga e aço inox
Mais M 31 Aços de baixa liga e sem liga.
oxidante M 32 Aços de baixa liga e sem liga.
M 33 Aços sem liga.
MAGC C Aços sem liga e de baixa liga (com limitações),
(135) Arames tubulares

Classificação de gases de proteção conforma a EM 439


Descrição Componentes em volume % Processo Obs.
Grupo Classif Oxidante Inerte Redutor Inativo
CO2 O2 Ar He H2 N2
R 1 1 A 15 TIG Reduzido
2 15 A 35 Arco plasma
Root-shield.
Corte plasma
I 1 100 MIG / TIG Inerte
2 Rest1)2) 100 Arco plasma
3 Rest1)2) 20 a 80 Root shield.
M1 1 >0 a 5 Rest1)2) >0 a 5 Levemente
2 >0 a 5 Rest1)2) Oxidante
3 >0 a 3 Rest1)2)
4 >0 a 5 >0 a 3 Rest1)2)
M2 1 >5 a 25 Rest1)2)
2 >3 a 10 Rest1)2) MAG
3 >5 a 25 >0 a 8 Rest1)2)
M3 1 >25 a 50 Rest1)2)
2 >10 a 15 Rest1)2)
3 >5 a 50 >8 a 15 Rest1)2)
C 1 100 Fortemente
2 Rest >0 a 30 Oxidante
F 1 1 a 30 Rest Root-shield. Reduzido
1) Aplica-se somente a misturas de gases com conteúdo igual ou superior de hélio
2) Argônio deve ser substituído em até 95% por hélio

CENTRO DE TECNOLOGIA
Ajuste do fluxo de gás de proteção

O gás é retirado de um cilindro através de uma válvula redutora de pressão e um medidor


de fluxo de gás com uma válvula de ajuste fino. Daqui, o gás flui através de uma
mangueira até uma válvula solenóide instalada no alimentador de arame, e daí então
através do conjunto de mangueiras até a tocha.
A taxa de fluxo de gás requerida pode ser ajustada na válvula de ajuste fino e lida no
medidor de fluxo. Como regra geral, o fluxo de gás de proteção (em l/min) deve ser entre
10 e 12 vezes o diâmetro do arame.
Por exemplo: Arame de 1,2 mm = fluxo de gás de aproximadamente 12 a 14 l/min.

Posições de solda

CENTRO DE TECNOLOGIA
Tipos de arcos

Transferência metálica
Dependendo da intensidade de corrente, potência do arco e do gás utilizado, pode-se ter
diferentes tipos de transferência metálica, cada qual com características particulares de
arco.

Faixas de arco em solda com proteção gasosa

CENTRO DE TECNOLOGIA
Tipo de arco Simbolo Tamanho das gotas Transferência metálica
Curto-Circuito k Pequena Só em curto-circuito; regular
Transf. Globular Ü Pequena a grande Parte em curto-circuito, parte em
Globular; instável
Arco Spray S Bem pequena Pulverizado; regular
Arco longo L Grande Instável em curto-circuito, parte em
globular
Arco pulsado P Ajustável Globular; estável
Classificação conforme DIN 1910, parte 4

A escolha do tipo de arco a usar vai depender da espessura da chapa e do tipo de solda a
realizar.
Máquinas de solda transistorizadas permitem uma considerável melhoria na transferência
metálica, especialmente quando se trabalha em Curto-circuito e em Arco spray.
A razão disso pode ser encontrada na alta velocidade de resposta das máquinas de solda
inversoras, e nas várias possibilidades de influência na transferência metálica.

Estes dados são para mistura de gases de 82% argônio e 18% CO2.

CENTRO DE TECNOLOGIA
MANUSEIO DA TOCHA

Mesmo quando não são feitas alterações nos ajustes da máquina (voltagem e velocidade
do arame), ainda assim o processo e o cordão de solda sofrem influência pela maneira
pela qual a tocha é manuseada. Três inclinações de tocha são aqui diferenciadas:

• Vertical A Tocha é segurada aprumada

Direção de solda

• Empurrando A Tocha é empurrada (Atacando)

Direção de solda

• Arrastando A Tocha é Puxada

Direção de solda

CENTRO DE TECNOLOGIA
ARAMES DE SOLDA

O Termo habitual „SG 2“ foi alterado pela norma Européia EN 440, e é agora denominado
como G3 Si 1.

Existem dois tipos


principais de arames

Arames
sólidos

Arames
tubulares

Arames Tubulares:
De uma certa forma, o material de fluxo inserido nos arames tubulares, têm a mesma
função do revestimento dos eletrodos revestidos:

• Formar uma escória.


• Introduzir elementos de liga na poça de solda
• Reduzir a influencia nociva do ar ambiente

Campos de aplicação:

• Para aços de alta liga


• Soldas ao ar livre
• Para posições soldáveis (há limites para arames de maior diâmetro)

CENTRO DE TECNOLOGIA
TAXAS DE DEPOSIÇÃO

Quanto maior o diâmetro do arame; maior a taxa de deposição (sob corrente constante),
devido à baixa resistência.
O fator crucial para a taxa de deposição é a velocidade do arame. A taxa de deposição é
medida em kg/h ou g/min.

Fórmula:

Velocidade do arame m/min x Peso do arame g/m x 60 = kg/h


1000

exemplo: 12m/min x 8,9g/ m (diâm 1,2mm) x 60 = 6,4kg/h


1000

CENTRO DE TECNOLOGIA
TIPOS DE JUNTAS DE SOLDA

Quando da escolha do tipo de arco a usar na solda, deve-se levar em consideração


também o tipo de junta a usar no processo de solda.
O tipo de junta, ou seja, a posição relativa das peças a soldar, e o formato da ranhura
entre elas determina o tipo de cordão de solda.

Os mais importantes tipos de juntas de solda são:

Solda de filete (7) são juntas soldadas nas quais os componentes estão perpendiculares
entre elas em dois planos.
Solda de topo (1 - 6) é o nome dado às juntas de solda onde as peças a serem unidas
estão no mesmo plano.

CENTRO DE TECNOLOGIA
DEFEITOS DE SOLDA

Conseqüências de proteção gasosa inadequada.

Proteção insuficiente de gás sobre a poça de solda permite a reação entre o ar e a poça
de solda, causando porosidade com estabilidade inadequada.

Falha:
Corrente de ar (ex.: canteiro de obras)
interfere na cobertura de proteção
gasosa.

Conseqüência:
Proteção gasosa insuficiente,
Formação de poros no cordão de
solda

Defeitos de fusão:

Apenas o arco (não a poça de solda) tem suficiente energia para fundir a face da ranhura
e criar uma junta estável. Para prevenir defeitos, então a junta a ser soldada deve ser
corretamente preparada.

CENTRO DE TECNOLOGIA
As seguintes falhas são esporadicamente feitas:

Ângulo da preparação de junta muito pequeno.


Correto: 40° a 60°.

Altura da junta muito alta

Abertura da raiz muito grande

Desalinhamento de bordas muito grande

Sobre-solda com abóbada de reforço muito alta


Correto: Antes da sobre-solda, soldar a base com formato
côncavo.

Falha da fusão da junção devido a solda com arco de


baixa potência, junção não facetada; solda sem
suficiente sobreposição.
Correto: Facetar o final do cordão, dar nova ignição
antes do final do cordão e continuar a soldar.

CENTRO DE TECNOLOGIA
Podem ocorrer falhas de junção quando o arco não alcança a borda de solda ou o passo
já soldado, porquê a poça de solda corre à frente.

Velocidade de solda muito Solda na posição PG (vertical Solda puxando com ângulo
baixa, ou a taxa de deposição descendente). A taxa de da tocha excessivo.
muito alta. Não soldar chapas deposição deve ser limitada.
excessivamente espessas! Não soldar muito devagar!

Se a posição da tocha é incorreta, o arco funde a borda de solda apenas em um dos


lados. Isto resulta em defeito de fusão e conseqüentemente a junção.

A tocha não está soldando A tocha está muito inclinada Posição falha de tocha
no centro da junta. para um dos lados. causada por restrição de
acesso.

CENTRO DE TECNOLOGIA
SEGURANÇA NA ESTAÇÃO DE TRABALHO

Na tecnologia de solda, são os seguintes os principais perigos:

• Incêndios causados por centelhas


• Poluentes
• Ruídos
• Radiação óptica
• Choque elétrico
• Falhas de manuseio

Perigos do ruído e da radiação óptica

Certos processos de solda e máquinas causam altos níveis de ruído.

Pressão acústica acima de 85dB(A) podem causar danos auditivos.


Ruídos, porém causam danos ao sistema nervoso humano.

Precauções sempre que possível escolha processos com baixos


ruídos
• Isolação acústica da fonte de ruídos
• Acima de 85 dB(A), use protetores auriculares

Radiações ópticas perigosas são irradiadas do arco e da poça de solda.

Precauções
• Óculos de proteção padrão (conforme DIN EN 169)
• Proteção de segurança
• Anteparo de Proteção / Máscara

Calor Luz Raios UV


Olhos: Opacidade Ofuscamento Queimadura
instantânea
Pele: Queimadura Queimadura

CENTRO DE TECNOLOGIA
Causas e efeitos da radiação óptica – raios ultravioleta

Tanto o arco como a poça de solda emitem radiação visível e invisível. As intensidades
destas radiações dependem de:

• Energia de entrada
• Tamanho de arco
• Temperatura do arco
• Distribuição da temperatura

Efeitos:

Raios Ultravioleta são os mais perigosos para os olhos.


Queimaduras nos olhos dos soldadores causam dor, lacrimação, heliofobia (medo ou
aversão à luz) e inchaço das pálpebras. São causados à conjuntiva, e em casos sérios à
córnea.
A pele pode ser queimada pelos raios ultravioletas (Efeito igual ao da queimadura solar)

Perigos dos circuitos elétricos:

1. Conexão de entrada defeituosa (solta / removida M)


2. Máquina de solda defeituosa (falte de chaves ou coberturas)
3. Cabos de corrente / conjunto de mangueiras defeituosos
4. Arame de solda
5. Peça a soldar com aterramento defeituoso
6. Grampo terra defeituoso

Todo o trabalho de manutenção deve ser realizado por pessoa habilitada e somente com a
chave geral desligada / máquina desconectada da rede elétrica!

CENTRO DE TECNOLOGIA
Precauções:

• Reparos em conexões de entrada ou máquinas de solda defeituosas devem ser


realizados apenas por pessoa treinada, habilitada em eletricidade!

• Reparos de manutenção simples só podem ser feitos por soldador devidamente


treinado.

Equipamentos de proteção e de primeiros socorros:

Para todo o trabalho de solda, deve-se usar vestimenta apropriada que cubra o corpo do
soldador e que não seja contaminada com substâncias inflamáveis ou facilmente
combustíveis.

OBS.: Não use vestimenta feita de fibras sintéticas que derretam facilmente, tais como ou
perolin!

Mesmo quando se observa as regras de prevenção de acidentes, pequenos acidentes não


podem ser evitados. Por esta razão, todos devem ser treinados a respeito de métodos de
atendimento a primeiros socorros diretamente no local do acidente!

CENTRO DE TECNOLOGIA

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