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Deusa Criadora de Tudo

Quem é Ela?
Ela é a jovem
De olhos brilhantes sem medo no coração
Ela traz o amanhecer
Quem é Ela?
Ela é jovem
O sonho ousado
Que caminha só... Ela caminha só
Crescente de prata
Amada Donzela
Jovem, venha!
Quem é Ela?
Ela é a amante
Seus ossos e sangue são a Terra
É Ela quem nos sustenta
Quem é Ela?
Ela é a amante
E a bondade que jamais falha
Ela caminha em poder
Abençoada Lua cheia
Sagrada Senhora
Mãe venha!
Quem é Ela,
Ela é Velha
Que sobreviveu além do medo
Ela sorri bem alto
Quem é Ela?
Ela é a Velha
Amável e sábia
Que conduz a vida... Ela conduz a vida
Dourada minguante
Honrada Anciã
Velha, Venha!
Quem é Ela?

A adoração à Deusa foi a primeira Religião estabelecida pelos seres


humanos. Muitas evidências arqueológicas, que incluíam estátuas, amuletos,
cerâmicas, pinturas nas cavernas e outras imagens indicando a veneração à
Deusa, foram descobertas comprovando a existência de um culto primordial, no
qual uma Divindade Criadora feminina era adorada.

Merlin Stone, em When God was a Woman (Quando Deus era uma Mulher),
relata: “Arqueólogos localizaram evidências de adoração à Deusa antes das
comunidades do período Neolítico, cerca de 7000 a.C. algumas das esculturas
datam do Paleolítico Superior, cerca de 25000 a.C. Desde as origens Neolíticas,
sua existência foi comprovada repetidamente até os tempos romanos”.

A evidência mais convincente de adoração à Deusa vem de numerosas


esculturas de mulheres grávidas com seios, quadris, coxas, nádegas e vulvas
exageradas. Essas imagens forma intituladas pelos arqueólogos como estatuetas
de Vênus, ou ídolos do culto à Grande Mãe. Elas são feitas de pedra, osso, barro
e foram descobertas perto dos restos de paredes das primeiras habitações
humanas. Estas estátuas foram encontradas na Espanha, França, Alemanha,
Áustria, Checoslováquia e Rússia e parecem ter pelo menos 10 mil anos.

Essas esculturas não significam meras decorações das pessoas que as


criaram, mas são, sim, objetos profundamente importantes porque representam o
meio pelo qual os seres humanos se expressavam antes mesmo de começarem a
utilizar a fala. A arte, através da história, sempre revelou o que as culturas
valorizavam e o conhecimento que tentavam passar às gerações futuras.
Claramente o parto, a maternidade e a sexualidade feminina eram considerados
sagrados. Isso nos mostra que essas culturas tiveram pouco ou nenhum
conhecimento do papel do homem na reprodução. Para todos, a mulher concebia
o bebê por ela mesma. Sexo não era associado com o parto, e as mulheres foram
consideradas as doadoras exclusivas da vida. Até hoje, alguma culturas isoladas
na Terra acreditam que o homem não tem participação nenhuma na concepção.

Além disso, como o conceito de paternidade ainda não tinha sido


entendido, as crianças só pertenciam a mães e à comunidade. Crianças
“ilegítimas” não existiam. As crianças levavam o nome de suas mães e a família
descendia pela linhagem materna. Esta estrutura social, baseada na afinidade
feminina, é chamada de “matrilinear” e ainda existe em algumas partes da África,
Índia, Melanésia e Micronésia.

As culturas primitivas eram freqüentemente matrifocais, ou seja, quando


uma mulher casava, o marido ia morar com a família da esposa, em vez de a
mulher ser desarraigada e se mudar para a casa da família do marido. Isto
significa que as mulheres detiveram todo o poder, e o status da mulher na
sociedade teria sido certamente cada vez mais alto, não fosse a queda
matrilinear. Se não fosse o domínio patriarcal da sociedade e da religião, as
mulheres jamais teriam sido totalmente dependentes dos homens e consideradas
suas propriedades. A importância da virgindade e os castigos por adultério não
teriam existido, pois eles fazem parte de conceitos patrilineares, em que a
paternidade é mais estimada que a maternidade.

A adoração da Deusa nas culturas antigas incluía o papel principal das


mulheres nos trabalhos religiosos e nas celebrações sagradas. As mulheres eram
as grandes Sacerdotisas, Adivinhas, Parteiras, Poetisas e Curandeiras. Elas
presidiam templos erguidos somente a Deusas como Ishtar, Ísis, Brigit, Ártemis e
Diana, que estão entre as mais populares.
Do envolvimento das mulheres com a religião vieram muitos avanços,
como o conhecimento do poder das ervas, que curavam os doentes e aliviavam a
dor do parto, até o primeiro calendário, o calendário lunar, que foi utilizado por
muito tempo e que pode ter-se originado no procedimento de mulheres que
observavam seus ciclos menstruais e os comparavam com os ciclos da Lua. Além
da astronomia, as mulheres desenvolveram também os idiomas, a agricultura, a
culinária, a cerâmica e muito mais. As contribuições das mulheres para as
culturas humanas são inúmeras e nunca tiveram o devido crédito e valor.

A Deusa teve grande popularidade e proeminência até que as religiões


patriarcais, como Judaísmo, Cristianismo, Islamismo, entre outras, silenciaram-na.
A mudança para o patriarcado foi gradual e procedeu de uma reformulação nos
sistemas de parentesco que se tornou de matrilinear a patrilinear. A ênfase na
paternidade e no homem é clara e evidente nas principais religiões praticada até
hoje.

A relação de pai/filho e Deus/Jesus é a chave do Cristianismo, embora


a figura da mãe tenha conseguido persistir, aparecendo no Catolicismo na figura
de Maria, que instigantemente é chamada de “A Mãe de Deus”.

Outro fator relativo à ascensão das religiões patriarcais foi a ênfase a


ditaduras militares, que aumentaram o culto aos Deuses guerreiros. Esther
Harding, em Women’s Mysteries (Mistérios das Mulheres) expõe: “A subida do
pode masculino e da sociedade patriarcal provavelmente começou quando o
homem passou a acumular bens e prosperidades, o que não é comunitário, e
acho que a sua força pessoal e coragem pudessem aumentar suas posses e
riquezas. Esta mudança de poder secular coincidiu com subida da adoração ao
Sol sob um sacerdócio masculino que começou a substituir os muitos cultos à Lua
realizados desde tempos imemoráveis”. Assim, como os homens ganharam poder
sobre as mulheres e o masculino se tornou a Grande Divindade, o Sagrado
Feminino passou a ser reconhecido cada vez menos. A ausência do culto à Deusa
trouxe guerras, crimes, regras e tirania.

A Deusa é o princípio Divino Feminino, a Divindade suprema adorada


nas práticas Pagãs. Ela foi adorada ao redor do mundo por milhares de anos, até
ser silenciada através das religiões patriarcais. Em anos recentes a Deusa e seus
cultos ressurgiram e hoje contam com grande popularidade entre:

· Feministas, que buscam uma dimensão espiritual para as suas causas políticas;

· Aqueles que se interessam pelas religiões antigas, abrangendo aqui todas as


manifestações Pagãs;

· Mulheres e homens comuns que sentem que algo está se perdendo nas
proeminentes religiões organizadas de hoje.
É difícil definir a Deusa em alguns parágrafos, mas a versatilidade é uma de
Suas características mais interessantes. Para alguns Ela é a única Divindade
existente. A Deusa não é necessariamente vista como uma pessoa, mas uma
força multifacetada de energia que se expressa em uma variedade de formas e
pode ter inúmeros nomes diferentes.

Ela foi chamada Ishtar, Astarte, Inanna, Lilith, Ísis, Maat, Brigit, Ceridwen,
Gaia, Deméter, Danu, Arianhrod, Ceridwen, Afrodite, Vênus, Ártemis, Athena,
Kali, Lakshmi, Kuan-Yi, Pele e Mary, entre muitos outros nomes. A Ela foram
atribuídos muitos símbolos, como serpentes, pássaros, a Lua e a Terra.

A Deusa é a Criadora de todas as coisas e, ao mesmo tempo, a Destruidora.


Tudo vem Dela e tudo retornará a Ela. A Deusa está contida em tudo e vive na
Terra, nos céus, no mar, em cada botão de flor, em cada pingo d’água e em cada
grão de areia. Ela não é um Ser distante e intocável, mas sim uma Divindade que
estão aqui conosco, vive e se manifesta em cada um de nós. Ela é a Virgem, a
Mãe e a Anciã. Ela é você, Ela é eu, Ela é tudo e todos.

Nas práticas Pagãs, a Deusa possui três aspectos distintos. A Triplicidade da


Deusa é muito anterior ao Cristianismo e não é difícil que seja ela quem deu
origem ao pensamento da Trindade Cristã. Porém, na Wicca, a Triplicidade se
refere a três estados distintos da mesma divindade.

Cada um desses aspectos tem suas características particulares, distintas


das outras, e cada uma delas traz a possibilidade de serem relacionadas com
aspectos internos de nossa psiquê. Suas três são a Virgem, a Mãe e a Anciã, os
seus aspectos reverenciados por toda a humanidade desde tempos imemoráveis.

A Virgem representa os impulsos, o começo, e está relacionada à Lua


Crescente.

A Mãe é a Doadora da Vida, a Grande Nutridora, e está associada à Lua


Cheia.

A Anciã é a detentora da sabedoria, a Grande Conhecedora e


Transformadora, e está associada à Lua Minguante.

A Deusa é abrangente porque pode ser tudo que você quiser que Ela seja. A
maioria dos seguidores da Deusa compartilha algumas convicções em comum.
Starhawk, uma das mais atuantes Bruxas modernas e autora de Dança Cósmica
das Feiticeiras, afirma que três princípios da religião da Deusa são: a imanência,
a interconexão e a comunidade.

Imanência é o meio pelo qual todos os seres estão relacionados e a forma


como estamos unidos ao Cosmo.

Como comunidade, crescimento e transformação passam por interações


íntimas, basicamente, a lei da Deusa é Amor – Amor Incondicional. Ela não tem
nenhuma ordem a ser seguida a não ser o Amor, em todas as suas manifestações
e formas.

A Conexão com as Três Faces da Deusa:

Celebre a Deusa em todas as suas formas e aspectos divinos.

Possa suas imagens e palavras inspirar

E lembrar você que Ela está sempre presente

E merece nosso respeito e cuidado.

Ouça o Seu canto, pois Ela canta em tudo o que há!

A conexão com a Deusa é um processo vital na Religião Wicca. A Deusa é


a Grande Criadora e mantenedora da vida. É através Dela que todas as coisas
provêm e a Ela tudo um dia retornará.

Segundo a Crença Pagã, a Deusa possui três faces: a Donzela, a Mãe e a


Anciã. As três faces da Deusa estão ligadas às três fases da Lua trabalhadas na
Bruxaria, que são as Luas Crescente, Cheia e Minguante, e aos três ciclos de
nossa vida, que são a infância, a maturidade e a velhice.

Entrar em contanto com as faces da Deusa significa saber o que esses


períodos podem nos trazer de positivo e o que aprendemos e poderemos
aprender com eles.

Conecte as três faces da Deusa através destes simples rituais.

Donzela

Dentre as três faces da Deusa, a Donzela ou, como também é chamada, a


Virgem é a mais jovem, relacionada com os descobrimentos e aspectos mais
criativos de nossa personalidade. Ela é a inocência e despreocupação, a alegria
de viver. Está associada com a Primavera e é festejada em Ostara.

O termo Donzela ou Virgem não se refere ao sentido sexual, mas sim ao


aspecto de inocência e independência. A Virgem é a dona e responsável por si
mesma. Este é um sentido quase inconcebível de pensar em uma sociedade
patriarcal, mas que era muito compreendido e aceito entre as sociedades
primitivas.
Os nomes recebidos pela Donzela variam de acordo com as distintas
culturas em que a encontrarmos. Damos como exemplos:

Ártemis: Deusa romana dos bosques e da caça, tida como a eterna Virgem.

Perséfone: Também conhecida como Prosérpina, cujo nome justamente significa


Donzela. É a filha de Deméter e foi raptada por Hades; reina junto com ele no
Submundo, lembrando-nos assim o outro aspecto da Deusa: a Anciã.

Rhianon: Deusa celta que saiu do submundo, o que a relaciona com Perséfone.

Rituais que usam a face Virgem da Deusa:

· Qualquer novo início, ou até mesmo esperanças e planos para novos começos.

· Quando assumimos um trabalho novo ou planejamos solicitar um novo trabalho.

· Durante os “primeiros passos” das novas idéias.

· Sempre que você planeja ou começa um ciclo completo em sua vida.

· Sempre que você começa uma fase nova em sua vida.

· Quando se muda para uma nova casa ou apartamento.

· Ao entrar em uma nova escola ou voltar a estudar depois de um longo tempo.

· Qualquer jornada que esteja conectada com mudanças antecipadas.

· Começo de uma relação nova, amor ou amizade.

· Planos para engravidar.

· Nascimento de uma criança.

· A primeira menstruação de uma menina.

· O início da puberdade de um menino.

Os animais associados ao aspecto Virgem da Deusa são os Cervos e qualquer


outro animal silvestre.

O aspecto Virgem da Deusa representa a mocidade, a excitação da conquista dos


desejos, e a novidade da vida e da magia. Na idade humana ela estaria entre a
puberdade e os vinte anos. As cores dela são suaves e claras, como branco, cor-
de-rosa suave ou amarelo-claro.
Meditação para Conexão com a Donzela:
Material necessário:

· Um Cálice com água;

· Duas velas brancas;

· Margaridas;

· Pétalas de rosas brancas.

Procedimento: Trace o Círculo Mágico de forma usual e então invoque a


Donzela com as seguintes palavras:

Deusa e amada Caçadora

Venha a mim.

Donzela do Coração Indomado

Venha a mim.

Você, que anda pelas florestas,

Venha a mim.

Você, que é a Grande Caçadora noturna.

De olhos brilhantes, que traz o amanhecer,

Venha a mim.

Oh! Crescente de prata,

Você que é o Sonho ousado,

Aquela que caminha só,

Venha a mim.

Jovem, Donzela, Virgem,

De cabelos enfeitados de flores e folhagens,

Parceira de pássaros e cães,

Caçadora Selvagem dos céus.


Venha a mim.

Acenda as duas velas brancas, coloque o Cálice no meio das velas e


preencha-o com as pétalas de rosas brancas.

Enfeite o seu Altar com as margaridas, enquanto reflete e medita sobre os


atributos da Donzela:

· Os novos inícios

· A luta

· A criança

· O amor

· O companheirismo

· A audácia

· A força de vontade

Medite sobre esses atributos e o que eles significam para você. Enquanto
isso, enfeite o seu Altar com as margaridas. Coloque algumas delas nos cabelos e
continue a refletir nos atributos da face Virgem da Deusa.

Entoe uma canção de sua infância, que sua mãe cantarolava para que
você dormisse. Continue refletindo sobre os atributos da Donzela e deixe o seu
canto levá-lo até um bosque silencioso e repleto de paz.

Sinta a harmonia desse lugar, o cheiro, as cores e comece a caminhar


pelo bosque.

Imagine uma moça jovem e bela, vestida de branco e carregando um


Cálice de cristal com água, vindo em sua direção. Ela é a Donzela que veio
abençoá-lo e trazer sua magia até você.

Ela lhe oferece o Cálice, dizendo a você que beba o líquido contido
nele. Você pega o Cálice, toma a água e sente-se renovado, tranqüilo e
harmônico ao ingerir o conteúdo do sagrado Cálice da Donzela.

Você entrega o Cálice a Ela e agradece-lhe. Ela toca a sua testa e você
percebe que todo o seu ser brilha ao toque da Deusa. Ela o está abençoando com
a Sua energia de vida, juventude e força.

Deixe o poder da Donzela atuar sobre você. Sinta-se preenchido pela


luz da Deusa, enquanto Ela vai se afastando lentamente de você.
Volte pelo mesmo caminho pelo qual você veio e comece a cantar
novamente a mesma melodia que o levou ao bosque. Cante e deixe que ela lhe
traga a realidade novamente, e aos poucos, sinta-se no lugar onde você começou
sua jornada.

Pegue o Cálice com água, que se encontra sobre o seu Altar, beba um
gole de sua água.

Agradeça à Deusa e destrace o Círculo, tendo a certeza de que a


Donzela o abençoou.

Mãe

A face Mãe da Deusa é tida como a da eterna doadora da vida. Esta foi
uma das primeiras representações religiosas expressas pelos seres humanos.

É a esse aspecto da Deusa que estão associadas todas as imagens


que foram encontradas em escavações de sítios arqueológicos, como a Vênus de
Willendorf.

Algumas imagens mitológicas atribuídas à Mãe são tidas tanto como


criadoras quanto destruidoras. Podemos ver isso como a própria Natureza em
todos os seus aspectos.

Existem numerosos exemplos que poderiam ser associados ao aspecto


da Deusa Mãe:

Deméter: Encarregada da fertilidade da terra e das colheitas.

Ísis: Chamada também de a Grande Mãe Criadora e Doadora da Vida.

Badb: A Deusa celta que forma uma trindade junto com Anu e Macha. Possui um
caldeirão como símbolo do ventre.

Freya: Considerada a líder das Disir, as matriarcas Divinas. Está intimamente


ligada à Magia e aos gatos.

Temas de Rituais que usam a face Mãe da Deusa:

· Projeto de alegria e conclusão.

· Quanto o parto está próximo.

· Necessidade de força para finalizar algum assunto ou situação mal-resolvida.


· Bênçãos e proteção. Especialmente a mulheres que são ameaçadas por
homens.

· Direção em decisões da vida.

· Matrimônios.

· Achando ou escolhendo uma companheira ou um companheiro.

· Escolhendo ou aceitando um animal. Proteção de vida aos animais.

· Fazendo escolhas de qualquer tipo.

· Buscando por períodos de paz.

· Intuição em desenvolvimento psíquico.

· Direção espiritual.

A Mãe é aquela que se volta para a nutrição, a preocupação e a fertilidade; é uma


mulher no início da vida e no cume do seu poder. Ela protege e assegura a
justiça. Na idade humana, seria uma mulher por volta dos trinta anos. As cores
dela são um pouco mais fortes que as da Virgem, como vermelho, verde, cobre,
púrpura, azul.

Os animais associados ao aspecto Mãe da Deusa são o gato e a


pomba.

Meditação para Conexão com a Mãe:


Material necessário:

· Um cálice com vinho;

· Uma vela vermelha;

· Caldeirão;

· Ramos de trigo.

Procedimento: Trace o Círculo Mágico. Coloque a vela vermelha no interior do


Caldeirão. Enfeite o seu altar e o Caldeirão com os ramos de Trigo e então
invoque a Deusa:

Deusa Mãe, cujos ossos e sangue são a Terra,

Venha a mim,
Deusa nutridora e bondosa,

Fertilidade da Terra,

Fogo da Lareira,

Venha a mim,

Mãe natureza,

Criadora do mundo e poderosa frutificadora,

Venha a mim, Senhora.

Venha com a sua força plena e brilhante,

Venha a mim, Senhora.

Acenda a vela do Caldeirão e olhe para a chama, meditando sobre os


atributos da face Mãe da Deusa:

· Bondade

· Criação

· Nutrição

· Bênção

· Proteção

· Auxílio espiritual

· Frutificação.

Medite sobre esses aspectos regidos pela Deusa, olhando fixamente para a
chama da vela. Feche os olhos e visualize uma mulher madura vindo da
escuridão ao seu encontro.

Ela é a Grande Mãe, a Criadora de tudo e de todos.

Ela caminha em sua direção sorrindo e carregando um ramo de trigo e uma


cornucópia nas mãos. É a nutridora, a Deusa da fertilidade e da abundância. Ela
sorri para você enquanto vertem moedas, grãos e frutas de sua cornucópia, ao vir
em sua direção. Pede que você abaixe e pegue uma das moedas. Você assim o
faz e entrega a moeda a Ela. A Deusa traça um símbolo sobre a moeda e lhe
devolve, dizendo que é um presente dela para você. Aos poucos você percebe
que de sua cornucópia não vertem mais moedas e grãos, mas sim uma poderosa
luz que começa a envolver todo o seu ser. Essa luz lhe traz vida, abundância,
fartura e prosperidade. Sinta a energia da Deusa fluir para você. Aos poucos a luz
vai se dispersando e você percebe que a figura da Deusa se dispersa junto com a
luz. Agradeça a Ela e sinta-se retornando aos poucos à sua consciência normal.

Tome um gole de vinho, despeje um pouco dele dentro do Caldeirão como uma
oferenda à Deusa.

Agradeça à Mãe e destrace o Círculo.

Anciã

Sem a Virgem não há começos, sem a Mãe não há vida e sem a Anciã
não há o fim. A Deusa Anciã é o aspecto menos compreendido e o mais temido, já
que nos leva inevitavelmente a refletir sobre a morte.

A Anciã foi reverenciada nas antigas culturas como regente do


Submundo, visto antigamente como um lugar de descanso das almas entre as
reencarnações. Obviamente todos nascemos e morremos, e a função da Deusa
Anciã é nos acompanhar durante a última etapa de nossa vida, preparando-se
para o Outro Mundo.

Os exemplos associados à Deusa Anciã são:

Hécate: Entre os gregos, chamada durante a Idade Média de a Rainha das


Bruxas, era uma divindade do Submundo e da Lua, adorada nas encruzilhadas,
onde se faziam sacrifícios em sua homenagem.

Hel: Deusa germânica do Submundo. Segundo os mitos, era a Ela que


retornavam todos os mortos ao fim de sua existência.

Morrigu: Deusa celta dos Mortos, que também regia as guerras. Tem um aspecto
triplo em si mesma e às vezes era chamada de “As três Morrigans”.

Temas de Rituais que usam a face Anciã da Deusa:

· Relações, trabalhos, amizades e amizades que estejam terminando.

· Menopausa ou sintomas de envelhecimento.

· Divórcio.

· Um reagrupamento de energias necessárias para o término de um ciclo de


atividade ou problema.
· Tranqüilidade antes de pensar em novas metas e planos.

· Quando as plantas estão prontas para o Inverno.

· Morte de uma pessoa ou animal.

· Contemplação ao término de seu próprio ciclo da vida.

· Mudança de habitação ou trabalho.

· Necessidade de forte proteção contra ataques nos níveis físicos ou psíquicos e


aborrecimento no plano dos espíritos.

· Entendimento dos mistérios mais profundos.

· Desenvolvimento dos estados de transe ou comunicação com o outro mundo.

A Anciã é um ser de sabedoria da idade avançada. Ela é a Bruxa e conselheira.


Preocupa-se com a Virgem e com a Mãe. Ela é lógica e pode ser terrível em sua
vingança. Na idade humana, ela teria aproximadamente 45 anos ou mais. Dos
três aspectos, o mais difícil de ter correspondência com a idade humana é o da
Anciã. As cores tradicionais dessa face são: preto, cinza, púrpura, marrom ou azul
da meia-noite.

O aspecto negro da Deusa nos ensina que, assim como tudo na Natureza se
move em ciclos, nossa vida segue o mesmo fluxo, e devemos aceitar a morte
como uma passagem a outro estado, tão válido e parte da vida quanto o próprio
nascimento.

Os animais associados à Deusa Anciã são a coruja, o corvo e o lobo.

Meditação para Conexão com a Anciã


Material necessário:

· Caldeirão;

· Um carretel de linha preta;

· Uma vela preta.

Procedimento: Trace o Círculo Mágico e então invoque a Deusa na sua face de


Anciã:

Senhora da Sabedoria,

Venha a mim.
Grande Transformadora e Sábia,

Venha a mim.

Deusa do Caldeirão sagrado,

Venha a mim.

Deusa do Caldeirão sagrado,

Venha a mim.

Você, que nos conduz ao instinto seguro através dos seus mistérios,

Venha a mim.

Poderosa Bruxa, Guardiã da força da Virgem e Portadora do Amor da Mãe,

Venha a mim.

Você que, por entregar seu amor em liberdade, é sempre Virgem,

Venha a mim.

Você, que conhece a força e segredo de todos os ritos,

Venha a mim.

Esteja comigo, Senhora.

Grande Conhecedora dos mistérios da vida,

Venha a mim.

Coloque a vela preta no interior do Caldeirão e acenda-a. Comece a


desenrolar o carretel, meditando sobre os atributos da Anciã:

· Mistérios

· Sabedoria

· Transformação

· Exterminação

· Poderes ocultos

· Encantamentos
· Força mágica

Continue desenrolando o carretel, tendo em mente que ele representa o fio de


sua vida. Coloque a linha desenrolada dentro do seu Caldeirão, circundando a
vela, e continue a meditar.

Feche os olhos e sinta as batidas do seu coração. Deixe que o pulsar dessas
batidas o leve até um Círculo de pedras envolto por brumas. Aos poucos essas
brumas começam a se dissipar e você visualiza uma Anciã envolvida por um
manto, vindo em sua direção. Ela apóia-se num cajado e caminha lentamente,
vindo ao seu encontro. Ela é Anciã que atravessou os Mundos para encontrar-se
com você.

Ela se aproxima e então pergunta o porquê de sua ida até aquele lugar sagrado e
o que você quer dela. Converse com Ela e responda às suas indagações. Diga
que você foi ao encontro dela para conhecer os seus mistérios. Peça-lhe
conselhos e orientações. Deixe que Ela o oriente.

Depois de conversar tudo o que era necessário, Ela o abençoará com o seu
cajado, traçando um grande Pentagrama de luz sobre você. Deixe o poder Dela
atuar sobre a sua mente e corpo. Ela está partilhando o Seu poder com você para
que se torne ainda mais poderoso e sábio.

Agradeça-lhe a bênção, enquanto Ela se afasta vagarosamente de você.

Sinta as batidas do seu coração novamente e deixe que o seu pulsar traga-o à
realidade novamente. Lentamente sinta o seu ser e abra os olhos.

Agradeça à Deusa e destrace o Círculo Mágico.

Mistérios Femininos

O Vaso da Transformação – visto como mágico – só pode ser efetuado pela


mulher porque ela própria, em seu corpo que corresponde ao da Grande Deusa, é
o caldeirão da encarnação, nascimento e renascimento. E é por isso que o
caldeirão ou pote mágico está sempre nas mãos de uma figura humana feminina,
a sacerdotisa e posteriormente a bruxa.

Erich Neumann, The Great Mother

A Wicca é, entre outras coisas, essencialmente um culto lunar no qual


residem os Mistérios Femininos da Antiga Europa. Os Mistérios Femininos podem
ser divididos em três categorias principais: os Mistérios das Tríades, Os Mistérios
do Sangue e os Mistérios Obscuros. Cada um deles contém em si outros aspectos
relativos dos mitos associados nos quais residem.

Os Mistérios das Tríades Femininas são compostos dos seguintes


aspectos: Preservação, Formação e Transformação. Estes se relacionam aos
mistérios mundanos segundo os quais as mulheres tradicionalmente exercem
domínio sobre o lar, a mesa e a cama. Em tempos longínquos, os símbolos do
poder de uma mulher estavam ligados a essas facetas da vida humana. A
vassoura, o caldeirão, a lareira e o travesseiro eram símbolos de seu reinado
doméstico. Em tempos antigos, as mulheres eram honradas por seu dom de
alimentar a família. O lar era um local de estabilidade e tranqüilidade. As mulheres
controlavam, direta ou indiretamente, todas as facetas da vida familiar e exerciam
papel vital na comunidade.

Os Mistérios do Sangue associam-se aos ensinamentos e ritos ligados


à menstruação, ao renascimento dentro do mesmo clã, à magia contagiosa, magia
sexual e ressurgência atavística. Todos são conceitos extremamente antigos, que
se originaram ao menos na era neolítica. Os Mistérios do Sangue são em sua
maior parte exclusiva às mulheres e serviam para eleva-las na antiga estrutura
dos clãs. O poder inerente a esses mistérios levava os homens a uma posição de
anuência dentro dos primitivos cultos matrifocais. Dessa Tradição Misteriosa
surgiu o clero matriarcal da Wicca.

Os Mistérios Obscuros envolvem elementos de natureza oculta. Sob


essa categoria temos coisas como magia lunar, o culto de Diana, Hécate e
Prosérpina, morte e renascimento, magia astral, magia dos sonhos e geralmente
elementos “do Outro Mundo”. Esse é um dos mais perigosos, e talvez mais
poderosos, aspectos dos mistérios. Sem dúvida, o poder pessoal resultante do
domínio dessa tradição é a base do medo em relação às bruxas durante o período
da Inquisição.

A Tradição dos Mistérios Femininos surgiu do fato de que as mulheres


primitivas viam a si mesmas como um mistério. Havia uma necessidade natural de
compreender coisas como o sangue menstrual, a gravidez e o parto. Esses
elementos separavam claramente as mulheres dos homens, cujos corpos não
apresentavam tais poderes. Para os humanos primitivos, certamente havia uma
força mágica em ação, e aparentemente ela só atuava sobre as mulheres do clã.
Tal mentalidade resultou na elevação do status das mulheres e estabeleceu um
sentimento de reverência entre os homens.

Originalmente, o clã funcionava como um grupo de indivíduos, uma


consciência coletiva. Durante esse período, os Mistérios Femininos consistiam
principalmente de ritos de fertilidade que envolvia o clã como um todo. A alteração
da consciência pela qual o indivíduo (bem como as relações entre indivíduos) era
importante evoluiu gradualmente, dando origem a vários cultos interiores. Esses
cultos eram extensões dos mistérios regidos pelas mulheres. Dessa nova
estrutura surgiram regras acerca das relações sexuais e da menstruação. As
mulheres foram as primeiras a perceber a ligação entre o ato sexual e a
concepção. As iniciadas aprendiam como evitar a concepção juntamente com os
segredos da magia do amor.

Com o passar do tempo, os indivíduos passaram a se destacar por suas


habilidades especiais ou qualidades exclusivas. A mudança fica bem evidente no
culto do caçador-guerreiro dos Mistérios Masculinos, em que o mais valente e o
mais forte possuíam papel especial. Entre as mulheres, isso se desenvolveu mais
na forma de práticas xamânicas. Certos indivíduos apresentavam uma singular
afinidade com o mundo natural das plantas e dos animais e possuíam alto grau de
habilidades mágicas e psíquicas. Esses indivíduos então se transformaram em
facilitadores dos ritos tribais, alguns secretos, outros públicos.

OS MISTÉRIOS DAS TRÍADES

A transformação de tribos de coletores - caçadores em comunidades


agrícolas (de primitivo para cultural) foi um processo instituído pelas mulheres. As
mulheres cuidavam do fogo e preparavam as refeições; elas eram o centro da
própria vida. Eram também fundamentais à construção e manutenção de abrigos.
Eram as tecelãs, atando e unindo, criando tramas vasos para armazenar
alimentos e transportar água. Também criaram vasos para armazenar alimentos e
transportar água.

Durante períodos nos quais os alimentos eram menos abundantes, as


mulheres controlavam a utilização das provisões ao ocultar o alimento em silos de
armazenamento subterrâneo. Os homens, geralmente envolvidos em caçadas,
defesa contra inimigos da tribo ou executando trabalhos braçais, não tinham
ciência das atividades das mulheres. Foi dessa prática de ocultar os alimentos
que as mulheres aprenderam sobre os ciclos da vida vegetal. Tubérculos e
diversos grãos enterrados no solo começaram a brotar o se enraizar,
possibilitando às mulheres a primeira observação do cultivo. Habilidade em
transformar barro em cerâmica e sementes em plantas foi a base para os
Mistérios da Transformação. Deles evoluiu a conhecimento do preparo de poções
herbais ou bebidas intoxicantes.

Tais descobertas e associações estimularam as mentes das mulheres e


elas desenvolveram uma consciência diferente da dos homens. As mulheres
passaram a pensar em níveis mais expansivos, rompendo com as barreiras do
pensamento primitivo. Os homens estavam mais concentrados nas ligações
imediatas; o rastro recente de um animal significando que estava por perto, a
distância a que uma lança podia ser atirada, e assim por diante. Isso estimulou
diferentes modos de consciência para os homens, e eles evoluíram por um
caminho mental diferente do das mulheres. Cada uma dessas mentalidades era
necessária para o bem-estar do clã; sem esse equilíbrio, muito provavelmente
não estaríamos aqui hoje.

O fato de que as mulheres eram geralmente responsáveis pelas


crianças do clã significava que elas permaneciam próximas à vila. A vila era
relativamente mais segura do que a vastidão onde o perigo dos animais
selvagens e dos intrusos nômades constituía uma ameaça real. Fora desse
cenário, as mulheres naturalmente iniciaram a formação de sistemas sociais. Nos
Mistérios da Formação, a estrutura social era matrilinear. Somente após o homem
tomar ciência de seu papel na procriação foi que esse sistema começou a se
alterar, Entretanto, em algumas partes do mundo atual, como na África e na
América do Sul, as sociedades matrilineares – ou o que resta delas – ainda
existem.

As mulheres estabeleceram certos fatores sociais para controlar os


naturalmente fortes desejos sexuais dos homens. No livro Blood Relations –
Menstruation and The Origins of Culture (Yale Univ. Press, 1991), de Chris Knight,
encontramos muitos exemplos interessantes de tais estruturas sociais. Knight
teoriza que as mulheres entravam em greves sexuais para forçar os homens a
sair em caçada. Retornar com carne fresca significava o fim da greve, uma troca
de sexo por alimento. Para que os homens não se preocupassem com a
possibilidade de os jovens desfrutarem de privilégios sexuais durante sua
ausência, as mulheres criaram tabus quanto ao coito entre irmãos e irmãs, mães
e filhos. As mulheres também desenvolveram um relacionamento entre irmãos e
irmãs, para que os interesses sexuais de outros machos que permanecessem na
vila fossem inibidos pelos irmãos das mulheres. Do mesmo modo como
controlavam o fogo que cozinhava seus alimentos e transformava o barro, as
mulheres também controlavam o fogo da natureza sexual do homem.

Assim, encontramos no antigo papel das mulheres na vida do clã os


mistérios da preservação, formação e transformação. Desse essencial papel das
mulheres surgiram as tradições internas associadas a suas necessidades
privadas e pessoais. O sistema de tabu foi originalmente criado pelas mulheres
para se abster das exigências/necessidades da comunidade e então se
concentrar nos mistérios que as afligiam: menstruação, gravidez e parto.

OS MISTÉRIOS DO SANGUE

No livro Sacred Pleasure – Sex, Myth and the Politics of the Body
(HarperCollins, 1995), Riane Eisler nos relata que os pigmeus BaMbuti da floresta
do Congo referem-se à menstruação como ser abençoada pela Lua. Não há,
naquela cultura, nada de aparentemente negativo associado ao período da
menstruação. O primeiro sangue menstrual de uma mulher é comemorado com
uma festa chamada elima, que envolve toda a aldeia. Após sua primeira
menstruação, ser novamente abençoada pela lua no futuro é simplesmente visto
como parte natural da vida da mulher, e não há nenhuma celebração posterior
associada a isso. Não existem tabus ligados ao período menstrual de uma mulher
entre os BaMbuti, e isso talvez represente bem a antiga mentalidade não-judaico-
cristã.

O fluxo de sangue e seu cessar estão ambos intimamente ligados aos


Mistérios Femininos. Menstruação, gravidez, parto e menopausa são aspectos do
ciclo vital de todas as mulheres. O sangue, ou sua ausência assinala
naturalmente os estágios de transformação de uma mulher desde a ruptura do
hímen ao sangue do parto, ao fim dos sangramentos na menopausa. Em tempos
remotos, o modo como uma mulher usava sua guirlanda era um sinal externo de
qual estágio de sua vida ela já havia alcançado.

Em Blood Relations – Menstruation and the Origins of Culture, Knight


nos conta que os primitivos humanos que habitavam as florestas dormiam na
copa das árvores sob o céu noturno. Os ciclos de luz da lua apropriadamente
influenciavam os ciclos menstruais das mulheres. A pesquisa de Knight indica
que, na maioria das mulheres, o ciclo menstrual começa durante a lua nova e ela
ovula por volta da lua cheia. Luisa Francia, em seu livro Dragon Time – Magic and
Mystery of Menstruation (Ash Tree, 1991), também afirma que as mulheres vivem
e dormem ao ar livre (longe das luzes artificiais) estão sintonizadas a esse ciclo.

Knight apresenta algumas interessantes descobertas compiladas da


pesquisa da A. E. Treloar, W Menaker e Gunn, renomados da biologia feminina.
Um estudo sobre a duração de 270.000 ciclos de mulheres representando todas
as idades da vida reprodutiva revelou o seguinte: a mais alta percentagem
simples (28%) das mulheres do estudo menstruaram durante a lua nova. A
segunda percentagem mais alta menstruou durante o primeiro quarto (12,6%) e
apenas 11,5% menstruou durante a lua cheia. A pesquisa de Knight também
indica que 28% das mulheres no estudo mostraram um ciclo menstrual de 29,5
dias de duração. Esse ciclo apresentou-se também como o mais fértil. O estudo
ainda trouxe a descoberta de que mulheres heterossexuais que praticavam sexo
com regularidade semanal possuíam ciclos mais intimamente ligados aos ciclos
da lua do que as mulheres cuja vida sexual era de natureza esporádica ou
celibatária. O estudo também indicou que os feromônios masculinos podem estar
envolvidos no alinhamento do ciclo menstrual de uma mulher ao chamado ciclo
normal que se inicia com a lua nova.

Nos Ensinamentos Misteriosos, vemos que o sangue menstrual era mais do que o
indicador do ciclo de fertilidade de uma mulher. A vagina era vista com um portal
mágico através do qual a vida surgia de uma misteriosa fonte interna. Na religião
matrifocal, era um portal tanto para a regeneração física como para a
transformação espiritual. As mulheres estão mais sintonizadas à sua natureza
psíquica durante a menstruação. Uma vez que o fluxo de sangue menstrual tende
a absorver a energia astral, as mulheres estão mais aptas a curar os outros
durante esse período. Doenças refletem-se antes no corpo astral e se expande ao
campo de energia da aura. Assim, uma mulher em menstruação pode absorver a
energia astral de outra e terrá-la através de seu próprio sangramento físico. Uma
vez que o sangue é lançado à terra, a energia é neutralizada e a cura pode ter
início na aura da pessoa adoentada.

O sangue menstrual era também utilizado para fertilizar as sementes


para plantio, passando a essência da vida a elas. Campos eram por vezes
borrifados com uma mistura de água e sangue menstrual para estimular o
crescimento. As sementes e plantas absorviam um pouco da energia antes que o
solo neutralizasse a carga etérea. Xamãs femininos também transferiam cargas
mágicas aos campos cultivados através do sangue menstrual, criado para
influenciar a mente grupal da comunidade que se alimentaria da colheita. Durante
a Idade Média, as bruxas eram constantemente acusadas de enfeitiçar as
plantações.

Outra função do sangue menstrual era a de ungir os mortos. Acreditava-


se que isso asseguraria seu renascimento, graças às propriedades vitalizantes do
sangue que jorrava do próprio portal da vida. Durante o neolítico e o início da
Idade do Bronze na Antiga Europa, a região do Egeu testemunhou a criação de
tumbas redondas com pequenas aberturas voltadas para o leste, na direção do
sol nascente. Essas tumbas representavam o ventre da deusa, e a abertura era
sua vagina. Vasos sagrados eram utilizados para coletar o sangue sagrado para
ungir os mortos. Eram vasos sagrados de fertilidade, luz e transformação. Os
mortos eram ungidos com sangue menstrual e posicionados no interior das
tumbas. A luz do sol nascente simbolizava a renovação e a regeneração,
enquanto penetrava na abertura da tumba (o falo solar penetrando na vagina
lunar). Posteriormente, essas tumbas terrenas evoluíram na forma dos montes
das fadas, remanescentes do Culto aos Mortos.

Em Sacred Pleasures, Riane Eisler relata como os ritos e cerimônias


funerários pré-históricos incluíam atos sexuais. Tais atos visavam conectar a
tumba à energia da procriação. Símbolos espirais eram constantemente gravados
em tumbas neolíticas como símbolos da regeneração. Também simbolizavam a
transformação xamãnica da consciência que empregava cogumelos alucinógenos.
Os cogumelos têm fama de afrodisíacos, e sua semelhança com a genitália
masculina ficava certamente evidente aos primitivos europeus. A rapidez com que
os cogumelos crescem e desaparecem também contribuíram para sua associação
com o falo. Assim, podemos facilmente associar as danças extáticas com os ritos
funerais da magia do sangue.

Nos Ensinamentos Misteriosos, a magia de sangue está ligada às


fases da Lua. A lua cheia inicia a ovulação e simboliza os poderes de
transformação da energia lunar (e, por conseqüência, da energia feminina). Por
seu aspecto fértil no ciclo de uma mulher, a lua cheia é o período da mãe. Durante
essa fase, é melhor formular e visualizar o que quer que seja desejável na vida de
um indivíduo. As imagens mágicas lançam raízes durante essa fase, e o sangue é
carregado com quaisquer formas de pensamento que direcionemos a ele. A lua
minguante põe em movimento o que foi concebido durante a lua cheia, para que
se manifeste. É um período para estabelecer as conexões com o mundo físico
que irão auxiliar o fluxo da energia relacionado rumos aos desejos do indivíduo. A
lua nova liberta o sangue carregado do caldeirão mágico do ventre. A energia
mágica é então gasta e é tempo para reflexão e introspecção. A lua crescente é
um período de potencialização, um período para leitura e estudos, preparando o
solo fértil do ventre para a semente mágica que será plantada na lua cheia.

OS MISTÉRIOS OBSCUROS

Os Mistérios Obscuros tratam da natureza oculta das coisas e da


essência secreta tanto das coisas físicas como das espirituais. O mito dos
Mistérios Obscuros se reflete em mitos como os de Deméter e Perséfone. Nesse
antigo mito, encontramos o tema da Deusa que se encontra com o senhor do
Submundo, a princípio resistindo ele e em seguida submetendo-se a seu amor por
Ela. Nele, Perséfone representa a semente que desce às trevas subterrâneas
onde sua energia fértil é despertada. O Submundo representa a misteriosa força
que impele o broto para cima, rumo à renovação. Deméter representa a energia
que alimenta o crescimento da nova planta. Esse mito greco-romano é típico dos
mitos de descidas surgidos pela primeira vez na Mesopotâmia, e que migraram
através do Egeu/Mediterrâneo, sendo por fim abraçados pelos celtas.

Os Mistérios Obscuros estão relacionados a diversas criaturas


comumente associadas a bruxas e magia de modo geral. O corvo era associado à
morte e ao Submundo por sua ligação com o Culto aos Mortos. Acreditava-se que
as almas das bruxas escocesas partiam na forma de um corvo durante um transe.
O porco era um animal sacrificado a Deméter e também surge em mitos ligados à
bruxa grega Circe. Em tempos remotos, acreditava-se que o sangue de porco era
o mais puro entre todos os animais e que tinha o poder de purificar a alma,
eliminando o ódio e o mal. Era associado ao Culto aos Mortos, e muitos locais de
sepultamento incluíam porcos ofertados às deidades do Submundo. Outra criatura
associada aos Mistérios Obscuros é a rã. As secreções de certas rãs contêm
bufotenina, poderoso psicotrópico alucinógeno. Suas secreções eram utilizadas
no preparo de certas poções empregadas na indução a estados de transe e
viagens astrais. Certos cogumelos, como claviceps purpúrea e amanita muscaria,
também eram empregados com as secreções de rãs. É interessante notar que o
claviceps purpúrea se forma nos grãos de centeio e sobrevive na farinha, onde é
chamado de cravagem (contendo ergonovina, de onde o LSD foi sintetizado). Aqui
encontramos um elo com a utilização de pão e vinho no antigo Sabá das bruxas.

Por mais desagradável que possa parecer às sensibilidades modernas,


os antigos descobriram que as propriedades alucinógenas dos cogumelos
ficavam altamente concentradas na urina de quem quer que os consumisse. Por
estranho que pareça, esse foi o início dos Ensinamentos Misteriosos da
destilação e da fermentação. Através da experimentação xamãnica, outros fluidos
corporais foram explorados na busca de propriedades ocultas, incluindo o sêmen,
as secreções vaginais e o sangue menstrual. O emprego de fluidos corporais com
finalidades mágicas é um dos aspectos da bruxaria que foram distorcidos pelos
princípios judaico-cristãos, transformados em obscenidades pervertidas.

A ligação dos fluidos e propriedades mágicas também se estendeu ao


sumo de plantas, frutas e legumes. Acreditava-se que a Lua exercia influência
sobre o crescimento das plantas e também, portanto, sobre sua natureza
espiritual ou mágica. Os efeitos de venenos, remédios e intoxicantes eram a
princípios atribuídos aos poderes mágicos do espírito que habitava no interior da
planta. O processo de transformação de fruta em suco, pela fermentação à
intoxicação, foi praticado por xamãs femininas sob os auspícios da Lua. Disso
surgiram as imagens de bruxas mexendo poções mágicas em seus caldeirões.
Nos Mistérios Obscuros, a Deusa pode surgir como Aquela que traz a
Vida e a Morte, a Criadora e a Destruidora. Ela cria tempestades, chuva e
orvalho, os quais podem ser tanto benéficos quanto destrutivos, especialmente
para comunidades agrícolas. Do mesmo modo que a Deusa envia a água, ela
também envia o fluxo do sangue menstrual. A Lua rege as marés da Terra, bem
como as das mulheres. Líquidos sempre foram símbolos da presença mística da
Deusa. Seus santuários eram geralmente estabelecidos em grutas onde a água
jorrava dentre as pedras. Cerimônias envolvendo a coleta e os derramamentos de
água são comuns em Seus ritos, onde jarros com bicos fálicos eram utilizados em
Seu serviço. No livro The Women’s Mysteries (Harper Colophon Books, 1976),
Esther Harding relata as antigas cerimônias de chamar chuva dos cultos
matrifocais (que os homens eram proibidos de observar). As mulheres se reuniam
nuas num curso d’água e derramavam água nos corpos umas das outras.
Geralmente isso envolvia a concentração numa sacerdotisa que representava a
Deusa da Lua.

A ligação essencial dos Mistérios da Deusa com as mulheres ocorre


sempre através dos fluidos, seja simbólica ou fisicamente. A mente subconsciente
está associada ao elemento da água, assim como as emoções em geral, e estas
por sua vez estão associadas à natureza feminina (tanto do homem quanto da
mulher). Onde os Mistérios Femininos não refletem a psique de algum modo, eles
podem ser encontrados em associações com os fluidos corporais das mulheres.
Um dos aspectos da Antiga Religião era o de objetos serem abençoados através
do contato ou da inserção na vagina de uma mulher nua deitada sobre o altar.
Essa antiga prática foi posteriormente dessacralizada por práticas satanistas. No
entanto, de um ponto de vista oculto, o que é dessacralização para uma
perspectiva pode ser a consagração ou a transformação por outra.