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Curso de Introdução à

Engenharia Nuclear
José Augusto Perrotta

Julho de 2008 perrotta@ipen.br

Sumário

Noções de Física de Reatores


Átomo
Radioatividade
Reações Nucleares
Reação em Cadeia
Fator de Multiplicação
Reatores Nucleares
Componentes dos Reatores Nucleares
Classificação dos Reatores Nucleares
Reatores Nucleares no Brasil
Combustível Nuclear
Engenharia do Combustível Nuclear
Ciclo do Combustível Nuclear
Instalações do Ciclo do Combustível Nuclear no Brasil

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Sumário

Centrais Nucleares Tipo PWR


Descrição do Reator
Descrição do Elemento Combustível
Sistemas da Central Nuclear
Segurança no Projeto de Centrais Nucleares
Normas Internacionais
• Estados Unidos
• Agência Internacional de Energia Atômica
Normas no Brasil
Proteção Radiológica
Conceitos e Princípios
Dose Máxima e Limites de Trabalho
Monitoração da Radiação
Contaminação e seu Controle
Blindagens

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Noções de Física de Reatores

Átomo
¾ O átomo é a menor parte da estrutura da matéria.
¾ A estrutura do átomo consiste de um núcleo onde fica concentrada sua
massa formada, basicamente, por partículas de carga positiva (prótons)
e partículas de mesmo tamanho mas sem carga (nêutrons). Girando ao
redor do núcleo estão os elétrons, de carga negativa.
¾ Em equilíbrio, o número de elétrons é igual ao número de prótons no
átomo.
¾ As reações químicas ocorrem pela interação dos elétrons dos átomos.
¾ O número de prótons, denominado de número atômico (Z), identifica a
característica química do átomo.

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Noções de Física de Reatores

Átomo
¾ O número de nêutrons no núcleo do átomo pode ser variável, pois eles não têm
carga elétrica. Desta forma, um mesmo elemento químico pode ter massas
diferentes. A soma do número de prótons e número de nêutrons de um núcleo é
denominado número de massa (A). Átomos de um mesmo elemento químico
(mesmo número atômico) e número de massa diferentes são denominados
isótopos.
¾ Exemplos de isótopos:
Hidrogênio, Z=1, existe na natureza na forma de 3 isótopos:
o hidrogênio, o deutério e o trítio.

Urânio, Z=92 , existe na natureza na forma de 3 isótopos:


U-234 com A=142 e teor isotópico desprezível
U-235 com A=143 e teor isotópico de 0,7%
U-238 com A=146 e teor isotópico de 99,3%

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Noções de Física de Reatores

Classificação Periódica dos Elementos Químicos

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Noções de Física de Reatores

Estrutura do Núcleo
¾ Os prótons têm a tendência de se repelirem, pois têm a mesma carga
(positiva). Como eles estão juntos no núcleo, comprova-se a
existência de uma energia nos núcleos dos átomos com mais de uma
partícula para manter essa estrutura. A energia que mantêm os
prótons e nêutrons juntos no núcleo é a energia nuclear, isto é a
energia de ligação dos nucleons (partículas do núcleo).

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Noções de Física de Reatores

Radioatividade
¾ Comprovou-se que um núcleo energético, por excesso de partículas
ou de cargas, tende a estabilizar-se emitindo algumas partículas. O
fenômeno foi denominado radioatividade e os elementos que
apresentam essa propriedade são chamados de elementos
radioativos.
¾ A radioatividade tem característica única para cada nuclídeo, ou seja,
tipo de radiação emitida e espectro de energia dessa radiação
emitida.

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Noções de Física de Reatores

Radiação Alfa ou Partícula Alfa


¾ Um dos processos de estabilização de um núcleo com excesso de
energia é a emissão de partículas constituídas por dois prótons e dois
nêutrons a uma determinada energia cinética. São denominadas
radiações alfa ou partículas alfa. Se caracteriza como o núcleo do
elemento hélio (átomo de He sem os elétrons), portanto é um ion
positivo de carga mais dois.

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Noções de Física de Reatores

Radiação Beta ou Partícula Beta


¾ Outra forma de estabilização de um núcleo, quando existe excesso de
nêutrons em relação a prótons, é a emissão de uma partícula
negativa, um elétron, resultante da conversão de um nêutron em um
próton. É a partícula beta negativa ou, simplesmente, partícula
beta.

¾ No caso de existir excesso de cargas positivas (prótons), a


estabilização do núcleo pode se dar pela emissão de uma partícula
beta positiva, chamada de pósitron, resultante da conversão de um
próton em nêutron.

n ĺSȕ- + Ȟ
p ĺQȕ+ + Ȟ

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Noções de Física de Reatores

Radiação Gama
¾ Geralmente
Noções de Física
após a emissão de umade Reatores
partícula alfa Į ou beta
(ȕ), o núcleo resultante desse processo, ainda com excesso de
energia, procura estabilizar-se, emitindo esse excesso em forma
de onda eletromagnética, da mesma natureza da luz,
denominada radiação gama.

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Noções de Física de Reatores

Outras formas de Emissão Radioativa


¾ Além das emissões radioativas mencionadas anteriormente, uma
outra emissão importante na área de física de reatores é a fissão
espontânea de núcleos pesados (Th, U, e transurânicos). Os
transurânicos são formados através de reações nucleares em reatores
nucleares e em aceleradores de partículas.
¾ Quando ocorre a fissão espontânea, são formados dois núcleos
radioativos, emitidos nêutrons com alta energia, e liberada energia.
Nuclide Specific Intensity [n/g/s]
234U 0.005
235U 0.0003
236U 0.0055
238U 0.0136
238Pu 2590.
239Pu 0.022
240Pu 1020.
241Pu ~0.05
242Pu 1720.
241 Am 1.18
252Cf 2.34E+12

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Noções de Física de Reatores

Decaimento Radioativo
¾ Um núcleo com
Noções de
excesso de Física
energia tende ade Reatores
estabilizar-se emitindo partícula
alfa ou beta. Em cada emissão dessas partículas, há variação do número de
prótons no núcleo, isto é, o elemento se transforma ou se transmuta em
outro de comportamento químico diferente. Essa transformação é
conhecida como decaimento radioativo.
¾ Cada elemento radioativo, seja natural ou obtido artificialmente, se
transmuta a uma velocidade que lhe é característica.

Lei fundamental: “A probabilidade por unidade de tempo de um


dado núcleo decair é uma constante”.

 O
dN N
cte. de decaimento
dt
onde: N n. de núcleos da amostra no tempo t;
 dN n. de núcleos que decaíram entre t e t  dt;

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Noções de Física de Reatores

Decaimento Radioativo
Noções de Física de Reatores
É definida Atividade do elemento radioativo, a taxa do

A(t ) ON (t )
decaimento radioativo:

É definida Meia Vida do elemento radioativo, o intervalo de


tempo cuja atividade (ou número de átomos) se reduz à metade:

N 0 . e OT 1 / 2 Ÿ e OT 1 / 2
N0 1
2 2
O . T 1/ 2 Ÿ T 1/ 2
O
ln 2
ln 2

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Noções de Física de Reatores

Tabela de Nuclídeos

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Noções de Física de Reatores

Tabela de Nuclídeos (características nucleares)

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Noções de Física de Reatores

Tabela de Nuclídeos

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Noções de Física de Reatores

Tabela de Nuclídeos

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Noções de Física de Reatores

Séries Radioativas Naturais

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Noções de Física de Reatores

Reações Nucleares
¾ ~1500 nuclídeos são conhecidos; 325 existem na natureza;
284 são estáveis; e nenhum núclideo com número de massa
maior que 209 é estável.
¾ Cada elemento radioativo, é encontrado de forma natural ou
obtido artificialmente.
¾ A forma natural é obtida pelo decaimento radioativo de U e
Th e por fissão espontânea desses elementos.
¾ A forma de se obter artificialmente um elemento radioativo
é através de reações nucleares em aceleradores de
partículas ou em reatores nucleares.
¾ É definido como reator nuclear o “equipamento” ou
“sistema” onde se realizam as reações nucleares de forma
controlada.
¾ As reações nucleares induzidas por nêutrons são as mais
importantes em um reator nuclear.

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Noções de Física de Reatores

Reações Nucleares

¾ As principais reações nucleares com nêutrons são:

Absorção
• Captura Radioativa
• Formação de Partículas Carregadas

Espalhamento
• Elástico
• Inelástico

Fissão

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Noções de Física de Reatores

Reações Nucleares

¾ Captura Radioativa
> @
Exemplo:

X  01no A1
X o AZ1X J
A *
Z Z

Núcleo
Composto

¾ Formação de partículas carregadas


(n,p); (n,Ş), ou outra reação qualquer que gere partícula carregada

O n, p 167N ,
Exemplos:

B  n o Li  D
16

n, D N o168O *  E 
10 1 7 4 8
5 0 3 2 16

O * o168O  J (6  7 MeV )
10 7
5B 3 Li
7
16
8

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Noções de Física de Reatores

Reações Nucleares

¾ Espalhamento Elástico
Noções de Física de Reatores
Reação (n, n’), onde a energia interna do núcleo alvo [X] não
é alterada.

X no X n'
Exemplo:

n 11H ( H 2O ) on' 11H

¾ Espalhamento Inelástico
Pode ser considerado como uma reação (n, n') onde o nêutron é
absorvido pelo núcleo alvo formando um núcleo composto que
decai emitindo "outro nêutron" com menor energia.

X no X * n'
Exemplo:
238
U (n, n')238U *
Cu
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Noções de Física de Reatores

Reações Nucleares
¾ Fissão Noções de Física de Reatores
o es
Modelo da Gota Líquida:

nêutron
R1 + R2
Z1, A1 Z2, A2
Z, A r

R1 R2

(a) (b) (c) (d) (e)

(a) Energia externa (nêutron incidente). Núcleo com carga uniformemente distribuída;
(b) Estado excitado. Ação de forças radiais e diametralmente opostas (coulombianas e nucleares)
que o deformam dando origem a uma forma de um elipsóide;
(c) Se a distorção for suficientemente intensa, a gota assume em seguida uma forma de um
haltere;
(d) O haltere (c) oscila até o "pescoço" se tornar tão estreito que se rompe em 2 fragmentos (força
coulombiana supera a força nuclear de curto alcance);
(e) Fragmentos de fissão.

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Noções de Física de Reatores

Reações Nucleares
¾ ProdutosNoções
de Fissãode Física de Reatores
235
92U  01no ZA11pf 1  ZA22pf 2Q 01n

U  01n o 3695Kr  139


56 Ba  2 0 n
Probabilidade de Formação pf1 e pf2 235 1
EX: 92

MASSA ANTES DA FISSÃO MASSA DEPOIS DA FISSÃO

235U=235,124u.m.a. 95Kr=94,945u.m.a.

n=1,009u.m.a. 139Ba=138,955u.m.a.

2n=2,018 u.m.a.
TOTAL=236,133u.m.a. TOTAL=235,918u.m.a.

E 'm.c 2
'm = 236,133 - 235,918 = 0,215 u.m.a.
'E = 0,215 x 931 = 198 MeV ~200MeV
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Noções de Física de Reatores

Reações Nucleares
¾ Energia na
Noções
Fissão de Física de Reatores
Forma da energia Emitida Recuperada
nêutron (MeV) (MeV)
pf (cinética) 168 168
Decaimento pf:
E 8 8
J 7 7
Neutrinos 12 0
J-prontos 7 7
Nêutrons de fissão 5 5
(prontos+atrasados)
J de captura 0 3-12
radiativa
TOTAL 207 198-207

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Noções de Física de Reatores

Reações Nucleares
¾ Nêutrons de Fissão
Tempo de emissão: Energia:
i) n-prontos (t<10-14s). i) n-térmicos (E < 1eV)
Produzidos na fissão Estão em equilíbrio térmico

8.6 u10 5 eV / K
com o meio.
E KT
E 0.025eV o T 20.4$ C
E 0.049eV o T 300$ C
ii) n-atrasados (t>10-14s).
ii) n-intermediários (epitérmicos)
Decaimento de pfs. (1eV < E < 100keV)

iii) n-rápidos (E>100keV)

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Noções de Física de Reatores

Reações Nucleares
¾ NêutronsNoções
de Fissãode Física de Reatores

Espectro de nêutrons prontos

Energia mais provável = 0.85MeV

Energia média = 1.98MeV

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Noções de Física de Reatores

Reações Nucleares

¾ Fluxo de nêutrons I
Noções de Física de Reatores

Definição: fluxo de nêutrons é a quantidade de nêutrons que


atravessam uma unidade de área em um segundo, independente
de direção ou sentido.

§ nêutrons ·
I
n

nv ¨
dt
número de nêutrons
dA u dt © cm s ¹̧
n
n 2
n
n dA
n
onde:
n densidade de nêutrons (n / cm3 )
n v velocidade do nêutron
n

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Noções de Física de Reatores

Reações Nucleares
¾ Seção deNoções de Física deVReatores
Choque microscópica
A seção de choque é uma medida da probabilidade de ocorrência de
uma dada reação nuclear. Unidade: 1 barn (b) = 10-24cm2

TAXA DE REAÇÃO, R:

R v I .N .a. X
a = Área (cm2)
N = densidade atômica

V é a constante de
(átomos/cm3)

I =intensidade
X = Espessura (cm)

R e I.N.a.X
proporcionalidade entre
do feixe de
nêutrons (n/cm2.s)

V
I
taxa de reação / número de átomos do alvo R / NaX
intensidade do feixe incidente

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Noções de Física de Reatores

Reações Nucleares
Seção deNoções de Física deVReatores
Choque microscópica
Para cada tipo de reação nuclear,
existe uma seção de choque
correspondente que é uma
característica do núcleo alvo,
sendo entretanto, função da
energia do nêutron incidente. A
seção de choque total é a
somatória das seções de choque 1/v ressonâncias outras reações
individuais para cada tipo de
reação nuclear.

Vt (V e  V i )  (V J  V f  V D  ...)

Seção de choque Seção de choque


de espalhamento ıs de absorção ıa

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Noções de Física de Reatores

Reações Nucleares
Seção deNoções de Física de6Reatores
Choque macroscópica

Definição: 6 NV Unidade: cm-1

U
N densidade atômica do alvo 6.02 u10 23 átomos/cm3
A
V seção de choque microscópica

Da mesma forma que para a seção de choque microscópica:

6t (6 e  6i )  (6J  6 f  6D  ...)
Seção de choque Seção de choque
de espalhamento Ȉs de absorção Ȉa

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Noções de Física de Reatores

Reações Nucleares
¾ Define-se
Noções de Física
nuclídeo físsilde Reatores
aquele que tem
probabilidade de reação de fissão bem maior do que
captura radioativa
¾ Define-se nuclídeo fértil (ou fissionável) aquele que
tem probabilidade de captura radioativa bem maior do
que fissão, mas decai radioativamente para um
nuclídeo físsil
9 O U-235 é o principal nuclídeo físsil na natureza
9 O U-238 e Th-232 são os principais nuclídeos férteis na natureza
9 O U-233 é físsil, produzido através da captura radioativa no Th-232
9 O Pu-239 é físsil, produzido através da captura radioativa no U-238
9 Os isótopos ímpares de Pu (Pu-241,Pu-243) são físseis
9 Os isótopos pares do Pu (Pu-238,Pu-240,Pu-242) são férteis
9 O U-235 possui maior probabilidade de fissão com nêutrons térmicos
9 O Pu-239 e U-233 possui grande probabilidade de fissão tanto com
nêutrons térmicos como com nêutrons epitérmicos e rápidos

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Noções de Física de Reatores


Reações Nucleares
¾ Transformações
Noções de ĺ Físseis
Física
Férteis de Reatores
238
U  I
n o 239
92 U J
U 23
o
  E
92 0
239 m 239 
Np
 o 94 Pu  E 
92 93
239 2.3d 239
Np

 o 90Th  J
93
232 1 233

E
Th n
Th 22
o
 
90
233 m 233 
Pa
 o 92 U E 
90 91
233 27.6 d 233
91 Pa
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34
Noções de Física de Reatores

Reações Nucleares
¾ Moderação
Noções de Física de Reatores
de nêutrons
Define-se por moderação o processo de perda de energia dos
nêutrons de fissão através de espalhamentos elásticos e inelásticos
até o equilíbrio térmico com o meio.

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Noções de Física de Reatores

Reações Nucleares
¾ Moderação
Noções de Física de Reatores
de nêutrons

[ ln Poder de moderação [ .6 S
Decremento
E0
Logarítmico Médio de

[ .6 s
Energia por Colisão E1

[
6a
Número médio de E0 Razão de moderação
C "n
colisões 0.025eV

Material [ C P.M. R.M.

H2O 0,920 20 3,17 143

D2O 0,509 36 0,23 6922


12
6 C 0,158 115 0,61 223
238
U 0,0838 2100 ----- -----

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36
Noções de Física de Reatores

Reação em Cadeia
¾ Reação em Cadeia
Se os nêutrons
emitidos por uma
fissão causarem ao
menos uma nova
fissão, o processo
poderá ser auto-
suficiente e constituir-
se no que é chamado
Reação em Cadeia.

Massa Crítica é a
mínima massa de
combustível suficiente
para manter uma
reação em cadeia.

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37

Noções de Física de Reatores

Reação em Cadeia
¾ Reação em Cadeia

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Noções de Física de Reatores

Fator de Multiplicação
¾ Fator de Multiplicação de um Meio
™kef= produção de nêutrons no meio /perda de nêutrons no meio
™kef= (Ű235őf235  őacombőaestrőaabs)+DB2) (*)

(*) OBS: apenas como exemplo – aproximação da teoria de difusão para 1 grupo de energia)

B2 ’ /x2 + 1/y2 + 1/z2); D=1/ ős + 2/3A)

ƒ kef =1 crítico
ƒ kef <1 subcrítico
ƒ kef >1 supercrítico

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39

Noções de Física de Reatores

Fator de Multiplicação
¾ Fator de Multiplicação de um Meio
™Para kef =1 (crítico), tem-se:
B2= (Ű235őf235 ȩ őacombőaestrőaabs))/D
)

9 A equação indica que para haver um reator crítico deve


existir uma igualdade entre a relação geométrica e a
relação das características de reações de
fissão/absorção/espalhamento com nêutrons nos materiais
que constituem o reator (massa crítica para um
determinado volume).
9 Esta relação independe do fluxo de nêutrons no reator, ou
seja, o reator pode estar crítico a vários níveis de potência.
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Noções de Física de Reatores

Fator de Multiplicação
H
Fator de nº de nêutrons rápidos produzidos por fissões em todas energias
fissão rápida nº de nêutrons rápidos produzidos por fissões térmicas
Probabilidade de
escape da nºde nêutrons rápidos que saem da região de ressonância
ressonância
p
nº de nêutrons rápidos que entram na região de ressonância
Fator de
nº de nêutrons térmicos absorvidos no combustível
utilização f
térmica nºde nêutrons térmicos absorvidos em todos os materiais

K
Fator de nºde nêutrons rápidos produzidos por fissões térmicas
reprodução nºde nêutrons térmicos absorvidos no combustível

Probabilidade de nºde nêutrons rápidos que permanecem no núcleo após afuga


não-fuga rápida Pf
nºde nêutrons rápidos existentes no núcleo antes da fuga

Probabilidade de
nºde nêutrons térmicos que permanecem no núcleo após a fuga
não-fuga térmica Pt
nº de nêutrons térmicos existentes no núcleo antes da fuga

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Noções de Física de Reatores

Fator de Multiplicação 24 nêutrons perdidos

Fissão Não Fuga

N 0H
1175
N = 1000 Rápida Rápida
Fórmula dos 6 fatores H = 1,175

N 0HPf pPt fK
Pf = 0,98

keff N 0HPf 1151

N1 1002 N1 = 1002 Probabilidade

N 0HPf pPt fK
150
1.002 de Escape à
Ressonância nêutrons

U = 0,87
capturados
N 1000
N 0HPf p
Fator de 401 causam fissão
Reprodução
K Q6 / 6 Q = 2,5 nêutrons/fissão
88 não causam fissão

K 
f a 1001

N 0HPf pPt f
Fórmula dos 4 fatores

N 0HpfK
489

kf
Utilização Não Fuga

N 0HPf pPt
981
Térmica Térmica
f = 0,498 Pt = 0,98

492 nêutrons absorvidos em 20 nêutrons perdidos


material não combustível

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Reatores Nucleares

Reatores Nucleares
Reatores Nucleares

¾ Os reatores nucleares usam como princípio básico a fissão do


núcleo de isótopos do Urânio e Plutônio através de nêutrons
com energias determinadas, gerando a cada fissão uma grande
quantidade de energia (a200 MeV), produtos de fissão
radioativos e nêutrons de altas energias.
¾ Como efeito da fissão de vários núcleos, e com conseqüente
emissão de nêutrons a cada fissão, é gerada uma reação em
cadeia que, controlada, pode ser utilizada para várias
finalidades como por exemplo: servir de fonte de nêutrons
para irradiação e ativação de materiais; servir para gerar
potência para diversas utilizações; servir para produzir
materiais transurânicos (plutônio principalmente), etc.

¾ Os reatores nucleares possuem os meios para manter a reação


em cadeia de forma controlada.

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Reatores Nucleares

Componentes dos Reatores Nucleares


CLASSIFICAÇÃO
Reatores Nucleares
FUNÇÃO
MATERIAIS
PRINCIPAIS
Tem a função de conter os elementos físseis
COM BUSTÍ VEL e férteis que irão produzir as fissões da urânio, plutônio, tório
NUCLEAR reação em cadeia
São todos os materiais utilizados como
zircaloy, aço, inox, ligas de
ESTRUTURAS estrutura e revestimento dos diversos
níquel
componentes do reator
Tem a função de moderar a energia dos
nêutrons produzidos na fissão e
grafite, água leve, água
M ODERADORES também servem como refletores na
pesada, berílio
periferia do núcleo do reator de forma a
minimizara fuga de nêutrons do núcleo
ABSORVEDORES Tem a função de manter de forma controlada boro, cádmio, háfnio, índio,
(controlador) a reação em cadeia dentro do núcleo prata, gadolínio

Tem a função de retirar o calor gerado no hélio, CO2, água leve, água
REFRI GERANTES núcleo do reator devido às fissões pesada, metais líquidos
nucleares (NaK, Na)
Tem a função de servir de barreira para a
água leve , elementos de
radiação (blindar) de forma a atenuar os
BLI NDAGEM efeitos desta sobre componentes
médio e alto número
atômico (Pb, Fe, etc.)
estruturais ou o meio exterior ao reator

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44
Reatores Nucleares

Componentes dos Reatores Nucleares


¾ Combustível Nuclear
Reatores Nucleares
Os materiais combustíveis são divididos em materiais físseis e férteis.
Físseis: Urânio-233; Urânio-235; Plutônio-239
Férteis: Urânio-238; Tório-232
O combustível nuclear básico (físsil) é o U-235. A composição isotópica do
Urânio natural é: U-234 (0.0058%); U-234 (0.719%); U-238 (99.275%)
Urânio natural pode ser usado como combustível em reatores refrigerados a
gás e reatores moderados a água pesada com baixa densidade de potência.
O isótopo U-235 pode ser concentrado por um processo de difusão gasosa ou
centrifugação para produzir um combustível de baixo enriquecimento (em
U-235) para reatores a água leve ou combustível de alto enriquecimento
para reatores de pesquisa (MTR).
U-233 e Pu-239 são combustíveis físseis sintéticos ou artificiais, ou seja, são
produzidos por captura neutrônica nos materiais férteis Th-232 e U-238.
O Pu-239 (freqüentemente misturado com Pu-240, Pu-241 devido a
irradiação contínua) é obtido pelo reprocessamento de combustível
irradiado e é utilizado como combustível em reatores rápidos (ou
regeneradores).

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Reatores Nucleares

Componentes dos Reatores Nucleares


¾ Estruturas Reatores Nucleares
Os materiais estruturais propiciam uma barreira física (para proteção do
combustível), resistência mecânica e suporte estrutural para os
componentes do reator. Os componentes principais são: revestimento de
combustíveis e estruturas associadas, vaso de pressão, estruturas suportes
do núcleo, suportes e guias de barras de controle, etc.
As propriedades principais que devam possuir os materiais são:
• baixa seção de choque de absorção de nêutrons
• alta resistência mecânica e ductilidade
• alta estabilidade térmica
• alta estabilidade à irradiação
• baixa radioatividade induzida
• boas propriedades de transferência de calor
• alta resistência à corrosão
Os principais materiais utilizados são:
• ligas de Zr, Al, Mg, Be
• aço carbono, aço inox
• ligas de Ni
• materiais refratários (Mo, Ti, Ta, W)
• materiais cerâmicos (BeO, AlO3, MgO, SiO2)
• grafite, concreto protendido, etc.
A seleção dos materiais para cada componente estrutural depende do tipo e
aplicação do reator.

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46
Reatores Nucleares

Componentes dos Reatores Nucleares


¾ Moderador/Refletor
Reatores Nucleares
O moderador é usado, em um reator térmico, para moderar
a energia (diminuir velocidade) dos nêutrons rápidos
produzidos na fissão para níveis de energia térmica.
Refletores radiais e axiais podem fazer retornar ao núcleo
nêutrons espalhados ou em fuga para fora do núcleo, tanto
em reatores térmicos como rápidos.
Os requisitos nucleares para moderadores e refletores são
os mesmos em um reator térmico.
• alta seção de choque de espalhamento
• alta energia perdida pelo nêutron por colisão
• baixa seção de choque de absorção
Os principais materiais empregados são:
• D2O, H2O
• H2, C (grafite)
• Be, BeO

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Reatores Nucleares

Componentes dos Reatores Nucleares


¾ Absorvedores
Reatores Nucleares
O controle do reator pode ser alcançado através dos seguintes
parâmetros:
• taxa de geração de nêutrons
• taxa de perda de nêutrons por fuga
• taxa de perda de nêutrons por absorção parasitária no núcleo
Durante a operação do reator quatro fatores importantes devem
ser considerados pelos absorvedores:
• decréscimo da reatividade com a queima do combustível
• produção de material físsil com a irradiação neutrônica
• produção de produtos de fissão altamente absorvedores
• queima gradual do material absorvedor (transmutação nuclear)
Dentro do reator são utilizados absorvedores com distintas
funções:
• Elemento de controle
• Elemento de segurança
• Veneno queimável
• Solução homogênea de absorvedor.

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Reatores Nucleares

Componentes dos Reatores Nucleares


¾ AbsorvedoresReatores Nucleares
Os principais requisitos dos materiais absorvedores são:
• alta seção de choque de absorção
• resistência mecânica adequada (quando exigido)
• alta estabilidade térmica
• alta estabilidade à irradiação
• boas características de transferência de calor
• alta resistência à corrosão
Os principais materiais utilizados são:
• Boro (B), Carbeto de boro (B4C)
• Prata (Ag), Índio (In), Cádmio (Cd)
• Háfnio (Hf)
• Terras raras e seus compostos:
Európio (Eu), Gadolínio (Gd), Samário (Sm), Érbio (Er), Gd2O3, Eu2O3, Er2O3
Elementos que têm uma alta seção de choque de absorção para nêutrons
térmicos são o Cádmio, Boro-10, Háfnio e os elementos das terras raras.
A maior aplicação, em reatores de potência, para elementos de controle
são: o B4C tanto em forma de pó compactado como em pastilhas
sinterizadas; e a liga de Ag-In-Cd (80% Ag, 15% In, 5% Cd).
Em reatores PWR é utilizado ácido bórico (H3BO3) diluído no refrigerante a
fim de controlar a reatividade do reator.
Boro, sob forma de silicatos ou aluminatos, é utilizado como veneno
queimável. Óxidos de terras raras são misturados ao combustível (Gd2O3-
UO2) para funcionarem como veneno queimável.
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Reatores Nucleares

Componentes dos Reatores Nucleares


¾ RefrigerantesReatores Nucleares
O objetivo básico do refrigerante é remover o calor gerado no combustível
nuclear. Para isso o material utilizado deve ter boas propriedades de
transferência de calor. Além disso deve ter densidade que minimize a
força de bombeamento, bem como ter um baixo ponto de fusão que
elimine a possibilidade de solidificação, e deve ter um alto ponto de
ebulição para minimizar a pressão do vapor e maximizar a temperatura de
trabalho e eficiência térmica.
De uma forma geral os requisitos principais para os materiais para
refrigerante são:
• boas propriedades de transferência de calor
• baixo ponto de fusão
• alto ponto de ebulição
• baixa densidade e potência de bombeamento
• baixa seção de choque de absorção
• baixa radioatividade induzida
• alta estabilidade térmica e de irradiação
• baixa ação corrosiva
• facilidade e segurança de manuseio
Os principais materiais utilizados como refrigerantes são:
• gases: He, CO2, vapor d’água
• líquidos: H2O, D2O
• metais líquidos: Na, NaK
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50
Reatores Nucleares

Componentes dos Reatores Nucleares


¾ Blindagem Reatores Nucleares
Os materiais de blindagem usados nos reatores nucleares podem
ser divididos em três grupos de acordo com suas funções:
• elementos pesados ou moderadamente pesados para atenuar a radiação
gama e frear nêutrons rápidos com energias acima de 1 MeV por
espalhamento inelástico.
• compostos e elementos de peso médio para espalhar e moderar nêutrons
com energia abaixo de 1 MeV por espalhamento elástico.
• elementos leves, substâncias hidrogenadas e boro para moderar nêutrons
rápidos e moderar/capturar nêutrons sem produzir raios gama
secundários.
Os requisitos principais dos materiais para blindagem são:
• moderar a energia de nêutrons rápidos
• absorver nêutrons térmicos e epitérmicos
• atenuar a radiação gama primária
• produzir de maneira reduzida radiação secundária
Os principais materiais são:
• elementos leves e seus compostos (B, B2O3, H2O)
• elementos Médios e Compostos (Fe, Minério de ferro, concreto)
• elementos Pesados (Pb, Bi, W)

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Reatores Nucleares

Classificação dosReatores
Reatores Nucleares
Nucleares
¾ Define-se um reator como o conjunto de todos os materiais,
componentes e estruturas onde é gerada a reação em cadeia
da fissão nuclear.
¾ O reator poderá ser constituído de uma gama grande de
formas e composição. A condição para se obter criticalidade é
que exista uma relação entre geometria e os materiais que
constituem o reator.
¾ Definido o tipo de reator e sua finalidade procura-se então
uma combinação de materiais físseis/férteis, moderadores,
refletores, refrigerantes, e de controle que façam com que o
reator funcione como desejado.
¾ Pode-se basear a classificação de reatores nucleares sob os
seguintes itens:
energia dos nêutrons utilizados para fissão
propósito de funcionamento do reator
tipo de combustível e/ou refrigerante e/ou moderador

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Reatores Nucleares

Classificação dosReatores
Reatores Nucleares
Nucleares
¾ Quanto à energia de nêutrons utilizados para fissão:
™ reatores rápidos - os nêutrons rápidos, ou seja, de alta energia, (En !
100 keV) causam a maioria das fissões.
™
seja, de média energia (0.3 keV  En  10 keV) causam a maioria das
reatores intermediários ou epitérmicos - nêutrons epitérmicos, ou
fissões.
™ reatores térmicos - nêutrons térmicos, ou seja, de baixa energia (En 
0.3 keV) causam a maioria das fissões.

¾ Quanto ao propósito de funcionamento:


™ reatores de potência - tem a finalidade de gerar energia. Podem gerar
energia elétrica, servir para aquecimento industrial e residencial, servir
para propulsão de embarcações, etc.
™ reatores de pesquisa - tem a finalidade de pesquisa, irradiação e teste
de materiais, produção de radioisótopos, etc.
™ reatores de ensino - tem a finalidade de treinamento e ensino.

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Reatores Nucleares

Classificação dosReatores Nucleares


Reatores Nucleares
¾ Quanto ao tipo de combustível / refrigerante /
moderador pode-se definir alguns tipos de reatores
de potência:
™ reatores refrigerados a gás (moderados a grafite) (GCR),
reatores avançados refrigerados a gás (AGR), reatores de alta
temperatura refrigerados a gás (HTGR) e reatores rápidos
refrigerados a gás (GCFBR) usando Urânio natural ou
levemente enriquecido.
™ reatores refrigerados e moderados a água leve (PWR, BWR),
usando Urânio enriquecido.
™ reatores de água pesada (HWR) usando Urânio natural, água
pesada como moderador e água leve ou pesada como
refrigerante.
™ reatores rápidos usando Plutônio e Urânio como combustível
e metal líquido (sódio) como refrigerante (FBR).

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Reatores Nucleares

Reatores Nucleares em Operação no Brasil


Reatores Nucleares
Nome Aplicação Potência Localização Características

Central Nuclear - 1950 MWt Angra dos Reis Reator tipo PWR
ANGRA I produção de
657 MWe Westinghouse
energia elétrica
Central Nuclear - 3970 MWt Angra dos Reis Reator tipo PWR
ANGRA II produção de
1350 MWe Rio de Janeiro Siemens
energia elétrica
Pesquisa – IPEN/CNEN-SP Reator tipo MTR,
IEA-R1 produção de 5 MW
São Paulo Piscina
radioisótopos
Pesquisa – IPEN/CNEN-SP Reator simulador
IPEN-MB/01 Unidade Crítica
100 W
São Paulo de núcleo de PWR
CDTN/CNEN-MG Reator tipo TRIGA
TRIGA-IPR1 Pesquisa 100 kW
Belo Horizonte MARK-1
IEN/CNEN-RJ Reator tipo placa
ARGONAUTA Ensino; Pesquisa 500 W
Rio de Janeiro (Argone)

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Reatores Nucleares

Reatores Nucleares em Construção no Brasil


Reatores Nucleares

Nome Aplicação Potência Localização Características

Central Nuclear - 3970 MWt Angra dos Reis Reator tipo PWR
ANGRA III produção de
1350 MWe Rio de Janeiro Siemens
energia elétrica
Iperó Reator tipo PWR
LABGENE Propulsão Naval 50 MWt
São Paulo CTMSP

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Reatores Nucleares

Reatores Nucleares em Operação no Brasil


Reatores Nucleares
Angra I, Angra II

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57

Reatores Nucleares

Reatores Nucleares em Operação no Brasil


ReatoresIEA-R1
Nucleares

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58
Reatores Nucleares

Reatores Nucleares em Operação no Brasil


Reatores Nucleares
IPEN-MB/01

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59

Reatores Nucleares

Reatores Nucleares em Operação no Brasil


Reatores Nucleares
TRIGA -IPR1

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Reatores Nucleares

Reatores Nucleares em Operação no Brasil


Reatores Nucleares
Argonauta

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Combustível Nuclear

Engenharia do Combustível Nuclear


¾ As funções básicasReatores Nucleares
do combustível no reator nuclear são:
gerar as fissões nucleares
transferir a energia gerada na fissão nuclear para o refrigerante
reter os produtos de fissão
¾ As principais características requeridas são:
compatibilidade entre os materiais combustíveis, de ligação, de revestimento, e
refrigerante/moderador
estabilidade (ou integridade) mecânica, térmica e à irradiação
boa resistência a corrosão e corrosão sob tensão
resistência à fadiga
facilidade de fabricação (materiais/componentes/montagens)
facilidade de reprocessamento
boa economia de nêutrons
longo tempo de operação no reator e alta queima (consumo de Urânio/Plutônio)
baixo custo

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62
Combustível Nuclear

Engenharia do Combustível Nuclear


¾ Os combustíveis nucleares
Reatores sãoNucleares
formados dos elementos físseis e
férteis (U, Th, Pu) sob diversas formas de compostos e de
materiais estruturais que servem de elementos de ligação,
revestimento e estrutura.
¾ Em realidade o que se procura é uma relação de materiais
físsil/fértil/estrutural que atendam às características neutrônicas
necessárias mas também atendam ao fator tecnológico de
fabricação e que tenha o desempenho adequado sob irradiação e
condições de temperatura no reator.
¾ De uma maneira geral se procura associar o Urânio (tório ou
plutônio) à materiais de baixa seção de choque de absorção de
forma a se trabalhar com a relação de teor de
urânio/concentração isotópica de U-235 adequada pelos fatores
anteriormente mencionados.
¾ As tabelas a seguir mostram uma relação de compostos de urânio
utilizados como combustível nuclear, verificando-se a relação do
teor de urânio nestes compostos, e a relação entre absorção e
produção de nêutrons para alguns desses compostos.

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63

Combustível Nuclear

Engenharia do Combustível Nuclear


Compostos de UrânioReatores Nucleares
MASSA MASSA ESPECÍFICA
% DE URÂNIO TEMPERATURA
COMPOSTO ESPECÍFICA DO URÂNIO NO
(em peso) LIMITE (qC)
(g/cm3) COMPOSTO (g/cm3)

U 18.9 100 18.9 1170


U2Fe 17.7 96.1 17.0 815
U3Si 15.6 96.2 15.0 930
UN 14.3 94.4 13.5 2650
UC 13.6 95.2 12.9 2350
U2C3 12.9 93.0 12.0 1775
U3Si2 12.2 92.4 11.3 1650
UC2 11.7 90.8 10.6 2500
UO2 10.96 88.2 9.7 2780
U3O8 8.4 84.8 7.1 2500
UAl2 8.1 82.0 6.6 1580
UZr2 10.3 56.9 5.7 600
UAl3 6.7 74.0 4.9 1350
UAl4 6.0 68.8 4.1 730

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64
Combustível Nuclear

Engenharia do Combustível Nuclear


Reatores Nucleares
Algumas propriedades nucleares de compostos de urânio

SEÇÃO DE CHOQUE
MACROSCÓPICA NÚMERO MÉDIO DE NÊUTRONS
COMPOSTO EMITIDOS / NÊUTRONS
FISSÃO ABSORÇÃO TÉRMICOS ABSORVIDOS
(6f) (6a)
UO2 0.102 0.185 1.34
U3O8 0.065 0.120 1.34
UC 0.137 0.252 1.34
U2C3 0.127 0.233 1.34
UC2 0.112 0.207 1.34
UN 0.143 0.327 1.08
U3Si 0.159 0.293 1.33
USi 0.098 0.184 1.32

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65

Combustível Nuclear

Engenharia do Combustível Nuclear


¾ Os principais materiaisReatores Nucleares
combustíveis estão em forma de:
™ ligas metálicas, materiais cerâmicos e dispersões (cermets).
¾ As principais ligas metálicas utilizadas como combustível nuclear são:
™ Urânio Metálico
™ ligas de Urânio-Alumínio
™ ligas de Urânio-Zircônio
™

¾ Os combustíveis de ligas metálicas tem as seguintes vantagens:


Urânio-Molibdênio

™ boa economia de nêutrons


™ alta condutividade térmica
™ boa fabricabilidade dentro de certos limites de teor de urânio.
¾ Urânio metálico apresenta um substancial inchamento sob irradiação (! 60% em combustíveis
altamente irradiados). Também é altamente reativo quimicamente e tem compatibilidade a
alta temperatura somente com alguns materiais refrigerantes (CO2 e He). É usado em reatores
plutonígeros, a baixa temperatura.
¾ Ligas de U-Al são utilizadas em larga escala em reatores de pesquisa (MTR). As temperaturas
envolvidas nestes reatores ( 150qC) permitem a utilização destas ligas associadas a
revestimentos de alumínio. A temperaturas mais altas há reações químicas entre urânio e
alumínio, bem como há uma aceleração do processo de corrosão do revestimento.
¾ Ligas de U-Zr tem aplicação em reatores de potência. O Zircônio tem um alto ponto de fusão,
baixa seção de choque de absorção, boa resistência à corrosão e o urânio é pouco solúvel
nele. Ligas contendo 14 de U foram utilizadas demonstrando um bom desempenho sob
irradiação. Neste tipo de combustível não é possível ciclagens térmicas acima de 600qC pois há
mudança de fase acarretando mudanças geométricas e estruturais. Ligas deste tipo são de
bom desempenho para combustíveis altamente enriquecidos (baixo teor de U).

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66
Combustível Nuclear

Engenharia do Combustível Nuclear


¾ O aumento do desempenho
Reatores Nucleares
de combustíveis e da eficiência térmica de
uma usina nuclear de potência requer que tanto a temperatura do
combustível quanto a temperatura de operação da usina seja elevada ao
máximo possível - eficiência térmica maior quanto maior a diferença de
temperatura ('7) entre fonte quente e fria e maior a temperatura
média do sistema (Tmed). (Ciclo térmico – Carnot)
¾ O aumento da temperatura de operação nos combustíveis metálicos
pode resultar em dois efeitos adversos:
™ fusão na parte central do combustível devido ao baixo ponto de fusão das ligas utilizadas;
™ inchamento e taxa de creep excessivos devido a instabilidade sob irradiação a alta
temperatura.
¾ Materiais cerâmicos são sólidos inorgânicos, materiais não metálicos que
tem alto ponto de fusão. Nos cerâmicos a ligação interatômica é
predominantemente iônica ou covalente. Os cerâmicos podem, portanto,
ser processados ou operados a altas temperaturas podendo ser um
combustível apropriado para alto desempenho. As vantagens de se usar
materiais cerâmicos em combustíveis de reatores de potência são:
™ maiores temperaturas permitidas para o combustível devido ao alto ponto de fusão;
™ boa estabilidade a irradiação (dimensional e estrutural) devido a ausência de transformações
de fase à baixas temperaturas;
™ alta resistência a corrosão e compatibilidade com o revestimento (zircaloy, aço inox) e o
refrigerante (água, vapor) no reator.

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67

Combustível Nuclear

Engenharia do Combustível Nuclear


¾ Os principais materiais
Reatores Nucleares
cerâmicos utilizados como combustível
nuclear (combustíveis cerâmicos) são:
™ UO2, UO2-PUO2, ThO2, UC, UN
¾ As propriedades nucleares básicas nos combustíveis cerâmicos
são:
™ alto número de átomos de Urânio por unidade de volume evitando a necessidade
de alto enriquecimento do Urânio;
™ baixo número de massa e baixa seção de choque de absorção dos elementos não
físseis no composto.
¾ Em reatores de potência a água leve (PWR, BWR) e água pesada
(PHWR, CANDU) é utilizado combustível de UO2.
¾ Combustíveis de UO2-PuO2 e ThO2 são utilizados em reatores rápidos
(regeneradores).
¾ Combustíveis de UC e UN têm sido pesquisados como combustíveis de
alto desempenho sob irradiação com potencialidade de substituição do
UO2 em reatores de potência.

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68
Combustível Nuclear

Engenharia do Combustível Nuclear


¾ O combustível de UO
Reatores Nucleares
2 é mais comumente apresentado em forma de
pastilhas cilíndricas sinterizadas com densidade na faixa de 95% da
densidade teórica.
™ Processo de fabricação: compactação do pó de UO2 na forma de
pastilhas e sinterização posterior a ~ 1700qC.

¾ A condutividade térmica do UO2 é um pouco baixa e a alta potência


gerada no reator leva a existência de altos gradientes térmicos na
pastilha combustível. Como conseqüência, são geradas tensões térmicas
que causam rachaduras no material cerâmico, mas que não causam
grandes problemas de desempenho pois o revestimento metálico retém
o material combustível. Altos níveis de potência podem levar a fusão da
parte central da pastilha, no entanto isto é evitado em reatores
térmicos pois pode gerar problemas de desempenho. As principais
limitações no desempenho do UO2 são o inchamento da pastilha causado
por produtos de fissão (sólidos e gasosos) e a liberação de produtos de
fissão gasosos para o ambiente contido pelo revestimento, deteriorando
a transferência de calor do combustível para o refrigerante.

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69

Combustível Nuclear

Engenharia do Combustível Nuclear


¾ Cermets (dispersões)Reatores Nucleares
são combinações de metais com cerâmicas. As suas
propriedades ficam entre as propriedades dos metais e as propriedades das
cerâmicas que o constituem. A condutividade térmica de cermets, por exemplo, é
normalmente mais baixa que o metal, mas superior ao cerâmico que o compõe.
¾ Alguns itens de comparação entre cermets e cerâmicos são:
¾ cermets tem maior resistência mecânica e ductilidade que cerâmicos;
¾ cermets tem maior resistência a choque térmico que cerâmicos, embora sejam ainda
relativamente frágeis;
¾ cermets tem as propriedades combinadas de metais e cerâmicos;
¾ ambos tem uma alta resistência à irradiação e corrosão;
¾ ambos são relativamente estáveis a altas temperaturas
¾ Os combustíveis nucleares de dispersões podem oferecer vantagens sobre os
combustíveis de ligas metálicas tais como:
¾ aumento da vida útil de operação do combustível no reator, pois os danos dos produtos de
fissão ficam localizados em uma zona imediatamente adjacente da fase dispersa (contendo
elemento físsil) minimizando os danos da matriz metálica e minimizando o inchamento;
¾ a seleção dos materiais pode ser estendida de modo a permitir o uso de materiais
combustíveis cerâmicos diluídos em materiais metálicos conseguindo-se propriedades físicas,
térmicas e mecânicas que não seriam alcançadas com o material combustível básico.
¾ Os combustíveis nucleares de dispersões são constituídos, normalmente, de
materiais combustíveis cerâmicos (UO2, U3O8, UC, PUO2, U3Si2, etc.) dispersos
numa matriz contínua de um material estrutural não físsil (Al, zircaloy, aço inox,
grafite).

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70
Combustível Nuclear

Engenharia do Combustível Nuclear


¾ Define-se Elemento
Reatores Nucleares
Combustível como o componente do núcleo
do reator que contém de forma apropriada o material
combustível e os materiais estruturais. O núcleo do reator
contém um conjunto de elementos combustíveis.
¾ Cada tipo de reator possui um tipo apropriado de material
combustível e uma forma apropriada de elemento combustível
que contém este material. Dentre as diversas formas utilizadas,
as principais são elementos combustíveis tipo placa e elementos
combustíveis com varetas cilíndricas.
¾ Os elementos combustíveis tipo placa são utilizados na maioria
dos reatores de pesquisa e em alguns reatores de potência
refrigerados e moderados a água leve. Os elementos combustíveis
com varetas cilíndricas são utilizados basicamente nos reatores
de potência.
¾ A diferença básica entre os dois tipos reside na relação de
densidade de potência/área de transferência de calor, processos
de fabricação, e autonomia/desempenho sob irradiação.

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71

Combustível Nuclear

Engenharia do Combustível Nuclear


¾ Elementos combustíveis
Reatores Nucleares
tipo placa são utilizados em reatores de
pesquisa (tipo MTR – Material Test Reactors) e em reatores de potência
compactos (propulsão).
¾ Os elementos combustíveis tipo placa têm basicamente os seguintes
componentes: placa combustível, placas suportes laterais, bocal de
extremidade (inferior), extremidade suporte de manuseio (superior).
¾ Os elementos combustíveis são constituídos basicamente de placas
combustíveis colocadas paralelamente e suportadas pelas placas laterais
(sem material físsil) e o bocal inferior. A extremidade suporte superior
serve para manuseio do elemento. Alguns elementos possuem uma
espécie de “pente” nas extremidades que alinham o espaçamento
central das placas combustíveis.
¾ As dimensões de cada placa combustível, a quantidade de placas e o
espaçamento entre placas são ditados pelo projeto neutrônico/termo-
hidráulico do núcleo e tendo viabilidade comprovada pelos aspectos de
processo de fabricação e desempenho sob irradiação.
¾ A configuração do núcleo do reator (número de elementos combustíveis)
depende de sua potência, aplicação e características operacionais.

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72
Combustível Nuclear

Engenharia do Combustível Nuclear


¾ Elementos Combustíveis
Reatores Nucleares
tipo Placa

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73

Combustível Nuclear

Engenharia do Combustível Nuclear


¾ Os Elementos Combustíveis
Reatores (EC)
Nucleares
com varetas cilíndricas são
utilizados, principalmente, nos reatores de potência térmicos e
em alguns reatores regeneradores. Normalmente o material
combustível utilizado é cerâmico (UO2, ThO2, PUO2, etc.) na
forma de pastilhas cilíndricas encapsuladas em tubos metálicos.
¾ Cada EC possui componentes que servem de estrutura a fim de
manter o espaçamento das varetas combustíveis dando rigidez ao
conjunto bem como provendo guias para elementos de controle
do reator. Para cada tipo de reator (PWR, BWR, PHWR, CANDU,
etc.) existe uma forma apropriada para os ECs. Várias formas
vieram sendo utilizadas ao longo dos últimos anos verificando-se
uma evolução crescente até as formas atualmente utilizadas.
¾ Será descrito aqui neste item apenas o EC típico (atual) de um
reator PWR que é a linha adotada pelo Brasil nas usinas nucleares
Angra I (Westinghouse) e Angra II (KWU).
¾ Para entender melhor como é constituído o EC é conveniente
descrever mais detalhadamente quais seriam seus requisitos
funcionais pois seu detalhamento espelha estes requisitos.

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74
Combustível Nuclear

Engenharia do Combustível Nuclear


¾ De uma forma geral
Reatores Nucleares
o EC de PWR, como qualquer outro EC, possui uma
geometria, características de materiais e características mecânicas que atendam
ao projeto neutrônico/termohidráulico/desempenho do combustível e deve
atender aos seguintes requisitos funcionais básicos:
™ Manter uma geometria no combustível e um posicionamento axial e radial aceitáveis, isto é, deve permitir a
fixação do EC no núcleo e das varetas no EC;
™ Permitir um fluxo de refrigerante e uma transferência de calor aceitáveis;
™ Manter uma barreira de separação entre o combustível (e os produtos de fissão gerados durante a irradiação)
e a água de refrigeração;
™ Permitir expansões radiais e axiais das varetas e também do E.C. como um todo em relação aos internos do
reator;
™ Permitir suporte próprio, ou seja, ter sustentação própria quando necessário e ter uma resistência bem
definida às distorções ocasionadas por cargas laterais e axiais;
™ Resistir à ação de forças devido ao escoamento do fluído, ou seja, deve acomodar os efeitos de vibração,
atrito, levantamento, pulsos de pressão e instabilidade de escoamento;.
™ Permitir o controle do processo de fissão, isto é, dar guia para os elementos de controle, permitir o
posicionamento de varetas de veneno queimável, acomodar efeitos de fluxo de nêutrons, temperatura,
gradientes e transientes de pressão, atrito, amortecimento e impactos associados com a movimentação de
elementos de controle;
™ Permitir o posicionamento da instrumentação interna do núcleo e outros componentes quando associados ao
EC. Isto inclui veneno queimável, fontes de nêutrons, tampões de vedação e instrumentação de monitoração;
™ Acomodar efeitos químicos, térmicos, mecânicos e de irradiação sobre os materiais. Exemplos são: corrosão
sob tensão, hidretação, fragilização por hidrogênio, densificação, creep, etc.;
™ Permitir manuseio, transporte e carregamento no núcleo, isto é, ter detalhes construtivos para içamento,
pontos de contato, molas de fixação ou outros detalhes necessários, incluindo previsão de carregamento e
compatibilidade com equipamentos de interface;
™ Todos os EC dentro do núcleo devem ser compatíveis entre si.

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75

Combustível Nuclear

Engenharia do Combustível Nuclear


¾ De uma forma geral
Reatores Nucleares
o EC de PWR, como qualquer outro EC, possui uma
geometria, características de materiais e características mecânicas que atendam
ao projeto neutrônico/termohidráulico/desempenho do combustível e deve
atender aos seguintes requisitos funcionais básicos:
™ Manter uma geometria no combustível e um posicionamento axial e radial aceitáveis, isto é, deve permitir a
fixação do EC no núcleo e das varetas no EC;
™ Permitir um fluxo de refrigerante e uma transferência de calor aceitáveis;
™ Manter uma barreira de separação entre o combustível (e os produtos de fissão gerados durante a irradiação)
e a água de refrigeração;
™ Permitir expansões radiais e axiais das varetas e também do E.C. como um todo em relação aos internos do
reator;
™ Permitir suporte próprio, ou seja, ter sustentação própria quando necessário e ter uma resistência bem
definida às distorções ocasionadas por cargas laterais e axiais;
™ Resistir à ação de forças devido ao escoamento do fluído, ou seja, deve acomodar os efeitos de vibração,
atrito, levantamento, pulsos de pressão e instabilidade de escoamento;.
™ Permitir o controle do processo de fissão, isto é, dar guia para os elementos de controle, permitir o
posicionamento de varetas de veneno queimável, acomodar efeitos de fluxo de nêutrons, temperatura,
gradientes e transientes de pressão, atrito, amortecimento e impactos associados com a movimentação de
elementos de controle;
™ Permitir o posicionamento da instrumentação interna do núcleo e outros componentes quando associados ao
EC. Isto inclui veneno queimável, fontes de nêutrons, tampões de vedação e instrumentação de monitoração;
™ Acomodar efeitos químicos, térmicos, mecânicos e de irradiação sobre os materiais. Exemplos são: corrosão
sob tensão, hidretação, fragilização por hidrogênio, densificação, creep, etc.;
™ Permitir manuseio, transporte e carregamento no núcleo, isto é, ter detalhes construtivos para içamento,
pontos de contato, molas de fixação ou outros detalhes necessários, incluindo previsão de carregamento e
compatibilidade com equipamentos de interface;
™ Todos os EC dentro do núcleo devem ser compatíveis entre si.

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Combustível Nuclear

Engenharia do Combustível Nuclear


¾ Elemento Combustível
Reatores
tipo PWRNucleares

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Combustível Nuclear

Engenharia do Combustível Nuclear


¾ Elemento Combustível
Reatores
tipo PWR Nucleares

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Combustível Nuclear
Ciclo do Combustível Nuclear
¾ O Ciclo do CombustívelReatores
Nuclear é o conjunto de etapas do processo industrial
Nucleares
que transforma o mineral urânio, desde quando ele é encontrado em estado natural
até sua utilização como combustível, dentro de uma usina nuclear, e posterior
reprocessamento e armazenamento dos rejeitos.
Conversão
Mineração
Enriquecimento

Fabricação do
Elemento
Combustível
Rejeitos

Reprocessamento

Usina Nuclear

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Combustível Nuclear

Ciclo do Combustível Nuclear


¾ Mineração e Produção
Reatores Nucleares de U
do Concentrado
A primeira fase do ciclo é a mineração e produção de concentrado de
urânio. O urânio é um metal encontrado em formações rochosas na crosta
terrestre. A concentração de U e elementos químicos associados é
dependente de cada ocorrência (jazida). As seguintes etapas são realizadas:
• Extração do minério e processamento mecânico (britagem)
• Separação, por processo químico, do urânio no minério
• Concentração do urânio num composto químico (“yellowcake”- “torta
amarela”)

Processo INB - Caetité


O processo de beneficiamento do minério de urânio é o de lixiviação
em pilhas (estática). Depois de britado, o minério é disposto em pilhas
e irrigado com solução de ácido sulfúrico para a retirada do urânio nele
contido.
Esta técnica dispensa fases de moagem, agitação mecânica e
filtração, permitindo, além de uma substancial redução nos
investimentos, uma operação a custos menores, em face do reduzido
número de equipamentos e unidades operacionais envolvidos. A
concentração do urânio é realizada pelo processo de extração por
solventes orgânicos, seguida da separação por precipitação, secagem
e acondicionamento em tambores.

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Combustível Nuclear

Ciclo do Combustível Nuclear


¾ Conversão do yellowcake
Reatores em Nucleares
UF 6
Na usina de conversão, o urânio sob a forma de yellowcake (composto
basicamente por diuranato de amônia (DUA) e impurezas) é dissolvido e
purificado, obtendo-se então o urânio nuclearmente puro (urânio com teor
de impurezas químicas especificada para uso em reatores). A seguir, o
composto de urânio é convertido para o estado gasoso, o hexafluoreto de
urânio (UF6), através de um processo químico por via úmida, para poder
seguir para a etapa de enriquecimento isotópico.
A usina de conversão é composta de várias unidades de processo, de
utilidades e de apoio. Os processos compreendem resumidamente as
seguintes seqüências de etapas químicas:
• purificação do concentrado de urânio obtendo-se nitrato de uranila (NTU)
• produção de trióxido de urânio (UO3), por meio de reações químicas e calcinação
• Produção de tetrafluoreto de urânio (UF4) por meio de reações químicas com ácido
fluorídrico e outros elementos em ambiente controlado
• Produção de flúor (F2) em células eletrolíticas a partir do ácido fluorídrico (HF)
• Produção e purificação de hexafluoreto de urânio (UF6), por meio da reação do UF4
com F2 em reatores específicos
• Acondicionamento do UF6 em cilindros de armazenamento e transporte

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Combustível Nuclear

Ciclo do Combustível Nuclear


¾ Enriquecimento Reatores Nucleares
Isotópico
O enriquecimento isotópico do urânio é o processo de
concentração do isótopo U-235 no urânio natural. No urânio
natural o teor isotópico do U-235 é de apenas 0,71%
comparado aos 99,29% do U-238. Maiores teores isotópicos
de U-235 são necessários nos reatores térmicos moderados a
água leve.
Três processos físicos são utilizados para enriquecimento de
urânio:
• difusão gasosa
• ultracentrifugação gasosa
• laser
Brasil optou pelo processo de ultracentrifugação gasosa no
desenvolvimento autônomo realizado pelo IPEN/CTMSP.

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Combustível Nuclear

Ciclo do Combustível Nuclear


¾ Enriquecimento Reatores Nucleares
Isotópico
¾ O enriquecimento isotópico por ultracentrifugação gasosa usa um grande
número de cilindros que giram a altas velocidades (centrífugas). A rotação de
cada cilindro gera uma força centrífuga que joga as moléculas mais pesadas de
U-238 em direção às paredes do cilindro e o gás mais leve, rico em U-235, para
o centro do cilindro.
¾ O processo de enriquecimento necessita um grande número de centrífugas
ligadas em série e em paralelo, o que é denominado cascata de
enriquecimento, para atingir quantidades e nível de enriquecimento necessários
aos combustíveis das centrais nucleares.

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Combustível Nuclear

Ciclo do Combustível Nuclear


¾ Enriquecimento Reatores Nucleares
Isotópico

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Combustível Nuclear

¾ ReconversãoReatores Nucleares
Ciclo do Combustível Nuclear

Reconversão é o processo químico de transformação do gás UF6 ao estado


sólido sob a forma de pó de dióxido de urânio (UO2) que será utilizado no
combustível nuclear.
Dois tipos de processos podem ser utilizados: TCAU (tricarbonato de amônio e
uranila) ou DUA (diuranato de amônio e uranila). As seguintes etapas são
utilizadas pela INB na reconversão (processo TCAU):
• UF6 enriquecido é aquecido em um vaporizador.
• A 100 °C o UF6 é misturado com CO2 e NH3 em um tanque precipitador contendo água
desmineralizada. A reação química entre esses compostos produz o tricarbonato de
amônio e uranila (TCAU), sólido amarelo insolúvel em água.
• O conteúdo do precipitador é bombeado para filtros rotativos a vácuo onde o pó de
TCAU é seco.
• O pó seco é levado a passar em um forno de leito fluidizado à temperatura de 600 °C
juntamente com H2 e vapor d’água , formando o UO2.
• O pó de UO2 é estabilizado com N2 e ar.
• No final do processo TCAU é também misturado uma fração de U3O8 ao UO2 em um
homogenizador para dar as características adequadas ao pó para produção das pastilhas
combustíveis.

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Combustível Nuclear

Ciclo do Combustível Nuclear


¾ Reconversão (TCAU)
Reatores Nucleares

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86
Combustível Nuclear

Ciclo do Combustível Nuclear


¾ Fabricação de Pastilhas
Reatores deNucleares
UO2 (para reatores de potência)
Nos reatores nucleares de potência utiliza-se o urânio na
forma de pastilhas sinterizadas de UO2. As especificações
geométricas e de materiais dessas pastilhas devem seguir
padrões de qualidade estritos de forma a garantir o bom
desempenho e segurança durante irradiação no reator.
As pastilhas de UO2 são produzidas a partir do pó de UO2
(fabricado na etapa de reconversão). As seguintes etapas são
utilizadas pela INB na fabricação de pastilhas:
• Prensagem do pó de UO2, anteriormente homogeneizado com pó de
U3O8, na forma de pastilha (denominadas “pastilhas verdes”)
através de uma prensa rotativa automática.
• Sinterização das “pastilhas verdes” em forno com atmosfera
redutora de H2 à 1750 °C.
• Retifica das pastilhas para ajuste das dimensões finais.
• Controle dimensional e acondicionamento em caixas e
armazenamento com características de segurança adequadas
contra acidentes de criticalidade.

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Combustível Nuclear

Ciclo do Combustível Nuclear


¾ Fabricação de Pastilhas
Reatores deNucleares
UO 2

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Combustível Nuclear

Ciclo do Combustível Nuclear


¾ Montagem dos Elementos
Reatores Nucleares
Combustíveis (para reatores de potência)

O elemento combustível é o item principal do reator nuclear. Sua estrutura


deve seguir padrões rígidos de qualidade e precisão mecânica já que é o
item que irá gerar as reações em cadeia, transferir o calor gerado ao
refrigerante e o primeiro item de segurança para a retenção de produtos
radioativos em caso de acidente.
O elemento combustível é composto pelas pastilhas combustíveis de UO2
dispostas em tubos de zircaloy (liga de zircônio), constituindo um conjunto
de varetas, cuja estrutura é mantida rígida por um reticulado formado por
grades espaçadoras, tubos guias de barras de controle e bocais de
extremidades.
As seguintes etapas são utilizadas pela INB na fabricação de elementos
combustíveis de Angra I:
• O elemento combustível é formado por 235 varetas combustíveis, 21 tubos guias de barra de
controle, 8 grades espaçadoras e dois bocais de extremidade (inferior e superior).
• As pastilhas de UO2 são pesadas, arrumadas em carregadores e secadas em forno especial.
• Os tubos de zircaloy tem suas medidas e qualidade estrutural verificadas por testes de ultra-som e
minuciosamente limpos.
• As pastilhas são acomodadas dentro dos tubos, colocados os complementos internos (mola e pastilhas
isolantes de alumina), e soldados tampões nas extremidades, formando a vareta combustível. As
solda de fechamento é feita com pressão de gás hélio, pois a vareta é internamente pressurizada
com este gás. As soldas são verificadas por raios-X.
• As grades espaçadoras são colocadas numa bancada de montagem e alinhadas por equipamentos de
alta precisão antes de soldadas aos tubos guias. As varetas combustíveis são inseridas através das
grades na mesma bancada. Finalmente são fixados os bocais de extremidades nos tubos guias de
barra de controle.

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89

Combustível Nuclear

Ciclo do Combustível Nuclear


¾ Montagem dos Elementos
Reatores Nucleares
Combustíveis (para reatores de potência)

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Combustível Nuclear

Instalações do Ciclo do Combustível no Brasil


Reatores Nucleares
Instalações Industriais

Tipo Empresa Localização Características

Caetité 400 toneladas/ano de


Mineração INB
Bahia concentrado de urânio

Conversão ------- --------- ----------

Resende Em fase de montagem


Enriquecimento INB
Rio de Janeiro
uma primeira cascata
com tecnologia CTMSP

Resende Rota TCAU - 140


Reconversão INB
Rio de Janeiro toneladas/ano de UO2

Fabricação de Resende 120 toneladas/ano


INB
Pastilhas de UO2 Rio de Janeiro Angra I e Angra II

Montagem de Resende 250 toneladas de U/ano


INB
E.C Rio de Janeiro Angra I e Angra II

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91

Combustível Nuclear

Instalações do Ciclo do Combustível no Brasil


Reatores Nucleares
Instalações Pilotos (Experimentais)

Tipo Instituição Localização Características


Iperó Tecnologia Nacional
Conversão CTMSP
(IPEN/CTMSP)
São Paulo
Iperó Tecnologia nacional –
Enriquecimento CTMSP
ultracentrifugação
São Paulo
Iperó Tecnologia nacional
Reconversão CTMSP
(IPEN/CTMSP)
São Paulo
IPEN/CNEN-SP U3O8 e ligas de U para
Reconversão IPEN/CNEN-SP
reatores de pesquisa
São Paulo
Fabricação de Iperó Tecnologia nacional
CTMSP
Pastilhas de UO2 São Paulo (IPEN/CTMSP)
IPEN/CNEN-SP Combustíveis de
Montagem de EC IPEN/CNEN-SP
reatores de pesquisa
São Paulo
CTMSP-São Paulo Tecnologia nacional
Montagem de E.C CTMSP
(IPEN/CTMSP)
São Paulo

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Combustível Nuclear

Instalações do Ciclo do Combustível no Brasil


Mineração- Caetité Reatores Nucleares
Enriquecimento / Reconversão / Pastilha- Resende

Montagem de Elemento Combustível - Resende

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