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RESUMO DISCURSO DA SERVIDÃO VOLUNTÁRIA

Este trabalho consiste em reflexões baseada em meu entendimento pessoal sobre o livro “Discurso
sobre a Servidão Voluntária” escrito por ÉTIENNE DE LA BOÉTIE.

Humanista e filósofo francês, ÉTIENNE DE LA BOÉTIE teve como sua obra mais reconhecida “Discurso
sobre a Servidão Voluntária”, escrita em meio ao século XVI, após o exército e fiscais do rei derrotar o
povo francês, devido a uma revolta referente a um novo imposto taxado sobre o sal.

A obra é escrita em primeira pessoa e o autor conversa diretamente com seu leitor fazendo uso de
questionamentos para tal. Para cada pergunta apresentada, novas poderiam surgir assim como
respostas. Além disto, o autor é adepto ao uso de intertextos para fomentar seus argumentos.

DESDOBRAMENTOS SOBE A OBRA


Discurso tem como temas centrais a tirania, o governo, o poder, a servidão por fim e não menos
importante, a amizade.

Ainda que a obra tenha sido criada no século XVI, o texto conduz os temas de forma muito atual em
tocante as relações de poder entre os homens.

No início de sua obra, ÉTIENNE DE LA BOÉTIE, dirige-se a Homero, por meio da fala de Ulisses, no
momento em que este afirma que prefere ter apenas um senhor em vez de vários. Fundamenta sua
opinião dizendo que quando um senhor tende a maldade, o povo está vedado à infelicidade, podendo
esta ser ainda pior dependendo da quantidade de senhores no poder.

O autor ratifica a existência de homens, cidades e nações que facilmente sujeitam-se a obedecer um
único Tirano, onde o poder do mesmo é outorgado pelos próprios submissos. Desta forma, é possui
concluir que devido a fraqueza humana há espaço para a servidão voluntária.

Com o domínio cometido por um governo tirano, muitas calamidades são obrigatórias, sem razão lógica,
atingindo não apenas bens materiais, porém laços afetivos também e tudo isso para agradar um único
homem que possui todo o poder concentrado em suas mãos e à disposição para usá-lo como bem
entender.

“Não é vergonhoso ver um número infinito de homens não só obedecer, mas rastejar (...)?” (Pág. 75; 9-
10).

É possível explicar a submissão por meio de covardia? Existe uma separação clara entre liberdade e
escravidão. Neste caso, os homens que se submetem a escravidão, doam-se por inteiros a um domínio
tirânico de forma completamente voluntária.

“Será covardia?” (Pág. 79; 30)


“Não é só covardia” (Pág. 75; 33).

Para reverter esta situação e conquistar a liberdade, exige muito esforço.

“Os tiranos, quanto mais pilham mais exigem; quanto mais arruínam e destroem, mais se lhes oferece
(...); mas se nada se lhes dá (...), semelhante à árvore que, recebendo mais sumo e alimento para sua
raiz, em breve é apenas um galho seco e morto” (Pág. 78; 2-9).
Desta forma, uma solução alternativa é a intenção de desejar aquilo que posse nos traga felicidade. A
liberdade, porém não se encaixa nesta padrão, ainda que ciente de sua enorme importância, visto que
sem a mesma teríamos apenas a servidão para seguir. Fica então a pergunta: será que a dificuldade
está diretamente relacionada com a assustadora ideia da facilidade que é ser livre?

A verdade é que todos são diminuídos e portanto enfraquecidos para que apenas um se fortaleça e
tenha o poder sob seu controle. Contudo, fica o questionamento sobre se a liberdade é ou não natural?

Foi possível observar que no reino animal, depois da captura de algum deles, vários não resistem e
falecem. Outros conseguem resistir usando suas defesas próprias reconhecendo e valorizando a
importância de serem livres. Pode-se estender este exemplo aos homens?

“Que vício infeliz pode então desnaturar tanto o homem, o único que realmente nasceu para viver livre, a
ponto de fazê-lo perder a lembrança de sua primeira condição e o próprio desejo de retomá-la?” (Pág.
82; 20-23).
Existem 3 formas de um tirano chegar ao poder: por meio de eleição popular (com a ajuda de traidores),
por força de armas (apenas aqueles mais rígidos capazes destruir sem piedade qualquer um que
atrapalhe sua jornada) e pela hereditariedade (considerando-se já os donos dos seus submissos).

“(...) para que os homens, enquanto neles resta vestígio de homem, se deixem sujeitar, é preciso uma
das duas coisas: que sejam forçados ou iludidos” (Pág. 83; 26-29).

De início, a servidão não é espontânea e sim imposta. Conforme o tempo passa, passa-se a conviver
com ela, de forma que os descendentes que vierem ao mundo durante o estado de escravidão não veem
problemas por não conhecerem uma vida livre, encarando com naturalidade.

O despertar porém chega, ainda que nem sempre cedo, quando o hábito é questionando, colocando-o
em suspeita. Entretanto

“(...) as sementes do bem que a natureza põe em nós são tão frágeis e finais que não podem resistir ao
menor choque das paixões nem à influência de uma educação que as contraria” (Pág. 85; 1-3). “Em
toda parte e em todos os lugares a escravidão é odiosa para os homens e a liberdade lhes é cara (...)”
(Pág. 85; 33-35).

Todavia, aqueles que nasceram em meio a servidão não podem ser considerados verdadeiros
conhecedores da liberdade.

“Assim, a primeira razão da servidão voluntária é o hábito” (Pág. 88; 15-16)


“Desta decorre (...) outra: sob os tiranos, os homens se tornam necessariamente covardes e afeminados
(...)
(Pág. 90; 10-12)”.

Falta liberdade, quando a valentia é ausente. Os escravos não possuem o mesmo entusiasmo que os
homens livres ao enfrentarem os mesmos desafios impostos pela vida, pelo simples fato de não terem
presenciado o prazer de colher os frutos por suas conquistas ou até mesmo o desgosto por sua
derrotas, sendo estes frutos ou derrotas de outros.

“(...) Os escravos, inteiramente sem coragem e vivacidade, têm o coração baixo e mole, e são incapazes
de qualquer grande ação. Disso bem sabem os tiranos; assim fazem todo o possível para torná-los
sempre mais fracos e covardes” (Pág. 91; 19-23).
Os tiranos buscam incansavelmente uma devoção tamanha de seus dominados.

“(...) É o segredo e a força da dominação, o apoio e fundamento de toda tirania. Muito se enganaria
aquele que pensasse que as alabardas dos guardas e o estabelecimento de sentinelas garantem os
tiranos”
(Pág. 99; 27-30). “Não são as armas que defendem um tirano, (...) mas sempre quatro ou cinco homens
que o apoiam e que para ele sujeitam o país inteiro. Sempre foi assim (...)”
(Pág. 100; 6,8-9).

Os súditos são usados como peões de forma a preservar o tirano no poder, sendo colocados uns contra
os outros, pelo próprio tirano. O tirano

“É guardado por aqueles de quem deveria se guardar (...)” (Pág.101; 21-22).

Desta mesma maneira, fazendo o caminho inverso, se os súditos são os responsáveis por manter o
tirano no poder, o mesmo poderia ser abolido no mesmo dia em que o país recusa-se a servi-lo, não
sendo necessário bani-lo de lugar algum, bastando apenas que ninguém lhe dê algo.

Por fim, nos últimos parágrafos da obra é feita uma comparação entre tirania e amizade expondo a
oposição entre ambos.

"Não pode haver amizade onde está a crueldade, a deslealdade, a injustiça. Entre os maus, quando se
juntam, há uma conspiração, não uma companhia; eles não se entre-amam, mas se entre-temem;” (Pág.
106; 7-10)

Conclusão
Era comum na época em que o livro seu deu que as pessoas optassem pela escravidão, ainda que
possuindo o direito de ser livres, aceitando tudo o que lhes era imposto sem pestanejar.

Por falta de vontade o bem mais precioso de uma pessoa é tirado dela, dando espaço para que um
tirano se estabeleça. Tirano este que apenas com o clamor público mantem-se no poder.

Bibliografia
BOÉTIE, Etienne de La. Discurso da Servidão Voluntária. Trad Layment Garcia dos Santos. Editora
Brasiliense.

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