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Coordenadores: Bruno Taufner Zanotti

Cleopas Isaías Santos

Peças Práticas
Resolvidas
DELEGADO DE POLÍCIA CIVIL/FEDERAL

2017
1
PRISÃO
PREVENTIVA

1. REPRESENTAÇÃO POR PRISÃO PREVENTIVA


A prisão preventiva é uma medida cautelar de natureza pessoal aplicada
em face do investigado/indiciado/acusado durante a persecução penal, o qual
terá sua liberdade ambulatorial cerceada provisoriamente.
Tendo em vista a relevância do direito a ser restringido (liberdade de lo-
comoção), o Delegado de Polícia deve representar pela prisão preventiva ape-
nas quando não for pertinente a sua substituição por medida cautelar diversa
da prisão. Tal entendimento resta materializado no art. 282, § 6°, CPP, introduzi-
do em nosso ordenamento jurídico pela Lei nº 12.403/2011:
Art. 282, § 6°, CPP – A prisão preventiva será determinada quando não for ca-
bível a sua substituição por outra medida cautelar (art. 319). (Incluído pela Lei
nº 12.403, de 2011).

Desse modo, resta manifesto o caráter subsidiário desta medida cautelar


pessoal.
A prisão preventiva será cabível durante toda persecução criminal, até o
trânsito em julgado da sentença penal condenatória, podendo ser decretada in-
clusive antes da abertura do inquérito policial, desde que presentes os seus
fundamentos.
Por sua vez, deverá a autoridade policial representá-la à autoridade judi-
cial sempre que julgar cabível e necessário no caso concreto, devendo esta ana-
lisar o pleito e decretar, se julgar pertinente a representação, a vertente prisão
provisória, conforme dispõe o art. 5°, LXI, da CF/88:
$UW|/;,&)ȝQLQJX«PVHU£SUHVRVHQ¥RHPˊDJUDQWHGHOLWRRXSRURU-
dem escrita e fundamentada de autoridade judiciária competente, salvo nos
FDVRVGHWUDQVJUHVV¥RPLOLWDURXFULPHSURSULDPHQWHPLOLWDUGHˉQLGRVHPOHL
(...)

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COLEÇÃO PREPARANDO PARA CONCURSOS

Neste capítulo traremos algumas informações que devem ser observadas


GXUDQWH WRGD REUD UD]¥R SHOD TXDO R OHLWRU GHYH O¬OR FRP D PDLRU DWHQ©¥R
possível.

1.1. Legitimação
Saber os dispositivos legais que dão legitimidade para atuação da auto-
ridade policial é essencial para a confecção de uma boa peça. Assim, o “concur-
seiro” que bem indicá-los por certo será agraciado com pontos que podem fa-
zer diferença no certame.
Lembramos que em regra não é permitido pelos editais que o candidato
consulte a lei “seca” durante a realização da prova, motivo pelo qual recomen-
damos que memorize os artigos que fundamentam a atuação do Delegado de
Polícia.
Inicialmente, cumpre o leitor saber que há dois dispositivos que conferem
legitimidade para a atuação do Delegado de Polícia de forma genérica, os quais
deverão constar na maioria das medidas que trabalharemos.
O primeiro desses dispositivos é o artigo 144, § 4º, da CF, que dispõe que
ao Delegado de Polícia cabe o exercício das funções de polícia judiciária e a
DSXUD©¥RGHLQIUD©·HVSHQDLV&RQˉUD
Art. 144. A segurança pública, dever do Estado, direito e responsabilidade de
todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das
pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos:
§ 4º Às polícias civis, dirigidas por delegados de polícia de carreira, incumbem,
ressalvada a competência da União, as funções de polícia judiciária e a apura-
ção de infrações penais, exceto as militares.

2VHJXQGR«RDUWLJR|ii|H|GD/HLQ|RTXDOUHˊHWH
as disposições constitucionais supracitadas e acrescenta que este poderá, no
H[HUF¯FLRGHVXDVIXQ©·HVUHDOL]DUGLYHUVDVGLOLJ¬QFLDVHUHTXLVL©·HV
Art. 2º As funções de polícia judiciária e a apuração de infrações penais exerci-
das pelo delegado de polícia são de natureza jurídica, essenciais e exclusivas
de Estado.
§ 1º Ao delegado de polícia, na qualidade de autoridade policial, cabe a condu-
ção da investigação criminal por meio de inquérito policial ou outro procedi-
mento previsto em lei, que tem como objetivo a apuração das circunstâncias,
da materialidade e da autoria das infrações penais.
§ 2º Durante a investigação criminal, cabe ao delegado de polícia a requisição
de perícia, informações, documentos e dados que interessem à apuração dos
fatos.

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1. PRISÃO PREVENTIVA

Além dessas fontes gerais de legitimação, temos dispositivos legais espe-


F¯ˉFRVTXHHPEDVDPDDWXD©¥RGR'HOHJDGRGH3RO¯FLD1RTXHFRQFHUQH¢SUL-
são preventiva, apontamos primeiramente o art. 13, IV, do CPP, que enumera as
atribuições da autoridade policial no curso do inquérito policial.
Art. 13. Incumbirá ainda à autoridade policial:

(...)

IV – representar acerca da prisão preventiva.

Na mesma toada, podemos citar o art. 282, § 2º, do CPP, onde generica-
PHQWHVHDˉUPDTXHDVPHGLGDVFDXWHODUHVSRGHU¥RVHUGHFUHWDGDVSHORMXL]SRU
intermédio da representação do Delegado de Polícia.
Art. 282. As medidas cautelares previstas neste Título deverão ser aplicadas
observando-se a: (Redação dada pela Lei nº 12.403, de 2011).

(...)

§ 2º As medidas cautelares serão decretadas pelo juiz, de ofício ou a requeri-


mento das partes ou, quando no curso da investigação criminal, por represen-
tação da autoridade policial ou mediante requerimento do Ministério Público.
(Incluído pela Lei nº 12.403, de 2011).

3RUˉPQR¤PELWRGR&33DOHJLWLPLGDGHGDDXWRULGDGHSROLFLDOSDUDUH-
presentar pela prisão preventiva é extraída do art. 311, o qual não pode ser pre-
WHULGRHPVXDSH©DSU£WLFDSURˉVVLRQDO
Art. 311. Em qualquer fase da investigação policial ou do processo penal, cabe-
rá a prisão preventiva decretada pelo juiz, de ofício, se no curso da ação penal,
ou a requerimento do Ministério Público, do querelante ou do assistente, ou
por representação da autoridade policial. (Redação dada pela Lei nº 12.403, de
2011).

Não podemos deixar de mencionar que a legitimidade do Delegado de


Polícia para representar pela prisão preventiva também é prevista em leis ex-
travagantes e leis estaduais.
Nesse diapasão, lembramos que a Lei nº 11.340/2006 – Lei Maria da Penha
– confere legitimidade ao Delegado de Polícia (autoridade policial) para repre-
sentar pela decretação da cautelar em epígrafe, senão observe a literalidade da
referida norma:
Art. 20. Em qualquer fase do inquérito policial ou da instrução criminal, cabe-
rá a prisão preventiva do agressor, decretada pelo juiz, de ofício, a requerimen-
to do Ministério Público ou mediante representação da autoridade policial.

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COLEÇÃO PREPARANDO PARA CONCURSOS

Parágrafo único. O juiz poderá revogar a prisão preventiva se, no curso do pro-
FHVVRYHULˉFDUDIDOWDGHPRWLYRSDUDTXHVXEVLVWDEHPFRPRGHQRYRGHFUHW£-
ODVHVREUHYLHUHPUD]·HVTXHDMXVWLˉTXHP

$W¯WXORGHGLFDUHFRPHQGDPRVTXHYRF¬OHLDRHVWDWXWRGDSRO¯FLDFLYLO
GRHVWDGRSDUDRTXDOYRF¬HVW£SUHVWDQGRFRQFXUVRSRLVQHODSURYDYHOPHQWH
há dispositivo legal legitimando a representação do Delegado de Polícia.
Essa legitimação deverá ser explicitada no preâmbulo de sua peça, tanto
para demonstrar conhecimento quanto por questão de técnica. Caso se esque-
ça desse detalhe, poderá vir a perder pontos valiosos. Mais à frente vamos mos-
WUDUSDUDYRF¬FRPRVHID]RSUH¤PEXOR

2. MODELO DE REPRESENTAÇÃO POR PRISÃO PREVENTIVA


Inicialmente, salientamos que não há uma única forma correta de se fa-
zer uma peça jurídica. Uma mesma representação pode ser produzida magistral-
mente de diversas maneiras, logo os modelos que apresentaremos são apenas
nortes a serem seguidos.
Cada um pode desenvolver seu próprio arquétipo. O que aconselhamos é
TXH YRF¬ PHPRUL]H R SDGU¥R TXH RSWRX SRU VHJXLU$JRUD YDPRV HVWUXWXUDU R
nosso modelo e dar algumas dicas valiosas para produção das suas peças.

2.1. Endereçamento
O endereçamento é fundamental em qualquer peça jurídica, motivo pelo
qual normalmente é alvo de pontuação pelas bancas examinadoras nos mais
diversos concursos.
Na vida prática, quando do endereçamento, o operador do direito deve in-
dicar o foro (comarca) e o juízo (vara) responsável para analisar sua peça. Para
quem confunde as referidas expressões, vale a pena conferir a seguinte lição ex-
traída do sítio eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ1):
Comarcas – A comarca corresponde ao território em que o juiz de primeiro grau
irá exercer sua jurisdição e pode abranger um ou mais municípios, dependen-
do do número de habitantes e de eleitores, do movimento forense e da exten-
são territorial dos municípios do estado, entre outros aspectos. Cada comarca,
portanto, pode contar com vários juízes ou apenas um, que terá, no caso, todas
as competências destinadas ao órgão de primeiro grau.

1. http://www.cnj.jus.br/noticias/cnj/82385-cnj-servico-saiba-a-diferenca-entre-comarca-vara-
-entrancia-e-instancia

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1. PRISÃO PREVENTIVA

Varas – A vara judiciária é o local ou repartição que corresponde a lotação de


um juiz, onde o magistrado efetua suas atividades. Em comarcas pequenas, a
única vara recebe todos os assuntos relativos à Justiça.

De acordo com o artigo 70 do CPP, que adotou a teoria do resultado, a co-


marca competente será, em regra, determinada pelo lugar em que se consumar
a infração, ou, no caso de tentativa, pelo lugar em que for praticado o último
ato de execução.
Art. 70. A competência será, de regra, determinada pelo lugar em que se consu-
mar a infração, ou, no caso de tentativa, pelo lugar em que for praticado o últi-
mo ato de execução.
§ 1º Se, iniciada a execução no território nacional, a infração se consumar fora
dele, a competência será determinada pelo lugar em que tiver sido praticado,
no Brasil, o último ato de execução.
§ 2º Quando o último ato de execução for praticado fora do território nacional,
será competente o juiz do lugar em que o crime, embora parcialmente, tenha
produzido ou devia produzir seu resultado.
§ 3º Quando incerto o limite territorial entre duas ou mais jurisdições, ou quan-
do incerta a jurisdição por ter sido a infração consumada ou tentada nas divi-
VDVGHGXDVRXPDLVMXULVGL©·HVDFRPSHW¬QFLDˉUPDUVH£SHODSUHYHQ©¥R

([FHSFLRQDOPHQWHDFRPSHW¬QFLDVHU£HVWDEHOHFLGDGHDFRUGRFRPDWH-
oria da atividade, ou seja, observando o local em que a conduta foi praticada.
/HPEUHVHGHTXHDFRPSHW¬QFLDSDUDSURFHVVDPHQWRHMXOJDPHQWRGRFULPHGH
homicídio está inserida nessa ressalva.
É verdade que uma mesma comarca pode ter diversos juízos competen-
WHVSDUDDSUHFLDUVXDSH©D7RGDYLDTXDQWRDHVVHSRQWRˉTXHWUDQTXLORSRLVHP
regra não é cobrado o estudo de organização judiciária nos concursos de Delegado
de Polícia.
$VVLPEDVWDTXHYRF¬HQGHUHFHJHQHULFDPHQWHVXDSH©DSDUDRMX¯]RGH
direito, para a vara do júri ou para o juizado especial criminal.
/HPEUHVHTXHDRVMXL]DGRVHVSHFLDLVFULPLQDLV«DWULEX¯GDFRPSHW¬QFLD
para processar e julgar os crimes de menor potencial ofensivo, que são as con-
travenções penais e os crimes cuja pena máxima não excede a 2 (dois) anos.
Para o correto endereçamento, o candidato dever conhecer as regras de
FRPSHW¬QFLDSUHYLVWDVQR&µGLJRGH3URFHVVR3HQDO6HDLQGDWLYHUG¼YLGDVVR-
bre o tema, sugerimos a leitura da lei seca acompanhada de uma boa
doutrina.
$OHUWDPRVTXHYRF¬VµGHYHHVSHFLˉFDUDDXWRULGDGHFRPSHWHQWHSDUDUH-
ceber a representação se esta puder ser extraída do enunciado. Na dúvida,

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COLEÇÃO PREPARANDO PARA CONCURSOS

UHFRPHQGDPRVTXHYRF¬ID©DXPHQGHUH©DPHQWRJHQ«ULFRFRPRRDSUHVHQWD-
do abaixo, para não correr o risco de perder pontos ou, até mesmo, ter a sua peça
]HUDGDSRULGHQWLˉFD©¥RGHSURYD
Os endereçamentos possíveis no caso de representação por prisão pre-
ventiva são:

EXCELENTÍSSIMO SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA _____ª VARA CRIMINAL DA


COMARCA DE __________.
OU
EXCELENTÍSSIMO SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA _____ª VARA DO JÚRI DA
COMARCA DE __________.

2.2. Elementos de referência e preâmbulo


$SµVRHQGHUH©DPHQWRYRF¬YDLVDOWDUXPDRXGXDVOLQKDVHFRORFDURV
elementos de informação, que nada mais são do que as informações que indi-
vidualizam e caracterizam o inquérito policial.
/HPEUDQGRTXHYRF¬Q¥RSRGHLQYHQWDUGDGRVQDSH©D'HVVHPRGRQ¥RFULH
um número de inquérito. Mencione apenas o que for informado na questão. Como
as provas costumam trazer situações bem detalhadas, não raramente os enuncia-
GRVHVSHFLˉFDPGDGRVGRLQTX«ULWR&DVRFRQWU£ULR GHL[HXPHVSD©RHPEUDQFR
Após, salte mais uma ou duas linhas e inicie o seu preâmbulo cujo mo-
delo segue abaixo:

A Polícia Civil do estado do ______, por meio do Delegado de Polícia que


esta subscreve, lotado _____, no uso de suas atribuições, que lhe são con-
feridas, dentre outros dispositivos, pelo art. 144, § 4º, da CF88; arts. 13, IV,
282, § 2º e 311, todos do CPP; bem como no art. 2º, § 1º, da Lei nº
12.830/2013, bem assim pela (citar a lei que regulamenta as atribuições
da polícia civil do estado para o qual está prestando concurso), vem, com
o devido respeito, à presença de9RVVD([FHO¬QFLDUHSUHVHQWDUSHODGHFUH-
tação da prisão preventiva de (citar o nome do investigado/indiciado com
DUHVSHFWLYDTXDOLˉFD©¥RTXHIRUIRUQHFLGDQDSURYD SHORVIXQGDPHQWRV
de fato e de direito que a seguir passa a expor.

Esse modelo de preâmbulo pode ser facilmente memorizado. Sua base


será sempre a mesma.
Um bom preâmbulo já demonstra conhecimento. Citar a Lei nº 12.830/2013,
FRPSURYDTXHYRF¬WHPVDQJXHGHGHOHJDGRHTXHYDLSURFXUDUYDORUL]DUDVVXDV
atribuições quando do exercício delas.

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1. PRISÃO PREVENTIVA

2.3. Fatos
Neste tópico da sua peça serão narrados, de forma sucinta, todos os fatos
relevantes apresentados no enunciado da questão para a representação em
baila.
Trata-se de um resumo, com suas próprias palavras, daquilo que foi dito
GHLPSRUWDQWHQRHQXQFLDGR2XVHMDYRF¬GHYHSDUDIUDVHDURVIDWRVWUD]LGRVQR
enunciado que embasarão a sua representação.
1HVWH SRQWR « LPSRUWDQWH TXH YRF¬ WHQKD SRGHU GH V¯QWHVH$ VXD SH©D
deve passar o máximo de informações num curto espaço, de modo que não fal-
tem linhas para a realização da prova.
&DVR WHQKD GLˉFXOGDGH SDUD WDQWR VXJHULPRV D OHLWXUD GH XP ERP OLYUR
de produção textual, bem como que faça e responda às seguintes perguntas:

2TX¬"

4XHP"

4XDQGR" ACONTECEU

2QGH"

3RUTX¬"

6HYRF¬FRQVHJXLUUHVSRQGHUDHVVDVSHUJXQWDVFRPXPWH[WRHVFRUUHLWR
esteja seguro de que seus fatos foram bem narrados.
Observação: Tenha em mente que as referidas perguntas são apenas um
referencial para confecção dos fundamentos fáticos, razão pela qual nem sem-
pre todos os questionamentos precisam/podem ser respondidos. Por exemplo:
é extremamente difícil nos crimes contra a dignidade sexual (estupro, por exem-
SOR UHVSRQGHURSRUTX¬GDFRQGXWDGHOLWXRVD
Há quem diga que este tópico é pouco relevante, todavia discordamos,
pois os fatos servirão, juntamente com a fundamentação jurídica, para embasar
R V SHGLGR V HLQˊXHQFLDUQDGHFLV¥RGRPDJLVWUDGR

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COLEÇÃO PREPARANDO PARA CONCURSOS

3. PEÇAS PRÁTICAS RESOLVIDAS

1. (AROEIRA/PC-TOCANTINS/DELEGADO/2014) J. C., primário e de


bons antecedentes, responde, em liberdade, a inquérito policial por suposta prá-
tica do crime de estelionato, na modalidade de fraude no pagamento por meio de
cheque (art. 171, § 2.º, VI, Código Penal), contra a vítima I. A. O cheque, devol-
vido por ausência de fundos, encontra-se juntado aos autos do inquérito. Chegou
ao conhecimento da autoridade policial, todavia, pelos depoimentos da vítima e
das testemunhas A. V. e P. A., que J. C. estaria rondando o bairro em que se de-
ram os fatos, em atitude claramente ameaçadora. Na condição de Delegado de
Polícia responsável pelo caso, represente à autoridade competente pela decreta-
ção da prisão provisória cabível na hipótese apresentada.

Direcionamento da resposta

A peça a ser produzida é uma representação por prisão preventiva, uma


vez que foi perpetrado o crime de estelionato consumado, cuja pena máxima
em abstrato é de 5 (cinco) anos, sendo perfeitamente cabível a presente medi-
da, nos termos do art. 313, I, do CPP.
1DPHVPDWRDGD«SRVV¯YHOYHULˉFDUFODUDPHQWHSHORHQXQFLDGRTXHRLQ-
YHVWLJDGRLQGLFLDGR RHQXQFLDGRQ¥RQRVSHUPLWHDˉUPDUFRPDEVROXWDFHUWH-
za se houve indiciamento, mas o espelho fornecido pela Aroeira assim conside-
URXȝ R TXH « FRHUHQWH M£ TXH K£ SURYD GD H[LVW¬QFLD GR FULPH H LQG¯FLRV GH
autoria), está coagindo testemunhas, o que é inconveniente à instrução proces-
sual penal, e, nos termos do art. 312 do CPP, autoriza o tolhimento de sua liber-
dade ambulatorial.
O juízo competente é o juízo de direito da comarca onde o crime ocorreu,
mas isso não foi mencionado no enunciado, de modo que vamos fazer o ende-
reçamento genérico, conforme explicado na parte teórica deste capítulo.
Diante disso, não há dúvidas de que a peça a ser produzida é uma repre-
sentação por prisão preventiva.
Inobstante a banca examinadora tenha disponibilizado uma peça-mode-
lo (que segue logo abaixo), achamos pertinente produzir uma resposta autoral
com base no arquétipo criado no tópico 2 deste capítulo visando a sua melhor
compreensão quanto ao uso dos modelos propostos.
Delegacia de Polícia da Comarca de ____. Inquérito policial n. ____ Natureza
da investigação: estelionato – Vítima: I. A. – Indiciado: J. C. – REPRESENTAÇÃO PELA
DECRETAÇÃO DE PRISÃO PREVENTIVA – MM. Juiz, instaurou-se inquérito policial

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1. PRISÃO PREVENTIVA

para apurar o crime de estelionato, na modalidade de fraude no pagamento por meio


de cheque (art. 171, § |9,&µGLJR3HQDO FRPHWLGRSRU-&TXDOLˉFDGR¢ˊBBBB
contra I. A., ainda não concluído. O indiciado, primário e de bons antecedentes, res-
ponde ao inquérito policial em liberdade. Todavia, chegou ao conhecimento desta
autoridade, pelos depoimentos da vítima e das testemunhas A. V. e P. A., que o indi-
ciado estaria rondando o bairro em que se deram os fatos, em atitude claramente
ameaçadora. A materialidade delitiva está provada, com o cheque, devolvido por au-
V¬QFLDGHIXQGRVMXQWDGRDRVDXWRVGRLQTX«ULWR ˊBBBGRLQTX«ULWR 7DPE«PK£
LQG¯FLRVVXˉFLHQWHVGHDXWRULD GHSRLPHQWRVGHˊVBBBBGRLQTX«ULWR 3RUWDQWRFRP
amparo no art. 312, do Código de Processo Penal, esta Autoridade Policial represen-
ta à Vossa Excelência pela decretação da prisão preventiva de J. C., por conveniên-
cia da instrução criminal, pois o indiciado está ameaçando a vítima e testemunhas,
o que pode atrapalhar a colheita de provas. Era o que tinha a ponderar no momen-
to, apresentando cópias do boletim de ocorrência, do cheque devolvido por ausên-
cia de fundos e dos depoimentos até então colhidos. Comarca, data. ___________________
Delegado de Polícia.
Trata-se de questão simples, cujo enunciado explicitou o que desejava. Os
FDQGLGDWRVEHPSUHSDUDGRVQ¥RDSUHVHQWDUDPGLˉFXOGDGHVQDSURGX©¥RGHVWD
peça.

Sugestão de resposta (redação da peça)

EXCELENTÍSSIMO SR. DR. JUIZ DE DIREITO DA ____ª VARA CRIMINAL DA


COMARCA DE __________.

Ref. Inquérito policial nº___

A Polícia Civil do estado de Tocantins, por meio do seu Delegado de Polícia


DRˉQDODVVLQDGRORWDGRQD'HOHJDFLDGH3RO¯FLDGHBBBBQRXVRGHVXDV
atribuições, que lhe são conferidas, dentre outros dispositivos, pelo art.
144, § 4º, CF/88, pelos arts. 13, IV, 282, § 2º e 311, todos do CPP, bem como
pelo art. 2º, § 1º, da Lei nº 12.830/2013, bem assim pela (citar a lei que
regulamenta as atribuições da polícia civil do Tocantins), vem, mui respei-
WRVDPHQWH ¢ SUHVHQ©D GH 9RVVD ([FHO¬QFLD 5(35(6(17$5 3(/$
DECRETAÇÃO DA PRISÃO PREVENTIVA DE J.C., pelos fundamentos de fato
e de direito que a seguir passa a expor.

1. Dos fatos
Tramita nesta unidade de polícia judiciária o supracitado inquérito poli-
cial, no bojo do qual se apura o crime de estelionato, na modalidade de fraude

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COLEÇÃO PREPARANDO PARA CONCURSOS

no pagamento por meio de cheque (art. 171, § 2.º, VI, Código Penal), perpetrado
SHORUHSUHVHQWDQGR-& TXDOLˉFDGR¢ˊBBBB FRQWUDDY¯WLPD,$
Ocorre que recentemente chegou ao conhecimento desta autoridade po-
licial, por intermédio da vítima e das testemunhas A. V. e P. A. que J.C. estaria ron-
dando o bairro em que se deram os fatos, em atitude claramente ameaçadora.

2. Dos fundamentos jurídicos da prisão preventiva

2.1 Do crime cometido


Depreende-se dos autos, com base nos depoimentos e elementos de in-
formação já coligidos, que foi consumado o crime previsto no art. 171, § 2º, VI,
do Código Penal, tendo-se em vista a clara fraude no pagamento por meio de
cheque.

2.2 Do cabimento

No vertente caso, a prisão preventiva do suspeito é necessária e adequada (ca-


bível), nos termos do art. 313, I, do CPP, haja vista que o crime dolosamente co-
metido possui pena máxima cominada em abstrato superior a 4 (quatro) anos.

2.3 Dos requisitos cautelares


Os requisitos cautelares da prisão preventiva também se encontram
satisfeitos.
Os elementos carreados nestes autos evidenciam com clareza incandes-
cente a materialidade delitiva, bem como indicam de forma uníssona a respon-
VDELOLGDGHGRUHSUHVHQWDGR,QFOXVLYHDF£UWXODGHYROYLGDSRUDXV¬QFLDGHIXQ-
GRVHQFRQWUDVHMXQWDGDDRVDXWRVGRLQTX«ULWR ˊBBBGRLQTX«ULWR . Desse modo,
satisfeito está o requisito do fumus commissi delicti.
Na mesma toada, o periculum libertatis também está demonstrado no caso
concreto, uma vez que constam nos autos depoimentos das testemunhas A.V. e
3$ ˊVBBBBGRLQTX«ULWR EHPFRPRGHFODUD©·HVGDSUµSULDY¯WLPDDSRQWDQGR
que o J.C. vem intimidando testemunhas, o que por certo compromete a instru-
ção criminal, razão pela qual, com base no artigo 312, CPP, é pertinente a decre-
tação da prisão preventiva.
Assim, comprovados estão os requisitos autorizadores da concessão da
vertente cautelar.

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