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Pintura à pó

INTRODUÇÃO:

Também conhecida como pintura eletrostática, é a pintura de alta produção e fino


acabamento, com revestimento em pó nas versões epóxi, poliéster e híbrido contendo
assim uma forma de garantir a flexibilidade da peça sem ofender a pintura. Diferencia-
se consideravelmente da pintura com tinta líquida, notadamente nos métodos de
aplicação e na resistência do filme. Ela se caracteriza pela fácil aplicação, através de um
processo eletrostático, não exigindo mão de obra especializada. O pó adere
perfeitamente às peças mesmo em pontos de difícil acesso, como cavidades e
reentrâncias e etc. Quando uma peça é pintada com pó químico, este recebe uma carga
elétrica oposta à peça, fazendo com que o pó se fixe na peça. Após a aplicação, a peça é
levada a uma estufa quando a peça é submetida ao aquecimento, as partículas de pó
aderidas se fundem formando uma película plástica uniforme em outras palavras o pó
derrete e a tinta é fixada, com espessuras que variam de 40 a 100 mícron. Essa película
não amolece mesmo quando submetida a reaquecimento.
Um ótimo exemplo de pintura eletrostática à pó são as molas das motos: mesmo
flexionadas, a tinta permanece intacta. São recomendados também para superfície de
vidro e cerâmica.

PROCESSO:

É um processo de pintura que utiliza o princípio da atração e repulsão de cargas


elétricas para criar um acabamento uniforme e duradouro sobre alguns metais e
madeiras. As tintas em pó originaram-se na década de 1950, com o objetivo de oferecer
vantagens em relação aos sistemas conhecidos no acabamento de manufaturados
industriais. Em paralelo seguiram os fabricantes de equipamentos que já entre os anos
de 1965 e 1967 no mercado europeu, desenvolveram o primeiro revólver para aplicação
de tintas em pó sob o efeito de pulverização eletrostática. Através da pistola
eletrostática, a tinta em pó recebe uma carga elétrica negativa aplicada por um eletrodo,
cujo potencial pode atingir até 100.000 volts. Um campo elétrico é formado na região
frontal à pistola que por sua vez é descarregado por meio do eletrodo. Podemos também
chamar este campo eletrostático de “Chuva de Íons”, por ter a finalidade de “ionizar” ou
“carregar” eletrostaticamente as partículas de tinta que por ele são pulverizadas. Este
campo elétrico é normalmente formado por cargas elétricas de polaridade negativa,
apesar também de serem encontrados íons positivos compartilhados. A tinta é uma
mistura composta por resinas e pigmentos que no momento da aplicação é soprada no
ambiente ao redor da peça ou diretamente à mesma. Deve ser feito o aterramento do
objeto a ser pintado, pois como a terra é um bom condutor de eletricidade, a tinta será
atraída para o objeto, formando uma camada aderida eletrostaticamente a ele.
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Após a deposição de tinta, a peça é levada para uma estufa a uma temperatura que varia
entre 200ºC e 220ºC. Os componentes químicos da tinta reagem entre si, fundindo-se e
penetrando nas microporosidades do objeto, formando uma película uniforme de difícil
remoção.
As fotocopiadoras usam o mesmo princípio de atração e repulsão de cargas elétricas em
seu funcionamento. Um cilindro foto-sensível polarizado positivamente é carregado
com a imagem refletida do original através de espelhos, dessa forma a região iluminada
(espaços vazios da imagem) perde a carga eletrostática. O toner (tinta em pó) carregado
negativamente é atraído pelo cilindro, que gira contra o papel imprimindo a imagem.
Por último, o papel é aquecido para que haja a fixação da tinta.

A pintura eletrostática produz um acabamento mais resistente à corrosão e às variações


de temperatura. Também proporciona um maior aproveitamento da tinta utilizada,
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reduzindo as emissões de compostos orgânicos voláteis e de poluentes atmosféricos


perigosos. Em processos de pintura líquida por spray, apenas 50% da tinta utilizada fica
depositado na peça, utilizando a pintura eletrostática esse índice sobe para 98%. Se for
aplicada de maneira correta, o índice de poluição pode chegar à zero, utilizando para
isso, uma cabine fechada para coletar e reaproveitar a tinta excedente. Apesar dessas
grandes vantagens, a pintura eletrostática requer um gasto muito alto na compra e
manutenção dos equipamentos. Além disso, as cargas elétricas da tinta tendem a se
repelir sobre superfícies complexas formando falhas na pintura. O fenômeno de
blindagem eletrostática, observado no experimento da gaiola de Faraday, pode impedir
a pintura do interior de peças ocas, pois o campo elétrico no interior desses objetos é
nulo, não havendo movimentação de cargas ali. Conseqüentemente não há deposição de
tinta no interior da peça.

LEITO FLUIDIZADO:

O primeiro tipo de aplicação de revestimentos em pó foi feito através


do processo de Leito Fluidizado que é descrito a seguir.
O ar, seco e filtrado, é injetado em um recipiente através de uma
placa porosa, sobre a qual se encontra o pó (vide esquema abaixo).

Com uma vazão adequada de ar o pó fica em suspensão e se


comporta como se fosse um fluído. Nesse momento, o objeto, pré-
aquecido a uma temperatura superior à da fusão do pó, é mergulhado
no pó fluidizado, que em contato com a superfície aquecida funde e
adere. Nesse processo é comum que se confira certa vibração ao
objeto, a fim de garantir uma maior uniformidade do revestimento.
A necessidade de se colocar o objeto em uma estufa apropriada para
completar a cura, vai depender da capacidade térmica desse.
O processo de Leito Fluidizado é adequado à aplicação de
revestimentos termoplásticos, onde é comum a aplicação prévia de
um primer líquido, cuja finalidade consiste em melhorar a aderência
do revestimento.
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PULVERIZAÇÃO ELETROSTATICA:

Como os processos de Leito Fluidizado e Leito Fluidizado Eletrostático


eram restritivos ao tamanho dos objetos, além de serem
dispendiosos, foi necessário o desenvolvimento de um processo mais
adequado para a aplicação da tinta em pó em larga produção de
objetos complexos. A partir da pistola de pulverização eletrostática
para a aplicação de tintas líquidas (desenvolvida na década de 1960)
foi desenvolvida a pistola para a aplicação eletrostática de tintas em
pó. Esse tipo de aplicação foi responsável pelo rápido
desenvolvimento das tintas termoconvertíveis.
O princípio básico da pulverização eletrostática se baseia no fato de
que cargas opostas se atraem, portanto a maioria dos materiais
condutivos são apropriados para serem revestidos por esse tipo de
processo.
O processo consiste no pó seco que é colocado em um recipiente,
onde é fluidizado e transportado para a pistola através de ar
comprimido (vide esquema abaixo).

Na pistola o pó é carregado eletrostaticamente e transferido através


do fluxo de ar e se move até o objeto a ser pintado (que está
aterrado) seguindo as linhas do campo elétrico formado entre o
objeto e a ponta da pistola.
O processo de carregamento eletrostático do pó, necessário para
esse tipo de aplicação, pode ser feito de duas maneiras principais, a
saber:

-Carregamento por ionização (efeito Corona):


O ar que carrega o pó é ionizado na ponta da pistola devido aos
eletrodos dessa que são mantidos a um potencial de Ca. 100 KV. Esse
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ar ionizado transfere uma carga elétrica ao pó, o qual é atraído pelo


objeto.

-Carregamento por atrito:


Na pistola TRIBO o carregamento se dá pelo atrito do pó com o corpo
da pistola. Nesse caso não se forma o campo elétrico entre a pistola e
o objeto, pois o ar que transporta o pó não é ionizado. Uma vantagem
desse processo, em relação ao de carregamento por ionização, está
no fato de se poder aplicar o pó em cavidades sem o problema do
efeito da gaiola de Faraday. Porém esse tipo de carregamento exige
uma pistola de grandes dimensões o que dificulta o manuseio e
diminui a produtividade.

VANTAGENS:

É um processo de pintura industrial que atende exigências econômicas e técnicas,


classificado como ecologicamente correto por não utilizar solventes e desta forma não
produzir odores e vapores, preservando o meio ambiente e o profissional envolvido no
processo. As principais características e vantagens do sistema de pinturas eletrostáticas
a pó são:

-Grande resistência a impactos

-Cobertura uniforme das peças

-Alcance da tinta em cavidades de difícil acesso

-Ótima aderência

-Resistência a altas temperaturas

-Resistência à corrosão

-Resistência a raios UV

-Excelente flexibilidade

TIPOS DE TINTAS:

Basicamente as tintas em pó são um tipo de revestimento termo fixo, isentos de fase


líquida e aplicáveis a todas as superfícies metálicas, proporcionando proteção e
decoração das peças. São encontradas em três famílias:

Híbridas: As tintas em pó híbridas são misturas de resinas epoxídicas e


poliésteres, com a cura ocorrendo através da reação entre elas. Os
revestimentos em pó híbridos apresentam excelentes propriedades
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mecânicas e resistência química, notadamente resistência ao


reforneio. A presença do polímero epoxídico limita sua utilização a
substratos quem não serão expostos ao intemperismo, mas é, sem
dúvida, o sistema de revestimento mais amplamente utilizado no
mercado brasileiro.
Ex. Revestimento de eletrodomésticos, autopeças, móveis de aço,
painéis elétricos, etc.

Poliéster: Esses tipos de tinta são baseadas em resinas poliéster e


curadas especificamente com o endurecedor TGIC (Triglicidil-
IsoCianurato) ou similares.
Os revestimentos em pó poliéster destacam-se dos demais pelas
excelentes propriedades mecânicas, resistência ao amarelecimento
(i.é, estabilidade de cor) durante a cura e resistência ao
intemperismo.
São indicadas principalmente o ara a proteção dos substratos
expostos à luz solar.
Ex. Componentes automotivos, implementos agrícolas, esquadrias de
alumínio, telhados industriais, móveis de jardim, etc.
Epóxi: Composta por resinas epoxidas e indicada para superfícies metálicas em peças
de uso em ambientes quimicamente agressivos.

APLICAÇÕES:

Móveis de aço, esquadrias de alumínio/aço, produtos aramados, estantes e gôndolas de


aço, peças metálicas de decoração, estruturas espaciais, treliças de cobertura, telhas e
calhas metálicas, elementos de composição arquitetônica, rodas automotivas, bicicletas,
eletrodomésticos em geral e uma infinidade de outras peças metálicas.