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Aprendizagem Social e Emocional.

Aprendizagem Social e
Emocional
Material Complementar

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Aprendizagem Social e Emocional.

Índice
Aprendizagem Emocional e Aprendizagem Social: autoconhecimento.......................3
Referências bibliográficas da temática.........................................................................5
Aprendizagem e o Respeito: conhecer a si, conhecer o outro e as relações culturais.6
Referências bibliográficas da temática.........................................................................8
Aquisição de conhecimento através da convivência e inteligências múltiplas.............9
Referências bibliográficas da temática........................................................................11
Reflexão sobre a Teoria e a Prática na Escola..............................................................12
Referências bibliográficas da temática........................................................................15
Resumo.........................................................................................................................

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Aprendizagem Social e Emocional.

Aprendizagem Emocional e aprendizagem


Social: autoconhecimento
Porque a aprendizagem social e emocional é tão
importante para os alunos?

Não importa o lugar onde vivemos ou o que fazemos, nossa vida é repleta de
experiências particulares e de interações com os outros. Fazemos amigos, com quem
conversamos, aproveitando momentos juntos, sejam de lazer ou não, e também
fazemos inimizades, quando não gostamos muito do ponto de vista de alguém, ou ainda
quando esse alguém nos faz passar por algum constrangimento, por exemplo, e na
escola isso não é diferente. Não conseguimos viver completamente isolados e
interagindo socialmente, nos envolvemos afetivamente e aprendemos muitas coisas.
Quando convivemos, aprendemos o que é esperado de nós e também passamos nossas
expectativas aos outros. O afeto que nutrimos por alguém nos faz expor ideias e nossas
relações afetivas, mediadas por quem somos e por quem são as pessoas com quem
convivemos, por quem estamos nos tornando, por quem queremos ser, tudo isso,
também influencia em nossas escolhas de conduta, nem sempre pensadas.

No caso familiar, nossos pais são tão influentes na constituição de nosso ser, de nossos
pensamentos e sentimentos, quando somos crianças, que as considerações que fazem
a nosso respeito não são de todo esquecidas, mesmo após um longo período de nossas
vidas. É isso que, precisamente, o afeto influencia nossas vivências e o nosso
autoconhecimento. Nosso conhecimento sobre o mundo e nossa relação com os
conteúdos escolares não é diferente. Outro exemplo disso são os colegas que fazemos
na infância e na adolescência que às vezes são tão importantes para nós, pelo carinho
nutrido ou ainda pela admiração, que mudamos através deles. Repensamos valores ou
mesmo nos deixamos ser influenciados por eles, de maneira benéfica ou maléfica.

O autoconhecimento se desenvolve justamente a partir de tais relações com as pessoas,


pois nos colocamos diante da realidade que percebemos, resistindo a alguma imposição
ou concordando, seja com pontos de vista de uma maioria, seja com pessoas de
referência que podem ser nossos pais, mas podem ser tais amigos ou mesmo nossos
professores, ao nos colocarmos diante de grupo no qual estamos inseridos. Tal processo
ocorre mesmo quando decidimos ignorar o que nos rodeia, já que não conseguimos
desmerecer completamente o que dizem e fazem as pessoas ao nosso redor, e a própria
postura de ignorar já se mostra como uma maneira de interagir em relação ao que está
posto, mais vinculada a uma resistência. Portanto, é impossível não sermos afetados
pelas pessoas ao nosso redor. Dessa forma, as relações afetuosas entre professores e
alunos, alunos e coordenação, professores e coordenadores, entre tantas outras que
podem acontecer no ambiente escolar influenciam de diversas maneiras o ensino.

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Aprendizagem Social e Emocional.

Por vezes uma inspetora de alunos ou um porteiro pode se tornar uma referência tão
significativa dentro da escola quanto os próprios professores, podendo exercer também
a função de educadores. Funcionários diversos que compõem o ambiente escolar
passam a dar impressões sobre qual é a escola, quando se dispõem a auxiliar os alunos
ou quando apenas exigem condutas e práticas, o que influencia como a comunidade
enxerga a escola, como estes alunos se comportarão neste contexto, como será sua
aprendizagem, visto como se dá sua socialização e suas relações afetivas.

Neste momento estamos aqui observando mais a questão do autoconhecimento, como


um olhar para si mesmo, num processo que podemos chamar de introspecção, que é
diferente de apenas sentir, mas sim é pensar sobre o que se sente, é observar quais
estímulos aos sentimentos nos marcam mais, ao invés de passarmos pelos ambientes
como naturalmente fazemos, desatentos a isso, ou ainda, “no automático”, como
costumamos dizer.
A psicanálise, por exemplo, pensa os desejos, angústias, assim sendo, trata o que
sentimos inconscientemente, na direção da dúvida, do questionamento do que já está
preestabelecido. Quando pensamos na educação de crianças, o problema está no
impedimento que alunos possuem dentro do ambiente escolar de buscar aquilo que
lhes motiva, justamente seus desejos, sua curiosidade, em vias de se estabelecer uma
ilusão de total controle, através da educação. A proposta entende que as dúvidas, as
perguntas, os erros e acertos, para todo o processo, na formação do indivíduo, na
formação do cidadão, até mesmo na formação do trabalhador, do estudante, é
indispensável instigar o desejo de tirar dúvidas, para que se transforme em uma
satisfação da curiosidade, ou melhor, na vontade de cada um de correr atrás das coisas.
Sem vivência afetiva e psicológica não existe formação educativa, há apenas uma
quantidade de informações jogadas aos alunos, que sugerem formação, sem, contudo,
serem efetivamente apreendidas pelo sujeito. O dever de ensinar, que insiste na ideia
tradicional do “mestre”, acaba por destruir desejos e interesses individuais que motivam
a busca por respostas, os mesmos que instigam também as dúvidas sobre vida, não
apenas o conteúdo como um fim em si mesmo, já que aluno se coloca diante do
conhecimento da mesma maneira que diante da vida. Tais coisas não se separam. E
apesar das similaridades, nem toda mulher é igual, nem toda criança é igual. Em todos
estes casos, o entorno mobilizou uma dada prática, uma dada conduta, que também
passa a repercutir nos outros, mudando novamente nosso entorno, já que a convivência
humana é extremamente dinâmica.

Se um jovem decide cortar seu cabelo de maneira exótica, destaca-se por ser diferente
da maioria. Se existe o parâmetro anterior para os cortes de cabelo mais comuns, existe
uma expectativa óbvia entre os outros indivíduos de seu grupo quanto ao que se faz
com os cabelos e ter ousado algo novo pode repercutir em rejeição, estranhamento ou
até aceitação de um novo estilo, o que depende de quão flexível é esse grupo do qual
faz parte.
Tal sentimento por parte de um grupo em relação ao indivíduo pode gerações e mais
reações, benéficas ou maléficas, e quando passamos ao contexto escolar, de convivência
diária, mediada por regras de comportamento e conhecimento envoltos na lógica da

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competição, em cada aluno há dois seres inseparáveis, porém, distintos. Um deles seria
o que Émile Durkheim chamou de individual. Tal porção do sujeito -o jovem bruto -,
segundo ele, é formada pelos estados mentais de cada pessoa, ou seja, por meio da
psicologia entendida então como a ciência do indivíduo, fazendo desta perspectiva a
principal função da educação até o século 19. A educação visava formar indivíduo e os
professores tentavam construir nos estudantes os valores e a moral. A caracterização
do segundo ser foi o que deu projeção a Durkheim.
Quando pensamos em aprendizado e na convivência das pessoas dentro da escola,
podemos encarar o homem social como alguém que se forma a partir da convivência
com os outros, entendendo expectativas, anseios, postos pelo ambiente social no qual
vivemos. Dessa forma, na vivência escolar, caracterizada pelas próprias atividades
vinculadas ao ensino de conteúdo, muitas relações diferentes se estabelecem, fazendo
com o que o aprendizado e o autoconhecimento não fiquem distantes um do outro,
contudo são sim interdependentes.
Nesta perspectiva, pensamos que o ambiente educativo, que permite repensarmos o EU
diversas vezes, ao pensarmos sobre a vida e nos colocarmos repetidamente em relação
ao mundo, depende da discussão, das dúvidas, que respeita individualidades, em um
ambiente de constante interação. Portanto, podemos discordar, mas ainda podemos
conviver e devemos respeitar o outro e assim, conhecendo e aprendendo
desenvolvemos o autoconhecimento, o conhecimento que temos de nós mesmos,
através também de quem o outro é, ou melhor, como o outro se mostra para nós.

Dessa forma, a autonomia poderá ser desenvolvida integralmente, autonomia para ser
atuante na sociedade, fazer escolhas mais éticas e responsáveis ao pensar no outro com
empatia, assim podendo experimentar a liberdade de ser quem se é, através de escolhas
pensadas e não por uma condição imposta, mesmo quando nos distanciamos do que a
maioria espera de nós. Entendendo seu contexto, por compreender o outro de maneira
mais aberta, também terá uma postura diferente em relação a regulamentos, quando
eficazes para manter o espaço de todos, bem como estará apto a discuti-los pensando
o bem de todos, não apenas seu desejo individual, mas vale aqui ressaltar que isso é um
dos resultados mediante o processo de aprendizagem.

Referências Bibliográficas da temática

DURKHEIM, Émile. Educação e sociologia. 10ª ed. Trad. De Lourenço Filho. São Paulo,
Melhoramentos, 1975.

LAJONQUIÈRE, Leandro de. A Mestria da Palavra e a Formação de Professores.


Educação & Realidade, v. 36, n. 3, 2011.

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Aprendizagem e o Respeito: conhecer a si,


conhecer o outro e as relações culturais
Quando interagimos com os outros, percebemos diferenças, semelhanças,
compartilhamos ideias ou ainda discordamos, tudo através de convivência, quando
fazemos algo junto, através de conversas e linguagens diversas, sejam expressões
gestuais, sejam palavras, atitudes estas que mediam nossa relação com as pessoas.

A linguagem, na infância, ou ainda a aquisição da língua torna-se discurso, ou seja, a


criança fala e compreende de acordo com os significados que dá ao mundo que a cerca.
O movimento de interpretar a realidade constantemente e interrogá-la, para então
utilizar as novas palavras, faz o indivíduo um novo ser toda vez que apreende novos
significados que lhe fazem sentido. Assim pode mudar sua percepção do mundo quando
entra em contato com novos discursos sobre um dado tema, ao entender que este
mundo pode ser como percebe e também pode ser, por outro ponto de vista, algo
diferente.

O contato com o outro traz à tona tais olhares diversos, a possibilidade de duvidar e de
compreender, mesmo que não concorde com o outro, dando os rumos para uma
educação cidadã, ativa e crítica, que pensa mais sobre seus atos e responsabiliza-se mais
por suas ações, ao invés de executá-las sem pensar. Citando Paulo Freire como
referência, este cita a leitura de mundo, uma interpretação sobre o mundo que nos
cerca e que deve anteceder o aprendizado que se refere à decodificação da palavra
escrita, já que está também depende da interpretação. A leitura da palavra escrita deve
ser a continuidade da leitura de mundo.

O autor defende um fomento à autonomia e o estímulo ao pensamento crítico de um


cidadão consciente, capaz de mudar sua realidade ativamente. Dentro desta
perspectiva, valoriza a experiência cultural e pessoal, não desqualificando o que é
sensível, afetivo e também racional para o indivíduo, contando com o aspecto formativo
que este envolvimento proporciona e descartando as possibilidades de
“perguntas/respostas erradas” ante esse movimento autônomo de pensar, questionar
e interpretar, inerente à educação. Antes disso, deve abrir as possibilidades das
perguntas sobre o mundo, dos questionamentos sobre as coisas, das respostas que
devem ser aprofundadas para que assim se encontre a certeza, se possível, de estarem
certas ou erradas e em que sentido.

O perigo está na possibilidade de um aluno bloquear sua participação com medo de


errar, como medo de ser coibido, de envergonhar-se, contudo, ao invés disso, aqui
propomos um novo olhar sobre a vida e sobre os próprios conteúdos que a escola visa
ensinar. De maneira ampla e também aplicada à realidade, questionada mentalmente,
mas também prática, como uma mudança contínua de mentalidade que deve surtir tal
mudança nas práticas, a partir do livre discurso, do livre diálogo, livre de preconceitos.
Exemplificando a questão, podemos ter os trabalhos em grupo, que normalmente

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levantam conflitos, já que pessoas diferentes, com pontos de vista diferentes e seu
envolvimento com trabalho, também diferente, devem interagir e trabalhar em equipe.
Através da linguagem, das discussões e das dúvidas, deveriam considerar também o que
é diferente, compreender, mesmo sem concordar, para que o próprio trabalho final
possa considerar pontos de vista diferentes que fomentem discussão com o grupo todos
e os professores.

Outro exemplo pode inserir-se em discussões sobre um dado tema em classe. Sejam
debates, seja uma simples questão que surtiu concordâncias e discórdias, tal situação
não deve ser encarada como um caso que atrapalha a aula, pois deverá prejudicar o
andamento do programa da aula, mas sim deve ser encarado como uma oportunidade
de discutir, levantar razões que discordem, razões que concordem, os porquês de cada
uma, na possibilidade de dar espaço a todos aqueles que queiram expor ideias. Assim
sendo, a atuação do aluno não é tida como invasiva, mas é acolhida, como algo que
contribuirá com a aula presencial e pode ser também a situação ideal para tratar
questões de autonomia e respeito ao outro.

É nessa direção que a educação para a tolerância deve acontecer, quando pessoas
passam a ser estimuladas a se colocar no lugar do outro, fazer ao outro o que espera
que se faça a ele mesmo. Repetições na linguagem, por exemplo, se esvaziam de
sentido, perdem seus significados, sendo assim incapazes de elevar-se na condição de
discurso. Mas considerar o processo de apreender através de se pensar sobre a palavra
e sobre o discurso, que depende de como nos colocamos no mundo, com nossas
relações e interações com os outros permitem o diálogo entre as diferenças, mesmo
que este seja isento de garantias totais de transmissão de conhecimento.

Outra questão é o engajamento, a participação, que deve ser mediada pelo que é
afetivo, pelo que instiga o desejo dos alunos na vida ou mesmo na razão que o leva até
a escola, pensando quais são seus interesses, para que a partir daí se dê sequencia nos
conteúdos escolares, remetendo sempre à realidade do aluno que lhe faz sentido. Não
propomos excluir de todo a estrutura montada pela escola ao longo do tempo, de
conteúdo a serem ensinados e postos em prática, porém propomos aqui um outro modo
de abordá-los bem como podemos considerar o que esta perspectiva tida tradicional
auxilia, mas também em que falha. A ideia é interagir melhor com a realidade das
pessoas que a escola recebe naturalidade. Pensando o contexto escolar, na grande
maioria os alunos são provenientes do mesmo bairro, da mesma região, com
características próximas de modos de viver, como por exemplo quais comidas comem e
como, com o que se envolvem no tempo livre, como trabalham e com o que, como se
vestem etc. Dessa maneira, trazem tais hábitos à escola, onde se interagem com amigos,
formando grupos, redes de interação, configurando novos hábitos, por vezes expressos
por uma maioria, bem como por minorias, que devem ser não só toleradas, mas que
devem ter espaço de atuação, já que são da mesma escola.

Um exemplo prático poderia expressar-se na existência de, dentro da escola, uma


maioria com ideias e sentimentos muito vinculados a uma cultura da periferia enquanto

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outras minorias parecem demonstrar forte influência de cultura nordestina, de cultura


rural ou com traços de uma cultura europeia, todas referentes a experiências
particulares, familiares ou não. No contexto citado temos múltiplas experiências de vida,
múltiplas culturas, diversos modos de expressão, vários pensamentos, muitos modos de
socialização com o outro. A escola deve ser um ambiente de acolhimento de ideias, de
respeito ao outro, um ambiente que permita livre expressão para que possam também
ser postas questões éticas acerca da liberdade que temos ou não, dos direitos de cada
um e assim, dos limites do que podemos ou não fazer, pensando no grupo, fazendo
parte do grupo. O aprendizado mediado pela convivência numa determinada sociedade
ou grupo trata também do como ela é comunicada e interpretada, dependendo do
envolvimento afetivo para uma compreensão mais abrangente, bem como para uma
apropriação que influencie na vida pessoal e na vida em sociedade. Visto isso, podemos
afirmar que uma aula, numa dada sala, numa certa escola, nunca será igual à aula de
outra sala, de mesma idade e mesmas características, pois são pessoas diferentes.

Podemos destacar alguns padrões e projetos que na sua maioria atendem a quem a
escola atende, porém, o olhar do educador deve entender aquilo que é individual, já
que em processo de socialização configuram uma sala muito diferente, composta de
pessoas diferentes, e, assim, de práticas um pouco diferentes. Crianças, adolescentes e
adultos, quando vão à escola, socializam-se. Os professores, a comunidade escolar,
funcionários, pais entre várias pessoas influentes no ambiente escolar também se
socializam. Colegas de estudo, colegas de trabalho, vizinhos ativos dentro da escola,
projetos que podem incluir oficineiros da comunidade ou mesmo as relações entre
gestores e funcionários em geral acabam mudando relações com frequência, o que
também muda a realização do trabalho objetivo na sala de aula, bem como proporciona
diversos aprendizados.
Apesar das normas escolares existe uma dada cultura reformulada e repensada dia a
dia, específica de cada unidade escolar, que deveria permitir o olhar para si mesmo e
para quem é o outro, conversando com conteúdo que continuam tratando o mundo no
qual vivemos. As pessoas são diferentes, individualmente, portanto socializam-se de
maneiras diferentes também e se, por exemplo, professores e coordenadores
conversam sobre uma decisão, por exemplo, com abertura total de ideias e opiniões,
passam também a construir soluções em grupo, assim todos participam e tomam
consciência de quais motivos influenciaram a decisão final.

É necessário que professores e gestores conheçam bem quais grupos estão na sua
escola, para que juntos possam observar quais tarefas devem ou não executar, como
promover espaço a diversos discursos, para a tolerância às diferenças. Além disso,
professores e gestores olhem para si e para os outros colegas de trabalho e entendam
quem são, em que podem trabalhar juntos, como podem contribuir com o outro, ou
ainda como podem tolerar suas diferenças em prol do mesmo objetivo: a educação.

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Referências Bibliográficas da temática

ORTELLA, Mario Sergio; BARROS FILHO, Clóvis de. Ética e vergonha na cara. Campinas,
SP: Editora Pairus, v. 7. FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que
se completam. São Paulo: Autores Associados: Cortez, 1989.

AJONQUIÈRE, Leandro de. A palavra e as condições da educação escolar. Educação &


Realidade, v. 38, n. 2 (abr/jun), 2013, p. 455-469, 2013.

Aquisição de conhecimento através da


convivência e inteligências múltiplas
A teoria das inteligências múltiplas foi estudada pelo psicólogo Howard Gardner como
um contrapeso para o paradigma da inteligência única. Ele propôs que a vida humana
requer o desenvolvimento de vários tipos de inteligências. Portanto, Gardner não entra
em conflito com a definição científica de inteligência como sendo “a capacidade de
resolver problemas ou fazer coisas importantes”. A inteligência acadêmica (obtida
através de qualificações e méritos educacionais) não pode ser o fator decisivo para
determinar a inteligência de uma pessoa, cada um desenvolve um, ou vários, tipos de
inteligência diferentes, demonstrando por vezes sua facilidade para uma dada atividade,
mas também sua melhora através do treino, já que qualquer uma, para ele, podem ser
desenvolvidas. Tais tipos de inteligência são:

• Linguística -capacidade de comunicar-se, seja pela língua, seja por gestos;


• Lógico-matemática -capacidade de raciocínio-lógico e resolução de problemas;
• Espacial -capacidade de observar um objeto por diferentes pontos de referência,
bem como registrá-lo com todos os seus detalhes;
• Musical -como uma inteligência comum a todos, quem a possui demonstra
maior facilidade em melhorá-la ou ainda em compor peças musicais;
• Corporal e sinestésica -habilidades motoras para a utilização de ferramentas ou
mesmo para a expressão de ideias;
• Intrapessoal -inteligência que nos permite compreender e controlar impulsos,
sentimentos e pensamentos internamente, no movimento de autoanálise,
entendendo o outro também e as razões de ser quem é;
• Interpessoal -facilidade de interpretação de fala, gestos, expressões dos outros,
capacidade de detectar e compreender as circunstâncias e problemas dos
outros;
• Naturalista –adicionado ao estudo de Gardner posteriormente, é a habilidade
de observar elementos da natureza, como clima ou grupos de animais e vegetais,
essenciais para a sobrevivência do ser humano.
Em geral, precisamos utilizá-las para enfrentar a vida, independentemente da ocupação
realizada, afinal a maioria dos trabalhos requerem o uso da maioria dos tipos de

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inteligência. A escola acaba por privilegiar é um procedimento destinado a avaliar


principalmente os dois primeiros tipos de inteligência: linguística e lógico-matemática.
A necessidade de mudança no paradigma educacional foi trazida à discussão pois esta
educação é totalmente inadequada para ensinar alunos na plenitude do seu potencial.
Também há se considerar que as avaliações podem tornar-se limitantes ou até
ineficazes se não permeiam todos os tipos de inteligência que podem ser desenvolvidas,
na intenção de observar o aluno em relação a si mesmo, ao invés de olhá-lo em
comparação ao outro, na lógica do mérito e da competição dentro da escola,
considerando-se poucos aspectos do conhecimento que aprimorou.

Assim sendo, professores podem se apropriar da escola, da mesma maneira que os


alunos podem se apropriar da escola e do conhecimento, para interagir com maior
autenticidade em várias situações informais que também promovem o próprio
desenvolvimento das inteligências múltiplas, quando trabalhando em equipe,
construindo juntos uma cultura particular da escola da qual fazem parte, apropriando
se do conhecimento ao seu redor. A participação aqui se faz essencial, e como já
mencionado, conhecer os desejos e satisfazê-lo em prol de uma educação significativa,
que permita atuação do outro, contribuem para que conteúdos sejam aprendidos
juntos, ainda que de maneiras diferentes, em vias de uma educação para a tolerância e
para a autonomia.

A partir daí, novas formas de se avaliar alguém devem surgir em vias de permitir um
novo processo, uma nova interpretação do que se aprendeu na escola, bem como um
novo olhar acerca dos erros e acertos, valorizando sim a própria participação e o
desenvolvimento daquele aluno em relação a ele mesmo. Para tal, multiplicar
possibilidades de atividades e projetos que permitam dar ao aluno, seja ele quem for,
espaço para descobrir-se e descobrir o mundo tornam-se essenciais, mudando também
o olhar acerca do resultado, do que se espera, não mais apenas a aquisição do
conhecimento teórico, mas o autoconhecimento e o conhecimento do outro, já que
estes também são responsáveis pelo próprio processo de aprendizagem.
É neste ponto de vista que Dewey desenvolveu seus estudos que, tal qual Vygotsky,
pensou o conhecimento desenvolvido através de um processo social, integrando
conceitos de “sociedade” e “indivíduo”. Percebeu saberes e habilidades integradas a sua
vida como cidadão ao entender que a educação é aquela que desenvolverá o senso
crítico e o raciocínio capaz de modificar as condições da sociedade tal qual se apresenta,
a partir justamente da mudança de pensamento. Tal pensamento não existe, para
Dewey, desvinculado da ação, sendo a educação responsável por aperfeiçoar relações
sociais, como a relação professor-aluno, em vias de compreender a atividade educativa
como processo de aperfeiçoamento constante. Estar na escola é socializar-se, é
aprender a aprender!

Crianças aprendem pelo envolvimento afetivo que contraem com professores quando
transpondo seu relacionamento familiar ao ambiente escolar.

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Contudo a ilusão de que a vida será melhor diante do controle de desejos, de instintos,
marcam a obsessão do adulto, já que o futuro é incerto, sendo a educação um meio de
se mudar o que repetimos em relação ao passado através de questionamentos para a
mudança daquilo que parece natural.
Olhar para trás para as histórias, as trajetórias de vida, os relatos, entendendo o que
motiva ou não o indivíduo em classe, sendo ele adulto, adolescente ou criança, dá o tom
para uma nova postura em relação ao ensino, como um olhar para si mesmo, seus
anseios e saberes já adquiridos, numa formação de identidades, reconhecendo também
as fragilidades da transmissão de conhecimentos, sem desmerecer seu potencial. É
também promover saúde psicológica a nossos alunos, capazes de nomear e lidar com
seus sentimentos, antes de agirem apenas por impulso, fato que só se torna possível
após o próprio contato com os mesmos, ao invés de abafá-los como a tradição escolar
propõe. A intenção é que o professor não seja apenas um mestre que discursa
incansavelmente as mesmas coisas, sem, contudo, construir diálogos, sem considerar o
que motiva o falar, o pensar, o agir, na intenção de que seja alguém com um discurso
também mediado pela vontade de aprender, de ensinar, não apenas pelo dever.

Por fim, estamos permitindo o desenvolvimento dos alunos em todas as suas


possibilidades, todos os seus tipos de inteligência? Estamos promovendo um ambiente
favorável a seu crescimento psicológico, através da convivência com o outro, que é
diferente dele mesmo? Ou estamos perpetuando lógicas próprias da competição,
enfatizando apenas um único modo de viver, de pensar? Estamos promovendo diálogos
ou sufocando alunos e professores? Como mudar a realidade na qual estamos inseridos,
por vezes sufocante, entre cobranças, erros e acertos, dentro da própria escola? Na
tentativa de pensar estas perguntas em nosso cotidiano de maneira prática é que nos
propomos em novas direções para a educação.

Referências Bibliográficas da temática

DEWEY, John. Democracia e educação: introdução à filosofia da educação. Companhia


Editora Nacional, 1959.

DEWEY, John. Vida e educação. Comp. Melhoramentos de S. Paulo, 1930.


GARDNER, Howard; VERONESE, Maria Adriana Veríssimo. Inteligências múltiplas: a
teoria na prática. 1995.

YGOTSKY, Lev Semenovich et al. Aprendizagem e desenvolvimento intelectual na idade


escolar. t al. Linguagem, desenvolvimento e aprendizagem. São Paulo: Ícone: EDUSP,
1988.

VYGOTSKI, Lev Semenovitch. A formação social da mente. São Paulo: Editora Martins
Fontes, 1989

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Reflexão sobre a Teoria e a Prática na Escola


O engajamento do grupo não participante da cultura escolar, voltada ao ensino e à
aprendizagem de conteúdo, mas também de descobertas e de vivência dentro da escola,
em eventos culturais e propostas inovadoras, surgem como solução para o sentimento
de pertencimento ao espaço escolar. Quando se permite dar lugar a interesses prévios
que estes mesmos alunos já apresentam, as suas individualidades, àquilo que é
significativo para eles, bem como quando se discute em vias de gerar a tal educação
para a tolerância, bem como o cuidado do espaço coletivo, da manutenção colaborativa.

A ilusão de que as crianças viverão o que não vivemos, o sonho que adultos têm de
proporcionar-lhes algo melhor, o que não está ao nosso alcance e controle, apesar de
ser ainda forte motivação para professores e gestores escolares, pode também dar lugar
a certeza, por parte de mestres e de instituição escolar, de serem responsáveis por
ajustar, harmonizar o outro, como dever de “mestre” possuidor do conhecimento,
inquestionável e superior. Porém quando a autoridade de administradores se aplica por
obrigação, sem espaço para novas ideias, professores podem sentir-se acuados,
executando uma tarefa sem acreditar em nada do que ela representa, bem como alunos
sentirão também tal obrigatoriedade que, sem sentido, impacta na sua relação com
professores assim como na relação com o ensino.

Quando culturas são respeitadas, grupos são respeitados e pessoas são valorizadas.
Quando não são respeitadas, quando um conhecimento é considerado mais importante
que outro, quando os sentimentos, emoções, pensamentos não são acatados,
desmerecendo o outro naquilo que já sabe, o indivíduo se sentirá deslocado assim como
não conseguirá criar novos pensamentos e a individualidade, sempre em formação, será
novamente deixada de lado dentro da escola.

O aprendizado depende de participação e apropriação do espaço, ou seja, de situações


que permitam aos alunos, bem como aos professores, a livre expressão de seus
pensamentos e a intervenção no espaço, onde suas escolhas terão valor e suas opiniões
podem sim influenciar o meio no qual vivem, desde a uma decoração que lhes agrade
até um novo projeto que norteie o ensino. Tais práticas irão mediar o desenvolvimento
do autoconhecimento e o conhecimento do outro, irão permitir a reflexão sobre as
coisas por parte de todos, através do outro, mesmo que tenha um conhecimento
equivocado. Em um espaço composto de maior aceitação, o erro será mais bem aceito,
já que se colocará como uma oportunidade de aprender, já que não há como separar o
envolvimento afetivo e social do aprendizado de conteúdos escolares.

A aprendizagem emocional e social não se desvincula das atividades escolares pois a


disposição do aluno em aprender ou a resistência. Isso demonstra que a socialização
com os diversos grupos que mais lhe influenciam e a própria aquisição do conhecimento,
quando toma para si o que aprendeu mudando pensamentos sobre o mundo, circulam

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tanto por quem é como indivíduo como pelo currículo ao qual tem acesso. Sabendo
disso, projetos podem surgir em vias de permear novos temas e novas avaliações que
flexibilizem melhor os problemas da escola atual, do aprendizado emocional e social que
deve ser promovido. Dentre tais possibilidades as linguagens, das mais diversas
propostas, devem visar melhorar a comunicação entre alunos pode facilitar a resolução
de conflitos e a empatia para compreender-se no lugar do outro.

Conhecer a linguagem do outro, o que quer dizer e porquê, se apresenta como um meio
de conhecer para que se julgue o está sendo comunicado. Rodas de conversa frequentes
em que alunos possam comentar fatos ocorridos, atividades que explorem linguagens
artísticas das mais diferentes, suas impressões e pensamentos, atividades escritas para
expressão de sentimentos, cartas a um amigo para contar o que lhe chamou atenção,
para elogiar ou até para expor uma situação que lhe desagradou, são sugestões práticas
que podem promover autoestima, autoconhecimento e melhor interação com o
outro, desenvolvendo também diversas habilidades, ou ainda, tipos de inteligência.

Usar discussões de caráter moral, imaginando uma situação de risco, quando pensando
em história e geografia, quando pensarmos a formação das cidades, as condições
econômicas de vida, a sociedade capitalista, as histórias de cada núcleo familiar, relatos
sobre opressão e dominação, podem também permitir perceber quão grande é a
dificuldade de consenso. Nas disciplinas referentes ao ensino do raciocínio matemático
abstrato, pensar os problemas práticos que podem resolver, bem como aqueles que não
resolvem para o cidadão, pois tratam de questões econômicas políticas amplas, em
contraste com regionalismos e com nossa tradição folclórica.

Deve se entender o que significa uma fatura de cartão de crédito, o que é o lucro dos
bancos, o que é inflação, como se calculam os impostos, as obras públicas, do que
realmente dependem, no que influenciam a vida do cidadão quando vai ao
supermercado, quando pensa trabalho e qualidade de vida, até poder também pensar
como se dá nossa escolha política, na hora de votamos.

Para artes, o autorretrato é uma sugestão, mas também o olhar mais apurado à
observação do entorno, como já mencionado, do que é regional e proveniente de nosso
folclore, assim entendendo o meio ambiente, as condições climáticas, as diferentes
relações com o mundo atual, o que é a vida na cidade, com questões de moradia, água,
luz, todas as exigências da vida moderna, tratando também as questões de meio
ambiente.

Por fim, falar sobre agressão, sobre ira e autocontrole. Entender o que é a agressividade,
suas vantagens e desvantagens, já que são inerentes ao ser humano, mas que devem
ser pensadas e entendidas, bem como meios de acalmar os ânimos e de se expressar-se
sem agredir o outro devem ser postas em prática, ampliando o que fazemos em artes e
em educação física numa perspectiva para a consciência corporal, para artes dramáticas,
para o esporte, para a criação de jogos e brincadeiras que permitam dominar melhor os
próprios sentimentos.

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Neste ponto de vista, a automotivação e autoconhecimento (como sou?), o


entendimento de como é meu bairro, minha família, e quais são as frases assassinas,
como compreendo expressões (“leitura de pensamento”), tanto de forma lúdica, como
de maneira equilibrada com propostas acadêmicas pode levar a um ensino mais amplo
e interdisciplinar, com foco na formação do cidadão. Também considera aspectos
concernentes ao que é individual e social, até em diferentes formas de lidar com a
rejeição e estimulo à empatia com o rejeitado, para que não haja mais o binômio
inclusão-exclusão, mas sim um grupo heterogêneo, com características semelhantes em
uma coletividade.
Usam sim um espaço coletivo e podem socializar-se de maneira benéfica, mesmo
discordando, prestigiando ao outro naquilo que traz como novidade, um fator de
curiosidade.

Desta forma, aqui propomos que professores e coordenadores entendam o que falta
em suas escolas e que através do diálogo possam pensar projetos sociais que
proporcionem equilíbrio entre quem é o outro e quem sou eu, o entendimento de si e
do mundo, dos conteúdos e de sua interdisciplinaridade. Conforme vamos tratando
estes diversos pontos em cada um dos projetos, pensando a aprendizagem emocional e
social de cada um, vemos que estes podem tratar diversas áreas da ciência, diversas
disciplinas escolares, através de um mesmo tema, que norteia principalmente as
relações entre as pessoas, sejam muitas, sejam poucas, e os problemas que existem
advindas destas mesmas relações. Não existem conceitos mais importantes, nem
conteúdo ou conhecimentos mais relevantes, mas há de se considerar que o foco para
formação do cidadão se baseia na aprendizagem emocional e social, para que através
dela possa se gerar uma melhor compreensão do mundo, em todas as suas
possibilidades.
O trabalho do professor, por vezes tornou-se solitário e, isolado, pouco pode realizar
face a todo um grupo de alunos. Contudo, pensando práticas se autoconhecendo como
adulto que é, em sua relação com o ensino e com os outros grupos influentes na escola,
pode sim reconstruir-se em prol da educação, bem como do trabalho que também lhe
confira prazer, por ser efetivo e eficaz.

Em grupo, professores podem discutir e entender que são diferentes, mas que podem
contribuir uns com os outros ao suscitar perguntas de maneira respeitosa, mas que
permita-nos pensar novas possibilidades. Ao invés de render a própria prática educativa
à repetição sem sentido, ao derrotismo declarado frente à sociedade e ás condições que
se impõem, pode pensar também as possibilidades de mudança, que apenas a partir da
transformação de pensamento pode realizar-se, como as próximas partes do curso visa
explicitar.

Referências Bibliográficas

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ALVES, Edvânia dos Santos. Sentidos e práticas da formação humana na adolescência:


compreendendo um programa de educação emocional para a prevenção da violência.
2015.
Disponível em: repositorio.ufpe.br COLL, Agustí Nicolau. As Culturas não são Disciplinas:
existe o Transcultural?". Educação e Transdisciplinaridade II. São Paulo:
TRIOM/UNESCO, 2002.

HERNÁNDEZ, Fernando. Transgressão e mudança na educação: os projetos de trabalho.


Artmed Editora, 2007.

RGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS PARA A EDUCAÇÃO, A CIÊNCIA E A CULTURA -


UNESCO. Educação: Um tesouro a descobrir: Relatório para a UNESCO da Comissão
Internacional sobre Educação para o século XXI (J. C. Eufrázio, Trad.). São Paulo: Cortez,
Jan, 1998.

Resumo
Na primeira temática do módulo “Porque a aprendizagem social e emocional é tão
importante para os alunos? Vimos que através da influência de família e de amigos, ou
seja, da nossa convivência, que realizamos escolhas de conduta, da mesma maneira que
o afeto também media nossas relações com os professores e com o conteúdo. Outro
ponto importante foi constatar que os coordenadores e demais funcionários da escola
como um todo
São considerados educadores, dada a possibilidade de tornar-se referência no ambiente
escolar, de maneira educativa. O autoconhecimento aparece como processo de
introspecção a partir do que conhecemos do outro e assim a proposta de educação deve
visar instigar o desejos e interesses, ao invés de seguir a tradição do mestre detentor de
todo o conhecimento. Da mesma forma, foi discutida a perspectiva de Émile Durkheim,
quando considera o ser individual e o ser social, a ideia de que ao nos conhecermos e
conhecemos o outro passamos a ter empatia, nos colocamos no seu lugar, adquirindo
maior tolerância e autonomia, por conhecer pontos de vista diferentes e formar o nosso
posicionamento em relação a realidade de maneira ampla.
Vimos também a linguagem como aquisição de discurso, através do que conhecemos do
mundo, como Paulo Freire elucidou: Interpretação do mundo precede a decodificação
de palavras. Assim sendo, tal processo torna-se contínuo interpretação do mundo e da
mudança de mentalidade em vias da autonomia cidadã. As diversas culturas, isto é,
modos de pensar, viver, as diversas experiencias de vida, podem influenciar alunos, e a
escola deve estar aberta, discutindo questões éticas, ou melhor, mencionando que
devemos fazer aos outros aquilo que desejamos para nós mesmos.
Vimos também algumas contribuições do estudo das inteligências múltiplas para a
educação que são tipos de inteligência tais como:

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Aprendizagem Social e Emocional.

• Linguística
• Lógico-matemática
• Espacial
• Musical
• Corporal e sinestésica
• Intrapessoal
• Interpessoal
• Naturalista

Todos possuímos a possibilidade de desenvolver todas, através da prática, mas


normalmente apresentamos maior facilidade a uma ou outra. A escola prioriza o
conhecimento acadêmico, isto é, lógico-matemático e linguístico e nós, professores
devemos fazer questionamentos diários pensando sobre nossa posição como
educadores.
Portanto novas formas de avaliar e propor atividades devem surgir para uma educação
para a tolerância e colaboração, não para a competição. Desta forma o pertencimento
à escola a través de participação em projetos escolares de apropriação do espaço escolar
deve promover a reflexão.
Propostas pedagógicas que melhorem a comunicação dos alunos sobre sentimentos e
pensamentos, que ponham em pauta questões de caráter moral e possibilidade de
resolução de problemas.
Automotivação e autoconhecimento, promoção da autoestima e do entendimento
sobre agressividade, ou ainda modos de lidar com a rejeição, modos de atuar com os
diferentes.
Assim, devemos pensar na Coletividade e em algumas propostas mais voltadas aos
projetos escolares para a formação do cidadão através da interdisciplinaridade, do
conhecimento amplo, profundo e significativo para o aluno.

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