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Núcleo de Estudos

Antigos e Medievais
XXXV Semana de História e
VIII Ciclo Internacional de Estudos Antigos e Medievais
“Narrativas de Poder e Resistências:
Construções e Apropriações do Passado”

Assis, 14 a 17 de outubro de 2019

Apoio/Realização:
Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – UNESP
Faculdade de Ciências e Letras de Assis – FCL
Departamento de História
Programa de Pós-Graduação em História
Pró-Reitoria de Pós-Graduação - PROPEG
Núcleo de Estudos Antigos e Medievais – NEAM
Seção Técnica de Apoio ao Ensino, Pesquisa e Extensão – STAEPE
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo – FAPESP

Comissão Organizadora:
Andrea Lúcia Dorini de Oliveira Carvalho Rossi
Cláudia Valéria Penavel Binato
Germano Miguel Favaro Esteves
Ivan Esperança Rocha
Marcio Teixeira-Bastos
Margarida Maria de Carvalho
Nelson de Paiva Bondioli

Comissão Executiva:
Abner Alexandre Nogueira
Amanda Giacon Parra
Bruna Marcelino da Cruz
Cláudia Trindade de Oliveira
Isadora Buono de Oliveira
Luís Ernesto Barnabé
Milena Tarzia Barbosa da Silva

Comitê Científico:
Andrea Lúcia Dorini de Oliveira Carvalho Rossi
André Figueiredo Rodrigues
Áureo Busetto
Carlos Alberto Sampaio Barbosa
Claudinei Magno Magre Mendes
Eduardo José Afonso
Hélio Rebello Cardoso Júnior
Ivan Esperança Rocha
José Carlos Barreiro
José Luis Bendicho Beired
Lúcia Helena Oliveira Silva
Nelson de Paiva Bondioli
Paulo Cesar Gonçalves
Paulo Henrique Martinez
Ricardo Gião Bortolotti
Ruy de Oliveira Andrade Filho
Tânia Regina de Luca
Wilton Carlos Lima da Silva
Zélia Lopes da Silva

Monitores:
Aline Aparecida Cardoso Araújo
Ana Carolina Picoli Sotocorno
André Luís Belletini
Anna Carolina Gomes dos Santos Silva
Catarina Bomfim Farha
Daniella Theodoro dos Santos
Eduarda Marchi Branco
Fabricio Fazano Amendola
Gabriel da Costa Pereira de Oliveira
Gabriel de Araújo Massari
Isabelle Castilho
João Vinícius de Sousa
José Eduardo Vissoto Rodrigues
Larissa Soares Machado
Laura Morales Borges
Lucas Gabriel Rodriques Uzai
Lucas Nogueira Ramos
Luiza Fratoni Nobile Barreira
Marcello Bartholomeu Mariano de Almeida
Maria Helena Alfenes
Matheus de Freitas Sapatera
Matheus Fernandes de Oliveira
Matheus Magossi Ruiz
Nathalia Frascine Pinto
Ricardo Cesar Gonçalves Sant'Ana Filho
Vanessa Nais Paulon
Programação ...............................................................005
Resumo das Conferências e Mesas-redondas ......009
Simpósios Temáticos ................................................020
Resumo das Comunicações .....................................029
Minicursos ..................................................................102
Credenciamento:
09:00 às 11:00
14:00 às 18:00
Sala de Reuniões do
Departamento de História

Nos demais horários procurar a secretaria do evento.

Simpósios Temáticos:
14:00 às 16:00
16:30 às 18:00

Mesa-redonda:
Humanidades Digitais
20:00-22:00
Anfiteatro Antônio Merisse
João Leopoldo e Silva
(PPGCI-ECA/USP e CEHAL PUC-SP)
Marcio Teixeira-Bastos
(UNESP-Assis/Stanford University)

Minicursos:
08:00 às 09h30

Mesa-redonda:
Narrativas de Poder na Antiguidade Tardia
09:00 às 12:00
Anfiteatro Antônio Merisse
Germano Miguel Favaro Esteves
(UNESP/Assis)
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Helena Amália Papa
(UniMontes)
Margarida Maria de Carvalho
(UNESP/Franca)

Simpósios Temáticos
14:00 às 16:00
16:30 às 18:00

Minicursos:
16:00 às 18:00

Mesa-redonda:
Tradução de Narrativas e Perspectivas Culturais
16:00 às 18:00
Anfiteatro Antônio Merisse
José Amarante Santos Sobrinho
(UFBA)
Milton Marques Júnior
(UFPB)
Mediação: Cláudia Penavel Valéria Binato
(UNESP-Assis)

Conferência:
Ferramentas Google a Serviço de uma Aprendizagem
Significativa
20:00 às 22:00
Anfiteatro Antônio Merisse
Jucinéia Maria Oliveira
(Secretária da Educação de Guaratinguetá/
Bedu.Tech/Google for Education)

Minicursos:
08:00 às 09h30

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Colóquio I:
Narrativas, Memórias e Educação no Medievo
08:00 às 09:45
Anfiteatro Antônio Merisse
Milton Carlos Costa
(UNESP/Assis)
Ronaldo Amaral
(UFMS)

Colóquio II:
Narrativas, Memórias e Educação no Medievo
10:15 às 12:00
Anfiteatro Antônio Merisse
Terezinha Oliveira
(UEM)
Ana Paula Tavares Magalhães Tacconi
(USP)
Mediação: Ruy de Oliveira Andrade Filho
(UNESP-Assis)

Simpósios Temáticos
14:00 às 16:00
16:30 às 18:00

Minicursos:
16:00 às 18:00

Mesa-redonda:
Relações de Poder e Narrativas sobre o Oriente
20:00-22:00
Anfiteatro Antônio Merisse
Fernando Cândido da Silva
(UNESP-Assis)
Ivan Esperança Rocha
(UNESP-Assis)
Vagner Carvalheiro Porto
(USP)

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Minicursos:
08:00 às 09h30

Mesa-Redonda:
Narrativas de Poder e Identidade no Império Romano
09:00 às 12:00
Anfiteatro Antônio Merisse
Profa. Dra. Andrea Lucia Dorini de Oliveira Carvalho Rossi
(UNESP/Assis)
Prof. Dr. Nelson de Paiva Bondioli
(UNESP/Assis)
Dra. Ivana Lopes Teixeira
(FASB)

Simpósios Temáticos
14:00 às 16:00
16:30 às 18:00

Minicursos:
16:00 às 18:00

Mesa-redonda:
Relações de Poder e Narrativas sobre o Oriente
20:00 às 22:00
Anfiteatro Antônio Merisse
Luís Ernesto Barnabé
(UENP)
Fábio Frizzo
(UFTM)
Paulo Pacha
(UFF)

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MESA-REDONDA:
HUMANIDADES DIGITAIS E TECNOLOGIAS
APLICADAS À ARQUEOLOGIA
14/10 – 20:00 às 22:00

Marcio Teixeira-Bastos
(UNESP/Stanford University)

Título: A Ciência das Redes em Arqueologia: Conceitos Básicos e Desenvolvimentos


Futuros.

Resumo: A Ciência das Redes, que abrange as análises de redes complexas (por exemplo,
redes biológicas, redes cognitivas e semânticas, e redes sociais), amparada pelos Sistemas
de Informação Geográfica (SIG), bem como pelos modelos de otimização e design de
redes, propiciam meios de entendermos o passado através de novas abordagens
metodológicas. Não se trata, contudo, de um “passado ressuscitado” ou, simplesmente,
“modulado”; mas, sim, constantemente em relações interconectadas e não acabado. O
conceito de redes não é estranho aos arqueólogos e historiadores; entretanto, uma nova
abordagem sobre o conceito de redes tem emergido no pensamento contemporâneo, uma
que vai além para perguntar: O que realmente são as redes? A definição básica é que não
passa de uma coleção de nós e ligações (nodes and links). Uma vez considerado que uma
rede é o conjunto de nós e ligações, o passo seguinte é perguntar o que são esses nós e
ligações? Os nós ou pontos, seriam entrelaçamentos que assumem um tipo de forma?
Essas formas podem ser edificações? O que mais? Um conjunto de sítios arqueológicos
numa dada região, talvez? E quanto as ligações? Como são estabelecidas? Seriam estas
sobre o uso de particular recurso material, vamos dizer argila? Ou sobre as fronteiras
administrativas de uma dada região? A diversidade de respostas que pode abrigar essas
questões justifica o esforço sistemático de estudo da Ciências das Redes e a sua aplicação
na Arqueologia e Humanidades.

João Leopoldo e Silva


(PPGCI-ECA/USP e CEHAL PUC-SP)

Título: ‘Humanidades Digitais’ sob perspectiva da profissão historiador(a).

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Resumo: A sociedade contemporânea é fortemente influenciada pelo fluxo de dados e
informações trocadas em ambiente virtual. A chegada da internet nos anos 1990 pode ser
compreendida como grande marco de início do momento que vivemos hoje: uma época
de disputas informativas e desinformativas. Ao longo do século XX as ciências humanas
constantemente se preocuparam em utilizar softwares e ferramentas computacionais em
suas pesquisas. A chamada ‘Humanidades Digitais’ (HD) floresceu na Europa e nos EUA
entre as décadas de 1960 e 1970 e tornou-se, hoje, um dos grandes diferenciais para a
entrada de recém-formados no mercado de trabalho acadêmico e formal. No Brasil,
entretanto, ainda são poucas as áreas das ciências humanas que agregam este tipo de
conhecimento em seus currículos, como também dificilmente pesquisadores(as) se
identificam como parte deste círculo. Neste sentido, serão abordadas questões
relacionadas à conceituação da área ‘Humanidades Digitais’, sua história ao longo do
século XX e sua presença nos debates atuais; apresentação de um breve levantamento
sobre o ‘estado da arte’ das HD no Brasil (relato de pesquisa); e, por fim, trazer para a
mesa o debate sobre a profissão ‘historiador(a)’ no século XXI, em especial no Brasil.

MESA-REDONDA:
NARRATIVAS DE PODER
NA ANTIGUIDADE TARDIA
15/10 – 09:00 às 12:00

Germano Miguel Favaro Esteves


(UNESP-Assis)

Título: O mal nos relatos hagiográficos tardo antigos, uma possibilidade de pesquisa: O
caso Visigodo.

Resumo: Ao longo dos primeiros séculos do Cristianismo, desenvolveu-se um


pensamento que, externado por meio da via literária, formou as bases das representações
que foram usadas, discutidas e reformuladas durante o período da Antiguidade Tardia.
Assim, o pensamento a respeito do sagrado e sua percepção, dogmas e o modus vivendi
dos cristãos dos primeiros séculos foram passados de geração em geração até desembocar
em uma formulação mais refinada, desde a Igreja Primitiva e pela patrística, a respeito do
Mal e suas representações. Uma das formulações literárias que nos chama atenção e que
tornou-se foco de diferentes abordagens históricas e historiográficas foi a Hagiografia.
Tratando, mesmo que brevemente sobre os relatos hagiográficos do período, vemos que
estes narram a vida do homem santo, que configura-se como um modelo ideal que
estabelecia o contato entre o céu e a terra e que representava a maior realização do homem
na Idade Média, encarnando, na maioria das vezes, em sua pessoa os sofrimentos de
Cristo ou milagres análogos aos por ele realizados (Imago Christi), com isso obtendo
entre a população um grande sucesso graças a sua eficácia. O Homem santo, figura de
enorme popularidade e importância no período, colocava o seu poder sobrenatural

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mediador a serviço dos homens, em primeiro lugar, dos menos brindados pela sorte, como
doentes e presos, apresentando-se como o homem das mediações bem sucedidas. É
oriundo, na maior parte das vezes, de grupos aristocráticos e proprietários de terras, um
tópico muito comum nas hagiografias do período, e goza de um patrimônio de
conhecimentos e relações que pode colocar utilmente a serviço dos humildes. Tratando
como exemplo a cristianização e conversão do reino visigodo, nosso trabalho tem como
intuito mostrar como o mal se apresenta nos relatos Hagiográficos do reino de Toledo, e
quais são as possibilidades de pesquisa advindas deste tema.

Helena Amália Papa


(UniMontes)

Título: “Levantem-se diante de nós, estes espiões!”: uma análise dos discursos teológicos
de Gregório de Nazianzo (Séc. IV d.C.)

Resumo: Os Discursos Teológicos de Gregório de Nazianzo (325/330-390 d.C.) não


podem ser vistos, ou até mesmo classificados e simplificados, enquanto expositores do
dogma trinitário. Eles são ao mesmo tempo uma resposta ao que Gregório de Nazianzo
considerava como ataques do arianismo anomoiano, ou eunomiano, como ficaram
conhecidos os discípulos do Bispo Eunômio de Cízico, defensor de um tipo específico de
arianismo. Objetivamos, nesta palestra, analisar os discursos teológicos, principalmente
a prédica do discurso 27, a partir de um esforço de interpretação que envolve vários
aspectos dos discursos em si, principalmente, a relação texto-contexto, uma vez que a
compreensão dos meios de produção e prédica dos discursos é de suma importância para
sua análise. Por esse motivo o título desta apresentação aponta uma denúncia: a existência
de espiões arianos entre os ouvintes.

Margarida Carvalho
(UNESP-Franca)

Título: Juliano e seus sentimentos na ação legislativa sobre sepulcros e funerais em


Antioquia (363 d.C).

Resumo: Durante sua estada em Antioquia, entre junho de 362 e março de 363 d.C.,
Juliano teve vários conflitos com os antioquianos. Nessa época, Antioquia já era
conhecida como palco de sedições contra imperadores e demais governantes do Império
Romano. No entanto, o imperador em questão tinha um apreço especial por essa cidade
com status de província. Era rica, geograficamente bem localizada e um verdadeiro
campo de treinamentos militares, tanto é que Juliano foi até lá, também, para se preparar
contra os persas. Tenho como objetivo nessa comunicação analisar os sentimentos de
Juliano que o mobilizaram a criar uma lei – CTh IX 17, 5 – que proibia os antioquianos
de realizarem funerais durante o dia. Essa lei, durante muitas décadas, foi interpretada
somente no campo religioso, fortalecendo a ideia binária: cristianismo x paganismo.
Além de não concordar com esse paradigma, tenho como hipótese que há motivações
emocionais subjacentes à concretização da lei, as quais vão ao encontro do
recrudescimento de suas ações governamentais nesse período. Dessa forma, através da
metodologia proposta pela História das Emoções, cabível na análise da documentação

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julianina, mostrarei a relação existente entre os sentimentos do imperador e a adoção de
sua política austera.

MESA-REDONDA:
TRADUÇÃO DE NARRATIVAS
E PERSPECTIVAS CULTURAIS
15/10 – 16:00 às 18:00

José Amarante Santos Sobrinho


(UFBA)

Título: A Apropriação Cristã dos Mitos Clássicos: Fulgêncio e a Retórica da


Comparação.

Resumo: Partindo de considerações de Quintiliano (inst. 8,3,1) sobre a natureza retórica


das figuras de ornamento e a sua relação com a sua utilidade, o presente trabalho discute
os usos de estruturas comparativas e recursos retóricos fronteiriços em Fulgêncio, um
mitógrafo tardo-antigo do início da Idade Média, especialmente em suas Mitologias,
quando a comparação – para o confronto entre duas realidades – em emergência como
figura retórica, se torna um expediente por excelência a um autor já do período cristão,
que escreve para interpretar o conteúdo mitológico pagão, enquadrando-o a sua nova
realidade.

Milton Marques Júnior


(UFPB)

Título: Percursos da Tradução: Marcial em duplo heptassílabo.

Resumo: O objetivo deste trabalho é mostrar a tradução como um processo, no qual não
se pode deixar de lado o conhecimento do contexto e da estrutura do texto a ser traduzido,
bem como reconhecer os limites que existem no caminho entre o texto de partida e o de
chegada, que nos obrigam a fazer negociações para a escolha dos termos, conforme a
visão de Umberto Eco, em Dire quasi la stessa cosa. Partiremos de um pequeno entrave
tradutório, em Os Miseráveis, de Victor Hugo, como exemplo inicial, para abordarmos
dois epigramas do poeta latino Marcial, que integram o Livro XIII dos epigramas,
conhecido como Xenia. Comentaremos uma particularidade da tradução do epigrama VI.
Alica, e, em seguida, analisaremos o processo de tradução do epigrama XIII. Betae, cujo
ponto culminante é a proposta de uma tradução desse epigrama em versos heptassílabos
duplos.

CONFERÊNCIA:
FERRAMENTAS GOOGLE A SERVIÇO DE

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UMA APRENDIZAGEM SIGNIFICATIVA
15/10 – 20:00 às 22:00

Jucinéia Maria Oliveira


(Secretária da Educação de Guaratinguetá/
Bedu.Tech/Google for Education)

COLÓQUIO:
NARRATIVAS, MEMÓRIA E
EDUCAÇÃO NO MEDIEVO I
16/10 – 08:00 às 09:45

Milton Carlos Costa


(UNESP-Assis)

Título: A renúncia sexual no cristianismo primitivo: a ótica de Peter Brown.

Resumo: Esta exposição busca fazer uma apresentação abrangente da obra clássica de
Peter Brown Corpo e Sociedade: O homem, a mulher e a renúncia sexual no início do
cristianismo. O autor já teve publicada no Brasil sua importante biografia de Santo
Agostinho, sendo reconhecido como um dos mais destacados estudiosos da história
romana, bizantina e da Antiguidade Tardia, campo este último que o historiador
contribuiu de maneira decisiva para consolidar na historiografia. Neste livro que será
objeto da nossa análise, Peter Brown, que se considera um pesquisador da primitiva
Igreja, faz um estudo profundo do cristianismo em seus primórdios, abordando a
permanente renúncia sexual nas sociedades do Ocidente e Oriente, tratando de grandes
temas como a sexualidade, a família, o casamento e o significado deles. Um ponto a
destacar na obra são os minuciosos e reveladores perfis de grandes mestres espirituais
cristãos como São Paulo, Origines, Tertuliano. Peter Brown, ao abordar seu tema central,
a renúncia sexual, na verdade realiza uma história cultural em sentido amplo, de
características inovadoras. Eis como o próprio autor definiu seus objetivos: “Se meu livro
restituir aos homens e mulheres cristãos dos cinco primeiros séculos um pouco da
perturbadora estranheza de suas preocupações mais centrais, considerarei ter atingido
meu propósito ao escrevê-lo”.

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Ronaldo Amaral
(UFMS)

Título: A Cosmovisão simbólica na Idade Média: Filosofia e hermenêutica.

Resumo: Na Idade Média, e tanto em relação às coisas percebidas quanto aos seres que
animava aquele Mundo, tudo o que existia, existia enquanto projeção esmaecida ou por
meio de uma epifania obnubilada com relação a sua verdadeira existência/essência que
se encontrava no além. Modernamente diríamos constituir tal percepção por um conjunto
de símbolos ou alegorias cujo significado último só o encontraríamos perscrutamos a
sensibilidade mais aguda daqueles homens. Esse será nosso intento.

COLÓQUIO
NARRATIVAS, MEMÓRIA E
EDUCAÇÃO NO MEDIEVO II
16/10 – 10:15 às 12:00

Terezinha Oliveira
(UEM)

Título: O caráter educativo das virtudes humanas em Hildegard de Bingen.

Resumo: Nessa exposição analisaremos a relevância das reflexões de Hildegard (1098-


1179) acerca das virtudes, na obra Scivia, para a formação humana, na primeira metade
do século XII. Essa monja benedita, sem dúvida, ocupou lugar de destaque na construção
de um ideário educativo medieval nos âmbitos da história e da filosofia da filosofia da
educação. Ao tratar das sete virtudes, Hildegard explicita as relações sociais que eram
travadas nas nascentes cidades. Esse ambiente novo exigia dos homens não só novos
conhecimentos, mas, fundamentalmente, maneiras diversas de agir na vida comum
urbana. Ainda que reclusa em um mosteiro beneditino, essa figura feminina soube
analisar os problemas que homens estavam vivenciando e indicou caminhos para a
sociedade que principiava a emergir no interior do mundo feudal.

Ana Paula Tavares Magalhães Tacconi


(USP)

Título: Da periferia ao centro: a narrativa franciscana e a construção de São Francisco de


Assis.

Resumo: A construção identitária da Ordem Franciscana implicou, em larga medida, na


elaboração da santidade de Francisco de Assis. Concebidas de forma a contemplar a
especificidade da Ordem e, ao mesmo tempo, reforçar o projeto da própria Cúria romana,
as vitae passaram a ser produzidas precocemente, correspondendo à também precoce
canonização. Se as primeiras narrativas procuravam dar conta da experiência “total” de

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Francisco, os relatos posteriores tenderam a redimensionar os fatos, de forma a enfatizar
sua atuação como líder da Ordem, sua canonização e o destino de suas relíquias –
suprimindo os eventos da “vida” do Francisco laico e burguês. O processo de
desligamento de Francisco dos eventos terrenos vinha a enfatizar um modelo de santidade
frente às heresias e, ao mesmo tempo, reforçava o caráter da Ordem como instituição, e
o vínculo com a ortodoxia eclesiástica.

MESA-REDONDA:
RELAÇÕES DE PODER E
NARRATIVAS NO ORIENTE
16/10 – 20:00 às 22:00

Fernando Cândido da Silva


(UNESP-Assis)

Título: A Nacion de Amsterdam. Política e cultura em Isaac Aboab da Fonseca.

Resumo: A apresentação objetiva contextualizar a vida e a obra do Rabino Isaac Aboab


da Fonseca na Amsterdam do século XVII, em especial, no interior do Judaísmo da
Sinagoga Portuguesa. O primeiro rabino das Américas é conhecido por seus sermões e
traduções, mas também por seu 'Parafrasis Comentado sobre el Pentateuco'. Compreender
a obra a partir de conceitos como "bom judesmo" e "gente política" é o objetivo final da
apresentação.

Ivan Esperança Rocha


(UNESP-Assis)

Título: O cilindro de Ciro: usos e abusos do passado.

Resumo: Serão apresentadas e discutidas questões que envolvem o uso e abuso do


passado a partir da análise da utilização do selo cilíndrico de Ciro, descoberto nas ruínas
de Babilônia, em 1879, e que contém um relato marcadamente ideológico da conquista
de Babilônia por Ciro, o Grande, em 539 a.C., da restauração de templos e cultos
religiosos destruídos por Nabonido, o rei anterior, e da liberdade concedida a grupos
internos e externos anteriormente oprimidos. Trata-se de um relato estereotipado de
ascensão ao poder na antiguidade oriental que se transformou nos últimos anos numa
espécie de "carta de direitos humanos", um conceito bastante estranho aos
contemporâneos de Ciro.

Vagner Carvalheiro Porto


(USP-MAE)

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Título: Conhecendo um pouco mais das relações políticas existentes entre Cesareia
Marítima e Roma a partir das moedas.

Resumo: Herodes, o Grande empreendeu um processo de construção de obras grandiosas


na Judeia. Templos, teatros, hipódromos, ginásios, termas, cidades, fortalezas, fontes
estão entre suas importantes construções. Cesareia Marítima, com seu importante porto,
está inserida neste contexto. A dinastia herodiana procurou continuar a política de boa
amizade com os imperadores romanos e as moedas por eles emitidas são testemunhos
importantes da política empreendida por estes governantes locais frente ao poder
imperial. Nosso principal intuito nesta apresentação é desvelar elementos relevantes
presentes na iconografia das moedas, assim como em suas legendas que revelam os
principais aspectos dessa política.

MESA-REDONDA:
NARRATIVAS DE PODER E
IDENTIDADES NO IMPÉRIO ROMANO
17/10 – 09:00 às 12:00

Andrea Lúcia Dorini de Oliveira Carvalho Rossi


(UNESP-Assis)

Título: A retórica pliniana e as narrativas de poder.

Resumo: O objetivo desta apresentação é analisar a obra de Plínio, o Jovem, no intuito


de identificar o processo de formação retórica. Nas cartas II.14 e VI.6, Plínio faz
referência direta ao seu preceptor, Quintiliano, os ensinamentos da arte da retórica.
Baseado nestes ensinamentos, Plínio, o Jovem apresenta algumas ideias em suas Cartas,
principalmente aquelas encaminhadas a Tácito e outros interlocutores que atuam no
Senado ou em magistraturas. Esta abordagem pretende refletir sobre as relações de poder
e as construções narrativas entre o Senado e os Imperadores.

Nelson de Paiva Bondioli


(UNESP-Assis)

Título: Novas Narrativas sobre Roma Antiga: Visões sobre Identidades e Poder entre
Vampiros e Assassinos.

Resumo: O passado romano é constantemente revisitado, criando-se novos olhares,


novos problemas e diferentes formas de compreendê-lo. Neste estudo, trataremos da
construção de narrativas atuais sobre a Roma Antiga visando, sobretudo, entender de
quais formas o passado Romano é estruturado em recentes releituras possibilitadas pelas

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Cultura Pop, e como estas acabam por definir e difundir na sociedade, frente sua imensa
capilaridade, uma determinada imagem do que significava ser Romano.

Ivana Lopes Teixeira


(FASB)

Título: Arte e Poder no Principado Romano dos Julio-Claudios aos Flávios: Consumo,
Status e Prestígio Social.

Resumo: O objetivo desse texto é analisar a relação entre o poder, as artes e o consumo
no Principado romano dos Julio-Claudios aos Flávios, da perspectiva da retórica pliniana
e da cultura material como bem posicional e simbólico, capaz de conferir status e prestígio
social; e que tem sido debatida por diversos autores como Stewart (2008), Wallace-
Hadrill (2008), Bourdieu (2008), Debord (2007), Baudrillard (2006), Murphy (2004),
Carey (2003), entre outros. Plínio, o Velho, na sua História Natural descreveu inúmeros
artefatos e produtos de luxo, relacionando a posse de determinados bens ou materiais a
determinadas distinções sociais. No final do período republicano e a partir do Principado
romano, o aumento da riqueza e do consumo de artefatos de luxo operaram mudanças
sociais e políticas significativas; nesse contexto, a cultura material se constituiu em um
sistema de signos, além de sua funcionalidade técnica, que comunicava por meio dos
objetos inúmeros valores simbólicos de poder, status e prestígio social. Para Plínio, a
ascensão e enriquecimento dos libertos e a entrada das elites provinciais na corte imperial
impactou as relações entre o poder, as artes e o consumo, conferindo à luxúria um papel
essencial nas desordens políticas, econômicas, sociais e morais do Principado.

MESA-REDONDA
As Narrativas de História Antiga e Medieval
no Ensino e na Construção de Identidades
17/10 – 20:00 às 22:00

Luís Ernesto Barnabé


(UENP)

Título: Aspectos do Ensino de História Antiga em Colégios Brasileiros no Século XIX.

Resumo: A difusão da escolarização na sociedade brasileira principalmente a partir dos


anos de 1830 estimulou a presença da História em aulas ofertadas nos colégios e nas aulas
particulares, motivadas, à princípio, pela exigência enquanto conteúdo dos exames de
preparatórios dos cursos superiores. A partir da criação do Imperial Colégio de Pedro II,
mas principalmente, a partir de 1854, com a reforma de Couto Ferraz, o Estado buscou
normatizar as prescrições de História sempre tendo em vista as os modelos franceses.
Paralelamente, o processo de profissionalização dos historiadores no continente europeu
estimulava a constante revisão do debate historiográfico, e consequentemente, incidia nas
prescrições escolares, de modo que especificamente no que tange à antiguidade, o que se

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verifica é um movimento duplo: a diminuição no espaço destinado ao assunto em
detrimento de uma História mais nacional e voltada à modernidade; e ao mesmo tempo,
tensões provocadas pelas novas maneiras de abordar o período, tais como a inclusão de
conceitos como o de raça e nação, e a desvinculação do relato do Gênesis e da teleologia
cristã. Mediante a este cenário, nossa proposta reside em analisar elementos da circulação
destas Histórias Antigas no Rio de Janeiro no decorrer do século XIX.

Fábio Frizzo
(UFF)

Título: O Ensino de Egito Antigo e a Consciência Histórica Racial no Brasil.

Resumo: O atual cenário da educação no Brasil não é nada animador. Os currículos têm
sido um palco de intensas disputas e se constituem como uma das principais formas de
intervenção estatal no ensino e de controle do trabalho pedagógico. Nas décadas recentes,
foi possível observar um avanço no que tem sido chamado de “descolonização do
currículo”, com a inclusão de novos protagonismos e a crítica ao eurocentrismo do nosso
sistema escolar. A História Antiga (e a História em geral) não fugiu ao debate e, pelo
contrário, tem tido um papel central na construção ou crítica do discurso da sociedade
ocidental, tão aclamado por líderes mundiais de direita. O trabalho a ser apresentado
busca analisar os resultados de uma pesquisa realizada com jovens do sexto ano do Ensino
Fundamental de uma rede municipal pública no estado do Rio de Janeiro. Dentre os
objetivos, tratou-se de observar a consciência histórica dos e das estudantes acerca do
Egito Antigo, com ênfase na africanidade e na questão racial. Tais características
aparecem como elementos centrais para uma descolonização do currículo escolar, que
deve estar a serviço da construção de consciências históricas com o objetivo de uma
orientação da ação social, voltada para a luta contra a desigualdade. Esta é uma das
maneiras possíveis para estabelecer a relevância do ensino de História Antiga no Brasil e
garantir seu papel não apenas na crítica da perspectiva eurocêntrica, mas também na
constituição de identidades que contribuam para a construção de uma educação para
cidadania crítica.

Paulo Pacha
(UFF)

Título: O Ensino de História Medieval na Era Bolsonaro

Resumo: A história medieval é um campo de batalha. A própria emergência de um


período histórico denominado Idade Média representa, de maneira bastante explícita, uma
forma de apropriação do passado. Os contextos sociais e desenvolvimentos
historiográficos posteriores transformaram radicalmente o entendimento do que é a Idade
Média, mas não superaram esse caráter de disputa marcado por apropriações e
reapropriações. Mesmo os mais céticos não podem negar que essas questões voltaram ao
centro do palco da medievalística nas últimas duas décadas. Em 2017, após os eventos de
Charlottesville, Dorothy Kim escreveu um breve texto intitulado “Teaching Medieval
Studies in a Time of White Supremacy”. No texto, Kim argumenta que os medievalistas
não podem mais ignorar a necessidade de um posicionamento claro e ativo em um

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momento no qual os estudos medievais estão sendo apropriados globalmente por grupos
conservadores (principalmente supremacistas brancos). Segundo Kim, esse processo não
é novo, mas vincula-se diretamente a própria história da medievalística, indelevelmente
marcada por apropriações e reapropriações conservadoras. Um caso importante do
avanço global de movimentos conservadores na última década é o Brasil. Nos últimos
anos, a ascensão da extrema-direita brasileira revelou uma importante concepção
historiográfica: marcada por uma forte identificação do Brasil como herdeiro de uma
suposta “Civilização Ocidental”, essa concepção historiográfica concede lugar de
destaque à história da Idade Média Europeia, valorizando-a como um espaço-tempo que
aparece como essencialmente branco, masculino e cristão. Reconhecer que essa versão
da Idade Média Europeia é flagrantemente falsa não é suficiente para impedir a
proliferação de mitos de falsificações sobre o período. No Brasil de 2019, em plena Era
Bolsonaro, ensinar História Medieval demanda o engajamento com essas questões e,
urgentemente, uma profunda discussão sobre a relevância e os usos da história medieval.
Esse trabalho pretende analisar elementos da formação de uma consciência histórica
sobre a Idade Média no Brasil e suas relações com apropriações conservadoras desse
espaço-tempo. Ao final, apresentaremos algumas indicações sobre o papel essencial do
Ensino de História em meio a essa disputa: tanto como forma de contrapor e desconstruir
falsificações e mitos sobre a Idade Média quanto como processo de promoção e
reconhecimento desse período histórico como fundamentalmente diverso em termos de
religiões, classes, etnias e gêneros.

19
SIMPÓSIO TEMÁTICO 02
HISTÓRIA E MEMÓRIA

Eduardo José Afonso


(Departamento de História da UNESP/Assis)

O intuito primeiro desta sessão é o de abrir espaço para a discussão relativa às


questões que envolvam História e Memória. Pretende-se que este seminário temático seja,
igualmente, um fórum, onde alunos da graduação, pós-graduação e pesquisadores do tema
apresentem e discutam seus trabalhos de pesquisa. Os focos de atenção podem ser vários,
desde trabalhos com história oral, análise do discurso na história da fotografia e do cinema
e questões relacionadas ao campo teórico-metodológico que envolvam o tema e afins.

SIMPÓSIO TEMÁTICO 03
UM CENÁRIO TRANSACIONAL DA TEORIA DA HISTÓRIA
E DA HISTÓRIA DA HISTORIOGRAFIA ATUAIS

Hélio Rebello Jr
(Departamento de História da UNESP-Assis)
Pedro Ragusa
(professor UEPG)
Thiago G. Belieiro
(professor UNOESTE)

Os pesquisadores que precisam encarar problemas teóricos se situam a partir de


três vertentes em separado ou (em diversões graus) combinadas: o realismo histórico; o
narrativismo. Este posicionamento é sempre fonte de desafio do ponto de vista das
hipóteses e dos métodos que amparam um trabalho histórico. Recentes avaliações do
cenário atual da teoria da história dão conta de que o estabelecido narrativismo formado
por diferentes linhagens cruzadas (filosofia analítica, pós-estruturalismo, e teoria da
literatura) desde os anos setenta e oitenta, recua. Enquanto isso, a partir dos anos 2000
um difuso “estágio pós-narrativista” vem se tornando perceptível. A era emergente
apresenta duas tendências epistemológicas a partir várias orientações. A primeira
tendência pós-narativista, principalmente baseada na filosofia continental, toma “a forma
da intenção partilhada de reconciliar experiência e linguagem através uma ideia renovada
de representação histórica de maneira que, embora se contraponha ao narrativismo
negando a absoluta incompatibilidade entre linguagem e experiência, leva a sério o insight
narrativista acerca da força constitutiva da linguagem.” A segunda tendência retoma
antigas “questões de epistemologia” inspiradas pela filosofia analítica e rejeita o
representacionalismo narrativista da primeira tendência, adotando em contrapartida um
“não-representacionalismo” e defendendo “que textos históricos são resultantes de certas
práticas historiográficas.”

20
SIMPÓSIO TEMÁTICO 05
MUNDOS COLONIAIS, 1492-1822

André Figueiredo Rodrigues


(Departamento de História da UNESP/Assis)

O objetivo de nossa Sessão de Trabalho é reunir e dinamizar profícuo debate sobre


os impérios ibéricos, na Idade Moderna, em suas diversas conexões na Europa, América,
África e Ásia, e, para tanto, serão aceitas propostas que discutam assuntos como: governo,
política, cultura, identidades, povos, religião, poder, historiografia, escravidão, tráfico,
comércio e economia, no período de 1492 (ano da descoberta oficial da América) e 1822
(data de nossa Independência política).

SIMPÓSIO TEMÁTICO 06
ESTADO E NAÇÃO NO BRASIL:
EXPERIÊNCIA E SINGULARIDADE

José Carlos Barreiro


(Departamento de História da UNESP/Assis)

O tema em pauta é parte constitutiva de um projeto coletivo maior que vem sendo
desenvolvido pelo Grupo de Estudos e Pesquisas Interdisciplinares sobre Cultura, Política
e Sociabilidade. O referido grupo, cuja existência com certificação do CNPq data de
março de 2005, funciona desde sua fundação sob minha própria liderança e da Profa.
Tânia Regina de Luca. Receberemos propostas de comunicação sobre as diversas formas
de expressão do imaginário das elites e das camadas populares como elementos
importantes da construção do Estado-Nação no Brasil desde os primeiros conflitos
registrados entre colônia e metrópole ao longo do século XVII até a crise do Império e a
Proclamação da República.

SIMPÓSIO TEMÁTICO 07
IDENTIDADES, MEMÓRIA E
REPRESENTAÇÕES NO BRASIL REPUBLICANO

Zélia Lopes da Silva


(UNESP/Assis)

Esta Sessão de trabalho se propõe a discutir pesquisas que versem sobre


“identidades, memória e representações” de homens e mulheres, a partir de experiências
diversificadas, ao longo do período republicano brasileiro. O debate deverá enfatizar as
vivências desses sujeitos, expressas em manifestações diversas que conformam as suas
relações sociais, cujos valores aparecem em suas práticas culturais e em suas
representações, realimentadas em seus rituais, festas e lutas políticas diversas. Essas
vivências aparecem expressas em fontes variadas, inclusive aquelas produzidas pelo
pesquisador. Deste modo, ao buscar na trajetória destes agentes históricos a realização de
sonhos e desejos na organização de suas vidas, também desvelam elementos de

21
subjetividades presentes em seu discurso, que sinaliza para trajetórias não lineares de
vida.
SIMPÓSIO TEMÁTICO 08
INTERSECÇÕES ENTRE MÍDIAS IMPRESSAS,
SONORAS E AUDIOVISUAIS NA PESQUISA
E NO ENSINO DE HISTÓRIA

Áureo Busetto
(Departamento de História da UNESP/Assis)
Paulo Gustavo da Encarnação
(Pós-Doutorando PUC-SP, bolsista PNPD/Capes)

A atividade espera reunir comunicações de pesquisa que promovam debate e


reflexões, tanto em termos teórico-metodológicos quanto historiográficos, acerca da
pesquisa histórica ocupada com as interfaces entre as mídias impressas (jornais, revistas,
HQ), sonoras (rádio e fonografia) e audiovisuais (cinema e TV), além da convergência
delas na internet e aplicativos diversos, bem como sobre usos e experiências com mídias
e suas interseções no ensino de História.

SIMPÓSIO TEMÁTICO 09
HISTÓRIA DA ÁFRICA, AFROBRASILEIRA
E INTERLOCUÇÕES

Lúcia Helena Oliveira Silva


(Departamento de História da UNESP/Assis)

Esta sessão objetiva agregar as comunicações de pesquisas sobre a história social


da escravidão, do período pós-emancipação, colonialismo e as relações com gênero e
educação em especial no que tange a Lei 10639/03 atual 11645/08.

SIMPÓSIO TEMÁTICO 10
A HISTÓRIA DAS AMÉRICAS:
DEBATES, VERTENTES E PERSCTIVAS

Carlos Alberto Sampaio Barbosa


(Departamento de História da UNESP/Assis)
José Luis Bendicho Beired
(Departamento de História da UNESP/Assis)

A sessão de trabalho reunirá pesquisas realizadas em torno do processo histórico


dos países americanos, principalmente do período independente. O campo de pesquisa da
História da América tem despertado muito interesse no Brasil, mediante o estudo de
temáticas variadas que vão da história política à historia cultural, da história social à
econômica, em permanente diálogo com as tendências internacionais do debate
historiográfico. A multiplicidade de objetos, abordagens e problemas tem sido uma marca
da historiografia das Américas dos últimos anos a ser contemplada nesta sessão de
trabalho, assim como as perspectivas de desenvolvimento da área. Como temáticas de
interesse desta sessão destacamos o processo politico, a produção cultural, a imprensa, as
22
correntes ideológicas, os movimentos sociais, o imaginário e as relações econômicas e
internacionais.

SIMPÓSIO TEMÁTICO 11
FONTES HISTÓRICAS NO ENSINO DE HISTÓRIA
COMO MEIO DE APRENDIZAGEM:
UM DESAFIO AO PROFESSOR-PESQUISADOR

Ronaldo Cardoso Alves


(Departamento de História da UNESP/Assis)

O Simpósio tem como objetivo acolher propostas de trabalho que discutam a


aprendizagem histórica por meio do trabalho com fontes históricas em sala de aula,
mediada pela relação entre Teoria da História e Ensino de História. A Didática da História
contemporânea tem refletido acerca da ação do professor-pesquisador, pois para ela não
há dissociação entre pesquisa e docência. Aos futuros e atuais professores de História,
portanto, se reserva o desafio de desenvolver atividades que permitam aos alunos a
aprendizagem da História por meio da análise da diversidade de fontes (escritas,
imagéticas, sonoras, audiovisuais, materiais, entre outras), pois é nessa ação didática,
mediada pela racionalidade histórica, que reside a função de promover o embate com a
produção cultural, historicamente concebida, a fim de criar possibilidades de reflexão.
Nessa perspectiva, a aprendizagem histórica ocorre por meio de um processo de
construção cognitiva que combina a seleção de informações acerca da experiência no
tempo, o exercício hermenêutico a respeito dessa experiência e, finalmente, a criação de
perspectivas de orientação temporal para a práxis de vida. Em suma, o ST apresenta a
seguinte questão: como o trabalho com a diversidade tipológica documental no Ensino de
História, na perspectiva do professor-pesquisador, possibilita a formação do pensamento
histórico dos estudantes de forma que possam, conscientemente, enfrentar os desafios de
seu tempo?

SIMPÓSIO TEMÁTICO 12
MEIO AMBIENTE E PATRIMÔNIO:
PESQUISA E ENSINO

Paulo Henrique Martinez


(Departamento de História da UNESP/Assis)
Cassia Natanie Peguim
(Doutoranda – PPG História/UNESP Assis)

Estudos de políticas públicas e de estratégias institucionais de pesquisa,


preservação e difusão do patrimônio natural e cultural, crescentemente articulados, a
partir de 1992, por exemplo, nas noções de Paisagem Cultural e de Humanidades
Ambientais. O conhecimento das políticas públicas, estratégias institucionais e práticas
inovadoras de cooperação e de sustentabilidade é elucidativo na compreensão da ação do
Estado na gestão ambiental e cultural, da participação do setor público na economia, da
constante necessidade de promoção da integração e da coesão social, do papel da
diversidade biológica e cultural e das instituições de patrimônio diante de aceleradas
mudanças sociais neste século. Igualmente dinâmicos são os processos de transformação

23
agroecológica de territórios e a industrialização, amparados na modernização tecnológica.
A produção do espaço econômico e a construção da memória social adquirem dimensões
investigativas para compreender semelhanças e diferenças nas mudanças sociais em
curso, desde a década de 1990, em escala internacional, nacional e local. A reflexão sobre
ações patrimoniais, educação patrimonial, fontes de pesquisa como legislação, visitas
técnicas, publicações institucionais, exposições museológicas, guias de viagens, mapas,
jornais, revistas e bibliografia de interesse histórico – livros de memórias, relatos de
viagem, reportagens e entrevistas, obras de divulgação científica e cultural – e da
historiografia internacional e brasileira completam o leque de interesses aqui reunidos.

SIMPÓSIO TEMÁTICO 13
RECONSTRUÇÃO/REVISÃO DO PASSADO:
ESCRITAS MEMORIALISTAS DE AUTORIA FEMININA

Cátia Inês Negrão Berlini de Andrade


(Departamento de Letras Modernas da UNESP/Assis)
Juliane Luzia Camargo
(Doutoranda em Letras pela UNESP/Assis)

A produção literária de autoria feminina, como é de conhecimento geral, tem sido


negligenciada ao longo dos anos, vários são os estudos que comprovam o silenciamento
de vozes femininas tanto no âmbito cultural e histórico como no âmbito literário.
Constata-se, dessa maneira, que “as mulheres, mesmo que tenham lutado com heroísmo
ou escrito brilhantemente, foram eliminadas ou apresentadas como casos excepcionais”
(LEMAIRE, 1994, p.58). Assim, em virtude dessas questões, o presente Simpósio tem
por intuito abordar, refletir e discutir sobre escritas memorialísticas de autoria feminina
levando em consideração a importância dessas narrativas para a reconstrução/revisão do
passado histórico e da memória coletiva a partir das memórias individuais. Muitas são as
escritoras que se debruçaram sobre suas lembranças e ao narrarem suas histórias pessoais
teceram, concomitantemente, um panorama histórico-político e cultural de suas épocas.
Desse modo, serão aceitas propostas de apresentação de trabalho que abordem, de um
modo geral, escritas memorialistas em suas variadas modalidades como autobiografias,
memórias, diários, etc.

SIMPÓSIO TEMÁTICO 14
ANTIGUIDADE ORIENTAL: POLÍTICA,
RELIGIÃO E CULTURA E SUAS INTERFACES
COM A ANTIGUIDADE CLÁSSICA

Ivan Esperança Rocha


(Departamento de História da UNESP/Assis)

Este Seminário Temático acolhe pesquisas de Antiguidade oriental e suas


interfaces com a Antiguidade Clássica, desenvolvidas em nível de graduação e pós-
graduação. O acesso cada vez mais difuso a fontes e bases de dados disponibilizadas por
Universidades, Centros de Pesquisa, Bibliotecas, Arquivos e outras fontes de informação
tem promovido uma ampliação das possibilidades de pesquisa em História Antiga no
Brasil não apenas no âmbito dos estudos clássicos, mas também dos estudos orientais.

24
Além disso, contínuas descobertas arqueológicas conduzidas no Oriente trazem novas
informações que ampliam, enriquecem, diversificam e até mesmo modificam o
conhecimento historiográfico sobre o Antigo Oriente e suas relações com o Mediterrâneo
Antigo. Serão privilegiadas as abordagens sintonizadas como o tema do evento -
“Narrativas de poder e resistências: construções e apropriações do passado”, mas serão
bem-vindas pesquisas com outras perspectivas de análise.

SIMPÓSIO TEMÁTICO 15
CONSTRUÇÕES E APROPRIAÇÕES DE ESPAÇOS
SAGRADOS NO ANTIGO ORIENTE-PRÓXIMO

João Batista Ribeiro Santos


(Prof. Dr. da Universidade Metodista de São Paulo)

Este Simpósio Temático tem por proposta trazer ao debate as abordagens


científicas acerca dos espaços sagrados no antigo Oriente-Próximo, em suas várias
temáticas específicas, mapografias regionais e memórias culturais. Pretende-se dialogar
especialmente a materialidade dos campos religiosos, os panteões e a parafernália cúltica;
regionalmente, no Levante, Mesopotâmia ou Anatólia, entre os períodos arqueológicos
da Idade do Bronze à Idade do Ferro. Com isso, possibilitar-se-á apresentar um quadro
transdisciplinar do desenvolvimento da identidade religiosa em torno das definições,
identificação de fontes, percepção do espaço e suas representações. Assim, como dito,
propõe-se o debate acadêmico. Se tomarmos a noção de espaço, está claro que
significados metafóricos de todos os tipos podem se emaranhar, vindo de diferentes
domínios, que é um conceito em torno do qual abordagens podem ser combinadas,
diversificadas, caindo tanto na história das religiões como na antropologia ou
arqueologia, e orientada tanto para a análise espacial, especialmente em relação à noção
de território, quanto à percepção das suas representações materiais, resultado das
interações culturais. O espaço sagrado está associado tanto a um mérito quanto a uma
ação particular, ligado a divindades, dinastias e às práticas divinatórias; ao deter um alto
valor simbólico, transforma-se em lugar de memória e, portanto, centro de veneração e
de atividade econômica. Tendo considerado o amplo domínio em que pode-se situar as
pesquisas sobre o espaço sagrado, este Simpósio Temático busca dialogar
perspectivamente com a produção científica a ele vinculada, em lugar e período
específicos.

SIMPÓSIO TEMÁTICO 16
DIÁLOGOS ENTRE A FILOSOFIA
E A HISTÓRIA NA ANTIGUIDADE

Milena Tarzia Barbosa da Silva


(Doutoranda – PPG História da UNESP/Assis)
Rafael Virgílio de Carvalho
(Doutor – UNESP/Assis)

Este simpósio temático tem por intento coligar pesquisadores (e suas trajetórias)
das áreas da Filosofia e da História que, de forma livre, ampla e dialógica, se debrucem
sobre o estudo e o enfrentamento de diferentes narrativas e fontes históricas

25
(iconográficas, literárias, filosóficas, jurídicas, etc.), nos períodos da Antiguidade clássica
e tardia. O anseio é trazer à tona análises e experiências diversificadas, que envolvam as
relações entre estes dois campos do saber que, ao se constituírem, reivindicam seus
espaços, abordagens e referenciais próprios, mas também suas interfaces. No mais, o
simpósio visa à problematização dos usos do passado, das formas e funções do
conhecimento filosófico e histórico, suas produções, bem como os recentes debates e
reflexões teórico-metodológicas que se apresentem sobre tais interlocuções. Novos
objetos e novos modos de investigação acerca dos processos histórico-filosóficos na
Antiguidade serão bem-vindos, além de eventuais revisões bibliográficas. A temática se
justifica exatamente pelo caráter multidisciplinar que suscita, permitindo, pois, o diálogo
não só entre pesquisadores, mas entre a pluralidade de pesquisas.

SIMPÓSIOS TEMÁTICOS 17
RELAÇÕES POLÍTICAS E PRÁTICAS RELIGIOSAS
NA ANTIGUIDADE CLÁSSICA E TARDIA

Nathany Andrea Wagenheimer Belmaia


(Doutoranda – UFPR)
Cesar Luiz Jerce da Costa Junior
(Doutorando – UFPR)

A proposta deste Simpósio Temático é viabilizar o diálogo de trabalhos que tratem


de temáticas relacionadas à Política ou Religião (tanto as formas institucionalizadas
quanto as demais crenças e práticas) no período da Antiguidade Clássica até a
Antiguidade Tardia (ca. VIII d.C., período de rupturas, mas também de permanências,
que alongaram as estruturas da Antiguidade em âmbito sócio-político e cultural). Política,
obra de Aristóteles (que trata das formas de organização de governo nas poleis gregas),
deu maior projeção ao uso deste termo, que veio do grego politikós, referindo-se às
atividades civis ou públicas que se relacionam direta ou indiretamente com o Estado.
Contudo, no mundo antigo essa esfera não se constituía num ambiente autárquico,
podendo mesclar-se ao sagrado (relacionado às crenças e religiosidades), sem com isso
criar um espaço dicotômico e excludente entre sagrado e profano (cotidiano que não
pertence ao âmbito sagrado). A noção moderna de Estado laico é estranha ao contexto da
cosmologia antiga, que estabeleceu firme elo entre a felicidade cidadã (eudaimonia
enquanto finalidade das ações políticas) e o devido respeito à divindade. Na Roma Antiga,
por exemplo, o culto aos deuses estava intimamente relacionado aos assuntos políticos,
já que se acreditava que a estabilidade de um Estado estava repousada sobre como as
pessoas honravam os seus deuses e participavam dos rituais. Logo, o Estado romano
prestava grandes cultos a diversos deuses (Minerva, Júpiter etc.), para os quais eram
realizados festivais, jogos, sacrifícios e outras cerimônias. Ao mesmo tempo, abundavam
concepções racionalizantes acerca da inter-relação entre a Providência e a ordem política
humana, particularmente entre epicuristas e estoicos. Vê-se, com isso, que o âmbito das
crenças religiosas e da política tem fronteiras tênues e estavam intimamente interligados
nesse contexto. Em grande medida, o cristianismo prolongou essa estrutura na
Antiguidade Tardia ocidental quando Teodósio adotou essa religião para o Estado. Em
vista dessas questões, o objetivo deste Simpósio Temático é explorar, de forma aberta e
plural, temáticas e discussões de trabalhos vinculados tanto à Política quanto à Religião,
no contexto da Antiguidade Clássica e Tardo-Antiga.

26
SIMPÓSIOS TEMÁTICOS 18
A HISTÓRIA DE GÊNERO NOS ESTUDOS DA
ANTIGUIDADE CLÁSSICA (Sécs. VIII-IV a.C.)

Bárbara Alexandre Aniceto


(Doutoranda CAPES – UNESP/Franca)

Nos últimos anos, as pesquisas nacionais e internacionais sobre a Antiguidade


Clássica têm assistido à incorporação do gênero como um suporte teórico fundamental na
investigação histórica. Por tratar-se de um tema amplo, que congrega análises
relacionadas à História Cultural e às trocas políticas, econômicas e sociais tecidas em
determinada época histórica, o gênero abarca também os conceitos de sexualidade e de
amor em seu escopo analítico. Este Simpósio Temático tem como proposta reunir
trabalhos que reflitam sobre a realidade grega antiga – em suas mais variadas formas -
em consonância com o gênero, a partir da documentação textual, material e imagética. A
proposta consiste, assim, em proporcionar um espaço de discussão aos estudos que nos
apresentem inquietações relacionadas às trocas sexuais e afetivas, às construções de
feminilidade e masculinidade e às relações de poder balizadas pelo gênero nos períodos
gregos abarcados (do século VIII ao IV a.C.). O recorte temporal é também amplo, pois
entende-se que há uma pluralidade documental significativa que pode ser apresentada e
debatida.

SIMPÓSIOS TEMÁTICOS 19
AS RELAÇÕES ENTRE HISTÓRIA, LITERATURA
E ARTES NA IDADE MÉDIA:
A EXPRESSÃO DO PODER, IMAGINÁRIO E RESISTÊNCIA
POR MEIO DA CULTURA ARTÍSTICA.

Alex Rogério Silva


(Doutorando – PPGLit da UFSCar)
Carlos Henrique Durlo
(Doutorando – PLE/UEM-PR)

O Simpósio Temático visa aprofundar a discussão sobre as relações entre a


História, a Literatura e as manifestações artísticas na Idade Média, tendo como foco o
registro das fontes verbais (textos escritos/manuscritos) e/ou visuais (iluminuras,
miniaturas, pinturas). Desejamos refletir acerca da importância de se analisar
historicamente o período medieval por meio dos registros literários e artísticos no intuito
de compreender as relações sociais, os movimentos, a religiosidade e o imaginário que
tornou possível a criação e divulgação das expressões artísticas medievais, como as
cantigas, novelas de cavalaria, crônicas, iluminuras, miniaturas. Além disso, relacionado
ao tema central do evento, também propomos uma discussão acerca das narrativas de
poder e resistências que propiciam uma discussão das construções e apropriações do
passado, levando em consideração os projetos ideológicos, políticos, sociais e culturais
que as obras artísticas medievais, por meio dos registros em fonte, permitem-nos
conhecer. A partir do exposto, tendo como critério a proximidade temática, abrangeremos
trabalhos das áreas de História, Letras, Artes e afins, de maneira a aprofundar as
discussões, em caráter interdisciplinar, sobre os estudos medievais no Brasil. Ao
propormos o ST As relações entre História, Literatura e Artes na Idade Média: a

27
expressão do poder, imaginário e resistência por meio da cultura artística, objetivamos
contrapor o senso comum de que a Idade Média foi um período de barbárie,
obscurantismo, intolerância, de pouca ou nenhuma produção artística e cultural e de
desorganização política. Contrapondo-se ao senso comum, entendemos que o medievo é,
sem dúvidas, um período de grande expansão social, cultural e religiosa, sendo a
Literatura e as Artes, fontes potencialmente ricas para a história, oferecendo instigantes
informações, levantando dados, ideias e perspectivas, que, por vezes, foram
menosprezados ao longo da História.

SIMPÓSIOS TEMÁTICOS 20
IMAGINÁRIO, CULTURA E REPRESENTAÇÕES
NA ANTIGUIDADE TARDIA E NO MEDIEVO

Germano Miguel Favaro Esteves


(Doutor – UNESP/Assis)
Ronaldo Amaral
(Doutor – UFMS)

O objetivo desse Simpósio Temático é propor uma discussão sobre o imaginário,


a cultura e as representações referentes à Antiguidade Tardia e ao Medievo nos diversos
tipos de fontes: literárias, históricas, iconográficas etc. Desejamos, com o simpósio,
aprofundar os estudos que versam sobre tais questões, do ponto de vista teórico,
metodológico e historiográfico.

28
Coordenação:
Eduardo José Afonso (UNESP/Assis)

Assiria Toledo do Amaral

A história da música popular brasileira mesmo antes de se tornar objeto da


pesquisa acadêmica já ocupava um espaço bastante significativo na prática do jornalismo
e da crítica musical, e alguns dos jornalistas e críticos musicais que atuaram a partir da
segunda metade do século XX produziram, para além de seus artigos jornalísticos, uma
significativa bibliografia sobre personagens, instituições, ritmos, períodos, movimentos e
outras manifestações da indústria cultural e do campo musical em particular. No interior
desta produção chama a atenção as produções de natureza biográfica e autobiográfica,
sendo que a escrita de si, através do memorialismo, desempenha um papel relevante na
afirmação de uma memória da música popular brasileira. Entre 1960 e 1990 a música
brasileira estava inserida em um amplo processo de modernização do país, com a
ampliação da industrialização, maior urbanização e consolidação de um mercado
consumidor, ao mesmo tempo em que o cenário político apresentava o desdobramento do
autoritarismo e da redemocratização, José Eduardo Homem de Mello (1933-) -
musicólogo e jornalista brasileiro - consolidou-se como um dos mais importantes
produtores, crítico e estudioso da música popular brasileira no período em questão.
Ademais, é o autor de oito livros sobre a música popular brasileira, sendo que dois são de
clara natureza memorialística, Música nas veias: memórias e ensaios (2007) e Música
com Z (2014), ambos publicados pela Editora 34, de São Paulo. Tais narrativas lítero-
musicais apresentam histórias e trajetórias de personagens de diferentes gerações,
gêneros, raças e classes sociais, que atuaram enquanto músicos, intérpretes, compositores
e produtores culturais no interior de uma tradição musical urbana que se consolidava
enquanto nacional. Desfilam, nessas memórias e biografias, relatos cotidianos, anedotas
e/ou eventos trágicos que formam um cenário de constituição dos gêneros artístico-
musicais em diferentes ambientes culturais. Não se trata, portanto, de uma abordagem
sobre a Música Popular Brasileira em si, mas a respeito de uma memória dessa
manifestação cultural, a partir de fontes específicas, material jornalístico e bibliográfico.
Assim, embora inevitavelmente conceitos centrais do campo historiográfico da Música
Popular no Brasil, como a relação entre Nacional e o Popular, Linha Evolutiva, Invenção
de Tradição, Autenticidade, Resistência Cultural, entre outros, possam referenciar as
leituras do material documental e bibliográfico, maiores problematizações derivadas de
tais ideias transcendem o objetivo do presente trabalho, que se concentra em discutir
como tais fontes permitiriam traçar as relações entre Vida e Obra, Trajetória de Vida,
Narrativa de Vida, Fato e Ficção, Disputas de Memória, Memória Coletiva e Memória
Individual, entre outros pontos.

29
Bruno Dias Santos

Desde os primeiros anos de redemocratização observa-se que a historiografia


sobre o regime autoritário brasileiro (1964-1985) constatou uma feroz disputa pelo
monopólio da memória; inicialmente, essa querela se dividiu em dois polos: os militantes
de esquerda e os militares, no entanto, já se avalia que essa batalha se estende ao interior
desses grupos, por não serem monolíticos. Dessa forma, as cartas de frei Betto são
tomadas como fonte/objeto deste trabalho, por ser o autor uma das mais importantes
referências na construção de uma memória coletiva sobre o período. O objetivo é
compreender o trabalho de edificação do projeto memorialístico do frade dominicano
sobre a ditadura civil-militar no Brasil, de maneira a ressaltar como ele foi utilizado no
posicionamento assumido pelo autor diante dos conflitos que marcaram seu contexto,
seus critérios de seleção do que deveria ser lembrado e as fusões sociais que essa narrativa
deveria exercer. Pretende-se analisar as estratégias discursivas desenvolvidas pelo
escritor para reivindicar o estatuto de verdade à sua narrativa sobre o período em questão.
Reafirmando e contestando, dessa forma, determinadas interpretações dos fatos
consagradas na literatura memorialística sobre o período.

Davi Ortiz Paludetto

Palmital, uma pequena cidade do interior paulista, localizada há mais de 400 km


da capital, possui uma obra de Ruy Ohtake. Formado pela USP-FAL, o emblemático
Arquiteto deixou suas marcas na interiorana cidade com a construção do Centro Cultural
Cunha Bueno. A obra apresenta características de seu estilo futurista e único, atraindo a
atenção de pessoas, eventos e exposições. A ideia da construção do Centro Cultural de
Palmital surgiu com a formação do Conselho Municipal de Cultura de Palmital, na gestão
do então Prefeito Elloy Atanes, tendo em vista a necessidade de se trazer cultura para a
pequena e interiorana cidade. Na época, o palmitalense Antônio Henrique Cunha Bueno,
filho do influente politico Cunha Bueno, era Secretário da Cultura do Estado de São
Paulo. Assim sendo, a proposta foi a ele encaminhada como uma homenagem a seu pai,
Cunha Bueno, político de influência nacional, que daria nome ao Centro Cultural de
Palmital. A proposta foi aceita e encaminhada para o amigo particular de Antônio
Henrique Cunha Bueno, o Arquiteto Ruy Ohtake. O projeto foi elaborado: uma sala de
dança, um anfiteatro, um salão de exposições e uma biblioteca que, inicialmente, era uma
sala de música. O terreno foi cedido pela Prefeitura Municipal, no Bairro Jardim das
Flores e a obra foi financiada pelo Estado de São Paulo. No ano de 1983, a edificação
começou a ser construída, sendo inaugurada no ano seguinte. Sua beleza arquitetônica
podia ser constatada nas paredes de vidro, no telhado em estilo mediterrâneo e nas brises
pintadas em cores primárias, representando um pôr do sol. Em consequência dessa beleza,
a obra marca presença no livro lançado pelo instituto Tomie Ohtake, aparecendo junto à
várias obras do arquiteto. Na década de noventa, Palmital também entrou para o Mapa
Cultural Paulista, sendo, inclusive, sede do evento, e viveu seu apogeu cultural. O espaço
viabilizou o florescimento da cultura local. Foi o berço da Escola de Samba Unidos do
São José, com o projeto da prefeitura Super Férias, em 1992. No local, existiam Oficinas
30
de Artes Plásticas, com direito a exposições no final dos cursos; Escola de Dança;
Capoeira; entre outros projetos. Entre tantas manifestações culturais, destaca-se a Escola
de Teatro da Professora Liliane Bergamaschi, artista e escritora de peças. Sua influência
cultural foi tão importante, que o Prefeito Reinaldo Custódio da Silva prestou-lhe grande
uma homenagem dando seu nome a uma praça que mandou construir para ser o endereço
do Centro Cultural de Palmital. Atualmente, o espaço não vive os anos áureos da década
de 90 e a construção foi modificada em alguns aspectos. Todavia, o local ainda é um
espaço de convívio e de cultura, sediando grande parte dos eventos realizados na cidade.
Lá ainda há aulas de Capoeira, aulas de Teatro e eventos musicais, como o Rock
Caramujo e Batalhas de Rap da Concha. O espaço consagrou-se como um marco e um
destaque da pequena cidade pelo estilo marcante do grande Arquiteto paulista Ruy
Ohtake. Sua importância atrai a atenção de estudantes, que se inspiram nos traços
marcantes da obra, que pode ser vista como uma relíquia do interior, essencial para o
desenvolvimento da cultura local.

Ingrid Mancilha Cesar

Diante do cenário da Ditadura Civil-Militar no Brasil (1964-1985), destaca-se o


período da censura e repressão como instrumento de controle. Nesse sentido, como forma
de restringir a liberdade de expressão e de opinião, filmes, peças teatrais, livros e músicas
passaram a sofrer a censura prévia pelo Serviço de Censura de Diversões Públicas. Em
relação aos livros que eram proibidos pelos pareceres do SCDP, o que torna a censura de
livros efetiva especialmente com o Ato Institucional número 5 (AI-5), segundo Marcelino
(2006), eram divididos em dois grupos: os de conteúdo político-ideológico, como com
temática considerada "esquerdista" e os de questões morais, caso, por exemplo, dos livros
eróticos, taxados de pornográficos. Visto que a autoria feminina dentro do campo da
literatura erótica é sempre transgressora (BORGES, 2010), dentre os autores de literatura
erótica que produziam nesse contexto, situam-se as escritoras Adelaide Carraro (1936-
1992) e Cassandra Rios (1932-2002) como figuras emblemáticas que atingiram um
grande sucesso nas vendas mesmo durante a repressão e perseguição no país. Visto isso,
este trabalho irá discutir tanto os elementos presentes nas obras e os argumentos utilizados
nos pareceres de proibição destas, quanto estratégias adotadas pelas autoras para manter
os livros em circulação.

Jonatan Rafael de Souza Mello

Abordando os temas, nações e nacionalismos, podemos dizer que a história


ostenta fundamental importância para o vigor de tais fenômenos. Parece um consenso
para historiadores da História e pesquisadores dos nacionalismos, que a história serviu de
argamassa para revestir diversos discursos nacionalistas. O passado, ou maliciosos
estudos do mesmo, são alimentos fundamentais para ideologias, como explana
Hobsbawm, também é possível dizer nos dias de hoje, com base em trabalhos de diversos
estudiosos, que a relação dos historiadores com o passado, assim como das massas
(população de forma geral), também é objeto da história, ou seja, as relações sociais com
31
o tempo, principalmente com o passado, mudam, - segundo alguns autores, numa
frequência mais acelerada nos últimos 300 anos. Se no século XIX e até meados do século
XX havia uma certa demanda por história, ou seja, se havia neste período, no ocidente,
um vínculo com esta disciplina, seja nas ideologias políticas, ou quaisquer outras
ocupações da sociedade ocidental. Atualmente, pode-se salientar, por meio de estudos de
intelectuais renomados, que o ocidente possui uma relação mais intima com a memória.
Antes a demanda por história que embalava o século XIX e parte do século XX, nutria
posições ideológicas, alicerçando nacionalismos, posturas políticas, pode-se dizer o
mesmo da memória nos dias atuais? Pode-se ver discursos nacionalistas na atualidade
ancorados em memórias, desprovidos assim, do pudor criterioso e metodológico exercido
pela disciplina história? Este trabalho visa lançar alguns pareceres sobre as questões
formuladas acima.

Kassiana Braga

Este trabalho tem como intuito discutir uma das fotobiografias produzidas pela
escritora e fotógrafa amadora Zélia Gattai intitulada: Jorge Amado - Um baiano
romântico e sensual - Três relatos de amor João Jorge Amado, Paloma Jorge Amado.
Nesse livro a escritora publicou cerca de 192 fotos, sendo o primeiro livro que não
escreveu sozinha em que colocou o sobrenome Amado em sua capa, pois nas publicações
anteriores sempre os lançou com o sobrenome de seu pai, Gattai. Os seus filhos Paloma
Amado e Jorge João Amado também dão a sua contribuição com narrativas
memorialísticas, após o falecimento do pai Jorge Amado em 2001. A partir da análise
dessa fotobiografia será possível identificar as histórias visuais produzidas pela autora
permitindo ainda compreendermos as significações e as interações entre memória familiar
e coletiva através da construção da memória de Jorge Amado, sua família e de seus
amigos.

Manoel Messias Alves de Oliveira

Este trabalho pretende analisar aspectos e apontar considerações sobre a produção


biográfica do jornalista, biógrafo e escritor Ruy Castro, a fim de compreender a
construção de seus personagens, cenários e costumes da música popular brasileira. Para
isso, pretende-se analisar seu livro Carmen: uma biografia (2005), lançada pela editora
Companhia das Letras, enquanto produção de memória do cenário musical entre 1920 e
1950. Desse modo, a discussão pretende se direcionar para as temáticas biografia e
memória e linguagem e narrativa, buscando, a partir da trajetória de vida e do contexto
de produção textual do jornalista, analisar o trabalho biográfico que envolve a produção
de Carmen e fundamentar o significado de cultura brasileira presente em sua obra: as
estratégias de representação; a construção narrativa; a investigação documental para a
produção textual; a seleção bibliográfica; a produção de entrevistas; sua discografia e
filmografia; o vaivém da memória ou da lembrança e que história (qual delas) é contada
sobre a "Coquete", "It´girl", "Rainha do disco", "Pequena notável", "Estrela da Fox" e
"Deusa do cinema". Notoriamente, essas denominações representam a maneira pela qual
32
o biógrafo dialoga com a sua biografada e como interpreta os fatos marcantes de sua
personagem, inclusive em relação ao contexto vivenciado por ela e aos seus
comportamentos, ideias e atitudes. Logo, o biógrafo constrói uma personagem
emocionalmente frágil, vítima de uma indústria cultural por ter que trabalhar muito e que,
diante dos seus amores e desamores, acabaria ficando dependente de tranquilizantes e
estimulantes que encerrariam a sua trajetória de vida.

Marcos Antonio Paludetto

O Distrito de Sussui está localizado a aproximadamente 12 quilômetros de


Palmital e a 12 quilômetros de Cândido Mota, municípios aos quais o pequeno povoado
esteve vinculado, político e administrativamente, em dois períodos diferentes.A ocupação
humana e econômica do Distrito de Sussui teve início no final do século XIX. Colonos
de várias nacionalidades europeias ocuparam as margens do Rio Pari-Veado e deram
início a um pequeno povoado, que recebeu o nome de Sussui, de origem indígena, cujo
significado é rios dos veados. A chegada das ferrovias, na década de 10, abriu caminho
para o desenvolvimento do arraial, para a integração do espaço, para o escoamento de
madeira e, posteriormente, para o transporte de cereais e derivados de mandioca pelos
vagões da Estrada de Ferro Sorocabana. Um dos empresários que se destacou nesse
período foi Antonio Silva (Tonico Silva, ex-prefeito de Assis), proprietário de uma
pedreira e negociador de glebas de mata virgem para extração de madeiras nobres, que
eram despachadas de trem pelos trilhos da ferrovia. As madeiras de menor valor de
mercado eram cortadas e serviam de lenha para as locomotivas a vapor. O
desenvolvimento da agricultura nas imediações do Pary-Veado transformou a paisagem
natural. A chegada das famílias de colonos, a fertilidade da terra roxa e as condições
favoráveis para negociar os produtos agrícolas favoreceram o cultivo de arroz, trigo,
mamona e mandioca. A mandioca tornou-se a principal matéria-prima que impulsionou
o surgimento de fábricas de amido, raspa e farinha de mandioca. O primeiro empresário
a instalar uma fábrica de Farinha de Mandioca nas imediações do Distrito foi Ângelo
Breve. Posteriormente, Ângelo Nobre, Frand Fradsen, Zelão Fadel e Vitório Fadel
também foram proprietários de Fábricas de Mandioca, transformando o produto em
derivados voltados ao mercado regional. A influência católica é uma das marcas
registradas de Sussui. No princípio de sua formação, havia duas capelas que se
localizavam uma de frente para a outra: uma contava com São Sebastião como padroeiro;
a outro tinha como padroeiro São Roque. Os católicos entraram em consenso e decidiram
construir uma única capela, mais ampla e moderna, mas mantiveram os dois padroeiros
no altar. A capela grande foi inaugurada em 25 de abril de 1954, em uma missa com a
presença de Dom Lázaro Neve, Bispo da Diocese de Assis. Em 1929 teve início a
construção da Usina Hidrelétrica do Rio Pary-Veado, localizada a menos de oito
quilômetros do Distrito de Sussui. A obra foi conduzida por José Georgi, sendo concluída
em 1937. Simultaneamente ao progresso e ao conforto da eletricidade gerada pela usina,
a formação da represa sem que houvesse a limpeza do terreno e a retirada da cobertura
vegetal provocou proliferação do mosquito Anopheles, conhecido no Brasil como
mosquito-prego. Centenas de pessoas foram infectadas pelo mosquito, em Sussui e nas
imediações da barragem, gerando uma epidemia de malária, também conhecida como
maleita e paludismo. O número de mortos e contaminados pela malária não é conhecido,
mas a sombra da morte pairou sobre muitas famílias que tiverem seus infectados pelo

33
vírus. Muitas vítimas da doença agonizavam em seus leitos com febre altíssima, náuseas,
vômitos e dores insuportáveis pelo corpo. A maioria dos mortos foram sepultados no
cemitério de Sussui, localizado algumas centenas de metros da praça da Igreja.

Tatiane Graciele Caetano Campos


Paulo Sergio Bulgareli
Conceição Solange Perin

O estudo analisa o método de ensino proposto por Erasmo de Roterdã (1466-1536)


na obra De Pueris, escrita em um contexto de transição da Idade Média para a Idade
Moderna. Em meio às transformações sociais/educacionais do período, Erasmo tratou
sobre a importância da educação das crianças desde a tenra idade visando a possibilidade
de, no futuro, se tornarem adultos com boas virtudes e comportamentos, que os fizessem
conviver em sociedade e agissem para o bem comum. Para o autor, a educação era o
princípio para a formação do homem. A obra De Pueris é como um -manual pedagógico',
pois, é direcionada a ensinar os meninos oriundos da nobreza, destacando o papel da
família e dos preceptores para o êxito dessa educação. Nesse sentido, acreditamos que
entender sobre algumas questões educacionais históricas nos possibilitam compreender a
relevância da educação na formação do homem em diferentes períodos. Logo, essa
proposta está fundamentada na história social e no conceito de longa duração. Os
resultados mostram que o método de ensino tratado por Erasmo no final do século XV e
início do XVI, possibilitou um novo pensamento educacional para a época, revelando que
a educação era uma prioridade que deveria iniciar com as crianças.

Thaynara Tanganelli de Oliveira

O presente trabalho tem como objetivo analisar e discutir um cartaz antissemita


distribuído na Polônia ocupada pela Alemanha Nazista em meados de 1941. O cartaz
apresenta o rosto de um homem, que em certo momento confunde-se com seu crânio a
mostra, desenhado de forma estapafúrdia com características notadamente judaicas (estas
segundo a definição nazista de judeu), e um grande piolho ao lado. Distribuído no cartaz,
lê-se os seguintes dizeres em polonês: "Żydzi Wszy Tyfus Plamisty" ("Os judeus são
como piolhos. Eles causam tifo." - em tradução livre). A justificativa se dá no sentido de
entendermos ter residido na exposição desse cartaz em um país ocupado pela Alemanha
fundamental importância para os resultados obtidos no âmbito de uma política antissemita
que, via de regra, passava pela constituição de um imaginário social através da
comunicação visual, com o intuito de mistificar a figura do judeu. Partindo da análise de
um possível espaço de vasão do conceito de Mal Radical na constituição dos imaginários,
debateremos aqui a possibilidade de identificação de uma Banalização do Mal,
notadamente a partir de conceitos arendtianos, com a exposição desse cartaz.

34
Coordenação:
Hélio Rebello Jr
(UNESP/Assis)
Pedro Ragusa
(UEPG)
Thiago G. Belieiro
(UNOESTE)

Aline Michelini Menoncello

Inserida na área da História da historiografia, esta comunicação propõe descrever


algumas condições de existência (FOUCAULT, 2013) que tornaram possíveis o ato de
julgar o passado um modo de produção historiográfica brasileira, entre fins do século XIX
e meados do século XX. Tal investigação está sendo desenvolvida pela pesquisa de
doutorado intitulada Juízes-Historiadores: julgamento a serviço da História por Ministro
do STF atuantes no IHGB (1870-1949), cujo corpus documental é formado pelas atas do
Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro e a produção histórica e jurídica de seis sócios,
a saber: Tristão de Alencar Araripe (1821-1908), Olegário Herculano de Aquino e Castro
(1828-1906), Rodrigo Octávio de Langaard Menezes (1866-1944); Pedro Augusto
Carneiro Lessa (1859-1921), Augusto Olympio Viveiros de Castro (1867-1927) e João
Martins Carvalho Mourão (1872-1951). Esta comunicação buscará apresentar, por meio
da análise das atas das reuniões realizado no Instituto, como que a crise política, causada
pela Instauração da República em 1889, reverberou no IHGB alterando sua produção
historiográfica e, ao mesmo tempo, subjetivou seus sócios em historiadores togados.

Ana Carolina Oliveira

A presente apresentação tem por finalidade expor uma discussão acerca da Teoria
da História e sua importância para a historiografia, a partir do historiador brasileiro José
Assunção D' Barros. O conceito de história sofreu inúmeras modificações no decorrer do
tempo, dentro deste campo encontramos os debates historiográficos, formas de escrever
história, e as teorias da história, que são visões de mundo. Principalmente no que concerne
a historiografia do século XIX, surge a Teoria da História com a constituição da história
como ciência, nesta esfera teórica estão inseridos os paradigmas historiográficos,
correntes teóricas, como o positivismo, o historicismo e o materialismo histórico entre
outros. Segundo Barros, se inicialmente uma teoria significa uma "visão de mundo",
independente do campo que está inserida, a Teoria da História ou o paradigma
historiográfico é uma "visão histórica do mundo" podendo ser definida também como
"uma determinada visão sobre o que vem a ser a própria história", ou seja, é uma forma

35
de propor "determinada concepção sobre o que é história e sobre o que deve ser a
historiografia". É a partir da teoria e do método que a historiografia terá seus alicerces
para a construção de uma história problematizada, afastando-se de uma história de cunho
simplista composta apenas por descrição e narração.

Benedito Inácio Ribeiro Junior

As discussões apresentadas neste trabalho estão inseridas na pesquisa de


doutorado intitulada Adão e Eva tupiniquins: mulheres e relações de gênero na
historiografia brasileira (1982-2012). A pesquisa tem como principal objetivo
compreender como se formou e se consolidou o campo historiográfico de estudos sobre
as mulheres e as relações de gênero no país por meio da análise de teses, dissertações,
dossiês, coletâneas, periódicos e anais de eventos acadêmicos. No que diz respeito aos
periódicos, elegeram-se três fontes: a Revista Brasileira de História (Associação Nacional
de História, ANPUH), a Revista Estudos Feministas (Universidade Federal de Santa
Catarina, UFSC) e os Cadernos Pagu (Núcleo de Estudos de Gênero Pagu - Unicamp). A
historiografia brasileira, nas últimas décadas, firmou-se a partir programas de pós-
graduação e muitos deles criaram e consolidaram suas revistas, divulgando não só
pesquisas do próprio programa, mas também de fora dele. Periódicos de associações
profissionais e de pesquisadores - como é o caso da RBH - e aqueles vinculados a grupos
ou institutos de pesquisa específicos, do mesmo modo, colaboraram para a divulgação,
reconhecimento e entronização de determinados tópicos de pesquisa historiográfica.
Assim, pode-se afirmar que as revistas acadêmicas de História podem ser fundamentais
para o estudo da História da Historiografia brasileira, levando-nos a refletir sobre os
temas, objetos, conceitos, métodos e fontes em voga em tal ou qual período e/ou
instituição, mas também para informar redes de diálogo e confronto entre tendências
historiográficas; para apurar a forma pela qual o conhecimento histórico cria suas relações
entre historiadores e instituições; por fim, possibilitam rever que formas de se fazer
história são bem-vindas dentro do debate instituído pelo próprio periódico. Tendo isso
em vista, esta comunicação se dedica a compreender de que maneira os estudos sobre as
mulheres e das relações de gênero foram realizados por historiadores brasileiros a partir
dos textos publicados na Revista Brasileira de História. As discussões sobre mulheres e
gênero estão disseminadas em seus diversos números, além de ter dois dossiês
exclusivamente dedicados ao tema: os dossiês A mulher no espaço público (v. 9, nº 18,
1989) e Estudos de gênero (v. 27, nº 54, 2007). Assim, pretende-se interpelar, nesta
comunicação, o periódico de algumas maneiras: quais temas, fontes, métodos, conceitos
foram discutidos nesses dois dossiês e nos demais artigos que tratam de mulheres e de
gênero? Que forma de se fazer história das mulheres e do gênero está sendo referendada
pela revista e, consequentemente, pela ANPUH? E, ainda, que espaço a Revista Brasileira
de História dedicou a tal discussão?

36
Cezar Augusto Caron

A história tem passado por muitas transformações nas últimas três décadas no
Ocidente, esse movimento me fez gerar uma questão, o que é mais importante em nosso
momento histórico, a história ou o método de se escrever história? Essa pergunta surge
na preocupação com a história pura, séria, erudita, útil a vida, que tem como objetivo
transformar a sociedade. Essa história tem sofrido ameaças muito sérias, principalmente
da 37spécie37a e perdendo sua identidade, a preocupação com a boa e séria crítica ao
homem já não é a mesma, principalmente a crítica com relação do homem com a natureza.
A ideia de tirar o ser humano do pedestal me parece pouco levada em consideração nos
dias atuais, isso preocupa o historiador sério, pois, como podemos transformar a
sociedade se não pudermos criticar a própria raça humana? Que destróe, mata, sua própria
37spécie os animais a natureza. Como poderemos compreender o real funcionamento da
sociedade e de seu passado, tendo como fonte obras com uma escrita que sempre prefere
enxergar coisas benevolentes em contextos totalmente assustadores e cruéis? A
preocupação com a história crítica e séria fazem parte das pautas deste trabalho.

Edson Roberto de Oliveira da Silva

Temos como objetivo demonstrar qual é o núcleo ortodoxo do marxismo e qual é


a sua pertinência para as análises da produção histórica contemporânea, principalmente
em tempos onde a preposição "pós" vem caracterizando as elaborações teórico-
metodológicas. Identificar as produções teóricas-metodológicas como um produto
histórico que são determinadas pela forma especifica do desenvolvimento das relações
sociais contemporânea possibilitando constatar o seu núcleo ideológico e saber quais são
os limites dessa produção no que tange a relação de teoria e práxis. Verificar até que ponto
as produções dentro da área de teoria da história não passam de uma discussão escolástica
que visa apenas discutir as várias possibilidades de como pesquisar determinados objetos
desvinculando-os da realidade do presente e isolando-o em si mesmo e em uma
temporalidade fechada, e que por fim retira o núcleo revolucionário da História. Para isso
utilizaremos os fundamentos científicos-filosóficos de G. W. F. Hegel, Karl Marx e seus
sucessores, com maior atenção para o filósofo húngaro György Lukács, que trabalhou
exaustivamente a questão da dialética marxista em seu livro "História e Consciência de
Classe". Faremos uma exposição do pensamento marxista junto com sua estrutura
metodológica de análise da realidade histórica.

Fernanda Dayara Salamon

"As grandes descobertas têm lugar nas próprias fronteiras da ciência", escrevia
Lucien Febvre (1878-1956) - importante historiador francês - na metade do vigésimo

37
século. A relação entre a História e a Psicanálise foi revisitada ao longo dos anos por
intelectuais do campo historiográfico; entre críticas ferrenhas ou sublimidade do
proeminente campo psicanalítico - este que despertou críticas de seus usos em diversos
meios, especialmente em sua própria esfera de constituição - aconteceu uma cooperação
na formação de uma tendência historiográfica sensível, notadamente relacionada ao
conhecimento do indivíduo e as relações com o seu meio. Ao psicanalista, uma psique a
ser analisada e reconectada consigo mesma; ao historiador, uma personagem histórica
inserida em um tempo e espaço, que a partir de sua constituição psíquica individual exerce
ações que modificam seu momento histórico, deixando rastros a serem perseguidos pelo
estudioso do tempo. Empenhando-se em verificar a discussão fértil entre os dois campos,
buscamos realizar um balanço dos problemas e dos pontos em contribuição dos usos da
Psicanálise na construção historiográfica, revisitando autores como Lucien Febvre,
Michel de Certeau (1925-1986), Peter Gay (1923-2015) e recentemente a obra de
Elisabeth Roudinesco, autores que debateram e fizeram uso do campo psicanalítico como
ferramenta para seus trabalhos de História.

Luiz Cambraia Karat Gouvêa da Silva

Professor Emérito da Universidade de Indiana, o historiador estadunidense


Edward Grant apresenta uma carreira acadêmica notável. Os mais de 50 anos dedicados
à História da Ciência Medieval lhe renderam grandes condecorações, tais como a
Medalha George Sarton, em 1992, e a presidência da History of Science Society, entre
1985 e 1986. Pretendemos, nesta comunicação, analisar a produção historiográfica de
Grant entre as décadas de 1970 e 2000. Para tanto, elegemos como eixo de
problematização a controvérsia historiográfica relacionada à antítese continuidade e
ruptura no que se refere à emergência do pensamento científico moderno, e à irrupção da
Revolução Científica. A partir da seleção e investigação de sete livros de Grant, pudemos
constatar que o historiador altera radicalmente seu entendimento sobre as conexões entre
a ciência medieval e a moderna. Para desenvolver a análise, alinhamos nosso estudo ao
horizonte teórico oferecido pela História das Controvérsias, como idealizada por
Magalhães, e à história da ciência comparada de Beltrán. Além disso, fazemos uso das
diretrizes metodológicas da História da Historiografia como apresentadas por Guimarães,
Neves e Alberti.

Rodrigo Bianchini Cracco

A atual proposta consiste em apresentar a pesquisa em andamento cujo objetivo é


analisar o tratamento dispensado aos conceitos ligados ao tempo histórico nas obras
didáticas da disciplina de História aprovadas pelo PNLD 2017 - Anos Finais do Ensino
Fundamental. O trabalho está estruturado da seguinte maneira: no tocante à
Fundamentação Teórica procedeu-se um levantamento da concepção de conceitos no
ensino de História. É apresentada também a História dos Conceitos como base

38
historiográfica do debate. Na sequência, com base na filosofia de Gilles Deleuze, é
discutida a constituição dos conceitos por meio de componentes; passa-se então ao
levantamento dos conceitos ligados ao tempo histórico. Por fim, é realizado o exame dos
reflexos dos debates teóricos acerca do tempo nos livros didáticos para proceder à
definição do corpus da pesquisa. Na Metodologia é proposta a via longa da hermenêutica
de Paul Ricoeur como caminho estabelecido para interpretação dos conceitos ligados ao
tempo histórico nos livros didáticos. Este trabalho busca aliar os debates mais recentes da
Teoria da História e da História da Historiografia, em especial no que tange aos conceitos
históricos, ao ensino de história, à prática docente e aos materiais didáticos aprovados na
última avaliação do PNLD.

Coordenação:
André Figueiredo Rodrigues

Adriano Rodrigues de Oliveira

Os gigantes surgiram no imaginário das mais diferentes culturas e épocas como


uma raça de humanoides de estatura descomunal, verdadeiros monstrengos que desafiam
a ordem vigente. Dessa forma, o imaginário acerca dessas criaturas fabulosas perpassa
diversos contextos espaciais e temporais, da antiguidade até a era moderna, vindo
encontrar terreno fértil no Novo Mundo. Dito isso, o presente trabalho analisa a
reprodução desse mito nos textos dos viajantes dos séculos XVI e XVII, bem como sua
recorrente aparição em mapas ou cartas geográficas do mesmo período. Nesses dois tipos
de fontes, em suas concordâncias e discrepâncias, o corpo gigantesco estabelece um
paralelo com a própria natureza da América, quais sejam, seus habitantes, relevo,
montanhas e afins. Não é de se estranhar, portanto, que se no início do século XVI, esses
seres colossais são noticiados em diversas regiões da América, no decorrer do mesmo
centenário, são fixados numa determinada Regio Gigantum, uma terra gélida, inóspita e
montanhosa na extremidade sul do continente. A cartografia quinhentista e seiscentista
finalmente estabelecerá a região dos gigantes na Patagônia argentina.

André Figueiredo Rodrigues

A comunicação tem o objetivo de historiar as representações imagéticas sobre o


alferes Joaquim José da Silva Xavier, conhecido pelo apelido de Tiradentes e tido pela
memória, tanto a popular quanto a oficial, como o maior de todos os heróis brasileiros.
Apesar de o estudo de sua vida ser o mais difundido entre todos os temas a que se
dedicaram os historiadores da Inconfidência Mineira de 1789, lacunas e dúvidas ainda
pairam sobre sua trajetória e mesmo sobre a construção histórica e artística que se fez
sobre ele. Sabe-se que a aceitação de Tiradentes como herói, já iniciada nos últimos anos

39
do Império, viu com a Proclamação da República sua imagem cair na simpatia popular.
Como libertário, republicano e mártir, construíram-se à sua imagem traços nazarenos -
sendo ele muitas vezes representado como o Cristo brasileiro. Sua figura oficial, retratada
no final do século XIX, consolidava a formulação de uma concepção política dos adeptos
do positivismo de Augusto Comte, que terminaram colaborando de maneira decisiva na
Proclamação da República. E, somente com ela, a República, Tiradentes incorporou-se à
representação pictórica brasileira. Vestindo a alva dos condenados, barba e cabelos
longos, tem sempre uma boa transparência. Pintaram-no em cenas que ocorreram desde
a sua prisão na Rua dos Latoeiros, no centro do Rio de Janeiro, até episódios diversos da
devassa aberta para julgar o crime dos envolvidos na tentativa de rebelião de 1789: a
leitura da sentença, Tiradentes agrilhoado, a vã tentativa de resistência, para, finalmente,
mostrá-lo frente ao carrasco e nas quatro partes em que seu corpo foi dividido para ser
exposto à execração pública no caminho entre o Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Independentes das interpretações imagéticas já estudadas e publicadas em uma série de
livros e artigos acadêmicos que foram por este caminho - o do alferes Tiradentes como
herói republicano -, a proposta de nossa apresentação direciona-se por uma via oposta, ao
vasculhar as imagens de Tiradentes antes de sua apropriação como herói republicano, ou
melhor, antes de sua exaltação como o Cristo brasileiro. Para tanto, analisaremos as
imagens do alferes Tiradentes anteriores à Proclamação da República.

Augusto Henrique Assis Resende

Em meio ao estudo de escritos de matrizes variadas, como manuscritos e


impressos, provenientes do mundo luso-brasileiro e que contemplam período estabelecido
entre 1808 e 1822, é notório que por meio deles, uma série de assuntos era acessível a um
público bastante diversificado, e que esses temas eram difundidos através de leituras de
todo tipo. O Antigo Regime português proporcionou situações de muitos embargos
referentes à circulação de escritos em possessões lusas e mesmo no reino. Não obstante o
empenho da coroa portuguesa em manter os portugueses distantes de ideias que pudessem
ser perigosas aos direcionamentos políticos e sociais do império, em geral aquelas
oriundas do Iluminismo, o Estado não tinha possibilidades de obstar todas as tentativas
de publicações. Impossibilidade porque seus territórios eram demasiado grandes e
afastados da metrópole, mas também pela falta de pessoal nas instâncias responsáveis
pela censura. Assim, por vezes, escritos indesejados pela coroa tiveram condições de
transitar entre muitos súditos e sem restrição quanto ao segmento social a que pertenciam.
Pois ainda que a sociedade de então fosse majoritariamente iletrada, com a secular prática
de leituras em voz alta e para número irrestrito de ouvintes, ideias políticas diversificadas
puderam ser veiculadas aquém e além-mar. Ainda que alguns anos antes do recorte
proposto para este trabalho, é digno de nota citar dois exemplos que representaram a
possibilidade de muitos textos proibidos chegarem à América em fins do século XVIII e
que passaram pelas mãos dos conjurados de Minas Gerais e da Bahia, o que demonstra
bem a incapacidade de a coroa manter um controle estrito sobre o que circulava pelas
colônias portuguesas. Já em período abrangido pelo trabalho, sabe-se que a fácil e
corrente veiculação de pasquins, folhetos, panfletos e cartas anônimas causava rebuliços
em muitas partes do que ulteriormente veio a ser o Brasil. E atualmente se sabe que os
escritos manuscritos tinham uma longa tradição entre os portugueses e que chegavam a
um sem-número de pessoas, afinal, eles tinham a produção menos custosa que a dos

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impressos. Por outro lado e especialmente na porção americana do império, os escritos
impressos passavam por um controle mais rígido se comparados àqueles, contudo, burlar
a censura não era tarefa impossível, e dois casos são emblemáticos da inoperância da
Mesa do Desembargo do Paço e da Consciência e Ordens: o Correio Braziliense, que em
alguns momentos foi proibido de circular no Brasil e em Portugal, mas que ainda assim
esteve presente em quase todos os territórios imperiais; e o Tifs Pernambucano, jornal
revolucionário que transitou pelo norte (em parte do atual Nordeste) brasileiro sem muita
dificuldade. Não digo que a censura era um instrumento irrelevante aos intentos do
Estado, e ela certamente teve um efeito mais ativo nos grandes centros portugueses, como
Rio de Janeiro, Salvador e Lisboa, mas penso ser difícil de imaginar que ela tivesse grande
peso e ação em locais mais afastados dos maiores centros de poder, bem como em lugares
em que a população se visse explorada pela corte, como foi o caso de Pernambuco em
mais de uma ocasião. Atualmente, parte da historiografia brasileira ainda vê a ampliação
dos espaços públicos, via imprensa, como um fato que se deu apenas depois da revolução
do Porto, em 24 de agosto de 1820, mas precipuamente com o decreto das Cortes lisboetas
em extinguir a censura prévia referente aos impressos, em 29 de setembro de 1820; evento
ratificado pelo rei em decreto de três de março de 1821. Com isso, a principal hipótese
que se levantará com este trabalho é a de que mesmo com o aparato censório em atividade
no império luso-brasileiro, foi possível que houvesse fluxos de ideias políticas por meio
das páginas da imprensa luso-brasileira no período de 1808 a 1822.

Cintia Gonçalves Gomes Oliveira

A proposta desta comunicação é apresentar parte da pesquisa de doutorado, sob


orientação do professor Dr. André Figueiredo Rodrigues, na qual estudamos a atuação de
Sebastião da Rocha Pita na sociedade da Bahia, entre finais do século XVII e início do
século XVIII. Consideramos para tal análise que o personagem era membro de uma
família importante, fazia parte da nobreza da terra, por isso, sendo influente nos negócios
tanto no âmbito privado como no poder local, pois, além de historiador e membro das
academias Real de História Portuguesa e Brasílica dos Esquecidos, também ocupou
vários cargos importantes na Bahia, como coronel do regimento das Ordenanças, fidalgo
da Casa Real, Cavaleiro da Ordem de Cristo e vereador. E, neste contexto, comparamos
os discursos das sessões da Câmara e do Senado de Salvador em que Rocha Pita
participou, com os escritos de seu livro História da América Portuguesa, pois, ao analisar
os escritos oficiais e compará-los com a visão do autor presentes na sua obra, poderemos
inferir seus posicionamentos políticos sobre os diversos problemas que ocorriam na Bahia
entre o final do século XVII e o início do século XVIII.

Francisco Fontanesi Gomes

Esta comunicação apresenta um aspecto da pesquisa em desenvolvimento sobre o


pintor espanhol Francisco de Goya y Lucientes (1746-1828) e seus retratos de membros

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da família real espanhola do final do século XVIII e início do XIX. Através do estudo de
três retratos produzidos por Goya, Carlos IV como cazador (1799, Palácio Real de
Madrid), La reina María Luisa a caballo (1799, Museu do Nacional Prado) e La familia
de Carlos IV (1800, Museu Nacional do Prado), pretende-se fazer uma análise artística e
histórica das pinturas na representação dos membros da realeza Bourbônica espanhola. A
ideia de estudar esses retratos foi inspirada por uma passagem encontrada na obra A
História da Arte, do historiador da arte Ernst Gombrich, na qual o autor comenta que
Goya retratava a realeza de uma maneira esteticamente menos convencional do que outros
pintores contemporâneos - deixando-os, por assim dizer, mais "feios". Para esta
comunicação da XXXV Semana de História e do VIII Ciclo Internacional de Estudos
Antigos e Medievais, o foco será apresentar o retrato de grupo dos Bourbons produzido
em 1800, procurando investigar as questões envolvendo a figura da rainha Maria Luísa
de Parma (1751-1819) e as possíveis ligações com o mito de Hércules e Ônfale, presente
no quadro.

Jorge Luiz de Oliveira Costa

Esta comunicação almeja explanar resultados parciais do capítulo final da minha


dissertação de mestrado; nesta oportunidade, tratarei da trajetória de João de Bolés na
América Portuguesa e o que lhe proporcionou cair nas telhas da Inquisição. Jean Cointa
dos registros sobre a França Antártica, tal qual com seus compatriotas franceses, se fez
conhecido entre os portugueses como o João de Bolés - da cidade comuna de Troyez,
região de Champagne na França - pelas notáveis posições religiosas que expunha sem se
intimidar, que levou seu nome às crônicas de vários personagens contemporâneos
franceses e portugueses, mesmo durante o tempo nos cárceres das ações da Igreja em
nome do Tribunal do Santo Ofício. Tentaremos expor também o que compreendemos
sobre as situações históricas, as implicações culturais que propiciaram as características
do pensamento, as compreensões políticas e religiosas que a França Antártica resultou na
história da América portuguesa e que marcaram as mentalidades do século XVI. Para
fundamentar tal trajetória, além da bibliografia que trata do recorte, nos pautaremos
também nos registros do processo que respondeu como herege por questionar o poder da
Igreja e as interpretações das sagradas escrituras.

Lucas de Araujo Barbosa Nunes

Tendo como ponto de partida a tese do crítico de arte Mário Pedrosa Da Missão
Francesa - Seus Obstáculos Políticos, escrita para o concurso da cadeira de História Geral
e do Brasil do Colégio Pedro II (1957), o objetivo da comunicação é apresentar as
singularidades do neoclassicismo da missão artística francesa na arte brasileira do início
do século XIX. Muitos estudiosos apontaram as mudanças formais que os pintores Jean-
Baptiste Debret e Nicolas Antoine Taunay, além do arquiteto Grandjean de Montigny,
membros da missão francesa, tiveram que empreender em seus trabalhos para dar conta
das complexidades e contradições do Brasil de D. João VI. Entretanto, o processo de
como se deu tais mudanças foram pouco exploradas. Diante disso, a tese de Pedrosa pode
nos apresentar elementos preciosos para traçar novas discussões não só em torno da

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influência do neoclassicismo francês no campo artístico brasileiro, mas também para o
desenvolvimento de uma história social da arte (e da cultura) brasileira.

Milena Santos Mayer

A comunicação propõe uma reflexão acerca da produção historiográfica sobre a


região que hoje corresponde ao estado do Paraná durante o período colonial brasileiro.
Para esta análise utilizaremos como fonte principal o volume número 1 da coleção
História do Paraná publicada em 1969, escrito pelos historiadores Altiva Pilatti Balhana,
Brasil Pinheiro Machado e Cecilia Maria Westphalen, professores da Universidade
Federal do Paraná. Organizada e promovida pelo intelectual e então governador Bento
Munhoz da Rocha Netto, esta obra é considerada um importante meio de divulgação da
história do Estado e trata-se de uma referência na historiografia paranaense. Deste modo,
o trabalho expõe como os autores apresentam e constroem a ideia de "Paraná português",
"Paraná espanhol" e "Paraná Tradicional", este último com ênfase no período colonial.
Este recorte temporal auxilia as autoras na compreensão do objeto de pesquisa do
doutorado em andamento, que se dedica a pensar o Museu do Tropeiro, localizado na
cidade de Castro (Paraná), e a construção de uma narrativa diante da historiografia e da
memória de uma cidade e de uma região. A temática da instituição versa sobre o comércio
de muares no Sul do Brasil, atividade mercantil atribuída a fundação do município de
Castro, denominada por especialistas e pesquisadores como tropeirismo e que tem como
"marco inicial" a viagem de Cristovam Pereira de Abreu em 1731. Portanto, acredita-se
que a análise proposta contribui para a compreensão do que Balhana, Machado e
Westphalen denominam como "Sociedade Campeira" da região dos Campos Gerais,
temática do museu investigado, bem como oferece elementos pertinentes para o estudo
do Brasil meridional no período colonial.

Coordenação:
José Carlos Barreiro

Arthur Daltin Carrega

Esta comunicação tem o objetivo de refletir sobre o ano 1 da revista "Auxiliador


da Indústria Nacional" (AIN), editada e publicada oficialmente pela "Sociedade
Auxiliadora da Indústria Nacional" (SAIN), buscando compreender os principais
argumentos e contribuições da instituição no contexto imediatamente posterior à
independência política de 1822. A organização citada esteve ativa no Brasil entre 1827 e
1896 e a partir de 1833 passou a difundir suas ideias através do periódico. Seu principal
interesse declarado era a "vulgarização das ciências no Império", que, naquela conjuntura,
pode ser entendida basicamente como a defesa de um processo de aplicação de técnicas

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mais modernas de cultivo no campo, e o consequente domínio efetivo sobre natureza. Na
fase inicial da pesquisa, entendemos que, apesar do discurso progressista a SAIN
guardava interesses estritamente conservadores, que visavam a manutenção dos
privilégios da aristocracia rural, o sistema político monárquico e a condição de
agroexportador do país.

Helen de Oliveira Silva

No século XIX, com o avanço das técnicas no ramo da imprensa, a imagem


gravada tornou-se uma das grandes novidades. O primor e a exigência da execução
limitaram o uso da estampa para um gênero específico de periódicos, o das revistas
ilustradas. Basicamente, a imagem gravada dividiu-se em dois grandes ramos, a litografia
e a xilografia, sendo esta última uma técnica remota no Brasil. Para driblar esta
dificuldade, alguns editores, a exemplo de Charles Francis de Vivaldi (1824-1902),
importaram matrizes do exterior para suprimir uma demanda de imagens no país. Deste
modo, a despeito das tantas revistas ilustradas de humor que predominaram durante o
Oitocentos, houve títulos, como a "Ilustração do Brasil" (RJ, 1876-1880) e a "Ilustração
Popular" (RJ, 1876-1877), que, ao divulgarem imagens distintas daquelas do gênero da
sátira, procuraram apresentar aos seus leitores estampas sobre as atualidades e que
auxiliavam na vulgarização dos conhecimentos úteis e científicos. Uma vez que estas
revistas ilustradas utilizavam gravuras do exterior, a historiografia nacionalista
negligenciou-as dos estudos sobre a imprensa no Brasil. Entretanto, independente da
origem, não se pode negar a contribuição das estampas para a comunicação visual do
século XIX. Desta maneira, procura-se mostrar como ocorreu a circulação deste gênero
de impresso no país, tomando como mote os periódicos de Vivaldi, e de qual maneira
dialogavam com o conteúdo textual, que mostrava preocupação com os ideias
progressistas do Oitocentos, principalmente no que tange a questão da instrução popular.

João Lucas Poiani Trescentti

As publicidades começaram a ser divulgadas pelo rádio apenas após o decreto lei
número 21.111, de 01 de março de 1932, sancionado pelo então presidente da República
Getúlio Vargas (1882-1954). As verbas publicitárias passaram a fornecer os meios de
financiamento daquele veículo, ícone da modernidade, que se expandiu de maneira
promissora. O rádio, dessa forma, progressivamente afastou-se da intenção de Edgar
Roquette-Pinto (1884-1954), seu idealizador no Brasil, ou seja, deixou de contemplar a
proposta educativa e alçou-se a veículo de entretenimento. O meio de comunicação
atingia o público amplo e mostrava-se fértil propagador de hábitos e costumes, tendo
despertado o interesse de publicações periódicas, a exemplo da Revista do Rádio.
Lançada em 1948, momento do apogeu do rádio, a publicação objetivava comentar sobre
as atividades realizadas pelas emissoras brasileiras (das capitais e do interior) e
estrangeiras; divulgar dados cotidianos da vida pública e privada daqueles que faziam
carreira no veículo: radialistas, cantores(as), radioatores(as)... A revista, sob a
responsabilidade do jornalista Anselmo Domingos (1915?- 1975), apresentava, portanto,
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conteúdo amplo e variado e tinha expressiva quantidade de anunciantes: desde grandes a
pequenas empresas, além do setor de serviços. O objetivo desta comunicação é justamente
incursionar pelo conteúdo publicitário da Revista do Rádio, entre 1948 e 1959, e
demonstrar que o mesmo apresenta potencial para a análise do historiador, uma vez que
ajuda a compreender o que se ofertava à sociedade dos anos 1950.

Lara Pires dos Santos Feriotto

No Brasil, o recorte temporal correspondente à segunda metade do Império e à


Primeira República foi palco de diversas transformações no âmbito econômico. Em
especial, a liderança do café nas pautas de exportação, a partir da década de 1850,
ingressou o país no processo que culminou em uma conjuntura essencialmente ligada à
economia cafeeira.A historiografia econômica mais atual, que parte de uma revisão crítica
da Teoria da Dependência e das ideias da Cepal, associa essas dinâmicas à transição para
o sistema capitalista. Nessa perspectiva, o presente projeto de pesquisa, apoiado nas obras
de caráter compilador de Liberato de Castro, História Financeira e Orçamentária do
Império no Brasil, e de Valentim F. Bouças, inseridas na série Finanças do Brasil, além
de outras fontes seriadas, tem por objetivo investigar o papel dos empréstimos externos
contraídos pelos governos central e paulista durante o período de predomínio da economia
cafeeira e, portanto, no desenvolvimento do capitalismo no Brasil.

Lucas Thiago Rodarte Alvarenga

Esse trabalho tem como objetivo realizar uma análise, a partir da imprensa
libertária produzida entre os anos de 1900 e 1920 em São Paulo, sobre a formação de uma
cultura política que permeou o surgimento do movimento operário na Primeira República
brasileira. Essa cultura política, baseada no transnacionalismo de ideias advindas da
França, Itália, Rússia e Argentina, no antimilitarismo, antinacionalismo e no
anticlericalismo, floresceu no seio da classe trabalhadora sobretudo decorrente dos
problemas sociais decorrentes da imigração e das péssimas condições de trabalho e das
moradias na cidade de São Paulo, e ganhou notoriedade no momento que foi amplamente
divulgada nos principais jornais redigidos por trabalhadores da cidade: "A Lanterna", "A
Plebe", "O Amigo do Povo" e o "La Battaglia". Como resultado, o conteúdo publicado
nesses jornais acabou moldando uma opinião pública, de caráter transnacional, que
moldou o comportamento dos trabalhadores durante o período mencionado. Sendo assim,
este trabalho vem colocar luz na formação dessa cultura e nas estratégias de disseminação
da mesma.

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Natália Zampella

Este trabalho tem por objetivo apresentar os resultados obtidos a partir da análise
da seção de Noticiário da Revista Tipográfica, semanário que circulou no Rio de Janeiro
entre 1888 e 1889. Fruto de uma associação entre importantes tipógrafos, a revista se
transformou em uma ferramenta de reivindicação da classe e difusão da arte tipográfica.
A pesquisa realizada com o periódico insere-se no projeto "Impressos ilustrados no Rio
de Janeiro do final do oitocentos: dos artistas do lápis aos fotógrafos" da Profª Draª Tania
Regina de Luca. A função primordial da seção consistia em ser um veículo de informação
das decisões editorais, bem como um meio de divulgar notícias sobre a própria publicação
e de outros periódicos de tipógrafos, além de dar a conhecer acontecimentos cotidianos.
Em suma, se compõe de temas variados e acaba por estabelecer um diálogo entre o leitor
e a redação. Com base na análise da seção e dos diálogos que se estabeleceram, o trabalho
realizado com a Revista Tipográfica possibilitou melhor compreender os desafios
enfrentados pelos tipógrafos no período turbulento de circulação do periódico, momento
marcado por transformações importantes, a saber, a Abolição e a República, o que
impulsionou a organização dos tipógrafos, que fundaram no Rio de Janeiro o Centro
Tipográfico 13 de Maio, depois de terem se envolvido à favor do fim do escravismo. A
revista também revela que, ao longo do ano de 1888, foram registrados esforços em
termos organizativos em diferentes capitais, além de movimentos em prol da melhora das
condições de trabalho.

Nathalia Agnes Custódio Monteiro Bove

Este trabalho tem como objeto de estudo a Revista Tipográfica e suas seções, em
específico, a Exterior e Miscelânea. Semanário criado por um grupo de tipógrafos, os Srs.
Luiz da França e Silva, Júlio Ladislau, Pedro da Costa Frederico e Paulo Latour, para
defender e divulgar a arte. O seu estudo se insere no Projeto Impressos ilustrados no Rio
de Janeiro do final dos oitocentos: dos artistas do lápis aos fotógrafos, sob coordenação
da Profª Drª Tania Regina de Luca. Entende-se por seções conteúdos encimados por
títulos fixos e que se repetem pelo menos duas vezes, de forma subsequente ou não. A
Revista teve um total de treze seções, com diferente duração e finalidade. Exterior e
Miscelânea, tratavam de temas diversos: a primeira, como indica o título, informava sobre
os progressos da arte da impressão e a mobilização dos trabalhadores em âmbito
internacional, com base em publicações recebidas. Já a outra continha textos diversos,
mas, abordava sobretudo, questões relativas às condições de trabalho, paralisações e lutas
dos tipógrafos. As seções revelam a intenção da folha de dar conta de tudo o que pudesse
interessar aos tipógrafos, instruí-los sobre o ofício, propagar a união e a defesa dos seus
interesses e informá-los sobre o que se passava no exterior. Após a Abolição, a
mobilização desses trabalhadores cresceu em todo o país. O intuito dos tipógrafos era
tornar o jornal um instrumento de luta, e de união dos profissionais, mas também um
espaço de aprendizagem a respeito da "arte tipográfica", sua história e desafios então
enfrentados no Rio de Janeiro. A divulgação de greves, notícias de associações, reuniões,
comemorações (em âmbito nacional e estrangeiro) confirma que a publicação empenhou-
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se em prol da categoria, num contexto social e político efervescente, marcado pela luta
em prol da Abolição e da proclamação da República. A "Revista Tipográfica" comprova
que já havia um grupo de trabalhadores assalariados no período imperial, com uma
consciência de classe perceptível na defesa de seus interesses.

Victor Gustavo de Souza

Aparatos das políticas de atração desenvolvidas por diferentes nações do


continente americano, os guias para emigrantes se inserem dentro do quadro da chamada
Grande Imigração do século XIX. Ao abordar diferentes temas ao longo de suas páginas,
essa categoria de fonte nos permite entender como a propaganda de atração se estruturou
a fim de obter os desejados europeus. Privilegiando os guias publicados pelo Brasil, esta
comunicação tem como objetivo discutir um de seus temas em específico: clima-e-
salubridade, hifenizado, a fim de entender como suas narrativas abordam assunto tão
sensível. Afinal, o século XIX foi o hospedeiro perfeito para numerosas doenças que
assolaram não apenas o Brasil, mas diversas nações que lidavam com os grandes fluxos
de imigrantes, como os Estados Unidos e as Repúblicas do Prata. Fator de repulsão, as
moléstias afetaram diversos setores do Império Brasileiro, desde o projeto imigratório em
andamento até as relações comerciais e, definitivamente, modificou como as autoridades
encaravam a saúde pública. Desta maneira, era necessário combater, por meio da
propaganda, a ideia de que se fixar em um país tropical seria sinônimo de morte.

Coordenação:
Zélia Lopes da Silva

Aline Fabri Segateli

A proposta deste trabalho diz respeito a análise acerca de políticas públicas e


educacionais no âmbito da valorização e preservação sobre o patrimônio imaterial
brasileiro. A investigação gira em torno da educação patrimonial com vistas à preservação
de manifestações culturais populares, no caso as festas de reis. O recorte selecionado diz
respeito ao projeto "Novos Foliões", existente no interior do estado de São Paulo,
referente à saberes da Folia de Reis. A investigação e análise será realizada sobre um dia
de curso do projeto, ministrado nessa conjuntura na cidade de Cândido Mota - SP, no mês
de abril de 2018, por um mestre da cidade de Palmital - SP. Com base em Pelegrini (2007)
a educação patrimonial será pensada como caminho para a promoção de espaço e
sustentabilidade aos diversos grupos de diferentes movimentos populares, por vezes
minoritários. Além do olhar sobre memórias entre os envolvidos no curso, indivíduos
experientes no ofício da Folia de Reis e novatos. A interação entre eles num processo de

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ensino e aprendizagem quanto ao ofício do mestre aos demais membros da comunidade,
cujo alvo principal são os jovens, também será analisada. Ainda sobre o prisma da
educação patrimonial, a Folia de Reis será pensada como elemento cultural de cunho
identitário dentre as diferentes gerações.

Amanda Pereira dos Santos

O período do pós-Segunda Guerra Mundial caracterizou-se pela criação de


organismos multilaterais que objetivaram a agregação de milhões de pessoas dispersas
pelo continente europeu e a posterior inserção destas em diversos países. No âmbito
internacional, destacam-se as fundações da Organização Internacional para Refugiados
(OIR) em 1946 - substituída pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os
Refugiados (ACNUR) em 1952 - e do Comitê Intergovernamental para Migrações
Europeias (CIME) no ano de 1951. No Brasil, a política imigratória tornou-se uma
questão de debate nos domínios público e privado. Em 1952, o presidente Getúlio Vargas
apresentou ao Congresso Nacional o projeto de criação do Instituto Nacional de
Imigração e Colonização (INIC). Na perspectiva governamental, este órgão seria
responsável por orientar e promover a seleção, entrada, distribuição e fixação de
imigrantes de acordo com os interesses e as exigências nacionais. A concepção de seleção
dos estrangeiros representava-os como "homens europeus mais adiantados" para o
trabalho agrícola; "colaboradores de sangue da raça branca" que deveriam assimilar-se à
população brasileira; "braços e elementos úteis" a serem localizados nas regiões que
solicitassem pela sua colaboração. A partir dessa representação do imigrante como um
fator de produção passível de ser integrado ao sistema econômico e social, sancionou-se
a Lei nº 2163, de 5 de janeiro de 1954, que determinou a fundação do INIC. Tendo em
vista essa representação difundida pelos dirigentes acerca dos imigrantes, pretende-se
apresentar alguns casos de solicitações de vistos nos quais os homens e as mulheres
pleiteantes não corresponderam aos critérios de seleção governamental, mas lutaram para
ingressar no Brasil e trazer consigo os seus familiares, valendo-se de redes sociais,
familiares e outras estratégias migratórias.

Andrea Ramon Ruocco

A proveniência da palavra brasilidade parece remeter à primeira metade do século


XX e não são poucos os trabalhos acadêmicos, incluindo trabalhos em história, que
perpassam o vocábulo ao se debruçarem sobre produções culturais do período. Em grande
parte dos casos, essa brasilidade apresenta emaranhados de significados, em outras, opera
como um termo alternativo para "identidade brasileira" ou "identidade nacional". Mas o
que seria essa brasilidade? Pouquíssimas pesquisas admitem que sua significação não é
alva. Se partirmos da ideia de "identidade brasileira", caímos em outras grandes questões:
de que identidade e de que brasileiro estamos falando? Assim, o objetivo principal desta
comunicação é expor algumas considerações derivadas de minha pesquisa de doutorado

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em andamento, denominada "Os usos de "brasilidade" ou a história de um conceito
identitário", que se propõe a perscrutar os diversos usos, significações do vocábulo (que
contribuem ou contribuíram para o engendramento do conceito de brasilidade em tempos
distintos), mapeando, portando, os "tecidos" que se propuseram a distinguir o sentido de
brasilidade, identificando a existência de estereótipos e de formas discursivas e a
existência de narrativas identitárias específicas intrínsecas a esses usos para, então,
reconhecer quais as formulações e/ou figurações de Brasil operantes. Nesses primeiros
estudos, trago alguns usos atuais do termo - comprovando a urgência de uma história do
conceito - e algumas hipóteses diante de um corpus documental imbricado com sua
emergência, a saber: periódicos paulistas e cariocas publicados entre as décadas de 1920
e 1940.

Antonio Ricardo Calori de Lion

Este trabalho propõe analisar a indumentária criada para compor o figurino da


transformista Ivaná, como parte da proposição estética de sua persona feminina, no teatro
da Cia. Walter Pinto nos anos 1950. A persona era performada pelo ator Ivan Monteiro
Damião numa estética glamourizada do feminino do período. O contraponto, neste caso,
são as próprias representações femininas das vedetes que atuavam ao lado de Ivaná na
Companhia. Pensa-se esta questão a partir das prospecções de Judith Butlher no que se
refere ao sistema sexo-gênero e as regulações impostas aos corpos, não só disciplinadoras,
mas impostas como maneiras de existências forjando, assim, padrões. Debates sobre a
moda como o de Gilda de Mello e Souza possibilitam a discussão entre indumentária,
história e relações de poder (gênero). A análise se dá a partir de imagens da transformista
em cena e em material de divulgação das peças teatrais nas quais fora estrela, neste âmbito
as suas representações são o foco analítico, pensadas a partir de suas práticas artísticas.
Entende-se, deste modo, que: a) houve uma regulação de gênero na construção estética
da transformista Ivaná a partir de elementos que destoavam da feminilidade das vedetes
brasileiras, já que o ator Ivan Damião viera da França para atuar no RJ, e trazia a
nacionalidade francesa na esteira de seu cartaz; b) a disciplinarização de uma dada estética
"travesti" sobre o corpo do performer mostra a construção de um padrão de transformismo
no Brasil daquele período, colocando em evidência elementos femininos tidos como
belos, atrativos, do mundo cinematográfico e civilizado da mulher europeia.

Beatriz Rodrigues

Ao folhear as páginas de jornais e revistas de finais do século XIX e início do


século XX encontraremos diversos textos que tratam da língua portuguesa com imenso
pesar. As queixas, tanto em relação à fala, quanto à escrita, referiam-se às transformações
"inovadoras" que invadiam e perturbavam a língua. Dentre essas inovações malquistas,
estava o costume de utilizar palavras estrangeiras, especialmente o francês e o inglês,
misturadas ao português. Jornais, livros, tabuletas, cinema, as palavras estrangeiras
estavam por toda parte e muitos as utilizavam inoportunamente, com locuções mal
escritas e como forma de distinção. O uso dos estrangeirismos não era um problema em
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si, mas a forma desmesurada como eram empregados provocava tensão entre muitos
intelectuais. Prova contundente dessa polêmica é a quantidade massiva de artigos em
periódicos brasileiros declarando o grande mal que estavam causando para a língua, para
a cultura e para a nacionalidade brasileira. Muitos partiram da possibilidade de uma língua
pura, nossa, isenta de contaminação estrangeira. Dessa forma, este trabalho apresenta e
tece reflexões sobre as polêmicas em torno da língua portuguesa e o uso de termos
estrangeiros que foram apresentados pela imprensa entre os anos de 1880 e 1930.

Ellen Karin Dainese Maziero

Esta comunicação tem por objetivo apresentar algumas representações da


imprensa ilustrada a respeito da participação das mulheres nos carnavais de fins dos anos
1960 e da década seguinte, buscando refletir sobre a construção da imagem da mulher
carioca, cujo corpo é comumente associado à beleza e à sensualidade. Para tanto se
perscrutará o papel do carnaval na construção desse perfil de mulher carioca e como esse
ideal feminino influenciava a cobertura que a imprensa realizava dos carnavais do Rio de
Janeiro no período selecionado. Por meio de charges e de matérias contidas nas revistas
O Cruzeiro e Manchete, importantes na abordagem do carnaval pelo grande destaque
dado à temática em suas páginas, será possível observar a forma como o carnaval se
revestiu de uma significativa carga de sensualidade, principalmente no plano corporal, no
processo de (re)afirmação da representação da mulher carioca como ousada. O período é
assinalado por transformações nos costumes relacionadas à chamada revolução sexual e
pela erotização que o corpo feminino adquiriu na publicidade e na imprensa, de um modo
geral, o que acabou por reverberar na forma como as mulheres passaram a ser apreendidas
no carnaval. Se as mulheres cariocas, sobretudo as da zona sul, eram recorrentemente
representadas como mais ousadas no campo da sensualidade e da sexualidade, as mulatas,
pertencentes às classes populares, seriam a própria personificação dessas características.
Embora a imagem da mulata "fácil", produzida durante o período escravocrata, tenha
adquirido, na primeira metade do século XX, outros sentidos relacionados à sua
transformação em símbolo da brasilidade mestiça, ainda assim permaneceu com o
estereótipo de mulher sensual e disponível. Nesse sentido, a comunicação discutirá
também a figura da mulata no carnaval e sua consequente relação com a própria
identidade da festa momesca.

Emerson Porto Ferreira

A seguinte proposta de apresentação no ST-07, na Semana de História da Unesp


consiste em uma análise de seis sambas-enredo apresentados no carnaval do ano de 1982,
no então Grupo Especial da cidade de São Paulo. A escolha por tal ano se apresenta em
dois motivos: o primeiro devido a quantidade expressiva de enredos sobre essa temática
afrobrasileira, contabilizando mais da metade dentre os dez enredos contados e cantados
pelas agremiações. O segundo ponto se apresenta no conteúdo que tais sambas
apresentam, refletindo as mudanças de representação e da inserção do negro na história,
e não só apenas na cultura. Tais modificações podem ter como hipótese as agitações
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políticas do período e a um redirecionamento das pautas e formas de ação do Movimento
Negro, principalmente na cidade de São Paulo. Os sambas escolhidos para tal
apresentação e análise são das seguintes escolas de samba: Vai-Vai, Nenê de Vila
Matilde, Camisa Verde e Branco, Rosas de Ouro, Mocidade Alegre e Unidos do Peruche
que apresentam muito mais que uma simples canção. Tais obras apresentam visões sobre
a história e cultura do negro, que vão desde ao questionamento da figura do negro na
sociedade até aspectos da religião de matriz africana. Além do conteúdo, as escolhas de
tais enredos apresentam traços e aspectos das identidades que cada agremiação possui,
constituindo visões distintas sobre o mesmo assunto e influências distintas sobre a época
de transição política que o país enfrentava, e de como cada escola de samba se inseria
nesse contexto. Desta maneira, nosso objetivo é o de evidenciar os aspectos identitários
e de representação da figura do negro dentro do carnaval paulistano e na história e cultura
brasileira, a partir de tais sambas-enredo e artigos de jornal da Folha de São Paulo e de
informações no acervo da SASP sobre o período.

Glauco Costa de Souza

O presente trabalho faz parte da minha tese de doutorado intitulada: "Permanecer


em mim" e no meu "Itinerário": as interfaces internacionais do integrismo católico na
trajetória dos intelectuais do grupo Permanência na França (1975-1989). Defendeu-se a
ideia de que os líderes intelectuais da revista Permanência (RJ, 1968- até hoje), Gustavo
Corção (1896-1978) e Julio Fleichman (1928-2005), podem ser considerados mediadores
do regime militar brasileiro no exterior. Ambos escreveram artigos e proferiram discursos
em defesa à ditadura e ataques à Igreja Católica progressista na revista francesa Itinéraires
(Paris, 1956-1996) e nos congressos internacionais de Lausanne (Suíça) durante as
décadas de 1970 e 1980. Nessa perspectiva, procura-se apresentar nessa comunicação o
acervo documental de Gustavo Corção, que é composto de 3.448 documentos e revelam
cartas, diplomas, ofícios, telegramas, recortes de jornais e revistas enviados ao escritor
por pessoas que lhe informavam sobre a crise da Igreja Católica Romana em âmbito
nacional e internacional. Desse modo, foram catalogados os principais remetentes do
clero e do laicato católico nacional e internacional que escreveram para Corção, além das
documentações que revelaram a proximidade do intelectual com a cúpula dos militares.
Foi estabelecido um recorte temporal que vai do ano de 1964 até 1978, e compreende
2.017 documentos. Essas fontes representam uma sólida arquitetura de correspondências,
com uma rede de sociabilidades responsável por engendrar a militância intelectual de
Gustavo Corção. Tais cartas conectavam Corção com os assuntos ligados à crise interna
que acometeu os grupos da Igreja Católica internacional e com os episódios políticos do
regime militar. Encontraram-se religiosos e leigos do mundo todo que fizeram parte desse
sistema de informações via correspondência e que informavam e direcionavam o
intelectual aos seus ataques jornalísticos na imprensa católica brasileira e internacional.

51
Inayê Silva Andrade

A partir de 1990 ocorre uma "virada biográfica" no Brasil na área de história da


educação (SILVA, 2015), é neste momento que o memorial acadêmico passa a ser exigido
dos professores universitários quando prestassem concursos públicos com o objetivo de
ascensão na carreia. Este documento acaba se tornando um material privilegiado para o
estudo de intelectuais brasileiros, sendo uma das fontes utilizadas nessa pesquisa. Luiz
Roberto de Barros Mott (1946- ) é professor titular aposentado da Universidade Federal
da Bahia (UFBA), possui uma carreira acadêmica consolidada com experiência nas áreas
de Antropologia e de História. O intelectual também é homossexual assumido e um dos
fundadores do Grupo Gay da Bahia (GGB), sendo conhecido por conta do seu ativismo
em prol dos direitos civis LGBT+ desde 1980. O interesse desta pesquisa é o estudo da
memória autobiográfica do intelectual-militante por meio de três fontes documentais,
sendo o memorial acadêmico apresentado em seu concurso público de titularidade no
Departamento de História da UFBA, o livro Crônicas de um gay assumido (2003) e as
entrevistas disponibilizadas em seu blog pessoal. Os materiais citados acima caracterizam
o espaço biográfico, conceito cunhado por Arfuch (2010), de Luiz Mott. Por meio da
análise desses textos é possível reconhecer algumas temáticas recorrentes que apresentam
a influência da esfera política, social, econômica e cultural na trajetória do personagem.
Outro aspecto a ser observado é a performance adotada pelo antropólogo dependendo do
formato do documento que escreveu. Um indivíduo consegue descrever sua trajetória de
formas diferentes, dependendo do que busca mostrar sobre si. A performance na escrita
autobiográfica é construída por meio do que se escolhe relatar ou omitir, sendo estes
pontos dependentes do objetivo do documento escrito e do público ao qual é destinado.
Por fim, a pesquisa está em sua fase inicial, dessa forma carece de conclusões. Por este
motivo a apresentação terá um enfoque maior na descrição das fontes, metodologia
utilizada e algumas observações iniciais acerca do material analisado até o presente
momento.

Jéfferson Luiz Balbino Lourenço da Silva

A partir da década de 1960, a teledramaturgia brasileira, sobretudo, as produções


da TV Globo, vem se apropriando de obras literárias para desenvolver seus produtos
teleficcionais no âmbito da teledramaturgia (telenovelas, séries, especiais e minisséries).
Foi assim com a A Moreninha (1965), a primeira adaptação literária produzida pela
emissora, inspirada no romance homônimo do escritor Joaquim Manuel de Macedo até a
mais recente adaptação, nessa conjuntura, a minissérie Se eu fechar os olhos agora (2019),
produzida e exibida pela TV Globo e tendo sido adaptada do romance homônimo do
escritor Edney Silvestre, pelo roteirista Ricardo Linhares. Em quase todos os casos, as
adaptações televisivas inspiradas em obras literárias tornaram-se benéficas nas duas
esferas, pois na televisão alcançaram sucesso obtendo boa repercussão junto ao público e

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crítica e na literatura as adaptações televisivas serviram para propagar as obras literárias
projetando-as nacionalmente e internacionalmente, inclusive, alavancando as vendas no
mercado editorial. Todavia, o foco da presente comunicação é investigar como a História,
a Literatura e a Teledramaturgia estão correlatadas através da obra literária e televisiva A
Casa das Sete Mulheres, baseada no romance homônimo escrito por Letícia
Wierzchowski, em 2002, e tendo sua adaptação para a televisão, através da minissérie
homônima, produzida e exibida pela TV Globo, em 2003. Haja vista que analisaremos
como a obra literária e a minissérie em questão representaram a mulher farroupilha para
assim confrontarmos como as mulheres estiveram e estão representada na História Oficial
e em suas adaptações/representações literárias e televisivas. Ou seja, será feito
interconexões da leitura que vem do campo da história com a leitura que vem do campo
da literatura e que resultam de um modo ou outro na esfera da teledramaturgia. Sendo
assim, a presente comunicação visa analisar a imbrica relação entre história, literatura e
teledramaturgia sob a ótica dos estudos de Reimão (2004), Roger Chartier (2011) e Serge
Moscovici (2011).

Jesiane Debastiani

No momento em que Getúlio Vargas assumiu a presidência do país, a política


imigratória brasileira passou por grandes modificações, inicialmente visto como um país
de "portas abertas" aos estrangeiros, iniciava-se no Brasil um período de maior controle
e seleção aos imigrantes que chegavam ao território brasileiro. Muitos estrangeiros,
através de critérios eugênicos, passaram a serem considerados desejáveis, principalmente
os europeus brancos essenciais para o processo de branqueamento da população
brasileira, enquanto que muitos imigrantes eram vistos como indesejáveis para a
formação do povo brasileiro, com isso eram proibidos de vir ao Brasil. A presente
comunicação tem como objetivo analisar os critérios utilizados para a seleção dos
imigrantes indesejáveis como também a política imigratória brasileira destinada a estes
estrangeiros durante o Governo Vargas, mais precisamente durante os anos de 1940 a
1945, período em que a imigração passou a ser cada vez mais controlada, momento
também em que o país estava sob o governo do Estado Novo.

João Marcelo de Oliveira Cezar

Tendo como base documental o vídeo-documentário Temporada de Caça (1988),


dirigido por Rita Moreira, o trabalho em questão buscará analisar como os casos de
violência cometidos contra pessoas pertencentes a comunidade LGBT+ na década de
1980, estão diretamente ligados a uma propagação, como forma de política de Estado, da
ideia de que essas pessoas eram anormais, e não só mereciam, como também precisavam
serem punidas por isso, pelos representantes diretos do governo no que refere a essa
punição, a polícia, mas também pela própria sociedade civil. Buscamos possibilitar
enxergar a existência dessas pessoas enquanto ameaça a Doutrina de Segurança Nacional,
tida como princípio do regime de então, o que as tornavam não meras inimigas políticas

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do Estado, mas, de fato, corpos que deviam ser aniquilados. Ainda, para a compreensão
de que as organizações de esquerda também propagavam um discurso que marginalizava
pessoais homossexuais ou que desviassem dos padrões que lhes era esperado, o trabalho
tem como objetivo analisar os relatos de Herbert Daniel, militante das guerrilhas de
esquerda que se opunham ao regime militar instaurado no Brasil entre 1964 e 1985, por
meio de seus escritos Passagem Para o Próximo Sonho (1982) e Meu Corpo Daria um
Romance (1984), ambos de caráter autobiográfico. A questão central que será exposta
nesse momento do trabalho é o fato de que para se consolidar dentro dessas organizações,
como um bom guerrilheiro, Daniel precisou ocultar sua sexualidade (homossexualidade)
e suas subjetividades, tendo que se consolidar como um típico "macho", viril, corajoso, e
"capaz de fazer a revolução".

João Paulo Rodrigues

Cresceu, nas últimas décadas, o número de estudos consagrados ao Levante


"Constitucionalista" de 1932. Diversos assuntos relacionados a ele, por conseguinte,
foram discutidos à exaustão, como o conflito de classes, a importância da propaganda
para a guerra e as formas de mobilização popular, entre outros. Surpreendentemente,
todavia, as manifestações de violência que tomaram forma no transcorrer desse confronto
foram mantidas longe do centro das atenções. Sem exageros, pode-se até sustentar que os
atos de força dessa beligerância não foram apenas esquecidos, mas sobrepujados
historicamente, enquadrados por uma memória triunfalista, porém, apaziguadora da
revolta, que exibe as cenas de engajamento, com exércitos de armas em punho e, ao
mesmo tempo, assepsia qualquer vestígio de sangue, que exalta o heroísmo "pelo bem do
Brasil unido", fazendo o possível para ocultar os ódios e as agressões cruéis entre
brasileiros. Esta apresentação, à vista disso, toma como fontes os dados relativos aos
combatentes que perderam a vida na luta, bem como os processos militares destinados a
averiguar os crimes de guerra, para problematizar as formas da violência física que
tiveram lugar no confronto "constitucionalista" e seus sentidos principais na (re)leitura
deste levante.

José Augusto Alves Netto

Esta proposta de comunicação tem o intuito de apresentar e discutir a relação


estabelecida entre Poty Lazzarotto (1924-1998) e alguns dos mais importantes
intelectuais do período destacado. Neste estudo apresentamos as afinidades estéticas e
culturais de Poty com: o artista plástico Carybé (1911-1997); os irmãos sertanistas
Cláudio Villas Boas (1916-1998) e Orlando Villas Boas (1914-2002); e o crítico de arte
Quirino Campofiorito (1902-1993). Este movimento analítico nos permite debater os
contextos histórico e cultural do Brasil naquele momento. Neste sentido, ao nos
propormos efetuar uma análise dos laços de sociabilidades artísticas e intelectuais de Poty
deste momento, entendemos que estas relações de amizade serviram para modelar o seu
traço artístico sobre a cultura brasileira. Em nossa investigação sobre os sentidos
históricos da obra de Poty ultrapassamos os limites temporais por nós estabelecidos entre
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as décadas de 1940 a 1960. Entendemos ser importante ao menos apresentar alguns dos
desdobramentos anteriores e também posteriores da obra plástica do artista no sentido de
valorizar o seu olhar atento sobre a sociedade brasileira. Por fim, este trabalho é parte
integrante de nossa tese de doutoramento intitulada "POTY LAZZAROTTO: UM
ILUSTRADOR DA CULTURA BRASILEIRA (1945-1965), onde em nossos estudos
sobre Poty Lazzarotto (1924-1998) investigamos a construção de sua trajetória de artista
plástico que alçou voos para além da cidade de Curitiba-Pr. Tendo passado por distintas
fases, Poty produziu xilogravuras, desenhos, gravuras, ilustrações, dentre outras
expressões artísticas. O recorte temporal proposto em nossa tese aborda o período em que
Poty colaborou com importantes casas editoriais brasileiras, como por exemplo
Civilização Brasileira e José Olympio, ilustrando as obras de expressivos nomes da
literatura do Brasil no período, tais como Guimarães Rosa e Jorge Amado, dentre outros.

Luis Eduardo Bove de Azevedo

Jânio da Silva Quadros foi um político brasileiro que teve grande parte de sua vida
inserida na atividade pública. Foi eleito presidente do Brasil em outubro de 1960,
assumindo o cargo em janeiro do ano seguinte. Contudo, antes mesmo de chegar à
presidência, Jânio já havia trilhado sua carreira política no estado de São Paulo, como
vereador da capital paulista, após a cassação do Partido Comunista Brasileiro, em 1947,
deputado estadual paulista (1951), prefeito de São Paulo (1953) e governador do estado
(1955). Em meio a um ambiente de instabilidade social desde a década de 1950, o Brasil
vivenciava um novo cenário político, ainda sob os reflexos do suicídio de Getúlio Vargas
(1954). Diante disso, as disputas eleitorais nas décadas de 1950 e 1960 foram marcadas
pelo uso, de sua parte, de recursos como slogans e jingles eleitorais em suas campanhas,
que se tornaram muito populares na sociedade por apresentarem uma visão de Brasil
identificada, sob a óptica de Quadros, contrária à bandalheira, à corrupção, aos privilégios
dos mais ricos e à desesperança da população. Neste sentido, Jânio procurava divulgar
uma imagem de si como capaz de combater e "varrer" estes problemas da nação brasileira,
trazendo, por sua vez, uma nova esperança e moralidade. Dessa forma, recursos como o
jingle "Varre, varre, vassourinha" apresentam a ideia formulada por ele acerca da
concepção do que deveria ser o Brasil sob o seu governo. Muito além de apenas sair
vitorioso, o objetivo das suas campanhas era, também, propagar as ideias de nação por
ele formuladas, presentes até os dias de hoje em estratégias eleitorais. O intuito desta
pesquisa, portanto, é compreender como as campanhas políticas de Quadros e os
mecanismos por ele adotados representam uma nova concepção de identidade nacional,
e como os estudos de sua trajetória permitem compreender os discursos políticos em torno
desta específica ideia de nação.

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Luiz Gustavo Ayres dos Reis

As pesquisas historiográficas no campo da literatura levantam apontamentos não


apenas de recuperação de escritos do passado, mas de considerações quanto aos papeis
sociais e elaboração de discursos para construção de identidades. As narrativas dos
literários são capazes de constituírem representações identitárias de práticas culturais
produzidas a partir de uma realidade social. Tais representações não estão dispostas de
neutralidades pois são construtores de espaços que legitimam decisões, opiniões e
verdades expressas nos elementos discursivos. O objetivo dos parágrafos que aqui se
seguem é soerguer as representações de saúde e doença na literatura modernista sob a luz
dos referenciais teóricos da História Cultural e com um olhar específico nas obras do
literário Mário de Andrade (1893 - 1945). O escritor realizou entre 1927 e 1929 viagens
pelo Brasil e registrou em diários e crônicas para jornais, diversos assuntos temáticos a
cultura brasileira. Esses escritos foram organizados num livro póstumo publicado em
1971 denominado O turista aprendiz. Das doenças que vão sendo impressionadas pelo
autor, ele identifica, na cidade de Natal, a lepra. Durante uma outra viagem com destino
a Amazonas, em 1927, o escritor entra em contato com a malária e publica dois artigos
no Diário Nacional: Maleita I e Maleita II. Em outro momento, Andrade escreve em 1939
um ensaio chamado Namoros com a Medicina. Livro dividido em duas partes:
Terapêutica Musical e Medicina dos Excretos, no qual o autor demonstra sua íntima
relação com a medicina popular e reflexões sobre os males do corpo e da alma. Já no final
do século XIX, as questões sanitárias no Brasil compõem um dos assuntos centrais da
política nacional de saúde pública. Aliada a interesses de uma elite, as medidas
sanitaristas, médicas e eugenistas foram colocadas em práticas pelos órgãos do Estado a
fim de solucionar os problemas endêmicos do país, sobretudo no espaço rural e elevar o
Brasil à nível de produtividade que antes estava estancada devido ao abandono da
população. Mais sólido no século XX, a ciência vai se tornando um corpo
institucionalizado que vem a contribuir para formação nacional e identitária brasileira,
trazendo questões concernentes a modernidade de uma nação. A partir desse debate a
medicina popular passa a ser perseguida, sendo substituída paulatinamente pela medicina
clínica quanto ao controle das enfermidades. Assim Mario de Andrade está inserido nesse
cenário como um defensor dos saberes e das práticas populares como elementos
intrínsecos a valorização da cultural popular do Brasil.

Tamires Sacardo Lico

Este trabalho tem como finalidade compreender a participação de trabalhadores


da Companhia Paulista de Estradas de Ferro na conjuntura grevista do final da década de
1910. Em um contexto cuja cultura escravista ainda era predominante, percebemos as
reivindicações de setores corporativos organizados como essencial para as mudanças nas
condições legais dos trabalhadores. É importante lembrar que o ano de 1906 foi marcado

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pela greve dos ferroviários da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, considerado um
primeiro ensaio de greve geral. Tal fenômeno paredista e as reivindicações apresentadas
na greve teve impacto direto na relação entre as autoridades da Companhia Paulista de
Estradas de Ferro e seus funcionários, saindo da órbita puramente repressiva. Por este
motivo, buscaremos analisar como ocorreu a organização do movimento e as ações
reivindicatórias desse grupo de trabalhadores durante o período de conjuntura da greve.
Ademais, também procuraremos investigar tanto o impacto imediato como os resultados
mais longevos desse movimento paredista para a história de luta por direitos da classe
operária da Primeira República. Por fim, como se trata de um trabalho inicial de pesquisa
de doutorado, buscaremos demonstrar a atuação destes trabalhadores por meio dos jornais
do período e da bibliografia sobre o tema.

Vera Lúcia Silva Vieira

A partir da análise de corpus documental formado por diferentes modalidades


narrativas - contos, crônicas, romances, relatos pessoais e diários de viagem, além de
outras publicadas em jornais e revistas - procurei dialogar com os escritos de Ignácio de
Loyola Brandão. O escritor e jornalista tematiza questões importantes que dizem respeito
à memória e aos usos públicos e políticos do passado. Registros que mobilizam passados
recentes, ainda carregados de sentimentos, medos, humilhações e indiferenças. Em suas
múltiplas narrativas não deixou de estampar e inscrever sua própria vida em literatura.
Sua trajetória entrecruza-se à história do cotidiano, à história da imprensa, à história de
São Paulo, à história conturbada e violenta da política dos anos 1960-70 e aos importantes
debates que perpassaram a sociedade brasileira nos últimos 50 anos. Neste trabalho
destaco figurações que dizem respeito às memórias em disputa acerca da ditadura civil-
militar de 1964. Questões socialmente vivas e que constituem temas densos, polêmicos e
controversos; aspectos que envolvem a tarefa de elaboração do passado, o desejo de
memória e sentimento de indignação. Loyola Brandão busca testemunhar e posicionar-se
quanto à salvaguarda da história e da memória. Operações que se movem percorrendo
multifacetadas dimensões da condição humana que dizem respeito a formas de
experiência estética, sensível e histórica.

Ynayan Lyra Souza

Eventos e personagens da História do Brasil foram e continuam sendo


rememorados nos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro. Ao longo dos
concursos, diferentes agremiações carnavalescas elegeram como mote de suas exibições
anuais temas como o "Descobrimento do Brasil", a "Abolição da escravidão" ou a
"Proclamação da República", além de tantos outros enredos que homenagearam figuras
como D. Pedro I, Princesa Isabel e Getúlio Vargas. A narrativa oficial presente nos
manuais escolares parece ter sido a grande fonte de inspiração de carnavalescos e
sambistas na construção desses desfiles. Entretanto, é preciso considerar que tais
instituições culturais também deram visibilidade a outros tantos personagens
escamoteados da nossa história e exaltaram aspectos culturais tradicionalmente
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marginalizados. No carnaval de 2019, por exemplo, a Mangueira levou para a avenida o
enredo "História pra ninar gente grande", que buscou questionar a história oficial,
desconstruindo certos mitos e heróis consagrados, e propôs outra versão da história
nacional centrada em exaltar o protagonismo popular, com destaque aos negros, indígenas
e mulheres. O objetivo deste trabalho é analisar o discurso apresentado pela Mangueira
nesse desfile, no intuito de compreender a visão histórica expressa pelos elementos
verbais e visuais que compuseram a narrativa construída pela escola de samba. Para tal
intento serão utilizadas diferentes fontes, como a sinopse do enredo, a letra do samba-
enredo e imagens das alegorias e fantasias.

Coordenação:
Áureo Busetto
Paulo Gustavo da Encarnação

Abner Alexandre Nogueira

A presente comunicação parte da classificação dos filmes, de mesmo nome, Fúria


de Titãs, nas versões de 1981 e de 2010 como uma Adaptação. O filme "original" de 1981,
será encarado como uma Adaptação literária e uma Adaptação pelo Imaginário em
relação as figuras míticas de Perseu, da Medusa, do Pégaso. Já o "remake" de 2010, uma
Adaptação fílmica e também do Imaginário criado em torno do filme de 1981. O conceito
da Adaptação permite apenas a compreensão e as relações entre dois polos: os produtores
fílmicos e seu produto (o filme), mas não avança em relação a recepção do público ao
filme. A fim de avançar nessa questão, propõe-se o conceito de Superinterpretação de
Umberto Eco para compreender como o público torna as obras fílmicas em históricas.
Concluindo que, na tríade sígnica Produtores-Filme-Espectadores, as adaptações tornam-
se, em certa medida, narrativas históricas não-profissionais necessitando ao historiador
compreendê-las e posicionar-se frente a essas outras narrativas, produtoras de
conhecimento ou cultura histórica.

André Ricardo Zimmermann da Silva

O objetivo deste projeto é o de buscar conhecer e compreender historicamente


elementos audiovisuais que a minissérie "JK" - da autoria de Maria Adelaide Amaral e
Alcides Rodrigues, exibida pela Rede Globo de Televisão, no primeiro trimestre de 2006-
oferecia aos telespectadores/eleitores para possível comparação entre o político JK e seu
governo com a gestão presidencial de Lula e sua candidatura à reeleição e a governança
estadual e propostas eleitorais de Alckmin na fase inicial da campanha presidencial de
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2006. Para tanto, além da análise do conteúdo da minissérie em foco, serão pesquisadas
também as manifestações e ações de Lula e Alckmin reportadas e avaliadas pela grande
imprensa durante o ano de 2005, principalmente a partir das denúncias do chamado
Mensalão, até o março de 2006, quando do final da exibição de "JK". Sem descuidar das
semelhanças e dos distanciamentos entre os dados da biografia de JK enfocados pela
minissérie e os conhecidos da vida pessoal de Lula e de Alckmin.

Áureo Busetto

Personagem criado e representado por Jô Soares para compor um dos quadros do


seu humorístico "Viva o Gordo", exibido pela Rede Globo, o Capitão Gay surgiu na
telinha pela primeira vez em março de 1982, assim, seguindo por mais três anos. Suas
aventuras se iniciavam quando pessoas em apuros - quer em situações inusitadas, quer do
cotidiano - chamavam pela sua ajuda. Ao ostentar em seu nome patente militar e ser gay,
o super-herói criado por Jô Soares servia para satirizar o machismo e alguns preconceitos
da sociedade com a homossexualidade, reforçados durante a Ditadura Militar, bem como
a masculinidade estereotipada dos super-heróis das HQs, dos filmes e da TV. O quadro
também se aproveitava das "especulações generalizadas" sobre a relação gay entre o
Homem-Morcego e o Garoto Prodígio, posto que o Capitão Gay contava com a
companhia de seu fiel escudeiro Carlos Suely (vivido pelo ator Eliezer Motta). A sátira
era reforçada pelos seus uniformes, compostos de collant, perucas coloridas, plumas e
muito brilho. Rapidamente o quadro ganhou à aderência da audiência, inclusive,
agradando ao público infantil. Bordões da dupla foram incorporados ao linguajar
cotidiano. Suas figuras foram estampadas em camisetas e viraram bonequinhos, além de
servirem para caracterizar ala inteira de escola de samba. Elementos que lhes
possibilitariam gravarem um single com canções temas do quadro. Em meio a tal sucesso,
o quadro humorístico colheu tentativas de cerceamento e/ou retirada do quadro por parte
de autoridades e moralistas de plantão. Isso sem desconsiderar que o quadro quase foi
vitimado por "autocensura" de dirigente da Rede Globo quando proposto à emissora.
Toda essa movimentação, entretanto, não fora páreo ao poder do quadro. Mas a sua
"criptonita" se encontrava arquivada no Instituto Nacional de Propriedade Industrial
(INPI), órgão a guardar registro da marca "Gay", obtida por empresário do ramo do
entretenimento anos antes do lançamento do quadro. A cobrança legal do uso da
palavra/marca, porém, não foi apenas enfrentada pelo quadro, e por extensão à Rede
Globo, uma vez que o pagamento era imposto a qualquer atividade ou produto ao se
utilizar da dela, afetando o universo de shows e espetáculos voltados ao público gay. O
enfoque histórico do quadro humorístico "Capitão Gay" - em termos da produção,
divulgação e recepção - possibilita compreender o lugar da homossexualidade no humor
televisivo brasileiro e suas possíveis contribuições ou obstáculos à causa gay no Brasil, à
época, politicamente marcado pelo final da Ditadura Militar e o início da Nova República,
com uma mídia ainda pouco antenada ao respeito das diferenças e avolumar-se do
movimento gay.

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Carla Drielly dos Santos Teixeira

A história da televisão brasileira se mistura com a história política do país. Ao


longo do governo militar (1964-1985) o setor de telecomunicações foi visto como um
elemento de integração nacional. Durante o período da redemocratização a radiodifusão
divulgou e, tantas vezes, incentivou os eventos políticos que desaguaram na Nova
República, tendo a Assembleia Nacional Constituinte (ANC), instalada em 1987, como
marco na luta por democracia e direitos. Em abril daquele ano foi ao ar o "Diário da
Constituinte" (DC) destinado à veiculação em rede nacional de rádio e televisão. Tratou-
se da primeira experiência de telejornal sobre o legislativo na TV aberta. Mostrava os
bastidores, notícias e entrevistas sobre os temas discutidos no Congresso Constituinte,
sob a tutela da Mesa Diretora, especialmente Ulysses Guimarães, presidente da ANC.
Este trabalho tem como objetivo analisar o conteúdo veiculado no primeiro mês de
exibição do DC, com especial atenção ao destaque oferecido ao tema da Comunicação
Social e as discussões consideradas ou integradas ao texto final aprovado.

Conrado Ferreira Arcoleze

Essa comunicação visa discutir a veiculação dos debates eleitorais televisivos na


campanha presidencial de 1989 realizados pela Rede Bandeirantes, através dos jornais
cariocas Jornal do Brasil e O Globo. O canal realizou um total de quatro debates - sendo
um deles dividido em duas rodadas - durante a campanha, respectivamente nos dias 17 de
julho, 14 e 15 de agosto (duas rodadas) e 5 de novembro. Os candidatos presentes em
todos os debates foram: Leonel Brizola, Luiz Inácio Lula da Silva, Mário Covas, Paulo
Maluf, Guilherme Afif, Roberto Freire e Ronaldo Caiado. Aureliano Chaves e Affonso
Camargo não participaram do último, enquanto Ulysses Guimarães esteve presente
apenas no segundo. O líder das pesquisas durante todo o período, Fernando Collor, esteve
ausente em todos os debates. Em 1989, o Jornal do Brasil (família Brito) e O Globo
(família Marinho) possuíam acirrada rivalidade pela preferência dos leitores cariocas -
sendo que tal rivalidade ocorria de forma mais intensa há pelo menos 20 anos - com a
liderança de mercado estando com o veículo de propriedade da família Marinho. Além
disso, a concorrência se estendia para outros meios de comunicação, como o rádio. O
grupo Jornal do Brasil tentou sem sucesso no final dos anos 1970 e começo dos 1980
obter uma concessão de televisão, através do canal TVS, mas foi derrotado no processo
pelo apresentador e empresário Silvio Santos. O Grupo Globo era concessionário de
serviço público em rede de televisão, possuindo a Rede Globo, líder absoluta em
audiência no país. A Rede Globo optou por não realizar debates televisivos no primeiro
turno da eleição por considerar que tal formato não proporcionava confronto de ideias,
apenas discussões e provocações entre os candidatos. Além disso, o candidato Collor
optou por não comparecer aos debates em primeiro turno - buscando preservar sua
imagem e evitar ataques - e tal fator também foi ponderado na decisão final da Rede

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Globo, que optou por entrevistas com os principais candidatos, em programa denominado
Palanque Eletrônico. Apesar de não possuir a mesma estrutura e estar longe dos números
de audiência da Rede Globo, a Rede Bandeirantes era vista como uma concorrente da
emissora de Roberto Marinho na disputa pela preferência do telespectador e foi o
principal veículo a transmitir o confronto entre os principais presidenciáveis no primeiro
turno. Analisando que o país estava a 29 anos sem eleger diretamente seu Presidente da
República, com grave crise socioeconômica, um desgastado governo Sarney e recém-
saído de uma ditadura militar que durou 21 anos, os debates foram o principal palco em
que todos os postulantes à Presidência estavam reunidos e apresentando suas ideias e
propostas para merecerem o voto de cada cidadão. Considerando ainda que o Jornal do
Brasil era o maior concorrente do periódico do Grupo Globo, a veiculação dos debates na
Rede Bandeirantes pelos dois jornais permite compreender o destaque que ambos os
veículos deram ao confronto de ideias entre os principais candidatos a presidente do
Brasil, bem como os interesses mercadológicos por detrás de tais veiculações, com a
concorrência entre os periódicos sendo ampliada em disputa de mercado pelos dois
grandes grupos de comunicação.

João Otávio Tomazini Fardin

Disponíveis em repositórios digitais, os objetos de aprendizagem são recursos


caracterizados pela sua possibilidade de reutilização em diferentes espaços ao longo do
tempo, normalmente ligados às plataformas digitais. Assim, estas ferramentas tem
ganhado importância no âmbito escolar. No entanto, percebe-se que por falta de cultura
digital, muitos professores que atuam em sala de aula têm dificuldades em selecionar
estes recursos e aplicá-los em sua prática pedagógica. Desta forma, esta pesquisa se
propõe a elencar os objetos de aprendizagem disponíveis no BIOE, para o ensino de
história, sobre o tema das grandes navegações, previsto no currículo do estado de São
Paulo para o sétimo ano do ensino fundamental. Em nosso texto é feita uma análise de
cada objeto de aprendizagem, considerando aspectos técnicos, como a linguagem
empregada, e características pedagógicas. O objetivo final é tanto avaliar estes objetos de
aprendizagem quanto sugerir alguns cuidados necessários na aplicação destes recursos.

José Rodolfo Vieira

O objetivo desse trabalho consiste em analisar as representações do grupo


fundamentalista islâmico Hamas por meio das visões de mundo do jornalista
estadunidense Joe Sacco em seu livro-reportagem publicado no gênero História em
Quadrinhos "Notas sobre Gaza". Em "Notas sobre Gaza", Sacco viaja para Palestina entre
2001 e 2002, durante os acontecimentos posteriores aos ataques contra as Torres Gêmeas
no 11 de setembro e discorre sobre a Guerra de Suez de 1956 e os ataques cometidos pelo
exército israelense contra as aldeias na Faixa de Gaza de Khan Younis e Rafah. A hipótese
norteadora desse trabalho considera que, apesar de Joe Sacco descrever acontecimentos
de 1956, sua narrativa contém elementos que criticam e colocam em exposição a

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repressão efetuada pelo Estado Israel contra o povo palestino durante o período de
produção de seu trabalho (2002-2009). Para conseguir responder a essa questão,
utilizaremos como aporte teórico o conceito de representações do historiador francês
Roger Chartier. Metodologicamente, flexionaremos a análise de Jean Starobinski para os
estudos de literatura para a análise das Histórias em Quadrinhos enquanto suporte
material livresco e juntamente analisaremos elementos da linguagem própria das artes
sequenciais baseados em trabalhos como de Will Eisner e Umberto Eco.

Paula Tainar de Souza

Esta proposta tem como objetivo central a realização de uma análise histórico-
comparativa entre a constituição das multidões no século XIX e XXI. O fenômeno de
aumento do aglomerado de pessoas nos centros urbanos ocorre no século XIX, simultâneo
ao surgimento dos meios de comunicação de massa. Pretende-se ampliar a análise para a
importância e relação do processo midiático no âmbito social, com ênfase no surgimento
do cinema e seu impacto. Para embasamento metodológico utilizaremos os estudos de
Gustave Le Bon, Michael Hardt e Antônio Negri. Gustave Le Bon diagnostica o
fenômeno de constituição das multidões no século XIX, colocando-o enquanto o novo
poder da idade moderna e realizando um estudo detalhado das suas características e
aspectos psicológicos. Michael Hardt e Antônio Negri contextualizam suas análises
acerca das multidões nas dinâmicas sociais do século XXI, pensando-a enquanto agente
político e levando em consideração os conceitos de biopolítica e biopoder para melhor
compreensão do mundo contemporâneo.

Paulo Gustavo da Encarnação

Muita da imagem do roqueiro, por exemplo, durante os anos 1960 e 1970 foi muito
associada a partir de referências dos The Beatles, Rolling Stones, de bandas do rock
psicodélico, de hard rock e das associações com comportamentos do movimento hippie e
da contracultura. Ainda nos anos 1970 e durante os 1980, outros atributos foram somados
à imagem e ao estereótipo em decorrência da popularização, em diversas partes do
mundo, do heavy metal e do punk rock, inclusive muitos deles se mantendo até os dias
atuais no senso comum sobre o rock e o roqueiro. O rock, especialmente, a partir do início
da década de 1960 foi sendo associado às drogas como, na mesma medida, foi
incorporando tal estereótipo comportamental. É uma mão de via dupla, o gênero musical
incorporou tal imagem, assim como foi sendo incorporado pela mídia, fãs, músicos e
detratores do estilo musical. Muitas matérias foram publicadas destacando essa suposta
relação entre drogas e o ritmo do rock. Dessa forma, esta comunicação visa refletir
comparativamente como episódios da temática das drogas e concomitantemente do
universo do rock foram noticiados, tanto por meio de notas e manchetes quanto por
comentários, pelos jornais brasileiros e portugueses. No caso em tela, destacamos,
sobretudo, matérias que falavam de festivais de rock que ocorreram em diversas partes
do planeta e a suposta associação entre rock e drogas, com especial destaque para os
festivais cá e em terras portuguesas.
62
Thiago Fidelis

Eleito em 1960 após uma meteórica ascensão eleitoral (em treze anos, foi
vereador, deputado estadual, prefeito e governador de São Paulo), Jânio Quadros
ascendeu ao poder sem estar ligado, de fato, a nenhuma das grandes agremiações
partidárias do período, com um discurso bastante moralista e conservador, atrelado com
a eficiência de um gestor que tinha a receita certa para conter a alta da inflação e do custo
de vida, situação bastante crítica no país no momento. De maneira geral, os grandes
veículos de imprensa abraçaram a candidatura de Jânio que, próximo a UDN, acabou
conquistando a simpatia (ainda que com altas doses de desconfiança) por vários jornais
de grande circulação. Uma das poucas exceções foi o periódico Ultima Hora (UH),
fundado em 1951 por Samuel Wainer, jornalista que se aproximara de Getúlio Vargas no
processo eleitoral e que, desde então, mantivera a linha editorial da UH voltada para as
demandas e perspectivas políticas voltadas à linha defendida pelo então presidente e que,
nesse período, melhor se delineavam pelo PTB. Crítico de Jânio Quadros durante o
processo eleitoral, a UH fez campanha ostensiva para João Goulart, eleito vice-presidente
e que mantinha relação estreita com a publicação. Sendo assim, o objetivo dessa
comunicação é fazer uma análise de como a UH acompanhou o breve governo de Jânio
Quadros, levando em conta as particularidades e aspectos que permearam todo o
processo.

Coordenação:
Lúcia Helena Oliveira Silva

Daniel Alves Azevedo

Esta comunicação tem a finalidade de apresentar a pesquisa de doutorado que está


se desenvolvendo no Programa de Pós-graduação em História da FCL-UNESP, campus
de Assis, bem como alguns resultados e reflexões para o debate em torno da trajetória
política de Abdias Nascimento (1914-2011). A partir das investigações que se realizaram
no Centro de Documentação e Memória CEDEM-UNESP e no Arquivo Público do
Estado de São Paulo procuramos analisar a perseguição contra Abdias e a suposta
"ameaça" que ele representou à Ditadura militar brasileira (1964-1985). Dois aspectos
serão ressaltados em nossa análise, em primeiro lugar, a condição racista do Estado
brasileiro em perseguir e encarcerar lideranças negras e exilá-las de sua atuação política,
silenciando-as sistematicamente e, em segundo lugar, como essa perseguição contribuiu
parar o autoexílio de Nascimento em 1968. Dessa forma, é nosso intuito compreender

63
quais tensões desencadearam o seu isolamento e quais estratégias Nascimento adotou
para manter sua denúncia e crítica a questão racial no Brasil.

Elvis Rogerio Paes

A expansão das potencias imperialistas europeias do século XIX, foram


acompanhadas por um desenvolvimento de capital com propostas de assegurar matérias
primas e exportar o excedente produzido nas Metrópoles. Porém, tal política, não se
restringiu a fatores econômicos, com ela, surgiu também o paradigma racial, responsável
por transformar o "déficit" cultural dos negros colonizados africanos, em uma
"insuficiência" genética, e, isto, com o aval de grande parte da comunidade científica
europeia. Diante de tal conjuntura, nossa pesquisa, tem por finalidade compreender o
impacto destas transformações neocoloniais, entre, o povo nigeriano Igbo, que foram
colonizados pelo império britânico. Utilizaremos para nosso estudo as representações
encontradas nas produções intelectuais do nigeriano Chinua Achebe (1930 - 2013),
pertencente a este povo. Nossa análise, percorrerá os traços presentes em seu itinerário,
averiguando os vestígios de suas redes sociais, o posicionamento político-cultural e a
ideologia característica de um africano educado em uma cultura com valores híbridos.
Nosso ponto de partida será o seu romance histórico: A Flecha de Deus, e, utilizaremos
também, sua coleção de ensaios, cujo título é: A educação de uma Criança sob o
Protetorado Britânico. Tais obras, esculpem o pano de fundo, para entendermos as reações
e apropriações dos chefes africanos igbos, diante deste novo jogo político, aplicado pelos
britânicos europeus, em suas terras na Nigéria, África Ocidental.

Fernando de Oliveira dos Santos

A comunidade negra no pós-abolição - além das diferenças entre homens e


mulheres decorrentes das condições de vida e trabalho - também era caracterizada por
outras distinções em sua estratificação interna. Em São Paulo os negros não formavam
uma camada social homogênea, tanto no que tange a situação ocupacional, quanto aos
padrões de comportamento. Com o fim do escravismo, paulatinamente formou-se uma
pequena "elite" no interior da comunidade negra, que se diferenciava da maioria dos seus
coirmãos, principalmente por conta do domínio da leitura e da escrita. Esse pequeno
segmento alfabetizado organizava e escrevia os periódicos da chamada Imprensa negra.
Os negros que atuavam nesses jornais se autodenominavam "homens de cor" e
consideravam-se porta-vozes da comunidade negra. Esses periódicos tinham como alvo
principal a própria população negra e foram publicados de forma intermitente entre 1915-
1963. Nos primórdios da imprensa negra sua principal função era divulgar eventos sociais
da comunidade tais como, festas, bailes, casamentos etc. Contudo, mesmo nessa fase
inicial, os jornais elaborados pelos homens de cor procuravam aconselhar e educar o
negro, visando sua ascensão moral e social. Nesse sentido, pretendiam inculcar ou ao
menos difundir um conjunto de regras morais com o intuito de "normatizar" o
comportamento dos negros. Além disso, a imprensa negra também denunciava as
situações cotidianas de discriminação contra os afrodescendentes. O objetivo do presente
64
ensaio é dimensionar a relevância desses periódicos para a comunidade negra paulistana,
bem como evidenciar o protagonismo dos homens de cor a frente desses jornais. O recorte
temporal situa-se entre 1915 - quando surgiu o primeiro jornal na capital paulista - e 1937,
ano em que as publicações foram proibidas após o advento do Estado Novo. Além dessas
fontes primárias, o artigo contará com o embasamento teórico da literatura hodierna
acerca do pós-abolição em São Paulo.

Jonatan Gomes dos Santos e Silva

Abordando os temas, nações e nacionalismos, podemos dizer que a história


ostenta fundamental importância para o vigor de tais fenômenos. Parece um consenso
para historiadores da História e pesquisadores dos nacionalismos, que a história serviu de
argamassa para revestir diversos discursos nacionalistas. O passado, ou maliciosos
estudos do mesmo, são alimentos fundamentais para ideologias, como explana
Hobsbawm, também é possível dizer nos dias de hoje, com base em trabalhos de diversos
estudiosos, que a relação dos historiadores com o passado, assim como das massas
(população de forma geral), também é objeto da história, ou seja, as relações sociais com
o tempo, principalmente com o passado, mudam, - segundo alguns autores, numa
frequência mais acelerada nos últimos 300 anos. Se no século XIX e até meados do século
XX havia uma certa demanda por história, ou seja, se havia neste período, no ocidente,
um vínculo com esta disciplina, seja nas ideologias políticas, ou quaisquer outras
ocupações da sociedade ocidental. Atualmente, pode-se salientar, por meio de estudos de
intelectuais renomados, que o ocidente possui uma relação mais intima com a memória.
Antes a demanda por história que embalava o século XIX e parte do século XX, nutria
posições ideológicas, alicerçando nacionalismos, posturas políticas, pode-se dizer o
mesmo da memória nos dias atuais? Pode-se ver discursos nacionalistas na atualidade
ancorados em memórias, desprovidos assim, do pudor criterioso e metodológico exercido
pela disciplina história? Este trabalho visa lançar alguns pareceres sobre as questões
formuladas acima.

Leonardo de Oliveira Paes

A produção legislativa elaborada por Portugal, na segunda metade do século XIX


e início do XX, legitimou diversas formas de trabalho forçado nos territórios coloniais,
gerando resistências africanas em torno da obrigatoriedade do trabalho. Essas situações,
representadas na Revolta do Bailundo, localizada no Planalto Central de Angola em 1902,
colocou em evidências a persistência de tal empreendimento. A sublevação é
documentada - pela perspectiva portuguesa - nos escritos de Cabral de Moncada, A
Campanha de Bailundo de 1902 e de Teixeira Moutinho, Em Legítima Defesa. A revolta
ocorreu no período em que os portugueses estavam empreendendo as "campanhas de
pacificação", um período composto de ações militares, que se sucederam nos finais do
século XIX e nas primeiras décadas do XX, e se desdobrariam em conflitos no Planalto
Central de Angola - onde estavam situados os territórios do Bié, Huambo e Bailundo. O
presente trabalho tem o intuito de analisar os agentes sociais responsáveis pela resistência

65
à dominação portuguesa em Angola e sua subsequente necessidade de controle de mão
de obra africana.

Coordenação:
Carlos Alberto Sampaio Barbosa
José Luis Bendicho Beired

Amanda Beatriz Riedlinger Soares

Este trabalho apresenta as considerações de uma pesquisa que se encontra em


estágio inicial e que pretende analisar e compreender as relações estabelecidas entre o
governo de Salvador Allende (1970-1973) e alguns destacados segmentos culturais,
utilizando, para tanto, a revista cultural La Quinta Rueda. Publicada no Chile entre 1972
e 1973, a revista se apresenta como um fórum para relevantes discussões inseridas no
debate cultural do Chile e da América Latina. Em 1970 Salvador Allende venceu as
eleições presidenciais do Chile expressando o objetivo principal de seu governo: a
conquista do socialismo no país. Sua gestão trouxe mudanças significativas na política,
na econômica e na cultura. Desta forma, a pesquisa pretende enfocar nas mudanças
ocorridas no âmbito cultural, analisando e discutindo as políticas culturais propostas e
efetivadas pelo governo Allende. Em outros termos, como a cultura foi pensada a nível
institucional em um contexto singular, que previa a instalação do socialismo no país. No
entanto, o objetivo não consiste em pensar a cultura como âmbito totalmente dependente
de políticas de auxílio. Nesta pesquisa compreende-se que a cultura atuou a partir de uma
dinâmica própria, apresentando uma postura ativa no processo de renovação política e
cultural do Chile. Neste sentido, não somente a cultura dependia de políticas de auxílio
emanadas do governo, mas também o governo dependia do desenvolvimento de uma arte
de caráter revolucionário, que legitimasse e auxiliasse o processo político em curso. Em
um contexto de mudanças econômicas e políticas radicais, também a cultura foi pensada,
proposta e produzida a partir de novos princípios.

Breno Girotto Campos

Nesta comunicação apresentaremos as conclusões e resultados da dissertação


intitulada A Vitória dos Vencidos: Política e identidade norte-americana no filme O
Álamo, de John Wayne, defendida no Programa de Pós-Graduação em História da
Universidade Estadual Paulista, campus Assis. Pode-se dizer que o filme O Álamo (Dir.
John Wayne, 1960) trata de duas dimensões temporais. A primeira diz respeito a batalha
representada na película, a Batalha do Álamo, conflito travado em 1836 entre colonos
66
oriundos de diversas regiões, principalmente do Estados Unidos, e o governo mexicano
pelo controle da província de Coahuila y Tejas. A região pouco explorada desde a
colonização espanhola atraiu milhares de colonos quando o governo mexicano decidiu
abrir a província para colonização em 1833. Pouco identificados com a cultura e
identidade mexicana, estes estrangeiros exigiram maior autonomia da província texana e
em 1836 decidiram declarar a independência da região. Entrado em conflito com o
governo mexicano, o período ficou conhecido como Revolução do Texas. O movimento
destes colonos torna a história do Texas mais um capítulo do grande movimento de
avanço sobre a região oeste e sul do continente em busca de supostas "terras livres" a fim
de conseguir mais territórios para especulação e formação de grandes latifúndios. A
segunda dimensão temporal de O Álamo é o período que o filme foi dirigido e lançado,
entre os anos 1959 e 1960, um momento particular em termos políticos, sociais e culturais
para o Estados Unidos. Os anos 1960 é o período em que a sociedade estadunidense é
confrontada por ela mesma, onde os momentos de crescimento e consolidação da sua
classe média, o baby-boom do pós-guerra e todo o desenvolvimento econômico e
expansão do consumo contrasta com movimentos sociais que buscam seus direitos, como
o movimento feminista, a busca dos negros por direitos civis, movimento de contracultura
e sua bandeira antiguerra. Dirigido e protagonizado por John Wayne, O Álamo é uma
manifestação do conservadorismo estadunidense, dialogando mais com os anos 1950 do
que com a nova década que estaria por vir. Wayne, um dos atores mais populares de
Hollywood, criou o estereótipo do homem estadunidense de classe média caucasiano
através de seus filmes de guerra e westerns. Temas como patriotismo e masculinidade são
comuns em seus filmes, nos quais seus personagens deveriam defender a donzela indefesa
e os valores da sociedade ocidental de perigos trazidos por asiáticos, índios e mexicanos.
Em O Álamo, primeiro filme dirigido por Wayne, um grupo de colonos se revolta contra
o governo do General Santa Anna e precisam defender o forte Álamo a fim de ganhar
tempo para as tropas texanas insurgentes. O tom que John Wayne dá para o conflito é da
luta de colonos pela liberdade que desejam formar uma república contra um governo
tirano e despótico. Neste sentido, percebe-se um discurso, mesmo que velado, que faz
alusão ao conflito da Guerra Fria, onde os colonos representariam o Estados Unidos na
luta pelo "mundo livre" e o governo mexicano na figura do General Santa Anna
representaria a opressão do bloco soviético.

Eduardo Matheus de Souza Dianna

O presente trabalho, enquanto reflexões iniciais de pesquisa, tem por objetivo


refletir acerca da influência do movimento sacerdotal/social católico dos Cristianos por
el Socialismo (CpS), no processo de formação dos Cordões Industriais no Chile em 1972,
no contexto do governo da Unidad Popular de Salvador Allende (1970-1973). Sob uma
atmosfera de crescente polarização, a partir do final dos anos 1971, o país mergulharia
em uma crise social, política e econômica. No mês de outubro de 1972, em função das
greves organizadas pelo setor empresarial, houve uma grave crise de abastecimento
interno, que paralisou a produção, a distribuição de diversos produtos, o sistema de
transporte, bem como serviços públicos em geral. Nessa conjuntura, os trabalhadores
chilenos iniciaram um movimento de ocupação das fábricas e das indústrias para dar
continuidade a produção, diminuindo os efeitos causados pela paralisação e pelo
desabastecimento. Desse modo, estavam formados os Cordões Industriais, movimentos

67
politicamente autônomos que materializaram o Poder Popular. A declaração pública do
CpS Insurrección de la burguesía e a carta da Conferência Episcopal do Chile Pedimos
un espíritu constructivo y fraternal serão o ponto de partida para essa empreitada.

Felipe Castilho de Lacerda

O livro "Diario del Che en Bolivia", lançado simultaneamente em países dos três
sub-continentes americanos e Europa no ano de 1968, configurou um verdadeiro
fenômeno do livro político nos anos derradeiros da década de 1960. A publicação se fez
possível mediante a passagem pelas mãos de uma diversidade de agentes que
intermediaram a chegada do manuscrito a Havana, desde a selva boliviana, onde seu
autor, o argentino radicado em Cuba, Ernesto Che Guevara, foi capturado e assassinado
entre 7 e 8 de outubro de 1967. A edição da obra seria, a partir de então, realizada com
grande celeridade, vindo a lume em 1o. de julho do ano seguinte. Enquanto o livro
ganhava as ruas de Cuba, sendo distribuído gratuitamente à população, ele aparecia em
caráter sincrônico no Chile, Estados Unidos, bem como na Alemanha, França e Itália. Em
seguida, o título chegaria, em três meses, à difusão por ao menos 22 países, atingindo a
tiragem total de cerca de três milhões de exemplares, dentro os quais, um milhão apenas
no país de Fidel Castro. O objetivo desta comunicação é o de analisar o processo de
propagação da obra a partir dos pressupostos da História do Livro, da Edição e da Leitura
- especialmente a partir das considerações de Jean-Yves Mollier - para, em seguida: 1.
Apontar as hipóteses de um trabalho em curso acerca do caráter global de sua difusão no
espaço cultural da esquerda latino-americana, bem como sua chegada ao continente
europeu e recepção por parte da esquerda que se engajaria nos movimentos revoltosos de
1968; 2. As características da obra que a configuram como aquilo que estudos recentes
têm chamado de "escritas de si", notadamente os aspectos que, a título de hipótese,
beneficiaram a difusão dessa obra exemplar da escrita política latino-americana pelo
espaço da esquerda europeia dos intensos anos 1960; e, por fim, 3. Correlacionar a
publicação da obra à intencionalidade do governo cubano em circunscrever as
possibilidades de leitura do texto mediante a análise do aparato paratextual (prefácios,
posfácios, sumários, apêndices etc.) inscritos em todas as edições coetâneas do escrito;
opera-se, neste ponto, com foco especial nas linhas pré-textuais, que, na pena de Fidel
Castro, intitulavam-se "Uma Introdução Necessária". Tais objetivos fundamentam-se,
para o que tange a esta comunicação, no uso do material-livro como fonte primária de
análise, na análise de entrevistas concedidas por alguns dos seus agentes de difusão, bem
como no diálogo com a bibliografia disponível que versou sobre o tema. A comunicação
se circunscreve num projeto de pesquisa que tem por fim analisar a difusão de obras
políticas latino-americanas nos contextos editoriais e culturais onde atuavam as editoras
Maspero e Trikont Verlag, almejando responder ao questionamento em torno da
possibilidade de se definir o mencionado processo como uma contribuição latino-
americana ao pensamento político da comunidade de esquerda radical que participou das
movimentações de "1968" - assim como de seus antecedentes e desenvolvimento
posterior - ou, para falar nos termos do historiador cultural do século XIX, Michel
Espagne, um processo de transferência cultural.

68
Raquel Fernandes Lanzoni

Este trabalho objetiva apresentar e analisar a revista Mundo Peronista como fonte
histórica para a compreensão da segunda presidência de Juan Domingo Perón,
compreendida entre os anos de 1952 e 1955. Publicado entre 1951 e 1955, o periódico
em questão foi o principal meio de difusão da Escola Superior Peronista e seu objetivo
central era de "inculcar" as ideias políticas e doutrinárias do movimento peronista as
massas recém incorporadas na vida política. Valendo-se de uma linguagem simples e um
suporte gráfico moderno, Mundo Peronista configura-se como um importante meio para
a reconstrução do processo histórico denominado Primeiro Peronismo, uma vez que a
utilização de elementos pedagógicos e propagandísticos evidenciam a faceta doutrinadora
dos meios de comunicação peronistas da época. Por meio de um sistemático processo de
compreensão da revista como fonte histórica, almeja-se entender como a publicação
representou e divulgou os eventos ocorridos durante o segundo governo de Perón,
considerando as particularidades históricas do momento estudado e o papel exercido por
Mundo Peronista na sociedade argentina do período em questão.

Coordenação:
Ronaldo Cardoso Alves

Ana Julia e Silva

O Programa Residência Pedagógica é uma iniciativa CAPES que contempla a


Política Nacional de Formação de Professores, proporcionando o contato do licenciando
com as salas de aula através de intervenções pedagógicas e da regência prática. A Escola
Estadual José Augusto Ribeiro, localizada em uma zona periférica da cidade de Assis -
SP, compõe o Programa, nas aulas convencionais, eletivas e nos clubes de protagonismo
juvenil. O presente projeto foi desenvolvido no Clube de Artes dos sextos e sétimos anos.
Após investigar o conhecimento a priori acerca da Revolução Industrial, notou-se a
dificuldade dos alunos em contextualizar-se no período histórico e notar a ruptura de
mentalidade que reflete no processo sociocultural. Para representar as descontinuidades,
a fonte imagética contribui para o conhecimento histórico por meio da delimitação das
características artísticas de movimentos como Arts and Crafts e Art Nouveau, mostrando
a mentalidade trazida pela Revolução Industrial e a ruptura com esses movimentos
artísticos devido a necessidade de chocar apresentada pelas Vanguardas Artísticas
Europeias, cuja influência se estende ao Modernismo Brasileiro. O método utilizado para

69
realizar a aula-oficina (BARCA, 2004, p. 138) conta com a investigação dos
conhecimentos prévios dos alunos. Valendo-se de uma pergunta norteadora - "o que é
arte?" - e a partir das respostas apresentadas pelos estudantes, foi traçado um plano de
aula que se adequasse aos apontamentos colocados. Após aulas expositivas que
promoveram a contextualização, a historicidade das fontes históricas imagéticas, os
alunos foram instigados a analisar as pinturas, observando traços, cores e formas, com o
objetivo de deduzirem a época a qual pertenciam. Após este processo, desenvolveu-se
uma discussão em conjunto com os alunos, por meio da comparação das fontes
trabalhadas, com o fim de demonstrar as mudanças e permanências entre uma escola
artística e outra. Nessa perspectiva, os estudantes puderam observar, por meio da análise
de fontes, que as Vanguardas tiveram sua contribuição no Brasil até a Semana de Arte
Moderna de 1922, na qual evidenciaram-se as insatisfações sócio-políticas, por meio de
manifestações de cunho artístico. As Vanguardas contribuíram para a delimitação do
"espaço de experiência" da intervenção pedagógica, pois pode-se criar um paralelo entre
Arte e História por meio do questionamento acerca de como os movimentos artísticos e
históricos se estabelecem e ganham força, criando espaços de cidadania e atuação,
possibilitando a compreensão, por parte dos estudantes, do ser humano como agente ativo
na sociedade e na História, gerando, assim, um "horizonte de expectativa"
(KOSELLECK, 2006, p. 308). Aprender História por meio de temas transversais, bem
como promover a interpretação de fontes históricas junto aos alunos, contribui para a
formação crítica do indivíduo e amplia seu "horizonte de expectativa" através do debate
sobre espaços de atuação. Nesse sentido, a escola se coloca como ambiente de
transformação para os alunos que são estimulados a exercer sua autonomia dentro dos
denominados "Clubes", proporcionando uma experiência de mudança dentro de seu
cotidiano.

Ana Paula Giavara

Pertinente à proposta do Simpósio Temático "Fontes Históricas no Ensino de


História como meio de aprendizagem: um desafio ao professor-pesquisador", este
trabalho apresenta a Associação Nacional de História - ANPUH, em especial o Núcleo
Paulista, como entidade que buscou ao longo de sua trajetória estreitar relações entre
produção acadêmica e prática escolar. A análise de exemplares do Boletim do
Historiador, publicação periódica informativa da Associação, revelou que, a partir de
1990, emergiram na ANPUH-SP projetos de formação continuada direcionados aos
professores da rede pública de ensino, com vistas à discussão sobre os rumos da disciplina
de História nos novos tempos democráticos. Por iniciativa de alguns de seus membros,
cujas pesquisas direcionavam-se ao ensino, foram criados o "Projeto de Formação
Permanente do Professor" e o Grupo "Pesquisa em Ensino", os quais potencialmente
preencheriam as lacunas deixadas por uma formação docente deficitária, decorrente da
Reforma do Ensino Superior de 1968. No presente, o Grupo de Trabalho - GT "Ensino
de História e Educação" é que se propõe ao estabelecimento de pontes de interseção entre
universidade e escola, sobretudo quando promove as "Oficinas de Ensino de História" e
as "Jornadas de Ensino", eventos científicos que pretendem abordar o ensino de História
como um campo de investigação que demanda aprofundamentos reflexivos por parte do
"professor-pesquisador". O resultado desse trabalho leva à compreensão de que existe na
ANPUH-SP, representada pela ação de seus membros, um ideal de valorização da

70
disciplina escolar e dos sujeitos do processo ensino-aprendizagem. Em um sentido mais
amplo, percebe-se nessas ações o rompimento com as históricas dicotomias "ensino-
pesquisa" e "licenciatura-bacharelado" presentes na formação do historiador, as quais se
traduzem em hierarquização do conhecimento e consequente desvalorização dos saberes
históricos escolares.

Andressa da Silva Oliveira

Esta comunicação provém de uma pesquisa de mestrado, em fase inicial, que se


originou a partir de experiências com o subprojeto PIBID (Programa Institucional de
Bolsas de Iniciação à Docência), desenvolvido no curso de Licenciatura em História, na
Universidade Estadual Paulista (UNESP), campus Assis, em 2015, no qual, em uma das
escolas beneficiadas pelo programa, ocorreu um caso de racismo em sala de aula. O
objetivo da pesquisa é analisar de que forma o racismo se apresenta na escola, bem como
a partir desta problematização verificar que conhecimento histórico os estudantes têm
acerca do tema, e em que medida o relacionam com sua vida prática, constituindo, assim,
consciência histórica. Para tal, analisaremos, por meio da teoria da consciência histórica,
relatos de alunos sobre atos de racismo dentro e fora da escola. Para se chegar ao objetivo
proposto serão utilizadas metodologias de pesquisa qualitativa, agregando elementos da
Etnografia Educacional à análise de narrativas provenientes da Educação Histórica. Nesse
sentido, inicialmente realizaremos um estudo etnográfico do ambiente escolar e, na
sequência, utilizaremos questionários que possibilitem o levantamento dos
conhecimentos prévios dos alunos acerca do racismo; das experiências com o preconceito
no cotidiano dentro e fora do ambiente escolar; do conhecimento acerca de casos
históricos de racismo, com o objetivo de investigar os tipos de consciência histórica que
se apresentam quando se discute o preconceito racial. Desta forma, espera-se que este
trabalho contribua para a interpretação dos mecanismos de racismo encontrados no
ambiente escolar, bem como promova a construção de um conhecimento histórico voltado
para conscientização a respeito desta questão, possibilitando, assim, o desenvolvimento
de uma Educação efetivamente democrática.

Emely de Almeida Souza


Ronaldo Cardoso Alves

A História é vista como uma ciência crítica, racional e cientifica, por essa razão e
outras, seja tão difícil compreendermos que a Literatura pode ser considerada uma fonte
por um historiador, logo, que se passa pelo campo da ficção e leva o indivíduo a
questiona-la e reprimi-la. O presente trabalho propõe o estudo de História do Brasil em
conjunto com a Literatura Brasileira, tendo como objetivo o pressuposto de melhorar a
qualidade da educação nessas duas matérias, na qual possuem grande carência
profissional. O Cortiço, livro escolhido, se passa nas viradas do século XIX para o XX,
portanto, se trata de uma obra de transição política, social, cultural, econômica e
habitacional. Época de modernização das cidades, invenções de tecnologias e expansão
da imprensa. Em contrapartida, temos uma reorganização social e urbana. Período, por
71
conseguinte, estabelece um marco comparativo entre a historiografia e a literatura, e as
ideias que ambos os lados oferecem no passado e a para contemporaneidade. Como por
exemplo, a comparação entre as mudanças que a Segunda Revolução Industrial trouxe
com as constantes transformações tecnológicas dos dias atuais. Em suma, expor as
semelhanças da realidade com o período histórico, tendo por base a Literatura, espera-se
que o aluno possa aprimorar sua consciência histórica literária. O autor selecionado para
ser trabalhado, foi Aluísio de Azevedo, maranhense nascido no dia 14 de abril de 1857,
membro da Academia Brasileira de Letras. Iniciou o Movimento Naturalista no Brasil,
com a sua obra O Mulato. Sempre muito preocupado em representar a sociedade
brasileira, levantava aspectos como, pobreza, traição, racismo, adultério,
homossexualidade, entre outros. Em O Cortiço, ele ressalta o grande aumento
populacional da cidade do Rio de Janeiro e o surgimento das novas habitações
amontoadas. Temas que ainda contem em sua obra: assédio, status social, analfabetismo,
pós abolicionismo, costumes da época como bebidas, trajes e danças, estupro,
prostituição, corrupção, e assim por diante. Muito deles ainda existentes no século XXI.
Nessa publicação de Azevedo, podemos ainda abordar, o processo histórico do fim do
tráfico de escravos na década de 1850, e consequentemente o debate sobre o trabalho livre
e a política de abertura à imigração europeia, muito bem exemplificado no livro pelo
personagem de Jeronimo e os demais imigrantes. A política do embranquecimento racial
da população brasileira e o mito que foi criado em torno dela, e como a miscigenação
passou de estratégia política para ser considerada apenas como uma valorização da
diversidade. Além dos eventos citados, temos as obras europeias que tiveram grande
influência na Literatura Naturalista. Como por exemplo, a publicação do Sistema de
filosofia positivista, de Auguste Conte. O Manifesto Comunista de Karl Max. A origem
das espécies de Charles Darwin e o lançamento de Generelle Morphologie der
organismen de Ernst Haeckel. Não esperamos que o aluno leia todos esses trabalhos,
apenas que consigam entender as ideias principais das obras e como elas interferiram nas
convicções de Aluísio de Azevedo e os demais autores naturalistas no final do século
XIX. O Cortiço, além de poder aproximar os alunos com a literatura brasileira, pode ser
considerado um meio de conscientização. Muitos estudantes, não se enxergam como
indivíduos que produzem história. Os livros didáticos não despertam sua atenção, fazendo
com que disciplina da História seja longínqua e ultrapassada, pois se afasta da vida real,
levando logo, o desinteresse. Devido a esses fatores, a Interdisciplinaridade emerge como
pratica educacional com o propósito de resolver as lacunas entre ensino-aprendizagem,
aprimorando o senso crítico dos escolares. Nesse trabalho especifico, utilizando a
Literatura como fonte. O conhecimento histórico constrói-se do real e do irreal, quando é
pensado a caminhada do professor-pesquisador, remete a dupla jornada que ele possui,
porém, uma não elimina a outra, pois ao ensinar, o aluno acaba refletindo com o docente,
produzindo assim, o conhecimento. Jogando por terra, a noção de que o educador é o
único que detêm o saber, porque em todo o caso, o aluno ganha consciência da sua
existência como agente histórico e ativo, e a aprendizagem histórica concretiza através da
fonte literária e do projeto interdisciplinar.

Jade Luiza de Salis da Maia

O trabalho com Fontes Históricas em escolas ainda apresenta inúmeros desafios


ao professor, portanto, a fim de ampliar as experiências, cabe pensar em outras

72
possibilidades. Esta análise se propõe a pensar três aspectos para o ensino: a relação com
a Educação Patrimonial e as Instituições de salvaguarda, o trabalho de pesquisa e a
multidisciplinariedade. Este estudo se origina do Projeto de Extensão "Arte Naïf na
escola: arquivo -José Nazareno Mimessi' como apoio pedagógico", que se estruturou a
partir das oportunidades observadas no município de Assis, São Paulo, para difusão de
conhecimentos acumulados pelo Centro de Documentação e Apoio à Pesquisa "Profa.
Dra. Anna Maria Martinez Côrrea" (CEDAP). José Nazareno Mimessi, incentivador do
pintor primitivo Ranchinho, fundador do Museu de Arte Primitiva de Assis e pesquisador
autodidata no tema, constituiu um arquivo especializado em arte naïf, no qual se
encontram correspondências com artistas, críticos e marchands, recortes de jornais,
currículos de artistas, catálogos de exposição e outras séries documentais. O projeto,
destinado aos estudantes do 1º ano do Ensino Médio de Escola Estadual, desenvolveu-se
com aulas expositivas, visitas monitoradas, atividades de pesquisa e oficinas de arte.
Assim, essa comunicação discute a experiência do uso do arquivo para o desenvolvimento
do pensamento histórico do aluno.

Thaisa Pires Teixeira


Ana Paula Vieira Faria

O trabalho realizado com a turma de alunos do Centro de Atenção Psicossocial


(CAPS), é parte do Projeto de Educação de Jovens e Adultos (PEJA) presente na
Faculdade de Ciências e Letras - UNESP/Assis. Após um semestre trabalhando com
formação e diversidade regional brasileira, a partir da geografia, percebeu-se a
necessidade de abordar o assunto por outro viés, visto que os educandos apresentaram
dificuldades na apropriação dos conteúdos. Levando em consideração que as educadoras
cursam História e Psicologia, refletiu-se sobre uma abordagem metodológica que
mesclasse os dois campos, empregando recursos teóricos das áreas estudadas e
associando ao conhecimento oriundo das experiências dos estudantes. Assim, utilizando
das propostas educacionais de Paulo Freire, Jörn Rüsen e Vygotsky, buscou-se um
elemento que permitiria aproximar o educando do assunto trabalhado, sendo esse
elemento, a cultura popular. Essa escolha surgiu a partir da proposta já trabalhada no Peja,
a qual enfatiza a importância do educando como protagonista em sua aprendizagem,
destacando a importância de compreender e identificar os componentes culturais,
impulsionando o respeito às diferenças, levando às reflexões críticas e a um olhar sobre
suas próprias vivências. Dessa forma, levantou-se a proposta de um novo plano de aulas,
que parte do ensino de História sobre temas relacionados à cultura popular brasileira e se
desmembra na compreensão de uma gama maior de disciplinas do currículo escolar, como
português e matemática. Utilizando a História como bússola, o desenvolvimento
educacional se volta para os processos históricos presentes no cotidiano do educando,
daqueles que passaram em suas vidas e de todo cidadão que compõem a rica teia cultural
que é passada de geração em geração em nosso país, de forma oral e simbiótica. Para tal,
fez-se uma subdivisão em cinco partes, onde são abordados: o que é cultura; população
indígena e a sua medicina; povos bantos e iorubás; processos migratórios da atualidade;
e globalização. Partindo, assim, de um levantamento dos conhecimentos prévios dos
estudantes, seguindo para o estudo da formação cultural tradicional e chegando às
transformações na contemporaneidade. As aulas têm como ponto de partida a análise de

73
fotografias, fonte histórica escolhida considerando tanto as características dos estudantes
- alguns ainda em processo de alfabetização -, quanto a falta de suporte no espaço onde é
realizado o curso, que inviabilizariam a utilização de fontes como a escrita ou audiovisual.
A percepção inicial das aulas, baseada no novo plano, tem se mostrado muito positiva;
indo de encontro ao que se esperava, os educandos se mostraram abertos ao diálogo e à
discussão. Há uma participação ativa no processo de aprendizagem, contribuindo com
suas próprias experiências para enriquecer o saber e adquirindo a percepção de seu
próprio papel no perpetuar desta cultura e no desenvolvimento dos processos históricos
nos quais estão envolvidos.

Coordenação:
Paulo Henrique Martinez
Cássia Natanie Peguim

Andreza Vellasco Gomes

Há um amplo debate sobre a problemática da preservação de patrimônio cultural.


O próprio conceito de patrimônio - como pode ser visto em autores como Françoise
Choay e Marly Rodrigues - modificou-se através do tempo e, por isso, é necessário
compreender esse percurso para chegar à preservação do patrimônio industrial
ferroviário. Notam-se, por exemplo, algumas dificuldades quanto à falta de uma
legislação clara de proteção aos bens ferroviários mesmo que, de modo geral, leis tenham
sido criadas para protegê-los nas últimas décadas, como as do estado de São Paulo e as
do Brasil que, após a Lei 11435/2007, atribuem a responsabilidade dos bens de valor
histórico da extinta RFFSA (Rede Ferroviária Federal S.A.) ao IPHAN (Instituto do
Patrimônio Histórico e Artístico Nacional). Por outro lado, nos dias atuais, existem
políticas públicas destinadas à gestão documental que define como arquivos públicos:
conjuntos de documentos produzidos e recebidos por instituições de caráter público, por
entidades privadas encarregadas da gestão de serviços públicos no exercício de suas
atividades. Nesta legislação, enquadram-se os acervos da RFFSA e sua administração,
que também dão conta das instituições arquivísticas federais, estaduais e municipais. No
entanto, para garantir a acessibilidade desses documentos são necessárias medidas de
preservação documental. A apresentação tem como proposta difundir o caso do acervo
bibliográfico do Museu da Companhia Paulista em relação as políticas públicas, e
apresentar as estratégias definidas no projeto de mestrado para a valoração do patrimônio
nesse caso. É preciso notar que a reunião do conjunto documental em um acervo e suas
condições históricas na década de 90 e 2000, revela além da história da instituição, a
forma de gestão pública da época. As relações estabelecidas entre criação desse acervo e
das instituições que deram origem a ele, geram reflexões sobre o modo como foram
gerenciados os processos patrimoniais no período de desestatização. Trata-se de poder
compreender o funcionamento das políticas públicas através da formação de um acervo,
ainda que se trate de um arquivo de empresa.

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Bruna Gomes dos Reis

A comunicação preparada para a XXXV Semana de História tem o objetivo de


apresentar os resultados obtidos ao longo da Iniciação Científica "Paisagem Cultural no
Brasil (2009-2017), financiada pela FAPESP. Serão discutidos os levantamentos sobre
Paisagem, Território e Patrimônio dentro do campo de trabalho que conecta o
desenvolvimento da investigação científica no Estado de São Paulo e suas publicações
em um periódico de divulgação científica, revista Pesquisa FAPESP. No projeto
apresentado à FAPESP, o objetivo geral de nossa pesquisa era compreender "como se deu
a assimilação e o debate da categoria Paisagem Cultural no Brasil". Consideramos que
não foi possível responder a essa questão com base na revista Pesquisa FAPESP pois a
esta não forneceu dados que nos permitissem investigar essa proposição. Apesar disso,
pudemos expandir nossa investigação para os temas que compõem a Paisagem Cultural.
Nesse sentido, a metodologia transversal foi indispensável, pois a partir dela construímos
uma rede que conecta meio ambiente, preservação ambiental e patrimonial e ocupação
territorial. Foram encontradas duas ocorrências na revista Pesquisa FAPESP que fazem
referência ao tema Paisagem Cultural, ambas no ano de 2014. Em fevereiro, na seção de
humanidades, a reportagem "Outros sertões: estudo revela a arquitetura rural do século
XIX no interior do Nordeste" nos narra a trajetória científica de Nathália Montenegro e
os resultados do Projeto "Paisagem cultural sertaneja: as fazendas de gado do sertão
nordestino" (página 85), financiado pela FAPESP. A segunda ocorrência com o conceito
de Paisagem Cultural é da edição de dezembro de 2017, na entrevista com Nestor Goulart
Reis Filho (página 26) "Do prédio à cidade para interpretar a evolução urbana". A
ausência de ocorrências nos fez pensar se não houve espaço para divulgação desse tema
ou se ele não estava sendo desenvolvido em projetos de pesquisa. A busca na biblioteca
virtual da FAPESP nos permitiu visualizar de forma mais clara a transversalidade de
nosso objeto de pesquisa, sendo possível trabalha-lo em diversas áreas do conhecimento
e a partir de diferentes métodos de investigação. Tais constatações nos fazem refletir
acerca das potencialidades da portaria do IPHAN de 2009, seja para preservação do
patrimônio cultural e ambiental do nosso país ou para elaboração de trabalhos sobre a
relação do homem com a natureza, seus limites, benefícios e riscos.

Carolina Manzano

Esse trabalho faz parte do projeto de pesquisa do mestrado "Entre Paisagem,


Imaginário e Representações - Museu Histórico e Pedagógico Índia Vanuíre e a cidade
de Tupã (1998-2018)", e busca trazer parte das discussões acerca das relações de poder
existentes dentro dos museus e das perspectivas de representação cultural dos povos
indígenas. Os museus têm como base de sua origem a memória elitizada e selecionada,
estando repletos de sons e silêncios dentro de suas exposições e narrativas, mas como
instituição inserida na sociedade que a cerca e adquirindo cada vez mais o papel de agente
construtor do conhecimento histórico e promotor da diversidade, ele se encontra em
constante processo de evolução e mudança. A partir disso busca-se fazer uma análise
desse espaço, em particular usando como exemplo o Museu Histórico e Pedagógico Índia
Vanuíre em Tupã, como um local de conflito e como campo de tradição e contradição,

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através das transformações das exposições de longa duração e da administração do museu,
e da mudança na representação dos indígenas dentro desse espaço no campo da história e
da museologia.

Cíntia Verza Amarante

O resultado das ações propostas pela ONU, em nível global, para discutir a
condição das mulheres, sofre o impacto do processo político e econômico dos países que
compõem a Cúpula. O desmantelamento da União Soviética, em 1991, abre espaço a
novas preocupações internacionais direcionando os debates também para as estruturas e
relações sociais no mundo globalizado. O século XX, pós guerra, é marcado pela
progressiva incorporação dos direitos humanos no plano internacional. Nesse contexto, a
IV Conferência Mundial Sobre a Mulher, sediada em Pequim, em 1995, trata-se da
primeira e maior conferência das Nações Unidas inserida no desafio de discutir a
problemática da mulher e do desenvolvimento sustentável na nova ordem política
globalizada para o século XXI. Dessa forma, o presente trabalho tem como objetivo
compreender as diretrizes e recomendações presentes na Declaração e na Plataforma de
Ação da IV Conferência Mundial Sobre a Mulher no contexto do desenvolvimento no
processo de globalização pós Guerra Fria.

Luísa Silva Trematerra

A Semana Nacional de Museus é um evento que celebra o dia internacional dos


Museus, instituído pelo Conselho Internacional de Museus (ICOM) em 18 de maio. Sob
organização do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) de 2003
até 2009, e posteriormente de responsabilidade do Instituto Brasileiro de Museus
(IBRAM), o evento tem como proposta integrar as instituições museológicas nos temas
de discussão e demandas atuais da área, a fim de proporcionar uma semana com
programações diversificadas para atrair diferentes públicos para estes espaços. Neste
sentido, o trabalho num todo tem como escopo estudar o processo de democratização
cultural dos espaços museológicos do estado de São Paulo a partir da análise dos
catálogos anuais disponibilizados pelo IPHAN e IBRAM, do período de 2003 a 2017.
Tornam-se objetivos específicos do mesmo analisar o movimento de adesão ou não desta
política, sobretudo em relação interior X capital, e realizar um debate acerca dos
significados do termo "democratização", que pode remeter tanto à divulgação e
acessibilização, quanto à difusão e construção do saber. Como o projeto está em fase
inicial, o presente artigo pretende compartilhar os resultados parciais das informações
elencadas sobre a primeira (2003) e segunda edição (2004) do evento, referente à sua
adesão pelo estado.

76
Paulo Henrique Martinez

A presente comunicação estuda o processo de inscrição da Rota do Incenso no


deserto de Negev, Israel, como Patrimônio Mundial da Humanidade, sob a égide da
Unesco. A Paisagem Cultural da urbanização no mundo antigo e do aproveitamento das
terras áridas para atividades agrícolas e pecuária é examinada a partir da documentação
apresentada para a inscrição na lista daquela modalidade patrimonial (2003), do primeiro
relatório da Unesco (2005), das visitas técnicas (2016, 2018) e da bibliografia geral sobre
a temática. O marco teórico e conceitual é relativo aos processos de redefinição de
identidades e das práticas políticas nas sociedades nacionais no pós-Guerra Fria e da crise
financeira internacional de 2008 e da gestão do patrimônio no século XXI. A periodização
estabelecida recobre todo processo de instituição e aplicação da noção de Paisagem
Cultural em Israel, até a saída deste país da Unesco, em princípios de 2019. A pesquisa
conta com o apoio da FAPESP (ver Processo 2017/17176-5).

Coordenação:
Cátia Inês Negrão Berlini de Andrade
Juliane Luzia Camargo

Cátia Inês Negrão Berlini de Andrade

A presente proposta tem como objetivo apresentar e discutir o Diario de Lili Jaffe (2012)
escrito por Lili Sterne, nome de solteira de Lili Jaffe, uma garota sérvia judia que tendo
sido levada para Auschwitz com sua família sobrevive ao campo de concentração e relata
em seu diário, depois de resgatada pela Cruz Vermelha, tudo o que consegue recordar.
Suas lembranças relatadas de modo claro e sem, a principio, a intenção de discutir a
catástrofe e as atrocidades do período, narram suas impressões pessoais e, ainda, deixam
sua história pessoal registrada para os pósteros. Lili, como muitas outras mulheres,
motivada pela necessidade de narrar sua dolorosa experiência em Auschwitz, ao escrever
seu diário íntimo teceu um relato memorialístico no qual revisita o passado histórico a
partir de suas memórias, colaborando, dessa maneira, para a construção de uma memória
coletiva do período.

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Cláudia Valéria Penavel Binato
Marana Luisa Tregues Diniz

Na literatura romana, produzida desde a época de Augusto até Trajano, as cartas


de Plínio, o Jovem, (trezentas e sessenta e oito cartas, endereçadas a 101 destinatários)
constituem fonte para o entendimento dos mecanismos que regiam as relações sociais
romanas. O autor destaca-se, sobretudo, por sua produção cultural, em que se revela um
importante articulador político e social, relacionado diretamente com a figura do
imperador e com a própria romanidade. Produto quase sempre de sua própria experiência,
a epistolografia pliniana possibilita identificar não somente seus interlocutores -
correspondentes e amigos, mas também os temas que a compõem. O presente trabalho
ocupar-se-á da traduzibilidade interpretativa de suas cartas, mormente as referentes às
mulheres. Com isso será possível avaliar alguns aspectos do cotidiano da mulher. A
relação do autor com os demais membros da sociedade, especialmente os da elite
intelectual romana, também permitirá entrever o comportamento masculino em relação à
mulher romana. Além disso, esta pesquisa integra-se a outro projeto maior intitulado
CPEP - Centro de Pesquisas e Estudos Plinianos, coordenado pela professora Andrea
Lúcia Dorini de Oliveria Carvalho Rossi, do Departamento de História, da
FCLAssis/UNESP.

Jamil Haddad Netto


Cláudia Valéria Penevel Binato

O objetivo principal desta comunicação é apresentar um estudo sobre o gerúndio


e o gerundivo presentes no texto latino das cartas de Plínio, o Jovem, mormente naquelas
endereçadas a mulheres. Essa pesquisa integra-se a outro projeto maior intitulado CPEP
- Centro de Pesquisas e Estudos Plinianos, coordenado pela professora Andrea Lúcia
Dorini de Oliveria Carvalho Rossi, do Departamento de História, da FCLAssis/UNESP.
Plínio escreveu 368 (trezentas e sessenta e oito) cartas, recolhidas em 10 livros, sobre as
mais diversas questões, uma varietas de conteúdo, de temas e de assuntos. As Cartas estão
distribuídas em número desigual nos livros, o que pode confirmar a declaração do próprio
Plínio, na Carta I.1.1.: "Coletei-as sem observar a ordem do tempo [das datas] (visto que
eu não compus uma história)" [Collegi non servato temporis ordine (neque enim historiam
componebam]. Devido a tal variedade, optou-se por um recorte demarcado por cartas
cujos interlocutores são mulheres. Para ancorar a análise dessas formas verbo-nominais
latinas, recorreu-se ao terceiro capítulo, do primeiro volume, do Propylaeum Latinum
(1961), obra do romanista holandês José Van den Besselaar, professor de História Antiga
e de Metodologia da História na PUC, de 1952 até 1959, e professor das disciplinas
referentes à língua e literatura latinas, nos anos de 1958 até 1960, na Universidade
Estadual (hoje UNESP/Câmpus Assis).

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Juliane Luzia Camargo

Zélia Gattai Amado de Faria, nascida em São Paulo em 02 de julho de 1916,


lançou seu primeiro livro, Anarquistas, graças a Deus, em 1979. Filha de pais italianos,
ela escreveu sobre a vida dos imigrantes no Brasil no início do século XX e sua infância.
Além deste livro, talvez o mais conhecido da escritora, há o Città di Roma (2000).
Classificada de diversas maneiras - às vezes como autobiografia, outras como memória,
e até mesmo como autoficção, a obra narra a emocionante viagem das famílias Da Col e
Gattai para o Brasil. Quem narra a história é a própria filha de Angelina Da Col e Ernesto
Gattai. Sem a intenção de definir o gênero em que consiste esta última obra, este trabalho
visa, simplesmente, apontar a participação da escritora e as ferramentas utilizadas para a
narração desta história familiar, da história de sua família. Zélia Gattai foi a sexta
ocupante da Cadeira nº 23 (que teve como seu primeiro ocupante Machado de Assis) na
Academia Brasileira de Letras. A escritora e também mulher de Jorge Amado faleceu em
Salvador, no dia 17 de maio de 2008.

Coordenação:
Ivan Esperança Rocha
João Batista Ribeiro Júnior

Antonio Carlos Soares dos Santos

Assinalamos que para o cristianismo dos primeiros séculos, crenças construídas a


partir da interpretação e das expectativas criadas em torno da figura de Jesus, poderiam
ser respostas à realidade de uma existência pautada em dificuldades sociais e culturais,
revelando-se dessa forma em uma crença escatológica. Com isso, a presença do mito
torna-se de fundamental importância. O mito não é uma projeção fantasiosa de algum
acontecimento natural, mas, sim uma projeção que a partir de um momento se revela na
experiência sagrada, torna-se uma hierofania. A pergunta que nos norteia é: A
Cristomorfia pode ser considerada uma doutrina cristã? Faremos a proposta de um novo
conceito e de um neologismo dentro das pesquisas acadêmicas no que se refere aos
estudos de textos sagrados, em especial a literatura cristã primitiva. Queremos propor
uma análise sobre o termo Cristomorfia como uma aplicação que está em uso na literatura
pelo fato de estar dentro das expectativas imaginárias de comunidades cristãs primitivas.

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E que essa mesma crença cristomórfica acompanha o imaginário cristão posteriormente,
moldando um ideal de natureza a ser alcançado.

João Batista Ribeiro Santos

Apresentaremos as evidências que demonstram a historicidade da invenção da


divindade Yahweh no campo religioso do Israel Norte na Idade do Ferro II. Os nossos
indícios históricos localizam-se em Aleppo (Ḫa-la-ab). Divindades portadoras de armas
são conhecidas por abundantes inscrições e relevos do antigo Oriente-Próximo, sendo o
deus da tempestade Haddu de Aleppo - a nosso ver, o deus matricial - o de maior
veneração. Ocorria eventualmente a mudança ou composição de nome, como nas cidades-
Estado de Tiro (Şūr), onde o Ba-al é Milqart, e Ugarit, onde Haddu é Haddu-Ba-lu. As
culturas religiosas do Levante mantêm associação por divindades desde o terceiro
milênio. Baseadas em 'Ēl, o maioral de Ugarit, a translação religiosa operada em Israel
Norte projeta Yahweh como "criador dos céus e da terra" ('l -lywn qnh šmym w'rṣ), mas
para o seu revestimento imagético são realizadas apropriações das armas de Haddu. A
associação da divindade com as armas é um arranjo iconográfico de distinção num
cosmos de centenas de divindades, esse desenvolvimento transporta a divindade para o
quadro das representações simbólicas encenadas nos cortejos reais. Neles, as armas
processam a transmissão de poder político e fertilidade para a dinastia. As fontes levam-
nos a considerar a convivência de diferentes relações de poder e modos de ser nos
contextos da plurirreligiosidade e da multiplicidade de lugares de culto que possibilitaram
a elaboração de longo termo da divindade Yahweh.

João Otávio Tomazini Fardin

O presente trabalho tem como objetivo apresentar, a partir de uma perspectiva


provincial, características religiosas presentes no império romano, com foco especifico
na fluidez de conceitos que marcam o mediterrâneo neste período. Para tal, optou-se por
analisar a situação da Judéia do primeiro século, tendo como base o evangelho segundo
João. O que se destacou na análise do texto foi a fluidez com que conceitos de diferentes
tradições foram reinterpretados pela religião nascente, bem como a consciência do limite
que Roma oferecia as diversas manifestações religiosas dentro de seu império. Conceitos
diversos são apropriados e reinterpretados por um movimento nascente que busca
diferenciar-se tanto do judaísmo tradicional quanto as demais tradições religiosas ali
presente, ao passo que também se apropria dos conceitos destas outras tradições com fins
apresentar-se como o cumprimento de expectativas tanto do mundo judeu quanto gentio.
Neste exercício de diferenciação o império ora mostrou-se tolerante ora perseguiu a nova
tradição nascente.

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Nathalia Monseff Junqueira

O texto tem como objetivo apresentar a narrativa sobre o Egito Antigo descritas
em dois autores da Antiguidade Clássica: Heródoto, historiador grego do V a.C., que
escreve a obra Histórias a partir de sua indagação acerca dos motivos que levaram helenos
e bárbaros a guerrearem, e Estrabão, geógrafo do período romano (I a.C. - I d.C.), que
afirma que a sua obra Geografia é importante para o conhecimento dos céus e das coisas
da terra e do mar (Estrabão, Geographica, I, 1, 15), das plantas e das frutas e para as
atividades dos governantes e comandantes. (Est., Geo, I, 1, 16). Suas obras não têm a
preocupação em focar somente na construção do passado e nem descrever somente uma
sociedade, por esse motivo, selecionamos o Livro II da Histórias e o Livro XVII da
Geografia. Entretanto, apesar das escolhas de ambos os autores, conseguimos mapear
passagens nas quais as diversas maneiras de construir o passado e quais momentos essas
descrições são compartilhadas pelos escritos antigos. As duas obras produzidas durante o
período clássico selecionadas para esse artigo abrem um novo caminho para se trabalhar
com as maneiras de descrição do passado, como elas foram pensadas e representadas
através das experiências vividas por Heródoto e Estrabão.

Coordenação:
Bárbara Alexandre Aniceto
Milena Tarzia Barbosa da Silva
Rafael Virgílio de Carvalho

Bárbara Alexandre Aniceto

Comumente associados apenas à reprodução de herdeiros e filhos legítimos, o


corpo e a sexualidade feminina não foram considerados, durante muito tempo, como
objetos de análise válidos pela historiografia do século XIX até meados do XX. No
entanto, notamos como ambos se fizeram presentes nas produções históricas da
Antiguidade Clássica, desde os vestígios materiais até as obras de filósofos, médicos e
teatrólogos, dentre eles Hipócrates. As conceituações do corpo e da sexualidade foram
apresentadas pela historiografia contemporânea como uma preocupação dos autores
antigos, sobretudo de Aristóteles, em justificar a inferioridade feminina baseados em sua
composição fisiológica. Tal análise acabou por reduzir as possibilidades interpretativas
oferecidas por outras perspectivas documentais do período clássico, como a hipocrática.

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Ao nos debruçarmos sobre a leitura dos tratados hipocráticos Sobre as doenças das
mulheres I e II, A geração, A natureza da mulher, Esterilidade e A natureza da criança,
temos como hipótese que é possível vislumbrar uma autonomia do corpo e das práticas
sexuais femininas na sociedade ateniense. Autonomia essa amparada no papel cívico por
elas desempenhado enquanto esposas. Nossa apresentação tem como objetivo analisar
algumas passagens documentais, nas quais detectamos o incentivo médico para que a
mulher conhecesse o próprio corpo e, assim, desenvolvesse uma possível autonomia.

Gleyce Kelly Freire Delmondes

Este trabalho tem como objetivo avaliar a participação de mulheres em oficinas


ceramistas áticas tendo como base uma revisão bibliográfica do tema. Apoiando-se quase
exclusivamente em fontes literárias, a bibliografia desenvolveu um modelo de
interpretação segundo o qual a participação feminina seria irrelevante na vida comunitária
ateniense, salvo algumas tarefas religiosas e domésticas, estando elas quase
completamente ausentes das narrativas sobre a vida cívica e política. Considerando essa
interpretação, a mulher passaria seus dias reclusas no gineceu (espaço do lar que seria
reservado a elas), e relativamente distantes do mundo do trabalho e das atividades
intelectuais e artísticas. Ou seja, o lugar da mulher seria prioritariamente o ambiente
doméstico, enquanto os espaços públicos seriam prerrogativas masculinas. As evidências
iconográficas e epigráficas, contrariando o discurso historiográfico predominante,
apontam que, em determinadas situações, mulheres teriam ocupado espaços variados no
mundo do trabalho, inclusive em atividades de cunho masculino, como vários ofícios
artesanais especializados. O fato de as fontes literárias não afirmarem de forma
consistente que as mulheres trabalharam em determinadas atividades não significa que
isso não acontecesse na prática.

Isabela Casellato Torres

A obra Histórias, produzida no século V a.C. por Heródoto de Halicarnasso, é o


único escrito do chamado "Pai da História" que chegou até a contemporaneidade. O autor
que viveu entorno de 480 até aproximadamente 425 a.C. aborda muito além das Guerras
Greco-Pérsicas. A descrição sobre as Guerras começa somente no livro VI dos IX livros
organizados posteriormente a sua época. Nesta parte da obra, Heródoto descreve algumas
representações de atuações de mulheres gregas e persas como conselheiras de assuntos
bélicos junto aos seus maridos e/ou demais personagens masculinos próximos. Nesse
sentido, analisaremos casos em que o feminino detinha o saber em contextos bélicos em
três dimensões: conflitos entre gregos versus gregos, conflitos entre persas versus persas
e conflitos entre gregos e persas. Pautado na análise da documentação, nos estudos de
gênero e na historiografia já produzida sobre a temática, mapearemos os casos para
melhor compreensão do que Heródoto entendia como o lugar da mulher na pólis grega e
na Pérsia.

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Renata Cerqueira Barbosa

Educação, gênero e imagem são sempre temas muito pertinentes, porém nos
últimos meses e anos eles se tornaram essenciais, tendo em vista a ocorrência de tantas
polêmicas referentes à museus, exposições de arte, direitos das mulheres e educação. Este
trabalho, desenvolvido no âmbito do LEDI, Laboratório de Estudos dos Domínios da
Imagem, da UEL - Universidade Estadual de Londrina, busca contribuir com as
discussões sobre os respectivos temas nas aulas de História Antiga, com o objetivo de
esclarecer questões relacionadas à educação das mulheres romanas e seu acesso aos
círculos literários. Neste sentido, trouxemos algumas informações sobre o contexto
artístico no que diz respeito à Pintura Parietal Romana e as possíveis formas de expressão
daquela sociedade. Acreditamos que estas questões devem ser discutidas, para dissolver
os tabus pré-existentes, bem como promover o diálogo, esclarecimentos e o respeito
mútuo no interior da comunidade escolar, familiar e educacional. Este trabalho,
desenvolvido com mais duas pesquisadoras de História Antiga e Medieval, compõem um
material paradidático que envolve texto, vídeo e banners que são distribuídos para as
escolas da Rede Estadual de Ensino no município de Londrina.

Pedro Ricardo de Souza Velasco

Este projeto visa analisar como o Direito Natural e o Direito Positivo estão
presente nas tragédias gregas, especificamente em Antígona de Sófocles, através dos
discursos de Antígona e o rei Creonte. Para tanto, será adotada a metodologia de análise
bibliográfica e teorias historiográficas que têm como objeto de estudo a literatura. A
maior preocupação, nesta análise, é entender como o ambiente das tragédias reflete os
conflitos, no meio urbano, entre as normas civis e o sagrado. É nesta dicotomia que será
possível identificar a presença do Direito Natural e do Direito Positivo nas obras de
Sófocles. A inovação trazida por este projeto se faz necessária para que possamos obter
uma análise dos aspectos acerca do direito grego, em contrapartida a tantos estudos
jurídicos que buscam compreensão através da ótica do jurista. Propõe-se, com esta
pesquisa, um estudo sob a perspectiva do historiador, para sintetizar os aspectos da
materialidade histórica contida nos costumes e nas normas que constituíam a relação entre
o sagrado e o direito.

Vinicius Boaretto Kaefer

A presente comunicação objetiva analisar os elementos retóricos, políticos e


pedagógicos nazistas, a partir de uma abordagem da história das religiões tal com na
escola estruturalista. Os estudos mitológicos de Mircea Eliade, bem como a teoria tri
funcional de Georges Dumézil serão os instrumentos e referenciais metodológicos que
servirão de base para se compreender esse problema do ponto de vista dos estudos dos

83
mitos e símbolos, em especial, no que se refere ao arianismo e os povos indo-europeus.
Finalmente, como problema especifico da comunicação, a suástica será o símbolo mais
importante para se analisar, já que ela nos permite buscar nas origens e forma desse
símbolo no hinduísmo elementos estruturais compartilhados ou semelhanças em seu
posterior uso por Hitler na sua estratégia de ação anunciada no livro "Mein Kampf", além
de analisarmos os autores racistas e arianistas que tiveram grande influência em construir
e divulgar ideologias raciais, que geraram comoção na sociedade europeia da primeira
metade do século XIX.

Coordenação:
Nathany Andrea W. Belmaia
Cesar Luiz Jerce da Costa Junior

André Luis Belletini

Inaugurado por Otaviano Augusto, o Principado romano caracterizou-se pela


centralização do poder político do mundo romano na figura dos principes, através do
acúmulo de diversos encargos e títulos presentes no contexto republicano, dentre os quais
aquele de imperator, destacando sua prerrogativa militar. Consolidado-se no primeiro
século, o regime vivenciou diversas transformações no campo político-social, tais como
a ascensão política das elites provinciais e a grande importância política alcançada pelo
setor militar, processos que culminaram na ascensão de Trajano à púrpura. Caracterizado
por reformas e, mais conhecidas, grandes investidas militares, o governo deste imperador
é, porém, pouco contemplado por fontes escritas contemporâneas que sobrevivessem até
nossos tempos, encontrando seu maior expoente nos escritos de Plínio, o jovem. Mesmo
algumas fontes posteriores chegaram-nos fragmentadas, incompletas ou de forma
resumida. Portanto, muitos pesquisadores dedicam-se ao estudo de fontes materiais como
sítios arqueológicos, monumentos comemorativos, estatuária, entre outras, contando com
métodos das chamadas "ciências auxiliares", para preencher as lacunas das fontes em
relação ao período. Nesta comunicação, temos por intento a apresentação de algumas
destas fontes e o desenvolvimento de uma reflexão a seu respeito através do estudo
comparado do conteúdo por elas apresentado, apesar de sua heterogeneidade.

Bruna Marcelino da Cruz

Regada de ritualística, a construção de uma cidade romana concretiza a ligação


com o sobrenatural, abarcando a sociedade e seus membros invisíveis. Cada localidade é
planejada, dirigida para significar algo dentro da completude do sagrado citadino: o que
está fora de seus limites não pertence mais ao todo; o que se encontra dentro possui um
papel no culto oficial, como o anfiteatro. Nesse viés aponta-se que quando um ser ou

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grupo busca refúgio dos perigos que o assolam, este cria obstáculos (como muralhas
seguras) para manter o danoso longe de si e do seu mundo particular. Dessa mesma forma
agem as sociedades perante o sagrado, uma vez que, este é responsável por afastar a
anomia e a alteridade. O hierático dá função ao corpo social, mantendo a ordem, a
identidade geral, erguendo suas defesas abstratas ou concretas. A arena dentro desse
corpo inorgânico apresenta uma distinção peculiar: sua mobilidade. O anfiteatro móvel
(desmontável), mesmo com o advento do império e a fixação das arenas, manteve-se em
uso e permitiu que tal estrutura contemplasse os mais diversos espaços da cidade. O
objetivo desta comunicação volta-se a analisar as relações entre o anfiteatro e a urbs,
dialogando, se sua localização é impregnada pelas concepções sacras dos outros espaços
em que se constitui a estrutura, e, também, se os usos públicos que as arenas possuíam
em relação a sua localidade perante a virtus daquele que oferece o espetáculo.

Cesar Luiz Jerce Da Costa Junior

A natureza dinâmica dos textos clássicos nos mostra que os modelos e paradigmas
epistemológicos concebidos na Antiguidade podem ser estudados numa longa duração
intelectual, meio que torna possível observar sua transformação, seu enriquecimento e,
não raro, contradições. Os clássicos são sempre tradicionalistas e inovadores ao mesmo
tempo: são herdeiros de uma longa tradição prévia e, ao mesmo tempo, estabelecem novos
princípios políticos, sociais e filosóficos, dialogando com as necessidades do tempo em
que foram redigidos. É o caso do tratado De clementia, opúsculo escrito pelo filósofo e
intelectual romano Lúcio Aneu Sêneca (4 a.C.-65 d.C.) já em sua maturidade intelectual.
As circunstâncias de redação do texto assim se dispuseram: Agripina, entre 49 e 54 d.C.,
havia pavimentado eficientemente a sucessão de seu tio e esposo, o então idoso imperador
Cláudio, dispondo de homens de sua confiança em postos chaves da corte imperial,
notadamente Afrânio Burro como Prefeito dos pretorianos e Sêneca como preceptor de
seu filho, Nero, um adolescente recém investido da toga virilis e, portanto, ainda muito
jovem para o exercício autônomo do poder. Agripina, que havia reabilitado Sêneca de seu
exílio na Córsega, ainda sob Cláudio, já identificava no filósofo um autor de renome entre
os romanos e esperava, assim, trazer prestígio ao futuro regime de seu filho. Na fase de
transição de poder, entre janeiro de 54 e 56, segundo a datação aproximativa, Sêneca, na
condição de regente não oficial, redige o De clementia numa tentativa de aconselhar Nero
ao bom governo do Império, associando-se ao otimismo literário que exprimia grandes
expectativas em relação ao novo principado que se iniciava. O conteúdo político do
tratado é valioso por ser o único exemplar do gênero Peri Basileias estoico escrito durante
o Principado romano, sobretudo por ser uma tentativa de, a partir das realidades políticas
do Império Romano, propor uma teoria geral de poder. Tais considerações teóricas foram
elaboradas a partir do legado da cultura intelectual helenística. Herdeiro dos antigos
autores atenienses, o filósofo retoma o paradigma do rei-filósofo para indicar a Nero a
necessidade de uma sólida articulação entre o exercício do poder e o exercício da
sabedoria. A virtude que deveria nortear tal projeto era a clementia: virtude da moderação
e da contenção moral cuja finalidade era a preservação da humanitas, noção cara aos
estoicos justamente por considerar o valor intrínseco da vida humana e sua preservação.
Num regime político cada vez mais personalista e não raro pendente aos excessos e à
violência, nada mais justo do a necessária formação de caráter de um homem que exercerá
grande poder, mais até do que supunham os seus contemporâneos: Sêneca advoga que

85
não há esfera alguma superior ao príncipe, um monarca sem limitações de poder, que
fosse lei viva, na linguagem helenística pós-Alexandre, capaz de manter a ordo do mundo
habitado por sua própria virtude pessoal. Tal governante rege o mundo como um monarca
universal, assim como o sol governa os céus sem encontrar rivais à altura. Tal como o
astro rei, o príncipe é a luz que a todos ilumina. Assim, tratará seus súditos com respeito
e consideração humanitária, pois todos os homens pertencem a uma irmandade humana
e cada vida tem seu valor, imagem perfeita da cosmópolis regida pela humanitas.
Corrigirá os defeitos de caráter de cada um conforme a medida necessária, da mesma
forma como um médico trata seu paciente. Manterá a unidade do Império sob sua mão
firme e zelará pelo justo exercício do poder. E evitará o grande mal, a tirania, fruto de um
espírito doente pelas paixões viciosas mais nocivas, a ira e o desejo natural de violência.

Francisco Rocha Silva

Esta comunicação propõe uma análise sobre a atuação política do autor grego
Plutarco de Queronéia que viveu sob a égide do governo Romano (séc. I d.C.).
Entendemos Plutarco como um homem do universo político por trazer em seus escritos
um vasto arcabouço de representações de líderes ideais para o seu tempo. Em nossa
interpretação, Plutarco exercia uma relativa autonomia frente à ordem vigente do mundo
social a qual estava inserido e por isso seu papel extrapola a dimensão de um
intermediador cultural, se apresentando como um poderoso porta-voz de anseios
políticos. Baseados nessa hipótese é que pretendemos vislumbrar a capacidade de
influência e articulação do personagem no campo político de sua época a partir da
operacionalização do conceito clássico de Intelectuais contido em Norberto Bobbio.
Nesta comunicação ressaltamos que daremos enfoque para o conjunto de biografias
escritas pelo autor beócio, conhecidas como Vidas Paralelas, em específico a fonte de
nossa pesquisa, a obra: Vida de Alexandre. A justificativa de seleção documental reside
no fato de que em nossa concepção Plutarco utilizou-se da figura de Alexandre para
propor um modelo de "líder ideal" para a conjuntura política de sua época, a saber, o
Principado Romano.

Isabela Pissinatti

Ser mulher, em determinados contextos, garante um cenário repleto de opressões


e exclusões, inclusive no campo político formal. No campo da historiografia quando
possuímos representações sobre as mulheres, essas são criadas, na maioria das vezes, pelo
gênero oposto, o masculino. Suetônio - em sua obra "A Vida dos Doze Césares",
composta no ano 121 d.C., durante o reinado do imperador Adriano - ao descrever
Agripina Menor, deixa claro o peso do aspecto simbólico que a dominação masculina
carrega ao questionar a moral de uma mulher que exerceu papéis considerados masculinos
dentro da política. Para compreender essa relação de dominação masculina sobre o

86
feminino - construída histórica, cultural e linguisticamente - é preciso definir a submissão
imposta às mulheres como uma violência simbólica. Assim, pautado na análise da fonte
textual e na história de gênero, o presente trabalho objetiva compreender a atuação
feminina na política no período da dinastia Júlio-Claudiana, a partir da problematização
da relação entre o feminino e o masculino.

Isadora Buono de Oliveira

A presente comunicação visa tratar do discurso religioso presente na obra


Factorum et dictorum memorabilium de Valério Máximo. A fonte é uma possibilidade
para estudos sobre temas, como Educação, Religião, Gênero entre outros. Segundo, o
prefácio do próprio Valério Máximo, a fonte evidencia a síntese dos principais assuntos
e autores, daquilo que se deve saber da sociedade romana. Dessa forma, a comunicação
dará ênfase ao discurso religioso e o panorama político, pois se deve considerar a relação
intrínseca entre religião e política na vida romana, e assim busca-se abordar o contexto
político da produção da obra durante o governo de Tibério. Assim, faz-se necessário
analisar como a temática religiosa é exposta por Valério Máximo, tendo em vista também
as influências no âmbito religioso das mudanças promovidas no período de Augusto e
que continuaram presentes do governo de Tibério. Finalmente, considera-se a importância
da fonte para compreender os aspectos discursivos religiosos, assim como para a
compreensão da interação sócio-político e cultural que se entrelaçavam com as posturas
religiosas no início do Principado romano e a instituição do Culto Imperial.

Larissa Rodrigues Alves

Tendo como contextualização histórica o século IV d.C. e inserida na Antiguidade


Tardia, caracterizada por rupturas e continuidades, nossa pesquisa procura compreender
o conceito de amizade do Imperador Juliano através de suas missivas. Procuraremos
reconstituir suas redes de sociabilidade a fim de perceber as virtudes por ele valorizadas
ao comentar o que é ser um bom governante, cidadão e filósofo. Logo, pensamos que,
baseado nesse conjunto de valores, Juliano estabelecia suas relações com diversos setores
da sociedade romana. O conceito de amizade do Imperador, ainda não revelado pela
historiografia contemporânea, é fundamental para que compreendamos suas concepções
de vida política, religiosa, filosófica e militar. Pressupomos ainda que somente a troca de
favores não poderia ser o único motivo para a manutenção de uma amizade entre Juliano
e seus pares e que tal sentimento vai além do estabelecimento de uma rede de patronagem,
tão comum nas sociedades da antiguidade clássica e tardia. Por isso, também buscamos
compreender os conceitos de philia e de amicitia, levando em consideração as influências
exercidas pela Paidéia do século IV d.C., pelo neoplatonismo e pelo cristianismo ariano
no pensamento do Imperador Juliano. Nossa análise inclui um total de 48 cartas, escritas
entre os anos de 355 d.C. e 363 d.C., período em que ocupou os cargos de César e
Imperador. Elas narram, principalmente, trocas de presentes, temas filosóficos e de
ensino, os seus pensamentos e desejos. Treze delas não contêm nem a data nem o local
em que foram escritas. Portanto, tentaremos inseri-las em um contexto mais específico,
87
baseando-nos no conceito de amizade do Imperador e nas virtudes que ele valoriza em
diferentes momentos de sua vida. Levamos em consideração a História Cultural de Roger
Chartier enquanto linha teórica, estudos sobre a área de epistolografia e uma metodologia
da História das Emoções de Bárbara H. Rosenwein.

Leticia Aga Pereira Passos

No período de transição entre República e Principado, juntamente com as artes,


literatura e arquitetura, a imagem urbana de Roma foi usada pelo Imperador Augusto
como uma ferramenta para legitimar o poder de seu novo governo e sua própria imagem.
Como herdeiro de Júlio César, o Princeps objetivou modernizar a cidade construindo
grandiosos monumentos públicos. Augusto possuía grande preocupação com uma
reorganização moral e religiosa, nesse intuito promovia cerimonias relacionadas aos
jogos, performances teatrais e corridas. Atividades criadas especificamente para celebrar
as conquistas do Imperador. Dentre as construções, situa-se a construção do Teatro de
Marcelo, um dos maiores teatros do Império Romano. Entendemos que havia uma busca
de Augusto por congregar toda a sociedade romana em um evento marcado pelo Princeps,
desenvolvendo a imagem de bom imperador, que propiciava através de seu nome, ou de
seus magistrados, encenações teatrais e ritos obrigatórios, reforçando as demonstrações
do poder romano e dos costumes inseridos na sociedade romana desde a República.
Assim, para este simpósio, iremos expor sobre as atividade realizadas dentro do Teatro
de Marcelo: as peças teatrais (pantomimas, mimos, cenas teatrais trágico-cômicas ligadas
à movimentação corporal e danças) e a utilização do espaço teatral para os Jogos
Seculares de Augusto em 17 a.C.

Lucas Otávio Boamorte

O presente resumo busca compreender os influxos do Direito Romano na


legislação jurídica visigoda, em um período de transformações como o da Antiguidade
Tardia. Com o objetivo de analisar as influências do Corpus Iuris Civilis no Código
Visigótico, o presente trabalho utiliza em certa medida os trabalhos de Giordani (1970) a
respeito do intercâmbio de legislações escritas romanas àquelas de caráter
consuetudinário, e Friguetto (2014), que evidencia que os visigodos desfrutaram do
mesmo legado político-institucional dos romanos. O Direito Romano começou
verdadeiramente a se organizar nos séculos I e II, reunindo todas as leis e todos os textos
que existiam em Roma em matéria de julgamentos, procurando fazer um levantamento
das regras gerais. A análise de leis de diferentes povos germânicos, denota diferenças
significativas, intercâmbio e influência recíproca, onde o antigo Direito Consuetudinário,
passa a receber o influxo dos preceitos extraídos do Direito Romano. Mesmo que
possuíssem um direito próprio, entendiam que, para reinar sobre partes do império,
deveriam ter uma legislação adequada para seus súditos latinos. Desse modo,

88
empreenderam coletâneas das leis romanas, que contribuíram não só para a conservação
do direito romano, como também para fundi-lo com o direito costumeiro germânico. Com
a queda do Império Romano do Ocidente, as tribos germânicas fortaleceram seus próprios
institutos jurídicos, seus métodos de resolução de conflitos eram informais, todavia, a
mescla da cultura romana com a germânica resultou na positivação dos institutos jurídicos
germânicos de acordo com os moldes da codificação romana. Os chefes bárbaros
compreenderam a necessidade de uma institucionalização da nova ordem que eles
criavam nas antigas províncias romanas, através de um sistema de direito, que assegurasse
o predomínio de certos valores éticos indispensáveis à manutenção da vida política e ao
controle da conduta dos indivíduos agravada pelos problemas de inter-relacionamento de
germanos e romanos. Uma vez estabelecidos e com alinhamentos às instituições romanas,
os visigodos tornaram-se, em certa medida, transmissores do legado romano, como é visto
nas compilações jurídicas visigodas, a Lex Romana Visigothorum ou Breviário de
Alarico. Por fim, conclui-se que na medida em que, inevitavelmente, se deu a fusão dos
povos, processou-se também uma espécie de osmose entre as diferentes leis.

Nathany Andrea Wagenheimer Belmaia

O Egito, herdeiro dos faraós e do paganismo, foi palco de muitos eventos


importantes nos primórdios do cristianismo. Lá se decidiu questões doutrinárias da Igreja
e o cânon do Novo Testamento, por exemplo. Partindo das premissas de Fernand Braudel
de uma história de longa duração, esse trabalho tem por intuito traçar um panorama de
algumas transformações religiosas no Egito do final da dinastia ptolomaica 305 a.C. a 30
a.C., que criou bases societárias para que o Egito assimilasse posteriormente o
monoteísmo cristão. O período ptolomaico era politeísta, com a adoração de vários
deuses, alguns deles, inclusive, encarnavam representações de elementos humanos com
animais, por exemplo, como Toth, que é personificado por um corpo humano com a
cabeça de um ibis, ou Tueris, a deusa hipopótamo com formas femininas, e Sehkmet, uma
deusa representada com um corpo de mulher e cabeça de leão. A anexação do Egito pelo
Império Romano em 30 a.C. trouxe consigo as interpretatio, prática comum dos romanos,
que identificavam os deuses "estrangeiros" com os seus próprios deuses, como fora feito
com os deuses gregos, onde Júpiter era equivalente a Zeus, Vênus a Afrodite e outros. O
deus Serápis, criado no século IV a.C. por Ptolomeu, junto com a deusa Isis, passaram a
monopolizar os cultos até o fim da era ptolomaica. Esse fenômeno foi um dos elementos
que contribuiu para uma paulatina diminuição de cultos, o que poderia abrir espaço para
a entrada do monoteísmo cristão. Assim, o intuito desse trabalho é refletir, de forma
bastante geral, sobre as principais transformações ocorridas nesse período que fizeram
com que o Egito, de tradição pagã, se transformasse em um dos principais polos do
cristianismo, mudança esta que pode ser observada apenas na longa duração.

Robson Murilo Grando Della Torre

89
Nestório, monge sírio que foi bispo de Constantinopla entre 428 e 431, é
conhecido por sua polêmica teológica com o bispo Cirilo de Alexandria (412-444) acerca
da relação entre a humanidade e a divindade de Cristo. Tal polêmica resultou em um
acirramento de ânimos nas comunidades cristãs espalhadas pelo Império romano,
sobretudo naquelas localizadas nas porções mais orientais, de língua grega, siríaca e
copta, a ponto de o imperador Teodósio II (408-450) ser envolvido na querela e decidir
pela convocação de um concílio a ser realizado na cidade de Éfeso no dia de Pentecostes
de 431 para dirimir a questão. Por uma série de razões, o concílio não começou na data
prevista e, para piorar, sua abertura oficial não contou com grande quantidade de prelados
que nutriam simpatia pelas ideias de Nestório, a maioria deles oriunda das províncias da
diocese do Oriente (Sírias, Mesopotâmia, Cilícias, Arábias, etc.), de modo que Cirilo
conseguiu uma fácil sentença de condenação de seu adversário. Quando os apoiadores de
Nestório chegaram enfim a Éfeso, recusaram-se a entrar em comunhão com os partidários
do bispo de Alexandria, porém tampouco se reuniram com Nestório ou mesmo se
ocuparam de o defender das acusações que pesavam contra ele. Ao invés disso, reuniram-
se em um sínodo à parte, centrado na figura do bispo João de Antioquia (429-441),
criando um cisma no episcopado oriental que não se resolveria nos anos seguintes e que
está na base de vários outros desdobramentos doutrinários e eclesiásticos que surgiram
nas décadas e séculos seguintes. Para tentar dar uma solução ao impasse criado pelo cisma
em Éfeso, tanto o partido de Cirilo quanto o de João fizeram vários apelos a diferentes
membros da corte e do oficialato imperial, o que resultou até mesmo na realização de
colóquios junto ao imperador nos subúrbios de Calcedônia nesse mesmo ano. Enquanto
isso, Nestório, já marginalizado nos debates e tomando conhecimento da hostilidade que
o próprio Teodósio II nutria por sua figura, decidiu negociar uma saída honrosa da
situação, mobilizando aliados de longa data na corte imperial a fim de que intercedessem
junto ao príncipe para que pudesse se retirar em paz, sem nenhum tipo de condenação
formal, para seu antigo mosteiro localizado nos subúrbios de Antioquia, onde poderia
passar o resto de seus dias como um leigo comum. Sabemos que o pedido de Nestório foi
inicialmente atendido, tendo ele se retirado de Éfeso já em setembro de 431, porém
desdobramentos subsequentes da controvérsia voltariam a atingi-lo quatro anos depois,
quando recebeu uma condenação formal de exílio da parte do imperador, primeiro a Petra,
na Arábia, depois ao Oásis egípcio, de onde nunca mais regressou. Boa parte de todas
essas negociações, bem como porção expressiva da extensa troca de cartas que precedeu
e que se sucedeu a Éfeso (431), foi compilada em diferentes coleções documentais, cada
qual montada por um dos partidos envolvidos e que, por conseguinte, refletiam escolhas
que visavam construir narrativas muito particulares sobre os eventos e debates
doutrinários em questão. Tais coleções foram posteriormente incorporadas em coleções
canônicas tardoantigas e medievais nas mais variadas línguas faladas no Mediterrâneo e
não raro são chamadas pela historiografia especializada como "atas do concílio de Éfeso".
As idas e vindas de Nestório após sua condenação pelo concílio de Cirilo em junho de
431 também foram conservadas em algumas coleções de "atas do concílio de Éfeso",
porém, seguindo seu caráter propagandístico, a correspondência trocada por ele com
figuras do palácio imperial foi recuperada de forma parcial e encaixada na estrutura
narrativa dessas coleções de modo a criar interpretações muito particulares sobre essas
tratativas. À luz dessas considerações, esta apresentação busca explicitar tais construções
narrativas criadas pelas coleções de "atas do concílio de Éfeso" sobre esse autoexílio de
Nestório em 431, sugerindo possíveis caminhos de análise dessa documentação como
fonte tanto para o entendimento do funcionamento da corte imperial nesse período quanto
para a atuação de Nestório na controvérsia cristológica após sua saída do episcopado
constantinopolitano a partir de então

90
Coordenação:
Alex Rogério Silva
Carlos Henrique Durlo

Alex Rogério Silva

Na Idade Média, os monstros e demônios ocuparam um lugar de destaque no


imaginário social europeu, representando o diferente, o grotesco e muitas vezes o
maligno. Muitos atestavam a sua existência no plano real, como personagens de carne e
osso, relatando características físicas, psíquicas e até morais e que chegaram até nós
através de documentos das mais diversas tipologias. Atualmente, observamos tais
personagens como fruto de um período na qual a sociedade era movida por uma estrutura
social a qual incutia tais imagens. No caso dos demônios, bem como do inferno, temos
que foi uma construção por parte da Igreja Cristã de maneira a manter o controle sobre as
condutas da sociedade, determinando os atos que fariam o homem a ir para tal local após
a morte, bem como o que ocorreria àqueles que fossem para o inferno. Os monstros, por
sua vez, partem de um pressuposto folclórico, sendo aquele que é tido por diferente
devido, geralmente, a sua forma física, distanciando-se do que era tido por perfeito ou
natural. Pode-se também fabricar monstros, a partir das diferenças culturais, religiosas e
sociais em um determinado espaço e tempo, o que Jeffrey Jerome Cohen considera como
um fator importante para a ocorrência de deslocamentos ou extermínios. De todo modo,
o conceito de monstro, bem como de demônio é bem amplo sofrendo alterações a
depender de cada época e localidade. Diante do exposto, o objetivo deste trabalho é uma
análise acerca da representação do diabo e do que os homens e mulheres da Idade Média
Ibérica consideravam por monstruoso, a partir da imagem feita dos judeus, fazendo uso
da literatura do período, notadamente as Cantigas de Santa Maria (CSM) de D. Alfonso
X, o Sábio, Rei de Castela e Leão. Para isto, analisaremos duas cantigas, a saber: a CSM
nº 47, que trata da representação do diabo na literatura e consequentemente no imaginário
medieval e a CSM nº 4, que considera os judeus como monstros, devido suas ações e
diferenças no tocante a religiosidade.

Carlos Henrique Durlo

As Cantigas de Santa Maria, obra poética do século XIII, cuja autoria é designada a Dom
Alfonso X, o Rei Sábio, apresentam-nos diversos santuários, verdadeiros espaços
sagrados, nos quais Santa Maria realizou incontáveis milagres relatados nos textos
poéticos e nas representações de imagens denominadas iluminuras. Estes espaços são
considerados produtores de sentido e reveladores dos milagres recebidos em favor
daqueles que dedicavam a vida e o culto à Virgem Maria. Tendo que o nosso objetivo não

91
decorre do aprofundamento do estudo da ambientação, vale ressaltar que o espaço não
deve ser confundido, ou seja, o espaço é denotado, patente, explícito. A ambientação, por
sua vez, é conotada, subjacente e implícita. O primeiro contém dados da realidade que,
numa instância posterior, podem alcançar uma dimensão simbólica. Observa-se, nesses
espaços, uma experiência de mundo que transforma o espaço em lugar à medida que as
ações ali se desenrolam, tendo em vista que o espaço é definido como um conjunto de
signos que produz efeito de representação. Nas Cantigas de Santa Maria, o espaço
apresenta-se materializado nos Santuários dedicados à Virgem Maria, lugar por
excelência da resolução de todos os conflitos, sejam eles de ordem moral, psicológica,
biológica (saúde e males que afetam o corpo e a alma) ou social. Os fiéis do século XIII
frequentavam os santuários em busca de uma graça ou agradecimento a uma cura
recebida. O espaço físico do santuário, construído pelo homem, aperfeiçoa a sensação e
a percepção humanas. O espaço arquitetônico, por exemplo, pode definir as sensações
experimentadas, transformando-as em algo concreto, já "o ser humano se relaciona com
o espaço circundante através de seus sentidos. As experiências vivenciadas pelo homem
e pela mulher medieval adquiriam significado na relação com os espaços sagrados, os
santuários dedicados à Virgem Maria, na forma de missas, rezas, procissões, louvando-a
e exaltando-a sempre pelos milagres realizados. Nesses santuários determinados pela fé,
o devoto encontrava abrigo, proteção e solução para os seus problemas, o espaço se
tornava o lugar certo para o exercício da fé, da expressão da religiosidade e da libertação.
As Cantigas de Santa Maria foram escritas em galego-português e enriquecidas com
iluminuras e partituras musicais no século XIII. Constituem-se um verdadeiro retrato
histórico-social da Península Ibérica e da época em que viveu seu autor declarado, Dom
Alfonso X, o Rei Sábio. Nas Cantigas de Santa Maria, em específico as de milagre
(miragre), Alfonso X nos apresenta Maria sensível às dores do seu povo, compadecida e
solidária, não mais aquela "entidade hierática, enigmática, inefável. Reunidas em um
cancioneiro, as cantigas dividem-se em dois tipos: cantigas de loor (louvor à Virgem),
que seguem os moldes das cantigas de amor e cantigas de miragre (milagre), reveladoras
dos milagres operados pela Virgem. Além do louvor e dos milagres, há também
numerosas indicações pessoais sobre o monarca, como os fatos de sua vida e as viagens
pela Espanha. Alfonso X tinha grande apreço pelas cantigas, revelado nos luxuosos
manuscritos de partituras musicais e nas miniaturas, cuja figura da Virgem está
posicionada sempre ao seu lado. As Cantigas de Santa Maria podem ser estudadas tanto
pelo viés da autobiografia espiritual, pois revelam e abordam a devoção pessoal de Dom
Alfonso X à Virgem Maria, quanto como fonte histórica reveladora do contexto social,
cultural e religioso da época em que foram compostas. Enriquecidas com iluminuras e
partituras musicais, são consideradas um verdadeiro retrato histórico-social da Península
Ibérica e da época que viveu seu autor. Os fatos miraculosos abordados no texto poético
revelam a face religiosa e cultural do século XIII. O cancioneiro mariano possui uma
estrutura peculiar, única. Os textos apresentam um teor narrativo baseado em fontes
antigas e diversas, uma recolha das culturas francesas, latinas, ibéricas e da tradição oral,
além de milagres, lendas, louvores e ladainhas à Virgem Maria. Alfonso X, sem se
deslocar do território espanhol, registrou no cancioneiro fatos miraculosos ocorridos em
Portugal, especificamente em Terena e Évora.

92
Clarice Zamonaro Cortez
Maria do Carmo Faustino Borges

Este ensaio objetiva apresentar uma abordagem das principais questões políticas
e sociais que influenciaram definitivamente na reconstrução social do Ocidente europeu
da Idade Média. Tais questões se referem aos procedimentos, costumes, religiosidade,
imaginário, elementos que nos permitem discutir sobre as instituições e as políticas que
definiram a cultura. Entendemos que para tratar das respectivas relações, temos como
ponto de partida os aspectos históricos que se destacam como a dinastia Carolíngia, a
Igreja, e o sistema feudal, sendo que essas instituições proporcionaram as estruturas e a
organização de governo durante a Idade Média. Optamos por utilizar textos da Lírica
Trovadoresca, especificamente dois exemplares das Albas, pertencentes às cantigas de
amigo, para ilustrar ações do comportamento feminino. Trata-se de narrativas poéticas,
cujo conteúdo traduz um embate de resistência contra as deliberações propagadas contra
a mulher, ou seja, resultados de uma concepção misógina. A nossa opção por retomar as
questões históricas referidas justifica-se por compreendermos que os três tópicos, acima
relacionados, constituem a base de todas as transformações daquele período e a
estruturação da cultura. Deste modo, os textos poéticos selecionados para esta leitura
possibilitam depreender que mesmo em uma sociedade repressora contra a mulher, a
liberdade humana se faz presente na poesia. Aquela sociedade foi orientada e organizada
em pressupostos do poder entre o mundo guerreiro e o mundo religioso, como forma de
contenção do caos resultante da queda do Império Romano do Ocidente. Para tanto,
apresentamos um contexto resumido do período medievo e uma leitura das cantigas
selecionadas, fundamentados em estudiosos de História e Literatura Medieval.

Ligia Cristina Carvalho


Rodrigo Bianchini Cracco

Ao buscar elucidar o emergir da cavalaria e sua ideologia, tão cara ao


entendimento das obras literárias medievais e indispensável para a compreensão de seu
sentido, buscaremos entender o processo de elaboração de um discurso que, colaborando
para o despontar da imagem de uma cavalaria lendária, sustentou e difundiu as relações
de poder presentes na sociedade medieval. A cavalaria ganha um papel preeminente na
literatura a partir do século XII, que proclama as virtudes e valores dos cavaleiros, em
especial sua força estoica e sua coragem perseverante; em outras palavras, nesses escritos
podemos apreender a ideologia cavaleiresca em seu processo de consolidação. É fato que
a elaboração dessa ideologia possibilitou uma maior coesão do grupo. Todavia, é inegável
que, em meio ao discurso cavaleiresco cortês, a literatura ecoa, reflete e, por vezes,
contesta direta ou indiretamente o discurso aristocrático e o discurso religioso. Ainda que
seja hegemônico, nenhum discurso é exclusivo, uma vez que ele não extingue o outro.
Essa literatura apresenta-se como um discurso que, embora se pareça unívoco, carrega
em si vários enfoques socioeconômicos da sociedade medieval, evidenciando alguns e
mascarando outros, por meio das "vozes" ecoadas pelo autor e pelos seus personagens.

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Sofia Alves Cândido da Silva

A Idade Média configura-se como um período em que ocorreram diversas


produções no campo das Letras e das Artes. Dentre estas, destacamos o gênero literário
Literatura de Viagens, no qual os homens medievais narravam seus deslocamentos,
motivados tanto por motivos religiosos (peregrinos), quanto por motivos relacionados
com a troca e venda de produtos (mercadores), como para guerrearem e buscarem
aventuras (cavaleiros), bem como para administrarem suas terras e estabelecerem
contatos diplomáticos (reis, nobres e embaixadores). Portanto, o homem do medievo é
considerado como homo viator pela historiografia, devido ao seu caráter de indivíduo que
empreende viagens. Com isso, a partir da leitura do livro de viagens intitulado Embaixada
a Tamerlão (1406), foi possível observar alguns elementos essenciais para que uma
viagem fosse realizada na Baixa Idade Média. Sendo assim, nesta comunicação
destacaremos quais eram os perigos, riscos e necessidades enfrentados pelos viajantes
medievais. Além disso, também será apresentado como estes homens efetivavam seus
deslocamentos pelas vias terrestres e marítimas. Dessa forma, o enfoque desta
apresentação será uma discussão acerca dos meios necessários para a realização dos
deslocamentos no contexto da Europa medieval.

Coordenação:
Germano Miguel Favaro Esteves
Ronaldo Amaral

Ademir Aparecido de Moraes Arias

Girart, conde de Vienne, viveu no século IX e após a morte de seu rei, Lotário II,
foi pressionado por Carlos o Calvo a submeter-se, juntamente com as suas terras, ao
monarca da Francia Occidentalis. A resistência do conde levou ao cerco de Vienne pelas
tropas reais, em 870. Posteriormente Girart e sua esposa apoiaram a construção do
mosteiro de Vezelay, onde seria desenvolvido um culto a Santa Maria Madalena. Os
séculos que se seguiram ao seu falecimento viram surgir uma série de lendas sobre o
combativo conde. No século XII duas Canções de Gesta já circulavam amplamente: a
Chanson de Girart de Vienne e a Chanson de Girart du Roussillon. Pistas esparsas indicam
a existência de um terceiro poema, uma Chanson de Girart de Frates, cujos textos foram
perdidos. O tema de todas essas Canções é a guerra de um vassalo, apresentado pelos
jograis como o herói do seu canto, contra um imperador/rei intratável e as peripécias dessa
luta, cujo desfecho, nos dois primeiros poemas, é a submissão do rebelde ao monarca.
Essas narrativas levantam questões políticas caras ao mundo vassálico: obrigações entre
os homens, devoção ao senhor, respeito aos direitos do vassalo, os motivos de ruptura e

94
a necessidade da retomada das relações vassálicas para acabar com o conflito, o papel do
rei na sociedade cristã. Estudar a história do conde Girart e de como as lendas envolvendo
seu nome eram usadas para apresentar um ideal político feudal é o que pretendemos nesta
comunicação, como parte de uma série de estudos sobre o uso da história do período
carolíngio de acordo com os interesses e necessidades da aristocracia do reino da França,
na Idade Média Central.

Amanda Malheiros Pereira


Anna Paula de Jesus Almeida

O presente estudo tem como objetivo analisar o ideal de governante em três obras
escritas por autores medievais e dedicadas a realeza ibérica que se enquadram no gênero
Espelhos de Príncipe. São elas: "Speculum regum" - escrita no período de 1341 a 1344
pelo Frei Álvaro Pais e dedicada a Afonso IX de Castela, "O Tratado moral de louvores
e perigos de alguns estados seculares e das obrigações que neles há com exortação em
cada estado de que se trata" de Dom Sancho de Noronha, publicado em Portugal no ano
de 1549 e dedicada a D. João, filho do rei lusitano D. João III, e a obra escrita por D.
Jerónimo Osório "De regis institutione et disciplina" dedicada em 1572 a D. Sebastião.
Ao estudar a natureza e o contexto histórico em que essas obras foram concebidas,
examinando também o gênero literário que trata dos Espelhos de Príncipes, propõe-se
compreender como esses escritos contribuíram para realçar a importância de instruir o
governante nas virtudes morais e religiosas apoiadas nas bases de um governo
monárquico.

Ana Carolina Picoli Sotocorno

A princípio, a fé cristã surge em benefício dos menos abastados e acaba por se


alastrar majoritariamente nas classes médias e baixas urbanas, entretanto, a partir do
século III, com a Pequena Paz da Igreja, se verifica um contato cada vez mais crescente
do clero com a tradição clássica. Essa aproximação clerical com a paideia greco-romana
promove uma intelectualização do discurso cristão, e em vista disso, apesar de o
cristianismo triunfar em meios as elites culturais romanas, o discurso culto clerical era
incompreensível e não se conectava com as massas humildes e essencialmente
campesinas. Isto posto, percebe-se um esforço de adaptação do clero como estratégia de
evangelização: de acordo com Le Goff, o clero se viu obrigado a desenvolver mecanismos
de evangelização, que reclamou um esforço de adaptação cultural, no qual, a cultura
eclesiástica inseriu-se nos quadros da cultura folclórica, dentre outras formas, na
localização das igrejas, recursos às formas orais e certos tipos de cerimônias. Nesse
sentido, este trabalho objetiva analisar o Concílio de Elvira (IV), no qual, se verifica um
esforço empreendido para conciliar a coexistência da religiosidade pagã romana e do
cristianismo. Se trata, portanto, de uma legislação conciliar que apesar de renunciar a
religiosidade pagã aborda algumas práticas que equilibram a condenação do paganismo
e sua permanência através da assimilação na teoria cristã. Pretende-se identificar neste
documento uma Circularidade Cultural (termo cunhado por Ginzburg que diz respeito ao
influxo recíproco entre as manifestações culturais) entre os seguimentos da religiosidade

95
pagã e cristã, e a partir disso, a existência de uma Cultura Intermediária (conceituação do
medievalista Hilário Franco Jr acerca de um ponto de convergência entre manifestações
culturais distintas) que sintetiza elementos de diversos polos culturais. Propõe-se a análise
dos cânones de Elvira a partir da identificação das menções às práticas pagãs, uma vez
que, tal Concílio prevê uma coexistência entre cristianismo e paganismo. Este ponto de
coexistência é fruto da Circularidade Cultural e é dele que se encontra a Cultura
Intermediária entre paganismo e cristianismo.

Anna Paula de Jesus Almeida


Amanda Malheiros Pereira
Terezinha Oliveira

Pedro Abelardo (1079-1142) foi um dos principais mestres de escolas urbanas, da


primeira metade do século XII, em Paris. Esse mestre medieval passou por muitas
intempéries, entrou em conflito com seus professores e, casou-se com uma de suas alunas,
Heloisa (GILSON, 2007). Assim, essa exposição refletirá acerca da vida e obra de mestre
Pedro Abelardo (1079 - 1142) e sua importância para o desenvolvimento da filosofia no
século XII. As obras desse autor, analisadas para essa exposição são História das minhas
calamidades, Lógica para Principiantes e Sim e Não. A primeira trata de aspectos
biográficos de Abelardo, a segunda e a terceira evidenciam a produção intelectual desse
mestre. Dessa forma, para realizar este estudo, analisaremos as diversas transformações
que ocorreram na primeira metade do século XII. Em virtude disso, buscamos fazer uma
análise social, política e religiosa do período, tendo como aporte teórico a História Social
e o princípio de Longa Duração. O trabalho se insere nas pesquisas do Grupo
Transformações Sociais e Educação na Antiguidade e Medievalidade (GTSEAM).

Crislayne Fátima dos Anjos

Ao longo dos cinquenta e três anos dedicados a promoção da palavra de Deus e


aos seus intensos esforços missionários, a preocupação pela salvação das almas e da
humanidade sob a égide de um único Deus, o cristão, sempre acompanhou o filósofo
Ramón Llull (1232-1316). Mas em El libro de las Bestias tais objetivos tão característicos
de sua filosofia dão espaço à escrita destinada ao mundo cristão. Aqui, sua Arte está
circunscrita nos aspectos reformistas, morais, didáticos e críticos dirigidos aos que
possuem o cetro do poder; príncipes, eclesiásticos e nobres burgueses, figuras
indispensáveis para seu ideário reformista ético-social. A teoria política de Ramón Llull
é, em grande medida, uma teoria moral dos governantes. Dito isto, a ética política luliana
tem como fundamento básico o conhecimento das virtudes, essas que definem Deus e se
ancorava em dois pólos contrários: o amor, substrato das virtudes como objetivo do
homem e o pecado, projeção dos vícios e força desviadora do homem. Esta contrariedade
tinha por objetivo traduzir as dignidades divinas em virtudes, refletindo-as no ser humano
a imagem da Divindade. Os princípios se constituiriam de guia para inteligência humana
entender as verdades cristãs. Neste trabalho, nos debruçamos sobre a exposição da Arte
no cenário político através da ética das virtudes para o bom exercício de governo.

96
Cristiano Rantin

Em 1486, na Alemanha, era publicado pela primeira vez o livro "Malleus


Maleficarum", também conhecido como "O Martelo das Feiticeiras", escrito por Heinrich
Kraemer e James Sprenger, o livro rapidamente alcançou uma imensa popularidade,
sendo reimpresso diversas vezes e servindo como um manual popular utilizado na
inquisição contra os hereges. Fazendo diversas críticas contra as "bruxas diabólicas", os
autores apontaram que feiticeiras supostamente faziam sacrifícios de crianças e
cultuavam o próprio Diabo, além de profanar ritos cristãos, criando uma relação bem
definida entre bruxaria e demonolatria que até então não era tão comum. Este estudo tem
como objetivo analisar como o "Malleus Malificarum" pode ter afetado a sociedade e
influenciado sua visão em relação às bruxas nos séculos que sucederam sua publicação,
utilizando como metodologia a pesquisa bibliográfica. Como resultado encontramos
diversos autores que concordam que o livro teve um grande impacto na população,
servindo inclusive para desencadear a "Caça às Bruxas".

Fábio Giane Silva Takahashi

Temos, na passagem do século III d.C. para o IV d.C., a Cristianização do Império


Romano, que marcará profundamente os rumos do ocidente, culminando no
estabelecimento da Igreja cristã como principal influência de pensamento para os séculos
seguintes. Autores como Peter Brown, Paul Veyne e Cameron serão os guias desta
pesquisa, pela relevância e importância que seus escritos trazem sobre este período da
antiguidade tardia. Os vestígios coletados em diversos autores apontam para uma
unificação de ações baseadas na religiosidade e poder. No centro do processo de
transformação do Império Romano, encontramos Constantino I. Convivem, assim, linhas
historiográficas que o identificam como místico, cristão, sincretista e político, num
período de queda do poder dos césares em uma Roma já combalida por ameaças internas
e externas. Diante desse cenário, reconhecer as relações entre poder e religiosidade no
governo de Constantino I em Roma se reveste de grande importância. Como a relação
entre poder e religiosidade afetaram o império Romano no período de Constantino I?
Através de Constantino I, a igreja vê a possibilidade de união ao império. Após a
cristianização do império, Constantino I continuava apoiar diversos cultos pagãos. As
evidências historiográficas produzidas na época e, posteriormente, sobre a época, são
muitas vezes narrativas divergentes e guiadas pelos mais diversos interesses. Permitindo
assim a coleta de um vasto material contextual.

97
Fernando Pereira Dos Santos

Ao longo da Guerra dos Cem Anos (1337-1453), escritos reguladores compostos


no reino inglês refletiram acerca de um sem-número de aspectos da conduta marcial.
Dentre as premissas observadas, o empenho por parte dos guerreiros na busca pelo
recebimento diligente de estipêndios perquiriu as interrogações de seus responsáveis,
sobretudo nas décadas do século XV que testemunharam o desenrolar do conflito. O
combater delineado pela promessa de remuneração por si só não se colocava, a princípio,
como um interdito, afinal, foram notórios os casos de cavaleiros e outros homens de armas
cujos dotes marciais permitiram-lhes ascender à títulos e riquezas justamente em função
de suas habilidades no ofício bélico. No entanto, muito embora os letrados afirmassem
que o pagamento diligente fosse um ponto nodal a sustentar o labor levado a cabo pela
Coroa para contrapor seus inimigos e dirigir corretamente as regiões da França inglesa no
continente, nem sempre tal prescrição era seguida com o rigor necessário, ocasionando
condutas reprováveis que punham em risco o bom governo dos homens e das armas
naqueles territórios. Em vista do que foi considerado, a comunicação objetiva ponderar a
respeito de recomendações vinculadas ao combater em troca de ganhos materiais, e, na
mesma medida, discorrer acerca de desvios vinculados por contemporâneos aquele
importante pilar que sustentou expectativas lançadas sobre as atividades guerreiras do
quatrocentos.

José Walter Cracco Junior

A presente comunicação tem o intuito de apresentar reflexões iniciais acerca dos


escritos filosóficos/teológicos de Agostinho de Hipona com enfoque na instituição de um
cristianismo de culpabilização. Nesse viés, investigar a filosofia da culpa instituída pelo
bispo de Hipona nos permite avançar na compreensão sobre um imaginário cultural e
religioso que permeou o Norte da África entre os séculos IV e V d.C. Tomaremos como
ponto de partida Agostinho convertido ao cristianismo católico, tendo o maniqueísmo
como apoio contestatório e o neoplatonismo como influência. Dessa forma, nosso estudo
estará organizado segundo o que Agostinho considerou como conduta ideal e/ou
diretrizes de comportamento, além de considerar as implicações punitivas do rompimento
da conduta. Assim sendo, no bojo desse estudo não podemos dissociar a ligação dessa
filosofia com o seu contexto histórico, posto que ela se configura como fruto e
prognóstico desse momento, levando-nos a entender o projeto moral de sociedade
instituído naquele momento. Os livros dos Sermões estão carregados desses
direcionamentos e nos serviremos deles para este trabalho.

98
Juliana Bardella Fiorot

Este trabalho tem como propósito apresentar algumas reflexões acerca da


importância da moeda cunhada pelo rei suevo Requiário (448-456) como dispositivo para
o pleno exercício de autoridade em seu governo na Galiza. Para tanto, esclareceremos
primeiramente seu projeto de legitimação política visando a construção de um reino
unificado pautado no uso de alguns elementos tradicionais da política romana, tais como
a hereditariedade como critério de sucessão e conversão ao catolicismo ortodoxo. Neste
contexto, a cunhagem de uma moeda específica para o rei em questão também deve ser
vista como dispositivo de suma importância para tal projeto, uma vez que ela apresentou
características que a distinguiam das demais cunhadas no período conferindo a
Monarquia sueva a ideia de que as ações de seu rei eram aprovadas pelo governo imperial.
Através da análise bibliográfica sobre o tema, pretendemos abordar ainda as diferentes
opiniões acerca da sua simbologia e utilidade e os desafios inerentes ao estudo deste tipo
de material.

Larissa Laís dos Santos Coelho


Patrícia Caroline da Rocha Leprique Torquatro

Tendo como contextualização histórica o século IV d.C. e inserida na Antiguidade


Tardia, caracterizada por rupturas e continuidades, nossa pesquisa procura compreender
o conceito de amizade do Imperador Juliano através de suas missivas. Procuraremos
reconstituir suas redes de sociabilidade a fim de perceber as virtudes por ele valorizadas
ao comentar o que é ser um bom governante, cidadão e filósofo. Logo, pensamos que,
baseado nesse conjunto de valores, Juliano estabelecia suas relações com diversos setores
da sociedade romana. O conceito de amizade do Imperador, ainda não revelado pela
historiografia contemporânea, é fundamental para que compreendamos suas concepções
de vida política, religiosa, filosófica e militar. Pressupomos ainda que somente a troca de
favores não poderia ser o único motivo para a manutenção de uma amizade entre Juliano
e seus pares e que tal sentimento vai além do estabelecimento de uma rede de patronagem,
tão comum nas sociedades da antiguidade clássica e tardia. Por isso, também buscamos
compreender os conceitos de philia e de amicitia, levando em consideração as influências
exercidas pela Paidéia do século IV d.C., pelo neoplatonismo e pelo cristianismo ariano
no pensamento do Imperador Juliano. Nossa análise inclui um total de 48 cartas, escritas
entre os anos de 355 d.C. e 363 d.C., período em que ocupou os cargos de César e
Imperador. Elas narram, principalmente, trocas de presentes, temas filosóficos e de
ensino, os seus pensamentos e desejos. Treze delas não contêm nem a data nem o local
em que foram escritas. Portanto, tentaremos inseri-las em um contexto mais específico,
baseando-nos no conceito de amizade do Imperador e nas virtudes que ele valoriza em
diferentes momentos de sua vida. Levamos em consideração a História Cultural de Roger
Chartier enquanto linha teórica, estudos sobre a área de epistolografia e uma metodologia
da História das Emoções de Bárbara H. Rosenwein.

99
Matheus Melo Barcelos

A teologia natural, a observação da criação, o debate entre religiões e a busca por


conclusões racionais, estes são os intentos de Teodoro Abu Qurrah, bispo de Harran, ao
escrever o tratado Maymar fi wujud al-Khaliq wa-l-din al-qawin (Tratado sobre a
Existência de Deus/Criador e a Religião Verdadeira/Poderosa). Neste texto, o autor busca
realizar uma defesa do cristianismo e de suas bases teológicas como uma fé racional,
cujos pontos poderiam ser tirados da contemplação da criação, elemento que se relaciona
com o debate islâmico, principalmente o mu'tazilismo e de outras proposições que se
encaixam no método da contemplação, ligado às Epistolas dos Irmãos da Pureza.
Buscamos, aqui, apresentar o uso desta teologia, suas bases lógicas e suas conclusões para
tentar demonstrar como o autor a utiliza na defesa do cristianismo dentro das disputas
religiosas no mundo islâmico, em meados do século IX.

Patrícia Caroline da Rocha Leprique Torquatro


Larissa Laís dos Santos Coelho

O artigo tem por objetivo principal compreender a origem das Universidades


Medievais no século XIII e os principais acontecimentos a elas relacionados. Entende-se
que a Universidade tem como função preservar e criar o conhecimento. No Ocidente
medieval, por volta do século XII, surge uma nova forma de trabalho, a organizada nas
cidades, por meio das corporações de ofícios. No século XIII, com a entrada do
pensamento aristotélico nas Universidades, acontece uma crise no âmbito das
mentalidades, a qual possibilitou várias transformações na sociedade. A escolástica
ensinada pela Universidade do século XIII tem como função levar aos homens a
importância do conhecimento para seu ser e construção do intelecto. Com esses
ensinamentos, cabe mostrar de fato as pessoas o quão é importante o saber, pensar e
refletir sobre as questões atuais vivenciadas, para assim mudarmos nossas atitudes e
comportamentos em sociedade. Dessa maneira, ao estudarmos as origens das
Universidades Medievais, estaremos buscando nossa identidade e, em boa medida, as
origens das cidades e das relações sociais que definem a formação do intelecto.

Vinícius da Silva Proença

O presente trabalho tem por objetivo apontar vantagens obtidas pela Igreja
Católica, e seus Bispos, durante os reinados dos monarcas Recaredo e Sisenando. Se faz
pertinente evidenciar o contexto em que ambos os monarcas assumem o poder. Os
visigodos adentram pela primeira vez em terras Hispânicas no início do século V e

100
figuravam como um povo federado ao Império Romano. Após a vitória sobre os Suevos
em 456, seu estabelecimento na península começa a se configurar de modo cada vez mais
permanente. É sob a liderança de Leovigildo (571/72-586) que os godos passam a
controlar quase toda a península, e estabelecem a capital do reino em Toledo. Ao assumir
o trono em 586, Recaredo, filho de Leovigildo, se depara com uma complexa situação
que vinha dividindo o reino: a questão religiosa entre católicos e arianos. Os godos
haviam se convertido ao arianismo no século IV devido a esta ser a teologia dominante
no Império do Oriente. Com a conversão pessoal de Recaredo a fé católica e
posteriormente a convocação do III Concílio de Toledo em 589, se estabelece o
Catolicismo como religião oficial do reino. Com a oficialização o monarca passa a
conceder benefícios aos clérigos católicos, que passam a ter cada vez mais destaque no
cenário político visigodo. Três décadas após o reinado de Recaredo, Sisenando, um dux
provinciae na época do rei Suintíla (621-631), usurpa, com auxílio dos francos, o poder
monárquico do então rei. O problema de usurpação é recorrente durante o século VII na
Hispânia e, tendo consciência disso, Sisenando recorre a influência da Igreja para
fortalecer e legitimar sua posição de rei perante os grupos nobiliárquicos, buscando - e
conseguindo - assim o amparo do setor religioso, que havia adquirido grande
proeminência desde o reinado de Recaredo. Assim, o IV Concílio de Toledo se tornou
um mecanismo de legitimação religiosa e política do reinado de Sisenando, mas não sem
conceder mais benefícios ao grupo religioso, tornando, então, a situação benéfica para
ambos os lados.

Yuri Galindo Borges

Desde o término do período medieval, os discursos que se formaram a respeito


desse tema foram muitas vezes inexatos ou equivocados, dessa maneira, a construção
posterior da ideia de Medievo passou por uma série de mitificações. A primeira delas é o
discurso Renascentista e Iluminista que irá classificar a Idade Média como um período de
trevas. A segunda mitificação se dá com o resgate de uma Idade Média idealizada pelos
Românticos do século XIX. Será graças ao trabalho dos historiadores, especialmente pós
Annales, a desconstrução desses mitos para a elaboração de uma História Medieval
baseada em teoria, método e crítica documental e portanto baseada em pilares muito
melhores estabelecidos. À despeito do trabalho da medievalística, as visões mitificadas à
respeito do período Medieval penetraram a memória coletiva, e o objetivo desse trabalho
é através da análise dos livros didáticos, um dos principais recursos do ensino de história
nos níveis fundamentais e médio, sendo esse fundamental para a construção da memória
coletiva, estabelecer parâmetros de como a cultura escolar contribuí para a mitificação ou
desmitificação do período Medieval.

101
CONCEITOS EMERGENTES DE TEMPO HISTÓRICO NO CENÁRIO
TRANSICIONAL DA TEORIA DA HISTÓRIA ATUAL

Helio Rabello Jr.


Departamento de História da UNESP/Assis

Palavras-chave: teoria; filosofia; história; tempo

Dias 16 e 17/10 das 08h às 09h30.

Ementa:

Este minicurso pretende apresentar um panorama dos novos conceitos de tempo


histórico que emergem e parecem alinhar-se com o cenário transicional da teoria da
história recente que tem como distintivo o chamado “estágio pós-narrativista” ou, ainda,
“pós-Hayden White.“ A base para tal exposição parte dos principais periódicos dedicados
à filosofia e teoria da história, principalmente a partir de edições temáticas dedicadas às
transformações recentes do campo.

Objetivos:

Exercitar o pensamento teórico acerca a temporalidade histórica.

Discutir as características dos conceitos históricos que emergem na teoria da história


recente.

Atividades:

Na parte I, será exposta a configuraçao do cenário transicional da teoria da história


e os conceitos de tempo histórico que aí vêm emergindo com relaçâo às seguintes
características: 1. Referências teóricas; 2. Posições epistemológicas; 3. Relação passado-
presente-futuro; 4. Transformação e mudança histórica; 5. A questão da continuidade-
descontinuidade histórica; 6. Exemplos historiográficos. Na parte II, detalharemos as
características dos conceitos de tempo históricos sumarizados na parte I, procurando
classificá-los segundo caracteríticas em comum.

Referências Bibliográficas

Bonneuil, Noël. “The Mathematics of Time in History,” History and Theory Theme Issue
49 (December 2010), 28-46.

Foucault, Michel. The Archeology of Knowledge, Translated by A. M. Sheridan Smith


(New York: Pantheon Books, 1972).

102
Foucault, Michel. The Birth of the Clinic: An archaeology of medical perception,
translated by A. M. Sheridan (New York: Routledge, 2003).

Heidegger, Martin. “Building Dwelling Thinking,” Poetry, Language, Thought,


translated by Albert Hofstadter (New York: Perennial, 2001).

Iemhoff, Rosalie. “Intuitionism in the Philosophy of Mathematics,” The Stanford


Encyclopedia of Philosophy, Edward N. Zalta (ed.) (Winter 2016 Edition), emphasis
added; https://plato.stanford.edu/archives/win2016/entries/intuitionism/ (accessed
February 22, 2019).

Jordheim, Helge. “Against Periodization: Koselleck’s Theory of Multiple Temporalities,”


History and Theory 51 (May 2012), 151-171.

Kasabova Anita. “Memory, memorials, and commemoration,” History and Theory 47


(October 2008), 331-350.

Kleinberg, Ethan. “Introduction: The New Metaphysics of Time,” History and Theory
Virtual Issue 1, (August 2012).

Paul, Herman. “A Loosely Knit Network: Philosophy of History After Hayden White,”
Journal of the Philosophy of History 13 (March 2019).

Roth, Paul A. “The Pasts,” History and Theory 51 (October 2012), 313-339.

Runia, Eelco. “Presence,” History and Theory 45 (February 2006), 1-29.

Simon, Zoltán B. and Kuukkanen, Jouni-Matti. “Introduction: Assessing Narrativism,”


History and Theory 54 (May 2015).

Zammito, John. “Koselleck’s Philosophy of Historical Time(s) and the Practice of


History”, History and Theory 43 (February 2004), 124-135.

Zeleňák Eugen. “Two Versions of a Constructivist View of Historical Work,” History


and Theory 54 (May 2015).

103
CINEMA E HISTÓRIA

Eduardo José Afonso


Departamento de História da UNESP/Assis

Palavras-chaves: filme como fonte para a História; cinema soviético; primórdios do


cinema; História e cinema.
Dias 16 e 17/10 das 08h às 10h00.

Ementa:
O minicurso foi pensado em três módulos de forma a apresentar as primeiras
experiências do cinema soviético. Trata-se de estudo, através das películas originais, e a
análise da criação de um discurso fílmico importante como linguagem que representasse
o ideal proletário. O Cinema mundial deve muito ao cinema soviético daquele período.
Tudo que se desenvolveu nesse contexto serviu como lição às produções
cinematográficas europeias e norte-americanas, dalí para frente.
Objetivos:
Estudar e propor debates sobre duas questões importantes:
Primeiro: a identificação do cinema/filme como fonte para a História
Segundo: A análise semiótica do discurso fílmico como elemento primordial para a
contextualização da produção cinematográfica e a determinação de
elementos chave para identificação das fontes presentes no discurso.
Atividades:
Três módulos com aulas conceituais e análises de filmes de cineastas importantes
como Kuleshov, Dziga Vertov e Einsenstein.

Referências Bibliográficas:
BERNARDET,Jean-Claude. O que é cinema. Primeiros passos 9. São Paulo:Brasiliense,
1980.

BERNARDI, Sandro. L'avventura del cinematografo, Venezia, Marsilio Editori, 2007.


ISBN 978-88-317- 9297-4.

CHRISTIE, Ian and TAYLOR, Richard. The Film Factory. Russian and Soviet Cinema
in documents – 1896-1939. London:Routledge, 1988

DÉLAGE, Christian. Cinéma, Histoire: La réappropriation des récits. Vertigo, n. 16,


p.13-23, 1997.

EISENSTEIN, Sergei. A Forma do Filme. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002ª.

_______________. O Sentido do Filme. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002b.

_______________. Reflexões de um Cineasta. Rio de Janeiro: Zahar, 1969.

FERRO, Marc. Cinema e História. São Paulo: Paz e Terra, 1992.

104
FURHAMMAR, Leif & ISAKSSON, Folke. Cinema & Política. Rio de Janeiro:Paz e
Terra, 1976

GILLESPIE, David. Russian Cinema, Longman, 2002, ISBN 978-0-582-43790-6.

GOBETTI, Paolo. Il nuovo spettatore, cinema sovietico, italiano, francese,


FrancoAngeli, 1996, ISBN 978-88-204-9628-9.

HUSBAND, William B.. The New Economic Policy (NEP) and the Revolutionary
Experiment, 1921-1929. In: Russia History. Oxford/New York: Oxford University Press,
1997.

KENEZ, Peter. Cinema and Soviet Society: From the Revolution to the Death of Stalin,
New edition,London: I.B.Tauris, 2001. ISBN 978-1-86064-568-6.

LEBEDEV, Nicolaj. Il cinema muto Sovietico. Torino: Einaudi, 1962.

LEYDA, Jay. Kino : A History of the Russian and Soviet film. London: Ruskin House .
George Allen and Unwin Ltd, 1960.

MITRY, Jean. EISENSTEIN, Sergey. CD-ROM:Encyclopædia Britannica, 1994-2000.

NOVOA, Jorge et alii. Cinematógrafo. São Paulo: Unesp, 2009.

OLDRINI, Guido. Il cinema nella cultura del Novecento, Le Lettere, 2006, ISBN 978-
88-7166-978-6.

ORLOVSKY, Daniel. Russia in War and Revolution, 1914-1921. In: Russia History.
Oxford/New York: Oxford University Press, 1997.

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ORLOVSKY, Daniel. Russia in War and Revolution, 1914-1921. In: Russia History.
Oxford/New York: Oxford University Press, 1997.

REICH, Wilheim. A Revolução Sexual. 5ª ed. Rio de Janeiro:Zahar, 1979

ROSENSTONE, Robert. A História nos Filmes/Os Filmes na História. São Paulo: Paz e
Terra, 2010.

STAM, Robert. Introdução à Teoria do Cinema. São Paulo: Papirus, 2003.

XAVIER, Ismail. O Discurso Cinematográfico. A Opacidade e a transparência. 2ª


ed.revisada. Rio de Janeiro:Paz e Terra,1984.

YOUNGBLOOD, Denise J.. Soviet Cinema in the Silent Era, 1918-1935. Austin:
University of Texas, 1991

105
“HISTÓRIA E CONSCIÊNCIA DE CLASSE” DE LUKÁCS, APONTAMENTOS
PARA CENTRALIDADE DOS FENOMENOS DE ALIENAÇÃO E REIFICAÇÃO
NA LITERATURA KAFKIANA.

Edson Roberto de Oliveira da Silva


Mestrando no PPG em História pela UNESP/Assis

Palavras-chaves: Kafka; Reificação; Alienação; Lukács.


Dias 15, 16 e 17/10 das 08h às 09h30.

Ementa:
A formulação de György Lukács em torno das categorias de alienação e
reificação como um fenômeno da modernidade monopolista, demonstra o processo que
advém da universalização da mercadoria, ou seja, a transformação da força de trabalho
em mercadoria. Como consequência nessa transformação ocorre um processo de
subjetivação estranhada, onde o sujeito, além de não conhecer o processo de produção da
mercadoria, estranha o produto final constituído por ele, e por fim, estranha a si mesmo,
pois não se reconhece mais como o sujeito ativo da História e do processo produtivo da
manutenção da vida social, fenômeno esse estabelecido pela divisão social capitalista do
trabalho. A literatura de Franz Kafka nos possibilita averiguar plasticamente os
fenômenos de alienação e reificação nas suas principais obras, entre elas as mais
conhecidas A Metamorfose e O Processo.
Objetivos:
Mostrar a importância da obra de Lukács para a Teoria da História e a centralidade
dos conceitos de alienação e reificação para fazer uma análise crítica do processo de
desenvolvimento cultural contemporânea compreendendo as condições do sujeito
histórico a partir da divisão social capitalista do trabalho.
Atividades: As atividades serão feitas através de aulas de exposição verbal.
Referências Bibliográficas:
COUTINHO, Carlos N. Literatura e Humanismo. São Paulo: Paz e Terra, 1966.

__________________. Kafka: pressupostos históricos e reposição estética In. Temas de


ciências humanas, São Paulo, nº2, 1977, p. 15-56.

__________________. Lukács, Proust e Kafka: literatura e sociedade no século XX. Rio


de janeiro: Civilização Brasileira, 2005.

KAFKA, Franz. A Metamorfose. Trad. Modesto Carone. São Paulo: Companhia das
Letras, 1997

____________. O Processo. Trad. Modesto Carone. São Paulo: Companhia das Letras,
1997

KONDER, Leandro. Kafka: Vida & Obra. 5ºed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979.

________________. Walter Benjamin: o marxismo da melancolia. 3ºed. Rio de Janeiro:


Civilização Brasileira, 1999.

106
________________. Marxismo e Alienação: contribuição para um estudo do conceito
marxista de alienação. 2ºed. São Paulo: Expressão Popular, 2009.

________________. Os marxistas e a arte: breve estudo histórico-crítico de algumas


tendências da estética marxista. 2ºed. São Paulo: Expressão Popular, 2013.

LUKÁCS, Georg. Realismo Crítico Hoje. Trad. Ermínio Rodrigues. Brasília:


Coordenada-Editora de Brasília, 1969.

______________. Introdução a uma Estética Marxista. 2ºed. Trad. Carlos Nelson


Coutinho e Leandro Konder. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 1978.

______________. História e consciência de Classe: Estudos sobre a dialética marxista.


2º ed. Trad. de Rodnei Nascimento. São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2012.

MARX, Karl. Manuscritos Econômicos –filosóficos. Trad. Jesus Ranieri. São Paulo:
Boitempo, 2010.

___________. O caráter fetichista da mercadoria e seu segredo. In. O Capital: critica da


economia política: Livro I: O processo de produção do capital. Trad. de Rubens Enderle.
São Paulo: Boitempo, 2013. p. 146-156

SCHWARZ, Roberto. A Sereia e o desconfiado: Ensaios Críticos. 2º ed. São Paulo: Paz
e Terra, 1981.

_________________. O Pai de Família e outros estudos. 1º ed. São Paulo: Paz e Terra,
1978.

107
RELIGIÕES AFRODESCENDENTES:
UM PERCURSO HISTÓRICO DE RESISTÊNCIA
E A LUTA CONTRA O RACISMO RELIGIOSO

Caio Isidoro da Silva


Mestrando no PPG em História pela UNESP/Assis

Palavras-chave: Religiões afrodescendentes; resistência; racismo religioso


Dias 15, 16 e 17/10 das 08h às 09h30.

Ementa:

A proposta do minicurso é apresentar um panorama histórico das religiões


afrodescendentes no Brasil, especialmente após a proclamação da República e no decorrer
do século XX, no que diz respeito ao processo de resistência dessas religiões perante a
diferentes organizações e instituições que as perseguiam. A partir de então, discutiremos
as batidas policiais realizadas nos espaços afro-religiosos nas primeiras décadas do século
XX, amplamente legitimadas pelo aparelho burocrático do Estado brasileiro, inclusive
noticiadas pela mídia impressa da época, a organização de instituições afro-religiosas para
o combate ao racismo religioso ao longo do século XX e a propagação desse racismo
religioso por igrejas neopentecostais sobretudo a partir da década de 1970.

Objetivos:

Discutir sobre as religiões afrodescendentes enquanto objeto de estudo histórico e


realizar uma contextualização dessas religiões, especialmente no século XX, visando o
processo de resistência em que estavam submetidas devido às diversas perseguições e
ataques oriundos de diferentes segmentos sociais brasileiros.

Atividades:

Mapear o conhecimento do assunto com os participantes; Realizar um breve


explicação sobre o objeto de estudo em questão, as religiões afrodescendentes;
Contextualizar o histórico de perseguição às religiões afrodescendentes pelo Estado
Brasileiro no início do século XX; Analisar notícias de jornais impressos do começo do
século, no qual, noticiavam esses ataques contra as religiões afrodescendentes;
Apresentar organizações afro-religiosas que surgiram para o combate ao racismo
religioso; Contextualizar a propagação do racismo religioso realizado por igrejas
neopentecostais sobretudo a partir de 1970; Apresentar debates atuais multidisciplinares
sobre o estudo das religiões afrodescendentes.
Referências Bibliográficas:
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América Latina da Universidade de São Paulo (Prolam/USP), São Paulo, 2004.

111
OS SEGREDOS VITORIANOS:
UM DIÁLOGO ENTRE HISTÓRIA E PSICANÁLISE

Raphael Cesar Lino


Doutorando no PPG em História pela UNESP/Assis

Palavras-chaves: Psicanálise; historiografia; sexualidade; teoria da história

Dias 15 e 16/10 das 08h às 09h30.

Ementa:

O presente minicurso é a apresentação de um estudo teórico e historiográfico que


se debruça na relação entre história e psicanálise, partindo da análise do historiador
estadunidense Peter Gay em sua coleção A experiência burguesa – da Rainha Vitória a
Freud. Desse modo, proponho definir um espaço de interlocução e apropriação da teoria
freudiana de modo que possa servir como mais uma ferramenta de análise de fontes
históricas. Parto da consideração de que a ciência freudiana permite observar os sujeitos
como resultado de diferentes conflitos entre instâncias conscientes e inconscientes,
discutindo ao mesmo tempo sobre a humanidade e suas formações coletivas. Nesse
sentido, Freud destacou como o inconsciente e a sexualidade tem um papel fundamental
na organização da vida, regulados pelas categorias repressão e resistência, que se
manifestam de diferentes formas na cultura. Neste caso, na cultura burguesa oitocentista,
um exemplo de estudo de caso que nos permitirá adentrar em seus segredos, mentiras,
hipocrisias, medos e modos de pensar.

Objetivos: Apresentar uma discussão entre história e psicanálise partindo das


considerações do historiador Peter Gay,

Atividades: Apresentação expositiva.


Referências Bibliográficas:
GAY, Peter. A experiência burguesa, da rainha Vitória a Freud. Vol.1 – A educação
dos sentidos. São Paulo: Companhia das Letras, 1989.

_________. A experiência burguesa, da rainha Vitória a Freud. Vol.2 – A paixão terna.


São Paulo: Companhia das Letras, 1990.

_________. A experiência burguesa, da rainha Vitória a Freud. Vol. 3 – O cultivo do


ódio. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

_________. A experiência burguesa, da rainha Vitória a Freud. Vol. 4 – O coração


desvelado: São Paulo: Companhia das Letras, 1999.

_________. A experiência burguesa, da rainha Vitória a Freud. Vol. 5 – Guerras do


prazer. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.

_________. Freud para historiadores. Rio de Janeiro: Paz e terra, 1989.

DOSSE, François. História e Psicanálise: Genealogia de uma relação. In:


História e ciências sociais. Trad. Fernanda Abreu. Bauru: Edusc, 2004.

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história. In: Combates pela história. Lisboa: Editorial Presença, 1989, p.217-232.

______________. O problema da incredulidade no século XVI: a religião de Rabelais.


São Paulo: Companhia das letras, 2009.

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Academus, vol.2 p.12-21, 2006.

FREUD, Sigmund. A história do movimento psicanalítico, Rio de Janeiro: Imago,


1996. (Edição standard brasileira das obras psicológicas completas de Sigmund Freud,
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In: Obras Psicológicas Completas. (Edição Standard Brasileira), vols. IV E V. Rio de
Janeiro: Imago, 1987 [1900].

_________________. O mal-estar na civilização. Trad. José Octávio de Aguiar Abreu.


In: Obras Psicológicas Completas de Freud (ESB), vol. XXI. Rio de Janeiro: Imago,
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LAPLANCHE & PONTALIS. Vocabulário de psicanálise. São Paulo: Martins Fontes,


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ROUDINESCO, Elizabeth & PLON, Michel. Dicionário de psicanálise. Rio de Janeiro:


Editora Zahar, 1998.

SEVCENKO, Nicolau. As profundezas do umbigo vitoriano, Peter gay examina as


profundezas da sensibilidade no século XIX. “Resenha de A experiência burguesa, da
rainha vitória a Freud”. Folha de São Paulo, 12 de junho de 1999. Disponível em
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/resenha/rs12069915.html, acessado em 21 de janeiro
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limites da construção de uma história dos sentimentos”. Revista de Teoria da História.
Ano 2, número 5, junho/2011. P.2 - 14.

113
INTRODUÇÃO ÀS INTERPRETAÇÕES MARXISTAS
SOBRE O BRASIL (1922-1933):
OCTAVIO BRANDÃO, ASTROJILDO PEREIRA E CAIO PRADO JR.

Marcelo de Gois Barbosa


Mestrando no PPG em História da UNESP/Assis

Palavras-chaves: Marxismo brasileiro; Octavio Brandão; Astrojildo Pereira; Caio Prado


Jr
Dias 15, 16 e 17/10 das 08h às 09h30.
Ementa:
O minicurso pretende introduzir os participantes no debate historiográfico sobre
as interpretações marxistas sobre o Brasil a partir de três autores fundamentais: Octavio
Brandão, Astrojildo Pereira e Caio Prado Jr., de modo a contemplar as principais
orientações teóricas e políticas do PCB como também as suas divergências internas no
período de 1922 a 1933, do ano de fundação do chamado “partidão” ao ano da publicação
do ensaio Evolução Política do Brasil.
Objetivos:
1. Introduzir os alunos do minicurso no debate sobre a historiografia do marxismo
brasileiro e do PCB;
2. Apresentar pontos gerais e chaves de interpretação ao pensamento de Octavio Brandão,
Astrojildo Pereira e Caio Prado Jr., de modo a identificar permanências e rupturas no seio
do pensamento teórico marxista brasileiro no período de 1922 a 1933;
3. Observar as especificidades e a autonomia do marxismo brasileiro em relação às
posições da Internacional, como também observar a pluralidade de posicionamentos e
suas divergências internas no PCB (Octavio Brandão, Astrojildo Pereira, Caio Prado Jr.,
Cristiano Cordeiro, Obreirismo, Prestismo, etc.).
Atividades:
1. Sondagem prévia sobre o conhecimento dos participantes sobre a temática;
2. Introdução: Apresentação expositiva e dialogada sobre o tema;
3. Exposição e análise de citações da bibliografia e utilização de imagens com o uso de
slides;
4. Orientar sobre as mudanças políticas e teóricas do PCB e da Internacional de 1922 a
1933 e os principais pontos da historiografia do tema;
5. Apresentar os principais pontos das trajetórias intelectuais e políticas de Octavio
Brandão, Astrojildo Pereira e Caio Prado Jr.
Referências Bibliográficas:
AMARAL, Roberto Mansilla. Astrojildo Pereira e Octávio Brandão: os precursores do
comunismo nacional. In: FERREIRA, Jorge; REIS FILHO, Daniel Aarão (Orgs.). A
formação das tradições (1889-1945). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007, pp.
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Acesso em 21 de julho de 2017.

116
IMPRIMIR PARA ATRAIR:
AS PROPAGANDAS IMIGRATÓRIAS DO BRASIL OITOCENTISTA

Arthur Daltin Carrega


Doutorando no PPG em História pela UNESP/Assis

Victor Gustavo de Souza


Mestrando no PPG em História pela UNESP/Assis

Palavras-chaves: Propaganda Imigratória; Modernidade; Trabalho Livre; Grande


Imigração.
Dias 15, 16 e 17/10 das 16h às 18h.
Ementa:
Durante o século XIX o Brasil passou por profundas transformações, como a
proibição do tráfico negreiro, em 1850; o fim da escravidão, em 1888; a proclamação da
República em 1889; o café ocupando o posto de principal produto na balança comercial;
e o grande fluxo de imigrantes que adentraram suas fronteiras. Nesse cenário,
encontramos as propagandas imigratórias: materiais elaborados tanto pelo Governo
Central como por instituições privadas com o objetivo de atrair o trabalhador livre
europeu. Diante disso, o minicurso propõe analisar estes aparatos propagandísticos e o
papel ocupado por eles nas políticas imigratórias do Brasil Oitocentista.

Objetivos:

Trabalhar com diferentes tipos de propaganda imigratória da segunda metade do


século XIX, oferecendo possibilidades metodológicas de pesquisa e analisá-las dentro do
contexto da Grande Imigração. Relacionar este conteúdo às problemáticas atreladas a esse
período no Brasil, como a formação do mercado de trabalho livre e as questões nacionais.
Proporcionar reflexões sobre o imigrante como portador da modernidade e as diferentes
políticas imigratórias, no plural, pensadas para o Brasil.

Atividades:

Aula 1) O negócio da imigração: Contextualização e primeiras experiências. Sociedades


Imigratórias. Propagandas como políticas imigratórias. Aula 2) Imersão nas fontes (pt.
I): O boletim da Sociedade Central de Immigração: os diferentes tipos de propaganda
veiculadas no periódico. Aula 3) Imersão nas fontes (pt. II): Guias para emigrantes: onde
encontrar; metodologia de análise; exposição de discursos e objetivos; análises em
perspectivas individuais e comparadas.
Referências Bibliográficas:
BEIGUELMAN, Paula. A formação do povo no complexo cafeeiro: aspectos políticos.
São Paulo: Pioneira, 1968.

BIANCO, Maria Eliana Basile. A Sociedade Promotora de Imigração (1886 – 1895).


Dissertação de Mestrado em História (FFLCH- USP). São Paulo, 1982.

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CANO, Wilson. As raízes da concentração industrial em São Paulo. Rio de Janeiro:
DIFEL, 1977.
CARNEIRO, J. Fernando. Imigração colonização no Brasil. Rio de Janeiro:
Universidade do Brasil, Faculdade Nacional de Filosofia. 1950.

CARREGA, Arthur Daltin. Imigrantes para a pequena propriedade: o boletim e as


ideias da Sociedade Central de Imigração (1883-1891). Dissertação de Mestrado em
História (FCL-Unesp). Assis, 2017.

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MARSON, Isabel Andrade. Trabalho livre e progresso. Revista Brasileira de História.
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MARTINS, José de Souza. O cativeiro da terra. São Paulo: Ciências Humanas, 1979.

MENDES, José Sacchetta Ramos. Desígnios da Lei de Terras: imigração, escravismo e


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MESQUITA, Sergio L. Monteiro. A Sociedade Central de Imigração e a política


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PETRI, Katia. “Mandem vir seus parentes”: A Sociedade Promotora de Imigração em


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PRADO JÚNIOR, Caio. História Econômica do Brasil. São Paulo: Brasiliense, 1963.

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VIDAL, Laurent; LUCA, Tania Regina de. Imigração francesa no Brasil. Cultura,
ideias e trabalhos nos séculos XIX e XX. São Paulo: Ed. Unesp, 2009.

119
A REVOLUÇÃO DO HAITI ALÉM DAS SUAS FRONTEIRAS:
IMPACTOS DA REVOLUÇÃO DE 1791 NA AMÉRICA LATINA (1791-1825)

Berno Logis
Mestrando no PPG em História na UNESP/Assis
Bolsista FAPESP
E-mail: lesaged18@yahoo.fr

Palavras-chaves: Revolução haitiana; Impactos; América Latina


Dias 15, 16 e 17/10 das 16h às 18h.

Ementa:
Este minicurso pretende-se destacar as grandes linhas da Revolução haitiana de
1791, e seus impactos na região Sul Americano ao longo do período de 1791-1825.
Apesar da importância desta Revolução no processo da abolição da escravatura no “Novo
Mundo” bem como nas lutas pelas independências de vários países desta região, ela ainda
permanece um assunto pouco conhecido no meio do ensino brasileiro. Nesse sentido, por
meio de documentos e textos, serão apresentadas e discutidas as diferentes características
desta revolução como também seus impactos na América Latina.

Objetivos:

Apresentar as características da Revolução de 1791 e seu papel na abolição da escravidão


na região Sul Americano

Atividades:

1. Mapear o conhecimento dos participantes. 2. Apresentar o Haiti e as antigas colônias


francesas da América. Analisar a política colonial francesa na América e o projeto
napoleônico em São Domingos. 3. Debater os impactos da Revolução na região. 4-
Apresentar os debates historiográficos sobre a Revolução do Haiti de 1791
Referências Bibliográficas:
FERRER, Ada. A sociedade escravista cubana e a Revolução Haitiana. Almanark,
n.3(2012), pp.37-53.

FICK, Carolyn E. Haiti, naissance d’une nation. La Révolution de Saint Domingue vue
d’en bas. Université d’Etat d’Haiti, 2017

FLAVIO, Gomes. ―Experiências transatlânticas e significados locais: idéias, temores e


narrativas em torno do Haiti no Brasil Escravista. Tempo, núm.13, (Julio, 2002), pp. 209-
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JAMES, C. L. R. (Cyril Lionel Robert). Os jacobinos negros: Toussaint L'ouverture e a


revolução de São Domingos \ /c C.L. R James; tradução Afonso Teixeira Filho. São
Paulo, SP: Boitempo, 2000.

GENOVESE, Eugene D. Da rebelião a revolução. São Paulo, SP: Global, 1983.

LOGIS, Berno. A revolução do Haiti de 1791-1804: influências e impactos sobre as


outras colônias nas Américas, o caso do Brasil. Campinas, 2015. (Capítulo 2)

120
Disponível em:
<http://www.bibliotecadigital.unicamp.br/document/list_index.php?type_list=1&tid=49
8&vtid=617&valor=Berno%20Logis&sent=n>.

MOTT, Luiz R. B. Escravidão, homossexualidade e demonologia. São Paulo, SP,


1988.

121
USOS E ABUSOS DAS REPRESENTAÇÕES DO PODER IMPERIAL:
ENTRE A ANTIGUIDADE TARDIA E A IDADE MÉDIA

Vinicius Cesar Dreger de Araujo


Professor de História Antiga e Medieval da Unimontes/Montes Claros

Robson Murilo Grando Della Torre


Professor de História Antiga e Medieval da Unimontes/São Francisco)

Palavras-chaves: poder imperial; controvérsia nestoriana; cisma alexandrino


Dias 15, 16 e 17/10 das16h às 18h.

Ementa:

O minicurso pretende explorar diferentes formas de representação do poder


imperial em contextos de polêmicas religiosas e/ou políticas tanto no século V quanto no
século XII, buscando aproximações entre diferentes recortes históricos e geográficos que
permitam uma compreensão mais abrangente desse fenômeno por meio do método
comparativo. Para tanto, escolhemos como nossa base documental a narrativa de Nestório
sobre seu envolvimento na controvérsia com Cirilo de Alexandria nos anos 430 contida
no dito Livro de Heráclides, as ditas “atas coptas do concílio de Éfeso”, que narram as
façanhas de certo Apa Vítor na corte de Teodósio II (408-450) para defender a ortodoxia
efesina contra as maquinações dos “nestorianos”, e o dito Codex Callistinus. Por outro
lado, em nossa exploração de um recorte cronológico e espacial posterior, a Europa
centro-ocidental no século XII, proporemos uma leitura cruzada de duas fontes muito
conhecidas, a Gesta Friderici (composta por Otto de Freising e Rahewin), que narra os
primeiros anos de reinado de Frederico I de Staufer, o Barbarossa e a Vita Alexandri III
(composta pelo cardeal Boso), integrante do Liber Pontificalis, que narra a versão oficial
do pontificado alexandrino. Frederico e Alexandre são os protagonistas do cisma que
afetou a Cristandade latina entre 1159 e 1177, sendo mais uma fase do conflito entre
Império e Papado. Esses documentos, geralmente são pouco explorados pela
historiografia com esse viés (em alguns casos, pouco explorados de forma geral por conta
da especificidade do trabalho com línguas pouco conhecidas, da dificuldade de acesso
aos manuscritos e/ou dos problemas inerentes à análise iconográfica) e que possuem uma
abordagem sobre o objeto muitas vezes pouco comprometida com a veracidade dos fatos
narrados. Até mesmo por conta disso, parte dos estudos historiográficos sobre os
documentos elencados tende a simplesmente desqualificá-los como fontes fidedignas
para o estudo do poder imperial, por vezes classificando-as até mesmo como exemplares
de certo imaginário popular. De nossa parte, seguimos uma linha interpretativa distinta,
procurando mostrar como as informações e episódios expostos nessa documentação nos
permitem reconstruir expectativas e projeções sobre o poder imperial que o legitimam
perante a população de forma mais ampla e que orientavam o modo como as pessoas
comuns podiam se relacionar com essa mesma instância de poder.

Objetivos:
O minicurso tem como objetivo resgatar a importância dos documentos
trabalhados para a análise histórica desvinculando-os de uma leitura historicista,
factualista, para valorizá-los como testemunhos do modo como diferentes atores políticos
se relacionavam com a instância imperial em contextos de polêmica doutrinal e/ou

122
política. Assim, o minicurso se propõe a fazer um breve balanço historiográfico sobre
tendências teórico-metodológicas contemporâneas que abordem o poder imperial pelo
viés da representação, bem como rediscutir os critérios que embasam a prática
historiográfica para definir os limites entre o real e a ficção em uma narrativa,
aproximando os debates aqui realizados de polêmicas atuais correlatas mais familiares
aos alunos, tais como as fake news amplamente circuladas e que também trabalham com
expectativas e representações sobre os poderes constituídos e o funcionamento da
sociedade como um todo.

Atividades:
O curso consistirá em três aulas de 1h30min com a seguinte estrutura:
Aula 1 – Abordagens teórico-metodológicas contemporâneas sobre a representação do
poder imperial em documentos antigos e medievais: entre “fato” e “imaginação”
Aula 2 – História, ficção e propaganda na recepção da controvérsia nestoriana: os relatos
conflitantes de Nestório, das “atas coptas” e do Codex Callistinus.
Aula 3 – História, ficção e propaganda na recepção do cisma alexandrino: os relatos
conflitantes na Gesta Friderici e na Vita Alexandri III.

Referências Bibliográficas:
CLARK, Peter; DUGGAN, Anne (org.). Pope Alexander III (1159–81): The Art of
Survival. London: Routledge, 2016.

CARDINAL BOSO (trad. G. M. ELLIS). Boso’s Life of Alexander III. London: Wiley-
Blackwell, 1973.

FUHRMANN, Horst. Germany in the High Middle Ages c. 1050-1200. Cambridge:


CUP, 1996.

GRILLMEIER, Aloys. Christ in Christian Tradition.Volume 1: From the Apostolic


age to Chalcedon (451). Translated by John Bowden. London; New York: Mombray;
Westminster John Knox Press, 1965.

HOLUM, Kenneth G. Theodosian Empresses: Women and Imperial Domination in Late


Antiquity. Berkeley: University of California Press, 1982 (Transformation of the
Classical Heritage 3)

KELLY, Christopher. Ruling the Later Roman Empire. Cambridge, Mass.; London:
The Belknap Press of Harvard University Press, 2004.

KRAATZ, Wilhelm. Koptische Akten zum ephesinischen Konzil vom Jahre 431.
Leipzig: J. C. Hinrichs’sche Buchhandlung, 1904 (Texte und Untersuchungen 26, Heft
2).

LIM, Richard. Public Disputation, Power and Social Order in Late Antiquity.
Berkeley: University of California Press, 1995 (Transformation in the Classical Heritage
23).

MANSELLI, Raoul; RIEDMANN, Josef (org.). Federico Barbarossa nel dibattito


storiografico in Italia e in Germania. Bologna: Il Mulino, 1982.

123
MATTHEWS, John. Western Aristocracies and Imperial Court, AD 364-425. Oxford:
Clarendon, Press, 1990 (1ª edição: 1975).

MCGUCKIN, John A. St. Cyril of Alexandria: The Christological Controversy. Its


History, Theology, and Texts. Yonkers, NY: St. Vladimir Seminary Press, 2004 (1ª
edição: 1994).

MILLAR, Fergus. The Emperor in the Roman World. London: Duckworth, 2010 (1ª
edição: 1977; 2ª edição ampliada: 1992).

______. A Greek Roman Empire: Power and Belief under Theodosius II (408-450). Los
Angeles; Berkeley: University of California Press, 2007 (Sather Classical Lectures 64).

NESTORIUS. Le Livre d’Héraclide de Damas. Traduit en français par F. Nau avec le


concours du R. P. Bedjan et de M. Briere. Paris: Letouzey et Ané, 1910.

OTTO OF FREISING (trad. C. C. MIEROW). The Deeds of Frederick Barbarossa.


New York: Columbia UP, 2004.

ROBINSON, Ian. The Papacy 1073-1198 - Continuity and Innovation. Cambridge:


CUP, 1990.

SCHWARTZ, Eduard. Cyrill und der Mönch Viktor. Wien; Leipzig: Hölder-Pichler-
Temspky, 1928 (Akademie der Wissenschaften in Wien, Philosophisch-Historische
Klasse, Sitzungsberichte, 208. Band, 4. Abhandlung)

124
LITERATURA EM REVISTA(S):
DE MACHADO DE ASSIS AOS MODERNISTAS

Helen de Oliveira Silva


Mestranda no PPG em História pela UNESP/Assis
Bolsista Fapesp nº 2017/20828-4

Luciana Francisco
Mestranda no PPG em História pela UNESP/Assis
Bolsista Fapesp nº 2018/14554-1

Palavras-chaves: história da imprensa; letrados; intelectuais; revistas literárias;


Dias 15, 16 e 17/10 das 16h às 18h.
Ementa:
Ao longo do século XIX no Brasil, a imprensa esteve em processo de formação,
bem como a literatura, que encontrava naquela um interessante espaço de experimentação
e de divulgação. Estas experiências literárias encontraram nos periódicos, sobretudo nas
revistas, o seu suporte por excelência, visto que, por sua agilidade, acompanhava a rápida
movimentação das ideias e estéticas. No campo historiográfico, a Nova História Cultural
abriu perspectivas para que os impressos periódicos, entre eles as revistas literárias,
fossem tomados como fontes e objetos de pesquisa. Nesta nova abordagem, ampliou-se
o debate sobre a importância do suporte, não mais visto como mero receptáculo passivo,
mas como agente histórico capaz de acompanhar e influenciar a movimentação das ideias.
Desse modo, estes estudos passaram a contemplar análises dos gêneros literários, das
sociabilidades, das trocas culturais, da materialidade dos impressos, dentre outras
possibilidades de pesquisas. Este minicurso propõe acompanhar a formação das revistas
literárias desde seus primórdios em meados do Oitocentos, com ênfase na produção
machadiana, até as publicações que compõem a primeira década do movimento
modernista no Brasil. As revistas oitocentistas de atualidades, empenhadas em divulgar a
notícia e a ciência, mas também vulgarizar a Arte e as Letras, foram grandes propagadoras
do folhetim, um dos espaços nos quais os escritores encontraram para publicar suas obras
literárias. Nesta conjuntura, a partir da década de 1880, Machado de Assis destacou-se na
imprensa com crônicas, sobretudo com os folhetins “Quincas Borba” n’A Estação (RJ,
1879-1904) e “Memórias Póstumas de Brás Cubas” na Revista Brasileira (RJ, 1855-). Na
virada do século XIX ao XX, a imprensa assistiu ao declínio do modelo folhetim com
mudanças no gênero do romance e do jornalismo. O conteúdo e a temática das revistas
tornaram-se mais definidos, a exemplo dos títulos em prol de movimentos artísticos
brasileiros. Em relação ao modernismo, é com Klaxon (SP, 1922-1923) que as ideias
anunciadas no icônico evento paulista de 1922 ganham espaço e materialidade, logo se
desdobrando numa pluralidade de revistas e projetos que, dispostos a debater sobre a
renovação da literatura e cultura nacional, adentram outras regiões do país, como as
mineiras A Revista (Belo Horizonte, 1925-1926) e Verde (Cataguases, 1927-1928;1929).
Objetivos:
Apresentar a formação do suporte revistas e sua contribuição para a experimentação e
divulgação literária do século XIX ao XX no Brasil.
Atividades:

125
Aula 1) História da imprensa e formação do gênero revista literária; 2) Estudos de
periódicos literários como objeto e fonte; 3) Machado de Assis, revistas e literatura no
século XIX; 4) As revistas modernistas da década de 1920;
Referências Bibliográficas:
ASCIUTTI, Monica Maria Rinaldi. Um lugar para o periódico O Novo Mundo (Nova
Iorque, 1870-1879). 2010. 128 f. (Dissertação de Mestrado) – Faculdade de Filosofia,
Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo. Orientação: Prof. Dr. Hélio de
Seixas Guimarães. São Paulo, 2010.

AZEVEDO, Silvia Maria. Brasil em imagens: um estudo da revista Ilustração Brasileira


(1876-1878). São Paulo: Editora Unesp, 2010.

BAREL, Ana Beatriz Demarchi. A revista do IHGB e a construção do cânone literário do


Império do Brasil. In: _________; COSTA, Wilma Peres. Cultura e poder entre o Império
e a República: estudos sobre os imaginários brasileiros (1822-1930). São Paulo: Alameda
Casa Editorial, 2018.

BOURDIEU, Pierre. Le champ littéraire. In: Actes de la recherche em sciences sociales. Vol.
89, septembre 1991. p. 3-46.

CASTELLO, José Aderaldo. A pesquisa de periódicos na literatura brasileira. In:


NAPOLI, Roselis Oliveira de. Lanterna Verde e o Modernismo. São Paulo: Instituto de
Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo, 1970. p. 3-12.

CHALHOUB, Sidney. Machado de Assis, historiador. São Paulo: Cia. das Letras, 2003.

CHALMERS, Vera Maria. A literatura fora da lei (um estudo do folhetim). Remate de
males, 5 (1985), p. 136-145.

CHARTIER. Roger. A história cultural: entre práticas e representações. Rio de Janeiro:


Difel, 1988.

___________. A mão do autor e a mente do editor. São Paulo: Editora Unesp, 2014.

GLEDSON, John. Machado de Assis: ficção e história. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1986.

GOMES, Angela de Castro. Essa gente do Rio...: modernismo e nacionalismo. Rio de


Janeiro: Editora FGV, 1999.

GUIMARÃES, Hélio de Seixas. Os leitores de Machado de Assis: o romance machadiano


e o público de literatura do século XIX. São Paulo: Nankin Editorial, Edusp, 2004.

LARA, Cecília de. A “alegre e paradoxal” revista Verde de Cataguases, prefácio à edição
fac-símile. In: Verde. São Paulo: Metal Leve S/A, 1978.

___________. A Revista: um novo elo na cadeia de periódicos modernistas, Prefácio à


edição fac-símile. In: A Revista. São Paulo: Metal Leve S/A, 1978.

126
LUCA, Tania Regina. Leituras, projetos e (Re)vista(s) do Brasil (1926-1944). São Paulo:
Editora Unesp, 2011.
_______. A história dos, nos e por meio dos periódicos. In: PINSKY, Carla Bassanezi
(org.). Fontes Históricas. 2º Ed. São Paulo: Contexto, 2010, p. 111-153.

___________. A Ilustração (1884-1892). Circulação de textos e imagens entre Paris,


Lisboa e Rio de Janeiro. São Paulo: Editora Unesp: Fapesp, 2018.

MARQUES, Ivan. Cenas de um modernismo de província: Drummond e os rapazes de


Belo Horizonte. São Paulo: Ed. 34, 2011.

___________. Modernismo em revista: estética e ideologia nos periódicos dos anos 1920.
Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2013.

MARTINS, Ana Luiza. Revistas em revista: imprensa e práticas culturais em tempos de


República, São Paulo (1890-1922). São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo:
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MEYER, Marlyse. Folhetim: uma história. São Paulo: Companhia das Letras, 1996.

PRADO, Antonio Arnoni. 1922 – Itinerário de uma falsa vanguarda: os dissidentes, a


Semana e o Integralismo. São Paulo: Editora Brasiliense, 1983.

ROMANELLI, Kátia Bueno. A revista Verde: contribuição para o estudo do modernismo


brasileiro. 1981. 265 f. (Dissertação de Mestrado) – Faculdade de Filosofia, Letras e
Ciências Humanas, Universidade de São Paulo. Orientação: Profª Drª Cecília de Lara.
São Paulo, 1981.

SILVA, Ana Cláudia Suriani da. Machado de Assis: do folhetim ao livro. São Paulo:
nVersos, 2015.

SILVA, Margaret A. W. A Revista: contribuição para o estudo do modernismo em Minas


Gerais. 1984. 325 f. (Dissertação de Mestrado) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências
Humanas, Universidade de São Paulo. Orientação: Profª Drª Cecília de Lara. São Paulo,
1984.

______________. O Projeto de Estudos de Periódicos do IEB da USP. Revista do IEB,


São Paulo, 21, p. 117-122, 1979.

SIRINELLI, Jean-François. Os intelectuais. In: RÉMOND, René (Org.). Por uma história
política. Rio de Janeiro: Ed. da UFRJ: Fundação Getúlio Vargas, 1996, p. 231-269.

SOARES, Marcus Vinícius Nogueira. O folhetinista José de Alencar e O Guarani. In:


ROCHA, Fátima Cristina Dias (Org.). Literatura brasileira em foco. Rio de Janeiro:
Eduerj, 2003, p. 107-114.

SUSSEKIND, Flora. Cinematógrafo de Letras: literatura, técnica e modernização. São


Paulo: Companhia das Letras, 1987.

127
TINHORÃO, José Ramos. Os romances em folhetins no Brasil: 1830 à atualidade. São
Paulo: Livraria Duas Cidades, 1994.

VELLOSO, Monica Pimenta. Modernismo no Rio de Janeiro: turunas e quixotes. Rio de


Janeiro: Editora FGV, 1996.

___________. História e Modernismo. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2010.

128
A FIGURA FEMININA NA LITERATURA MEDIEVAL

Cláudia Trindade de Oliveira


Mestranda no PPG em História pela UNESP/Assis

Palavras-chaves: representação feminina; literatura medieval; sociedade e imaginário no


Medievo.
Dias 15, 16 e 17/10 das 16h às 18h.
Ementa:
Neste minicurso propomos discutir brevemente alguns textos da literatura
medieval, com vistas a identificar o lugar da mulher naquela sociedade. Trata-se de
abordar a figura feminina no cenário literário a partir de um duplo viés: por um lado,
enquanto tema e inspiração para diversos autores da época e, por outro, pretende-se pensá-
la como autora, isto é, ela própria a produtora de uma determinada escrita.
Objetivos:
Abrir um espaço de discussão e promover o interesse sobre a literatura medieval.
Deste modo, pretende-se desenvolver uma leitura analítica da rica produção textual
feminina inserida nesse período.
Atividades:
Primeiro Dia:
- Imaginário e sociedade medieval;
- O espaço da mulher e a influência da religião.
Segundo Dia:
- As representações femininas na literatura medieval:
a) A literatura cortesã (lírica trovadoresca e o romance arturiano);
b) As literaturas urbanas (Le Roman de la Rose, Les Fabliaux);
Terceiro Dia:
- As modalidades literárias de eu-lírico feminino:
a) Cantigas de amigo galego-portuguesas;
b) Les chansons femmes;
c) La Pastourelle;
- As diversas vozes nos textos medievais de autoria feminina.
Referências Bibliográficas:
DELUMEAU, Jean. Os agentes do Satã: III. A mulher. In: História do medo no Ocidente:
1300-1800, uma cidade sitiada. MACHADO, Maria Lucia; JAHN, Heloisa. (orgs). São
Paulo: Companhia das Letras, 1989, p.310 - 349.

129
DEPLAGNE, Luciana Calado. Vozes femininas da Idade Média: Auto-representação,
corpo e relações de gênero. Anais. 2008. Florianópolis: Fazendo Gênero 8 - Corpo,
Violência e Poder, ago/ 2008, p.1-8.

DRONKE, Peter. Las escritoras de la Edad Media. AINAUD, Jordi. Barcelona: Grijalbo,
Mondadori: D.L. 1995.

DUBY, G.; PERROT, M. (orgs). História das mulheres no Ocidente. CRUZ COELHO,
Maria Helena da. Porto: Edições Afrontamento, 1990.

PERNOUD, Regine. A mulher no tempo das catedrais. RODRIGUES, Miguel (trad.).


Lisboa: Gradiva, 1984.

RIVERA GARRETAS, María-Milagros. Nombrar el mundo en femenino: pensamiento


de las mujeres y teoría feminista. Barcelona: Icaria, 1998.

RIVERA GARRETAS, María-Milagros.Textos y espacios de mujeres: Europa siglos IV-


XV. Barcelona: Icaria, 1990.

SCOTT, Joan. História das mulheres. In: A escrita da história: novas perspectivas.
BURKE, Peter (org.). LOPES, Magda (trad.). São Paulo: EDUNESP, 1992.

SPINA, Segismundo. Apresentação da Lírica Trovadoresca; estudo, antologia crítica,


glossário. São Paulo: EDUSP, 1972.

TEJERO, María Giménez. Una aproximación al cuerpo femenino a través de la


medicina medieval. Universida de Saragoza. Filanderas - Revista Interdisciplinar de
estúdios Feministas. n. 1, diciembre 2016, p.45-60.

130