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DIREITO PENAL II

Luysa Nóbrega

SANÇÃO PENAL
É a restrição que a lei impõe a um indivíduo que praticou uma infração penal (fato ilícito,
antijurídico e culpável)
É através da sanção penal que o Estado exerce seu ius puniendi
Conceitualmente a PENA é um castigo, mas isso difere de sua função, que é prevenir e
ressocializar (em teoria)
PENA: imputáveis; caráter retributivo
MEDIDA DE SEGURANÇA: inimputáveis e semiputáveis; caráter preventivo; aplica-se aos
indivíduos que possuem capacidade mental reduzida
A sanção penal está ligada diretamente ao contexto social, político e econômico de cada
sociedade
ORIGEM E EVOLUÇÃO
A pena sempre foi utilizada para repreender e coibir determinados atos rejeitados pela sociedade
por ameaçarem ou danificarem determinados bens jurídicos (ex.: Cód. De Hamurabi, de Manu,
etc).
PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE
ANTIGUIDADE:
▪ Não era utilizada como sanção penal e sim como função de custodia.
▪ Preservava o réu até o dia do julgamento e execução.
▪ Até os fins do séc. XVIII as penas tinham caráter corporal.
▪ NA GRECIA: havia a prisão para devedores (prática inicialmente
privado e depois pública).
▪ EM ROMA: como custodia, mas também havia prisão por dívida.
IDADE MÉDIA:
▪ No período medieval as penas tinham o objetivo de provocar o medo
coletivo, sem se importar com a dignidade da pessoa do réu.
▪ A prisão continua como custódia.
▪ As penas sangrentas eram as favoritas do povo (até hoje existem
resquícios disso).
▪ Nesse período surgiram:
▪ >Prisão de Estado: para inimigos do governo
equivalentes.
▪ >Prisão Eclesiástica: clérigos rebeldes;
penitência; meditação.
• O Direito Canônico teve forte influência nesse período, contribuiu para o
surgimento da prisão moderna, primeiras ideias de reforma do
condenado.
IDADE MODERNA:
▪ A pobreza se estende por toda a Europa.
▪ A criminalidade aumenta e as reações penais começam a falhar.
▪ No séc. XVI houve a criação e construção de prisões organizadas para
correção dos apenados (através do trabalho e da disciplina).
▪ Na Inglaterra: Houses of Correction e Workhouses.
▪ Só no séc. XVIII surgiu a pena de prisão (contribuição do Iluminismo e
de Beccaria).
▪ No séc. XX passou a existir uma maior preocupação com a dignidade
da pessoa humana (ONU, pós II Guerra Mundial).
▪ Em um Estado Constitucional de Direito a pena deve ser aplicada em
observância aos princípios expressos e implícitos na CF.
ATUALMENTE: A elevação dos índices de criminalidade faz a sociedade clamar por cada vez
mais atuação do Direito Penal (que é ultima ratio), sendo o inverso do plano jurídico
FINALIDADES DAS PENAS – TEORIAS INFORMADORAS (ART. 59, CP)
Finalidades e demais conceitos ligados à forma do Estado
TEORIA ABSOLUTISTA OU DA RETRIBUIÇÃO – POR QUE PUNIR?
➢ Finalidade de castigo, de retribuir o mal que foi provocado pelo infrator à
coletividade.
➢ Se desvincula totalmente do caráter de qualquer efeito social ou de
ressocialização.
➢ Finalidade que satisfaz a sociedade (sensação de justiça).
➢ Considera a pena como um mal necessário (pela vingança).
➢ Justificativa da pena no FATO PASSADO.
TEORIA RELATIVA, FINALISTA, UTILITÁRIA OU DA PREVENÇAO – PARA QUE PUNIR?
➢ Finalidade de prevenir a realização de novos ilícitos.
➢ Justificativa da pena passa a ser baseada em EFEITOS FUTUROS,
prevenção.
➢ Também considera um mal necessário (mas pela finalidade).
CRITÉRIO DE PREVENÇÃO GERAL: o Estado pretende prevenir a prática
novos ilícitos por parte da coletividade.
NEGATIVA (por intimidação):
▪ Ameaça coletividade através da punição ao infrator (atenta contra a
dignidade da pessoa).
▪ Beccaria e Feuerbach defendiam.
POSITIVA (integradora):
▪ Tem finalidade pedagógica, pretende disciplinar a consciência coletiva.
▪ O Estado pretende exercitar com a coletividade a fidelidade ao Direito.
▪ As normas devem ser respeitadas.
CRITÉRIO DE PREVENÇÃO ESPECIAL: prevenção da prática por parte do
condenado.
NEGATIVA (neutralização)
▪ Possível somente em penas privativas de liberdade.
▪ O Estado neutraliza segregando o infrator do meio social.
▪ Impossibilita que o indivíduo pratique novos crimes.

POSITIVA (ressocialização)
▪ Regeneração do indivíduo para que ele desista da prática de novos
crimes.
▪ Fazer com que o agente medite sobre sua conduta, inibindo-o.

TEORIA ECLÉTICA, MISTA, ITERMEDIÁRIA OU UNIFICADORA DA PENA – adotada pelo CP,


art. 59
Unificação da teoria absoluta com a finalista, tendo a pena finalidade dupla, preventiva e
retributiva.

CRÍTICAS AOS CRITÉRIOS DE PREVENÇÃO GERAL (negativa) E ESPECIAL (positiva)


GERAL NEGATIVA: fere a dignidade da pessoa humana; medidas que superam a culpabilidade
do agente.
ESPECIAL POSITIVA: em um sistema penitenciário falido a pena acaba por corromper a
personalidade do agente.

TEORIA DA Negativa (por


RETRIBUIÇÃO intimidação)

TEORIAS Positiva (por


Critério de
INFORMADORAS TEORIA DA integração)
prevenção geral
PREVENÇÃO
Negativa (por
neutralização)
Critério de prevenção
TEORIA MISTA
especial
Positiva (por
ressocialização)
SISTEMAS PRISIONAIS
a) SISTEMA PENSILVÂNICO, FILADÉLFICO OU CELULAR
▪ EUA, 1790, velha prisão de Walnut Street Jail.
▪ Isolamento total.
▪ Sem trabalho e visitas.
▪ Leitura da Bíblia para o arrependimento.
▪ Não durou muito tempo.
▪ Severidade e eficácias questionadas, pois em nada contribuía para a reintegração do
indivíduo em sociedade.
b) SISTEMA AUBURNIANO OU SILENT SYSTEM
▪ Surgiu após críticas ao Pensilvânico.
▪ É menos rígido que o anterior.
▪ Surgiu na penitenciária de Auburn, no estado de NY, 1818.
▪ Permitiu o trabalho durante o dia (inicialmente nas suas celas e posteriormente em
grupo).
▪ Silêncio absoluto (regra desumana).
▪ Foi nesse sistema que surgiu a linguagem de gestos entre os presos.
▪ Sem visitas, lazer e exercícios físicos.
c) SISTEMA PROGRESSIVO
▪ Surgiu na Inglaterra, mas foi aperfeiçoado na Irlanda.
▪ Início do séc. XIX.
▪ A pena ia progredindo de acordo com bom comportamento.
PROGRESSIVO INGLÊS: 1. Isolamento total (período de prova)
2. Trabalho durante o dia (em silêncio) e isolamento a noite
3. Livramento condicional (liberdade sob condições)

PROGRESSIVO IRLANDÊS: 1. Segregação absoluta


2. Trabalho durante o dia (em silêncio) e segregação a noite

Mostrar os 3. Prisão intermediária (vida comum durante o dia e seg. a noite)


resultados
4. Livramento condicional (liberdade sob condições)
ESPÉCIES DE PENAS (art. 32, CP)

MEDIDA DE SEGURANÇA
SANÇÃO

MULTA
PENA

RESTRITIVA DE DIREITOS
reclusão

PRIV. DE LIBERDADE detenção

prisão simples

PENAS PRIVATIVAS DE LIBERDADE


RECLUSÃO X DETENÇÃO
a) Regime de pena (art. 33, caput, CP)
▪ Na reclusão o indivíduo poderá iniciar a pena em qualquer um dos três regimes.
▪ Na detenção só poderá iniciar no semiaberto ou no aberto, mas nada impede regressão
ao fechado.
b) Regime inicial da pena de reclusão em caso de concurso material, pois começa pelo
mais gravoso (arts. 69 e 76, CP)
c) Declaração de incapacidade para o exercício do pátrio poder, tutela ou curatela
somente aplicada na prática de crime doloso com pena de reclusão, cometido contra o
filho, o tutelado ou o curatelado (art. 92, II, CP)
Tem caráter permanente, mas não se aplica em relação a outros filhos.
d) Submissão de inimputável à medida de segurança (art. 97, CP):
Terá como base a pena prevista caso o agente fosse imputável.

medida de seg. detentiva (alto grau de periculosidade)


DETENÇÃO
medida de seg. preventiva (baixo grau de periculosidade)

RECLUSÃO medida de seg. detentiva (alto grau de periculosidade)


REGIMES DE CUMPRIMENTO DE PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE (art. 33, § 2° e 59, CP)
REGIME FECHADO: em estabelecimento de segurança máxima ou média
REGIME SEMIABERTO: em colônia penal agrícola, industrial ou estabelecimento similar
REGIME ABERTO: em casa de albergado ou estabelecimento adequado

REGIME INICIAL NA PENA DE RECLUSÃO

a) pena maior que 8 anos = fechado (não precisa analisar se é primário ou se as circunstâncias
são desfavoráveis)
b) pena maior que 4 e menor ou igual a 8 anos = semiaberto (o réu não pode ser reincidente e
as circunstâncias devem ser favoráveis) > circunstâncias do art. 59. CP
c) pena igual ou menor a 4 anos = aberto (o réu não pode ser reincidente e as circunstâncias
devem ser favoráveis) > circunstâncias do art. 59. CP
d) condenado reincidente em qualquer qtd. de pena = fechado (exceto se a pena anterior tiver
sido de multa, interpretação do STF ao art. 77, § 1°, CP; há a possibilidade de concessão de
regime inicial semiaberto ao reincidente condenado a pena de até 4 anos, se favoráveis as
circunstâncias) > Súmula 269, STJ
e) se as circunstâncias do art. 59 forem desfavoráveis = fechado (se a pena for inferior a 8 anos
exige-se uma motivação idônea para essa determinação, pois exige-se uma maior análise e
fundamentação para a determinação de um regime mais severo que o previsto) > art. 33, §§ 2° e
3° e art. 59, CP / súmulas 718 e 719, STF / súmula 440, STJ

FIXAÇÃO DE REGIME INICIAL NA PENA DE DETENÇÃO

a) pena maior que 4 anos = semiaberto (não se analisa outros critérios)


b) pena menor ou igual a 4 anos = aberto (e ser réu primário mais circunstâncias
favoráveis)
c) reincidente em qualquer quantidade de pena e circunstâncias desfavoráveis =
semiaberto também exige fundamentação idônea
FIXAÇÃO DE REGIME INICIAL NA PENA DE PRISÃO SIMPLES

a) pena maior que 4 anos = semiaberto (não se analisa outros critérios)


b) pena menor ou igual a 4 anos = aberto (e ser réu primário mais circunstâncias
favoráveis)
c) reincidente em qualquer qtd. de pena e circunstâncias desfavoráveis = semiaberto
d) a diferença em relação a detenção, é que na prisão simples não se permite o regime
fechado, não há a possibilidade de regressão para o mesmo, só do aberto para o
semiaberto
OMISSÃO DA SETENÇA QUANTO O REGIME INICIAL
▪ Deve-se observar a quantidade de pena fixada e o tipo de pena privativa que foi
estabelecida, não cabe ao juiz da execução fixar o regime mais severo (art. 66, LEP).
▪ O juiz da execução não tem competência para reanalisar o mérito.
▪ A dúvida deve ser resolvida em prol do regime mais benéfico.
▪ Se durante o cumprimento o condenado demonstrar inaptidão ao regime que vem
cumprindo, o juiz da execução poderá determinar sua regressão (art. 118, LEP).
COMISSÃO TÉCNICA DE CLASSIFICAÇÃO (arts. 5° e 6° da LEP)
▪ A pena é aplicada de acordo com as características pessoais do condenado, este deve
ser classificado individualmente através do programa individual, que é adequado a ele
de acordo com sua personalidade, seus antecedentes e etc.
▪ É feito um exame criminológico para obtenção das qualificações do condenado.
▪ Exame criminológico (de biotipologia).
▪ A formação da CTC é feita de acordo com cada tipo de pena.
▪ O art. 6° da LEP foi alterado e atualmente a CTC só tem competência para elaborar o
programa de cumprimento de pena, não mais fiscalizar (competência do MP e do juiz de
execução).
REGIME INICIAL NOS CRIMES HEDIONDOS (LEI 8.072/90)
▪ Em seu art. 1° os crimes hediondos são definidos.
▪ Antes não se permitia progressão de regime (isso logo foi questionado, inclusive visto
como uma violação do princípio da individualização da pena).
▪ Com a lei 11.464/2007, o §1° do art. 2° da LCH, passou a exigir que o regime fosse
somente inicialmente fechado, permitindo a progressão.
▪ Em 2012 o STF ao conceder o habeas corpus 111.840, decidiu a inconstitucionalidade
do §1°, art. 2° da LCH, que a obrigatoriedade do regime inicial fechado feria o princípio
da individualização.
▪ Passando a ser permitido o regime inicial ser estabelecido sobre qualquer um dos três.
REGIME INICIAL DE PENA NA LEI DE TORTURA (LEI 9.455/97)
Atualmente, após o HC 111.840 ter sido concedido pelo STF, o julgador pode,
fundamentalmente, determinar regime inicial de cumprimento de pena diverso do fechado.
Se o crime tiver sido cometido antes à entrada em vigor da 11.464, deverá ser aplicada a
Súmula vinculante de n° 26.
CUMPRIMENTO DE PENA PRIVATIVA NO REGIME MAIS GRAVOSO DO QUE O
DETERMINADO NA SENTENÇA CONDENATÓRIA
▪ Vertente minoritária: na falta de estabelecimento específico apoia a prisão domiciliar,
pelo fato de o condenado não poder arcar por algo que é responsabilidade do Estado e
esse vem sendo o posicionamento do STJ (se fundamenta através do art. 203, §2° da
LEP)
▪ Segunda vertente: não admite a prisão domiciliar, pois defende que essa alternativa se
limita aos casos expressos no art. 117 da LEP, considerando que sua admissão em
casos além desses fere o princípio da legalidade
A solução mais utilizada é a de reserva de uma cela em uma sessão especial só para indivíduos
no aberto, isolando-os dos demais condenados a outros regimes mais gravosos

REGRAS DOS REGIMES DE CUMPRIMENTO DE PENA

REGRAS DO REGIME FECHADO (art. 34, CP)


▪ Logo que a sentença é proferida o escrivão produz a guia de recolhimento (regimes F. e
S.A.), onde se encontram todas as informações necessárias para o juiz de execução
fiscalizar o cumprimento da pena (nela estão o nome, o estado, o prazo para o
cumprimento da pena).
▪ O indivíduo deve ser submetido ao exame criminológico (de biotipologia), onde será
analisada sua personalidade, para que ele possa ser classificado e seu programa
individual elaborado (art. 34 do CP e art. 8° da LEP).
▪ Admite-se a prática de trabalho (art. 36, LEP), interno e externo (somente em obras
públicas), mas o juiz deverá levar em consideração suas habilidades, suas
características.
TRABALHO INTERNO:
▪ Deverá ser realizado durante o dia.
▪ Gera uma série de direitos e benefícios previstos na legislação penal: remuneração (não
inferior a ¾ do salário mínimo vigente), previdência social (não se submete a CLT).
▪ Deve ser realizado entre 6 e 8 horas diárias.
▪ Em caso de acidente de trabalho, impossibilitado de praticar a atividade, o tempo inativo
contará como tempo de trabalho.
TRABALHO EXTERNO: (art. 34, § 3°, CP e 36 e sequência, LEP)
▪ No regime fechado só é permitido em obras públicas.
▪ Há o limite máximo de 10% dos trabalhadores serem presos.
▪ O preso recebe remuneração.
▪ Somente presos que já tiverem cumprido 1/6 da pena, tenha aptidão e bom
comportamento.
REMIÇÃO (desconto):
▪ Há a possibilidade de descontar na pena horas de curso, estudo ou trabalhos realizados
▪ A cada 3 dias de trabalho descontam-se 1 dia na pena
▪ A cada 12 horas de atividade escolar (distribuídas em pelo menos 3 dias), será
descontado em 1 dia de pena
➢ Há opiniões divergentes, mas de acordo com o art. 126, caput, da LEP, é possível
➢ Há a possibilidade de trabalhar e estudar, se o juiz de execução compatibilizar os
horários
➢ Se o indivíduo estiver no semiaberto e terminar um curso, o juiz irá remir o tempo
do curso + 1/3
➢ Em caso de falta grave (art. 50, LEP) o juiz pode revogar até 1/3 do tempo remido

REGRAS DO REGIME SEMIABERTO (art. 35, CP)


▪ Guia de recolhimento.
▪ O indivíduo também deve ser submetido ao exame criminológico, mas há uma
divergência, pois no art. 8° da LEP dia que caberá ao juiz submetê-lo ao exame ou não
(como a LEP é uma lei mais especifica, prevalece seu entendimento, ao juiz é facultado,
porém, a realização desse exame é de extrema importância).
▪ O indivíduo trabalhará internamente durante o dia, em colônia penal agrícola ou
similares, e, da mesma forma do fechado, terá direitos e benefícios reconhecidos.
▪ Ele poderá trabalhar externamente (sem restrições quanto ao tipo de trabalho) e
frequentar cursos (art. 35, § 2°, CP).
AUTORIZAÇÃO DE SAÍDA:
PERMISSÃO DE SAÍDA:
➢ É de natureza humanitária e não ressocializadora.
➢ É concedida pelo diretor do estabelecimento onde o indivíduo se encontra preso (é um
ato administrativo -há uma exceção- e não jurisdicional).
➢ Para visitar um parente doente, falecido, para algum tratamento médico... (art. 120, I e II,
LEP)
➢ Só se admite mediante escolta, vigilância direta.
➢ O juiz de execução pode conceder a saída quando o diretor do estabelecimento
injustamente negar.
➢ A duração da saída será pelo tempo necessário para a realização da finalidade (tempo
variável).
SAÍDA TEMPORÁRIA:
➢ Só para que está no regime semiaberto (há corrente que admite no aberto).
➢ Admite-se saída sem vigilância direta (no máximo com indireta – dispositivo de
monitoração).
Lei 12.258/2010, art. 146-B, C, D
➢ Visitas à família, participação em cursos. (o juiz pode regredir o regime, revogar a
➢ É um ato jurisdicional, pois o juiz da execução penal que concede. saída, promover revogação da p.
domiciliar, caso o dispositivo seja violado)
➢ O juiz (art. 123, LEP) ouvirá o MP e a administração penitenciária.
➢ O indivíduo tem que ter bom comportamento e ter cumprido 1/6 (primário) ou 1/4
(reincidente) da pena e estar compatível com os objetivos propostos.
➢ A autorização será concedida por até 7 dias, podendo ser renovada por mais 4 vezes,
ou seja, até 5 saídas no ano (deve haver intervalo de 45 dias)
Obs.: para fins de estudo, ela
durará o tempo para concluir o
curso, por exemplo

➢ A saída pode ser revogada se o indivíduo descumprir as condições ou praticar crime


(art. 125, LEP)
REGRAS DO REGIME ABERTO (art. 36, CP)
➢ Pode ser considerado como a ponte de transição do encarceramento total para a vida
em sociedade.
➢ Depende da demonstração de disciplina e senso de responsabilidade do condenado.
➢ Durante a noite, fins de semana e feriados, deve se recolher, passando esses períodos
em casa de albergue.
➢ O indivíduo só poderá iniciar esse regime se: comprovar absoluta possibilidade de
realizar um trabalho (sendo um requisito), mas o trabalho não gerará remição da pena
(art. 113, LEP).
➢ No regime aberto só haverá remição em caso de estudo.
➢ Se o indivíduo estiver beneficiado com prisão domiciliar, não se exige trabalho (art. 117,
LEP).
➢ Obediência às condições (art. 115, I a IV e 116, LEP), que o juiz deverá estabelecer
obrigatoriamente (ou seja, o indivíduo deve trabalhar e cumprir essas condições).
➢ Somente será concedido prisão-albergue domiciliar nos casos do art. 117 da LEP.

REGIME DISCIPLINAR DIFERENCIADO (art. 52, LEP)


▪ É uma sanção disciplinar que somente é aplicada quando a prática de fato previsto
como crime doloso constitui falta grave e, quando ocasione subversão da ordem ou
disciplina internas.
▪ Duração máxima de 360 dias (prevenção para casos onde há a possibilidade de o
indivíduo desorganizar o estabelecimento), podendo o juiz aplicar novamente esse
regime.
▪ Pode ser aplicado em até 1\6 da pena sentenciada.
▪ Recolhimento em cela individual.
▪ Limitação ao direito de visitas, número máximo de 2 pessoas (não incluindo crianças),
durante duas horas por semana (não é permitido visita íntima).
▪ Se não houver prejuízos à normalidade da casa prisional, mesmo que o crime seja
doloso, não se aplica o RDD e sim o art. 53, III e IV da referida lei.
▪ O condenado não necessita cometer o crime doloso tipificado no CP, basta que o
apenado apresente alto risco à segurança da casa prisional ou da sociedade, ou seja
denota-se aqui a natureza cautelar da medida.
▪ Há divergências doutrinárias quanto quem seria o juiz competente, se o juiz do processo
ou o juiz da execução penal. A luz do art. 66 da LEP, é o juiz da execução.
▪ Limitação do banho de sol, durante 2 horas por dia.
a) Condenado def. por crime doloso, ou preso provisório, propensos a
promover a desordem no estabelecimento prisional (art. 52, caput)

Hipóteses para b) condenado definitivamente ou preso provisório cuja presença seja de alto
a aplicação do risco para a seg. do estabelecimento e sociedade (art. 52, § 1°). Esse regime
r.d.d. pode ser aplicado também criminosos conhecidos pela mídia e sociedade

c) suspeito de envolvimento ou participação em associações criminosas (art.


52, § 2°)

▪ O diretor do estabelecimento, ou outra autoridade administrativa, através de um


relatório, pode requerer ao juiz da execução, ou seja, o r.d.d. é um ato jurisdicional
(precedido de manifestação do MP e da defesa).
▪ Há discussões doutrinária a respeito da constitucionalidade do r.d.d., mas a maior parte
da doutrina considera constitucional, se apegando ao princípio da proteção do bem
jurídico e ao princípio da proporcionalidade.
o art. 33 não é
utilizado em caso
de crime hediondo
PROGRESSÃO DE REGIME (art. 33, § 2°, CP e art. 112 da LEP)
▪ As penas privativas de liberdade deverão ser executadas de forma progressiva, segundo
o mérito do condenado
▪ Deixou de ser exigência a realização do exame criminológico para efeitos de concessão
de progressão de regime (Mas o julgador pode determinar sua realização se necessário
– Súmula vinc. n° 26)
▪ Se o indivíduo se comportar bem pode merecer progredir no regime, passando de um
regime mais gravoso para um posterior menos grave
▪ Não se pode, em regra, aplicar progressão por salto (mas cabe regressão por salto)
▪ Deve ter sido cumprido ao menos 1\6 da pena no regime anterior
▪ Nos crimes contra a administração pública, além dos requisitos acima citados, é preciso
ainda que seja reparado o dano, salvo efetiva impossibilidade de fazê-lo.

FECHADO SEMIABERTO ABERTO

1/6 DA PENA 1/6 DA PENA


REQUISITO OBJETIVO:
➢ Cumprimento de 1/6 da pena no regime anterior (art. 112, caput, LEP).
➢ No caso de S.A. para o aberto, já tendo passa pelo F., há divergências se o cálculo será
feito sobre a pena sentenciada ou a que resta (obs. ao entendimento de que pena
cumprida é pena extinta).

REQUISITO SUBJETIVO:
➢ Bom comportamento carcerário devidamente atestado pelo diretor (art. 112).
➢ Consiste no comportamento mediano, com respeito e boa conduta.
REQUISITOS PROCEDIMENTAIS:
➢ O juiz deve decidir se concede, a decisão deve ser motivada, precedida de manifestação
do MP e da defesa (art. 112, § 1°).
➢ O juiz deve equiparar ao livramento condicional, exigindo prévia manifestação do
Conselho Penitenciário (art. 112, § 2°).

VEDAÇÃO DA PROGRESSÃO POR SALTO


Há uma exceção: cumpriu 1/6 no fechado e requereu progressão para o semiaberto, o juiz
negou por não haver estabelecimento adequado ou vagas disponíveis em um, permaneceu
no fechado e acabou cumprindo mais 1/6, novamente requereu a progressão, mas agora
diretamente para o aberto, nesses casos o STF entende que juridicamente falando A não estava
mais no fechado, e sim no semiaberto, podendo progredir direto para o aberto.
PROGRESSÃO DE REGIME NOS CRIMES HEDIONDOS (art. 2°, § 2° da LCH)
Em 2007 passou-se a admitir progressão em crimes hediondos, porém com condições mais
rígidas.
Requisitos:
➢ Ter cumprido 2/5 (primário) ou 3/5 (reincidente) da pena
➢ Bom comportamento devidamente atestado
➢ Decisão fundamentada
PROGRESSÃO DE REGIME PARA UM PRESO PROVISÓRIO (Súmulas 716 e 717, STF)
Preso provisório é aquele que não foi condenado definitivamente
Em regra, não se admite, mas há uma exceção que se fundamenta nas súmulas:
➢ Condenação em primeiro grau e só transitou em julgado para o MP, ou seja, a pena irá
se manter ou reduzir
➢ Preso provisório por 1 ano, sentença de primeiro grau de 6 anos
➢ Como o indivíduo já cumpriu um ano o juiz pode determinar progressão de regime,
mesmo sem a sentença definitiva
REGRESSÃO DE REGIME (art. 118, LEP)
Art. 118. A execução da pena privativa de liberdade ficará sujeita à forma regressiva, com a
transferência para qualquer dos regimes mais rigorosos, quando o condenado:
A primeira parte desse inciso não foi recepcionada pela
I - praticar fato definido como crime doloso ou falta grave; CF (princ. da presunção de inocência)
II - sofrer condenação, por crime anterior, cuja pena, somada ao restante da pena em execução,
torne incabível o regime (artigo 111).
§ 1° O condenado será transferido do regime aberto se, além das hipóteses referidas nos incisos
anteriores, frustrar os fins da execução ou não pagar, podendo, a multa cumulativamente
imposta.
§ 2º Nas hipóteses do inciso I e do parágrafo anterior, deverá ser ouvido previamente o
condenado.
➢ Em caso de crime doloso, a regressão só ocorrerá quando houver uma decisão
definitiva a respeito da infração penal levada a efeito pelo condenado (art. 5°, LVII, CF).
➢ No caso de falta grave, a regressão somente poderá ser determinada após o
condenado ser ouvido, numa audiência de justificação, (nesse caso do inciso I haverá
regressão mesmo que o tempo de pena aplicado, somado ao tempo restante,
possibilite, objetivamente, a permanência no regime).
➢ Nula será a decisão que determina a regressão do condenado sem a prévia audiência
(princípio do contraditório).
➢ A LEP também determina a regressão se o condenado sofrer condenação por crime
anterior cuja pena, somada ao restante da pena em execução, torne incabível o regime
(se o período da pena em execução somado ao da nova condenação permitir a
permanência no regime atual do condenado, não haverá necessidade de regressão).
➢ Pode ser realizada por saltos, pois o julgador poderá impor ao condenado o regime
que, segundo as provas dos autos, lhe parecem o mais adequado.
➢ A diferença entre os incisos I e II reside no momento da prática do fato definido como
crime.
➢ O STF tem se posicionado afirmando que para que ocorra regressão, deve ter havido
progressão.
REGIME ESPECIAL DE CUMPRIMENTO DE PENA (art. 37, CP e art. 83, LEP)
Atendendo ao art. 5°, XLVIII, que diz que a pena será cumprida em estabelecimento distintos, de
acordo com a natureza do delito, a idade e o sexo do apenado.
Observar também o art. 89 da LEP.
DIREITOS DO PRESO (art. 38, CP e 3° e 41, LEP)
a) exposição dos direitos do preso (arts. 24 e 41, LEP);
b) direito a assistência religiosa (art. 24); existe uma vertente que é contra que acredita que as
pessoas que vão prestar essa assistência correm risco;
c) direito de visita (art. 41, X): existem limitações no r.d.d. (duas pessoas por duas horas
semanais);
d) a sentença condenatória, seja qual for a pena, gera o efeito secundário (extrapenal) da
suspensão de todos os direitos políticos (em sentença condenatória penal definitiva) – art. 15, III,
CF;
e) realização de trabalho pelo preso (arts. 29 e 31 da LEP) (trabalho ora como direito, ora como
dever);
f) remição da pena (art. 126, LEP).
SUPERVENIÊNCIA DE DOENÇA MENTAL (art. 41, CP)
Situação onde o indivíduo é acometido por doença mental durante o cumprimento da pena
O diretor do estabelecimento o encaminhará para um estabelecimento adequado para receber o
tratamento, não podendo continuar no sistema prisional
Pode acontecer duas decisões:
➢ O juiz pode chegar à conclusão de que é um caso transitório, sem ser necessário
converter a pena, sendo a situação reversível, tendo que o indivíduo voltar ao
estabelecimento prisional (o tempo de tratamento será contato como tempo de pena
cumprido)
➢ Se o quadro for considerado irreversível (art. 183, LEP), é aconselhável que o juiz
instaure a medida de segurança, fazendo a conversão (art. 98, CP)
Se o indivíduo é transferido para um hospital e o juiz não converte a pena, se o prazo de
cumprimento da pena acabar e o indivíduo ainda estiver fazendo o tratamento, terá que ser liberado imediatamente,
diferentemente se a medida de segurança tivesse sido instaurada, pois essa tem tempo indeterminado

DETRAÇÃO PENAL (art. 42, CP)


▪ Vem do verbo detrair, que significa computar, descontar, abater.
▪ A detração visa impedir que o Estado abuse de poder-dever de punir, sujeitando o
responsável pelo fato punível a uma fração desnecessária da pena sempre que houver a
perda da liberdade ou a internação em etapas anteriores à sentença condenatória.
▪ A detração é o instituto que permite que todo o período que o indivíduo estiver preso
provisoriamente ou internado, seja descontado na pena após o trânsito em julgado.
▪ Prisão provisória também é chamada de cautelar ou sem-pena.

Prisão Provisória Em flagrante


Preventiva
P. Administrativa Temporária

Internação

Ex. K ficou preso provisoriamente por 6 meses antes do trânsito em julgado, após a sentença ele
foi condenado a 4 anos definitivamente, mas cumprirá apenas 3 anos e 6 meses
Obs. Existe um prazo para a realização de um exame após a medida de segurança ser
instaurada, para analisar a periculosidade do indivíduo, se está cessou (de 1 a 3 anos), e a
detração diz respeito ao tempo em que o juiz determinou para a realização do primeiro exame
de cessação de periculosidade, ou seja, a contagem do prazo não é feita para o fim de cessar
a medida de segurança, mas no prazo mínimo necessário à realização obrigatória do exame.
COMPETÊNCIA PARA A APLICAÇÃO:
▪ A competência passou a ser do juiz sentenciante (art. 387, § 2°, CPP).
▪ O juiz sentenciante irá aplicar a detração na sentença, no próprio ato da sentença ele
desconta, já estabelecendo junto o regime inicial.
Ex. A ficou preso provisoriamente durante 6 meses, o juiz sentenciante realizou a
dosimetria e a pena estabelecida foi de 4 anos e 2 meses, mas detraiu a pena, ficando
de 3 anos e 8 meses, sendo estabelecido o regime inicial aberto.
▪ Se o sentenciante não detrair o da execução pode aplicar art. 66, III, c, LEP).
▪ É inadmissível a detração em pena de multa, sendo possível a aplicação somente em
privativa de liberdade ou medida de segurança.
▪ É inadmissível a detração no SURSIS (suspensão condicional da pena, art. 77, CP), a
pena não poderá ser detraída porque no SURSIS a pena não estará em execução,
estará suspensa, pois é impossível a diminuição de uma pena que nem sequer está
sendo cumprida, por se encontrar suspensa.
▪ Computa-se o tempo de internação em hospital de custódia ou em tratamento
psiquiátrico.
DETRAÇÃO EM PENAS RESTRITIVAS DE DIREITO (art. 55, CP)
▪ Há uma corrente que é contra e outra a favor, a que é a favor considera controverso ter
benefício em uma pena mais grave e em uma mais branda não tem (essa corrente é
mais favorável).
▪ 1 dia de prisão provisória, administrativa ou internação por 1 dia de pena definitiva fixada
em sentença condenatória.
▪ Muito embora a detração penal não faça referências quanto à possibilidade do cálculo
de abatimento da pena em relação às penas restritivas de direitos, a doutrina majoritária
é no entendimento de que é perfeitamente cabível esse instituto.
▪ Quando se mantém alguém preso durante o processo, para ao final, aplicar-lhe pena
não privativa de liberdade, como ainda maior razão não deve ser desprezado o tempo
de encarceramento cautelar. Além disso, a pena restritiva de direitos substitui a privativa
de liberdade pelo mesmo tempo de sua duração (Código Penal, art. 55), tratando-se de
simples forma alternativa de cumprimento da sanção penal, pelo mesmo período. Assim,
deve ser admitida a detração.
▪ Se a lei admite o desconto do tempo de prisão provisória para a pena privativa de
liberdade, beneficiando quem não fez jus à substituição por penalidade mais branda,
fugiria ao bom senso impedi-lo nas hipóteses em que o condenado merece tratamento
legal mais tênue, por ter satisfeito todas a s exigências de ordem objetiva e subjetiva.

DETRAÇÃO PROVENIENTE DE PRISÃO PROVISÓRIA EM PROCESSO DISTINTO (art. 42,


CP e 111, LEP)
Existem três posicionamentos:
a) Diz que é possível, mas só se o crime que originou a detração tiver ocorrido antes da prisão
provisória de processo distinto, pois não se admite que o condenado fique com crédito perante a
sociedade.
b) Quase igual ao primeiro entendimento, mas diz que só se o crime que originou a condenação
for praticado antes de absolvição em processo distinto (inclusive durante a prisão provisória).
c) Detração admitida só quando houver conexão ou conexidade entre os crimes dos processos.
(Também existem doutrinadores, a exemplo de Greco, que acreditam que nesse caso, para
haver detração, os processos devem tramitar simultaneamente)
Exemplo:
PROCESSO 1: B ficou preso cautelarmente durante seis meses em 2002, mas nesse mesmo
ano foi absolvido.
PROCESSO 2: B cometeu um crime em 2001 e foi condenado a uma pena de 4 anos em
2003, portanto, nesse caso, o juiz poderá detrair, visto que o crime foi anterior a prisão provisória
do processo distinto.
PENAS RESTRITIVAS DE DIREITO (art. 43, CP)
▪ Foram criadas devido ao fato de que penas privativas de liberdade não são
aconselháveis para cidadãos de baixa periculosidade, ou seja, tem objetivo de livrá-los
do ambiente prisional.
▪ Tem, em regra, caráter substitutivo.

PERICULOSIDADE: Tendência para o mal; aptidão natural para cometer um


crime; reunião dos acontecimentos que podem indicar o desenvolvimento
e/ou execução de um crime, geralmente, definida por ações anteriores.

REQUISITOS PARA A SUBSTITUIÇÃO:

CRIME DOLOSO: pena menor ou igual a 4 anos, sem que tenha havido
violência ou grave ameaça
I
CRIME CULPOSO: qualquer que seja a quantidade de pena

II Inexistência de reincidência dolosa (crime anterior e crime novo doloso)

Há uma ressalva no § 3° que pode ser interpretada de duas maneiras:

Primeiro entendimento: Se a medida for socialmente recomendável, até o reincidente


doloso poderá receber a substituição, desde que não seja reincidência específica

Segundo entendimento: Aceita todos os tipos de reincidência com exceção da dolosa e


da específica

III Circunstâncias do 59 forem favoráveis


DURAÇÃO DAS PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS (art. 55, CP)
• Duração igual a penas privativas.
• Há uma exceção no § 4° do art. 46, LEP, em relação a prestação de serviços, que
admite que se a pena substituída for maior que 1 ano, o condenado pode cumprir
em menor tempo, desde que não seja em tempo inferior a metade da pena privativa
fixada.
• Há uma exceção na Lei de Drogas, no art. 28, onde não se prevê pena privativa
pelo consumo de drogas, logo a pena restritiva não será substitutiva, e sim aplicada
diretamente, os §§ 3° e 4° trazem prazo máximo para réu primário (máximo de 5
meses) e para reincidente (máximo de 10 meses).
ESPÉCIES DE PENAS RESTRITIVAS (art. 43, CP)
a) Prestação Pecuniária (art. 45, § 1°, CP)
• Pagamento à vítima ou a seus dependentes.
• Pagamento a entidades públicas ou privadas com destinação social (nos casos de
crimes vagos: não há vítimas primárias).
• Estabelecidos de 1 a 360 salários mínimos (quantum indenizatório) (art. 45, CP).
• Obs. na esfera cível será descontada da reparação civil o valor da prestação pecuniária
(se o beneficiário for o mesmo).
• Há a dedução do valor do montante da reparação civil: antecipação da reparação.
• O art. 45, § 2°, traz a possibilidade de prestação de outra natureza, desde que haja
aceitação por parte do beneficiário (ex. pode substituir pela realização de um trabalho).
Há duas vertentes sobre esse parágrafo, uma diz que é
inconstitucional porque fere o princ. da legalidade, ofendendo a
taxatividade, a outra acredita que deve ser possibilitado ao juiz
fazer uma interpretação mais ampla

• É vedada a pena de prestação pecuniária nos casos de violência doméstica e familiar


contra a mulher (art.17, lei 11.340).
b) Pena de perda de bens e valores (art. 45, § 3°, CP)
• Diferente da prestação pecuniária, não é uma antecipação da reparação civil.
• O indivíduo vai ser punido sendo condenado a perder bens e valores, que fazem parte
do seu patrimônio, para o Estado.
• Será calculado ou com base no prejuízo provocado ou no que o indivíduo obteve de
proveito com a prática do crime (o juiz que decide).
• Serão destinados ao fundo penitenciário nacional.
• Há a possibilidade de a vítima requerer indenização no âmbito cível após a sentença
penal condenatória (art. 63, CPP)
Confisco X Perda de bens e valores (art. 91, CP)
➢ Confisco: é um efeito extrapenal genérico da condenação, é o confisco de todo e
qualquer instrumento, produto ou proveito do crime, sendo mero efeito de toda e
qualquer condenação penal (produto-vantagem direta ou indireta).
➢ Perda de bens e valores: tem natureza de pena substitutiva e é a perda de bens e
valores do patrimônio lícito.
Há uma corrente que diz que o cálculo deve ser feito com base no montante do prejuízo, pois
sobre o proveito pode gerar sensação de impunidade.
A perda de bens e valores não é uma antecipação da reparação civil, podendo o indivíduo pagar
duas vezes.
c) Prestação de serviços à comunidade ou entidades públicas (art. 46, §§ 1°, 2° e 3°, CP /
arts. 149 e 150, LEP)
• É a mais comum
• Pode acontecer em escolas, orfanatos, hospitais, trabalhos congênitos
• Só é aplicável às condenações superiores a 6 meses de privação de liberdade
• Leva em consideração as aptidões do indivíduo e trabalhos anteriores
• O juiz irá estabelecer os horários de forma que venha a compatibilizar com a rotina do
condenado
• Devem ser cumpridas à razão de 1 horas de tarefa para cada 1 dia de condenação (ex.
pena privativa de 2 anos = 730 horas de prestação de serviço)
• Devem ser cumpridas no mínimo 7 horas por semana (mas, se a pena for superior a 1
ano, o condenado pode trabalhar mais que isso em virtude de antecipação do fim da
pena, mas nunca por tempo inferior a metade do tempo da pena privativa - § 4°, 46, CP)
O juiz deve calcular para que isso não aconteça

• O juiz da execução que irá designar a entidade junto ao qual o condenado deverá
trabalhar
d) Interdição temporária de direitos (art. 47, CP)
É a única que, literalmente, restringe direitos, diferente das demais
Ex. pena privativa de 2 anos pena de interdição durante 2 anos
Proibição de exercício de cargo, função ou atividade pública (durante tempo relativo à
condenação) (art. 47, I, CP)
▪ É uma pena restritiva, logo, o indivíduo fica proibido por um tempo (art. 44, CP).
▪ Difere da perda de cargo, função ou atividade pública, pois este é um efeito
extrapenal específico junto com a pena privativa, nesse caso o indivíduo perde
definitivamente seu cargo, como previsto nas hipóteses do art. 92, I, a e b.
a) Indivíduo que é funcionário público, pratica crime funcional contra a
administração pública e é condenado a pena igual ou maior a 1 ano (o juiz
declarará expressamente na sentença a perda do cargo).
b) Funcionário público que pratica qualquer crime e é condenado a mais de
4 anos, o juiz declarará a perda do cargo
Proibição do exercício de profissão, atividade ou ofício que dependam de habilitação especial, de
licença ou autorização do poder público (art. 47, II, CP)
▪ Crime no exercício de sua profissão, seu modo habitual de subsistência.
▪ Evita que o indivíduo continue usando sua profissão para praticar ilícitos (punição e
prevenção).
Suspensão de habilitação para dirigir veículo (art. 47, III, CP)
A habilitação será suspensa por tempo equivalente a pena privativa
Pode ser aplicada somente em uma situação:
 Nos casos onde o indivíduo não esteja dirigindo veículo automotor, e sim veículos de
tração humana ou animal, como bicicleta, carroça, etc
Em casos de crime culposo ou doloso em direção de veículo automotor, é aplicada pena
autônoma ou como mero efeito da condenação, que é a inabilitação do indivíduo para dirigir
veículo (arts. 302 e 303 do CTB) – pena privativa + suspensão ou proibição de habilitação para
dirigir veículo
Proibição de frequentar determinados lugares (art. 47, IV, CP)
▪ Proibido por tempo equivalente a pena privativa.
▪ Sua eficácia é questionada.
Proibição de inscrever-se em concursos, avaliações ou exames públicos (art. 47, V, CP)
▪ Deverá ser aplicado em casos onde houveram crime em concursos, avaliações e
exames públicos (fraude).
▪ Inclui exame no DETRAN.
▪ Não inclui a seleção para estudar em instituição pública (mas fica proibido de fazer o
ENEM).
e) Limitação de fim de semana (art. 48, CP e arts. 151 e 152, LEP)
O condenado terá a obrigação de permanecer 5 horas diárias aos sábados e domingos na casa
de albergado ou estabelecimento adequado

PRESTAÇÃO PECUNIÁRIA

PERDA DE BENS E VALORES Proibição de exercício de cargo,


função ou atividade pública

PENAS PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS Proibição de exercício de


RESTRITIVAS profissão, atividade ou oficio
INTERDIÇÃO TEMPORÁRIA
DE DIREITOS Suspensão de habilitação para
dirigir veículo
LIMITAÇÃO DE FDS
Proibição de frequentar
determinados lugares

Proibição de inscrever-se em
concursos, av. ou exame público
CONVERSÃO DAS PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS EM PENA PRIVATIVA (art. 44, § 4°,
CP e art. 181, LEP)
▪ Se o agente não cumprir toda a pena restritiva, todo o período cumprido valerá como
pena cumprida, será computado.
▪ O prazo mínimo de pena privativa de liberdade é de 30 dias, portanto, se um indivíduo
para de cumprir injustificadamente a pena restritiva faltando, v.b., 12 dias para o término
da pena, ele terá de cumprir ainda assim 30 dias de pena privativa, por ser o limite
mínimo.
▪ A pena de prestação de serviços será convertida em privativa nas seguintes situações
(art. 181, § 1°, a) até e):
➢ Quando o indivíduo está desaparecido
➢ Não comparecer injustificadamente (deve haver audiência de justificação)
➢ Recusar-se injustificadamente a prestar o serviço
➢ Praticar falta grave
➢ (Decidirá do juiz) quando o indivíduo sofrer condenação por outro crime à pena
privativa de liberdade, se substituirá
Art. 181, § 1°, e) – se o crime tiver sido
cometido durante a execução da pena
restritiva

Art. 44, § 5° – se o crime tiver sido


cometido antes da execução da restritiva

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