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FACULDADES INTEGRADAS AGES

Campus de JACOBINA

MATHEUS AMORIM DOS SANTOS

OS BOTÕES DE NAPOLEÃO: As 17 moléculas que mudaram a história

Fichamento apresentado no curso de


Bacharelado em Engenharia Civil, da
Faculdade AGES de Jacobina, como um dos
pré-requisitos para obtenção da nota parcial da
disciplina Química Geral.

Professor (a): Msc. Robson de Jesus

Jacobina
2018
REFERÊNCIA DA OBRA
COUTEUR, Penny Le; BURRESON, Jay. Os botões de Napoleão: As 17 moléculas que
mudaram a história. Tradução de Maria Luiza X. de A. Borges. Rio de Janeiro: Editora Zahar,
2003. 1-99 p.

1. CITAÇÕES DIRETAS REPRESENTATIVAS

Ao longo da história os metais foram decisivos na configuração dos acontecimentos


humanos. Afora seu papel possivelmente apócrifo no caso dos botões de Napoleão, o
estanho das minas da Cornualha, no sul da Inglaterra, foi objeto de grande cobiça
por parte dos romanos e uma das razões da extensão do Império Romano até a Grã-
Bretanha. Estima-se que, por volta de 1650, os cofres da Espanha e de Portugal
haviam sido enriquecidos com 16 mil toneladas de prata das minas do Novo Mundo,
grande parte da qual seria usada no custeio de guerras na Europa. (p. 7)

Na Europa medieval um condimento, a pimenta, era tão valioso que uma libra dessa
baga seca era suficiente para comprar a liberdade de um servo ligado à propriedade
de um nobre. Embora a pimenta figure hoje nas mesas de jantar do mundo inteiro, a
sua demanda e a das fragrantes moléculas da canela, do cravo-da-índia, da noz-
moscada e do gengibre estimularam uma procura global que deu início à Era dos
Descobrimentos. (p. 23)

A Companhia das Índias Orientais — ou, para citar o nome oficial com que foi
fundada em 1600, a Governor and Company of Merchants of London Trading into
the East Indias — foi formada para assegurar um papel mais ativo para a Inglaterra
no comércio das especiarias das Índias Orientais. Como os riscos associados ao
financiamento do envio à Índia de um navio que voltaria carregado de pimenta eram
altos, de início os negociantes compravam “cotas” de uma viagem, limitando assim
o tamanho do prejuízo potencial para um único indivíduo. Essa prática acabou
dando lugar à compra de ações da própria companhia, podendo portanto ser
considerada responsável pelo início do capitalismo. Não seria muito exagero dizer
que a piperina, que sem dúvida deve ser considerada hoje um composto químico
relativamente insignificante, foi responsável pelo início da complexa estrutura
econômica das atuais bolsas de valores. (p. 28)

Esse intenso comércio de especiarias em escala mundial teria sem dúvida


continuado, não fosse o advento da refrigeração. Quando a pimenta, o cravo-da-
índia e a noz-moscada deixaram de ser necessários como conservantes, a enorme
demanda de piperina, eugenol, isoeugenol e das demais moléculas fragrantes dessas
especiarias outrora exóticas desapareceu. Hoje a pimenta e outros condimentos
ainda crescem na Índia, mas não são produtos de exportação importantes. As ilhas
de Ternate e Tidore e o arquipélago de Banda, atualmente parte da Indonésia, estão
mais distantes que nunca. Não mais frequentadas por grandes veleiros interessados
em abarrotar seus cascos com cravo-da-índia e noz-moscada, essas ilhotas cochilam
ao sol quente, visitadas apenas pelos turistas ocasionais que exploram fortes
holandeses em escombros ou mergulham entre prístinos recifes de coral. (p. 36-37)

Nos séculos XIV e XV, quando o desenvolvimento de jogos de velas mais eficientes
e de navios bem equipados tornou possíveis as viagens mais longas, o escorbuto
passou a ser comum no mar. As galés propelidas a remo, como as usadas por gregos
e romanos, e os pequenos barcos a vela dos negociantes árabes sempre haviam
permanecido bastante perto da costa. Essas embarcações não eram suficientemente
bem construídas para resistir às águas bravias e aos vagalhões do mar aberto. Em
consequência, raramente se aventuravam longe do litoral e podiam se reabastecer de
provisões a intervalos de dias ou semanas. O acesso regular a alimentos frescos
significava que o escorbuto raramente se tornava um problema de vulto. No século
XV, porém, as longas viagens oceânicas em grandes navios a vela introduziram não
só a Era dos Descobrimentos mas também a dependência de alimentos em conserva.
(p. 38-39)
Entre os mamíferos, somente os primatas, os ratos de cobaia e o morcego-da-fruta
indiano requerem vitamina C em sua dieta. Em todos os demais vertebrados — o
cachorro ou o gato da família, por exemplo — o ácido ascórbico é fabricado no
fígado a partir da simples glicose do açúcar por meio de uma série de quatro reações,
cada uma catalisada por uma enzima. Por isso o ácido ascórbico não é uma
necessidade dietética para esses animais. Presumivelmente, em algum ponto ao
longo do percurso evolucionário, os seres humanos perderam a capacidade de
sintetizar ácido ascórbico a partir de glicose, o que pode ter decorrido da perda do
material genético que nos permitia fazer gulonolactona oxidase, a enzima necessária
para o passo final dessa sequência. (p. 46)

Não tivesse sido a demanda de açúcar, é provável que nosso mundo fosse muito
diferente hoje. Afinal, foi o açúcar que estimulou o tráfico escravista, levando
milhões de africanos negros para o Novo Mundo, e foram os lucros obtidos com ele
que, no início do século XVIII, ajudaram a estimular o crescimento econômico na
Europa. Os primeiros exploradores do Novo Mundo retornaram falando de terras
tropicais que lhes haviam parecido ideais para o cultivo da cana-de-açúcar. (p. 53)

O primeiro dos adoçantes artificiais modernos a ser desenvolvido foi a sacarina, que
é um pó fino. Os que trabalham com ela detectam por vezes um sabor doce se levam
os dedos acidentalmente à boca. Ela é tão doce que uma quantidade muito pequena é
suficiente para desencadear uma resposta de doçura. Evidentemente foi isso que
aconteceu em 1879, quando um estudante de química na Universidade Johns
Hopkins, em Baltimore, percebeu uma doçura inusitada no pão que comia. (p. 68)

Só os romanos ricos e aristocráticos da classe dominante tinham água encanada em


casa e usavam recipientes de chumbo para armazenar vinho. Os plebeus tinham de
buscar água e guardavam seu vinho em outros tipos de vasilha. Se a contaminação
por chumbo realmente contribuiu para a queda do Império Romano, este seria mais
um exemplo de uma substância química que mudou o curso da história. (p. 70)

O açúcar continua a moldar a sociedade humana. É um importante item comercial;


caprichos meteorológicos e infestações por pragas afetam as economias dos países
que o cultivam e as bolsas de valores do mundo todo. O efeito de uma elevação do
preço do açúcar espalha-se gradativamente por toda a indústria de alimentos. O
açúcar já foi usado como arma política: durante décadas a compra do açúcar cubano
pela URSS sustentou a economia da Cuba de Fidel Castro. (p. 71)

2. TEXTO CRÍTICO
A obra em epígrafe apresenta uma abordagem clara e objetiva sobre a descoberta de
algumas moléculas químicas e principalmente a sua importância considerando que as mesmas
provocaram mudanças significativas no rumo da história da humanidade.
Há dezenas de anos atrás, o ser humano sobrevivia em um contexto completamente
diferente da atualidade em que nos encontramos. Logo, procedimentos simples como, por
exemplo, alimentar-se de maneira digna, deslocar-se para longas distâncias em ambientes
salubres e, sobretudo gozar de boa saúde, encejaria ser grandes desafios em muitas das
situações vividas naquele cotidiano, a exemplo das expedições marítimas que se tornaram em
algumas das vezes insuperáveis, devido ao pouco conhecimento científico e tecnológico em
que a conjuntura daquele tempo permitia para aqueles bravos homens.
Penny Le Couteur e Jay Burreson iniciam a sua obra, com uma riqueza de detalhes,
apresentando um fato interessante que se ambientou em uma das batalhas entre o exército de
Napoleão Bonaparte versus o exército da antiga União das Repúblicas Socialistas Soviéticas,
que na ocasião, os franceses se depararam inesperadamente com um poderoso inimigo, o
inverno rigoroso da gélida URSS.
Segundo os autores, naquele momento difícil o exército francês ainda assim foi
surpreendido com mais outro imprevisto, a suposta desintegração dos botões do fardamento
de sua tropa, devido à baixa temperatura das terras soviéticas. Para este fato histórico, os
autores conseguem transportar o leitor para ápice daquela batalha de forma inteligível e nos
faz entender, o quanto a química foi e continua sendo responsável pelo curso de nossa
história.
Na presente obra, Penny Le Couteur e Jay Burreson vem desencadear o surgimento de
cada molécula abordada, como também pormenoriza o seu contexto histórico e temporal,
trasladar o leitor, página por página, para cada expedição marítima, para cada praia aportada,
para cada situação vexatória, sem cometer qualquer tipo de anacronismo durante todo o
enredo histórico, despertando e aguçando mais e mais a cede pelo conhecimento e pela
história de cada composto químico.
Nos capítulos objeto deste fichamento, percebe-se o quão importante as moléculas
abordadas (pimenta, noz-moscada, cravo-da-índia, ácido ascórbico, glicose, celulose,
compostos nitratos, seda e nylon) foram para o crescimento hegemônico da economia das
grandes nações daquela época, uma vez que, foi através do comércio manufatureiro de
especiarias, como por exemplo, noz-moscada, cravo-da-índia e a pimenta-do-reino, que se
intensificaram a Era das grandes navegações e dos descobrimentos, como também atribui-se a
derrota de Napoleão Bonaparte e seu exército, pelo seu desconhecimento das reações
químicas em que o estanho, poderia sofre no rigoroso inverno soviético.
Dada a cada uma a sua importância, estas moléculas químicas foram capazes de
despertar no homem durante séculos o desejo de conquistar novos territórios, promover
acordos e tratados entre nações, a abertura de novas rotas para o mercado internacional e suas
respectivas bolsas comerciais, o desenvolvimento de novas tecnologias e principalmente a
realização de pesquisas e estudos científicos com o objetivo de descobrir e denominar novas
vitaminas como também a cura de inúmeras doenças que assolavam a humanidade.
Em suma, tendo em vista os fatos mencionados, a obra em epígrafe teve relevante
importância no meu aprendizado tendo como mérito despertar uma percepção em
compreender a importância em que as moléculas e seus respectivos elementos químicos têm
na vida profissional de um aspirante a profissão de Engenheiro Civil, considerando que na
construção civil, existem inúmeros processos químicos, seja na confecção de uma argamassa,
na pintura de uma porta, na projeção e execução de uma estrutura metálica enfim, a química
está indubitavelmente presente na vida do indivíduo.