Você está na página 1de 4

A Geopolítica nas Relações Internacionais

Tema: Guerra do Golfo


NOME RA
Giovanni Campos 17274507
João Henrique Pereira 18712919
Luiz Guilherme Fahl 18001271
Marina Ardito 17182437

1. Introdução
De acordo com o caso dado na disciplina de geopolítica, o grupo pesquisou os
aspectos da Guerra do Golfo, aprofundando o tema nas esferas de quais os atores e as
motivações, os interesses em jogo; se existem recursos naturais em disputa, se a luta é pelo
território e se este apresenta características particulares; se existem desejos separatistas da
população; com a exposição de mapas e de como o conflito influencia as dinâmicas regionais
e até globais.
2. A Guerra do Golfo
2.1. Panorama Geral
A Guerra do Golfo foi um conflito travado entre o Iraque e tropas internacionais
lideradas pelos Estados Unidos), em represália à invasão do Kuwait (figura 1) pelo Iraque em
agosto de 1990. Durante a guerra, as tropas iraquianas invadiram o Kuwait e conquistaram o
país, forçando a família real kuaitiana a fugir do país. A partir de janeiro, a reação
internacional iniciou-se, com uma sucessão de ataques aéreos. Em fevereiro, ocorreu uma
ação militar terrestre orquestrada pelos Estados Unidos a partir de suas tropas posicionadas na
Arábia Saudita.
2.2. Causas da Guerra do Golfo
Para entendermos as causas do conflito, é preciso retornar à década de 1980 e entender
um acontecimento marcante para a região naquele período: a Guerra Irã-Iraque (1980-1988).
Essa guerra foi resultado de um esforço internacional que utilizou o Iraque para enfraquecer o
Irã e conter o avanço da Revolução Islâmica, que havia acontecido naquele país em 1979.
A contenção do Irã era algo extremamente importante para Estados Unidos, Arábia
Saudita e Kuwait, assim, os iraquianos contaram com o apoio dessas três nações na guerra.
No caso de sauditas e kuaitianos, esse apoio ocorreu a partir de empréstimos financeiros para
que o Iraque pudesse financiar os gastos com o conflito. O apoio internacional recebido pelo
Iraque foi fundamental e impediu que fossem derrotados pelos iranianos. Essa guerra
terminou em um empate.
Depois da guerra, a economia iraquiana precisava recuperar-se, o que aconteceria a
partir da venda do principal produto econômico do país: o petróleo. Para que isso acontecesse,
o Iraque dependia de que o barril do petróleo fosse vendido a um valor elevado, mas, em
1990, o petróleo era vendido por um valor considerado baixo pelo governo iraquiano. Esse
fato faz com que o governo iraquiano acusasse o governo kuaitiano de extrair petróleo acima
das cotas estabelecidas pela OPEC, o que se refletia diretamente no valor do barril. Nessa
questão do petróleo, o governo iraquiano também acusou o Kuwait de extrair petróleo em
poços localizados próximo da fronteira entre os dois países.
Além dessa questão do petróleo, outro fator, também de ordem econômica,
desagradava profundamente a Saddam Hussein: o fato de que o Kuwait estava cobrando os
empréstimos realizados durante a guerra contra o Irã. Saddam reclamava que o esforço do
Iraque também havia beneficiado os interesses kuaitianos e, por isso, era inaceitável cobrar a
devolução dos valores.
A soma desses fatores criou uma relação ruim entre as duas nações. Saddam Hussein
passou a defender um “direito histórico” dos iraquianos sobre a região do Kuwait e
argumentava que o país vizinho deveria ser a 19ª província iraquiana. Essa situação levou à
agressão iraquiana e, no dia 2 de agosto de 1990, o Kuwait foi oficialmente invadido.
2.3. Consequências da Guerra
A reação internacional após o Kuwait ter sido invadido pelo Iraque foi imediata e, no
mesmo dia, o Conselho de Segurança da ONU pronunciou-se.
Contudo, Saddam Hussein não considerou que os EUA não aceitariam que o Iraque
controlasse sozinho grande parte das reservas de petróleo do Oriente Médio; e que os EUA
não permitiriam o fortalecimento do Iraque, pois isso colocava em risco a soberania da Arábia
Saudita, que era exatamente o maior aliado árabe dos EUA no Oriente Médio.
Assim, a resposta internacional foi emitida a partir da Resolução 660 do Conselho de
Segurança da ONU, condenando a invasão do Kuwait e exigindo que as tropas iraquianas se
retirassem imediatamente da nação vizinha. Essa resolução também demandava que Iraque e
Kuwait juntassem-se imediatamente para negociar suas diferenças e encerrar os
desentendimentos.
Como o exército iraquiano permaneceu ocupando o Kuwait, os Estados Unidos
começaram a liderar o desembarque de tropas na Arábia Saudita. Isso aconteceu para evitar
que os iraquianos cogitassem invadir o território dos sauditas. Foi emitida pela ONU em 29 de
novembro de 1990, uma nova resolução (678), estipulando uma data final para a retirada das
tropas iraquianas no dia 15 de janeiro de 1991.
Como o Iraque manteve-se intransigente, os Estados Unidos optaram por reagir depois
que o prazo fixado expirou. Assim, em 17 de janeiro de 1991, foram iniciados ataques aéreos
dos Estados Unidos contra posições dominadas pelo Iraque. Foram 42 dias de ataques
maciços em que os americanos atacaram a infraestrutura de comunicação, locais de
armazenamento de armamentos, infraestrutura antiaérea etc.
A fase dos ataques aéreos foi seguida de uma campanha militar em que tropas
internacionais (formadas, majoritariamente, por americanos) atacaram as tropas iraquianas por
terra a partir de 24 de fevereiro de 1991. A ação militar dos americanos estendeu-se por 100
horas e, nesse período, impôs sua força sobre os iraquianos, forçando-os a abandonar o
Kuwait. Em 28 de fevereiro, as últimas tropas do Iraque saíram do Kuwait, e os EUA
encerraram o ataque militar contra os iraquianos e a guerra.
Muitos membros do governo americano imaginavam que a ofensiva americana
continuaria até a derrubada de Saddam Hussein, mas isso não aconteceu. Estima-se que na
Guerra do Golfo algo em torno de 30 mil pessoas, a grande maioria de soldados iraquianos,
tenham morrido.
3. Conclusão
Ao analisar a Guerra do Golfo, é possível notar que as motivações para o conflito foram a
obtenção de maior poder político e econômico do Iraque, utilizando o Kuwait como objeto
para isso, já que os kuaitianos possuíam petróleo e uma saída para o mar, que possibilitariam
um maior fluxo de mercadorias para o Iraque, concorrendo portanto, com a grande
exportadora de petróleo da época, a Arábia Saudita.
A Arábia Saudita e os Estados Unidos também são importantes atores na guerra, pois
devido a iminente concorrência política e econômica do Iraque, os sauditas se sentiram
ameaçados, o que proporcionou a intervenção dos estadunidenses, os quais eram grandes
parceiros comerciais da Arábia Saudita.
Tanto na invasão iraquiana ao Kuwait, quanto à intervenção dos Estados Unidos e aliados,
o espaço terrestre foi um fator importante para a imposição econômica e política dos países. O
que concretiza a teoria de espaço vital de Friedrich Ratzel, na qual o solo favorece o
desenvolvimento dos Estados.
Com o domínio do espaço terrestre, os Estados Unidos principalmente, conseguiram
impor sua influência não só perante a região do Oriente Médio, mas sim, por todo mundo,
Exemplo disso é que países de diferentes continentes foram seus aliados na Guerra do Golfo,
como Egito, Síria, Argentina e Nova Zelândia.
A Guerra do Golfo teve desdobramentos anos depois, pois em 2002, o governo de George
W Bush, pediu pra que as inspeções no Iraque fossem mais severas em relação ao poder de
armas de guerra iraquianas. Porém, o mesmo Saddam Houssein não concordou com tais
inspeções, o que resultou na invasão dos Estados Unidos e Reino Unido no Iraque, resultando
na Guerra do Iraque.

4. Referências Bibliográficas
RATZEL, Friedrich. O Solo, a Sociedade e o Estado. In: Revista do Departamento de
Geografia. São Paulo: USP/DG, n. 2, 1983.
SILVA, Daniel Neves. Guerra do Golfo. 2018. Disponível em:
<https://guerras.brasilescola.uol.com.br/seculo-xx/guerra-golfo.htm>. Acesso em: 25 out.
2018.

5. Anexos
Figura 1 – Território do Kuwait