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Repressão e Violência no Estado Novo

Desde a sua implantação, o Estado Novo tratou de prevenir e castigar os


atos considerados subversivos dos que se lhe opunham. Inspirado nas ditaduras
fascistas, o regime português instituiu, igualmente, a repressão e a violência.

No Doc.A está presente a entrevista de António Ferro a Salazar, em


dezembro de 1932 onde Salazar afirmou que “E eu pergunto a mim próprio,
continuando a reprimir tais abusos, se a vida de algumas crianças e de algumas
pessoas indefesas não vale bem, não justifica largamente, meia dúzia de
safanões a tempo nessas criaturas sinistras”

No Doc. B podemos observar operários detidos na Marinha Grande, após


o fracasso de revolta contra a interdição dos sindicatos livre em 18 de janeiro de
1934 e trabalhadores rurais detidos em Montemor-o-Novo pela GNR, estas
reivindicações laborais dos camponeses alentejanos origina ondas de repressão
a cargo da GNR, que colabora com a polícia politica.

Segundo o Doc. C, os detidos podiam ser conservados incomunicáveis


nas “averiguações” e “interrogatórios”, que era, inicialmente secreta e estava a
cargo da polícia política. A PIDE permitia-se exercer sobre os detidos, sem
pressas, uma larga panóplia de violências e torturas físicas e psicológicas como
forma de lhes extorquir “confissões” ou de simplesmente os intimidar. Para além
dos carceres privativos nos edifícios da PVDE/PIDE, as prisões do Aljube, de
Peniche, de Caxias e o campo do Tarrafal foram outros locais de detenção pela
polícia politica. O Aljube funcionou de 1933 a 1966; o forte de Peniche de 1934
a 1974; o campo do Tarrafal de 1936 a 1954 e Caxias de 1936 a 1974.

No Doc. D encontra-se um depoimento de um prisoneiro referente ao


campo do Tarrafal que era considerado o “Campo da Morte Lenta”. O campo
instalado na ilha de Santiago, em Cabo Verde, entrou em funcionamento em 29
de outubro de 1936, nele encontravam-se os marinheiros detidos um mês antes
na revolta dos navios de guerra Dão e Afonso de Albuquerque, bem como os
operários sindicalistas, comunistas e anarquistas envolvidos no movimento
insurrecional de 18 de janeiro de 1934. O clima, a água inquinada, a má
alimentação, a malária, os trabalhos forçados, os maus-tratos e as torturas, como
a da “frigideira” que consistia em, sempre que os presos incorriam em atos que
desagradavam ao comandante do campo, eram enviados para a “frigideira”, um
pequeno cubo de cimento armado, sem janelas nem luz interior, onde a
temperatura oscilava entre os 40ºC e os 60ºC, conduziram à morte de um
elevado número de presos.

Concluindo o Estado-Novo rodeou-se de um aparelho repressivo e de


violência que amparava e perpetuava a sua ação e que consequentemente
conduziu a um elevado número de detenções, perseguições, torturas e mortes
devido às suas medidas ditatoriais.

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