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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA

Departamento de Engenharia Mecânica


EMC 5202 - Usinagem dos Materiais

Retificadora Plana Tangencial


Andre Lenz Barbosa 17200355

Lucas Schroeder 15100639

Prof. Felipe G. Ebersbach

Florianópolis

2019
Resumo

O processo de retificação é um dos últimos na cadeia de adição de valor a uma peça

usinada e é fundamental para atingir níveis de acabamento superficial, rugosidade e tolerâncias

superiores. As retificadoras planas tangenciais são máquinas desenvolvidas para realizar o

processo de retificação em superfícies planas. A máquina faz um rebolo abrasivo penetrar uma

pequena distância na peça e uma mesa a movimenta no plano, realizando o avanço do processo

de usinagem. Para garantir a geometria e o acabamento superficial neste processo, é essencial

que o rebolo esteja configurado da maneira correta. Aqui entra o processo de dressamento e as

ferramentas auxiliares. Contudo, para rebolos de superabrasivos, como diamantes ou nitreto de

boro cúbico, o processo deve ter alguns cuidados especiais. O processo apresenta diversas

vantagens e ao fim, uma máquina é selecionada e utilizada como exemplo para ilustrar quando

a máquina e o processo são mais adequados.

Palavras chave: retificação, plana, tangencial, rebolo, dressador, superabrasivo.


Sumário

1 Introdução ............................................................................................................ 4

2 O Processo de Retificação ................................................................................... 5

3 A Retificadora Plana Tangencial ......................................................................... 7

3.1 A máquina escolhida ......................................................................................... 8

3.2 Subsistemas ..................................................................................................... 10

3.2.1 Fixação e movimentação da peça .............................................................. 10

3.2.2 Fixação e movimentação da ferramenta .................................................... 10

3.2.3 Apoio e suporte .......................................................................................... 11

3.2.4 Acionamento principal ............................................................................... 11

3.2.5 Avanço ....................................................................................................... 11

3.2.6 Lubrificação e refrigeração ........................................................................ 12

3.3 Volume de Trabalho ....................................................................................... 12

3.4 Insumos ........................................................................................................... 13

3.4.1 Rebolo Superabrasivo ................................................................................ 13

3.4.2 Dressadores de Rebolos Superabrasivos ................................................... 15

3.5 Diferenciais da Máquina Escolhida ................................................................ 18

4 Considerações Finais ......................................................................................... 18

Referências .................................................................................................................. 19
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1 INTRODUÇÃO

Muito do avanço tecnológico ocorrido nos últimos dois séculos se deu pelo surgimento

e aprimoramento de processos de produção de peças. A usinagem e as máquinas ferramenta

envolvidas são alguns dos principais expoentes deste avanço. Em especial, o processo de

retificação permitiu atingir-se níveis de tolerância acabamento superficial muito superiores à

maioria dos outros processos. Esse é o diferencial que possibilitou o desenvolvimento de muitas

peças e equipamentos que dependem de tolerâncias apertadas e baixos níveis de rugosidade,

como os mancais hidrostáticos dos automóveis, por exemplo.

O objetivo deste trabalho é explorar um pouco uma dessas máquinas, a retificadora plana

tangencial (conhecida em inglês como surface grinder). A segunda seção dará uma visão geral

dos processos de retificação e onde essa máquina se encaixa neste universo.

A terceira seção deste trabalho irá mais a fundo no aspecto da máquina ferramenta

necessário para o processo de retificação plana tangencial. Para isso serão detalhados os

principais subsistemas presentes, bem como os eixos de movimentação e avanço existentes.

Para que se possa imprimir na peça o acabamento desejado, é importante configurar o

rebolo de acordo. Por este motivo a quarta seção irá falar sobre o processo de condicionamento

dos rebolos, em especial sobre o dressamento de rebolos de superabrasivos.

Por fim, a quinta seção analisará as características que tornam a máquina mais adequada

para determinados tipos de peça e objetivos de geometria, tolerância e acabamento superficial.

Isso tudo levando em conta os aspetos de desempenho e utilização do maquinário.


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2 O PROCESSO DE RETIFICAÇÃO

O processo de retificação de precisão é o mais utilizado pela indústria metalmecânica

para obtenção de peças com alta qualidade em termos de geometria, dimensão e superfície sem

prejudicar a integridade física da peça. Nas últimas décadas, esse processo obteve grande

desenvolvimento tecnológico devido a estudos de fabricação de rebolos através de novos

compostos cerâmicos, grande demanda por máquinas CNC de alta tecnologia e até na

substituição de outras operações de usinagem (MAGNANI, 2013).

Na retificação, como demonstrado na figura 1, uma superfície abrasiva, chamada rebolo,

gira a alta velocidade (20 - 140 m/s) enquanto é pressionada contra a peça, aplicando uma força

perpendicular à área de contato. Desta forma, material é removido da peça e do rebolo

(MALKIN, 1989).

Existem vários processos de retificação, cada um especifico para a geometria da peça a

ser usinada. É considerado um processo de acabamento, sendo um dos últimos a serem

aplicados na peça sempre buscando obter melhorias dimensionais e superficiais.

Figura 1 – Diferentes processos de retificação com destaque na retificação plana tangencial

Fonte: Dino Ferraresi (1969)


6

Existem variáveis, muitas delas não controláveis, que influenciam no processo de

usinagem. Cabe a nós a identificação dessas variáveis e suprir o processo com insumos de alta

qualidade para extrair todo seu potencial. Esses insumos podem ser um manejo profissional

para configuração desse equipamento, e ferramentas confiáveis com operabilidade reconhecida

e bem documentada, para então lidarmos com perturbações prejudiciais, sendo desde

características do ambiente até erros de máquina (Figura 2).

Figura 2 – Entradas e saídas do processo de retificação

Fonte: (ROWE, 2014)

O processo de usinagem por retificação trabalha com ferramentas de geometria não

definida, onde a remoção do material é realizada pela ação de grãos abrasivos mais ou menos

disformes de materiais duros que são postos em interferência com o material da peça

(STOETERAU, 2014)

Na próxima seção discutiremos especificamente a maquina ferramenta retificadora

tangencial plana, seus subsistemas e insumos.


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3 A RETIFICADORA PLANA TANGENCIAL

A retificadora plana tangencial executa o processo de retificação utilizando um rebolo

abrasivo que se movimenta verticalmente, enquanto a peça é fixada em uma mesa que se move

horizontalmente produzindo o movimento de avanço da usinagem. A Figura 3 ilustra os

principais elementos presentes em uma máquina ferramenta deste tipo.

Esta máquina ferramenta é projetada para produzir superfícies planas ou canais retos, com

rebolos planos ou perfilados, respectivamente. A Figura 4 ilustra os principais modos de

operação: (a) plana tangencial, (b) plana cruzada, (c) canal e (d) perfil.

Figura 3 - Subsistemas e elemento de uma retificadora plana tangencial

Fonte: dos autores

Figura 4 – Modos de operação da retífica plana

(a) (b) (c) (d)

Fonte: (ROWE, 2014)

Na retificação tangencial a peça não se move transversalmente ao rebolo, e a

profundidade de corte é constante ao longo de um passe. A Figura 5 mostra os parâmetros


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envolvidos na retificação plana tangencial: 𝑉𝑤 é a velocidade de avanço, 𝑎 é a profundidade de

corte, 𝑑𝑠 é o diâmetro do rebolo, 𝑉𝑠 é a velocidade de corte.

Figura 5 – Parâmetros do processo de retificação plana

Fonte: (MALKIN e GUO, 2008)

3.1 A máquina escolhida

A máquina selecionada para elaborarmos a descrição dos subsistemas foi a RT4080,

fabricada no brasil pela Timemaster, pertencente ao grupo Ferramentas Gerais, ambas com forte

tradição em disponibilizar tecnologia e soluções no ramo metalmecânica no mercado brasileiro

(TIMEMASTER, 2015). Como não tivemos restrições de escolha e pelo fato do manual ser

relativamente bem documentado auxiliando nas buscas de dados mais específicos e encontrar-

se na língua portuguesa, essa máquina ferramenta foi selecionada. Ela conta com as seguintes

características físicas:

Tabela 1 - Dimensões da máquina


Comprimento 3600mm

Altura 1890mm

Largura 2400mm

Peso 3800kg

Tamanho máximo da peça de trabalho


406x813x400mm
(Comprimento x Largura x Altura)

Fonte: (TIMEMASTER)
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A máquina é utilizada para trabalhos de tipo pequeno e médio porte e para a manutenção

de outras ferramentas.

A empresa possui um centro de distribuição em Viamão – RS, no momento da aquisição,

vale lembrar que o transporte de cargas pesadas é ainda muito complicado no brasil, não

somente de um ponto de vista burocrático, mas também pelo planejamento que esse

equipamento passa até chegar ao seu destino, envolvendo engenheiros de diversas áreas para,

por exemplo, fixar a máquina adequadamente no caminhão e evitar estradas perigosas. Por isso

pode ser necessário mais uma etapa de planejamento na hora de adquirir uma máquina desse

porte.

A figura a seguir identifica as partes externas da máquina, para serem usadas como

referencia na descrição do funcionamento de cada subsistema.

Figura 6 - Subsistemas e elementos de uma retificadora plana tangencial.

Fonte: (TIMEMASTER)
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3.2 Subsistemas

Todas as máquinas ferramenta possuem pelo menos cinco subsistemas principais, que

garantem seu funcionamento e precisão, cada um adaptado às especificações da máquina, mas

mantendo as características que as definem. Sena (2007), citando Koenigsberger e Tlusty

(1970), caracteriza as máquinas ferramentas como modulares, isto é, é possível adquirir cada

subsistema separadamente sem afetar a funcionalidade da máquina ferramenta, provendo mais

tempo de uso à máquina por ter partes substituíveis que são produzidas por diferentes

fabricantes no mercado.

Veremos em detalhes nas próximas seções, os subsistemas presentes nas máquinas

ferramentas com enfoque na retificadora plana tangencial selecionada.

3.2.1 Fixação e movimentação da peça

Esse subsistema é responsável pela fixação, na máquina, da peça a ser usinada. (CIMM,

2010). No caso da retifica plana tangencial, a situação ideal de operação seria de uma peça

totalmente fixada pelo subsistema em relação ao rebolo. O sistema de fixação movimenta-se

através de guias, longitudinal e transversalmente em relação ao rebolo, levando a peça consigo.

A máquina escolhida possui um sistema de fixação magnética, garantindo um

posicionamento confiável, mas também é possível fixar diretamente na mesa através de outros

acessórios, como morsas, para casos de retificação de materiais não ferrosos (TIMEMASTER).

3.2.2 Fixação e movimentação da ferramenta


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Esse subsistema tem a função de fixar e movimentar a ferramenta nos diversos eixos de

operação. Para a retifica plana tangencial a movimentação fica restrita ao eixo vertical guiada

por uma vara instalada internamente à coluna. O rebolo é preso na parte interna da “proteção

do rebolo” por parafusos entre duas flanges, ligado a coluna, que gira em sentido horário

(TIMEMASTER).

3.2.3 Apoio e suporte

“É responsável pela sustentação de todos os órgãos da máquina. Ele é constituído pelos

seguintes componentes: Apoios, barramento e guias” (CIMM, 2010). Na retificadora escolhida

não é diferente, uma base com grande parte da massa da máquina sustenta os subsistemas

restantes e fica com a tarefa de amortecer vibrações que podem estar presentes no ambiente

(COELHO, 2019).

3.2.4 Acionamento principal

Na retifica plana, esse subsistema refere-se ao conjunto de elementos que faz o rebolo

rotacionar nas diferentes velocidades. É constituído pelo motor, engrenagens, polias, correias e

eixos para transmissão de movimento. O rebolo, na retificadora escolhida, pode ser acionado

por um motor de suspensão, servomotor ou manualmente, dependendo do modelo

(TIMEMASTER).

3.2.5 Avanço

Tem a finalidade de proporcionar o movimento automático da ferramenta e suas

variações de velocidade. De acordo com o site do fabricante da máquina escolhida, o avanço


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vertical pode ser configurado de 0,005mm até 0,05mm, e o avanço transversal da mesa de 0,1

a 8mm/min, por último, o avanço longitudinal de 7000 a 23000mm/min (TIMEMASTER). Esse

movimento automático é dado por um sistema de engrenagens de grade no variador de avanço

(CIMM, 2010)

3.2.6 Lubrificação e refrigeração

Líquidos especiais são usados durante a usinagem para facilitar o processo: auxiliando

na remoção de material; reduzindo o atrito; refrigerando o sistema peça-ferramenta preservando

a vida útil e as propriedades de ambas as partes. Os líquidos estão em um gradiente de

lubrificação e refrigeração, a alternativa no meio termo são os, amplamente usados, fluidos

lubri-refrigerantes.

3.3 Volume de Trabalho

Como não foram encontradas utilizações industriais de retíficas planas tangenciais,

vamos estimar a retificação seriada de cabeçotes de motores de quatro cilindros com uma área

total de 40x30cm2.

Posicionando o bloco de motor de forma que seu comprimento de 40cm fique alinhado

com o eixo longitudinal da máquina, e a respectiva velocidade de movimento de 7000mm/min,

obtemos 3,43 segundos, por passe. A cada passe a mesa é deslocada 0,5mm transversalmente,

sendo necessário 60 passes para cobrir toda a área do motor, e adicionamos 1 segundo no

processo a cada final de passe, para a maquina fazer outro passe de retificação. Temos então,

265,8 segundos ou aproximadamente 5 minutos para a cobertura total da área do bloco de motor

sem contar o tempo de configuração da máquina. Esse tempo seria dobrado se, por exemplo,

rebolos fossem trocados ao longo de cada passagem para obter um acabamento ainda mais fino.
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Novamente, como não foram encontradas aplicações em níveis industriais desse

equipamento não podemos concluir se esse é um resultado satisfatório.

3.4 Insumos

De Acordo com Silva e Vernini (2016), os estoques de indústrias metalúrgicas de

usinagem de materiais possuem além de matérias primas brutas para fabricação de produtos,

mas também de todos os agregados que participam do processo de fabricação na fábrica, tais

como: rebolos, lixas, óleos, dressadores, ferramentas, etc.

Nas próximas subseções são descritas as funcionalidades e consequência de uso dos

insumos: rebolos superabrasivos e seus dressadores.

3.4.1 Rebolo Superabrasivo

Um rebolo de retificação é composto de grãos abrasivos que formam as arestas cortantes,

o material de ligação que mantém os grãos no lugar e poros na superfície que fornecem espaço

para que o material removido se afaste da superfície sendo trabalhada.

A característica mais importante do abrasivo de um rebolo é a sua dureza e é importante

que esta propriedade se mantenha constante dentro de uma grande faixa de temperatura. A

dureza dos grãos é geralmente medida pelo método Knoop, que permite medição de dureza

sobre áreas muito pequenas, e a Tabela 2 mostra a dureza de vários tipos de abrasivos medidos

a temperatura ambiente.
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Tabela 2 – Dureza Knoop típica de alguns abrasivos comuns.

Fonte: (ROWE, 2014)

Os rebolos de superabrasivos são normalmente feitos com grão de diamante ou nitreto de

boro cubico (cubic boron nitrite – CBN). Neste tipo de rebolo, o material de ligação mais

comum é metálico, por sua melhor capacidade de ligação. Entretanto, o espaço intragranular

em rebolos de ligantes metálicos deve ser criado no durante o processo de dressamento.

A Figura 7 mostra três configurações de rebolos mais comumente encontradas, e os

rebolos de superabrasivos são mostrados na parte direita e central da figura. Em geral, os

rebolos superabrasivos são projetados para longos períodos de trabalho com poucas operações

de dressamento (mais detalhes na seção 3.4.2), chegando até a tecnologia single layer (camada

única), onde não é possível realizar o dressamento.

Figura 7 – Diferentes configurações de rebolos

Fonte: (WEGENER, HOFFMEISTER, et al., 2011)


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3.4.2 Dressadores de Rebolos Superabrasivos

O dressamento é um processo de condicionamento de rebolos abrasivos (WEGENER,

HOFFMEISTER, et al., 2011). Isso é necessário pois os grãos abrasivos podem sofrer

microfraturas, afundar no material ligante ou até mesmo ser arrancado dele. O processo de

dressamento de rebolos de superabrasivos pode ser feito de diversas formas, de acordo com

Deng e Xun (2019) os principais são dressamento:

• Mecânico (MD);
• Por descarga elétrica (EDD);
• Eletrolítico em operação (ELID);
• Via laser pulsado (PLD);
• Combinado (CD).

Para cada tipo de rebolo existe uma ferramenta de dressamento adequada. A Tabela 3

mostra a relação entre os rebolos de grão de diamante e CBN ligados de diferentes maneiras.

Para ilustrar o processo de dressamento, escolheu-se um dos rebolos mais comumente

encontrado no mercado, um rebolo de CBN ligado por metal. Neste caso o truing é feito pelo

processo de Wheel Brake Control e o dressamento por Wheel Stick Push.

O dressamento segue geralmente duas etapas, como ilustra a

Figura 8, inicialmente a geração de forma, também conhecida como truing (WANG,

2008), e posterior afiação, também chamada de dressamento. O truing é o processo que obtém

a concentricidade entre a superfície do rebolo e o eixo de rotação, além de poder gerar perfis.

O dressamento remove os grãos abrasivos desgastados e afia o rebolo removendo o material de

ligação revelando as arestas cortantes dos grãos.


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Tabela 3 – Tabela de dressadores adequados para cada tipo de rebolo

Fonte: (DEVERNA, 2018)

Figura 8 – Processo de (a) truing ou geração de forma e (b) dressamento de rebolos com superabrasivos

CBN CBN

⃗⃗⃗⃗⃗⃗⃗⃗⃗⃗
𝑉𝑠,𝑆𝑖𝐶
Fonte: adaptado de (LEFEBVRE, SINOT e TORRANCE, 2013)
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O truing feito por Wheel Brake Control utiliza um rebolo de carbeto de silício (SiC)

montado em um mancal e acoplado a um freio centrifugo que resiste à rotação imposta pelo

rebolo de CBN impelindo assim uma velocidade de escorregamento ⃗⃗⃗⃗⃗


Δ𝑉 (Figura 8). Uma

velocidade transversal ⃗⃗⃗⃗⃗⃗⃗⃗


𝑉𝑓,𝑡𝑟 é então imposta ao rebolo de SiC, operando como uma retificação

transversa com penetração de 10 a 20 𝜇𝑚 até obter a superfície desejada (MALKIN e GUO,

2008).

O dressamento com Wheel Stick Push em rebolos de CBN é feito geralmente com um

bastão de óxido de alumínio (MALKIN e GUO, 2008). O bastão é fixado na mesa e aproximado

ao rebolo enquanto este rotaciona, movimentando-se transversalmente para atingir toda a face

do rebolo. A Figura 9 mostra a topografia de um rebolo de superabrasivo após os processos de

condicionamento. Pode-se observar que o truing fornece a geometria macroscópica do rebolo

enquanto o dressamento remove o material ligante, expondo os grãos abrasivos.

Figura 9 – Esquerda: topografia do rebolo depois do truing. Direita: topografia do rebolo após o
dressamento

Fonte: (WEGENER, HOFFMEISTER, et al., 2011)


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3.5 Diferenciais da Máquina Escolhida

As seguintes características foram extraídas do manual da máquina e fazem parte da

principal propaganda dessa máquina, que garante alta rigidez e precisão, baixa distorção

térmica, movimentos suaves, poucos ruídos e aumentos de temperatura e mantenabilidade:

• A base em formato de “+”;


• As guias são alinhadas com materiais TF1 e lubrificadas de forma intermitente;
• A coluna possui paredes duplas;
• Os movimentos logitudinais são guidados por uma bomba de palheta de
deslocamento variável e um sistema hidráulico fechado.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Durante o texto falou-se sobre o processo de retificação como um processo importante no

mundo da usinagem. Posteriormente, o processo de retificação tangencial bem como a máquina

ferramenta associada foram descritos e detalhados. Um detalhe importante envolvendo o

condicionamento de rebolos, em especial de rebolos com superabrasivos, foi explorado.

O objetivo do texto era fornecer ao leitor uma breve introdução aos conceitos mais

relevantes do processo de retificação plana tangencial. Para isso foram utilizados diversos

exemplos ilustrando os subsistemas de uma máquina ferramenta real, bom como a o

condicionamento de um rebolo típico utilizado no processo.

Por fim, é importante ressaltar que este texto é apenas uma breve introdução e muitos

detalhes importante não foram trazidos à discussão. Desta forma, recomenda-se consultar as

fontes mencionadas nas referências para maiores informações, em especial: a obra de Rowe

(2014), Deng e Xun (2019) e Sena (2007).

1
Material especial que suporta ambientes altamente agressivos. Desenvolvido pela NSK.
19

Referências

CIMM. Subsistemas da Máquina Ferramenta. Centro de Informação Metal Mecânica, 2010.


Disponivel em: <https://www.cimm.com.br/portal/material_didatico/4858>. Acesso em: 26
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