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Guerra do Paraguai - Conceito Ilustrado

O Segundo Reinado tem início com o golpe da maioridade em 1840, esse período foi marcado
por uma relativa estabilidade política e econômica. Durante o Segundo Reinado dois partidos
políticos foram protagonistas: os conservadores que defendiam o governo imperial forte e
centralizado e os liberais, que defendiam uma descentralização política e uma certa autonomia
para as províncias. Dom Pedro II para atender os interesses de ambos, alternava o poder entre
cada um.

Em 1847, Dom Pedro II, baseando-se no parlamentarismo britânico, criou o cargo de


Presidente do Conselho de Ministros, que equivalia ao de um primeiro ministro. O parlamento
apresentava 3 nomes para o imperador e este escolhia quem seria, entre os 3, o primeiro
ministro. Esse primeiro ministro formava seu gabinete ministerial e cabia ao parlamento
aprovar ou não. Porém, Dom Pedro II, através do poder moderador, também podia aprovar ou
não esse gabinete ministerial ou até dissolver o parlamento. O que fazia com que Dom Pedro II
é quem de fato aprovasse o gabinete. No Parlamentarismo Inglês, o parlamento escolhe um
primeiro ministro e este forma seu gabinete ministerial e cabe ao parlamento aprovar ou não.
Logo, comparando o formato do parlamentarismo no Brasil com o Inglês vemos uma
diferença, no Inglês o rei reina mas não governa, já no Brasil o imperador é decisivo.

Em 1844, foi implementada a Tarifa Alves Branco. Antes dessa tarifa quaisquer produtos
importados eram taxados em 15% de impostos, com a tarifa Alves Branco passou para 30%
para produtos que não tivesse similar no Brasil e 60% para produtos que tivesse similar no
Brasil. Com essa tarifa o governo visava aumentar a arrecadação de impostos, porém também
acabou estimulando crescimento industrial brasileiro.

Em 1845, a Inglaterra aprovou a Lei Bill Aberdeen, essa lei dava o direito da Inglaterra confiscar
navios negreiros, ou seja, navios fazendo o tráfico de negros para qualquer lugar. Em
consequência desta lei, no Brasil foi aprovada a Lei Eusébio de Queiróz, que proibia o tráfico
negreiro no Brasil, isso em 1850.

Em 1850, foi instituída a Lei de Terras, quem tivesse adquirido terras pelo sistema de
sesmarias ou ocupado livremente teria que registrar essas terras. As terras não registradas,
chamadas de terras devolutas, passavam a pertencer ao Estado. Quem quisesse adquirir terras
para produzir teria que compra-las do governo. Portanto, essa lei acabou tornando a terra uma
mercadoria, podendo assim, somente os mais ricos comprarem.

No Segundo Reinado a economia girou em torno do café, sendo o principal produto de


exportação e consumo interno, rendendo ao Brasil uma balança comercial favorável e uma
economia estável. O plantio de café teve destaque no oeste paulista e na região do Vale do
Paraíba, que abrange os atuais estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Após a Lei Eusébio de
Queiróz, tornou-se mais caro possuir um escravo, então os produtores de café passaram a
empregar a mão de obra livre e assalariada em suas lavouras. Essa mão de obra era composta
basicamente de imigrantes italianos e alemães, que saíram dos seus países devido às guerras
de unificação. O governo custeava a viagem desses imigrantes para o Brasil através do dinheiro
que recebia com a Lei de Terras.

Algumas revoltas ocorreram durante o Segundo Reinando, algumas delas iniciaram ainda no
Período Regencial como a Balaiada e a Revolução Farroupilha. Já a principal revolta surgida no
Segundo Reinado foi a Revolução Praieira.

A Revolução Praieira aconteceu em Pernambuco e teve forte influência da Primavera dos


Povos, que eram movimentos liberais que ocorriam na Europa no ano de 1848. As principais
reivindicações dos revoltosos eram: fim do poder moderador, voto livre universal, maior
liberdade de impressa e fim do domínio português no comércio. A revolta ganhou esse nome
devido ao fato de que o principal meio de comunicação dos liberais era o jornal “Diário Novo”
que ficava localizado na Rua da Praia. Essa revolta também contou com as classes mais pobres
da sociedade, teve seu início em 1848 e acabou em 1849.

Em 1864, uma grande guerra eclodiu na América do Sul. O ditador Solano Lopez, presidente do
Paraguai, visava aumentar a extensão territorial do seu país para obter uma saída para o
Oceano Atlântico. O início do conflito foi quando o governo paraguaio aprisionou um navio
brasileiro e em seguida invadiu o sul do Mato Grosso. O Paraguai também pretendia anexar
territórios do Uruguai e da Argentina, sendo assim, Brasil, Argentina e Uruguai formaram a
Tríplice Aliança com o objetivo de combater o Paraguai. A guerra acabou em 1870 com a
morte de Solano López, saindo vencedora a Tríplice Aliança.

A escravidão no Segundo Reinado teve seu fim gradualmente, devido as elites rurais que
tentavam adiar ao máximo a abolição e o governo que temia mais rebeliões pelo país caso
houvesse uma ruptura imediata com a escravidão. As leis que foram acabando com a
escravidão começaram com a Lei Eusébio de Queiróz e em sequência surgiram outras:

Lei do Ventre Livre: Todos os filhos de escravas nascidos a partir dessa lei foram considerados
livres.
Lei dos Sexagenários: Todos os escravos com 60 anos ou mais ganharam liberdade. Essa lei foi
bastante criticada, já que poucos escravos conseguiam atingir essa idade.
Lei Áurea: Decretou o fim da escravidão no Brasil. Mesmo que essa lei tenha abolido a
escravidão, ela não tratou de inserir os ex-escravos na sociedade.

A queda do império ocorreu devido a perca do apoio de alguns setores da sociedade, sendo
eles:

Igreja Católica: No Brasil, nenhuma ordem do papa vigorava antes de ser aprovada pelo
imperador. Então, em 1872, os bispos de Olinda e Belém, seguindo ordens do papa Pio IX,
puniram religiosos ligados à maçonaria. D. Pedro II, atendendo ao pedido de grupos
maçônicos, solicitou aos bispos que suspendessem as punições. Como eles se recusaram a
obedecer ao imperador, foram condenados a quatro anos de prisão. A punição gerou grande
revolta entre os católicos. Para superar a crise, os bispos receberam o perdão imperial em
1875 e foram libertados, mas o episódio abalou as relações entre a Igreja e o imperador.

Militares: Após a Guerra do Paraguai, os militares perceberam a sua importância para o país,
porém não eram reconhecidos pelo governo, devido aos baixos salários e o descaso para com
eles. Uma atitude que deixou os oficiais do exército bastante descontentes, foi que eles não
podiam se manifestar na imprensa sem uma prévia autorização do Ministro da Guerra.
Elite: Os grandes proprietários de terra foram retirando gradativamente o apoio ao império a
medida que leis abolicionistas iam sendo criadas, já que os escravos eram a sua principal mão
de obra.

Além desses fatores, também é possível dizer que os excessivos gastos com Guerra do
Paraguai, bem como as mortes ocasionadas por ela, tenham enfraquecido o Império.

Mesmo sem apoio popular, o Marechal Deodoro da Fonseca apoiado por republicanos e
militares proclama a república através de um golpe militar, em 15 de novembro de 1889.