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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA

CENTRO DE CIÊNCIAS JURÍDICAS

INFORMÁTICA JURÍDICA

PAULO DE SOUZA AVILA

ARTIGO

EXCLUÍDOS NA ATUAL SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO

AIRES JOSÉ ROVER

AÍRTON JOSÉ RUSCHEL


FLORIANÓPOLIS, 15 DE JUNHO DE 2009

1 - Introdução

“Internet é muito mais que uma tecnologia. É um meio de comunicação, de

interação e de organização social.” Esta frase de Castells simplifica bem o valor que a

internet tem atualmente. A rede tem participação ativa e indelével na formação e

estruturação da sociedade da informação. Sociedade esta, que ainda encontra-se em

processo de formação e expansão. A sociedade não é um elemento estático, muito pelo

contrário está constantemente em mutação. A sociedade contemporânea está inserida num

processo de mudança em que as novas tecnologias são as principais responsáveis. Alguns

autores identificam um novo paradigma de sociedade que se baseia num bem precioso, a

informação, atribuindo-lhe várias designações, entre elas a de Sociedade da Informação.

Este novo modelo de organização das sociedades assenta num modo de

desenvolvimento social e econômico onde a informação, como meio de criação de

conhecimento, desempenha um papel fundamental na produção de riqueza e na

contribuição para o bem-estar e qualidade de vida dos cidadãos. Talvez a principal barreira

para que a sociedade da informação avance, está na condição e possibilidade de todos

poderem ter acesso às Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs), presentes no

nosso cotidiano que constituem instrumentos indispensáveis às comunicações pessoais, de

trabalho e de lazer. Esta sociedade, que ainda não consegue destruir tais barreiras afim de

2
inserir um maior número de pessoas nessa nova forma de organização poderá ser

responsável por grandes diferenças sociais, tendo em conta o seu grau de exigência. Uma

vez que é uma sociedade que vive do poder da informação, tendo como base as novas

tecnologias. Ela poderá ser muito discriminatória, quer entre países, quer internamente,

entre empresas, entre pessoas. Até algum tempo atrás, o saber ler e interpretar textos, bem

como efetuar cálculos matemáticos simples era obrigatório para se viver em harmonia e

bem-estar na sociedade, este novo cenário mudou e as necessidades de qualificações

profissionais e acadêmicas aumentaram consideravelmente. O ser humano tem a

capacidade de se adaptar e como tal, as pessoas devem desenvolver uma atitude flexível,

com conhecimentos generalistas, capazes de se formarem ao longo da vida de acordo com

as suas necessidades e que dominem as Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs).

A sociedade exige das escolas pessoas com uma formação ampla, especializada, com um

espírito empreendedor e criativo, com o domínio de uma ou várias línguas estrangeiras,

com grandes capacidades de resolução de problemas.

O presente trabalho encontra-se dividido em tópicos que visam facilitar a sua

compreensão e proporcionar um maior aprendizado das ideias nele contidas. O tópico 2,

primeiramente, dará um panorama geral sobre a exclusão digital no mundo, para depois,

exclusivamente, tratar sobre a situação brasileira. No tópico 3 trataremos dos fatores que

contribuem para a exclusão de determinadas áreas, bem como as suas peculiaridades (das

áreas). E finalmente no tópico 4 salientaremos o que pode e o que já é feito para que cada

vez mais pessoas tenham acesso ao mundo digital.

2 – Exclusão digital

2.1 – No mundo

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Na atual era da globalização os avanços tecnológicos trazem consigo uma pequena

esperança de um mundo melhor, já que os mesmos vêm acompanhados de sonhos,

revoluções, ideologias para melhorarem a sociedade, no sentido de reduzir as desigualdades

tão “estampadas”. Todavia, a realidade é totalmente o contrário. Esses avanços não são

justamente distribuídos para a grande maioria da população. As diferentes formas de

exclusão e desigualdades socias jamais atingiram um nível tão alto e profundo. Umas

dessas ditas formas de exclusão é a exclusão digital.

A exclusão digital é mais uma conseqüência das diferenças sociais, econômicas e

políticas já existentes de distribuição de poder e renda. Pode ser entendida como a situação

na qual um indivíduo ou grupo de pessoas se encontram impossibilitados de utilizar as mais

recentes tecnologias digitais. Surge, então, a divisão digital, onde pessoas passam a ficar

divididas em dois grupos: o dos que participam do mundo digital e o dos que ficam a parte.

Não ter acesso a Internet ou a outras inovações tecnológicas dos nossos dias pode

comprometer a mobilidade social e a empregabilidade de uma pessoa.

A exclusão digital é atualmente um tema de debates entre governos, organizações

multilaterais (ONU, OMC), e o terceiro setor (ONGs, entidades assistencialistas). Políticas

de inclusão digital incluem a criação de pontos de acesso à internet em comunidades

carentes (favelas, cortiços, ocupações, assentamentos) e capacitação (treinamento) de

usuários de ferramentas digitais (computadores, DVDs, vídeo digital, som digital, telefonia

móvel). As comunidades carentes, os mais pobres e pessoas com uma posição econômica

desprivilegiada são excluídas digitalmente, pois não tem acesso à tecnologia. A relação

entre exclusão digital e pobreza é uma realidade mundial.

É nesse sentido que Rondelli propõe “quatro passos para a inclusão digital”.

Primeiramente: “uma maior oferta de computadores conectados em rede, mas somente isso

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não é o suficiente para se realizar a pretensa inclusão digital” (RONDELLI, 2003). O

segundo passo é o de “criar oportunidades para que os aprendizados feitos a partir dos

suportes ténicos digitais possam ser empregados no cotidiano da vida e do trabalho”, mas

para que isso, efetivamente, ocorra, faz-se necessário o terceiro passo: o entorno

institucional. “É preciso muito investimento financeiro, pois essa tecnologia não é gratuita,

mesmo que pública. E tal desenho institucional não se faz de modo aleatório”. Por fim, o

quarto passo consiste em: “(...) Entender que a inclusão digital pressupõe outras formas de

produção e circulação da informação e do saber diferentes destas mais tradicionais que nos

acostumam a frequentar. Portanto, há também um elemento importante de inovação no uso

das tecnologias”. (RONDELLI, 2003)

Concordando com as idéias propostas, mas afirmando que a questão da inclusão

digital vai muito além do desenvolvimento tecnológico, Castells afirma: “A questão crítica

é mudar [...] para o aprendizado-de-aprender, uma vez que a maior parte da informação

[estará] on-line e o que realmente [será] necessário é a habilidade para decidir o que

procurar, como obter isso, como processá-lo e como usá-lo para a tarefa específica que

provocou a busca de informação. Em outras palavras, o novo aprendizado é orientado para

o desenvolvimento da capacidade educacional de transformar informação e conhecimento

em ação”. (CASTELLS, 2003, p.103). Ou seja, também é necessário instruir os usuários

para melhor desfrutarem da rede.

Tabela 1

Região População Usuários Usuários Penetração Crescimento Excluídos


(2008) internet internet (% pop.) (2000-2008) (%)
(31/12/2000) (2008)
África 975,330,899 4,514,400 54,171,500 5.6 % 1,100.0 % 94.4%
Ásia 3,780,819,792 114,304,000 657,170,816 17.4 % 474.9 % 82.6%

5
Europa 803,903,540 105,096,093 393,373,398 48.9 % 274.3 % 51.1%
Oriente 196,767,614 3,284,800 45,861,346 23.3 % 1,296.2 % 76.7%
Médio
América 337,572,949 108,096,800 251,290,489 74.4 % 132.5 % 25.6%
do Norte
América 581,249,892 18,068,919 173,619,140 29.9 % 860.9 % 70.1%
Latina/
Caribe
Oceania/ 34,384,384 7,620,480 20,783,419 60.4 % 172.7 % 39.6%
Austrália
• Os dados sobre a internet e a população mundial são de 31 de Março de 2009
• Os números referentes à população são do US Census Bureau
• Tabela 2
Países que lideram os acessos nas suas respectivas regiões:

Região País Milhões de Usuários


África Egito 10.5
Ásia China 298.0
Europa Alemanha 55.2
Oriente Médio Iran 23
América do Norte EUA 248.2
América Latina/Caribe Brasil 67.5
Oceania/Austrália Austrália 17

2.2 – No Brasil

A internet é hoje uma ferramenta importante que possibilita informação e

aprendizagem aos seus usuários. No entanto, poucas são as pessoas que têm acesso à rede

mundial de computadores no Brasil. De acordo com a Pesquisa do Comitê Gestor de

Internet no Brasil, realizada no ano de 2006, constatou que apenas 14,5% dos domicílios

brasileiros dispõem de internet. A mesma pesquisa aponta que 66,7% dos brasileiros nunca

usaram a internet. O estudo revela também que apenas 19,6% têm computador. Mais da

metade da população, 54,3%, nunca sequer usou um computador.

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Uma outra pesquisa do Comitê Gestor de Internet também levantou qual o quadro

sobre o uso de tecnologias da informação e comunicação no país. Na região Sudeste,

97,80% dos domicílios dispõem de aparelhos de televisão, 7,83% têm TV a cabo, 92.66

dispõem de aparelhos de rádio, 58,59% possuem telefone fixo, 70,33% dispõem de

aparelho celular e 2,83% têm computador de mesa. Apenas 0,56% dispõem de computador

portátil. Para traçar um paralelo, na região Norte 95,70% dos domicílios possuem aparelho

de TV, 2,74% dispõem de Tv a cabo, 75,66% dispõem de aparelhos de rádio, 34,62% têm

disponíveis aparelhos de televisão, 61,66% dos seus proprietários dispõem de telefone

celular, apenas 9,97% possuem computador de mesa e só 0,60% têm computador portátil.

Esses números são suficientes para demonstrar a necessidade da adoção de uma

política de investimentos sólida, com o objetivo de dar oportunidade aos brasileiros terem

acesso a essas tecnologias que hoje são indispensáveis à vida em sociedade. Não é apenas o

analfabetismo e a exclusão social que merecem ser atacados. Agora a exclusão digital é

outra mazela social que precisa ser eliminada. O exercício da cidadania passa, hoje,

inevitavelmente, pelo domínio dessas tecnologias da informação e da comunicação.

É sabido que o Brasil demorou e passou por dificuldades de chegar à era digital.

Quando entrou nesse mundo, ocorreu o contrário, andou muito rápido. Por se tratar de um

país onde as desigualdades são tão “visíveis”, hoje vive constantemente o risco de

privilegiar as altas camadas, aumentando, assim, a distância entre os que têm telefones e

computadores e os que não têm, por exemplo. Ninguém ganha com essa lacuna entre o

Brasil encluído e o Brasil excluído do mundo digital, que reproduz e aumenta essas lacunas

entre ricos e pobres, entre quem tem escolaridade e os sem instrução, áreas urbanas e áreas

rurais, pequenas e grandes empresas.

A Internet tem como uma de suas principais característica a disseminação de ideais

e essa qualidade pode desempenhar um papel crucial na melhoria do ensino, por exemplo,

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ajudando a criar novas fontes de conhecimento, viabilizando projetos de educação – o que

ocorre com os cursos à distância – enfim, oferendo suporte ao modelo de escola tradicional.

Com essa forma de inclusão apenas da elite, a rede tende a aprofundar as diferenças e a

diminuir ainda mais as oportunidades para as camadas de menor renda, “jogando” essas

pessoas para a margem da principal mudança tecnológica das últimas décadas.

3 – Fatores que contribuem para a exclusão digital

Vários fatores contribuem, direta ou indiretamente, para a exclusão digital. Alguns

deles são listados abaixo:

• Falta de infra-estrutura em telecomunicações. Para o uso das NTIC (Novas Tecnologias

da Informação e Comunicação) é necessária uma infra-estrutura razoável em

telecomunicações. Se não existe tal infra-estrutura, é necessário construí-la e isso demanda

tempo e dinheiro. Esse problema atinge principalmente os países subdesenvolvidos,

justamente os que apresentam menores condições de resolvê-los;

• Custo de acesso. O custo de acesso é mensurado basicamente por três indicadores: preço

dos computadores, custo das tarifas telefônicas e despesas com provedor de acesso à

Internet;

Nenhum desses indicadores é medido diretamente pelo seu valor monetário (do bem ou

serviço), mas pela porcentagem sobre a renda per capita. Por exemplo, enquanto um

usuário americano típico gastaria 1,2% de sua renda per capita com taxas de acesso, um

usuário de Madagascar gastaria 614%;

• Idioma. O inglês é o idioma oficial da Web. Cerca de 80% dos sites da Internet estão

escritos em inglês, sendo esse idioma compreendido por apenas 10% da população mundial

e 43% da população “online”;

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• Conteúdo. É a obtenção de informação que motiva as pessoas a utilizarem a Internet.

Portanto, a ausência de informação relevante também deve ser considerada uma barreira.

Prover informação sob demanda a um público tão heterogêneo tem se mostrado uma árdua

tarefa;

• Censura. Mecanismos de censura também atrapalham a disseminação da Internet. Casos

recentes incluem o governo chinês, que controla o acesso dos internautas de seu país ao

conteúdo de sites ocidentais sob a justificativa de proteger o regime ditatorial comunista e o

Talibã que proibiu o uso da Internet no Afeganistão sob justificativas fanático-religiosas;

4 – O que, atualmente, é feito para diminuir a exclusão, no Brasil

Hoje, há inúmeras iniciativas para a redução da exclusão digital por parte do

governo federal, bem como dos próprios estados e municípios, sejam por convênios,

parcerias. Enfim, iniciativas que demostram um interesse, mesmo que pequeno, por parte

dos governantes, na inserção de que cada vez mais pessoas no mundo digital.

Programa Espaço Digital: É uma iniciativa pioneira da empresa de tecnologia de

informação do Governo de Minas Gerais - voltada para a inclusão digital da terceira idade.

Criado em abril de 2001 com o nome de "Programa Internet Senior". Em 2004 este

programa foi reformulado e reimplantado com o nome de "Espaço Digital" em parceria

com a Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, com o propósito de trazer aos usuários

novas possibilidades de conhecimento e desenvolvimento cultural valorizando a cidadania

na terceira idade. Atualmente, existe uma unidade do Espaço Digital em funcionamento.

Acessa São Paulo: É o programa de inclusão digital do Governo do Estado de São

Paulo, instituído em julho 2000 com o objetivo de promover o acesso às novas tecnologias

da informação e comunicação (TIC's), em especial à Internet, contribuindo para o

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desenvolvimento social, cultural, intelectual e econômico dos cidadãos paulistas. O

programa funciona mediante a abertura e manutenção de infocentros, espaços públicos com

computadores para acesso gratuito e livre à Internet. Atualmente, existem 381 postos de

atendimento do Acessa São Paulo distribuídos em 299 municípios do Estado. O Acessa São

Paulo é coordenado pela Casa Civil, com gestão da Imprensa Oficial e apoio da Prodesp,

Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo.

Projeto Ilhas Digitais: Inserido no Plano de Ação Ceará Digital cuja articulação foi

realizada pelo Centro de Estratégias de Desenvolvimento do Estado do Ceará - CED,

autarquia ligada à Secretaria do Planejamento do Governo do Estado do Ceará. O objetivo

do projeto é a democratização da informação veiculada pela Internet e promoção da

inclusão digital no Estado do Ceará, bem como dar oportunidade para os usuários a

aprimorarem seus conhecimentos através de pesquisas na Web, realização de trabalhos

informatizados (digitação, criação de planilhas, bancos de dados, etc.) incentivando-os a

praticarem, adquirindo assim, uma certa experiência para o campo profissional.

Atualmente, existem 41 Ilhas Digitais fixas e uma unidade móvel, soma-se ainda, 29 Ilhas

Digitais que aguardam a inauguração. Estas unidades, localizam-se prioritariamente em

bairros da periferia onde a maioria da população é composta por jovens e pessoas carentes.

O Internet Livre (SP)/(RJ): É um programa do Serviço Social do Comércio –

SESC, voltado à democratização do acesso à Internet e à inclusão digital. O programa foi

criado em maio de 2001 com o objetivo de ser um espaço aberto de circulação, recepção,

troca e expressão, promovendo o acesso simplificado à rede, por meio de uma estrutura

envolvendo desde salas de micros até a capacitação de monitores, chamados de web-

animadores. Atualmente, existem 39 unidades do programa, sendo que a maior

concentração se dá no Estado de São Paulo.

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O Governo Eletrônico Serviço de Atendimento ao Cidadão – GESAC: É um

programa do Governo Federal criado em junho de 2003 e tem como meta disponibilizar

acesso à Internet e mais um conjunto de outros serviços de inclusão digital à comunidades

excluídas do acesso e dos serviços vinculados à rede mundial de computadores. No

Programa GESAC são beneficiadas prioritariamente as comunidades com baixo IDH

(Índice de Desenvolvimento Humano) e que estejam localizadas em regiões onde as redes

de telecomunicações tradicionais não oferecem acesso local à Internet em banda larga. Para

tanto, o programa provê conexão via satélite. Hoje, existem 3.619 Pontos de Presença

conectados à Internet por meio do programa GESAC.

O Cidadão digital: É um projeto da DELL dirigido pela Fundação Pensamento

Digital, teve início em 2002 com a criação das primeiras Escolas Técnicas de Informática –

ETIs. O projeto tem o objetivo de ensinar preferencialmente, alunos, professores e

funcionários da rede escolar do ensino médio a utilizar o computador e prestar orientação

profissional, visando à inclusão destes alunos no mercado de trabalho. As aulas são

gratuitas e cada aluno paga uma taxa simbólica de 12 reais por mês. Desde o início das

atividades, o Cidadão digital já formou 5.366 jovens.

Estudar e analisar a inclusão digital significa entender as concepções e abordagens

que têm sido construídas paralelamente com a emergência de inúmeros projetos existentes

no Brasil e no mundo. Nessa linha, merece destaque o conceito de telecentro comunitário,

por sua forte presença na arena da inclusão digital.

Telecentro: Muitas são as definições de telecentro. Para efeito deste artigo,

adotaremos a definição de Darelli (2003, p. 26), para quem o telecentro é um “centro de

atendimento coletivo que oferece serviços, em regime de parcerias, aos diversos segmentos

da sociedade da área urbana e da área rural, utilizando facilidades de telecomunicações e de

informática e atuando como agente de desenvolvimento econômico, político e sócio-

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cultural”. Fisicamente, os telecentros são espaços públicos providos de computadores

conectados à internet em banda larga, onde são realizadas atividades, por meio do uso das

TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação), com o objetivo de promover a inclusão

digital e social das comunidades atendidas. O programa tem como meta a inserção do

cidadão na sociedade da informação, visando a redução da exclusão digital e social. No

telecentro, o cidadão tem a oportunidade de interagir com outros que já tenham acesso aos

recursos da TICs, bem como com o Poder Público, por meio dos Portais de Governo

Eletrônico. Tem, ainda, ao seu dispor ferramentas (computadores, impressoras,

conectividade e outros equipamentos audiovisuais e/ou multimídia), para uso em

capacitações e atividades diversas ligadas à Inclusão Digital para todo o público alvo.

Conclusão

O problema da exclusão digital se apresenta como um dos maiores desafios desse

início de século, com implicações diretas e indiretas sobre os mais variados aspectos de

nossa sociedade, como estabeleceu a Organização das Nações Unidas em 2000: “um dos

objetivos de desenvolvimento do Milênio, está o de permitir que as pessoas possam

aproveitar os benefícios das novas tecnologias, especialmente as tecnologias da informação

e da comunicação (TICs)”. A desigualdade registrada entre pobres e ricos entra agora na

era digital e ameaça se expandir com a mesma rapidez da informática.

Nesse cenário, o conhecimento e a aprendizagem serão cada vez mais valorizados e

aqueles que se encontram hoje fora desse processo de evolução podem ficar ainda mais

excluídos no futuro – a não ser que se adotem ações eficazes e massivas para promover a

“inclusão digital”. A Internet deve desempenhar um papel crucial na melhoria do ensino,

criando novas fontes de conhecimento, viabilizando projetos de educação à distância ou

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oferecendo suporte à escola tradicional. Na medida em que se limita à elite, ela tende a

aprofundar diferenças e a restringir ainda mais as oportunidades para as camadas de menor

renda. Daí o risco da exclusão social, do “apartheid” digital – um gigantesco e dramático

fosso entre uma minoria plugada no mundo moderno e uma grande massa de sem-Internet,

à margem da principal mudança tecnológica das últimas décadas.

Referências

CASTELLS, M. A galáxia da Internet: reflexões sobre a Internet, os negócios e a


sociedade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003. p.103-107.

CENTRO DE ESTUDOS SOBRE AS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E


COMUNICAÇÃO. É responsável pela produção de indicadores e estatísticas sobre a
disponibilidade e uso da Internet no Brasil, divulgando análises e informações periódicas
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em 10 maio 2009.

COMITÊ GESTOR DA INTERNET NO BRASIL. Coordena e integra todas as iniciativas


de serviços de Internet no país, promovendo a qualidade técnica, a inovação e a
disseminação dos serviços ofertados. Disponível em:<http://www.cgi.br/>. Acesso em: 10
maio 2009.

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DARELLI, L.E. Telecentro como instrumento de inclusão digital para o E-gov brasileiro.
2003. 123f. Dissertação (mestrado em engenharia de produção) – Departamento de
Engenharia de Produção e Sistemas, Universidade Federal de Santa Catarina, 2003.

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