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REPÚBLICA DE ANGOLA

PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

DECRETO PRESIDENCIAL N.º _________/2019

DE _________DE ________
Os veículos motociclos tem vindo nos últimos 20 anos, a serem usados
nas zonas rurais e de difícil acesso, geralmente onde os transportes
públicos convencionais encontram dificuldades para acederem, para o
serviço transporte remunerado de passageiros. Mas, à actividade de
transporte em motociclo tem vindo a ser realizada com atropelos
graves as regras do Código de Estrada, concorrendo para que haja um
elevado índice de acidentes e desordem contantes no uso das vias por
parte dos motociclistas.

Convindo a regular esta actividade que se encontra, sem amparo legal


no nosso ordenamento jurídico, deste modo garantindo que os
passageiros sejam transportados em boas condições de segurança,
salubridade e conforto.

O Presidente da República, decreta nos termos do artigo 125º da


Constituição da República de Angola, o seguinte:

Artigo 1º
(Aprovação)
É aprovado o regulamento de transporte rodoviário de passageiros, por
conta de outrem em veículos motociclos, anexo ao presente diploma

Artigo 2º
(Duvidas e Omissões)
As dúvidas e omissões suscitadas pela interpretação e aplicação do
presente diploma são resolvidas pelo Presidente da República.

Artigo 3º
(Entrada em vigor)
O presente diploma, entra em vigor na data da sua publicação.

O Presidente da República, JOÃO MANUEL GONÇALVES LOURENÇO


REGULAMENTO SOBRE TRANSPORTE RODOVIÁRIO DE PASSAGEIROS EM
VEÍCULOS MOTOCICLOS

CAPÍTULO I

Disposições Gerais

Artigo1.º

(Âmbito)

O presente diploma aplica-se ao transporte remunerado individual de


passageiros E MERCADORIA em motociclo, também designado por Commented [OA1]: Uma vez que existem motociclos
configurados para levar mercadorias.
moto-táxi ou “Kupapatas”.

Artigo 2.º

(Definições)

Para efeitos do presente diploma considera-se:

a) Moto-táxi, o serviço de transporte de passageiros E MERCADORIA


em motociclo com cilindrada igual a 125 e igual ou inferior a 250
centímetros cúbicos, mediante o pagamento de preço
previamente definido, com a capacidade do global veículo
posto à disposição de um único passageiro.

b) Motociclo, o veículo dotado de duas E TRÊS RODAS rodas com Commented [OA2]: Existem motociclos de três rodas
motor de propulsão com cilindrada igual a 125 e igual ou inferior
250 centímetros cúbicos.

c) Moto-taxista, o motociclista que exerce a título profissional à


actividade de moto-táxi, devidamente registado, na base dados
municipais de condutores, quer seja proprietário ou não do
veículo motociclo.

CAPÍTULO II

ACESSO À ACTIVIDADE

Secção I

Licenciamento da Actividade
Artigo 3.º

(Licença)

1. A actividade de Moto-táxi, só pode ser exercida por pessoas


colectivas ou pessoas singulares, licenciadas pela entidade
municipal ou autárquica responsável pela área dos transportes.

2. A licença para o exercicio da actividade é intransferivel, com a


duração de até 5 anos.

3. Não podem exercer a actvidade regulada pelo presente diploma,


as pessoas singulares ou colectivas que possuem qualquer licença
que lhes permita uma actvidade do subsector do transporte
rodoviário.

Artigo 4.º

(Pedido de Licenciamento)

O pedido de licenciamento da actividade, deve ser feito mediante


requerimento dirigido ao titular do órgão do município ou autarquia
responsável pela área dos transportes e será acompanhado pelos
seguintes documentos:

a) Certidão da conservatória do registo comercial;


b) Cartão de contribuinte;
c) Situação contributiva regularizada;
d) Registo Criminal do responsável da pessoa singular ou colectiva;
e) Fotocópia do Bilhete de identidade.

Secção II

Licenciamento do Veículo

Artigo 5.º

(Licenciamento do veículo)

1. Só podem ser alocados à actvidade os veículos motociclos


conforme, previsto na alinea b) do artigo 2.º.

2. O pedido de licenciamento do veículo moto-táxi, deve ser


dirigido ao titular do órgão do município ou autarquia responsável
pela área dos transportes, devendo o requerente apresentar os
seguintes documentos:

a) Registo de propriedade em nome do titular da licença;

b) Livrete;

c) Inspecção técnica;

d) Seguro de responsabilidade civil.

3. A licença emitida ao abrigo da presente secção tem a validade


de um ano, podendo ser renovada por igual período.

4. As pessoas singulares e colectivas podem afectar a actividade


até um e cinco veículos moto-táxi respectivamente.

CAPÍTULO III

MOTO-TÁXISTA

Artigo 6.º

(Requisitos)

1. O condutor profissional de transporte individual remunerado de


passageiros “Moto-táxi”, deve preencher os seguintes requisitos,
bem como apresentar os seguintes documentos:

a) Ter completado 21anos de idade;

b) Possuir carta de condução para motociclos com cilindrada ≥ 125


centímetros cúbicos a pelo menos 2 anos;

c) Fotocópia do Bilhete de identidade ou cédula pessoal;

d) Duas fotografias tipo passe;

e) Atestado de residência;

f) Registo criminal;

g) Cartão de contribuinte;

h) Atestado de sanidade.

2. Deixam de preencher o requisito idoneidade, atestado por registo


criminal os que tenham sido condenados pela prática dos crimes
de furto doméstico, roubo, abuso de confiança, burla associação
de malfeitores, estupro, violação corrupção de menores e
lenucinio, porte ilegal de arma, posse de estupefacientes e
homicídio.

Artigo 7.º

(Formação profissional)

Para o exercício da actividade, os moto-taxistas devem possuir


conhecimentos adequados sobre o transporte profissional de
passageiros, à obter em curso de formação profissional para moto-
taxistas.

É da competência DOS GABINETES PROVINCIAIS DOS TRANSPORTES,


TRÁFEGO E MOBILIDADE URBANA Instituto Nacional dos Transportes Commented [OA3]: Uma vez serem essas as Instituições
que irão fazer a vistoria e fiscalizações destas escolas.
Rodoviários, credenciar as escolas que lecionam curso de formação
profissional de moto-taxista sendo o conteúdo programático e as
provas, definidos e realizados por aquele.

Artigo 8.º

(Obrigatoriedade de registo)

1. Os condutores de veículos moto-táxi, devem ser registados na


entidade municipal ou autárquica responsável pela área dos
transportes, sendo-lhe atribuído um cartão de inscrição.

2. Os veículos moto-táxi, só podem ser conduzidos por moto-taxistas


registados na entidade municipal ou autárquica responsável pela
área dos transportes.

3. Sempre que qualquer moto-taxista deixe de satisfazer as condições


previstas no n. º1 do artigo anterior, ser-lhe-á retirado o cartão e
qualquer alteração que ocorra com a licença ou motorista deverá
ser averbada ao cartão.

4. O registo de condutor tem a validade de um ano, renovável por igual


período.

CAPÍTULO IV

RENOVAÇÃO, REVOGAÇÃO

Artigo 9.º

(Renovação das licenças e do cartão)


As licenças e o cartão, emitidas (os) ao abrigo do presente diploma
devem ser submetidas a renovação, trinta dias antes da sua
caducidade.

Artigo 10.º

(Revogação)

A licença da actividade, do veículo e o cartão do moto-taxista, podem


ser revogados nos seguintes casos:

a) Nos termos no n. º2 do artigo 6.º do presente diploma;

b) Prestação de falsas declarações;

c) Criação de conflitos com os outros operadores de veículo de


praça onde está alocada;

d) Exercício da actividade em manifesto estado de embriaguez ou


sob efeito de substâncias psicotrópicas.

CAPÍTULO V

Características

Artigo 11.º

(Características dos veículos)

1. Sem prejuízo da cor que vier a ser definida por cada município, o
veículo moto-táxi deve apresentar as seguintes características:

a) No tanque de combustível dístico contento a palavra «Moto-táxi»


escrita em cor preta.

b) Na parte traseira junto a matrícula uma placa de fundo amarelo


e com letras pretas escrito a palavra «aluguer»

c) Identificação da circunscrição municipal a que pertence, numa


placa metálica com o fundo amarelo em cima para-lama frontal.

d) Número da licença e a praça a que pertence.

e) Suporte para os pés;

f) Espelho retrovisor de ambos os lados;

2. O motorista e o passageiro do serviço de moto-táxi, devem


sempre usar o capacete e um colete com as características a
definir pelo município ou autarquia.
CAPÍTULO VI

ORGANIZAÇÃO DO SERVIÇO

Artigo 12.º

(Rotas)

1. As rotas para o serviço de moto-táxi, são definas pela


administração municipal ou autarquia local, levando em
consideração as condições de acessibilidades.

2. A actividade de moto táxi deve ser exercida nas zonas rurais ou


vias que pelas suas características revelam-se inacessíveis pelos
outros meios de transporte de passageiros;

3. O licenciamento pode ser feito por zonas ou rotas conforme as


condições que forem definidas pela administração municipal ou
autarquia local para melhor ordenamento;

4. Não é permitida a circulação de moto-táxi nas autoestradas ou


vias equiparadas, estradas nacionais, vias urbanas e outras vias ou
zonas que pelas suas características sejam proibidas pela
autoridade competente;

Artigo 13.º

(Praças)

1. As praças de moto-táxis, devem ser aprovadas pela


administração municipal ou autarquia local.

2. Em cada praça devidamente demarcadas, será colocado em


lugar bem visível, um quadro contendo o número da praça e das
moto-táxis e das suas matrículas.

Artigo 14.º

(Reserva de utilização de praça)

A utilização de praças de moto-táxis, nos municípios, em qualquer altura


do dia ou da noite é reservada aos veículos moto-táxi, devidamente
licenciados pela administração municipal ou autarquia local.

Artigo 15.º

(Restrições à ocupação de praças)


1. A licença de moto-táxi só é válida para o veículo e para a praça
neles inscritos.

2. À pessoas colectivas, só PODEM ser concedidas licenças para


ocupação de um máximo de dois lugares em cada praça.

Artigo 16.º

(Transferência de praça)

Pode ser autorizada a transferência de motociclos de uma praça,


mediante requerimento do titular, dirigido a entidade licenciadora, nos
seguintes casos:

a) Existência de vaga na praça em questão;

b) Acordo dos respectivos titulares das licenças.

Artigo 17.º

(Tomada de passageiros)

É expressamente proibido aos moto-taxistas, a tomada de passageiros a


300 metros de uma praça para moto-táxis.

Artigo 18.º

(Obrigatoriedade de prestação de serviço na praça)

Os moto-táxis deverão considerar-se permanentemente à disposição do


público, que se encontrarem estacionadas na respectiva praça.

Artigo 19.º

(Contingentação)

1. As licenças para os veículos moto-táxi, são concedidas dentro dos


contingentes fixados, pelo município mediante parecer DOS
GABINETES PROVINCIAIS DOS TRANSPORTES, TRÁFEGO E MOBILIDADE
URBANA Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários Commented [OA4]: Por serem as instituições que estarão
mais próximas das Administrações Municipais e ou
2. O transporte em moto-táxi deve ser contingentado com base nos Autarquias Locais.

estudos das necessidades desses serviços, só sendo autorizado


quando exista défice de transporte público e as rotas não sejam
coincidentes com este.

3. O contingente fixado deve ser revisto sempre que necessário e


obrigatoriamente, de cinco em cinco anos.
CAPÍTULO VII

DEVERES

Artigo 20.º

(Deveres do Moto-taxista)

São deveres dos moto-taxistas:

a) Não abandonar o veículo nos locais de estacionamento sem


motivo justificado;

b) Não reduzir ou suspender intencionalmente a velocidade que o


trânsito permita, nem exceder a marcha que o utente indicar,
desde que esteja dentro das normas de circulação rodoviária,
seguindo salvo, instruções expressas daquele, o caminho mais
curto;

c) Não transportar passageiros acima da capacidade do veículo;

d) Usar da maior urbanidade para com os passageiros;

e) Apresentar-se decentemente trajado e em irrepreensível estado


de higiene;

f) Acatar as ordens e instruções das autoridades competentes.

Artigo 21.º

(Deveres da Administração Municipal ou Autarquia local)

Sem prejuízo do que se encontra previsto no presente diploma, são


obrigações da administração municipal ou autarquia local:

a) Prestar mensalmente informações ao Instituto Nacional dos


Transportes Rodoviários, sobre o exercício da actividade na
província, através do órgão responsável pela área dos
transportes;

b) Zelar pelo cumprimento do exercício da actividade dentro da


circunscrição do município;

c) Manter actualizado o registo dos moto-taxistas.

CAPÍTULO VIII

TAXAS E TARIFAS

Artigo 21.º

(Incidência das taxas)


1. Pelos serviços a prestar no âmbito do presente diploma legal, são
devidas as seguintes taxas:

a) 10.000,00 e 15.000,00 Kwanzas, para o licenciamento da


actividade de pessoas singulares e colectivas respectivamente;

b) 7.500,00 Kwanzas, para o licenciamento dos veículos moto-táxi;

c) 4.500,00 Kwanzas, para o registo de moto-taxistas;

d) 70.000,00 de Kwanzas, para o credenciamento das escolas de


formação profissional para moto-taxistas, à favor do Instituto
Nacional dos Transportes Rodoviários.

Artigo 22.º

(Tarifas)

A tarifa para este tipo de serviço, deve ser aprovada pelo município,
tendo EM CONTA a realidade económica e as condições socias dos
munícipes.

CAPÍTULO IX

FISCALIZAÇÃO E REGIME SANCIONATÓRIO

Artigo 23.º

(Fiscalização)

1. A fiscalização do cumprimento do disposto no presente diploma


compete às seguintes entidades:

a) Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários;

b) Direcção Nacional de Viação e Trânsito;

c) GABINTE PROVINCIAL DOS TRANSPORTES, TRÁFEGO E


MOBILIDADE URBANA Commented [OA5]: Por ser o órgão regulador máximo ao
nível das Províncias.
d) Órgão municipal ou da autarquia responsável pela área dos
transportes.

2. As entidades referidas no número anterior podem proceder, junto


das pessoas singulares ou colectivas que efectuem o serviço de
moto-táxi, todas as investigações e verificações necessárias para
o exercício da sua actvidade fiscalizadora.

3. Os funcionários do Instituto Nacional dos Transportes Rodoviários,


GABINETE PROVINCIAL DOS TRANSPORTES, TRÁFEGO E MOBILIDADE
URBANA, das administrações locais que tutelam a área dos
Transportes e da Direcção Nacional de Viação e Trânsito, com
competência na área da fiscalização e no exercício de funções,
desde que devidamente credenciados, têm livre acesso aos
locais destinados ao exercício da actividade das empresas e na
abordagem dos veículos respectivamente.

4.

Artigo 24.º

(Contravenções)

As infracções ao disposto neste regulamento constituem


contravenções, puníveis com multa.

Artigo 25.º

(Processamento das contravenções)

O processamento das contravenções e aplicação das multas previstas


neste diploma compete, consoante o caso, AO GABINETE PROVINCIAL
DOS TRANSPORTES, TRÁFEGO E MOBILIDADE URBANA ao Instituto
Nacional dos Transportes Rodoviários, Direcção Nacional de Viação e
Trânsito.

Artigo 26.º

(Cancelamento da licença)

1. Devem ser canceladas todas as licenças que se mostrem ser


exploradas por entidades diversas do respectivo titular.

2. O abandono do exercício da actvidade, por período superior a


90 dias durante um ano, salvo caso fortuito ou de força maior,
implica o cancelamento da licença.

3. O titular da licença cancelada nos termos deste artigo, não pode


obter, por si ou por interposta pessoa, nova licença para veículos
de aluguer antes de decorrido um ano, a contar da data de
cancelamento.

Artigo 27.º

(Realização de transportes por entidade não licenciada)

A realização de transporte por entidade não licenciada é punível


com multa de 35.000, 00 Kwanzas.
Artigo 28.º

(Distintivos de identificação)

1. A realização de transportes sem os distintivos de identificação a


que refere o artigo 10º é punível com multa de 13.000, 00 Kwanzas

2. A ostentação de distintivos próprios do transporte em moto-táxi


em veículos não licenciados é punível com multa de 26.000,00
Kwanzas.

Artigo 29.º

(Falta de apresentação de documentos)

1. A não apresentação de licenças e do cartão de moto-taxista,


previstas no presente regulamento no acto de fiscalização é
punível com as multas previstas, caso a caso, salvo se, até ao
termo do prazo fixado para contestação no processo
contravencional, for comprovada a existência do documento
não apresentado.

2. A mera falta de apresentação dos documentos referidos no


número anterior é punível com multa de 5.000,00 Kwanzas.

3. A apresentação fora do prazo de documentos para renovação é


punível com multa de 10.000,00 Kwanzas.

Artigo 30.º

(Falta de cumprimento dos deveres do moto-taxista)

A falta de cumprimento dos deveres do condutor previsto no artigo


18.º é punida com multa de 5.000,00 Kwanzas.

Artigo 31.º

(Sanções acessórias)

Com a aplicação da multa pode ser decretada a sanção acessória


de interdição do exercício da actividade se o transportador tiver
praticado três infrações, durante o prazo de 1 ano a contar da data
da primeira decisão condenatória ou do pagamento voluntário da
multa.
OBS: SUGERIMOS QUE OS VALORES APRESENTADOS SEJAM SUBSTITUIDOS
POR UCF (UNIDADES DE CORREÇÃO FISCAL), UMA VEZ QUE COM O
TEMPO PODEREMOS CONHECER NÍVEIS ALTOS OU BAIXOS DE INFLAÇÃO.